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“Nenhum de vocês morrerᔑDê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
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CAPÍTULO 26
“Nenhum de vocês morrerá”
Ao enfrentar naufrágio, Paulo demonstra grande fé e amor pelas pessoas
Baseado em Atos 27:1–28:10
1, 2. Que tipo de viagem Paulo estava para fazer, e com o que ele talvez estivesse preocupado?
“PARA César irá.” Paulo não para de pensar nessas palavras do governador Festo, pois elas terão um grande impacto sobre o seu futuro. Paulo está preso há dois anos, de modo que a longa viagem a Roma ao menos significará uma mudança de ares. (Atos 25:12) Mas as vívidas lembranças que Paulo tem de suas viagens marítimas incluem muito mais do que brisas refrescantes e belos pores do sol. Assim, a ideia de ter de fazer essa viagem para comparecer perante César deve fazer Paulo refletir seriamente a respeito do que o aguarda.
2 Paulo já enfrentou “perigos no mar” muitas vezes, tendo sobrevivido a três naufrágios e até mesmo passado uma noite e um dia em mar aberto. (2 Cor. 11:25, 26) Além disso, essa viagem será bem diferente das viagens missionárias que ele fazia quando era um homem livre. Paulo viajará como prisioneiro e por uma enorme distância — mais de 3 mil quilômetros de Cesareia a Roma. Será que ele conseguirá sair são e salvo dessa viagem? Mesmo que consiga, será que vai ser condenado à morte ao chegar a Roma? Lembre-se de que ele será julgado pela autoridade mais poderosa do mundo de Satanás daquela época.
3. O que Paulo estava decidido a fazer, e o que vamos analisar neste capítulo?
3 Depois de tudo que você leu a respeito de Paulo, acha que ele perdeu a esperança ou entrou em desespero por causa do que lhe poderia acontecer? É claro que não! Embora Paulo soubesse que enfrentaria dificuldades, ele não sabia que forma essas assumiriam. Então por que ele deveria permitir que sua alegria no ministério fosse sufocada por ansiedades causadas por coisas que estavam além de seu controle? (Mat. 6:27, 34) Paulo sabia que a vontade de Jeová era que ele aproveitasse toda oportunidade para pregar as boas novas do Reino de Deus às pessoas, mesmo às autoridades seculares. (Atos 9:15) Paulo estava decidido a viver à altura de sua comissão, independentemente do que acontecesse. Não é essa também a nossa determinação? Portanto, acompanhemos Paulo nessa viagem histórica e analisemos como podemos nos beneficiar de seu exemplo.
“Os ventos eram contrários” (Atos 27:1-7a)
4. Em que tipo de embarcação Paulo começou sua viagem, e quem estava com ele?
4 Paulo e alguns outros prisioneiros foram colocados sob a guarda de um oficial romano chamado Júlio, que decidiu embarcar em um navio mercante que havia chegado a Cesareia. Esse navio tinha vindo de Adramítio, um porto na costa oeste da Ásia Menor, do lado oposto à cidade de Mitilene na ilha de Lesbos. De Cesareia, esse navio viajaria em direção ao norte e depois ao oeste, fazendo paradas a fim de descarregar e carregar mercadorias. Essas embarcações não eram projetadas para proporcionar conforto aos passageiros, muito menos aos prisioneiros. (Veja o quadro “Viagens marítimas e rotas comerciais”.) Felizmente, Paulo não seria o único cristão no meio daquele grupo de criminosos. Pelo menos dois irmãos cristãos estavam com ele — Aristarco e Lucas. Naturalmente, foi Lucas quem escreveu o relato. Não sabemos se esses dois leais amigos de Paulo pagaram suas passagens ou se embarcaram como servos dele. — Atos 27:1, 2.
5. Que companheirismo Paulo pôde ter em Sídon, e o que podemos aprender disso?
5 Depois de passar um dia no mar e de ter viajado cerca de 110 quilômetros em direção ao norte, o navio atracou em Sídon, na costa da Síria. Pelo visto, Júlio não tratou Paulo como um prisioneiro comum, possivelmente porque Paulo era um cidadão romano cuja culpa não havia sido provada. (Atos 22:27, 28; 26:31, 32) Júlio permitiu que Paulo desembarcasse em terra firme para ver os irmãos. Os cristãos ali devem ter ficado muito alegres em poder cuidar do apóstolo depois de sua longa prisão! Consegue pensar em ocasiões em que você também poderia demonstrar amorosa hospitalidade e, desse modo, ser encorajado? — Atos 27:3.
6-8. Como foi a viagem de Paulo desde Sídon até Cnido, e que oportunidades Paulo provavelmente aproveitou para pregar?
