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“Cheios de alegria e de espírito santo”‘Dê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
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CAPÍTULO 11
“Cheios de alegria e de espírito santo”
O exemplo de Paulo em lidar com pessoas hostis que rejeitaram a mensagem
Baseado em Atos 13:1-52
1, 2. O que havia de especial na viagem que Barnabé e Saulo estavam para fazer, e como seu trabalho ajudaria no cumprimento de Atos 1:8?
É UM dia emocionante para a congregação em Antioquia. De todos os profetas e instrutores ali, Barnabé e Saulo acabam de ser escolhidos pelo espírito santo para levar as boas novas a lugares distantes.a (Atos 13:1, 2) É verdade que homens qualificados já foram enviados como missionários antes, só que foram designados a regiões onde o cristianismo já estava estabelecido. (Atos 8:14; 11:22) Dessa vez, Barnabé e Saulo — junto com João Marcos, que servirá como assistente — serão enviados a lugares onde as pessoas praticamente nunca ouviram as boas novas.
2 Uns 14 anos antes, Jesus disse a seus seguidores: “Serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até a parte mais distante da terra.” (Atos 1:8) A designação de Barnabé e Saulo para servir como missionários dará um grande impulso ao cumprimento dessas palavras proféticas de Jesus.b
Separados “para a obra” (Atos 13:1-12)
3. O que tornava difíceis as longas viagens no primeiro século?
3 Hoje, graças a invenções como o automóvel e o avião, as pessoas podem viajar grandes distâncias em apenas uma ou duas horas. Mas não era assim no primeiro século EC. Naquela época, a principal forma de viajar por terra era caminhar, muitas vezes por terrenos acidentados. Um dia de viagem, em que normalmente a pessoa percorria apenas uns 30 quilômetros, era muito cansativo.c Assim, apesar de Barnabé e Saulo certamente estarem ansiosos para começar sua designação, eles sabiam que seria necessário muito esforço e abnegação para cumpri-la. — Mat. 16:24.
4. (a) O que orientou a escolha de Barnabé e Saulo, e como seus companheiros cristãos reagiram a essa designação? (b) Como podemos apoiar aqueles que recebem designações teocráticas?
4 Mas por que o espírito santo orientou especificamente que Barnabé e Saulo fossem separados “para a obra”? (Atos 13:2) A Bíblia não diz. Mas sabemos que o espírito santo orientou a escolha desses homens. Não há indicação de que os profetas e instrutores em Antioquia tenham contestado essa decisão. Em vez disso, eles deram pleno apoio à designação. Imagine como Barnabé e Saulo devem ter se sentido quando seus irmãos espirituais, sem invejá-los, jejuaram e oraram, “lhes impuseram as mãos e os deixaram ir”. (Atos 13:3) Nós também devemos apoiar aqueles que recebem designações teocráticas, incluindo os homens designados como superintendentes nas congregações. Em vez de termos inveja dos que recebem esses privilégios, devemos ter “a mais alta consideração por eles em amor, por causa do trabalho deles”. — 1 Tes. 5:13.
5. Descreva o que estava envolvido em dar testemunho na ilha de Chipre.
5 Depois de caminhar até Selêucia, cidade portuária perto de Antioquia, Barnabé e Saulo navegaram até a ilha de Chipre, uma viagem de cerca de 200 quilômetros.d Sendo natural de Chipre, Barnabé sem dúvida estava ansioso para levar as boas novas às pessoas em sua terra natal. Ao chegarem a Salamina, uma cidade na costa leste da ilha, esses homens não perderam tempo. Imediatamente, eles “começaram a proclamar a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus”.e (Atos 13:5) Barnabé e Saulo viajaram de uma ponta a outra de Chipre, provavelmente dando testemunho nas principais cidades ao longo do caminho. Dependendo da rota que seguiram, esses missionários talvez tenham caminhado uns 160 quilômetros.
6, 7. (a) Quem era Sérgio Paulo, e por que Barjesus tentou desviá-lo das boas novas? (b) Como Saulo frustrou a oposição de Barjesus?
