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A fé cristã será provadaA Sentinela — 1998 | 15 de maio
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A fé cristã será provada
“A fé não é propriedade de todos.” — 2 TESSALONICENSES 3:2.
1. Como mostra a História que nem todos têm verdadeira fé?
NO DECORRER da História, tem havido homens, mulheres e crianças com verdadeira fé. O qualificativo “verdadeira” é apropriado, porque milhões de outros têm demonstrado um tipo de fé que tem sido como credulidade, uma prontidão de crer em algo sem base ou motivo válidos. Essa fé muitas vezes tem envolvido deuses falsos ou formas de adoração que estão em desarmonia com o Todo-Poderoso, Jeová, e sua Palavra revelada. Por isso, o apóstolo Paulo escreveu: “A fé não é propriedade de todos.” — 2 Tessalonicenses 3:2.
2. Por que é vital que examinemos a nossa própria fé?
2 Mas a declaração de Paulo dá a entender que lá naquele tempo alguns tinham verdadeira fé e, por dedução, alguns a têm hoje. A maioria dos leitores desta revista desejam ter tal fé verdadeira e aumentá-la — uma fé em harmonia com o conhecimento exato da verdade divina. (João 18:37; Hebreus 11:6) Dá-se isso no seu caso? Então é imperativo que reconheça que sua fé será provada e que esteja preparado para isso. Por que se pode dizer isso?
3, 4. Por que devemos olhar para Jesus quanto a provas de fé?
3 Temos de admitir que a nossa fé gira em torno de Jesus Cristo. Deveras, a Bíblia fala dele como o Aperfeiçoador da nossa fé. Isto se dá por causa do que Jesus disse e fez, em especial de como ele cumpriu profecias. Ele reforçou a base em que os humanos podem firmar a verdadeira fé. (Hebreus 12:2; Revelação [Apocalipse] 1:1, 2) Ainda assim, lemos que Jesus foi “provado em todos os sentidos como nós mesmos, porém, sem pecado”. (Hebreus 4:15) Deveras, a fé de Jesus foi provada. Longe de isso nos desanimar ou tornar apreensivos, deve consolar-nos.
4 Por sofrer grandes provas até o ponto de morrer numa estaca, Jesus “aprendeu a obediência”. (Hebreus 5:8) Ele provou que os humanos podem viver pela verdadeira fé, apesar de quaisquer provas que lhes possam sobrevir. Isto é especialmente significativo quando pensamos no que Jesus disse a respeito dos seus seguidores: “Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: O escravo não é maior do que o seu amo.” (João 15:20) Na realidade, Jesus predisse a respeito dos seus seguidores no nosso tempo: “Sereis pessoas odiadas por todas as nações, por causa do meu nome.” — Mateus 24:9.
5. Como indicam as Escrituras que nos confrontaremos com provas?
5 No início deste século, o julgamento começou com a casa de Deus. As Escrituras predisseram: “É o tempo designado para o julgamento principiar com a casa de Deus. Ora, se primeiro começa conosco, qual será o fim daqueles que não são obedientes às boas novas de Deus? ‘E, se o justo está sendo salvo com dificuldade, onde aparecerá o ímpio e o pecador?’” — 1 Pedro 4:17, 18.
Por que é a fé provada?
6. Por que é valiosa a fé provada?
6 Em certo sentido, a fé não provada não tem valor confirmado, e sua qualidade continua desconhecida. Você poderia compará-la a um cheque que ainda não foi descontado. Talvez tenha recebido um cheque por trabalho feito, por bens que forneceu ou mesmo como presente. O cheque pode parecer bom, mas é mesmo? Vale mesmo a quantia que aparece nele? De forma similar, nossa fé tem de ter mais do que apenas uma aparência ou ser só da boca para fora. Tem de ser testada, se havemos de provar que ela é real e de boa qualidade. Quando nossa fé é provada, podemos descobrir que ela é forte e valiosa. Uma prova pode também revelar em que pontos nossa fé precisa ser refinada ou reforçada.
7, 8. De que fonte vêm as provas da nossa fé?
