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Quantos sentidos temos realmente?Despertai! — 2003 | 8 de março
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Quantos sentidos temos realmente?
“Nossa interação com o ambiente é tão eficaz e tão espontânea que é difícil avaliar as extensas operações por trás até mesmo da experiência sensorial mais simples.” — EXTRAORDINÁRIOS ASPECTOS SENSORIAIS: UM MUNDO ALÉM DA EXPERIÊNCIA HUMANA (em inglês).
IMAGINE-SE andando de bicicleta numa tranqüila estrada de interior. Os sensores nas pernas fazem com que você aplique exatamente a força necessária para manter a velocidade desejada. Seus órgãos de equilíbrio mantêm-no equilibrado; as narinas inalam os aromas; os olhos captam o panorama; os ouvidos estão atentos ao canto dos pássaros. Com sede, você apanha o recipiente de água com a ajuda dos receptores de tato nos dedos. As papilas gustativas e os sensores de quente—frio revelam o sabor do líquido e sua temperatura. Sensores na pele e nos fios de cabelo informam a intensidade da brisa e, com a ajuda dos olhos, a velocidade com que você anda. A pele informa também a temperatura ambiente e a umidade do ar, e sua noção de tempo lhe diz há quanto tempo mais ou menos você está pedalando. Oportunamente, sensores internos o compelirão a descansar e a se alimentar. Sim, a vida é realmente uma superlativa sinfonia de sentidos!
Apenas cinco sentidos?
Durante essa viagem de bicicleta, quantos sentidos entraram em ação — apenas os cinco tradicionais: visão, audição, olfato, paladar e tato? Segundo a Encyclopædia Britannica, esses cinco sentidos foram alistados pelo antigo filósofo Aristóteles, cuja “influência é tão duradoura que muitos ainda falam dos cinco sentidos como se não houvesse outros”.
Segundo a Britannica, porém, estudos apenas na sensibilidade da pele “produziram evidências de que os sentidos humanos são mais do que cinco”. Como assim? Certas funções que antes eram agrupadas sob tato são agora consideradas como sentidos distintos. Por exemplo, os receptores da dor reagem a forças ou substâncias mecânicas, térmicas e químicas e fazem distinção entre elas. Outros sensores indicam coceira. As evidências sugerem que temos pelo menos dois tipos de sensores de pressão — um para pressão superficial leve e outro para estímulo profundo. O nosso corpo tem também muitos sentidos internos. Que papel desempenham?
Os sentidos internos
Sensores internos detectam mudanças que ocorrem dentro do corpo. Eles anunciam coisas como fome, sede, cansaço, dor interna e a necessidade de respirar ou de ir ao banheiro. Em cooperação com o nosso relógio biológico, os sensores internos nos dão a sensação de cansaço, no fim do dia, ou de desconforto, em caso de viagem aérea com mudança de fuso horário. De fato, visto que podemos “sentir” a passagem do tempo, tem-se sugerido que a noção de tempo seja acrescentada à lista de sentidos.
Temos também o sentido vestibular, ou de equilíbrio, localizado no ouvido interno. Ele responde à gravidade, à aceleração e à rotação. E por fim temos o sentido cinestético, que nos possibilita detectar tensão muscular e, mesmo de olhos fechados, o movimento e a posição dos braços ou das pernas.
Naturalmente, a percepção sensorial não é exclusividade humana. Os animais também possuem uma grande variedade de sentidos, alguns realmente espantosos, que nós não temos. No próximo artigo examinaremos alguns deles. Também analisaremos mais de perto a nós mesmos e as qualidades únicas que conferem aos humanos um lugar especial entre as coisas vivas da Terra.
