BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • Quando a violência atinge o lar
    Despertai! — 1993 | 8 de fevereiro
    • Quando a violência atinge o lar

      “A violência humana — uma bofetada ou um empurrão, uma facada ou tiros — é mais comum no círculo familiar do que em qualquer outro lugar na nossa sociedade.” — A Portas Fechadas (em inglês)

      ANDE por qualquer rua nos Estados Unidos. Um em cada dois lares sofrerá alguma forma de violência doméstica pelo menos uma vez este ano. E 1 em cada 4 lares passará por isso várias vezes. Ironicamente, muitos que têm medo de andar nas ruas à noite correm maior perigo em casa.

      Mas a violência doméstica não é um fenômeno só dos Estados Unidos. É mundial. Na Dinamarca, por exemplo, 2 em cada 3 assassinatos ocorrem em famílias. Pesquisas na África revelam que 22 a 63 por cento de todos os assassinatos, dependendo do país, acontecem no círculo familiar. E, na América Latina, muitas pessoas, especialmente mulheres, são degradadas, espancadas ou mortas por machões.

      No Canadá, cerca de cem mulheres por ano são assassinadas pelo marido ou companheiro. Nos Estados Unidos, com aproximadamente dez vezes a população do Canadá, todo ano umas 4.000 mulheres são mortas por maridos ou namorados que cometem abusos. Além disso, cerca de 2.000 crianças são mortas a cada ano pelos pais, e o mesmo número de pais são mortos pelos filhos.

      Assim, no mundo todo, maridos batem nas mulheres, mulheres agridem os maridos, pais espancam filhos, filhos atacam pais, e filhos são violentos entre si. “A maior parte da ira e da violência que os adultos experimentam na vida vem de ou dirige-se a um parente consanguíneo”, diz o livro When Families Fight (Quando as Famílias Brigam), “e essa ira é mais intensa do que a experimentada em qualquer outro relacionamento”.

      A família em guerra

      Abuso do cônjuge: Muitas vezes os maridos consideram a certidão de casamento como autorização para bater na esposa. Embora haja mulheres que agridem homens, os danos em geral não são tão graves como os infligidos pelos homens quando batem na esposa. A revista Parents diz: “Mais de 95 por cento dos casos relatados de [grave] abuso do cônjuge são de homens que batem na mulher.”

      Uma promotora pública de Nova Iorque diz: “A violência contra as mulheres existe em proporções epidêmicas na sociedade americana. O FBI calcula que . . . 6 milhões de mulheres são espancadas todo ano.” Embora o número de ocorrências varie de país para país, os relatórios mostram que o espancamento de mulheres por homens é uma epidemia em muitos países, se não na maioria.

      Nos Estados Unidos, calcula-se que “uma em cada 10 mulheres será gravemente agredida (socada, chutada, mordida ou até pior) pelo marido alguma vez durante sua vida de casada”. Incluindo-se casos menos graves, diz a revista Family Relations, “uma em cada duas mulheres nos Estados Unidos sofrerá violência doméstica”.

      De fato, uma promotora pública de Nova Iorque diz que se concluiu que “o espancamento da esposa causa mais ferimentos que requerem hospitalização do que todos os estupros, agressões em assaltos e acidentes de carro somados”.

      A Dra. Lois G. Livezey comenta: “Está claro que a violência contra as mulheres e a violência no círculo familiar é lugar-comum, e que os perpetradores disso . . . são pessoas comuns. . . . É um problema grave em todas as classes e raças da população.”

      As vítimas às vezes se culpam pelos abusos, o que resulta em pouco amor-próprio. A revista Parents explica: “A mulher que não tem confiança em si mesma e se dá pouco valor candidata-se a abusos. . . . A típica mulher vítima de abusos teme planejar e agir em seu próprio benefício.”

      A violência conjugal também tem um efeito prejudicial sobre os filhos. Eles aprendem que a violência pode ser usada para manipular os outros. Algumas mães chegam a dizer que os filhos usam ameaças contra elas, como: “Vou mandar o papai bater em você”, para conseguir fazer suas vontades.

      Abuso de crianças: Todo ano, milhões de crianças sofrem severas punições físicas que podem ferir gravemente, mutilar ou matar. Calcula-se que, para cada caso de abuso denunciado, 200 não são. “Para as crianças, o lar muitas vezes é o lugar mais perigoso em que estar”, diz o livro Sociology of Marriage and the Family (Sociologia do Casamento e da Família).

