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O conselho edificaManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estude a matéria neste livro, que considera os pontos em que deve fazer empenho. Esforce-se a aplicar as sugestões nas suas palestras diárias. E quando chegar o tempo de seu próximo discurso de estudante, já terá domínio sobre isto.
19 Cada estudante deve ter por objetivo melhorar com cada discurso sucessivo que profere no programa da escola. É verdade que isto significará fazer esforço contínuo, mas por certo resultará na bênção de Jeová. Para os que querem tirar o máximo proveito do treinamento da Escola do Ministério Teocrático, há significado especial nas palavras de Provérbios 19:20: “Escuta o conselho e aceita a disciplina, para que te tornes sábio no teu futuro.”
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Matéria informativa, apresentada de modo claroManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 21
Matéria informativa, apresentada de modo claro
1-3. Por que se precisa de matéria específica para tornar o discurso informativo?
1 Os discursos proveitosos começam com uma preparação diligente, e esta exige tempo e esforço. Mas quantos benefícios traz! Aumenta sua reserva de conhecimento exato e lhe dá algo realmente proveitoso a transmitir a seus ouvintes. Em vez de falar em termos generalizados, poderá oferecer pormenores esclarecedores, e saberá que aquilo que diz é certo. Isto aumentará o apreço dos ouvintes pela Palavra de Deus, e assim honrará a Jeová. Nossa consideração da matéria informativa envolve principalmente o que se diz no discurso. Considere brevemente os diversos aspectos deste assunto. É o primeiro ponto na sua folha de Conselho Sobre Discursos.
2 Matéria específica. Um discurso que só trata de generalidades não tem peso nem autoridade. É vago. Deixa os ouvintes na incerteza. Se as idéias hão de ser lembradas, precisam ser específicas e exatas. Assim se dá evidência de pesquisa e de conhecimento do assunto.
3 Esta característica oratória pode ser adquirida na preparação por se fazerem perguntas tais como: Por quê? Quando? Onde? e assim por diante. Usualmente não basta dizer que alguma coisa aconteceu. Forneça nomes de lugares, datas e talvez motivos. Não basta declarar certas verdades. Mostre por que são verdades; mostre por que é valioso conhecê-las. Quando dá instruções, explique como se deve fazer certa coisa. Quanto desta espécie de elaboração é essencial será determinado por aquilo que os ouvintes já sabem. Por isso, pense nos ouvintes, para saber que pormenores talvez sejam necessários.
4-6. A fim de que seu discurso seja informativo para determinada assistência, que fatores precisa ter em mente?
4 Informativa para a respectiva assistência. O que talvez seja informação para um tipo de assistência, talvez não aumente em nada o conhecimento de outro grupo, ou até mesmo o deixe completamente às escuras. É evidente, portanto, que a matéria precisa ajustar-se à respectiva assistência. Por exemplo, num discurso sobre como se realiza a nossa obra, a matéria seria tratada inteiramente diferente numa reunião de serviço do que num discurso a alguém que está prestes a se dedicar a Jeová, ou num discurso a um grupo mundano.
5 Tais fatores também precisam ser tomados em conta nas diversas designações na Escola do Ministério Teocrático. A matéria apresentada em qualquer discurso designado deve ser considerada tendo em vista os ouvintes, a situação e o objetivo do discurso. Estes fatores serão determinados pelo tipo do discurso e pela cena ou situação programada pelo orador. Naturalmente, o discurso de instrução será um discurso dirigido à congregação. Outros discursos podem variar, identificando-se a assistência e o objetivo pela cena ou situação em que é proferido o discurso. Em todos os casos, tanto o estudante como o conselheiro podem perguntar-se: Adapta-se a matéria à assistência específica envolvida na apresentação? Será a assistência informada e instruída por ela?
6 Na preparação, pergunte-se: O que quero conseguir com este discurso? Quanto daquilo que desejo dizer já é do conhecimento desta pessoa ou deste grupo? Que base preciso lançar antes de poder esclarecer estes pontos? De que outro modo explicaria isso a um grupo inteiramente diferente? As comparações amiúde esclarecem os nossos pontos de vista. Experimente apresentações diferentes com grupos diferentes na sua preparação, só para sentir a diferença na consideração da assistência e em tornar a matéria informativa para determinada assistência a que vai falar.
7, 8. Como podemos tornar práticos os nossos discursos?
7 Matéria de valor prático. Há muito a aprender, mas nem tudo é prático. Para nós, a matéria informativa se refere às coisas que precisamos saber para o modo de vida cristão e para o nosso ministério. Queremos saber como usar esta informação que obtemos.
8 O estudante, na preparação, e o superintendente da escola, ao dar conselho, poderiam considerar este ponto por se perguntarem: Que princípios orientadores podem ser encontrados no discurso? Poderia a matéria ser usada para se tomarem decisões? Poderia a matéria apresentada ser adaptada ao ministério de campo? Magnifica a Palavra de Deus e indica seu propósito? Poucos discursos podem contribuir toda esta informação, mas para que a matéria apresentada seja prática, ela deve de algum modo poder ser usada pela assistência.
9-11. Por que é muito importante a exatidão das declarações?
9 Exatidão das declarações. As Testemunhas de Jeová são uma organização veraz. Devemos querer falar a verdade e ser inteiramente exatos em todos os pormenores, em todas as ocasiões. Deve ser assim não só com respeito a doutrinas, mas também em nossas citações, no que dizemos sobre outros ou em como os apresentamos, também nas questões que envolvem dados científicos ou acontecimentos noticiosos.
10 Declarações errôneas feitas a uma assistência podem ser repetidas e assim ampliado o erro. Inexatidões reconhecidas pelos ouvintes suscitam perguntas quanto ao crédito que o orador merece em outros pontos, questionando-se talvez até mesmo a verdade da própria mensagem. Uma pessoa recém-interessada que ouve tais declarações e que ouviu um conceito diferente expresso em outra ocasião talvez chegue à conclusão de que há desunião de pensamento entre as Testemunhas de Jeová, e pode assim descontinuar a sua associação com elas, sem mesmo revelar os seus motivos para isso.
11 O conselheiro não deve dissecar cada declaração feita pelo estudante, especialmente não as dos novos na verdade e por isso ainda não plenamente arraigados nas coisas mais profundas da Palavra de Deus. Em vez disso, ajudará com tato a moldar o modo de pensar do estudante e lhe mostrará como melhorar na exatidão por meio de cuidadosa preparação antecipada.
12, 13. Qual é o valor da matéria esclarecedora adicional?
12 Matéria esclarecedora adicional. Idéias que surgem em resultado da meditação ou que se obtêm de pesquisa adicional do assunto podem contribuir muito para um discurso e podem às vezes evitar repetição não instrutiva de matéria já conhecida da assistência. Contribuem para a novidade da apresentação, estimulam o interesse da assistência e podem tornar um assunto bem conhecido realmente agradável. Dá também confiança ao orador. Ele trata seu discurso com um entusiasmo derivado do conhecimento de que tem algo um pouco diferente para apresentar.
13 O perigo a ser evitado é a especulação particular. Devem-se usar as publicações da Sociedade, confiando nelas. Verifique os Índices da Sociedade e as notas marginais a respeito de textos. Certifique-se de que aquilo que diz seja esclarecedor, e não deturpador.
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14-16. O que se precisa fazer na preparação do discurso para se falar de modo simples?
14 Na preparação de sua matéria é também importante dar muita atenção a como vai dizer o que deseja transmitir. É a isto que se refere a folha de Conselho Sobre Discursos debaixo de “Claro, inteligível”. Não se dar a devida atenção a isso pode impedir que seja compreendido pela sua assistência ou pode impedir que ela se lembre do que ouviu. Há três aspectos principais desta questão a considerar.
15 Falar de modo simples. Isto não significa que se precisa elaborar de antemão as frases usadas. Mas é preciso analisar as idéias a serem apresentadas e tomar em consideração determinados fatores definidos. Isto resultará em geral num discurso compacto e em expressões simples de idéias, proferidas em linguagem clara. O assunto que é complexo na mente do orador também será complexo na apresentação.
16 Deve-se evitar a preparação de última hora. Cada ponto do discurso precisa ser bem pensado em todos os aspectos, até que seja simples e claro para o orador. A recapitulação destes pontos na preparação para o proferimento os fixará de modo tão claro na mente, que se apresentarão espontaneamente quando necessário e serão brilhantemente claros, tanto para a assistência como para o orador.
17, 18. Por que se precisam explicar os termos pouco conhecidos?
17 Explicação dos termos pouco conhecidos. Nosso estudo das Escrituras e das publicações da Sociedade Torre de Vigia nos proveu um vocabulário de termos bastante estranhos para os que não conhecem a nossa obra. Se explicássemos as verdades da Bíblia a certas assistências, usando termos tais como estes, grande parte do que diríamos não seria compreendida ou nosso discurso seria completemente incompreensível.
18 Pense nos seus ouvintes. Qual é o nível de compreensão deles? Quanto sabem eles sobre a nossa obra? Quantas destas expressões serão prontamente entendidas por eles tanto quanto pelo orador? Termos tais como “teocracia”, “restante”, “outras ovelhas”, e mesmo “Armagedom” e “Reino”, podem dar uma idéia diferente aos ouvintes, ou absolutamente nenhuma. Até mesmo termos tais como “alma”, “inferno”, e “imortalidade” precisam ser esclarecidos, se o ouvinte não conhecer bem a nossa obra. Mas quando o discurso é proferido perante a congregação, tais termos não precisam ser esclarecidos. Por isso é preciso tomar em conta a situação.
19, 20. Como podemos evitar termos matéria demais?
19 Matéria não em demasia. Pode acontecer que um discurso contenha tanta informação, que a grande quantidade de matéria inunde os ouvintes e a compreensão se torna difícil ou completamente impossível. Para se alcançar o objetivo do discurso, não se deve usar mais matéria do que se pode explanar de modo claro no tempo concedido. Não se deve expressar mais do que pode razoavelmente ser assimilado pelos ouvintes. Além disso, a matéria apresentada a um estranho ou a um recém-interessado terá de ser muito simplificada, em comparação com a matéria do mesmo assunto quando apresentada à congregação. Nisto também é preciso que o conselheiro tome em consideração o tipo de assistência a que o orador fala.
20 Como saberá o estudante quanta matéria deve incluir no discurso? A comparação será de proveito na preparação. Analise o que tem para apresentar. Quantos destes pontos já são conhecidos pelos ouvintes, pelo menos em parte? Quantos serão completamente novos? Quanto mais amplo o fundamento de conhecimento já possuído, tanto mais se pode edificar sobre ele dentro de determinado tempo. Mas quando não se sabe praticamente nada sobre o assunto a ser considerado, então se precisa ter muito cuidado com a quantidade do que se diz e com quanto tempo levará para explicar plenamente estes pontos à assistência.
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Introduções eficientesManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 22
Introduções eficientes
1-3. Por que meios se pode suscitar interesse no assunto mediante a introdução do discurso?
1 Despertar interesse. A introdução dum discurso deve despertar interesse no assunto. Deve atrair a atenção dos ouvintes e prepará-los a dar consideração favorável ao que se seguirá. Para se conseguir isso, é preciso mostrar aos ouvintes o valor de seu assunto.
2 Um dos melhores modos de suscitar interesse num discurso é envolver nele os ouvintes. Faça com que se dêem conta de que esta informação lhes é vital, que envolve a sua vida. Ao fazer isso, precisa começar no nível da assistência. Isto significa que aquilo que dirá deve estar dentro do conhecimento geral dos ouvintes. Pode ser uma ilustração, um problema ou uma série de perguntas. Mas deve ser sempre algo que os ouvintes conhecem, de modo que o possam compreender e aplicar a si mesmos.
3 Em alguns casos talvez seja necessário vencer algum preconceito logo na sua introdução. É especialmente assim quando o assunto a ser considerado é altamente controvertido. Em tais casos, sua introdução é vital, se quiser manter a atenção de seus ouvintes até que possa apresentar eficientemente os argumentos que comprovam o seu ponto. No ministério de casa em casa é amiúde possível vencer uma objeção comum por se mencioná-la primeiro, com tato, e daí passar a tratar da matéria que se deseja considerar.
4-6. Que outros fatores ajudarão a fazer que nossas introduções criem interesse?
4 O que diz é sempre de importância primária. Mas, para suscitar interesse por meio da sua introdução, provavelmente ainda mais importante é como o diz ali, do que em quase qualquer outra parte do discurso. Por este motivo, sua introdução exige cuidadosa preparação antecipada, não só quanto ao que vai dizer, mas também quanto à maneira em que pretende dizê-lo.
5 Normalmente, sentenças curtas e simples alcançarão melhor seu objetivo na introdução. Visto que a escolha de palavras é tão vital para se alcançar o objetivo no tempo curto disponível para a introdução, talvez ache vantajoso preparar com muito cuidado as primeiras duas ou três sentenças. Escreva-as por extenso, nas suas anotações, para que as possa ler, ou decore-as, para que as suas palavras iniciais causem o impacto que merecem e exigem. Além disso, isso lhe dará mais confiança no começo e uma oportunidade de obter suficiente domínio sobre si para continuar a falar de modo extemporâneo.
6 Só mais umas palavras sobre a maneira de proferir a sua introdução, embora seu conselheiro não se preocupe com estes pontos, no que se refere a esta característica oratória. Caso se sinta nervoso, fale mais devagar e com diapasão mais baixo. Fale com confiança, mas evite dar a impressão de ser dogmático. Pois, tal atitude poderá desde o início antagonizar a sua assistência.
7. Quando deve preparar a sua introdução?
7 Embora a introdução dum discurso seja a primeira coisa a ser apresentada, é usualmente preparada com mais eficiência depois de se ter organizado bem o contexto do discurso. Isto lhe permitirá saber o que será melhor dizer para prefaciar de modo correto a matéria que preparou.
8-10. Como podemos tornar nossas introduções apropriadas ao tema?
8 Apropriada ao tema. Somente quando a sua introdução for apropriada ao tema conduzirá ela de modo eficiente ao assunto. Precisa-se ter muito cuidado de usar na introdução apenas aquilo que contribua para seu objetivo de falar. Naturalmente, deve estar em harmonia com a dignidade da mensagem do Reino e ser idealizada de modo a não ofender os estranhos que talvez estejam na assistência.
9 Não só precisa a sua introdução conduzir ao assunto em consideração, mas ela precisa apresentar de modo claro o aspecto específico da matéria de que tratará. Isto significa limitar seu assunto a um tema específico, e daí, de algum modo, identificar este tema tanto quanto for prático na sua introdução. Se não especificar o tema, poderá em alguns casos usar palavras principais ou temáticas na introdução. Deste modo, sua assistência não esperará que abranja outros aspectos do assunto, talvez sugeridos pelo título de seu discurso.
10 Todos os discursos devem ser uma unidade completa, não começando com uma coisa e depois acabando com outra. Além disso, esta questão de a introdução ser apropriada ao tema precisa ser equilibrada com a questão de a introdução despertar o interesse. Em outras palavras, o tema não deve ser sacrificado só para se contar uma boa história logo no começo. O objetivo do discurso deve predominar na seleção da sua matéria. E deve ajustar-se e concordar com o contexto do discurso.
11-14. Como podemos saber se a introdução tem a extensão correta?
11 De extensão apropriada. Quão extensa deve ser a introdução? Não há resposta específica que se ajuste a todas as situações. A extensão duma introdução depende do tempo concedido ao próprio assunto, do objetivo do discurso, da assistência envolvida e de muitas outras considerações similares.
12 De fato, ao se escutar um discurso, deve usualmente ser difícil, por causa da continuidade, determinar uma divisão claramente definida entre a introdução e o corpo. Este será o problema com que terá de lidar seu conselheiro com respeito a esta característica oratória, na sua folha de Conselho Sobre Discursos. Todo estudante usa algumas observações introdutórias no seu discurso, mas o conselheiro estará interessado no seguinte: É a introdução muito divagante, muita detalhada, muito extensa, ao ponto de a sua assistência ficar desassossegada antes que chegue aos argumentos principais a serem apresentados?
13 A introdução deve seguir numa seqüência definida, ordeira e rápida de pensamentos em direção ao assunto, sem sacrificar as características que despertam o interesse. Precisa ser completa, sem haver lacunas. Isto exige reflexão cuidadosa, porque, se começar dum ponto muito afastado do assunto, exigindo explicações extensas e pormenorizadas, então seria melhor revisar sua introdução e talvez achar um novo ponto de partida.
14 Se for difícil achar uma nítida divisão entre a introdução e o corpo do discurso, então é provável que a sua introdução tenha a extensão correta. Indicará que fez uma introdução tão boa da matéria à assistência, que esta passou a ouvir seus argumentos sem realmente se aperceber disso. Por outro lado, se ela começar a se perguntar quando é que vai entrar no assunto, então pode estar certo de que a sua introdução é comprida demais. Esta é muitas vezes a fraqueza das apresentações feitas de porta em porta, quando é amiúde preciso variar a extensão de suas introduções, de uma porta para outra.
15, 16. Qual deve ser a extensão da introdução dum discurso quando este faz parte duma seqüência de discursos?
15 Quando vai proferir o único discurso no programa ou um discurso de estudante, sua introdução talvez possa ser mais extensa do que em outras ocasiões. Mas se o seu discurso formar parte duma seqüência de discursos, ou se fizer parte duma reunião de serviço, então a sua introdução pode ser breve e concisa, porque faz parte de um conjunto que já foi iniciado. Introduções compridas e complexas consomem desnecessariamente muito tempo. Será o corpo do discurso que vai transmitir as idéias que quer apresentar.
16 Em resumo, sua introdução deve apenas estabelecer contato, despertar interesse e conduzir ao assunto que vai considerar. Faça isso com a presteza que for prática, e depois chegue logo ao âmago de seu assunto.
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Volume e pausasManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 23
Volume e pausas
1, 2. Por que precisamos falar com volume suficiente?
1 A menos que outros possam ouvi-lo facilmente, perder-se-á o valor daquilo que diz. Por outro lado, se o seu volume for alto demais, pode irritar a assistência e assim desviar a atenção dos bons pensamentos que preparou. Em muitos Salões do Reino se torna evidente a necessidade de nos preocuparmos com o volume adequado, pois, ao comentarem nas reuniões, os que porventura estejam sentados na frente amiúde não podem ser ouvidos pelos no fundo. Pode acontecer que aquele que fala da tribuna não tenha volume suficiente, e por isso deixe de inspirar sua assistência. No serviço de campo, também, encontramos pessoas que não ouvem bem e há ruídos com que competir, quer de dentro do lar que visitamos, quer de fora dele. Tudo isso indica que precisamos dar muita atenção ao volume correto.
2 Volume suficiente para se ser ouvido confortavelmente. A primeira coisa a considerar para saber quanto volume se deve usar é melhor analisada pela pergunta: Usou-se a força de voz necessária? Quer dizer, foi ouvido nas últimas fileiras sem ser alto demais para os nas primeiras? Pensar nisso talvez baste para o estudante principiante, mas os que já progrediram mais devem esforçar-se a dominar também os seguintes aspectos da questão. O superintendente da escola deve decidir até que ponto cada estudante será aconselhado sobre esta característica oratória.
3-10. Que circunstâncias nos ajudarão a saber quanto volume devemos usar?
3 Volume adaptado às circunstâncias. O orador precisa aperceber-se das condições variáveis sob as quais fala. Isto ampliará a sua faculdade de discernimento, o tornará mais flexível e lhe permitirá alcançar a sua assistência e manter o interesse dela com mais facilidade.
4 As condições variam de salão em salão e com o tamanho da assistência. Para controlar as circunstâncias, terá de controlar seu volume. Proferir um discurso no Salão do Reino exige mais volume que na sala de estar dum recém-interessado. Além disso, um pequeno grupo reunido na parte da frente do salão, como numa reunião para o serviço de campo, exigirá menos volume do que quando o salão está cheio, como numa reunião de serviço.
5 Mas nem mesmo estas condições são constantes. Há barulho repentino dentro e fora do salão. Um automóvel que passa, um trem por perto, ruídos altos feitos por animais, o choro de crianças, alguém que chega tarde — todas estas coisas exigem um ajuste na força da voz. Se não forem reconhecidas e compensadas no volume, farão que se deixe de ouvir algo, talvez um ponto vital.
6 Muitas congregações têm equipamento de amplificação da voz. Mas, se não houver cuidado no seu uso e o volume flutuar muito de alto para baixo, talvez seja necessário aconselhar o estudante por não ter tomado em consideração estas circunstâncias. (Veja o Estudo 13, sobre o uso de microfones.)
7 Ocasionalmente, o orador achará difícil de controlar esta questão do volume, simplesmente por causa da qualidade de sua voz. Se este for seu problema e sua voz não alcançar muita distância, o superintendente da escola tomará isso em consideração quando dá conselho. Talvez lhe sugira certos exercícios ou um programa de treinamento que o ajude a desenvolver e fortalecer a sua voz. Todavia, a qualidade da voz, em si mesma, é um ponto separado de conselho e não será enfatizado quando se considera seu volume.
8 Não é possível julgar cada circunstância existente durante apenas um discurso. O conselho deve ser dado sobre o discurso corrente, não sobre cada possibilidade que possa surgir. No entanto, quando parece ser necessário, o superintendente da escola pode advertir o estudante sobre possíveis problemas que poderá ter de enfrentar em circunstâncias diferentes, embora o estudante seja elogiado pelo discurso atual e se marque “B” na sua folha de conselho.
9 Como pode o estudante saber se o seu volume é suficiente? A reação da assistência é um dos melhores barômetros. O orador experiente observará atentamente os no fundo do salão, durante a sua introdução, e poderá determinar pela expressão e atitude geral deles, se podem ouvir confortavelmente, e ele variará o volume de acordo. Uma vez que se familiarizou com o salão, não terá mais dificuldades.
10 Outro método é observar os outros oradores no mesmo programa. Podem ser ouvidos facilmente? Quanto volume usam? Ajuste o seu concordemente.
