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Como vencer a fraqueza humanaA Sentinela — 2001 | 15 de março
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Como vencer a fraqueza humana
“A mentalidade segundo a carne significa morte.” — ROMANOS 8:6.
1. Como é que alguns encaram o corpo humano, e que pergunta merece ser considerada?
“ELOGIAR-TE-EI porque fui feito maravilhosamente, dum modo atemorizante.” (Salmo 139:14) Assim cantou o salmista Davi ao contemplar uma das criações de Jeová — o corpo humano. Contrários a esse louvor bem-fundado, há instrutores religiosos que acham que o corpo é esconderijo e instrumento do pecado. Foi chamado de “vestimenta da ignorância, base dos vícios, grilhões da corrupção, jaula escura, morte em vida, cadáver senciente, túmulo ambulante”. É verdade que o apóstolo Paulo disse: “Na minha carne, não mora nada bom.” (Romanos 7:18) Mas, significa isso que estamos irremediavelmente presos num corpo pecaminoso?
2. (a) Qual é o significado da “mentalidade segundo a carne”? (b) Que conflito há entre a “carne” e o “espírito” nos humanos que desejam agradar a Deus?
2 As Escrituras referem-se às vezes ao corpo humano como “carne”. (1 Reis 21:27) Usam também “carne” para representar o homem na sua condição imperfeita como descendente pecaminoso do rebelde Adão. (Efésios 2:3; Salmo 51:5; Romanos 5:12) O que herdamos dele resultou na ‘fraqueza da carne’. (Romanos 6:19) E Paulo advertiu: “A mentalidade segundo a carne significa morte.” (Romanos 8:6) Ter “a mentalidade segundo a carne” significa ser controlado e motivado pelos desejos da carne decaída. (1 João 2:16) Portanto, quando procuramos agradar a Deus, há um constante conflito entre a nossa espiritualidade e a nossa natureza pecaminosa, que exerce implacavelmente uma pressão sobre nós, para fazermos “as obras da carne”. (Gálatas 5:17-23; 1 Pedro 2:11) Depois de descrever este conflito doloroso no seu íntimo, Paulo exclamou: “Homem miserável que eu sou! Quem me resgatará do corpo que é submetido a esta morte?” (Romanos 7:24) Era Paulo uma vítima indefesa da tentação? A Bíblia responde com um forte não!
A realidade da tentação e do pecado
3. Como muitos encaram o pecado e a tentação, mas que advertência dá a Bíblia acerca de tal atitude?
3 Hoje em dia, para muitos o pecado é um conceito inaceitável. Alguns usam “pecado” de forma humorística como termo antiquado para descrever fraquezas humanas. Eles não se dão conta de que “todos nós temos de ser manifestados perante a cadeira de juiz do Cristo, para que cada um receba o seu prêmio pelas coisas feitas por intermédio do corpo, segundo as coisas que praticou, quer boas, quer ruins”. (2 Coríntios 5:10) Outros talvez façam a observação leviana: “Posso resistir a tudo, menos à tentação!” Alguns vivem numa cultura que gira em torno da satisfação imediata, quer envolva alimento, sexo, divertimento quer consecuções. Eles não só querem tudo, mas o querem agora mesmo! (Lucas 15:12) Não olham além do prazer imediato, para a futura alegria da “verdadeira vida”. (1 Timóteo 6:19) No entanto, a Bíblia nos ensina a refletir com cuidado e a ser prudentes, mantendo-nos livres de tudo o que nos poderia prejudicar espiritualmente ou de outra forma. Um provérbio inspirado diz: “O argucioso que viu a calamidade foi esconder-se; os inexperientes que passaram adiante sofreram a penalidade.” — Provérbios 27:12.
4. Que admoestação deu Paulo em 1 Coríntios 10:12, 13?
4 Quando Paulo escreveu aos cristãos que moravam em Corinto — uma cidade conhecida pela depravação moral — ele advertiu de modo realista contra a tentação e o poder do pecado. Disse: “Quem pensa estar de pé, acautele-se para que não caia. Não vos tomou nenhuma tentação exceto a que é comum aos homens. Mas Deus é fiel, e ele não deixará que sejais tentados além daquilo que podeis agüentar, mas, junto com a tentação, ele proverá também a saída, a fim de que a possais agüentar.” (1 Coríntios 10:12, 13) Todos nós — jovens e idosos, homens e mulheres — nos confrontamos com muitas tentações na escola, no trabalho ou em outra parte. Portanto, examinemos as palavras de Paulo e vejamos o que significam para nós.
