-
Incentivo para ‘buscar a Deus e realmente o achar’‘Dê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
-
-
CAPÍTULO 18
Incentivo para ‘buscar a Deus e realmente o achar’
Paulo estabelece uma base de comum acordo com seus ouvintes e se adapta a eles
Baseado em Atos 17:16-34
1-3. (a) Por que o apóstolo Paulo ficou muito incomodado ao chegar a Atenas? (b) O que podemos aprender estudando o exemplo de Paulo?
PAULO está muito incomodado. Ele está em Atenas, Grécia, o centro de erudição onde Sócrates, Platão e Aristóteles ensinaram. Atenas é uma cidade muito religiosa. Em toda a parte — nos templos, nas praças públicas e nas ruas — Paulo vê inúmeros ídolos, pois os atenienses adoram um panteão de deuses. Paulo sabe o que Jeová, o Deus verdadeiro, pensa a respeito da idolatria. (Êxo. 20:4, 5) O fiel apóstolo tem o mesmo ponto de vista de Jeová — ele tem aversão a ídolos.
2 O que Paulo vê ao entrar na ágora, ou praça principal, o deixa muito escandalizado. Enfileiradas ao longo do canto noroeste da praça, perto da entrada principal, há um grande número de estátuas fálicas do deus Hermes. A praça está cheia de santuários. Como esse zeloso apóstolo vai pregar nessa cidade tomada pela idolatria? Será que ele conseguirá reprimir sua aversão a ídolos e encontrar uma base de comum acordo com seus ouvintes? Vai conseguir ajudar alguém a buscar o Deus verdadeiro e realmente o achar?
3 O discurso de Paulo aos homens cultos de Atenas, conforme registrado em Atos 17:22-31, é um modelo de eloquência, tato e discernimento. Por estudarmos o exemplo de Paulo, podemos aprender muito sobre como estabelecer uma base de comum acordo com nossos ouvintes e, assim, ajudá-los a raciocinar.
Paulo ensina “na praça principal” (Atos 17:16-21)
4, 5. Onde Paulo pregou em Atenas, e por que não seria nada fácil convencer as pessoas ali?
4 Paulo visitou Atenas em cerca de 50 EC, durante sua segunda viagem missionária.a Enquanto esperava Silas e Timóteo chegarem de Bereia, Paulo “começou a raciocinar na sinagoga com os judeus”, como era seu costume. Ele também encontrou um território onde pudesse falar com os não judeus de Atenas — “na praça principal”, ou ágora. (Atos 17:17) Localizada a noroeste da Acrópole, a ágora de Atenas tinha aproximadamente 250 metros de comprimento por 200 metros de largura. A ágora era muito mais do que uma feira; era a praça principal da cidade. Uma obra de referência diz que esse lugar era “o centro econômico, político e cultural da cidade”. Os atenienses gostavam muito de se reunir ali para participar em debates filosóficos.
5 Não seria nada fácil convencer as pessoas na ágora. Entre elas estavam os epicureus e os estoicos, membros de escolas rivais de filosofia.b Os epicureus acreditavam que a vida surgiu por acaso. Seu conceito a respeito da vida se resumia no seguinte: “Não há por que temer a Deus; não há dor na morte; o bem é alcançável; o mal é suportável.” Os estoicos davam ênfase à razão e à lógica e não acreditavam que Deus fosse uma Pessoa. Nem os epicureus nem os estoicos acreditavam na ressurreição conforme era ensinada pelos discípulos de Cristo. Evidentemente, os conceitos filosóficos desses dois grupos eram incompatíveis com as elevadas verdades do verdadeiro cristianismo, sobre o qual Paulo pregava.
6, 7. Como alguns filósofos gregos reagiram ao ensino de Paulo, e que reação similar nós às vezes encontramos hoje?
6 Como os filósofos gregos reagiram ao ensino de Paulo? Alguns usaram uma palavra que significa “tagarela” ou “apanhador de sementes” para se referir a ele. (Veja a nota de estudo em Atos 17:18, nwtsty.) Sobre essa palavra grega, certo erudito disse: “A palavra originalmente se referia a um pequeno pássaro que ficava apanhando sementes. Mais tarde, passou a ser aplicada a pessoas que apanhavam sobras de alimentos e outras coisas sem valor na feira. Depois disso, passou a se referir, em sentido figurado, a pessoas que colhiam informações a esmo apenas para repeti-las, sem realmente entendê-las.” Em outras palavras, aqueles homens cultos estavam dizendo que Paulo era um plagiador ignorante. Mas, conforme veremos, Paulo não se deixou intimidar por esses rótulos depreciativos.
7 Hoje não é diferente. Como Testemunhas de Jeová, nós temos sido frequentemente rotulados de modo depreciativo por causa de nossas crenças baseadas na Bíblia. Por exemplo, alguns educadores ensinam que a evolução é um fato e insistem que quem é inteligente aceita esse ensino. Em outras palavras, eles rotulam de ignorantes os que se recusam a acreditar nessa teoria. Esses homens instruídos querem fazer as pessoas acreditar que nós somos ‘apanhadores de sementes’ pelo fato de apresentarmos o que a Bíblia diz e mostrarmos evidências de projeto na natureza. Mas nós não nos deixamos intimidar por essa atitude. Em vez disso, falamos com convicção quando defendemos nossa crença de que a vida na Terra é resultado do trabalho de um Projetista inteligente, Jeová Deus. — Apo. 4:11.
8. (a) Como alguns reagiram à pregação de Paulo? (b) Quando a Bíblia diz que Paulo foi levado ao Areópago, o que isso talvez signifique? (Veja a nota.)
8 Outros que ouviram Paulo na praça principal tiveram uma reação diferente. Diziam: “Ele parece ser pregador de divindades estrangeiras.” (Atos 17:18) Será que Paulo estava mesmo apresentando novos deuses aos atenienses? Esse era um assunto sério, pois lembrava uma das acusações pelas quais Sócrates havia sido julgado e condenado à morte séculos antes. Não é de admirar que Paulo tenha sido levado até o Areópago a fim de explicar os ensinos que para os atenienses pareciam estranhos.c Como Paulo defenderia sua mensagem perante pessoas que não tinham nenhum conhecimento das Escrituras?
“Homens de Atenas, eu vejo” (Atos 17:22, 23)
9-11. (a) Como Paulo procurou estabelecer uma base de comum acordo com sua assistência? (b) Como podemos imitar o exemplo de Paulo em nosso ministério?
9 Lembre-se de que Paulo estava muito incomodado com toda a idolatria que havia visto. Mas, em vez de fazer um ataque descontrolado contra a adoração de ídolos, ele manteve a calma. Com bastante tato, Paulo procurou convencer seus ouvintes estabelecendo uma base de comum acordo. Ele começou dizendo: “Homens de Atenas, eu vejo que em todas as coisas vocês parecem ter mais temor às divindades do que outros.” (Atos 17:22) De certa forma, Paulo estava dizendo: ‘Vejo que vocês são muito religiosos.’ Desse modo, Paulo sabiamente os elogiou por terem inclinação espiritual. Ele reconhecia que alguns que são cegados por crenças falsas talvez tenham um bom coração. Afinal, Paulo sabia que ele mesmo já havia agido “em ignorância e não tinha fé”. — 1 Tim. 1:13.
10 Construindo sobre a base que tinha lançado, Paulo mencionou algo que ele havia observado; uma prova concreta da religiosidade dos atenienses — um altar dedicado “A um Deus Desconhecido”. De acordo com certa fonte, “os gregos e outros povos costumavam dedicar altares a ‘deuses desconhecidos’ por medo de ofender algum deus que talvez não tivessem incluído em sua adoração”. Por meio desse altar, os atenienses reconheciam a existência de um Deus desconhecido a eles. Paulo usou o fato de haver esse altar ali como ponto de partida para falar das boas novas. Ele explicou: “Aquele que vocês adoram sem conhecer, esse é o que eu lhes estou proclamando.” (Atos 17:23) O argumento de Paulo era sutil, mas poderoso. Ele não estava pregando um deus novo ou ‘estrangeiro’, como alguns o haviam acusado. Ele estava ensinando sobre o Deus que eles não conheciam — o Deus verdadeiro.
11 Como podemos imitar o exemplo de Paulo em nosso ministério? Se formos atentos, talvez observemos objetos religiosos que uma pessoa está usando ou tem à mostra em sua casa ou no seu jardim, indicando que ela é religiosa. Talvez possamos dizer: ‘Vejo que você é uma pessoa religiosa. Gosto de falar com pessoas que dão valor a assuntos espirituais.’ Por usarmos de tato e levarmos em conta os sentimentos religiosos da pessoa, podemos lançar uma base de comum acordo sobre a qual construir. Lembre-se de que não é nosso objetivo prejulgar outros com base em suas crenças. Entre nossos irmãos há muitos que no passado acreditavam sinceramente nos ensinos da religião falsa.
Procure estabelecer uma base de comum acordo sobre a qual construir
Deus ‘não está longe de cada um de nós’ (Atos 17:24-28)
12. Como Paulo adaptou o seu modo de pregar aos seus ouvintes?
12 Paulo havia lançado uma base de comum acordo, mas será que conseguiria continuar a construir sobre ela ao dar testemunho? Sabendo que seus ouvintes eram instruídos na filosofia grega e não conheciam as Escrituras, ele adaptou de diversas maneiras seu modo de pregar. Primeiro, ele apresentou ensinos bíblicos sem citar diretamente as Escrituras. Segundo, ele se incluiu nas suas declarações por às vezes usar as palavras “nos” e “nós”, mostrando assim que não era diferente de seus ouvintes. Terceiro, fez citações da literatura grega para mostrar que algumas coisas que estava ensinando se harmonizavam com escritos que eles aceitavam. Examinemos agora o poderoso discurso de Paulo. Que verdades importantes ele transmitiu a respeito do Deus que era desconhecido pelos atenienses?
13. O que Paulo explicou a respeito da origem do Universo, e que mensagem suas palavras transmitiram?
13 Deus criou o Universo. Paulo disse: “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, Ele, sendo Senhor do céu e da terra, não mora em templos feitos por mãos humanas.”d (Atos 17:24) O Universo não surgiu por acaso. O Deus verdadeiro é o Criador de todas as coisas. (Sal. 146:6) Diferentemente de Atena ou das outras divindades cuja glória dependia de templos, santuários e altares, nenhum templo feito por mãos humanas pode conter o Soberano Senhor do céu e da Terra. (1 Reis 8:27) A mensagem de Paulo era clara: o Deus verdadeiro é maior do que quaisquer ídolos ou templos feitos pelo homem. — Isa. 40:18-26.
14. Como Paulo mostrou que Deus não depende dos humanos?
14 Deus não depende de humanos. Os idólatras costumavam vestir suas imagens com roupas ostentosas, enchê-las de presentes caros ou dar-lhes comida e bebida — como se os ídolos precisassem dessas coisas. Mas alguns dos filósofos gregos que assistiam ao discurso de Paulo talvez acreditassem que um deus não precisaria de nada dos humanos. Nesse caso, eles sem dúvida concordaram com as palavras de Paulo de que Deus não “precisa ser servido por mãos humanas, como se lhe faltasse algo”. Realmente, não há nada material que os humanos possam dar ao Criador. Na realidade, é Deus quem dá aos humanos o que eles precisam — “vida, fôlego e todas as coisas”, incluindo o sol, a chuva e o solo produtivo. (Atos 17:25; Gên. 2:7) Assim, Deus, Aquele que dá todas as coisas, não depende dos humanos, os que se beneficiam de suas dádivas.
