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Da escuridão para a luzA Sentinela (Estudo) — 2016 | novembro
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Da escuridão para a luz
‘Jeová os chamou da escuridão para a Sua maravilhosa luz.’ — 1 PED. 2:9.
1. Descreva o que aconteceu quando Jerusalém foi destruída.
EM 607 antes de Cristo, o enorme exército babilônico, comandado por Nabucodonosor II, invadiu a cidade de Jerusalém. Esse ataque resultou num horrível massacre. A Bíblia diz que Nabucodonosor ‘matou os jovens judeus à espada’ e “não teve compaixão nem dos rapazes nem das moças, nem dos idosos nem dos doentes”. Depois “ele queimou a casa do verdadeiro Deus, demoliu a muralha de Jerusalém, queimou com fogo todas as suas torres fortificadas e destruiu tudo que era de valor”. — 2 Crô. 36:17, 19.
2. (a) Que aviso Jeová deu sobre a destruição de Jerusalém? (b) O que aconteceria com os judeus?
2 Por meio dos seus profetas, Jeová já tinha dado um aviso sobre a destruição de Jerusalém. Se os judeus continuassem desobedecendo à sua Lei, ele permitiria que os babilônios os atacassem. Muitos judeus seriam mortos à espada; quem não fosse morto, provavelmente passaria o resto da vida no exílio em Babilônia, ou seja, seria forçado a viver naquele país. (Jer. 15:2) Como era a vida dos judeus em Babilônia? Será que algo parecido com o cativeiro em Babilônia já aconteceu com os cristãos? Se aconteceu, quando?
A VIDA EM BABILÔNIA
3. Por que podemos dizer que a vida em Babilônia era diferente da vida no Egito?
3 O que os profetas tinham predito aconteceu mesmo. Por meio de Jeremias, Jeová disse aos judeus que, quando fossem levados para Babilônia, eles deviam aceitar essa mudança e fazer o melhor que podiam nessa nova situação. Ele disse: “Construam casas e morem nelas. Plantem pomares e comam os seus frutos. Empenhem-se pela paz da cidade para onde os exilei, e orem a Jeová a favor dela, pois a paz dela significará paz para vocês.” (Jer. 29:5, 7) Os que seguiram esse conselho de Deus tiveram uma vida relativamente normal em Babilônia. Os babilônios deram a eles certa medida de liberdade. Eles até podiam viajar livremente pelo país. Naquela época, Babilônia era um grande centro comercial. Documentos antigos mostram que muitos judeus se tornaram bons comerciantes e outros se tornaram excelentes artesãos. Alguns judeus até ficaram ricos. Isso mostra que a vida em Babilônia era muito diferente da vida dos israelitas que foram escravos no Egito centenas de anos antes. — Leia Êxodo 2:23-25.
4. (a) Além dos judeus rebeldes, quem mais foi levado para o cativeiro em Babilônia? (b) Por que os judeus fiéis não conseguiam fazer tudo que a Lei de Deus mandava?
4 Os judeus em Babilônia tinham tudo o que precisavam, mas como eles iam fazer para adorar a Deus? Afinal, o templo e o altar de Jeová estavam destruídos, e os sacerdotes não tinham como realizar seu serviço de maneira organizada. Entre os judeus que foram forçados a viver em Babilônia estavam alguns servos leais de Deus que não tinham feito nada que merecesse punição, mas eles tiveram que sofrer com os outros judeus. Mesmo assim, eles fizeram o que podiam para obedecer à Lei de Deus. Por exemplo, em Babilônia, Daniel e seus três amigos — Sadraque, Mesaque e Abednego — se recusaram a comer alimentos que eram proibidos pela Lei. E a Bíblia diz que Daniel orava a Jeová todos os dias. (Dan. 1:8; 6:10) Mas, já que os judeus fiéis eram governados por pessoas que não serviam a Jeová, era impossível para eles fazer tudo que a Lei de Deus mandava.
5. (a) Que promessa Jeová fez ao seu povo? (b) Por que essa promessa era impressionante?