[Quadro/Fotos na página 4]
A maravilha do tato humano
A mão humana tem um sentido de tato especialmente aguçado. Segundo a revista Smithsonian, os pesquisadores descobriram que a mão pode detectar um pontinho de apenas três mícrons de altura. (O diâmetro de um fio de cabelo humano é de 50 a 100 mícrons.) No entanto, “usando uma superfície irregular em vez de um pontinho, os pesquisadores descobriram que a mão pode detectar rugosidades de apenas 75 nanômetros de altura” — um nanômetro é um milésimo de mícron! Atribui-se essa notável sensibilidade a cerca de 2.000 receptores de tato em cada ponta de dedo.
O sentido do tato desempenha também um papel na nossa saúde e bem-estar. “O afago de outra pessoa libera hormônios que podem aliviar a dor e clarear a mente”, diz a revista U.S.News & World Report. Alguns acreditam que uma criança que não recebe afagos carinhosos terá dificuldade de crescimento.
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Espantosos sentidos no mundo animalDespertai! — 2003 | 8 de março
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Espantosos sentidos no mundo animal
CAMINHANDO rapidamente em busca de comida, o camundongo sente-se seguro na escuridão. Mas despercebe a capacidade da cascavel de “enxergar” o calor que irradia do corpo do camundongo — um erro fatal. Um linguado jaz totalmente oculto sob uma camada de areia num tanque de tubarões, enquanto um tubarão faminto vem nadando em sua direção. O tubarão não pode ver o linguado; no entanto, num piscar de olhos, ele pára, enfia o focinho na areia e devora a presa.
A cascavel e o tubarão são exemplos de animais dotados de sentidos especializados que os humanos não têm. Por outro lado, muitas criaturas têm sentidos semelhantes aos nossos, porém mais aguçados ou capazes de captar uma variação diferente de percepções. Bom exemplo disso são os olhos.
Olhos que vêem um mundo diferente
As variações de cores que os nossos olhos captam é apenas uma minúscula fração do espectro eletromagnético. Por exemplo, nossos olhos não conseguem ver a radiação infravermelha, cujo comprimento de onda é superior ao da luz vermelha. No entanto, as serpentes-cascavel têm dois orifícios entre os olhos e as narinas, que detectam a radiação infravermelha.a Assim, mesmo no escuro elas podem atacar com precisão uma presa de sangue quente.
Depois da cor violeta no fim do espectro visível vem a luz ultravioleta (UV). Embora invisível aos nossos olhos, a luz UV é visível a muitas criaturas, incluindo aves e insetos. As abelhas, por exemplo, orientam-se pelo Sol — mesmo com ele encoberto num dia parcialmente nublado — localizando uma parte de céu azul e observando o padrão formado pela luz UV polarizada. Muitas plantas floríferas apresentam padrões visíveis apenas na faixa UV, e algumas flores têm até mesmo um “indicador de néctar” — uma seção com refletância de UV contrastante — que indica aos insetos a localização do néctar. Certas frutas e sementes se “apresentam” aos pássaros de maneira similar.
Visto que os pássaros conseguem ver na faixa UV e essa luz confere à sua plumagem uma radiância extra, é provável que, aos olhos deles, se pareçam mais coloridos do que aos nossos. Eles têm “um grau de riqueza [visual] além de nossa imaginação”, disse certo ornitólogo. A capacidade de ver luz UV talvez até mesmo ajude certos gaviões e falcões a localizar ratos-calunga, ou ratos silvestres. Como assim? O rato-calunga macho, diz a revista BioScience, “produz urina e fezes que contêm substâncias que absorvem a UV, e ele marca suas trilhas com urina”. Desse modo aquelas aves podem “identificar áreas de alta densidade de ratos-calunga” e concentrar seus esforços ali.
Por que as aves enxergam tão bem?
