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Infância perdidaDespertai! — 2003 | 22 de abril
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Infância perdida
“Uma infância [feliz] é o mais básico direito humano das crianças.” — The Hurried Child (A Criança Acelerada).
VOCÊ com certeza concorda que toda criança devia ter uma infância relativamente despreocupada e inocente. No entanto, é uma triste realidade da vida que, para muitos meninos e meninas, essa infância não existe. Pense nos milhares, talvez milhões, de sonhos infantis que se desfazem quando as crianças se tornam vítimas da guerra. Pense também em todas essas crianças cuja vida é arruinada pela escravidão ou por maus-tratos.
Para a maioria de nós, é difícil imaginar como se sente uma criança que é obrigada a viver nas ruas porque ali se sente mais segura do que em casa. Justamente quando mais precisam de todo amor e proteção possíveis, tais crianças têm de aprender a ser suficientemente espertas para se defenderem de predadores ávidos por explorá-las. Com muita freqüência, a infância é uma das vítimas de nossos tempos atribulados.
“Quem me dera recuperar minha infância”
Carmen, de 22 anos, teve uma infância atribulada.a Ela e sua irmã foram obrigadas a viver nas ruas para fugir dos abusos do pai e da negligência da mãe. Apesar dos perigos de viver assim, as duas conseguiram evitar as armadilhas que enlaçam tantos jovens que fogem de casa.
Mesmo assim, Carmen lamenta sua infância perdida, pois realmente não a teve. “Passei da infância à idade de 22 anos sem fase intermediária”, lamenta. “Sou casada e tenho um filho, mas minha vontade é fazer o que fazem as menininhas, como brincar com bonecas. Gostaria de ser amada e abraçada por pais. Quem me dera recuperar minha infância!”
Muitas crianças sofrem o mesmo que Carmen e sua irmã sofreram. Vivem nas ruas, essencialmente privadas de sua infância. Muitas delas praticam crimes a fim de sobreviver. Notícias e estatísticas mostram que crianças estão se envolvendo com o crime em idades espantosamente precoces. Como agravante, um outro problema: muitas garotas tornam-se mães ainda na adolescência — realmente, ainda crianças.
Crise social velada
Não é de admirar que um crescente número de crianças acabam sendo entregues à adoção provisória. Um editorial no jornal The Weekend Australian disse: “Uma crise na adoção provisória nos pegou desprevenidos. Cada vez mais crianças originárias de lares desfeitos não recebem cuidados adequados.” O jornal disse também: “Algumas crianças sob adoção provisória ficam meses, até anos, sem nenhum contato com assistentes sociais, ao passo que outras passam de um adotante provisório para outro sem jamais encontrar um lar permanente.”
Um dos casos relatados envolvia uma garota de 13 anos que havia passado por 97 lares provisórios num período de três anos — em alguns dos quais por apenas uma noite. Ela se recorda dos fortes sentimentos de rejeição e de insegurança que a afligiam. Para muitas crianças sob guarda provisória como ela, a infância foi perdida.
Assim, não surpreende que os especialistas hoje falem a respeito da crescente tragédia da infância perdida. Se você é pai (ou mãe), diante dessa dura realidade talvez se considere um afortunado por poder prover seus filhos de um lar e das necessidades da vida. Mas existe outro perigo. No mundo de hoje, a infância nem sempre é perdida por inteiro. Às vezes ela é simplesmente acelerada. Como assim, e com que efeitos?
[Nota(s) de rodapé]
a O nome foi mudado.
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Infância aceleradaDespertai! — 2003 | 22 de abril
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Infância acelerada
SOB um céu carregado, o pequeno avião monomotor roncava ao ganhar velocidade na pista e decolar. O evento era notícia, com cobertura da imprensa, câmeras em ação e repórteres fazendo perguntas com admiração e cumprimentos efusivos. Quem estava atraindo tanta atenção? Não apenas o único piloto com brevê a bordo, nem o único passageiro — um adulto do sexo masculino — mas sim a filha do passageiro. Ela tinha sete anos de idade.
A menina iria pilotar o avião. Havia um certo recorde a ser quebrado e um roteiro apertado. A imprensa estaria à espera na próxima escala. Assim, apesar do mau tempo, os três embarcaram e a criança sentou-se numa almofada para poder ver acima do painel e usava extensores para que seus pés pudessem alcançar os pedais no chão.