7 Deus permite que soframos perseguição e outras provas de fé. Lemos: “Quando posto à prova, ninguém diga: ‘Estou sendo provado por Deus.’ Pois, por coisas más, Deus não pode ser provado, nem prova ele a alguém.” (Tiago 1:13) Quem ou o quê é responsável por tais provas? É Satanás, o mundo e nossa própria carne imperfeita.
8 Talvez admitamos que Satanás exerce uma poderosa influência sobre o mundo, sobre seu modo de pensar e de agir. (1 João 5:19) E nós provavelmente sabemos que ele instiga a perseguição contra os cristãos. (Revelação 12:17) Mas, será que estamos igualmente convencidos de que Satanás procura desencaminhar-nos por apelar para nossa carne imperfeita, tentando-nos com engodos mundanos, na esperança de que mordamos a isca, desobedeçamos a Jeová Deus e acabemos reprovados por Ele? Naturalmente, os métodos de Satanás não deviam surpreender-nos, porque ele usou as mesmas táticas quando procurou tentar Jesus. — Mateus 4:1-11.
9. Que proveito podemos tirar dos exemplos de fé?
9 Jeová, por meio da sua Palavra e da congregação cristã, apresenta-nos exemplos positivos de fé que podemos imitar. Paulo admoestou: “Tornai-vos unidamente imitadores meus, irmãos, e ficai observando os que estão andando dum modo que está de acordo com o exemplo que tendes em nós.” (Filipenses 3:17) Paulo, como um dos servos ungidos de Deus no primeiro século, tomou a dianteira em realizar obras de fé, apesar de passar por grandes provações. Agora, no fim do século 20, não nos faltam exemplos comparáveis de fé. As palavras de Hebreus 13:7 aplicam-se agora com a mesma força como quando Paulo as escreveu: “Lembrai-vos dos que tomam a dianteira entre vós, os que vos falaram a palavra de Deus, e, ao contemplardes em que resulta a sua conduta, imitai a sua fé.”
10. Que exemplos específicos de fé temos em tempos recentes?
10 Esta admoestação tem força especial quando consideramos em que resultou a conduta dos do restante ungido. Podemos contemplar seu exemplo e imitar a sua fé. A fé deles é verdadeira, tendo sido refinada por provações. Desde os pequenos começos, lá na década de 1870, desenvolveu-se uma fraternidade cristã, mundial. Como frutos da fé e da perseverança dos ungidos, desde então, há agora mais de cinco milhões e meio de Testemunhas de Jeová pregando e ensinando o Reino de Deus. A atual congregação global de verdadeiros adoradores zelosos é um atestado de fé provada. — Tito 2:14.
A fé provada referente a 1914
11. Em que sentido foi 1914 significativo para C. T. Russell e seus associados?
11 Anos antes do irrompimento da Primeira Guerra Mundial, os do restante ungido haviam proclamado que 1914 seria uma data significativa na profecia bíblica. No entanto, algumas das suas expectativas eram prematuras, e seu ponto de vista sobre o que iria acontecer era menos do que perfeito. Por exemplo, C. T. Russell, primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), e seus associados podiam ver que era preciso fazer uma vasta obra de pregação. Eles liam: “Este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” (Mateus 24:14, King James Version.) No entanto, como é que seu grupo relativamente pequeno podia fazer isso?
12. Como reagiu um dos associados de Russell à verdade bíblica?
12 Considere como isso afetou A. H. Macmillan, associado de Russell. Nascido no Canadá, Macmillan nem tinha ainda 20 anos quando obteve o livro de Russell, O Plano das Eras (1886, em inglês). (Este livro, também chamado O Plano Divino das Eras, tornou-se o Volume 1 da amplamente distribuída coleção de Estudos das Escrituras. O Volume 2, O Tempo Está Próximo [1889, em inglês], apontou para 1914 como o fim dos “tempos dos gentios”. [Lucas 21:24, KJ]) Na mesma noite em que Macmillan começou a lê-lo, ele pensou: “Ora, isso parece ser verdade!” No verão de 1900, ele conheceu Russell num congresso dos Estudantes da Bíblia, como se chamavam as Testemunhas de Jeová. Em pouco tempo, Macmillan foi batizado e começou a trabalhar com o irmão Russell na sede da Sociedade em Nova York.
