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Provas e peneiramento internosTestemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
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Conceitos doutrinais que precisavam de refinamento
As Testemunhas de Jeová reconhecem abertamente que o seu entendimento do propósito de Deus tem passado por muitos ajustes ao longo dos anos. O fato de que o conhecimento do propósito de Deus é progressivo significa que tem de haver mudanças. O propósito de Deus não muda, mas o esclarecimento que ele continuamente concede a seus servos exige ajustes no seu ponto de vista.
À base da Bíblia as Testemunhas indicam que isso se deu também com os servos fiéis de Deus no passado. Abraão tinha uma relação íntima com Jeová; mas quando deixou Ur, esse homem de fé não conhecia a terra à qual Deus o encaminhava, e, por muitos anos, de modo algum tinha certeza sobre como Deus cumpriria a sua promessa de fazer dele uma grande nação. (Gên. 12:1-3; 15:3; 17:15-21; Heb. 11:8) Deus revelou muitas verdades aos profetas, mas havia outras coisas que eles naquele tempo não compreendiam. (Dan. 12:8, 9; 1 Ped. 1:10-12) Igualmente, Jesus explicou muitas coisas a seus apóstolos, mas, mesmo no fim de sua vida terrestre, ele lhes disse que ainda tinham muitas coisas a aprender. (João 16:12) Algumas dessas coisas, como o propósito de introduzir gentios na congregação, não foram entendidas senão quando os apóstolos viram o que realmente estava acontecendo em cumprimento de profecia. — Atos 11:1-18.
Como seria de esperar, quando mudanças exigiram deixar de lado anteriores conceitos prezados, isto era um teste para alguns. Ademais, nem todos os ajustes no entendimento foram feitos de vez, num único lance. Por causa da imperfeição, existe às vezes a tendência de ir de um extremo ao outro antes de se discernir a posição correta. Isto pode levar tempo. Alguns que tendem a ser críticos têm tropeçado por causa disso. Considere um exemplo:
Já em 1880, as publicações da Torre de Vigia consideravam vários detalhes relacionados com o pacto abraâmico, o pacto da Lei e o novo pacto. A cristandade perdera de vista a promessa de Deus de que por meio do descendente de Abraão todas as famílias da Terra certamente abençoariam a si mesmas. (Gên. 22:18) Mas o irmão Russell estava profundamente interessado em discernir como Deus faria isso. Ele pensava ter visto na descrição bíblica do Dia de Expiação judaico indicações sobre como esse propósito poderia ser realizado em conexão com o novo pacto. Em 1907, quando os mesmos pactos foram novamente considerados, com ênfase especial no papel dos co-herdeiros de Cristo em trazer para a humanidade as bênçãos preditas no pacto abraâmico, alguns Estudantes da Bíblia levantaram fortes objeções.
Naquele tempo havia certos obstáculos para um entendimento mais claro dos assuntos. Os Estudantes da Bíblia ainda não entendiam corretamente a posição que o Israel natural então ocupava em relação com o propósito de Deus. Este obstáculo não foi removido do caminho senão quando se tornou esmagadoramente evidente que os judeus como povo não estavam interessados em ser usados por Deus em cumprimento de sua palavra profética. Outro obstáculo era a inabilidade dos Estudantes da Bíblia de identificar corretamente a “grande multidão” de Revelação 7:9, 10. Esta identidade não se tornou clara até que a grande multidão realmente começou a se manifestar em cumprimento de profecias. Os que criticavam severamente o irmão Russell tampouco entendiam esses assuntos.
Falsamente, porém, alguns que se diziam irmãos cristãos levantaram acusações de que The Watch Tower havia negado que Jesus é o Mediador entre Deus e os homens, que havia repudiado o resgate e negado a necessidade e o fato da expiação. Nada disso era verdade. Mas alguns que disseram isso eram indivíduos de destaque, e arrastaram outros como discípulos. Talvez estivessem certos em alguns dos detalhes que ensinavam em conexão com o novo pacto, mas será que o Senhor abençoou o que faziam? Por um tempo alguns deles realizaram reuniões, mas daí seus grupos se extinguiram.
Em contraste, os Estudantes da Bíblia continuaram a participar na pregação das boas novas, como Jesus ordenara a seus discípulos. Ao mesmo tempo, continuaram a estudar a Palavra de Deus e a estar atentos aos acontecimentos que lançariam luz sobre o significado dela. Por fim, durante a década de 30, os principais obstáculos para um entendimento claro dos pactos foram removidos, e declarações ajustadas a respeito do assunto apareceram em The Watchtower e em publicações relacionadas.d Que alegria isso trouxe aos que haviam esperado pacientemente!
