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Dados gerais sobre Serra Leoa e a GuinéAnuário das Testemunhas de Jeová de 2014
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SERRA LEOA E GUINÉ
Dados gerais sobre Serra Leoa e a Guiné
País Podemos encontrar nos dois países mangues, savanas, planaltos cultiváveis e, no interior, montanhas altas. Três dos maiores rios da África Ocidental, os rios Gâmbia, Níger e Senegal, nascem na Guiné.
Povo Dos 18 grupos étnicos que existem em Serra Leoa, os maiores são os mendes e os temnes. Os criôs — descendentes de escravos africanos libertos — vivem principalmente nas redondezas de Freetown. Há mais de 30 grupos étnicos na Guiné, e os maiores deles são os fulas, os mandingas e os sussus.a
Religião Cerca de 60% dos serra-leoneses são muçulmanos; a maior parte dos demais se considera cristã. Uns 90% dos guineanos são muçulmanos. A maioria das pessoas dos dois países pratica também algum tipo de religião tradicional africana.
Idioma Cada grupo étnico tem seu próprio idioma. A língua mais falada em Serra Leoa é o criô — uma mistura de inglês com outros idiomas europeus e africanos. O idioma oficial da Guiné é o francês. Aproximadamente 60% das pessoas nos dois países são analfabetas.
Economia A maioria das pessoas vive da agricultura de subsistência. Diamantes extraídos da margem de corpos d’água correspondem a quase metade das exportações de Serra Leoa. A Guiné possui uma das maiores reservas de bauxita do mundo.
Alimentação “Sem arroz, é como se eu não tivesse comido.” Essa é uma expressão bem popular. O fufu, uma massa pastosa feita de mandioca cozida, é servido com carne, quiabo e molho de azedinha.
Clima Quente e úmido no litoral e mais fresco nas regiões montanhosas. Na estação seca, um vento árido que vem do Saara, conhecido como harmatão, sopra por dias, diminuindo a temperatura e cobrindo tudo de poeira.
a Alguns grupos étnicos são conhecidos por outros nomes.
SERRA LEOA
GUINÉ
PAÍS (quilômetros quadrados)
71.740
245.857
POPULAÇÃO
6.092.000
11.745.000
PUBLICADORES EM 2013
2.039
748
PROPORÇÃO, 1 PUBLICADOR PARA
2.988
15.702
ASSISTÊNCIA À CELEBRAÇÃO EM 2013
8.297
3.609
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1915-1947 Anos iniciais (parte 1)Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
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SERRA LEOA E GUINÉ
1915-1947 Anos iniciais (parte 1)
A luz da verdade começa a brilhar
A verdade bíblica chegou a Serra Leoa em 1915, quando algumas pessoas trouxeram publicações bíblicas ao voltarem da Inglaterra. Por volta de julho daquele mesmo ano, o primeiro servo batizado de Jeová chegou a Freetown. Seu nome era Alfred Joseph, de 31 anos, nascido na Guiana, América do Sul. Ele havia sido batizado naquele mesmo ano em Barbados, no Caribe, e tinha sido contratado como maquinista de trem em Freetown. Alfred foi morar num complexo ferroviário em Cline Town, uma região a cerca de três quilômetros da Cotton Tree, Freetown. Ele logo começou a transmitir a mensagem da Bíblia a seus colegas de trabalho.
No ano seguinte, Leonard Blackman, um antigo colega de trabalho de Alfred, chegou de Barbados. A mãe de Leonard, Elvira Hewitt, foi a primeira pessoa que falou da verdade bíblica a Alfred. Leonard e Alfred eram vizinhos e passaram a se reunir regularmente para considerar a Bíblia e a distribuir publicações bíblicas a amigos e pessoas interessadas.
Alfred e Leonard descobriram que “os campos” em Freetown estavam “brancos para a colheita”. (João 4:35) Em 1923, Alfred escreveu à sede mundial em Nova York: “Muitas pessoas daqui estão interessadas na Bíblia. Podem enviar alguém para cuidar delas e ajudar na obra de pregação em Serra Leoa?” A resposta foi: “Alguém será enviado!”
William “Bíblia” Brown e sua esposa, Antonia
Alfred conta: “Muitos meses depois, num sábado, recebi um telefonema bem tarde da noite.
“‘Foi o senhor quem escreveu à Sociedade Torre de Vigia pedindo ajuda para a pregação?’, perguntou uma voz.
“‘Sim’, respondi.
“‘Bem, eles me enviaram’, disse a voz estrondosa.
“A voz era de William R. Brown. Ele, sua esposa, Antonia, e a filhinha deles tinham chegado naquele dia e estavam hospedados no Hotel Gainford.
“Na manhã seguinte, enquanto eu e Leonard fazíamos nosso estudo semanal da Bíblia, apareceu um homem imponente à entrada da casa. Era William R. Brown. Ele tinha tanto zelo pela verdade que queria proferir um discurso público no dia seguinte. Logo reservamos o maior auditório de Freetown — o Salão Memorial de Wilberforce — e programamos o primeiro de quatro discursos públicos para a noite da quinta-feira seguinte.
“Nosso pequeno grupo fez a divulgação dos discursos por meio de jornais, panfletos e propaganda boca a boca. Ficamos na dúvida de qual seria a reação do público, mas não precisávamos ter nos preocupado. Cerca de 500 pessoas lotaram o auditório, inclusive muitos clérigos de Freetown. Ficamos contentíssimos!”
Durante uma hora, o irmão Brown citou a Bíblia inúmeras vezes em seu discurso e projetou numa tela slides de textos bíblicos. Enquanto proferia seu discurso, ele falou repetidas vezes: “Isso não é o que o Brown diz, mas é o que a Bíblia diz.” A assistência ficou impressionada e aplaudia após cada explicação. O que mais chamou a atenção da assistência não foi o estilo vigoroso de proferir o discurso, mas as citações bíblicas que o irmão Brown usava para provar seus argumentos. Até mesmo um jovem seminarista que estava na assistência declarou: “O Sr. Brown conhece bem sua Bíblia!”