15. Como Paulo abordou a questão de os atenienses se considerarem superiores a quem não era grego, e o que podemos aprender desse exemplo?
15 Deus criou o homem. Os atenienses se consideravam superiores a quem não era grego. Mas o nacionalismo e o orgulho racial vão contra a verdade bíblica. (Deut. 10:17) Paulo abordou esse assunto delicado usando de tato e habilidade. Referindo-se ao relato de Gênesis sobre Adão, o pai de toda a raça humana, ele disse: “[Deus] fez de um só homem todas as nações dos homens.” (Gên. 1:26-28; Atos 17:26) Suas palavras com certeza fizeram com que seus ouvintes parassem para pensar, e dificilmente eles deixaram de entender o ponto: visto que todos os humanos têm um ancestral em comum, nenhuma raça ou nacionalidade é superior a outra. Aprendemos uma importante lição desse exemplo. Embora queiramos ter tato e ser razoáveis ao dar testemunho, não amenizamos a força da verdade bíblica apenas para torná-la mais aceitável a outros.
16. Qual é o propósito do Criador para os humanos?
16 Deus intencionou que os humanos fossem achegados a ele. Mesmo que os filósofos presentes ao discurso de Paulo tenham tentado por muito tempo, eles jamais conseguiram explicar satisfatoriamente o objetivo da existência humana. Mas Paulo revelou aos atenienses o propósito do Criador para os humanos, dizendo que Deus criou os homens para que “buscassem a Deus, que tateassem à procura dele e realmente o achassem, embora, na verdade, ele não esteja longe de cada um de nós”. (Atos 17:27) O Deus que era desconhecido pelos atenienses não é de forma alguma impossível de conhecer. Ao contrário, ele não está longe daqueles que realmente querem achá-lo e aprender sobre ele. (Sal. 145:18) Observe que Paulo usou a palavra “nós”, incluindo a si mesmo entre aqueles que precisavam ‘buscar’ a Deus e ‘tatear’ por ele.
17, 18. Por que os humanos devem se sentir atraídos a Deus, e o que podemos aprender da forma como Paulo tornou a mensagem mais atraente à sua assistência?
17 Os humanos devem se sentir atraídos a Deus. Paulo disse que, por causa de Deus, nós “temos vida, nos movemos e existimos”. Alguns eruditos dizem que Paulo estava se referindo às palavras de Epimênides, um poeta da ilha de Creta que viveu no sexto século AEC e que era “um personagem importante na tradição religiosa de Atenas”. Paulo deu uma outra razão pela qual os humanos deveriam se sentir atraídos a Deus: “Alguns dos poetas de vocês [disseram]: ‘Pois nós também somos filhos dele.’” (Atos 17:28) Os humanos devem sentir que têm um vínculo com Deus, pois ele criou o homem de quem todos os humanos são descendentes. Para tornar a mensagem mais atraente à assistência, Paulo sabiamente citou trechos de escritos gregos que seus ouvintes sem dúvida respeitavam.e Em harmonia com o exemplo de Paulo, podemos vez por outra fazer citações da História, de enciclopédias ou de outras obras de referência bem conhecidas. Por exemplo, uma citação apropriada de uma fonte respeitada talvez ajude alguém que não é Testemunha de Jeová a se convencer da origem pagã de certas práticas ou costumes da religião falsa.
18 Até esse ponto de seu discurso, Paulo transmitiu importantes verdades sobre Deus, adaptando com habilidade suas palavras à sua assistência. O que o apóstolo queria que seus ouvintes atenienses fizessem com essas informações vitais? Sem demora, ele passou a falar sobre isso ao dar continuidade ao seu discurso.
É da vontade de Deus que ‘todos, em toda a parte, se arrependam’ (Atos 17:29-31)
19, 20. (a) Como Paulo usou de tato ao expor a tolice de adorar ídolos feitos pelos homens? (b) O que os ouvintes de Paulo precisavam fazer?
19 Paulo estava pronto para incentivar seus ouvintes a agir. Referindo-se novamente aos escritos gregos, ele disse: “Portanto, visto que somos filhos de Deus, não devemos pensar que o Ser Divino é semelhante a ouro, prata ou pedra, como algo esculpido pela arte e imaginação do homem.” (Atos 17:29) De fato, se os humanos foram criados por Deus, então como Deus poderia assumir a forma de ídolos, que são criados por homens? O argumento sutil de Paulo expôs a tolice de adorar ídolos feitos pelo homem. (Sal. 115:4-8; Isa. 44:9-20) Ao dizer “[nós] não devemos . . . ”, Paulo de certa forma tornou sua repreensão menos dolorosa.
20 O apóstolo deixou claro que eles precisavam agir: “Deus não levou em conta os tempos de tal ignorância [do fato de que Deus desaprova os que adoram ídolos]; mas agora ele está dizendo a todos, em toda a parte, que se arrependam.” (Atos 17:30) Alguns dos ouvintes talvez tenham ficado chocados ao ouvir que deveriam se arrepender. Mas o poderoso discurso de Paulo deixou claro que eles deviam a vida a Deus e que, por isso, tinham de prestar contas a Ele. Os atenienses precisavam buscar a Deus, aprender a verdade sobre ele e harmonizar toda a sua vida com essa verdade. Para os atenienses isso significava reconhecer que a idolatria é um pecado e deixar de praticá-la.
21, 22. Com que palavras Paulo terminou o seu discurso, e o que elas significam para nós?
21 Paulo terminou seu discurso com palavras que davam muito em que pensar: “[Deus] determinou um dia em que vai julgar a terra habitada com justiça, por meio de um homem a quem designou. E ele deu garantia disso a todos os homens por ressuscitá-lo dentre os mortos.” (Atos 17:31) Um futuro Dia de Julgamento — que motivo sério para buscar o Deus verdadeiro e achá-lo! Paulo não mencionou o nome do Juiz designado. Em vez disso, Paulo disse algo surpreendente sobre esse Juiz: ele tinha vivido como homem, morrido e sido ressuscitado por Deus!
22 Essa conclusão motivadora é cheia de significado para nós. Sabemos que o Juiz designado por Deus é o ressuscitado Jesus Cristo. (João 5:22) Também sabemos que o Dia do Julgamento durará mil anos e que se aproxima rapidamente. (Apo. 20:4, 6) Não temos medo do Dia do Julgamento, pois entendemos que ele trará indescritíveis bênçãos aos que forem julgados fiéis. A realização de nossa esperança de ter um futuro glorioso é garantida pelo maior dos milagres: a ressurreição de Jesus Cristo.
“Alguns . . . se tornaram crentes” (Atos 17:32-34)
23. Que diferentes reações o discurso de Paulo provocou?
23 O discurso de Paulo provocou diferentes reações. “Alguns começaram a zombar” quando ouviram falar de uma ressurreição. Outros foram educados, mas não tomaram uma posição. Disseram: “Nós o ouviremos falar novamente sobre isso.” (Atos 17:32) Mas houve os que reagiram favoravelmente: “Alguns se juntaram a ele e se tornaram crentes. Entre eles estava Dionísio, que era juiz do tribunal do Areópago, uma mulher chamada Dâmaris, além de outros.” (Atos 17:34) Encontramos reações similares em nosso ministério. Algumas pessoas talvez zombem de nós, ao passo que outras são educadas, mas indiferentes. No entanto, ficamos muito felizes quando alguns aceitam a mensagem do Reino e se tornam cristãos.
24. O que podemos aprender do discurso que Paulo fez no Areópago?
24 Refletir no discurso de Paulo nos ensina muitas coisas: como fazer apresentações lógicas e convincentes; como nos adaptar à assistência; a necessidade de ser pacientes e de usar de tato com aqueles que estão cegados pela religião falsa; e a importância de nunca amenizar a verdade bíblica apenas para agradar os ouvintes. Por imitar o exemplo do apóstolo Paulo, nós podemos nos tornar instrutores mais eficientes no ministério de campo. E os superintendentes, por sua vez, podem se tornar instrutores mais bem qualificados na congregação. Assim estaremos bem equipados para ajudar outros a ‘buscar a Deus e realmente o achar’. — Atos 17:27.
a Veja o quadro “Atenas — capital cultural do mundo antigo”.
b Veja o quadro “Os epicureus e os estoicos”.
c Localizado a noroeste da Acrópole, o Areópago era uma colina que servia como local onde o conselho principal de Atenas costumava se reunir. O termo “Areópago” pode se referir tanto ao conselho como à própria colina. Assim, há diferenças de opinião entre os estudiosos quanto a se Paulo foi levado para essa colina ou para perto dali, ou se ele foi levado para uma reunião do conselho em outro lugar, talvez na ágora.
d A palavra grega traduzida “mundo” é kósmos, que os gregos usavam para se referir ao Universo. É possível que nessa ocasião Paulo, que estava tentando manter uma base de comum acordo com seus ouvintes gregos, tenha usado o termo nesse sentido.
e Paulo citou um trecho de Fenômenos, poema sobre astronomia escrito pelo poeta estoico Arato. Outros escritos gregos, incluindo o Hino a Zeus, do poeta estoico Cleanto, usam fraseologia similar.
-
-
“Persista em falar e não fique calado”‘Dê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
-
-
CAPÍTULO 19
“Persista em falar e não fique calado”
Paulo trabalha para se sustentar, mas dá prioridade ao ministério
Baseado em Atos 18:1-22
1-3. Por que o apóstolo Paulo foi a Corinto, e que desafios ele enfrenta ali?
O ANO de 50 EC está para terminar. O apóstolo Paulo está em Corinto, um rico centro comercial onde há uma grande população de gregos, romanos e judeus.a Paulo não está ali para comprar ou vender mercadorias nem para procurar trabalho. Ele está em Corinto por um motivo muito mais nobre: dar testemunho sobre o Reino de Deus. Ao mesmo tempo, Paulo precisa de um lugar para ficar e está decidido a não ser uma carga em sentido financeiro para outros. Ele não quer dar a ninguém a impressão de que está vivendo à custa da palavra de Deus. O que ele vai fazer?
2 Paulo tem uma profissão — fabricar tendas. Por ser um trabalho braçal, ele não é fácil, mas Paulo está disposto a fazer isso para se sustentar. Será que ele vai encontrar trabalho nessa cidade movimentada? Encontrará um lugar adequado para ficar? Apesar desses desafios, Paulo não perde de vista seu principal trabalho, o ministério.
3 Paulo acabou ficando em Corinto por um bom tempo, e seu ministério ali deu muito fruto. O que podemos aprender das atividades de Paulo em Corinto que nos ajudará a dar testemunho cabal sobre o Reino de Deus em nosso território?
“Eram fabricantes de tendas” (Atos 18:1-4)
4, 5. (a) Onde Paulo ficou enquanto esteve em Corinto, e que trabalho fez para se sustentar? (b) Como Paulo talvez tenha aprendido a fabricar tendas?
