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“Meu Reino não faz parte deste mundo”A Sentinela (Estudo) — 2018 | junho
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“Meu Reino não faz parte deste mundo”
“Para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade.” — JOÃO 18:37.
1, 2. (a) O que está deixando o mundo cada vez mais dividido? (b) Que perguntas vamos responder neste estudo?
“DESDE a infância, eu só via injustiças”, diz uma irmã no sul da Europa ao relembrar seu passado. “Por isso, fiquei contra a política do meu país. Para muitos, as ideias que eu defendia eram radicais. Durante muitos anos, eu até fui namorada de um terrorista.” Um irmão no sul da África também pensava que tinha motivos para ser violento. Ele conta: “Eu achava que a minha tribo era a melhor de todas, e entrei em um partido político. Nós aprendemos a matar com lança todos os nossos inimigos — até aqueles de nossa tribo que fossem de outros partidos.” Uma irmã que mora na Europa Central admite: “Eu era preconceituosa. Odiava todo mundo que não fosse do meu país ou da minha religião.”
2 A atitude que esses irmãos tinham é um reflexo do que acontece no mundo hoje. Muitos grupos políticos usam a violência para conseguir a independência de uma região. As divisões políticas dentro de um país estão ficando maiores. E, em muitos países, os estrangeiros são tratados com ódio. Como a Bíblia predisse, nos últimos dias as pessoas ‘não estariam dispostas a acordos’. (2 Tim. 3:1, 3) O mundo está cada vez mais dividido, mas os cristãos precisam continuar unidos. Como? Podemos aprender muito do exemplo de Jesus. Quando ele esteve na Terra, os judeus estavam enfrentando um tumulto político. Neste estudo, vamos ver três pontos principais: Por que Jesus não quis se envolver em nenhum movimento de independência? Como ele mostrou que os cristãos devem ser totalmente neutros em assuntos políticos? E como Jesus deixou claro que nada justifica a violência?
O QUE JESUS ACHAVA DOS MOVIMENTOS DE INDEPENDÊNCIA
3, 4. (a) O que muitos judeus da época de Jesus esperavam? (b) Como esses sentimentos afetaram os discípulos de Jesus?
3 Muitos judeus da época de Jesus não viam a hora de ficar independentes de Roma. Os zelotes, um grupo de judeus fanáticos, faziam de tudo para que essa ideia crescesse entre o povo. Muitos deles seguiam as ideias de Judas, o galileu. Ele foi um falso messias que viveu no primeiro século e enganou muitas pessoas. Josefo, um historiador judeu, escreveu que Judas “incentivava o povo a se revoltar” e chamava os judeus de “covardes” porque pagavam impostos aos romanos. Por fim, Judas foi morto pelos romanos. (Atos 5:37) Para conseguir o que queriam, alguns zelotes até se tornaram violentos.
4 Os judeus comuns também estavam esperando a chegada de um Messias político — ou seja, alguém que poderia libertar Israel de Roma e fazer a nação recuperar sua glória. (Luc. 2:38; 3:15) Muitos acreditavam que o Messias ia estabelecer um reino na Terra, em Israel. Então, os milhões de judeus que estavam espalhados em outros lugares voltariam para sua terra natal. Até mesmo João Batista mandou perguntar a Jesus: “O senhor é Aquele Que Vem, ou devemos esperar outro?” (Mat. 11:2, 3) Talvez João quisesse saber se ainda viria alguém para realizar o sonho dos judeus. Mais tarde, dois discípulos estavam viajando para Emaús e encontraram Jesus depois de ele ser ressuscitado. Eles disseram que também achavam que Jesus fosse libertar Israel. (Leia Lucas 24:21.) Pouco depois disso, os apóstolos perguntaram a Jesus: “Senhor, é agora que o senhor vai restabelecer o reino a Israel?” — Atos 1:6.
5. (a) Por que o povo da Galileia queria que Jesus fosse o rei deles? (b) Como Jesus corrigiu a ideia errada deles?