6 A Chipre do primeiro século estava mergulhada na adoração falsa. Isso ficou ainda mais evidente quando Barnabé e Saulo chegaram a Pafos, na costa oeste da ilha. Ali, eles encontraram “Barjesus, que era feiticeiro e falso profeta”. E “ele estava com o procônsul Sérgio Paulo, homem inteligente”.f No primeiro século, muitos romanos cultos — até mesmo alguém como Sérgio Paulo, um “homem inteligente” — costumavam recorrer a feiticeiros ou astrólogos em busca de ajuda para tomar decisões importantes. Mesmo assim, Sérgio Paulo ficou impressionado com a mensagem do Reino e “queria muito ouvir a palavra de Deus”. Mas quem não gostou nada disso foi Barjesus, também conhecido pelo título Elimas, que significa “feiticeiro”. — Atos 13:6-8.
7 Barjesus era contra a mensagem do Reino. Ele sabia que a única maneira de proteger sua influente posição como conselheiro de Sérgio Paulo era “desviar da fé o procônsul”. (Atos 13:8) Mas Saulo não permitiria que um mágico da corte desviasse o interesse de Sérgio Paulo. Então, o que Saulo fez? O relato diz: “Saulo, também chamado Paulo, ficou cheio de espírito santo, olhou para ele atentamente e disse: ‘Ó homem cheio de todo tipo de fraude e maldade, ó filho do Diabo, inimigo de tudo o que é justo, você não vai parar de distorcer os caminhos retos de Jeová? Escute: a mão de Jeová está sobre você, e você ficará cego, sem ver a luz do sol por um tempo.’ Instantaneamente caiu sobre ele uma densa névoa e escuridão, e ele começou a andar em volta, tentando encontrar alguém que o guiasse pela mão.”g Qual foi o resultado desse acontecimento milagroso? “Ao ver o que tinha acontecido, o procônsul se tornou crente, pois ficou impressionado com os ensinamentos de Jeová.” — Atos 13:9-12.
Assim como Paulo, nós defendemos a verdade com coragem diante de oposição
8. Como podemos imitar a coragem de Paulo?
8 Paulo não se sentiu intimidado por Barjesus. Da mesma forma, não devemos nos sentir intimidados quando opositores tentam minar a fé daqueles que demonstram interesse na mensagem do Reino. É claro que nossas palavras devem ‘ser sempre agradáveis, temperadas com sal’. (Col. 4:6) Por outro lado, não queremos prejudicar o progresso espiritual de uma pessoa interessada apenas para evitar conflito com opositores. Também não devemos permitir que o medo nos impeça de desmascarar a religião falsa, que ainda persiste em “distorcer os caminhos retos de Jeová” assim como Barjesus fez. (Atos 13:10) Como Paulo, declaremos com coragem a verdade, esforçando-nos para tocar o coração dos sinceros. E, mesmo que o apoio de Deus não pareça tão evidente como foi no caso de Paulo, podemos ter certeza de que Jeová usará seu espírito santo para atrair à verdade os merecedores. — João 6:44.
Uma “palavra de encorajamento” (Atos 13:13-43)
9. Como Paulo e Barnabé estabeleceram um excelente exemplo para os que hoje exercem liderança na congregação?
9 Pelo visto, ocorreu uma mudança quando os homens partiram de Pafos rumo a Perge, na costa da Ásia Menor — uma viagem de aproximadamente 250 quilômetros pelo mar. Em Atos 13:13, esse grupo é identificado como “Paulo e seus companheiros”. Essas palavras sugerem que Paulo passou a liderar o grupo. Mas nada indica que Barnabé tenha ficado com inveja de Paulo. Ao contrário, esses dois homens continuaram a trabalhar juntos para fazer a vontade de Jeová. Paulo e Barnabé estabeleceram um excelente exemplo para os que hoje exercem liderança na congregação. Em vez de competirem entre si em busca de destaque, os cristãos se lembram das palavras de Jesus: “Todos vocês são irmãos.” Ele acrescentou: “Quem se enaltecer será humilhado, e quem se humilhar será enaltecido.” — Mat. 23:8, 12.