4 Pouco depois de chegar a Corinto, Paulo conheceu um casal hospitaleiro — um judeu chamado Áquila, e sua esposa, Priscila, ou Prisca. O casal se mudou para Corinto por causa de um decreto do Imperador Cláudio ordenando que “todos os judeus deixassem Roma”. (Atos 18:1, 2) Áquila e Priscila não só receberam Paulo em sua casa como o convidaram a trabalhar com eles. Lemos: “Visto que tinham a mesma profissão, [Paulo] ficou na casa deles e trabalhou com eles, pois eram fabricantes de tendas.” (Atos 18:3) Paulo ficou na casa desse bondoso casal durante seu ministério em Corinto. No período em que morou com eles, Paulo talvez tenha escrito algumas das cartas que mais tarde se tornaram parte do cânon da Bíblia.b
5 Como é que Paulo, um homem instruído “aos pés de Gamaliel”, também sabia fabricar tendas? (Atos 22:3) Pelo visto, os judeus do primeiro século não achavam que ensinar uma profissão a seus filhos fosse algo que estivesse abaixo de sua dignidade, mesmo que esses jovens ainda fossem receber educação adicional. Paulo era de Tarso, na Cilícia, região famosa por um tecido chamado cilicium, usado para fabricar tendas. Sendo assim, é provável que Paulo tenha aprendido essa profissão ainda jovem. O que estava envolvido na fabricação de tendas? Esse trabalho podia envolver tecer o pano de tenda ou cortar e costurar o tecido grosso e rústico a fim de fabricar as tendas. Seja como for, era um trabalho duro.
6, 7. (a) Como Paulo encarava a fabricação de tendas, e o que indica que Áquila e Priscila tinham um ponto de vista parecido? (b) Como os cristãos hoje seguem o exemplo de Paulo, Áquila e Priscila?
6 Paulo não considerava a fabricação de tendas sua vocação, ou carreira. Ele trabalhava nisso apenas para se sustentar enquanto realizava seu ministério, declarando as boas novas “sem custo”. (2 Cor. 11:7) E como Áquila e Priscila encaravam a profissão que tinham? Por serem cristãos, eles sem dúvida tinham o mesmo ponto de vista de Paulo. De fato, quando Paulo deixou Corinto em 52 EC, Áquila e Priscila deixaram casa e trabalho e foram com ele para Éfeso, onde sua casa passou a ser usada como local de reunião da congregação ali. (1 Cor. 16:19) Mais tarde, eles voltaram para Roma e depois foram novamente para Éfeso. Esse zeloso casal colocava os interesses do Reino em primeiro lugar e, de coração, dava de si para servir a outros, ganhando assim a gratidão de “todas as congregações das nações”. — Rom. 16:3-5; 2 Tim. 4:19.
7 Os cristãos hoje seguem o exemplo de Paulo, Áquila e Priscila. Ministros zelosos trabalham arduamente ‘para não ser um peso financeiro’ a outros. (1 Tes. 2:9) É elogiável que muitos proclamadores do Reino de tempo integral trabalhem meio período ou realizem trabalhos temporários para se sustentar no que realmente é sua vocação, o ministério cristão. Como Áquila e Priscila, muitos servos de Jeová bondosos oferecem hospedagem aos superintendentes de circuito. Os que ‘mostram hospitalidade’ dessa forma sabem como é animador e encorajador fazer isso. — Rom. 12:13.
“Muitos coríntios . . . passaram a crer” (Atos 18:5-8)
8, 9. Como Paulo reagiu quando os judeus se opuseram ao seu intenso testemunho, e onde ele foi pregar a partir de então?
8 Que Paulo encarava seu trabalho secular apenas como um meio para alcançar seu objetivo principal ficou evidente quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia com presentes generosos. (2 Cor. 11:9) Imediatamente, Paulo “passou a se dedicar inteiramente à pregação da palavra”. (Atos 18:5) Mas esse intenso testemunho aos judeus gerou grande oposição. Para deixar claro que não tinha culpa pelo fato de os judeus terem recusado a mensagem salvadora de vidas sobre o Cristo, Paulo sacudiu suas roupas e disse a esses opositores: “Que o sangue de vocês recaia sobre a sua própria cabeça. Eu estou limpo. De agora em diante irei às pessoas das nações.” — Atos 18:6; Eze. 3:18, 19.
9 Onde Paulo pregaria então? Um homem chamado Tício Justo, pelo visto um prosélito que morava ao lado da sinagoga, abriu as portas de sua casa para Paulo. Assim, Paulo saiu da sinagoga e entrou na casa desse homem. (Atos 18:7) Paulo continuou morando com Áquila e Priscila enquanto estava em Corinto, mas a casa de Tício Justo se tornou o centro de suas atividades de pregação.
10. O que mostra que Paulo não estava decidido a pregar apenas às pessoas das nações?
10 Será que a afirmação de Paulo de que ele iria a pessoas das nações significa que ele parou completamente de pregar a todos os judeus e prosélitos, mesmo os receptivos? Dificilmente esse era o caso. Por exemplo, “Crispo, presidente da sinagoga, tornou-se crente no Senhor, junto com todos os da sua casa”. Pelo visto, muitos dos que frequentavam a sinagoga se juntaram a Crispo, pois a Bíblia diz: “Muitos coríntios que tinham ouvido a palavra passaram a crer e foram batizados.” (Atos 18:8) Assim, a casa de Tício Justo se tornou o local onde a recém-formada congregação cristã de Corinto se reunia. Se esse relato tiver sido escrito em ordem cronológica, como é o estilo de Lucas, então a conversão daqueles judeus ou prosélitos aconteceu depois de Paulo ter sacudido suas roupas. Nesse caso, isso revelaria muito sobre a razoabilidade do apóstolo.
11. Como as Testemunhas de Jeová hoje imitam a Paulo ao pregar às pessoas que afirmam ser cristãs?
11 Em muitos países hoje, as igrejas da cristandade estão bem estabelecidas e exercem forte influência sobre seus membros. Em alguns países e ilhas, os missionários da cristandade converteram um grande número de pessoas. Muitos que afirmam ser cristãos estão presos a tradições, assim como os judeus em Corinto no primeiro século. Mas, iguais a Paulo, nós, Testemunhas de Jeová, zelosamente pregamos a essas pessoas, aproveitando qualquer conhecimento das Escrituras que elas talvez tenham ao lhes transmitir as verdades bíblicas. Mesmo quando elas se opõem a nós ou quando seus líderes religiosos nos perseguem, não perdemos a esperança. Entre aqueles que “têm zelo por Deus, mas não segundo o conhecimento exato”, pode haver muitos mansos que precisam ser encontrados. — Rom. 10:2.
“Muitas pessoas nesta cidade pertencem a mim” (Atos 18:9-17)
12. Que garantia Paulo recebeu em uma visão?
12 Caso Paulo se tenha perguntado se deveria continuar ou não seu ministério em Corinto, ele logo obteve a resposta na noite em que o Senhor Jesus apareceu a ele em uma visão e disse: “Não tenha medo, mas persista em falar e não fique calado, porque eu estou com você e ninguém o atacará de modo a lhe fazer mal. Pois muitas pessoas nesta cidade pertencem a mim.” (Atos 18:9, 10) Que visão encorajadora! O próprio Senhor garantiu a Paulo que o protegeria de qualquer dano e que havia muitos merecedores na cidade. Qual foi a reação de Paulo àquela visão? Lemos: “Ele permaneceu ali um ano e seis meses, ensinando a palavra de Deus entre eles.” — Atos 18:11.
13. Do que Paulo talvez se tenha lembrado ao se aproximar do tribunal, mas por que podia esperar um resultado diferente?
13 Depois de passar cerca de um ano em Corinto, Paulo obteve uma prova adicional do apoio do Senhor. “Os judeus, num esforço conjunto, atacaram Paulo e o levaram ao tribunal”, chamado béma. (Atos 18:12) Considerado por alguns como uma plataforma elevada, feita de mármore azul e branco e repleta de figuras entalhadas, o béma talvez ficasse perto do centro da praça principal de Corinto. A área em frente ao béma talvez fosse grande o suficiente para reunir um número grande de pessoas. Descobertas arqueológicas sugerem que o tribunal ficava a apenas alguns passos da sinagoga e, portanto, perto da casa de Tício Justo. Ao se aproximar do béma, Paulo talvez se tenha lembrado do apedrejamento de Estêvão, que às vezes é chamado de primeiro mártir cristão. Paulo, na época conhecido como Saulo, havia aprovado “o assassinato dele”. (Atos 8:1) Será que algo parecido aconteceria agora com Paulo? Não, pois Jesus havia prometido: “Ninguém lhe . . . fará mal.” — Atos 18:10; Bíblia Fácil de Ler.
“Então os expulsou do tribunal.” — Atos 18:16
14, 15. (a) Que acusação os judeus lançaram contra Paulo, e por que Gálio deu o caso por encerrado? (b) O que aconteceu com Sóstenes, e qual pode ter sido o resultado disso?
14 O que aconteceu quando Paulo chegou ao tribunal? O magistrado era Gálio, procônsul da Acaia e irmão mais velho do filósofo romano Sêneca. Os judeus lançaram a seguinte acusação contra Paulo: “Este homem está persuadindo as pessoas a adorar a Deus de uma maneira contrária à lei.” (Atos 18:13) Os judeus deram a entender que Paulo estava convertendo pessoas ilegalmente. Mas Gálio viu que Paulo não havia cometido “algo errado” e que não era culpado de nenhum “crime grave”. (Atos 18:14) Gálio não tinha a menor intenção de se envolver nas controvérsias dos judeus. Tanto é que, antes mesmo que Paulo pudesse dizer qualquer coisa em sua defesa, Gálio deu o caso por encerrado. Os acusadores ficaram com raiva e a descarregaram em Sóstenes, que talvez tivesse substituído Crispo como presidente da sinagoga. Eles agarraram Sóstenes “e começaram a espancá-lo diante do tribunal”. — Atos 18:17.
15 Por que Gálio não impediu que a multidão espancasse Sóstenes? Gálio talvez achasse que Sóstenes fosse o líder da turba que se virou contra Paulo e que, portanto, estava tendo o que merecia. Qualquer que tenha sido o caso, é possível que esse incidente tenha tido um resultado positivo. Em sua primeira carta à congregação de Corinto, escrita vários anos mais tarde, Paulo se referiu a certo Sóstenes como irmão. (1 Cor. 1:1, 2) Será que esse era o mesmo Sóstenes que havia sido espancado em Corinto? Em caso afirmativo, aquela experiência dolorosa talvez tenha ajudado Sóstenes a aceitar o cristianismo.
16. Que influência devem ter sobre nosso ministério as seguintes palavras do Senhor: “Persista em falar e não fique calado, porque eu estou com você”?
16 Lembre-se de que foi depois de os judeus terem rejeitado a pregação de Paulo que o Senhor Jesus lhe garantiu: “Não tenha medo, mas persista em falar e não fique calado, porque eu estou com você.” (Atos 18:9, 10) Fazemos bem em ter essas palavras em mente, especialmente quando nossa mensagem não é aceita. Nunca se esqueça de que Jeová vê o coração e atrai os sinceros. (1 Sam. 16:7; João 6:44) Isso é um grande incentivo para nos mantermos ocupados no ministério. Todos os anos, centenas de milhares de pessoas são batizadas — centenas a cada dia. Aos que obedecem ao mandamento de ‘fazer discípulos de pessoas de todas as nações’, Jesus garante: “Eu estou com vocês todos os dias, até o final do sistema de coisas.” — Mat. 28:19, 20.
