-
Por que muitos duvidam que a religião possa unir a humanidadeA Sentinela — 2005 | 1.° de janeiro
-
-
Por que muitos duvidam que a religião possa unir a humanidade
“TENS de amar o teu próximo.” (Mateus 22:39) Essa regra básica de conduta é aclamada por muitas religiões. Se essas religiões tivessem êxito em ensinar seus membros a amar o próximo, seus rebanhos se reuniriam e viveriam unidos. Mas é isso o que você tem observado? São as religiões uma força em prol da união? Uma recente pesquisa na Alemanha fez a seguinte pergunta: “Será que a religião une as pessoas ou é mais provável que as separe?” Dos que responderam à pesquisa, 22% achavam que a religião une as pessoas, ao passo que 52% achavam que as separa. É possível que as pessoas no seu país também se sintam assim.
Por que muitos têm pouca confiança em que a religião possa unir a humanidade? Talvez por causa do que sabem de acontecimentos passados. Em vez de unir as pessoas, a religião muitas vezes as separou. Em alguns casos, a religião encobriu as mais horríveis atrocidades já cometidas. Considere alguns exemplos apenas dos últimos 100 anos.
Influenciados pela religião
Durante a Segunda Guerra Mundial, croatas católicos-romanos lutavam contra sérvios ortodoxos, nos Bálcãs. Ambos os grupos afirmavam seguir a Jesus, que ensinou seus seguidores a amar o próximo. No entanto, esse conflito resultou em “um dos massacres civis mais aterrorizantes da história”, conforme observou certo pesquisador. O mundo ficou horrorizado ao saber da morte de mais de 500 mil homens, mulheres e crianças.
Em 1947, o subcontinente indiano era o lar de mais de 400 milhões de pessoas — cerca de um quinto da humanidade —, principalmente hindus, muçulmanos e siques. Quando a Índia foi dividida, nasceu a nação islâmica chamada Paquistão. Naquela época, centenas de milhares de refugiados de ambos os países foram queimados, espancados, torturados e fuzilados numa série de massacres religiosos.
Como se os exemplos perturbadores mencionados não fossem o suficiente, a virada do século trouxe à tona a ameaça do terrorismo. Atualmente, o terrorismo tem deixado o mundo todo num estado de alerta, e muitos grupos terroristas afirmam ter vínculos religiosos. A religião não é considerada algo que promove a união. Antes, é associada muitas vezes com a violência e a desunião. Por isso, não é de admirar que a revista alemã FOCUS tenha comparado os principais grupos religiosos do mundo — o budismo, o confucionismo, a cristandade, o hinduísmo, o islamismo, o judaísmo e o taoísmo — com a pólvora.
Disputas internas
Enquanto algumas religiões guerreiam com outras, existem as que têm disputas internas. Por exemplo, em anos recentes, as igrejas da cristandade têm estado divididas por contínuos debates sobre assuntos doutrinais. Tanto clérigos como leigos perguntam: É aceitável o controle da natalidade? Que dizer do aborto? Devem mulheres ser ordenadas como sacerdotisas? Como deve a igreja encarar o homossexualismo? Deve a religião aprovar a guerra? Em vista de tal desunião, muitos se perguntam: ‘Como pode uma religião unir a humanidade, se não consegue nem mesmo unir seus membros?’
É evidente que a religião, em geral, tem fracassado como força em prol da união. Mas será que todas as religiões têm passado por tal desunião? Será que existe uma religião diferente — uma que pode unir a humanidade?
[Foto na página 3]
Policiais feridos durante conflitos entre grupos religiosos na Índia, em 1947
[Crédito]
Foto de Keystone/Getty Images
-
-
Unidos pelo amor a DeusA Sentinela — 2005 | 1.° de janeiro
-
-
Unidos pelo amor a Deus
QUANDO a congregação cristã foi formada, no primeiro século da nossa Era Comum, uma de suas características notáveis — apesar da diversidade dos seus membros — era a união. Aqueles adoradores do verdadeiro Deus procediam de nações da Ásia, Europa e África. Representavam uma variedade de formações — sacerdotes, soldados, escravos, refugiados, comerciantes, profissionais e homens de negócios. Alguns eram judeus, outros gentios. Muitos haviam sido adúlteros, homossexuais, beberrões, ladrões ou extorsores. No entanto, quando se tornaram cristãos, abandonaram suas práticas más e ficaram bem unidos na fé.