5 Com tantas expectativas sobre o Messias, dá para entender por que o povo da Galileia queria que Jesus fosse o rei deles. Afinal, Jesus seria o líder perfeito. Ele era um ótimo orador, conseguia curar os doentes e podia providenciar comida para os famintos. Depois de alimentar uns 5 mil homens, Jesus percebeu o que o povo queria fazer com ele. Então, “sabendo que estavam para vir pegá-lo a fim de fazê-lo rei, retirou-se novamente para o monte, sozinho”. (João 6:10-15) No dia seguinte, a empolgação do povo esfriou um pouco. Daí, Jesus explicou para a multidão qual era o objetivo do trabalho dele. Ele veio para ensinar sobre o Reino de Deus, e não para cuidar das necessidades materiais das pessoas. Jesus disse para a multidão: “Trabalhem, não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece para a vida eterna.” — João 6:25-27.
6. Como Jesus deixou claro que não queria ter poder político na Terra? (Veja o desenho no começo do estudo.)
6 Pouco antes de morrer, Jesus notou que alguns de seus seguidores esperavam que ele se tornasse rei em Jerusalém. Para corrigir isso, Jesus contou a ilustração das minas. Essa ilustração mostrou que Jesus, o “homem de origem nobre”, teria que ficar fora por um longo tempo. (Luc. 19:11-13, 15) Mais tarde, Jesus deixou claro para as autoridades romanas que ele era neutro na política. O governador Pôncio Pilatos perguntou a Jesus: “Você é o Rei dos judeus?” (João 18:33) Pilatos talvez tivesse medo de Jesus causar uma revolta política — um medo que ele enfrentou durante todo o seu governo. Mas Jesus respondeu: “Meu Reino não faz parte deste mundo.” (João 18:36) O Reino de Jesus seria estabelecido no céu. Por isso, ele não queria se envolver com política. Jesus disse a Pilatos que veio ao mundo “para dar testemunho da verdade”. — Leia João 18:37.
No que devemos nos concentrar? Nos problemas do mundo ou no Reino de Deus? (Veja o parágrafo 7.)
7. Por que pode ser difícil ficar neutro, mesmo em pensamento, quando partidos lutam por independência?
7 Jesus sabia bem qual era o trabalho dele na Terra. Se nós também soubermos qual é o nosso, não vamos querer defender, mesmo em pensamento, nenhum partido que lute por independência. Ser neutro nem sempre é fácil. Um superintendente viajante disse: “As pessoas em nossa região estão ficando mais radicais. Elas se orgulham cada vez mais de seu povo, e acreditam que terão uma vida melhor se a região conseguir independência política. Mas ainda bem que os irmãos continuam unidos. Eles estão se concentrando em pregar as boas novas do Reino. Eles sabem que só Deus pode acabar com a injustiça e com os outros problemas.”
COMO JESUS LIDAVA COM DIVISÕES POLÍTICAS?
8. Dê um exemplo de como os judeus da época de Jesus sofriam injustiças.
8 Muitas vezes, a injustiça é o combustível dos problemas políticos. Nos dias de Jesus, um dos assuntos que mais dividiam a política era o pagamento de impostos. Tanto é que Judas, o galileu, se revoltou quando Roma quis que todo mundo fosse registrado. O registro era uma forma de Roma garantir que cada habitante pagasse os impostos. E havia muitos impostos: para mercadorias, terrenos e casas. Para piorar, os coletores de impostos eram corruptos. Muitos deles se tornaram cobradores de impostos depois de comprarem esse direito de oficiais do governo. Assim, eles poderiam ficar com uma parte dos impostos recolhidos. Zaqueu, chefe de cobradores de impostos em Jericó, ficou rico porque conseguia arrancar dinheiro das pessoas. (Luc. 19:2, 8) É bem provável que muitos cobradores agissem assim.
9, 10. (a) O que os inimigos de Jesus tentaram fazer para que ele se envolvesse em uma questão política? (b) O que aprendemos da resposta de Jesus? (Veja o desenho no começo do estudo.)
9 Os inimigos de Jesus tentaram fazer com que ele desse alguma opinião sobre a cobrança de impostos. Perguntaram o que ele achava do “imposto por cabeça”, um imposto de um denário cobrado pelos romanos. (Leia Mateus 22:16-18.) Os judeus odiavam esse imposto, porque mostrava que eles eram controlados por Roma. Se Jesus criticasse o imposto, os apoiadores de Herodes poderiam acusá-lo de ser inimigo do governo. Por outro lado, se Jesus dissesse que os impostos deviam ser pagos, seus discípulos talvez deixassem de segui-lo.