1930
Os discursos do irmão Brown agitaram a cidade, e multidões vinham assistir a eles. No domingo seguinte, as pessoas lotaram o auditório para ouvir o discurso “Ida e volta do inferno — quem está lá?” As verdades convincentes apresentadas pelo irmão Brown naquela noite fizeram com que até mesmo religiosos de destaque abandonassem suas igrejas.
O discurso “Milhões que agora vivem jamais morrerão”, o quarto e último da série, atraiu tantas pessoas que um morador de Freetown mais tarde disse: “As igrejas locais tiveram de cancelar seus ofícios naquela noite, pois todos os seus membros estavam assistindo ao discurso do irmão Brown.”
Visto que o irmão Brown sempre usava a Bíblia, citando-a como autoridade máxima, as pessoas começaram a chamá-lo de “Bíblia Brown”. Em pouco tempo, ele ficou conhecido em toda África Ocidental por esse apelido e, até o final de sua carreira terrestre, William R. Brown se orgulhava de ser chamado assim.
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1915-1947 Anos iniciais (parte 2)Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
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SERRA LEOA E GUINÉ
1915-1947 Anos iniciais (parte 2)
Lutando com os Gladiadores
Quando os clérigos de Freetown viram o quanto seus rebanhos gostavam dos discursos do irmão Brown, ficaram com muita raiva e ciúme. A revista A Torre de Vigia (agora A Sentinela) de 15 de dezembro de 1923 relatou: “Os clérigos partiram para o ataque e estão usando a imprensa para isso. Mas o irmão Brown não deixa nenhuma acusação sem resposta. A imprensa está publicando o que cada lado diz.” Por fim, os clérigos se calaram. Os raciocínios falsos deles tinham sido claramente expostos. Os jornais acabaram divulgando amplamente as verdades bíblicas, e isso levou muitos leitores a solicitar publicações baseadas na Bíblia. Os clérigos tramaram silenciar o povo de Deus, mas Jeová fez os ‘ataques deles retornar sobre eles’. — Sal. 94:21-23.
Em defesa dos clérigos, um grupo de jovens devotos conhecidos como “Os Gladiadores” anunciou várias reuniões públicas para acabar com o “Russelismo”, termo que eles usavam para a mensagem do Reino. Em resposta, o irmão Brown os desafiou publicamente para uma série de debates. Os Gladiadores recusaram o desafio do irmão Brown e criticaram o editor do jornal por ter publicado esse desafio. Eles também proibiram a entrada do irmão Brown nas reuniões deles, então, Alfred Joseph passou a assistir a elas em seu lugar.
As reuniões eram realizadas na Capela Memorial de Buxton, uma respeitada igreja metodista em Freetown. Alfred contou: “Durante a sessão de perguntas e respostas, eu questionei o credo anglicano, a doutrina da Trindade e vários outros ensinos não bíblicos. Por fim, o presidente da sessão se recusou a responder mais perguntas.”
Melbourne Garber, um dos Gladiadores presentes naquela noite, havia assistido aos discursos de “Bíblia Brown”. Ele era aquele jovem seminarista que tinha dito: “O Sr. Brown conhece bem sua Bíblia!” Depois de analisar cuidadosamente o que ouviu, Garber teve certeza de que tinha encontrado a verdade. Logo depois, ele pediu um estudo bíblico ao irmão Brown, que o convidou para o estudo semanal da revista A Torre de Vigia em sua casa. Garber fez rápido progresso espiritual, apesar de ser rejeitado pela família. Ele e vários outros interessados logo foram batizados.
Satanás queria acabar com a obra de pregação enquanto ela estava começando, mas não conseguiu. O prefeito de Freetown estava certo quando disse aos Gladiadores: “Se esta obra for de homens, ela não vai continuar. Mas se for de Deus, vocês não poderão impedi-la.” — Atos 5:38, 39.
A religião dos Browns
No começo de maio de 1923, o irmão Brown enviou um telegrama à sede da Grã-Bretanha pedindo mais publicações. Em pouco tempo, chegaram 5 mil livros, e mais publicações continuaram chegando. Ele também continuou a ser o responsável pela realização das reuniões públicas, que atraíam milhares de pessoas interessadas.
Mais tarde naquele ano, a revista A Torre de Vigia informou: “A obra [em Serra Leoa] tem crescido tão depressa que o irmão Brown pediu um ajudante. Então, Claude Brown, um caribenho que servia em Winnipeg, Canadá, está a caminho para ajudá-lo.”
Claude Brown já havia provado ser um irmão fiel. Durante a Primeira Guerra Mundial, ele teve de suportar tratamento brutal em prisões canadenses e inglesas porque se recusou a violar sua neutralidade cristã. Claude serviu em Serra Leoa por quatro anos e fortaleceu muito os irmãos locais.
Pauline Cole contou: “Antes de ser batizada em 1925, o irmão Claude quis saber se eu estava mesmo preparada para dar esse passo.
“Ele me perguntou: ‘Irmã Pauline, a irmã realmente entende o que aprendeu dos livros Estudos das Escrituras? Não queremos que a irmã enfraqueça espiritualmente por não ter entendido os ensinos bíblicos.’
“Respondi: ‘Irmão Claude, eu leio e releio tudo o que eu aprendo. Já tomei minha decisão!’”
Pauline Cole
Pauline serviu a Jeová por mais de 60 anos, muitos deles como pioneira especial. Ela terminou sua carreira terrestre em 1988.
William “Bíblia” Brown também se preocupava em ajudar outros a desenvolver uma boa rotina espiritual. Alfred Joseph contou: “Toda vez que eu encontrava o irmão Brown de manhã cedo, nossa conversa era mais ou menos assim: ‘Olá, irmão Joe. Como você está? Sabe qual é o texto bíblico para hoje?’ Se eu não soubesse, ele raciocinava comigo sobre a importância de ler todos os dias o texto bíblico no livro Maná Diário. Na manhã seguinte, a primeira coisa que eu fazia era ler o texto para não ser pego de surpresa. Só mais tarde consegui perceber o grande valor desse treinamento.”