Como o cristianismo do primeiro século conseguiu unir todas essas pessoas? Por que tinham paz entre si e com as pessoas em geral? Por que não participavam em revoltas e em conflitos? Por que o cristianismo do primeiro século era tão diferente das principais religiões da atualidade?
O que unia os membros da congregação?
O fator principal que unia os cristãos no primeiro século era o amor a Deus. Eles reconheciam que tinham a obrigação primária de amar o verdadeiro Deus, Jeová, de todo o coração, alma e mente. Por exemplo, o apóstolo Pedro, um judeu, foi instruído a visitar a casa de um gentio, alguém com quem normalmente não teria associação. O que o motivou a obedecer foi primariamente seu amor a Jeová. Pedro e outros dos primeiros cristãos tinham uma relação bem achegada com Deus, baseada no conhecimento exato da sua personalidade, do que Ele gosta e do que não gosta. Com o tempo, todos os adoradores entenderam que era da vontade de Jeová que eles estivessem “unidos na mesma mente e na mesma maneira de pensar”. — 1 Coríntios 1:10; Mateus 22:37; Atos 10:1-35.
Os cristãos ficaram ainda mais achegados por causa de sua fé em Jesus Cristo. Queriam seguir de perto os seus passos. Ele deu-lhes um mandamento: ‘Amai uns aos outros, assim como eu vos amei . . . Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.’ (João 13:34, 35) Isso não devia ser uma emoção superficial, mas um amor abnegado. Qual seria o resultado? Jesus orou a respeito dos que depositavam fé nele: “Faço solicitação, . . . a fim de que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em união comigo e eu estou em união contigo, para que eles também estejam em união conosco.” — João 17:20, 21; 1 Pedro 2:21.
Jeová derramou seu espírito santo, ou força ativa, sobre seus servos verdadeiros. Esse espírito promoveu a união e deu-lhes um entendimento bíblico que foi aceito em todas as congregações. Os adoradores de Jeová pregavam a mesma mensagem — a santificação do nome de Jeová por meio do Reino Messiânico de Deus, um governo celestial que governará toda a humanidade. Os primeiros cristãos entendiam que tinham a obrigação de ‘não fazer parte deste mundo’. Portanto, quando havia levantes civis ou conflitos militares, permaneciam neutros. Empenhavam-se pela paz com todos. — João 14:26; 18:36; Mateus 6:9, 10; Atos 2:1-4; Romanos 12:17-21.
Todos os cristãos assumiam sua responsabilidade de promover a união. De que modo? Por se certificarem de que a sua conduta estivesse em harmonia com a Bíblia. Por isso, o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos: “Deveis pôr de lado a velha personalidade que se conforma ao vosso procedimento anterior”, e ‘revesti-vos da nova personalidade’. — Efésios 4:22-32.
Mantida a união
Naturalmente, os cristãos do primeiro século eram imperfeitos, e surgiam situações que desafiavam a união. Por exemplo, Atos 6:1-6 conta que surgiu uma diferença entre os cristãos judeus que falavam grego e os que falavam hebraico. Os que falavam grego achavam que estavam sendo discriminados. No entanto, quando os apóstolos souberam do assunto, cuidaram dele rápida e corretamente. Mais tarde, uma questão doutrinal levou a uma controvérsia a respeito das obrigações dos não-judeus na congregação cristã. Tomou-se uma decisão à base dos princípios bíblicos, que foi aceita unanimemente. — Atos 15:1-29.