6 Depois de partir de Sídon, o navio continuou subindo pela costa e passou pela Cilícia, perto de Tarso, cidade natal de Paulo. Lucas não diz se o navio fez outras paradas, embora inclua o detalhe sombrio de que “os ventos eram contrários”. (Atos 27:4, 5) Ainda assim, podemos imaginar Paulo aproveitando toda oportunidade para pregar as boas novas. Paulo sem dúvida deu testemunho a prisioneiros e a outras pessoas que estavam a bordo, incluindo a tripulação e os soldados, bem como a pessoas nos portos em que o navio atracou. Será que nós, da mesma forma, aproveitamos as oportunidades que temos para pregar?
7 Por fim, o navio chegou a Mirra, um porto na costa sul da Ásia Menor. Ali Paulo e outros tiveram de trocar de embarcação para chegar a seu destino, Roma. (Atos 27:6) Naquela época, o Egito era um grande fornecedor de grãos para Roma, e navios egípcios que transportavam esse tipo de carga atracavam em Mirra. Júlio encontrou um desses navios e fez com que os soldados e prisioneiros embarcassem nele. Essa embarcação devia ser bem maior do que a primeira. Ela estava transportando uma carga valiosa de trigo, bem como 276 pessoas — a tripulação, os soldados, os prisioneiros e provavelmente outros que estavam indo para Roma. É claro que com essa troca de navios o número de pessoas a quem Paulo podia pregar aumentou, e ele sem dúvida aproveitou essa situação.
8 A próxima parada seria Cnido, no sudoeste da Ásia Menor. Com ventos favoráveis, um navio poderia percorrer essa distância em cerca de um dia. Mas Lucas relata que eles ‘navegaram vagarosamente por muitos dias e chegaram com dificuldade a Cnido’. (Atos 27:7a) As condições de navegação haviam piorado. (Veja o quadro “Os ventos contrários do Mediterrâneo”.) Imagine como as pessoas a bordo deveriam estar se sentindo à medida que o navio lutava contra os fortes ventos e as águas agitadas.
“Violentamente sacudidos pela tempestade” (Atos 27:7b-26)
9, 10. Que dificuldades surgiram nas proximidades de Creta?
9 De Cnido, o capitão do navio planejava seguir viagem em direção ao oeste, mas Lucas, uma testemunha ocular, relata: “O vento não nos permitia continuar naquela direção.” (Atos 27:7b) Ao se afastar do continente, o navio se desviou da corrente costeira, e um forte vento contrário vindo do norte o empurrou na direção sul, talvez muito rápido. Assim como a ilha de Chipre havia anteriormente protegido o navio costeiro contra os ventos desfavoráveis, dessa vez a ilha de Creta fez o mesmo. Depois que o navio passou pelo promontório de Salmone, no extremo leste de Creta, as coisas melhoraram um pouco. Por quê? O navio havia chegado a sota-vento da ilha (lado contrário àquele de onde sopra o vento), ou sua parte sul, e por isso estava protegido de ventos fortes. Imagine o alívio que as pessoas a bordo devem ter sentido — pelo menos por um tempo! Mas, enquanto o navio continuasse no mar, a tripulação tinha motivos para se preocupar, pois o inverno estava chegando.
10 Lucas relata com exatidão: “Costeando [Creta] com dificuldade, chegamos a um lugar chamado Bons Portos.” Mesmo protegidos pela terra firme, não era fácil controlar o navio. Mas finalmente eles encontraram um ancoradouro em uma pequena baía, provavelmente na região logo antes de a costa seguir em direção ao norte. Quanto tempo ficaram ali? Lucas diz que foi “bastante tempo”, mas o calendário não estava a favor deles. Em setembro/outubro, navegar era mais perigoso. — Atos 27:8, 9.
11. Que sugestão Paulo deu aos que estavam no navio com ele, mas que decisão foi tomada?
11 Alguns passageiros podem ter pedido a opinião de Paulo por causa da experiência que ele tinha em navegar pelo Mediterrâneo. Ele recomendou que o navio não seguisse viagem. Caso contrário, haveria ‘danos e grandes perdas’, talvez até mesmo a perda de vidas. Mas o piloto e o dono do navio queriam prosseguir viagem, possivelmente achando que era urgente encontrar um lugar mais seguro. Eles convenceram Júlio, e a maioria achava que era preciso tentar chegar a Fênix, um porto que estava um pouco mais adiante na costa. Esse porto talvez fosse um lugar maior e melhor para passar o inverno. Assim, quando uma suave, porém enganosa, brisa vinda do sul soprou, o navio partiu. — Atos 27:10-13.