O vôo foi curto demais. Numa tempestade repentina, o avião deu uma guinada, perdeu altura e caiu, matando os três ocupantes. A mídia subitamente passou a expressar pesar em vez de louvor. Alguns repórteres e editores se perguntavam até que ponto a mídia teve culpa pela tragédia. Muitas pessoas começaram a insistir que nenhuma criança devia pilotar avião. Nos Estados Unidos, foram aprovadas leis nesse respeito. Mas, por trás do sensacionalismo e soluções simples, escondiam-se questões mais profundas.
Essa tragédia levou muitos a pensar seriamente a respeito de uma tendência moderna. As crianças hoje estão tendo uma infância acelerada, realizando tarefas de adultos numa tenra idade. Os efeitos disso nem sempre são tão dramáticos ou tão trágicos, é verdade. Mas podem ser profundos e duradouros. Vejamos algumas maneiras de se acelerar a infância.
Pressa na educação
É compreensível o desejo dos pais pelo sucesso dos filhos. Mas quando esse desejo se torna ansiedade, os pais talvez sobrecarreguem as crianças, exigindo demais delas, cedo demais. Muitas vezes, esse processo começa de modo um tanto inocente. Por exemplo, é cada vez mais comum os pais alistarem os filhos em atividades extra-escolares, de esportes a aulas de música ou de balé. Em muitos casos, além dos estudos normais, a criança recebe aulas particulares.
Naturalmente, não é errado estimular os talentos ou os interesses de uma criança. Mas existe o perigo do excesso? É evidente que sim, quando a criança talvez sofra quase tantas pressões quanto os adultos estressados. A revista Time observa: “Crianças que antes tinham infância agora têm currículos; crianças que deviam ser movidas pela amalucada energia juvenil são agora movidas pelos altos objetivos da abelha-operária.”
O sonho de alguns pais é que seus pequenos iniciem carreiras de prodígios nos esportes, na música ou nas artes cênicas. Antes do nascimento dos filhos, os pais já os matriculam em pré-escolas, na esperança de melhorar suas perspectivas de sucesso. Além disso, algumas mães se matriculam em “escolas pré-natais” de educação musical para bebês ainda no ventre. O objetivo é estimular o cérebro em formação.
Em alguns países, avalia-se as habilidades das crianças em conhecimento de leitura e de aritmética antes dos seis anos de idade. Tais práticas geram preocupações sobre possíveis danos emocionais. O que acontece, por exemplo, a uma criança que é “reprovada” no jardim-de-infância? David Elkind, autor do livro ‘A Criança Acelerada’, observa que as escolas tendem a classificar as crianças (como aptas ou não para o aprendizado) depressa demais e cedo demais. Fazem isso, argumenta Elkind, por razões gerenciais e não por razões ligadas ao bom ensino das crianças.
Há um preço a pagar por pressionar crianças a se tornarem, com efeito, pequenos adultos competentes antes do tempo? Elkind se preocupa com a maneira como a sociedade tem aceitado a idéia de capacitar crianças para carregar fardos de adultos. Diz ele: “Isso reflete a nossa tendência de aceitar como ‘normal’ as crescentes e implacáveis pressões sobre os jovens de hoje.” De fato, as noções sobre o que é normal para crianças parecem estar mudando rapidamente.
A ânsia de vencer
Parece que muitos pais acham que é normal, até mesmo aconselhável, ensinar aos filhos que vencer é tudo — especialmente nos esportes. Medalhas olímpicas são um incentivo para muitas crianças hoje. Visando saborear a glória de alguns momentos de vitória e garantir um bom ganho na vida adulta, algumas crianças são pressionadas a passar rapidamente pela infância ou até mesmo a esquecê-la.
Veja o caso das ginastas femininas. Elas começam numa tenra idade com rigorosos exercícios que exercem enorme pressão sobre seus corpos pequeninos. Passam anos se preparando mental e fisicamente para as competições olímpicas. É claro que apenas poucas serão vencedoras. Será que as perdedoras acharão que terá valido a pena o sacrifício de grande parte de sua infância e mocidade? A longo prazo, até mesmo as vencedoras podem ter dúvidas nesse respeito.
Emocionalmente, essas meninas talvez tenham uma infância acelerada na ânsia implacável de se tornarem superatletas. Mas esse treinamento rigoroso pode impedir seu desenvolvimento físico normal. Em algumas, o crescimento dos ossos é prejudicado. Distúrbios de alimentação são comuns. Em muitos casos, a puberdade é delongada — até mesmo por anos. Contudo, muitas jovens hoje enfrentam o problema oposto: a puberdade precoce. — Veja o quadro acima.