10. Descreva a viagem desde Perge até Antioquia da Pisídia.
10 Quando o grupo chegou a Perge, João Marcos deixou Paulo e Barnabé e voltou para Jerusalém. O motivo de ele ter ido embora de repente não é mencionado. Paulo e Barnabé seguiram viagem, indo de Perge a Antioquia da Pisídia, uma cidade na província da Galácia. Essa não era uma viagem fácil, visto que Antioquia da Pisídia ficava a cerca de 1.100 metros acima do nível do mar. As estradas nas montanhas eram acidentadas e perigosas, além de conhecidas por haver muitos assaltantes. Como se isso não bastasse, a essa altura Paulo provavelmente enfrentava problemas de saúde.h
11, 12. Ao falar na sinagoga em Antioquia da Pisídia, como Paulo despertou o interesse da assistência?
11 Em Antioquia da Pisídia, Paulo e Barnabé entraram na sinagoga no sábado. O relato diz: “Depois da leitura pública da Lei e dos Profetas, os presidentes da sinagoga mandaram lhes dizer: ‘Homens, irmãos, se tiverem alguma palavra de encorajamento para o povo, falem.’” (Atos 13:15) Paulo se levantou para falar.
12 Paulo iniciou seu discurso dizendo: “Homens, israelitas e todos os outros que temem a Deus.” (Atos 13:16) Isso mostra que a assistência era composta de judeus e prosélitos. Como Paulo despertou o interesse dessas pessoas, que não reconheciam o papel desempenhado por Jesus no propósito de Deus? Primeiro, Paulo fez um resumo da história da nação judaica. Ele explicou de que maneira Jeová “enalteceu o povo enquanto moravam como estrangeiros na terra do Egito” e como, depois da libertação do povo, Deus “os suportou no deserto” por 40 anos. Paulo também disse como os israelitas conseguiram tomar posse da Terra Prometida e de que modo Jeová ‘deu a terra como herança’ para eles. (Atos 13:17-19) Alguns sugerem que Paulo fazia alusão a certos trechos das Escrituras que haviam sido lidos momentos antes como parte da observância do sábado. Se isso for verdade, esse é ainda outro exemplo que mostra que Paulo sabia ‘se tornar todas as coisas para pessoas de todo tipo’. — 1 Cor. 9:22.
13. Como podemos despertar o interesse de nossos ouvintes?
13 Nós também devemos nos esforçar para despertar o interesse daqueles a quem pregamos. Por exemplo, saber a formação religiosa da pessoa pode nos ajudar a escolher assuntos que sejam de especial interesse para ela. Além disso, podemos citar passagens da Bíblia que ela talvez conheça. Também pode ser útil pedir que a pessoa leia na própria Bíblia dela. Procure maneiras de despertar o interesse de seus ouvintes.
14. (a) Como Paulo apresentou as boas novas sobre Jesus, e que aviso ele deu? (b) Qual foi a reação ao discurso de Paulo?
14 A seguir, Paulo considerou como a linhagem dos reis israelitas levou a “um salvador, Jesus”, cujo precursor foi João Batista. Daí, Paulo descreveu como Jesus foi morto e ressuscitado. (Atos 13:20-37) “Portanto”, disse Paulo, “saibam que por meio desse homem se proclama a vocês o perdão de pecados . . . Por meio dele, todo aquele que crê é declarado inocente”. Então o apóstolo deu a seus ouvintes o seguinte aviso: “Tomem cuidado para que não venha sobre vocês aquilo que se disse nos Profetas: ‘Vejam isso, zombadores, pasmem-se e desapareçam, pois estou realizando uma obra nos seus dias, uma obra em que vocês jamais acreditarão, mesmo que lhes seja contada em detalhes.’” A reação ao discurso de Paulo foi impressionante. “As pessoas lhes suplicaram que falassem desses assuntos no sábado seguinte”, diz a Bíblia. Além disso, depois que a reunião na sinagoga acabou, “muitos judeus e prosélitos que adoravam a Deus seguiram Paulo e Barnabé”. — Atos 13:38-43.