5 Será que algum dia os judeus conseguiriam voltar a fazer tudo o que Deus queria? Na época, isso parecia quase impossível. Babilônia nunca libertava seus prisioneiros. Mas, para Jeová, isso não fazia diferença. Ele tinha prometido que libertaria seu povo, e foi isso o que ele fez. Deus sempre cumpre o que promete. — Isa. 55:11.
OS CRISTÃOS ESTIVERAM NO CATIVEIRO DE BABILÔNIA?
6, 7. Por que foi necessário ajustar nosso entendimento sobre quando os cristãos entraram no cativeiro em Babilônia?
6 Será que os cristãos já passaram por uma situação parecida com o cativeiro em Babilônia? Por muitos anos, esta revista disse que os servos de Deus estiveram no cativeiro em Babilônia, a Grande, entre os anos de 1918 e 1919. Mas, conforme veremos neste artigo e no próximo, foi necessário ajustar nosso entendimento sobre esse assunto.
7 Pense no seguinte: Babilônia, a Grande, são todas as religiões falsas. Se o povo de Deus tivesse entrado mesmo no cativeiro babilônico em 1918, então os servos de Deus teriam se tornado “escravos” da religião falsa naquele ano. Mas o que aconteceu de verdade? Anos antes da Primeira Guerra Mundial, os servos ungidos de Deus estavam se libertando de Babilônia, a Grande, e não se tornando escravos dela. É verdade que os ungidos foram perseguidos na Primeira Guerra Mundial, mas eles foram perseguidos principalmente pelos governos, não pela religião falsa. Por isso, tudo indica que o povo de Deus não entrou no cativeiro de Babilônia, a Grande, em 1918.
QUANDO OS CRISTÃOS ENTRARAM NO CATIVEIRO BABILÔNICO?
8. O que aconteceu depois da morte dos apóstolos? (Veja a gravura no começo do artigo.)
8 Na festividade do Pentecostes do ano 33, milhares de novos cristãos foram ungidos com espírito santo. Esses cristãos se tornaram “raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial”. (Leia 1 Pedro 2:9, 10.) Os apóstolos cuidavam bem da espiritualidade do povo de Deus. Mas, especialmente depois da morte deles, surgiram homens que falavam “coisas deturpadas para arrastar os discípulos atrás de si”. (Atos 20:30; 2 Tes. 2:6-8) Muitos desses homens tinham responsabilidades nas congregações. Mas, com o tempo, eles passaram a fazer separação entre eles e o povo comum, chegando até a usar títulos, como “bispo”. Assim se formou o clero. Isso era bem diferente do que Jesus tinha dito aos seus seguidores: “Todos vocês são irmãos.” (Mat. 23:8) Alguns desses homens gostavam tanto das ideias dos filósofos Aristóteles e Platão que aos poucos começaram a substituir os ensinos puros da Palavra de Deus por ensinos falsos.
9. (a) Como a Igreja e o governo passaram a trabalhar lado a lado? (b) Como isso afetou os cristãos ungidos?
9 No ano 313, o imperador romano Constantino legalizou essa forma falsa de cristianismo. Dali em diante, a Igreja e o governo passaram a trabalhar lado a lado. Por exemplo, Constantino fez uma reunião com vários representantes da Igreja. Essa reunião ficou conhecida como Concílio de Niceia. Depois dessa reunião, Constantino expulsou o sacerdote Ário do país porque Ário não concordava com a ideia errada de que Jesus era Deus. Essa forma contaminada de cristianismo veio a ser chamada de Igreja Católica. Quando Teodósio I era o imperador de Roma (379-395 depois de Cristo), a Igreja Católica se tornou a religião oficial do Império Romano. Os historiadores dizem que foi nessa época que Roma se tornou “cristã”. Só que na verdade, nessa época, os que se diziam cristãos já faziam parte de Babilônia, a Grande. Por quê? Porque aceitavam os ensinos errados das religiões falsas do Império Romano. Mesmo assim, ainda havia alguns cristãos ungidos; eles eram como o trigo que Jesus mencionou em uma de suas ilustrações. Eles estavam fazendo o seu melhor para adorar a Deus, mas ninguém dava atenção ao que diziam. (Leia Mateus 13:24, 25, 37-39.) Essa situação realmente lembrava o cativeiro em Babilônia!