      O professor universitário John E. Bates diz que os abusos são a influência mais poderosa no lar sobre o comportamento da criança mais tarde na vida. A Dra. Susan Forward diz: “Constatei que nenhum outro acontecimento na vida fere tanto o amor-próprio das pessoas ou as deixa tão propensas a grandes dificuldades emocionais na idade adulta como este.” Podem-se notar sinais de agressividade diante de situações difíceis mesmo em crianças de quatro a cinco anos. À medida que crescem, essas crianças apresentam índices maiores de uso de drogas, abuso de álcool, comportamento criminoso, distúrbios psicóticos e desenvolvimento retardado.

      É compreensível que muitas crianças maltratadas guardem raiva do pai ou da mãe que abusa delas; muitas vezes, porém, elas também têm raiva do pai ou da mãe que não abusa delas, mas permite que a violência continue. Na mente da criança, a testemunha omissa talvez seja encarada como cúmplice.

      Abuso de idosos: Calcula-se que 15 por cento dos idosos do Canadá sofram abusos físicos e psicológicos às mãos de filhos adultos. Certo médico prediz que “a situação só pode piorar à medida que cresce o número de idosos na população e aumentam os fardos financeiros e emocionais sobre seus filhos”. Há temores similares no mundo todo.

      Os idosos muitas vezes relutam em denunciar os abusos. Talvez dependam de quem abusa deles, de modo que preferem continuar vivendo nessas estarrecedoras circunstâncias. “Na próxima vez”, é a resposta que uma senhora sempre dava quando lhe perguntavam quando denunciaria o filho e a nora às autoridades. Bateram tanto nela que ela ficou um mês hospitalizada.

      Abuso entre irmãos: Uma forma comum de violência doméstica. Há quem trivialize isso, dizendo: “Meninos são assim mesmo.” No entanto, mais da metade das crianças numa pesquisa havia cometido atos que seriam suficientemente graves para instauração de processo criminal se tivessem sido dirigidos contra alguém de fora da família.

      Muitos acreditam que os abusos entre irmãos ensinam um padrão que é levado para a idade adulta. Em alguns casos, talvez seja um fator ainda maior em posteriores abusos conjugais do que terem observado violência entre os pais.

      Perigoso campo de batalha

      Um pesquisador forense certa vez apurou que a polícia foi chamada para cuidar de conflitos familiares com mais freqüência do que para lidar com todas as outras ocorrências criminais conjugadas. Disse também que mais policiais foram mortos ao atenderem a chamadas por causa de distúrbios familiares do que ao atenderem a qualquer outro tipo específico de chamada. “Pelo menos num assalto você está preparado”, disse um policial. “Mas entre na casa de alguém . . . Não se sabe o que vai acontecer.”

      Depois dum amplo estudo sobre violência doméstica, uma equipe de pesquisadores nos Estados Unidos concluiu que, com exceção das forças armadas em tempo de guerra, a família é a unidade social mais violenta que existe.

      O que causa a violência na família? Acabará algum dia? Tem justificativa? O próximo artigo examinará essas perguntas.

      [Destaque na página 4]

      “A violência contra as mulheres existe em proporções epidêmicas na sociedade americana.” — Uma promotora pública

      [Destaque na página 5]

      “Para as crianças, o lar muitas vezes é o lugar mais perigoso em que estar.” — Sociologia do Casamento e da Família

  • O que causa a violência doméstica?
    Despertai! — 1993 | 8 de fevereiro
    • O que causa a violência doméstica?

      “Em vez de ser um refúgio das pressões, tensões e irracionalidade da sociedade exterior, a família muitas vezes parece transmitir ou até ampliar essas tensões.” — O Ambiente Íntimo — Uma Análise do Casamento e da Família (em inglês)

      PESQUISAS sobre a violência na família são um empreendimento relativamente novo. Só em décadas recentes se realizaram amplos estudos. Os resultados dessas investigações podem nem sempre ser coerentes, mas alguns fatores básicos que contribuem para a violência no lar foram descobertos. Consideremos alguns.

      Qual é o papel da formação familiar?

      Vários pesquisadores disseram sobre suas descobertas: “Quanto mais violento é o casal entrevistado, mais violentos são os filhos entre si e com os pais.”

      Pura e simplesmente testemunhar a violência na família exerce forte efeito sobre o jovem. “Para a criança, ver a mãe ser espancada equivale a ela mesma ser espancada”, diz o terapeuta John Bradshaw. Um jovem chamado Ed detestava ver seu pai bater em sua mãe. No entanto, embora talvez não se tenha dado conta disso, ele estava sendo condicionado a crer que os homens têm de controlar as mulheres e que, para tanto, precisam amedrontá-las, machucá-las e rebaixá-las. Quando se tornou adulto, Ed usou essas táticas abusivas e violentas contra sua esposa.