“Se Jeová quiser” (Atos 18:18-22)
17, 18. Em que Paulo talvez tenha refletido ao viajar para Éfeso?
17 Não se pode afirmar se a atitude de Gálio em relação aos acusadores de Paulo resultou num período de paz para a recém-formada congregação cristã de Corinto. Mas Paulo ficou ali “vários dias” antes de se despedir dos irmãos. Em meados do primeiro semestre de 52 EC, ele fez planos de ir à Síria de navio, partindo do porto de Cencreia, que ficava uns 11 quilômetros a leste de Corinto. Antes de sair de Cencreia, porém, Paulo “cortou rente o cabelo, pois tinha feito um voto”.c (Atos 18:18) Depois disso, ele levou Áquila e Priscila com ele e atravessou o mar Egeu rumo a Éfeso, na Ásia Menor.
18 Enquanto o navio partia de Cencreia, Paulo provavelmente refletia no período que passou em Corinto. Ele tinha muitas boas lembranças e motivos para ter um grande senso de realização. Seu ministério de um ano e meio ali deu muitos frutos. A primeira congregação em Corinto havia sido formada, e a casa de Tício Justo era seu local de reunião. Entre os que se haviam tornado cristãos estavam Tício Justo, Crispo e sua família, e muitos outros. Paulo amava esses novos irmãos, pois os havia ajudado a se tornarem cristãos. Mais tarde, Paulo escreveria a eles, descrevendo-os como uma carta de recomendação inscrita em seu coração. Nós também nos sentimos achegados àqueles a quem tivemos o privilégio de ajudar a aceitar a adoração verdadeira. Como é recompensador ver essas “cartas [vivas] de recomendação”! — 2 Cor. 3:1-3.
19, 20. O que Paulo fez ao chegar a Éfeso, e o que aprendemos dele a respeito de buscar alvos espirituais?
19 Ao chegar a Éfeso, Paulo foi direto ao trabalho; ele “entrou na sinagoga e raciocinou com os judeus”. (Atos 18:19) Dessa vez, Paulo ficou pouco tempo em Éfeso. Embora lhe tivessem pedido para ficar mais tempo, Paulo “não aceitou”. Ao se despedir, ele disse aos efésios: “Voltarei novamente para cá, se Jeová quiser.” (Atos 18:20, 21) Paulo certamente reconhecia que havia muito trabalho de pregação a ser feito em Éfeso. O apóstolo pretendia voltar, mas decidiu deixar esse assunto nas mãos de Jeová. Não é esse um bom exemplo para termos em mente? Ao buscarmos alcançar alvos espirituais, precisamos tomar a iniciativa. Mas sempre devemos confiar na orientação de Jeová e procurar agir de acordo com sua vontade. — Tia. 4:15.
20 Depois de deixar Áquila e Priscila em Éfeso, Paulo foi de navio até Cesareia. Pelo visto, ele “subiu” a Jerusalém e cumprimentou a congregação ali. (Veja a nota de estudo em Atos 18:22, nwtsty.) Então Paulo foi para Antioquia da Síria, local que servia como uma espécie de base para as suas atividades missionárias. Sua segunda viagem missionária havia sido concluída com sucesso. O que o aguardava na sua próxima e última viagem missionária?
a Veja o quadro “Corinto — senhora de dois mares”.
b Veja o quadro “Cartas inspiradas que forneceram encorajamento”.
c Veja o quadro “O voto de Paulo”.
-
-
“A palavra . . . crescia e prevalecia” apesar de oposição‘Dê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
-
-
CAPÍTULO 20
“A palavra . . . crescia e prevalecia” apesar de oposição
Apolo e Paulo contribuem para o contínuo avanço das boas novas
Baseado em Atos 18:23–19:41
1, 2. (a) Que perigo Paulo e seus companheiros enfrentaram em Éfeso? (b) O que vamos analisar neste capítulo?
NAS ruas de Éfeso só se ouve gritaria e o forte barulho de multidões correndo. Uma turba se formou, causando um grande tumulto! Dois companheiros de viagem do apóstolo Paulo são agarrados e arrastados pela multidão. A larga rua do comércio, enfeitada por colunas, fica vazia à medida que as pessoas se juntam à furiosa e crescente multidão que invade o enorme anfiteatro da cidade, com capacidade para 25 mil pessoas. A maioria dos presentes nem sabe o que causou esse alvoroço, mas suspeita que seu templo e sua amada deusa Ártemis estão sendo ameaçados. Assim, começam a gritar sem parar: “Grande é a Ártemis dos efésios!” — Atos 19:34.
2 Novamente vemos Satanás tentando usar uma turba violenta para impedir a divulgação das boas novas do Reino de Deus. É claro que a ameaça de violência não é a única tática de Satanás. Neste capítulo, analisaremos várias táticas que ele usou para tentar acabar com a obra e com a união dos cristãos do primeiro século. Mais importante do que isso, veremos que seus métodos falharam, pois ‘de modo poderoso, a palavra de Jeová cresceu e prevaleceu’. (Atos 19:20) Por que aqueles cristãos foram bem-sucedidos? Pelas mesmas razões que nós somos hoje. É claro que o mérito é de Jeová; não nosso. Mas, assim como os cristãos do primeiro século, nós precisamos fazer nossa parte. Com a ajuda do espírito de Jeová, podemos desenvolver qualidades que nos ajudarão a ser bem-sucedidos no ministério. Vamos analisar primeiro o exemplo de Apolo.
Ele “tinha grande conhecimento das Escrituras” (Atos 18:24-28)
3, 4. O que Áquila e Priscila perceberam com respeito ao conhecimento de Apolo, e como lidaram com isso?
3 Apolo chegou na cidade de Éfeso enquanto Paulo estava indo para lá durante sua terceira viagem missionária. Apolo era judeu e natural da famosa cidade de Alexandria, no Egito. Ele tinha várias qualidades notáveis. Ele se expressava muito bem. Além de ser eloquente, ele “tinha grande conhecimento das Escrituras”. Também era “fervoroso no espírito”. Cheio de zelo, Apolo falava destemidamente diante dos judeus na sinagoga. — Atos 18:24, 25.
4 Áquila e Priscila ouviram um discurso de Apolo. Com certeza eles ficaram muito animados ao ouvi-lo ensinar “sobre Jesus com exatidão”. O que ele disse sobre Jesus era correto. Mas não demorou muito para esse casal cristão perceber que o conhecimento de Apolo era incompleto, pois ele “conhecia apenas o batismo de João”. Esse humilde casal, cuja profissão era fabricar tendas, não ficou inibido diante da eloquência e grande instrução de Apolo. Em vez disso, eles “chamaram-no em particular e lhe explicaram com mais exatidão o caminho de Deus”. (Atos 18:25, 26) Como esse homem eloquente e bem instruído reagiu? Pelo visto, ele demonstrou uma das qualidades mais importantes que um cristão pode desenvolver — a humildade.
5, 6. O que fez de Apolo uma pessoa mais útil para Jeová, e o que podemos aprender de seu exemplo?
5 Por aceitar a ajuda de Áquila e Priscila, Apolo se tornou mais útil como servo de Jeová. Ele viajou para a Acaia, onde “ajudou muito” os irmãos. Sua pregação também foi eficiente contra os judeus daquela região que insistiam que Jesus não era o prometido Messias. Lucas relata: “Em público e com grande determinação, ele provava plenamente que os judeus estavam errados, demonstrando-lhes pelas Escrituras que Jesus é o Cristo.” (Atos 18:27, 28) Apolo se tornou uma grande bênção! De fato, ele era outra razão pela qual “a palavra de Jeová” continuava a prevalecer. O que podemos aprender do exemplo de Apolo?
6 Cultivar humildade é essencial para os cristãos. Cada um de nós é abençoado com vários dons — quer sejam habilidades naturais, experiência de vida, quer conhecimento adquirido. Mas a humildade deve estar acima dos dons que temos. Caso contrário, nossos pontos fortes podem se tornar nossas fraquezas. Poderíamos nos tornar solo fértil para a erva daninha do orgulho. (1 Cor. 4:7; Tia. 4:6) Se formos realmente humildes, nós nos esforçaremos para considerar os outros como superiores a nós. (Fil. 2:3) Não ficaremos ofendidos quando formos corrigidos nem criaremos resistência ao sermos ensinados por outros. Não nos apegaremos com teimosia a nossas próprias ideias quando descobrirmos que elas não estão de acordo com as orientações mais atualizadas do espírito santo. Enquanto demonstrarmos humildade, seremos úteis a Jeová e a seu Filho. — Luc. 1:51, 52.
7. Como Paulo e Apolo deram um excelente exemplo de humildade?
7 A humildade também é capaz de eliminar qualquer espírito de rivalidade. Consegue imaginar o quanto Satanás queria causar divisões entre os primeiros cristãos? Ele teria ficado muito feliz se tivesse conseguido fazer com que dois irmãos tão ativos na verdade como Apolo e Paulo se tornassem rivais que, motivados por ciúmes, competissem por influência entre as congregações. Isso poderia facilmente ter acontecido. Afinal, em Corinto, alguns cristãos começaram a dizer: “Eu pertenço a Paulo”, enquanto outros diziam: “Mas eu a Apolo.” Será que Paulo e Apolo incentivavam essas atitudes que poderiam causar divisão dentro da congregação? Não! Ao contrário, Paulo reconhecia a contribuição de Apolo para a obra de pregação, tanto que lhe dava privilégios de serviço. Apolo, por sua vez, seguia as orientações de Paulo. (1 Cor. 1:10-12; 3:6, 9; Tito 3:12, 13) Esse é um excelente exemplo de como agir com humildade ao trabalharmos junto com nossos irmãos.
“Raciocinando de forma persuasiva a respeito do Reino” (Atos 18:23; 19:1-10)
8. Que caminho Paulo fez para retornar a Éfeso, e por quê?
8 Paulo havia prometido retornar a Éfeso, e ele cumpriu sua palavra.a (Atos 18:20, 21) Mas observe qual foi o caminho que Paulo fez para retornar a Éfeso. Ele estava em Antioquia da Síria. O caminho mais fácil seria fazer uma pequena viagem até Selêucia, embarcar num navio e ir direto para Éfeso. Mas, em vez disso, ele viajou “pelas regiões do interior”. Segundo certa estimativa, a viagem de Paulo, conforme registrada em Atos 18:23 e 19:1, foi de cerca de 1.600 quilômetros! Por que Paulo escolheu o trajeto mais difícil? Porque ele queria ‘fortalecer todos os discípulos’. (Atos 18:23) Sua terceira viagem missionária, assim como as duas anteriores, exigiria muito dele, mas Paulo tinha certeza de que todo o esforço valeria a pena. Hoje, os superintendentes de circuito e suas esposas demonstram disposição similar. Não somos gratos por seu amor abnegado?