10. Por que no começo as pessoas podiam questionar os ensinos da Igreja?
10 No começo, muitas pessoas ainda conseguiam ler a Bíblia em grego ou latim. Assim, elas podiam comparar os ensinos da Palavra de Deus com os ensinos da Igreja. Por causa disso, algumas delas rejeitaram os ensinos da Igreja que não estavam de acordo com a Bíblia. Mas isso era muito perigoso. Quem falasse disso com outros podia até ser morto.
11. O que a Igreja fez para que as pessoas não conseguissem ler a Bíblia?
11 Mas, com o passar do tempo, as pessoas em geral não conseguiam mais ler grego e latim, e a Igreja não deixava ninguém traduzir a Bíblia para as línguas usadas no dia a dia. Por causa disso, apenas padres, bispos e outras pessoas instruídas conseguiam ler a Bíblia, embora alguns padres não soubessem ler nem escrever bem. Quem não concordasse com o que a Igreja ensinava era severamente punido. Por isso, a situação não era fácil para os fiéis servos ungidos de Deus. Quando eles conseguiam se reunir, tinha que ser em grupos pequenos. Assim como aconteceu com os judeus que foram levados para Babilônia, o “sacerdócio real” (os ungidos) não conseguia adorar a Deus de forma organizada. Babilônia, a Grande, controlava as pessoas com mão de ferro!
A LUZ COMEÇA A BRILHAR
12, 13. Que duas mudanças importantes fizeram com que a religião falsa começasse a perder o controle sobre as pessoas? Explique.
12 Será que os verdadeiros cristãos conseguiriam algum dia adorar a Deus livremente e do jeito que ele queria? Com certeza! Alguns raios de luz começaram a brilhar na escuridão, graças a duas mudanças importantes. A primeira foi por volta do ano 1450: a invenção de uma impressora que usava tipos, ou letras, móveis. Antes disso, a Bíblia tinha de ser cuidadosamente copiada à mão. Para copiar uma Bíblia inteira, mesmo uma pessoa com experiência poderia levar 10 meses! Além disso, as cópias eram feitas em pergaminho, que era um material caro, feito com a pele de animais. Não é para menos que existiam poucas Bíblias e elas eram muito caras. Mas, com uma impressora de tipos móveis e com papel, uma pessoa com experiência conseguia produzir 1.300 páginas por dia!
A invenção da impressora e a coragem dos tradutores da Bíblia contribuíram para que a religião falsa começasse a perder o controle sobre as pessoas (Veja os parágrafos 12 e 13.)
13 A segunda mudança importante foi que, no começo dos anos 1500, alguns homens corajosos decidiram traduzir a Palavra de Deus para as línguas que as pessoas falavam. Para fazer esse trabalho, muitos deles arriscaram a vida. Os líderes da Igreja ficaram apavorados. Para eles, a Bíblia seria uma arma perigosa nas mãos de pessoas de coração sincero. Com mais Bíblias disponíveis, mais pessoas liam a Bíblia e perguntavam: ‘Onde a Bíblia fala de um purgatório? Onde ela diz que o padre pode cobrar para fazer uma missa para os mortos? Onde ela fala de papas e cardeais?’ Do ponto de vista da Igreja, fazer perguntas assim era um absurdo. Como o povo se atrevia a questionar os líderes da Igreja? A Igreja não deixou por isso mesmo. Homens e mulheres foram condenados à morte porque rejeitaram os ensinos da Igreja. Essas pessoas tinham visto que muitos desses ensinos se baseavam nas filosofias de Aristóteles e Platão, que viveram antes mesmo de Cristo nascer. A Igreja dava a sentença de morte; o governo assinava embaixo e executava a sentença. Isso era feito para que as pessoas parassem de ler a Bíblia e de questionar a Igreja. Na maioria dos casos, o plano deu certo. Mas algumas pessoas corajosas não tinham medo de Babilônia, a Grande. Elas sentiram o gostinho da verdade da Palavra de Deus — e queriam mais! Estava montado o cenário para os sinceros serem libertados da religião falsa.