13. Que problema notaram Macmillan e outros relacionado com o cumprimento de Mateus 24:14?
13 Baseados na sua leitura da Bíblia, esses cristãos ungidos apontavam para 1914 como ponto crucial no propósito de Deus. Mas, Macmillan e outros se perguntavam como se poderia realizar a pregação às nações, predita em Mateus 24:14, no pouco tempo que restava. Ele disse mais tarde: “Lembro-me de considerar isso freqüentemente com o irmão Russell, e ele dizia: ‘Bem, irmão, aqui mesmo em Nova York temos mais judeus do que há em Jerusalém. Temos mais irlandeses aqui do que há em Dublim. E temos mais italianos do que há em Roma. Então, se os contatarmos aqui, estaremos contatando o mundo com a mensagem.’ Mas isso não parecia nos satisfazer. Daí pensou-se em produzir o ‘Fotodrama’.”
14. Antes de 1914, que notável projeto foi empreendido?
14 E que empreendimento inovador foi o “Fotodrama da Criação”! Este combinava filmes e diapositivos coloridos, sincronizados com discursos bíblicos e música em discos fonográficos. Em 1913, a revista A Sentinela (em inglês, chamada The Watch Tower) disse a respeito dum congresso em Arkansas, EUA: “Resolveu-se unanimemente que chegou o tempo para se usarem filmes para se ensinar as verdades bíblicas. . . . [Russell] explicou que estivera empenhado neste mesmo plano por três anos e que já tinha quase prontas centenas de belas fotos, que sem dúvida atrairão grandes multidões e proclamarão o Evangelho, e ajudarão o público a recuperar a fé em Deus.”
15. Que resultados obteve o “Fotodrama”?
15 O “Fotodrama” fez exatamente isso depois da sua exibição inicial em janeiro de 1914. Seguem-se relatórios de A Sentinela de 1914 (em inglês):
Primeiro de abril: “Certo ministro, depois de ver duas partes, disse: ‘Vi apenas metade do FOTODRAMA DA CRIAÇÃO, mas já aprendi dele mais sobre a Bíblia do que aprendi no meu curso de três anos no seminário teológico.’ Um judeu, depois de vê-lo, observou: ‘Vou embora como judeu melhor do que quando entrei.’ Diversos sacerdotes e freiras, católicos, têm ido ver o DRAMA e têm expressado grande apreço. . . . Só se completaram ainda doze coleções do DRAMA . . . Não obstante, já alcançamos e servimos a trinta e uma cidades. . . . Mais de trinta e cinco mil por dia vêem, ouvem, admiram, pensam e são abençoados.”
15 de junho: “As fotos me tornaram mais zeloso para difundir a Verdade, e aumentaram meu amor pelo Pai Celestial e pelo nosso querido Irmão Mais Velho, Jesus. Peço diariamente em oração as mais ricas bênçãos de Deus sobre o FOTODRAMA DA CRIAÇÃO e sobre todos os empenhados na sua apresentação . . . Seu servo no Senhor, F. W. KNOCHE. — Iowa.”
15 de julho: “Temos o prazer de observar a maravilhosa impressão favorável que as fotos deixaram nesta cidade, e estamos certos de que este testemunho dado ao mundo é também usado para ajuntar muitos que evidenciam ser jóias da própria escolha do Senhor. Sabemos dum número bastante grande de fervorosos estudantes da Bíblia que agora se associam com a Classe aqui, em resultado da obra com o Fotodrama. . . . Sua irmã no Senhor, EMMA L. BRICKER.”
15 de novembro: “Temos certeza de que gostarão de saber do esplêndido testemunho que está sendo dado por meio do FOTODRAMA DA CRIAÇÃO na Ópera de Londres, Kingsway. A mão orientadora do Senhor tem sido maravilhosamente manifesta em cada pormenor desta exibição, de modo que os irmãos se regozijam muito . . . Nossas assistências eram de todas as classes e tipos de pessoas; temos notado muitos clérigos presentes. Um vigário . . . pediu entradas para que ele e sua esposa pudessem vir vê-lo mais uma vez. Um reitor da Igreja Anglicana assistiu ao DRAMA diversas vezes, e . . . trouxe consigo muitos amigos para o verem. Também estiveram presentes dois bispos e diversas pessoas da nobreza.”