9. Por que um grupo de discípulos precisava ser batizado novamente, e que lição aprendemos deles?
9 Ao chegar a Éfeso, Paulo encontrou um grupo de cerca de 12 discípulos de João Batista. Eles haviam sido batizados no batismo de João quando esse batismo não era mais válido. Além disso, eles pareciam saber pouco ou nada sobre o espírito santo. Paulo lhes explicou o entendimento mais atualizado, e, como Apolo, eles se mostraram humildes e ansiosos para aprender. Depois de serem batizados no nome de Jesus, eles receberam espírito santo e alguns dons milagrosos. Isso deixa claro que estar em dia com os avanços da organização teocrática de Jeová resulta em bênçãos. — Atos 19:1-7.
10. Por que Paulo saiu da sinagoga e foi para um auditório, e que exemplo isso estabeleceu para nosso ministério?
10 Logo aconteceu outro exemplo de progresso. Por três meses, Paulo pregou com coragem na sinagoga. Apesar de ele ter ‘raciocinado de forma persuasiva a respeito do Reino de Deus’, alguns ficaram obstinados e se tornaram verdadeiros opositores. Em vez de perder tempo com aqueles que “falavam mal do Caminho”, Paulo tomou providências para falar no auditório de uma escola. (Atos 19:8, 9) Os que desejavam fazer progresso espiritual precisavam sair da sinagoga e ir até o auditório. Assim como Paulo, nós talvez decidamos encerrar uma conversa quando percebemos que o morador não quer ouvir ou só quer discutir. Ainda há muitas pessoas semelhantes a ovelhas que precisam ouvir nossa mensagem animadora.
11, 12. (a) Como Paulo deixou um exemplo em ser diligente e flexível? (b) Como as Testemunhas de Jeová têm se esforçado a ser diligentes e flexíveis em seu ministério?
11 Paulo talvez falasse naquele auditório todos os dias, de cerca das 11 horas da manhã até por volta das 4 horas da tarde. (Veja a nota de estudo em Atos 19:9, nwtsty.) Esse talvez fosse o período mais calmo do dia, mas ao mesmo tempo o mais quente, quando muitos paravam de trabalhar para comer e descansar. Se Paulo tiver seguido essa programação por dois anos completos, ele passou bem mais de 3 mil horas ensinando a palavra de Deus.b Essa é outra razão pela qual a palavra de Jeová continuava a crescer e a prevalecer. Paulo era diligente e flexível. Ele adaptou a programação de seu ministério às necessidades das pessoas naquela localidade. Qual foi o resultado? “Todos os que moravam na província da Ásia, tanto judeus como gregos, ouviram a palavra do Senhor.” (Atos 19:10) Sem dúvida, ele deu um testemunho cabal!
Nós nos esforçamos para encontrar as pessoas onde quer que elas estejam
12 Hoje, as Testemunhas de Jeová também são diligentes e flexíveis. Nós nos esforçamos para falar com as pessoas quando e onde elas podem ser encontradas. Damos testemunho nas ruas, no comércio e em estacionamentos. Podemos entrar em contato com as pessoas por telefone ou por carta. E, no serviço de casa em casa, fazemos esforços para encontrar os moradores no horário em que é mais provável que estejam em casa.
“A palavra . . . crescia e prevalecia” apesar dos espíritos maus (Atos 19:11-22)
13, 14. (a) O que Jeová habilitou Paulo a realizar? (b) Que erro cometeram os filhos de Ceva, e como muitos da cristandade hoje fazem o mesmo?
13 Lucas nos informa que um notável período se seguiu. Jeová habilitou Paulo a realizar “extraordinárias obras poderosas”. Só de levar às pessoas os panos e aventais que Paulo usava, elas eram curadas; e os espíritos maus, expulsos.c (Atos 19:11, 12) Essas impressionantes vitórias sobre as forças de Satanás chamavam muita atenção, o que nem sempre era algo bom.
14 Certos “judeus que viajavam de um lugar a outro expulsando demônios” tentaram imitar os milagres de Paulo. Alguns desses judeus tentaram expulsar demônios por invocar o nome de Jesus e de Paulo. Lucas cita o exemplo dos sete filhos de Ceva — membros de uma família sacerdotal — que procuraram fazer isso. O demônio disse a eles: “Eu conheço Jesus e sei quem é Paulo. Mas quem são vocês?” Então, o homem com o demônio atacou aqueles impostores, pulando em cima deles como uma fera e fazendo com que saíssem correndo, feridos e nus. (Atos 19:13-16) Isso foi uma vitória para “a palavra de Jeová”, pois o contraste entre o poder dado a Paulo e a incapacidade daqueles falsos religiosos não poderia ter sido mais claro. Milhões hoje cometem o erro de achar que apenas clamar o nome de Jesus ou dizer que é “cristão” é suficiente. Mas Jesus indicou que só os que realmente fazem a vontade de seu Pai têm verdadeira esperança para o futuro. — Mat. 7:21-23.
15. No que se refere ao ocultismo e a objetos ligados a essa prática, como podemos imitar os efésios?
15 A humilhação dos filhos de Ceva fez com que muitos passassem a temer a Deus, levando várias pessoas a se tornar cristãs e a abandonar práticas ligadas ao ocultismo. A cultura dos efésios sofria forte influência das artes mágicas. Feitiçarias e amuletos eram comuns, bem como encantamentos, muitas vezes na forma escrita. Muitos efésios se sentiram motivados a juntar seus livros de artes mágicas e queimá-los em público, embora pelo visto valessem o equivalente a dezenas de milhares de dólares.d Lucas relata: “Assim, de modo poderoso, a palavra de Jeová crescia e prevalecia.” (Atos 19:17-20) Essa foi uma grande vitória da verdade sobre a falsidade e o demonismo. Aquelas pessoas nos deixaram um excelente exemplo. Nós também vivemos num mundo mergulhado no ocultismo. Se percebermos que temos algum objeto ligado ao ocultismo, devemos fazer assim como os efésios — nos livrar dele imediatamente. Vamos nos manter longe dessas práticas repugnantes, custe o que custar.
“Houve um grande tumulto” (Atos 19:23-41)
“Homens, vocês sabem muito bem que a nossa prosperidade vem deste negócio.” — Atos 19:25
16, 17. (a) Descreva como Demétrio deu início à confusão em Éfeso. (b) Como os efésios demonstraram seu fanatismo?
16 Vamos agora analisar a tática de Satanás descrita no início deste capítulo. Lucas escreveu que “houve um grande tumulto por causa do Caminho”. Ele não estava exagerando.e (Atos 19:23) Um prateiro chamado Demétrio deu início ao problema. Ele conseguiu a atenção de outros prateiros por primeiro lhes lembrar que a renda deles dependia da venda de ídolos. Ele prosseguiu dizendo que a mensagem que Paulo pregava era ruim para os negócios, pois os cristãos não adoravam ídolos. Daí ele apelou para o orgulho que seus ouvintes tinham de sua cidade e de sua nação, alertando-os que sua deusa Ártemis e o templo mundialmente conhecido que os efésios haviam dedicado a ela estavam correndo perigo de serem ‘destituídos de seu esplendor’. — Atos 19:24-27.
17 O discurso de Demétrio teve o resultado esperado. Os prateiros começaram a repetir vez após vez: “Grande é a Ártemis dos efésios!” e a cidade foi tomada pela confusão, dando início à turba fanática descrita no começo deste capítulo.f Por ter um espírito abnegado, Paulo quis entrar no anfiteatro a fim de falar com a multidão, mas os discípulos insistiram que ele ficasse longe do perigo. Um certo Alexandre ficou em pé diante da multidão e tentou falar. Como era judeu, talvez estivesse ansioso para explicar a diferença entre os judeus e aqueles cristãos. Essas explicações não significariam nada para aquela multidão. Quando perceberam que ele era judeu, começaram a gritar: “Grande é a Ártemis dos efésios!” abafando as palavras de Alexandre. Isso continuou por cerca de duas horas. Desde aquela época, o fanatismo religioso não mudou. Até hoje faz as pessoas agirem de modo completamente irracional. — Atos 19:28-34.
18, 19. (a) Como o administrador da cidade acalmou a turba em Éfeso? (b) Como o povo de Jeová às vezes é protegido pelas autoridades, e como nossa conduta pode contribuir para essa proteção?
18 Finalmente, o administrador da cidade acalmou a multidão. Essa autoridade competente e sensata assegurou à turba que aqueles cristãos não representavam nenhum perigo ao templo e à sua deusa; que Paulo e seus companheiros não haviam cometido nenhum crime contra o templo de Ártemis; e que havia procedimentos legais para apresentar tais questões. Talvez o argumento mais convincente tenha sido lembrá-los de que eles corriam o risco de cair no desfavor de Roma por causa daquele ajuntamento ilegal e desordenado. Então, ele dissolveu a multidão. Com a mesma rapidez com que havia ficado irada, a multidão se acalmou por causa dessas palavras sensatas e razoáveis. — Atos 19:35-41.
19 Essa não foi a primeira vez que um homem de bom senso que ocupava uma posição de autoridade agiu em favor dos seguidores de Jesus, nem seria a última. De fato, o apóstolo João previu numa visão que durante estes últimos dias os elementos estáveis deste mundo, retratados pela terra, iriam ‘engolir’ uma grande enxurrada de perseguição satânica contra os seguidores de Jesus. (Apo. 12:15, 16) Isso realmente tem acontecido. Em muitos casos, juízes imparciais decidem a favor dos direitos das Testemunhas de Jeová de se reunir para adoração e de divulgar as boas novas a outros. É claro que a nossa conduta pode contribuir muito para tais vitórias. A conduta de Paulo pelo visto fez com que algumas autoridades em Éfeso tivessem certa simpatia e respeito por ele, de modo que queriam vê-lo em segurança. (Atos 19:31) Que a nossa conduta respeitosa e honesta também possa causar uma boa impressão naqueles com quem temos contato. Nunca sabemos quais podem ser os efeitos a longo prazo.
20. (a) Como você se sente a respeito do fato de a palavra de Jeová ter prevalecido no primeiro século e continuar a prevalecer hoje? (b) Qual a sua determinação no que se refere às vitórias de Jeová em nossos dias?
20 Não é emocionante ver como “a palavra de Jeová crescia e prevalecia” no primeiro século? Também é emocionante ver como Jeová está por trás de vitórias similares em nossos dias. Gostaria de ter o privilégio de dar uma contribuição, mesmo que pequena, a essas vitórias? Então aprenda dos exemplos que consideramos. Seja humilde, se mantenha em dia com a organização de Jeová, continue a trabalhar arduamente, rejeite o ocultismo e faça o máximo para dar um bom testemunho por meio de sua conduta honesta e respeitosa.
a Veja o quadro “Éfeso — capital da Ásia”.
b Paulo também escreveu 1 Coríntios enquanto estava em Éfeso.
c Pode ser que os panos fossem lenços que Paulo usava na testa para evitar que o suor escorresse pelos olhos. O fato de Paulo usar aventais nessa época sugere que ele trabalhava fabricando tendas no seu tempo livre, talvez de manhã cedo. — Atos 20:34, 35.
d Lucas diz que o valor era de 50 mil moedas de prata. Caso Lucas estivesse se referindo ao denário, um trabalhador comum levaria 50 mil dias, ou seja, por volta de 137 anos, trabalhando sete dias por semana, para ganhar essa quantia.
e Alguns dizem que Paulo se referiu a esse incidente quando disse aos coríntios: “Ficamos muito apreensivos até mesmo quanto à nossa vida.” (2 Cor. 1:8) Mas pode ser que ele tivesse em mente uma ocasião mais perigosa. Quando Paulo escreveu que ‘lutou com feras em Éfeso’, ele talvez estivesse se referindo a alguma ocasião em que teve de enfrentar animais ferozes em uma arena ou talvez à oposição feroz por parte de humanos. (1 Cor. 15:32) Tanto a interpretação literal como a figurada são possíveis.
f Associações de profissionais, chamadas guildas, podiam ser muito influentes. Cerca de um século mais tarde, por exemplo, a guilda dos padeiros provocou uma confusão similar em Éfeso.