10 Jesus tomou o cuidado de ficar neutro nesse assunto. A resposta dele foi: “Paguem a César o que é de César, mas a Deus o que é de Deus.” (Mat. 22:21) É óbvio que Jesus sabia da corrupção que existia entre os cobradores de impostos. Mas ele também sabia que só existia uma solução: o Reino de Deus. Jesus deixou aqui um exemplo para todos os seus seguidores. Eles não devem se envolver em questões políticas, mesmo que um dos lados pareça estar certo. Os cristãos buscam o Reino e a justiça de Deus. Eles preferem não ter opiniões sobre o que parece ser justo ou injusto, nem ficam reclamando de certas injustiças. — Mat. 6:33.
11. Qual o melhor modo de lutar contra a injustiça?
11 Muitos que hoje são Testemunhas de Jeová já tiveram vontade de lutar contra as injustiças. Mas a Bíblia os ajudou a usar de um modo melhor essa vontade. Veja o que uma irmã na Grã-Bretanha diz: “Na faculdade, eu tive aulas de Estudos Sociais, e isso me fez ter opiniões radicais sobre política. Eu queria lutar pelos direitos dos negros, porque sempre fomos vítimas de injustiça. Embora eu fosse boa em vencer debates, eu sempre me sentia frustrada. Eu não tinha entendido ainda que, para vencer o preconceito, é necessário transformar o coração das pessoas. Mas, quando comecei a estudar a Bíblia, vi que primeiro tinha que transformar o meu coração. E quem me ajudou em todo esse processo foi uma irmã branca. Agora sou pioneira regular em uma congregação em língua de sinais, e estou aprendendo a falar com todos os tipos de pessoa.”
“DEVOLVA A ESPADA AO SEU LUGAR”
12. Os discípulos de Jesus deviam tomar cuidado com que “fermento”?
12 Nos dias de Jesus, a religião se misturava muito com a política. O livro A Vida Diária nos Tempos de Jesus diz que as divisões religiosas que existiam entre os judeus ‘correspondiam de certa forma a partidos políticos’. Por isso, Jesus advertiu seus discípulos: “Mantenham os olhos abertos; cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes.” (Mar. 8:15) Quando Jesus mencionou Herodes, ele provavelmente se referia aos apoiadores políticos de Herodes. O outro grupo, os fariseus, queria que os judeus fossem independentes de Roma. E o relato paralelo em Mateus menciona também os saduceus. Eles preferiam estar debaixo do domínio de Roma, porque assim continuariam com seus cargos de autoridade. Foi por isso que Jesus foi tão claro ao dizer que seus discípulos deviam tomar cuidado com o “fermento”, ou seja, com os ensinos desses três grupos. (Mat. 16:6, 12) É interessante que Jesus deu esse aviso pouco depois da ocasião em que o povo quis torná-lo rei.
13, 14. (a) Que exemplo mostra que misturar política com religião causa violência e injustiça? (b) Por que a injustiça não é motivo para a violência? (Veja o desenho no começo do estudo.)
13 Quando religião e política se misturam, a violência surge facilmente. Mas Jesus ensinou seus discípulos a ser totalmente neutros nessas situações. Por isso, os principais sacerdotes e os fariseus encaravam Jesus como um inimigo político e religioso, como uma ameaça ao poder deles. Eles disseram: “Se o deixarmos continuar assim, todos depositarão fé nele, e os romanos virão e tirarão tanto o nosso lugar como a nossa nação.” (João 11:48) Então, o sumo sacerdote Caifás começou a planejar a morte de Jesus. — João 11:49-53; 18:14.
14 Na calada da noite, Caifás mandou soldados prender Jesus. Sabendo desse plano, Jesus pediu na última refeição com os apóstolos que eles levassem algumas espadas. Duas já seriam o suficiente para a lição importante que Jesus queria ensinar. (Luc. 22:36-38) Depois, uma multidão veio prender Jesus. Pedro ficou tão irado com aquela injustiça que pegou a espada e feriu um dos homens. (João 18:10) Mas Jesus disse a Pedro: “Devolva a espada ao seu lugar, pois todos os que tomarem a espada morrerão pela espada.” (Mat. 26:52, 53) Essa lição importante estava de acordo com a oração que Jesus fez algumas horas antes — de que os discípulos não devem fazer parte do mundo. (Leia João 17:16.) Só Deus tem o direito de lutar contra as injustiças.
