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    Achegue-se a Jeová
    • Um bando de gansos voando.

      CAPÍTULO 17

      ‘Como é profunda a sabedoria de Deus!’

      1, 2. Qual era o propósito de Jeová para o sétimo dia, e como a sabedoria divina foi posta à prova no início desse dia?

      QUE pena! O sexto dia criativo de Deus havia atingido seu ponto culminante com a criação da humanidade. Jeová dissera, então, que “tudo o que tinha feito” — incluindo os humanos — “era muito bom”. (Gênesis 1:31) Mas, no início do sétimo dia, Adão e Eva decidiram se juntar à rebelião de Satanás. A raça humana de repente se viu atolada no pecado, na imperfeição e na morte.

      2 Talvez parecesse que o propósito de Jeová para o sétimo dia havia sido irremediavelmente frustrado. Aquele dia, como os seis que o precederam, duraria milhares de anos. Jeová o havia declarado sagrado e, quando terminasse, a Terra inteira seria um paraíso, habitado por uma família humana perfeita. (Gênesis 1:28; 2:3) Mas, depois daquela rebelião catastrófica, como isso se daria? O que Deus faria? Esse seria um grande teste para a sabedoria de Jeová, talvez o teste decisivo.

      3, 4. (a) Por que a reação de Jeová à rebelião no Éden é um exemplo admirável de sua sabedoria? (b) À medida que estudarmos a sabedoria de Jeová, de que não devemos nos esquecer?

      3 Jeová tomou providências imediatas. Sentenciou os rebeldes no Éden e, ao mesmo tempo, forneceu informações sobre algo maravilhoso: seu propósito de corrigir todos os males que surgiriam em resultado daquela rebelião. (Gênesis 3:15) O propósito de Jeová estende-se desde o Éden, passando por todos os milhares de anos da História humana e avança para o futuro. É maravilhosamente simples, mas tão profundo que um leitor da Bíblia poderia passar uma vida inteira estudando-o e meditando nele. Além disso, o propósito de Jeová tem êxito garantido. Resultará no fim de toda a maldade, pecado e morte. Levará a humanidade fiel à perfeição. Tudo isso se dará antes do fim do sétimo dia, de modo que, apesar de tudo, Jeová cumprirá seu propósito para a Terra e a humanidade bem dentro do cronograma.

      4 Não fica admirado com essa demonstração de sabedoria? O apóstolo Paulo sentiu-se motivado a escrever: ‘Como é profunda a sabedoria de Deus!’ (Romanos 11:33) À medida que estudarmos várias facetas dessa qualidade divina, não se esqueça do seguinte: na melhor das hipóteses, só conseguiremos arranhar a superfície da profunda sabedoria de Jeová. (Jó 26:14) Mas, primeiro, vamos definir o que é essa qualidade admirável.

      O que é a sabedoria divina?

      5, 6. Qual é a relação entre conhecimento e sabedoria e qual é o alcance do conhecimento de Jeová?

      5 Sabedoria não é a mesma coisa que conhecimento. Os computadores podem armazenar enormes quantidades de conhecimento, mas dificilmente alguém os consideraria máquinas sábias. Contudo, o conhecimento e a sabedoria estão relacionados. (Provérbios 10:14) Por exemplo, se precisasse de conselho sábio sobre um problema de saúde, consultaria alguém com pouco ou sem nenhum conhecimento de medicina? É pouco provável! De modo que o conhecimento exato é essencial para a verdadeira sabedoria.

      6 O conhecimento de Jeová é infinito. Como “Rei da eternidade”, somente ele é eterno. (Apocalipse 15:3) E durante todas as incontáveis eras, ele sempre soube de tudo. A Bíblia diz: “Não há criação que esteja escondida da vista dele, mas todas as coisas estão nuas e abertamente expostas aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.” (Hebreus 4:13; Provérbios 15:3) Como Criador, Jeová entende plenamente tudo o que fez e tem observado as atividades humanas desde o início. Ele examina o coração humano; nada lhe escapa. (1 Crônicas 28:9) Visto que nos criou com livre-arbítrio, fica feliz quando nos vê fazer escolhas sábias na vida. Como “Ouvinte de oração”, ele escuta inúmeras expressões ao mesmo tempo! (Salmo 65:2) E nem é preciso mencionar que a memória de Jeová é perfeita.

      7, 8. Como Jeová demonstra entendimento, discernimento e sabedoria?

      7 Porém, Jeová tem mais do que conhecimento. Ele também entende a inter-relação dos fatos e tem a visão geral dos assuntos, levando em consideração incontáveis detalhes. Ele avalia e julga, distinguindo entre o que é bom e o que é mau, o importante e o trivial. Além disso, ele olha mais fundo; examina o coração. (1 Samuel 16:7) Assim, Jeová tem entendimento e discernimento, qualidades superiores ao conhecimento. Mas a sabedoria é superior a todas essas.

      8 Sabedoria envolve usar, em conjunto, o conhecimento, o discernimento e o entendimento, colocando-os em prática. De fato, algumas das palavras bíblicas originais traduzidas “sabedoria” literalmente significam “trabalho eficiente” ou “sabedoria prática”. De modo que a sabedoria de Jeová não é meramente teórica; é prática, funciona. Com base no seu amplo conhecimento e profundo entendimento, o Criador sempre toma as melhores decisões possíveis e as executa da melhor maneira imaginável. Isso é verdadeira sabedoria! Jeová demonstra a veracidade da declaração de Jesus: “A sabedoria se prova justa pelas suas obras.” (Mateus 11:19) As obras de Deus espalhadas pelo Universo dão poderoso testemunho de sua sabedoria.

      Indícios da sabedoria divina

      9, 10. (a) Que tipo de sabedoria Jeová demonstra e como? (b) Como a célula dá indícios da sabedoria de Jeová?

      9 Já ficou impressionado com o talento de um artesão que, de forma habilidosa, produz objetos lindos que funcionam bem? Esse é um tipo notável de sabedoria. (Êxodo 31:1-3) O próprio Jeová é a Fonte e o maior Detentor dessa sabedoria. Sobre ele, o Rei Davi disse: “Eu te louvo porque fui feito maravilhosamente, de um modo espantoso. Tuas obras são maravilhosas, eu sei disso muito bem.” (Salmo 139:14) De fato, quanto mais aprendemos sobre o corpo humano, mais nos maravilhamos da sabedoria de Jeová.

      10 Para ilustrar: quando sua vida começou, você era uma única célula — um óvulo de sua mãe, fertilizado por um espermatozoide do seu pai. Logo, aquela célula começou a se dividir. Você, o produto final, tem uns 100 trilhões de células. Elas são minúsculas. Na cabeça de um alfinete cabem cerca de 10 mil células de tamanho médio. Mas cada uma delas é uma criação tão complexa que nos deixa pasmados. A célula é muito mais intrincada do que qualquer máquina ou fábrica humana. Os cientistas comparam-na a uma cidade murada: tem entradas e saídas vigiadas, sistema de transporte, rede de comunicações, usinas de energia, fábricas, centrais de tratamento de lixo e reciclagem, órgãos de defesa e até uma espécie de governo central no núcleo. Além disso, a célula pode fazer uma cópia completa de si mesma em poucas horas!

      11, 12. (a) O que faz com que as células de um embrião em desenvolvimento se diferenciem, e como isso se harmoniza com o Salmo 139:16? (b) De que maneiras o cérebro humano mostra que nosso corpo foi “feito maravilhosamente”?

      11 Naturalmente, nem todas as células são iguais. À medida que as células do embrião vão se dividindo, elas assumem funções bem distintas. Algumas se tornarão células nervosas; outras, células ósseas, musculares, sanguíneas ou oculares. Toda essa diferenciação está programada no “arquivo” de plantas genéticas da célula: o DNA. O interessante é que Davi foi inspirado a dizer sobre Jeová: “Teus olhos até mesmo me viram quando eu era um embrião; todas as partes dele estavam escritas no teu livro.” — Salmo 139:16.

      12 Alguns órgãos do corpo são extremamente complexos. Um exemplo disso é o cérebro humano. Alguns o chamam de o mais complexo objeto já descoberto no Universo. Contém cerca de 100 bilhões de células nervosas; nossa galáxia tem talvez a mesma quantidade de estrelas. Cada uma dessas células se ramifica, estabelecendo milhares de conexões com outras células. Os cientistas dizem que um cérebro humano poderia conter as informações de todas as bibliotecas do mundo e que, de fato, talvez seja impossível medir sua capacidade de armazenamento. Já faz décadas que os cientistas estudam esse órgão que foi “feito maravilhosamente”, mas admitem que talvez nunca consigam entender totalmente como ele funciona.

      13, 14. (a) Como as formigas e outras criaturas demonstram que são “instintivamente sábias”, e o que isso nos ensina sobre o Criador delas? (b) Por que podemos dizer que criações como a teia de aranha foram feitas “com sabedoria”?

      13 Os humanos, porém, são apenas um exemplo da sabedoria criativa de Jeová. O Salmo 104:24 diz: “Quantas são as tuas obras, ó Jeová! Fizeste todas elas com sabedoria. A terra está cheia dos teus trabalhos.” A sabedoria de Jeová é evidente em todas as criações que nos rodeiam. As formigas, por exemplo, são “instintivamente sábias”. (Provérbios 30:24) Realmente, os formigueiros são muito bem organizados. Algumas colônias de formigas criam “gado”: cuidam, abrigam e se nutrem de insetos chamados afídeos. Há também formigas “agricultoras”, que cultivam “plantações” de fungos. Muitas outras criaturas foram programadas com um instinto que lhes permite fazer coisas notáveis. Uma mosca comum realiza feitos aeronáuticos que nem as mais avançadas aeronaves humanas são capazes de imitar. As aves migratórias se guiam pelas estrelas, pelo campo magnético da Terra ou por algum tipo de mapa interno. Os biólogos passam anos estudando os comportamentos sofisticados que foram programados nessas criaturas. Como deve ser sábio, então, o Programador divino!

      14 Os cientistas já aprenderam muita coisa sobre a sabedoria criativa de Jeová. Existe até um ramo da engenharia, chamado biomimética, que procura imitar os projetos encontrados na natureza. Por exemplo, talvez já tenha admirado a beleza de uma teia de aranha. Mas um engenheiro vê nela um projeto espetacular. Alguns desses fios que parecem tão frágeis são, proporcionalmente, mais resistentes do que o aço, mais fortes do que as fibras usadas em coletes à prova de bala. Uma comparação ajuda a entender como são resistentes: imagine uma teia de aranha que fosse ampliada em escala até ficar do tamanho de uma rede usada num barco de pesca. Uma teia dessas proporções conseguiria apanhar um avião de passageiros em pleno voo! De fato, Jeová fez todas as coisas “com sabedoria”.

      Conjunto de imagens: A sabedoria criativa de Jeová. 1. Uma teia de aranha. 2. Uma fila de formigas carregando pedaços de folhas. 3. Um bando de gansos voa.

      Quem programou as criaturas da Terra de modo a serem “instintivamente sábias”?

      Sabedoria fora da Terra

      15, 16. (a) Os céus estrelados dão que evidência da sabedoria de Jeová? (b) Como a posição de Jeová, de Comandante Supremo de incontáveis milhões de anjos, demonstra que ele é um administrador sábio?

      15 A sabedoria de Jeová é evidente em suas obras espalhadas por todo o Universo. As estrelas, que já analisamos um pouco no Capítulo 5, não estão espalhadas a esmo pelo espaço. Em sabedoria, Jeová estabeleceu as “leis dos céus”, de modo que o espaço está elegantemente organizado em galáxias estruturadas, agrupadas em aglomerados que, por sua vez, se juntam para formar superaglomerados. (Jó 38:33, A Bíblia de Jerusalém) Não é de admirar que Jeová se refira aos corpos celestes como “exército”. (Isaías 40:26) Mas existe outro exército que comprova de modo ainda mais notável a sabedoria de Jeová.

      16 Como vimos no Capítulo 4, Deus tem o título de “Jeová dos exércitos” devido à sua posição como Comandante Supremo de um vasto exército de centenas de milhões de criaturas espirituais. Isso evidencia o poder de Jeová. Mas como a sabedoria está envolvida? Pense no seguinte: Jeová e Jesus nunca ficam desocupados. (João 5:17) A conclusão lógica, portanto, é que os ministros angélicos do Altíssimo também estão sempre atarefados. E lembre-se de que eles são superiores aos humanos, superinteligentes e superpoderosos. (Hebreus 1:7; 2:7) Apesar disso, há bilhões de anos Jeová mantém todos esses anjos ocupados, fazendo alegremente trabalho significativo — cumprindo “a sua palavra” e fazendo “a sua vontade”. (Salmo 103:20, 21) A sabedoria desse Administrador é de fato impressionante!

      Jeová “é o único sábio”

      17, 18. Por que a Bíblia diz que Jeová “é o único sábio”, e por que sua sabedoria deve nos deixar abismados?

      17 Em vista desses indícios, é de admirar que a Bíblia afirme que a sabedoria de Jeová é sem igual? Por exemplo, as Escrituras dizem que Jeová “é o único sábio”. (Romanos 16:27) Somente Ele possui sabedoria no grau absoluto; é a Fonte de toda a verdadeira sabedoria. (Provérbios 2:6) É por isso que Jesus, embora fosse a mais sábia das criaturas de Jeová, não confiava na própria sabedoria, mas falava o que o Pai havia mandado. — João 12:48-50.