14. (a) O que muitos que queriam ler e estudar a Bíblia fizeram? (b) Conte como o irmão Russell procurou a verdade.
14 Muitos queriam poder ler e estudar a Bíblia, e conversar sobre o que estavam aprendendo. Eles não queriam que a Igreja ficasse dizendo no que deveriam acreditar. Por isso, muitos fugiram para países onde a Igreja tinha menos poder. Foi num desses países que Charles Russell e outros começaram a fazer um estudo profundo da Bíblia em 1870. No início, o irmão Russell queria descobrir qual religião ensinava a verdade. Por isso, ele cuidadosamente comparou o que a Bíblia dizia com os ensinos de várias religiões cristãs e até mesmo não cristãs. Logo ele percebeu que nenhuma delas seguia completamente a Palavra de Deus. Ele chegou até a se reunir com líderes de várias igrejas da região onde morava. O irmão Russell esperava que aqueles homens aceitassem as verdades da Bíblia que ele e seu grupo de estudo tinham descoberto e que ensinassem isso nas suas igrejas. Mas eles não quiseram saber. Aqueles Estudantes da Bíblia logo perceberam que não podiam adorar a Deus ao lado dos que não queriam abandonar a religião falsa. — Leia 2 Coríntios 6:14.
15. (a) Quando os cristãos entraram no cativeiro de Babilônia, a Grande? (b) Que perguntas serão respondidas no próximo artigo?
15 Até agora, vimos que os verdadeiros cristãos entraram no cativeiro de Babilônia, a Grande, pouco tempo depois da morte do último apóstolo. Mas ainda é necessário responder a algumas perguntas: Que outras provas temos de que os ungidos estavam mesmo se libertando de Babilônia, a Grande, nos anos antes de 1914? Será que Jeová não estava satisfeito com seus servos porque eles tinham diminuído sua atividade de pregação durante a Primeira Guerra Mundial? Será que naquela época alguns irmãos deixaram de ser neutros com respeito à guerra e assim ofenderam a Jeová? E se os cristãos entraram no cativeiro da religião falsa depois da morte dos apóstolos, quando eles foram libertados? Essas perguntas serão respondidas no próximo artigo.
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Libertados da religião falsaA Sentinela (Estudo) — 2016 | novembro
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Libertados da religião falsa
“Saiam dela, meu povo.” — APO. 18:4.
1. (a) Como sabemos que o povo de Deus seria libertado de Babilônia, a Grande? (b) Que perguntas vamos considerar neste artigo?
NO ARTIGO anterior, aprendemos como os cristãos fiéis entraram no cativeiro de Babilônia, a Grande. Mas o bom é que eles não ficariam ali para sempre. Como sabemos disso? Em Apocalipse 18:4 (leia), encontramos a ordem de Deus “saiam dela, meu povo”. Se ninguém pudesse escapar da influência de Babilônia, a Grande, essa ordem não faria o menor sentido. Queremos saber quando o povo de Deus ficou totalmente livre das garras de Babilônia. Mas primeiro é importante responder o seguinte: O que os Estudantes da Bíblia estavam decididos a fazer em relação a Babilônia, a Grande, antes de 1914? Será que eles estavam bem ocupados na pregação durante a Primeira Guerra Mundial? Por que o povo de Deus precisou de correção? Será que foi por isso que eles foram para o cativeiro babilônico?
“A QUEDA DE BABILÔNIA”
2. O que os Estudantes da Bíblia decidiram sobre a religião falsa?
2 Nos anos antes da Primeira Guerra Mundial, Charles Russell e outros Estudantes da Bíblia perceberam que as religiões que se diziam cristãs, ou a cristandade, não estavam ensinando as verdades da Bíblia. Assim, decidiram não ter nada a ver com a religião falsa. Em novembro de 1879, a revista A Torre de Vigia (agora A Sentinela), em inglês, explicou: “Toda igreja que diz que é noiva de Cristo, virgem e pura, mas que na verdade está em união com o mundo (a fera) e tem seu apoio, temos que condenar como sendo, em linguagem bíblica, uma igreja meretriz.” Ao falar “meretriz”, a revista se referia à prostituta Babilônia, a Grande, mencionada na Bíblia. — Leia Apocalipse 17:1, 2.