Crianças que têm tudo menos infância
Acreditar na mídia do entretenimento pode levar a pessoa a pensar que ter a infância ideal significa regalar-se com todo tipo de luxo e comodidade. Alguns pais fazem esforços estrênuos para dar aos filhos todo conforto material possível, incluindo um lar suntuoso, divertimentos ilimitados e roupas caras.
No entanto, não são poucos os jovens criados dessa maneira que acabam se envolvendo em bebedeiras ou em abuso de drogas e apresentam um comportamento taciturno e rebelde. Por quê? Muitos abrigam fortes ressentimentos, pois sentem-se negligenciados. As crianças precisam de pais presentes que as amem e cuidem delas. Pais ocupados demais para fazer isso talvez acreditem que estejam trabalhando para garantir a felicidade dos filhos — mas é bem possível que estejam fazendo o contrário.
Ao falar de “pais de bom nível socioeconômico em que ambos trabalham fora”, a Dra. Judith Paphazy diz que muitos deles “atendem a todos os caprichos dos filhos porque sabem, no subconsciente, que a sua busca de bens é feita em detrimento da família”. Ela acha que os pais, nesse caso, tentam “desobrigar-se do dever de ser pais”.
Em muitos casos, os filhos pagam um preço elevado. Mesmo tendo muitas comodidades materiais, eles carecem dos ingredientes essenciais da boa infância: o tempo e o amor dos pais. Sem orientação, sem disciplina e direção, enfrentam questões essencialmente adultas cedo demais, com pouco ou nenhum preparo. ‘Devo usar drogas? Ter relações sexuais? Reagir com violência à irritação?’ Provavelmente encontrarão as suas próprias respostas, de colegas ou de personagens da TV ou do cinema. Os resultados muitas vezes acabam com a infância de maneira abrupta, até trágica.
Ser o outro “adulto”
Quando a família de repente perde o pai ou a mãe, por morte, separação, ou divórcio, os filhos em geral sofrem emocionalmente. É verdade que muitas famílias uniparentais funcionam bem. Em algumas, porém, as crianças não vivem a plenitude de sua infância.
É compreensível que um pai ou uma mãe sem cônjuge tenha momentos de solidão. Em resultado disso, alguns permitem que uma criança — em geral a mais velha — assuma o papel do outro “adulto” na família. O pai ou a mãe, talvez por desespero, passa a usar a criança como confidente, sobrecarregando-a com problemas que ela não está preparada para suportar. Emocionalmente, alguns pais ou mães sem cônjuge tornam-se dependentes demais de uma criança.
Outros pais abdicam totalmente das responsabilidades, forçando uma criança a assumir o papel do adulto na família. Carmen e sua irmã, mencionadas anteriormente, viviam esse drama em casa antes de passarem a viver nas ruas. Ainda crianças elas mesmas, haviam sido encarregadas de criar seus irmãos menores. A carga era pesada demais.
Sem dúvida, acelerar a infância é uma prática perigosa, que deve ser evitada, se possível. Mas existem boas notícias: os adultos podem tomar medidas positivas que garantam uma infância feliz para seus filhos. Que medidas? Examinemos algumas delas, de eficácia comprovada pelo tempo.
[Quadro na página 6]
O desafio da puberdade precoce
As meninas de hoje estão chegando à puberdade mais cedo? Entre os cientistas, essa questão é controversial. Alguns dizem que em meados do século 19 as meninas atingiam a puberdade em média aos 17 anos, ao passo que agora é com menos de 13. Segundo um estudo feito em 1997 com 17.000 meninas nos Estados Unidos, cerca de 15% das meninas brancas e 50% das afro-americanas apresentavam sinais de puberdade precoce aos 8 anos de idade! Mas alguns médicos contestam essas descobertas e alertam os pais a não aceitarem simplesmente como “normal” o desenvolvimento extremamente precoce.
Seja como for, essa situação é um desafio tanto para os pais como para as filhas. A revista Time comenta: “Ainda mais preocupante do que as mudanças físicas é o potencial efeito psicológico do desenvolvimento sexual prematuro em mocinhas que deviam estar lendo contos de fada e não afastando lobos. . . . Do jeito que é, a infância já é curta demais.” O artigo faz esta pergunta perturbadora: “Se o corpo das meninas fazem-nas parecer adultas antes que seu coração e sua mente estejam preparados para isso, o que se perderá para sempre?”
Muitas vezes, o que se perde é a inocência — através da exploração sexual. Certa mãe disse sem rodeios: “Garotas que aparentam ser mais maduras do que a idade que têm são como mel [para as abelhas]. Elas atraem os meninos mais velhos.” O preço por ser pressionada a ter iniciação precoce da vida sexual é elevado. A garota pode perder a auto-estima, a consciência limpa e até mesmo a saúde física e emocional.