Todo o treinamento dado por esses irmãos produziu bons resultados. Em 1923, foram batizadas 14 pessoas e uma congregação foi formada em Freetown. Um desses novos irmãos foi George Brown. Agora havia na congregação três famílias Browns. A atividade zelosa dessas três famílias levou muitos moradores de Freetown a chamar os Estudantes da Bíblia de “a religião dos Browns”.
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1945-1990 Muitos encontram a justiça — Dan. 12:3 (parte 1)Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
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SERRA LEOA E GUINÉ
1945-1990 Muitos encontram a justiça — Dan. 12:3 (parte 1)
Chegam missionários de Gileade
Em junho de 1947, três missionários formados da Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia — Charles Fitzpatrick, George Richardson e Hubert Gresham — chegaram a Freetown. Esses foram os primeiros dos muitos missionários que chegariam.
Os missionários perceberam que os publicadores locais eram zelosos na pregação, mas precisavam se tornar melhores instrutores. (Mat. 28:20) Por isso, eles começaram a ensinar os publicadores a cultivar o interesse encontrado e a dirigir estudos bíblicos. Eles também transmitiram informações mais atualizadas sobre reuniões congregacionais e organização teocrática. Uma reunião aberta ao público foi realizada no Salão Memorial de Wilberforce. Para a alegria dos missionários, 450 pessoas compareceram! Mais tarde, os missionários estabeleceram um dia na semana como o Dia das Revistas. Esse treinamento animou a congregação e lançou o alicerce para futuro crescimento.
Ao mesmo tempo, os missionários se depararam com um grande obstáculo: o clima. Um relatório referente a 1948 diz: “As condições climáticas em Serra Leoa são bem desafiadoras. A estação chuvosa dura seis meses do ano, e a chuva é torrencial e contínua. Às vezes, chove duas semanas sem parar. Na estação seca, o calor é intenso e o clima é muito úmido.” Os primeiros visitantes europeus que chegaram a Serra Leoa apelidaram o país de “cemitério do homem branco”. Havia surtos de malária, febre amarela e outras doenças tropicais. Os missionários foram ficando doentes e tiveram que deixar o país.
Apesar de desapontados com isso, os publicadores locais não desistiram. De 1947 a 1952, o total de publicadores aumentou de 38 para 73. Em Waterloo, cidade próxima a Freetown, pioneiros zelosos ajudaram a criar uma nova congregação. Foram formados novos grupos de estudo em Kissy e Wellington, dois bairros de Freetown. Parecia que a obra em Serra Leoa estava pronta para expandir. De onde viria o impulso necessário para isso?
Uma visita fortalecedora
Em novembro de 1952, um americano alto e magro, de 30 e poucos anos, desembarcou no píer de Freetown e se misturou ao rebuliço da cidade. O visitante, Milton G. Henschel, da sede mundial, contou: “Fiquei impressionado ao ver uma cidade moderna bem mais limpa do que muitas cidades do mundo. . . . Ruas pavimentadas, lojas lotadas, carros novos e um mar de gente passando para lá e para cá.”
O irmão Henschel andou até o lar missionário de Freetown, que ficava a duas quadras da famosa Cotton Tree. Ele informou aos irmãos reunidos ali que Serra Leoa receberia mais ajuda. No domingo seguinte, 253 pessoas lotaram o Salão Memorial de Wilberforce para ouvir uma série de anúncios que ele daria: uma sede seria aberta em Serra Leoa, haveria um superintendente de circuito e assembleias de circuito no país, uma nova congregação seria formada em Kissy e a obra de pregação em regiões mais distantes seria intensificada. A assistência vibrou!
O irmão Henschel contou: “Eles diziam ‘kusheh’, uma palavra expressiva que significa ‘muito bem!’ Os irmãos estavam muito animados. Os congressistas foram embora em grupos, na escuridão da noite, . . . alguns até mesmo foram cantando.”
Um missionário recém-chegado, William Nushy, foi designado para supervisionar a nova sede. William tinha trabalhado em vários cassinos nos Estados Unidos. Mas, quando se tornou Testemunha de Jeová, ele deixou esse emprego e se apegou firmemente aos princípios da Palavra de Deus — esse apego fez com que ele ganhasse o amor e respeito dos publicadores de Serra Leoa.
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Eles queriam assistir ao filmeAnuário das Testemunhas de Jeová de 2014
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SERRA LEOA E GUINÉ
Eles queriam assistir ao filme
EM 1956, os irmãos em Freetown exibiram o filme A Sociedade do Novo Mundo em Ação. Eles relataram:
“Alugamos o maior auditório em Freetown e distribuímos mil convites. Não sabíamos quantas pessoas viriam. Meia hora antes de o filme começar, havia só 25 pessoas na assistência. Mas, em 15 minutos, apareceram mais cem pessoas. Logo, os 500 lugares foram ocupados, e mais cem pessoas ficaram de pé. Outras 500 não conseguiram entrar por causa do auditório lotado. Dissemos que, se pudessem esperar, passaríamos o filme de novo. Elas aceitaram e ficaram esperando, mesmo debaixo de chuva!”
Ao longo dos anos, mais de 80 mil pessoas em Serra Leoa assistiram a esse e a outros filmes marcantes preparados pela organização.
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Sociedades secretasAnuário das Testemunhas de Jeová de 2014
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SERRA LEOA E GUINÉ
Sociedades secretas
EXISTEM sociedades secretas em toda África Ocidental. Essas organizações aceitam membros de qualquer etnia, cultura e idioma. Elas controlam as atividades sociais, educacionais e políticas de seus membros, em especial as religiosas. Duas das maiores sociedades secretas são a poro (para homens) e a sande (para mulheres).a A sociedade poro, por exemplo, busca “controlar os espíritos e fazer com que a intervenção deles nos assuntos dos homens seja benéfica”. — Initiation, 1986.