Nós “nos voltaremos para as nações” (Atos 13:44-52)
15. O que aconteceu no sábado seguinte ao discurso de Paulo?
15 No sábado seguinte, “quase toda a cidade” se reuniu para escutar Paulo. Isso não agradou alguns judeus, que “começaram a contradizer de modo blasfemo o que Paulo estava dizendo”. Corajosamente, Paulo e Barnabé lhes disseram: “Era necessário que se falasse a palavra de Deus primeiro a vocês. Visto que a rejeitam e não se julgam dignos da vida eterna, agora nos voltaremos para as nações. Pois Jeová nos deu esta ordem: ‘Eu designei você como luz para as nações, para que leve salvação até os confins da terra.’” — Atos 13:44-47; Isa. 49:6.
“Incitaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé . . . E os discípulos continuavam cheios de alegria e de espírito santo.” — Atos 13:50-52
16. Qual foi a reação dos judeus às fortes palavras dos missionários, e como Paulo e Barnabé reagiram à oposição?
16 Os gentios se alegraram, e “todos os que tinham a disposição correta para com a vida eterna se tornaram crentes”. (Atos 13:48) Logo a palavra de Jeová se espalhou por todo o país. Mas, como vimos, a reação dos judeus foi bem diferente. Na verdade, os missionários disseram a eles que, embora a palavra de Deus lhes tivesse sido falada primeiro, eles escolheram rejeitar o Messias e, por isso, sofreriam o julgamento adverso de Deus. Os judeus instigaram as mulheres de alta posição e os homens mais importantes da cidade e eles “incitaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e os expulsaram do seu território”. Como Paulo e Barnabé reagiram? “Sacudiram o pó dos seus pés em testemunho contra eles e foram para Icônio.” Será que esse foi o fim do cristianismo em Antioquia da Pisídia? Claro que não! Os discípulos que permaneceram ali ‘continuaram cheios de alegria e de espírito santo’. — Atos 13:50-52.
17-19. De que maneiras podemos imitar o excelente exemplo de Paulo e Barnabé, e como fazer isso contribuirá para a nossa alegria?
17 O modo como esses discípulos fiéis reagiram à oposição nos ensina uma valiosa lição. Não paramos de pregar mesmo quando pessoas de destaque neste mundo tentam nos fazer desistir de proclamar a nossa mensagem. Observe também que, quando as pessoas em Antioquia rejeitaram a mensagem, Paulo e Barnabé “sacudiram o pó dos seus pés”. Esse gesto não indicava que eles estavam com raiva. Em vez disso, significava que eles não se responsabilizavam pelo que aconteceria com as pessoas. Esses missionários perceberam que não podiam controlar a reação de outros. Mas podiam controlar se continuariam a pregar. Eles com certeza não deixaram de pregar quando foram para Icônio!
18 E que dizer dos discípulos que permaneceram em Antioquia? É verdade que o território deles era hostil. Mas sua alegria não dependia da receptividade das pessoas. Jesus disse: “Felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática!” (Luc. 11:28) E era exatamente isso que os discípulos em Antioquia da Pisídia estavam decididos a fazer.
19 Assim como Paulo e Barnabé, sempre nos lembremos de que nossa responsabilidade é pregar as boas novas. A decisão de aceitar ou rejeitar a mensagem depende exclusivamente de nossos ouvintes. Se aqueles a quem pregamos não parecem receptivos, podemos aprender uma lição dos discípulos do primeiro século. Por prezarmos a verdade e permitirmos que o espírito santo nos guie, nós também podemos ter alegria, mesmo diante de oposição. — Gál. 5:18, 22.
a Veja o quadro “Barnabé — ‘filho do consolo’”.
b A essa altura já existem congregações em lugares tão distantes quanto Antioquia da Síria — uns 550 quilômetros ao norte de Jerusalém.
c Veja o quadro “Nas estradas”.
d No primeiro século, um navio podia viajar cerca de 160 quilômetros por dia quando os ventos estavam favoráveis. Sob condições desfavoráveis, poderia levar muito mais tempo para percorrer a mesma distância.
e Veja o quadro “Nas sinagogas dos judeus”.
f Chipre estava sob o controle do Senado romano. O principal administrador da ilha era um governador com o título de procônsul.
g A partir desse momento, Saulo começou a usar o nome Paulo. Alguns sugerem que ele adotou esse nome romano em homenagem a Sérgio Paulo. Mas o fato de que ele continuou a usar o nome Paulo mesmo depois de partir de Chipre leva a outra explicação: Paulo, “apóstolo para as nações”, decidiu dali em diante usar seu nome romano, que ele provavelmente tinha desde a infância. Pode ser que ele também tenha usado o nome Paulo porque a pronúncia grega de seu nome hebraico, Saulo, é bem parecida com a de uma palavra grega que tem má conotação. — Rom. 11:13.