11, 12. Por que é essencial que o volume seja apropriado à matéria?
11 Volume apropriado à matéria. Este aspecto de nossa consideração do volume não deve ser confundido com a modulação. No momento estamos interessados em simplesmente ajustarmos o volume à matéria específica em consideração. Por exemplo, quando se lêem condenações nas Escrituras, é evidente que o volume deve ser regulado de modo diferente do que quando o estudante lê conselho sobre o amor entre os irmãos. Compare Isaías 36:11 com os versículos 12 e 13 de Isaías 36e observe a diferença que deve ter existido no modo em que se proferiram estas declarações. O volume precisa ser adaptado à matéria, mas nunca se deve exagerar.
12 Ao decidir quanto volume deve usar, analise com cuidado a sua matéria e seu objetivo. Se quiser mudar o modo de pensar da assistência, não a expulse com volume demais. Contudo, se quiser estimulá-la a uma atividade animada, o volume talvez possa ser maior. Se a matéria exige vigor, não a enfraqueça por falar suave demais.
13-16. Indique o valor das pausas.
13 Ao proferir o seu discurso, pausar nos lugares certos é quase tão importante como o volume adequado. Sem fazer pausas, o significado das declarações pode facilmente ficar obscurecido e os pontos principais, que devem ser lembrados pela assistência, não causarão uma impressão duradoura. As pausas lhe dão confiança e equilíbrio, permitem um controle melhor da respiração e oferecem a oportunidade de ganhar domínio sobre si nos pontos difíceis do discurso. As pausas mostram à assistência que está controlando a situação e não está nervoso demais, que toma em consideração os ouvintes e que tem algo que deseja que ouçam e lembrem.
14 O orador principiante não deve demorar em adquirir a habilidade de pausar com eficiência. Primeiro, precisa ficar convencido de que aquilo que tem a dizer é importante e que quer que seja lembrado. A mãe que corrige seu filho diz primeiro algo para atrair a atenção dele. Não dirá mais nada até que o filho lhe dê plena atenção. Então dirá o que lhe deseja dizer. Ela quer ter a certeza de que o filho não desperceba o que ela está dizendo e que se lembre disso.
15 Alguns nunca pausam, nem mesmo na conversa diária. Se este for o seu problema, desejará cultivar esta característica oratória para melhorar a eficiência de seu ministério de campo. Ali falamos em forma conversante. Pausar de tal modo que seu morador não o interrompa, mas que escute e espere, exige a espécie correta de pausas. Mas a perícia e a proficiência em pausar numa palestra são tão essenciais e tão proveitosas como quando esta habilidade é utilizada na tribuna.
16 Um problema sério com relação ao uso correto de pausas num discurso é ter-se matéria demais. Evite isso. Conceda tempo para pausas; elas são essenciais.
17-21. Explique a importância das pausas para a pontuação.
17 Pausa para pontuação. Pausar para pontuação significa simplesmente usar pausas para dar clareza ao pensamento; destacar idéias relacionadas; indicar frases, orações, fins de sentenças e de parágrafos. Estas mudanças podem amiúde ser indicadas pela modulação da voz, mas as pausas são também eficientes para fornecer uma pontuação oral para o que se diz. E assim como as vírgulas e os pontos e vírgulas têm significados diferentes na divisão das sentenças, assim também as pausas devem variar segundo o seu uso.
18 As pausas mal colocadas podem mudar completamente a idéia da sentença. Uma ilustração disso são as palavras de Jesus em Lucas 23:43: “Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.” Se a pontuação ou a pausa fosse colocada entre “digo” e “hoje”, resultaria uma idéia completamente diferente, conforme evidencia a má interpretação comum deste texto. Portanto, pausar de modo correto é essencial para se transmitir a idéia pretendida.
19 Aprenda a pontuação oral no discurso extemporâneo por observar toda pontuação escrita quando lê. A única pontuação escrita que às vezes se pode desconsiderar na leitura é a vírgula. Pausar ou não pausar numa vírgula muitas vezes é uma questão de preferência. Mas os pontos e vírgulas, os pontos, os pontos de interrogação e também as divisões de parágrafos precisam todos ser observados.
20 Talvez ache útil na leitura dum manuscrito ou duma parte da Bíblia marcar o texto. Trace uma pequena linha vertical entre as orações onde se deve inserir uma breve pausa (talvez apenas uma hesitação); duas linhas ou um “X” para uma pausa mais longa.
21 Por outro lado, se verificar na sua leitura de ensaio que certas sentenças lhe são difíceis de pronunciar ou que pausa repetidas vezes nos lugares errados, poderá fazer sinais com um lápis, ligando juntas todas as palavras que constituem uma oração. Daí, na leitura, não pause nem hesite até chegar à última das palavras ligadas juntas. Muitos oradores experientes fazem isso.
22-24. Por que é necessário pausar quando se muda de pensamento?
22 Pausa para mudança de pensamento. Na transição de um ponto principal para outro, a pausa oferece à assistência a oportunidade de refletir. Além disso, impede mal-entendidos. Dá à mente a oportunidade de se ajustar, de reconhecer a mudança de direção e de acompanhar a explanação da nova idéia apresentada. Para o orador é tão importante pausar na mudança de idéias como o é para o motorista diminuir a marcha para fazer uma curva.
23 Num discurso extemporâneo, a matéria precisa ser organizada no esboço de modo a permitir pausas entre os pontos principais. Isto não precisa interferir na continuidade ou na coerência do discurso, mas as idéias devem ser tão bem formuladas, que possa levar determinado ponto a um clímax, pausar e depois prosseguir com uma nova idéia. Tal clímax e mudança podem até mesmo ser marcados no seu esboço, se for preciso para lhe lembrar isso.
24 As pausas para uma mudança de pensamento costumam ser mais longas do que as para a pontuação; entretanto, não se deve exagerar as pausas longas num discurso, senão a apresentação será enfadonha. Além disso, é provável que pareça afetada.
25-28. Mostre como as pausas nos ajudam a enfatizar um ponto, bem como a lidar com qualquer circunstância perturbadora.
25 Pausa para ênfase. A pausa para ênfase é usualmente uma pausa dramática. Cria expectativa ou oferece à assistência a oportunidade de refletir.
26 Pausar antes de um ponto importante cria expectativa. Uma pausa depois dele permite que se compreenda a plena importância da idéia. Estes dois usos da pausa não são iguais, de modo que precisa decidir o que é mais apropriado em determinado caso ou se ambas devem ser usadas.
27 As pausas para ênfase devem ser limitadas a declarações muito significativas, senão se perderá o valor delas.
28 Pausa quando circunstâncias a exigem. As interrupções muitas vezes exigem que o orador pause momentaneamente. Se a perturbação não for severa demais e se puder aumentar o volume e continuar, então é normalmente melhor fazer isso. Mas, se a perturbação for suficiente para interferir totalmente no discurso, então terá de pausar. Sua assistência saberá avaliar a consideração que demonstra. Além disso, muitas vezes ela nem escuta, porque a perturbação temporária a distrai. Portanto, use as pausas de modo eficiente, para certificar-se de que a sua assistência tire pleno proveito das boas coisas que lhe deseja dizer.
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Dirigir a atenção à BíbliaManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 24
Dirigir a atenção à Bíblia
1, 2. Por que devemos dirigir a atenção de nossos ouvintes à Bíblia?
1 Nosso desejo no ministério é dirigir a atenção de todos à Palavra de Deus, a Bíblia. Ela contém a mensagem que pregamos, e queremos que as pessoas se dêem conta de que aquilo que dizemos não se origina de nós, mas de Deus. Os que amam a Deus têm confiança na Bíblia. Quando ela é lida para eles, escutam e tomam a peito seu conselho. Mas quando apanham o seu próprio exemplar da Bíblia e a lêem eles mesmos, a impressão causada é muito mais profunda. Portanto, no ministério de campo, quando a situação o permite, é sábio animar o morador a apanhar seu próprio exemplar da Bíblia e a procurar os textos que lhe mostra. Do mesmo modo nas reuniões congregacionais, se todos forem animados a usar as suas Bíblias, os mais novos reconhecerão mais prontamente que ela é a fonte de nossa crença, e todos tirarão proveito da ênfase adicional da impressão visual.
2 Portanto, será de vantagem decisiva em alcançar seu objetivo de falar se os seus ouvintes, quando for prático, acompanharem a sua leitura de textos bíblicos na própria Bíblia deles. Fazerem isso ou não dependerá em grande parte de ter-lhes dado a devida exortação a isso. É a isto que se refere sua folha de Conselho Sobre Discursos debaixo de “Ouvintes exortados a usar a Bíblia”.
3, 4. Como poderemos fazer isso com eficácia?
3 Por sugestões. Um dos melhores modos é fazer um convite direto aos ouvintes para que usem a Bíblia; este método é usado freqüentemente. Às vezes se pode obter o mesmo resultado por simplesmente dizer onde se encontram os textos, antes de lê-los; talvez do seguinte modo: “Agora, ao lermos 2 Timóteo 3:1-5, pense nas condições existentes aqui nesta localidade.” Daí, enquanto procura o texto, olhe em volta para ver se os ouvintes se aproveitam da sugestão. Usualmente também começarão a procurar o texto.
4 Cabe ao orador decidir quais os textos, se é que quer fazer isso, que deseja enfatizar por fazer que os ouvintes os procurem. Observe os ouvintes. Interesse-se em ver se o acompanham. Mesmo quando por algum motivo é obrigado a proferir um discurso de manuscrito, poderá amiúde tratar os textos principais de tal modo que os ouvintes o acompanhem na sua própria Bíblia.
5, 6. Explique por que é proveitoso conceder aos ouvintes tempo para acharem os textos que planejamos ler.
5 Por dar tempo para se achar o texto. Não basta apenas mencionar o texto. Se ler o texto e daí passar para outro, antes de os ouvintes terem tido tempo para achá-lo, eles, por fim, ficarão desanimados e desistirão. Observe os ouvintes, e quando a maioria deles tiver achado o texto, então poderá lê-lo.
6 É usualmente aconselhável mencionar o texto com suficiente antecedência à leitura planejada, para que não se perca tempo valioso devido às freqüentes pausas longas ou às desnecessárias palavras “para encher o tempo” enquanto os ouvintes procuram o texto. No entanto, fazer a pausa devida neste ponto é próprio. Por outro lado, se a menção for feita cedo na sua introdução do texto, então terá de lembrar-se de que no ínterim algumas das coisas que dirá não serão acompanhadas muito de perto. Portanto, em tal caso, as coisas pertinentes ao argumento terão de ser ditas antes de se fazer menção do texto.
7-18 Que métodos podem ser usados para se fazer uma introdução eficiente de textos bíblicos?
7 Os textos que costumam ser usados num discurso em geral são os pontos principais dele. Os argumentos giram em torno destes textos. Quanto contribuirão para o discurso dependerá, pois, de quão eficientemente são usados. Portanto, a questão da “Introdução correta dos textos”, anotada na sua folha de Conselho Sobre Discursos, merece consideração.
8 Há uma grande variedade de maneiras de se prefaciar, ler e aplicar um texto bíblico. Às vezes, por exemplo, a introdução do texto não só leva à leitura dele, mas também faz a sua aplicação, de modo que a própria leitura só salienta e confirma o ponto em questão. Por outro lado, alguns textos são usados com bom efeito quando não se usam nenhumas palavras de introdução, como por exemplo na própria abertura do discurso.
9 A fim de aprender a fazer a introdução eficiente dos textos, analise o que fazem os oradores experientes. Procure identificar os métodos diferentes de se prefaciarem textos. Considere a sua eficácia. Na preparação de seus próprios discursos, pense de antemão no que o texto deve realizar, especialmente se for um texto-chave do ponto principal. Planeje a introdução dele com cuidado, para que seja usado de modo a produzir o máximo de efeito. Seguem-se algumas sugestões:
10 Uma pergunta. As perguntas exigem respostas. Estimulam o raciocínio. Deixe que o texto e a sua aplicação forneçam a resposta. Por exemplo, ao considerar a transfusão de sangue, talvez queira prefaciar Atos 15:28, 29, depois de ter mostrado a proibição segundo as Escrituras Hebraicas. Poderia fazer a introdução do texto por perguntar: “Mas é esta mesma proibição imposta aos cristãos? Observe a decisão de autoridade do corpo governante da primitiva congregação, conforme foi movida pelo espírito santo.”
11 Uma declaração ou um princípio a ser apoiado pelo texto prefaciado. Por exemplo, num discurso sobre a delinqüência poderá dizer: “Até mesmo a nossa escolha de companheiros é um fator importante que influi em nossa atitude para com o que é certo e o que é errado.” Daí poderá ler as palavras de Paulo em 1 Coríntios 15:33 em apoio de sua declaração.
12 Citar a Bíblia como autoridade. Especialmente no caso de textos secundários poderá dizer simplesmente: “Observe o que a Palavra de Deus diz sobre este ponto.” Isto basta para se aguardar com expectativa o texto, e ele mesmo fornecerá o motivo claro para seu uso.
13 Um problema. Num discurso sobre o “inferno” poderia dizer: “Se o homem há de sofrer em chamas eternas de fogo, significa que deve estar consciente após a morte. Mas observe o que Eclesiastes 9:5, 10 diz.”
14 Escolha entre alternativas. Quando uma pergunta direta ou um problema talvez seja difícil para determinada assistência, apresente diversas alternativas e deixe que o texto e sua aplicação forneçam a resposta. Ao falar com um católico, talvez queira usar Mateus 6:9 para mostrar a quem se deve dirigir corretamente a oração. Uma pergunta direta ou um problema talvez encaminhe a mente do morador na direção errada, de modo que talvez deseje dizer: “Há muitos conceitos sobre o assunto de a quem devemos orar. Alguns dizem que a Maria, outros dizem a um dos ‘santos’, mas ainda outros dizem que só devemos orar a Deus. Aqui está o que Jesus disse.”
15 Fundo histórico. Se usasse Hebreus 9:12 num discurso sobre o resgate, para mostrar que Jesus, por oferecer o seu próprio sangue, “obteve para nós um livramento eterno”, talvez acharia necessário prefaciar a leitura do texto com uma breve explicação sobre o “lugar santo” no tabernáculo, o qual, conforme indica Paulo, representava o lugar em que Jesus entrou.
16 O que precede e o que segue ao texto. Às vezes, as circunstâncias em que está situado o texto, conforme explicadas pelos versículos que o cercam, ajudam a fazer a introdução do texto. Por exemplo, se usar o texto de Lucas 20:25, para mostrar o que significa ‘pagar de volta a César as coisas de César’, talvez ache vantajoso explicar o uso que Jesus fez duma moeda com a inscrição de César, conforme se relata nos versículos circundantes.
17 Combinação de métodos. Naturalmente, uma combinação destes métodos também é possível e amiúde proveitosa.
18 A introdução dum texto deve suscitar expectativa suficiente para atrair a atenção quando se lê o texto, e deve trazer à atenção o motivo de se usar o texto.
19, 20. Como poderemos saber se criamos expectativa do texto mencionado?
19 Criada expectativa dos textos. Como saberá se criou expectativa dum texto? Principalmente pela reação dos ouvintes, mas também pelo modo em que fez a introdução do texto. Se os ouvintes ficassem sem saber por que deixou de ler o texto depois de fazer a introdução dele ou por que não respondeu à pergunta da sua introdução, então pode estar certo de que despertou interesse no texto. Naturalmente, a introdução precisa estar em harmonia com o assunto e com o texto que ela prefacia. E daí, quer o próprio texto, quer a aplicação dele, que se segue, precisa responder à pergunta suscitada na introdução.
20 A introdução dum texto pode ser comparada ao toque duma corneta antes de uma proclamação. O arauto não se apresenta para tocar todo um concerto. Antes, os tons incitantes de sua corneta fazem com que todo o interesse e toda a atenção se concentrem na proclamação. Quando prefaciado deste modo, seu texto selecionado será ouvido com muito agrado e proveito.
21. Por que devemos focalizar a atenção sobre o motivo de usarmos um texto?
21 Focalizado o motivo de se usar o texto. Embora a introdução dum texto deixe a pergunta sem resposta, deve pelo menos fornecer algum motivo para mostrar por que o texto é apropriado e merece plena atenção. Por exemplo, numa palestra sobre a Terra como lar permanente do homem, talvez esteja preparado para usar Revelação 21:3, 4. Junto com seu argumento preliminar, poderia dizer: “Agora, neste próximo texto, Revelação 21:3, 4, veja onde estará a tenda de Deus quando não houver mais sofrimento nem morte.” Não só suscitaria expectativa por deixar que algo seja revelado pelo texto, mas traria também à atenção a parte significativa do seu texto, que poderá facilmente aplicar ao seu argumento, depois da leitura do texto. Por trazer assim à atenção o próprio conteúdo do texto, salientará a importância da Palavra de Deus.
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Leitura e aplicação de textosManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 25
Leitura e aplicação de textos
1-3. Ao proferirmos discursos, como devemos ler os textos?
1 Quando fala aos outros sobre os propósitos de Deus, quer em particular, quer da tribuna pública, sua palestra gira em torno dos textos que lê na Bíblia. Portanto, a própria leitura destes textos deve ser bem feita. Não deve ser feita de maneira banal. Antes, deve dar estímulo adicional à sua apresentação, se a leitura há de alcançar seu objetivo. Por este motivo, a folha de Conselho Sobre Discursos alista “Leitura enfática dos textos”, como merecendo consideração especial da parte de todos os que querem ser ministros capazes.
2 Os textos devem ser lidos com sentimento, mas não se deve exagerar isso. Quanta expressão se deve dar a um texto depende do próprio texto e da sua colocação no discurso. Deve dar um clímax ao argumento, mas não deve atrair a atenção à leitura.
3 Além disso, a leitura deve focalizar a atenção sobre a parte do texto que apóia o argumento. Deve rematar o argumento, para que a assistência fique convencida. De modo que a leitura de textos com a devida ênfase infunde confiança. Dá autoridade à leitura.
4, 5. O que se quer dizer com “acentuadas as palavras certas”? Ilustre.
4 Acentuadas as palavras certas. O motivo pelo qual se lê o texto deve governar o que se há de salientar nele. Se cada idéia expressa no texto for salientada de modo igual, então nada se destacará, e se perderá o ponto do argumento. Por isso, certifique-se de que as palavras que recebem a ênfase primária sejam as que contêm a idéia pela qual se usa o texto.
5 Por exemplo, se usar Ezequiel 18:4 para provar que o pecado não resulta em tormento eterno, mas em morte, deverá ler o texto do seguinte modo: “A alma que pecar — ela é que morrerá”, com ênfase especial na palavra grifada. Mas se o ponto que deseja salientar for o de que não apenas o corpo, mas realmente a alma é que morre, deverá mudar de ênfase, lendo: “A alma que pecar — ela é que morrerá.” A colocação da ênfase deve ser determinada pelo motivo por que se lê o texto.
6-12. De que modo podemos enfatizar as palavras que contêm o sentido num texto?
6 Usado método eficiente de ênfase. As palavras que contêm a idéia, e que deseja destacar, podem ser enfatizadas de diversos modos, e o método que usar deverá ser apropriado ao texto e ao teor do discurso.
7 Este aspecto da característica oratória de “Leitura enfática dos textos” não se intenciona a esgotar todos os meios possíveis de ênfase oral. Tratará destes pormenores mais plenamente quando estudar a ênfase segundo o sentido. Mas aqui se alistam alguns métodos para ajudá-lo a adquirir a habilidade de ler os textos bíblicos com eficácia.
8 Ênfase vocal. Esta envolve a mudança de voz, quer em diapasão, quer em ritmo ou força, para salientar do restante da sentença as palavras que contêm a idéia.
9 Pausas. Estas podem ser feitas quer antes, quer depois da parte principal do seu texto, ou ambas as coisas. Pausar logo antes de se ler a idéia principal cria expectativa; pausar depois aprofunda a impressão criada.
10 Repetição. Pode-se dar ênfase a determinado ponto por se parar e ler de novo a palavra ou frase. Este método deve ser usado com discrição.
11 Gestos. O movimento corporal, bem como as expressões faciais, podem amiúde ajudar para acentuar uma palavra ou frase.
12 Tom da voz. Ocasionalmente, o tom em que se lêem as palavras pode influir no seu significado e colocá-las à parte, mas, também nisso é preciso usar de discrição, especialmente no uso de sarcasmo.
13, 14. Quando o morador lê o texto, como podemos salientar seus pontos principais?
13 Textos lidos pelo morador. Quando o morador lê um texto, talvez enfatize as palavras erradas ou nenhuma delas. O que poderá fazer então? Em geral, em tal caso é melhor recorrer à aplicação do texto para enfatizar os pontos que deseja salientar. Depois de terminada a leitura, poderá trazer à atenção do morador estas palavras por repeti-las ou por fazer perguntas.
14 Há outra maneira de se tratar disso, mas esta exige cautela e tato. Poderá interromper a leitura no ponto respectivo, desculpando-se por fazer isso, e então trazer à atenção especial a palavra ou frase lida, que deseja enfatizar. Se isto puder ser feito sem embaraçar ou antagonizar o morador, então pode ser eficiente, mas deve ser feito raras vezes.
15-17. Por que é importante esclarecer a aplicação do texto?
15 A leitura dum texto, mesmo com ênfase, usualmente não basta para alcançar o objetivo. É verdade que o próprio texto serve ocasionalmente como aplicação da idéia que quer transmitir no seu argumento. Mas, na maior parte, é necessário trazer novamente à atenção as palavras que contêm a idéia, no texto, e depois mostrar como se aplicam ao argumento. É a isto que a folha de Conselho Sobre Discursos se refere sob “Esclarecida a aplicação dos textos”. Lembre-se de que a pessoa mediana não está familiarizada com a Bíblia e não pode compreender seu ponto apenas numa única leitura. Enfatizarem-se novamente as palavras principais e a sua aplicação permite que assimile as idéias.
16 Para ser possível que aplique um texto, ele precisa ser adequado para o seu argumento e em geral precisa ser devidamente prefaciado. Daí, pensando no ensino, desejará fazer a sua aplicação tão simples quanto possível.