-
-
“Estou limpo do sangue de todos os homens”‘Dê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
-
-
CAPÍTULO 21
“Estou limpo do sangue de todos os homens”
O zelo de Paulo no ministério e seus conselhos para os anciãos
Baseado em Atos 20:1-38
1-3. (a) Descreva as circunstâncias em torno da morte de Êutico. (b) O que Paulo fez, e o que esse acontecimento mostra a respeito dele?
PAULO está numa sala lotada no terceiro andar de uma casa em Trôade. Ele fala por um bom tempo aos irmãos, pois essa é a última noite que estará com eles. Já é meia-noite. A sala está abafada e talvez com fumaça, pois há várias lamparinas acesas ali. Um jovem chamado Êutico está sentado em uma das janelas. Enquanto Paulo está falando, Êutico cai no sono e despenca da janela!
2 Por ser médico, Lucas provavelmente é um dos primeiros a correr para fora e examinar o jovem. Lucas não tem dúvidas: Êutico está “morto”. (Atos 20:9) Então acontece um milagre. Paulo se deita sobre o jovem e diz à multidão: “Parem com esse tumulto, pois ele está vivo.” Paulo trouxe Êutico de volta à vida. — Atos 20:10.
3 Esse acontecimento mostra o poder do espírito santo de Deus. Paulo não podia ser responsabilizado pela morte de Êutico. Mesmo assim, ele não queria que a morte daquele jovem estragasse essa importante ocasião ou fizesse alguém tropeçar espiritualmente. Por ressuscitar Êutico, Paulo consolou a congregação e deixou os irmãos ali fortalecidos para continuarem seu ministério. É evidente que Paulo se preocupava muito com a vida de outros. Somos lembrados de suas palavras: “Estou limpo do sangue de todos os homens.” (Atos 20:26) Vejamos como o exemplo de Paulo pode nos ajudar nesse respeito.
Ele “partiu em viagem para a Macedônia” (Atos 20:1, 2)
4. Que prova difícil Paulo tinha enfrentado?
4 Conforme vimos no capítulo anterior, Paulo tinha enfrentado uma prova difícil. Seu ministério em Éfeso havia causado uma grande confusão. De fato, os prateiros, cujo sustento dependia da adoração de Ártemis, tinham feito um tumulto! “Quando o alvoroço diminuiu”, Atos 20:1 relata, “Paulo mandou chamar os discípulos e, depois de os encorajar e se despedir deles, partiu em viagem para a Macedônia”.
5, 6. (a) Quanto tempo Paulo talvez tenha ficado na Macedônia, e o que ele fez pelos irmãos ali? (b) Que atitude Paulo mantinha em relação aos irmãos?
5 A caminho da Macedônia, Paulo parou no porto de Trôade e ficou algum tempo nessa cidade. Paulo esperava que Tito, que havia sido enviado a Corinto, se encontrasse com ele em Trôade. (2 Cor. 2:12, 13) Mas, quando ficou óbvio que Tito não viria, Paulo seguiu viagem até a Macedônia e talvez tenha ficado lá por mais ou menos um ano, ‘falando aos discípulos muitas palavras de encorajamento’.a (Atos 20:2) Por fim, Tito se encontrou com Paulo na Macedônia, levando boas notícias a respeito da reação dos coríntios à primeira carta de Paulo. (2 Cor. 7:5-7) Isso motivou Paulo a escrever outra carta a eles, conhecida hoje como 2 Coríntios.
6 É interessante notar que Lucas usa as palavras “encorajar” e “encorajamento” para descrever as visitas que Paulo fez aos irmãos em Éfeso e na Macedônia. Essas palavras descrevem muito bem a atitude de Paulo em relação a seus irmãos. Diferentemente dos fariseus, que tratavam outros com desprezo, Paulo encarava as ovelhas de Deus como seus colaboradores. (João 7:47-49; 1 Cor. 3:9) Ele mantinha essa atitude mesmo quando precisava dar fortes conselhos. — 2 Cor. 2:4.
7. Como os superintendentes cristãos hoje podem imitar o exemplo de Paulo?
7 Hoje, os anciãos congregacionais e os superintendentes de circuito se esforçam para imitar o exemplo de Paulo. Mesmo ao dar repreensão, seu objetivo é fortalecer os que precisam de ajuda. Com empatia, os superintendentes procuram encorajar os irmãos em vez de condená-los. Um superintendente de circuito experiente expressou isso da seguinte forma: “A maioria de nossos irmãos quer fazer o que é direito, mas eles muitas vezes lutam com frustrações, temores e o sentimento de que são incapazes de lidar com seus problemas.” Os superintendentes podem ser uma fonte de encorajamento para esses irmãos. — Heb. 12:12, 13.
“Fizeram uma conspiração contra ele” (Atos 20:3, 4)
8, 9. (a) O que interrompeu os planos de Paulo de pegar um barco para a Síria? (b) Por que os judeus talvez tenham nutrido muito ódio por Paulo?
8 Da Macedônia, Paulo foi a Corinto.b Depois de passar três meses ali, ele estava ansioso para ir a Cencreia, de onde planejava pegar um barco para a Síria. De lá, ele teria condições de ir a Jerusalém e entregar as contribuições aos irmãos que estavam passando necessidade.c (Atos 24:17; Rom. 15:25, 26) Mas uma inesperada reviravolta nos acontecimentos mudou os planos de Paulo. Atos 20:3 relata: “Os judeus fizeram uma conspiração contra ele.”
9 Não é de surpreender que os judeus nutrissem muito ódio por Paulo, pois eles o consideravam um apóstata. Anteriormente, o ministério dele havia resultado na conversão de Crispo — uma pessoa de destaque na sinagoga de Corinto. (Atos 18:7, 8; 1 Cor. 1:14) Em outra ocasião, os judeus em Corinto haviam levantado acusações contra Paulo diante de Gálio, procônsul da Acaia. Mas Gálio encerrou o caso, declarando que não havia base para as acusações — decisão que deixou os inimigos de Paulo furiosos. (Atos 18:12-17) Pode ser que os judeus em Corinto soubessem, ou pelo menos presumissem, que Paulo logo pegaria um barco ali perto, em Cencreia, e assim armaram uma emboscada para ele. O que Paulo faria?
10. Será que Paulo evitou ir a Cencreia por falta de coragem? Explique.
10 Pensando na sua própria segurança — e a fim de proteger o dinheiro que lhe havia sido confiado — Paulo decidiu ficar longe de Cencreia e voltar pelo caminho de onde veio, passando pela Macedônia. Naturalmente, a viagem por terra também tinha seus perigos. Naquela época, assaltantes costumavam ficar de emboscada nas estradas. Até mesmo as hospedarias podiam ser locais perigosos. Apesar disso, Paulo preferiu correr os riscos de uma viagem por terra a enfrentar o que o aguardava em Cencreia. Felizmente, ele não estava viajando sozinho. Nessa etapa de sua viagem missionária, os companheiros de Paulo incluíam Aristarco, Gaio, Segundo, Sópater, Timóteo, Tíquico e Trófimo. — Atos 20:3, 4.
11. Como os cristãos hoje tomam precauções razoáveis para se proteger, e que exemplo Jesus deixou nesse sentido?
11 Assim como Paulo, os cristãos hoje tomam precauções para se proteger quando estão no ministério. Em algumas regiões, em vez de ficarem sozinhos, eles andam em grupos, ou pelo menos em pares. E como agem quando são perseguidos? Os cristãos sabem que a perseguição é inevitável. (João 15:20; 2 Tim. 3:12) Mas nem por isso se expõem deliberadamente ao perigo. Veja o exemplo de Jesus. Em certa ocasião, quando opositores em Jerusalém começaram a pegar pedras para atirar nele, “Jesus se escondeu e saiu do templo”. (João 8:59) Mais tarde, quando os judeus estavam planejando matá-lo, “Jesus não andava mais publicamente entre os judeus, mas partiu dali para a região perto do deserto”. (João 11:54) Jesus tomou precauções razoáveis para se proteger quando fazer isso não entrava em conflito com a vontade de Deus para ele. Hoje os cristãos fazem o mesmo. — Mat. 10:16.
Eles foram “muito consolados” (Atos 20:5-12)
12, 13. (a) Que efeito a ressurreição de Êutico teve na congregação? (b) Que esperança bíblica consola os que perdem pessoas queridas na morte?
12 Paulo e seus companheiros viajaram juntos pela Macedônia e então, pelo que parece, tomaram caminhos diferentes e mais tarde se encontraram novamente em Trôade.d O relato diz: “Em cinco dias os encontramos em Trôade.”e (Atos 20:6) Foi nessa cidade que o jovem Êutico foi ressuscitado, como descrito no início deste capítulo. Imagine como os irmãos se sentiram ao ver seu amigo Êutico vivo novamente. Conforme diz o relato, eles foram “muito consolados”. — Atos 20:12.
13 É claro que milagres desse tipo não acontecem hoje. Mesmo assim, os que perderam pessoas queridas na morte são “muito consolados” pela esperança bíblica da ressurreição. (João 5:28, 29) Pense no seguinte: por ser imperfeito, Êutico acabou morrendo novamente. (Rom. 6:23) Mas os que forem ressuscitados no novo mundo de Deus terão a perspectiva de viver para sempre! Além disso, os que são ressuscitados para reinar com Jesus no céu são revestidos de imortalidade. (1 Cor. 15:51-53) Os cristãos hoje — quer dos ungidos, quer das “outras ovelhas” — têm bons motivos para se sentirem “muito consolados”. — João 10:16.
“Publicamente e de casa em casa” (Atos 20:13-24)
14. O que Paulo disse aos anciãos de Éfeso quando os encontrou em Mileto?
14 Paulo e seu grupo viajaram de Trôade a Assos e depois a Mitilene, Quios, Samos e Mileto. O objetivo de Paulo era chegar a Jerusalém a tempo da Festividade de Pentecostes; sua pressa para chegar a Jerusalém explica por que ele escolheu uma embarcação que não pararia em Éfeso nessa viagem de volta. Mas, visto que Paulo queria conversar com os anciãos de Éfeso, o apóstolo pediu que eles o encontrassem em Mileto. (Atos 20:13-17) Quando eles chegaram, Paulo lhes disse: “Vocês bem sabem como me comportei entre vocês desde o primeiro dia em que pisei na província da Ásia: trabalhei como escravo para o Senhor, com toda humildade e com lágrimas, sofrendo provações por causa das conspirações dos judeus; ao mesmo tempo não deixei de falar a vocês coisa alguma que fosse proveitosa, nem de ensiná-los publicamente e de casa em casa. Mas eu dei testemunho de forma cabal, tanto a judeus como a gregos, de que deviam se arrepender e se voltar para Deus, e ter fé no nosso Senhor Jesus.” — Atos 20:18-21.