A visão das aves é uma maravilha. “A razão principal disso”, diz o livro All the Birds of the Bible (Todas as Aves da Bíblia), “é que no tecido formador de imagens, que reveste o interior do olho, existem muito mais células visuais do que no de outras criaturas. O número de células visuais determina a capacidade de o olho ver objetos pequenos à distância. Ao passo que a retina humana tem umas 200.000 células visuais por milímetro quadrado, a maioria das aves tem três vezes mais do que isso, e os gaviões, os abutres e as águias têm um milhão, ou mais, por milímetro quadrado”. Além disso, algumas aves têm a vantagem extra de duas fóveas — áreas de máxima resolução ótica — em cada olho, dando-lhes uma percepção superior de distância e velocidade. Pássaros que pegam insetos em pleno vôo também são assim dotados.
As aves também dispõem de lentes excepcionalmente flexíveis que permitem uma focagem rápida. Imagine como seria perigoso voar — especialmente numa floresta ou entre arbustos fechados — se tudo fosse embaçado. Que sabedoria é evidente no projeto do olho das aves!b
O sentido elétrico
O já mencionado incidente, envolvendo o linguado oculto e o tubarão, realmente ocorreu durante um estudo científico sobre tubarões. Os pesquisadores queriam saber se os tubarões e as raias captavam os minúsculos campos elétricos que emanam de peixes vivos.c Para descobrir isso, eles ocultaram eletrodos na base de areia do tanque do tubarão e aplicaram a voltagem apropriada. O resultado? Assim que o tubarão se aproximava dos eletrodos, ferozmente os atacava.
Os tubarões possuem o que é chamado de eletrorreceptividade passiva; eles detectam campos elétricos assim como o ouvido passivamente detecta sons. Mas os peixes-elétricos têm eletrorreceptividade ativa. Assim como o morcego que emite um sinal acústico e lê o eco, esses peixes emitem ondas ou pulsos elétricos, dependendo da espécie, e daí, com receptores especiais, detectam qualquer alteração nesses campos.d Desse modo o peixe-elétrico pode identificar obstáculos, presas em potencial ou até mesmo um(a) parceiro(a).
Uma bússola embutida
Pense como seria a vida se o nosso corpo estivesse equipado com uma bússola embutida. Perder-se certamente não seria nenhum problema! Dentro do corpo de muitas criaturas, incluindo abelhas e trutas, os cientistas encontraram cristais microscópicos de magnetita, ou pedra-ímã, uma substância magnética natural. As células que contêm esses cristais são ligadas ao sistema nervoso. Assim, as abelhas e as trutas têm mostrado capacidade de detectar campos magnéticos. De fato, as abelhas usam o campo magnético da Terra para a construção de colméias e para a locomoção.
Os pesquisadores descobriram também magnetita em espécies de bactéria que vivem em sedimentos do solo marinho. Quando o sedimento sofre abalos, o campo magnético da Terra atua na magnetita para posicionar as bactérias de tal modo que possam se locomover com segurança de volta para seu habitat no leito marinho. Do contrário, elas morreriam.
É possível que muitos animais migratórios — incluindo aves, tartarugas, salmões e baleias — também tenham um sentido magnético. Mas parece que eles não se guiam só por esse sentido. Pelo visto, orientam suas trajetórias por uma variedade de sentidos. Os salmões, por exemplo, provavelmente usam seu forte sentido de olfato para encontrar a corrente em que nasceram. Os estorninhos europeus navegam orientando-se pelo Sol, e algumas outras aves pelas estrelas. Mas como disse o professor de psicologia Howard C. Hughes, em seu livro “Extraordinários Aspectos Sensoriais: um Mundo além da Experiência Humana”, “obviamente, ainda estamos muito longe de entender esses e outros mistérios da natureza”.
Ouvidos invejáveis
Em comparação com os humanos, muitas criaturas possuem uma audição espantosa. Enquanto nós podemos ouvir sons na freqüência de 20 a 20.000 hertz (ciclos por segundo), os cães podem ouvir na freqüência de 40 a 46.000 hertz, e os cavalos de 31 a 40.000 hertz. Elefantes e gado bovino podem ouvir até mesmo na freqüência infra-sônica (inaudível para a audição humana) até 16 hertz. Visto que as freqüências baixas trafegam mais longe, os elefantes podem comunicar-se a distâncias de uns quatro quilômetros. De fato, alguns pesquisadores dizem que nós poderíamos usar tais animais para nos dar sinais antecipados a respeito de terremotos e graves distúrbios climáticos — ambos os quais emitem sons infra-sônicos.