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“Falando corajosamente com a autoridade de JeovᔑDê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
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CAPÍTULO 12
“Falando corajosamente com a autoridade de Jeová”
Paulo e Barnabé demonstram humildade, perseverança e coragem
Baseado em Atos 14:1-28
1, 2. O que aconteceu enquanto Paulo e Barnabé estavam em Listra?
A CIDADE de Listra está em confusão. Um homem manco de nascença pula de alegria depois de ser curado por dois estranhos. As pessoas suspiram de admiração, e um sacerdote de Zeus traz coroas de flores para os dois homens, que a multidão acredita serem deuses. Touros bufam e berram enquanto o sacerdote faz preparativos para sacrificá-los aos homens. Paulo e Barnabé gritam protestos e rasgam suas vestes. Daí correm para o meio da multidão e imploram para que não sejam adorados. Mesmo assim, mal conseguem impedir a multidão de fazer isso.
2 Então, opositores judeus chegam de Antioquia da Pisídia e de Icônio. Por meio de calúnias, eles envenenam a mente dos habitantes de Listra. A mesma multidão que antes queria adorar a Paulo agora o cerca e lhe atira pedras até ele perder a consciência. Depois de darem vazão à sua ira, eles arrastam o corpo ferido de Paulo para fora dos portões da cidade e o deixam ali, achando que ele está morto.
3. Que perguntas vamos considerar neste capítulo?
3 O que levou a esse incidente dramático? O que os atuais proclamadores das boas novas podem aprender dos acontecimentos que envolveram Barnabé, Paulo e os instáveis habitantes de Listra? E como os anciãos cristãos podem imitar o exemplo deixado por Barnabé e Paulo, que perseveraram fielmente em seu ministério, “falando corajosamente com a autoridade de Jeová”? — Atos 14:3.
‘Uma grande multidão se tornou crente’ (Atos 14:1-7)
4, 5. Por que Paulo e Barnabé viajaram para Icônio, e o que aconteceu ali?
4 Não muitos dias antes, Paulo e Barnabé haviam sido expulsos da cidade romana de Antioquia da Pisídia depois que opositores judeus lhes causaram problemas. Mas, em vez de ficarem desanimados, os dois homens “sacudiram o pó dos seus pés” contra os habitantes da cidade que não eram receptivos à mensagem. (Atos 13:50-52; Mat. 10:14) Paulo e Barnabé partiram pacificamente, deixando aqueles opositores entregues às consequências que viriam da parte de Deus. (Atos 18:5, 6; 20:26) Sem perder a alegria, aqueles dois missionários continuaram sua viagem de pregação. Caminhando cerca de 150 quilômetros em direção ao sudeste, eles chegaram a um planalto fértil localizado entre os montes Tauro e os montes Sultão.
5 Inicialmente, Paulo e Barnabé pararam em Icônio, uma das principais cidades da província romana da Galácia. Diferentemente das outras cidades da região, Icônio era influenciada pela cultura grega.a Nessa cidade havia uma influente população judaica e um grande número de prosélitos. Como era seu costume, Paulo e Barnabé entraram na sinagoga e começaram a pregar. (Atos 13:5, 14) Eles “falaram de tal maneira que uma grande multidão, tanto de judeus como de gregos, se tornou crente”. — Atos 14:1.