Os novos membros poros aprendem segredos do mundo espiritual e da arte da bruxaria, e seus corpos recebem cortes ritualísticos. As novas integrantes sandes também aprendem rituais espíritas e geralmente sofrem mutilação genital, embora essa prática não esteja acontecendo mais em algumas regiões.
Outras sociedades secretas controlam o comportamento sexual e usam poções e feitiços para tentar curar loucura e outros males. Durante a guerra civil de Serra Leoa, uma sociedade secreta afirmava que seus membros eram à prova de balas. Bem, eles não eram.
Os membros dessas sociedades são proibidos de revelar o conhecimento e os rituais do grupo. Quem desobedece às leis e aos protocolos de uma sociedade secreta pode ser morto.
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1915-1947 Anos iniciais (parte 3)Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
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SERRA LEOA E GUINÉ
1915-1947 Anos iniciais (parte 3)
Pregação nas regiões mais distantes
Cheia de entusiasmo pela verdade, a congregação Freetown “começou a ocupar-se intensamente com a palavra”. (Atos 18:5) Alfred Joseph contou: “Eu costumava amarrar uma caixa de livros bíblicos na minha enorme motocicleta Norton. Daí, eu levava na garupa Thomas Grant ou seu irmão Sylvester, e íamos às áreas rurais e aos vilarejos próximos a Freetown para fazer o que chamávamos de ‘divulgação’.”
Até 1927, os publicadores pregavam na maioria das vezes em Freetown e nas proximidades, numa área chamada “A Colônia”. Mas, a partir de 1928, a congregação passou a alugar um ônibus todo ano para pregar em regiões mais distantes antes da estação das chuvas. Essas viagens eram lideradas por Melbourne Garber. Aqueles que não podiam ir contribuíam financeiramente para as viagens. As caravanas pregavam nas cidades e vilarejos ao leste de Kailahun e ao sul, perto da fronteira com a Libéria. No primeiro domingo de cada mês, eles voltavam para cultivar o interesse encontrado.
Naquela época, o irmão Brown viajou para o Caribe e na volta trouxe um carro, um dos primeiros a entrar em Serra Leoa. O veículo estava equipado com um potente sistema de som desenvolvido para o testemunho em lugares públicos. O irmão Brown estacionava o carro numa área pública e tocava uma música envolvente para atrair a multidão. Daí, ele proferia um pequeno discurso ou tocava um discurso gravado e, então, oferecia publicações bíblicas às pessoas. O “carro falante”, como ficou conhecido, fez muito sucesso, e multidões vinham para ouvi-lo.
Irmãos pregam zelosamente
Mais tarde, o irmão Brown decidiu dar atenção a um território nunca antes trabalhado — os muitos outros países da África Ocidental onde o inglês era falado. No final da década de 1920, ele fez uma série de viagens de pregação a Gâmbia, Gana, Libéria e Nigéria. O irmão Brown encontrou pessoas interessadas em todos esses países, mas a Nigéria parecia ser um território excepcionalmente fértil. Por isso, ele e sua família se mudaram de Freetown para Lagos em 1930. De lá, ele continuou supervisionando a obra do Reino na África Ocidental.
Existem mais de 500 mil Testemunhas de Jeová na África Ocidental
Em 1950, o irmão Brown teve que voltar para a Jamaica por causa de problemas de saúde, mas deixou um legado extraordinário. Durante 27 anos, ele e sua esposa presenciaram o número de Testemunhas de Jeová na África Ocidental aumentar de apenas 2 para mais de 11 mil. Eles literalmente viram o cumprimento da profecia de Isaías: “O próprio pequeno tornar-se-á mil e o menor, uma nação forte.” (Isa. 60:22) Hoje, 60 e poucos anos depois, existe uma “nação forte” de mais de 500 mil Testemunhas de Jeová na África Ocidental.
Firmes, apesar da proibição
Quando o povo africano foi convocado para participar na Segunda Guerra Mundial, os servos de Jeová em Serra Leoa mantiveram sua neutralidade cristã. (Miq. 4:3; João 18:36) Eles foram falsamente tachados de subversivos pelas autoridades britânicas, que passaram a monitorar suas atividades e a proibir suas publicações. Fiscais da alfândega em Freetown confiscaram e queimaram um carregamento de publicações. Alguns irmãos foram presos por possuírem publicações proibidas, mas logo foram libertados.a
Apesar da proibição, as Testemunhas de Jeová continuaram a pregar. Pauline Cole explicou: “Um irmão trabalhava como comissário num navio que vinha com frequência a Freetown. Esse irmão trazia para nós exemplares de A Sentinela. Daí, fazíamos cópias datilografadas dessas revistas para serem usadas nas reuniões. Também fazíamos a impressão e a distribuição de panfletos sobre assuntos bíblicos. Além disso, os irmãos continuavam a proferir discursos públicos e a tocar as gravações dos discursos do irmão Rutherford, principalmente em vilarejos distantes.”
Estava claro que todo esse esforço tinha a bênção de Jeová. James Jarrett, que serve por muitos anos como ancião e pioneiro especial, contou: “Durante a guerra, quando eu trabalhava numa pedreira, recebi de uma irmã idosa o folheto Refugiados. Achei esse título curioso, visto que muitos refugiados estavam desembarcando em Freetown. Li o folheto na mesma noite e imediatamente reconheci a verdade. Na manhã seguinte, encontrei aquela irmã e consegui um folheto para cada um dos meus três irmãos. Nós quatro aceitamos a verdade.”
Quando a guerra terminou em 1945, a congregação Freetown tinha 32 publicadores. Eles tinham permanecido íntegros e ativos em sentido espiritual. Estavam prontos e ansiosos para seguir adiante.
