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  • Geórgia
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • Uma Testemunha de Jeová pregando para um homem perto das montanhas na Geórgia

      Geórgia

      A ILUSTRAÇÃO que Jesus fez sobre o fermento descreve bem a pregação da mensagem do Reino na Geórgia. (Mat. 13:33) No começo, os resultados da pregação não eram tão claros, mas logo a mensagem sobre o Reino se espalhou por todo o país e mudou a vida de muitas pessoas.

      Nossos irmãos na Geórgia agiram com amor, fé, lealdade, determinação e coragem em “tempos favoráveis e em tempos difíceis”. (2 Tim. 4:2) Você vai gostar de ler essa história emocionante.

  • Dados gerais sobre a Geórgia
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • Uma vila na região do Alto Svaneti na Geórgia

      Alto Svaneti

      GEÓRGIA

      Dados gerais sobre a Geórgia

      Um homem carregando um cesto de uvas; cachos de uvas

      A colheita de uvas é uma época muito alegre

      País: A Geórgia é um país famoso por suas enormes montanhas com picos cobertos pela neve. Alguns deles têm mais de 4.500 metros de altura. Uma de suas cordilheiras divide o país ao meio. Tanto o lado leste como o lado oeste têm regiões com clima, costume, música, dança e comida diferentes.

      Povo: O país tem um pouco menos de 4 milhões de habitantes. Quase 20% não são georgianos.

      Religião: A maioria dos georgianos são cristãos ortodoxos, e uns 10% são muçulmanos.

      Idioma: O georgiano não tem a mesma origem dos idiomas dos países vizinhos. O alfabeto georgiano é diferente de todos os outros. Algumas pesquisas mostram que ele já existia antes da época de Cristo.

      Economia: Muitas pessoas vivem da agricultura. Nos últimos anos, o turismo também se tornou parte importante da economia do país.

      Clima: O lado leste tem um clima moderado. A costa do Mar Negro, no lado oeste, tem um clima subtropical, um dos motivos da grande produção de frutas cítricas.

      Pessoas na colheita de uvas

      Colhendo uvas na região de Cachétia

      Alimentação: O pão não pode faltar em nenhuma das refeições. A forma tradicional de assar o pão é num forno de barro. Um prato típico da Geórgia é um ensopado feito com especiarias e ervas. A produção de vinho faz parte da história do país. Geralmente, o vinho é fermentado e armazenado em grandes jarros de barro. Muitas famílias cultivam sua própria uva e fabricam seu próprio vinho. A Geórgia tem mais ou menos 500 tipos de uvas nativas.

      Uma mulher fazendo pão

      Fazendo pão do jeito tradicional

      PAÍS (quilômetros quadrados)

      69.700

      POPULAÇÃO

      3.720.400

      PUBLICADORES EM 2016

      18.619

      1 PUBLICADOR PARA

      200

      PESSOAS PRESENTES À CELEBRAÇÃO EM 2016

      32.216

      Mapa da Geórgia
  • Quando tudo começou
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • Uma reunião na praia perto de Sokhumi, Geórgia, em 1989

      Uma reunião na praia, perto da cidade de Sokhumi, 1989

      GEÓRGIA | 1924-1990

      Quando tudo começou

      NOS anos 20, os Estudantes da Bíblia estavam se esforçando bastante para encontrar pessoas que queriam aprender sobre Jeová na Geórgia. Em 1924, foi aberto um escritório em Beirute, no Líbano, para cuidar da pregação na região da Armênia, Geórgia, Síria e Turquia.

      No começo, não deu para ver os resultados da pregação na Geórgia. (Mat. 13:33) Mas com o tempo a mensagem do Reino se espalhou e fez uma grande mudança na vida de muitas pessoas.

      Ele queria um mundo justo

      A Geórgia fazia parte da União Soviética. Quando a Segunda Guerra Mundial começou, Vaso Kveniashvili era adolescente, e o pai dele foi convocado para servir o exército soviético. Naquela época, Vaso já tinha perdido sua mãe. Ele era o filho mais velho, e a única saída que encontrou para sustentar seus irmãos foi começar a roubar.

      Primeiro, Vaso entrou para uma gangue e depois se envolveu com o crime organizado. Ele diz: “Eu achava que o mundo do crime era mais justo que o governo ou a sociedade.” Mas Vaso logo percebeu que nenhum humano podia dar o que ele estava procurando. Ele conta: “O que eu mais queria era um mundo justo.”

      Vaso Kveniashvili em 1964

      Vaso Kveniashvili logo depois de sair da prisão em 1964

      Depois de um tempo, Vaso foi preso e levado para um campo de trabalhos forçados na Sibéria. Lá ele conheceu uma pessoa que estava presa porque era Testemunha de Jeová. Vaso conta: “Finalmente, eu encontrei o que estava procurando. A gente não tinha nenhuma publicação, mas eu fiz o máximo para aprender o que o irmão me explicava.”

      Vaso saiu da prisão em 1964. Ele voltou para a Geórgia e tentou encontrar as Testemunhas de Jeová. Enquanto isso, ele manteve contato com o irmão da prisão por meio de cartas. Infelizmente esse querido amigo faleceu, e Vaso perdeu o contato com o povo de Deus. Só depois de quase 20 anos ele encontrou uma Testemunha de Jeová. Vamos conhecer essa história mais tarde.

      Alegria num lugar inesperado

      Uma reunião na floresta

      Uma reunião na floresta

      Como alguém poderia encontrar alegria num campo de concentração? Veja o que aconteceu com uma jovem da Geórgia chamada Valentina Miminoshvili. Foi num campo de concentração nazista que ela teve o primeiro contato com as Testemunhas de Jeová. A forte fé daqueles irmãos era impressionante. E o que ela aprendeu tocou seu coração.

      Depois da guerra, Valentina voltou para casa. Ela começou a falar para as pessoas o que tinha aprendido. Mas isso logo chamou a atenção da polícia, e ela foi condenada a dez anos num campo de trabalhos forçados na Rússia. Ali ela encontrou as Testemunhas de Jeová novamente e mais tarde foi batizada.

      Valentina foi solta em 1967. Ela foi morar na cidade de Sokhumi e, sem chamar muita atenção, voltou a pregar. Valentina nem imaginava que ela logo seria a resposta da oração de alguém.

      Jeová respondeu as orações dela

      A irmã Antonina Gudadze morava na Sibéria. Ela tinha aprendido a verdade com Testemunhas de Jeová que estavam exiladas ali. O marido dela era da Geórgia e ele decidiu voltar para o seu país em 1962. Eles foram morar na cidade de Khashuri. Como não havia Testemunhas de Jeová nessa cidade, Antonina acabou ficando separada dos seus irmãos cristãos.

      A família da irmã Antonina nos anos 60

      Antonina e sua família nos anos 60

      Antonina conta como Jeová respondeu as orações dela: “Minha mãe continuou na Sibéria. Um dia, ela me mandou um pacote. Ela deu um jeitinho de esconder algumas publicações dentro dele. Ela continuou fazendo isso por seis anos. Foi desse jeito que Jeová me deu o alimento espiritual. Toda vez que eu recebia um pacote, eu agradecia a ele por me guiar, me fortalecer e cuidar de mim.”

      Mas Antonina ainda sentia falta dos irmãos. Ela diz: “Nas minhas orações, eu sempre dizia pra Jeová que eu queria muito encontrar os irmãos. Daí, um dia, duas mulheres entraram na loja que eu trabalhava. Elas me perguntaram: ‘Você é a Antonina?’ Elas pareciam tão boazinhas. Só de olhar pra elas, eu vi que eram Testemunhas de Jeová. A gente se abraçou e começou a chorar.”

      Foi assim que Jeová usou Valentina para responder uma oração. Ela era uma daquelas irmãs que entraram na loja. Elas contaram que os irmãos estavam se reunindo numa cidade a 300 quilômetros dali. Antonina não conseguia acreditar no que tinha ouvido. Ela ficou muito feliz e, mesmo sendo tão longe, todo mês ela dava um jeito de assistir a uma reunião.

      A verdade chega no oeste da Geórgia

      As Testemunhas de Jeová estavam sendo perseguidas em outras partes da União Soviética. Por isso, nos anos 60, algumas delas se mudaram para lugares onde a situação era mais tranquila. Vladimir Gladyuk também fez isso. Em 1969, ele se mudou da Ucrânia para a cidade de Zugdidi, no lado oeste da Geórgia. Ele era um irmão muito zeloso e animado.

      Lyuba e Vladimir Gladyuk

      Lyuba e Vladimir Gladyuk

      No começo, os irmãos que chegaram na Geórgia faziam as reuniões em russo. Mas muitos georgianos começaram a assistir às reuniões. Então os irmãos decidiram fazer reuniões também no idioma georgiano. Em agosto de 1970, 12 pessoas foram batizadas. Isso era um sinal de que a pregação estava dando bons resultados.

      Em 1972, Vladimir e sua família se mudaram para Sokhumi, no litoral do Mar Negro. Vladimir diz: “Dava pra sentir que Jeová estava nos abençoando. A congregação cresceu bem rápido. A gente tinha muito que agradecer a Jeová.” Naquele mesmo ano, 45 pessoas assistiram à primeira Celebração feita na cidade.

      “Eu nunca tinha ouvido nada parecido”

      Babutsa Jejelava hoje tem mais de 90 anos. Ela foi uma das primeiras pessoas que logo aceitaram a verdade na cidade de Sokhumi no começo de 1973. Ela conta: “Uma vez, eu vi quatro mulheres numa conversa animada. Duas eram freiras, e eu descobri depois que as outras duas eram Testemunhas de Jeová.” Uma das irmãs era Lyuba, esposa de Vladimir, e a outra era Itta Sudarenko, uma pioneira muito zelosa que tinha vindo da Ucrânia.

      Babutsa Jejelava em 1979 e em 2016

      Babutsa Jejelava em 1979 e em 2016

      Babutsa lembra como ela se sentiu quando ouviu aquela conversa: “Eu nunca tinha ouvido nada parecido. Fiquei prestando atenção em cada palavra.” Quando Babutsa ouviu que o nome de Deus era Jeová, ela entrou na conversa e perguntou se podia ver isso na Bíblia. Ela fez tantas perguntas que a conversa durou três horas.

      Depois daquela conversa, Babutsa ficou com medo de não ver mais as Testemunhas de Jeová e perguntou: “Vocês vão embora? E eu, como fico?”

      As irmãs responderam: “Fica tranquila. Sábado que vem a gente volta.”

      Para a alegria de Babutsa, as irmãs voltaram mesmo! Elas começaram a estudar na mesma hora. Quando o estudo estava acabando, Babutsa ficou com medo de não ver mais as irmãs. Ela pensou: ‘Agora que eu encontrei o povo de Deus, tenho que fazer alguma coisa pra não perder contato com eles.’

      Babutsa conta a ideia que teve: “Eu sabia que Lyuba era casada, só precisava saber se Itta também era. Ela disse que não. Daí eu disse: ‘Então vem morar comigo! Meu quarto tem duas camas e um abajur no meio. Dá pra gente ler e conversar sobre a Bíblia até de noite.’” A irmã Itta gostou da ideia e foi morar com Babutsa.