      18 Note como o apóstolo Paulo descreveu a inigualável sabedoria de Jeová: “Como são profundas as riquezas, a sabedoria e o conhecimento de Deus! Como são insondáveis os seus julgamentos, e impenetráveis os seus caminhos!” (Romanos 11:33) Em grego, Paulo iniciou o versículo com uma palavra que poderia ser traduzida como “Ó”, que revela forte emoção — nesse caso, profunda reverência. O termo grego que ele usou para “profundas” está diretamente relacionado com a palavra para “abismo”. Podemos, assim, formar uma vívida imagem mental. Quando refletimos na sabedoria de Jeová, é como se olhássemos para dentro de um precipício aparentemente sem fundo, tão profundo e vasto que não podemos sequer imaginar sua imensidão — que dirá avaliar todos os seus detalhes! (Salmo 92:5) Não nos sentimos humildes ao pensar nisso?

      19, 20. (a) Por que a águia é um símbolo apropriado da sabedoria divina? (b) Como Jeová demonstrou sua habilidade de ver o futuro?

      19 Jeová “é o único sábio” também em outro sentido: somente ele é capaz de ver o futuro. Lembre-se de que Jeová usa a águia como símbolo da sabedoria divina. Uma águia-real pesa apenas uns cinco quilos, mas seus olhos são maiores do que os de um homem adulto. Sua visão é incrivelmente aguçada, permitindo que ela localize pequenas presas mesmo quando está voando a centenas de metros — ou talvez até a quilômetros — do chão! O próprio Jeová certa vez disse o seguinte sobre a águia: “Seus olhos enxergam longe.” (Jó 39:29) De modo similar, Jeová pode olhar para “longe” no tempo — para o futuro!

      20 A Bíblia tem muitas provas de que isso é verdade: centenas de profecias, ou seja, História escrita previamente. Entre as predições encontradas nas Escrituras estão o resultado de guerras, a ascensão e a queda de potências mundiais e até estratégias de batalha específicas que seriam usadas por comandantes militares. Algumas dessas foram proferidas com centenas de anos de antecedência. — Isaías 44:25–45:4; Daniel 8:2-8, 20-22.

      21, 22. (a) Por que não existe base para concluir que Jeová previu todas as escolhas que você fará na vida? Ilustre isso. (b) Como sabemos que a sabedoria de Jeová não é fria e insensível?

      21 Significa isso, porém, que Deus já previu as escolhas que você fará na vida? Aqueles que pregam a doutrina da predestinação insistem em dizer que a resposta é Sim. Mas esse conceito na verdade rebaixa a sabedoria de Jeová, porque dá a entender que ele é incapaz de controlar sua habilidade de ver o futuro. Para ilustrar: digamos que sua voz fosse de uma beleza sem igual. Quer dizer, então, que você não teria escolha a não ser cantar dia e noite? Isso seria um absurdo! De modo similar, Jeová tem a habilidade de predizer o futuro, mas ele não a usa o tempo todo. Se fizesse isso, estaria infringindo nosso livre-arbítrio, uma dádiva preciosa que Jeová nunca revogará. — Deuteronômio 30:19, 20.

      22 O pior é que a ideia da predestinação sugere que a sabedoria de Jeová é fria, desamorosa, insensível ou sem compaixão. Mas isso não é verdade. A Bíblia ensina que Jeová “tem coração sábio”. (Jó 9:4) Não que ele tenha um coração literal, mas a Bíblia muitas vezes usa esse termo com relação àquilo que a pessoa tem no íntimo, incluindo suas motivações e sentimentos, como o amor. Assim, a sabedoria de Jeová, como suas outras qualidades, é guiada pelo amor. — 1 João 4:8.

      23. A superioridade da sabedoria de Jeová deve nos motivar a fazer o quê?

      23 Naturalmente, a sabedoria de Jeová é perfeitamente confiável. É tão superior à nossa sabedoria que a Palavra de Deus nos incentiva amorosamente: “Confie em Jeová de todo o seu coração; não confie no seu próprio entendimento. Lembre-se dele em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas.” (Provérbios 3:5, 6) Vamos agora analisar com cuidado a sabedoria de Jeová para que possamos nos achegar mais ao nosso Deus totalmente sábio.

      Perguntas para Meditação

      • Jó 28:11-28 Qual é o valor da sabedoria divina? Que bom resultado podemos obter se meditarmos nesse assunto?

      • Salmo 104:1-25 Como a sabedoria de Jeová se manifesta na criação e que sentimentos isso produz em você?

      • Provérbios 3:19-26 Se meditarmos na sabedoria de Jeová e a pusermos em prática, qual será o efeito na nossa vida diária?

      • Daniel 2:19-28 Por que Jeová é chamado de Revelador de segredos? Como deveríamos reagir à sabedoria profética encontrada na sua Palavra?

  • Sabedoria encontrada na ‘Palavra de Deus’
    Achegue-se a Jeová
    • Um escritor da Bíblia escrevendo num rolo.

      CAPÍTULO 18

      Sabedoria encontrada na ‘Palavra de Deus’

      1, 2. Que “carta” Jeová nos escreveu e por quê?

      LEMBRA-SE da última vez que recebeu uma carta de uma pessoa querida, de bem longe? Poucas coisas nos deixam mais contentes do que isso. Ficamos felizes de saber de seu bem-estar, o que tem feito e quais são seus planos. Assim, nos sentimos mais achegados ao remetente da carta, embora fisicamente ele talvez esteja longe.

      2 O que, então, poderia nos dar mais prazer do que receber uma mensagem escrita do Deus que amamos? Jeová, em certo sentido, nos escreveu uma “carta”: sua Palavra, a Bíblia. Nela, ele nos conta quem é, o que fez, o que vai fazer e muito mais. Jeová nos deu sua Palavra porque deseja que nos acheguemos a ele. Nosso Deus sábio escolheu o melhor método possível para se comunicar conosco. O modo em que a Bíblia foi escrita e o seu conteúdo revelam sabedoria incomparável.

      Por que uma mensagem escrita?

      3. De que modo Jeová transmitiu a Lei a Moisés?

      3 Alguns se perguntam: ‘Por que Jeová não usou um método mais chamativo — como, por exemplo, uma voz ressoando desde o céu — para se comunicar com o homem?’ Para falar a verdade, em algumas ocasiões Jeová se comunicou mesmo desde o céu por meio de representantes angélicos. Fez isso, por exemplo, quando deu a Lei a Israel. (Gálatas 3:19) A voz que ressoou do céu foi assombrosa — tanto que os israelitas apavorados pediram que Jeová não falasse com eles dessa maneira, mas que se comunicasse por meio de Moisés. (Êxodo 20:18-20) Assim, a Lei, que consistia em uns 600 estatutos, foi ditada a Moisés palavra por palavra.

      4. Explique por que a transmissão oral não seria um método confiável de preservar as leis de Deus.

      4 Mas o que provavelmente teria acontecido se aquela Lei nunca tivesse sido colocada por escrito? Acha que Moisés teria se lembrado de todas as palavras daquele código detalhado e as transmitido com exatidão para o restante da nação? E as gerações posteriores? Teriam de se basear apenas em relatos orais? Esse não seria um método muito confiável de se transmitir as leis de Deus. Possivelmente você já brincou de telefone sem fio, um jogo em que a primeira pessoa de uma fila diz uma frase no ouvido de quem está ao seu lado e assim sucessivamente até chegar ao fim da fila. Quando a última pessoa diz o que entendeu, em geral trata-se de algo bem diferente do original. A Lei de Deus não correu o perigo de ser deturpada da mesma maneira. Por quê?

      5, 6. Jeová instruiu Moisés a fazer o que com Suas palavras, e por que é uma bênção para nós o fato de termos a Palavra de Jeová por escrito?

      5 Porque, sabiamente, Jeová decidiu que suas palavras fossem escritas. Ele instruiu a Moisés: “Você deve escrever essas palavras, porque de acordo com essas palavras faço um pacto com você e com Israel.” (Êxodo 34:27) Assim, em 1513 AEC, começou o período de escrita da Bíblia. Durante os 1.610 anos que se seguiram, Jeová “falou . . . em muitas ocasiões e de muitos modos” com os cerca de 40 humanos que escreveram a Bíblia. (Hebreus 1:1) Durante esse mesmo período, copistas dedicados cuidadosamente produziram cópias exatas das Escrituras, a fim de preservá-las. — Esdras 7:6; Salmo 45:1.

      6 Sem dúvida, para nós é uma grande bênção o fato de Jeová se comunicar conosco por escrito. Já recebeu uma carta tão especial — talvez porque o consolou numa hora em que você precisava — que você a guardou e releu vez após vez? Isso se dá com a “carta” de Jeová para nós. Visto que ele pôs suas palavras por escrito, podemos lê-las regularmente e meditar no que dizem. (Salmo 1:2) Podemos ter o “consolo das Escrituras” sempre que precisamos. — Romanos 15:4.

      Por que usou escritores humanos?

      7. Por que podemos dizer que foi uma expressão da sabedoria de Jeová usar ele humanos para escrever a Bíblia?

      7 Numa demonstração de sabedoria, Jeová usou humanos para escrever sua Palavra. Imagine: se Jeová tivesse usado anjos para escrever a Bíblia, será que ela seria tão fascinante? É verdade que os anjos poderiam ter descrito a Jeová do ângulo da sua posição privilegiada, expressado sua devoção a Ele e contado a história de fiéis servos humanos de Deus. Mas será que nos identificaríamos com o ponto de vista de criaturas espirituais perfeitas, cujo conhecimento, experiência e força são muito superiores aos nossos? — Hebreus 2:6, 7.

      8. Até que ponto os escritores bíblicos tiveram permissão de usar suas faculdades mentais? (Veja também a nota.)

      8 Ao usar homens como escritores, Jeová nos deu exatamente o que precisávamos: um registro ‘inspirado por Deus’, mas que ainda assim é profundamente humano. (2 Timóteo 3:16) Como conseguiu essa façanha? Em muitos casos, ele evidentemente permitiu que os escritores usassem suas faculdades mentais para escolher “palavras agradáveis e registrar com exatidão palavras de verdade”. (Eclesiastes 12:10, 11) Isso explica a diversidade de estilos encontrados na Bíblia; os escritos refletem a formação e a personalidade de cada escritor.a Mas esses homens “falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo”. (2 Pedro 1:21) De modo que o produto final é, de fato, “a palavra de Deus”. — 1 Tessalonicenses 2:13.

      “Toda a Escritura é inspirada por Deus”

      9, 10. Por que o fato de Deus ter usado escritores humanos faz com que a Bíblia tenha maior impacto emocional sobre nós?

      9 Por que a leitura da Bíblia tem um impacto emocional tão forte sobre nós? Porque seus escritores eram homens com sentimentos iguais aos nossos. Sendo imperfeitos, enfrentaram provações e pressões semelhantes às nossas. Em alguns casos, o espírito de Jeová os inspirou a escrever, na primeira pessoa, sobre seus sentimentos e dificuldades pessoais, algo que nenhum anjo poderia ter feito. — 2 Coríntios 12:7-10.

      10 Veja o exemplo do Rei Davi, de Israel. Depois de cometer vários erros graves, ele compôs um salmo em que abria seu coração, implorando o perdão de Deus. Escreveu: “Purifica-me do meu pecado. Pois eu tenho consciência das minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Na verdade, já nasci culpado de erro, e minha mãe me concebeu em pecado. Não me expulses da tua presença; e não tires de mim o teu espírito santo. Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e esmagado, ó Deus, não rejeitarás.” (Salmo 51:2, 3, 5, 11, 17) Dá para sentir a angústia do escritor nessas palavras, não é verdade? Quem, além de um homem imperfeito, poderia expressar sentimentos tão sinceros?

      Por que um livro sobre pessoas?

      11. Por que se pode dizer que os casos da vida real incluídos na Bíblia são “para a nossa instrução”?

      11 Há mais uma coisa que torna a Bíblia fascinante. Na maior parte, trata-se de um livro sobre pessoas reais que serviram, ou não, a Deus. Lemos sobre o que passaram na vida, suas dificuldades e alegrias. Aprendemos sobre o resultado das escolhas que fizeram. Esses relatos foram incluídos na Bíblia “para a nossa instrução”. (Romanos 15:4) Por meio desses casos da vida real, Jeová nos ensina de uma maneira que toca o coração. Veja alguns exemplos.

      12. De que maneira os relatos bíblicos sobre humanos infiéis são de ajuda para nós?

      12 A Bíblia relata o que aconteceu com os infiéis ou perversos. Nesses relatos, vemos qualidades indesejáveis em ação, o que torna mais fácil entendê-las. Por exemplo, consegue pensar em uma maneira melhor de condenar a deslealdade do que descrever o exemplo de Judas ao executar sua conspiração traiçoeira contra Jesus? (Mateus 26:14-16, 46-50; 27:3-10) Relatos como esse tocam mais eficazmente o nosso coração, ajudando-nos a identificar e rejeitar características ruins.

      13. De que maneira a Bíblia nos ajuda a entender qualidades desejáveis?

      13 A Bíblia também descreve muitos servos fiéis de Deus. Lemos sobre sua devoção e lealdade. Podemos observar na prática as qualidades que temos de cultivar a fim de nos achegarmos a Deus. Veja o caso da fé. A Bíblia traz a definição dela e nos diz que ela é essencial para agradarmos a Deus. (Hebreus 11:1, 6) Mas as Escrituras também contêm exemplos significativos de fé em ação. Pense na fé que Abraão demonstrou quando tentou oferecer Isaque. (Gênesis, capítulo 22; Hebreus 11:17-19) Relatos como esse fazem com que a palavra “fé” assuma um sentido totalmente novo e tornam mais fácil entendê-la. Como foi sábio da parte de Jeová não só nos incentivar a cultivar qualidades desejáveis, mas também nos dar exemplos delas em ação!

      14, 15. O que a Bíblia nos diz sobre uma mulher que compareceu ao templo e o que esse relato nos ensina sobre Jeová?