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Infância acalentadaDespertai! — 2003 | 22 de abril
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Infância acalentada
UMA boa infância depende muito do bom desempenho dos pais. Mas o que envolve isso? É provável que você já tenha ouvido conselhos nesse respeito. Dedique tempo para os filhos. Ouça-os. Dê-lhes sólida orientação. Seja solidário, participe das alegrias e das tristezas deles. Seja verdadeiro amigo deles, sem renunciar à sua autoridade de pai (ou de mãe). Naturalmente, esses sempre lembrados princípios ajudam os pais a fazer um bom trabalho. Mas existe algo mais básico e mais importante que precisa ter prioridade.
Milhões de pais ao redor do mundo têm constatado que seguir os princípios bíblicos é a chave para o bom desempenho dos pais. Por quê? Porque o sábio Autor da Bíblia, Jeová Deus, é o originador da família. (Gênesis 1:27, 28; 2:18-24; Efésios 3:15) Portanto, é natural que a Sua Palavra inspirada seja a melhor fonte de orientações sobre como criar os filhos. Mas como pode um livro tão antigo como a Bíblia lançar luz sobre a tendência moderna de acelerar a infância? Vejamos alguns princípios bíblicos que se aplicam.
“No passo dos filhos”
Jacó, filho de Isaque, tinha mais de 12 filhos. A Bíblia registra suas palavras sensatas relacionadas com uma viagem da família: “Os filhos são delicados . . . Por favor, passe o meu senhor [Esaú, irmão mais velho de Jacó] adiante do seu servo, mas continue eu mesmo a viagem segundo a minha conveniência, . . . no passo dos filhos.” — Gênesis 33:13, 14.
Jacó reconhecia que seus filhos não eram pequenos adultos. Eram “delicados” — menores, mais frágeis e com mais necessidades do que os adultos. Em vez de forçar os filhos a acompanhar o seu ritmo de viagem, Jacó diminuiu seu passo para ajustá-lo ao deles. Nesse respeito, ele refletiu a sabedoria de Deus nos tratos com Seus filhos humanos. Nosso Pai conhece nossas limitações. Ele não espera de nós mais do que o razoável. — Salmo 103:13, 14.
Até mesmo alguns animais refletem essa sabedoria, pois Deus os fez ‘instintivamente sábios’. (Provérbios 30:24) Por exemplo, os naturalistas têm observado que uma manada inteira de elefantes ajusta seus passos aos de um filhote no meio deles, andando devagar até que o filhote possa acompanhar o passo dos adultos.
Alguns segmentos da sociedade moderna ignoram a sabedoria divina. Mas esse não precisa ser o seu caso. Lembre-se de que seus filhos são “delicados” — não estão preparados para assumir fardos e deveres de adulto. Se, por exemplo, você é pai ou mãe sem cônjuge e estiver passando por um difícil problema pessoal, resista à tentação de usar uma criança como confidente. Em vez disso, procure uma pessoa amiga madura, que possa ajudá-lo a lidar com o assunto — de preferência alguém que o ajudará a acatar os sábios conselhos da Bíblia. — Provérbios 17:17.
Além disso, não permita que o ritmo de vida de seus filhos se torne tão acelerado, tão programado, tão regulamentado que exclua da vida deles toda a alegria e o prazer da vida juvenil. Estabeleça um ritmo apropriado para eles, sem acompanhar servilmente o ritmo do mundo de hoje. A Bíblia aconselha sabiamente: “Não permitais que o mundo em vosso redor vos comprima em seu próprio molde.” — Romanos 12:2, Phillips.
“Para tudo há um tempo determinado”
Outro sábio princípio bíblico declara: “Para tudo há um tempo determinado, sim, há um tempo para todo assunto debaixo dos céus.” Naturalmente, há um tempo para trabalhar. As crianças têm muito trabalho — incluindo deveres escolares, tarefas domésticas e atividades espirituais. No entanto, o mesmo trecho bíblico diz que existe também “tempo para rir” e “tempo para saltitar”. — Eclesiastes 3:1, 4.
As crianças têm necessidade especial de brincar, de rir, de extravasar sua energia juvenil de maneira um tanto descompromissada. Se todo o tempo delas for tomado por ir à escola, atividades extra-escolares e outras responsabilidades, sua necessidade de brincar talvez não seja atendida. Isso poderia exasperá-las, até mesmo desanimá-las. — Colossenses 3:21.