Não seja confiante demais
5. Por que é arriscado ter excesso de confiança?
5 Paulo declarou: “Quem pensa estar de pé, acautele-se para que não caia.” (1 Coríntios 10:12) Termos excesso de confiança na nossa força moral é arriscado. Revela falta de entendimento da natureza e do poder do pecado. Visto que pessoas tais como Moisés, Davi, Salomão e o apóstolo Pedro caíram em pecado, será que devemos achar que nós não somos vulneráveis? (Números 20:2-13; 2 Samuel 11:1-27; 1 Reis 11:1-6; Mateus 26:69-75) “O sábio teme e se desvia do mal, mas o estúpido fica furioso e confiante em si próprio”, diz Provérbios 14:16. Ademais, Jesus disse: ‘O espírito está ansioso, mas a carne é fraca.’ (Mateus 26:41) Visto que nenhum humano imperfeito está imune a desejos corruptos, se não levarmos a sério o aviso de Paulo e resistir à tentação, corremos o risco de cair. — Jeremias 17:9.
6. Quando e como devemos nos preparar para enfrentar a tentação?
6 É sábio prevenir-se contra dificuldades que podem surgir inesperadamente. O Rei Asa reconheceu que um período de paz era a ocasião certa para ele edificar suas defesas. (2 Crônicas 14:2, 6, 7) Sabia que no momento do ataque seria tarde demais para se preparar. De modo similar, decisões sobre como agir ao surgirem tentações são tomadas melhor com a cabeça fria, num ambiente tranqüilo. (Salmo 63:6) Daniel e seus amigos tementes a Deus tomaram a decisão de continuar fiéis à lei de Jeová antes de ser pressionados a comer as iguarias do rei. Por isso não hesitaram em se apegar às suas convicções e não comeram do alimento impuro. (Daniel 1:8) Antes de surgirem situações tentadoras, reforcemos nossa resolução de continuar moralmente puros. Assim teremos força para resistir ao pecado.
7. Por que é consolador saber que outros resistiram com bom êxito à tentação?
7 Que consolo derivamos das palavras de Paulo: “Não vos tomou nenhuma tentação exceto a que é comum aos homens”! (1 Coríntios 10:13) O apóstolo Pedro escreveu: “Tomai vossa posição contra ele [o Diabo], sólidos na fé, sabendo que as mesmas coisas, em matéria de sofrimentos, estão sendo efetuadas na associação inteira dos vossos irmãos no mundo.” (1 Pedro 5:9) Deveras, outros têm enfrentado tentações similares e têm resistido com bom êxito a elas com a ajuda de Deus, e nós podemos fazer o mesmo. No entanto, todos nós, como cristãos verdadeiros vivendo num mundo depravado, podemos esperar ser tentados mais cedo ou mais tarde. Então, como podemos assegurar a vitória sobre as fraquezas humanas e a tentação de pecar?
Nós podemos resistir à tentação!
8. Qual é um modo básico para evitar a tentação?
8 Um modo básico para deixar de sermos “escravos do pecado” é evitar a tentação quando possível. (Romanos 6:6) Provérbios 4:14, 15 exorta: “Não entres na vereda dos iníquos e não te encaminhes diretamente para o caminho dos maus. Evita-o, não passes por ele; aparta-te dele e passa adiante.” Muitas vezes sabemos de antemão se certas circunstâncias poderiam levar-nos a pecar. Portanto, é óbvio que, como cristãos, devemos ‘passar adiante’, ficando longe de alguém, de alguma coisa e de algum lugar que poderiam estimular em nós desejos errados e incentivar paixões impuras.
9. Como se enfatiza nas Escrituras que se deve fugir de situações tentadoras?
9 Fugir duma situação tentadora é outro modo básico para vencer a tentação. Paulo aconselhou: “Fugi da fornicação.” (1 Coríntios 6:18) Ele escreveu: “Fugi da idolatria.” (1 Coríntios 10:14) O apóstolo também advertiu Timóteo a fugir do indevido anseio de ter riquezas materiais, bem como “dos desejos pertinentes à mocidade”. — 2 Timóteo 2:22; 1 Timóteo 6:9-11.