      Alguns pais cautelosamente proíbem que os filhos vejam violência na televisão, o que é muito bom. Mas os pais devem ter ainda mais cuidado no que diz respeito a controlar seu próprio comportamento como exemplos para seus impressionáveis filhos.

      Qual é o papel do estresse?

      Gravidez, desemprego, morte do pai ou da mãe, mudança de residência, doença e problemas financeiros causam estresse, como outras coisas o causam. A maioria das pessoas lida com o estresse sem recorrer à violência. Para alguns, porém, o estresse pode ser um prelúdio da violência, sobretudo quando conjugado com outros fatores. Por exemplo, cuidar do pai ou da mãe em idade avançada — em especial quando o caso é de doença — muitas vezes gera abusos quando quem cuida fica sobrecarregado com outras responsabilidades familiares.

      Criar filhos produz estresse. Por isso, a probabilidade de haver abuso de crianças talvez aumente com o tamanho da família. Os filhos podem provocar um aumento no abuso de cônjuges também, porque “conflitos com respeito a filhos são o que mais provavelmente leva o casal a brigar”, diz o livro Behind Closed Doors (A Portas Fechadas).

      Conceito incorreto sobre os sexos

      Dan Bajorek, que dirige um grupo de aconselhamento no Canadá, diz que os homens que cometem abusos têm um conceito errado sobre as mulheres: “Qualquer que seja sua cultura, eles foram criados para crer que os homens são mais importantes.” Hamish Sinclair, que lidera um programa de tratamento para homens que cometem abusos, diz que os homens são educados para crer que são superiores às mulheres e que é seu direito “puni-las, discipliná-las ou intimidá-las”.

      Em muitos países crê-se que o homem tem o direito de tratar a esposa como mero objeto, apenas uma propriedade a mais. Seu controle e domínio sobre ela é tido como grau de masculinidade e honra. As esposas muitas vezes são horrivelmente espancadas e sofrem outros abusos, e os sistemas jurídicos pouco fazem a respeito pois esta é a regra nesses países. O homem é superior, a mulher é inferior; ela tem de ser-lhe inteiramente obediente não importa a que ponto ele seja desprezível, violento, pervertido ou egoísta.

      O repórter Morley Safer, da rede de televisão CBS, falou sobre certo país da América do Sul: “Em nenhum lugar da América Latina o culto ao machismo é mais evidente . . . Permeia toda a sociedade, inclusive a sala de audiência no tribunal, onde o homem, ao defender sua honra, consegue ficar impune, especialmente se a vítima é sua mulher.” Assegurou que “nenhum lugar na Terra degrada as mulheres” como esse país. Mas a dominação masculina e a degradação das mulheres são generalizadas. Não se limitam a determinado país, não importa quanto sejam graves ali.

      Minna Schulman, diretora dum órgão especializado em violência doméstica e aplicação da lei, em Nova Iorque, diz que a violência é um instrumento usado pelos homens para manter controle e demonstrar poder e autoridade sobre a mulher. E acrescentou: “Consideramos a violência doméstica como abuso do poder e do controle.”

      Alguns homens que espancam a esposa têm pouco amor-próprio, a mesma característica que provocam nas vítimas. Conseguindo isso, seu ego fica satisfeito, e sentem certa medida de superioridade e controle sobre outro ser humano. Acham que provam assim sua masculinidade. Mas provam mesmo? Visto que praticam sua violência contra mulheres fisicamente mais fracas, será que isso prova que são mesmo homens de força, ou prova que são é insensatos? É realmente varonil um homem mais forte espancar uma mulher mais fraca e indefesa? O homem de forte caráter moral mostra consideração e compaixão pelos mais fracos e indefesos, não se aproveita deles.

      Outra demonstração do modo insensato de pensar do espancador é que ele muitas vezes culpa a esposa de provocar as surras. Talvez sugira, ou até lhe diga, coisas como: ‘Você não fez isso direito. É por isso que estou batendo em você.’ Ou: ‘O jantar atrasou, e por isso está só recebendo o que merece.’ Para ele, a culpa é dela. Mas nenhuma falta do cônjuge justifica o espancamento.

      O álcool faz diferença?

