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  • 1945-1990 Muitos encontram a justiça — Dan. 12:3 (parte 3)
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
    • Em pouco tempo, cerca de 30 pessoas interessadas começaram a assistir às reuniões regularmente.

      A princípio, os irmãos pregavam com cautela, pois tinham medo de ser presos. Mas, assim que se sentiram mais seguros, eles passaram a fazer mais. Em 1973, aquela pequena congregação distribuiu 6 mil tratados. Mais tarde, os publicadores começaram a oferecer as revistas em escritórios e em centros comerciais. Gradativamente, os oficiais do governo e o público começaram a entender e a apreciar nossa obra. Em 15 de dezembro de 1993, toda paciência e perseverança foram recompensadas com o registro legal da “Associação Cristã das Testemunhas de Jeová da Guiné”.

  • 1945-1990 Muitos encontram a justiça — Dan. 12:3 (parte 4)
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
    • SERRA LEOA E GUINÉ

      1945-1990 Muitos encontram a justiça — Dan. 12:3 (parte 4)

      Luta contra o analfabetismo

      No início de 1963, em sua segunda visita a Serra Leoa, Milton Henschel falou de uma situação que a sede desse país tentava resolver já há algum tempo. Ele recomendou que os irmãos intensificassem seus esforços para combater o analfabetismo.

      Algumas congregações já realizavam aulas de alfabetização em inglês. Mas, depois da visita do irmão Henschel, os irmãos começaram a ensinar os alunos a ler e a escrever em sua língua materna. Em algumas congregações, as aulas eram dadas em dois ou três idiomas. Os irmãos gostavam tanto das aulas de alfabetização que um terço dos publicadores do país se matriculou.

      Em 1966, os irmãos da Libéria desenvolveram uma cartilha ilustrada no idioma kisi. Quando mostraram a cartilha para oficiais do governo liberiano, esses oficiais ficaram tão impressionados que decidiram imprimir e distribuir a cartilha gratuitamente. A cartilha foi distribuída na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa e ensinou centenas de pessoas que falavam kisi a ler e a escrever. Mais tarde, outras cartilhas foram desenvolvidas ou adaptadas para outros grupos linguísticos, libertando muito mais pessoas do analfabetismo.

      Sia “anotava” sua atividade de pregação usando um cordão preto e um vermelho

      As aulas de alfabetização não só ajudavam as pessoas a ler e a escrever, mas também a progredir em sentido espiritual. Veja o caso de Sia Ngallah, na época uma publicadora não batizada e analfabeta, de 50 anos de idade. Sia “anotava” sua atividade de pregação usando um cordão preto e um vermelho. Quando fazia uma hora na pregação, ela dava um nó no cordão preto. Quando fazia uma revisita, dava um nó no cordão vermelho. Sia assistia às aulas de alfabetização, o que a ajudou a fazer melhores anotações de seu serviço de campo. Ela também progrediu até o batismo e se tornou uma melhor evangelizadora.

      Atualmente, muitas congregações em Serra Leoa e na Guiné ainda oferecem aulas de alfabetização. Um importante oficial do governo de Serra Leoa disse aos irmãos da sede: “Além de sua obra educativa bíblica, vocês estão fazendo um trabalho elogiável por ajudar as pessoas nesta sociedade a serem alfabetizadas.”

      ‘As pedras clamam’

      Cada vez mais pessoas de vários grupos étnicos aprendiam a ler, por isso, a necessidade de traduzir publicações aumentava. A maioria das pessoas das tribos tinha pouca ou nenhuma publicação em seu próprio idioma. As pessoas instruídas de Serra Leoa liam inglês, e as da Guiné, francês. O que poderia ser feito para que as pessoas tivessem publicações bíblicas na sua língua materna?

      Em 1959, um tratado e um folheto foram traduzidos para o mende, mas apenas um número pequeno deles foi distribuído. Dez anos depois, os folhetos “Estas Boas Novas do Reino” e Vivendo em Esperança de um Justo Novo Mundo foram traduzidos para o kisi. Quase 30 mil desses folhetos foram distribuídos e usados para dirigir estudos bíblicos.

      Em 1975, a sede começou a publicar artigos de estudo de A Sentinela em kisi. Os publicadores kisis ficaram muito empolgados! Um irmão escreveu: “Jeová fez algo maravilhoso para nós. Nenhum de nós jamais tinha ido à escola. Éramos como pedras — incapazes de falar. Mas não somos mais. Agora que temos A Sentinela em kisi, podemos falar dos grandes atos de Jeová.” (Luc. 19:40) Muitas outras publicações também foram traduzidas para o kisi.

      Atualmente, a maioria das pessoas em Serra Leoa e na Guiné continua lendo nossas publicações em inglês ou francês, que são os idiomas usados nas reuniões congregacionais. Mas, recentemente, o número de publicações nos idiomas nativos aumentou bastante. Publicações bíblicas estão agora disponíveis em guerze, kisi, criô, maninkakan, mende, pular e sussu. As brochuras Escute a Deus e Viva para Sempre e Escute a Deus estão disponíveis em todos esses idiomas. Essas publicações de ensino são fáceis de ser usadas e estão ajudando mais pessoas que não sabem ler bem a compreender e a apreciar a maravilhosa mensagem da Bíblia.

      A construção da sede

      No início dos anos 60, os irmãos em Freetown começaram a procurar um terreno para construir uma nova sede. Finalmente, em 1965, eles adquiriram uma propriedade na Rua Wilkinson. O terreno, com vista para o mar, ficava numa das melhores áreas residenciais da cidade.

      O projeto final incluía um Salão do Reino, um lar missionário e escritórios, todos num belo prédio. Durante a construção, o trânsito da movimentada Rua Wilkinson ficava muitas vezes congestionado porque os motoristas e passageiros queriam ver o que estava acontecendo. O prédio foi dedicado em 19 de agosto de 1967. Quase 300 pessoas assistiram ao programa de dedicação, incluindo autoridades locais e muitos irmãos veteranos que tinham sido batizados em 1923 por “Bíblia” Brown.

      Foto na página 123

      Sede e lar missionário de Freetown (1965-1997)

      O prédio da nova sede fez com que a obra das Testemunhas de Jeová crescesse no conceito de muitas pessoas. Também silenciou alguns críticos religiosos que haviam dito que as Testemunhas de Jeová não teriam futuro em Serra Leoa. O novo prédio era evidência de que as Testemunhas de Jeová estavam ali para ficar.

      Missionários zelosos impulsionam o crescimento

      Foto na página 125

      Um grupo no serviço de campo atravessa um lamacento campo de arroz

      A partir de meados dos anos 70, missionários formados em Gileade não paravam de chegar, dando impulso à obra em Serra Leoa e na Guiné. Alguns tinham servido em outras regiões da África e se adaptaram rapidamente às condições locais. Outros eram novos na África. Como eles lidariam com o “cemitério do homem branco”? Veja os comentários que fizeram.

      “As pessoas eram humildes e estavam espiritualmente famintas. Fiquei muito feliz por ver como a verdade melhorou a vida delas.” — Hannelore Altmeyer.

      “O clima tropical e as doenças eram um desafio. Mas a alegria de ajudar pessoas sinceras a servir a Jeová compensou tudo isso.” — Cheryl Ferguson.

      “Aprendi a ter paciência. Quando perguntei a uma irmã quando as visitas dela chegariam, ela respondeu: ‘Talvez hoje. Talvez amanhã. Ou talvez depois de amanhã.’ Acho que fiz uma cara de surpresa porque ela fez questão de dizer: ‘Mas elas virão!’” — Christine Jones.