10. Que dois exemplos contrastantes mostram o valor de se fugir duma tentação?
10 Considere o caso do Rei Davi, de Israel. Olhando do terraço do seu palácio, ele viu uma bela mulher tomando banho, e desejos errados passaram a encher-lhe o coração. Ele devia ter saído do terraço e fugido da tentação. Em vez disso, quis saber mais a respeito desta mulher — Bate-Seba — e o resultado foi desastroso. (2 Samuel 11:1-12:23) Por outro lado, como agiu José quando a esposa imoral do seu amo o instou a se deitar com ela? O relato nos diz: “Falando ela a José dia após dia, ele nunca a escutava de modo a se deitar ao seu lado, para continuar com ela.” Mesmo sem os mandamentos da Lei mosaica, que ainda não haviam sido dados, José respondeu-lhe, dizendo: “Como poderia eu cometer esta grande maldade e realmente pecar contra Deus?” Certo dia, ela o segurou, dizendo: “Deita-te comigo!” Será que José ficou ali para tentar raciocinar com ela? Não. Ele “fugiu, e foi para fora”. José não deixou que a tentação sexual tivesse uma chance. Ele fugiu! — Gênesis 39:7-16.
11. O que talvez seja possível fazer quando somos tentados repetidas vezes?
11 A fuga é às vezes considerada covardia, mas retirar-nos fisicamente duma situação muitas vezes é o proceder sábio a adotar. No trabalho talvez sejamos tentados repetidas vezes. Embora talvez não possamos mudar de emprego, pode haver outras maneiras de evitarmos situações tentadoras. Temos de fugir de tudo que sabemos ser errado, e devemos estar decididos a fazer somente o que é certo. (Amós 5:15) Em outras circunstâncias, fugir da tentação pode exigir evitar sites pornográficos na Internet e lugares questionáveis de divertimento. Pode também significar livrar-se de uma revista ou encontrar um novo grupo de amigos — os que amam a Deus e que podem ajudar-nos. (Provérbios 13:20) Seremos sábios se dermos as costas ao que for que tente fazer-nos pecar. — Romanos 12:9.
Como a oração pode ajudar
12. O que pedimos a Deus quando oramos: “Não nos leves à tentação”?
12 Paulo dá esta garantia animadora: “Deus é fiel, e ele não deixará que sejais tentados além daquilo que podeis agüentar, mas, junto com a tentação, ele proverá também a saída, a fim de que a possais agüentar.” (1 Coríntios 10:13) Um modo de Jeová nos ajudar é por atender as nossas orações pedindo sua ajuda para lidar com tentações. Jesus Cristo nos ensinou a orar: “Não nos leves à tentação, mas livra-nos do iníquo.” (Mateus 6:13) Jeová, atendendo tal oração feita de coração, não nos abandonará numa tentação; ele nos livrará de Satanás e das artimanhas deste. (Efésios 6:11, nota, NM com referências) Devemos pedir a Deus que nos ajude a reconhecer tentações e a dar-nos força para resistir a elas. Se implorarmos para que ele não nos deixe falhar quando somos tentados, ele nos ajudará a não sermos vencidos por Satanás, o “iníquo”.
13. O que devemos fazer quando confrontados com uma tentação persistente?
13 Precisamos orar de modo fervoroso especialmente quando confrontados com uma tentação persistente. Algumas tentações podem causar fortes conflitos internos, quando pensamentos e atitudes nos lembram dramaticamente quão fracos realmente somos. (Salmo 51:5) Por exemplo, o que podemos fazer quando somos atormentados pela lembrança de anteriores práticas depravadas? O que fazer quando somos tentados a repeti-las? Em vez de apenas tentar reprimir tais sentimentos, devemos apresentar o assunto a Jeová em oração — repetidas vezes se for necessário. (Salmo 55:22) Com o poder da sua Palavra e o espírito santo, ele pode ajudar-nos a limpar a mente de inclinações impuras. — Salmo 19:8, 9.