      Visto que o álcool reduz as restrições e eleva o potencial de agir por impulso, não surpreende que alguns achem que ele desencadeia abusos. A pessoa geralmente consegue manter o controle de emoções violentas quando sóbria, mas tende a cometer abusos depois de uns drinques. O álcool embota as faculdades mentais e diminui a habilidade de controlar o temperamento.

      Outros dizem, porém, que a raiz do problema está mais no estresse do que no próprio álcool. Dizem que a pessoa que usa o álcool para enfrentar o estresse é o mesmo tipo que talvez use a violência com esse objetivo. Isso significa que aquele que bebe talvez cometa abusos tanto sóbrio como embriagado. No entanto, qualquer que seja o raciocínio nesse respeito, o álcool certamente não promove o controle das emoções, mas em geral tem efeito oposto.

      Como a mídia molda o comportamento

      A televisão e o cinema, segundo alguns, incentivam a imagem do machão e ensinam que a violência é uma maneira legítima de lidar com os conflitos e a raiva. “Fiquei fascinado com a minha própria reação intensa ao filme Rambo”, admite um conselheiro familiar. “Embora o adulto acatador da lei [do meu íntimo] fique horrorizado com os assassinatos em massa do Rambo, a criança [que há em mim] o instiga a continuar matando.”

      Já que muitas crianças ficam expostas a milhares de horas na frente da televisão com incontáveis cenas de violência, estupro e degradação de outros seres humanos, especialmente de mulheres, não é de admirar que depois de crescidas traduzam em ações essas mesmas características anti-sociais. E as crianças não são os únicos atingidos; os adultos também são.

      Além disso, sobretudo nos últimos anos, o grau de violência, imoralidade e humilhação de mulheres que a televisão e o cinema apresentam explicitamente aumentou de modo acentuado. Isso só piora o panorama da violência doméstica. Como um grupo de investigação constatou, existe “uma nítida . . . correlação entre ver violência e comportamento agressivo”.

      O efeito do isolamento

      A vida de muitos hoje é impessoal e solitária. Supermercados e grandes lojas substituíram a amistosa mercearia do bairro. Reurbanização urbana, problemas financeiros e desemprego forçam famílias a mudar de residência freqüentemente. É alto o índice de violência doméstica entre aqueles que não têm fortes contatos sociais.

      James C. Coleman, em seu livro Intimate Relationships, Marriage, and the Family (Relacionamentos Íntimos, Casamento e Família), explica por que acha que é assim. Acredita que o isolamento reduz as conversações significativas e torna difícil que aquele que comete abusos veja sua situação com objetividade e procure ajuda de um confidente. A falta de amigos e parentes próximos que atuem como força moderadora possibilita que a pessoa aja segundo seu egoísmo com mais facilidade, já que sua maneira errada de pensar não é combatida diariamente pelos que lhe são achegados. É como Provérbios 18:1 diz: “Quem se isola procurará o seu próprio desejo egoísta; estourará contra toda a sabedoria prática.”

      Ajuda para a família violenta

      Consideramos apenas parte das explicações para a violência doméstica. Existem outras. Identificadas algumas das causas, precisamos agora examinar soluções. Quando se faz parte duma família violenta, como pôr fim ao padrão de abusos? Qual é o conceito da Bíblia? Acabará algum dia a violência no lar? O artigo na página 10 tratará dessas perguntas.

      [Quadro/Foto na página 9]

      Violência emocional — Golpes duros com palavras

      NOS abusos físicos, a agressão é com os punhos; nos emocionais, é com palavras. A única diferença é a escolha de armas. É como diz Provérbios 12:18: “Existe aquele que fala irrefletidamente como que com as estocadas duma espada, mas a língua dos sábios é uma cura.”

      Até que ponto a violência emocional é perigosa, incluindo essas “estocadas duma espada”? A Dra. Susan Forward escreve: “As conseqüências são as mesmas [dos abusos físicos]. O pavor é o mesmo, o desamparo é o mesmo, e a dor é a mesma”, falando-se em sentido emocional.

      Violência emocional contra o cônjuge: “A violência conjugal não é só física. Grande parte, talvez até a maior, é verbal e emocional”, disse uma mulher, vítima de violência por muito tempo. Os abusos podem incluir palavrões, gritos, críticas constantes, insultos degradantes e ameaças de violência física.

      Comentários maldosos que menosprezam, humilham ou intimidam podem causar graves danos. Como água pingando sobre uma pedra, insinuações difamatórias a princípio talvez pareçam inofensivas. Mas o amor-próprio logo é erodido. “Se eu tivesse de escolher entre abusos físicos e verbais, preferiria uma surra a qualquer hora”, disse uma senhora. “As marcas são visíveis”, explicou ela, “de modo que pelo menos as pessoas têm pena de você. Quando os abusos são verbais, eles a deixam transtornada. As feridas são invisíveis. Ninguém liga.”