O alcance da audição dos insetos também é muito grande, alguns na freqüência ultra-sônica de mais de duas oitavas acima do ouvido humano e outros na freqüência infra-sônica. Alguns insetos ouvem por meio de membranas finas e planas, semelhantes ao tímpano, que se encontram em quase todas as partes do corpo, menos na cabeça. Outros ouvem com a ajuda de pêlos delicados que reagem não apenas ao som, mas também aos mais suaves movimentos no ar, como os causados pela mão humana. Essa sensibilidade explica por que é tão difícil matar uma mosca com um tapa.
Imagine poder ouvir os passos de um inseto! Essa audição espantosa pertence ao único mamífero voador do mundo: o morcego. Naturalmente, os morcegos precisam de audição especializada para voar no escuro e pegar insetos por meio de ecolocação, ou sonar.e Diz o professor Hughes: “Imagine um sistema de sonar mais sofisticado do que aqueles que se encontram nos nossos submarinos mais modernos. Daí imagine esse sistema sendo usado por um pequeno morcego que cabe facilmente na palma da mão. Todas as operações que permitem ao morcego identificar a distância, a velocidade e até mesmo a espécie de inseto visada são realizadas por um cérebro menor do que a nossa unha do polegar!”
Visto que a ecolocação precisa depende também da qualidade do sinal sonoro emitido, os morcegos têm a “habilidade de controlar o diapasão da voz de modo a causar inveja a qualquer cantor de ópera”, diz certo livro.f Aparentemente, por meio das saliências da pele no nariz de algumas espécies, os morcegos podem também concentrar o som num feixe direcional. Esses recursos produzem um sonar tão sofisticado que pode gerar uma “imagem acústica” de objetos tão finos como um fio de cabelo humano!
Além dos morcegos, pelo menos duas espécies de aves — os andorinhões da Ásia e da Austrália e os guácharos da América tropical — também empregam a ecolocação. Mas parece que eles usam essa habilidade apenas para voar nas cavernas escuras que habitam.
Sonar no mar
As baleias odontocetas (providas de dentes) também empregam o sonar, embora os cientistas ainda não tenham descoberto exatamente como isso funciona. O sonar do golfinho começa com estalidos distintos, que, segundo se pensa, não se originam na laringe, mas sim no sistema nasal. O melão — o bulbo de tecido adiposo na testa do golfinho — centraliza o som num feixe que “ilumina” uma área na frente do animal. Como é que os golfinhos ouvem seus ecos? Pelo visto, não com os ouvidos, mas sim com a mandíbula e órgãos associados, ligados ao ouvido médio. Significativamente, essa região contém o mesmo tipo de gordura que se encontra no melão do golfinho.
Os estalidos do sonar do golfinho são muito parecidos com uma forma de onda matemática chamada de função Gabor. Essa função, diz Hughes, prova que os estalidos do golfinho “são quase um sinal sonar matematicamente ideal”.
Os golfinhos podem ajustar a potência de seus estalidos de sonar de mero sussurro a um estampido de 220 decibéis. Qual a potência disso? Bem, a música de rock alta pode produzir 120 decibéis, e fogo de artilharia, 130 decibéis. Armados com um sonar muito mais poderoso, os golfinhos podem detectar coisas pequenas como uma bolinha de 8 centímetros a uma distância de 120 metros, e talvez ainda mais longe em águas calmas.