14. Por que é essencial orar para lidar com fraquezas humanas?
14 Notando a sonolência dos seus apóstolos no jardim de Getsêmani, Jesus os exortou: “Mantende-vos vigilantes e orai continuamente, para que não entreis em tentação. O espírito, naturalmente, está ansioso, mas a carne é fraca.” (Mateus 26:41) Um modo de superar a tentação é estar atento às diversas formas que a tentação pode assumir e perceber suas sutilezas. É também vital que sem demora oremos a respeito da tentação, para ficarmos espiritualmente equipados para combatê-la. Visto que a tentação nos sobrevém onde somos mais vulneráveis, não podemos resistir a ela sozinhos. A oração é essencial, porque a força de Deus pode tornar mais resistentes nossas defesas contra Satanás. (Filipenses 4:6, 7) Talvez precisemos também de ajuda espiritual e de orações dos “anciãos da congregação”. — Tiago 5:13-18.
Resista ativamente à tentação
15. O que envolve resistir à tentação?
15 Além de evitar uma tentação sempre que possível, temos de resistir ativamente a ela até que passe ou a situação mude. Quando Jesus foi tentado por Satanás, ele resistiu até que o Diabo foi embora. (Mateus 4:1-11) O discípulo Tiago escreveu: “Oponde-vos ao Diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:7) O primeiro passo para resistir é fortalecer nossa mente com a Palavra de Deus e decidir firmemente que aderiremos às normas dele. Faremos bem em decorar textos básicos que tratam da nossa fraqueza específica e em meditar neles. Seria sábio encontrarmos um cristão maduro — talvez um ancião — a quem possamos falar sobre as nossas preocupações e a quem possamos recorrer em busca de ajuda quando sofremos tentação. — Provérbios 22:17.
16. Como podemos continuar moralmente retos?
16 As Escrituras nos exortam a revestir-nos da nova personalidade. (Efésios 4:24) Isto significa deixar que Jeová nos amolde e mude. Paulo disse ao escrever ao seu colaborador Timóteo: “Empenha-te pela justiça, pela devoção piedosa, pela fé, pelo amor, pela perseverança, pela brandura de temperamento. Trava a luta excelente da fé, apega-te firmemente à vida eterna para a qual foste chamado.” (1 Timóteo 6:11, 12) Podemos ‘empenhar-nos pela justiça’ por estudar diligentemente a Palavra de Deus para obter um conhecimento profundo da sua personalidade e depois por comportar-nos em harmonia com os seus requisitos. Uma programação cheia de atividades cristãs, tais como a pregação das boas novas e a assistência às reuniões, também é vital. Achegarmo-nos a Deus e aproveitarmos plenamente as suas provisões espirituais nos ajudará a nos desenvolver espiritualmente e continuar moralmente retos. — Tiago 4:8.
17. Como sabemos que Deus não nos abandonará durante uma tentação?
17 Paulo nos assegurou que qualquer tentação a que estejamos expostos nunca irá além da nossa capacidade provida por Deus para lidar com ela. Jeová ‘proverá a saída, a fim de que a possamos agüentar’. (1 Coríntios 10:13) Deveras, Deus não permite que uma tentação torne-se tão forte, que não tenhamos suficiente força espiritual para manter a integridade, se continuarmos a confiar nele. Ele quer que sejamos bem-sucedidos em resistir ativamente à tentação de fazer o que é errado aos olhos dele. Além disso, podemos ter fé na sua promessa: “De modo algum te deixarei e de modo algum te abandonarei.” — Hebreus 13:5.
18. Por que podemos ter certeza da vitória sobre a fraqueza humana?
18 Paulo não tinha dúvida do resultado da sua própria luta contra as fraquezas humanas. Não achava que era vítima lastimável e indefesa dos seus desejos carnais. Ao contrário, ele disse: “Corro de modo nada incerto; dirijo os meus golpes de modo a não golpear o ar; mas, surro o meu corpo e o conduzo como escravo, para que, depois de ter pregado a outros, eu mesmo não venha a ser de algum modo reprovado.” (1 Coríntios 9:26, 27) Nós também podemos travar uma luta bem-sucedida contra a carne imperfeita. Nosso amoroso Pai celestial, para ajudar-nos a seguir o rumo certo, nos fornece constantes lembretes por meio das Escrituras, das publicações baseadas na Bíblia, das reuniões cristãs e de concristãos maduros. Com a ajuda dele, podemos vencer a fraqueza humana!