      Violência emocional contra crianças: Talvez inclua constantes críticas e menosprezo da aparência, inteligência, competência ou valor da criança como pessoa. O sarcasmo é especialmente prejudicial. As crianças muitas vezes levam a sério os comentários sarcásticos, sem distinguir entre o que se diz para valer e o que se diz “de brincadeira”. O terapeuta familiar Sean Hogan-Downey diz: “A criança se sente magoada, mas todos riem, de modo que ela aprende a não confiar em seus sentimentos.”

      Assim, na maioria dos casos, há um quê de verdade no que o historiador e ensaísta escocês Thomas Carlyle disse certa vez: “Considero agora o sarcasmo como, em geral, a linguagem do Diabo; por esse motivo, há muito tempo, praticamente renunciei a isso.”

      Joy Byers, especialista em abuso de crianças, diz: “Abusos físicos podem matar a criança, mas é possível também matar o espírito, e é isso o que o constante padrão de comentários negativos dos pais pode fazer.” A revista FLEducator comenta: “Diferente do machucado que pode ser visto e some, o abuso emocional causa mudanças invisíveis na mente e na personalidade da criança, que alteram permanentemente sua realidade e interação com os outros.”

      [Foto na página 7]

      A exposição à violência exerce forte influência sobre o comportamento posterior da criança.

  • O fim da violência doméstica
    Despertai! — 1993 | 8 de fevereiro
    • O fim da violência doméstica

      “A prevenção da violência no lar e a redução da violência na família envolvem grandes mudanças estruturais na sociedade e na família.” — A Portas Fechadas (em inglês)

      O PRIMEIRO assassinato na história humana ocorreu entre irmãos. (Gênesis 4:8) Através dos milênios desde então, o homem tem sido afligido por todas as formas de violência doméstica. Inúmeras soluções já foram propostas, mas muitas têm desvantagens.

      Por exemplo, a reabilitação só alcança os ofensores que reconhecem seu problema. Um homem que cometia abusos contra a esposa, mas já em fase de recuperação, lamentou: “Para cada um de nós [em reabilitação], existem três homens lá fora que dizem: ‘A gente tem de manter a patroa na linha.’” Portanto, aquele que comete abusos precisa aprender a lidar com a sua própria situação. Por que passou a cometer abusos? Se obtiver ajuda para corrigir suas próprias faltas, poderá ser posto no caminho da cura.

      Mas as equipes dos programas sociais são reduzidas. Assim, calcula-se que, em 90 por cento dos casos de assassinato de crianças nos Estados Unidos, situações perigosas na família haviam sido denunciadas antes do crime. Portanto, os programas sociais e a polícia têm limitações. Há algo mais vitalmente necessário.

      “A nova personalidade”

      “O que se precisa não é nada menos que uma reestruturação das relações entre os membros da família”, diz uma equipe de pesquisadores. A violência doméstica é um problema que não está só nos punhos; é antes de tudo um problema que está na cabeça. Suas raízes estão em como os membros da família — cônjuge, filho, pai, mãe, irmão — encaram um ao outro. Reestruturar esses relacionamentos significa revestir-se do que a Bíblia chama de “nova personalidade”. — Efésios 4:22-24; Colossenses 3:8-10.

      Examinemos alguns princípios bíblicos relacionados com a família que nos ajudam a nos revestir da nova personalidade, semelhante à de Cristo, que pode contribuir para um relacionamento melhor entre os membros da família. — Veja Mateus 11:28-30.

      Conceito sobre os filhos: Ser pai ou mãe envolve mais do que trazer um bebê ao mundo. Infelizmente, porém, muitos hoje encaram os filhos como fardo e, por isso, não assumem compromisso com seu papel de pais. São pessoas com potencial de cometer abusos.

      A Bíblia chama os filhos de “herança da parte de Jeová” e “recompensa”. (Salmo 127:3) Os pais têm o dever perante o Criador de cuidar dessa herança. Os que encaram os filhos como estorvo precisam desenvolver a nova personalidade nesse respeito.a

      Expectativas realistas a respeito dos filhos: Certo estudo revelou que muitas mães que cometem abusos esperam que os bebês saibam distinguir o certo do errado quando completam um ano de idade. Um terço das mães entrevistadas especificou seis meses.