      “No lar missionário de Freetown, moravam 14 missionários de diferentes culturas e grupos étnicos. Dividíamos dois sanitários, um chuveiro, uma máquina de lavar e uma cozinha. Os mantimentos eram escassos e de má qualidade. Às vezes ficávamos dias sem eletricidade. A maioria de nós pegou malária e outras doenças tropicais. Embora isso pareça uma receita para o desastre, nós aprendemos a conviver um com o outro, a perdoar e a rir em situações difíceis. Era um prazer estar na pregação, e os missionários fizeram grandes amizades.” — Robert e Pauline Landis.

      Foto na página 126

      Pauline Landis dirigindo um estudo bíblico

      “Os anos que passamos em Serra Leoa estão entre os melhores de nossa vida. Não temos do que nos arrepender ou do que reclamar. Só sentimos muita saudade dessa época.” — Benjamin e Monica Martin.

      “Uma vez, estávamos na casa de uma mulher interessada que nos ofereceu uma refeição um tanto estranha. ‘É víbora’, disse a mulher. ‘Mas eu já tirei as presas. Querem um pouco?’ Com jeito, recusamos, mas ela insistiu. Embora essas experiências tenham sido desafiadoras, nós gostávamos da hospitalidade que demonstravam e os amávamos muito por isso.” — Frederick e Barbara Morrisey.

      “Durante meus 43 anos de serviço missionário, convivi com mais de cem missionários. Foi um grande privilégio conhecer tantas pessoas, cada uma com sua personalidade, mas todas trabalhando com o mesmo objetivo. E que alegria é ser colaboradora de Deus e ver pessoas aceitarem a verdade da Bíblia!” — Lynette Peters.

      “Que alegria é ser colaboradora de Deus e ver pessoas aceitarem a verdade da Bíblia!”

      Desde 1947, já serviram em Serra Leoa 154 missionários, e na Guiné, 88. Muitas outras Testemunhas de Jeová serviram nesses países onde a necessidade era maior. Atualmente, há 44 missionários em Serra Leoa, e 31 na Guiné. Os sacrifícios que fizeram e seus esforços incansáveis tocaram o coração de muitas pessoas. Alfred Gunn, membro da Comissão de Filial há muitos anos, disse: “Lembramos deles com muito carinho.”

  • O crachá era o nosso “passaporte”
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
    • SERRA LEOA E GUINÉ

      O crachá era o nosso “passaporte”

      “EM 1987, mais de mil pessoas assistiram ao congresso de distrito ‘Paz Divina’ em Guéckédou, Guiné. Já que o local do congresso ficava próximo à fronteira com Serra Leoa e com a Libéria, muitos congressistas desses países decidiram voltar para casa depois de cada dia de congresso. Mas eles não tinham os documentos de viagem necessários. Então, alguns irmãos responsáveis pelo congresso conversaram com as autoridades das fronteiras e chegaram a um acordo. Os congressistas precisariam de apenas um documento — seu crachá do congresso. Quando os policiais da fronteira viam os crachás de cor laranja, imediatamente acenavam para os congressistas passarem.” — Everett Berry, ex-missionário.

      Foto na página 120

      Os irmãos gostaram muito da comida desse congresso

  • 1991-2001 Um ‘forno de tribulação’ — Isa. 48:10 (parte 1)
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
    • Foto na página 130

      SERRA LEOA E GUINÉ

      1991-2001 Um ‘forno de tribulação’. — Isa. 48:10 (parte 1)

      Guerra civil

      Nos anos 80, problemas sociais, políticos e econômicos provocaram uma onda de protestos por toda a África Ocidental. Quando a guerra civil devastou a Libéria, muitas pessoas fugiram para Serra Leoa. A sede ali providenciou que casas e Salões do Reino fossem usados para abrigar as Testemunhas de Jeová refugiadas e cuidar de suas necessidades.

      Gráfico na página 130

      Embora essa época tenha sido bem difícil para os refugiados, houve alguns momentos divertidos. Isolde Lorenz, uma missionária veterana, conta: “Um menino, a pedido de seu pai, foi esquentar comida num fogão montado no jardim atrás do Salão do Reino, que ficava no terreno da sede. Quando o menino voltou, disse ao pai que não teriam comida naquele dia. O pai quis saber por quê. O menino exclamou: ‘Porque hoje Jeová me salvou da boca do leão!’ O que tinha acontecido? Quando estava voltando com a comida, o menino encontrou Lobo, o enorme, mas manso, pastor alemão da sede. O menino ficou apavorado. Segurando o prato de comida, ele esticou seu braço o máximo que pôde para afastar o cachorro. Lobo, é claro, achou que o menino estivesse oferecendo a comida. E Lobo aceitou!”

      Em 23 de março de 1991, o conflito armado na Libéria atravessou a fronteira com Serra Leoa, desencadeando uma guerra civil que durou 11 anos. Um grupo rebelde chamado Frente Revolucionária Unida (FRU) avançou rapidamente sobre Kailahun e Koindu, fazendo com que a maior parte da população local fugisse para a Guiné. Entre os refugiados estavam cerca de 120 irmãos. Outras Testemunhas de Jeová da Libéria haviam se refugiado em Serra Leoa antes de os rebeldes chegarem.

      Bill Cowan, coordenador da Comissão de Filial na época, disse: “Por muitos meses, grupos de irmãos famintos, esqueléticos e de olhos fundos chegavam ao Betel em Freetown. Muitos deles haviam presenciado atrocidades inimagináveis e, para não morrer de fome, tinham se alimentado de plantas silvestres. Rapidamente nos prontificamos a ajudá-los, providenciando comida e roupas para eles, para seus parentes e para pessoas interessadas que os acompanhavam. Os irmãos locais se compadeceram e acolheram todos. Os irmãos refugiados imediatamente se empenharam no serviço de pregação nas congregações locais. Com o tempo, a maioria deles se mudou, mas, enquanto estavam aqui, na realidade foram eles que nos ajudaram!”

      Fotos na página 132

      Serra Leoa passou por 11 anos de guerra civil

      Uma fonte de consolo e esperança

      A sede enviou comida, remédios, materiais de construção, ferramentas e utensílios domésticos para as Testemunhas de Jeová nos campos de refugiados no sul da Guiné. Também foi enviada uma enorme quantidade de roupas doadas da França. Um pai escreveu: “Meus filhos dançavam, cantavam e agradeciam a Jeová. Agora, eles tinham roupas novas para ir às reuniões!” Alguns irmãos e irmãs comentaram que nunca tinham tido roupas tão boas!

      Mas os refugiados precisavam de algo mais do que ajuda material. Jesus disse: “O homem tem de viver, não somente de pão, mas de cada pronunciação procedente da boca de Jeová.” (Mat. 4:4) Por isso, a sede enviou publicações bíblicas, voltou a programar assembleias e congressos e enviou pioneiros e superintendentes viajantes para a região.

      Quando o superintendente de circuito André Baart visitou Koundou, Guiné, ele conheceu uma das autoridades de um campo de refugiados que o convidou a proferir um discurso bíblico para os abrigados ali. Cerca de 50 pessoas ouviram o discurso “Refugie-se em Jeová”, baseado no Salmo 18. Quando André terminou, uma idosa se levantou e disse: “O senhor nos deixou muito felizes. Arroz não resolve nossos problemas, mas a Bíblia nos ensina a confiar em Deus. Agradecemos do fundo do coração por nos trazer consolo e esperança.”

      Quando o casal de missionários William e Claudia Slaughter foi designado para Guéckédou, Guiné, encontrou uma congregação muito animada de mais de cem refugiados. (Rom. 12:11) William disse: “Muitos jovens se esforçavam para ser mais úteis na congregação. Quando alguém não podia cumprir sua designação na Escola do Ministério Teocrático, uns 10 a 15 jovens se ofereciam para fazer a substituição. O serviço de pregação sempre era apoiado por muitos irmãos. Alguns daqueles jovens zelosos mais tarde se tornaram pioneiros especiais e superintendentes viajantes.”