Eram corretas as suas expectativas?
Em certas épocas, os Estudantes da Bíblia tinham esperanças e expectativas que têm sido ridicularizadas pelos críticos. Todavia, todas essas esperanças e expectativas arraigavam-se num desejo sincero de ver o cumprimento daquilo que esses cristãos zelosos reconheciam ser as infalíveis promessas de Deus.
De seu estudo das Escrituras inspiradas, eles sabiam que Jeová prometera bênçãos para todas as nações da Terra por meio do descendente de Abraão. (Gên. 12:1-3; 22:15-18) Eles viram na Palavra de Deus a promessa de que o Filho do homem governaria como Rei celestial sobre toda a Terra, que um pequeno rebanho de fiéis seria levado da Terra para partilhar com ele no seu Reino, e que estes governariam como reis por mil anos. (Dan. 7:13, 14; Luc. 12:32; Rev. 5:9, 10; 14:1-5; 20:6) Conheciam a promessa de Jesus de que ele voltaria e levaria consigo os a quem havia preparado um lugar no céu. (João 14:1-3) Estavam cientes da promessa de que o Messias também selecionaria alguns de seus fiéis antepassados para serem príncipes em toda a Terra. (Sal. 45:16) Eles reconheciam que as Escrituras predisseram o fim do iníquo velho sistema de coisas e davam-se conta de que isto se relacionava com a guerra do grande dia do Deus Todo-Poderoso, no Armagedom. (Mat. 24:3; Rev. 16:14, 16) Estavam profundamente impressionados com textos que mostram que a Terra foi criada para ser habitada para sempre, que os que viverem nela hão de ter verdadeira paz, e que todos os que exercerem fé no sacrifício humano perfeito de Jesus poderão usufruir uma eternidade de vida no Paraíso. — Isa. 2:4; 45:18; Luc. 23:42, 43; João 3:16.
Era natural que devessem se perguntar quando e como essas coisas ocorreriam. Forneceram as Escrituras algumas pistas?
Usando a cronologia bíblica originalmente elaborada por Christopher Bowen, da Inglaterra, eles pensavam que 6.000 anos de história humana terminara em 1873, que depois disso estavam no sétimo período de mil anos de história humana, e que certamente se haviam aproximado do alvorecer do predito Milênio. A série de livros conhecidos como Millennial Dawn (Aurora do Milênio) e mais tarde chamados de Studies in the Scriptures, escritos por C. T. Russell, chamara a atenção às implicações disso segundo o que os Estudantes da Bíblia entendiam das Escrituras.
Outra coisa tida como possível indicadora de tempo dizia respeito ao arranjo que Deus instituíra no Israel antigo para um Jubileu, um ano de libertação, a cada 50 anos. Este se dava depois de uma série de sete períodos de sete anos, cada qual terminando com um ano sabático. Durante o ano do Jubileu, os escravos hebreus eram libertados e as posses de terra hereditária que haviam sido vendidas eram recuperadas. (Lev. 25:8-10) Cálculos baseados nesse ciclo de anos levaram à conclusão de que talvez um Jubileu maior para toda a Terra começara no outono setentrional de 1874, que o Senhor evidentemente retornara naquele ano e estava invisivelmente presente, e que os “tempos da restauração de todas as coisas” haviam chegado. — Atos 3:19-21, Almeida, atualizada.
Com base na premissa de que os eventos do primeiro século encontrariam paralelos em posteriores eventos relacionados, concluíram também que, se o batismo e a unção de Jesus no outono de 29 EC tivesse paralelo com o começo de uma presença invisível em 1874, sua entrada em Jerusalém como Rei, montado num jumento, na primavera setentrional de 33 EC, indicaria a primavera setentrional de 1878 como o tempo em que ele assumiria seu poder como Rei celestial.e Eles também pensavam que receberiam a sua recompensa celestial naquele tempo. Quando isso não aconteceu, concluíram que, uma vez que os seguidores ungidos de Jesus participariam com ele no Reino, a ressurreição para a vida espiritual dos que já dormiam na morte começara então. Arrazoava-se também que o fim do favor especial de Deus ao Israel natural até 36 EC pudesse apontar para 1881 como a época em que a oportunidade especial de tornar-se parte do Israel espiritual terminaria.f
No discurso “Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão”, proferido por J. F. Rutherford em 21 de março de 1920 no Hippodrome, na cidade de Nova Iorque, dirigiu-se atenção ao ano de 1925. Em que base se pensava ser este significativo? Num folheto publicado naquele mesmo ano, 1920, foi dito que, se 70 plenos jubileus fossem calculados a partir da data em que Israel, segundo se entendia, entrou na Terra Prometida (em vez de começar depois do último jubileu típico ocorrido antes do exílio babilônico e daí contar até o início do ano do jubileu no fim do ciclo de 50 anos), isso poderia apontar para o ano de 1925. À base do que se dizia ali, muitos esperavam que talvez os remanescentes do pequeno rebanho recebessem sua recompensa celestial em 1925. Esse ano também era relacionado com expectativas de ressurreição de fiéis servos de Deus pré-cristãos com o fim de servirem na Terra como representantes principescos do Reino celestial. Se isso realmente ocorresse, isso significaria que a humanidade havia entrado numa era em que a morte deixaria de ser dominadora, e milhões que então viviam podiam ter a esperança de nunca desaparecer da Terra por causa da morte. Que feliz perspectiva! Embora equivocada, eles ansiosamente partilharam-na com outros.