      A Bíblia revela que todos nascem imperfeitos. (Salmo 51:5; Romanos 5:12) Ela não diz que se adquire discernimento por ocasião do nascimento. Diz sim que “pelo uso” as faculdades perceptivas são “treinadas para distinguir tanto o certo como o errado”. (Hebreus 5:14) Além disso, a Bíblia fala das “características de pequenino”, da “tolice” do rapaz e da “vaidade” da adolescência. (1 Coríntios 13:11; Provérbios 22:15; Eclesiastes 11:10) Os pais têm de compreender essas limitações, sem esperar mais do que é apropriado para a idade e a habilidade da criança.

      Disciplina para os filhos: Na Bíblia, a palavra grega traduzida “disciplina” significa “educar”. Portanto, o alvo da disciplina é primariamente instruir, não causar dor. Pode-se conseguir muito nesse respeito sem dar umas palmadas, embora talvez seja preciso às vezes. (Provérbios 13:24) A Bíblia diz: “Escutai a disciplina e tornai-vos sábios.” (Provérbios 8:33) Além disso, Paulo escreveu que a pessoa deve ‘restringir-se sob o mal’, repreendendo com “longanimidade”. (2 Timóteo 2:24; 4:2) Isso exclui acessos de ira e força excessiva mesmo quando é preciso bater.

      Em vista desses princípios bíblicos, pergunte-se: ‘Será que minha disciplina ensina, ou apenas controla causando dor? Será que minha disciplina instila princípios justos ou só medo?’

      Limites de comportamento para adultos: Um homem disse que havia apenas “perdido o controle” e espancado a esposa. Um conselheiro perguntou-lhe se alguma vez já a havia apunhalado. “Eu nunca faria isso!”, respondeu ele. Esse homem foi ajudado a ver que estava agindo dentro de limites, mas o problema é que não eram os limites certos.

      Quais são seus limites? Pára antes que o desentendimento parta para abusos? Ou perde as estribeiras e acaba gritando, insultando, empurrando, jogando coisas ou espancando?

      A nova personalidade tem um limite preciso, bem longe de permitir abuso mental ou violência física. “Não saia da vossa boca nenhuma palavra pervertida”, diz Efésios 4:29. O versículo 31 de Efésios 4 acrescenta: “Sejam tirados dentre vós toda a amargura maldosa, e ira, e furor, e brado, e linguagem ultrajante, junto com toda a maldade.” A palavra grega para “furor” denota “natureza impulsiva”. Vale notar que o livro Toxic Parents (Pais Intoxicados) comenta que uma característica comum entre aqueles que abusam de crianças é “uma estarrecedora falta de controle dos impulsos”. A nova personalidade estabelece limites firmes sobre os impulsos, tanto físicos como verbais.

      Naturalmente, a nova personalidade aplica-se tanto à esposa como ao marido. Ela faz por onde não provocar o marido, mostrando apreço por seus esforços de cuidar da família, cooperando com ele. E um não exige do outro o que nenhum dos dois é capaz de produzir: perfeição. Em vez disso, ambos aplicam 1 Pedro 4:8: “Acima de tudo, tende intenso amor uns pelos outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados.”

      Respeito pelos idosos: “Fiquem de pé na presença das pessoas idosas e as tratem com todo o respeito”, diz Levítico 19:32. (A Bíblia na Linguagem de Hoje) Isso pode ser um desafio quando o pai ou a mãe idosa é doente e talvez exigente. A Primeira a Timóteo 5:3, 4 fala de dar “honra” e “a devida compensação” aos pais. Isso pode incluir ajuda financeira, além de respeito. Em vista de tudo o que os nossos pais fizeram por nós quando éramos bebês indefesos, devemos mostrar-lhes consideração similar quando necessário.

      Superar a rivalidade entre irmãos: Antes de Caim ser levado por sua hostilidade a assassinar Abel, ele foi aconselhado: “O pecado está na porta, à sua espera. Ele quer dominá-lo, mas você precisa vencê-lo.” (Gênesis 4:7, BLH) Sentimentos podem ser controlados. Aprendam a ser pacientes uns com os outros, “generosamente fazendo concessões uns aos outros por se amarem”. — Efésios 4:2, Phillips.

      Aprenda a confidenciar

      Muitas vítimas da violência doméstica sofrem em silêncio. Mas o Dr. John Wright incentiva: “As mulheres espancadas devem procurar proteção emocional e física duma terceira pessoa competente.” O mesmo se aplica a qualquer membro da família que sofra abusos.