15. Quais são algumas vantagens da pregação de casa em casa?
15 Há muitas formas de alcançar as pessoas com as boas novas hoje. Como Paulo, nós nos esforçamos a ir onde quer que haja pessoas, seja em pontos de ônibus, em ruas movimentadas, seja no comércio. Mas ir de casa em casa continua a ser o principal método de pregação das Testemunhas de Jeová. Por quê? Por um lado, a pregação de casa em casa dá a todos a oportunidade de ouvir a mensagem do Reino regularmente, demonstrando assim a imparcialidade de Deus. Permite também que os sinceros recebam ajuda individualizada de acordo com suas necessidades. Além disso, o ministério de casa em casa fortalece a fé e a perseverança dos que se empenham nessa atividade. Realmente, uma marca registrada dos cristãos verdadeiros hoje é seu zelo em pregar “publicamente e de casa em casa”.
16, 17. Como Paulo mostrou que era corajoso, e como os cristãos hoje imitam seu exemplo?
16 Paulo explicou aos anciãos de Éfeso que ele não sabia os perigos que o aguardavam ao voltar a Jerusalém. “Contudo, eu não considero a minha vida preciosa para mim”, ele lhes disse, “o importante é que eu possa terminar a minha corrida e o ministério que recebi do Senhor Jesus: dar um testemunho cabal das boas novas a respeito da bondade imerecida de Deus”. (Atos 20:24) Com coragem, Paulo se recusou a deixar que qualquer circunstância — fosse saúde fraca ou amarga oposição — o impedisse de cumprir sua designação.
17 Hoje também os cristãos enfrentam vários tipos de circunstâncias negativas. Alguns enfrentam proscrição e perseguição. Outros corajosamente lutam contra graves doenças físicas ou emocionais. Os jovens lidam com a pressão de colegas na escola. Não importam as circunstâncias em que estejam, as Testemunhas de Jeová mostram determinação, assim como Paulo. Estão decididas a “dar um testemunho cabal das boas novas”.
“Prestem atenção a si mesmos e a todo o rebanho” (Atos 20:25-38)
18. Como Paulo se manteve livre de culpa de sangue, e como os anciãos de Éfeso poderiam fazer o mesmo?
18 A seguir, Paulo deu forte conselho aos anciãos de Éfeso, usando seu próprio modo de vida como exemplo. Primeiro, ele os informou de que essa provavelmente seria a última vez que o veriam. Então ele disse: “Estou limpo do sangue de todos os homens, pois não deixei de declarar a vocês toda a vontade de Deus.” Como os anciãos de Éfeso poderiam imitar a Paulo e dessa forma não terem culpa de sangue? Ele lhes disse: “Prestem atenção a si mesmos e a todo o rebanho, sobre o qual o espírito santo os designou como superintendentes, para pastorearem a congregação de Deus, que ele comprou com o sangue do seu próprio Filho.” (Atos 20:26-28) Paulo avisou que “lobos ferozes” se infiltrariam no rebanho e ‘falariam coisas deturpadas para arrastar os discípulos atrás de si’. O que os anciãos deveriam fazer? “Fiquem despertos”, avisou Paulo, “e lembrem-se de que por três anos, noite e dia, não parei de exortar a cada um de vocês, com lágrimas”. — Atos 20:29-31.
19. Que apostasia se desenvolveu no final do primeiro século, e a que isso levou nos séculos seguintes?
19 Esses “lobos ferozes” apareceram no final do primeiro século. Por volta de 98 EC, o apóstolo João escreveu: “Já surgiram agora muitos anticristos. . . . Eles saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco.” (1 João 2:18, 19) No terceiro século, a apostasia já havia levado ao surgimento da classe clerical da cristandade, e no quarto século o Imperador Constantino deu reconhecimento oficial a essa forma corrupta de “cristianismo”. Por terem adotado rituais pagãos, dando-lhes uma aparência “cristã”, os líderes religiosos de fato ‘falaram coisas deturpadas’. Ainda se podem ver os efeitos de tal apostasia nos ensinos e costumes da cristandade.
20, 21. Como Paulo demonstrou um espírito abnegado, e como os anciãos cristãos podem fazer o mesmo hoje?
20 O modo de vida do apóstolo Paulo estava em nítido contraste com o daqueles que mais tarde se aproveitariam do rebanho. Ele trabalhava para se sustentar a fim de não ser um fardo para a congregação. Seus esforços a favor dos irmãos não tinham por objetivo obter riquezas. Paulo incentivou os anciãos efésios a demonstrarem um espírito abnegado. “Vocês devem ajudar os fracos”, Paulo lhes disse, “e ter em mente as palavras do Senhor Jesus, que disse: ‘Há mais felicidade em dar do que em receber.’” — Atos 20:35.
21 Assim como Paulo, os anciãos cristãos hoje são abnegados. Em contraste com os clérigos da cristandade, que tiram proveito de seu rebanho, aqueles a quem se confia a responsabilidade de “pastorearem a congregação de Deus” cumprem com suas responsabilidades de modo altruísta. O orgulho e a ambição não têm lugar na congregação cristã, pois os que ‘buscam a própria glória’ vão falhar a longo prazo. (Pro. 25:27) A presunção só leva à desonra. — Pro. 11:2.
“Todos começaram a chorar muito.” — Atos 20:37
22. O que tornou Paulo uma pessoa muito amada pelos anciãos de Éfeso?
22 Paulo era muito amado pelos irmãos por causa do genuíno amor que ele próprio demonstrava a eles. De fato, quando chegou a hora de Paulo ir embora, “todos começaram a chorar muito; então abraçaram Paulo e o beijaram ternamente”. (Atos 20:37, 38) Os cristãos prezam e amam muito aqueles que, assim como Paulo, dão de si mesmos a favor do rebanho. Depois de analisar o excelente exemplo de Paulo, não concorda que ele não exagerou nem foi presunçoso ao dizer: “Estou limpo do sangue de todos os homens”? — Atos 20:26.
a Veja o quadro “As cartas que Paulo escreveu na Macedônia”.
b É provável que Paulo tenha escrito a carta aos Romanos durante essa visita a Corinto.
c Veja o quadro “Paulo entrega contribuições para ajudar os irmãos necessitados”.
d Visto que Atos 20:5, 6 é narrado em primeira pessoa, parece que Lucas se juntou novamente a Paulo em Filipos depois de ter sido deixado ali por Paulo algum tempo antes. — Atos 16:10-17, 40.
e A viagem de Filipos até Trôade levou cinco dias. Pode ser que os ventos não estivessem favoráveis, pois anteriormente essa mesma viagem havia sido feita em apenas dois dias. — Atos 16:11.
-
-
“Seja feita a vontade de JeovᔑDê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
-
-
CAPÍTULO 22
“Seja feita a vontade de Jeová”
Decidido a fazer a vontade de Deus, Paulo vai a Jerusalém
Baseado em Atos 21:1-17
1-4. Por que Paulo estava indo a Jerusalém, e o que o aguardava ali?
TODOS em Mileto estão emocionados com a partida de Paulo e Lucas. Para esses dois missionários, não é fácil ter de se despedir dos anciãos efésios, a quem tanto amam. Os dois estão no convés do navio. Em sua bagagem há suprimentos para a viagem. Eles também estão levando as contribuições que recolheram para os cristãos que estão passando necessidade na Judeia e não veem a hora de poder entregar o dinheiro a esses irmãos.
2 Uma suave brisa enche as velas, e o navio se afasta do barulhento cais. Os dois homens, e os outros sete que viajam com eles, olham para os semblantes tristes dos irmãos na costa. (Atos 20:4, 14, 15) Os viajantes dão adeus até não conseguirem mais ver seus amigos na praia.
3 Por cerca de três anos, Paulo trabalhou lado a lado com os anciãos de Éfeso. Mas agora, orientado pelo espírito santo, ele está a caminho de Jerusalém. Até certo ponto, ele sabe o que o aguarda. Anteriormente, ele havia dito aos anciãos: “Compelido pelo espírito, viajo para Jerusalém, embora não saiba o que me acontecerá lá; só sei que, de cidade em cidade, o espírito santo me avisa repetidamente que me aguardam prisões e tribulações.” (Atos 20:22, 23) Apesar do perigo, Paulo sente-se “compelido pelo espírito”, ou seja, ele se sente na obrigação de seguir a orientação do espírito e ir a Jerusalém, e também está disposto a fazer isso. Ele não quer morrer, mas fazer a vontade de Deus é o mais importante para ele.
4 É assim que você se sente? Quando nos dedicamos a Jeová, solenemente prometemos que fazer a vontade dele seria a coisa mais importante em nossa vida. Analisar o exemplo do fiel apóstolo Paulo será proveitoso para nós.
Passaram pela “ilha de Chipre” (Atos 21:1-3)
5. Que percurso Paulo e seus companheiros fizeram até Tiro?
5 O navio em que estavam Paulo e seus companheiros ‘navegou diretamente’, ou seja, navegou a favor do vento, sem fazer zigue-zague, até chegar a Cós mais tarde naquele mesmo dia. (Atos 21:1) Parece que o navio ficou ancorado ali durante a noite antes de zarpar para Rodes e Pátara. Em Pátara, na costa sul da Ásia Menor, os irmãos embarcaram em um grande navio de carga, que os levou direto a Tiro, na Fenícia. No caminho, eles passaram pela ‘ilha de Chipre à esquerda [a bombordo]’ do navio. (Atos 21:3) Por que Lucas, o escritor do livro de Atos, mencionou esse detalhe?
6. (a) Por que ver a ilha de Chipre talvez tenha encorajado Paulo? (b) Ao refletir em como Jeová tem abençoado e ajudado você, a que conclusão você chega?
6 Talvez Paulo tenha apontado para a ilha e mencionado algumas das coisas que passou ali. Na sua primeira viagem missionária, por volta de nove anos antes, Paulo, Barnabé e João Marcos encontraram o feiticeiro Elimas, que se opôs à pregação deles. (Atos 13:4-12) Ver aquela ilha e refletir no que havia ocorrido ali pode ter encorajado Paulo e o fortalecido para o que estava para acontecer. Nós também podemos nos beneficiar por refletir em como Deus nos tem abençoado e ajudado a enfrentar provações. Esse tipo de reflexão pode nos ajudar a nos sentir como Davi, que escreveu: “Muitas são as dificuldades do justo, mas Jeová o livra de todas elas.” — Sal. 34:19.
“Procuramos os discípulos e os encontramos” (Atos 21:4-9)
7. O que os viajantes fizeram ao chegar a Tiro?
7 Paulo reconhecia o valor da associação cristã e tinha muita vontade de estar com os irmãos. Lucas escreve o que ele próprio e os outros viajantes fizeram ao chegar a Tiro: “Procuramos os discípulos e os encontramos.” (Atos 21:4) Sabendo que havia cristãos em Tiro, os viajantes os procuraram e provavelmente ficaram com eles. Uma das maiores bênçãos de conhecer a verdade é que, não importa aonde formos, encontraremos irmãos que pensam como nós e que nos receberão bem. Os que amam a Deus e praticam a adoração verdadeira têm amigos em todo o mundo.