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Tenha a mentalidade segundo o espírito e viva!A Sentinela — 2001 | 15 de março
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Tenha a mentalidade segundo o espírito e viva!
“A mentalidade segundo o espírito significa vida.” — ROMANOS 8:6.
1, 2. Que contraste faz a Bíblia entre a “carne” e o “espírito”?
NÃO é fácil manter diante de Deus uma condição moralmente pura no meio duma sociedade depravada que glorifica a satisfação dos desejos carnais. No entanto, as Escrituras contrastam a “carne” e o “espírito”, traçando uma nítida linha de demarcação entre as conseqüências horríveis de se deixar dominar pela carne pecaminosa e os resultados benéficos de se submeter à influência do espírito santo de Deus.
2 Por exemplo, Jesus Cristo disse: “É o espírito que é vivificante; a carne não é de nenhum proveito. As declarações que eu vos tenho feito são espírito e são vida.” (João 6:63) O apóstolo Paulo escreveu aos cristãos na Galácia: “A carne é contra o espírito no seu desejo, e o espírito contra a carne; porque estes estão opostos um ao outro.” (Gálatas 5:17) Paulo disse também: “Aquele que semeia visando a sua carne, ceifará da carne corrupção, mas aquele que semeia visando o espírito, ceifará do espírito vida eterna.” — Gálatas 6:8.
3. O que é necessário para se livrar de desejos e de inclinações errados?
3 O espírito santo de Jeová — sua força ativa — pode eficazmente desarraigar “desejos carnais” impuros e o domínio destrutivo da nossa carne pecaminosa. (1 Pedro 2:11) Para nos livrar da escravidão às inclinações erradas, é vital que tenhamos a ajuda do espírito de Deus, porque Paulo escreveu: “A mentalidade segundo a carne significa morte, mas a mentalidade segundo o espírito significa vida e paz.” (Romanos 8:6) O que significa ter a mentalidade segundo o espírito?
“A mentalidade segundo o espírito”
4. O que significa ter “a mentalidade segundo o espírito”?
4 Quando Paulo escreveu a respeito da “mentalidade segundo o espírito”, ele usou uma palavra grega que significa “modo de pensar, (inclinação) mental, . . . alvo, aspiração, empenho”. Um verbo relacionado significa “pensar, ter certa mentalidade”. De modo que ter a mentalidade segundo o espírito significa ser controlado, dominado e impelido pela força ativa de Jeová. Significa que estamos dispostos a deixar que nosso modo de pensar, nossas inclinações e aspirações estejam completamente sob a influência do espírito santo de Deus.
5. Até que ponto devemos sujeitar-nos à influência do espírito santo?
5 Até que ponto devemos sujeitar-nos à influência do espírito santo foi enfatizado por Paulo quando falou de sermos ‘escravos pelo espírito’. (Romanos 7:6) Os cristãos, à base da sua fé no sacrifício de resgate de Jesus, foram libertados do domínio do pecado e assim ‘morreram’ para com a sua anterior situação como escravos. (Romanos 6:2, 11) Os assim figurativamente mortos ainda vivem fisicamente e têm agora a liberdade de seguir a Cristo como “escravos da justiça”. — Romanos 6:18-20.
Uma transformação dramática
6. Por que transformação passam os que se tornam “escravos da justiça”?
6 A transformação de “escravos do pecado” para servir a Deus como “escravos da justiça” é deveras dramática. Paulo escreveu referente a alguns que passaram por tal mudança: ‘Vós fostes lavados, vós fostes santificados, vós fostes declarados justos no nome de nosso Senhor Jesus Cristo e com o espírito de nosso Deus.’ — Romanos 6:17, 18; 1 Coríntios 6:11.
7. Por que é importante encarar as coisas como Jeová as encara?
7 A fim de passarmos por tal transformação notável, primeiro temos de aprender como Jeová encara as coisas. Há séculos, o salmista Davi rogou fervorosamente a Deus: “Faze-me saber os teus próprios caminhos, ó Jeová . . . Faze-me andar na tua verdade e ensina-me.” (Salmo 25:4, 5) Jeová deu atenção a Davi, e Ele pode responder também a tal oração dos seus servos hodiernos. Visto que os caminhos de Deus e sua verdade são puros e santos, meditarmos neles nos ajudará quando somos tentados a satisfazer desejos carnais impuros.