Esses exemplos mostram que os desacordos não causaram separações étnicas, nem resultaram em desunião doutrinal na congregação cristã do primeiro século. Por que não? Porque os fatores unificadores — o amor a Jeová, a fé em Jesus Cristo, o amor abnegado de uns para com os outros, aceitar a orientação do espírito santo, o entendimento comum dos ensinos bíblicos e a prontidão para mudar de conduta — eram bastante fortes para manter a congregação unida e em paz.
Unidos na adoração nos tempos modernos
Pode-se alcançar uma união similar hoje em dia? Será que esses mesmos fatores podem unir os membros de uma religião e ajudá-los a estar em paz com todas as raças, em todas as partes do mundo? Sim, podem! As Testemunhas de Jeová estão unidas numa fraternidade mundial, que abrange mais de 230 países, ilhas e territórios. E estão unidas pelos mesmos fatores que uniram os cristãos do primeiro século.
O principal fator que contribui para a união das Testemunhas de Jeová é a sua devoção a Jeová Deus. Isso significa que se esforçam a ser leais a ele em todas as circunstâncias. Elas também exercem fé em Jesus Cristo e nos seus ensinos. Esses cristãos demonstram amor abnegado aos seus irmãos e pregam as mesmas boas novas do Reino de Deus em todos os países em que estão ativos. Têm o prazer de falar sobre esse Reino a pessoas de todas as crenças, raças, nacionalidades e grupos sociais. As Testemunhas de Jeová também são neutras nos assuntos do mundo, o que as ajuda a resistir às pressões políticas, culturais, sociais e comerciais que causam tanta divisão entre a humanidade. Todas as Testemunhas de Jeová aceitam a obrigação de promover a união por se comportarem em harmonia com as normas bíblicas.
A união atrai outros
Essa união muitas vezes desperta o interesse daqueles que não são Testemunhas de Jeová. Por exemplo, Ilsea era uma freira católica, num convento na Alemanha. O que a atraiu às Testemunhas de Jeová? Ela disse: “São as melhores pessoas que já conheci. Não participam em guerras, nem fazem algo que prejudique outros. Querem ajudar as pessoas a viver em felicidade numa terra paradísica sob o Reino de Deus.”
Outro exemplo é Günther, um soldado alemão que prestou serviço na França durante a Segunda Guerra Mundial. Certo dia, um pastor protestante realizou um ofício religioso para os soldados na unidade de Günther. O sacerdote orou a Deus, pedindo bênçãos, proteção e vitória. Depois do ofício, Günther ficou de sentinela. Através de binóculos, ele viu tropas inimigas no outro lado da linha de batalha que também estavam assistindo a um ofício religioso dirigido por um sacerdote. Günther mencionou depois: “É provável que aquele sacerdote também tenha pedido bênçãos, proteção e vitória. Eu me perguntava como é possível que igrejas cristãs estejam em lados opostos na mesma guerra.” Aqueles episódios ficaram gravados na memória de Günther. Mais tarde, quando entrou em contato com as Testemunhas de Jeová, que não participam em guerras, ele passou a fazer parte dessa fraternidade mundial.
Ashok e Feema pertenciam a uma religião oriental. Tinham em casa um santuário dedicado a uma deidade. Quando sua família passou por um problema de grave doença, eles fizeram uma reavaliação de sua religião. Nas conversas com as Testemunhas de Jeová, Ashok e Feema ficaram impressionados com os ensinos da Bíblia e o amor existente entre elas. Agora eles são publicadores zelosos das boas novas do Reino de Jeová.
Ilse, Günther, Ashok e Feema estão unidos com milhões de Testemunhas de Jeová numa fraternidade global. Eles crêem na promessa bíblica de que os mesmos fatores que hoje os unem na adoração unirão em breve toda a humanidade obediente. Então não haverá mais atrocidades, desunião e discórdia em nome da religião. O mundo inteiro estará unido na adoração do Deus verdadeiro, Jeová. — Revelação (Apocalipse) 21:4, 5.
[Nota(s) de rodapé]
a Alguns nomes neste artigo foram mudados.
[Fotos nas páginas 4, 5]
Mesmo sendo de formações diferentes, os primeiros cristãos estavam unidos
-