      14 Os relatos da vida real, encontrados na Bíblia, muitas vezes nos ensinam algo a respeito do tipo de pessoa que Jeová é. Um exemplo é o caso duma mulher que Jesus observou no templo. Enquanto estava sentado perto dos cofres do tesouro, Jesus observava as pessoas colocando suas contribuições. Muitos ricos vinham e davam “do que lhes sobrava”. Mas Jesus se concentrou numa viúva humilde. Sua dádiva foi “duas pequenas moedas de pouquíssimo valor”.b Era o último dinheirinho que ela possuía. Jesus, que refletia com perfeição o conceito de Jeová sobre os assuntos, disse: “Esta viúva pobre pôs nos cofres do tesouro mais do que todos os outros.” Segundo essas palavras, ela contribuiu mais do que todos os outros juntos. — Marcos 12:41-44; Lucas 21:1-4; João 8:28.

      15 Não é significativo que, de todas as pessoas que compareceram ao templo naquele dia, essa viúva tenha sido escolhida para ser mencionada na Bíblia? Por meio desse exemplo, Jeová nos ensina que ele é um Deus apreciativo. Ele fica contente de receber nossas dádivas de toda a alma, não importa o valor delas em comparação com o que outros possam dar. Jeová não poderia ter achado uma maneira melhor de nos ensinar essa verdade comovente!

      O que a Bíblia não contém

      16, 17. Como se pode observar a sabedoria de Jeová até naquilo que ele decidiu não incluir na sua Palavra?

      16 Quando resolve escrever uma carta para um amigo ou parente, você tem de usar de bom-senso e decidir o que vai incluir nela; ela precisa ter um limite. De modo similar, Jeová decidiu mencionar determinadas pessoas ou acontecimentos na sua Palavra. Mas a Bíblia nem sempre dá todos os detalhes desses relatos descritivos. (João 21:25) Por exemplo, quando se mencionam os julgamentos de Deus, nem sempre as informações fornecidas na Bíblia são suficientes para responder a todas as perguntas que possamos ter. A sabedoria de Jeová fica evidente até naquilo que ele decidiu não incluir na sua Palavra. Como assim?

      17 O modo em que a Bíblia foi escrita serve para testar o que temos no coração. Hebreus 4:12 diz: “A palavra [ou, mensagem] de Deus é viva e exerce poder, e é mais afiada do que qualquer espada de dois gumes, e penetra a ponto de fazer divisão entre a alma e o espírito . . . e é capaz de discernir os pensamentos e as intenções do coração.” A mensagem da Bíblia penetra fundo, revelando nossos verdadeiros raciocínios e motivações. Aqueles que a leem com olho crítico muitas vezes ficam perplexos, porque se deparam com relatos que não contêm todas as informações que os satisfariam. Essas pessoas talvez até questionem se, de fato, Jeová é amoroso, sábio e justo.

      18, 19. (a) Por que não devemos nos sentir perturbados se determinado relato bíblico levantar questões para as quais não encontramos respostas imediatas? (b) O que é preciso para entender a Palavra de Deus, e como isso é uma evidência da grande sabedoria de Jeová?

      18 Em contraste, quando estudamos cuidadosamente a Bíblia com coração sincero, passamos a conhecer a Jeová no contexto em que a sua Palavra o apresenta. Assim, não ficamos perturbados se determinado relato levanta algumas questões para as quais não encontramos respostas imediatas. Para ilustrar: se estiver montando um grande quebra-cabeça, talvez de início você não consiga encontrar determinada peça ou não entenda como uma peça se encaixa. Mas talvez já tenha juntado peças suficientes para entender qual é a aparência geral do quadro. De modo similar, quando estudamos a Bíblia, pouco a pouco aprendemos sobre o tipo de Deus que Jeová é e formamos um quadro mental dele. Mesmo que, de início, não entendamos certo relato nem percebamos como ele se encaixa na personalidade do Criador, nosso estudo da Bíblia já nos ensinou mais do que o suficiente sobre Jeová para sabermos que ele é um Deus infalivelmente amoroso, imparcial e justo.

      19 Assim, para entender a Palavra de Deus, devemos lê-la e estudá-la com coração sincero e mente aberta. Não é essa uma evidência da grande sabedoria de Jeová? Homens inteligentes são capazes de escrever livros que somente os ‘sábios e os intelectuais’ conseguem entender. Mas para escrever um livro que só pode ser entendido por aqueles que têm a correta motivação de coração é preciso sabedoria divina! — Mateus 11:25.

      Um livro de “sabedoria prática”

      20. Por que somente Jeová pode nos dizer qual é o melhor modo de vida, e o que a Bíblia contém que pode nos ajudar?

      20 Na sua Palavra, Jeová nos ensina qual é o melhor modo de vida. Como nosso Criador, ele conhece nossas necessidades melhor do que nós mesmos. E as necessidades humanas básicas — incluindo o desejo de ser amado e feliz, e de ter relacionamentos bem-sucedidos — ainda são as mesmas. A Bíblia contém muita “sabedoria prática” que pode nos ajudar a ter uma vida significativa. (Provérbios 2:7) Cada seção deste livro contém um capítulo que mostra como aplicar o conselho sábio da Bíblia, mas vejamos só um exemplo.

      21-23. Que conselhos sábios nos ajudam a não alimentar a raiva nem guardar ressentimento?

      21 Já notou que as pessoas que guardam rancor ou ressentimento muitas vezes acabam magoando a si mesmas? O ressentimento é um fardo muito pesado para carregar. Quando o nutrimos, ele absorve os pensamentos, tira nossa paz e sufoca a alegria. Estudos científicos indicam que alimentar a raiva pode aumentar o risco de doenças cardíacas e muitas outras doenças crônicas. Bem antes desses estudos científicos, porém, a Bíblia já dizia sabiamente: “Deixe a ira e abandone o furor.” (Salmo 37:8) Mas como podemos fazer isso?

      22 A Palavra de Deus dá o seguinte conselho prudente: “A perspicácia do homem faz com que ele não se ire facilmente, e é bonito da sua parte deixar passar a ofensa.” (Provérbios 19:11) Perspicácia é a habilidade de ver abaixo da superfície, de ver além do óbvio. A perspicácia resulta em compreensão, porque nos ajuda a discernir por que a outra pessoa falou ou agiu de determinada maneira. Se nos esforçarmos a entender suas verdadeiras motivações, sentimentos e circunstâncias, isso nos ajudará a deixar de lado pensamentos e sentimentos negativos para com ela.

      23 A Bíblia traz outro conselho: “Continuem a suportar uns aos outros e a perdoar uns aos outros liberalmente.” (Colossenses 3:13) A expressão “continuem a suportar uns aos outros” indica que se deve ter paciência, tolerando algumas características das outras pessoas que talvez achemos irritantes. Essa longanimidade nos ajudará a evitar guardar rancor por coisinhas sem importância. “Perdoar” transmite a ideia de cessar de ter ressentimento. Nosso Deus sabe que precisamos perdoar outros quando há base sólida para isso. Não se trata de algo proveitoso apenas para a outra pessoa, mas também preserva nossa própria paz mental e de coração. (Lucas 17:3, 4) Quanta sabedoria encontramos na Palavra de Deus!

      24. Qual é o resultado quando harmonizamos nossa vida com a sabedoria divina?

      24 Devido ao seu amor ilimitado, Jeová quis se comunicar conosco. Ele escolheu o melhor método possível: uma “carta” escrita por homens sob a orientação do espírito santo. Em resultado disso, encontramos nas páginas dela a sabedoria do próprio Jeová. Trata-se de sabedoria ‘muito confiável’. (Salmo 93:5) Quando harmonizamos nossa vida com ela e a transmitimos a outros, nos achegamos naturalmente ao nosso Deus sábio. No próximo capítulo, analisaremos outro exemplo notável da sabedoria de Jeová: sua habilidade de prever o futuro e de cumprir seus propósitos.

      a Por exemplo, Davi, que havia sido pastor, empregou exemplos tirados da vida no campo. (Salmo 23) Mateus, um ex-cobrador de impostos, fez várias referências a números e valores monetários. (Mateus 17:27; 26:15; 27:3) O médico Lucas usou palavras que refletiam sua formação. — Lucas 4:38; 14:2; 16:20.

      b Cada moeda dessas era um lépton, a menor moeda judaica em circulação naquele tempo. Dois léptons equivaliam a 1/64 do salário de um dia. Essas duas moedinhas não eram suficientes nem para comprar um único pardal, a ave mais barata usada como alimento pelos pobres.

      Perguntas para Meditação

      • Provérbios 2:1-6 Que esforço é necessário para obtermos a sabedoria encontrada na Palavra de Deus?

      • Provérbios 2:10-22 De que benefício será vivermos em harmonia com os conselhos sábios da Bíblia?

      • Romanos 7:15-25 Como esse trecho da Bíblia ilustra a sabedoria de se terem usado homens para escrever a Palavra de Deus?

      • 1 Coríntios 10:6-12 O que podemos aprender dos exemplos de aviso, envolvendo Israel, que encontramos na Bíblia?

  • “Sabedoria de Deus expressa em segredo sagrado”
    Achegue-se a Jeová
    • Abraão olhando o céu estrelado.

      CAPÍTULO 19

      “Sabedoria de Deus expressa em segredo sagrado”

      1, 2. Que “segredo sagrado” deve nos interessar e por quê?

      SEGREDOS! Por que é tão difícil guardá-los? Talvez tenha algo que ver com sua aura de mistério que nos deixa intrigados e fascinados. Mas a Bíblia diz: “A glória de Deus é manter um assunto em segredo.” (Provérbios 25:2) De modo que, como Governante Supremo e Criador, Jeová mantém algumas coisas em segredo até que chegue o Seu tempo devido para revelá-las à humanidade.

      2 Mas há um segredo fascinante e intrigante que Jeová revelou na sua Palavra. É chamado de ‘o segredo sagrado da vontade de Deus’. (Efésios 1:9) Se o conhecermos, além de satisfazer a curiosidade, nos candidataremos a obter a salvação e entenderemos um pouco mais a imensurável sabedoria de Jeová.

      Revelado progressivamente

      3, 4. De que maneira a profecia de Gênesis 3:15 dava esperança, mas que mistério, ou “segredo sagrado”, ela englobava?

      3 Quando Adão e Eva pecaram, talvez parecesse que o propósito de Jeová de ter um paraíso na Terra, povoado por humanos perfeitos, havia sido frustrado. Mas Deus imediatamente atacou o problema. Ele disse: “Porei inimizade entre você [a serpente] e a mulher, e entre o seu descendente e o descendente dela. Ele esmagará a sua cabeça, e você ferirá o calcanhar dele.” — Gênesis 3:15.

      4 Que palavras intrigantes e misteriosas! Quem era a mulher? a serpente? e o “descendente” que esmagaria a cabeça da serpente? O casal infiel (Adão e Eva) não tinha como saber. Mas as palavras de Deus dariam esperança aos descendentes deles que se mostrassem fiéis. A justiça haveria de triunfar. O propósito de Jeová seria realizado. Mas como? Ah! Isso era um mistério. A Bíblia o chama de “sabedoria de Deus expressa em segredo sagrado, a sabedoria escondida”. — 1 Coríntios 2:7.

      5. Ilustre por que Jeová revelou seu segredo aos poucos.

      5 Como “Deus que revela segredos”, Jeová com o tempo divulgaria detalhes pertinentes sobre o desfecho desse segredo. (Daniel 2:28) Mas faria isso gradativamente, aos poucos. Para ilustrar, pense na resposta que um pai amoroso dá quando o filhinho pergunta: “Pai, de onde eu vim?” Se for sensato, o pai só dará as informações que o menino tem condições de entender. À medida que ele for crescendo, o pai explicará mais detalhes. De modo similar, Jeová determina quando seu povo está preparado para receber revelações adicionais de sua vontade e propósito. — Provérbios 4:18; Daniel 12:4.

      6. (a) Para que serve um pacto, ou contrato? (b) Por que é notável que Jeová faça pactos com humanos?

      6 Como Jeová fez essas revelações? Ele usou uma série de pactos, ou contratos, que revelavam muitos detalhes. Possivelmente você já assinou um contrato: ao comprar uma casa, ao fazer um empréstimo ou ao emprestar dinheiro a alguém. Um contrato é uma garantia legal de que os termos dum acordo serão cumpridos. Mas por que Jeová precisava fazer pactos, ou contratos, formais com o homem? Naturalmente, Sua palavra é garantia suficiente de que ele cumprirá Suas promessas. Mesmo assim, em várias ocasiões, Deus bondosamente reforçou a validade da sua palavra fazendo contratos legais. Esses acordos invioláveis dão a nós, humanos imperfeitos, uma base ainda mais sólida para confiar nas promessas de Jeová. — Hebreus 6:16-18.

      O pacto com Abraão

      7, 8. (a) Que pacto Jeová fez com Abraão, esclarecendo o que a respeito do segredo sagrado? (b) Como Jeová aos poucos foi dando detalhes mais específicos sobre a linhagem do descendente prometido?

      7 Mais de 2 mil anos depois de o homem ter sido expulso do Paraíso, Jeová disse a seu servo fiel Abraão: “Certamente multiplicarei o seu descendente como as estrelas dos céus . . . e todas as nações da terra obterão para si uma bênção por meio do seu descendente, porque você escutou a minha voz.” (Gênesis 22:17, 18) Isso não era apenas uma promessa; Jeová formulou-a como um pacto legal e confirmou-a com um juramento imutável. (Gênesis 17:1, 2; Hebreus 6:13-15) Que fato notável! O Soberano Senhor fez um contrato para abençoar a humanidade.