Campanha de reuniões públicas
Em 29 de agosto de 1945, na Reunião de Serviço daquela semana, a congregação Freetown fez a consideração da nova campanha anunciada no Informante (agora Nosso Ministério do Reino) de dezembro de 1944. Cada congregação iria divulgar e realizar uma série de quatro reuniões públicas em “todas as cidades e vilarejos” de seu território. Em cada reunião, um irmão (de 18 anos ou mais), que tivesse se saído bem na Escola do Ministério Teocrático, daria um discurso de uma hora. Depois das quatro reuniões, os irmãos programariam grupos de estudo da Bíblia com as pessoas interessadas em cada região.
Qual foi a reação dos publicadores a essa nova orientação? As atas das Reuniões de Serviço da congregação Freetown registraram o seguinte:
Presidente: “O que os irmãos acham? Como deveríamos fazer essa nova campanha?”
Irmão 1: “Não devemos esperar ter o mesmo sucesso que nos Estados Unidos. As pessoas aqui são diferentes.”
Irmão 2: “Concordo.”
Irmão 3: “Por que não tentamos?”
Irmão 4: “Mas não vai ser fácil.”
Irmão 5: “Mesmo assim, temos que seguir a orientação dada pela organização de Jeová.”
Irmão 6: “Mas as chances estão contra nós neste país.”
Irmã 1: “Apesar disso, a orientação do Informante é clara. Vamos tentar!”
Então eles tentaram. Desde o litoral de Freetown até Bo, no sudeste, e Kabala, no planalto norte, os irmãos realizaram reuniões em salas de aula, praças e casas particulares. Essa atividade animou a congregação, e ‘a palavra de Jeová cresceu e se espalhou’. — Atos 12:24.
Ainda assim, os publicadores precisavam de treinamento teocrático. E Jeová providenciou esse treinamento.
a A proibição acabou em 1948.
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1945-1990 Muitos encontram a justiça — Dan. 12:3 (parte 2)Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
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SERRA LEOA E GUINÉ
1945-1990 Muitos encontram a justiça — Dan. 12:3 (parte 2)
O respeito pela instituição divina do casamento
Depois de algum tempo em sua designação, William Nushy percebeu que alguns publicadores não seguiam os padrões estabelecidos por Jeová para o casamento. Alguns viviam juntos, mas sem registrar legalmente essa união. Outros seguiam o costume local de só se casar se a mulher ficasse grávida, o que indicava que o casal era fértil.
Por causa disso, em maio de 1953, a sede escreveu a cada congregação explicando claramente os padrões bíblicos para o casamento. (Gên. 2:24; Rom. 13:1; Heb. 13:4) Foi dado um tempo para que os casais registrassem sua união. Caso não fizessem isso, seriam removidos da congregação. — 1 Cor. 5:11, 13.
A maioria dos publicadores ficou contente com esse refinamento. Mas alguns mostraram uma atitude independente, achando que essa restrição era desnecessária. Mais da metade dos publicadores em duas congregações parou de se associar com a organização de Jeová. Aqueles que continuaram leais, porém, aumentaram sua atividade e sentiram claramente que Jeová os estava abençoando.
Após muito esforço da parte dos irmãos, o Salão do Reino de Freetown foi legalmente reconhecido como local para realização de casamentos. No dia 3 de setembro de 1954, os irmãos realizaram a primeira cerimônia oficial de casamento no Salão do Reino. Mais tarde, irmãos qualificados receberam autorização do governo para oficializar casamentos em sete distritos do país. Isso abriu as portas para mais pessoas interessadas legalizarem seu casamento e se qualificarem como publicadores do Reino.
Um casamento num Salão do Reino
Muitas pessoas interessadas que eram polígamas também se esforçaram para se ajustar aos padrões de Deus. Samuel Cooper, que agora mora em Bonthe, conta: “Em 1957, comecei a assistir às reuniões com minhas duas esposas e logo me matriculei na Escola do Ministério Teocrático. Um dia, recebi a designação de um discurso sobre casamento cristão. Pesquisando a matéria, logo percebi que eu precisava dispensar minha segunda esposa. Quando comuniquei isso a meus parentes, todos eles se opuseram. Eu tinha uma filha com minha segunda esposa, mas minha primeira esposa era estéril. Mesmo assim, eu estava decidido a obedecer aos princípios bíblicos. Para minha grande surpresa, depois que minha segunda esposa voltou a morar com a família dela, minha primeira esposa engravidou! Hoje, tenho cinco filhos com minha esposa que antes era estéril.”
Outra pessoa interessada, Honoré Kamano, que morava na Guiné, perto da fronteira com Serra Leoa, dispensou sua segunda e terceira esposa. A primeira esposa apreciou muito a decisão dele e começou a levar a verdade mais a sério. Uma das esposas mais jovens, apesar de decepcionada por ter sido dispensada, também gostou de ver que Honoré se apegou aos altos padrões da Bíblia. Ela pediu um estudo bíblico e mais tarde dedicou sua vida a Jeová.
As Testemunhas de Jeová são bem conhecidas como pessoas que respeitam o casamento
Atualmente, as Testemunhas de Jeová são bem conhecidas em Serra Leoa e na Guiné como pessoas que respeitam o casamento. Por levarem a sério seus votos matrimoniais, elas adornam o ensino divino e glorificam a Deus como o Originador do casamento. — Mat. 19:4-6; Tito 2:10.
Conflitos em Freetown
Em 1956, chegaram a Freetown mais dois missionários formados em Gileade, Charles e Reva Chappell. A caminho do lar missionário, eles se assustaram ao ver um enorme cartaz anunciando um discurso bíblico que seria proferido no Salão Memorial de Wilberforce. Charles conta: “O orador anunciado era C. N. D. Jones, um representante da ‘Eclésia das Testemunhas de Jeová’.”
Jones, que professava ser ungido, liderava um grupo que tinha se separado da congregação de Freetown muitos anos antes. Eles afirmavam ser as “verdadeiras” testemunhas de Jeová e chamavam os missionários e os que eram leais aos representantes da organização de “impostores” e “trapaceiros de Gileade”.