Primeiro de dezembro: “Minha esposa e eu agradecemos ao nosso Pai celestial a grande e inestimável bênção que recebemos por meio do senhor. Foi seu belo FOTODRAMA que nos fez ver e aceitar a Verdade . . . Temos seus seis volumes dos ESTUDOS DAS ESCRITURAS. Eles são de muita ajuda.”
Reação às provas lá naquele tempo
16. Por que trouxe 1914 uma prova de fé?
16 No entanto, o que aconteceu quando esses cristãos sinceros e devotados descobriram que sua expectativa de ser ajuntados ao Senhor em 1914 não se cumpriu? Esses ungidos passaram por um período excepcionalmente provador. A Sentinela de 1.º de novembro de 1914 (em inglês) declarou: “Seja lembrado que estamos num período de provação.” Sobre isso, Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus (1993) declara: “Os anos de 1914 a 1918 revelaram ser deveras um ‘período de provação’ para os Estudantes da Bíblia.” Deixariam eles sua fé ser refinada e seu modo de pensar reajustado, para poderem empreender a grande obra à frente?
17. Como reagiram os fiéis ungidos quanto a continuarem na Terra depois de 1914?
17 A Sentinela de 1.º de setembro de 1916 (em inglês) dizia: “Imaginamos que a obra da Colheita, do ajuntamento [dos ungidos] da Igreja estaria concluída antes do fim dos Tempos dos Gentios; mas na Bíblia não há nada que diga isso. . . . Será que lamentamos que a obra da Colheita ainda continua? . . . Nossa atual atitude, prezados irmãos, deve ser de muita gratidão a Deus e de crescente apreço pela linda Verdade, que Ele nos deu o privilégio de entender e de nos identificar com ela, e de crescente zelo em ajudar a levar a Verdade ao conhecimento de outros.” Sua fé tinha sido posta à prova, mas eles enfrentaram esta prova e se saíram bem. Mas nós, cristãos, devemos dar-nos conta de que as provas de fé podem ser muitas e variadas.
18, 19. Que outras provas de fé seguiram-se para os do povo de Deus logo após o falecimento do irmão Russell?
18 Por exemplo, outro tipo de prova sobreveio ao restante pouco depois do falecimento do irmão Charles T. Russell. Foi uma prova de lealdade e de fé. Quem era “o escravo fiel” de Mateus 24:45? Alguns achavam que era o próprio irmão Russell, e eles se recusavam a cooperar com os novos arranjos organizacionais. Se ele tinha sido o escravo, o que deviam os irmãos fazer já que ele falecera? Deviam seguir alguém recém-designado, ou chegara o tempo de reconhecer que Jeová não usava apenas uma pessoa como instrumento, ou classe escrava, mas todo um grupo de cristãos?
19 Uma prova adicional sobreveio aos cristãos verdadeiros em 1918, quando autoridades do mundo, instigadas pelo clero da cristandade, ‘forjaram o mal, tendo por pretexto uma lei’ contra a organização de Jeová. (Salmo 94:20, Almeida) Lançou-se uma onda de perseguição violenta contra os Estudantes da Bíblia, tanto na América do Norte como na Europa. A oposição inspirada pelos clérigos atingiu o auge em 7 de maio de 1918, quando se emitiu nos Estados Unidos uma ordem federal para a prisão de J. F. Rutherford e de diversos dos seus associados íntimos, inclusive de A. H. Macmillan. Eles foram acusados falsamente de sedição, e as autoridades não fizeram caso das suas alegações de inocência.
20, 21. Conforme predito em Malaquias 3:1-3, que obra se fez entre os ungidos?
20 Embora na época não fosse reconhecida como tal, estava em andamento uma obra de purificação, conforme descrita em Malaquias 3:1-3: “Quem agüentará o dia da sua vinda e quem se manterá de pé quando ele aparecer? Pois [o mensageiro do pacto] será como o fogo do refinador e como a barrela dos lavadeiros. E terá de assentar-se como refinador e purificador de prata e terá de purificar os filhos de Levi; e terá de depurá-los como o ouro e como a prata, e hão de tornar-se para Jeová pessoas que apresentam uma oferenda em justiça.”