      “Multiplicarei o seu descendente como as estrelas dos céus”

      8 O pacto abraâmico revelou que o descendente prometido viria como humano, pois descenderia de Abraão. Mas quem seria? Com o tempo Jeová revelou que, dos filhos de Abraão, Isaque seria antepassado do descendente. Entre os dois filhos de Isaque, Jacó foi escolhido. (Gênesis 21:12; 28:13, 14) Mais tarde, Jacó disse as seguintes palavras proféticas a respeito de um de seus 12 filhos: “O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de governante de entre os seus pés, até que venha Siló [ou, “aquele a quem pertence”, nota], e a ele pertencerá a obediência dos povos.” (Gênesis 49:10) A partir daí, soube-se que o descendente seria um rei e que Judá seria seu ancestral.

      O pacto com Israel

      9, 10. (a) Que pacto Jeová fez com a nação de Israel e que proteção esse pacto oferecia? (b) Como a Lei demonstrou que a humanidade precisava do resgate?

      9 Em 1513 AEC, Jeová concluiu um pacto com os descendentes de Abraão, a nação de Israel. Isso preparou o caminho para novas revelações a respeito do segredo sagrado. Embora não esteja mais em vigor hoje, o pacto da Lei mosaica era parte essencial do propósito de Jeová de produzir o descendente prometido. Como? De três modos. Primeiro, a Lei era como um muro de proteção. (Efésios 2:14) Seus estatutos justos serviam como barreira entre judeus e gentios. Assim, ajudou a preservar a linhagem do descendente prometido. Em grande parte por causa dessa proteção, a nação de Israel ainda existia quando chegou o tempo devido de Deus para que o Messias nascesse na tribo de Judá.

      10 Segundo, a Lei, que era perfeita, demonstrou que a humanidade precisava mesmo do resgate, pois o homem imperfeito era incapaz de cumprir todos os seus requisitos. Assim, ela serviu para “tornar conhecidas as transgressões, até que chegasse o descendente a quem a promessa havia sido feita”. (Gálatas 3:19) Por meio de sacrifícios de animais, a Lei oferecia expiação provisória dos pecados. Mas visto que, como Paulo escreveu, “não é possível que o sangue de touros e de bodes tire pecados”, essas ofertas só prefiguravam o sacrifício de resgate de Cristo. (Hebreus 10:1-4) De modo que, para os judeus fiéis, aquele pacto se tornou um “tutor, conduzindo a Cristo”. — Gálatas 3:24.

      11. Que perspectiva maravilhosa o pacto da Lei oferecia a Israel, mas por que a nação como um todo perdeu essa oportunidade?

      11 Terceiro, o pacto da Lei deu à nação de Israel uma perspectiva maravilhosa: tornar-se “um reino de sacerdotes e uma nação santa”. Mas Jeová lhes disse que isso só aconteceria se eles fossem fiéis àquele contrato. (Êxodo 19:5, 6) E, de fato, com o tempo, o Israel carnal acabou fornecendo os primeiros membros de um reino celestial de sacerdotes. Mas, como um todo, aquela nação se rebelou contra o pacto da Lei, rejeitou o descendente messiânico e perdeu essa oportunidade. Quem, então, completaria o reino de sacerdotes? E que relação teria aquela nação abençoada com o descendente prometido? Esses aspectos do segredo sagrado seriam revelados no tempo devido de Deus.

      O pacto davídico do Reino

      12. Que pacto Jeová fez com Davi e que detalhe sobre o segredo sagrado isso ajudou a esclarecer?

      12 No século 11 AEC, Jeová esclareceu mais detalhes sobre o segredo sagrado quando fez outro pacto. Ele prometeu ao fiel Rei Davi: “Farei surgir o seu descendente, . . . e estabelecerei firmemente o reino dele. . . . Eu estabelecerei firmemente o trono do seu reino para sempre.” (2 Samuel 7:12, 13; Salmo 89:3) Com isso, a linhagem do descendente prometido ficava restrita à família de Davi. Mas será que um simples governante humano poderia reinar “para sempre”? (Salmo 89:20, 29, 34-36) E poderia esse rei humano resgatar a humanidade do pecado e da morte?

      13, 14. (a) Segundo o Salmo 110, que promessa Jeová fez ao seu Rei ungido? (b) Que revelações adicionais a respeito do vindouro descendente foram feitas por meio dos profetas de Jeová?

      13 Sob inspiração, Davi escreveu: “Jeová declarou ao meu Senhor: ‘Sente-se à minha direita, até que eu ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés.’ Jeová fez um juramento, e não voltará atrás: ‘Você é sacerdote para sempre à maneira de Melquisedeque!’” (Salmo 110:1, 4) As palavras de Davi se aplicavam diretamente ao descendente prometido, ou Messias. (Atos 2:35, 36) Esse Rei governaria, não em Jerusalém, mas desde os céus, à “direita” de Jeová. Isso lhe daria autoridade não só sobre o território de Israel, mas sobre toda a Terra. (Salmo 2:6-8) Mais um detalhe foi revelado naquela declaração. Note que Jeová fez o juramento solene de que o Messias seria “sacerdote . . . à maneira de Melquisedeque” — um rei-sacerdote que viveu nos dias de Abraão. Como Melquisedeque, o vindouro descendente seria designado diretamente por Deus para ser Rei e Sacerdote! — Gênesis 14:17-20.

      14 Ao longo dos anos, Jeová usou seus profetas para fazer revelações adicionais sobre o segredo sagrado. Por exemplo, Isaías revelou que o descendente teria uma morte sacrificial. (Isaías 53:3-12) Miqueias profetizou o lugar em que o Messias nasceria. (Miqueias 5:2) E Daniel predisse até o tempo exato do aparecimento do descendente e de sua morte. — Daniel 9:24-27.

      Revelado o segredo sagrado!

      15, 16. (a) Como o Filho de Jeová veio a nascer “de uma mulher”? (b) O que Jesus herdou de seus pais humanos e quando ele surgiu como o descendente da promessa?

      15 Como essas profecias se cumpririam continuou a ser um mistério até que o descendente finalmente apareceu. Gálatas 4:4 diz: “Quando se completou o tempo, Deus enviou o seu Filho, que nasceu de uma mulher.” No ano 2 AEC, um anjo disse a uma virgem judia chamada Maria: “Agora você ficará grávida e dará à luz um filho, e deve lhe dar o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai . . . Espírito santo virá sobre você e poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. E, por essa razão, aquele que nascer será chamado santo, Filho de Deus.” — Lucas 1:31, 32, 35.

      16 Depois, Jeová transferiu a vida de seu Filho do céu para o útero de Maria, de modo que ele nasceu duma mulher imperfeita. Mas Jesus não herdou a imperfeição dela porque era “Filho de Deus”. No entanto, os pais humanos de Jesus eram descendentes de Davi, de modo que ele herdou deles tanto o direito natural como legal de ser herdeiro daquele rei. (Atos 13:22, 23) Quando Jesus se batizou, em 29 EC, Jeová o ungiu com espírito santo e disse: “Este é meu Filho, o amado.” (Mateus 3:16, 17) Finalmente, ali estava o descendente! (Gálatas 3:16) Chegara o tempo para se revelar mais detalhes sobre o segredo sagrado. — 2 Timóteo 1:10.

      17. Como se esclareceu o significado de Gênesis 3:15?

      17 Durante seu ministério, Jesus identificou a serpente de Gênesis 3:15 como Satanás e o descendente da serpente como os seguidores do Diabo. (Mateus 23:33; João 8:44) Posteriormente, revelou-se como esses seriam esmagados para sempre. (Apocalipse 20:1-3, 10, 15) E a mulher foi identificada como a “Jerusalém de cima”, ou a esposa de Deus, isto é, a parte celestial da organização de Jeová, composta de criaturas espirituais.a — Gálatas 4:26; Apocalipse 12:1-6.

      O novo pacto

      18. Qual é o objetivo do “novo pacto”?

      18 Uma das revelações mais emocionantes foi dada na noite antes da morte de Jesus, quando ele falou aos seus discípulos fiéis sobre “o novo pacto”. (Lucas 22:20) Como seu predecessor, o pacto da Lei mosaica, esse novo pacto deveria produzir “um reino de sacerdotes”. (Êxodo 19:6; 1 Pedro 2:9) Mas, em vez de estabelecer uma nação carnal, fundaria uma nação espiritual, “o Israel de Deus”, composta exclusivamente de fiéis seguidores ungidos de Cristo. (Gálatas 6:16) Com Jesus, esses participantes do novo pacto abençoariam a raça humana.

      19. (a) Por que o novo pacto consegue produzir “um reino de sacerdotes”? (b) Por que os cristãos ungidos são chamados de “uma nova criação” e quantos reinarão no céu com Cristo?

      19 Mas por que o novo pacto consegue produzir “um reino de sacerdotes” para abençoar a humanidade? Porque, em vez de condenar os discípulos de Cristo como pecadores, ele permite o perdão dos seus pecados mediante o sacrifício Dele. (Jeremias 31:31-34) Quando eles obtêm uma condição justa perante Jeová, este os adota como parte de sua família celestial, ungindo-os com espírito santo. (Romanos 8:15-17; 2 Coríntios 1:21) Assim, passam por “um novo nascimento para uma esperança viva . . . reservada nos céus”. (1 Pedro 1:3, 4) Visto que uma condição tão enaltecida é algo totalmente novo para os humanos, os cristãos ungidos e gerados pelo espírito são chamados de “uma nova criação”. (2 Coríntios 5:17) A Bíblia revela que, por fim, 144 mil ajudarão a reinar desde o céu sobre a humanidade resgatada. — Apocalipse 5:9, 10; 14:1-4.

      20. (a) Que faceta do segredo sagrado foi revelada em 36 EC? (b) Quem desfrutará as bênçãos prometidas a Abraão?

      20 Com Jesus, os ungidos se tornam a “descendência de Abraão”.b (Gálatas 3:29) Os primeiros a serem escolhidos foram judeus carnais. Mas, em 36 EC, outra faceta do segredo sagrado foi revelada: gentios (não judeus) também teriam parte na esperança celestial. (Romanos 9:6-8; 11:25, 26; Efésios 3:5, 6) Os cristãos ungidos seriam os únicos a desfrutar as bênçãos prometidas a Abraão? Não, porque o sacrifício de Jesus beneficia o mundo inteiro. (1 João 2:2) Com o tempo, Jeová revelou que um número não especificado de pessoas faria parte de uma “grande multidão” que sobreviveria ao fim do sistema de Satanás. (Apocalipse 7:9, 14) Muitos outros seriam ressuscitados com a perspectiva de viver para sempre no Paraíso! — Lucas 23:43; João 5:28, 29; Apocalipse 20:11-15; 21:3, 4.

      A sabedoria de Deus e o segredo sagrado

      21, 22. De que maneiras o segredo sagrado de Jeová demonstra a sabedoria Dele?

      21 O segredo sagrado é uma demonstração impressionante da “grandemente diversificada sabedoria de Deus”. (Efésios 3:8-10) Como Jeová foi sábio em esboçar esse segredo e, daí, revelá-lo aos poucos! Ele sabiamente levou em conta as limitações dos humanos, permitindo que esses manifestassem sua verdadeira condição de coração. — Salmo 103:14.

      22 Jeová também demonstrou incomparável sabedoria ao escolher Jesus como Rei. No Universo inteiro, não existe criatura mais digna de confiança do que o Filho de Deus. Ao viver como homem de carne e sangue, Jesus passou por todo tipo de adversidade. Por isso, ele entende muito bem os problemas humanos. (Hebreus 5:7-9) E que tipo de corregentes Jesus terá? Ao longo dos séculos, tanto homens como mulheres — de todas as raças, línguas e formações — foram ungidos. Simplesmente, não existe problema que algum deles não tenha enfrentado e superado. (Efésios 4:22-24) Será maravilhoso viver sob o domínio desses reis-sacerdotes misericordiosos!

      23. Que privilégio os cristãos têm com respeito ao segredo sagrado de Jeová?

      23 O apóstolo Paulo escreveu: “O segredo sagrado que estava escondido desde os sistemas de coisas passados e as gerações passadas . . . tem sido revelado aos Seus santos.” (Colossenses 1:26) De fato, os santos ungidos de Jeová entenderam os muitos detalhes referentes ao segredo sagrado e transmitiram esse conhecimento a milhões de pessoas. Que privilégio todos nós temos! Jeová “nos [fez] saber o segredo sagrado da sua vontade”. (Efésios 1:9) Contemos esse maravilhoso segredo a outros, ajudando-os a também entender um pouco melhor a imensurável sabedoria de Jeová Deus!

      a “O segredo sagrado da devoção a Deus” também foi revelado em Jesus. (1 Timóteo 3:16) Durante muito tempo foi um segredo, ou mistério, se alguém conseguiria manter perfeita integridade a Jeová. Jesus forneceu a resposta. Ele manteve a integridade durante todas as provações que Satanás lançou contra ele. — Mateus 4:1-11; 27:26-50.

      b Jesus também fez “um pacto para um reino” com o mesmo grupo. (Lucas 22:29, 30) Trata-se de um contrato que ele fez com o “pequeno rebanho” para que reinem com ele no céu como parte secundária do descendente de Abraão. — Lucas 12:32.

      Perguntas para Meditação

      • João 16:7-12 Como Jesus imitou seu Pai ao revelar a verdade gradativamente?

      • 1 Coríntios 2:6-16 Por que muitas pessoas não conseguem entender os segredos sagrados de Jeová? Como nós podemos compreendê-los?

      • Efésios 3:10 Que privilégio os cristãos têm hoje com respeito ao segredo sagrado de Deus?

      • Hebreus 11:8-10 Como o segredo sagrado sustentou a fé que homens da antiguidade tinham, embora não soubessem de todos os detalhes a respeito dele?

  • “Tem coração sábio”, mas é humilde
    Achegue-se a Jeová
    • Um pai ajoelhado olhando com carinho para seu filhinho.

      CAPÍTULO 20

      “Tem coração sábio”, mas é humilde

      1-3. Por que podemos ter certeza de que Jeová é humilde?