O papel vital da Palavra de Deus
8. Por que é imperativo para nós estudarmos a Bíblia?
8 A Palavra de Deus, a Bíblia, é produto do espírito dele. Portanto, uma maneira vital de deixarmos este espírito agir em nós é ler e estudar a Bíblia — se possível, diariamente. (1 Coríntios 2:10, 11; Efésios 5:18) Enchermos a mente e o coração com verdades e princípios da Bíblia nos ajudará a resistir aos ataques contra a nossa espiritualidade. Deveras, quando surgem tentações imorais, o espírito de Deus pode fazer nossa mente recordar lembretes bíblicos e princípios orientadores, que podem reforçar nossa determinação de agir em harmonia com a vontade de Deus. (Salmo 119:1, 2, 99; João 14:26) Por isso não somos enganados e levados a seguir um rumo errado. — 2 Coríntios 11:3.
9. Como o estudo da Bíblia fortalece nossa determinação de preservar o relacionamento que temos com Jeová?
9 Ao passo que continuamos nosso estudo sincero e diligente das Escrituras com a ajuda de publicações baseadas na Bíblia, o espírito de Deus nos influencia a mente e o coração, aprofundando nosso respeito pelas normas de Jeová. Nosso relacionamento com Deus torna-se a coisa mais importante na vida. Quando nos confrontamos com uma tentação, não ficamos entretendo pensamentos de quão agradável seria empenhar-nos na transgressão. Antes, nossa preocupação imediata é manter a integridade para com Jeová. O forte apreço pelo nosso relacionamento com ele incita-nos a combater qualquer inclinação que poderia prejudicar ou destruir esse relacionamento.
“Quanto eu amo a tua lei!”
10. Por que é necessário obedecer à lei de Jeová para ter a mentalidade segundo o espírito?
10 Se havemos de ter a mentalidade segundo o espírito, não basta ter apenas conhecimento da Palavra de Deus. O Rei Salomão tinha uma compreensão muito boa das normas de Jeová, mas deixou de viver em harmonia com elas na parte final da sua vida. (1 Reis 4:29, 30; 11:1-6) Se tivermos mentalidade espiritual, compreenderemos a necessidade de não só saber o que a Bíblia diz, mas também de obedecer à lei de Deus de todo o coração. Isto significa fazermos um exame consciencioso das normas de Jeová e esforçar-nos diligentemente a segui-las. O salmista teve tal atitude. Ele cantou: “Quanto eu amo a tua lei! O dia inteiro ela é a minha preocupação.” (Salmo 119:97) Quando realmente nos preocupamos em seguir a lei de Deus, começamos a demonstrar qualidades piedosas. (Efésios 5:1, 2) Em vez de sermos incapazes de resistir à transgressão, demonstramos os frutos do espírito, e o desejo de agradar a Jeová nos desvia de vis “obras da carne”. — Gálatas 5:16, 19-23; Salmo 15:1, 2.
11. Como explicaria que a lei de Jeová, que proíbe a fornicação, é uma proteção para nós?
11 Como podemos desenvolver profundo respeito e amor pela lei de Jeová? Um modo é examinar com cuidado o seu valor. Considere a lei de Deus que limita as relações sexuais ao casamento e que proíbe a fornicação e o adultério. (Hebreus 13:4) A obediência a esta lei priva-nos de algo bom? Será que um Pai celestial amoroso faria uma lei que nos negaria algo benéfico? Claro que não! Veja o que acontece na vida de muitos que não vivem em harmonia com as normas de moral de Jeová. Uma gravidez indesejada muitas vezes os leva a abortos ou talvez a casamentos prematuros e infelizes. Muitos têm de criar um filho sem ter marido ou esposa. Além disso, os que praticam a fornicação se expõem a doenças sexualmente transmissíveis. (1 Coríntios 6:18) E quando um servo de Jeová comete fornicação, os efeitos emocionais podem ser devastadores. A tentativa de suprimir as aguilhoadas duma consciência pesada pode provocar noites sem dormir e angústia mental. (Salmo 32:3, 4; 51:3) Então, não é óbvio que a lei de Jeová, que proíbe a fornicação, se destina a proteger-nos? Sim, é de grande benefício manter a pureza moral!