21 Ao se aproximar o fim da Primeira Guerra Mundial, alguns dos Estudantes da Bíblia se confrontaram com outra prova de fé — se eles manteriam a estrita neutralidade quanto aos assuntos militares do mundo. (João 17:16; 18:36) Alguns não a mantiveram. De modo que, em 1918, Jeová enviou “o mensageiro do pacto”, Cristo Jesus, ao Seu templo espiritual para purificar o pequeno grupo de Seus adoradores das máculas do mundo. Os comprometidos a demonstrar que tinham verdadeira fé aprenderam desta experiência e avançaram, continuando a pregar zelosamente.
22. O que resta a considerar referente às provas de fé?
22 O que acabamos de considerar não é apenas de interesse histórico passageiro. Relaciona-se diretamente com a atual condição espiritual da congregação mundial de Jeová. Mas, deixemos que o próximo artigo considere algumas das provas de fé enfrentadas pelos do povo de Deus hoje em dia, e vejamos como nós podemos superá-las com êxito.
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A qualidade da sua fé é provada agoraA Sentinela — 1998 | 15 de maio
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A qualidade da sua fé é provada agora
“Considerai tudo com alegria, meus irmãos, ao enfrentardes diversas provações, sabendo que esta qualidade provada da vossa fé produz perseverança.” — TIAGO 1:2, 3.
1. Por que devem os cristãos esperar que sua fé seja provada?
OS VERDADEIROS cristãos não gostam de sofrer, e não têm prazer em dor ou em humilhação. No entanto, lembram-se das palavras acima, escritas por Tiago, meio-irmão de Jesus. Cristo tornou claro aos seus discípulos que eles podiam esperar perseguição e outras dificuldades por aderirem às normas de Deus. (Mateus 10:34; 24:9-13; João 16:33) No entanto, essas provas podem resultar em alegria. Em que sentido?
2. (a) Como podem as provas da nossa fé dar alegria? (b) Em nosso caso, como pode a perseverança ter a sua obra completa?
2 Um motivo básico pelo qual temos alegria quando sofremos provações ou provas de fé é que essas podem produzir bons frutos. Conforme disse Tiago, suportar provas ou dificuldades “produz perseverança”. Podemos tirar proveito por desenvolver essa valiosa qualidade cristã. Tiago escreveu: “A perseverança tenha a sua obra completa, para que sejais completos e sãos em todos os sentidos, não vos faltando nada.” (Tiago 1:4) A perseverança tem um trabalho a fazer, uma “obra”. Sua tarefa é tornar-nos completos em todos os sentidos, ajudando-nos a ser bem equilibrados e maduros como cristãos. Portanto, por agüentarmos provações sem tentar usar meios antibíblicos para acabar com elas rapidamente, nossa fé é provada e refinada. Se tivermos tido falta de paciência, compaixão, bondade ou amor ao lidar com situações ou com outros humanos, a perseverança pode tornar-nos mais completos. Deveras, a seqüência é: as provas produzem perseverança; a perseverança aumenta as qualidades cristãs; estas são motivo de alegria. — 1 Pedro 4:14; 2 Pedro 1:5-8.
3. Por que não devemos recuar de medo diante de provações ou de provas de fé?
3 O apóstolo Pedro também destacou o motivo de não precisarmos ter medo ou recuar diante de provas da nossa fé. Ele escreveu: “Vós vos alegrais grandemente com este fato, embora atualmente, por um pouco, se preciso, sejais contristados por várias provações, a fim de que a qualidade provada da vossa fé, de muito mais valor do que o ouro perecível, apesar de ter sido provado por fogo, seja achada causa para louvor, e glória, e honra, na revelação de Jesus Cristo.” (1 Pedro 1:6, 7) Estas palavras são especialmente encorajadoras agora, porque a “grande tribulação” — o tempo de louvor, glória, honra e sobrevivência — está muito mais próxima do que alguns talvez pensem, e muito mais próxima do que quando nos tornamos crentes. — Mateus 24:21; Romanos 13:11, 12.