      UM PAI quer ensinar uma lição importante ao filho, tocando-lhe o coração. Que método usar? Deve ficar de pé de forma intimidadora e usar palavras duras? Ou seria melhor agachar-se diante da criança e falar de modo bondoso e amistoso? Sem dúvida, um pai sábio e humilde escolheria a segunda opção.

      2 Que tipo de Pai é Jeová: orgulhoso ou humilde? severo ou bondoso? Jeová sabe de tudo, quer dizer, é sábio em escala absoluta. Já notou, porém, que o conhecimento e a inteligência nem sempre tornam as pessoas mais humildes? Como diz a Bíblia, “o conhecimento enche a pessoa de orgulho”. (1 Coríntios 3:19; 8:1) Mas Jeová, que “tem coração sábio”, é também humilde. (Jó 9:4) Não que ele esteja numa posição inferior ou pouco enaltecida; mas percebe-se nele a total ausência de arrogância. Por que isso se dá?

      3 Jeová é santo. Visto que a arrogância é uma qualidade que avilta a pessoa, ela é completamente inexistente nele. (Marcos 7:20-22) Além disso, note o que o profeta Jeremias disse a Jeová: “Tu certamente te lembrarás e te curvarás sobre mim.”a (Lamentações 3:20) Imagine! Jeová, o Soberano Senhor do Universo, estava disposto a ‘se curvar’, ou se colocar no mesmo nível que Jeremias, a fim de mostrar favor àquele humano imperfeito. (Salmo 113:7) De fato, Jeová é humilde. Mas o que está envolvido na humildade divina? O que ela tem que ver com a sabedoria? E por que é importante para nós?

      Como Jeová demonstra humildade

      4, 5. (a) O que é humildade, como se manifesta e por que não deve ser confundida com fraqueza ou acanhamento? (b) Como Jeová demonstrou humildade ao lidar com Davi e de que importância é para nós essa qualidade de Deus?

      4 Humildade é ausência de orgulho ou arrogância; despretensão. Trata-se de uma qualidade íntima, do coração, e manifesta-se em características como brandura, paciência e razoabilidade. (Gálatas 5:22, 23) Mas não se engane! Essas qualidades de Jeová não têm nada que ver com fraqueza ou acanhamento, porque não o impedem de expressar ira justa nem de usar seu poder para destruir. Na verdade, a humildade e a brandura de Jeová revelam seu imenso poder, pois ele é capaz de controlar-se com perfeição. (Isaías 42:14) Qual é a ligação entre humildade e sabedoria? Uma obra de referência bíblica afirma: “Humildade é conclusivamente definida . . . em termos de altruísmo e é uma base essencial para toda a sabedoria.” A sabedoria genuína, portanto, não pode existir sem humildade. Como a humildade de Jeová nos beneficia?

      O pai sábio trata os filhos de forma humilde e branda

      5 O Rei Davi cantou a Jeová: “Tu me darás o teu escudo de salvação, a tua mão direita me ampara, e a tua humildade me engrandece.” (Salmo 18:35) Jeová como que se curvou para lidar com esse mero humano imperfeito, protegendo-o e amparando-o dia após dia. Davi entendia que era só por causa da disposição de Deus de humilhar-se desse modo que ele podia esperar receber a salvação e chegar a ter certa medida de grandeza como rei. De fato, quem de nós poderia ter esperança de salvação se Jeová não fosse humilde, se ele não estivesse disposto a se rebaixar para lidar conosco como um Pai bondoso e amoroso?

      6, 7. (a) Por que a Bíblia nunca fala que Jeová é modesto? (b) Qual é a relação entre brandura e sabedoria, e quem dá o melhor exemplo nesse respeito?

      6 É bom notarmos que há uma diferença entre humildade e modéstia. Esta última é uma bela qualidade que os humanos fiéis devem cultivar. Como a humildade, ela está ligada à sabedoria. Por exemplo, Provérbios 11:2 diz: “A sabedoria está com os modestos.” Mas a Bíblia nunca fala que Jeová é modesto. Por que não? Conforme usada nas Escrituras, modéstia pode ter o sentido de conscientizar-se das próprias limitações. O Todo-Poderoso não tem limitações, exceto as que ele impõe a si mesmo por causa de suas normas justas. (Marcos 10:27; Tito 1:2) Além disso, como o Altíssimo, ele não está sujeito a ninguém. Assim, o conceito de modéstia simplesmente não se aplica a Jeová.

      7 Mas Jeová é humilde e brando. Por meio de sua Palavra, ele ensina a seus servos que a brandura é essencial para a verdadeira sabedoria, mencionando “a brandura que vem da sabedoria”.b (Tiago 3:13) Note o exemplo que o Criador dá nesse respeito.

      Jeová delega e escuta humildemente

      8-10. (a) Por que a disposição de Jeová de delegar responsabilidades e de escutar é notável? (b) Como o Todo-Poderoso usou de humildade ao lidar com os anjos?

      8 Há muitos indícios da humildade de Jeová. Entre esses se destaca a sua disposição de delegar responsabilidades e de escutar. O mero fato de Deus fazer isso já é, em si mesmo, surpreendente, pois ele não precisa de ajuda ou conselho. (Isaías 40:13, 14; Romanos 11:34, 35) Mesmo assim, a Bíblia mostra repetidas vezes que ele se dispõe a agir desse modo.

      9 Veja, por exemplo, um incidente notável na vida de Abraão. Ele recebeu três visitantes e dirigiu-se a um deles como “Jeová”. Na verdade, os visitantes eram anjos, mas um deles veio e agiu em nome de Deus. O que aquele anjo falou e fez era, na verdade, como se o próprio Jeová estivesse falando e agindo. Por meio dele, Deus contou a Abraão que tinha ouvido um imenso “clamor contra Sodoma e Gomorra”. Jeová declarou: “Descerei para ver se de fato eles estão agindo de acordo com o clamor que chegou a mim. E, se não for assim, ficarei sabendo disso.” (Gênesis 18:3, 20, 21) Naturalmente, essa declaração de Jeová não significava que o Todo-Poderoso ‘desceria’ em pessoa. Ele enviou anjos para representá-lo. (Gênesis 19:1) Por quê? Será que Jeová, que vê tudo, não tinha os meios para ‘ficar sabendo’, por conta própria, da real condição daquela região? É claro que sim. Mas em vez disso, ele humildemente deu àqueles anjos uma designação de investigar a situação e visitar Ló e sua família em Sodoma.

      10 Além disso, Jeová escuta. Certa vez, ele pediu aos anjos que sugerissem várias maneiras de trazer a ruína ao perverso Rei Acabe. É claro que Jeová não precisava de ajuda. Mesmo assim, aceitou a sugestão de um anjo e o designou para executar o plano. (1 Reis 22:19-22) Quanta humildade!

      11, 12. Como Abraão veio a entender a humildade de Jeová?

      11 Jeová está até mesmo disposto a escutar humanos imperfeitos que desejem expressar suas preocupações. Por exemplo, quando ele contou a Abraão a sua intenção de destruir Sodoma e Gomorra, aquele homem fiel ficou perplexo. “Longe de ti agires dessa maneira”, disse Abraão, e acrescentou: “Não fará o Juiz de toda a terra o que é justo?” Ele perguntou se Jeová pouparia as cidades caso houvesse 50 homens justos nelas. Deus lhe assegurou que as pouparia. Mas Abraão continuou perguntando, abaixando o número para 45, daí para 40, e assim por diante. Apesar das garantias de Jeová, Abraão prosseguiu, até que o número chegou a apenas 10 homens. Talvez Abraão ainda não entendesse plenamente o alcance da misericórdia divina. Seja como for, Jeová de modo paciente e humilde permitiu que seu amigo e servo Abraão expressasse suas preocupações. — Gênesis 18:23-33.

      12 Quantos humanos inteligentes e bem instruídos escutariam com tanta paciência a uma pessoa de intelecto muitíssimo inferior?c Mas nosso Deus é tão humilde que faz exatamente isso. Durante a mesma conversa, Abraão também se apercebeu de que Jeová é “paciente”. (Êxodo 34:6) Talvez se dando conta de que não tinha o direito de questionar as ações do Altíssimo, o patriarca implorou duas vezes: “Jeová, por favor, não se acenda a tua ira.” (Gênesis 18:30, 32) É claro que isso não aconteceu. Deus sem dúvida tem a “brandura que vem da sabedoria”.

      Jeová é razoável

      13. Conforme usada na Bíblia, qual é o sentido da palavra “razoável”? Por que essa é uma boa descrição de Jeová?

      13 A humildade de Jeová também é demonstrada por outra bela qualidade: a razoabilidade. Infelizmente, os humanos imperfeitos falham de forma lamentável em demonstrá-la. Além de escutar suas criaturas inteligentes, Jeová se dispõe a ceder quando não há conflito com seus princípios justos. A palavra “razoável”, conforme usada na Bíblia, literalmente significa “flexível, disposto a ceder”. Trata-se de uma característica própria da sabedoria divina. Tiago 3:17 diz: “A sabedoria de cima é . . . razoável.” Em que sentido Jeová, que é totalmente sábio, é também razoável? Em primeiro lugar, ele é adaptável. Lembre-se de que até mesmo seu nome indica que ele se torna tudo o que for necessário para cumprir seus propósitos. (Êxodo 3:14) Isso revela Sua adaptabilidade e razoabilidade, não concorda?

      14, 15. O que a visão que Ezequiel teve do carro celestial de Jeová nos ensina sobre a parte celestial da Sua organização? Em que sentido ela é diferente das organizações do mundo?

      14 Há uma notável passagem bíblica que nos ajuda a ter uma ideia de como Jeová é adaptável. Em uma visão, o profeta Ezequiel observou a parte celestial da organização de Deus, composta de criaturas espirituais, representada por um carro de dimensões assombrosas — o próprio “veículo” de Jeová, sempre sob o Seu controle. O modo como esse carro se movia era muito interessante. Suas rodas gigantescas tinham quatro lados cheios de olhos para que pudessem ver em todas as direções e mudar de rumo instantaneamente, sem precisar parar nem se virar. E esse carro gigantesco não se arrastava pesadamente como um veículo desengonçado feito por humanos. Podia mover-se à velocidade de um raio e até mudar de direção em ângulos retos! (Ezequiel 1:1, 14-28) De fato, a organização de Jeová, assim como o Soberano todo-poderoso que a controla, é totalmente adaptável, ajustando-se a situações e necessidades em constante mutação.

      15 O máximo que o ser humano pode fazer é procurar imitar essa perfeita adaptabilidade. Na maioria dos casos, os humanos e suas organizações tendem mais a ser rígidos do que adaptáveis; costumam ser inflexíveis em vez de maleáveis. Para ilustrar: o tamanho e a força de um superpetroleiro ou de um trem de carga são impressionantes. Mas conseguem fazer mudanças súbitas para ajustar-se às circunstâncias? Suponhamos que surja um obstáculo nos trilhos à frente de um trem de carga. O que fazer? Mudar de direção é impossível. Parar subitamente também não é muito fácil. Para se ter uma ideia, um trem de carga carregado ainda percorrerá quase dois quilômetros antes de parar, depois de acionados os freios. Algo similar acontece com um superpetroleiro. Ele ainda se deslocará uns oito quilômetros depois de os motores terem sido desligados. Mesmo que se reverta a rotação dos motores, o navio continuará a se arrastar por uns três quilômetros. As organizações humanas são semelhantes: caracterizam-se pela rigidez e falta de razoabilidade. Devido ao orgulho, muitas pessoas se recusam a adaptar-se a novas necessidades e circunstâncias. Essa intransigência já levou empresas à falência e derrubou governos. (Provérbios 16:18) Como ficamos contentes de saber que nem Jeová nem sua organização são assim!

      Como Jeová demonstra razoabilidade

      16. Como Jeová demonstrou razoabilidade ao lidar com Ló antes da destruição de Sodoma e Gomorra?

      16 Vamos voltar a atenção novamente à destruição de Sodoma e Gomorra. Ló e sua família receberam instruções específicas do anjo de Jeová: “Fuja para a região montanhosa.” Mas Ló não ficou muito contente com isso e implorou: “Ali não, por favor, Jeová!” Convencido de que morreria se fugisse para as montanhas, implorou para que ele e sua família recebessem permissão de fugir para uma cidade próxima, Zoar. Bem, Jeová pretendia destruir aquela cidade. Além disso, os temores de Ló eram infundados. Sem dúvida, Deus tinha capacidade de preservá-lo vivo nas montanhas! Apesar disso, Jeová cedeu ao pedido dele e poupou Zoar. O anjo disse a Ló: “Está bem, também mostrarei consideração a você por não destruir a cidade de que está falando.” (Gênesis 19:17-22) Não foi uma demonstração de razoabilidade da parte de Jeová?

      17, 18. Ao lidar com os ninivitas, como Jeová mostrou razoabilidade?

      17 Jeová também se adapta diante do arrependimento de coração, sempre fazendo o que é misericordioso e correto. Pense no que aconteceu quando o profeta Jonas foi enviado a Nínive, uma cidade cheia de perversidade e violência. Quando marchou pelas ruas daquela cidade poderosa, a mensagem inspirada que proclamou era bem simples: ela seria destruída em 40 dias. Mas as circunstâncias mudaram drasticamente. Os ninivitas se arrependeram! — Jonas, capítulo 3.

      18 É instrutivo compararmos a reação de Jeová com a de Jonas diante da mudança nas circunstâncias. Nesse caso, Jeová se adaptou, tornando-se Perdoador de pecados em vez de “um poderoso guerreiro”.d (Êxodo 15:3) Jonas, por outro lado, foi inflexível e nada misericordioso. Em vez de refletir a razoabilidade de Jeová, ele reagiu mais como o trem de carga ou o superpetroleiro já mencionados. Ele havia proclamado destruição e era isso que tinha de acontecer! Mas Jeová pacientemente ensinou ao profeta inconformado uma lição memorável de razoabilidade e misericórdia. — Jonas, capítulo 4.