15, 16. (a) Como a Palavra de Deus já ajudou pessoas a não se envolver com violência? (b) Que diferença Jeová vê entre o mundo de hoje e o povo dele?
15 A irmã no sul da Europa, mencionada no parágrafo 1, também aprendeu essa lição. Ela disse: “Eu vi que a violência não traz justiça. Os que apelam para a violência às vezes acabam mortos, e muitos outros se tornam infelizes. Mas eu sou feliz de a Bíblia ensinar que só Deus vai trazer justiça neste mundo. Essa é a mensagem que prego há vinte e cinco anos.” O irmão no sul da África trocou a lança pela “espada do espírito”, a Palavra de Deus. Agora, ele prega uma mensagem de paz a todas as pessoas, não importa de que tribo sejam. (Efé. 6:17) E, depois de se tornar Testemunha de Jeová, a irmã na Europa Central se casou com um irmão de um grupo étnico que ela odiava. Os três fizeram essas mudanças porque queriam ser como Cristo.
16 E é muito importante fazer essas mudanças! A Bíblia compara a humanidade com um mar agitado que não tem paz. (Isa. 17:12; 57:20, 21; Apo. 13:1) Enquanto o mundo enfrenta tumultos, divisões e violência por causa de questões políticas, o povo de Jeová continua unido e em paz. Imagine como Jeová deve ficar feliz quando vê que seu povo é unido apesar de o mundo estar tão dividido. — Leia Sofonias 3:17.
17. (a) Que coisas nos ajudam a continuar unidos? (b) O que vamos ver no próximo estudo?
17 Aprendemos três modos de continuarmos unidos: (1) confiar que só o Reino de Deus vai corrigir as injustiças, (2) ser neutro em assuntos políticos e (3) não usar de violência. Mas, às vezes, a nossa união pode ser ameaçada pelo preconceito. Como os primeiros cristãos lidaram com isso? E como nós podemos imitá-los? Vamos ver no próximo estudo.
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“Sejam um” assim como Jeová e Jesus são umA Sentinela (Estudo) — 2018 | junho
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“Sejam um” assim como Jeová e Jesus são um
‘Eu peço que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em união comigo.’ — JOÃO 17:20, 21.
1, 2. (a) O que Jesus pediu na última oração que fez com os apóstolos? (b) Por que Jesus se preocupava com a união de seus discípulos?
EM SUA última refeição com os apóstolos, Jesus estava preocupado com uma coisa: a união. Por isso, quando orou com eles, Jesus pediu que todos os discípulos fossem um, assim como ele e o Pai são um. (Leia João 17:20, 21.) A união dos discípulos seria uma prova de que Jeová tinha mandado Jesus à Terra. As pessoas saberiam quem são os verdadeiros discípulos de Jesus quando vissem o amor entre eles, e esse amor os deixaria mais unidos. — João 13:34, 35.
2 Mas por que Jesus se preocupava tanto com a união? Ele já tinha notado que os apóstolos ainda não estavam completamente unidos. Naquela última refeição, os apóstolos discutiram “sobre qual deles era o maior”. E eles já tinham brigado sobre isso antes. (Luc. 22:24-27; Mar. 9:33, 34) Em outra ocasião, Tiago e João pediram que Jesus desse para eles posições importantes no Reino. — Mar. 10:35-40.
3. (a) Que coisas ameaçavam a união entre os discípulos de Cristo? (b) Que perguntas vamos ver neste estudo?
3 A vontade de ter mais poder não era a única ameaça para a união dos discípulos de Cristo. As pessoas da época de Jesus eram divididas por ódio e preconceito. Para continuar unidos, os discípulos de Jesus teriam que vencer esses sentimentos. Neste estudo, vamos ver três perguntas: Como Jesus lidou com o preconceito? O que ele fez para ajudar seus seguidores a não ter preconceito e a ser unidos? Como o ensino de Jesus nos ajuda hoje a continuar unidos?