Mais tarde, durante os anos de 1935 a 1944, uma revisão do esquema geral da cronologia bíblica revelou que uma má tradução de Atos 13:19, 20 na King James Version,g junto com certos outros fatores, causara um erro de mais de um século na cronologia.h Isto mais tarde levou ao conceito — às vezes declarado como possibilidade, às vezes mais firmemente — que visto que o sétimo milênio da história humana começaria em 1975, os eventos associados com o início do Reinado Milenar de Cristo poderiam começar a ocorrer então.
Eram corretas as crenças das Testemunhas de Jeová nesses assuntos? Elas certamente não erraram em crer que Deus sem falta faria o que prometera. Mas alguns de seus cálculos de tempo e as expectativas que ligavam a estes causaram sérios desapontamentos.
Depois de 1925, a assistência às reuniões caiu drasticamente em algumas congregações na França e na Suíça. De novo, em 1975, houve desapontamento quando as expectativas sobre o início do Milênio não se concretizaram. Em resultado, alguns se afastaram da organização. Outros, porque tentaram subverter a fé de associados, foram desassociados. Sem dúvida, o desapontamento com relação à data era um fator, mas, em alguns casos, as raízes eram mais profundas. Alguns indivíduos também argumentavam contra a necessidade de participar no ministério de casa em casa. Alguns não escolheram simplesmente seguir o seu próprio caminho; tornaram-se agressivos na sua oposição à organização com a qual outrora se associavam, e serviram-se da imprensa e da televisão para divulgar seus conceitos. Não obstante, o número dos dissidentes foi relativamente pequeno.
Embora esses testes resultassem numa peneiração e alguns fossem levados como a palha ao se joeirar o trigo, outros permaneceram firmes. Por quê? Sobre sua própria experiência e a de outros em 1925, Jules Feller explicou: “Os que haviam depositado a sua confiança em Jeová permaneceram firmes e continuaram a sua atividade de pregação.” Eles reconheceram que se havia cometido um equívoco, mas que de modo algum a Palavra de Deus falhara, e, assim, não havia razão para deixar que a sua esperança minguasse ou de esmorecer na obra de apontar para as pessoas o Reino de Deus como a única esperança da humanidade.
Algumas expectativas não se haviam cumprido, mas isso não significava que a cronologia bíblica fosse sem valor. A profecia registrada por Daniel a respeito do aparecimento do Messias 69 semanas de anos depois da “saída da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém” se cumpriu na hora certa, em 29 EC.i (Dan. 9:24-27) O ano de 1914 também foi marcado na profecia bíblica.
1914 — expectativas e realidade
Em 1876, C. T. Russell escreveu o primeiro de muitos artigos em que apontava para 1914 como o ano do fim dos tempos dos gentios mencionados por Jesus Cristo. (Luc. 21:24, Almeida) No segundo volume de Millennial Dawn, publicado em 1889, o irmão Russell apresentou de maneira lógica detalhes que habilitariam os leitores a ver a base bíblica do que se dizia e checar por si mesmos. Num período de quase quatro décadas antes de 1914, os Estudantes da Bíblia distribuíram milhões de exemplares de publicações que focalizavam a atenção no fim dos tempos dos gentios. Uns poucos outros periódicos religiosos observaram a cronologia bíblica que apontava para o ano de 1914, mas que grupo além dos Estudantes da Bíblia deu contínua publicidade a isso em escala internacional e levou uma vida que mostrou que criam que os tempos dos gentios terminariam naquele ano?