12. Que perigos o navio enfrentou depois de deixar Creta, e como a tripulação tentou evitar um desastre?
12 Então surgiu outro problema: um “vento violento” vindo do nordeste. Por um tempo, eles encontraram proteção atrás de “uma pequena ilha chamada Cauda”, a uns 65 quilômetros de Bons Portos. Mas o navio ainda corria o perigo de ser levado para o sul até se chocar contra os bancos de areia perto da África. Desesperados para evitar isso, os marinheiros içaram o bote que o navio estava rebocando. Isso exigiu um grande esforço, pois é provável que o bote estivesse cheio de água. Então eles lutaram para reforçar o casco do navio, amarrando-o com cordas ou correntes para que as pranchas de madeira não se desprendessem. Daí eles arriaram os aparelhos — a vela grande ou talvez o cordame — e fizeram de tudo para manter o navio contra o vento e passar pela tempestade. Imagine como essa situação deve ter sido amedrontadora! Mesmo todos esses esforços não foram suficientes, pois o navio continuou sendo ‘violentamente sacudido pela tempestade’. No terceiro dia, eles lançaram ao mar a armação do navio, provavelmente para recuperar a flutuabilidade. — Atos 27:14-19.
13. Qual deve ter sido a situação a bordo do navio de Paulo durante a tempestade?
13 O pavor deve ter tomado conta do navio. Mas Paulo e seus companheiros estavam confiantes, pois o Senhor havia anteriormente garantido a Paulo que ele daria testemunho em Roma. (Atos 19:21; 23:11) Um anjo confirmaria essa promessa mais tarde. Mas, durante duas semanas, noite e dia, a tempestade não parou. Por causa da contínua chuva e das densas nuvens que cobriam o sol e as estrelas, o piloto não tinha como saber a localização do navio ou a direção em que estava indo. Até uma refeição teria sido algo fora de cogitação. Como alguém poderia pensar em comer em vista do frio, da chuva, dos enjoos e do medo?
14, 15. (a) Ao falar com as pessoas que estavam no navio com ele, por que Paulo mencionou o aviso que lhes tinha dado antes? (b) O que podemos aprender da mensagem de esperança que Paulo transmitiu àquelas pessoas?
14 Paulo ficou de pé no meio deles. Ele mencionou o aviso que dera antes, não como que dizendo: ‘Eu avisei’, mas para mostrar que aqueles acontecimentos provavam que valia a pena dar atenção às suas palavras. Daí, ele disse: “Eu os incentivo agora a ter coragem, pois nenhum de vocês morrerá, apenas o navio se perderá.” (Atos 27:21, 22) Essas palavras devem ter animado muito as pessoas ali! Paulo também deve ter ficado muito feliz por Jeová ter lhe dado essa mensagem de esperança para partilhar com as pessoas. É vital nos lembrarmos de que Jeová se importa com a vida de cada ser humano. Todas as pessoas são importantes para ele. O apóstolo Pedro escreveu: “Jeová . . . não deseja que ninguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento.” (2 Ped. 3:9) Como é urgente, então, que nos esforcemos a partilhar a mensagem de esperança da parte de Jeová com o máximo número de pessoas possível! Vidas preciosas estão em jogo.
15 Paulo sem dúvida tinha dado testemunho a muitas pessoas no navio sobre a “esperança na promessa que Deus fez”. (Atos 26:6; Col. 1:5) Agora, com a grande possibilidade de um naufrágio, Paulo podia lhes oferecer um forte motivo para terem esperança de um livramento mais imediato. Ele disse: “Na noite passada apareceu ao meu lado um anjo do Deus a quem pertenço . . . ; ele disse: ‘Não tenha medo, Paulo. Você tem de comparecer perante César; além disso, Deus lhe concedeu a vida de todos os que navegam com você.’” Paulo os exortou: “Portanto, homens, tenham coragem, pois eu acredito em Deus que acontecerá exatamente assim como me foi dito. No entanto, devemos ser lançados em uma ilha.” — Atos 27:23-26.
“Todos chegaram a terra sãos e salvos” (Atos 27:27-44)
“Ele . . . deu graças a Deus diante de todos.” — Atos 27:35
16, 17. (a) Em que ocasião Paulo orou, e qual foi o resultado de ele ter feito isso? (b) Como se cumpriu a predição que Paulo tinha feito?