JESUS E OS DISCÍPULOS SOFRERAM PRECONCEITO
4. Que preconceitos Jesus sofreu?
4 O próprio Jesus foi vítima de preconceito. Quando Filipe disse a Natanael que tinha encontrado o Messias, Natanael respondeu: “Pode sair algo bom de Nazaré?” (João 1:46) Pelo visto, Natanael conhecia a profecia em Miqueias 5:2, e achava que Nazaré não era digna de ser o lar do Messias. Do mesmo modo, pessoas importantes que moravam na Judeia desprezavam Jesus, que era galileu. (João 7:52) Para os da Judeia, o povo da Galileia era inferior. Em outra ocasião, alguns judeus quiseram ofender Jesus e o chamaram de “samaritano”. (João 8:48) Os samaritanos eram de uma nação diferente e não seguiam a religião dos judeus. Tanto o povo da Judeia quanto o da Galileia não tinham nenhum respeito pelos samaritanos e evitavam qualquer contato com eles. — João 4:9.
5. Que preconceito os discípulos de Jesus sofreram?
5 Os líderes judaicos não poupavam insultos contra os seguidores de Jesus. Os fariseus diziam que eles eram “pessoas amaldiçoadas”. (João 7:47-49) Para os fariseus, quem não estudasse numa escola rabínica ou não seguisse as tradições era sem importância e desprezível. (Atos 4:13, nota) A raiz do preconceito que Jesus e seus discípulos sofriam estava em divisões religiosas, sociais e étnicas. Os discípulos também foram influenciados pelo preconceito. Para ficarem unidos, eles teriam que mudar seu modo de pensar.
6. Que exemplos mostram que o preconceito pode nos afetar?
6 No mundo de hoje, estamos cercados pelo preconceito. Nós podemos ser vítimas dele — ou pode ser que lá no fundo nós tenhamos alguns preconceitos. Uma pioneira na Austrália explicou: “Eu tinha muito ódio contra os brancos, porque eu me concentrava nas injustiças que o povo aborígene sofreu e ainda sofre. Eu mesma sofri com esse abuso, e isso só alimentava o meu ódio.” Um irmão no Canadá tinha preconceito de quem falava outro idioma. Ele admitiu: “Eu achava que quem falava francês era superior. Eu tinha muita raiva de quem falava inglês.”
7. O que Jesus fez para não ser influenciado pelo preconceito?
7 Assim como nos dias de Jesus, as raízes do preconceito hoje são difíceis de arrancar. O que Jesus fez para não ser influenciado? Primeiro, ele nunca deixou o preconceito nascer dentro dele. Ele pregava para todos: ricos e pobres, fariseus e samaritanos, e até para cobradores de impostos e pecadores. Segundo, por seu exemplo e ensino, Jesus mostrou que os discípulos deveriam vencer qualquer desconfiança ou preconceito contra outros.
AMOR E HUMILDADE VENCEM O PRECONCEITO
8. Que verdade simples serve como base da nossa união? Explique.
8 Jesus ensinou uma verdade simples que é a base da nossa união. Ele disse: “Todos vocês são irmãos.” (Leia Mateus 23:8, 9.) É verdade que somos “irmãos” porque todos nós somos descendentes de Adão. (Atos 17:26) Mas não é apenas isso. Jesus explicou que seus discípulos são irmãos e irmãs porque aceitam a Jeová como Pai. (Mat. 12:50) Por causa disso, todos se tornam parte da família de Deus, unidos pelo amor e pela fé. É por isso que nas cartas os apóstolos geralmente se referiam a outros discípulos como ‘irmãos e irmãs’. — Rom. 1:13; 1 Ped. 2:17; 1 João 3:13.a
9, 10. (a) Por que os judeus não tinham motivo para se achar melhores do que os outros? (b) O que Jesus fez para ensinar que o preconceito racial é errado? (Veja o desenho no começo do estudo.)
9 Depois de deixar claro que devemos nos considerar irmãos e irmãs, Jesus destacou que é importante sermos humildes. (Leia Mateus 23:11, 12.) Como vimos, às vezes o orgulho dividia os apóstolos. E o orgulho de raça também podia ser um problema. Será que os judeus podiam dizer que eram melhores só porque descendiam de Abraão? Muitos judeus achavam isso. Mas João Batista disse a eles: “Deus pode fazer surgir destas pedras filhos a Abraão.” — Luc. 3:8.