A situação piorou quando Jones e seus apoiadores foram desassociados. Charles disse: “Esse anúncio chocou alguns irmãos que achavam que a congregação deveria ser tolerante com os dissidentes. Alguns se queixaram publicamente. Esses e outros continuaram se associando com os rebeldes e tentaram atrapalhar as reuniões e o serviço de campo. Nas reuniões, os queixosos sentavam-se juntos numa área que acabou sendo apelidada de ‘fileira dos dissidentes’. A maioria, com o tempo, saiu da verdade. Mas alguns recuperaram seu equilíbrio espiritual e se tornaram zelosos publicadores.”
A lealdade da maioria permitiu que o espírito de Deus continuasse atuando na obra de pregação. O superintendente zonal Harry Arnott visitou Freetown no ano seguinte e relatou: “Esse foi o primeiro aumento significativo que tivemos em Serra Leoa por anos. Por isso, podemos ser bem otimistas quanto a um futuro progresso.”
Ensinando os kisis
Logo depois da visita do irmão Arnott, Charles Chappell recebeu uma carta de um irmão da Libéria. O irmão queria que as pessoas de sua tribo em Serra Leoa também ouvissem a mensagem do Reino. Ele era da tribo kisi, que habitava as colinas e os vales cobertos por florestas na fronteira com Serra Leoa, Libéria e Guiné. Parecia que muitas pessoas que falavam kisi queriam entender a Bíblia.
A maioria dos kisis não sabia ler nem escrever, por isso, foram programadas aulas de alfabetização em Koindu para ensinar verdades bíblicas básicas. Essas aulas atraíram centenas de alunos. Charles relembra: “Em pouco tempo, 5 alunos se tornaram publicadores. Logo o número de novos publicadores passou para 10, depois 15, depois 20. Os kisis aceitavam a verdade tão rapidamente que eu não tinha certeza se o interesse deles era sincero. Mas eu estava errado. Em sua maioria, eles mostraram ser não apenas fiéis, mas também zelosos!”
Os novos publicadores estavam bem empolgados e logo espalharam a mensagem do Reino além de Koindu e, com o tempo, na vizinha Guiné. Eles andavam por horas, subindo e descendo colinas, pregando em fazendas e vilarejos. “Passavam-se semanas, e até meses, sem que ouvíssemos o som de um veículo sequer”, diz Eleazar Onwudiwe, um superintendente de circuito da época.
Ao passo que os irmãos kisis espalhavam e regavam a semente do Reino, Deus a fazia crescer. (1 Cor. 3:7) Quando aprendeu a verdade, um jovem cego memorizou o folheto de 32 páginas “Estas Boas Novas do Reino”. Mais tarde, ele conseguia citar de cor qualquer parágrafo enquanto pregava e dirigia estudos bíblicos. As pessoas ficavam admiradas. Uma surda aceitou a verdade e fez enormes mudanças em sua vida. Ao ver isso, sua cunhada passou a assistir às reuniões, embora tivesse de caminhar mais de dez quilômetros para chegar ao local.
O número de publicadores kisis aumentou rapidamente. Outra congregação foi formada, e depois mais outra. Cerca de 30 publicadores se tornaram pioneiros. O chefe da cidade de Koindu se interessou pela verdade e doou um terreno para construir um Salão do Reino. Depois de mais de 500 pessoas terem assistido a uma assembleia de circuito em Kailahun, também foi formada uma congregação ali. Em pouco tempo, metade das Testemunhas de Jeová em Serra Leoa era kisi, embora a tribo constituísse menos de 2% da população do país.
Esse progresso não agradou a todos, principalmente aos líderes religiosos kisis. Cheios de ciúme, estavam determinados a eliminar essa “ameaça” a sua autoridade. Quando e como eles atacariam?
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1945-1990 Muitos encontram a justiça — Dan. 12:3 (parte 3)Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
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SERRA LEOA E GUINÉ
1945-1990 Muitos encontram a justiça — Dan. 12:3 (parte 3)
Confronto com os poros
O primeiro ataque ocorreu em um vilarejo perto de Koindu, onde havia um grupo de homens que estudava a Bíblia e assistia às reuniões regularmente. Assim como a maioria dos homens kisis, esses estudantes pertenciam a uma sociedade secreta mergulhada no espiritismo chamada poro. James Mensah, um missionário formado em Gileade que também serviu em Serra Leoa, explica: “Quando aqueles estudantes se recusaram a participar de ritos demoníacos, o chefe poro ficou furioso. Ele e seus homens bateram nos estudantes, roubaram seus bens, queimaram suas casas, daí, os acorrentaram e os deixaram no mato para que morressem de fome. Tudo foi feito com o pleno apoio do chefe do distrito. Apesar desses maus-tratos, os estudantes continuaram íntegros.”
Quando os irmãos em Koindu levaram o caso à polícia, o chefe poro, seus comparsas e o chefe do distrito foram presos. Eles foram julgados e severamente repreendidos, e o chefe do distrito foi suspenso do cargo por cerca de um ano. Essa vitória judicial se tornou bem conhecida e incentivou mais pessoas a assistir às reuniões. Mais tarde, o chefe do distrito mudou de atitude e se interessou pela verdade. Numa assembleia de circuito em sua região, ele hospedou irmãos visitantes e até mesmo doou uma vaca.
Outros líderes poros tentaram uma forma diferente de ataque — astutamente ‘forjaram a desgraça por meio de decreto’. (Sal. 94:20) Políticos poros apresentaram uma proposta ao Parlamento para proibir a obra das Testemunhas de Jeová. Charles Chappell disse: “Mas o chefe do distrito veio em nossa defesa dizendo aos membros do Parlamento que estava estudando a Bíblia conosco havia dois anos. Ele disse que nossa organização era completamente neutra em sentido político, educava as pessoas e melhorava seus padrões de moral. Daí, ele declarou que desejava se tornar uma Testemunha de Jeová um dia. Quando outro membro do Parlamento, que também tinha estudado a Bíblia, apoiou o chefe do distrito, a proposta foi rejeitada.”
