-
Semente (descendente)Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2
-
-
Houve uma revelação gradual dos aspectos do segredo de Deus a respeito da prometida ‘semente’ da mulher. As questões a serem respondidas eram: Seria a semente celestial ou terrestre? Se fosse espiritual ou celestial, seguiria apesar disso um rumo terrestre? Seria a semente uma só ou constituiria muitas? Como destruiria a Serpente e libertaria a humanidade?
-
-
Semente (descendente)Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 2
-
-
A espiritual ‘semente da mulher’. Portanto, não importa como homens fiéis da antiguidade talvez encarassem esta questão, à luz das Escrituras Cristãs torna-se claro que a prometida ‘semente da mulher’ teria de ser mais do que humana, a fim de poder ‘machucar a cabeça’ deste inimigo espiritual, esta pessoa angélica, o Diabo. A ‘semente’ teria de ser uma poderosa pessoa espiritual. Como seria providenciada, e quem seria sua ‘mãe’, a “mulher”?
A próxima menção registrada da ‘semente’ prometida foi feita mais de 2.000 anos depois ao fiel Abraão. Abraão era da linhagem de Sem, e, numa profecia anterior, Noé chamara a Jeová de “Deus de Sem”. (Gên 9:26) Isto indicava que Sem tinha o favor de Deus. No tempo de Abraão, predisse-se que o “descendente [lit.: semente]” da promessa viria por meio de Abraão. (Gên 15:5; 22:15-18) A bênção do sacerdote Melquisedeque sobre Abraão confirmou isso adicionalmente. (Gên 14:18-20) Ao passo que a declaração de Deus a Abraão revelava que Abraão teria descendência, esclarecia também que a linhagem ancestral da profeticamente prometida ‘semente’ de libertação deveras seguiria um rumo terrestre.
Predita uma só pessoa. Referindo-se à prole de Abraão e de outros, os termos hebraico e grego, usados no singular, usualmente se referem a essa prole em sentido coletivo. Parece haver um forte motivo pelo qual se usou tantas vezes o termo coletivo zé·raʽ, ‘semente’, em vez de a palavra estritamente plural ba·ním, “filhos” (singular: ben), com referência à descendência de Abraão. O apóstolo Paulo aponta para este fato ao explicar que, quando Deus falou das bênçãos que adviriam por meio da semente de Abraão, ele referiu-se primariamente a uma só pessoa, a saber, Cristo. Paulo disse: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e a seu descendente [lit.: semente]. Não diz: ‘E a descendentes [lit.: sementes; gr.: spér·ma·sin]’, como no caso de muitos, mas como no caso de um só: ‘E a teu descendente [semente; gr.: spér·ma·tí]’, que é Cristo.” — Gál 3:16.
Alguns peritos têm objetado à declaração de Paulo a respeito do uso singular e plural de ‘semente’. Salientam que, no hebraico, a palavra para “semente” (zé·raʽ), quando usada para descendência, nunca muda de forma. Também, os verbos e adjetivos acompanhantes por si só não indicam a singularidade ou pluralidade intencionada com a palavra “semente”. Embora seja assim, há outro fator que demonstra que a explicação de Paulo era tanto gramatical como doutrinalmente exata. Explicando este fator, a Cyclopædia (Ciclopédia) de M’Clintock e Strong (1894, Vol. IX, p. 506) declara: “Em relação com os pronomes, a construção é inteiramente diferente de ambos os precedentes [isto é, os verbos e os adjetivos empregados junto com a palavra “semente”]. Um pronome singular [empregado junto com zé·raʽ] assinala um indivíduo, apenas um único, ou um dentre muitos; ao passo que o pronome plural representa todos os descendentes. Esta regra é seguida invariavelmente pela Sept[uaginta] . . . Pedro entendia esta construção, pois verificamos que ele infere uma semente singular de Gên. xxii, 17, 18, ao falar aos judeus naturais na cidade de Jerusalém, antes da conversão de Paulo (Atos iii, 26), assim como Davi dera o exemplo mil anos antes (Sal. lxxii, 17).”
Adicionalmente, esta obra de referência diz: “A distinção feita por Paulo não é entre uma semente e outra, mas entre esta uma semente e as muitas; e, se considerarmos que cita a mesma passagem que Pedro [já citada], seu argumento é razoavelmente apoiado pelo pronome ‘os inimigos dele [e não deles]’. Semente, com o pronome no singular, é o equivalente exato de filho.”
Para citar uma ilustração, a expressão “minha prole” poderia referir-se a um só filho ou a muitos. Mas, se depois desta expressão se usasse o pronome demonstrativo no singular para se referir à prole, seria evidente que se estaria falando de uma só pessoa.
A promessa feita a Abraão, de que todas as famílias da terra haviam de abençoar a si mesmas por meio da sua ‘semente’ não poderia ter incluído todos os descendentes de Abraão como sua ‘semente’, visto que os descendentes de seu filho Ismael e também dos seus filhos com Quetura não foram usados para abençoar a humanidade. A semente da bênção viria por meio de Isaque. “O que será chamado teu descendente [semente] será por intermédio de Isaque”, disse Jeová. (Gên 21:12; He 11:18) Esta promessa foi subsequentemente especificada ainda mais, quando Jacó, dentre os dois filhos de Isaque, Jacó e Esaú, foi especialmente abençoado. (Gên 25:23, 31-34; 27:18-29, 37; 28:14) Além disso, Jacó limitou esta questão por mostrar que o ajuntamento de pessoas seria a Siló (que significa: “Aquele de Quem É; Aquele a Quem Pertence”), da tribo de Judá. (Gên 49:10) Daí, dentre todo o Judá, a vindoura semente foi limitada à linhagem de Davi. (2Sa 7:12-16) No primeiro século EC, esta especificação foi notada pelos judeus, que realmente aguardavam a vinda de uma só pessoa qual Messias ou Cristo, como libertador (Jo 1:25; 7:41, 42), embora pensassem também que eles, como descendência, ou semente, de Abraão, fossem o povo favorecido, e, como tal, filhos de Deus. — Jo 8:39-41.
-