      Às vezes a vítima acha difícil confidenciar a outra pessoa. Afinal, a confiança na unidade social mais íntima — a família — resultou em dor. No entanto, “há um amigo que se apega mais do que um irmão”, diz Provérbios 18:24. Encontrar esse amigo ou amiga e aprender a confidenciar discretamente é um valioso passo rumo a obter a necessária ajuda. Naturalmente, aquele que comete os abusos também precisa obter ajuda.

      Todo ano, centenas de milhares de pessoas tornam-se Testemunhas de Jeová. Aceitam o desafio de se revestir da nova personalidade. Entre elas há quem antes cometia violência doméstica. Para neutralizarem qualquer tendência de recaída, têm de continuamente deixar que a Bíblia seja “proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas”. — 2 Timóteo 3:16.

      Para essas novas Testemunhas de Jeová, o processo de se revestirem da nova personalidade é contínuo, pois Colossenses 3:10 diz que ela “está sendo renovada”. Portanto, é preciso esforço contínuo. Felizmente, as Testemunhas de Jeová têm o apoio duma multidão de “irmãos, e irmãs, e mães, e filhos”. — Marcos 10:29, 30; veja também Hebreus 10:24, 25.

      Além disso, em todas as cerca de 70.000 congregações das Testemunhas de Jeová no mundo, há superintendentes amorosos que são como “um abrigo contra o vento e um esconderijo contra as tempestades”. Seus “olhos e ouvidos estarão abertos às necessidades do povo”. (Isaías 32:2, 3, Today’s English Version) Portanto, as Testemunhas de Jeová mais novas, bem como as mais experientes, têm uma maravilhosa provisão de ajuda disponível na congregação cristã à medida que se empenham para se revestir da nova personalidade.

      Superintendentes compassivos

      Os superintendentes cristãos nas congregações das Testemunhas de Jeová são treinados para ouvir imparcialmente a todos que os procurem em busca de conselhos. São incentivados a mostrar a todos, especialmente às vítimas de graves abusos, grande compaixão e compreensão. — Colossenses 3:12; 1 Tessalonicenses 5:14.

      Por exemplo, uma mulher talvez seja brutalmente espancada pelo marido. Em muitos países hoje, se o mesmo espancamento é infligido a alguém que não é da família, o espancador pode acabar preso. Portanto, a vítima precisa ser tratada com extraordinária bondade, como as vítimas de todo outro tipo de abuso, como o abuso sexual.

      Além disso, os que praticam crimes contra as leis de Deus precisam prestar contas dos seus atos. A congregação é assim mantida limpa, e outros inocentes são protegidos. E, o que é muito importante, o fluxo do espírito de Deus não é impedido. — 1 Coríntios 5:1-7; Gálatas 5:9.

      O conceito de Deus sobre o casamento

      Quem se torna Testemunha de Jeová concorda em seguir os princípios da vida cristã encontrados na Palavra de Deus. Aprende que o homem é designado como cabeça da família, para guiá-la na adoração verdadeira. (Efésios 5:22) Mas a chefia nunca o autoriza a tratar a esposa com brutalidade, a esmagar sua personalidade ou a ignorar seus desejos.

      A Palavra de Deus, ao contrário, deixa claro que o marido deve ‘continuar a amar a esposa, assim como também o Cristo amou a congregação e se entregou por ela. O marido deve estar amando a esposa como a seu próprio corpo. Quem ama a sua esposa, ama a si próprio, pois nenhum homem jamais odiou a sua própria carne; mas ele a alimenta e acalenta’. (Efésios 5:25, 28, 29) De fato, a Palavra de Deus diz claramente que a esposa deve receber “honra”. — 1 Pedro 3:7; veja também Romanos 12:3, 10; Filipenses 2:3, 4.

      Certamente nenhum marido cristão pode dizer com honestidade que realmente ama a esposa ou que a honra se abusa verbal ou fisicamente dela. Seria hipocrisia, porque a Palavra de Deus diz: “Vós, maridos, persisti em amar as vossas esposas e não vos ireis amargamente com elas.” (Colossenses 3:19) Em breve, quando Deus executar sua sentença contra este sistema iníquo no Armagedom, os hipócritas terão o mesmo destino que os opositores do domínio de Deus. — Mateus 24:51.

      O marido temente a Deus deve amar a esposa como a seu próprio corpo. Espancaria a si mesmo, esmurraria seu rosto, ou puxaria com violência seus próprios cabelos? Menosprezaria a si mesmo com desdém e sarcasmo diante de outros? Quem fizesse essas coisas seria considerado mentalmente desequilibrado, para dizer o mínimo.