Eles zombavam: “Deus vai dar comida para você!”
Os que abandonaram as sociedades secretas enfrentaram severa oposição de seus familiares. Jonathan Sellu, um adolescente de Koindu, vinha de uma família de sacerdotes jujus havia quatro gerações. Ele estava sendo preparado para a mesma função. Quando começou a estudar a Bíblia, ele deixou de praticar rituais e sacrifícios espíritas. Sua família se opôs fortemente. Eles tiraram Jonathan da escola e, quando ele ia às reuniões cristãs, se recusavam a lhe dar comida. Eles zombavam: “Deus vai dar comida para você!” Ainda assim, Jonathan continuou firme e não passou fome. Ele aprendeu a ler e a escrever e, mais tarde, se tornou pioneiro regular. Jonathan ficou muito feliz quando sua mãe aceitou a verdade.
Crescimento em outras regiões do país
Em 1960, havia congregações e grupos isolados em Bo, Freetown, Kissy, Koindu, Lunsar, Magburaka, Makeni, Moyamba, Porto Loko, Waterloo e Kabala, que fica no norte do país. Naquele ano, o número de publicadores saltou de 182 para 282. Muitos pioneiros especiais de Gana e da Nigéria chegaram para fortalecer as congregações que estavam crescendo.
A maioria dos novos publicadores pertencia a dois grupos: os criôs, que viviam em Freetown e nas proximidades, e os kisis, que viviam na Província do Leste. Mas, à medida que a mensagem do Reino continuava a ser divulgada, outros grupos étnicos começaram a aceitá-la. Esses incluíam os kurankos, os limbas e os temnes no norte, e os mendes no sul.
Em 1961, a congregação Leste de Freetown dedicou seu Salão do Reino. Daí, a congregação Koindu dedicou um Salão do Reino feito de tijolos, com 300 lugares, que também servia como Salão de Assembleias. Pouco depois, 40 anciãos cursaram a Escola do Ministério do Reino — a primeira em Serra Leoa. No final daquele ano extraordinário, os irmãos participaram numa campanha para oferecer a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas ao público. Essa campanha foi um sucesso.
Ficou claro que Jeová estava abençoando seu povo. Em 28 de julho de 1962, a Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, pessoa jurídica usada pelas Testemunhas de Jeová em muitos países, foi oficialmente registrada em Serra Leoa.
Escola do Ministério do Reino em Serra Leoa, 1961; William Nushy (fileira de trás, no meio), Charles Chappell (fileira do meio, segundo a partir da direita) e Reva Chappell (fileira da frente, terceira a partir da direita)
Início da obra na Guiné
Vejamos agora a história de um país vizinho, a Guiné (antiga Guiné Francesa). Antes de 1958, alguns irmãos tinham pregado ali brevemente quando atravessaram o país, mas as autoridades coloniais francesas se opuseram a nossa obra. Em 1958, porém, uma porta se abriu — a Guiné declarou sua independência do governo francês e se tornou uma república.
Mais tarde naquele ano, Manuel Diogo, um irmão de Daomé (hoje Benin) que tinha 30 e poucos anos e falava francês, começou a trabalhar numa mina de bauxita em Fria, cidade ao norte, a cerca de 80 quilômetros da capital, Conacri. Ansioso para pregar nesse território virgem, Manuel escreveu à sede da França pedindo publicações e a ajuda de pioneiros especiais. O final de sua carta dizia: “Oro para que Jeová abençoe a obra, porque há bastante interesse aqui.”
A sede da França escreveu a Manuel uma carta encorajadora e recomendou que ele permanecesse na Guiné o máximo possível. A sede também providenciou que um pioneiro especial o visitasse para treiná-lo no ministério. Manuel fez progresso e pregou zelosamente em Fria até sua morte em 1968.
Em 1960, quando o superintendente zonal Wilfred Gooch visitou Conacri, ele encontrou mais dois irmãos africanos pregando ali. O irmão Gooch recomendou que a Guiné fosse cuidada pela sede de Serra Leoa, em vez de pela sede da França. Essa transferência foi realizada em 1.º de março de 1961. Um mês depois, foi formada em Conacri a primeira congregação da Guiné.
Luz espiritual irradia pela floresta tropical
A mensagem do Reino também se espalhou pelo sul da Guiné. Um kisi que morava na Libéria, chamado Falla Gbondo, voltou a seu vilarejo natal, uns 13 quilômetros a oeste de Guéckédou. Ele sempre carregava o livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado. Falla não sabia ler, mas conseguia explicar as figuras do livro para outros da sua tribo. Ele contou: “O livro deu muito o que falar. As pessoas o chamavam de ‘o livro de Adão e Eva’.”
Falla voltou para a Libéria. Ele foi batizado e, com o tempo, se tornou pioneiro especial. Duas vezes por mês, ele voltava a seu vilarejo natal para estudar com um grupo de umas 30 pessoas. Logo depois, Borbor Seysey, outro pioneiro especial kisi da Libéria, juntou-se a ele. Os dois abriram outro grupo em Guéckédou. Mais tarde, os dois grupos se tornaram congregações.
Cada vez mais pessoas dessa tribo se tornavam Testemunhas de Jeová, e os chefes kisis notavam sua boa conduta. Os irmãos eram bons trabalhadores, honestos e promoviam a paz nos seus vilarejos. Por isso, quando os irmãos pediram para construir um Salão do Reino no vilarejo natal do irmão Falla, os chefes prontamente deram três hectares de terra. Esse Salão do Reino — o primeiro da Guiné — ficou pronto no início de 1964.
Rebeliões em Conacri
Enquanto isso, em Conacri, os problemas estavam para começar. A agitação política fez com que os oficiais do governo suspeitassem de estrangeiros. Quatro missionários de Gileade tiveram seus vistos de permanência negados e foram deportados. Dois irmãos ganenses ficaram presos por quase dois meses sob falsa acusação.