      Uma construção apesar do conflito

      Logo que a guerra civil começou, os irmãos em Freetown compraram um terreno de pouco mais de meio hectare na Rua Wilkinson, 133, bem próximo de onde a sede ficava. Alfred Gunn disse: “Queríamos construir um novo Betel no local, mas estávamos preocupados por causa da guerra. O irmão Lloyd Barry, do Corpo Governante, estava nos visitando na época, e aproveitamos para comentar a situação com ele. ‘Se deixarmos que guerras nos atrapalhem, nunca conseguiremos fazer nada!’, disse ele. Essas palavras animadoras nos deram coragem para seguirmos adiante.”

      Centenas de irmãos trabalharam no projeto, incluindo muitos irmãos de congregações locais e mais de 50 voluntários de 12 países. A obra começou em maio de 1991. Tom Ball, o encarregado da construção, disse: “As pessoas que passavam ficavam impressionadas com os blocos de concreto de alta qualidade fabricados no local. A estrutura metálica que usamos era muito diferente da usada em outros prédios da região. Mas as pessoas ficavam mais impressionadas ainda por ver estrangeiros brancos trabalhando com irmãos negros locais no mesmo projeto, unidos e felizes.”

      Em 19 de abril de 1997, uma multidão internacional se reuniu alegremente para a dedicação das instalações da nova sede. Um mês depois, após cinco anos de guerra nas áreas rurais, a FRU atacou Freetown.

      Fotos na página 135

      Construção da sede em Freetown; a sede hoje

      Batalha por Freetown

      Milhares de rebeldes da FRU, com cabelos emaranhados e usando bandanas vermelhas, invadiram a cidade, saqueando, estuprando e matando. Alfred Gunn relembra: “A situação ficou extremamente tensa. A maioria dos missionários estrangeiros foi retirada do país às pressas. Eu e Catherine, Bill e Sandra Cowan e Jimmie e Joyce Holland fomos os últimos a ir embora.

      “Depois de orarmos com os betelitas que tinham se oferecido para ficar, corremos para o local de resgate. No caminho, fomos parados por uns 20 soldados rebeldes bêbados e mal-encarados. Quando lhes demos revistas e dinheiro, eles nos deixaram passar. Mais de mil pessoas estavam chegando ao local de resgate. A área estava sendo protegida por fuzileiros navais dos Estados Unidos bem armados. Entramos num helicóptero militar e voamos para um navio da marinha americana, que estava em alto-mar. Um oficial do navio nos contou depois que aquela operação de retirada de civis havia sido a maior conduzida pela marinha americana desde a Guerra do Vietnã. No dia seguinte, fomos de helicóptero para Conacri, Guiné. Lá, instalamos um escritório administrativo temporário.”

      Fotos na página 138

      Alfred e Catherine Gunn estavam entre os que foram retirados do país

      Os missionários estavam ansiosos por notícias de Freetown. Finalmente, uma carta chegou. Ela dizia: “Em meio ao caos, continuamos a distribuir o Notícias do Reino N.º 35, Haverá Algum Dia Amor entre Todas as Pessoas?. Estamos tendo bons resultados, e até mesmo alguns rebeldes estão estudando conosco. Por isso, decidimos intensificar nossas atividades de pregação.”

      Jonathan Mbomah, que servia como superintendente de circuito, relembra: “Tivemos até mesmo um dia de assembleia especial em Freetown. O programa foi tão encorajador que viajei para Bo e Kenema para organizar a assembleia nessas áreas. Os irmãos dessas cidades dilaceradas pela guerra agradeceram a Jeová pelo maravilhoso alimento espiritual.

      “No fim de 1997, realizamos um congresso de distrito no Estádio Nacional em Freetown. No último dia do programa, soldados rebeldes entraram no estádio e mandaram que todos nós saíssemos. Pedimos que nos deixassem pelo menos terminar o programa. Depois de discutirmos o assunto por um longo tempo, eles cederam e foram embora. Mais de mil pessoas assistiram ao congresso, e 27 foram batizadas. Muitos irmãos fizeram a viagem perigosa até Bo para assistir ao programa novamente. Aqueles foram congressos maravilhosos e emocionantes!”

      “Diamantes de guerra”

      DURANTE os 11 anos de guerra civil, várias facções militares exploraram as ricas minas de diamantes de Serra Leoa para financiar suas atividades. Isso foi constatado pela Comissão da Verdade e Reconciliação de Serra Leoa. Os “diamantes de guerra” eram contrabandeados para outros países e vendidos para negociantes que não se importavam com a origem das pedras. Isso infelizmente só prolongou a guerra.

      Foto de página inteira nas páginas 140, 141
  • 1991-2001 Um ‘forno de tribulação’ — Isa. 48:10 (parte 2)
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
    • SERRA LEOA E GUINÉ

      1991-2001 Um ‘forno de tribulação’. — Isa. 48:10 (parte 2)

      Betel é atacado

      Em fevereiro de 1998, soldados do governo e tropas do Grupo de Monitoramento da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Ecomog, sigla em inglês) realizaram um ataque maciço para expulsar a FRU de Freetown. Lamentavelmente, um irmão foi morto por estilhaços durante essa batalha sangrenta.

      Cerca de 150 publicadores se abrigaram nos lares missionários de Kissy e de Cockerill, Freetown. Laddie Sandy, um dos vigias noturnos de Betel, conta: “Era tarde da noite, e eu e Philip Turay estávamos de plantão. De repente, apareceram dois rebeldes armados da FRU na entrada de Betel, ordenando que abríssemos as portas de vidro da recepção. Quando corremos para nos esconder, os soldados começaram a atirar na fechadura. Eles atiraram várias vezes, mas, para nossa surpresa, a fechadura aguentou, e eles não tiveram a ideia de atirar no vidro. Frustrados, foram embora.

      “Duas noites depois, os rebeldes voltaram, dessa vez acompanhados de 20 colegas bem armados e decididos a entrar. Rapidamente, avisamos a família de Betel e corremos para um abrigo no porão, feito para casos de emergência. Nós sete ficamos escondidos no escuro atrás de dois grandes barris, tremendo de medo. Os rebeldes abriram caminho a tiros, destruindo a fechadura. Um deles berrou: ‘Cortem a garganta de qualquer Testemunha de Jeová que encontrarem!’ Eles saquearam o prédio enquanto permanecíamos agachados sem fazer nenhum barulho. Finalmente, sete horas depois, eles foram embora, contentes com aquela noite de trabalho.

      “Juntamos os nossos pertences e corremos para o lar missionário de Cockerill, o antigo lar de Betel, que ficava a poucas quadras na mesma rua. No caminho, fomos assaltados por outro grupo de rebeldes. Chegamos ao lar missionário tremendo da cabeça aos pés, mas felizes por estarmos vivos. Depois de alguns dias nos recuperando, voltamos a Betel para limpar a bagunça.”

      Dois meses mais tarde, quando o Ecomog já controlava a cidade, os missionários começaram a voltar da Guiné. O que eles não imaginavam é que seria por pouco tempo.

      “Operação Não Deixe Nada Vivo”

      Oito meses depois, em dezembro de 1998, o congresso de distrito “O Caminho de Deus para a Vida” foi realizado no Estádio Nacional em Freetown. Centenas de pessoas assistiam ao congresso, quando, de repente, ouviram uma explosão à distância e viram uma nuvem de fumaça subir das montanhas. O exército rebelde tinha voltado!

      Nos dias que se seguiram, a situação em Freetown piorou. A Comissão de Filial fretou um pequeno avião para levar a Conacri 12 missionários, 8 betelitas estrangeiros e 5 voluntários de construção. Três dias depois, em 6 de janeiro de 1999, as forças rebeldes deram início a uma cruel campanha de matança chamada “Operação Não Deixe Nada Vivo”. Com terrível violência, eles devastaram Freetown, massacrando cerca de 6 mil civis. Os rebeldes amputaram braços e pernas de quem encontraram pela frente, raptaram centenas de crianças e destruíram milhares de prédios.