      Se o cristão espanca a esposa, isso anula à vista de Deus todas as suas obras cristãs. Lembre-se: o “espancador” não se qualifica para privilégios na congregação cristã. (1 Timóteo 3:3; 1 Coríntios 13:1-3) É claro que a esposa que trata o marido de modo semelhante também viola a lei de Deus.

      Gálatas 5:19-21 classifica “inimizades, rixa, . . . acessos de ira” entre as obras condenadas por Deus e diz que “os que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus”. Assim, nunca há justificativa para espancar o cônjuge ou os filhos. Em geral é contra a lei do país e, com certeza, é contra a lei de Deus.

      A Sentinela, uma revista publicada pelas Testemunhas de Jeová, apresentou um ponto de vista bíblico sobre o assunto, dizendo o seguinte sobre aqueles que se dizem cristãos, mas são espancadores: “Se alguém que afirma ser cristão repetida e impenitentemente se entrega a violentos acessos de ira pode ser desassociado”, excomungado. — 1.º de julho de 1975, página 414; compare com 2 João 9, 10.

      O que a lei de Deus permite

      Por fim, Deus julgará os violadores de suas leis. Mas, no ínterim, que medidas sua Palavra permite que os cônjuges cristãos, vítimas de espancamentos, tomem nos casos em que o espancador não muda, mas continua violento? São as vítimas inocentes obrigadas a continuar pondo em risco sua saúde física, mental e espiritual, talvez a própria vida?

      Tratando da violência no lar, A Sentinela comenta o que a Palavra de Deus permite. Ela diz: “O apóstolo Paulo aconselha: ‘A esposa não se afaste de seu marido; mas, se ela realmente se afastar, que permaneça sem se casar, ou, senão, que se reconcilie novamente com seu marido; e o marido não deve deixar a sua esposa.” O artigo prossegue: “Caso o abuso se torne insuportável ou a própria vida corra perigo, o cônjuge crente talvez ache melhor ‘afastar-se’. Mas, o empenho deve ser para ‘reconciliar-se novamente’ no devido tempo. (1 Coríntios 7:10-16) Entretanto, o ‘afastamento’ não fornece em si mesmo base [bíblica] para divórcio e um novo casamento; todavia, um divórcio [legal] ou uma separação legal poderá prover certa medida de proteção contra mais abusos.” — 15 de setembro de 1983, páginas 28-9; veja também a edição de 1.º de novembro de 1988, páginas 22-3.

      O que a vítima decide fazer nessas circunstâncias deve ser uma decisão pessoal. “Cada um levará a sua própria carga.” (Gálatas 6:5) Ninguém pode tomar uma decisão dessas em seu lugar. E ninguém deve tentar pressioná-la a voltar para o marido espancador se sua saúde, vida e espiritualidade se acham ameaçadas. Tem de ser sua própria escolha, feita com seu próprio livre-arbítrio, não porque outros tentam impor-lhe sua vontade. — Veja Filêmon 14.

      Fim da violência doméstica

      As Testemunhas de Jeová aprenderam que a violência doméstica é típica do que a Bíblia predisse para os últimos dias, quando muitos seriam “praticantes de abusos”, “sem afeição natural” e “ferozes”. (2 Timóteo 3:2, 3, The New English Bible) Deus promete estabelecer, depois dos últimos dias, um pacífico novo mundo em que as pessoas “morarão realmente em segurança, sem que alguém as faça tremer”. — Ezequiel 34:28.

      Nesse maravilhoso novo mundo, a violência doméstica será para sempre uma coisa do passado. “Os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz.” — Salmo 37:11.

      Nós o incentivamos a aprender mais sobre as promessas bíblicas referentes ao futuro. De fato, você pode beneficiar-se mesmo agora de aplicar os princípios bíblicos em seu ambiente familiar.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Há excelentes conselhos para pais e mães no livro Torne Feliz Sua Vida Familiar, publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, capítulos 7 a 9, “Ter Filhos — Responsabilidade e Recompensa”, “Seu Papel Como Pai ou Mãe” e “Instrução dos Filhos Desde a Infância”.

      [Fotos na página 10]

      Os princípios bíblicos ajudam a resolver conflitos na família.

      [Foto na página 13]

      As vítimas precisam confidenciar a um amigo ou amiga competente.

Publicações em Português (1950-2026)
Sair
Login
  • Português (Brasil)
  • Compartilhar
  • Preferências
  • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Configurações de Privacidade
  • JW.ORG
  • Login
Compartilhar