17 Outrossim, precisa ter um entendimento claro do texto, e a aplicação que faz dele precisa ser exata. Considere os versículos em volta do texto, os princípios empregados ou as pessoas envolvidas, quando o uso do texto exigir isso. Nunca use um texto dum modo que esteja em desacordo com aquilo que o escritor queria dizer. Siga de perto as publicações da Sociedade na aplicação dele.
18. Como poderemos com eficiência salientar as palavras-chaves a serem aplicadas?
18 Salientadas as palavras a serem aplicadas. Antes ou durante a aplicação do texto, é usualmente preciso que se enfatizem de novo as palavras principais. Isto é para garantir que tudo no texto que não se relacionar com o seu argumento fique subordinado ou seja tornado secundário. As próprias palavras que aparecem no texto não precisam ser literalmente repetidas para se fazer isso, embora seja em geral o modo em que é feito. Mas em certos casos poderá de outro modo trazer bem à atenção da assistência os pensamentos separados que estão sendo considerados. Um modo de se fazer isto é por se usarem simplesmente sinônimos para refrasear a idéia. Outro modo é o de fazer perguntas. Se a sua apresentação envolveu o morador, poderá frasear as suas perguntas de modo a induzir o morador a expressar as idéias principais.
19-22. A que seqüência se refere “rematado o ponto salientado na introdução”?
19 Rematado o ponto salientado na introdução. Isto significa simplesmente certificar-se de que o objetivo de usar o texto seja claramente compreendido e reconhecido. Talvez não tenha achado necessário ou desejável, por algum motivo, fazer uma introdução formal do texto. Isto não significa que não tenha de rematar o ponto salientado pelo texto. Mas, por via de regra, fez pelo menos alguma preparação antecipada para seu argumento antes de ler o texto. Agora precisa cuidar de que haja um remate, para completar o uso do texto.
20 A extensão da aplicação que precisa ser feita será determinada pelo tipo de assistência e pela importância do ponto na apresentação geral da matéria. Em geral, não basta apenas considerar o texto. Precisa ligar os pensamentos salientados no texto com o seu argumento introdutório. Precisa esclarecer bem qual a ligação entre os dois.
21 Quanto mais simples for a aplicação e ainda alcançar o objetivo, tanto melhor. Ela deve estar livre de todos os pormenores não relacionados. Isto se consegue pela redução do argumento ao mínimo possível de fatos e depois acrescentar apenas o necessário para torná-los compreensíveis. Se a introdução deixou alguma coisa sem resposta, então a resposta precisa ser dada na aplicação.
22 Neste ponto do seu progresso no programa de instrução na oratória deve ter por objetivo a simplicidade e a concisão. Quando alcançar isso, sua leitura e aplicação dos textos refletirão a habilidade dum instrutor perito.
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Uso de repetição e gestosManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 26
Uso de repetição e gestos
1-3. Por que é a repetição essencial como técnica de ensino?
1 Seu objetivo em falar deve ser o de transmitir informação de que sua assistência se lembrará e que poderá usar. Se ela a esquecer, perdeu-se o proveito. Uma das principais maneiras pela qual a poderá ajudar a gravar na mente o que diz é repetir os pontos mais importantes. Diz-se apropriadamente que a repetição é a mãe da retenção. A repetição é uma das técnicas essenciais de ensino. Já aprendeu seu valor com relação ao uso de textos. Mas a “Repetição para ênfase” é alistada separadamente na sua folha de Conselho Sobre Discursos, porque se aplica também a outras partes de seu discurso.
2 Para ajudá-lo a se tornar proficiente no uso da repetição para ênfase, vamos considerar o assunto de dois ângulos diferentes. Cada um trata de um meio diferente de repetição; cada um visa um objetivo diferente. A repetição dos pontos principais serve de ajuda à memória. A repetição dos pontos não compreendidos ajuda à compreensão.
3 Não só a maneira de falar, mas também a preparação é vital na consideração desta característica oratória. Precisa decidir de antemão quais as idéias que exigem repetição e quando será melhor repeti-las.
4-6. Descreva como se podem usar o resumo “progressivo” e o resumo “concludente” para repetir os pontos principais.
4 Repetição dos pontos principais. Consegue-se freqüentemente a repetição dos pontos principais por algum tipo de resumo. Consideraremos dois tipos destacados, chamando-os de resumo “progressivo” e resumo “concludente”.
5 O resumo progressivo consiste em recapitular os essenciais de cada ponto principal, ao passo que estão sendo considerados, incluindo em cada resumo sucessivo os essenciais dos pontos principais precedentes. Assim se salienta cada vez mais o fio da meada do discurso.
6 No fim do discurso, um resumo concludente, quer em conjunto com os resumos progressivos, quer não, reúne tudo junto e o discurso inteiro pode ser recapitulado em algumas declarações breves. Ocasionalmente, será útil mencionar o número exato de pontos que são recapitulados. Esta é mais uma ajuda à memória.
7-10. Como se pode desenvolver de modo interessante a repetição dos pontos por meio dum resumo?
7 O resumo não precisa ser uma repetição ou recapitulação seca dos pontos ou das idéias. Pode ser conseguido de diversos modos: mediante ilustrações, mediante o uso dum texto, por se encarar o assunto de um ângulo diferente, mediante comparações ou contrastes, por se fazerem paralelos, pelo uso de sinônimos ou de perguntas. Para demonstrar isso, um resumo muito prático dum discurso público pode ser uma parte curta, de cinco minutos, usando os textos bíblicos básicos e os principais argumentos do discurso. Tem-se assim o discurso inteiro em forma condensada, algo de que quase todos se poderão lembrar e que poderão usar.
8 O tipo sumário de repetição é especialmente útil no caso dos discursos que envolvem o raciocínio e a lógica, e o tempo decorrido entre a consideração e a breve recapitulação ajuda a incutir as idéias mais a fundo na mente dos ouvintes. Todavia, nem sempre é preciso resumir um ponto. Amiúde pode ser simplesmente declarado outra vez, mais adiante, como base eficiente para mais um ponto a ser considerado.
9 Outro modo em que os pontos principais podem ser repetidos é enumerá-los na introdução do discurso, seguindo depois com uma consideração extensa destes pontos no corpo do discurso. Esta repetição grava os pensamentos ainda mais na mente.
10 Quando se conhecem bem estes modos diferentes de se repetirem os pontos principais, pode-se fazer muito para tornar o discurso interessante e agradável, bem como mais fácil de lembrar.
11-14. Que fatores principais estão envolvidos na repetição dos pontos não compreendidos?
11 Repetição dos pontos não compreendidos. Se deve ou não repetir algum ponto para melhor compreensão depende quase que inteiramente dos ouvintes. Se for um ponto essencial e ele não ficaria claro sem haver uma oportunidade de ouvi-lo expresso outra vez, terá de reconsiderá-lo de algum modo, senão chegará à conclusão de seu discurso sem que seus ouvintes o tenham acompanhado. Por outro lado, a repetição desnecessária, não a empregada para ênfase, tornará o discurso verboso e desinteressante.
12 Pense nos ouvintes quando prepara o discurso. Isto deve de algum modo habilitá-lo a prever os problemas específicos talvez encontrados pelos seus ouvintes. Prepare-se para repetir de algum modo tais idéias, para que possam ser vistas de ângulos diferentes.
13 Como poderá saber se não foi compreendido? Olhe para sua assistência. Observe as expressões faciais, ou, se falar apenas a uma ou duas pessoas, faça perguntas.
14 Mas observe bem o seguinte: A repetição das mesmas palavras nem sempre alcançará seu objetivo. Ensinar envolve mais do que isso. Se os ouvintes não compreenderam da primeira vez, a mera repetição das mesmas palavras mais uma vez não bastará para que entendam melhor. O que poderá fazer? Precisará tornar-se adaptável. Talvez exija acréscimos improvisados ao seu discurso. Aprender a lidar com as necessidades dos ouvintes determinará em grande parte sua eficiência como instrutor.
15-18. Como se pode aprender a usar gestos descritivos?
15 Também os gestos dão ênfase ao que se diz, e amiúde reforçam o significado da palavra falada. Assim suplementam e vitalizam as idéias. Quase ninguém fala sem uma ou outra forma de gestos. Portanto, se não fizer gestos na tribuna, sua assistência saberá que não está à vontade. Mas quando faz gestos de modo natural, a assistência não pensa na sua pessoa; pensa no que está dizendo. Os gestos lhe ajudam por animá-lo, estimulando seus sentimentos e assim dando vida à sua apresentação. Não devem ser tirados dum livro. Nunca estudou como sorrir, rir ou sentir-se indignado, de modo que tampouco é necessário copiar os gestos de outra pessoa, e quanto mais naturais e espontâneos forem, tanto melhor. As expressões faciais andam de mãos dadas com os gestos em suprir sentimento à palavra falada.
16 Os gestos caem em duas categorias gerais quanto à sua natureza: descritivos e enfáticos.
17 Gestos descritivos. Os gestos descritivos expressam ação ou mostram dimensão e situação. São os mais fáceis de aprender. Portanto, se tiver problemas para fazer gestos na tribuna, experimente primeiro gestos simples e descritivos.
18 Quando se empenha em desenvolver esta característica oratória na escola, não se contente apenas com um ou dois gestos. Procure fazer gestos muitas vezes durante o discurso. Para fazer isto, esteja atento às palavras que mostram direção, distância, tamanho, área, velocidade, situação, contraste, posições relativas ou comparações. Se for necessário, marque estas palavras de algum modo nas suas anotações, para que se lembre de fazer gestos neste ponto. Continue com esta prática, mesmo que receba um “B” logo da primeira vez. Depois de alguns discursos, verificará que não precisa mais marcar seus gestos nem pensar neles de antemão, e fará gestos de modo natural.
19, 20. Para que fim servem os gestos enfáticos?
19 Gestos enfáticos. Os gestos enfáticos expressam sentimentos e convicções. Acentuam, vitalizam e reforçam as idéias. Por isso, os gestos enfáticos são essenciais. Mas, acautele-se! Os gestos enfáticos costumam ser da espécie que se torna maneirismo. Para impedir isso, evite gestos repetitórios.
20 Se o seu problema for os maneirismos nos gestos, limite-se exclusivamente a gestos descritivos, por algum tempo. Uma vez que se tenha tornado hábil nos gestos deste tipo, então os gestos enfáticos virão naturalmente. Ao ganhar experiência e se sentir mais à vontade na tribuna, seus gestos enfáticos expressarão de modo mais natural os seus sentimentos íntimos, demonstrando a sua convicção e sinceridade. Aumentarão o significado de seu discurso.
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Acentuação do tema e dos pontos principaisManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 27
Acentuação do tema e dos pontos principais
1-4. Explique o que se quer dizer com tema do discurso.
1 Todo discurso precisa de um tema para dar-lhe sentido e para interligar todas as suas partes de modo agradável. Qualquer que seja seu tema, precisa permear todo o discurso. É o teor de seu discurso; talvez poderia ser expresso numa única sentença, contudo, incluiria cada aspecto da matéria apresentada. O tema deve ser evidente a todos na assistência, e o será se for devidamente salientado.
2 O tema dum discurso não é meramente algum assunto amplo, tal como “fé”; é o aspecto específico sob o qual se considera o assunto. Por exemplo, o tema talvez seja, “Sua Fé — Até Onde Vai?”. Ou poderia ser “Fé Necessária Para Se Agradar a Deus”, ou “O Alicerce de Sua Fé”, ou “Continue a Aumentar em Fé”. Embora todas estes temas revolvam em torno da fé, cada um deles considera o assunto de modo diferente e exige ser elaborado em moldes inteiramente diferentes.
3 Em alguns casos, talvez tenha de reunir a matéria antes de selecionar o tema. Mas o tema precisa ser claramente estabelecido antes de começar a preparação do esboço do discurso ou antes de selecionar os pontos principais. Por exemplo, depois de cada estudo bíblico domiciliar talvez queira considerar a organização das Testemunhas de Jeová. Este é um assunto amplo. Para decidir o que vai dizer sobre este assunto, terá de tomar em consideração seus ouvintes e o objetivo de sua palestra. É à base disso que selecionará um tema. Se tentar iniciar uma pessoa nova no serviço, poderá querer mostrar que as Testemunhas de Jeová imitam a Jesus Cristo na pregação de casa em casa. Este seria seu tema. Tudo o mais que disser elaboraria este ângulo do assunto amplo, as Testemunhas de Jeová.
4 Como pode salientar o tema no seu discurso? Primeiro, precisa selecionar um tema apropriado, adequado para seu objetivo. Isto exige preparação antecipada. Uma vez que selecionou o tema e preparou o discurso em torno dele, será quase automaticamente salientado se falar baseado no esboço que preparou. No entanto, no próprio discurso, a repetição ocasional das palavras-chaves ou da idéia central do tema garantirá mais prontamente que o tema seja incutido.
5, 6. Como se pode saber se o tema é apropriado ou não?
5 Tema apropriado. Na Escola do Ministério Teocrático muitas vezes não constitui problema ter um tema apropriado, porque em muitos casos este já é provido. Mas o mesmo não se dá com cada discurso que deve proferir. Por isso é sábio dar muita atenção ao tema.
6 O que determina se o tema é apropriado ou não? Diversas coisas. Deve tomar em consideração sua assistência, seu objetivo e a matéria que lhe foi designada, se este for o caso. Se verificar que profere discursos nos quais não se salienta nenhum tema, talvez seja que realmente não tenha preparado seu discurso em torno de uma idéia central. Talvez inclua no discurso pontos demais, que realmente não contribuem para o tema.
7, 8. Mostre de que modo se pode acentuar o tema.
7 Repetição das palavras ou da idéia do tema. Um modo em que se pode fazer que todas as partes do discurso acentuem o tema é repetir as palavras-chaves declaradas no tema ou repetir a idéia central do tema. Na música, o tema é a melodia repetida bastante vezes para caracterizar toda a composição. De fato, em geral bastam apenas alguns compassos para garantir que a música seja reconhecida. A melodia nem sempre reaparece na mesma forma. Às vezes aparecem apenas uma ou duas frases da melodia, ocasionalmente se usa uma variação do tema, mas de um modo ou outro, o compositor entretece a melodia com perícia na composição até que permeie toda ela e a caracterize.
8 Assim deve ser com o tema do discurso. A repetição das palavras-chaves ou da idéia temática é como a melodia repetida numa composição. Os sinônimos destas palavras ou o refraseado da idéia temática central servem como variação do tema. Tais métodos, empregados com suficiente discrição para não se tornarem monótonos, farão que o tema do assunto se torne a expressão característica de todo o discurso e seja a idéia principal lembrada pela sua assistência.
9-13. Explique quais são os pontos principais dum discurso. Ilustre.
9 Depois de determinar o tema do seu discurso, o próximo passo na preparação é selecionar os pontos principais que planeja usar na elaboração dele. Na sua folha de Conselho Sobre Discursos isto é alistado sob “Destaque dos pontos principais”.
10 Quais são os pontos principais dum discurso? Não são simplesmente idéias ou pontos interessantes que se mencionem brevemente de passagem. São as partes principais do discurso, as idéias elaboradas com certa extensão. São como etiquetas ou letreiros nas prateleiras duma mercearia, que ajudam a identificar o que há naquela parte das prateleiras, e eles governam o que pode ser colocado naquela parte e o que não deve estar ali. Sob o letreiro CEREAIS, as geléias estariam fora de lugar e só confundiriam as pessoas. Debaixo do letreiro CAFÉ E CHÁ, não há lugar para o arroz. Se os letreiros nas prateleiras ficarem ocultos devido ao excesso de mercadoria, então é difícil achar alguma coisa. Mas quando os letreiros ficam bem visíveis, pode-se prontamente reconhecer o que há ali. O mesmo se dá com os pontos principais de seu discurso. Enquanto puderem ser percebidos e lembrados, sua assistência precisará de muito poucos pontos para acompanhá-lo até à sua conclusão.
11 Outro fator. A seleção e o uso dos pontos principais variará segundo os ouvintes e o objetivo do discurso. Por este motivo, o superintendente da escola deve avaliar a escolha que o estudante fez dos pontos principais à base do uso que ele faz deles, não à base de alguma seleção arbitrária de pontos que o conselheiro talvez tenha feito de antemão.
12 Ao fazer a sua seleção, escolha apenas os essenciais. Portanto, pergunte-se: O que torna um ponto essencial? Ele é essencial quando não puder alcançar o objetivo de seu discurso sem ele. Por exemplo, ao falar sobre o resgate a alguém que não conhece a doutrina, é vital mostrar que Jesus era humano na Terra, senão seria impossível demonstrar a qualidade correspondente de seu sacrifício. Portanto, você consideraria ser este um dos pontos principais da palestra. Mas se já tiver provado a esta pessoa que a Trindade é um conceito errado, então a sua palestra sobre a posição ocupada por Jesus como homem talvez seja apenas secundária, porque já foi aceita. E por causa disso seria comparativamente simples mostrar o valor correspondente do resgate de Jesus. Neste caso, a consideração de que Jesus era humano não seria essencial.
13 Portanto, pergunte-se: O que é que já sabem meus ouvintes? O que preciso mostrar para alcançar meu objetivo? Se souber a resposta à primeira pergunta, poderá responder à segunda por reunir sua matéria, deixando temporariamente de lado todos os assuntos já conhecidos e classificando todos os pontos remanescentes no número menor possível de grupos. Estes grupos tornam-se seus letreiros identificadores quanto a que tipo de alimento espiritual está apresentando aos ouvintes. Estes letreiros ou pontos principais nunca devem ficar ocultos ou encobertos. São os seus pontos principais, que precisam destacar-se.
14-17. Apresente motivos por que não se deve ter demais pontos principais.
14 Não ter pontos principais em demasia. Em qualquer assunto, há apenas alguns pontos essenciais. Na maioria dos casos, podem ser contados nos dedos de uma só mão. Isto é assim não importa qual o tempo que tenha para apresentá-los. Não caia na armadilha comum de tentar destacar pontos demais. Quando a mercearia fica grande demais e há categorias demais de mercadorias, é preciso perguntar onde estão as coisas. Sua assistência pode razoavelmente compreender apenas certo número de idéias diferentes numa só sessão. E quanto mais comprido o seu discurso, tanto mais simples precisa ser, e tanto mais fortes e mais nítidos devem ser seus pontos principais. Por isso não tente fazer que seus ouvintes se lembrem de coisas demais. Selecione os pontos que acha absolutamente necessários para serem lembrados e daí gaste todo seu tempo em falar sobre eles.
15 O que determina se há pontos demais ou não? Explicado de modo simples, quando alguma idéia puder ser deixada fora e o objetivo do discurso ainda puder ser alcançado, então este ponto não é um ponto principal. Para dar forma ao discurso, talvez decida incluir o ponto como conectivo ou como lembrete, mas ele não se deve destacar assim como os imprescindíveis.
16 Outra coisa é que precisa ter tempo suficiente para elaborar cada ponto com bom êxito e de modo conclusivo. Quando se precisa dizer muito em pouco tempo, reduza ao mínimo os assuntos que os ouvintes já conhecem. Elimine tudo, exceto os fatores não conhecidos, e torne estes tão claros, que será difícil que os ouvintes os esqueçam.
17 Por último, seu discurso precisa dar a impressão de simplicidade. Isto nem sempre depende da quantidade de matéria apresentada. Pode ser apenas o modo em que agrupa seus pontos. Por exemplo, se entrasse numa loja em que tudo estivesse empilhado no centro dela, ela pareceria abarrotada e muito confusa. Teria dificuldades em encontrar alguma coisa. Mas quando tudo é arrumado em ordem e todos os objetos relacionados são agrupados juntos e identificados por um letreiro, o efeito é bem agradável e é possível achar facilmente qualquer objeto. Torne seu discurso simples por agrupar os pensamentos debaixo de apenas algumas idéias principais.
18. Como devem ser explanados os pontos principais?
18 Idéias principais explanadas separadamente. Cada pensamento principal precisa ser independente. Cada um precisa ser explanado separadamente. Isto não impede um breve esboço ou resumo dos pontos principais na introdução ou na conclusão do seu discurso. Mas, no corpo do discurso, deverá falar apenas sobre uma idéia principal por vez, permitindo apenas as sobreposições ou os retrocessos que talvez sejam necessários para manter a ligação ou a ênfase. Aprender a fazer um esboço tópico ajudará muito a determinar se os pontos principais são explanados separadamente.
19-21. Como devem ser empregados os pontos secundários?
19 Pontos secundários salientam idéias principais. Pontos de prova, textos ou outra matéria apresentada devem salientar a idéia principal e devem ampliá-la.
20 Na preparação, analise todos os pontos secundários e retenha apenas os que contribuem diretamente para aquele ponto principal, quer para esclarecê-lo, quer para provar ou ampliar o ponto. Deve-se eliminar tudo o que for descabido. Apenas confundiria a questão.
21 Qualquer ponto relacionado com a idéia principal deve ser ligado diretamente com aquela idéia por meio daquilo que se diz. Não deixe para os ouvintes fazerem a aplicação dela. Torne a relação clara. Explique qual é a relação. O que não se explicar, em geral não será entendido. Pode-se conseguir isso pela repetição das palavras-chaves que expressam a idéia principal ou pela repetição ocasional da idéia do ponto principal. Quando dominar a arte de fazer que todos os seus pontos secundários salientem os pontos principais do discurso e interligar cada ponto principal com o tema, seus discursos serão de uma simplicidade agradável, que tornará fácil proferi-los e difícil de esquecê-los.