      Babutsa se lembra daquela época: “Às vezes, eu ficava meditando no que eu tinha aprendido e não conseguia dormir. De repente, vinha uma pergunta na minha cabeça. Eu acordava Itta e dizia: ‘Itta, cadê sua Bíblia? Eu tenho uma pergunta!’ Ela me olhava com cara de sono e dizia: ‘Tá bom, querida.’ Daí, ela abria a Bíblia e me mostrava a resposta.” Depois de só três dias morando com Itta, Babutsa começou a pregar!

      Babutsa queria pregar para Natela Chargeishvili, uma grande amiga. Babutsa lembra: “Ela tinha bastante dinheiro, e eu achei que isso fosse atrapalhar. Ainda bem que eu estava errada. Já na primeira conversa, a verdade tocou o coração dela.” Não demorou muito e as duas estavam pregando para os amigos, colegas de trabalho e vizinhos.

  • As reuniões aumentaram a fé dos irmãos
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • GEÓRGIA | 1924-1990

      As reuniões aumentaram a fé dos irmãos

      As reuniões foram muito importantes para aumentar a fé dos que tinham acabado de conhecer a verdade. Todo mundo queria oferecer sua casa para realizar as reuniões, tanto os que tinham acabado de se batizar como os que já serviam a Jeová por muito tempo. Nas reuniões, todos se sentiam bem-vindos. Isso também aumentou o amor entre os irmãos.

      Sem chamar muito a atenção, os irmãos faziam reuniões especiais quando alguns estudantes estavam prontos para se batizar. Uma delas foi feita em agosto de 1973, perto da cidade de Sokhumi, no litoral do Mar Negro. Nesse dia, 35 estudantes iam se batizar. Mas não deu tempo. No meio da reunião, a polícia chegou e levou Vladimir Gladyuk e mais alguns irmãos e irmãs para a delegacia.

      Assim que Vladimir e os outros irmãos saíram de lá, eles entraram em contato com aqueles 35 estudantes. Dois dias depois daquela reunião, todos foram batizados. Vladimir conta: “Sentimos a ajuda de Jeová. Depois do batismo, fizemos uma oração juntos e agradecemos a ele.”

      A perseguição ajudou a espalhar as boas novas

      Dois dias depois, Vladimir foi preso de novo. Mais tarde, ele, Itta e Natela foram sentenciados a vários anos de prisão. Mesmo com essa notícia triste, os publicadores não desanimaram e continuaram pregando, daí para frente, tomando mais cuidado.

      Para não chamar a atenção das autoridades em Sokhumi, os publicadores começaram a pregar mais em outras cidades e vilas. Podemos dizer que a perseguição fez com que a pregação chegasse em outros lugares.

      Durante o regime comunista os publicadores que viviam em cidades maiores pregavam em parques e ruas menos movimentadas. Muitas vezes, eles falavam com pessoas de outras cidades que vinham visitar parentes ou fazer compras. Se uma pessoa quisesse saber mais, os publicadores pegavam o endereço dela e combinavam de fazer uma visita.

      Babutsa também viajava bastante para pregar. Ela lembra: “Como eu tinha parentes em vários lugares, ninguém desconfiava de mim. Depois de mais ou menos dois anos, eu tinha mais de 20 estudantes em Zugdidi e 5 em Chkhorotsku. Todos eles se batizaram.”

      Eles precisavam muito de publicações em georgiano

      Os irmãos precisavam muito de publicações em georgiano. Eles viram que os estudantes e moradores precisavam de Bíblias e publicações na língua que eles entendiam melhor.a

      Babutsa lembra como era difícil dirigir um estudo sem publicações em georgiano. Ela diz: “A Bíblia e as publicações eram em russo. Por isso, eu precisava traduzir primeiro toda a matéria para os estudantes.” Com apenas um dicionário, Babutsa traduzia alguns artigos das revistas. Ela também traduziu o livro de Mateus inteiro!

      Um pequeno mimeógrafo

      Irmãos corajosos usavam pequenos mimeógrafos para copiar publicações em casa

      As pessoas interessadas gostavam tanto de ler os artigos em sua língua que até copiavam as publicações à mão. E como era muito difícil encontrar uma Bíblia em georgiano, alguns estudantes acabavam virando “copistas modernos” da Palavra de Deus.

      “Eu passava o dia inteiro escrevendo”

      As publicações traduzidas passavam de mão em mão entre os publicadores e as pessoas interessadas. Desse jeito, todos tinham a chance de ler. Cada pessoa podia ficar alguns dias ou algumas semanas com a publicação. Uma vez eles conseguiram as Escrituras Gregas em georgiano. Daí, uma família mais do que depressa começou a fazer uma cópia delas.

      Raul Karchava tinha 13 anos quando seu pai pediu para ele copiar as Escrituras Gregas. Ele diz: “Meu pai comprou uma caixa com um monte de cadernos, lápis e canetas. Ele fez isso pra me animar. Eu vi que era muito trabalho, mesmo assim, aceitei o desafio. Eu passava o dia inteiro escrevendo. Só parava um pouco para descansar as mãos.”

      Cópias à mão da Sentinela e do Examine as Escrituras Diariamente em georgiano

      Cópias da Sentinela e do Examine as Escrituras Diariamente em georgiano

      A família de Raul pulou de alegria quando soube que eles poderiam ficar mais algumas semanas com as Escrituras Gregas. Assim, Raul poderia terminar seu trabalho. E ele conseguiu. Em apenas dois meses, ele copiou tudo.

      Os irmãos se esforçavam bastante para copiar as publicações. Mesmo assim, eles não davam conta de fazer cópias para todo mundo. O número de estudantes só aumentava. Pensando nisso, alguns irmãos e irmãs ofereceram suas casas para imprimir e distribuir publicações, mesmo sabendo que isso era perigoso.

      A pregação no oeste da Geórgia estava a todo vapor. Mas e o outro lado do país? Será que alguém na capital Tbilisi poderia ajudar pessoas como Vaso Kveniashvili, que queria aprender mais sobre a Bíblia?

      As primeiras Testemunhas de Jeová na capital

      Nos anos 70, as autoridades soviéticas queriam colocar medo nos irmãos. Então eles expulsavam os irmãos de casa. Foi isso o que aconteceu com Oleksii e Lydia Kurdas, um casal da Ucrânia que tinha se mudado para Tbilisi. Eles já tinham passado muitos anos na prisão por causa da verdade.

      Larisa Kessaeva (Gudadze) nos anos 70

      Larisa nos anos 70

      Esses irmãos pregaram para Zaur e Eteri Kessaev, um casal muito religioso que tinha uma filha de 15 anos chamada Larisa. Ela fala sobre a primeira conversa com os irmãos: “A gente ficou tentando provar que a Igreja Ortodoxa era a religião verdadeira. Mas depois de algumas conversas, nós não sabíamos mais o que dizer. Já eles, tinham muita coisa pra explicar usando a Bíblia.

      “A nossa igreja tinha na parede duas imagens e os dez mandamentos no meio delas. Eu costumava me ajoelhar e ler aqueles mandamentos. Mas, um dia, Oleksii leu Êxodo 20:4, 5 para nós. Eu levei um susto. Nem consegui dormir aquela noite. Só ficava pensando: ‘Nós adoramos aquelas imagens. Será que estamos desobedecendo o mandamento de Deus?’”

      Larisa tinha que tirar aquela dúvida. Então, logo cedo, ela correu para a igreja e leu o mandamento: “Não faça para você imagem esculpida . . . Não se curve diante delas.” Pela primeira vez na vida ela entendeu aquele mandamento. Depois de um tempo, ela e os pais foram batizados. Eles estavam entre as primeiras Testemunhas de Jeová em Tbilisi.

      Ele encontrou o que estava procurando

      Uns 20 anos depois de ter ouvido sobre a verdade, Vaso Kveniashvili encontrou alguém que assistia às reuniões das Testemunhas de Jeová em Tbilisi. Ele ficou feliz. Fazia muito tempo que ele esperava por isso.

      Vaso Kveniashvili

      Uns 24 anos depois de seu primeiro contato com a verdade, Vaso Kveniashvili conseguiu se batizar

      Mas muita gente sabia que Vaso tinha se envolvido com o crime no passado. Por isso, os irmãos desconfiavam dele. Alguns até achavam que ele era um espião do governo soviético. Durante quatro anos, Vaso foi proibido de assistir às reuniões com os irmãos.

      Com o tempo, os irmãos viram que Vaso queria mesmo servir a Jeová. Então deixaram que ele fizesse parte da congregação e fosse batizado. Finalmente, Vaso podia conhecer melhor o “Deus de justiça” que ele procurava desde jovem. (Isa. 30:18) Ele serviu lealmente a Jeová, até que faleceu em 2014.

      Em 1990, a pregação já era realizada em toda a Geórgia. Havia uns 900 publicadores dirigindo 942 estudos. Tudo estava pronto para um grande crescimento.

      a No quinto século, já havia partes da Bíblia traduzidas para o georgiano. Mas no período comunista era muito difícil conseguir uma Bíblia. — Veja o quadro “A Bíblia em georgiano”.

  • “Deus fazia crescer.” — 1 Cor. 3:6.
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • Pioneiros numa reunião em Tbilisi em 1992

      Irmãos numa reunião em Tbilisi, 1992

      GEÓRGIA | 1991-1997

      “Deus fazia crescer.” — 1 Cor. 3:6.

      Genadi Gudadze

      Genadi Gudadze foi superintendente de circuito no começo dos anos 90

      A GEÓRGIA se tornou um país independente em 1991, quando a União Soviética acabou. Mas as mudanças políticas e os conflitos civis fizeram com que as condições de vida do povo ficassem muito complicadas. Genadi Gudadze era superintendente de circuito na época. Ele lembra que as pessoas chegavam a ficar o dia inteiro numa fila para conseguir pão.

      As Testemunhas de Jeová aproveitavam para falar sobre a Bíblia com as pessoas que ficavam nessas filas. Genadi conta: “Nessa época difícil parecia que todo mundo queria ouvir a verdade. A gente recebia o endereço de muitas pessoas que queriam estudar a Bíblia.”

      No final das reuniões, os irmãos liam da tribuna os nomes e endereços das pessoas que queriam uma visita. Então, os publicadores se ofereciam para visitar essas pessoas.

      Testemunha de Jeová pregando para as pessoas na fila do pão

      Pregando na fila do pão nos anos 90

      O irmão Levani Sabashvili, que era ancião em Tbilisi, se lembra de um casal que pediu uma visita. Ele diz: “Os publicadores pegaram todos os endereços, menos o deles. Esse casal morava bem longe e muitos irmãos já tinham vários estudos.”

      Alguns meses depois, esse mesmo casal enviou um segundo pedido. Mais tarde, um terceiro, implorando uma visita. Eles também escreveram: “Venham nos visitar para não ter culpa de sangue.” (Atos 20:26, 27) Levani conta: “Era época de ano-novo, e a gente não costumava visitar as pessoas nessa época. Mas nesse caso não dava mais pra esperar.”

      Esse casal tão ansioso para conhecer a verdade era Roini e Nana Grigalashvili. Eles nem acreditaram quando viram Levani e outro irmão chegando em sua casa num dia frio. Eles começaram a estudar na mesma hora. Hoje, Roini e Nana são pioneiros regulares com seus filhos.