      Um jovem está ajudando com alegria um irmão idoso no ministério.

      Jeová é razoável e entende nossas limitações

      19. (a) Por que podemos ter certeza de que Jeová é razoável no que espera de nós? (b) Como Provérbios 19:17 mostra que Jeová é um Dono ‘bom, razoável’ e profundamente humilde?

      19 Por fim, Jeová é razoável no que espera de nós. O Rei Davi disse: “Ele sabe bem como somos formados, lembra-se de que somos pó.” (Salmo 103:14) Jeová entende nossas limitações e imperfeições melhor do que nós mesmos. Nunca espera de nós mais do que podemos dar. A Bíblia contrasta os donos humanos que são “bons e razoáveis” com os que são “difíceis de agradar”. (1 Pedro 2:18) Que tipo de Dono Jeová é? Note o que Provérbios 19:17 diz: “Quem mostra favor ao pobre empresta a Jeová.” É óbvio que só um dono bom e razoável prestaria atenção a cada ato de bondade realizado a favor dos humildes. Mais do que isso, esse texto indica que o Criador do Universo na verdade se considera endividado para com meros seres humanos que agem com misericórdia! Isso é humildade no mais alto grau.

      20. Que confirmação temos de que Jeová ouve e responde nossas orações?

      20 Ainda hoje Jeová demonstra ser manso e razoável nos seus tratos com seu povo. Quando oramos com fé, ele nos escuta. E embora não envie mensageiros angélicos para falar conosco, não devemos concluir que ele não responda nossas orações. Lembre-se de que o apóstolo Paulo pediu que concrentes ‘continuassem a orar’ para que ele fosse libertado da prisão, e daí acrescentou: “Para que eu seja restituído a vocês mais depressa.” (Hebreus 13:18, 19) Assim, nossas orações podem levar Jeová a fazer algo que de outro modo não faria! — Tiago 5:16.

      21. No que se refere à humildade de Jeová, a que conclusão nunca devemos chegar? Em vez disso, o que devemos reconhecer a respeito dele?

      21 É claro que nenhuma dessas manifestações da humildade de Jeová — sua brandura, disposição de escutar, paciência e razoabilidade — significa que Ele transija nos Seus princípios justos. Os clérigos da cristandade talvez pensem que estão sendo razoáveis quando fazem cócegas nos ouvidos do seu rebanho, abrandando as normas de moral de Jeová. (2 Timóteo 4:3) Mas a tendência humana de transigir por conveniência não tem nada que ver com a razoabilidade divina. Jeová é santo; nunca vai profanar suas normas justas. (Levítico 11:44) Assim, demonstremos apreço pela razoabilidade de Jeová devido ao que ela realmente é: uma prova de sua humildade. Não fica emocionado de pensar que Jeová Deus, o Ser mais sábio do Universo, é também extremamente humilde? Que maravilha é nos achegarmos a esse Deus espantoso, mas brando, paciente e razoável!

      a Os escribas antigos (soferins) alteraram esse versículo para dizer que Jeremias, não Jeová, é que se curvava. Pelo visto, acharam impróprio atribuir a Deus um ato humilde como esse. Em resultado disso, muitas traduções deixam de transmitir corretamente a ideia desse belo versículo. Mas uma Bíblia em inglês traduz de forma exata a expressão de Jeremias para Deus, dizendo: “Lembra-te, ó lembra-te, e inclina-te na minha direção.” — The New English Bible.

      b Outras versões falam da “humildade que provém da sabedoria” e da “mansidão própria da sabedoria”.

      c O interessante é que a Bíblia contrasta a paciência com a arrogância. (Eclesiastes 7:8) A paciência de Jeová é outra evidência de sua humildade. — 2 Pedro 3:9.

      d No Salmo 86:5, diz-se que Jeová ‘é bom e está sempre pronto a perdoar’. Quando esse salmo foi traduzido para o grego, a expressão “sempre pronto a perdoar” foi vertida pela palavra e·pi·ei·kés, ou “razoável”.

      Perguntas para Meditação

      • Êxodo 32:9-14 Como Jeová mostrou humildade ao atender à súplica de Moisés a favor de Israel?

      • Juízes 6:36-40 Como Jeová mostrou paciência e razoabilidade quando atendeu aos pedidos de Gideão?

      • Salmo 113:1-9 Como Jeová mostra humildade ao lidar com a humanidade?

      • Lucas 1:46-55 Com base nas palavras de Maria, o que se pode dizer do modo como Jeová encara os humildes? Como esse conceito deve nos afetar?

  • Jesus revela a “sabedoria da parte de Deus”
    Achegue-se a Jeová
    • Jesus ensinando uma grande multidão.

      CAPÍTULO 21

      Jesus revela a “sabedoria da parte de Deus”

      1-3. Como os anteriores vizinhos de Jesus reagiram ao seu ensino e o que não reconheceram a respeito dele?

      OS OUVINTES estavam assombrados. O jovem Jesus, de pé diante deles na sinagoga, ensinava. Conheciam-no muito bem; ele havia crescido naquela cidade e, durante anos, trabalhara ali como carpinteiro. Talvez alguns deles morassem em casas que Jesus havia ajudado a construir ou, quem sabe, trabalhassem com arados e jugos que ele havia feito com as próprias mãos.a Mas como reagiriam aos ensinos desse ex-carpinteiro?

      2 A maioria dos presentes, espantados, perguntavam: “Onde este homem obteve essa sabedoria?” Mas também comentavam: “Não é este o carpinteiro, filho de Maria?” (Mateus 13:54-58; Marcos 6:1-3) Infelizmente, os anteriores vizinhos de Jesus raciocinaram: “Esse carpinteiro é só um homem como qualquer um de nós.” Apesar das palavras sábias dele, rejeitaram-no. Mal sabiam que a sabedoria que ele transmitia não era dele.

      3 De onde, afinal, Jesus obteve toda aquela sabedoria? “O que eu ensino não é meu”, disse ele, “mas pertence àquele que me enviou”. (João 7:16) O apóstolo Paulo explicou que Jesus “se tornou para nós sabedoria da parte de Deus”. (1 Coríntios 1:30) A sabedoria do próprio Jeová é revelada por meio de seu Filho, Jesus. Tanto que este podia dizer: “Eu e o Pai somos um.” (João 10:30) Analisemos três campos em que Jesus manifestou a “sabedoria da parte de Deus”.

      Seu ensino

      4. (a) Qual era o tema da mensagem de Jesus e por que isso era relevante? (b) Por que os conselhos de Jesus sempre eram práticos e visavam os melhores interesses dos seus ouvintes?

      4 Primeiro, vamos analisar aquilo que Jesus ensinava. O tema da sua mensagem eram “as boas novas do Reino”. (Lucas 4:43) Isso era muito relevante em vista do papel que o Reino desempenharia em santificar o nome de Jeová, o que inclui sua reputação como Governante justo, e em trazer bênçãos duradouras para a humanidade. No seu ensino, Jesus também deu conselhos sábios para a vida cotidiana. Comprovadamente, ele foi um “Maravilhoso Conselheiro”, conforme havia sido profetizado. (Isaías 9:6) E, de fato, seus conselhos não poderiam ser nada mais nada menos do que maravilhosos. Afinal, ele conhecia em detalhes a Palavra e a vontade de Deus, entendia a fundo a natureza humana e amava muito a humanidade. De modo que seus conselhos sempre eram práticos e visavam os melhores interesses dos seus ouvintes. Jesus transmitiu “declarações de vida eterna”. Sem dúvida, seguir os conselhos dele resulta em salvação. — João 6:68.

      5. Quais são alguns dos assuntos de que Jesus tratou no Sermão do Monte?

      5 O Sermão do Monte é um exemplo notável da sabedoria sem igual encontrada nos ensinos de Jesus. Conforme registrado em Mateus 5:3–7:27, provavelmente levaria apenas uns 20 minutos para proferi-lo. Mas seus conselhos são de valor permanente e são tão relevantes hoje como no dia em que foram proferidos. Jesus tratou de diversos assuntos: como melhorar relacionamentos (5:23-26, 38-42; 7:1-5, 12), como se manter moralmente limpo (5:27-32) e como ter uma vida significativa (6:19-24; 7:24-27). Mas Jesus fez mais do que apenas dizer a seus ouvintes qual é a maneira sábia de agir; ele mostrou-lhes isso, explicando, raciocinando e apresentando provas.

      6-8. (a) Que fortes razões Jesus apresenta para evitarmos a ansiedade? (b) O que mostra que os conselhos de Jesus refletem sabedoria de origem divina?

      6 Veja, por exemplo, o conselho sábio de Jesus sobre como lidar com as ansiedades relacionadas às coisas materiais, conforme registrado no capítulo 6 de Mateus: “Parem de se preocupar tanto com a sua vida, quanto ao que comer ou quanto ao que beber, e com o seu corpo, quanto ao que vestir.” (Versículo 25) Alimento e roupa são necessidades básicas e é natural preocupar-se em obtê-las. Mas Jesus nos diz para ‘pararmos de nos preocupar tanto’ com essas coisas.b Por quê?

      7 Preste atenção ao raciocínio convincente de Jesus. Visto que Jeová nos deu a vida e o corpo, será que ele não pode nos fornecer o alimento para sustentar a vida e roupas para proteger o corpo? (Versículo 25) Se Deus dá alimento às aves e veste lindamente as flores, quanto mais cuidará de seus adoradores humanos! (Versículos 26, 28-30) Na verdade, preocupar-se demais é inútil. Não vai aumentar a duração de nossa vida nem um segundo sequer.c (Versículo 27) Mas então como evitar a ansiedade? Jesus nos aconselha: continue a dar prioridade à adoração de Deus. Quem faz isso pode ter confiança de que todas as suas necessidades diárias lhe “serão acrescentadas”. (Versículo 33) Por fim, Jesus dá uma sugestão muito prática: viva um dia por vez. Por que juntar as ansiedades de amanhã com as que você já tem hoje? (Versículo 34) Além disso, por que se preocupar indevidamente com coisas que talvez nunca aconteçam? Aplicar esses conselhos sábios pode nos poupar muitas dores de cabeça neste mundo estressante.

      8 É evidente que os conselhos de Jesus são tão práticos hoje como eram 2 mil anos atrás. Não é esse um indício de sabedoria divina? Até as melhores recomendações de conselheiros humanos tendem a se tornar obsoletas e logo têm de ser revisadas ou substituídas. Os ensinos de Jesus, porém, resistiram à passagem do tempo. Mas isso não deveria nos surpreender, porque esse Maravilhoso Conselheiro transmitiu “as declarações de Deus”. — João 3:34.

      Seu modo de ensinar

      9. O que alguns soldados disseram sobre o ensino de Jesus e por que eles não estavam exagerando?

      9 Um segundo campo em que Jesus refletiu a sabedoria de Deus foi na sua maneira de ensinar. Em certa ocasião, alguns soldados enviados para prendê-lo voltaram de mãos vazias, dizendo: “Nunca homem algum falou assim!” (João 7:45, 46) Eles não estavam exagerando. De todos os humanos que já viveram, Jesus, que era “dos domínios de cima”, tinha o mais vasto cabedal de conhecimento e experiência. (João 8:23) Ele realmente ensinava de uma maneira que nenhum outro humano poderia ensinar. Vejamos apenas dois dos métodos usados por esse Instrutor sábio.

      “As multidões ficaram maravilhadas com seu modo de ensinar”

      10, 11. (a) Por que ficamos maravilhados com o modo como Jesus usava ilustrações? (b) O que são parábolas e que exemplo ilustra que as parábolas de Jesus são um método de ensino muito eficaz?

      10 Uso eficaz de ilustrações. “Jesus falou . . . às multidões por meio de ilustrações”, nos diz a Bíblia. “Realmente, nada lhes falava sem ilustração.” (Mateus 13:34) É impossível não ficarmos maravilhados com sua capacidade inigualável de usar coisas do dia a dia para ensinar verdades profundas. Agricultores semeando, mulheres fazendo pão, crianças brincando na feira, pescadores puxando as redes, pastores procurando ovelhas perdidas — seus ouvintes tinham visto essas coisas muitas vezes. Relacionar coisas conhecidas com verdades importantes faz com que estas fiquem, quase que de imediato, profundamente gravadas na mente e no coração. — Mateus 11:16-19; 13:3-8, 33, 47-50; 18:12-14.

      11 Jesus usava muitas parábolas, quer dizer, histórias curtas das quais se aprende uma verdade moral ou espiritual. Visto que é mais fácil entender e lembrar histórias do que ideias abstratas, as parábolas ajudaram a preservar os ensinos de Jesus. Em muitas delas, ele descreveu seu Pai com termos vívidos que dificilmente seriam esquecidos. Por exemplo, quem não entenderia o ponto-chave da parábola do filho perdido: que quando alguém que se desviou mostra arrependimento genuíno, Jeová sente pena dele e amorosamente o aceita de volta? — Lucas 15:11-32.

      12. (a) Para que Jesus usava perguntas no seu ensino? (b) Como Jesus calou os que questionavam sua autoridade?

      12 Uso perito de perguntas. Jesus usava perguntas para ajudar os ouvintes a tirar as próprias conclusões, examinar suas motivações ou tomar decisões. (Mateus 12:24-30; 17:24-27; 22:41-46) Quando líderes religiosos questionaram se Jesus tinha mesmo autoridade da parte de Deus, ele respondeu: “O batismo de João era do céu ou dos homens?” Perplexos com a pergunta, eles raciocinaram entre si: “Se dissermos: ‘Do céu’, ele dirá: ‘Então, por que vocês não acreditaram nele?’ Mas nos atrevemos a dizer: ‘Dos homens’?” Mas “eles tinham medo da multidão, pois todos achavam que João realmente tinha sido um profeta”. Por fim, responderam: “Não sabemos.” (Marcos 11:27-33; Mateus 21:23-27) Com uma simples pergunta, Jesus os deixou sem palavras e denunciou o coração traiçoeiro deles.