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Contato com os ouvintes e o uso de notasManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 28
Contato com os ouvintes e o uso de notas
1. Explique a importância do contato com os ouvintes e o papel desempenhado nisso pelo uso de notas.
1 Manter bom contato com os ouvintes é de grande ajuda no ensino. Granjeia o respeito deles e o habilita a ensinar com maior eficiência. Seu contato com eles deve mantê-lo em ligação tão íntima, que como orador sente logo cada reação deles. O uso que fizer de notas desempenhará um papel importante em se saber se mantém tal contato com os ouvintes ou não. Anotações extensas podem ser um impedimento; mas o uso perito de notas não perturba, mesmo quando as circunstâncias exigem que sejam um pouco mais extensas do que de costume. Isto se dá porque o orador perito não perde seu contato com a assistência quer por olhar para as notas, quer por olhar no momento errado. Isto recebe muita atenção na sua folha de Conselho Sobre Discursos, e está alistado como “Contato com os ouvintes, uso de notas”.
2-5. Como se estabelece eficiente contato visual com os ouvintes?
2 Contato visual com os ouvintes. Contato visual significa olhar para os ouvintes. Não significa apenas olhar para a assistência em geral, mas significa olhar para as pessoas na assistência. Significa ver as expressões nos seus rostos e reagir concordemente.
3 Olhar para os ouvintes não significa apenas um movimento rítmico de um lado para outro, para não se excluir a ninguém. Olhe para alguém na assistência e diga uma ou duas sentenças àquela pessoa. Depois olhe para outra pessoa e diga mais algumas sentenças àquela pessoa. Não olhe demais para alguém, ao ponto de embaraçá-lo, e não se concentre apenas em algumas pessoas em toda a assistência. Prossiga assim olhando para diversos na assistência, mas, ao falar a uma pessoa, fale realmente a ela e observe a reação dela, antes de passar para outra pessoa. Suas notas devem ser colocadas na tribuna de orador, ou na sua mão ou Bíblia, de modo que possa olhar para elas depressa, com um só olhar. Se for preciso mover a cabeça inteira para ver as suas notas, o contato com os ouvintes sofrerá.
4 Seu conselheiro não só observará quantas vezes usa suas notas, mas também quando olha para elas. Se olhar para suas notas enquanto está chegando a um clímax, não observará a reação dos ouvintes. Se consultar constantemente as suas anotações, também perderá o contato. Em geral, isto indica um hábito nervoso ou então preparação insuficiente para proferir o discurso.
5 Há ocasiões em que oradores experientes precisam fazer todo um discurso baseados num manuscrito, e, naturalmente, isto limita de certo modo seu contato visual com os ouvintes. Mas, se conhecerem bem a matéria, em resultado de boa preparação, poderão de vez em quando olhar para os ouvintes sem se perderem, e isto serve de estímulo para a leitura expressiva de sua parte.
6-9. Saliente outros meios de se manter contato com os ouvintes e indique as armadilhas contra as quais é preciso prevenir-se.
6 Contato com os ouvintes pelo tratamento direto. Este é tão essencial como o contato visual. Envolve as palavras que usa ao se dirigir aos ouvintes.
7 Quando fala a uma pessoa só em particular, dirige-se a ela com o tratamento direto, ou então fala de “nós” e “nosso”. Sempre que for apropriado, poderá usar o tratamento direto ao falar a uma assistência maior. Procure considerar seu discurso como se fosse uma palestra com apenas uma ou duas pessoas por vez. Observe-as de perto para que possa responder-lhes como se realmente estivessem falando. Isto tornará seu modo de falar mais pessoal.
8 No entanto, precisa tomar cuidado. Evite o perigo de se tornar familiar demais com os ouvintes. Não se precisa tornar mais íntimo com eles do que faria numa palestra cordial com uma ou duas pessoas, numa porta, no ministério de campo, mas pode e deve falar com o mesmo tratamento direto.
9 Outro perigo. Precisa ser criterioso no seu uso de pronomes pessoais e não colocar os ouvintes numa situação embaraçosa. Por exemplo, num discurso sobre a delinqüência, não usaria uma forma de tratamento para com os ouvintes que daria a impressão de que eles são os delinqüentes. Ou quando numa reunião de serviço falar sobre as poucas horas que se gastam no campo, poderá incluir a si mesmo no discurso, usando o pronome “nós”, em vez de falar só dos ouvintes. A cortesia e a consideração devem facilmente vencer qualquer perigo desta natureza.
10, 11. O que deve incentivar-nos a aprender a usar um esboço?
10 Uso de esboço. Poucos oradores principiantes começam a falar usando um esboço. Eles costumam em vez disso escrever o discurso inteiro e depois lê-lo, ou então proferi-lo de memória. Seu conselheiro, no início, não fará caso disso, mas quando chegar ao ponto de “Uso de esboço” na sua folha de Conselho Sobre Discursos, ele vai animá-lo a falar só com notas. Quando dominar isso, verificará que deu um grande passo para frente, como orador público.
11 Crianças e adultos que nem mesmo sabem ler proferem discursos, usando gravuras para sugerir idéias. Poderá também preparar seu discurso com um esboço simples, assim como se esboçam as apresentações de textos no Ministério do Reino. Costuma falar regularmente sem manuscrito no ministério de campo. Poderá fazer isso com a mesma facilidade na escola; é só querer.
12, 13. Ofereça sugestões sobre como se prepara um esboço.
12 Visto que o empenho que faz com respeito a esta característica oratória se destina a ajudá-lo a se libertar dum manuscrito, tanto na preparação como no falar, não decore seu discurso. Isto anularia o objetivo deste Estudo.
13 Se usar textos, poderá fazer-se as seguintes perguntas: Como? Quem? Quando? Onde? e assim por diante. Daí, conforme estas perguntas se ajustarem à sua matéria, use-as como parte das suas anotações. Ao proferir o discurso, simplesmente leia um texto, faça estas perguntas a si mesmo ou ao morador, conforme apropriado, e daí responda a elas. O caso pode ser tão simples assim.
14, 15. Que fatores não nos devem desanimar?
14 Os principiantes costumam preocupar-se com esquecer-se de alguma coisa. Todavia, se tiver elaborado seu discurso em forma lógica, ninguém vai sentir falta duma idéia, caso a tiver despercebido. Abranger matéria não é de qualquer modo o objetivo principal neste estágio de seu progresso. É mais importante que agora aprenda a falar baseado num esboço.
15 É possível que ao proferir este discurso se sinta como que tendo perdido muitas das características oratórias já aprendidas. Não se alarme. Elas retornarão, e verificará que se tornou mais proficiente nelas, uma vez que aprender a falar sem manuscrito.
16, 17. O que devemos lembrar, ao fazermos anotações?
16 Apenas uma observação a respeito das notas usadas para discursos na escola do ministério. Devem ser usadas apenas para fazer lembrar idéias, não para recitá-las. As notas devem ser breves. Devem também ser esmeradas, ordeiras e legíveis. Se a sua cena for uma revisita, suas notas não devem atrair a atenção, e por isso talvez sejam colocadas dentro de sua Bíblia. Se for um discurso da tribuna e se souber que vai usar a tribuna, então as notas não devem constituir problema. Mas, se não tiver certeza disso, prepare-se de acordo.
17 Outra ajuda é escrever o tema no alto de suas notas. Também os pontos principais se devem destacar bem ao olhar. Procure escrevê-los em letras maiúsculas ou sublinhá-los.
18, 19. Como podemos praticar o uso dum esboço?
18 Quando usar apenas poucas notas para proferir seu discurso, não quer dizer que pode reduzir a preparação. Primeiro prepare o discurso em pormenores, fazendo um esboço tão completo como quiser. Depois prepare um segundo esboço, muito mais abreviado. Este é o esboço que usará para proferir o discurso.
19 Coloque então ambos os esboços diante de si e olhe apenas para o esboço abreviado, falando o máximo que souber sobre o primeiro ponto principal. Daí olhe para o esboço mais pormenorizado e veja o que deixou fora. Passe para o segundo ponto principal no seu esboço abreviado e faça o mesmo. Com o tempo, o esboço menor se lhe tornará tão familiar, que poderá lembrar de tudo o que há no esboço mais detalhado, apenas por olhar para as suas breves anotações. Com a prática e a experiência, começará a reconhecer a vantagem de falar extemporaneamente e usará o manuscrito apenas quando absolutamente necessário. Sentir-se-á mais à vontade ao falar e sua assistência escutará com mais respeito.
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Modo fluente e conversante, com pronúncia corretaManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 29
Modo fluente e conversante, com pronúncia correta
1-4. Mencione as causas e os sintomas da falta de fluência.
1 Quando se apresenta perante uma assistência para proferir um discurso, verifica muitas vezes que lhe faltam as palavras adequadas? Ou quando lê em voz alta, tropeça em certas expressões? Neste caso, tem um problema com a fluência. Pessoa fluente é aquela que está preparada no uso de palavras. Não significa que seja uma pessoa “loquaz”, ou alguém que irrefletida e insinceramente usa palavras com facilidade. Trata-se de falar de modo suave e agradável, com expressão fácil ou livre. A fluência é alistada na folha de Conselho Sobre Discursos para receber atenção especial.
2 No falar, a causa mais comum da falta de fluência é não se pensar de modo claro e haver falta de preparação da matéria. Ela pode também resultar de um vocabulário pobre ou má escolha de palavras. Na leitura, a falta de fluência se deve usualmente à falta de prática da leitura em voz alta, embora também nisso a falta de conhecimento de palavras cause vacilações ou hesitações. No ministério de campo, a falta de fluência pode ser causada por uma combinação destes fatores, conjugados com a timidez ou a incerteza. Ali o problema é especialmente sério, porque em alguns casos os seus ouvintes literalmente o abandonarão. No Salão do Reino, sua assistência não o abandonará literalmente, mas a mente vagueará e se perderá muito do que diz. Trata-se, pois, dum assunto sério; a fluência certamente é uma característica oratória a ser adquirida.
3 Muitos oradores têm o maneirismo desconcertante de inserir expressões tais como “não é?”, “eh” ou outras similares. Se não se aperceber da freqüência com que acrescenta tais expressões ao seu modo de falar, talvez possa fazer uma sessão de ensaio em que alguém o escute e repita estas expressões cada vez que as use. Ficará surpreso.
4 Outras pessoas sempre retrocedem no falar, quer dizer, começam uma sentença, depois se interrompem e começam outra vez. Se tiver este mau hábito, procure vencê-lo na sua conversação diária. Faça um esforço consciente de primeiro pensar e fixar a idéia bem na mente. Depois diga um pensamento inteiro sem parar ou sem mudar de idéia no meio da sentença.
5-10. Que sugestões se oferecem para se melhorar a fluência do orador?
5 Outra coisa. Estamos acostumados a usar palavras ao nos expressarmos. Portanto, as palavras devem ser naturais para nós, se soubermos exatamente o que queremos dizer. Não precisa pensar antecipadamente em palavras. De fato, para obter prática, é melhor que apenas se certifique de que tenha a idéia bem em mente, só pensando nas palavras quando falar. Se fizer isso, e se mantiver sua mente fixa nas idéias, em vez de nas palavras que fala, as palavras devem surgir automaticamente, e suas idéias serão expressas assim como realmente pensa. Mas assim que começar a pensar mais em palavras do que em idéias, seu discurso se tornará vacilante.
6 Se o seu problema na questão da fluência for a escolha de palavras, então um estudo regular para aumentar o vocabulário é o indicado. Tome nota especial de palavras que não conhece na Sentinela e em outras publicações da Sociedade, e acrescente algumas delas ao seu vocabulário diário.
7 Visto que a falta de fluência na leitura se deve em geral ao desconhecimento de palavras, fará bem em praticar a leitura em voz alta, de modo regular e sistemático, se este for o seu problema.
8 Um modo de se fazer isso é selecionar um ou dois parágrafos da matéria, lendo e relendo-os silenciosamente, com cuidado, até que conheça bem o pensamento inteiro desta parte. Distinga grupos de idéias, marque-os, se necessário. Depois comece a praticar a ler essa parte em voz alta. Ao praticar, leia a parte repetidas vezes, até que possa ler grupos inteiros de idéias sem hesitação ou vacilação.
9 Palavras desconhecidas ou difíceis devem ser pronunciadas vez após vez, até que possa proferi-las facilmente. Depois de conseguir proferir a palavra sozinha, leia toda a sentença que contém esta palavra, até que possa pronunciá-la na sentença tão livremente como faz com as palavras mais conhecidas.
10 Pratique também regularmente a leitura à primeira vista. Por exemplo, leia sempre em voz alta o texto diário e os comentários da primeira vez que os vê. Acostume-se a deixar que seu olho veja as palavras em grupos, expressando idéias completas, em vez de ver apenas uma palavra por vez. Se praticar isso, poderá dominar esta característica vital da oratória, para falar e ler com eficiência.
11-15. De que modo depende o modo conversante de falar das expressões usadas?
11 Outra característica desejável da oratória mencionada na folha de conselho é o “Modo conversante de falar”. É algo que tem na vida diária, mas o possui quando profere um discurso? De algum modo acontece que os que conversam com facilidade mesmo num grupo maior amiúde se tornam muito formais e um pouco declamatórios, quando se pede que se preparem para “dar um discurso”. No entanto, o modo mais eficiente de se falar em público é o estilo conversante.
12 Uso de expressões conversantes. Grande parte da eficácia de se falar de modo conversante depende das expressões que se usam. Na preparação dum discurso extemporâneo, em geral não é bom repetir expressões exatamente assim como aparecem impressas. O estilo escrito é diferente da palavra falada. Portanto, amolde estas idéias segundo a sua própria expressão individual. Evite o uso de estruturas complicadas de sentenças.
13 Seu discurso na tribuna deve refletir a sua maneira diária de falar. Não deve tentar “assumir ares de superioridade”. Entretanto, seu discurso preparado será naturalmente melhor do que o modo de falar cotidiano, visto que suas idéias são elaboradas com mais cuidado antecipado e se apresentarão com maior fluência. Por conseguinte, as próprias expressões deviam ser melhor fraseadas.
14 Isto salienta a importância de se praticar diariamente. Ao falar, seja natural. Evite a gíria. Evite a constante repetição das mesmas expressões e frases para transmitir cada pensamento diferente que talvez tenha. Aprenda a falar com significado. Esmere a sua conversação diária, e assim, quando estiver na tribuna, as palavras afluirão com maior facilidade e poderá falar dum modo conversante variado, fácil e aceitável por parte de qualquer assistência.
15 Isto se dá especialmente no ministério de campo. E nos seus discursos de estudante, se estiver falando a um morador, procure falar como se estivesse no serviço de campo, usando expressões que usaria ali de modo natural e fácil. Isto resultará num discurso informal e realístico, e o que é mais importante, o treinará para apresentações mais eficientes no ministério de campo.
16-19. Indique de que modo o proferimento pode afetar o modo conversante de falar.
16 Estilo conversante de proferimento. O modo conversante não depende só das expressões usadas. Sua maneira ou seu estilo de proferimento também são importantes. Isto envolve o tom da voz, a inflexão da voz e a naturalidade das expressões. Deve ser tão espontâneo como na conversa diária, embora em volume aumentado para a assistência.
17 Falar de modo conversante é o oposto de retórica. Faltam-lhe todos os elementos declamatórios e está livre de toda a afetação.
18 Um modo de os oradores principiantes amiúde perderem esta maneira conversante é o de prepararem de modo cabal demais a fraseologia da matéria. Ao se preparar para falar, não pense que deve repassar o discurso palavra por palavra até que quase o conheça de cor, a fim de estar adequadamente preparado. No discurso extemporâneo, a preparação para falar se concentra numa recapitulação cuidadosa das idéias a serem expressas. Estas devem ser recapituladas como pensamentos ou idéias até que uma siga facilmente a outra na sua lembrança. Se tiverem sido elaboradas em ordem lógica e bem planejadas, isto não deve ser difícil, e ao proferir o discurso, as idéias virão espontânea e facilmente. Sendo assim, se forem expressas com o desejo de se comunicar, o modo conversante fará parte da maneira de falar.
19 A maneira de se assegurar disto é esforçar-se a falar a pessoas diferentes na assistência. Fale diretamente a uma por vez. Pense naquela pessoa como se tivesse feito uma pergunta, e daí responda a ela. Imagine-se numa palestra particular com aquela pessoa, ao elaborar aquele pensamento específico. Daí passe para outra pessoa na assistência e repita o mesmo processo.
20-23. Como se pode fazer que a leitura tenha um tom conversante?
20 Manter o estilo conversante de falar durante a leitura é uma das características mais difíceis da oratória a ser dominada, mas é uma das mais vitais. A maior parte de nossa leitura pública, naturalmente, é feita na Bíblia, na leitura de textos relacionados com um discurso extemporâneo. A própria Bíblia deve ser lida com sentimento e com viva percepção do sentido. Deve dar-se-lhe vida. Por outro lado, os verdadeiros ministros de Deus nunca falarão com a inflexão tonal santimoniosa dos clérigos religiosos. Os servos de Jeová lerão a Palavra dele com ênfase natural e com realismo despretensioso merecidos pela linguagem viva deste Livro.
21 Praticamente o mesmo se dá na leitura de A Sentinela ou dos parágrafos num estudo de livro. Nesses casos, novamente, as expressões e a estrutura da sentença não foram preparadas de modo conversante, por isso a sua leitura não pode sempre ser em tom conversante. Mas, se compreender o sentido do que lê e ler de modo tão natural e significativo como puder, amiúde poderá fazê-lo soar como se fosse discurso extemporâneo, embora talvez um pouco mais formal do que faria em geral. Por isso, deve tomar por hábito anotar sinais que o possam ajudar, se puder preparar-se com antecedência, e fazer o máximo para apresentar a matéria num estilo realístico e natural.
22 Ao ler ou falar de modo conversante, a sinceridade e a naturalidade são pontos básicos. Deixe seu coração transbordar e fale cordialmente aos seus ouvintes.
23 A boa fala não pode ser aplicada de repente, só para ocasiões especiais, assim como tampouco se pode fazer com as boas maneiras. Mas, se empregar boa fala todos os dias, ela se revelará na tribuna, do mesmo modo como as suas boas maneiras aplicadas em casa sempre se revelarão quando estiver em público.
24, 25. Por que é indesejável a má pronúncia?
24 Pronúncia. A pronúncia correta também é importante, e ela é alistada separadamente na folha de Conselho Sobre Discursos. Embora nem todos os cristãos tenham tido muita instrução secular, do mesmo modo como se viu que Pedro e João eram homens indoutos e comuns, ainda assim é importante evitar desviar a atenção de nossa apresentação da mensagem por causa de péssima pronúncia. Isto é algo que pode ser prontamente corrigido, se lhe dermos a devida atenção.
25 Quando alguém tem má pronúncia, é possível que até mesmo transmita idéias errôneas à sua assistência, o que seria decididamente indesejável. Quando ouve alguém pronunciar mal uma palavra no seu discurso, o efeito geral é que ela se apresenta na sua mente como um sinal vermelho de parada. Pode até mesmo deixar de acompanhar o argumento dele e começar a pensar na palavra pronunciada errada. Isto pode induzi-lo a desviar a atenção do que se diz para o modo em que é dito.
26, 27. Que problemas se mencionam em relação com a pronúncia?
26 Pode-se dizer que há três tipos gerais de problemas relacionados com a pronúncia. Um é a pronúncia decididamente errada, quando se acentua a palavra de modo errôneo ou as letras recebem o tom errado. A maioria das línguas modernas tem regras gerais de acentuação oral, mas mesmo em português pode haver problemas na hora de falar. Depois há também a pronúncia correta, mas exagerada, extremamente precisa, dando a impressão de afetação ou mesmo de esnobismo, e isto não é desejável. O terceiro problema é a pronúncia relaxada, caracterizada pela constante pronúncia indistinta das palavras, emendando-as ou engolindo sílabas, e outras práticas similares. Isto deve ser evitado.
27 Na linguagem diária costumamos empregar palavras com que estamos bem familiarizados; por isso, a pronúncia não constitui grande problema neste respeito. O maior problema surge na leitura. Mas as Testemunhas de Jeová fazem muita leitura em público, bem como em particular. Lemos a Bíblia para as pessoas, quando vamos de casa em casa. Às vezes se pede que leiamos os parágrafos no estudo da Sentinela, num estudo bíblico domiciliar ou num estudo de livro de congregação. É importante que a leitura seja exata e que a pronúncia seja correta. Do contrário, dá-se a impressão de que não sabemos de que estamos falando. Tira também a atenção da mensagem.
28-34. Como se pode melhorar a pronúncia?
28 Não se deve exagerar o conselho sobre a pronúncia errada. Se houver dúvida sobre uma ou duas palavras, talvez baste o conselho em particular. Mas, mesmo que apenas poucas palavras sejam mal pronunciadas no decorrer do discurso, e estas forem palavras que usamos regularmente no nosso ministério ou na nossa conversa diária, seria útil para o estudante se o superintendente da escola as trouxesse à sua atenção, para que possa aprender a pronunciá-las corretamente.
29 Por outro lado, se o estudante, na leitura da Bíblia, por acaso pronunciar mal um ou dois nomes hebraicos, então não se consideraria isso como fraqueza destacada. No entanto, se pronunciar mal muitos nomes, isto daria evidência da falta de preparação, e se deve dar conselho. O estudante deve ser ajudado a aprender como pode saber a pronúncia certa e depois deve praticá-la.
30 O mesmo se dá com a pronúncia exagerada. Se ela realmente desviar a atenção do discurso, por ser um hábito constante, deve-se ajudar o estudante. Deve também ser observado que a maioria das pessoas, quando falam depressa, estão inclinadas a emendar algumas palavras. Não é preciso dar conselho sobre isso, mas se for um hábito regular, se o estudante constantemente emendar as palavras e se tornar difícil compreender o que ele diz, ou se desviar a atenção da mensagem, então seria aconselhável dar-lhe alguma ajuda na articulação.
31 Naturalmente, seu conselheiro lembrar-se-á de que a pronúncia aceitável pode variar de um lugar para outro. Até mesmo os dicionários alistam muitas vezes mais de uma pronúncia aceitável. Por isso ele precisa ter cuidado ao dar conselho sobre a pronúncia. Não tratará disso segundo a sua preferência pessoal.