      Eles viajaram muito para encontrar os interessados

      Os que aceitavam a verdade queriam mostrar sua gratidão a Jeová e usavam seu tempo, energia e dinheiro para pregar a outros. Badri e Marina Kopaliani tinham dois filhos adolescentes. Mesmo assim, eles e outros irmãos viajavam bastante para pregar.

      Nos fins de semana, esse casal pegava seus filhos, Gocha e Levani, e viajava até a região de Dusheti, um lugar montanhoso muito bonito ao norte de Tbilisi. Às vezes, eles viajavam quase 150 quilômetros em estradas cheias de curvas para chegar em alguns vilarejos afastados.

      Um dia, uma senhora convidou Badri e Marina para falar sobre a Bíblia no trabalho dela. Badri conta: “Entrei numa sala bem grande, e umas 50 pessoas estavam esperando! No começo, eu fiquei meio nervoso. Mas daí eu orei a Jeová e comecei a falar sobre o sinal dos últimos dias em Mateus 24. Então, alguém perguntou: ‘Por que os padres não ensinam isso pra gente?’”

      Uma Celebração que chamou a atenção

      A época da Celebração foi mais uma boa oportunidade para muitos georgianos aprenderem a verdade. Por exemplo, em 1990, a Celebração em Tbilisi, feita no apartamento da irmã Badridze, chamou a atenção dos vizinhos.

      Ia Badridze

      A irmã Badridze recebeu 200 pessoas para a Celebração em seu apartamento

      A irmã Badridze e seus filhos tiraram todos os móveis da sala. Agora eles só precisavam de cadeiras! Na Geórgia é muito comum as famílias alugarem mesas e cadeiras quando fazem uma festa. Mas a irmã Badridze precisava só de cadeira. Então em cada loja que ela ia, o dono perguntava: “E as mesas? Como vocês vão comer?”

      A irmã Badridze conseguiu acomodar todos os que foram à Celebração. Imagine 200 pessoas num apartamento no 13.º andar! Não foi à toa que muitos vizinhos ficaram curiosos sobre as Testemunhas de Jeová.

      Eles encheram o teatro

      Em 1992, em várias regiões do país, os irmãos alugaram lugares maiores para a Celebração. O irmão Davit Samkharadze, que morava em Gori, lembra que o superintendente viajante perguntou onde eles iam fazer a Celebração naquele ano.

      Quando o viajante ficou sabendo que a ideia era fazer a Celebração na casa de irmãos, ele perguntou: “Será que não tem um lugar grande na cidade, tipo um teatro? Por que vocês não alugam?” Mas o teatro da cidade era para mais de mil pessoas. E a congregação tinha uns cem publicadores. Não parecia necessário tudo aquilo.

      Daí, o viajante disse: “É só cada publicador trazer dez pessoas que a gente enche o teatro.” No começo, isso parecia loucura, mas os irmãos fizeram de tudo para convidar as pessoas. Eles ficaram muito felizes quando viram 1.036 pessoas na Celebração.a

      Novos territórios

      Em 1992, a pregação ainda não tinha chegado em alguns lugares da Geórgia. Numa época de crise econômica, como os irmãos iam pregar nesses lugares?

      Tamazi Biblaia lembra: “O superintendente viajante fez uma reunião com alguns de nós para ver o que podia ser feito. A gente não sabia muito bem como organizar o trabalho com os pioneiros especiais. O que a gente sabia era que as boas novas tinham que ser pregadas.” (2 Tim. 4:2) Então, eles escolheram 16 pioneiros para trabalhar em territórios onde não havia Testemunha de Jeová. — Veja o mapa.

      Mapa indicando os lugares aonde os pioneiros foram enviados para pregar por cinco meses

      Cidades para onde os pioneiros foram enviados por cinco meses

      Em maio, os anciãos fizeram uma reunião de três horas em Tbilisi para ajudar esses pioneiros. Eles ficariam no território por cinco meses. E uma vez por mês os anciãos fariam uma visita para fortalecer a fé dos pioneiros e ver o que eles precisavam para se manter.

      Duas pioneiras, Manea Aduashvili e Nazy Zhvania, foram mandadas para a cidade de Ozurgeti. A irmã Manea tinha 60 anos na época. Ela lembra: “A gente tinha o contato de uma pessoa interessada. Ela morava perto da cidade. Assim que chegamos falamos com ela e marcamos um dia pra ir na casa dela. No dia, ela e mais 30 pessoas estavam esperando a gente. Nós começamos vários estudos.”

      Manea e Nazy continuaram encontrando muitas pessoas interessadas. Apenas cinco meses depois, 12 pessoas já estavam prontas para se batizar.

      O sacrifício deles valeu a pena

      Dois pioneiros, Pavle Abdushelishvili e Paata Morbedadze, foram enviados à cidade de Tsageri. Naquela região há uma mistura de tradições e ensinos religiosos. As pessoas ali são muito apegadas a essas coisas.

      Paisagem em volta de Tsageri

      A paisagem em volta de Tsageri

      A designação de Pavle e Paata estava acabando, e o inverno ia começar. Paata ia embora. Ele tinha sido convidado para fazer um trabalho de tradução em outro lugar. Mas o que Pavle ia fazer? Ele diz: “Eu sabia que ia ser complicado ficar em Tsageri porque o inverno ali era muito rigoroso. Mas os estudantes precisavam de ajuda, então eu decidi ficar.

      “Eu fiquei morando com uma família. De dia eu pregava. À noite eu ficava junto com a família perto do fogão à lenha. E, quando chegava a hora de ir pra cama, eu colocava o meu gorro e me enrolava num cobertor bem grosso.”

      Quando o inverno acabou, os anciãos foram visitar Pavle. Onze estudantes estavam prontos para começar a pregar. E logo eles foram batizados.

      a Em 1992, havia 1.869 publicadores na Geórgia, e 10.332 pessoas assistiram à Celebração.

  • Anciãos amorosos dão treinamento
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • GEÓRGIA | 1991-1997

      Anciãos amorosos dão treinamento

      Joni Shalamberidze e Tamazi Biblaia no início dos anos 90

      Joni Shalamberidze com Tamazi Biblaia no começo dos anos 90

      No começo dos anos 90, a maioria das congregações na Geórgia tinha apenas um ancião ou um servo ministerial. Às vezes, o território de uma congregação tinha várias cidades e vilas. Geralmente os irmãos estavam tão espalhados que eram divididos em grupos e cada grupo fazia suas reuniões.

      Os irmãos Joni Shalamberidze e Pavle Abdushelishvili, que já tinham servido em territórios bem afastados, foram chamados para ajudar a congregação em Telavi, na região de Cachétia. Essa congregação tinha 300 publicadores e nenhum ancião. Ela estava dividida em 13 grupos que faziam reuniões em lugares diferentes.

      Pavle Abdushelishvili

      Pavle Abdushelishvili

      Quando chegaram lá, eles viram uma coisa que estava atrapalhando o progresso dos irmãos. Joni diz: “Muitos irmãos eram agricultores. Na zona rural era muito comum um vizinho ajudar o outro com a plantação. O problema é que, por causa disso, os irmãos acabavam passando muito tempo com pessoas que não serviam a Jeová.” — 1 Cor. 15:33.

      Joni e Pavle incentivaram os irmãos a pedir ajuda de outros irmãos na época da colheita. Assim, eles teriam a ajuda que precisavam e ainda teriam boa companhia. (Ecl. 4:9, 10) Joni conta: “A congregação ficou bem mais unida.” Três anos depois, quando Joni e Pavle saíram de Cachétia, a congregação tinha 5 anciãos e 12 servos ministeriais.

      Reuniões que treinavam para a pregação

      A obra das Testemunhas de Jeová ficou proibida até o início dos anos 90. Por isso, os irmãos se reuniam em pequenos grupos. Eles faziam apenas o Estudo de Livro e o Estudo de A Sentinela. Essas reuniões fortaleciam a fé, mas não treinavam para a pregação.

      Mas, quando o comunismo acabou, as coisas começaram a mudar. As congregações foram orientadas a realizar a Escola do Ministério Teocrático e a Reunião de Serviço toda semana.

      Naili Khutsishvili e sua irmã Lali Alekperova se lembram com carinho daquelas reuniões. Lali diz: “Foi uma época muito boa. Todo mundo ficou feliz quando disseram que as irmãs iam fazer apresentações nas reuniões.”

      Naili conta: “Numa demonstração, a moradora ficou lendo um jornal no palco. As irmãs que iam pregar ficaram do lado de fora do lugar que a gente se reunia. Daí, elas bateram na porta. Quando a moradora convidou as irmãs para entrar, elas entraram e subiram no palco.” Lali diz: “Às vezes, as reuniões eram diferentes, mas elas ajudavam a melhorar nossa maneira de pregar.”

      Não faltava criatividade

      Os irmãos copiaram as publicações com um equipamento manual por muitos anos. Mas, com o crescimento da pregação, aumentou a necessidade de publicações. Então os irmãos procuraram gráficas que imprimissem as revistas sem cobrar muito caro.

      Um irmão recortando letras de um jornal

      Para preparar a revista que ia ser enviada para a gráfica, os irmãos cortavam as letras de manchetes de jornais e colavam na capa da revista em inglês

      Não faltava criatividade na hora de preparar o documento que seria enviado para a gráfica. Os irmãos datilografavam o texto em georgiano na mesma posição do texto em inglês, deixando espaço para as gravuras. Depois eles cortavam as gravuras da revista em inglês e colavam na folha datilografada. Como a capa precisava de letras maiores e mais bonitas, eles usavam letras recortadas de manchetes de jornais. Assim, a revista estava pronta para imprimir!

      As primeiras revistas em georgiano impressas no país

      Algumas revistas preparadas pelos irmãos da Geórgia

      Depois de um tempo, os irmãos conseguiram um computador. Daí, dois jovens, Levani Kopaliani e Leri Mirzashvili, fizeram alguns cursos para aprender a trabalhar com ele. Leri conta: “A gente não tinha nenhuma experiência, e as coisas nem sempre davam certo. Mas, com a ajuda de Jeová, em pouco tempo começamos a digitar e compor nossas revistas.”

      Mesmo com algumas dificuldades, as revistas eram impressas em quatro cores e mandadas para as congregações no país inteiro. Mas a necessidade de publicações só aumentava. Então, na hora certa, a organização de Jeová deu a ajuda que os irmãos na Geórgia tanto precisavam.

      Uma grande mudança

      Em 1992, foi realizado um congresso internacional em São Petersburgo, na Rússia. Os irmãos da Geórgia aproveitaram essa oportunidade para falar com os representantes do Betel da Alemanha que estavam lá. O irmão Genadi Gudadze diz: “Eles explicaram como a tradução era feita e disseram que em breve fariam uma visita pra nos ajudar.”

      Imprimir as publicações em georgiano não seria nada fácil porque esse idioma usa um tipo de letras diferente. A organização já tinha o MEPS, um programa de computador que ajuda a produzir publicações. Mas esse programa ainda não tinha o alfabeto georgiano. Por isso, seria necessário criar um novo tipo de letra.

      Quem ajudou a fazer isso foi Marina Datikashvili. No final dos anos 70, a família dela tinha se mudado da Geórgia para os Estados Unidos. Foi ali que Marina aprendeu a verdade. Ela ajudou bastante os irmãos no Betel de Brooklyn a criar o alfabeto georgiano no MEPS. Em pouco tempo, a brochura “Eis que Faço Novas Todas as Coisas” e alguns folhetos começaram a ser impressos na Alemanha.