Não fica cheio de admiração e reverência ao refletir nos espantosos sentidos manifestos nas coisas vivas? Pessoas humildes e bem informadas em geral se sentem assim — o que nos faz voltar à pergunta sobre como nós somos feitos. É verdade que muitos de nossos sentidos perdem a imponência quando comparados com os de certos animais e insetos. Não obstante, somos os únicos que nos sensibilizamos com o que vemos na natureza. Por que temos tais sentimentos? E por que tentamos não apenas entender as coisas vivas, mas também compreender o seu objetivo e que lugar ocupamos entre elas?
[Nota(s) de rodapé]
a Existem cerca de 100 espécies de serpentes-cascavel, como a cascavel-anã, a cascavel-diamante-oriental e a cascavel-cornuda.
b Os leitores interessados na questão da evolução versus projeto inteligente são convidados a ler o livro A Vida — Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação?, publicado pelas Testemunhas de Jeová.
c Quando submersas, todas as criaturas vivas, incluindo os humanos, emitem um minúsculo, porém detectável, campo elétrico.
d O peixe-elétrico a que nos referimos aqui produz apenas uma descarga muito leve. Não o confunda com peixes-elétricos que produzem voltagens bem mais fortes, como raias e enguias-elétricas que atordoam as vítimas, tanto na defesa como no ataque. Enguias-elétricas podem até mesmo matar um cavalo!
e A família dos morcegos compõe-se de umas mil espécies. Contrário à crença popular, todos eles têm bons olhos, mas nem todos usam ecolocação. Alguns, como os morcegos frugívoros, usam sua excelente visão noturna para encontrar alimento.
f Os morcegos emitem um sinal complexo com um número de componentes de freqüência de 20.000 a 120.000 hertz ou mais.
[Quadro/Fotos na página 9]
Insetos, cuidado!
“Todos os dias, ao anoitecer, ocorre algo realmente espantoso nas suaves colinas perto de San Antonio, Texas [EUA]”, diz o livro “Extraordinários Aspectos Sensoriais: um Mundo além da Experiência Humana”. “À distância, você talvez imagine estar vendo uma enorme nuvem negra emergindo das entranhas da Terra. No entanto, o que escurece o céu não é uma nuvem de fumaça, mas sim o êxodo em massa de 20 milhões de morcegos-do-guano que saem das profundezas da Caverna Bracken.”
Segundo uma estimativa mais recente, são 60 milhões de morcegos que saem dessa caverna. Subindo até 3.000 metros no céu noturno, eles procuram sua comida predileta: insetos. Mesmo com o céu noturno supercarregado de emissões de som ultra-sônico de morcegos, não há confusão, pois cada um desses mamíferos ímpares é equipado com um sistema altamente sofisticado de detectar seus próprios ecos.
[Foto]
Caverna Bracken
[Crédito]
Cortesia de Lise Hogan
[Foto]
Morcego-do-guano — sonar
[Crédito]
© Merlin D. Tuttle, Bat Conservation International, Inc.
[Foto na página 7]
Abelhas — visão e sentido magnético
[Foto na página 7]
Águia-dourada — visão
[Foto na página 7]
Raia — sentido elétrico
[Foto na página 7]
Tubarão — sentido elétrico
[Foto na página 7]
Estorninhos — visão
[Foto na página 7]
Salmão — olfato
[Crédito]
U.S. Fish & Wildlife Service, Washington, D.C.
[Foto na página 7]
Tartaruga — possivelmente sentido magnético
[Foto na página 8]
Elefante — audição de baixa freqüência
[Foto na página 8]
Cachorro — audição de alta freqüência
[Foto na página 9]
Golfinhos — sonar
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Dons especiais que nos tornam únicosDespertai! — 2003 | 8 de março
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Dons especiais que nos tornam únicos
‘O cientista estuda a natureza porque se deleita com ela, e ele se deleita com ela porque ela é bonita.’ — JULES-HENRI POINCARÉ, CIENTISTA E MATEMÁTICO FRANCÊS (1854-1912).