4. Como se sentiu certo irmão a respeito das provas que ele e outros cristãos ungidos sofreram?
4 No artigo precedente, consideramos provas com que se confrontou o restante ungido a partir de 1914. Forneceram estas base para alegria? A. H. Macmillan apresentou o seguinte conceito retrospectivo: “Tenho observado muitas provações severas sobre a organização, e provas de fé sobre os que estão nela. Com a ajuda do espírito de Deus, ela sobreviveu e continuou a florescer. Tenho visto a sabedoria de esperar pacientemente em Jeová para que esclareça nosso entendimento das coisas bíblicas, ao invés de ficar perturbado com uma nova idéia. . . . Não importa que ajustes tivéssemos de fazer, de tempos a tempos, em nossos conceitos, isso não mudaria a graciosa provisão do resgate e a promessa de vida eterna dada por Deus. Assim não houve necessidade de deixarmos que nossa fé se enfraquecesse por expectativas não cumpridas, ou mudanças de conceitos.” — A Sentinela, 1.º de abril de 1967, página 215.
5. (a) Que benefícios resultaram de os do restante sofrerem provas? (b) Por que deve interessar-nos agora a questão das provas?
5 Os cristãos ungidos que sobreviveram ao período de prova de 1914-19 foram libertados da influência dominadora do mundo e de muitas práticas religiosas, babilônicas. Os do restante avançaram como povo purificado e refinado, que prontamente oferecia sacrifícios de louvor a Deus e tendo a garantia de que, como povo, lhe eram aceitáveis. (Isaías 52:11; 2 Coríntios 6:14-18) O julgamento havia começado com a casa de Deus, mas não seria completado em um único período determinado. A prova e a peneiração do povo de Deus prosseguem. Aqueles que esperam sobreviver à iminente “grande tribulação” como parte da “grande multidão” também têm sua fé provada. (Revelação [Apocalipse] 7:9, 14) Isto se dá de maneiras similares às provas com que se confrontou o restante ungido, bem como de outros modos.
Como talvez você seja provado
6. Que tipo de severa prova sofreram muitos?
6 Muitos cristãos pensaram no desafio de enfrentar provas na forma de ataques frontais, diretos. Eles se lembram deste relatório: “[Os líderes judeus] mandaram chamar os apóstolos, chibatearam-nos e ordenaram-lhes que parassem de falar à base do nome de Jesus, e soltaram-nos. Estes, portanto, retiraram-se do Sinédrio, alegrando-se porque tinham sido considerados dignos de ser desonrados a favor do nome dele.” (Atos 5:40, 41) E a história moderna do povo de Deus, em especial durante as guerras mundiais, torna claro que muitas Testemunhas de Jeová sofreram realmente espancamentos e coisa muito pior às mãos de perseguidores.
7. Até que ponto alguns cristãos atuais mostraram ter fé?
7 Quanto aos cristãos serem objeto de perseguição, o mundo não faz nenhuma distinção entre os do restante ungido e os da grande multidão de “outras ovelhas”. (João 10:16) No decorrer dos anos, membros de ambos os grupos foram provados severamente por encarceramento e até martírio, por causa do seu amor a Deus e da sua fé nele. Ambos os grupos têm tido necessidade do espírito de Deus, não importando qual a sua esperança. (Note A Sentinela de 15 de junho de 1996, página 31.) Durante os anos 30 e 40, na Alemanha nazista, muitos dos servos de Jeová, inclusive crianças, demonstraram ter uma fé extraordinária, e não poucos foram testados até o limite. Em tempos mais recentes, os do povo de Jeová se viram confrontados com provas de perseguição em países tais como Burundi, Eritréia, Etiópia, Malaui, Moçambique, Ruanda, Cingapura e Zaire. E provas deste tipo continuam.
8. Como mostram os comentários de um irmão africano que há mais envolvido na prova da nossa fé do que suportar perseguição na forma de espancamentos?
8 No entanto, conforme já observado, nossa fé também é testada de modos mais sutis. Algumas das provas não são tão diretas e facilmente identificáveis. Pense em como você reagiria em alguns dos seguintes casos. Em Angola, um irmão com dez filhos estava numa congregação que por algum tempo teve sua comunicação cortada com irmãos de responsabilidade. Mais tarde, tornou-se possível que outros visitassem a congregação. Perguntou-se-lhe como conseguia alimentar a família. Não lhe foi fácil responder, e tudo o que disse foi que a situação era difícil. Conseguia ele dar aos filhos pelo menos uma refeição por dia? Ele respondeu: “Bem, quase não dá. Aprendemos a arranjar-nos com o que temos.” Depois, com uma voz expressando plena convicção, ele disse: “Mas não é isso o que esperamos nestes últimos dias?” Uma fé assim é notável neste mundo, mas não é incomum entre os cristãos leais, que têm plena confiança no cumprimento das promessas do Reino.