      13-15. Como a parábola do bom samaritano reflete a sabedoria de Jesus?

      13 Às vezes, Jesus combinava os métodos, introduzindo perguntas intrigantes em suas ilustrações. Quando um advogado judeu lhe perguntou o que era preciso para ganhar a vida eterna, Jesus mencionou a Lei mosaica que ordenava amar a Deus e ao próximo. Querendo se mostrar justo, o homem perguntou: “Quem é realmente o meu próximo?” Em resposta, Jesus contou uma história. Um judeu viajava sozinho quando foi atacado por assaltantes, que o deixaram quase morto. Passaram dois outros judeus por aquela estrada: primeiro um sacerdote, depois um levita. Ambos o ignoraram. Mas então passou um samaritano. Com pena do judeu, ele bondosamente tratou das feridas dele e amorosamente o levou para um lugar seguro, uma hospedaria, onde poderia se recuperar. Concluindo a história, Jesus perguntou ao advogado: “Qual desses três você acha que mostrou ser o próximo do homem que caiu nas mãos de assaltantes?” O homem teve de responder: “Aquele que agiu misericordiosamente com ele.” — Lucas 10:25-37.

      14 Como essa parábola reflete a sabedoria de Jesus? Naquele tempo, os judeus só aplicavam o termo “próximo” aos que guardavam suas tradições, o que não era o caso dos samaritanos. (João 4:9) Se na história que Jesus contou a vítima fosse o samaritano e o judeu o ajudasse, será que isso teria ajudado a combater o preconceito? Sabiamente, Jesus formulou a história de tal modo que o samaritano é quem cuidou bondosamente do judeu. Note também a pergunta que Jesus fez no fim da história. Ele mudou o foco do termo “próximo”. O advogado tinha, em outras palavras, perguntado: “Quem deve ser o alvo do meu amor, ou seja, meu próximo?” Mas Jesus perguntou: “Qual desses três você acha que mostrou ser o próximo?” Jesus não enfocou aquele que recebeu a bondade (a vítima), mas aquele que a demonstrou (o samaritano). Quem realmente age como “próximo” toma a iniciativa de mostrar amor aos outros, não importa qual seja a origem étnica desses. Não dá para imaginar uma maneira melhor de Jesus ressaltar esse ponto.

      15 É de admirar, então, que as pessoas ficassem assombradas com o “modo de ensinar” de Jesus e se achegassem a ele? (Mateus 7:28, 29) Em certa ocasião, “uma grande multidão” o acompanhou por três dias, ficando até mesmo sem comer! — Marcos 8:1, 2.

      Seu modo de vida

      16. De que modo Jesus deu “prova prática” de que se deixava guiar pela sabedoria divina?

      16 O terceiro campo em que Jesus refletiu a sabedoria de Jeová foi no seu modo de vida. A sabedoria funciona na prática. “Quem entre vocês é sábio?”, perguntou o discípulo Tiago. Daí, respondeu à própria pergunta, dizendo: “Que sua conduta correta dê prova prática disso.” (Tiago 3:13, The New English Bible) A conduta de Jesus dava “prova prática” de que ele se deixava guiar pela sabedoria divina. Vejamos como ele mostrou bom critério, tanto no seu modo de vida como nos tratos com outros.

      17. O que indica que Jesus levava uma vida perfeitamente equilibrada?

      17 Já notou que as pessoas que não têm bom critério muitas vezes se tornam extremistas? Isso se dá porque é preciso sabedoria para ser equilibrado. Refletindo a sabedoria divina, Jesus tinha perfeito equilíbrio. Acima de tudo, deu primazia às coisas espirituais. Envolveu-se plenamente na obra de declarar as boas novas. “Foi por isso que vim”, disse ele. (Marcos 1:38) É evidente que bens materiais não eram de importância primária para ele, pois aparentemente ele tinha muito pouco em sentido material. (Mateus 8:20) Mas ele não era um asceta. Como seu Pai, o “Deus feliz”, Jesus era uma pessoa alegre e contribuía para a felicidade de outros. (1 Timóteo 1:11; 6:15) Quando assistiu a uma festa de casamento — onde é comum haver música, canto e alegria —, ele não agiu como desmancha-prazeres. Pelo contrário, quando acabou a bebida, ele transformou água em vinho, “que alegra o coração do homem”. (Salmo 104:15; João 2:1-11) Jesus aceitou muitos convites para refeições e, com frequência, usou essas ocasiões para ensinar. — Lucas 10:38-42; 14:1-6.

      18. Como Jesus demonstrou impecável bom critério ao lidar com seus discípulos?

      18 Jesus demonstrou impecável bom critério ao lidar com outros. Sua compreensão da natureza humana lhe permitia ter um conceito claro sobre os seus discípulos. Sabia muito bem que eles não eram perfeitos. Mas percebia suas boas qualidades. Via o potencial desses homens que Jeová havia atraído. (João 6:44) Apesar de suas falhas, Jesus estava disposto a dar-lhes um voto de confiança. Demonstrando isso, delegou uma responsabilidade muito grande aos discípulos: pregar as boas novas. Confiava na habilidade deles de cumprir essa tarefa. (Mateus 28:19, 20) O livro de Atos confirma que realizaram fielmente a obra que ele lhes mandara fazer. (Atos 2:41, 42; 4:33; 5:27-32) É óbvio, então, que Jesus havia sido sensato ao confiar neles.

      19. Como Jesus demonstrou que era de “temperamento brando e humilde de coração”?

      19 Como vimos no Capítulo 20, a Bíblia associa a humildade e a brandura com a sabedoria. Naturalmente, o melhor exemplo em demonstrar essas qualidades é o de Jeová. Mas e Jesus? É emocionante ver a humildade que ele mostrou ao lidar com os discípulos. Como homem perfeito, ele era superior a eles. Mas não os menosprezava. Nunca os fez se sentir inferiores ou incompetentes. Pelo contrário, levava em conta as limitações deles e era paciente quando erravam. (Marcos 14:34-38; João 16:12) Não acha interessante que até crianças se sentiam à vontade com Jesus? Sem dúvida, sentiam-se atraídas a ele porque percebiam que ele era de “temperamento brando e humilde de coração”. — Mateus 11:29; Marcos 10:13-16.

      20. Como Jesus mostrou razoabilidade ao lidar com uma mulher gentia cuja filha estava endemoninhada?

      20 Jesus refletiu a humildade divina de outra maneira importante. Ele era razoável, ou flexível, quando a misericórdia tornava isso apropriado. Lembre-se, por exemplo, da ocasião em que uma mulher gentia lhe implorou que curasse sua filha terrivelmente endemoninhada. De três maneiras, Jesus indicou que não a ajudaria: primeiro, não respondeu; segundo, disse diretamente que havia sido enviado, não aos gentios, mas aos judeus; e terceiro, contou uma ilustração que bondosamente ressaltou esse mesmo ponto. Mas a mulher persistiu, dando evidência de que tinha fé extraordinária. Em vista dessa circunstância excepcional, como Jesus reagiu? Ele fez exatamente aquilo que afirmara que não faria: curou a filha da mulher. (Mateus 15:21-28) Que notável demonstração de humildade! E lembre-se de que a humildade é a base da verdadeira sabedoria.

      21. Por que devemos nos esforçar a imitar a personalidade, a maneira de falar e a conduta de Jesus?

      21 Como somos gratos de que os Evangelhos nos revelam as palavras e ações do homem mais sábio que já viveu! Lembre-se de que Jesus refletia com perfeição o modo de agir do Seu Pai. Se imitarmos a personalidade, a maneira de falar e a conduta de Jesus, estaremos cultivando a sabedoria de cima. No próximo capítulo, veremos como podemos pôr a sabedoria divina em prática na nossa vida.

      a Nos tempos bíblicos, os carpinteiros eram contratados para construir casas, fabricar móveis e fazer implementos agrícolas. Justino, o Mártir, do segundo século EC, escreveu sobre Jesus: “Enquanto estava entre os homens, tinha por hábito trabalhar como carpinteiro fabricando arados e jugos.”

      b O verbo grego traduzido “se preocupar tanto” significa “ter a mente distraída”. Conforme usado em Mateus 6:25, refere-se ao temor apreensivo que distrai ou divide a mente, tirando a alegria de viver.

      c Na verdade, estudos científicos revelaram que preocupação e estresse excessivos aumentam os riscos de doenças cardiovasculares e de muitas outras enfermidades que encurtam a vida.

      Perguntas para Meditação

      • Provérbios 8:22-31 Como a descrição da sabedoria personificada se ajusta ao que a Bíblia diz a respeito do Filho primogênito de Jeová?

      • Mateus 13:10-15 Como as ilustrações de Jesus eram eficazes em revelar a atitude de coração dos seus ouvintes?

      • João 1:9-18 Por que Jesus pôde revelar a sabedoria de Deus?

      • João 13:2-5, 12-17 Como Jesus ensinou uma lição na prática? Com isso, o que ele queria ensinar aos apóstolos?

  • Está pondo em prática “a sabedoria de cima”?
    Achegue-se a Jeová
    • Uma irmã estudando a Bíblia e publicações baseadas na Bíblia.

      CAPÍTULO 22

      Está pondo em prática “a sabedoria de cima”?

      1-3. (a) Como Salomão demonstrou sabedoria extraordinária no modo como resolveu uma disputa entre duas mulheres? (b) O que Jeová promete nos dar? Que perguntas surgem?

      ERA um caso difícil: duas mulheres discutiam por causa de um bebê. Elas viviam na mesma casa e, com poucos dias de diferença, cada uma havia dado à luz um filho. Um dos bebês morrera e agora cada mulher afirmava ser a mãe do que estava vivo.a Não havia testemunhas do acontecido. Possivelmente, o caso já havia sido apresentado a um tribunal de menor instância, mas não se chegara a um veredicto. Por fim, a disputa foi levada a Salomão, rei de Israel. Será que ele conseguiria descobrir a verdade?

      2 Depois de escutar um pouco a discussão das mulheres, Salomão pediu uma espada. Daí, aparentemente cheio de convicção, ordenou que a criança fosse cortada em duas partes e que se desse metade a cada uma das mulheres. Imediatamente, a mãe verdadeira implorou que o rei desse o bebê — seu querido filho — à outra mulher, que insistia que a criança fosse cortada em dois. Salomão descobrira a verdade. Ele sabia da compaixão e do carinho que uma mãe sente pelo filho que carregou no ventre e usou esse conhecimento para resolver a disputa. Imagine o alívio da mãe quando Salomão lhe entregou seu bebê e disse: “Ela é a mãe.” — 1 Reis 3:16-27.

      3 Que sabedoria extraordinária, não concorda? Quando as pessoas souberam como Salomão resolvera o caso, ficaram assombradas, “pois viram que a sabedoria de Deus estava com ele”. De fato, a sabedoria de Salomão era uma dádiva divina. Jeová lhe concedera “um coração sábio e entendido”. (1 Reis 3:12, 28) E nós? Será que também podemos receber a sabedoria divina? Sim, porque sob inspiração Salomão escreveu: “É Jeová quem dá sabedoria.” (Provérbios 2:6) Jeová promete dar sabedoria — a habilidade de usar bem o conhecimento, o entendimento e o discernimento — a todos que a buscam com sinceridade. Como podemos obter a sabedoria de cima? E como podemos aplicá-la na vida?

      Como ‘adquirir sabedoria’?

      4-7. Quais são quatro requisitos para adquirir sabedoria?

      4 Precisamos de inteligência extraordinária ou de muita instrução para receber a sabedoria divina? Não. Jeová está disposto a partilhá-la conosco não importa qual seja a nossa formação ou quanto estudo tenhamos. (1 Coríntios 1:26-29) Mas temos de tomar a iniciativa, porque a Bíblia nos incentiva a ‘adquirir sabedoria’. (Provérbios 4:7) Como podemos fazer isso?

      5 Primeiro, é preciso temer a Deus. “O temor de Jeová é o início da sabedoria [“o primeiro passo para a sabedoria”, The New English Bible]”, diz Provérbios 9:10. O temor de Deus é a base da sabedoria verdadeira. Por quê? Lembre-se de que a sabedoria envolve a habilidade de usar com êxito o conhecimento. Temer a Deus não significa encolher-se de medo diante dele, mas curvar-se com assombro, respeito e confiança. Esse temor é saudável e nos motiva a harmonizar nossa vida com o conhecimento da vontade e dos modos de Deus. Essa é a maneira mais sensata de agir, pois as normas de Jeová sempre resultam nos maiores benefícios para os que as seguem.

      6 Em segundo lugar, precisamos ser humildes e modestos. Essas qualidades são vitais para se obter sabedoria divina. (Provérbios 11:2) Por quê? Se formos humildes e modestos, estaremos dispostos a admitir que não temos resposta para tudo, que nossas opiniões nem sempre são corretas e que precisamos saber qual é o conceito de Jeová sobre os assuntos. “Deus se opõe aos arrogantes”, mas alegremente dá sabedoria aos humildes de coração. — Tiago 4:6.

      7 Um terceiro fator essencial é estudar a Palavra escrita de Deus, visto que a sabedoria divina é revelada nela. Para obter essa sabedoria, temos de nos esforçar para buscá-la. (Provérbios 2:1-5) Um quarto requisito é a oração. Se formos sinceros ao pedir sabedoria a Deus, ele a dará generosamente. (Tiago 1:5) Se solicitarmos a ajuda do Seu espírito em oração, ele sem dúvida responderá. O espírito de Jeová nos orientará para que encontremos os tesouros da sua Palavra que nos ajudarão a resolver problemas, evitar perigos e tomar decisões sábias. — Lucas 11:13.