32 Se tiver um problema com a pronúncia, não achará difícil corrigi-la, se estiver decidido a isso. Até mesmo os oradores experientes, quando recebem uma designação de leitura, apanham o dicionário e verificam as palavras que não conhecem muito bem. Eles não se arriscam com elas. Por isso, use o dicionário.
33 Outra maneira de se melhorar a pronúncia é ler para outra pessoa, alguém que pronuncia bem as palavras, e pedir que ela o interrompa e corrija cada vez que faz um erro.
34 Um terceiro método é escutar cuidadosamente os bons oradores. Pense enquanto escuta; observe as palavras que eles pronunciam diferente do seu próprio modo de falar. Anote-as; verifique-as num dicionário e pratique-as. Em pouco tempo terá a pronúncia correta. O modo fluente e conversante de falar, junto com a pronúncia correta, realçarão muito seu modo de falar.
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Elaboração coerente dum discursoManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 30
Elaboração coerente dum discurso
1-3. Que papel desempenha a coerência num discurso, e como pode ser conseguida?
1 Discurso coerente é aquele que os ouvintes podem acompanhar facilmente. Por outro lado, quando falta a coerência, a atenção deles logo se perde. É evidente que este é um assunto que merece séria atenção quando se prepara um discurso. Por isso se inclui “Coerência mediante conectivos” na folha de Conselho Sobre Discursos, por merecer muita consideração.
2 Coerência significa ligação íntima, nexo entre as partes que constituem um conjunto lógico. Às vezes se consegue isso em grande medida já pela ordem lógica em que se arranjam as partes. Mas na maioria dos discursos há partes que precisam ser relacionadas, além do simples arranjo da matéria. Em tais casos, a coerência exige uma ligação entre um ponto e outro. Usam-se palavras ou frases para mostrar a relação da nova idéia com as precedentes, preenchendo assim as lacunas devidas à mudança de época ou do ponto de vista. Isto se chama coerência mediante conectivos.
3 Por exemplo, a introdução, o corpo e a conclusão de seu discurso são partes separadas do discurso, diferentes uma da outra, mas precisam ser bem ligadas por meio de transições. Além disso, os pontos principais precisam ser interligados no discurso, especialmente se não estiverem muito relacionados em sentido. Ou às vezes são apenas sentenças ou parágrafos que precisam de conectivos.
4-7. O que se quer dizer com expressões de transição?
4 Uso de expressões de transição. Amiúde se pode fazer uma ligação entre idéias já pelo uso correto de palavras ou frases de ligação. Algumas destas são: também, além disso, ademais, entretanto, igualmente, de modo similar, portanto, assim, por este motivo, por isso, em vista disso, de modo que, dessa forma, depois disso, no entanto, por outro lado, ao contrário, em contraste, anteriormente, até agora, e assim por diante. Tais palavras ligam eficientemente sentenças e parágrafos.
5 No entanto, esta característica oratória amiúde exige mais do que tais meros conectivos. Quando uma palavra ou uma frase não bastarem, então se requer uma transição que leve os ouvintes completamente através da lacuna, para atingirem o outro lado. Pode tratar-se de uma sentença completa ou mesmo da adição de um pensamento de transição expresso de modo mais pleno.
6 Um modo de se transporem tais lacunas é tentar tornar a aplicação do ponto precedente parte da introdução do que se segue. Isto se faz freqüentemente nas nossas apresentações de casa em casa.
7 Além disso, não só se devem ligar os pontos consecutivos, mas às vezes também se deve fazer isso com pontos mais separados no discurso. Por exemplo, a conclusão do discurso deve ser ligada à introdução. Talvez uma idéia ou uma ilustração usada na introdução do discurso possa ser aplicada de tal modo na conclusão, que ela forneça motivação ou mostre adicionalmente a relação entre a ilustração ou idéia e o objetivo do discurso. Mencionar-se assim novamente algum aspecto da ilustração ou da idéia serve como conectivo e produz coerência.
8. Como influi na assistência o uso de transições para se obter coerência?
8 Coerência adequada para a respectiva assistência. Quão extensivos precisam ser os conectivos depende de certo modo da sua assistência. Não é que algumas assistências não precisem de nenhuma transição. Antes, algumas delas precisam mais, por não estarem familiarizadas com as idéias a serem relacionadas entre si. Por exemplo, as Testemunhas de Jeová relacionarão prontamente o texto que trata do fim do atual sistema iníquo de coisas com um texto que fala sobre o Reino. Mas para alguém que considera o Reino como sendo um estado mental ou algo no coração, a relação entre as duas coisas não será prontamente compreendida, e será preciso introduzir alguma idéia de transição, para tornar clara a relação. Nosso serviço de porta em porta exige continuamente tais ajustes.
9-13. Que quer dizer explanação lógica, e quais são os dois modos básicos de se explanar um argumento?
9 Um aspecto intimamente relacionado na oratória é “Explanação lógica, coerente”, e este também está incluído na folha de conselho. É um requisito fundamental para o discurso persuasivo.
10 O que é lógica? Para o nosso fim, poderíamos dizer que a lógica é a ciência do modo de pensar correto ou do raciocínio sadio. Ela dá compreensão, porque é o meio pelo qual o assunto é explicado nas suas partes relacionadas. A lógica mostra por que estas atuam juntas e estão interligadas. A explanação é coerente quando seus raciocínios se desenvolvem gradualmente de tal modo, que todas as partes são unidas numa seqüência. A explanação lógica pode seguir a ordem de importância, a ordem cronológica ou passar dum problema para a solução, para se mencionarem algumas possibilidades.
11 Na explanação dum argumento podem-se seguir dois métodos básicos. (1) Apresente a verdade diretamente à assistência, mostrando fatos para comprová-la. (2) Ataque algum conceito errôneo, o qual, quando demolido, deixará vindicada a verdade. Só resta então fazer a aplicação correta das verdades em consideração.
12 Não há dois oradores que raciocinem de modo exatamente igual. Um exemplo perfeito das diversas maneiras de encarar o mesmo assunto se encontra nos escritos dos quatro Evangelhos. Quatro discípulos de Jesus escreveram narrativas independentes de seu ministério. Cada uma delas é diferente, contudo, todos eles escreveram apresentações racionais e lógicas. Cada um elaborou a matéria de modo a atingir certo fim, e cada um deles foi bem sucedido.
13 Neste respeito, o conselheiro precisa identificar seu objetivo e esforçar-se a avaliar sua seqüência de pensamentos, baseado em se seu objetivo foi alcançado ou não. Poderá ajudá-lo, bem como aos seus ouvintes, por tornar seu objetivo claro, especialmente pela maneira de fazer a introdução de sua matéria e depois aplicá-la na conclusão.
14, 15. Explique por que é tão importante que a nossa matéria esteja em ordem racional.
14 Matéria em ordem racional. Primeiro, ao organizar sua matéria ou seu esboço, certifique-se de que não se introduza nenhuma declaração ou idéia sem que se tenha lançado alguma base preliminar para ela. Faça-se continuamente as seguintes perguntas: Qual é a coisa mais natural a dizer a seguir? Tendo chegado até este ponto, qual seria a pergunta mais lógica que se poderia fazer? Uma vez que tenha feito estas perguntas, simplesmente responda a elas. Seus ouvintes sempre devem poder dizer: “Em base do que já explicou, compreendo que este ponto é assim.” Quando não se lança nenhum fundamento, então o ponto seria usualmente considerado como estando fora da seqüência lógica. Alguma coisa está faltando.
15 Quando põe a sua matéria em ordem, deve tomar em consideração as partes que de modo natural dependem uma da outra. Deve esforçar-se a compreender a relação entre tais partes, e depois arrumá-las concordemente. É um tanto parecido à construção duma casa. Nenhum construtor se atreveria a erguer as paredes sem primeiro ter lançado um alicerce. Nem instalaria todos os encanamentos depois de ter rebocado as paredes. O mesmo se deve dar na preparação dum discurso. Cada parte deve contribuir a sua parcela para a elaboração de um conjunto sólido e compacto, cada uma na sua ordem, cada uma acrescentando algo à parte a que segue e preparando o caminho para as próximas. Deve sempre haver um motivo para a ordem em que apresenta os fatos no seu discurso.
16-20. Como se pode obter a certeza de que se usa apenas matéria pertinente no discurso?
16 Usa-se apenas matéria pertinente. Cada ponto usado precisa ser bem encaixado no discurso. Do contrário, parecerá não ter nenhuma relação com ele, não será apropriado; será matéria despropositada, quer dizer, que não tem nada que ver com o assunto em consideração.
17 Todavia, seu conselheiro não chamará alguma coisa arbitrariamente de despropositada que por fora talvez pareça não ter nenhuma relação com o assunto, se ela for encaixada com bom êxito. Pode ser que tenha decidido usar este ponto para certo objetivo, e se ele se enquadrar no tema, for feito parte do discurso e for introduzido na seqüência de forma lógica, seu conselheiro aceitará isso.
18 Como se pode pronta e facilmente identificar matéria despropositada na preparação do discurso? É para isso que serve muito bem o esboço tópico. Ele ajuda a classificar a sua informação. Procure usar cartões ou algo parecido, anotando toda a matéria relacionada num só cartão. Depois, arrume estes cartões segundo a seqüência natural em que pensa serem normalmente apresentados. Isto não só ajudará a decidir como deve tratar o assunto, mas também ajudará a identificar tudo que não tiver relação com o tema. Os pontos que não se encaixam na seqüência devem ser ajustados para se enquadrarem, se forem necessários ao argumento. Mas, se não forem necessários, devem ser eliminados como não tendo relação com o tema.
19 Assim se vê prontamente que o tema de seu discurso, escolhido com vistas à assistência e o objetivo, controla se um ponto tem relação ou não com o assunto. Em certos casos, algum ponto talvez seja vital para se alcançar o objetivo, dependendo do fundo de conhecimento da assistência, ao passo que, para uma assistência diferente ou com um tema diferente, talvez seja desnecessário ou inteiramente despropositado.
20 Em vista disso, quão completa deve ser a elaboração da matéria de sua designação? A explanação lógica e coerente não deve ser sacrificada só para se abranger cada ponto que possa ser incluído na sua designação. Seria melhor, porém, selecionar uma cena ou situação que permita incluir tanto dela quanto for prático, visto que os discursos de estudante são uma parte instrutiva do arranjo da escola. Entretanto, as idéias essenciais à elaboração de seu tema, como pontos-chaves, não podem ser omitidas.
21. Por que é vital que não se omitam nenhumas idéias principais?
21 Não se omitem idéias principais. Como pode saber se uma idéia é principal ou não? Ela é essencial se não puder alcançar o objetivo de seu discurso sem ela. Isto é especialmente assim na explanação lógica e coerente. Por exemplo, como se arranjaria se o construtor lhe construísse uma casa de dois pavimentos e deixasse fora a escada? Do mesmo modo, quando se omitem certos pontos essenciais dum discurso, não é possível ser lógico e coerente na sua explanação. Alguma coisa está faltando e alguns ouvintes se perderão nela. Mas isto não acontece quando o discurso é coerente e lógico na sua explanação.
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Convença os ouvintes, raciocine com elesManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 31
Convença os ouvintes, raciocine com eles
1, 2. O que quer dizer argumento convincente?
1 Quando fala, espera que os ouvintes ouçam, mas isto não é tudo. Gostaria também que aceitassem os argumentos apresentados e agissem de acordo com eles. Farão isto se estiverem convencidos da veracidade daquilo que diz e se o coração deles for reto. Convencer significa satisfazer mediante provas. Mas as provas sozinhas nem sempre bastam. Usualmente se exigem argumentos em apoio delas. Portanto, convencer por meio de argumentos envolve três fatores básicos: primeiro, as próprias provas; segundo, a seqüência ou a ordem em que as provas são apresentadas; terceiro, a maneira e os métodos usados na sua apresentação. Neste estudo, que corresponde a “Argumento convincente” na folha de Conselho Sobre Discursos, vamos tratar do que se diz, das provas fornecidas, em vez de da maneira em que são apresentadas.
2 O argumento convincente depende de sólidos motivos básicos, e é assim que os considerará seu conselheiro. Suas provas precisam ser convincentes, mesmo que sejam apenas lidas. Se a característica convincente de seu discurso depender da maneira em que é apresentado e não dos fatos que usa para confirmar seu argumento, então terá de desenvolver ainda mais esta característica, a fim de tornar seu argumento realmente sólido e segundo os fatos.
3-6. Indique por que se precisa estabelecer uma base.
3 Estabelece-se a base. Antes de apresentar seus argumentos, é preciso estabelecer uma base boa. Precisa esclarecer qual é o ponto em questão. E é proveitoso estabelecer uma base de acordo mútuo por salientar as questões pertinentes sobre as quais concordam.
4 Em alguns casos é preciso definir claramente os termos. Tudo o que não for pertinente precisa ser eliminado. Não se apresse ao estabelecer a sua base. Torne-a firme, mas não transforme a base em todo o edifício. Se refutar um argumento, analise os diversos pontos usados em apoio dele, para achar os pontos fracos e para decidir a linha de argumento que vai seguir, e como chegar à raiz da questão.
5 Na preparação de seu discurso, deve tentar prever quanto a sua assistência já sabe sobre o assunto. Isto regulará em grande parte que base precisará estabelecer antes de realmente poder apresentar seus argumentos.
6 O tato e os modos cristãos ditam que trate do assunto de modo bondoso e com consideração, embora não seja este o ponto que procuramos agora aprimorar. Sempre recorra a todo o seu conhecimento dos princípios cristãos e abra o coração e a mente dos seus ouvintes.
7-13. Explique o sentido de “apresentação de provas sólidas”.
7 Apresentação de provas sólidas. Um assunto não fica “provado” só porque o orador crê nele ou o explica. Precisa sempre lembrar-se de que os seus ouvintes têm plena justificativa de perguntar: “Por que é isso assim?” Ou: “Por que diz que é assim?” Por ser o orador, tem sempre a obrigação de poder responder à pergunta: “Por quê?”
8 As perguntas: “Como?” “Quem?” “Onde?” “Quando?” “O quê?” trazem em resposta apenas fatos e informação, mas a pergunta: “Por quê?” demanda motivos. Ela é exclusiva neste respeito e exige mais do que apenas fatos. Exige esforços do seu raciocínio. Por causa disso, ao preparar o discurso, faça-se repetidas vezes a mesma pergunta: “Por quê?” Daí tenha a certeza de que possa fornecer as respostas.
9 Como motivo das declarações que faz pode amiúde citar outra pessoa aceita como autoridade. Isto simplesmente quer dizer que, se ela o disse, deve ser verdade, porque ela é reconhecida como alguém que sabe. Isto é motivo suficiente para se crer na declaração. A Autoridade suprema neste campo é, naturalmente, Jeová Deus. Por isso, a citação de um texto da Bíblia, em apoio, é evidência suficiente para provar um ponto. Isto se chama de prova “testemunhal”, porque consiste no “testemunho” duma testemunha aceita.
10 Ao apresentar prova testemunhal, precisa ter a certeza de que a sua testemunha seja aceita pelos seus ouvintes. Se usar autoridades humanas, certifique-se de sua origem e formação, e como serão consideradas. Muitos aceitam a Bíblia como Autoridade divina, mas outros a consideram como a obra de homens e por isso não como autoridade absoluta. Em tais casos, talvez tenha de recorrer a outras evidências ou talvez tenha de estabelecer primeiro a autenticidade da Bíblia.
11 Uma palavra de cautela. Toda a evidência precisa ser usada de modo honesto. Não use uma citação fora da harmonia do texto em que se encontra. Certifique-se de que aquilo que diz esteja exatamente em harmonia com o que a autoridade citada queria dizer. Seja específico nas suas referências. Tenha também cuidado com as estatísticas. Quando estas forem apresentadas de modo impróprio, podem ter o efeito contrário, com resultados devastadores. Lembre-se do homem que não sabia nadar e que se afogou num rio que em média tinha apenas um metro de profundidade. Ele se esqueceu do buraco de três metros no meio do rio.
12 A prova circunstancial é aquela que não é fornecida por testemunho humano ou autoridade divina. É a prova baseada em inferências dos fatos em vez de em citações de testemunhas. A fim de estabelecer as suas conclusões e tornar convincente a prova circunstancial, precisa ter uma série suficiente de fatos e argumentos em apoio de suas conclusões.
13 Se o conjunto das provas que apresenta (não necessariamente em ordem) for suficiente para satisfazer os ouvintes aos quais fala, seu conselheiro o considerará satisfatório. O conselheiro se perguntará, pensando do ponto de vista da assistência: “Fiquei convencido?” Se ficou, então o elogiará pela sua apresentação.
14. O que se quer dizer com resumo eficaz?
14 Resumo eficaz. Usualmente é essencial alguma espécie de resumo para a argumentação ser convincente. É o apelo final ao raciocínio, realçando o reconhecimento dos argumentos usados. O resumo não deve ser apenas uma recapitulação dos fatos, embora basicamente seja apenas uma questão de “visto que isso é assim e assado, então chegamos à conclusão . . .” Ele se destina a relacionar todos os pontos e a levá-los a uma conclusão. Muitas vezes é o resumo eficaz que remata os argumentos para serem realmente convincentes.
15, 16. Por que precisamos ajudar os ouvintes a raciocinar?
15 Embora os argumentos que usa no discurso sejam sólidos, não basta apenas declarar os fatos. Precisa apresentá-los dum modo que ajude os ouvintes a raciocinar, a compreender seus argumentos e a chegar às mesmas conclusões que tirou. É a isso que a folha de Conselho Sobre Discursos se refere sob “Ouvintes ajudados a raciocinar”.
16 Deverá desejar usar esta característica oratória porque também Deus raciocina conosco. Jesus também explicava as suas parábolas aos seus discípulos e os preparava para ensinar estas mesmas verdades a outros. Portanto, ajudar seus ouvintes a raciocinar significa usar as técnicas necessárias para auxiliar seus ouvintes a compreender seu argumento, a chegar às mesmas conclusões e a estar preparados a usar seus argumentos para ensinar mais alguém.
17, 18. Como se mantêm as bases de acordo mútuo?
17 Mantêm-se as bases de acordo mútuo. Tanto o que diz como a maneira em que o diz são vitais para se estabelecer uma base de acordo mútuo logo no início de seu discurso. Mas este acordo mútuo não se deve perder no decorrer do discurso, senão perderá também seus ouvintes. Terá de continuar a expressar seus pontos dum modo que agrade à mente dos seus ouvintes. Isto exige que pense no ponto de vista deles sobre o assunto em consideração e que use este conhecimento para ajudá-los a compreender a racionalidade de seus argumentos.
18 Um exemplo clássico de se estabelecer uma base de acordo mútuo e de se mantê-la até o fim, quer dizer, de se ajudar os ouvintes a raciocinar, é o argumento do apóstolo Paulo, registrado em Atos 17:22-31. Note como ele logo de início estabelece uma base de acordo mútuo e depois a mantém com tato durante todo o seu discurso. Quando terminou, havia convencido alguns dos seus ouvintes quanto à verdade, inclusive um juiz que estava presente. — Atos 17:33, 34.
19-23. Sugira métodos de explanação adequada dos pontos.
19 Explanação adequada dos pontos. A fim de que os ouvintes raciocinem sobre um assunto precisam ter à sua disposição informações suficientes, apresentadas de tal modo, que não rejeitem os argumentos só porque não os compreendem plenamente. É nisso que lhe cabe ajudá-los.
20 Para fazer isso com eficiência, cuide de não abranger pontos demais. A parte boa de sua matéria se perderá se for apresentada às pressas. Tome o tempo para explicar cabalmente os pontos, para que seus ouvintes não só os ouçam, mas também os compreendam. Quando expressa um ponto importante, tome o tempo para explaná-lo. Responda a perguntas tais como: Por quê? Quem? Como? O quê? Quando? Onde? Ajudará assim os seus ouvintes a compreender a idéia mais plenamente. Às vezes poderá apresentar argumentos a favor e contra certo ponto para salientar a racionalidade de seu ponto de vista. Do mesmo modo, depois de especificar um princípio, talvez ache proveitoso ilustrá-lo para que os ouvintes vejam a sua aplicação prática. Naturalmente, é preciso usar de discrição. Até que ponto se explanará determinado ponto dependerá do tempo disponível e da relativa importância do ponto para o assunto em consideração.
21 Sempre é bom fazer perguntas para ajudar os ouvintes a raciocinar. As perguntas retóricas, quer dizer, as perguntas feitas aos ouvintes sem esperar deles uma resposta, acompanhadas de pausas apropriadas, estimularão o raciocínio. Se falar apenas a uma ou duas pessoas, como no ministério de campo, poderá fazê-los falar por fazer perguntas, durante a palestra, e assim terá a certeza de que compreendem e aceitam as idéias apresentadas.
22 Visto que deseja orientar a mente dos seus ouvintes, terá de basear-se em coisas que já conhecem, quer de sua própria experiência, quer por causa de algo dito mais cedo na sua palestra. Portanto, para determinar se explanou adequadamente certos pontos, terá de tomar em consideração o que seus ouvintes já sabem sobre o assunto.
23 É sempre importante observar a reação dos ouvintes para se certificar de que estão compreendendo. Quando necessário, repita e esclareça os pontos antes de passar para o próximo argumento. A menos que cuide de ajudá-los a raciocinar, podem facilmente perder o fio da meada da idéia.
24. Para que ótimo fim serve a aplicação dos argumentos aos ouvintes?
24 Aplicação aos ouvintes. Quando apresenta um argumento, certifique-se de rematá-lo por salientar de modo bem claro a sua relação com a questão considerada. Também, inclua motivação no discurso, exortando os ouvintes a tomar ação em harmonia com os fatos apresentados. Se ficaram realmente convencidos pelo que lhes disse, estarão prontos para agir.
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Ênfase segundo o sentido e modulaçãoManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 32
Ênfase segundo o sentido e modulação
1, 2. Que efeito tem sobre o discurso a ênfase segundo o sentido?
