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“Há prata em Potosí!”Despertai! — 1996 | 8 de agosto
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Escravidão
Os espanhóis suportaram desconfortos tremendos na sua busca de prata. Em geral, a comida era escassa, a água contaminada, e as minas perigosas. O clima gélido trazia um sério problema: quem tentava aquecer-se com o carvão às vezes acabava envenenado com o monóxido de carbono.
Logo os espanhóis acharam um jeito de diminuir muito o desconforto: escravizaram a população indígena. O Bolivian Times, de La Paz, declarou: “Dizem que oito milhões de escravos indígenas foram consumidos”, morreram, nas minas de Potosí, durante o período colonial. A crueldade, o excesso de trabalho e a doença dizimaram a população terrivelmente. Não é para menos que, em 1550, um cronista tenha chamado Potosí de “boca do inferno”!
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“Há prata em Potosí!”Despertai! — 1996 | 8 de agosto
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Uma das principais metas dos conquistadores espanhóis era estabelecer o catolicismo nas Américas. Mas como eles, que professavam o cristianismo, justificavam seus lucros milionários da escravidão? Embora alguns eclesiásticos se manifestassem contra as injustiças, outros racionalizavam a escravidão alegando que a tirania dos espanhóis era menor do que a dos incas. Afirmavam que os índios eram inferiores e que tinham um pendor natural para o vício — então era melhor que trabalhassem nas minas. Havia ainda outros que alegavam que obrigar os índios a trabalhar nas minas era um passo necessário para convertê-los ao catolicismo.
A história mostra, porém, que os clérigos estavam entre os mais ricos de Potosí. O historiador Mariano Baptista diz: “A Igreja, como instituição, e seus representantes, individualmente, formavam uma parte privilegiada do círculo da exploração” dos índios. Este historiador cita um vice-rei que, em 1591, reclamou que o clero ‘sugava o sangue dos índios com muito mais cobiça e ambição do que faziam os leigos’.
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