      Para obter sabedoria divina, temos de nos esforçar para buscá-la

      8. Se realmente adquirimos sabedoria divina, em que isso ficará óbvio?

      8 Como mencionamos no Capítulo 17, a sabedoria de Jeová é prática. Assim, se realmente a adquirimos, isso ficará óbvio no modo como nos comportamos. O discípulo Tiago descreveu os frutos da sabedoria divina: “A sabedoria de cima é primeiramente pura, depois pacífica, razoável, pronta para obedecer, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia.” (Tiago 3:17) Ao analisarmos cada um desses aspectos da sabedoria divina, podemos nos perguntar: ‘Será que estou pondo em prática na vida a sabedoria de cima?’

      “Pura, depois pacífica”

      9. O que significa ser puro? Por que é apropriado que a pureza seja a primeira qualidade da sabedoria a ser alistada?

      9 “Primeiramente pura.” Ser puro significa ser imaculado não só externamente, mas também no íntimo. A Bíblia diz que a sabedoria está ligada ao coração, mas ela não pode penetrar num coração aviltado por pensamentos, desejos e motivações errados. (Provérbios 2:10; Mateus 15:19, 20) Contudo, se nosso coração for puro — isto é, ao ponto em que isso é possível para humanos imperfeitos —, nós nos ‘desviaremos do mal e faremos o bem’. (Salmo 37:27; Provérbios 3:7) Não acha apropriado que a pureza seja a primeira qualidade da sabedoria a ser alistada? Afinal, se não formos moral e espiritualmente limpos, como poderemos refletir de forma plena as outras qualidades da sabedoria de cima?

      10, 11. (a) Por que é importante sermos pacíficos? (b) Se achar que ofendeu um companheiro de adoração, como poderá mostrar ser um pacificador? (Veja também a nota.)

      10 “Depois pacífica.” A sabedoria celestial nos motiva a nos empenharmos pela paz, que é um aspecto do fruto do espírito de Deus. (Gálatas 5:22) Fazemos tudo o que é possível para não romper o “vínculo . . . da paz” que une o povo de Jeová. (Efésios 4:3) Também procuramos restaurar a paz quando ela é perturbada. Por que isso é importante? A Bíblia diz: “Continuem . . . a viver pacificamente; e o Deus de amor e de paz estará com vocês.” (2 Coríntios 13:11) De modo que o Deus de paz estará conosco desde que continuemos a viver pacificamente. O modo como tratamos os companheiros de adoração afeta de forma direta o nosso relacionamento com Jeová. Como podemos mostrar ser pacificadores? Veja um exemplo.

      11 O que fazer se perceber que ofendeu um companheiro de adoração? Jesus disse: “Então, se você levar a sua dádiva ao altar e ali se lembrar de que o seu irmão tem algo contra você,  deixe a sua dádiva ali na frente do altar e vá. Faça primeiro as pazes com o seu irmão, então volte e ofereça a sua dádiva.” (Mateus 5:23, 24) Poderá aplicar esse conselho tomando a iniciativa de ir falar com o irmão. Com que objetivo? ‘Fazer as pazes.’b Para conseguir isso, talvez seja necessário admitir, não negar, que você feriu os sentimentos dele. Se ao conversarem você mantiver em mente que o seu objetivo é restaurar a paz, é bem provável que se esclareçam os mal-entendidos, se peçam desculpas e se estenda o perdão. Quando toma a iniciativa de fazer as pazes, você mostra que se deixa guiar pela sabedoria divina.

      “Razoável, pronta para obedecer”

      12, 13. (a) Qual é o sentido da palavra traduzida “razoável” em Tiago 3:17? (b) Como podemos mostrar que somos razoáveis?

      12 “Razoável.” O que significa ser razoável? Segundo certos eruditos, é difícil traduzir a palavra grega original vertida “razoável” em Tiago 3:17. Ela passa a ideia de estar disposto a ceder. Alguns tradutores usaram termos como “bondosa”, “condescendente” e “compreensiva”. Como podemos demonstrar que aplicamos esse aspecto da sabedoria de cima na nossa vida?

      13 “Que a sua razoabilidade seja conhecida de todos os homens”, diz Filipenses 4:5. Outra tradução diz: “Tende a reputação de ser razoáveis.” (The New Testament in Modern English, de J. B. Phillips) Note que não é tanto uma questão de como encaramos a nós mesmos; devemos levar em conta como outros nos encaram, como somos conhecidos. A pessoa razoável não insiste em aplicar a lei ao pé da letra ou em que as coisas sejam sempre feitas do seu jeito. Em vez disso, está disposta a escutar outros e, quando apropriado, a ceder aos desejos deles. Uma pessoa assim não é dura ou grosseira, mas bondosa nos seus tratos com outros. Embora essa qualidade seja essencial para todos os cristãos, é especialmente importante para os que servem como anciãos. Se estes forem atenciosos, outros se sentirão atraídos a eles, considerando-os acessíveis. (1 Tessalonicenses 2:7, 8) Seria bom nos perguntarmos: ‘Tenho a reputação de ser alguém compreensivo, flexível e bondoso?’

      14. Como podemos demonstrar que somos ‘prontos para obedecer’?

      14 “Pronta para obedecer.” A palavra grega traduzida “pronta para obedecer” não se encontra em nenhuma outra parte das Escrituras Gregas Cristãs. Segundo certo erudito, essa palavra “é muitas vezes usada referente à disciplina militar”. Transmite a ideia de ser “fácil de persuadir” e “submisso”. Quem é governado pela sabedoria de cima se submete prontamente ao que as Escrituras dizem. Não é conhecido como alguém que toma uma decisão e daí se recusa a ser influenciado por quaisquer fatos que contrariem seu ponto de vista. Pelo contrário, está sempre pronto a fazer mudanças quando lhe apresentam provas bíblicas incontestáveis de que sua atitude está errada ou de que tirou conclusões incorretas. Será que você é conhecido como alguém que age assim?

      “Cheia de misericórdia e de bons frutos”

      15. O que é misericórdia? Por que é apropriado que “misericórdia” e “bons frutos” sejam mencionados juntos em Tiago 3:17?

      15 “Cheia de misericórdia e de bons frutos.”c A misericórdia é uma parte importante da sabedoria de cima, que é descrita como sendo “cheia de misericórdia”. Note que se mencionam juntos a “misericórdia” e os “bons frutos”. Isso é apropriado porque, na Bíblia, a misericórdia em geral se refere à preocupação ativa com outros, à compaixão que produz uma grande quantidade de atos bondosos. Uma obra de referência define misericórdia como “sentimento de tristeza devido à situação ruim de alguém e a tentativa de fazer algo a respeito”. De modo que a sabedoria divina não é severa, fria ou meramente intelectual. Pelo contrário, ela é branda, calorosa e sensível. Como podemos mostrar que estamos cheios de misericórdia?

      16, 17. (a) Além do amor a Deus, o que mais nos motiva a participar na obra de pregação e por quê? (b) De que maneiras podemos mostrar que estamos cheios de misericórdia?

      16 Sem dúvida, um modo importante de fazer isso é por transmitir as boas novas do Reino de Deus a outros. O que nos leva a fazer essa obra? Em primeiro lugar, o amor a Deus. Mas também somos motivados pela misericórdia, ou compaixão por outros. (Mateus 22:37-39) Muitas pessoas hoje são “esfoladas e jogadas de um lado para outro como ovelhas sem pastor”. (Mateus 9:36) Falsos pastores religiosos as negligenciam e cegam em sentido espiritual. Em resultado disso, elas não sabem que a Palavra de Deus tem orientações sábias nem que o Reino logo trará bênçãos para a Terra. Quando meditamos nas necessidades espirituais dos que nos rodeiam, nossa compaixão de coração nos motiva a fazer tudo o que podemos para lhes falar dos amorosos propósitos de Jeová.

      Um casal com seus dois filhinhos trazendo alimentos e ferramentas para ajudar uma irmã idosa.

      Quando mostramos misericórdia, ou compaixão, para com outros, refletimos “a sabedoria de cima”

      17 De que outras maneiras podemos mostrar que estamos cheios de misericórdia? Lembra-se da ilustração de Jesus sobre o samaritano que encontrou um viajante caído à beira da estrada após ser espancado e assaltado? Movido pela compaixão, o samaritano “agiu misericordiosamente”, tratando dos ferimentos da vítima e cuidando dela. (Lucas 10:29-37) Isso ilustra muito bem que a misericórdia envolve dar ajuda prática aos necessitados. A Bíblia nos ordena que façamos “o bem a todos, mas especialmente aos que fazem parte da nossa família na fé”. (Gálatas 6:10) Veja alguns exemplos: um concrente idoso precisa de transporte para assistir às reuniões cristãs. Uma viúva da congregação precisa de ajuda para fazer alguns consertos em casa. (Tiago 1:27) Uma pessoa deprimida precisa de uma “boa palavra” que a reanime. (Provérbios 12:25) Quando mostramos misericórdia dessas maneiras, damos prova de que colocamos em prática a sabedoria de cima.

      “Imparcial, sem hipocrisia”

      18. Se formos guiados pela sabedoria de cima, o que nos esforçaremos a eliminar do coração? Por quê?

      18 “Imparcial.” A sabedoria divina dá forças para se superar o preconceito racial e o orgulho nacional. Se formos guiados por ela, nos esforçaremos a eliminar do coração toda tendência de mostrar favoritismo. (Tiago 2:9) Não favoreceremos outros em virtude da sua formação educacional, condição financeira ou responsabilidade congregacional; nem desprezaremos companheiros de adoração, não importa o quanto pareçam humildes. Se Jeová demonstrou o Seu amor por eles, sem dúvida devemos considerá-los dignos do nosso amor.

      19, 20. (a) Qual é a origem da palavra grega para “hipócrita”? (b) Como podemos demonstrar “afeição fraternal sem hipocrisia”? Por que isso é importante?

      19 “Sem hipocrisia.” A palavra grega para “hipócrita” pode significar “aquele que faz o papel de ator”. No passado, os atores gregos e romanos usavam grandes máscaras quando representavam. Assim, a palavra grega para “hipócrita” passou a ser usada para quem é fingido ou falso. Sabermos que a sabedoria divina é “sem hipocrisia” deve influenciar não só o modo como tratamos nossos companheiros de adoração, mas também como nos sentimos em relação a eles.

      20 O apóstolo Pedro mencionou que nossa “obediência à verdade” deve resultar em “amor fraternal sem hipocrisia”. (1 Pedro 1:22) De modo que nossa afeição pelos irmãos não pode ser apenas da boca para fora. Não devemos ‘usar máscaras’ nem ‘desempenhar um papel’ para enganar outros. Nossa afeição precisa ser genuína, de coração. Assim, conquistaremos a confiança de nossos concrentes, porque eles perceberão que somos exatamente o que parecemos ser, ou seja, sinceros. Isso nos possibilitará ter relacionamentos abertos e honestos com outros cristãos e criará um clima de confiança na congregação.

      “Resguarda a sabedoria prática”

      21, 22. (a) Como Salomão deixou de resguardar a sabedoria? (b) Como podemos resguardar a sabedoria e que benefícios isso nos trará?

      21 A sabedoria divina é uma dádiva de Jeová, por isso, devemos resguardá-la. Salomão disse: “Meu filho, . . . resguarde a sabedoria prática e o raciocínio.” (Provérbios 3:21) Infelizmente, o próprio Salomão deixou de fazer isso. Ele continuou a ser sábio enquanto manteve um coração obediente. Mas, por fim, suas muitas esposas estrangeiras desviaram seu coração da adoração pura de Jeová. (1 Reis 11:1-8) O que aconteceu com Salomão ilustra que apenas ter conhecimento não adianta muita coisa se esse não for aplicado corretamente.

      22 Como podemos resguardar a sabedoria prática? Além de ler regularmente a Bíblia e as publicações baseadas nela, fornecidas pelo “escravo fiel e prudente”, devemos nos empenhar em aplicar o que aprendemos. (Mateus 24:45) Temos motivos de sobra para fazer isso. A sabedoria divina torna a nossa vida muito melhor agora. Permite que nos ‘apeguemos firmemente à verdadeira vida’, quer dizer, à vida no novo mundo de Deus. (1 Timóteo 6:19) E, o mais importante de tudo, cultivar a sabedoria de cima nos achega à Fonte de toda a sabedoria, Jeová Deus.

      a Conforme 1 Reis 3:16, as duas mulheres eram prostitutas. A obra Estudo Perspicaz das Escrituras diz: “Tais mulheres podem ter sido prostitutas, não em sentido comercial, mas mulheres que tinham cometido fornicação, quer mulheres judias, quer, bem possivelmente, mulheres de ascendência estrangeira.” — Publicada pelas Testemunhas de Jeová.

      b A expressão grega traduzida ‘faça as pazes’ tem sido definida como “mudar de inimizade para amizade; ficar reconciliado; voltar a ter relações normais ou harmonia”. De modo que o seu objetivo é ocasionar uma mudança, se possível removendo o rancor do coração do ofendido. — Romanos 12:18.

      c Ao verter essas palavras, outras traduções usaram expressões como “cheia de compaixão” e “boas ações”. — Tradução Ecumênica; Bíblia na Linguagem de Hoje.

      Perguntas para Meditação

      • Deuteronômio 4:4-6 Como podemos mostrar-nos sábios?

      • Salmo 119:97-105 Que benefícios teremos se estudarmos diligentemente a Palavra de Deus e aplicarmos o que aprendemos?

      • Provérbios 4:10-13, 20-27 Por que precisamos da sabedoria de Jeová?

      • Tiago 3:1-16 Como aqueles que têm responsabilidades de supervisão na congregação podem mostrar que são sábios e discernidores?

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