1 A ênfase segundo o sentido e a modulação se conjugam para dar sentido e variação ao discurso. Sem elas, os pensamentos ficam deturpados e o interesse diminui. Visto que a ênfase segundo o sentido costuma ser o mais fácil dos dois pontos a aprender, daremos a ela atenção em primeiro lugar.
2 Tenha em mente o que a ênfase segundo o sentido deve realizar. Ela deve salientar as palavras ou as idéias de tal modo, que transmitam um significado exato e indiquem aos seus ouvintes sua importância relativa. Às vezes, a ênfase necessária é simplesmente forte ou fraca, mas há ocasiões em que se exigem graduações mais finas dela.
3-7. Diga como se pode obter boa ênfase segundo o sentido.
3 Acentuação das palavras que transmitem o sentido na sentença. A colocação da ênfase é basicamente uma questão de saber quais as palavras a salientar. Envolve reconhecer as palavras que transmitem a idéia e que, pela ênfase ou acentuação correta, são destacadas em relação com as outras palavras que as cercam. Quando se enfatizam palavras diferentes daquelas que transmitem o sentido, obscurece-se ou deturpa-se o significado.
4 A maioria das pessoas, na conversa normal, cotidiana, tornam claro o que querem dizer. A menos que tenha um maneirismo específico, tal como enfatizar preposições, este aspecto não deve apresentar grande problema. Uma fraqueza destacada na questão da colocação da ênfase costuma ser o resultado de tal maneirismo. Se seu problema for este, esforce-se diligentemente em eliminá-lo. Normalmente, tais hábitos não podem ser vencidos em um ou dois discursos, de modo que seu conselheiro talvez não o detenha neste ponto, se a colocação errônea da ênfase não for tão acentuada que deturpe o significado. Mas para falar de modo mais vigoroso e eficiente, precisa continuar a esforçar-se até ter obtido o domínio completo sobre a colocação correta da ênfase.
5 Usualmente precisa haver reflexão mais consciente sobre a ênfase segundo o sentido na preparação para a leitura pública do que para um discurso inteiramente extemporâneo. Isto se dá também na leitura de textos num discurso bem como na leitura de parágrafos no estudo da Sentinela na congregação. O motivo por que se precisa dar mais atenção à ênfase segundo o sentido quando se deve fazer leitura é que a matéria lida usualmente foi escrita por outra pessoa. Por isso a precisamos estudar com cuidado, analisando as idéias e repetindo as próprias expressões, até que se tornem naturais para nós.
6 Como se consegue a acentuação ou a ênfase segundo o sentido? Há diversos métodos, amiúde usados em combinação: maior volume, mais intensidade ou sentimento, abaixar o tom da voz, elevar o diapasão, falar de modo vagaroso e deliberado, aumentar o ritmo, pausar antes ou depois duma declaração (ou ambas as coisas), gestos e expressões faciais.
7 No início, preocupe-se principalmente com a colocação correta da ênfase e com o grau suficiente dela, para destacar as palavras-chaves. Portanto, na preparação de sua matéria, sublinhe as palavras-chaves quando vai fazer uma leitura. Se falar de modo extemporâneo, fixe as idéias bem na mente. Use as palavras-chaves das suas anotações e depois enfatize estas palavras.
8, 9. Por que é importante que se destaquem as idéias principais?
8 Acentuação das idéias principais do discurso. Este é o aspecto da ênfase segundo o sentido que falta com mais freqüência. Nestes casos, não há pontos culminantes no discurso. Nada se destaca das demais partes. Ao terminar o discurso, amiúde é impossível recordar algo que se tenha destacado. Mesmo quando os pontos principais são preparados corretamente para serem destacados, quando não recebem a devida ênfase no proferimento, podem ficar enfraquecidos ao ponto de serem perdidos.
9 Para vencer este problema, terá de analisar primeiro a matéria com cuidado. Qual é o ponto mais importante do discurso? Qual é o próximo ponto em importância? Se lhe pedissem para dizer o teor do discurso em uma ou duas sentenças, o que diria? Este é um dos melhores métodos para se identificar os pontos altos. Depois de conhecê-los, assinale-os nas suas anotações ou no manuscrito. Poderá então levar estes pontos ao clímax. São os pontos culminantes de seu discurso, e se a matéria tiver sido bem esboçada e ela for proferida com forte grau de ênfase, as idéias principais serão lembradas. Este é o objetivo de se falar.
10-12. Explique o significado de modulação.
10 A mera ênfase segundo o sentido já torna possível que os ouvintes entendam o que diz, mas a variedade na ênfase, produzida pela modulação, pode tornar o escutar agradável para eles. Faz bom uso da modulação no seu ministério de campo e nos discursos que tem o privilégio de proferir na congregação?
11 A modulação é uma variação intermitente do diapasão, do ritmo e da força, destinada a manter o interesse e a demonstrar os pensamentos e as emoções progressivas do orador. Para ser melhor aproveitada, a modulação deve abranger a escala inteira de variações permitida pela matéria de determinado discurso. Na escala superior da modulação pode haver em grau decrescente a excitação, o entusiasmo e o vivo interesse. Na escala mediana, há o interesse regular, ao passo que na escala inferior, estão a seriedade e a solenidade.
12 Em nenhum caso desejará parecer teatral por causa de expressões extremas. Seu discurso deve ser variado, não piamente solene como os dos clérigos ortodoxos, nem histericamente violento, como os de certos evangelistas. A devida dignidade e o respeito pela mensagem do Reino impedirão tais espetáculos não cristãos.
13, 14. O que quer dizer variedade na força?
13 Variedade na força. Talvez o modo mais simples para se obter modulação seja variar a força de sua voz. Este é um modo de produzir auges e de enfatizar os pontos principais de seu discurso. Todavia, o simples aumento do volume nem sempre destacará os pontos. Em alguns casos talvez lhe dê mais destaque, mas a força adicional com que são proferidos talvez anule seu objetivo. Pode ser que seus pontos exijam mais cordialidade e sentimento, do que um tom animado. Neste caso, abaixe o seu volume, mas aumente a sua intensidade. O mesmo se daria se expressasse ansiedade ou temor.
14 Embora a variedade na força seja essencial para a modulação, precisa-se ter cuidado de não falar tão baixo que alguns não ouçam. Nem deve o volume ser aumentado ao ponto de se tornar desagradável.
15-17. Como pode a variedade no ritmo dar destaque ao discurso?
15 Variedade no ritmo. Poucos oradores principiantes variam o ritmo na tribuna. Fazemos constantemente isso na nossa conversa diária, porque as palavras nos vêm espontaneamente ao pensarmos nelas ou termos necessidade delas. Mas o orador novo, na tribuna, usualmente não se permite fazer isso. Ele prepara as palavras e as frases com cuidado excessivo, de modo que as palavras são proferidas na mesma velocidade. Falar baseado num esboço ajuda a corrigir esta fraqueza.
16 De modo geral, seu discurso deve ter um ritmo moderado. Os pontos menores, narrativas, a maioria das ilustrações e assim por diante, lhe permitirão acelerar o passo. Argumentos mais poderosos, auges e pontos principais usualmente exigem um proferimento mais vagaroso. Em alguns casos, para se dar destaque especialmente forte, poderá usar de ênfase vagarosa e deliberada. Poderá até mesmo parar completamente, numa pausa, que representa uma mudança total do ritmo.
17 Algumas palavras de cautela. Nunca fale de modo tão rápido, que sua pronúncia sofra. Um exercício excelente em ensaios particulares é experimentar ler em voz alta o mais rapidamente possível sem tropeçar nas palavras. Repita o mesmo parágrafo vez após vez, aumentando constantemente sua velocidade, sem tropeçar ou abafar a sua articulação. Daí procure ler o mais vagarosamente possível, es-ten-den-do as vo-ga-is, em vez de encurtar as palavras. Depois, acelere e retarde alternada e intermitentemente, até que sua voz se torne flexível e consiga fazer o que quiser. Então, ao falar, as mudanças no ritmo virão automaticamente, segundo o sentido do que diz.
18-20. Explique como se pode conseguir variedade no diapasão.
18 Variedade no diapasão. Variar o diapasão ou tom da voz é provavelmente o meio mais difícil de conseguir modulação, isto é, em qualquer grau maior. Naturalmente, enfatizamos constantemente as palavras por elevarmos ligeiramente o diapasão, em geral acompanhado por um leve aumento na força. Martelamos a palavra, por assim dizer.
19 Mas exige maior variedade no diapasão do que esta, se quiser tirar maior proveito deste aspecto da modulação. Procure ler em voz alta Gênesis 18:3-8 e 19:6-9. Observe a grande variedade em ritmo e também em diapasão exigida nestes versículos. A excitação e o entusiasmo sempre se manifestam num diapasão mais elevado do que a tristeza ou a ansiedade. Quando tais emoções aparecem na sua matéria, expresse-as concordemente.
20 Uma das principais causas de fraqueza neste aspecto de falar é a falta de amplitude suficiente da voz. Se este for seu problema, esforce-se arduamente a atacá-lo. Experimente um exercício similar ao sugerido anteriormente neste estudo. Neste caso, porém, esforce-se a elevar e a abaixar o diapasão, em vez de variar o ritmo.
21-24. Por que precisa a modulação corresponder ao pensamento ou à emoção?
21 Modulação segundo o pensamento ou a emoção. Até agora, na consideração desta característica oratória, tornou-se bastante claro que as variações da voz não bastam para obter variedade. Suas expressões precisam ser segundo a disposição de ânimo manifesta pelas palavras. Então, onde começa a modulação? É evidente que começa com a matéria que preparou para proferir. Se só tiver argumentação ou só tiver exortação no seu discurso, haverá pouca variedade no seu modo de falar. Por isso, analise seu esboço depois de terminado, e certifique-se de que tenha todos os ingredientes para uma apresentação variada bem como significativa.
22 Mas, às vezes sente no meio do discurso a necessidade de mudar de ritmo. Acha que seu discurso se está arrastando. O que poderá fazer? Neste ponto, o modo de falar extemporâneo tem novamente as suas vantagens. Poderá mudar a natureza de sua matéria ao passo que prossegue. Como? Um modo de fazer isso é parar de falar e começar a ler um texto na Bíblia. Ou poderá transformar uma declaração numa pergunta, fazendo uma pausa para ênfase. Talvez possa inserir uma ilustração, adaptando-a a um argumento no seu esboço.
23 Naturalmente, tais técnicas usadas durante o discurso são algo para oradores experientes. Mas poderá usar as mesmas idéias na preparação antecipada de sua matéria designada.
24 Diz-se que a modulação é o tempero do discurso. Quando se usar a espécie correta dela e na quantidade certa, fará ressaltar o pleno sabor de sua matéria e a tornará agradável aos seus ouvintes.
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Demonstrar entusiasmo e cordialidadeManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 33
Demonstrar entusiasmo e cordialidade
1. O que estimulará o entusiasmo?
1 O entusiasmo é a vida do discurso. Se não for entusiástico com respeito ao que diz, por certo seus ouvintes tampouco o serão. Se ele não o motivar, certamente tampouco motivará a eles. Mas para que, como orador, manifeste genuíno entusiasmo, precisa estar firmemente convencido de que seus ouvintes precisam ouvir o que tem a dizer. Isto significa que os levou em consideração quando preparou o discurso, selecionando os pontos mais proveitosos para eles e moldando estes de tal modo, que seus ouvintes pudessem reconhecer prontamente seu valor. Se tiver feito isso, sentir-se-á impelido a falar com sinceridade, e seus ouvintes corresponderão a isso.
2-5. Como se expressa entusiasmo mediante proferimento animado?
2 Entusiasmo demonstrado pela maneira animada de falar. O entusiasmo se manifesta de modo mais claro pela animação de sua maneira de falar. Não poderá ser indiferente ou lânguido nas suas atitudes. Precisa estar bem animado na sua expressão facial, no tom de sua voz e na sua maneira de falar. Isto significa que precisa falar com força e vigor. Precisa ter tom convincente, embora não dogmático. Embora deva ser entusiástico, nunca deve ficar arrebatado. Perder o autodomínio significa perder os ouvintes.
3 O entusiasmo é contagioso. Se for entusiástico no seu discurso, seus ouvintes ficarão contagiados por este entusiasmo. Por sua vez, havendo bom contato com os ouvintes, isto refletirá novamente sobre a sua pessoa e manterá vivo o seu próprio entusiasmo. Por outro lado, se for desanimado, sua assistência também ficará desanimada.
4 Paulo diz que devemos ser fervorosos com o espírito de Deus. Se isto acontecer no seu caso, sua maneira animada de falar fará com que o espírito de Deus flua para os ouvintes e induza os ouvintes à ação. Apolo demonstrava tal espírito no seu falar, e ele é chamado de orador eloqüente. — Rom. 12:11; Atos 18:25; Jó 32:18-20; Jer. 20:9.
5 Para ser entusiástico no discurso, precisa estar convencido de que tem algo de valor a dizer. Empenhe-se na matéria que vai apresentar, até que sinta que tem algo para estimular primeiro a si próprio como orador. Não precisa tratar-se de matéria nova, mas seu modo de tratar do assunto pode ser novo. Se achar que tem algo para os ouvintes que os fortalecerá na sua adoração, que fará deles ministros melhores ou cristãos melhores, então terá todo motivo para ser entusiástico quanto ao seu discurso, e sem dúvida o será.
6-9. Que relação tem a matéria num discurso com o entusiasmo no proferimento?
6 Entusiasmo apropriado à matéria. Para ter variedade no seu discurso e em proveito dos ouvintes, não deve elevar demais o seu entusiasmo durante todo o seu discurso. Se fizer isso, eles ficarão exaustos mesmo antes de começarem a agir. Isto salienta novamente a necessidade de se preparar matéria de variedade suficiente para permitir variedade no proferimento. Significa que alguns pontos, de que fala de modo natural, exigem proferimento mais entusiástico do que outros, e que devem ser peritamente intercalados no discurso.
7 Especialmente os pontos principais devem ser apresentados com entusiasmo. Deve haver auges no seu discurso, apogeus a atingir. Visto que se trata de pontos altos no seu discurso, em geral serão os pontos destinados a motivar seus ouvintes, a concluir a aplicação de seu argumento, seus motivos ou seu conselho. Depois de ter convencido os ouvintes, precisa então estimulá-los, demonstrar-lhes os benefícios das conclusões tiradas, as alegrias e os privilégios que o empenho segundo estas convicções lhes trará. Isto exige proferimento entusiástico.
8 Apesar disso, porém, nunca deve nos outros momentos recair numa indiferença na sua apresentação. Nunca deve perder o sentimento forte a favor do seu assunto, nem manifestar perda de interesse. Imagine mentalmente uma corça pastando tranqüilamente numa pequena clareira. Embora pareça descansada, há força latente nas suas pernas delgadas, que podem afastá-la em enormes pulos, ao mínimo indício de perigo. Ela está à vontade, mas constantemente alerta. O mesmo se pode dar no seu caso, ainda que não fale com todo o seu entusiasmo.
9 O que significa tudo isso? Que o proferimento animado nunca é algo forçado. Deve haver motivos para ele, e sua matéria deve prover estes motivos. Seu conselheiro se preocupará em ver que seu entusiasmo seja apropriado à matéria. Houve demais ou de menos dele, ou estava fora de lugar? Naturalmente, ele tomará em conta a sua própria personalidade, mas o animará se for acanhado e retraído, e o acautelará se for muito excitado em tudo o que diz. Portanto, ajuste seu entusiasmo à matéria e varie sua matéria para que seu proferimento entusiástico seja equilibrado em todas as partes.
10-12. O que se quer dizer com cordialidade e sentimento?
10 O entusiasmo está intimamente relacionado com a cordialidade e o sentimento. Suas expressões, porém, são motivadas por emoções diferentes e produzem resultados diferentes nos seus ouvintes. Como orador, costuma ser entusiástico por causa de sua matéria, mas torna-se cordial quando pensa nos seus ouvintes com o desejo de ajudá-los. “Cordialidade, sentimento”, alistado na folha de Conselho Sobre Discursos, merece cuidadosa atenção.
11 Se manifestar cordialidade e sentimento, seus ouvintes sentirão que é alguém que mostra amor, bondade e terna compaixão. Sentir-se-ão atraídos à sua pessoa como a um fogo numa noite fria. O proferimento animado é estimulante, mas é preciso haver também sentimento terno. Nem sempre basta persuadir a mente; é preciso motivar o coração.
12 Por exemplo, seria apropriado ler Gálatas 5:22, 23, a respeito do amor, da longanimidade, da benignidade e da brandura, sem refletir de algum modo estas qualidades na sua própria maneira de falar? Note também a ternura expressa nas palavras de Paulo em 1 Tessalonicenses 2:7, 8. Estas são expressões que exigem cordialidade e sentimento. Como devem ser demonstrados?
13, 14. Como se pode evidenciar a cordialidade das expressões faciais?
13 Cordialidade evidenciada pela expressão facial. Se sentir cordialidade para com seus ouvintes, deve manifestar isto no rosto. Do contrário, seus ouvintes talvez não se convençam de que sente cordialidade sincera para com eles. Mas precisa haver genuinidade. Não pode ser usada como máscara. Tampouco devem a cordialidade e o sentimento ser confundidos com sentimentalismo e emocionalismo. Uma expressão facial bondosa demonstrará genuinidade e sinceridade.
14 Na maior parte, falará a ouvintes amistosos. Portanto, se realmente olhar para seus ouvintes, sentirá cordialidade para com eles. Sentir-se-á à vontade e amistoso. Selecione na assistência alguém que tem rosto especialmente amistoso. Fale a esta pessoa pessoalmente por alguns instantes. Daí selecione outro e fale a ele. Isto não só lhe dará bom contato com a assistência, mas verificará que se sente atraído à assistência e sua expressão facial, cordial, em resposta, atrairá os ouvintes à sua pessoa.
15-19. Indique o que tornará a cordialidade e o sentimento evidentes na voz do orador.
15 Cordialidade e sentimento evidenciados pelo tom da voz. É bem estabelecido que até mesmo os animais podem interpretar suas emoções até certo ponto pelo tom de sua voz. Quanto mais, então, aceitará a assistência uma voz que expressa cordialidade e sentimento pelo próprio tom dela.
16 Se realmente se sentir desprendido de seus ouvintes, se pensar mais nas palavras que diz, do que em como seus ouvintes as aceitam, será difícil esconder isso de ouvintes atentos. Mas, se o seu interesse se concentrar sinceramente naqueles a quem fala e se tiver o desejo sincero de transmitir-lhes seus pensamentos, para que pensem assim como pessoalmente pensa, seus sentimentos se refletirão em cada inflexão de sua voz.
17 É evidente, porém, que precisa ser um interesse sincero. Não se pode simular a genuína cordialidade assim como não se pode simular o entusiasmo. O orador nunca deve dar a impressão de doçura hipócrita. Tampouco devem a cordialidade e o sentimento ser confundidos com o sentimentalismo ou a voz trêmula, afetada, dos emocionalistas vulgares.
18 Se tiver uma voz dura e áspera, será difícil manifestar cordialidade na sua expressão. Deve esforçar-se consciente e diligentemente a vencer tal problema. É uma questão de qualidade da voz e exigirá tempo, mas a devida atenção e o esforço podem fazer muito para melhorar a cordialidade de sua voz.
19 Uma coisa que pode ajudá-lo, do ponto de vista puramente mecânico, é lembrar-se de que as vogais curtas, proferidas de modo cortado, tornam a fala dura. Aprenda a prolongar as vogais. Isto as abrandará e tornará a sua fala automaticamente mais cordial em expressão tonal.
20, 21. Como afeta a matéria do discurso a cordialidade e o sentimento no proferimento?
20 Cordialidade e sentimento apropriados à matéria. Assim como se dá com o entusiasmo, a cordialidade e o sentimento empregados na sua expressão dependerão em grande parte do que diz. Um exemplo disso é a narrativa sobre a condenação dos escribas e fariseus por Jesus, em Mateus 23. Não podemos imaginar que expressasse estas palavras escaldantes de condenação dum modo apático e sem vida. Mas no meio desta expressão de indignação e ira, há uma frase cheia de cordialidade e ternura, expressando a compaixão de Jesus, com as palavras: “— quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, assim como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das suas asas! Mas vós não o quisestes.” Neste ponto é evidentemente apropriada a ternura, mas a declaração seguinte: “Eis que a vossa casa vos fica abandonada”, não expressa esta mesma emoção. O tom é o de rejeição e de repugnância.
21 Então, quando são apropriados a cordialidade e o sentimento? A maioria das coisas que diria no ministério de campo ou num discurso de estudante se prestam para tal expressão, mas isso se dá especialmente quando raciocina, anima, exorta, se compadece e assim por diante. Ao se lembrar de ser cordial, não se esqueça de ser entusiástico, quando apropriado. Seja equilibrado em todas as coisas, mas dê a expressão mais plena possível a tudo o que diz.
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Ilustrações apropriadasManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 34
Ilustrações apropriadas
1, 2. Mostre resumidamente como as ilustrações influem no discurso.
1 Quando o orador usa ilustrações, ele grava realmente quadros significativos na mente dos ouvintes. As ilustrações estimulam o interesse e salientam as idéias importantes. Estimulam os processos mentais e tornam mais fácil compreender idéias novas. Ilustrações bem escolhidas conjugam o atrativo intelectual com o impacto emocional. O resultado é que a mensagem é transmitida à mente com um vigor que amiúde não é possível obter com a mera declaração dos fatos. Mas isto se dá só quando as ilustrações são apropriadas. Precisam ajustar-se à matéria.
2 Ocasionalmente, uma ilustração pode ser usada para deixar de lado o preconceito ou a prevenção. Pode eliminar objeções antes de se apresentar uma doutrina controversial. Por exemplo, poderia dizer: “Nenhum pai poria a mão do seu filho na chapa quente dum fogão para puni-lo.” Tal ilustração, prefaciando a doutrina do “inferno”, torna imediatamente repugnante o conceito da religião falsa a respeito do “inferno”, e por isso o torna mais fácil de rejeitar.
3-6. De que fontes se podem escolher as ilustrações?