      Um irmão muito querido, Edward Toby, foi brutalmente assassinado. Mais de 200 publicadores, traumatizados, foram alojados em Betel ou no lar missionário de Cockerill. Outros ficaram escondidos em casa. As Testemunhas de Jeová que foram alojadas no lar missionário de Kissy, no extremo leste da cidade, precisavam desesperadamente de remédios. Mas atravessar a cidade era extremamente perigoso. Quem se arriscaria? Laddie Sandy e Philip Turay, os corajosos vigias noturnos de Betel, imediatamente se ofereceram.

      Philip relembra: “A cidade estava um caos. Os soldados rebeldes paravam as pessoas nos postos de controle e faziam o que queriam com elas. Eles estabeleceram um rigoroso toque de recolher, que dificultava qualquer viagem. Demoramos dois dias para chegar ao lar missionário de Kissy, só para descobrir que ele tinha sido saqueado e queimado.

      “Fizemos uma busca na vizinhança e encontramos um de nossos irmãos, Andrew Caulker, com ferimentos horríveis na cabeça. Ele tinha sido amarrado e havia levado vários golpes de machado. Por incrível que pareça, ele tinha conseguido escapar dos rebeldes. Nós o levamos às pressas ao hospital, onde aos poucos ele se recuperou. Mais tarde, Andrew serviu como pioneiro regular.”

      Foto na página 143

      (Da esquerda para a direita) Laddie Sandy, Andrew Caulker e Philip Turay

      Alguns irmãos só não foram mortos ou feridos porque eram conhecidos como pessoas que não se envolviam em política. Um irmão conta: “Os rebeldes exigiram que nós puséssemos bandanas brancas na cabeça e dançássemos na rua para apoiar a causa deles. Eles nos disseram: ‘Se recusarem, vamos arrancar seu braço ou sua perna ou matar vocês.’ Apavorados, eu e minha esposa silenciosamente pedimos a ajuda de Jeová. Percebendo a situação, um jovem que era nosso vizinho e que estava colaborando com os rebeldes disse ao comandante: ‘Ele é nosso “irmão”. Ele não se envolve em política, então, nós vamos dançar por ele.’ O comandante se deu por satisfeito e foi embora, e nós voltamos correndo para casa.”

      Mais tarde, uma inesperada calma tomou conta da cidade. Com cautela, os irmãos voltaram a realizar reuniões e a participar na pregação. Os publicadores usavam os crachás do congresso para se identificar nos postos de controle. Visto que as filas nesses postos eram longas, os irmãos acabaram ficando peritos em iniciar conversas bíblicas.

      Como estava faltando praticamente tudo em Freetown, a sede da Grã-Bretanha enviou por avião 200 caixas de suprimentos. Billy Cowan e Alan Jones voaram de Conacri a Freetown para garantir que esses suprimentos chegassem a Betel, passando por vários postos de controle. Eles chegaram um pouco antes do toque de recolher. Outro irmão, James Koroma, fazia viagens de ida e volta a Conacri, trazendo publicações e outros itens necessários. Parte desse alimento espiritual era enviada aos publicadores isolados em Bo e Kenema.

      Foto na página 145

      Ajuda humanitária chegando a Freetown

      Em 9 de agosto de 1999, os missionários que estavam em Conacri começaram a voltar para Freetown. No ano seguinte, uma tropa armada da Grã-Bretanha expulsou os rebeldes de Freetown. Por um tempo, alguns conflitos ainda aconteciam, mas, por volta de janeiro de 2002, foi declarado o fim da guerra. Naqueles 11 anos de conflito, 50 mil pessoas foram mortas, 20 mil foram mutiladas, 300 mil casas foram destruídas e 1,2 milhão de pessoas ficaram desabrigadas.

      E o que aconteceu com a organização de Jeová? Era evidente que Jeová tinha protegido e abençoado seu povo. Durante a guerra, cerca de 700 pessoas foram batizadas. Apesar de centenas de Testemunhas de Jeová terem fugido da zona de guerra, o número de publicadores em Serra Leoa aumentou 50% e na Guiné, mais de 300%! O mais importante é que o povo de Deus manteve sua integridade. Num ‘forno de tribulação’, eles mostraram que entre os cristãos existem verdadeiro amor e união e ‘continuaram sem cessar a ensinar e a declarar as boas novas’. — Isa. 48:10; Atos 5:42.

  • De criança-soldado a pioneiro regular
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
    • SERRA LEOA E GUINÉ

      De criança-soldado a pioneiro regular

      EU TINHA 16 anos quando fui forçado por soldados rebeldes a me juntar a seu exército. Eles me davam drogas e bebidas alcoólicas, e muitas vezes eu estava drogado quando lutava. Participei de inúmeras batalhas e cometi muitas atrocidades. Como eu me arrependo disso!

      Mas, um dia, um idoso que era Testemunha de Jeová estava pregando em nosso acampamento. A maioria das pessoas tinha medo de nós e nos desprezava por sermos rebeldes, mas lá estava ele, procurando nos ajudar. Quando ele me convidou para assistir a uma reunião, eu aceitei. Não me lembro do que foi dito, mas me lembro bem da boa acolhida que recebi.

      Quando a guerra ficou mais intensa, perdi contato com as Testemunhas de Jeová. Eu fui gravemente ferido e daí enviado a uma região controlada pelos rebeldes para me recuperar. Antes de a guerra acabar, fugi para uma região controlada pelo governo. Lá, entrei num programa de desarmamento e reintegração de ex-combatentes à sociedade.

      Eu precisava desesperadamente de ajuda espiritual. Comecei a assistir a cultos pentecostais, mas os membros da igreja me chamavam de “Satanás”. Então, comecei a procurar pelas Testemunhas de Jeová. Quando as encontrei, passei a estudar a Bíblia e a assistir às suas reuniões. Ao confessar o que eu tinha feito de errado, os irmãos leram as palavras consoladoras de Jesus: “As pessoas com saúde não precisam de médico, mas sim os enfermos. . . . Eu não vim chamar os que são justos, mas pecadores.” — Mat. 9:12, 13.

      Essas palavras mexeram muito comigo. Entreguei minha faca para o irmão com quem eu estudava a Bíblia e disse: “Guardei essa arma para me proteger contra pessoas que quisessem se vingar. Mas sei agora que Jeová e Jesus me amam; não preciso mais dela.”

      Os irmãos me ensinaram a ler e a escrever. Com o tempo, fui batizado e me tornei pioneiro regular. Hoje, quando dou testemunho a ex-rebeldes, eles dizem que me respeitam por eu ter endireitado minha vida. Consegui até estudar a Bíblia com o assistente do comandante do meu antigo pelotão!

      Enquanto servia como soldado, fui pai de três meninos. Depois que eu aprendi a verdade, quis ajudá-los em sentido espiritual. Para a minha alegria, dois deles aceitaram a verdade! Meu filho caçula é publicador não batizado, e meu filho mais velho hoje é pioneiro auxiliar.

  • 2002-2013 Progressos recentes (parte 1)
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
    • [Foto na página 154]

      SERRA LEOA E GUINÉ

      2002-2013 Progressos recentes (parte 1)

      “Obrigada, Jeová!”

      Quando a situação se estabilizou, os irmãos voltaram para o que restou de suas casas. Nos lugares onde havia congregações antes da guerra, principalmente no leste de Serra Leoa, novas congregações foram formadas. Pioneiros especiais de certa região relataram: “A assistência da primeira reunião foi de 16 pessoas, de 36 na segunda, de 56 na terceira, e 77 pessoas assistiram à Celebração. Ficamos muito empolgados!” Outras nove congregações foram formadas, totalizando 24. Chegaram dez novos missionários de Gileade, o que deu impulso à obra de pregação. Em 2004, a assistência à Celebração foi de 7.594 pessoas — mais de cinco vezes o total de publicadores! A obra na Guiné teve um aumento similar.