Ore pela ajuda de Jeová
12, 13. Por que é apropriado que oremos quando atormentados por desejos pecaminosos?
12 Ter a mentalidade segundo o espírito certamente requer orações feitas de coração. É apropriado pedir a ajuda do espírito de Deus, porque Jesus disse: “Se vós . . . sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais o Pai, no céu, dará espírito santo aos que lhe pedirem!” (Lucas 11:13) Na oração, podemos expressar nossa dependência do espírito para nos ajudar a lidar com as nossas fraquezas. (Romanos 8:26, 27) Se nos dermos conta de que desejos ou atitudes pecaminosas estão nos afetando, ou se um concrente amoroso trouxer isso à nossa atenção, seria sábio sermos específicos sobre o problema nas nossas orações e pedir a ajuda de Deus para vencer essas inclinações.
13 Jeová pode ajudar-nos a nos concentrar em coisas justas, castas, virtuosas e louváveis. E quão apropriado é rogar-lhe fervorosamente que “a paz de Deus” proteja nosso coração e nossas faculdades mentais! (Filipenses 4:6-8) Portanto, oremos pedindo a ajuda de Jeová para ‘empenhar-nos pela justiça, pela devoção piedosa, pela fé, pelo amor, pela perseverança, pela brandura de temperamento’. (1 Timóteo 6:11-14) Com a ajuda de nosso Pai celestial, as ansiedades e as tentações não aumentarão a ponto de ficarem fora de controle. Antes, nossa vida se caracterizará pela tranqüilidade concedida por Deus.
Não contriste o espírito
14. Por que o espírito de Deus é uma força a favor da pureza?
14 Servos maduros de Jeová aplicam pessoalmente o conselho de Paulo: “Não extingais o fogo do espírito.” (1 Tessalonicenses 5:19) Visto que o espírito de Deus é “o espírito de santidade”, ele é limpo, puro, sagrado. (Romanos 1:4) Quando este espírito atua em nós, ele é então uma força a favor da santidade ou pureza. Ajuda-nos a manter um modo de vida puro, caracterizado pela obediência a Deus. (1 Pedro 1:2) Qualquer prática impura constitui uma desconsideração deste espírito, e isso pode ter conseqüências desastrosas. Como?
15, 16. (a) Como poderíamos contristar o espírito de Deus? (b) Como podemos evitar contristar o espírito de Jeová?
15 Pois bem, Paulo escreveu: “Não contristeis o espírito santo de Deus, com que fostes selados para um dia de livramento por meio de resgate.” (Efésios 4:30) As Escrituras identificam o espírito de Jeová como selo ou ‘penhor daquilo que havia de vir’ para os fiéis cristãos ungidos — a vida imortal no céu. (2 Coríntios 1:22; 1 Coríntios 15:50-57; Revelação [Apocalipse] 2:10) O espírito de Deus pode dirigir os ungidos e seus companheiros, que têm esperança terrestre, numa vida de fidelidade e pode ajudá-los a evitar obras pecaminosas.
16 O apóstolo advertiu contra a tendência à falsidade, ao furto, à conduta vergonhosa, e assim por diante. Se nos deixássemos levar para tais coisas, agiríamos contra o conselho da Palavra de Deus, inspirado pelo espírito. (Efésios 4:17-29; 5:1-5) Até certo grau estaríamos magoando o espírito de Deus, e isso é algo que certamente queremos evitar. A propósito, qualquer um de nós que começar a desconsiderar o conselho da Palavra de Deus pode desenvolver atitudes ou tendências que levariam ao pecado deliberado e à perda total do favor divino. (Hebreus 6:4-6) Embora agora mesmo talvez não estejamos praticando pecado, poderíamos estar indo naquela direção. Por contrariarmos a orientação do espírito, nós o estaríamos contristando. Também estaríamos resistindo a Jeová e contristando a ele, a fonte do espírito santo. Por amarmos a Deus, nunca queremos fazer isso. Em vez de contristarmos o seu espírito, seria melhor orar pela ajuda de Jeová, para podermos honrar o seu santo nome por manter a mentalidade segundo o espírito.