      A ajuda que os tradutores precisavam

      Em 1993, os irmãos da Geórgia receberam a visita do casal Michael e Silvia Fleckenstein, do Betel da Alemanha. A ideia era montar um escritório de tradução. Michael diz: “Eu fui para Tbilisi pensando na situação dos irmãos que tinham pedido ajuda no congresso em São Petersburgo um ano e meio antes. Mas, quando chegamos lá, dei de cara com uma equipe de tradução bem eficiente.”

      Leri Mirzashvili, Paata Morbedadze e Levani Kopaliani trabalhando num escritório de tradução em Tbilisi em 1993

      Os irmãos Leri Mirzashvili, Paata Morbedadze e Levani Kopaliani trabalhando num escritório de tradução em Tbilisi, 1993

      Em poucos meses, havia uma equipe de 11 tradutores trabalhando o dia todo num escritório montado num pequeno apartamento. Graças ao treinamento da organização de Jeová, as congregações estavam recebendo bastante alimento espiritual.

      Eles continuaram levando as publicações

      A União Soviética acabou, e muitos países que faziam parte dela começaram a ter conflitos internos, incluindo a Geórgia. Por causa disso, era muito perigoso viajar, principalmente de um país para o outro.

      Irmãos Zaza Jikurashvili e Aleko Gvritishvili e suas esposas

      Os irmãos Zaza Jikurashvili e Aleko Gvritishvili (nas fotos com suas esposas) entregaram publicações durante os anos de conflitos no país

      Um dia, em novembro de 1994, Aleko Gvritishvili e mais dois irmãos estavam atravessando a fronteira quando apareceu um grupo de homens armados. Esses homens mandaram os irmãos sair do carro. Aleko conta: “Eles ficaram loucos de raiva quando viram as publicações. Daí eles colocaram a gente em fila, como se fossem nos fuzilar. Começamos a orar. Depois de duas horas, um deles disse: ‘Peguem essas coisas e saiam daqui. E, se vocês voltarem, nós vamos queimar seu carro e matar vocês.’”

      A situação era perigosa, mas sempre havia irmãos corajosos que levavam as publicações. O irmão Zaza Jikurashvili fez muitos sacrifícios para levar as publicações para a Geórgia. Ele diz: “A gente sabia que os irmãos precisavam do alimento espiritual. Nossas esposas foram compreensivas e nos ajudaram muito.”

      Aleko diz: “Muitos dos irmãos que viajavam levando as publicações eram chefes de família.” Por que esses irmãos continuavam fazendo isso mesmo correndo tanto perigo? Aleko responde: “Primeiro, porque nós amávamos a Jeová e éramos muito gratos a ele. Segundo, porque nós queríamos imitar a Jeová e cuidar dos nossos queridos irmãos.”

      Foi graças ao amor e à coragem desses irmãos que as publicações continuaram chegando nas congregações mesmo naqueles anos de conflitos. Mais tarde, eles encontraram caminhos mais seguros para viajar entre a Alemanha e a Geórgia.

      Um congresso inesquecível

      Em 1995, a situação política ficou mais tranquila. Então os irmãos se prepararam para fazer o primeiro congresso no país. No ano seguinte, 6 mil pessoas de todas as partes da Geórgia assistiram aos congressos realizados em Gori, Marneuli e Tsnori.

      Testemunhas de Jeová num congresso perto de Gori em 1996

      Congresso realizado em Gori, 1996

      O congresso em Gori foi inesquecível para os que estavam lá. Se em 1992 eles acharam difícil encher o teatro na Celebração, agora aquele mesmo teatro era pequeno demais! Eles esperavam 2 mil pessoas, mas não encontravam um lugar que coubesse esse tanto de gente. A solução foi fazer o congresso ao ar livre. Eles alugaram uma área que ficava de frente para uma linda montanha.

      O irmão Kako Lomidze fez parte da Comissão do Congresso. Ele lembra: “Depois do programa, os irmãos ficavam juntos e cantavam cânticos. Qualquer um podia ver o amor e a união do povo de Deus.” — João 13:35.

      Viajantes amorosos ajudam as congregações

      Em 1996, as congregações começariam a ter visitas de uma semana dos superintendentes viajantes. Para isso, mais irmãos foram designados como viajantes.

      O trabalho desses irmãos amorosos ajudou as congregações a crescer e a seguir as orientações da organização. (1 Tes. 1:3) Em apenas sete anos, o número de publicadores aumentou muito. Em 1990, havia 904 pessoas pregando, e em 1997 havia 11.082.

      A pregação que tinha começado muitos anos atrás agora estava dando bons resultados. Havia servos de Jeová pelo país inteiro. Mas não parou por aí. Jeová ainda ia abençoar muito o seu povo na Geórgia.

  • Onde vocês estavam esse tempo todo?
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • GEÓRGIA

      Onde vocês estavam esse tempo todo?

      Artur Gerekhelia

      • ANO DE NASCIMENTO: 1956

      • ANO DE BATISMO: 1991

      • OUTROS DADOS: Depois de apenas oito meses de batismo, Artur deixou para trás sua casa e um bom trabalho para pregar onde havia mais necessidade.

      Artur Gerekhelia

      EU TINHA acabado de me batizar, e os anciãos me incentivaram a me colocar à disposição para pregar em outra cidade. Em 4 de maio de 1992, eu fui à reunião especial para os interessados em se mudar para onde havia mais necessidade. No outro dia, eu e outro irmão nos mudamos para Batumi, na região de Ajária.

      A primeira vez que saí pra pregar em Batumi, eu estava muito nervoso. Eu não sabia como as pessoas iam reagir. Mas daí a primeira mulher que eu encontrei disse uma coisa que eu não esperava: “Onde vocês estavam esse tempo todo?” Ela queria tanto aprender sobre as Testemunhas de Jeová que começou a estudar a Bíblia já no dia seguinte!

      Nós tínhamos uma lista com o endereço de várias pessoas interessadas. Como a gente não conhecia bem a cidade, a gente começou a pedir informações para as pessoas na rua. A maioria não conseguia ajudar porque as ruas tinham mudado de nome, mas elas ficavam interessadas na nossa mensagem. Em pouco tempo, nós tínhamos vários grupos de 10 a 15 pessoas estudando a Bíblia.

      Quatro meses depois de termos chegado no território, mais de 40 estudantes já estavam assistindo às reuniões. A nossa dúvida era: ‘Quem vai cuidar deles?’ Na mesma época, o exército georgiano e um grupo separatista da Abcázia entraram em conflito. Isso fez com que todos os irmãos da minha antiga congregação se mudassem para Batumi. De um dia para o outro, Batumi tinha uma congregação com pioneiros e anciãos experientes!

      Um grupo de pessoas estudando a Bíblia
  • Parecia que tudo estava dando certo
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • GEÓRGIA

      Parecia que tudo estava dando certo

      Madona Kankia

      • ANO DE NASCIMENTO: 1962

      • ANO DE BATISMO: 1990

      • OUTROS DADOS: Ela era do partido comunista na Geórgia. Depois, ajudou muitas pessoas a aprender a verdade. Em 2015, ela se formou na primeira turma da Escola para Evangelizadores do Reino em Tbilisi.

      Madona Kankia

      OUVI falar sobre a verdade em 1989. Na época, eu tinha um cargo importante no partido comunista da minha cidade, Senaki. Eu também fazia parte do Soviete Supremo da Geórgia, que fazia as leis do país. Além disso, eu estava me preparando para casar. Parecia que tudo estava dando certo na minha vida.

      Meus pais sempre falavam de Deus pra mim. Por isso, mesmo sendo comunista, eu amava a Deus e acreditava nele, mas eu tinha algumas dúvidas. Só consegui tirar essas dúvidas estudando a Bíblia e gostei muito do que estava aprendendo. Então resolvi dedicar minha vida a Jeová. Mas minha família, meus amigos, meus colegas de trabalho e meu noivo não queriam que eu fizesse isso.

      Todos eles se viraram contra mim. Então, eu não tive opção, saí de casa e acabei com o meu noivado. Para servir a Jeová, percebi que precisava abandonar a política. Depois do meu batismo, minha família e meus amigos começaram a pegar ainda mais no meu pé. Como eu era bem conhecida na cidade, achei melhor me mudar para evitar mais problemas. Fui para Kutaisi e comecei a servir como pioneira lá.

      Às vezes, me perguntam se valeu a pena passar por tudo isso pra servir a Jeová. Eu nem penso duas vezes para responder que sim. Eu sou muito feliz pelas decisões que tomei na vida. Meus pais não entenderam as escolhas que fiz. Mesmo assim, eu agradeço a eles por terem me ajudado a ter amor por Deus e pelas pessoas. Isso foi muito importante pra mim.

      Madona Kankia dirigindo uma estudo bíblico para uma mulher
  • Eu vi com meus próprios olhos!
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • GEÓRGIA

      Eu vi com meus próprios olhos!

      Pepo Devidze

      • ANO DE NASCIMENTO: 1976

      • ANO DE BATISMO: 1993

      • OUTROS DADOS: Desde criança, ela seguia as tradições da Igreja Ortodoxa Georgiana ao pé da letra. Depois que aprendeu a verdade, ela serviu em Betel com o marido. Hoje eles são pioneiros especiais.

      Pepo Devidze

      EU OUVI falar das Testemunhas de Jeová quando fui estudar na cidade de Kutaisi. Uma vizinha me disse que as Testemunhas de Jeová não usavam imagens nem acreditavam que Jesus era o Deus Todo-Poderoso. Isso era totalmente diferente do que eu acreditava.

      Em 1992, voltei para a minha cidade, Tsageri. Eu fiquei sabendo que as Testemunhas de Jeová estavam ali também. Minha mãe tinha ouvido falar muito bem delas. Mas eu ficava com um pé atrás. Então minha mãe disse: “Por que você não vai conversar com elas?”

      Dois pioneiros, Pavle e Paata, costumavam visitar uma família no meu bairro. Outros vizinhos também iam no apartamento da família pra ouvir o que eles ensinavam e fazer perguntas. Então, um dia eu resolvi ver como era. Toda vez que eu fazia uma pergunta, os irmãos abriam a Bíblia, e eu mesma lia a resposta. Isso fez toda a diferença pra mim. Eu vi com meus próprios olhos o que a Bíblia dizia!

      Logo, eu comecei a participar de um grupo que estudava a Bíblia com aqueles pioneiros. No ano seguinte, eu e mais nove pessoas do grupo nos batizamos. E, mais tarde, minha mãe também se tornou Testemunha de Jeová.

      Eu acreditava muito nas coisas que tinha aprendido na Igreja. Ainda bem que os irmãos me mostraram as respostas direto na Bíblia. Isso foi muito importante. Por isso, hoje, eu faço a mesma coisa com as pessoas. Eu deixo que elas vejam a verdade da Bíblia com seus próprios olhos.

      Pepo Devidze e seu marido
  • Bênçãos “em tempos favoráveis e em tempos difíceis”. — 2 Tim. 4:2.
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • Irmãos na Escola de Pioneiros perto de Tbilisi

      Escola de Pioneiro perto de Zugdidi

      GEÓRGIA | 1998-2006

      Bênçãos “em tempos favoráveis e em tempos difíceis”. — 2 Tim. 4:2.