9. Como estamos sendo provados de acordo com 1 Coríntios 11:3?
9 Também a grande multidão está sendo provada com relação a procedimentos teocráticos. A congregação cristã em todo o mundo está sendo dirigida segundo princípios divinos e padrões teocráticos. Isto significa, em primeiro lugar, reconhecer a Jesus como Líder, o Designado como Cabeça da congregação. (1 Coríntios 11:3) Manifestamos nossa submissão voluntária a ele e ao seu Pai por meio da nossa fé nas designações e decisões teocráticas relacionadas com fazermos unidos a vontade de Jeová. Além disso, em cada congregação local há homens designados para tomar a dianteira. São homens imperfeitos, cujas falhas podem ser prontamente observadas; no entanto, somos exortados a respeitar esses superintendentes e a ser submissos a eles. (Hebreus 13:7, 17) Acha isso às vezes difícil? É realmente uma prova para você? Neste caso, está tirando proveito desta prova da sua fé?
10. Com que prova nos confrontamos quanto ao ministério de campo?
10 Somos também provados com relação ao privilégio e ao requisito de nos empenharmos regularmente no ministério de campo. Para passarmos nesta prova, temos de dar-nos conta de que a plena participação no ministério envolve mais do que uma pregação mínima ou simbólica. Lembre-se do comentário aprovador de Jesus a respeito da viúva pobre que deu seu tudo. (Marcos 12:41-44) Poderíamos perguntar-nos: ‘Dou eu de mim mesmo de forma similar relacionado com o ministério de campo?’ Todos nós devemos ser Testemunhas de Jeová o dia inteiro, sempre prontos para deixar brilhar a nossa luz. — Mateus 5:16.
11. Que prova podem ser as mudanças de entendimento ou os conselhos sobre conduta?
11 Outra prova com que talvez nos confrontemos relaciona-se com o grau de apreço que temos pela crescente luz lançada sobre a verdade bíblica e pelo conselho que a classe do escravo fiel e discreto nos dá. (Mateus 24:45) Às vezes, isso requer ajustes na nossa conduta, tais como quando se tornou claro que aqueles que usavam fumo teriam de deixar de usá-lo, se quisessem permanecer na congregação.a (2 Coríntios 7:1) Ou pode ser uma prova para nós reconhecer a necessidade de mudar nossas preferências musicais ou algumas outras formas de divertimento.b Questionaremos a sabedoria do conselho dado? Ou deixaremos que o espírito de Deus amolde nosso modo de pensar e nos ajude a assumir a personalidade cristã? — Efésios 4:20-24; 5:3-5.
12. De que se precisa para fortalecer a fé depois de se ser batizado?
12 Por décadas, o número dos da grande multidão tem aumentado, e depois de serem batizados, eles continuam a fortalecer sua relação com Jeová. Isso envolve mais do que assistir a uma assembléia cristã, ir a algumas reuniões no Salão do Reino ou ocasionalmente participar no serviço de campo. Para ilustrar isso: Alguém talvez esteja fisicamente fora de Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa, mas será que realmente a abandonou? Apega-se ele ainda às coisas que refletem o espírito de Babilônia, a Grande — espírito que faz pouco caso das normas justas de Deus? Trata levianamente a moralidade e a fidelidade conjugal? Enfatiza ele interesses pessoais e materiais mais do que os interesses espirituais? Manteve-se mesmo sem mancha do mundo? — Tiago 1:27.
Tiremos proveito da fé provada
13, 14. Que fizeram alguns depois de começarem a andar no caminho da adoração verdadeira?
13 Se realmente tivermos fugido de Babilônia, a Grande, e se tivermos também saído do mundo, não devemos olhar para as coisas deixadas atrás. Segundo o princípio encontrado em Lucas 9:62, olhar alguém de nós para trás poderia significar perder a oportunidade de ser súdito do Reino de Deus. Jesus disse: “Ninguém que tiver posto a mão num arado e olhar para as coisas atrás é bem apto para o reino de Deus.”