6. Por que Paulo e Barnabé eram instrutores eficazes, e como podemos imitá-los?
6 Por que a maneira de Paulo e Barnabé falar era tão eficaz? Paulo era um poço de sabedoria das Escrituras. Com habilidade, ele citava história, profecias e a Lei mosaica para provar que Jesus era o prometido Messias. (Atos 13:15-31; 26:22, 23) Quanto a Barnabé, era bem evidente seu interesse pelas pessoas. (Atos 4:36, 37; 9:27; 11:23, 24) Nenhum dos dois confiava em seu próprio entendimento, mas eles falavam “com a autoridade de Jeová”. Como você pode imitar esses missionários em sua pregação? Conheça bem a Palavra de Deus. Selecione textos bíblicos que sejam de maior interesse para seus ouvintes. Procure maneiras práticas de consolar aqueles a quem você prega. E sempre baseie seu ensino na autoridade da Palavra de Jeová, não na sua própria sabedoria.
7. (a) Que resultados as boas novas produzem? (b) Caso sua família esteja dividida por causa de sua obediência às boas novas, de que você deve se lembrar?
7 Mas nem todos em Icônio ficaram felizes ao ouvir o que Paulo e Barnabé tinham a dizer. “Judeus que não creram”, continuou Lucas, “atiçaram as pessoas das nações, instigando-as contra os irmãos”. Percebendo que era necessário ficar ali e defender as boas novas, Paulo e Barnabé “passaram bastante tempo falando corajosamente”. Em resultado disso, “a multidão da cidade estava dividida: alguns eram a favor dos judeus, e outros a favor dos apóstolos”. (Atos 14:2-4) Hoje, as boas novas produzem resultados parecidos. Para alguns, elas são uma força unificadora; para outros, um motivo de divisão. (Mat. 10:34-36) Caso sua família esteja dividida por causa de sua obediência às boas novas, lembre-se de que a oposição muitas vezes é uma reação a boatos infundados ou a calúnias venenosas. Sua conduta excelente pode ser um antídoto para esse veneno e, com o tempo, pode amolecer o coração dos que se opõem a você. — 1 Ped. 2:12; 3:1, 2.
8. Por que Paulo e Barnabé deixaram Icônio, e que lição podemos aprender de seu exemplo?
8 Depois de algum tempo, os opositores em Icônio tramaram apedrejar Paulo e Barnabé. Ao saberem disso, esses dois missionários decidiram ir pregar em outro território. (Atos 14:5-7) Hoje, os proclamadores do Reino também agem com prudência. Quando somos confrontados com ataques verbais, falamos com coragem. (Fil. 1:7; 1 Ped. 3:13-15) Mas, quando há ameaça de violência, evitamos fazer algo insensato que coloque desnecessariamente em perigo a nossa vida e a de nossos irmãos espirituais. — Pro. 22:3.
‘Convertam-se ao Deus vivente’ (Atos 14:8-19)
9, 10. Onde ficava Listra, e o que sabemos sobre seus habitantes?
9 Paulo e Barnabé seguiram para Listra, uma colônia romana cerca de 30 quilômetros a sudoeste de Icônio. Listra mantinha fortes relações com Antioquia da Pisídia, mas, diferentemente dessa cidade, não tinha uma importante comunidade judaica. Embora seja provável que seus habitantes soubessem falar grego, a língua materna deles era o licaônico. Paulo e Barnabé começaram a pregar numa área pública, talvez porque não houvesse uma sinagoga na cidade. Assim como Pedro havia feito em Jerusalém, Paulo curou em Listra um homem manco de nascença. (Atos 14:8-10) Por causa do milagre que Pedro realizou, uma grande multidão aceitou a mensagem. (Atos 3:1-10) Mas, no caso do milagre realizado por Paulo, o resultado foi bem diferente.
10 Conforme descrito no início deste capítulo, quando o homem manco pulou e começou a andar, a multidão em Listra, por ser pagã, imediatamente tirou uma conclusão errada. Eles se referiram a Barnabé como Zeus, principal deus grego, e a Paulo como Hermes, filho de Zeus e porta-voz dos deuses. (Veja o quadro “Listra e a adoração a Zeus e a Hermes”.) Barnabé e Paulo, porém, estavam determinados a fazer a multidão entender que eles falavam e agiam não com a autoridade de deuses pagãos, mas com a autoridade de Jeová, o único Deus verdadeiro. — Atos 14:11-14.