10 Jesus ensinou que o preconceito racial é errado. Certa vez, um escriba perguntou a ele: “Quem é realmente o meu próximo?” Jesus respondeu com uma ilustração: Um judeu foi atacado por ladrões e ficou caído na estrada. Outros judeus passaram por ele, mas o ignoraram. Então, um samaritano teve pena do judeu e com bondade cuidou dele. No fim da história, Jesus disse para o escriba ser como o samaritano. (Luc. 10:25-37) Jesus mostrou que um samaritano podia ensinar aos judeus o que significa amar o próximo.
11. (a) Por que os discípulos de Jesus precisavam vencer o preconceito? (b) O que Jesus fez para ajudá-los a entender isso?
11 Antes de voltar para o céu, Jesus deu uma tarefa a seus discípulos: dar testemunho “em toda a Judeia e Samaria, e até a parte mais distante da terra”. (Atos 1:8) Para cumprirem essa missão, eles teriam que vencer qualquer orgulho ou preconceito que tivessem. Muito antes, Jesus já tinha começado a preparar seus discípulos para isso. Ele destacava boas qualidades em estrangeiros. Por exemplo, ele elogiou um estrangeiro oficial do exército pela enorme fé que ele tinha. (Mat. 8:5-10) Quando estava em Nazaré, Jesus mencionou como Jeová tinha ajudado a viúva de Sarefá, que era fenícia, e o leproso Naamã, que era sírio. (Luc. 4:25-27) E, além de pregar para uma mulher samaritana, Jesus passou dois dias em uma cidade samaritana porque as pessoas queriam ouvir a sua mensagem. — João 4:21-24, 40.
LUTANDO CONTRA O PRECONCEITO NO PRIMEIRO SÉCULO
12, 13. (a) Como os apóstolos reagiram quando Jesus pregou a uma mulher samaritana? (Veja o desenho no começo do estudo.) (b) O que mostra que Tiago e João não entenderam a lição?
12 Colocar de lado o preconceito não foi algo fácil para os apóstolos. Quando viram Jesus ensinando uma mulher samaritana, eles ficaram surpresos. (João 4:9, 27) Os líderes judaicos não falavam com mulheres em público, quanto mais com uma mulher samaritana que não tinha uma boa reputação. Os apóstolos chamaram Jesus para comer. Mas Jesus estava tão envolvido em pregar que nem se preocupou com a fome. O alimento dele era fazer o que Jeová mandou: pregar, mesmo que fosse para uma mulher samaritana. — João 4:31-34.
13 Tiago e João não entenderam essa lição. Quando Jesus e os discípulos estavam viajando por Samaria, eles procuraram hospedagem em uma aldeia. Mas os samaritanos não quiseram recebê-los. Tiago e João, com muita raiva, perguntaram a Jesus se podiam mandar fogo do céu para destruir a aldeia toda. Mas Jesus foi firme e “os censurou”. (Luc. 9:51-56) Agora, imagine se essa aldeia ficasse na Galileia, a região dos discípulos. Será que Tiago e João reagiriam do mesmo modo? Naquele momento, é bem provável que a raiva deles tenha sido provocada pelo preconceito. Mais tarde, quando João pregou em Samaria e muitos o ouviram, ele deve ter se sentido envergonhado por aquela reação exagerada. — Atos 8:14, 25.
14. Como um problema de preconceito com idioma foi resolvido?
14 Pouco depois do Pentecostes do ano 33, surgiu um problema na distribuição de comida para as viúvas pobres. As viúvas que falavam grego estavam sendo deixadas de lado. (Atos 6:1) Talvez o preconceito com o idioma tenha causado essa situação. Os apóstolos foram rápidos e designaram homens de confiança para cuidar da distribuição de comida. Todos os homens escolhidos tinham nomes gregos. Isso deve ter sido um alívio para as viúvas ofendidas.
15. Como Pedro foi aos poucos aprendendo a vencer o preconceito? (Veja o desenho no começo do estudo.)
15 No ano 36, a pregação se espalhou para outras nações. Antes disso, o apóstolo Pedro costumava se associar apenas com judeus. Mas, depois que Deus mostrou que os cristãos não devem ter preconceito, Pedro pregou a Cornélio, um soldado romano. (Leia Atos 10:28, 34, 35.) A partir de então, Pedro comia e se associava com cristãos não judeus. Mas anos depois Pedro parou de se associar com os não judeus da cidade de Antioquia. (Gál. 2:11-14) Quando isso aconteceu, Paulo chamou a atenção de Pedro, e Pedro pelo visto aceitou a correção. Quando escreveu sua primeira carta aos irmãos judeus e não judeus na Ásia Menor, ele falou que era importante ter “amor pela inteira fraternidade”. — 1 Ped. 1:1; 2:17.
