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  • Fugimos das bombas 50 anos depois

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  • Fugimos das bombas 50 anos depois
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g98 8/3 pp. 26-27

Fugimos das bombas 50 anos depois

“Haverá explosões de bombas daqui a pouco. Dirijam-se todos para os abrigos!”

ESSE foi o aviso que eu e meu marido recebemos de um policial. Ele nos ordenou que saíssemos de casa e procurássemos proteção num abrigo subterrâneo de concreto. Aquilo foi um choque para nós. Afinal de contas, não estávamos numa zona de guerra; estávamos apenas visitando amigos num dos belos atóis das ilhas Marshall, na Micronésia.

Fomos passar uma semana com uma amiga e o marido dela, na pequena ilha de Tõrwã. Ela era a única Testemunha de Jeová na ilha, e queríamos apoiá-la no trabalho de pregação às pessoas da localidade.

Os ilhéus são por natureza amigáveis e gostam de falar sobre a Bíblia. Depois do então recente lançamento do livro Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra no idioma local, tivemos boas oportunidades de colocar muitos exemplares. Todos que queriam o livro nos garantiram que o leriam e que não o usariam como ken karawan, ou “amuleto da sorte”, para afugentar os demônios. Ali é costume as pessoas colocarem uma página enrolada da Bíblia dentro de uma garrafa e pendurá-la numa viga ou numa árvore próxima, na crença de que isso irá manter afastados os maus espíritos.

Passamos vários dias agradáveis, mas no sábado, logo vimos que aquele seria um dia diferente. Começamos o dia bem cedo, nadando nas águas tépidas e transparentes da laguna. Ao caminharmos de volta da praia, avistamos um navio cinza, de aspecto assustador, se aproximar da ilha. Logo descobrimos o que ele trazia. Um policial explicou que uma equipe de sete militares americanos havia chegado para detonar bombas antigas na ilha. Para a segurança do público, as casas seriam evacuadas e os ilhéus passariam o dia nos abrigos construídos pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.

Quem chega a Tõrwã logo nota essas casamatas, que são um testemunho do terrível passado. De longe a ilha parece um paraíso tropical, mas, chegando perto, torna-se evidente que a beleza de Tõrwã ainda traz as cicatrizes da guerra que terminou há uns 50 anos. Visto que a ilha era uma importante base aérea japonesa, está repleta de lembranças da Segunda Guerra Mundial. Em toda a parte há relíquias de guerra enferrujadas — bombardeiros, armas de fogo engastadas e torpedos — já cobertas por vegetação tropical.

Mas o que mais preocupa são as bombas que restaram. Durante a guerra, o exército americano despejou mais de 3.600 toneladas de bombas, napalm e foguetes em Tõrwã, e o exército japonês tinha o seu próprio arsenal de bombas e armas em terra. Embora seja improvável que uma bomba de 50 anos chegue a explodir, elas sempre são potencialmente perigosas, o que explica a razão de equipes de remoção de bombas terem vindo à ilha pelo menos cinco vezes desde 1945, ano em que terminou a guerra.

Para confirmar o aviso, fomos a pé para a área onde a equipe de remoção de bombas desembarcara e falamos com eles. Eles não só confirmaram o aviso como também disseram que as explosões iriam começar dentro de uma hora! Se não nos abrigássemos numa casamata, disseram, teríamos de sair da ilha imediatamente.

Nossa amiga decidiu ficar em Tõrwã e foi abrigar-se dentro de uma grande casamata de metralhadoras, junto com várias famílias. Ela nos disse mais tarde que as únicas janelas na velha casamata de concreto eram as aberturas para as metralhadoras, e que estava muito quente e apinhado lá dentro. Passar o dia naquele local trouxe lembranças dos anos de guerra, e ela confessou que quando era criança, as explosões das bombas a fascinavam, mas que agora elas pareciam bastante assustadoras.

O marido dela concordou em nos levar para a ilha Wollet, a uns oito quilômetros dali, num pequeno barco com motor de popa. Minutos depois de termos partido, ouvimos uma grande explosão. Voltando-nos para Tõrwã, vimos uma coluna de fumaça perto da área residencial da ilha. Logo houve outra explosão e daí uma terceira, bem maior.

Passamos o dia pregando em Wollet, e ouvimos muitas explosões distantes naquele dia. As velhas bombas haviam sido encontradas e marcadas com meses de antecedência. Havia explosivos militares em toda a parte: no litoral, nas pistas de pouso e até mesmo no quintal das casas! Para reduzir o número de explosões, a equipe de remoção havia juntado várias bombas menores para detoná-las juntas.

O sol estava quase se pondo quando retornamos a Tõrwã. Ao nos aproximarmos da ilha, não vimos a costumeira fumaça das fogueiras acesas para cozinhar. Sabíamos que algo estava errado. De repente, um pequeno barco veio rapidamente em nossa direção e nos avisou para não nos aproximarmos. Ainda havia uma grande bomba submersa a ser detonada perto do recife. Assim, ao passo que ficamos à deriva ao largo da costa já ao cair da noite, vimos algo que a maioria das pessoas vivas hoje jamais presenciou: uma explosão submarina de uma bomba da Segunda Guerra Mundial, que lançou para o ar água e fumaça, a centenas de metros de altura!

Felizmente, ninguém ficou ferido em Tõrwã naquele dia. Será que a equipe de remoção de bombas finalmente acabou com todas as bombas que haviam restado? É provável que não. O líder da equipe disse que achava que os ilhéus ainda se deparariam com mais armamentos antigos no futuro. Naturalmente, o que aconteceu foi um assunto interessante para conversarmos com as pessoas no serviço de pregação nos últimos dias da nossa estada na ilha. Foi um grande privilégio falar a esses ilhéus sobre o tempo em que o Reino de Jeová fará “cessar as guerras até a extremidade da terra”. — Salmo 46:9.

Conforme narrado por Nancy Vander Velde.

[Foto na página 27]

Uma bomba não detonada

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