      NO FINAL dos anos 90, o número de publicadores e pessoas interessadas começou a aumentar muito na Geórgia. Um exemplo disso foi em 1998, quando 32.409 pessoas foram à Celebração da morte de Cristo.

      Mas muitos publicadores e anciãos eram novos na verdade. Eles precisavam de treinamento tanto para pregar como para cuidar da congregação. Como eles receberiam esse treinamento?

      Mais ajuda da organização de Jeová

      O casal Arno e Sonja Tüngler tinha feito a Extensão da Escola de Gileade na Alemanha. Em março de 1998, eles foram enviados para a Geórgia. No mesmo ano, o Corpo Governante aprovou a abertura de um escritório do país que seria cuidado pelo Betel da Rússia.

      Esse escritório logo começou a cuidar da obra de pregação. Assim que o governo reconheceu as Testemunhas de Jeová como uma religião oficial, os irmãos começaram a importar publicações da Alemanha. Eles também podiam comprar terrenos para construir Salões do Reino e um prédio para a filial.

      Época de treinamento

      Durante o regime soviético, a obra era proibida. Isso impediu muitos irmãos de pregar de casa em casa. O irmão Arno lembra: “A maioria dos irmãos dava muito testemunho nas ruas. Mas pregar de casa em casa e fazer revisitas era uma coisa nova pra muitos deles.”

      Arno e Sonja Tüngler

      Arno e Sonja Tüngler

      Davit Devidze começou a servir no escritório do país em maio de 1999. Ele conta: “O que não faltava era trabalho, no campo e em Betel. A gente tinha lido algumas orientações, mas não sabia por onde começar. Foi muito bom aprender com os irmãos experientes que o Corpo Governante mandou.”

      Durante um tempo, os irmãos da Geórgia receberam um treinamento intensivo. Mas, como sempre acontece, esse treinamento foi bom tanto para quem foi treinado como para os que treinaram. (Pro. 27:17) Esses irmãos que foram dar o treinamento acabaram aprendendo muito.

      “Aprendemos muito com eles”

      Arno e Sonja nunca vão se esquecer do jeito amoroso dos irmãos que os receberam na Geórgia. Esses irmãos fizeram tudo o que podiam para ajudar o casal a se adaptar à nova designação.

      Sonja se lembra até hoje de como os irmãos eram generosos: “Assim que chegamos, uma irmã nos apresentou para os irmãos da congregação, levou a gente pro campo e nos explicou muitas coisas sobre a cultura do país. Eu também me lembro de um casal que morava perto da nossa casa e vivia levando coisas gostosas pra gente. E não posso esquecer da irmã que teve toda a paciência do mundo pra nos ensinar georgiano.”

      Warren e Leslie Shewfelt, do Canadá, foram designados para a Geórgia em 1999. Eles contam: “Era bonito ver o jeito dos irmãos se tratarem. Todos eram muito carinhosos, do mais velho até o mais jovem. Aquilo mexeu tanto com a gente! Aprendemos muito com eles.”

      Irmãos da Geórgia e missionários que trabalharam juntos no escritório do país

      Missionários experientes e irmãos da Geórgia que trabalharam juntos no escritório do país

      Os irmãos que foram para a Geórgia tiveram alguns desafios. Mas as pessoas lá tinham belas qualidades. Foi nisso que os irmãos se concentraram. E o jeito humilde e amoroso dos missionários logo conquistou os irmãos georgianos.

      A verdade toca o coração de muitos georgianos

      Muitas pessoas aceitaram a verdade na década de 90. Só no ano de 1998, foram batizadas 1.724 pessoas. Mas por que os georgianos tinham tanto interesse na verdade?

      Tamazi Biblaia, que foi viajante por muitos anos, explica: “Desde pequenos os georgianos são ensinados a amar a Deus. Por isso, eles gostam de ouvir sobre a Bíblia.”

      Davit Samkharadze é instrutor da Escola para Evangelizadores do Reino. Ele diz: “Quando alguém começa a estudar, sempre aparece um parente ou um vizinho querendo atrapalhar. Mas, na tentativa de fazer isso, muitos acabam estudando também.”

      Muitas pessoas aceitaram a mensagem da Bíblia e fizeram grandes mudanças na vida. Em 1999, o número de pessoas que foram à Celebração aumentou para 36.669.

      “Há muitos opositores”

      O apóstolo Paulo disse o seguinte sobre sua pregação aos efésios: “Foi aberta uma porta ampla para atividade, mas há muitos opositores.” (1 Cor. 16:9) Os irmãos na Geórgia podiam dizer o mesmo poucos meses depois do recorde no número de pessoas na Celebração de 1999.

      No mês de agosto, um ex-sacerdote da Igreja chamado Vasili Mkalavishvili juntou um grupo de fanáticos ortodoxos. Eles saíram às ruas e queimaram nossas publicações. A perseguição que eles começaram contra as Testemunhas de Jeová durou quatro anos.

      Um grupo extremista da Igreja Ortodoxa da Geórgia fazendo um protesto; uma fogueira queimando nossas publicações na rua; irmãos sendo atacados

      Em 1999, as Testemunhas de Jeová começaram a sofrer muita perseguição na Geórgia

      No dia 17 de outubro de 1999, a congregação Gldani estava fazendo uma reunião. De repente, uma turba de mais ou menos 200 pessoas invadiu o Salão do Reino. Eles bateram nos irmãos com pedaços de pau e cruzes de ferro. Vários irmãos tiverem que ser levados para o hospital.

      Ninguém foi preso, e infelizmente os ataques continuaram. O presidente Shevardnadze e outras pessoas do governo até criticaram esses ataques, mas fizeram pouco para controlar a situação. Na verdade, muitas vezes a polícia chegava bem depois das agressões.

      Na mesma época, um político chamado Guram Sharadze começou uma campanha contra as Testemunhas de Jeová. O objetivo era acabar com a reputação dos irmãos. Ele dizia que eles eram uma ameaça. Parecia que os “tempos favoráveis” para pregar tinham acabado.

      A organização de Jeová defende os irmãos

      Os irmãos na Geórgia logo tiveram a ajuda que precisavam. A organização de Jeová orientou os irmãos sobre o que fazer quando fossem atacados. E também ajudou os irmãos a lembrarem por que os cristãos verdadeiros são perseguidos. — 2 Tim. 3:12.

      A organização de Jeová também recorreu aos tribunais para defender os irmãos. Um irmão que era do Departamento Jurídico no Betel da Geórgia conta: “Naqueles quatro anos, fizemos mais de 800 denúncias contra o grupo de Vasili Mkalavishvili. Pedimos ajuda das autoridades e das organizações dos direitos humanos. E a sede mundial das Testemunhas de Jeová fez uma campanha para divulgar o que estava acontecendo. Mesmo assim, os ataques continuaram.”a

      a Para saber mais sobre o que a organização de Jeová fez para defender os irmãos na Geórgia, veja a Despertai! de 22 de janeiro de 2002, páginas 18-24.

  • As ameaças não adiantaram nada
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • Uma casa saqueada de uma Testemunha de Jeová na Geórgia

      Mesmo perdendo os bens materiais, os irmãos continuavam servindo a Jeová

      GEÓRGIA | 1998-2006

      As ameaças não adiantaram nada

      Em vez de ficarem com medo, os irmãos continuaram indo para as reuniões. E os anciãos faziam o que podiam para proteger a congregação. O irmão André Carbonneau, do Canadá, foi um dos advogados que defenderam os irmãos naquela época. Ele diz: “Geralmente, quando os irmãos se reuniam, um irmão com um celular ficava vigiando perto do local. Quando ele via que uma turba estava chegando, ele ligava para os anciãos.”

      A casa da família Shamoyan e um depósito de publicações destruídos por fanáticos

      Fanáticos queimaram a casa da família Shamoyan (à esquerda) e um depósito de publicações (à direita)

      Quando os irmãos sofriam um ataque, dois irmãos de Betel faziam uma visita para animar os irmãos. André conta: “Mas era incrível. Os representantes de Betel sempre encontravam um salão cheio de irmãos felizes e sorridentes mesmo passando por esses problemas.”

      Os irmãos da Geórgia tiveram que enfrentar opositores dentro e fora do tribunal

      Os irmãos tiveram que enfrentar opositores dentro e fora do tribunal

      Até os que não eram atacados diretamente, como os estudantes da Bíblia, tinham a mesma determinação. Uma vez, André conversou com uma estudante que ia começar a sair no campo. Ela disse para ele: “Eu vi os ataques na televisão. Deu pra perceber a diferença entre os cristãos verdadeiros e os falsos. E eu quero ficar do lado dos verdadeiros.”

      Advogados corajosos

      Foi uma época difícil, mas os irmãos tinham muita fé e coragem e continuavam pregando. Os advogados que iam defender os irmãos no tribunal também tinham muita fé.

      As notícias sempre falavam mal das Testemunhas de Jeová. Diziam que elas destruíam as famílias, que não aceitavam tratamentos de saúde e que eram inimigas do governo. Por isso, os advogados que defendiam os irmãos estavam arriscando sua reputação e carreira.

      Irmãos do Departamento Jurídico do Betel dos Estados Unidos

      Advogados corajosos do Betel dos Estados Unidos defenderam os irmãos no tribunal

      John Burns, do Betel do Canadá, também era advogado e ajudou os irmãos da Geórgia naqueles anos. Ele diz: “Os irmãos e irmãs que eram advogados se colocavam à disposição. Embora estivessem colocando a profissão deles em risco, eles não tinham medo de dizer que eram Testemunhas de Jeová.” Esses irmãos corajosos ajudaram a “defender e estabelecer legalmente as boas novas”. — Fil. 1:7.

      O povo georgiano estava do lado dos irmãos

      Os irmãos continuavam sofrendo agressões. Daí, no dia 8 de janeiro de 2001, as Testemunhas de Jeová começaram a circular um abaixo-assinado pedindo proteção contra os ataques e punição para aqueles que tinham atacado pessoas inocentes.

      O irmão John explica qual era a ideia daquele abaixo-assinado: “A gente queria mostrar que a maioria dos georgianos era contra aquela violência e que era tudo culpa de um pequeno grupo de fanáticos religiosos.”

      Em menos de duas semanas, 133.375 pessoas de toda a Geórgia assinaram o abaixo-assinado. A maioria delas era ortodoxa. O abaixo-assinado até chegou nas mãos do presidente Shevardnadze, mas nada aconteceu. Os irmãos continuaram sendo atacados.

      Um abaixo-assinado a favor das Testemunhas de Jeová assinado por milhares de pessoas

      Mais de 130 mil pessoas de toda a Geórgia assinaram o abaixo-assinado a favor das Testemunhas de Jeová

      Esses fanáticos fizeram de tudo para atrapalhar o trabalho de pregação, mas não conseguiram. Jeová estava do lado dos irmãos, e cada vez mais pessoas estavam saindo da religião falsa.

      Ela foi aprender com as Testemunhas de Jeová

      Babilina Kharatishivili era muito religiosa. Quando tinha uns 30 anos, ela começou a viajar por vilas e cidades para ensinar as pessoas sobre a vida dos santos. Durante a maior parte da vida dela, ela ajudou a Igreja Ortodoxa Georgiana.