“Que abandonem essas coisas vãs e se convertam ao Deus vivente, que fez o céu, a terra.” — Atos 14:15
11-13. (a) O que Paulo e Barnabé disseram aos habitantes de Listra? (b) Que lição podemos aprender das palavras de Paulo e Barnabé?
11 Apesar daquelas circunstâncias dramáticas, Paulo e Barnabé ainda procuraram tocar o coração da assistência da melhor maneira possível. Com esse incidente, Lucas registrou uma forma eficaz de pregar as boas novas a pagãos. Observe como Paulo e Barnabé raciocinaram com seus ouvintes: “Homens, por que estão fazendo isso? Nós também somos humanos e temos as mesmas fraquezas que vocês. E estamos declarando as boas novas a vocês para que abandonem essas coisas vãs e se convertam ao Deus vivente, que fez o céu, a terra, o mar e tudo que há neles. Em gerações passadas, ele permitiu que todas as nações andassem nos seus próprios caminhos, embora não tenha deixado de dar testemunho de si mesmo, pois demonstrou sua bondade dando-lhes chuvas do céu e épocas de colheita abundante, satisfazendo-os com alimentos e enchendo seu coração de alegria.” — Atos 14:15-17.
12 Que lições podemos aprender dessas palavras que nos levam à reflexão? Primeiro, Paulo e Barnabé não se consideravam superiores aos que os escutavam. Eles não fingiram ser algo que não eram. Em vez disso, admitiram humildemente ter as mesmas fraquezas que seus ouvintes pagãos. É verdade que Paulo e Barnabé tinham recebido o espírito santo e sido libertados de ensinos falsos. Também haviam sido abençoados com a esperança de reinar com Cristo. Mas eles sabiam que os habitantes de Listra poderiam receber essas mesmas bênçãos se obedecessem a Cristo.
13 Como encaramos as pessoas a quem pregamos? Será que as consideramos como pessoas iguais a nós? À medida que ajudamos outros a aprender as verdades da Palavra de Deus, será que nós, como Paulo e Barnabé, evitamos querer ser bajulados por outros? Charles Taze Russell, um destacado instrutor que tomou a frente na obra de pregação no final do século 19 e início do século 20, deu exemplo nesse respeito. Ele escreveu: “Não queremos homenagem, nem reverência, para nós mesmos ou para nossos escritos; não desejamos ser chamados de Reverendo ou Rabino.” O irmão Russell tinha a mesma atitude humilde de Paulo e Barnabé. De forma similar, nosso objetivo ao pregar não é glorificar a nós mesmos, mas ajudar as pessoas a se converterem ao “Deus vivente”.
14-16. Que outras duas lições podemos aprender das palavras de Paulo e Barnabé aos habitantes de Listra?
14 Considere uma segunda lição que podemos aprender desse discurso. Paulo e Barnabé eram flexíveis. Diferentemente dos judeus e prosélitos em Icônio, os habitantes de Listra tinham pouco ou nenhum conhecimento das Escrituras ou dos tratos de Deus com a nação de Israel. Mas faziam parte de uma comunidade agrícola. Listra era abençoada com um clima ameno e um solo fértil. Aquelas pessoas podiam ver amplas evidências das qualidades do Criador, conforme reveladas em coisas como as épocas de colheita abundante, e os missionários usaram esse ponto em comum ao raciocinar com elas. — Rom. 1:19, 20.
15 Será que também podemos ser flexíveis? Embora um agricultor possa plantar o mesmo tipo de semente em vários de seus campos, ele precisa usar métodos diferentes para preparar o solo. Em alguns campos, a terra talvez já esteja fofa, pronta para ser semeada. Em outros, pode ser que a terra precise ser preparada. De modo similar, a semente que plantamos sempre é a mesma: a mensagem do Reino encontrada na Palavra de Deus. No entanto, se formos como Paulo e Barnabé, tentaremos discernir a formação religiosa e as circunstâncias das pessoas a quem pregamos. Daí, basearemos nossa apresentação da mensagem do Reino nessas informações. — Luc. 8:11, 15.