8. Como devemos entender Atos 21:4?
8 Ao descrever os sete dias que os viajantes ficaram em Tiro, Lucas registra algo que pode parecer estranho a princípio: “Por meio do espírito, [os irmãos em Tiro] diziam repetidas vezes a Paulo que não pisasse em Jerusalém.” (Atos 21:4) Será que Jeová não queria mais que Paulo fosse a Jerusalém? Esse não era o caso. O espírito havia indicado que Paulo seria maltratado em Jerusalém, não que ele deveria evitar ir a essa cidade. Parece que, por meio do espírito santo, os irmãos em Tiro concluíram corretamente que Paulo enfrentaria dificuldades em Jerusalém. Assim, por estarem preocupados com o bem-estar de Paulo, eles o incentivaram a não ir àquela cidade. Eles queriam proteger Paulo do perigo que o aguardava, e isso era compreensível. Mesmo assim, decidido a fazer a vontade de Jeová, Paulo continuou sua viagem até Jerusalém. — Atos 21:12.
9, 10. (a) De qual situação Paulo talvez se tenha lembrado ao ouvir a preocupação dos irmãos em Tiro? (b) Que ideia é comum no mundo hoje, e como isso se contrasta com as palavras de Jesus?
9 Ao ouvir a preocupação dos irmãos, Paulo talvez se tenha lembrado de que Jesus enfrentou objeção similar depois de ter dito aos discípulos que ele iria a Jerusalém, sofreria muitas coisas e seria morto. Levado pelas emoções, Pedro disse a Jesus: “Tenha compaixão de si mesmo, Senhor! Isso de modo algum lhe acontecerá.” Jesus respondeu: “Para trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, porque não tem os pensamentos de Deus, mas os de homens.” (Mat. 16:21-23) Jesus estava decidido a aceitar o proceder abnegado que Deus lhe havia designado. Paulo tinha a mesma determinação. Os irmãos em Tiro, assim como o apóstolo Pedro, sem dúvida tinham boas intenções, mas não discerniam a vontade de Deus.
Seguir o exemplo de Jesus exige um espírito abnegado
10 A ideia de se poupar ou de adotar a lei do menor esforço atrai a muitos hoje. As pessoas de modo geral procuram uma religião que as deixe à vontade e que não exija muito de seus membros. Em contraste com isso, Jesus destacou a necessidade de ter uma atitude mental totalmente diferente. Ele disse a seus discípulos: “Se alguém quer ser meu seguidor, negue a si mesmo, apanhe sua estaca de tortura e siga-me sempre.” (Mat. 16:24) Seguir a Jesus é o proceder sábio e correto, mas não é o mais fácil.
11. Como os discípulos em Tiro mostraram que amavam e apoiavam Paulo?
11 Logo chegou a hora de Paulo, Lucas e os outros que estavam com eles prosseguirem viagem. A descrição de sua partida é comovente. Mostra a afeição que os irmãos em Tiro tinham por Paulo e o grande apoio que davam ao ministério dele. Os homens, as mulheres e as crianças acompanharam Paulo e os outros viajantes até a praia. Como grupo, eles se ajoelharam e oraram, e então se despediram. Depois disso, Paulo, Lucas e seus companheiros pegaram um barco e continuaram até Ptolemaida, onde encontraram os irmãos e ficaram com eles por um dia. — Atos 21:5-7.
12, 13. (a) Que registro de serviço fiel Filipe tinha? (b) Como Filipe é um bom exemplo para os chefes de família cristãos hoje?
12 Lucas relata que, a seguir, Paulo e os que viajavam com ele foram para Cesareia. Chegando lá, eles ‘entraram na casa de Filipe, o evangelizador’.a (Atos 21:8) Eles devem ter se alegrado muito de ver Filipe. Uns 20 anos antes em Jerusalém, ele tinha sido designado pelos apóstolos para ajudar na distribuição de alimentos na então recém-formada congregação cristã. Filipe tinha um longo registro de pregação zelosa. Lembre-se de que, quando a perseguição espalhou os discípulos, Filipe foi para Samaria e começou a pregar. Mais tarde, ele pregou ao eunuco etíope e o batizou. (Atos 6:2-6; 8:4-13, 26-38) Que excelente registro de serviço fiel!
13 Filipe não tinha perdido seu zelo pelo ministério. Morando agora em Cesareia, ele ainda estava ocupado na pregação, conforme Lucas indica ao chamá-lo de “o evangelizador”. Também ficamos sabendo que ele agora tinha quatro filhas que profetizavam, o que sugere que elas seguiram os passos do pai.b (Atos 21:9) Isso mostra que Filipe deve ter se esforçado muito para edificar a espiritualidade de sua família. Os chefes de família fazem bem em imitar o exemplo de Filipe, tomando a dianteira no ministério e ajudando os filhos a desenvolver amor pelo serviço de pregação.
14. Sem dúvida, qual foi o resultado das visitas de Paulo a seus irmãos cristãos, e que oportunidades similares existem hoje?
14 Num lugar após outro, Paulo procurava os irmãos e passava tempo com eles. Com certeza os irmãos locais estavam ansiosos para mostrar hospitalidade a esse missionário viajante e seus companheiros. Essas visitas sem dúvida resultavam em todos ‘se encorajarem mutuamente’. (Rom. 1:11, 12) Hoje também há oportunidades similares. Há muitos benefícios em abrir as portas de nosso lar, mesmo que seja humilde, para um superintendente de circuito e sua esposa. — Rom. 12:13.
“Estou pronto . . . para morrer” (Atos 21:10-14)
15, 16. Que mensagem Ágabo trouxe, e que efeito ela teve nos que a ouviram?
15 Durante o tempo em que Paulo ficou com Filipe, chegou outro visitante respeitado — Ágabo. Os que estavam na casa de Filipe sabiam que Ágabo era profeta; ele havia predito uma grande fome durante o reinado de Cláudio. (Atos 11:27, 28) Talvez eles se estivessem perguntando: ‘Por que Ágabo veio? Que mensagem ele traz?’ Todos olhavam atentamente para Ágabo enquanto ele pegava o cinto que Paulo usava — uma faixa de tecido que poderia guardar dinheiro e outros itens. Ágabo amarrou seus próprios pés e mãos com esse cinto. Então começou a falar. Sua mensagem era muito séria: “Assim diz o espírito santo: ‘O homem a quem pertence este cinto será amarrado assim pelos judeus em Jerusalém, e eles o entregarão às mãos de pessoas das nações.’” — Atos 21:11.
16 A profecia confirmou que Paulo iria a Jerusalém. Também indicou que seus tratos com os judeus ali resultariam em ele ser entregue “às mãos de pessoas das nações”. A profecia teve um profundo impacto nos que estavam presentes. Lucas escreve: “Quando ouvimos isso, tanto nós como os que estavam ali começamos a lhe implorar que não subisse a Jerusalém. Paulo respondeu então: ‘O que estão fazendo, chorando e tentando enfraquecer a minha determinação? Estejam certos de que estou pronto não só para ser amarrado, mas também para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.’” — Atos 21:12, 13.
17, 18. Como Paulo permaneceu firme em sua decisão, e como os irmãos reagiram?
17 Imagine a cena. Os irmãos, incluindo Lucas, tentam convencer Paulo a não prosseguir viagem. Alguns choram. Comovido pela preocupação amorosa que os irmãos mostram por ele, Paulo carinhosamente diz que eles estão “tentando enfraquecer a [sua] determinação”, ou, como algumas traduções vertem o grego, eles estão “partindo [seu] coração”. Apesar disso, ele permanece firme em sua decisão, e, assim como quando encontrou com os irmãos em Tiro, ele não permitirá que súplicas ou lágrimas o façam vacilar. Em vez disso, Paulo lhes explica por que ele deve prosseguir. Que coragem e determinação ele mostrou! Assim como Jesus havia feito, Paulo estava decidido a ir a Jerusalém. (Heb. 12:2) Paulo não estava procurando ser um mártir, mas, se isso acontecesse, ele consideraria uma honra morrer como seguidor de Cristo Jesus.
18 Como os irmãos reagiram? Resumindo, eles reagiram respeitosamente. Lemos: “Como não conseguimos convencê-lo, paramos de insistir e dissemos: ‘Seja feita a vontade de Jeová.’” (Atos 21:14) Os que tentaram convencer Paulo a não ir a Jerusalém não ficaram insistindo para que as coisas ocorressem conforme eles queriam. Escutaram Paulo e cederam, reconhecendo e aceitando a vontade de Jeová, apesar de isso ser difícil para eles. Paulo tinha iniciado uma jornada que por fim o levaria à morte. Seria mais fácil para ele se aqueles que o amavam não tentassem fazê-lo desistir.
19. Que lição valiosa aprendemos do que aconteceu com Paulo?
19 Aprendemos uma importante lição do que aconteceu com Paulo: nunca queremos tentar convencer outros a não se empenhar por um proceder abnegado no serviço a Deus. Podemos aplicar essa lição a muitas situações, não apenas às que envolvem vida ou morte. Por exemplo, ao passo que muitos pais cristãos acham difícil ver seus filhos saírem de casa para servir a Jeová em designações distantes, eles estão decididos a não os desencorajar. Phyllis, que mora na Inglaterra, se lembra de como se sentiu quando sua filha única iniciou o serviço missionário na África. “Foi uma época em que fiquei muito emotiva”, disse Phyllis. “Para mim foi difícil saber que ela ficaria tão longe. Eu fiquei triste e orgulhosa ao mesmo tempo. Orei muito sobre isso. Mas a decisão era dela, e eu nunca tentei fazê-la desistir. Afinal, eu sempre a havia ensinado a colocar os interesses do Reino em primeiro lugar. Minha filha serve em designações no estrangeiro há 30 anos, e eu agradeço a Jeová todos os dias pela fidelidade dela.” Como é bom quando apoiamos irmãos abnegados!
É bom apoiarmos irmãos abnegados
“Os irmãos nos receberam com alegria” (Atos 21:15-17)
20, 21. O que mostra que Paulo desejava estar com seus irmãos, e por que ele queria estar com os que tinham a mesma fé que ele?
20 Foram feitos preparativos, e Paulo prosseguiu viagem. Alguns irmãos de Cesareia o acompanharam, dando assim uma prova de seu apoio de todo o coração. É interessante notar que em todos os pontos da viagem até Jerusalém, Paulo e os que o acompanhavam procuraram o companheirismo dos irmãos cristãos. Lá em Tiro, eles encontraram os discípulos e permaneceram com eles por sete dias. Em Ptolemaida, cumprimentaram seus irmãos e passaram um dia com eles. E, em Cesareia, eles ficaram por alguns dias na casa de Filipe. A seguir, conforme mencionado acima, alguns irmãos de Cesareia acompanharam Paulo e os outros viajantes até Jerusalém, onde todos foram acolhidos por Menasom, um antigo discípulo. Lucas relata: “Ao chegarmos a Jerusalém, os irmãos nos receberam com alegria.” — Atos 21:17.
21 Fica claro que Paulo queria estar com os que tinham a mesma fé que ele. O apóstolo era encorajado por seus irmãos, assim como nós também somos hoje. Sem dúvida, esse encorajamento fortaleceu Paulo para enfrentar os opositores irados que tentariam matá-lo.
a Veja o quadro “Cesareia — capital da província romana da Judeia”.
b Veja o quadro “As mulheres podiam ser ministras cristãs?”.
-