3. O que os Estudantes da Bíblia fizeram para mostrar que não faziam mais parte da religião falsa? (Veja a foto no começo do artigo.)
3 Homens e mulheres de coração sincero sabiam que não poderiam ter as bênçãos de Deus se continuassem a apoiar a religião falsa. Assim, muitos Estudantes da Bíblia escreveram cartas para sua igreja dizendo que não faziam mais parte dela. Em alguns casos, eles liam a carta em voz alta na frente de todos na igreja. Onde isso não era permitido, eles enviavam uma carta para cada pessoa da sua antiga congregação. Os Estudantes da Bíblia estavam mesmo decididos a não ter mais nada a ver com a religião falsa! Em outras épocas, quem fizesse algo assim poderia até ser morto. Mas, em 1870, as igrejas já vinham perdendo o apoio dos governos em muitos países. As pessoas nesses lugares podiam falar sobre religião sem ter medo de sofrer ataques; podiam até discordar das igrejas mais poderosas.
4. O que tudo o que os Estudantes da Bíblia fizeram mostra?
4 Como vimos, os Estudantes da Bíblia avisaram seus parentes e amigos e as pessoas da sua igreja de que eles não apoiavam mais a religião falsa. Mas eles entenderam que isso não era suficiente. O mundo inteiro precisava saber quem realmente era Babilônia, a Grande — uma prostituta! Por isso, entre dezembro de 1917 e o início de 1918, os milhares de Estudantes da Bíblia distribuíram 10 milhões de folhetos com o seguinte tema: “A Queda de Babilônia” (em inglês). Sem rodeios, esse folheto mostrava as mentiras das religiões que se diziam cristãs. Como era de esperar, os líderes das igrejas ficaram furiosos! Mas os Estudantes da Bíblia não se deixaram abalar e continuaram com a sua pregação. Eles estavam determinados a “obedecer a Deus como governante em vez de a homens”. (Atos 5:29) O que tudo isso mostra? Mostra que, durante a Primeira Guerra Mundial, aqueles cristãos não estavam entrando no cativeiro de Babilônia, a Grande. Muito pelo contrário, eles estavam se libertando da religião falsa e ajudando outros a fazer o mesmo.
PREGAÇÃO DURANTE A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
5. Como sabemos que os irmãos fizeram o máximo na pregação durante a Primeira Guerra Mundial?
5 No passado, achávamos que Jeová tinha deixado seu povo ficar um tempo no cativeiro de Babilônia, a Grande, porque eles não tinham se esforçado na pregação durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Mas os irmãos que serviram a Jeová naquela época disseram que, como grupo, o povo de Deus fez o máximo para continuar com a pregação. E temos muitas provas de que eles se esforçaram mesmo. Estudar mais a fundo a história da nossa organização nos ajudou a ver que nosso entendimento de certos eventos registrados na Bíblia precisava ser ajustado.
6, 7. (a) Que desafios os Estudantes da Bíblia enfrentaram durante a Primeira Guerra Mundial? (b) Que exemplos mostram que os Estudantes da Bíblia estavam fazendo um trabalho e tanto na pregação?
6 Na verdade, o testemunho que os irmãos deram naquela época foi impressionante, levando em conta que havia apenas poucos deles durante a Primeira Guerra Mundial. Mas eles enfrentaram vários desafios. Vamos ver dois deles. Primeiro, eles tiveram de aprender a pregar usando apenas a Bíblia. Antes, os irmãos estavam acostumados a pregar só oferecendo publicações. Mas, no início de 1918, as autoridades proibiram o livro O Mistério Consumado, em inglês. Aí, pregar ficou mais difícil para muitos irmãos, afinal o livro como que falava por eles. Um segundo desafio foi o surto da gripe espanhola em 1918. Por causa dessa doença terrível e altamente contagiosa, ficou mais difícil ir de um lugar para outro. Apesar desses e de outros desafios, os Estudantes da Bíblia como grupo fizeram o melhor que puderam para continuar com a pregação.
Aqueles Estudantes da Bíblia fizeram um trabalho e tanto! (Veja os parágrafos 6 e 7.)