Com a aproximação de 1914, cresciam as expectativas. O que significaria? No The Bible Students Monthly (Volume VI, N.º 1, publicado cedo em 1914), o irmão Russell escreveu: “Se temos a correta data e cronologia, os Tempos dos Gentios findarão este ano — 1914. O que significa isso? Não sabemos com certeza. A nossa expectativa é de que o domínio ativo do Messias começará por volta do fim da concessão de poder aos gentios. A nossa expectativa, certa ou errada, é que ocorrerão maravilhosas manifestações dos julgamentos divinos contra toda a injustiça, e que isto significará o colapso de muitas instituições atuais, se não de todas.” Ele frisou que não esperava o “fim do mundo” em 1914 e que a Terra subsistirá para sempre, mas que a presente ordem de coisas, da qual Satanás é o governante, desaparecerá.
Em seu número de 15 de outubro de 1913 The Watch Tower havia declarado: “Segundo o melhor cálculo cronológico de que somos capazes, é aproximadamente nessa época — em outubro de 1914, ou então mais tarde. Sem dogmatizar, estamos aguardando certos eventos: (1) O fim dos Tempos dos Gentios — a supremacia gentia no mundo — e (2) o início do Reino do Messias no mundo.”
Como é que isso aconteceria? Parecia razoável para os Estudantes da Bíblia que isso incluiria a glorificação de quem quer que ainda estivesse na Terra e que havia sido escolhido por Deus para participar no Reino celestial com Cristo. Mas como se sentiram quando isso não ocorreu em 1914? A The Watch Tower de 15 de abril de 1916, declarou: “Cremos que as datas revelaram ser bem corretas. Cremos que os Tempos dos Gentios findaram.” Contudo, candidamente acrescentou: “O Senhor não disse que a Igreja toda seria glorificada em 1914. Nós meramente inferimos isso e, evidentemente, erramos.”
Nisto eles eram um tanto semelhantes aos apóstolos de Jesus. Os apóstolos conheciam e achavam que criam nas profecias concernentes ao Reino de Deus. Mas em várias ocasiões eles tinham falsas expectativas quanto a como e quando estas se concretizariam. Isto levou alguns ao desapontamento. — Luc. 19:11; 24:19-24; Atos 1:6.
Quando o outubro de 1914 passou sem a esperada mudança para a vida celestial, o irmão Russell sabia que haveria sérios esquadrinhamentos de coração. Na The Watch Tower de 1.º de novembro de 1914, ele escreveu: “Lembremo-nos de que estamos em época de teste. Os Apóstolos passaram por uma fase semelhante no período entre a morte de nosso Senhor e Pentecostes. Depois da ressurreição de nosso Senhor, Ele apareceu a Seus discípulos algumas vezes, e daí eles não O viram por muitos dias. Daí eles se desanimaram e disseram: ‘Não adianta esperar;’ ‘eu vou pescar’, disse um. Dois outros disseram: ‘Nós vamos junto.’ Estavam prestes a entrar na pesca comercial e a deixar a obra de pesca de homens. Era um período de prova para os discípulos. Também existe um agora. Se existe alguma razão que leve alguém a se afastar do Senhor e de Sua verdade e a cessar de fazer sacrifícios pela Causa do Senhor, então não é meramente o amor a Deus no coração que induziu o interesse pelo Senhor, mas algo diferente; provavelmente a esperança de que o tempo era curto; a consagração foi apenas para um certo período.”
Evidentemente era isso o que se dava com alguns. Seus pensamentos e desejos haviam se fixado primariamente na perspectiva de serem transformados para a vida celestial. Quando isto não ocorreu no tempo esperado, eles fecharam a mente ao significado das coisas surpreendentes que deveras ocorreram em 1914. Perderam de vista todas as verdades preciosas que haviam aprendido da Palavra de Deus e passaram a ridicularizar as pessoas que as haviam ajudado a aprendê-las.
Humildemente, os Estudantes da Bíblia examinaram as Escrituras de novo, para que a Palavra de Deus reajustasse seus conceitos. A convicção deles de que os Tempos dos Gentios terminaram em 1914 não mudou. Gradativamente passaram a ver mais claramente como o Reino messiânico começara — que foi estabelecido no céu quando Jeová conferiu autoridade a Jesus Cristo, seu Filho; também, que isso não tinha de esperar até que os co-herdeiros de Jesus fossem levantados à vida celestial, mas que seriam glorificados com ele mais tarde. Além disso, passaram a ver que a propagação da influência do Reino não exigia que os fiéis profetas da antiguidade fossem primeiro ressuscitados, mas que o Rei usaria cristãos leais agora vivos como representantes seus para dar a pessoas de todas as nações a oportunidade de viver para sempre como súditos terrestres do Reino.