      [Gráfico na página 154]

      Os refugiados que estavam voltando precisariam recomeçar a vida. Por isso, o Corpo Governante rapidamente liberou fundos de emergência para ajudá-los. (Tia. 2:15, 16) Equipes itinerantes de voluntários, que prestavam ajuda humanitária, construíram ou restauraram 12 Salões do Reino e um Salão de Assembleias em Koindu. Eles também construíram 42 casas simples de tijolos para acomodar as famílias que tiveram suas casas destruídas. Uma viúva de uns 70 anos, ao ver sua nova casa, ficou com lágrimas nos olhos e disse em voz alta: “Obrigada, Jeová! Obrigada, Jeová! Obrigada, meus irmãos!”

      A sede também começou a construir Salões do Reino com dinheiro proveniente do programa para países com recursos limitados. Saidu Juanah, um ancião e pioneiro da congregação Oeste de Bo, conta: “Uma irmã me disse: ‘Se for anunciado que vamos receber um novo Salão do Reino, vou bater palmas com as mãos e com os pés!’ Quando eu dei o anúncio de que teríamos um novo salão, essa irmã deu um pulo e começou a aplaudir e a dançar — ‘batendo palmas’ com as mãos e com os pés!”

      Em 2010, a congregação Waterloo dedicou um novo Salão do Reino expansível que também pode ser usado como um Salão de Assembleias de 800 lugares. No dia em que a congregação comprou o terreno, a proprietária tinha recebido uma oferta maior. Mas ela disse: “Prefiro que meu terreno seja usado para fins religiosos do que para fins comerciais.”

      Por meio do programa para países com recursos limitados, foram construídos 17 Salões do Reino em Serra Leoa e 6 na Guiné. Esses simples, mas dignos, locais de adoração atraíram muito mais pessoas às reuniões.

      À procura das “ovelhas perdidas” de Jeová

      Com o aumento da obra de pregação, a sede organizou uma campanha de dois meses para alcançar territórios pouco trabalhados. Os publicadores distribuíram mais de 15 mil livros e ficaram muito felizes com os resultados. Algumas pessoas perguntaram se congregações das Testemunhas de Jeová seriam abertas nas cidades da região. Por causa dessa reação positiva, mais tarde foram formadas duas congregações. Num vilarejo distante, foram encontradas duas irmãs que tinham perdido contato com a organização durante a guerra. Os irmãos imediatamente programaram reuniões regulares e iniciaram muitos estudos bíblicos nesse vilarejo.

      Em 2009, a sede soube que no meio de uma floresta na Guiné havia outro vilarejo onde pessoas diziam ser Testemunhas de Jeová. A sede enviou irmãos para entender o que estava acontecendo. Descobriram que um irmão idoso tinha voltado para seu vilarejo natal depois de se aposentar. Ele tinha ensinado a Bíblia a muitos moradores dali antes de falecer. Um deles começou a acreditar em Jeová e passou a falar a outros sobre o que tinha aprendido da Bíblia. Ele também realizava reuniões, usando as publicações daquele irmão falecido. Já fazia 20 anos que elas adoravam a Jeová quando um publicador as encontrou por acaso. A sede imediatamente enviou irmãos para ajudar esse grupo. Em 2012, a Celebração da morte de Cristo realizada nesse vilarejo teve uma assistência de 172 pessoas.

      Em tempos recentes, um número cada vez maior de “ovelhas perdidas” tem sido encontrado. Essas são pessoas que tinham se afastado ou tinham sido removidas da congregação. Muitos “filhos pródigos” fizeram mudanças e voltaram para o caminho da verdade. O povo de Jeová os recebeu de braços abertos. — Luc. 15:11-24.

      Muçulmanos sinceros aceitam a verdade

      Ao pregar a mensagem do Reino a outros, o apóstolo Paulo se tornou “todas as coisas para pessoas de toda sorte”. (1 Cor. 9:22, 23) Da mesma forma, os servos de Jeová em Serra Leoa e na Guiné têm adaptado suas apresentações para despertar o interesse de todo tipo de pessoas. Por exemplo, os muçulmanos são o maior grupo religioso nesses dois países. Veja como alguns publicadores raciocinam com muçulmanos dispostos a conversar sobre religião.

      Saidu Juanah, que antes era muçulmano, explica: “Os muçulmanos acreditam que Adão foi criado do pó e que, antes de pecar, ele morava num paraíso no céu. Para ajudá-los a ter o entendimento correto, geralmente eu pergunto: ‘Onde existe pó? No céu ou na Terra?’

      “‘Na Terra’, a pessoa responde.

      “‘Então, onde Adão deve ter sido criado?’, pergunto.

      “‘Na Terra’, diz ela.

      “Em seguida, leio Gênesis 1:27, 28 que menciona que Adão e Eva foram criados ‘macho e fêmea’ e que deviam ter filhos. Daí, faço outra pergunta: ‘As criaturas celestiais têm filhos?’

      “‘Não. Os anjos não têm sexo’, ela responde.

      “Então, eu pergunto: ‘Quando Deus mandou que Adão e Eva tivessem filhos, onde eles teriam de estar?’

      “‘Na Terra’, a pessoa responde.

      “Eu continuo o raciocínio: ‘Então, quando Deus restaurar o Paraíso, pela lógica, onde será esse Paraíso?’

      “‘Aqui na Terra’, diz ela.”

      Saidu conclui: “Raciocinar usando as Escrituras faz com que muitos muçulmanos sinceros continuem a dar atenção e aceitem publicações bíblicas.”

      Veja o caso de Momoh, um muçulmano, dono de uma loja, que queria um dia ser líder religioso. Quando missionários Testemunhas de Jeová raciocinaram com ele usando as Escrituras, Momoh ficou curioso. Ele assistiu a alguns discursos numa assembleia de circuito e gostou do que ouviu. Quatro dias mais tarde, ele e sua esposa, Ramatu, e os cinco filhos deles, assistiram à Celebração da morte de Cristo. Momoh então começou a estudar seriamente a Bíblia. Depois de vários estudos, ele parou de vender cigarros. Ele disse a seus clientes que o cigarro prejudica a saúde e que Deus não aprova seu uso. Ele também começou a estudar com a família em sua loja. Quando clientes chegavam na hora do estudo em família, ele pedia que se sentassem e esperassem e explicava para eles que o estudo era muito importante para sua família. Quando ele e Ramatu legalizaram seu casamento, as famílias dos dois começaram a se opor fortemente. Sem desanimar, Momoh e Ramatu corajosamente pregaram a seus parentes, que, com o tempo, passaram a respeitá-los. Momoh foi batizado em 2008, e Ramatu em 2011.

      A santidade do sangue foi defendida

      O povo de Jeová não tem medo de defender os padrões de moral de Deus, inclusive o conceito sobre o sangue. (Atos 15:29) A posição das Testemunhas de Jeová tem ganhado o respeito de um número cada vez maior de profissionais da área médica em Serra Leoa e na Guiné.

      [Foto na página 159]

      Irmãos consolam uma irmã no hospital

      Em 1978, os irmãos distribuíram o folheto As Testemunhas de Jeová e a Questão do Sangue a médicos, enfermeiros, administradores de hospitais, advogados e juízes em Serra Leoa. Pouco tempo depois, uma irmã que estava em trabalho de parto teve hemorragia interna, mas os médicos se recusaram a tratá-la sem sangue. Um médico, porém, concordou em colaborar porque achou o conteúdo do folheto Questão do Sangue lógico e esclarecedor. A irmã deu à luz um menino saudável e se recuperou completamente.