POINCARÉ admirava profundamente a beleza do mundo natural, em especial “essa extrema beleza” de harmonia e ordem que exerce atração sobre a mente científica. Mas não é preciso ser cientista para apreciar a beleza e a ordem que nos cercam. Uns 3.000 anos atrás, o salmista Davi sentia-se profundamente sensibilizado pelas evidências de projeto na criação — em especial no corpo humano. Assim, ele orou: “Elogiar-te-ei porque fui feito maravilhosamente, dum modo atemorizante. Teus trabalhos são maravilhosos, de que minha alma está bem apercebida.” — Salmo 139:14.
Tais sentimentos de admiração e de reverência são exclusividade humana, superiores à capacidade até mesmo do animal mais inteligente. Mas o nosso interesse no mundo natural é ainda mais profundo. Pessoas de reflexão de todas as idades têm perguntado: Qual é a fonte do espantoso projeto das coisas vivas? Qual é, afinal, a razão da existência das coisas vivas? E qual é o nosso papel em tudo isso? A ciência e o raciocínio introspectivo não podem responder a essas perguntas. Mas a Bíblia, inspirada por Deus, oferece respostas realmente satisfatórias. — 2 Pedro 1:20, 21.
Esse antigo livro sagrado explica que as ímpares características humanas são o resultado de termos sido criados “à imagem de Deus” — que significa que somos capazes de refletir (embora em grau menor) os traços de personalidade do Criador. (Gênesis 1:27) Assim, mesmo sem olhos de águia podemos ‘enxergar longe’ na demonstração de sabedoria. A nossa audição é bem menos sensível que a de um morcego, mas nos deleitamos com conversas, com música e com os agradáveis sons da natureza. E, embora não tenhamos uma bússola embutida, na Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, encontraremos a melhor orientação na vida. — Provérbios 3:5, 6.
Termos sido criados à imagem de Deus explica também por que somente nós temos necessidade espiritual. “O homem tem de viver, não somente de pão”, disse Jesus, “mas de cada pronunciação procedente da boca de Jeová”. (Mateus 4:4) Você assimila regularmente essas reanimadoras pronunciações lendo a Bíblia?
Quando nos alimentamos adequadamente da Palavra de Deus, a nossa espiritualidade pode expandir a nossa percepção além dos limites impostos pelos sentidos físicos. Como assim? Por edificar a nossa fé. A fé genuína baseada na Bíblia, habilita-nos a “ver” o Deus invisível — como no caso de Moisés — e também a discernir Seu propósito para o futuro. — Hebreus 11:1, 27.
Futuro glorioso para os que “vêem” a Deus
A Bíblia ensina que o Criador, Jeová Deus, ama a Terra e todas as criaturas que vivem nela, em especial os humanos que o temem. Assim, ele promete acabar com todos os perversos, incluindo os que gananciosamente “arruínam a terra”. (Revelação [Apocalipse] 11:18; Salmo 37:10, 11; 2 Tessalonicenses 1:8) Depois disso, ele dará vida eterna a pessoas que o amam e lhe obedecem. Além do mais, elas ajudarão a transformar o planeta inteiro num paraíso cheio de vida. Que perspectiva maravilhosa! — Lucas 23:43.
Imagine o que você poderá fazer e descobrir com vida e boa saúde sem fim! “A natureza”, escreveu certo cientista, “sempre terá originalidade, abundância e beleza inesgotáveis”. A Bíblia diz: ‘Tudo Deus fez bonito no seu tempo. Pôs até mesmo tempo indefinido no coração dos homens, para que a humanidade nunca descobrisse o trabalho que o Deus verdadeiro tem feito do começo ao fim.’ — Eclesiastes 3:11.
Como você poderá fazer parte do Paraíso descrito na Bíblia? Por aprender a respeito dos propósitos de Deus agora e aplicar o que aprende. “Isto significa vida eterna”, disse Jesus, “que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo”. — João 17:3.
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