      Mas ela sempre quis aprender mais sobre Deus. Então ela e sua neta foram fazer algumas aulas em um seminário da Igreja Ortodoxa Georgiana. Numa das aulas um sacerdote mostrou o livro Conhecimento Que Conduz à Vida Eterna e incentivou os alunos a pegar esse livro com as Testemunhas de Jeová. Ele disse: “Vocês vão aprender muito sobre a Bíblia com esse livro.”

      Babilina ficou sem entender nada com o que ele disse. Ela tinha evitado as Testemunhas de Jeová por décadas, e agora o sacerdote queria que ela lesse o livro delas! Ela pensou: ‘Se eu tenho que aprender sobre Deus com as Testemunhas de Jeová, o que eu estou fazendo aqui?’ Ela procurou uma Testemunha de Jeová na mesma hora e começou a estudar.

      Com o estudo da Bíblia, Babilina viu que precisava fazer mudanças importantes na vida. Uma vez, ela disse: “Quando vi com meus próprios olhos que a Bíblia dizia que era errado adorar imagens, eu parei com aquilo na hora. Eu sabia que era o certo a fazer.” Em 2000, com 75 anos, Babilina decidiu se tornar Testemunha de Jeová.

      Babilina Kharatishvili e sua neta, Izabela

      Babilina falou da verdade para sua neta, Izabela

      Infelizmente, no ano seguinte, ela ficou doente e faleceu antes de ser batizada. Mas a neta dela, Izabela, mais tarde foi batizada e serve a Jeová.

      Ela queria ser freira

      Eliso Dzidzishvili tinha 28 anos quando decidiu ser freira. Mas a região onde ela morava não tinha nenhum convento. Então, em 2001, ela se mudou para Tbilisi. Eliso era professora e, enquanto esperava uma vaga no convento, começou a dar aulas particulares. Uma de suas alunas era filha de uma Testemunha de Jeová chamada Nunu.

      Eliso e Nunu sempre conversavam sobre a Bíblia. Eliso conta: “Eu defendia a religião ortodoxa com unhas e dentes. Mas a Nunu raciocinava comigo usando a Bíblia com a maior calma do mundo. Um dia, ela me mostrou a brochura O Que Deus Requer de Nós?. A gente leu os parágrafos juntas e olhou os textos. Eu logo entendi que a lei de Deus proibia a adoração de imagens.”

      Mais tarde, Eliso foi a uma igreja da cidade e fez algumas perguntas para o sacerdote. Ela viu pelas respostas dele que os ensinos da Igreja não estavam de acordo com a Bíblia. (Mar. 7:7, 8) Então, Eliso percebeu que as Testemunhas de Jeová ensinavam a verdade e começou a estudar a Bíblia com elas. Em pouco tempo, ela se batizou.

      Eliso Dzidzishvili e Nunu Kopaliani

      Eliso, que queria ser freira (à esquerda), e Nunu (à direita)

      Nada atrapalhou a construção

      Cada vez mais congregações precisavam de um Salão do Reino. Em 2001, havia a necessidade de mais ou menos 70 salões. Então, foi criado um programa de construção mesmo numa época de perseguição no país. — Esd. 3:3.

      Uma equipe de construção logo começou a reformar um salão usado por várias congregações em Tbilisi. Depois disso, mais um projeto em Tbilisi e outro em Chiatura foram iniciados.

      Um Salão do Reino em péssimas condições e um Salão do Reino novo

      Um Salão do Reino antigo em Tbilisi (à esquerda) e o novo (à direita)

      O irmão Tamazi Khutsishvili trabalhou na construção em Chiatura. Ele lembra: “Todos os dias, 15 irmãos iam trabalhar no canteiro de obras. O pessoal da cidade logo ficou sabendo que a gente estava construindo um salão novo. Nem todos gostaram da ideia. Então, às vezes, a gente ouvia uma conversa de que alguns queriam destruir o Salão do Reino.”

      Será que os irmãos iam conseguir terminar a construção? Tamazi conta: “Continuamos trabalhando. Em três meses, o salão ficou pronto. Apesar das ameaças, nada aconteceu.”a

      O alívio que eles queriam

      Alguns fanáticos ortodoxos e seu líder, Vasili Mkalavishvili, atrás das grades

      Alguns fanáticos ortodoxos e seu líder, Vasili Mkalavishvili, atrás das grades

      Em outubro de 2003, um salão começou a ser construído na cidade de Samtredia. Os irmãos foram ameaçados por fanáticos religiosos mais uma vez. Um dia, alguns fanáticos foram até o local da construção e derrubaram as paredes que os irmãos tinham acabado de levantar.

      Mas, em novembro, a situação começou a mudar. Um novo governo assumiu o poder e passou a combater a intolerância religiosa. Vários daqueles fanáticos religiosos que tinham atacado os irmãos foram presos.

      Mais bênçãos de Jeová

      Jeová abençoou ainda mais seu povo depois da perseguição. No congresso de 2004, a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs em georgiano foi lançada.

      Outra coisa inesquecível aconteceu no congresso de 2006, “Aproxima-se o Livramento!”. Os irmãos ficaram muito animados quando souberam que o irmão Geoffrey Jackson do Corpo Governante ia fazer um discurso. Imagine a emoção dos irmãos quando ele lançou a Tradução do Novo Mundo completa em georgiano.

      Irmãos num congresso aplaudindo o lançamento da Tradução do Novo Mundo em georgiano feito pelo irmão Geoffrey Jackson; irmãos olhando de perto a nova Bíblia

      Lançamento da Tradução do Novo Mundo em georgiano em 2006

      Muitos irmãos não conseguiram segurar as lágrimas. Uma irmã disse: “Não tenho palavras para expressar a alegria que senti quando recebemos a Bíblia completa. . . . Foi realmente um evento histórico.” Mais de 17 mil pessoas sentiram o mesmo. Essa foi uma reunião marcante para o povo de Jeová na Geórgia.

      a Sete Salões do Reino foram construídos no país entre 2001 e 2003.

      Um casal levando um carrinho de publicações na rua

      O fim da perseguição!

      Muitos de nós ainda se lembram das tristes notícias sobre os irmãos na Geórgia entre 1999 e 2003. Testemunhas de Jeová do mundo inteiro oraram pelos nossos queridos irmãos. (Tia. 5:16) Foi um alívio quando a perseguição finalmente acabou em 2003! De lá para cá, nossos irmãos têm liberdade para servir a Jeová. Eles agradecem muito a preocupação e o carinho dos irmãos no mundo todo. — 1 Ped. 2:17.

  • “Essa é a herança dos servos de Jeová.” — Isa. 54:17.
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • Testemunhas de Jeová pregando na estação do teleférico em Khulo

      Pregando na estação do teleférico na cidade de Khulo

      GEÓRGIA

      “Essa é a herança dos servos de Jeová.” — Isa. 54:17.

      JEOVÁ está abençoando o trabalho zeloso dos irmãos na Geórgia. Hoje a mensagem da Bíblia já chegou em quase todas as partes do país.

      Publicadores se preparam para pregar em Ushguli

      Publicadores se preparam para pregar em Ushguli, que fica 2.200 metros acima do nível do mar

      Mas ainda existem territórios que não são trabalhados com muita frequência. Por isso, nos últimos anos, publicadores e pioneiros estão se esforçando para pregar nesses lugares. O único jeito de chegar em algumas vilas nas montanhas é usando um carro de tração nas quatro rodas ou um teleférico.

      Publicadores pregando na região de Svaneti

      Publicadores na região de Svaneti

      Todos os anos, desde 2009, o Betel da Geórgia manda para as congregações uma lista de territórios não designados. Os publicadores são convidados a pregar nesses territórios. Muitos que aceitam esse convite precisam fazer grandes sacrifícios.

      Ana e Temuri Bliadze

      Ana e Temuri Bliadze

      Temuri e Ana Bliadze eram recém-casados e tinham acabado de comprar um terreno para construir uma casa. Mas daí eles ficaram sabendo que havia necessidade de mais publicadores na região da Ajária. Era uma grande oportunidade para fazer mais para Jeová.

      Primeiro, eles passaram uma semana lá. Temuri diz o que ele viu: “Os irmãos andavam muito pra chegar nos povoados. Eu logo percebi que o meu carro, que tinha tração nas quatro rodas, ia ajudar muito.”

      Ana diz: “Não foi nada fácil mudar pra lá. Nós tivemos que deixar pra trás a nossa família e a nossa congregação. Mas Jeová foi muito bom com a gente.” Já faz mais de três anos que Temuri e Ana estão apoiando um grupo na cidade de Keda.

      Um presente inesperado

      A ajuda dos pioneiros especiais temporários sempre foi muito importante nesses lugares mais afastados. Depois que a designação terminava, muitos deles resolviam continuar no território para continuar ajudando as pessoas que começavam a estudar a Bíblia.

      Duas pioneiras com o mesmo nome, Khatuna, foram enviadas para ficar quatro meses na linda cidade de Manglisi. Elas eram as únicas Testemunhas de Jeová na cidade, e o território era muito bom. No primeiro mês, elas abriram 9 estudos. No segundo, elas já tinham 12. No terceiro, 15 e no quarto, 18! Elas decidiram continuar em Manglisi para ajudar esses estudantes.

      O que elas fizeram para se manter no território? Os turistas que vão até Manglisi gostam muito de uma geleia de pinha que tem a fama de fazer bem para a saúde. Então, no começo, elas colhiam pinhas verdes, faziam a geleia e vendiam na feira. Mas um dia elas receberam um presente inesperado e tiveram outra ideia.

      Uma estudante apareceu com alguns pintinhos de presente para as pioneiras. Ela explicou que uma de suas galinhas tinha chocado alguns ovos num lugar escondido. Então, ela achou que as pioneiras podiam ficar com os pintinhos. Como uma delas já tinha criado galinhas, elas decidiram montar uma granjinha para se manter.

      Uma delas conta: “Com a ajuda de Jeová, dos irmãos e dos estudantes, conseguimos ficar cinco anos em Manglisi.” Hoje a cidade tem um grupo de publicadores.

      Khatuna Tsulaia e Khatuna Kharebashvili pregando em Manglisi

      Khatuna Kharebashvili e Khatuna Tsulaia em Manglisi

      As alegrias de servir no campo estrangeiro

      Nos últimos anos, um grande número de estrangeiros foi morar na Geórgia. Muitos pioneiros encararam isso como uma nova oportunidade para pregar. Então, começaram a estudar outros idiomas, como o árabe, o azerbaijano, o chinês, o inglês, o persa e o turco.

      Muitos desses pioneiros começaram a apoiar grupos e congregações de língua estrangeira. Outros resolveram mudar para um país que precisasse de ajuda na pregação. Dois jovens, Giorgi e Gela, tomaram essa decisão. Giorgi conta: “Queríamos dar nosso melhor pra Jeová. Mudar de país foi o nosso jeito de fazer isso.”

      Gela se lembra bem dessa época. Ele diz: “Eu aprendi muito servindo como ancião naquele território. É maravilhoso ver que Jeová está usando você para ajudar as ‘ovelhinhas’ dele.” — João 21:17.

      E Giorgi diz: “É claro que nem tudo era fácil. Mas a gente não ficava pensando nos problemas, e sim no serviço de Jeová. Nunca nos arrependemos. Para nós, aquilo era o que a gente tinha que fazer.”