Logo depois de libertados, um dos irmãos, Emmanuel Awusu-Ansah, foi preso novamente e mantido sob condições deploráveis. De uma imunda cela de prisão, ele escreveu: “Espiritualmente estou bem, mas tenho uma febre que não passa. Mesmo assim, ainda consigo pregar. Mês passado, fiz 67 horas no serviço de campo, e dois estudantes da Bíblia começaram a pregar comigo.” Um daqueles estudantes chegou a se batizar. Cinco meses depois, Emmanuel foi libertado e deportado para Serra Leoa. Agora, havia apenas um publicador em Conacri.
Em 1969, quando a tensão política diminuiu, pioneiros especiais chegaram a Conacri. Com a permissão das autoridades, eles conseguiram um lugar para ser usado como Salão do Reino e puderam até colocar um letreiro nele. Em pouco tempo, cerca de 30 pessoas interessadas começaram a assistir às reuniões regularmente.
A princípio, os irmãos pregavam com cautela, pois tinham medo de ser presos. Mas, assim que se sentiram mais seguros, eles passaram a fazer mais. Em 1973, aquela pequena congregação distribuiu 6 mil tratados. Mais tarde, os publicadores começaram a oferecer as revistas em escritórios e em centros comerciais. Gradativamente, os oficiais do governo e o público começaram a entender e a apreciar nossa obra. Em 15 de dezembro de 1993, toda paciência e perseverança foram recompensadas com o registro legal da “Associação Cristã das Testemunhas de Jeová da Guiné”.
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“Daqui a um ano você vai estar morto”Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
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SERRA LEOA E GUINÉ
“Daqui a um ano você vai estar morto”
Zachaeus Martyn
ANO DE NASCIMENTO 1880
ANO DE BATISMO 1942
RESUMO BIOGRÁFICO Entrou no serviço de pioneiro aos 72 anos de idade.
ZACHAEUS nunca tinha estudado a Bíblia com ninguém. Mas depois de ler os livros Salvação e A Harpa de Deus, ele soube que tinha encontrado a verdade.
Num domingo de 1941, Zachaeus saiu bem cedo para assistir a sua primeira reunião das Testemunhas de Jeová. Para chegar lá, ele teve que descer uma montanha íngreme e andar cerca de oito quilômetros. Zachaeus não sabia o horário da reunião, por isso, chegou várias horas antes e ficou sentado aguardando os irmãos chegarem. Depois de ter ido a três reuniões de domingo no Salão do Reino, ele pediu que a Igreja Anglicana local tirasse o nome dele da lista de membros.
Um amigo, que ia àquela igreja, deu uma bronca nele: “Escute, meu velho, se continuar a andar todos esses quilômetros, subindo e descendo essa montanha para ir ao salão desse povo, daqui a um ano você vai estar morto.” Nos cinco anos seguintes, ele via Zachaeus subindo e descendo a montanha duas vezes toda semana. Então, o amigo morreu de repente. E, 25 anos depois, Zachaeus continuava firme e forte.
Zachaeus serviu fielmente a Jeová até sua morte aos 97 anos.
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Era conhecido como “Bíblia Brown”Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
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SERRA LEOA E GUINÉ
Era conhecido como “Bíblia Brown”
William R. Brown
ANO DE NASCIMENTO 1879
ANO DE BATISMO 1908
RESUMO BIOGRÁFICO Impulsionou a obra de pregação quando ela foi iniciada na África Ocidental.
EM 1907, quando trabalhava na construção do Canal do Panamá, William passou por uma esquina onde Isaiah Richards, um Estudante da Bíblia, proferia um discurso. Richards falava sobre a Chart of the Ages (Tabela das Eras), um diagrama usado para explicar os propósitos de Deus. William rapidamente aceitou a verdade e voltou à Jamaica para contar a sua mãe e irmã o que havia aprendido. Com o tempo, as duas também se tornaram Estudantes da Bíblia.
Por um tempo, o irmão Brown serviu na Cidade do Panamá, Panamá. Lá, ele conheceu Evander J. Coward, representante viajante dos Estudantes da Bíblia que estava visitando o Panamá durante uma turnê de discursos. Evander era um orador enfático e expressivo, e multidões se ajuntavam para ouvi-lo. Ao ver que William tinha zelo pela verdade, ele o convidou para acompanhá-lo numa viagem de pregação em Trinidad.
Após isso, William viajou pelas ilhas do Caribe por uns dez anos, servindo como pioneiro e fortalecendo pequenos grupos de Estudantes da Bíblia. Em 1920, ele se casou com Antonia, uma fiel cristã. Dois dias depois de seu casamento, William e Antonia viajaram para a pequena ilha de Montserrat, nas ilhas de Sotavento, levando com eles o “Fotodrama da Criação” — uma apresentação bíblica em formato de filme e slides, exibida em quatro partes. Eles também pregaram nas ilhas de Barbados, Dominica e Granada e tiveram uma lua de mel muito feliz no serviço de Jeová.
Dois anos mais tarde, William escreveu a Joseph F. Rutherford, que supervisionava a obra do povo de Jeová na época. A carta dizia: “Com a ajuda de Jeová, eu dei testemunho na maioria das ilhas caribenhas e fiz discípulos em muitas delas. Devo tornar a visitá-las?” Poucos dias depois, o irmão Rutherford respondeu: “Siga para Serra Leoa, África Ocidental, com esposa e filha.”
Nos 27 anos que serviu com sua família na África Ocidental, o irmão Brown nunca se acostumou com a ideia de ficar sentado num escritório. Ele preferia estar na pregação. Por sempre chamar à atenção para o que a Bíblia diz, as pessoas o apelidaram de “Bíblia Brown”.
Em 1950, quando estava com 71 anos, William Brown e sua esposa voltaram para Jamaica como pioneiros. William serviu nessa designação até terminar sua carreira terrestre em 1967. Ele realmente amava o serviço de pioneiro! Ele considerava esse serviço um dos maiores privilégios que um ser humano pode ter.
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