Mantenha a mentalidade segundo o espírito
17. Quais são alguns dos alvos espirituais que poderíamos fixar, e por que isso seria sábio?
17 Um modo digno de nota para mantermos a mentalidade segundo o espírito é fixar alvos espirituais e empenhar-nos em atingi-los. Dependendo das nossas necessidades e da nossa situação, nossos alvos podem incluir melhorar os hábitos de estudo, aumentar a participação na pregação, ou procurar obter um privilégio específico de serviço, tal como o ministério de pioneiro por tempo integral, o serviço em Betel ou a obra missionária. Isso manterá a nossa mente ocupada com interesses espirituais e nos ajudará a não sucumbirmos às nossas fraquezas humanas ou a sermos impelidos por empenhos materialistas e desejos antibíblicos tão comuns neste sistema de coisas. Este certamente é o proceder sábio, pois Jesus exortou: “Parai de armazenar para vós tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde ladrões arrombam e furtam. Antes, armazenai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde ladrões não arrombam nem furtam. Pois, onde estiver o teu tesouro, ali estará também o teu coração.” — Mateus 6:19-21.
18. Por que é muito importante manter a mentalidade segundo o espírito nestes últimos dias?
18 Ter a mentalidade segundo o espírito e suprimir os desejos mundanos certamente é o proceder sábio nestes “últimos dias”. (2 Timóteo 3:1-5) Afinal, “o mundo está passando, e assim também o seu desejo, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”. (1 João 2:15-17) Por exemplo, quando um jovem cristão estabelece o alvo do serviço de tempo integral, isto pode servir de orientação durante os anos desafiadores em que é adolescente ou jovem adulto. Ao sofrer pressões para transigir, ele terá uma visão clara do que deseja realizar no serviço de Jeová. Por ser uma pessoa espiritual, achará imprudente, e até tolo, abrir mão de alvos espirituais para ir atrás de empenhos materialistas ou de prazeres que o pecado promete dar. Lembre-se de que Moisés, por ter inclinações espirituais, ‘escolheu antes ser maltratado com o povo de Deus do que ter o usufruto temporário do pecado’. (Hebreus 11:24, 25) Quer sejamos jovens, quer idosos, fazemos uma escolha similar quando mantemos a mentalidade segundo o espírito em vez de a da carne decaída.
19. Que benefícios usufruiremos se continuarmos a ter a mentalidade segundo o espírito?
19 “A mentalidade segundo a carne significa morte”, ao passo que “a mentalidade segundo o espírito significa vida e paz”. (Romanos 8:6, 7) Se mantivermos a mentalidade segundo o espírito, teremos uma preciosa paz. Nosso coração e nossas faculdades mentais ficarão mais plenamente protegidos contra a influência de nossa condição pecaminosa. Seremos mais capazes de resistir às tentações de nos empenhar em transgressão. E teremos ajuda divina para lidar com a contínua luta entre a carne e o espírito.
20. Por que podemos ter certeza de que é possível sair vitoriosos na luta entre a carne e o espírito?
20 Por continuarmos a ter a mentalidade segundo o espírito manteremos um relacionamento vital com Jeová, a fonte tanto da vida como do espírito santo. (Salmo 36:9; 51:11) Satanás, o Diabo, e seus agentes fazem todo o possível para destruir nosso relacionamento com Jeová Deus. Eles procuram controlar a nossa mente, sabendo que, se nós cedermos, isto por fim resultará na inimizade com Deus e na morte. Mas podemos sair vitoriosos nesta batalha entre a carne e o espírito. Isto se deu com Paulo, pois ele perguntou primeiro ao escrever sobre a sua própria luta: “Quem me resgatará do corpo que é submetido a esta morte?” Daí, mostrando que o resgate era possível, exclamou: “Graças a Deus, por intermédio de Jesus Cristo, nosso Senhor!” (Romanos 7:21-25) Nós também podemos agradecer a Deus por meio de Cristo por ter provido o meio de lidar com as fraquezas humanas e de continuarmos a ter a mentalidade segundo o espírito, com a maravilhosa esperança de vida eterna. — Romanos 6:23.
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