7 Nessa época, o pequeno grupo de Estudantes da Bíblia começou a apresentar o “Fotodrama da Criação”, que era uma produção de slides e filmes sincronizados com som. Isso foi uma grande novidade na época. O Fotodrama contava a história da humanidade desde a criação de Adão até o final do Reinado de Cristo. Só em 1914, mais de 9 milhões de pessoas assistiram ao Fotodrama! Consegue imaginar isso? Esse número é maior do que o número de publicadores no mundo todo hoje! Além disso, registros mostram que em 1916 mais de 809 mil pessoas assistiram às reuniões nos Estados Unidos, e em 1918 esse número aumentou para quase 950 mil! Aqueles Estudantes da Bíblia estavam mesmo fazendo um trabalho e tanto!
8. Como os irmãos da liderança cuidaram da espiritualidade dos Estudantes da Bíblia durante a Primeira Guerra Mundial?
8 Durante a Primeira Guerra Mundial, os irmãos da liderança fizeram de tudo para encorajar os Estudantes da Bíblia espalhados pelo mundo e ajudá-los a receber publicações bíblicas. Essas ajudas deram aos irmãos a força que precisavam para continuar com a pregação. Richard Barber era um dos que estavam bem ocupados na pregação naquela época. Ele disse: “Conseguimos continuar com alguns superintendentes viajantes, e não paramos de imprimir [A Sentinela]. Essa revista estava proibida no Canadá, mesmo assim dávamos um jeito de enviar a revista para lá. As autoridades tomaram o livro O Mistério Consumado de vários irmãos, e eu tive o privilégio de enviar esse livro em tamanho de bolso para alguns deles. O irmão Rutherford pediu que organizássemos congressos em várias cidades no lado oeste dos Estados Unidos e enviássemos oradores, tudo para que os irmãos ficassem fortes na fé.”
ELES PRECISARAM SER CORRIGIDOS
9. (a) Por que o povo de Deus precisava de correção entre os anos de 1914 e 1919? (b) Embora eles precisassem de correção, o que não seria correto pensar?
9 Mas nem tudo o que os Estudantes da Bíblia fizeram entre 1914 e 1919 estava de acordo com as Escrituras. Embora quisessem fazer o que era certo, eles não entendiam bem até que ponto deviam obedecer às autoridades. (Rom. 13:1) Por isso, como grupo, nem sempre foram neutros durante a guerra. Por exemplo, quando o presidente dos Estados Unidos ordenou que no dia 30 de maio de 1918 todos orassem pela paz, a revista A Sentinela disse para os Estudantes da Bíblia fazerem o mesmo. Alguns irmãos deram dinheiro para apoiar a guerra e outros até mesmo pegaram em armas e foram para os campos de batalha. É, eles precisavam de correção. Mesmo assim, não seria correto achar que os Estudantes da Bíblia entraram no cativeiro de Babilônia, a Grande, por causa disso. Pelo contrário, eles entendiam que tinham de se separar da religião falsa. Na verdade, durante a Primeira Guerra Mundial eles tinham se separado quase que completamente de Babilônia, a Grande. — Leia Lucas 12:47, 48.
10. Como os Estudantes da Bíblia mostraram respeito pela vida?
10 É verdade que nossos irmãos não entendiam totalmente a questão da neutralidade cristã na época da Primeira Guerra Mundial. Mas de uma coisa eles sabiam: a Bíblia diz que é errado matar. Mesmo os poucos irmãos que pegaram em armas e foram para a batalha se recusaram a matar alguém. Por isso, alguns deles foram mandados para a frente de batalha para serem mortos.
11. Como as autoridades reagiram à decisão dos Estudantes da Bíblia de não lutar na guerra?
11 A atitude dos irmãos em relação à guerra ainda precisava de alguns ajustes, mas mesmo assim sua lealdade a Jeová deixou o Diabo com muita raiva. Por isso, ele ‘tramou a desgraça em nome da lei’. (Sal. 94:20) Um general do exército dos Estados Unidos disse aos irmãos Rutherford e William Van Amburgh que o governo tinha tentado criar uma lei para condenar à morte quem se recusasse a lutar na guerra. Essa lei tinha como alvo os Estudantes da Bíblia, mas o presidente dos Estados Unidos não a aprovou. Cheio de raiva, o general disse ao irmão Rutherford: “Mas sabemos como pegar vocês, e vamos fazer isso!”