16. Como os primeiros cristãos ficaram conhecidos?
16 Levou tempo, mas os apóstolos conseguiram aprender com Jesus a amar “todo tipo de pessoas”. (João 12:32; 1 Tim. 4:10) Os primeiros cristãos ficaram conhecidos pelo amor que tinham uns pelos outros. Tertuliano, um escritor que viveu por volta do ano 200 d.C., registrou o que as pessoas falavam sobre os cristãos: ‘Eles se amam e estão dispostos até a morrer uns pelos outros.’ Os primeiros cristãos se ‘revestiram da nova personalidade’ e entenderam que todos são iguais aos olhos de Deus. — Col. 3:10, 11.
17. Dê exemplos que mostram como podemos arrancar o preconceito do nosso coração.
17 Talvez, nós também precisemos de tempo para arrancar o preconceito do nosso coração. Uma irmã na França falou sobre a luta dela: “Jeová está me ensinando o que é amar, o que é dividir, o que é ter amor por todas as pessoas. Mas eu ainda estou aprendendo a vencer o preconceito, e não é nada fácil. Por isso continuo orando sobre esse assunto.” Uma irmã na Espanha também tem a mesma luta: “Às vezes eu tenho que controlar o meu ódio por pessoas de certo grupo étnico. Na maioria das vezes eu consigo, mas eu sei que tenho que continuar lutando. Com a ajuda de Jeová, estou feliz de fazer parte de uma família unida.” Cada um de nós deve olhar para si mesmo e perguntar: ‘Será que eu também preciso combater alguns preconceitos?’
QUANDO O AMOR AUMENTA, O PRECONCEITO DESAPARECE
18, 19. (a) Por que devemos receber a todos com amor? (b) Na prática, como podemos fazer isso?
18 É bom lembrarmos que todos nós estávamos distantes de Deus. (Efé. 2:12) Mas Jeová nos atraiu a ele “com os cordões do amor”. (Ose. 11:4; João 6:44) E Jesus nos recebeu com amor. Ele abriu as portas para que nós pudéssemos nos tornar parte da família de Deus, apesar de sermos imperfeitos. (Leia Romanos 15:7.) Já que Jesus nos recebeu com tanto amor, temos a obrigação de fazer o mesmo com todos.
Temos união e amor entre nós por causa da “sabedoria de cima” (Veja o parágrafo 19.)
19 Quanto mais perto estivermos do fim deste sistema de coisas, mais veremos divisões, preconceito e ódio. (Gál. 5:19-21; 2 Tim. 3:13) Mas nós, que servimos a Jeová, queremos ter “a sabedoria de cima”, que é imparcial e promove a paz. (Tia. 3:17, 18) Fazer amizade com pessoas de outros países, entender a cultura delas e até aprender o idioma delas nos deixa mais felizes. Assim, nós vamos sentir a nossa ‘paz se tornando como um rio e a justiça como as ondas do mar’. — Isa. 48:17, 18.
20. O que acontece quando deixamos o amor moldar nossa mente e nosso coração?
20 A irmã australiana mencionada no parágrafo 6 conta que mudou muito depois de estudar a Bíblia. “É como se o conhecimento da verdade abrisse meus olhos. O amor moldou minha mente e meu coração. Todo o preconceito e o ódio que eu tinha desapareceram.” E o irmão canadense disse: “Agora sei que a ignorância é a mãe do racismo. As qualidades de uma pessoa não têm nada a ver com o lugar onde ela nasceu.” Ele até se casou com uma irmã que fala inglês! Mudanças como essas provam que o amor pode vencer — e vence — todo preconceito. Sem dúvida, o amor é “o perfeito vínculo de união”. — Col. 3:14.
a A palavra “irmãos” também inclui as mulheres na congregação. Paulo escreveu sua carta aos “irmãos” em Roma, mas é claro que ele também se referiu às irmãs. Afinal, ele mencionou várias delas por nome. (Rom. 16:3, 6, 12) Já por muitos anos, A Sentinela chama os cristãos de ‘irmãos e irmãs’.
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