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Defensor da guerra ou promotor da paz?Despertai! — 2002 | 8 de maio
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Defensor da guerra ou promotor da paz?
DO REDATOR DE DESPERTAI! NA SUÉCIA
Todo ano, o prêmio Nobel é concedido a pessoas ou organizações que contribuíram com realizações valiosas para o bem da humanidade em diversos campos. Quando teve início a premiação e qual é sua relação com a busca da paz mundial?
EMBORA seu nome seja associado com causas humanitárias, ele ficou riquíssimo vendendo armamentos de guerra. Quem foi esse homem? Alfred Bernhard Nobel, um industrial e químico sueco que, apesar de ser aclamado por promover causas humanitárias, é também chamado de “mercador da morte”. Por quê? Por ter inventado a dinamite e, no decorrer de sua vida, ter acumulado uma imensa fortuna fabricando e vendendo explosivos mortíferos.
Contudo, após sua morte, em 1896, fez-se uma descoberta surpreendente: seu testamento estipulava que 9 milhões de dólares fossem destinados a um fundo cujos rendimentos seriam usados para premiar indivíduos que tivessem feito uma contribuição notável nos campos da física, química, medicina, literatura e paz.
No início, muitos ficaram perplexos. Por que um empresário que comercializava explosivos estaria tão desejoso de promover causas humanitárias e até mesmo a paz? Segundo alguns, Nobel teria sofrido uma crise de consciência devido à natureza destrutiva do trabalho ao qual dedicou toda a sua vida. Mas outros acreditam que seu objetivo sempre tenha sido promover a paz. De fato, pelo visto ele achava que, ao passo que os armamentos se tornassem mais mortíferos, haveria menos probabilidade de haver guerras. “Talvez as minhas fábricas acabem com a guerra com mais rapidez do que os congressos legislativos”, teria dito a uma escritora, acrescentando: “Um dia, quando dois exércitos inimigos tiverem capacidade de aniquilação mútua em questão de segundos, todas as nações civilizadas recuarão de horror diante de um conflito e darão baixa às suas tropas.”
Será que as predições de Nobel se cumpriram? Que lições aprendemos no século que se seguiu à morte dele?
[Destaque na página 3]
“Gostaria de inventar uma substância ou máquina com poder de destruição em massa tão terrível que tornasse a guerra impossível para sempre.” — ALFRED BERNHARD NOBEL
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Um século de violênciaDespertai! — 2002 | 8 de maio
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Um século de violência
ALFRED NOBEL acreditava ser possível manter a paz se as nações possuíssem armamentos mortíferos. A premissa era de que o poderio militar permitiria às nações unir-se rapidamente e causar terrível aniquilação a qualquer agressor. “Seria uma força que tornaria impossível haver guerras”, escreveu. Segundo Nobel, nenhuma nação teria a insanidade de provocar um conflito com conseqüências devastadoras para si mesma. Mas o que revelou o século que passou?
A Primeira Guerra Mundial estourou menos de 20 anos após a morte de Nobel. Nesse conflito foram usados novos armamentos mortíferos, incluindo metralhadoras, gás tóxico, lança-chamas, tanques, aviões e submarinos. Quase dez milhões de soldados foram mortos, e mais do que o dobro desse número foi ferido. A brutalidade da Primeira Guerra Mundial reacendeu o anseio pela paz, o que levou à formação da Liga das Nações. Woodrow Wilson, então presidente dos Estados Unidos, foi um dos principais promotores da Liga e ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1919.
Entretanto, quaisquer esperanças de uma paz permanente foram estraçalhadas com o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939. Em muitos aspectos essa guerra foi muito pior do que a sua predecessora. Durante esse conflito, Adolf Hitler expandiu a fábrica de Nobel situada em Krümmel, tornando-a uma das maiores indústrias de munição da Alemanha, com mais de 9.000 funcionários. No fim da guerra, a fábrica de Nobel foi arrasada por um ataque aéreo dos Aliados, que lançaram mais de mil bombas. Ironicamente, aquelas bombas foram desenvolvidas com base no próprio invento de Nobel.
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