3 As ilustrações podem assumir muitas formas. Podem ser analogias, comparações, contrastes, símiles, metáforas, peripécias pessoais e exemplos. Podem ser escolhidas de muitas fontes. Podem tratar de coisas animadas ou inanimadas da criação. Podem ser baseadas na profissão dos ouvintes, em tendências ou características humanas, em objetos caseiros ou em obras humanas tais como casas, navios, etc. Qualquer que seja a ilustração usada, porém, deve ser escolhida por causa da ocasião e da matéria, não meramente por ser uma ilustração favorita do orador.
4 Uma palavra de cautela. Não tempere demais o discurso com um excesso de ilustrações. Use-as, mas não as use demais.
5 O uso correto de ilustrações é uma arte. Requer perícia e experiência. Nunca é demais destacar a sua eficácia. Para aprender a usar ilustrações, precisa aprender a pensar em termos de ilustrações. Quando lê, observe as ilustrações usadas. Ao encarar as coisas, pense nelas em termos de vida cristã e de ministério. Por exemplo, quando vê uma flor plantada num vaso, mas que parece seca e murcha, poderia pensar: “A amizade é como uma planta. Precisa ser regada para florescer.” Algumas pessoas encaram hoje a lua apenas em termos de viagem espacial. O cristão a considera a obra de Deus, um satélite de Sua criação, algo que perdura para sempre, algo que afeta a nossa vida diária, causando o fluxo das marés.
6 Na preparação dum discurso, se não lhe ocorrerem prontamente ilustrações simples, verifique a matéria relacionada, nas publicações da Sociedade Torre de Vigia. Veja se se usam ali ilustrações. Pense nas palavras-chaves do discurso e nos quadros mentais que lhe sugerem. Baseie-se nisso. Mas lembre-se de que uma ilustração imprópria é pior do que nenhuma ilustração. Ao considerar as “Ilustrações apropriadas à matéria”, assunto alistado na folha de Conselho Sobre Discursos, precisa ter em mente diversos aspectos da questão.
7-9. Por que são muito eficientes as ilustrações simples?
7 Simples. Uma ilustração simples é mais fácil de lembrar. Ela contribui para o argumento, em vez de desviar a atenção dele por ser de natureza complicada. As ilustrações de Jesus amiúde não se compunham de mais do que de algumas palavras. (Por exemplo, veja Mateus 13:31-33; 24:32, 33.) Para ser simples, precisa-se poder compreender a terminologia usada. Se uma ilustração precisar de muita explicação, ela será bagagem excessiva. Rejeite-a ou simplifique-a.
8 Jesus usou coisas pequenas para explicar coisas grandes, coisas fáceis para explicar coisas difíceis. Uma ilustração deve ser fácil de visualizar, não se apresentando elementos demais de uma só vez. Deve ser concisa e concreta. Tais ilustrações dificilmente são mal interpretadas.
9 Uma ilustração é melhor quando acompanha bem a matéria que deve ilustrar. Se algum aspecto da ilustração não for apropriado, é melhor não a usar. Alguns pensarão na parte imprópria e ela perderá seu efeito.
10, 11. Mostre por que se precisa esclarecer a aplicação das ilustrações.
10 Esclarecimento da aplicação. Quando não se faz a aplicação da ilustração, alguns talvez a compreendam, mas muitos não. O orador precisa ter a ilustração bem em mente e saber seu objetivo. Deve declarar simplesmente em que está o valor da ilustração. (Veja Mateus 12:10-12.)
11 Uma ilustração pode ser aplicada de diversos modos. Pode ser usada para estabelecer um princípio que é declarado simplesmente quer antes quer depois da ilustração. Ela pode ser usada para demonstrar as conseqüências do argumento. Ou pode ser aplicada só por se trazer à atenção a similaridade dos pontos da ilustração com o argumento.
12-14. O que ajudará a saber que ilustração é apropriada?
12 Destaque dos pontos importantes. Não use uma ilustração só porque pensou nela. Analise o discurso para saber quais são os pontos principais e depois selecione ilustrações para rematar estes pontos. Quando se usam ilustrações bem eficazes para pontos menores, os ouvintes talvez se lembrem mais dos pontos menores do que dos principais. (Veja Mateus 18:21-35; 7:24-27.)
13 A ilustração não deve ofuscar o argumento. Os ouvintes talvez se lembrem dela, mas quando se lembram da ilustração, devem lembrar-se também do ponto que ela devia destacar. Se isto não acontecer, então a ilustração se destacou demais.
14 Na preparação dum discurso e na seleção de ilustrações, examine o valor da ilustração em comparação com os pontos a serem salientados. Reforça estes pontos? Destaca-os? Torna os pontos mais fáceis de compreender e de lembrar? Do contrário, não é uma ilustração apropriada.
15, 16. Explique por que as ilustrações precisam ser apropriadas à assistência.
15 As ilustrações não só precisam ser apropriadas à matéria, mas precisam também ser apropriadas à assistência. Isto é alistado em separado na folha de conselho sob “Ilustrações apropriadas à assistência”. Quando Natã teve de corrigir Davi quanto ao pecado dele com Bate-Seba, escolheu a ilustração dum homem pobre e de sua única cordeirinha. (2 Sam. 12:1-6) Esta ilustração não só demonstrava seu tato, mas era também apropriada a Davi, visto que havia sido pastor. Ele compreendeu logo a questão.
16 Se a maioria das pessoas na assistência forem idosas, não se devem usar ilustrações que só agradariam aos jovens. Mas perante um grupo de estudantes, tais ilustrações podem ser perfeitamente próprias. Às vezes se podem encarar as ilustrações de dois ângulos opostos com respeito aos ouvintes, tais como os idosos e os jovens, os homens e as mulheres.
17-19. Donde devem ser tiradas as ilustrações, para que interessem os ouvintes?
17 Tiradas de situações conhecidas. Se usar coisas corriqueiras para as ilustrações, estas serão conhecidas dos ouvintes. Jesus fez isso. Para uma mulher junto a uma fonte, ele comparou as suas qualidades vitalizadoras à água. Usava as coisas pequenas da vida, não as extraordinárias. Suas ilustrações transmitiam logo um quadro mental aos seus ouvintes ou os faziam lembrar logo uma experiência pessoal na sua própria vida. Ele usava as ilustrações para ensinar.
18 Assim também hoje. As donas-de-casa talvez saibam algo sobre o mundo dos negócios, mas fará melhor se ilustrar suas observações com coisas que elas vêem na sua vida diária, seus filhos, seus deveres caseiros e coisas que usam no lar.
19 Também são eficientes as ilustrações baseadas em algo que é puramente local, pertinente talvez apenas àquela localidade. Acontecimentos correntes, bem conhecidos na localidade, tais como notícias locais, também são próprios quando são de bom gosto.
20-22. Mencione algumas das armadilhas a evitar no uso de ilustrações.
20 De bom gosto. Qualquer ilustração usada deve ser própria duma consideração bíblica. É evidente que as ilustrações não devem ser “impróprias”, quer dizer, quanto à moral. Evite declarações de significado duplo, que possam ser entendidas mal. Um bom método a seguir é este: Quando em dúvida, não a use.
21 As ilustrações não devem desnecessariamente ofender alguém dentre seus ouvintes, especialmente não os recém-associados. Por este motivo, não seria bom suscitar assuntos doutrinais ou controversiais que realmente não estão envolvidos na palestra. Por exemplo, não usaria uma ilustração tal como a transfusão de sangue ou a continência à bandeira, se estes assuntos não forem o ponto principal do discurso. Alguém talvez seja assim afastado e até mesmo pode tropeçar. Quando seu discurso trata de tais questões, o caso é diferente. Então tem a oportunidade de raciocinar com os ouvintes e de convencê-los. Mas não alcançará o seu objetivo se permitir que as suas ilustrações criem preconceito nos ouvintes contra as verdades importantes que está considerando.
22 Por isso, use de bom senso na seleção de suas ilustrações. Certifique-se de que sejam apropriadas. Elas o serão, se forem apropriadas tanto à matéria como à assistência.
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Matéria adaptada ao ministério de campoManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 35
Matéria adaptada ao ministério de campo
1-3. Por que é valioso aprender a adaptar a matéria ao ministério de campo?
1 Grande parte de nossa obra como ministros cristãos, hoje em dia, envolve a pregação e o ensino da Palavra de Deus aos que sabem muito pouco sobre a Bíblia. Alguns deles nunca tiveram uma; outros apenas têm um exemplar dela na prateleira. Isto significa que, se hão de tirar pleno proveito daquilo que lhe dizemos, teremos de adaptá-lo à situação deles. Não é que mudamos a mensagem, mas fazemos um esforço especial para expressá-la numa linguagem que eles possam compreender. De fato, termos de adaptar nossa matéria deste modo é uma prova de quão cabalmente nós mesmos a compreendemos.
2 Adaptar significa modificar para satisfazer condições novas, tornar apto. Significa harmonizar algo para sua própria satisfação ou a de outro. A consideração da questão de se adaptar matéria ao ministério de campo deve salientar a necessidade de se fazerem as apresentações no ministério de campo ou em qualquer outro discurso de modo simples e compreensível para uma assistência específica e especialmente para os recém-interessados encontrados no ministério de campo. Ao se empenhar em desenvolver esta característica oratória na escola, portanto, deve sempre encarar seus ouvintes assim como faria com os que encontra no testemunho de casa em casa.
3 Isto não significa que seu discurso deva assumir a forma duma apresentação de porta em porta, enquanto se empenha em desenvolver esta característica oratória. Todos os discursos serão iguais na maneira de sua apresentação conforme esboçada nas atuais instruções da escola. O que se quer dizer é que não importa qual o tipo de apresentação que fizer, os argumentos e a linguagem usados serão da espécie que usaria com pessoas encontradas no campo. Visto que na maior parte falamos no ministério de campo, isto deve ajudá-lo a se aperceber da necessidade de falar de modo simples, num nível compreensível para a maioria das pessoas encontradas no serviço de campo. Já teve alguma preparação para esta característica oratória no Estudo 21. Agora o assunto é tratado de modo separado, por causa de sua necessidade e importância destacadas.
4, 5. Explique por que nossas expressões precisam ser tornadas compreensíveis ao público.
4 Expressões tornadas compreensíveis ao público. A necessidade desta característica oratória é demonstrada pelas expressões que alguns irmãos usam no ministério de casa em casa e nos estudos novos. Nossa compreensão das Escrituras nos deu um vocabulário que não é de conhecimento geral. Usamos palavras tais como “restante”, “outras ovelhas” e assim por diante. Quando as usamos no falar, tais expressões costumam não transmitir nenhum significado aos que encontramos no serviço de campo. Precisam ser esclarecidas pelo uso de apropriadas expressões sinônimas ou de explicações para se tornarem compreensíveis. Até mesmo a menção de “Armagedom” e do “estabelecimento do Reino” significam pouco sem explicação quanto ao que querem dizer.
5 Na consideração deste aspecto, seu conselheiro se perguntará: Será este ponto ou esta expressão compreendida por alguém que não conhece a verdade bíblica? Não necessariamente lhe desaconselhará usar tais termos teocráticos. Fazem parte de nosso vocabulário e queremos que os recém-interessados se familiarizem com eles. Mas, se usar tais termos, ele observará se os explica.
6-8. Ao prepararmos nossos discursos, por que precisamos ter cuidado na seleção de pontos apropriados?
6 Seleção de pontos apropriados. Sua seleção de idéias a serem apresentadas no serviço de campo variará assim como os termos que usa, dependendo das circunstâncias. Isto se dá porque normalmente há certas coisas que não escolhemos para considerar com alguém recém-interessado. Em tais circunstâncias, a escolha da matéria é inteiramente sua. Mas quando recebe uma designação na escola, a matéria que deve abranger já foi selecionada. A única escolha que tem depende do que é abrangido na designação. O que deve fazer?
7 Em primeiro lugar, visto que está limitado nos pontos que pode usar, deve decidir alguma cena ou situação para seu discurso, que lhe permita a maior seleção possível de pontos apropriados. Seu conselheiro estará interessado nos pontos que selecionar e como se ajustam às circunstâncias de seu discurso. Isto se dá porque estará demonstrando, nesta característica oratória em consideração, que as diferentes situações no serviço de campo exigem diferentes espécies de matéria. Por exemplo, não usaria a mesma matéria para convidar um recém-interessado a uma reunião como usaria em fazer uma apresentação de porta em porta. Portanto, quer a sua designação requeira uma palestra com um morador, quer seja um discurso regular na tribuna, identifique a assistência específica a que vai falar por meio das coisas que diz e pelos pontos que selecionar na matéria designada.
8 A fim de determinar se os pontos usados foram apropriados ou não, seu conselheiro considerará o objetivo de seu discurso. Numa visita de casa em casa, seu objetivo em geral é ensinar e estimular o morador a estudar mais. Numa revisita, seu objetivo é criar interesse, e, se possível, iniciar um estudo bíblico domiciliar. Quando se trata de apresentações depois de um estudo, então o objetivo é induzir o morador a freqüentar as reuniões ou a se empenhar no serviço de campo, e assim por diante.
9, 10. Como podemos saber se os pontos selecionados são apropriados?
9 Naturalmente, até na mesma fase de serviço sua seleção de pontos pode variar conforme os seus ouvintes. Por isso é preciso levar também isso em consideração. Os pontos de sua matéria designada, que não forem apropriados ao seu objetivo não devem ser introduzidos no discurso.
10 Em vista destes fatores, a cena ou situação precisa ser selecionada antes de se preparar o discurso. Pergunte-se: O que quero alcançar? Quais são os pontos necessários para eu alcançar este objetivo, e como devem estes pontos ser modificados para se ajustarem às circunstâncias do discurso? Uma vez decidida esta questão, poderá selecionar sem dificuldade os pontos apropriados e apresentá-los de modo a adaptar a matéria ao ministério de campo.
11-13. Por que é importante destacar o valor prático da matéria que apresentamos?
11 Destaque do valor prático da matéria. Destacar o valor prático da matéria significa mostrar ao morador de modo claro e inconfundível que ela é do seu interesse, que se trata de algo de que precisa ou que pode usar. Desde o início da palestra, o morador se precisa dar conta de que “isto envolve a mim”. É necessário para obter a atenção dos ouvintes. Mas, para manter esta atenção, é necessário continuar coerentemente com a mesma aplicação pessoal da matéria durante todo o discurso.
12 Isto envolve mais do que apenas contato com a assistência e ajudar os ouvintes a raciocinar. Precisa agora ir mais longe e enquadrar o morador na aplicação da matéria. Seu objetivo no ministério de campo é ensinar às pessoas a verdade da Palavra de Deus e ajudá-las a aprender o caminho da salvação. Por isso, com tato e consideração, precisa mostrar ao morador o proveito prático para ele em escutar e em agir segundo o que lhe diz.
13 Embora este aspecto da característica oratória seja mencionado por último, não é por ser o menos importante. É um ponto vital e nunca deve ser despercebido. Aprimore-o, porque é importante no ministério de campo. Raras vezes poderá manter a atenção do morador por um tempo apreciável se ele não puder ver claramente que aquilo que diz é de valor para a vida dele.
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Conclusão apropriada e controle do tempoManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 36
Conclusão apropriada e controle do tempo
1-3. Como se pode relacionar a conclusão com o tema do discurso?
1 O que se diz por último é amiúde lembrado primeiro. Por isso, a conclusão de seu discurso merece cuidadosa preparação. Deve destacar nitidamente os pontos principais que deseja que sejam lembrados e rematar terminantemente o tema. Deve estimular os ouvintes à ação, em resultado de sua composição, bem como de seu modo de falar. É a isso que o exortamos a dar atenção quando chega ao ponto de “Conclusão apropriada, eficaz”, na folha de Conselho Sobre Discursos.
2 Conclusão em relação direta com o tema do discurso. Para obter idéias sobre como relacionar a conclusão com o tema do discurso, sugerimos que recapitule o Estudo 27. Sua conclusão não precisa repetir o tema do discurso em tantas palavras, embora alguns estudantes, especialmente os novos, talvez o achem de ajuda; mas deve atrair a atenção a ele. Daí, à base do tema, mostre o que os ouvintes podem fazer.
3 Se a conclusão não for relacionada diretamente com o tema, não dará desfecho à matéria nem a rematará. Mesmo que use uma conclusão de resumo direto, apresentando o esquema dos pontos principais, ainda, sem dúvida, desejará acrescentar uma ou duas sentenças finais, expressando a idéia central ou o tema do discurso.
4-9. Por que precisa a conclusão mostrar o que os ouvintes devem fazer?
4 Conclusão mostra o que os ouvintes devem fazer. Visto que geralmente o objetivo em falar é estimular a algum tipo de ação ou a persuadir a aceitar certo ponto de vista, por certo, então, os pensamentos concludentes do discurso devem rematar estes pontos. O objetivo principal da conclusão, portanto, é mostrar aos ouvintes o que devem fazer e animá-los a fazer isso.
5 Por este motivo, além de esclarecer o objetivo do discurso, a conclusão deve ser proferida com fervor e convicção, e com força motivadora. Amiúde se verificará que sentenças curtas são vantajosas para dar vigor à conclusão. Mas, não importa qual a estrutura das sentenças, devem-se apresentar motivos válidos para uma ação, incluindo os benefícios derivados por se adotar tal proceder.
6 A conclusão deve seguir logicamente o que já foi declarado no discurso. Portanto, o que disser na conclusão deve induzir seus ouvintes a agir em harmonia com o que já foi declarado no corpo do discurso. Sua conclusão esclarecerá e salientará o que devem fazer, para que ajam à base das coisas abrangidas no discurso e sejam movidos a fazê-lo especialmente pela qualidade convincente de sua conclusão.
7 No ministério de casa em casa, as conclusões muitas vezes são fracas. Isto acontece quando não se mostra especificamente ao morador o proceder que esperamos que adote, quer o de obter uma das publicações, quer o de concordar com uma revisita ou algo similar.
8 As conclusões das designações da escola também serão fracas se forem apenas resumos da matéria e não induzirem a assistência à ação. Deve-se fazer alguma aplicação da matéria, ou deve-se mostrar de outro modo que a matéria é de valor especial para os ouvintes.
9 Alguns oradores acham muito útil concluir um discurso sobre um tema bíblico com um breve resumo do discurso inteiro, usando por base os textos-chaves e o tema do discurso. Por se epitomar o discurso deste modo com alguns textos já considerados, assim como se faz às portas, não só se faz com que o ponto do discurso fique claro, mas os ouvintes terão também algo de que se lembrar e que usar, por meio da repetição dos pontos principais do discurso. Este é o objetivo primário da conclusão, e este método não só é apropriado, mas alcança também eficientemente o objetivo.
10-14. Ofereça sugestões quanto à extensão da conclusão.
10 Conclusão de extensão apropriada. A extensão da conclusão não deve ser determinada pelo relógio, embora muitas vezes isto aconteça. A conclusão terá a extensão apropriada se for eficaz e alcançar seu objetivo. Portanto, a extensão apropriada dela deve ser determinada pelos resultados. Isto é o que seu conselheiro fará quando se empenhar em aprimorar a “Conclusão de extensão apropriada”, na folha de Conselho Sobre Discursos.
11 Para obter uma idéia de conclusões em proporção com a extensão do conteúdo da matéria, observe a conclusão curta de todo o livro de Eclesiastes, encontrada em Eclesiastes 12:13, 14, e compare-a com o Sermão do Monte de Jesus e sua conclusão em Mateus 7:24-27. Encontrará ali dois tipos de conclusões de extensões diferentes, no entanto, ambas alcançam seu objetivo.
12 A conclusão não deve apanhar os ouvintes desprevenidos. Não só devem as palavras faladas indicar obviamente o fim do discurso, mas devem ter também um tom terminante. O que dirá e como o dirá deve concluir sua palestra. Não se deve estender desnecessariamente. Se não puder rematar seu discurso e ainda manter o interesse durante a conclusão, então deve ser elaborada de modo diferente. Ainda é comprida demais.
13 Se for orador principiante, é muitas vezes melhor fazer sua conclusão mais curta do que talvez pense ser necessário. Torne-a simples, direta e positiva. Não a deixe prosseguir interminavelmente.
14 Se tiver de proferir um discurso numa seqüência de discursos, ou se tiver de falar numa reunião de serviço, então, a sua conclusão se ligará com a introdução do próximo discurso, e por isso pode ser mais curta. Não obstante, cada parte individual deve ter uma conclusão que alcança o objetivo do discurso. Se fizer isso, então é de extensão apropriada.
15-18. O que resulta quando não se cuida bem do controle do tempo?
15 Controle do tempo. Não só é importante a extensão da conclusão, mas também o controle do tempo de cada parte do discurso merece atenção. Por este motivo, há uma indicação separada na folha de Conselho Sobre Discursos quanto ao “Controle do tempo”.
16 Não se deve menosprezar a importância do controle correto do tempo dum discurso. Se o discurso tiver sido corretamente preparado, também se terá considerado o controle do tempo, mas, se o orador, no esforço de incluir o máximo da matéria, passar da hora, ele realmente não alcançará seu objetivo. Isto se dá porque os ouvintes começarão a ficar desassossegados e a olhar para o relógio, e realmente não prestarão atenção ao que ele diz. A conclusão, que deve envolver a aplicação e a motivação vitais para se alcançar o objetivo do discurso, fracassará. Mesmo quando apresentada, em muitos casos os ouvintes deixarão de obter o benefício dela porque o orador passou da hora.
17 Não só os ouvintes não se sentirão à vontade quando o orador passar da hora, mas também o próprio orador. Quando ele vê que seu tempo se esgota e que ele tem matéria demais, talvez tente ainda incluir demais dela, destruindo a eficiência. Isto muitas vezes resulta na falta de equilíbrio. Por outro lado, se o orador achar que não tem matéria suficiente para preencher o tempo designado, no esforço de estendê-la talvez se torne incoerente e divague na sua apresentação.