À medida que esse grandioso quadro se abria perante seus olhos, houve outras provas e peneiramentos. Mas os que realmente amavam a Jeová e se deleitavam em servi-lo sentiam-se muito gratos pelos privilégios de serviço que lhes foram oferecidos. — Rev. 3:7, 8.
Um destes era A. H. Macmillan. Ele mais tarde escreveu: “Embora as nossas expectativas de sermos levados ao céu não se concretizassem em 1914, aquele ano deveras marcou o fim dos Tempos dos Gentios . . . Não estávamos muito abalados de que nem tudo aconteceu como esperávamos, porque estávamos bastante ocupados com o trabalho do Fotodrama e com os problemas criados pela guerra.” Ele se manteve ocupado no serviço de Jeová e emocionou-se de ver o número de proclamadores do Reino aumentar a bem mais de um milhão no período em que viveu.
Recordando suas experiências de 66 anos com a organização, ele disse: “Tenho visto sobrevir à organização muitas severas provas e testes de fé para seus associados. Com a ajuda do espírito de Deus ela sobreviveu e continuou a florescer.” A respeito de ajustes de entendimento ao longo do tempo, ele acrescentou: “As verdades fundamentais que aprendemos das Escrituras permaneceram as mesmas. De modo que eu aprendi que devemos admitir os nossos erros e continuar a pesquisar a Palavra de Deus em busca de mais esclarecimento. Não importa que ajustes tenhamos de fazer de tempos a tempos em nossos conceitos, isso não muda a clemente provisão do resgate e a promessa de vida eterna feita por Deus.”
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Provas e peneiramento internosTestemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
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[Quadro/Foto na página 634]
C. J. Woodworth
Para alguém que deixou o serviço de Jeová porque os seguidores ungidos de Jesus Cristo não foram levados para o céu em 1914, C. J. Woodworth escreveu o seguinte:
“Vinte anos atrás tu e eu críamos no batismo de bebês; no direito divino de o clero administrar esse batismo; que o batismo era necessário para escapar do tormento eterno; que Deus é amor; que Deus criou e continua a criar bilhões de seres à Sua semelhança que passarão as incontáveis eras da eternidade nas sufocantes fumaças de enxofre ardente, suplicando em vão por uma gota de água para aliviar suas agonias . . .
“Críamos que depois que um homem morre, ele continua vivo; críamos que Jesus Cristo jamais morreu; que Ele não poderia morrer; que nenhum Resgate jamais foi pago ou jamais será pago; que Jeová Deus e Cristo Jesus, Seu Filho, são uma e a mesma pessoa; que Cristo era Seu próprio Pai; que Jesus era Seu próprio Filho; que o Espírito Santo é uma pessoa; que um mais um, mais um é igual a um; que, quando Jesus estava pendurado na cruz e disse: ‘Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste’, ele estava meramente falando a si mesmo; . . . que os reinos atuais são parte do Reino de Cristo; que o Diabo tem estado distante em algum Inferno não localizado, em vez de exercendo domínio sobre os reinos da Terra . . .
“Louvo a Deus pelo dia que trouxe a Verdade Atual à minha porta. Era tão salutar, tão refrescante para a mente e o coração, que eu prontamente abandonei essas farsas e conversas ocas do passado e fui usado por Deus para também abrir os teus olhos cegados. Alegramo-nos juntos com a Verdade, trabalhando lado a lado por quinze anos. O Senhor honrou-te grandemente como porta-voz; jamais conheci alguém tão capaz de tornar as tolices de Babilônia parecerem tão ridículas. Em tua carta perguntas: ‘E agora?’ Ah, agora vem o lado triste da coisa! Agora tu permites que teu coração se torne amargurado contra aquele cujos labores motivados por amor e cuja bênção do Alto trouxe a verdade ao meu e ao teu coração. Tu te afastaste, e levaste várias ovelhas junto. . . .
“Provavelmente pareço-te ridículo porque não fui para o Céu em 1.º de outubro de 1914, mas tu não me pareces ridículo — oh! não!
“Com dez das maiores nações da Terra contorcendo-se nas agonias da morte, parece-me uma ocasião especialmente inoportuna para tentar ridicularizar o homem, e o único homem, que por quarenta anos tem ensinado que os Tempos dos Gentios terminariam em 1914.”
A fé do irmão Woodworth não foi abalada quando os eventos de 1914 não foram os esperados. Ele simplesmente compreendeu que havia mais para aprender. Por causa de sua confiança no propósito de Deus, ele passou nove meses na prisão em 1918-19. Mais tarde trabalhou como editor das revistas “The Golden Age” e “Consolation”. Permaneceu firme na fé e leal à organização de Jeová até a sua morte, em 1951, aos 81 anos de idade.
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