Veja ainda outras maneiras de aplicar esse princípio bíblico. Por exemplo, visto que há um tempo para tudo, não sugere isso que infância é tempo de ser criança? É provável que você concorde com isso, mas seus filhos talvez nem sempre. É muito comum meninos e meninas quererem fazer o que vêem os pais fazerem. Por exemplo, meninas talvez sejam tentadas a se vestir e arrumar como se fossem adultas. A puberdade precoce pode aumentar o forte desejo de parecerem mais velhas.
Pais sensatos enxergam o perigo nessas tendências. Certas propagandas e diversões neste mundo degradado apresentam crianças como já inteiradas de sua sexualidade e como pequenos adultos. Cada vez mais crianças usam maquiagem, jóias e roupas provocantes. Mas por que tornar as crianças mais tentadoras para pessoas perversas que procuram explorá-las sexualmente? Por ajudarem os filhos a se vestirem de modo apropriado para sua idade, os pais estarão aplicando outro princípio bíblico: “O argucioso que viu a calamidade foi esconder-se.” — Provérbios 27:12.
Outro exemplo: colocar os esportes como prioridade máxima da criança pode resultar numa vida desequilibrada, sem tempo para mais nada. A Bíblia admoesta sabiamente: “O treinamento corporal é proveitoso para pouca coisa, mas a devoção piedosa é proveitosa para todas as coisas, visto que tem a promessa da vida agora e daquela que há de vir.” — 1 Timóteo 4:8.
Não permita que seus filhos adotem a filosofia de que “o importante é vencer”. Muitos pais tiram todo o prazer dos esportes e de jogos por criarem nos filhos um espírito supercompetitivo, de ganhar a todo o custo. Com isso, algumas crianças são levadas a trapacear, ou até mesmo a ferir os adversários, a fim de vencer. Certamente, vencer nunca vale esse preço!
Aprender o autocontrole
Muitas crianças acham difícil entender que para tudo há um tempo. Não é fácil para elas esperar pacientemente por algo que desejam. Agravando as coisas, a inclinação da sociedade humana parece ser no sentido da gratificação imediata. A publicidade da diversão muitas vezes passa a mensagem: “Realize seus desejos e realize-os já!”
Não ceda a tais influências por atender a todos os caprichos dos filhos. “A capacidade de protelar a gratificação [dos desejos ou das aspirações] é um aspecto importante da inteligência emocional”, diz o livro The Child and the Machine (A Criança e a Máquina). “A autodisciplina e a harmonia social são um forte antídoto contra a crescente violência entre crianças, tanto dentro como fora da escola.” A Bíblia contém este proveitoso princípio: “Se alguém está mimando o seu servo desde a infância, este se tornará posteriormente na vida até mesmo um ingrato.” (Provérbios 29:21) Embora esse versículo se refira especificamente a lidar com servos jovens, muitos pais constataram que esse mesmo princípio beneficia muito seus filhos.
Uma das maiores necessidades das crianças é adquirir o que a Bíblia chama de ‘disciplina e regulação mental de Jeová’. (Efésios 6:4) A disciplina administrada com amor ajuda as crianças a desenvolver qualidades como autocontrole e paciência. Essas características as ajudarão a encontrar felicidade e senso de realização por toda a vida.
O fim das ameaças à infância
Mas você talvez se pergunte: ‘Será que o Deus sábio e amoroso, que inspirou esses princípios valiosos, realmente desejava que o mundo fosse do jeito que é? Era Sua intenção que as crianças crescessem num mundo não raro mais perigoso do que acolhedor?’ Poderá consolar-se de saber que Jeová Deus e seu Filho, Jesus Cristo, têm terno amor pela humanidade, incluindo crianças de qualquer idade. Em breve eles varrerão da Terra todos os perversos. — Salmo 37:10, 11.
Gostaria de ter um vislumbre dessa época pacífica e feliz? Visualize esta cena, belamente descrita na Bíblia: “O lobo, de fato, residirá por um tempo com o cordeiro e o próprio leopardo se deitará com o cabritinho, e o bezerro, e o leão novo jubado, e o animal cevado, todos juntos; e um pequeno rapaz é que será o condutor deles.” (Isaías 11:6) Num mundo que tantas vezes de modo cruel destrói a infância ou a acelera, é muito consolador saber que Deus promete esse futuro brilhante para a humanidade na Terra! Obviamente, o desejo do Criador é que a infância não seja perdida nem acelerada — apenas feliz e acalentada.
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