18 Embora seja verdade que o superintendente da escola indicará ao estudante quando seu tempo acabar, isto é desapontador tanto para o estudante como para os ouvintes, quando é preciso cortar o discurso antes de ele terminar. O orador deve ter interesse suficiente na sua matéria para querer apresentá-la. A assistência se sentirá como se tivesse sido deixada no ar, se não ouvir a conclusão. Quando alguém passa constantemente da hora, nos seus discursos, ele não mostra consideração pelos outros, ou dá evidência de falta de preparação.
19, 20. Por que é o controle do tempo especialmente importante nas reuniões de serviço e nos programas de congressos?
19 Quando diversos oradores participarem no programa, o controle correto do tempo é especialmente importante. Por exemplo, pode haver cinco partes numa reunião de serviço. Se cada orador falar apenas um minuto além do tempo designado, fará que a reunião passe cinco minutos da hora. No entanto, cada um deles passou apenas um pouco da hora. O resultado pode ser que alguém tenha de sair antes de a reunião ter acabado, para apanhar um ônibus, ou pode acontecer que um cônjuge incrédulo que veio apanhar alguém na reunião tenha de esperar lá fora, ficando irritado. O efeito geral não é bom.
20 Podem também surgir dificuldades quando um orador numa seqüência de discursos não usa todo seu tempo designado. Por exemplo, se um irmão que recebeu a designação de um discurso de meia hora no programa dum congresso parasse após vinte minutos, poderia causar uma interrupção no programa, se o próximo orador por acaso não estivesse pronto para começar imediatamente.
21-24. Mencione brevemente alguns dos problemas relacionados com o controle do tempo e quais as suas causas.
21 Naturalmente, uma das causas básicas de se passar da hora num discurso é ter matéria demais. Isto é algo que deve ser corrigido quando se prepara o discurso. Quando os outros pontos, os pontos anteriores na folha de Conselho Sobre Discursos, tiverem sido aprendidos até este ponto, então, o controle do tempo não será problema. Se já aprendeu a destacar os pontos principais e a preparar um esboço correto, verificará que o controle bom do tempo segue de modo natural. O controle do tempo é considerado perto do fim da folha de conselho porque na maior parte depende das características oratórias já consideradas.
22 Em geral, o problema do controle do tempo é passar da hora. Um orador bem preparado costuma ter bastante matéria informativa, mas precisa ter cuidado para não usar mais do que o tempo designado para ela.
23 Entretanto, os oradores novos ou inexperientes tendem às vezes a acabar antes da hora. Desejarão aprender a fazer pleno uso do tempo disponível. No início, talvez achem um pouco difícil controlar seus discursos de modo a fazê-los acabar exatamente quando querem, mas devem esforçar-se a chegar o mais perto possível do tempo designado. Não obstante, a menos que o discurso acabe muito antes do tempo designado, o controle do tempo não será considerado ponto fraco, se o estudante se tiver preparado e tiver apresentado um discurso bem elaborado e satisfatório.
24 Se o controle do tempo por parte do orador deve ser considerado fraco ou não pode ser melhor decidido por se observar o efeito da sua apresentação sobre os ouvintes. Quando o superintendente da escola indicar que acabou o tempo, o estudante deve sentir-se livre para acabar a sua sentença. Se ele puder, com esta sentença, dar uma conclusão eficiente ao seu discurso, para os ouvintes sentirem que ouviram uma consideração completa, então o controle do tempo não deve ser considerado ponto fraco.
25-29. Como pode o orador certificar-se de que seu discurso é bem controlado quanto ao tempo?
25 Como se pode conseguir o controle correto do tempo? Basicamente, é uma questão de preparação. É importante preparar não só a matéria incluída no discurso, mas a própria apresentação do discurso. Se houver preparação adequada para o proferimento, o controle do tempo será usualmente correto.
26 Ao esboçar seu discurso, indique claramente quais são os seus pontos principais. Sob cada ponto principal talvez queira abranger diversos pontos secundários. Alguns, naturalmente, são mais importantes do que outros. Saiba quais são vitais para a apresentação e quais podem ser deixados fora, se for necessário. Daí, durante a sua apresentação, se achar que se está atrasando, será simples apresentar apenas os argumentos principais e deixar fora os secundários.
27 Isto é algo que precisamos fazer constantemente no ministério de campo. Quando nos dirigimos às portas das pessoas, e estas nos atendem e escutam, falamos com elas por vários minutos. Mas estamos também preparados para fazer a mesma apresentação em forma condensada, gastando talvez apenas um ou dois minutos, se necessário. Como fazemos isso? Pensamos no nosso ponto ou pontos principais e na matéria mais importante necessária para dar apoio. Pensamos também em outra informação de importância secundária, que poderemos usar para ampliar a palestra, mas sabemos que, quando a situação o exigir, ela pode ser deixada fora. O mesmo processo pode ser adotado no proferimento de um discurso da tribuna.
28 Amiúde é útil para o orador anotar na margem do seu papel de discurso onde deve estar na metade de seu tempo, ou no caso de um discurso mais extenso, talvez queira dividi-lo em quatro partes. Daí, ao passar estas marcações de tempo no seu esboço, deve verificar o relógio e ver como está indo. Se estiver atrasado no tempo, então chegou a hora de deixar fora matéria de importância secundária, em vez de esperar até o último momento e correr na conclusão, destruindo assim a sua eficiência. No entanto, causa muita distração se o orador olhar constantemente para o relógio ou se fizer isso de modo bem visível, ou quando disser aos ouvintes que seu tempo está acabando e que por isso precisa apressar-se com a sua matéria. É algo a ser feito de modo natural, sem perturbar os ouvintes.
29 Para se alcançar o correto controle geral do tempo é necessário que a introdução tenha a extensão apropriada, que cada um dos pontos principais seja elaborado na proporção correta e que sobre tempo suficiente para a conclusão. Não é algo em que pensar só quando vê que o tempo se está esgotando. Se cuidar do controle de seu tempo logo de início, o resultado será uma apresentação bem proporcional.
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Equilíbrio e aparência pessoalManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 37
Equilíbrio e aparência pessoal
1-9. Defina o significado de equilíbrio e confiança, e diga como podem ser alcançados.
1 O orador equilibrado é orador descontraído. É calmo e tranqüilo, porque controla a situação. A falta de equilíbrio, por outro lado, mostra certa falta de confiança. As duas coisas estão relacionadas. Por isso se alistam “Confiança e equilíbrio”, na folha de Conselho Sobre Discursos, como apenas um só ponto.
2 Embora seja desejável que o orador tenha confiança e equilíbrio, não se deve confundir isso com o excesso de confiança, que se manifesta por ele fazer pose ou se empertigar, ou por adotar uma postura desleixada, dum modo excessivamente descontraído, se estiver sentado, ou por se encostar demasiado à vontade na ombreira da porta, na pregação de casa em casa. Se alguma coisa na sua apresentação der a idéia de uma atitude excessivamente confiante, o superintendente da escola, sem dúvida, lhe dará conselho em particular, pois se interessará em ajudá-lo a não dar tal impressão, que talvez impeça a eficiência de seu ministério.
3 Entretanto, se for orador novo, é bem provável que se sinta tímido e acanhado ao subir à tribuna. Talvez se sinta bem nervoso e desassossegado, o que pode induzi-lo a crer que vai fazer uma apresentação ineficiente. Mas este não precisa ser o caso. A confiança e o equilíbrio podem ser adquiridos mediante esforço diligente e o conhecimento do motivo de sua ausência.
4 Por que falta confiança a alguns oradores? Em geral, por um de dois motivos, ou por ambos. Primeiro, pela falta de preparação ou por se encarar a matéria de modo errado. Segundo, pela atitude negativa para com as suas qualificações como orador.
5 Como pode adquirir confiança? Basicamente é saber ou crer que poderá alcançar seu objetivo. É a certeza de que domina a situação e que pode controlá-la. Na tribuna, isto pode exigir alguma experiência. Depois de ter proferido diversos discursos, poderá estar razoavelmente certo que o atual também será bem sucedido. Mas, mesmo que seja relativamente novo, os discursos anteriores que proferiu devem dar-lhe ânimo, de modo que logo deverá ter condições de manifestar esta qualidade em grau razoável.
6 Outro requisito vital para se ter confiança, quer seja experiente quer não, é o conhecimento de sua matéria e a convicção de que esta matéria é de valor. Isto significa não só preparação antecipada, cabal, de seu assunto, mas também cuidadosa preparação para o proferimento. Se se der conta de que é para o seu próprio progresso teocrático, bem como para a instrução dos irmãos na assistência, então se dirigirá à tribuna numa atitude de oração. Ficará absorto no assunto e se esquecerá de si mesmo e de seu nervosismo. Pensará em agradar a Deus, não os homens. — Gál. 1:10; Êxo. 4:10-12; Jer. 1:8.
7 Isto significa que precisa estar convencido de tudo o que vai dizer. Certifique-se na sua preparação de que seja assim. E depois de ter feito tudo o que puder para preparar um discurso interessante e animado, se ainda achar que falta ao discurso variedade ou que não tem vida, lembre-se de que uma assistência viva dará animação ao seu discurso. Por isso torne seus ouvintes animados pelo seu modo de apresentação, e o interesse deles lhe dará confiança no que tem a apresentar.
8 Assim como o médico procura os sintomas da doença, também seu conselheiro observará os indícios de uma inconfundível falta de domínio de si. E assim como o bom médico se esforçará em eliminar a causa de sua doença, em vez de os sintomas, assim o seu conselheiro se esforçará a ajudá-lo a vencer as causas reais da falta de confiança e equilíbrio. No entanto, conhecer os sintomas e aprender a controlá-los o ajudará realmente a vencer as causas básicas destes sintomas. Quais são?
9 De modo geral, há duas saídas para emoções ou tensões acumuladas. Podem ser classificadas como evidências físicas ou corporais e manifestações vocais. Quando são manifestadas de algum modo, dizemos que a pessoa tem falta de equilíbrio.
10, 11. Como pode o porte físico revelar falta de confiança?
10 Equilíbrio manifestado pelo porte físico. A primeira evidência de equilíbrio, portanto, se manifesta no seu porte físico. As seguintes são algumas das coisas que demonstrarão que lhe falta confiança. Primeiro, considere as mãos: mãos entrelaçadas atrás das costas, pendentes rigidamente aos lados ou segurando firmemente a tribuna; enfiar repetidas vezes as mãos nos bolsos, abotoar e desabotoar o paletó, tocar sem objetivo a face, o nariz, os óculos; gestos incompletos; brincar com o relógio, o lápis, a aliança ou as notas. Ou considere o constante mexer dos pés, balançando o corpo de um lado para outro; as costas rígidas ou a frouxidão dos joelhos; freqüentemente umedecer os lábios, engolir repetidas vezes, e respirar de modo ofegante.
11 Todas estas evidências de nervosismo podem ser controladas ou diminuídas mediante esforço consciente. Se fizer este esforço, dará a impressão de ter equilíbrio no seu porte físico. Por isso, respire de modo natural e uniforme, e faça um esforço especial para estar descontraído. Pause antes de começar a falar. Seus ouvintes forçosamente reagirão de modo favorável, e isto, por sua vez, o ajudará a obter a confiança que procura. Concentre-se na sua matéria, não se preocupando com os ouvintes, nem pensando em si mesmo.
12-14. Quando a voz indica que há falta de confiança, o que se pode fazer para se ter equilíbrio?
12 Equilíbrio demonstrado pela voz controlada. Os indícios vocais que demonstram haver nervosismo são o tom extraordinariamente elevado, voz trêmula, limpar a garganta repetidas vezes, incomum voz fraca por causa da falta de ressonância devido à tensão. Estes problemas e maneirismos também podem ser vencidos por meio de um esforço diligente.
13 Não se apresse quando vai à tribuna ou arruma suas notas, mas esteja descontraído e feliz de transmitir as coisas que preparou. Se notar que se sente nervoso quando começa a falar, então terá de fazer esforço especial de falar com mais vagar do que usualmente faria, na introdução, e com um tom mais baixo do que talvez ache normal. Isto o ajudará a controlar seu nervosismo. Verificará que tanto os gestos como as pausas o ajudarão a descontrair-se.
14 Mas não espere até subir à tribuna para praticar todas estas coisas. Aprenda a ser equilibrado e controlado na sua conversa diária. Contribuirá muito para dar-lhe confiança na tribuna e no seu ministério de campo, onde é mais essencial. O proferimento calmo porá seus ouvintes à vontade, para se poderem concentrar na matéria. Comentar regularmente nas reuniões o ajudará a se acostumar a falar perante um grupo.
15. Por que é muito importante a aparência pessoal?
15 A boa aparência pessoal pode ajudá-lo a ter equilíbrio, mas é também importante por outros motivos. Se não receber a devida atenção, o ministro poderá verificar que a sua aparência distrai os ouvintes, ao ponto de realmente não prestarem atenção ao que diz. Antes, chama atenção para si mesmo, o que naturalmente não deseja fazer. Quando alguém é extremamente descuidado na sua aparência pessoal, pode até fazer que outros menosprezem a organização de que faz parte e rejeitem a mensagem que apresenta. Isto não se deve dar. Por isso, embora a “Aparência pessoal” seja alistada por último na folha de Conselho Sobre Discursos, não deve ser considerada como de menos importância.
16-21. Que conselho se dá quanto ao vestir-se e arrumar-se de modo correto?
16 Vestir-se e arrumar-se corretamente. Devem-se evitar os extremos no modo de vestir. O ministro cristão não acompanhará as modas passageiras do mundo, que atraem a atenção à pessoa. Evitará vestir-se de modo exagerado ou de modo muito ostentoso, ao ponto de trazer à atenção a sua roupa. Também, terá cuidado para não se vestir de modo desleixado. Estar bem vestido não exige que se use um terno novo, mas sempre se pode ser esmerado e asseado. As calças devem estar passadas e a gravata usada direito. Estas são coisas que qualquer um pode fazer.
17 O conselho sobre o modo de se vestir, registrado pelo apóstolo Paulo e encontrado em 1 Timóteo 2:9, é apropriado para as mulheres ou moças cristãs hoje em dia. Assim como se dá com os irmãos, elas tampouco se devem vestir de modo a chamar atenção para si mesmas, nem seria apropriado que elas se entregassem a extremos nos estilos de moda mundanos, evidenciando falta de modéstia.
18 Naturalmente, deve-se ter em mente que nem todos se vestem de modo igual. Não se deve esperar isso. As pessoas têm gostos diferentes, e isto é bastante correto. O que se considera modo de vestir correto também varia segundo as partes diferentes do mundo, mas é sempre bom evitar vestir-se dum modo que sugira coisas desfavoráveis à mente dos ouvintes e evitar fazer tropeçar os que vêm às nossas reuniões.
19 Quanto a vestir-se corretamente, da parte dos irmãos, quando proferem discursos na escola ou na reunião de serviço, pode-se dizer que se devem trajar do mesmo modo geral como os irmãos que proferem discursos públicos. Se for costumeiro, na sua localidade, que os oradores públicos usem gravata e paletó, então é também correto vestir-se assim quando dá discursos na Escola do Ministério Teocrático, pois está sendo treinado para falar em público.
20 O modo de se arrumar corretamente também deve receber atenção. Cabelo despenteado deixa má impressão. Deve-se ter cuidado razoável de se apresentar uma aparência esmerada neste sentido. Do mesmo modo, quando varões na congregação recebem designações nas reuniões, devem cuidar de estarem bem barbeados.
21 Quanto ao conselho sobre esta questão de vestir-se e arrumar-se corretamente, quando há margem para elogios, sempre podem ser dados da tribuna. De fato, quando se elogia os que deram a devida atenção ao seu modo de se vestir e de se arrumar, anima-se assim os outros a seguir este bom exemplo. Todavia, quando há necessidade de melhorar neste respeito quanto a se vestir e se arrumar, é melhor que o superintendente da escola dê estas sugestões de modo bondoso em particular, em vez de aconselhar o estudante da tribuna.
22-28. Mostre como a postura pode afetar a aparência pessoal.
22 Postura correta. A aparência pessoal envolve também a postura correta. Novamente, nem todos têm postura igual, e não se deve fazer que os irmãos se conformem a certa norma rígida. No entanto, os extremos indesejáveis e que chamam a atenção para a pessoa e a desviam da mensagem devem receber atenção, para que possam ser corrigidos ou eliminados.
23 Por exemplo, nem todos colocam os pés do mesmo modo, e, falando-se de modo geral, faz pouca diferença como se posta, desde que esteja ereto. Mas quando um orador fica com os pés tão afastados que dá aos ouvintes a impressão de que pensa estar montado num cavalo, então isto pode desviar muito a atenção.
24 O mesmo se dá também quando o orador fica encurvado, não se mantendo ereto, criando o sentimento de dó da parte dos ouvintes para com o orador, porque não parece sentir-se bem, e isto, naturalmente, desvia a atenção da apresentação. Eles não pensam no que ele diz, mas nele mesmo.
25 Ficar parado num pé, com o outro pé por detrás dele, dá evidência de flagrante falta de equilíbrio, assim como ficar de pé com as mãos enfiadas nos bolsos. Estas são coisas a ser evitadas.
26 Do mesmo modo, embora não seja errado que o orador ocasionalmente descanse as mãos na tribuna de orador, se houver uma, certamente não se deve debruçar na tribuna, do mesmo modo como o publicador no ministério de campo não se deve encostar contra a ombreira da porta. Não dá boa aparência.
27 No entanto, precisa-se salientar outra vez que as pessoas individuais são diferentes. Nem todos ficam de pé do mesmo modo, e apenas os extremos indesejáveis, que tiram a atenção da apresentação, devem merecer atenção na Escola do Ministério Teocrático.
28 Corrigir a postura é definitivamente uma questão de preparação. Se tiver necessidade de melhorar neste sentido, precisa pensar de antemão e saber que, quando subir à tribuna, deve assumir a postura correta antes de começar a falar. Isto é também algo que pode ser corrigido por se praticar diariamente a postura correta.
29-31. Por que devem ser esmeradas as coisas que usamos?
29 Esmero nas coisas usadas. Quando acontece que durante a palestra à porta ou no discurso na tribuna alguns papéis caem de dentro da Bíblia que se usa, é evidente que distrai a atenção. Cria má impressão. Isto não quer dizer que nunca se deve pôr nada dentro da Bíblia, mas quando começam a surgir dificuldades que desviam a atenção do discurso, indica que se precisa dar mais atenção à aparência correta. É também bom examinar a aparência de sua Bíblia. Por causa do muito uso que se faz dela, ela pode parecer suja ou gasta, e ter aspecto desleixado. Por isso é bom verificar se a Bíblia usada na tribuna ou no ministério de campo ofenderia os que desejamos ajudar.
30 O mesmo se dá com a pasta de literatura. Há muitos modos em que se pode arrumar bem a pasta de literatura, mas quando acontece que, ao nos dirigirmos a uma porta, se quisermos tirar uma publicação da nossa pasta, temos de mexer numa porção de papéis para achá-la, ou quando, ao tirarmos uma revista, outras coisas caem para fora, então certamente se precisa fazer algo a respeito disso.
31 Pode também distrair muito os ouvintes quando o orador tiver os bolsos de fora cheios de canetas e lápis, e houver outras coisas bem em evidência. Não se deve estabelecer nenhuma regra sobre onde a pessoa pode guardar estas coisas, mas quando começam a atrair a atenção e desviá-la do discurso, então é preciso fazer algumas modificações.
32-34. Que papel desempenham as expressões faciais na nossa aparência?
32 Sem expressões faciais impróprias. Quando prepara um discurso, é aconselhável pensar na disposição de ânimo exigida pela matéria. Por exemplo, quando se fala sobre a morte e a destruição, não é apropriado ter um sorriso largo no rosto. Do mesmo modo, quando se fala sobre as condições felizes do novo sistema de coisas, dificilmente seria próprio ter aspecto carrancudo.
33 As expressões faciais, em geral, não constituem problema, e, naturalmente, alguns estão mais inclinados a ser sérios na sua expressão do que outros. É preciso, porém, prevenir-se contra os extremos que desviam a atenção do discurso. Se a expressão facial suscitar dúvidas na mente dos ouvintes quanto à sinceridade do orador, então decididamente é indesejável.
34 Por isso é bom, ao preparar discursos, considerar a disposição de ânimo com que deve ser proferido. Se for um assunto sério, tratando da destruição dos iníquos, então deve ser proferido de modo sério. E se pensar na matéria e a mantiver em mente, na maioria dos casos a sua expressão facial refletirá isso de modo natural. Quando se trata de um tema feliz, um que deve dar alegria à assistência, então deve ser proferido de modo feliz. E quando se sente à vontade na tribuna, sua expressão facial usualmente irradiará esta alegria.
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Manifeste seu progressoManual da Escola do Ministério Teocrático
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Estudo 38
Manifeste seu progresso
1, 2. Por que devemos todos pensar em fazer progresso?
1 Depois de ter estudado e aplicado bem todas as lições neste livro, está agora pronto para se formar na Escola do Ministério Teocrático? Não, pois se trata de um programa contínuo de treinamento ministerial. Não há formatura, quando se trata de acumular conhecimento piedoso e praticar o que se aprende. Antes, como estudante diligente, pode continuar a fazer progresso observável aos que o conhecem.
2 O apóstolo Paulo exortou o jovem co-adorador Timóteo a ‘continuar a aplicar-se à leitura pública, à exortação, ao ensino, a ponderar as coisas que havia aprendido, a absorver-se nelas, para que o seu progresso fosse manifesto a todos’. (1 Tim. 4:13, 15) Como adorador do mesmo Deus, poderá fazer também que seu progresso seja manifesto aos outros. Poderá prosseguir a fazer isso sem jamais chegar ao ponto de não haver mais oportunidade de progredir. Jeová é a fonte de todo conhecimento verdadeiro, e esta fonte é como um poço sem fundo de água refrescante. Embora nunca possamos sondar completamente as suas profundezas, podemos continuar a derivar vida e revigoramento dele por tempo indefinido. (Rom. 11:33, 34; Isa. 55:8, 9)
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