12, 13. (a) Por que oito irmãos foram condenados a vários anos de prisão? (b) Como sabemos que esses irmãos continuaram determinados a obedecer a Jeová?
12 Aquelas ameaças não foram da boca para fora. As autoridades prenderam os oito representantes da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA). Entre esses oito irmãos estavam o irmão Rutherford e o irmão William Van Amburgh. O juiz que condenou esses irmãos disse: “A propaganda religiosa que esses homens espalham é mais perigosa do que um grupo de soldados alemães.” O juiz disse também que eles tinham desafiado não apenas o governo e o exército, mas também “todas as igrejas”. Por isso, ‘a punição deles devia ser severa’.[1] E a punição foi severa mesmo. Aqueles oito irmãos foram condenados a vários anos de prisão. Mas, quando a guerra acabou, eles foram libertados e as acusações foram retiradas.
13 Mesmo na prisão, os oito irmãos estavam determinados a obedecer à Bíblia. Eles escreveram ao presidente dos Estados Unidos pedindo que ele pensasse melhor sobre a condenação deles. Eles disseram: “As Escrituras deixam claro qual é a vontade de Deus, ao dizer: ‘Não matarás.’ Portanto, qualquer um [dos Estudantes da Bíblia] dedicado ao Senhor que decide não cumprir a promessa de ser leal a Deus perde o favor dele, e isso leva à sua total destruição. Assim, eles não podem de forma voluntária e em sã consciência tirar a vida de seres humanos.” Que palavras corajosas! Fica claro que aqueles irmãos estavam mesmo determinados a obedecer a Jeová!
FINALMENTE LIBERTADOS!
14. Como Malaquias 3:1-3 descreve o que aconteceu entre 1914 e 1919?
14 De acordo com uma profecia em Malaquias, “o verdadeiro Senhor” (Jeová) e “o mensageiro do pacto” (Jesus) iriam avaliar e purificar os “filhos de Levi” (os ungidos). (Leia Malaquias 3:1-3.) Isso aconteceu entre 1914 e o começo de 1919. Depois de Jeová corrigir e purificar o seu povo, eles estavam preparados para receber uma nova designação. Em 1919, Jesus designou um grupo para ser o “escravo fiel e prudente”, que daria alimento espiritual para a família de Deus. (Mat. 24:45) Finalmente o povo de Deus estava livre da influência de Babilônia, a Grande! Desde então, os servos de Jeová têm aprendido cada vez mais sobre a vontade dele. Por isso, eles passaram a amá-lo ainda mais. Eles são muito gratos pela grande bondade de Jeová.[2]
15. O que devemos fazer já que fomos libertados de Babilônia, a Grande?
15 Que alívio termos sido libertados de Babilônia, a Grande! Os esforços de Satanás de acabar com o verdadeiro cristianismo foram um fracasso total. Mas não podemos nos esquecer de que Jeová nos deu essa liberdade com um objetivo. (2 Cor. 6:1) Muitas pessoas ainda são controladas pela religião falsa e nós precisamos ajudá-las. Sendo assim, vamos imitar nossos irmãos do passado e fazer tudo o que pudermos para ajudar as pessoas a encontrar o caminho da liberdade!
^ [1] (parágrafo 12) Do livro Faith on the March (A Fé em Marcha), de A. H. Macmillan, página 99.
^ [2] (parágrafo 14) Há muitas coisas parecidas entre o cativeiro de 70 anos dos judeus em Babilônia e o que aconteceu com os cristãos depois da morte dos apóstolos. Mas o cativeiro dos judeus não era um tipo profético do que aconteceu com os cristãos ungidos. Um exemplo disso é que a duração do cativeiro é diferente. Assim, não devemos tentar achar um significado profético em cada detalhe do cativeiro dos judeus, como se isso, de alguma forma, se aplicasse ao que aconteceu com os cristãos ungidos nos anos antes de 1919.
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