      Outro irmão, que também se chama Gela, serviu na Turquia por alguns anos. Ele conta: “No começo, eu me enrolava com o idioma. Então, às vezes eu ficava desanimado. Mas nem sei explicar a alegria que senti depois que consegui entender e falar o idioma e me comunicar com os irmãos e as pessoas do território.”

      Uma pioneira foi para Istambul, na Turquia. Já faz mais de dez anos que ela está lá. Ela conta: “Eu sinto que Jeová está me ajudando desde o primeiro dia que mudei pra cá. Ser pioneira no campo estrangeiro é muito bom. Quase todos os dias você tem experiências que são parecidas com as que a gente lê no Anuário.”

  • Eles se lembraram do seu Grandioso Criador
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • Jovens Testemunhas de Jeová na Geórgia cantando e tocando violão

      GEÓRGIA

      Eles se lembraram do seu Grandioso Criador

      Muitas das histórias que você acabou de ler são de irmãos e irmãs que ‘se lembraram do seu Grandioso Criador nos dias da sua juventude’. (Ecl. 12:1) A Geórgia tem 3.197 pioneiros, e mil deles têm menos de 26 anos. Por que tantos jovens querem fazer mais no serviço de Jeová?

      Muitas coisas ajudaram tantos jovens a ser firmes. Por exemplo, é comum na Geórgia as famílias serem unidas. Um pai chamado Konstantine conta o que fez para criar seus cinco filhos na verdade. Ele diz: “O que me levou a servir a Jeová foi saber que ele é um Pai amoroso. Daí, quando eu me tornei pai, me esforcei para imitar a Jeová e deixar meus filhos à vontade comigo.”

      Malkhazi e a esposa têm três filhos e se esforçam muito para que a família seja sempre unida. Ele conta: “De vez em quando eu peço para meus filhos pensarem no que eles mais gostam em nós e nos irmãos deles. Daí todos têm que contar na adoração em família o que pensaram. Assim meus filhos aprendem a sempre ver as qualidades dos outros e a dar valor a isso.”

      “Eu não trocaria essa vida por nada!”

      Os pais não são os únicos que dão treinamento para os jovens. Logo que uma criança tem condições, os anciãos tentam deixar que ela ajude na congregação. Nestori foi batizado quando tinha 11 anos. Ele conta: “Desde pequeno eu recebia dos anciãos algumas tarefas pra fazer. Isso me ajudou muito. Eu realmente me sentia parte da congregação.”

      O bom exemplo dos irmãos e o apoio dos anciãos também são importantes. Koba, que é irmão de Nestori, conta: “Eu não era como meus irmãos. Minha adolescência não foi nada fácil. Mas eu recebi ajuda de um ancião jovem da minha congregação. Ele era um exemplo pra mim. Sempre me ouvia e tentava entender o meu lado. Sem dúvida ele me ajudou a voltar pra Jeová.”

      Hoje, Nestori, Koba e a irmã deles, Mari, estão ajudando num território isolado. Koba diz: “Eu não trocaria essa vida por nada!”

      “Os meus filhos continuam andando na verdade”

      Os irmãos do Betel da Geórgia também fazem a sua parte para incentivar os jovens. Eles tentam incluir os jovens nos diferentes projetos da organização. Um membro da Comissão de Filial explica: “Amamos muito nossos jovens, por isso nós queremos ajudá-los a alcançar os alvos espirituais que eles têm.”

      Irmãos da Geórgia e servos internacionais num Salão de Assembleias em construção na cidade de Tbilisi

      Os irmãos da Geórgia trabalharam com servos internacionais na construção do Salão de Assembleias em Tbilisi

      Se um jovem tem a chance de conhecer e trabalhar com irmãos e irmãs que servem a Jeová há muito tempo, ele nunca vai esquecer isso. Mamuka trabalhou com servos internacionais na construção do Salão de Assembleias em Tbilisi. Ele conta: “Trabalhar na construção com irmãos de outros países foi maravilhoso. Eles me ensinaram muito. Além de aprender várias coisas de construção, eu cresci em sentido espiritual.”

      A união nas famílias, o incentivo dos anciãos e o bom exemplo de outros irmãos fizeram diferença na vida de muitos jovens na Geórgia. Os pais deles sentem o mesmo que o apóstolo João sentiu quando disse: “Não tenho alegria maior do que esta: ouvir que os meus filhos continuam andando na verdade.” — 3 João 4.

      Tradução para mais idiomas

      Em 2013, o Corpo Governante pediu para cada filial verificar se havia necessidade de publicações em outros idiomas falados no seu território. O objetivo disso era levar as boas novas a mais pessoas.

      Então, a filial da Geórgia decidiu traduzir algumas publicações para o svan e o mingrélio. Esses dois idiomas parecem tanto com o georgiano que muitos nem acham que são outros idiomas.

      Os pioneiros da região de Svaneti escreveram: “As pessoas que falam svan respeitam a Bíblia e querem aprender sobre Deus. No começo, nem todos queriam pegar as publicações. Mas, quando viam que era na língua deles, eles aceitavam.”

      Quando as reuniões começaram a ser feitas no idioma mingrélio, os publicadores que falam esse idioma ficaram emocionados. Giga, um pioneiro jovem, diz: “Agora consigo comentar nas minhas próprias palavras na reunião. Não preciso ficar traduzindo na cabeça antes de comentar.”

      Zuri, ancião da congregação em mingrélio na cidade de Tkaia, conta como se sentiu: “Já passei por muitas coisas na vida, algumas tristes e outras alegres. Nada disso me fez chorar. Mas, quando cantamos os cânticos em mingrélio pela primeira vez na reunião, ninguém conseguiu segurar as lágrimas, nem eu.”

      Mais motivos para alegria

      Um dia muito especial na história das Testemunhas de Jeová na Geórgia foi o sábado, 6 de abril de 2013. Nesse dia, David Splane, do Corpo Governante, fez o discurso de dedicação de alguns prédios: a ampliação e a reforma da filial, um Salão de Assembleias e uma escola bíblica. Foi um grande prazer para os irmãos da Geórgia hospedarem 338 irmãos de 24 países.

      No domingo, o irmão Splane fez um discurso especial que foi transmitido por áudio e vídeo para as congregações. Um total de 15.200 pessoas ouviu o discurso. Os irmãos na Geórgia nunca tinham feito uma reunião tão grande com irmãos de outros países. Foi uma ocasião emocionante que animou muito os irmãos. Um jovem disse: “Deu pra ver como vai ser no novo mundo!”

      Dedicação de Betel, coral, irmãos juntos do lado de fora e visitantes assinando um livro de visitas

      Dedicação da filial em Tbilisi, 2013

      A Escola Bíblica para Casais Cristãos, que agora se chama Escola para Evangelizadores do Reino, também foi muito importante para o povo de Jeová na Geórgia. Desde 2013, mais de 200 alunos se formaram nessa escola. Eles dão muito valor ao que aprenderam ali e estão dispostos a dar o seu melhor em qualquer lugar que precise de ajuda.

      Eles seguem o exemplo dos primeiros irmãos

      Hoje as boas novas estão em todas as partes da Geórgia por causa do trabalho daqueles primeiros irmãos corajosos. Eles amavam a Deus e ao próximo, tinham forte fé e eram determinados e criativos. Jeová abençoou muito o serviço fiel desses irmãos.

      A Geórgia tem hoje mais de 18 mil publicadores. Eles consideram um privilégio continuar a obra daqueles primeiros irmãos e ajudar as pessoas a sentirem na sua vida o poder da Palavra de Deus. — Fil. 3:13; 4:13.

      Membros da Comissão de Filial da Geórgia: Wayne Tomchuk, Levani Kopaliani, Joni Shalamberidze e Michael E. Jones

      Comissão de Filial da Geórgia: Wayne Tomchuk, Levani Kopaliani, Joni Shalamberidze e Michael Jones

  • Pessoas do idioma curdo aceitam a verdade
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • Uma irmã dirigindo estudo para uma mulher no idioma curdo

      GEÓRGIA

      Pessoas do idioma curdo aceitam a verdade

      “FOI muito bom aprender sobre Jeová na minha língua. Eu sempre agradeço a ele por isso”, disse Gulizar.

      Fazia oito anos que Gulizar ia às reuniões, mas ela não tinha tomado a decisão de se batizar. Ela só fez isso depois de começar a assistir às reuniões no idioma dela, o curdo. Nos últimos anos, muitos curdos aceitaram a verdade na Geórgia. Mas quem são os curdos?

      O povo curdo já mora na região do Oriente Médio por centenas de anos. Alguns estudiosos acham que eles vieram do povo da Média, citado na Bíblia. (2 Reis 18:11; Atos 2:9) O idioma curdo faz parte do grupo iraniano de línguas.

      Hoje milhões de curdos vivem espalhados em vários países, incluindo a Armênia, o Irã, o Iraque, a Síria e a Turquia. A Geórgia tem uns 20 mil curdos. A maioria deles são pessoas que respeitam e amam a Deus.

      Na Geórgia, 500 publicadores falam o idioma curdo e já foram formadas três congregações nesse idioma. Em 2014, eles tiveram a alegria de assistir ao primeiro congresso no idioma deles feito em Tbilisi, com a presença de irmãos vindos da Alemanha, da Armênia, da Turquia e da Ucrânia.

      Crianças que falam o idioma curdo assistindo aos vídeos do Pedrinho e da Sofia
  • Amor que supera fronteiras
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • GEÓRGIA

      Amor que supera fronteiras

      MUITO antes de Sanel nascer, os pais sabiam que ela tinha graves problemas de saúde. Mesmo que ela sobrevivesse ao parto, teria que passar por algumas cirurgias. Os pais dela moravam na Abcázia, uma região que declarou independência da Geórgia. Eles não conseguiram encontrar ali um médico que aceitasse fazer a cirurgia sem sangue.

      Os pais de Sanel entraram em contato com a Comissão de Ligação com Hospitais (Colih) da região.a Foi um alívio quando os irmãos da Colih logo indicaram um cirurgião na capital que poderia fazer a cirurgia. Mas a mãe da bebê ainda não estava em condições de viajar. Então, a família decidiu que as duas avós, que também são Testemunhas de Jeová, levariam Sanel até o hospital em Tbilisi.

      A cirurgia foi delicada, mas correu tudo bem. Pouco depois, as avós de Sanel escreveram: “Ficamos no hospital mais de 20 dias. Durante todo esse tempo, recebemos a visita e a ajuda de muitos irmãos georgianos. Vários vinham para expressar sua preocupação. As publicações sempre falam sobre o amor que existe entre o povo de Jeová no mundo inteiro. E nesse momento complicado deu pra sentir esse amor bem de perto.”

  • Eu tenho que ser diferente
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • GEÓRGIA

      Eu tenho que ser diferente

      Davit Samkharadze

      • ANO DE NASCIMENTO: 1967

      • ANO DE BATISMO: 1989

      • OUTROS DADOS: Serviu como superintendente viajante. Desde 2013, é instrutor nas escolas bíblicas.

      Davit Samkharadze é instrutor de escola bíblica

      EM 1985, quando eu tinha 18 anos, fui convocado para servir no exército soviético. Eu via muita injustiça ali. Era um querendo passar por cima do outro. Aquilo me incomodava muito. Eu dizia pra mim mesmo: ‘Eu tenho que ser diferente deles.’ Mesmo assim, nem sempre conseguia fazer as coisas como eu queria. Eu tinha que dar um jeito de mudar minha vida.