      Por volta de 1991, o Dr. Bashiru Koroma, cirurgião do Hospital de Kenema, leu a brochura Como Pode o Sangue Salvar a Sua Vida? e ficou impressionado. Por isso, ele começou a estudar a Bíblia e a assistir às reuniões cristãs. Quando um menino Testemunha de Jeová de 9 anos de idade rompeu o baço num acidente, os médicos dele se recusaram a operá-lo sem sangue. Eles disseram aos pais: “Levem seu filho embora daqui para que ele morra em casa!” Os pais procuraram o Dr. Bashiru, que fez a cirurgia com sucesso.

      O Dr. Bashiru logo se tornou o irmão Bashiru — um firme defensor da medicina sem sangue. Outros médicos passaram a rejeitá-lo por causa do que ele defendia, apesar de suas cirurgias bem sucedidas. Mais tarde, alguns de seus colegas começaram a procurar a ajuda dele em procedimentos cirúrgicos complicados.

      Desde 1994, os Serviços de Informações sobre Hospitais da sede em Freetown têm formado Comissões de Ligação com Hospitais em Serra Leoa e na Guiné. Essas comissões têm amorosamente ajudado muitas Testemunhas de Jeová enfermas e têm convencido dezenas de profissionais da área de saúde a tratá-las sem sangue.

  • 2002-2013 Progressos recentes (parte 2)
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
    • SERRA LEOA E GUINÉ

      2002-2013 Progressos recentes (parte 2)

      Os surdos são ajudados

      De acordo com uma estimativa, de 3 mil a 5 mil pessoas em Serra Leoa e centenas de pessoas na Guiné são surdas. Visto que a vontade de Jeová é que todas as pessoas sejam salvas, como os surdos “ouviriam” a mensagem do Reino? — 1 Tim. 2:4.

      Michelle Washington, uma missionária de Gileade que chegou a Serra Leoa em 1998, conta: “Eu e meu marido, Kevin, fomos designados a uma congregação onde quatro surdos assistiam às reuniões. Já que eu sabia língua de sinais americana, quis ajudá-los. A sede me convidou para servir como intérprete de língua de sinais nas reuniões e nas assembleias e informou as congregações próximas sobre isso. A sede também providenciou aulas de língua de sinais para os publicadores interessados em ajudar nesse campo. Começamos a busca por surdos na comunidade e iniciamos estudos bíblicos com eles. Ao ver nossos esforços, muitas pessoas da comunidade nos elogiaram. Mas nem todos estavam contentes com nosso trabalho. Um pastor que pregava aos surdos nos chamou de ‘falsos profetas’. Ele disse aos surdos e a suas famílias que deveriam ficar longe de nós. Alguns foram avisados de que, caso se associassem conosco, a ajuda financeira que recebiam da igreja seria cortada. A comunidade surda rapidamente se dividiu em dois grupos: os que não nos conheciam e apoiavam o pastor, e os que nos conheciam e não apoiavam o pastor. Alguns desse segundo grupo aceitaram a verdade e se batizaram.”

      Femi, por exemplo, nasceu surdo e só conseguia se comunicar com gestos bem simples. Ele desconfiava de todo mundo — principalmente dos ouvintes. Ele se sentia triste e achava que ninguém gostava dele. Daí, começou a estudar a Bíblia com os irmãos do grupo de língua de sinais. Em pouco tempo, ele passou a assistir regularmente às reuniões cristãs e a aprender língua de sinais. Femi se batizou e se sente feliz por poder ensinar a verdade a outros surdos.

      Foto na página 161

      Femi (à extrema direita), canta em língua de sinais um cântico do Reino

      Em julho de 2010, o grupo de língua de sinais americana de Freetown se tornou uma congregação. Existem também grupos de língua de sinais em Bo e Conacri.

      Pobres, mas “ricos na fé”

      A Bíblia conta que a maioria dos cristãos do primeiro século era pobre. O discípulo Tiago escreveu: “Não escolheu Deus os que são pobres com respeito ao mundo, para serem ricos na fé?” (Tia. 2:5) A fé em Jeová também trouxe consolo e esperança aos publicadores de Serra Leoa e da Guiné.

      Por causa de sua fé, muitas famílias pobres de Testemunhas de Jeová que moram em áreas distantes economizam dinheiro durante meses a fim de assistir ao congresso de distrito. Alguns vendem o que plantam para pagar sua viagem. Grupos de 20 a 30 congressistas lotam pequenos caminhões. Daí, enfrentam uma viagem que pode levar mais de 20 horas numa estrada poeirenta e esburacada, debaixo de muito calor. Outros congressistas percorrem longas distâncias a pé. Certo irmão conta: “Quando fomos a um congresso, andamos os primeiros 80 quilômetros carregando uma enorme quantidade de bananas. Vendemos as bananas no caminho e, com isso, aliviamos o peso da bagagem e conseguimos dinheiro suficiente para continuar a viagem num caminhão.”

      Foto na página 164

      Viagem de caminhão a um congresso de distrito

      A fé também tem ajudado muitos publicadores a resistir à tentação de se mudar para países mais prósperos. Emmanuel Patton, formado na Escola Bíblica para Irmãos Solteiros, diz: “Temos certeza de que Jeová vai cuidar de nós. Visto que moramos num lugar onde há mais necessidade de pregadores do Reino, percebemos o quanto nosso serviço é importante.” (Mat. 6:33) Emmanuel atualmente é ancião de congregação. Ele e sua esposa, Eunice, trabalham arduamente a favor do Reino. Outros chefes de família decidem não se mudar a fim de proteger a união e a espiritualidade de sua família. Timothy Nyuma, que serviu como pioneiro especial e superintendente de circuito substituto, conta: “Eu não aceitava nenhum trabalho que significasse ficar longe da minha família por longos períodos. Eu e minha esposa, Florence, também decidimos colocar nossos filhos em escolas perto de casa em vez de mandá-los morar com parentes a fim de frequentarem escolas melhores.”

      Outros irmãos demonstram fé por manter sua rotina espiritual apesar de várias dificuldades. Kevin Washington, marido de Michelle, já mencionada, observa: “Muitos publicadores enfrentam problemas sérios. Nem por isso ficam em casa reclamando. Eles vão à pregação regularmente e cuidam das responsabilidades congregacionais. Alguns, por exemplo, sofrem de doenças crônicas e não têm acesso fácil a remédios nem à assistência médica. Outros se esforçam bastante para aprender a ler e a escrever. Se percebo que estou sendo crítico em relação à forma que um irmão cuida de sua designação, eu me pergunto: ‘Se eu trabalhasse em horário integral, tivesse sérios problemas de saúde, não conseguisse óculos para corrigir minha visão, tivesse poucas publicações em minha biblioteca teocrática e não tivesse energia elétrica, será que eu faria tão bem quanto ele?’”

      Foto de página inteira nas páginas 166, 167

      Dessa e de muitas outras maneiras, os irmãos de Serra Leoa e da Guiné dignificam o nome de Jeová. Assim como os primeiros cristãos, eles mostram que são ministros de Deus “na perseverança em muito, em tribulações, em necessidades, . . . como pobres, mas enriquecendo a muitos, como não tendo nada, e ainda assim possuindo todas as coisas”. — 2 Cor. 6:4, 10.

      Otimistas quanto ao futuro

      Por volta de 1920, Alfred Joseph e Leonard Blackman disseram que os campos de Serra Leoa estavam “brancos para a colheita”. (João 4:35) Cerca de 35 anos mais tarde, na Guiné, Manuel Diogo escreveu: “Há bastante interesse aqui.” Hoje, os servos de Jeová nesses dois países estão convencidos de que ainda mais pessoas aceitarão a mensagem do Reino.

