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Onde a crise é maiorDespertai! — 1997 | 22 de agosto
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[Quadro/Foto na página 9]
O que se tem proposto
Construir usinas de dessalinização. Elas retiram o sal da água do mar. Em geral, isso é feito por bombear a água para dentro de câmaras de baixa pressão, onde ela é aquecida até ferver. A água evapora e é desviada para outro reservatório, deixando atrás os cristais de sal. É um processo caro, inacessível para muitos países em desenvolvimento.
Derreter blocos de gelo. Há cientistas que acreditam que maciços blocos de gelo (icebergs), formados por água pura e doce, poderiam ser arrastados da Antártida por enormes rebocadores e derretidos para abastecer de água os países áridos do Hemisfério Sul. Um problema: cerca da metade do bloco derreteria antes de chegar ao seu destino.
Extrair de camadas aqüíferas. Camadas aqüíferas são formações rochosas que contém água, nas entranhas da Terra. Essa água pode ser bombeada, mesmo nos mais áridos desertos. Mas, é um processo caro e baixa o nível do lençol freático. Outra desvantagem: a maioria das camadas aqüíferas só se renovam lentamente — e algumas, nunca.
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Qual é a solução?Despertai! — 1997 | 22 de agosto
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OS ESPECIALISTAS discutem febrilmente as soluções para os complexos problemas de água da humanidade. O Banco Mundial quer que se invistam 600 bilhões de dólares em saneamento e programas de água, nos próximos dez anos. O custo de não investir poderá ser ainda mais elevado. No Peru, por exemplo, uma recente epidemia de cólera de dez semanas, causada por água contaminada, custou cerca de 1 bilhão de dólares — três vezes mais do que o dinheiro investido nos serviços de água do país em toda a década de 80.
No entanto, apesar das boas intenções de seus promotores, os projetos ligados à água muitas vezes pouco realizam em favor dos bem pobres. O crescimento nas megacidades dos países em desenvolvimento é explosivo e caótico. Os pobres vivem em casebres apinhados e de baixa qualidade, sem água encanada nem saneamento básico. Sem acesso à rede pública, têm de comprar água de vendedores privados, que cobram caro por uma água nem sempre limpa.
Obviamente, a crise de água global é complexa e envolve fatores inter-relacionados: escassez, poluição, pobreza, doenças e a demanda crescente de populações cada vez maiores. Também é óbvio que os homens não conseguirão resolver esses problemas.
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