      Quando acabei o serviço militar, eu voltei pra casa. Um dia, depois de uma festa, fiz uma oração e pedi pra Deus me ajudar a ser uma pessoa melhor. No outro dia, eu estava indo trabalhar e decidi passar na casa da minha tia. Ela era Testemunha de Jeová. Quando entrei, eu vi que algumas Testemunhas de Jeová estavam ali para uma reunião. Elas me trataram tão bem que decidi ficar.

      Comecei a estudar a Bíblia e, depois de seis meses, eu me batizei. Jeová me ajudou a ser uma pessoa melhor. Sozinho, eu não teria conseguido.

  • Eu tinha pedido a ajuda de Jeová
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • GEÓRGIA

      Eu tinha pedido a ajuda de Jeová

      Tamazi Biblaia

      • ANO DE NASCIMENTO: 1954

      • ANO DE BATISMO: 1982

      • OUTROS DADOS: Ajudou a imprimir publicações quando era proibido e foi um dos primeiros superintendentes viajantes na Geórgia mesmo com quatro filhos.

      Tamazi Biblaia

      MINHA mãe ficou muito brava quando eu e minha esposa, Tsitso, começamos a servir a Jeová. Uma vez, ela juntou todos os parentes para me fazer mudar de ideia. Eles disseram: “Se você não abandonar essa religião, não vai mais fazer parte da família.”

      Para evitar maiores problemas, decidi morar em outra cidade. Pensei em ir para Kutaisi, a segunda maior cidade da Geórgia. Eu era metalúrgico e achei que seria fácil encontrar emprego ali. E eu também sabia que a cidade precisava de mais publicadores. Então pedi pra Jeová me ajudar a tomar uma boa decisão.

      Um dos meus estudantes morava numa cidadezinha chamada Jvari. Quando eu disse que estava pensando em me mudar para Kutaisi, ele me implorou para ir pra cidade dele. Ele me disse: “Nós temos um apartamento. Eu, minha esposa e meus filhos podemos ficar num quarto e vocês no outro.”

      Eu tinha pedido a ajuda de Jeová, então eu precisava saber se esse convite era a resposta da minha oração. Daí, eu disse para o meu estudante que, se eu achasse logo um emprego e uma casa para alugar, ficaria com eles por um tempo. Pra minha surpresa, na mesma noite ele apareceu com uma lista de ofertas de emprego.

      Acabamos ficando em Jvari. Já no primeiro dia, eu consegui um emprego que pagava muito bem. Além disso, a empresa tinha uma casa bem grande, e meu chefe falou que eu e minha esposa podíamos morar nela. Isso foi muito bom porque pouco tempo depois os irmãos me pediram para ajudar a imprimir publicações escondido. A nossa casa tinha bastante espaço, e foi ali que nós fizemos isso.

      Por muitos anos, a Celebração e outras reuniões especiais também foram feitas em casa. Mais de 500 pessoas foram batizadas lá. Fiquei feliz por ter seguido a orientação de Jeová!

      Tamazi Biblaia e sua esposa dirigindo um estudo para um homem
  • Para Deus tudo é possível
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • GEÓRGIA

      Para Deus tudo é possível

      Natela Grigoriadis

      • ANO DE NASCIMENTO: 1960

      • ANO DE BATISMO: 1987

      • OUTROS DADOS: Natela era gerente de marketing. Depois do batismo, ela usou sua experiência e contatos para ajudar os irmãos a imprimir mais publicações.

      Natela Grigoriadis

      NO FINAL dos anos 80, só o dirigente da Sentinela tinha a revista. E geralmente era uma cópia feita à mão. Então eu tive uma ideia e fui falar com um dos anciãos, o irmão Genadi Gudadze. Eu perguntei se a gente mesmo não podia imprimir as revistas.

      O mimeógrafo que os irmãos tinham era muito pequeno e imprimia poucas publicações. Para imprimir mais revistas, eles precisavam de um mimeógrafo melhor, de uma máquina de escrever, de alguém que datilografasse bem e de um bom estoque de papel estêncil. O problema era que todo equipamento e material de impressão era registrado pelo governo e controlado pelo serviço de segurança.

      Eu consegui uma máquina de escrever com um conhecido do trabalho. Ele sabia onde ficavam as máquinas que o governo parava de controlar. A minha irmã datilografava bem e podia nos ajudar. Os irmãos fizeram um novo mimeógrafo e encontraram um fornecedor de papel estêncil. Estava tudo dando certo, e logo imprimimos a nossa primeira revista A Sentinela.

      Mas daí surgiu um problema com o fornecimento de papel. Um dia, Genadi me disse: “A gente vai ter que arrumar papel em outro lugar.” Ele até sabia de um escritório do governo que tinha papel estêncil. Mas Genadi não podia ir lá porque estava sendo vigiado pela polícia. Ele queria que eu fosse. Mas eu ficava dizendo que era impossível. Então Genadi falou sério: “Pare de dizer que é impossível. ‘Para Deus todas as coisas são possíveis.’” — Mat. 19:26.

      No outro dia, eu ficava repetindo essas palavras enquanto ia para o escritório que ele tinha falado. Graças a Jeová, a moça que me atendeu foi muito boazinha. Ela logo levou o meu pedido para o chefe do escritório, que por coincidência era marido dela. Então começamos a comprar papel ali e nunca mais tivemos esse tipo de problema.

      Natela Grigoriadis lendo uma Sentinela
  • A Bíblia em georgiano
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • Uma página de uma Bíblia em georgiano

      Um manuscrito georgiano do século 14: Quatro Evangelhos de Mokvi

      GEÓRGIA | 1924-1990

      A Bíblia em georgiano

      O GEORGIANO foi um dos primeiros idiomas em que a Bíblia foi traduzida, assim como o armênio, o copta, o latim e o siríaco. Os manuscritos antigos em georgiano dos Evangelhos, das cartas de Paulo e dos Salmos foram feitos por volta do ano 450 ou até antes. E, nos séculos seguintes, a cópia e a tradução da Bíblia em georgiano aumentaram. Isso fez com que surgissem várias traduções da Bíblia nesse idioma.a

      A Bíblia influenciou bastante a literatura e a maneira de pensar dos georgianos. Um exemplo disso é a triste história da rainha Shushanik, que deve ter sido escrita pouco antes do ano 500. Essa história até cita partes da Bíblia. Outro exemplo é o poema O Cavaleiro na Pele de Pantera. Ele foi escrito por volta de 1220 pelo poeta Shota Rustaveli. Nesse poema, ele fala sobre assuntos que são muito importantes na vida de um cristão, como amizade, generosidade e amor pelas pessoas. O povo georgiano dá muito valor a essas coisas.

      a Para mais informações, veja o artigo “Um tesouro escondido por séculos”, na revista A Sentinela de 1.º de junho de 2013.

  • Ele não conseguia parar de ler!
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • GEÓRGIA

      Ele não conseguia parar de ler!

      Marina Kopaliani

      • ANO DE NASCIMENTO: 1957

      • ANO DE BATISMO: 1990

      • OUTROS DADOS: Marina e Badri era um casal zeloso que tinha dois filhos para criar. Badri serviu na Comissão do País e foi fiel a Jeová até a sua morte em 2010.

      Marina Kopaliani

      EM 1989, eu e meu marido conhecemos as Testemunhas de Jeová quando o irmão Givi Barnadze dirigia estudo para o nosso vizinho. O irmão Givi não tinha uma Bíblia porque era muito difícil conseguir uma naquela época.

      Achamos muito interessante o que eles estavam estudando e ficamos com vontade de ter uma Bíblia. Um dia, meu marido estava conversando com o meu cunhado e disse que estava atrás de uma Bíblia. Daí meu cunhado disse que tinha acabado de comprar uma Bíblia em georgiano e que meu marido podia ficar com ela. Imagine a alegria dele!

      Então ele chegou em casa, colocou a Bíblia na mesa e começou a ler. Ele só foi parar à noite. De manhã, ele levantou e foi ler a Bíblia de novo. Quando eu voltei do trabalho, ele ainda estava lendo. Ele não conseguia parar! Daí eu disse pra ele: ‘Por que você não tira uns dias de férias para conseguir ler a Bíblia inteira?’ Foi o que ele fez.

      Mais tarde, nós começamos a estudar o livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna com o irmão Givi. Tudo se encaixou bem porque o irmão Givi tinha o livro e nós tínhamos a Bíblia. Mais ou menos depois de um ano nós nos batizamos.

      Marina e Badri Kopaliani
  • O amor cristão nunca acaba
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 2017
    • GEÓRGIA

      O amor cristão nunca acaba

      Igor: O nosso grupo ficava na cidade de Tkvarcheli, Abcázia. Fazíamos parte de uma congregação na cidade de Jvari, a 85 quilômetros. Por isso, todo mês eu viajava até lá pra pegar as publicações do nosso grupo. Em 1992, assim que a União Soviética acabou, a região da Abcázia tentou se separar da Geórgia. Então começou uma guerra entre um grupo separatista e o exército georgiano. Foi aí que os problemas começaram.

      Gizo Narmania e Igor Ochigava

      Gizo Narmania e Igor Ochigava

      Juntos, eles ajudaram os irmãos numa época de guerra.

      Gizo: Eu me batizei um ano antes da guerra começar. Eu tinha 21 anos. Lembro que no começo os irmãos ficaram com medo por causa da guerra e não sabiam exatamente como pregar. Mas o Igor, que sempre cuidou muito bem dos irmãos, nos animou: “É agora que as pessoas mais precisam de consolo. E continuar pregando vai fortalecer a nossa fé.” Então, com muito cuidado, nós continuamos pregando a mensagem de esperança para as pessoas.

      Igor: Por causa da guerra, a gente teve que achar um caminho menos perigoso pra ir e voltar de Jvari, onde estavam as publicações. Eu fui criado naquela região, então achei outro caminho. Eu passava pelas plantações de chá e pelas montanhas. Mas ainda era arriscado encontrar pessoas armadas ou minas terrestres. Eu não queria colocar a vida dos irmãos em perigo. Então eu viajava sozinho uma vez por mês. Graças a Jeová, eu sempre consegui trazer as publicações. Elas nos ajudaram a continuar fortes espiritualmente.

      A situação na nossa cidade era um pouco mais tranquila, mesmo assim nós começamos a ter problemas por causa da guerra. Em pouco tempo, ninguém podia entrar nem sair da cidade. Nós ficamos muito preocupados porque o inverno estava chegando e tínhamos pouca comida. Então ficamos sabendo que os irmãos de Jvari iam nos ajudar. Foi um alívio!

      Gizo: Igor estava se preparando para ir buscar a comida que os irmãos em Jvari tinham separado para nós. Ele pediu para usar nossa casa para guardar e distribuir a comida. Mas a viagem que ele ia fazer era muito perigosa. Isso nos deixou preocupados. No caminho, ele ia passar por barreiras militares e talvez por ladrões e pessoas armadas. — João 15:13.

      Foi um alívio quando Igor voltou alguns dias depois, são e salvo. Ele chegou com um carro cheio de comida. O que os irmãos mandaram deu pra passar o inverno inteiro. Foi uma época difícil. Mas pudemos sentir o amor cristão que nunca acaba. — 1 Cor. 13:8.

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