      Em 2012, a assistência à Celebração da morte de Cristo na Guiné foi de 3.479 pessoas, quase cinco vezes o total de publicadores do país e em Serra Leoa a assistência foi de 7.854 pessoas, quase quatro vezes o número de publicadores. Winifred Remmie, uma veterana de 93 anos, assistiu à Celebração daquele ano. Ela e o marido, Lichfield, tinham chegado a Serra Leoa em 1963. Depois de 60 anos no serviço de tempo integral, ela ainda servia como pioneira especial. Winifred disse: “Quem sonharia que Serra Leoa teria tantos irmãos e irmãs fortes em sentido espiritual? Apesar da minha idade, ainda quero participar desse aumento alegre.”a

      As Testemunhas de Jeová de Serra Leoa e da Guiné concordam de coração com as palavras de Winifred. Como árvores imponentes e bem regadas, elas estão determinadas a continuar a produzir frutos que trazem louvor a Jeová. (Sal. 1:3) Com o poder de Jeová, elas continuarão a proclamar a verdadeira esperança de liberdade para os humanos — “a liberdade gloriosa dos filhos de Deus”. — Rom. 8:21.

      Foto na página 163

      Comissão de Filial, da esquerda para a direita: Collin Attick, Alfred Gunn, Tamba Josiah e Delroy Williamson

      a Winifred Remmie faleceu enquanto este relato estava sendo preparado.

  • Jeová me amparou
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
    • SERRA LEOA E GUINÉ

      Jeová me amparou

      Jay Campbell

      • ANO DE NASCIMENTO 1966

      • ANO DE BATISMO 1986

      • RESUMO BIOGRÁFICO Pioneira regular que teve paralisia infantil.

      Foto na página 128

      A DOENÇA que tive quando criança me deixou paralítica da cintura para baixo. Eu morava numa comunidade em Freetown com minha mãe e várias outras famílias pobres. Eu tinha vergonha das pessoas de fora e medo do que elas pensariam de mim. Por isso, em 18 anos, só tive coragem de sair de lá uma vez.

      Quando eu tinha 18 anos, uma missionária chamada Pauline Landis visitou minha comunidade e se ofereceu para me ensinar a Bíblia. Quando falei que era analfabeta, Pauline disse que também me ensinaria a ler e escrever. Então, aceitei a oferta.

      Fiquei muito feliz com o que aprendi da Bíblia. Um dia, perguntei a Pauline se eu poderia assistir a uma reunião congregacional numa casa que ficava a uma quadra de onde eu morava. Eu disse: “Vou para lá com a ajuda dos meus blocos de madeira.”

      Quando Pauline veio me buscar, minha mãe e meus vizinhos ficaram me olhando, preocupados. Eu colocava os blocos de madeira no chão, na minha frente, me apoiando neles com as mãos e impulsionava meu corpo para frente. Daí, fazia tudo de novo. Quando eu estava chegando ao pátio, meus vizinhos gritaram para Pauline: “Você está forçando a menina! Ela já tentou andar antes e não conseguiu.”

      “Jay, você quer mesmo ir?”, perguntou Pauline gentilmente.

      “Quero!”, respondi. “Já decidi.”

      Meus vizinhos ficaram me olhando, calados, enquanto eu me aproximava da saída. Quando finalmente passei do portão, eles aplaudiram muito.

      Como eu gostei daquela reunião! Próximo passo: ir a uma reunião no Salão do Reino. Isso envolveria “andar” até o fim da rua, pegar um táxi e ser carregada ladeira acima pelos irmãos. Consegui fazer isso, mas muitas vezes eu chegava toda suada e suja, e tinha que trocar de roupa no salão. Mais tarde, uma irmã da Suíça bondosamente me deu de presente uma cadeira de rodas, o que tornou minha vida mais digna.

      Ler as experiências de outras Testemunhas de Jeová deficientes me incentivou a fazer mais no serviço de Jeová. Em 1988, eu me tornei pioneira regular. Pedi a Jeová que me ajudasse a atingir meu alvo que era ajudar alguém da minha família e alguém no meu território a servirem a Jeová. Minhas orações foram atendidas quando consegui ensinar a verdade a dois sobrinhos meus e a uma mulher que encontrei ao dar testemunho nas ruas.

      Agora meus braços perderam as forças, e dependo de outros para empurrar minha cadeira de rodas. Também sofro de dor crônica. Mas descobri um remédio para minha dor: ensinar sobre Jeová a outros. A alegria que isso me dá alivia a dor e me consola porque Jeová me amparou. Agora minha vida tem um objetivo.

  • Escapamos dos soldados rebeldes
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
    • SERRA LEOA E GUINÉ

      Escapamos dos soldados rebeldes

      Andrew Baun

      • ANO DE NASCIMENTO 1961

      • ANO DE BATISMO 1988

      • RESUMO BIOGRÁFICO Era pioneiro regular em Pendembu, Província do Leste, Serra Leoa, quando a guerra estourou em 1991.

      NUMA tarde, os rebeldes entraram em nossa cidade atirando para o alto por cerca de duas horas. Alguns deles eram adolescentes que mal conseguiam carregar suas armas. Eles estavam imundos, com o cabelo desgrenhado e pareciam estar drogados.

      No dia seguinte, a matança começou. As pessoas eram brutalmente mutiladas ou executadas e as mulheres eram estupradas. A situação estava caótica. O irmão Amara Babawo, sua família e quatro pessoas interessadas ficaram escondidos em minha casa. Estávamos apavorados.

      Pouco depois, um comandante dos rebeldes apareceu e ordenou que nos apresentássemos para receber treinamento militar na manhã seguinte. Estávamos decididos a permanecer neutros, mesmo que isso significasse a morte. Oramos quase a noite inteira. De manhã cedo, consideramos o texto diário e ficamos esperando os rebeldes chegarem. Mas eles nunca voltaram.

      “Vocês estão lendo o texto diário. Vocês devem ser Testemunhas de Jeová”

      Mais tarde, um oficial e quatro soldados das forças rebeldes se apossaram da minha casa e nos obrigaram a ficar lá. Então, continuamos a realizar as reuniões regularmente e a considerar o texto diário em casa. Alguns soldados comentaram: “Vocês estão lendo o texto diário. Vocês devem ser Testemunhas de Jeová.” Eles não estavam interessados na Bíblia, mas nos respeitavam.

      Certo dia, um comandante de alta patente veio inspecionar os soldados que tinham se instalado em minha casa. Ele bateu continência ao irmão Amara, e eles trocaram um aperto de mãos. Daí, o comandante se dirigiu aos soldados e disse aos berros: “Esse homem é meu chefe e chefe de vocês também. Se alguém tocar num fio de cabelo dele ou dos que estão com ele, vocês vão se dar mal! Fui claro?” “Sim, senhor!”, responderam eles. O comandante, então, nos deu uma carta ordenando que a Frente Revolucionária Unida não nos fizesse mal, pois éramos cidadãos pacíficos.

      Vários meses depois, as facções rebeldes começaram a lutar entre si, por isso, fugimos para a Libéria. Lá, fomos ameaçados por outro grupo rebelde. Dissemos: “Somos Testemunhas de Jeová.” “Então, o que diz João 3:16?”, perguntou um soldado. Quando falamos o que o texto dizia, ele nos deixou ir.

      Mais tarde, encontramos outro comandante das forças rebeldes. Ele mandou que eu e o irmão Amara o acompanhássemos. Ficamos com medo de ser mortos. Daí, o rebelde nos contou que tinha estudado a Bíblia com as Testemunhas de Jeová antes da guerra. Ele nos deu dinheiro e levou uma carta que estava conosco para os irmãos de uma congregação próxima. Logo depois, dois irmãos chegaram com suprimentos e nos levaram para um lugar seguro.

  • “O homem da Sentinela”
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
    • SERRA LEOA E GUINÉ

      “O homem da Sentinela”

      James Koroma

      • ANO DE NASCIMENTO 1966

      • ANO DE BATISMO 1990

      • RESUMO BIOGRÁFICO Serviu como mensageiro durante a guerra civil.