16 Podemos aprender uma terceira lição do relato envolvendo Paulo, Barnabé e os habitantes de Listra. Apesar de nossos melhores esforços, às vezes a semente que plantamos é ‘arrancada’ ou cai em solo rochoso. (Mat. 13:18-21) Se isso acontecer, não desanime. Como Paulo mais tarde lembrou aos discípulos em Roma, “cada um de nós [incluindo cada pessoa com quem falamos sobre a Palavra de Deus] prestará contas de si mesmo a Deus”. — Rom. 14:12.
“E os entregaram aos cuidados de Jeová” (Atos 14:20-28)
17. Depois de deixar Derbe, aonde Paulo e Barnabé foram, e por quê?
17 Depois que Paulo foi arrastado para fora de Listra e dado como morto, os discípulos se juntaram em volta dele e ele se levantou e encontrou um lugar na cidade para passar a noite. No dia seguinte, Paulo e Barnabé iniciaram uma viagem de 100 quilômetros até Derbe. Mal podemos imaginar as dores que Paulo sentiu durante essa difícil viagem, tendo sido apedrejado poucas horas antes. Mesmo assim, ele e Barnabé perseveraram e quando chegaram a Derbe fizeram “um bom número de discípulos”. Daí, em vez de pegarem o caminho mais curto para Antioquia da Síria, que servia como uma espécie de base para as suas atividades, eles “voltaram a Listra, Icônio Antioquia” da Pisídia. Com que objetivo? Para fortalecer “os discípulos, encorajando-os a permanecer na fé”. (Atos 14:20-22) Que grande exemplo esses dois homens estabeleceram! Eles colocaram as necessidades da congregação à frente de seus interesses pessoais. Atualmente, superintendentes viajantes e missionários seguem o exemplo deles.
18. O que está envolvido na designação de anciãos?
18 Além de fortalecer os discípulos com suas palavras e exemplo, Paulo e Barnabé designaram “anciãos para eles em cada congregação”. Apesar de terem sido “enviados pelo espírito santo” nessa viagem missionária, Paulo e Barnabé oraram e jejuaram quando ‘entregaram os anciãos aos cuidados de Jeová’. (Atos 13:1-4; 14:23) Hoje, segue-se um procedimento similar. Antes de fazer uma recomendação de designação, o corpo de anciãos local analisa com oração se o irmão em consideração satisfaz os requisitos bíblicos. (1 Tim. 3:1-10, 12, 13; Tito 1:5-9; Tia. 3:17, 18; 1 Ped. 5:2, 3) O tempo em que a pessoa já está na verdade não é o principal requisito. Em vez disso, a maneira de falar, a conduta e a reputação da pessoa dão evidência de até que ponto o espírito santo opera em sua vida. Satisfazer os requisitos bíblicos para os superintendentes é o que determina se ele se qualifica para servir como pastor do rebanho. (Gál. 5:22, 23) O superintendente de circuito tem a responsabilidade de fazer essas designações. — Compare com 1 Tim. 5:22.
19. Pelo que os anciãos prestarão contas, e como imitam a Paulo e Barnabé?
19 Os anciãos designados sabem que prestarão contas a Deus pelo modo como cuidam da congregação. (Heb. 13:17) Como Paulo e Barnabé, os anciãos tomam a frente na obra de pregação. Por meio de palavras, eles fortalecem seus companheiros de adoração. E estão dispostos a colocar as necessidades da congregação à frente de seus interesses pessoais. — Fil. 2:3, 4.
20. Como nos beneficiamos de ler relatórios sobre o trabalho fiel de nossos irmãos?
20 Quando finalmente Paulo e Barnabé retornaram a Antioquia da Síria, lugar que usavam como base para suas viagens missionárias, eles contaram “as muitas coisas que Deus tinha feito por meio deles e como ele tinha aberto para as nações a porta da fé”. (Atos 14:27) Ler sobre o trabalho fiel de nossos irmãos cristãos e ver como Jeová abençoou seus esforços vai nos encorajar a continuar “falando corajosamente com a autoridade de Jeová”.
a Veja o quadro “Icônio — cidade dos frígios”.
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