14 Mas, alguns que no passado se tornaram cristãos desde então deixaram-se amoldar a este sistema de coisas. Não resistiram ao espírito do mundo. (2 Pedro 2:20-22) Absorveram-se nas distrações do mundo e estas tomaram conta do seu tempo, impedindo assim seu progresso. Em vez de manterem a mente e o coração fixos no Reino de Deus e na Sua justiça, dando-lhes prioridade na vida, eles se desviaram em busca de objetivos materialistas. A menos que passem a reconhecer sua fé fraca e sua indiferença, e mudem de proceder por buscar conselho divino, estão em perigo de perder sua preciosa relação com Jeová e a organização dele. — Revelação 3:15-19.
15. De que se precisa para se continuar aceitável para Deus?
15 Sermos considerados aprovados e aptos para sobreviver à grande tribulação que se aproxima rapidamente depende de nos mantermos limpos, tendo nossas vestes ‘lavadas no sangue do Cordeiro’. (Revelação 7:9-14; 1 Coríntios 6:11) Se não mantivermos uma condição pura e justa perante Deus, nosso serviço sagrado não será aceitável. Cada um de nós certamente deve dar-se conta de que a qualidade provada da fé nos ajudará a perseverar e a evitar que desagrademos a Deus.
16. Como podem mentiras ser uma prova para a nossa fé?
16 Às vezes, a mídia e as autoridades seculares difamam os do povo de Deus, descrevendo enganosamente nossas crenças cristãs e nosso modo de vida. Isto não nos deve surpreender, porque Jesus mostra claramente que ‘o mundo nos odiaria por não fazermos parte dele’. (João 17:14) Deixaremos que os cegados por Satanás nos intimidem e desanimem, e façam com que nos envergonhemos das boas novas? Permitiremos que mentiras sobre a verdade afetem nossa assistência regular às reuniões e nossa atividade de pregação? Ou ficaremos firmes e corajosos, e mais decididos do que nunca a continuar a proclamar a verdade sobre Jeová e seu Reino?
17. Que garantia pode estimular-nos a continuar a ter fé?
17 De acordo com as profecias cumpridas da Bíblia, vivemos agora já bem avançados no tempo do fim. Nossas expectativas baseadas na Bíblia, de um novo mundo de justiça, certamente se tornarão uma bela realidade. Até que venha esse dia, tenhamos todos uma inabalável fé na Palavra de Deus e provemos que temos esta fé por não diminuir a pregação das boas novas do Reino em todo o mundo. Pense nos milhares de novos discípulos que são batizados cada semana. Não é isso motivo suficiente para sentirmo-nos gratos que a paciência de Jeová em executar seu julgamento pode resultar na salvação de muitos outros? Não nos alegramos de que Deus tem permitido que a atividade da pregação do Reino, que salva vidas, ainda continue? E não nos deleita que milhões de pessoas aceitaram a verdade e demonstram fé?
18. Qual é a sua determinação quanto a servir a Jeová?
18 Não podemos dizer quanto tempo ainda continuará a atual prova da nossa fé. Mas isso é certo: Jeová tem um dia fixo para o ajuste de contas com os atuais céus e terra iníquos. No ínterim, estejamos decididos a imitar a primorosa qualidade de fé provada demonstrada pelo Aperfeiçoador da nossa fé, Jesus. E sigamos o exemplo do idoso restante ungido e de outros que servem corajosamente entre nós.
19. O que certamente vencerá o mundo?
19 Devemos estar decididos a proclamar sem cessar as boas novas eternas em toda nação, tribo, língua e povo, em cooperação com o anjo que voa pelo meio do céu. Que ouçam a proclamação angélica: “Temei a Deus e dai-lhe glória, porque já chegou a hora do julgamento por ele.” (Revelação 14:6, 7) Quando este julgamento divino for executado, qual será o resultado da qualidade provada da nossa fé? Não será um glorioso triunfo — sermos livrados do atual sistema de coisas para o novo mundo justo de Deus? Por perseverarmos sob as provas da nossa fé, poderemos dizer, assim como o apóstolo João: “A vitória que venceu o mundo é esta: a nossa fé.” — 1 João 5:4.
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