      EM 1997, enquanto as forças rebeldes e as tropas do governo se enfrentavam em Freetown, eu me ofereci para levar e trazer correspondência entre Freetown e a sede provisória em Conacri, Guiné.

      Na rodoviária da cidade, eu e outros homens pegamos um ônibus. Ouvimos tiros à distância e ficamos com medo. Ao passar por uma rua, nos deparamos com um tiroteio. Nosso motorista deu a ré e pegou outro caminho. Logo depois, fomos parados por um grupo de rebeldes armados que nos mandou sair do ônibus. Depois de sermos interrogados, eles nos deixaram passar. Mais tarde, fomos parados por outro grupo de soldados. Já que um dos passageiros conhecia o comandante do grupo, eles nos deixaram continuar a viagem. Nos limites da cidade, encontramos um terceiro grupo de rebeldes, que nos interrogou e nos mandou seguir adiante. Enquanto íamos para o norte, passamos por muitas outras barreiras até o fim da tarde, quando nosso ônibus todo empoeirado chegou a Conacri.

      Em outras viagens, levei caixas de publicações, material de escritório, documentos da sede e suprimentos. Na maioria das vezes, eu viajava de carro ou micro-ônibus. Também usei carregadores e canoas para transportar publicações através de florestas e rios.

      Uma vez, enquanto levava equipamentos de Freetown a Conacri, o micro-ônibus em que eu estava foi parado na fronteira por soldados rebeldes. Um deles ficou olhando para minha bagagem e, desconfiado, começou a me fazer perguntas. Foi quando eu vi um antigo colega de escola entre os rebeldes. Os soldados o chamavam de “Brutamontes”, e ele era o mais assustador do bando. Disse ao soldado que me questionava que eu estava ali para ver Brutamontes. Quando o chamei, Brutamontes me reconheceu na hora e correu até onde eu estava. Nós nos abraçamos e rimos. Então, ele ficou sério.

      “Você está com algum problema?”, perguntou ele.

      “Estou tentando chegar à Guiné”, respondi.

      Ele imediatamente ordenou que os soldados deixassem o micro-ônibus passar pelo posto de controle sem ser inspecionado.

      Daquele dia em diante, toda vez que eu parava naquele posto de controle, Brutamontes mandava que os soldados me deixassem passar. Eu dava nossas revistas para os soldados, e eles gostavam muito delas. Em pouco tempo, comecei a ser chamado de “O homem da Sentinela”.

  • Algo melhor do que diamantes
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
    • SERRA LEOA E GUINÉ

      Algo melhor do que diamantes

      Tamba Josiah

      • ANO DE NASCIMENTO 1948

      • ANO DE BATISMO 1972

      • RESUMO BIOGRÁFICO Trabalhou em minas de diamante antes de se tornar cristão. Hoje, é membro da Comissão de Filial de Serra Leoa.

      EM 1970, eu trabalhava numa empresa britânica de mineração em Tongo Fields, uma região rica em diamantes ao norte de Kenema. Também garimpava diamantes em meu tempo livre. Quando encontrava minhas próprias pedras, eu me arrumava e saía para vendê-las em Kenema. Daí, ia me divertir na cidade.

      Em 1972, conheci as Testemunhas de Jeová e passei a estudar a Bíblia com elas. Cinco meses depois, eu já estava qualificado para o batismo. Visto que eu não tinha mais férias, pedi a um colega de trabalho que me substituísse em meu turno para eu conseguir assistir ao congresso de distrito e ser batizado. Ele aceitou, desde que eu lhe desse o salário de uma semana. Meu batismo era mais importante que dinheiro, por isso, aceitei a proposta. Quando voltei do congresso, ele disse que eu não precisaria pagar nada, pois servir a Deus era a coisa certa a fazer. Seis meses mais tarde, deixei meu emprego bem remunerado para ‘armazenar tesouros no céu’ como pioneiro especial. — Mat. 6:19, 20.

      Fui 18 anos pioneiro especial e superintendente de circuito em várias partes do país. Nesse meio tempo, casei-me com Christiana, que tem sido uma companheira leal e apoiadora, e, mais tarde, fomos abençoados com uma filha, Lynette.

      Eu sonhava em achar diamantes, mas encontrei algo muito melhor — riquezas espirituais

      Durante a guerra civil em Serra Leoa, eu e Christiana servimos como pioneiros em Bo, cidade localizada em outra região grande produtora de diamantes. Lá encontramos muitos “diamantes” espirituais — genuínos discípulos cristãos. Em quatro anos, nossa congregação cresceu mais de 60%. Atualmente, existem três congregações animadas em Bo.

      Em 2002, fui convidado para ser membro da Comissão de Filial de Serra Leoa. Eu e Christiana moramos perto de Betel. Trabalho lá todos os dias, enquanto Christiana serve como pioneira especial. Lynette é betelita e faz parte da equipe de tradução do idioma criô.

      Eu sonhava em achar diamantes, mas encontrei algo muito melhor — riquezas espirituais. Também ajudei 18 pessoas a conhecerem a verdade. Elas mostraram ser verdadeiros “diamantes”. Com certeza, Jeová tem me abençoado imensamente.

  • Determinados a servir a Jeová
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
    • SERRA LEOA E GUINÉ

      Determinados a servir a Jeová

      Philip Tengbeh

      • ANO DE NASCIMENTO 1966

      • ANO DE BATISMO 1997

      • RESUMO BIOGRÁFICO Um refugiado que ajudou a construir cinco Salões do Reino.

      EM 1991, eu e minha esposa, Satta, tivemos de fugir quando soldados rebeldes invadiram a cidade em que morávamos, Koindu, Serra Leoa. Nos oito anos seguintes, moramos em vários campos de refugiados. Nesses lugares, tivemos de lidar com a falta de alimento e com doenças, além da imoralidade que existia em nossa volta.

      Em cada campo de refugiados, pedíamos às autoridades que nos concedessem um terreno para construir um Salão do Reino. Às vezes o pedido era aprovado, às vezes não. Mesmo assim, sempre conseguíamos um lugar para realizar as reuniões. Estávamos determinados a servir a Jeová. Com o tempo, construímos quatro Salões do Reino nos campos em que ficamos.

      Quando a guerra acabou, não tínhamos para onde ir. Anos de guerra haviam devastado Koindu. Então, fomos enviados para outro campo de refugiados, perto de Bo. Lá, com a ajuda financeira da sede, construímos nosso quinto Salão do Reino.

  • “Eu me apaixonei por Serra Leoa”
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2014
    • SERRA LEOA E GUINÉ

      “Eu me apaixonei por Serra Leoa”

      Cindy McIntire

      • ANO DE NASCIMENTO 1960

      • ANO DE BATISMO 1974

      • RESUMO BIOGRÁFICO Missionária desde 1992. Serviu na Guiné e no Senegal e atualmente serve em Serra Leoa.

      POUCAS SEMANAS depois de ter chegado a Serra Leoa, eu já estava apaixonada pelo país. Eu ficava maravilhada de ver como as pessoas carregavam com elegância e com a maior naturalidade coisas pesadas na cabeça. Os bairros eram cheios de vida. As crianças brincavam e dançavam nas ruas, criando ritmos animados com as mãos e com os pés. Eu estava cercada por cores, movimentos e música.

      Pregar é o que eu mais gosto de fazer aqui. Os serra-leoneses respeitam a Bíblia e dão atenção ao que ela diz. Eles se orgulham de ser hospitaleiros com estrangeiros. Na pregação, muitos deles me convidam para entrar. Quando deixo a casa, alguns me acompanham até o fim da rua. Esses aspectos cativantes me ajudaram a lidar com pequenos desconfortos, como falta d’água e blecautes.

      Por eu ser solteira, as pessoas às vezes me perguntam se em alguns momentos me sinto sozinha. Na verdade, tenho tanta coisa para fazer que eu não tenho tempo para me sentir solitária. A vida que levo aqui me faz sentir realizada.

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