16 Depois de duas semanas aterrorizantes, durante as quais o navio foi empurrado pelo vento uns 870 quilômetros, os marinheiros começaram a suspeitar que o navio estava se aproximando de terra firme, talvez por terem ouvido o som de ondas quebrando na costa. Da popa, eles lançaram âncoras ao mar para impedir que o navio ficasse à deriva e manter a proa em direção a terra firme caso tivessem condições de encalhar o navio na praia. Nesse momento, eles tentaram fugir do navio, mas foram impedidos pelos soldados quando Paulo disse: “A menos que esses homens permaneçam no navio, vocês não poderão ser salvos.” Com o navio agora um pouco mais estável, Paulo aconselhou a todos que se alimentassem, garantindo-lhes mais uma vez que sobreviveriam. Então, Paulo “deu graças a Deus diante de todos eles”. (Atos 27:31, 35) Ao fazer essa oração de agradecimento, Paulo estabeleceu um exemplo para Lucas, Aristarco e os cristãos de hoje. Será que suas orações públicas são fonte de encorajamento e consolo para outros?
17 Depois da oração de Paulo, “todos tomaram coragem e também começaram a se alimentar”. (Atos 27:36) Daí deixaram o navio ainda mais leve por lançar ao mar a carga, permitindo que o casco do navio não ficasse tão fundo dentro da água ao se aproximar da praia. Quando amanheceu, a tripulação cortou as âncoras, soltou os remos do leme que ficavam na popa e içou o traquete, pequena vela na frente da embarcação, para que fosse mais fácil manobrar o navio enquanto os marinheiros tentassem fazê-lo encalhar perto da praia. Ao fazerem isso, a frente do navio ficou presa, talvez num banco de areia ou na lama, e a popa começou a se despedaçar por causa da força violenta das ondas. Alguns soldados queriam matar os prisioneiros para que não escapassem, mas Júlio os impediu. Ele incentivou todos a nadar ou boiar em direção à praia. O que Paulo havia predito se cumpriu — todas as 276 pessoas a bordo sobreviveram. De fato, “todos chegaram a terra sãos e salvos”. Mas onde eles estavam? — Atos 27:44.
“Extraordinária bondade” (Atos 28:1-10)
18-20. Como as pessoas de Malta mostraram “extraordinária bondade”, e que milagre Deus realizou por meio de Paulo?
18 Os sobreviventes estavam na ilha de Malta, ao sul da Sicília. (Veja o quadro “Onde ficava Malta?”) As pessoas da ilha que falavam outro idioma lhes demonstraram “extraordinária bondade”. (Atos 28:2) Eles fizeram uma fogueira para aqueles estrangeiros que haviam chegado ali encharcados e tremendo de frio. O fogo os ajudou a se aquecer apesar do frio e da chuva. Também deu margem para que ocorresse um milagre.
19 A fim de contribuir para o bem de todos, Paulo recolheu alguns gravetos e os colocou no fogo. Ao fazer isso, uma víbora venenosa apareceu e o mordeu, prendendo-se na sua mão. Os malteses pensaram que aquilo era algum tipo de punição divina.a
20 As pessoas locais que viram Paulo ser mordido pela víbora pensaram que ele ‘ficaria inchado’. Segundo uma obra de referência, a palavra no idioma original encontrada aqui é “um termo médico”. Não é de admirar que uma expressão como essa tenha logo vindo à mente de “Lucas, o médico amado”. (Atos 28:6; Col. 4:14) De qualquer forma, Paulo, sacudindo a mão, lançou fora a serpente venenosa e não sofreu nenhum dano.
21. (a) Que exemplos de declarações exatas encontramos nessa parte do relato de Lucas? (b) Que milagres Paulo realizou, e que efeito isso teve nas pessoas de Malta?
21 Um rico proprietário de terras chamado Públio morava na região. Ele talvez fosse a principal autoridade romana em Malta. Lucas o descreveu como o “homem principal da ilha”, usando exatamente o mesmo título que foi encontrado em duas inscrições maltesas. Ele hospitaleiramente recebeu Paulo e seus companheiros por três dias em seu lar. No entanto, o pai de Públio estava doente. Mais uma vez, Lucas descreveu um quadro clínico com precisão. Ele escreveu que o homem “estava de cama, doente, com febre e disenteria”, usando os termos médicos exatos para descrever a doença. Paulo orou e colocou suas mãos sobre o homem, e ele foi curado. Profundamente impressionadas por esse milagre, as pessoas da região trouxeram outros doentes para serem curados, bem como suprimentos para atender às necessidades de Paulo e seus companheiros. — Atos 28:7-10.
22. (a) Como certo professor universitário elogiou o relato de Lucas sobre a viagem a Roma? (b) O que consideraremos no próximo capítulo?
22 A exatidão com que essa parte da viagem de Paulo é descrita é digna de nota. Um professor universitário disse: “O relato de Lucas . . . se destaca como um dos mais vívidos exemplos de narrativa descritiva em toda a Bíblia. Seus detalhes sobre as viagens marítimas no primeiro século são tão precisos e seu retrato da situação no Mediterrâneo oriental é tão correto [que o relato deve ter se baseado em anotações feitas num diário].” Lucas pode muito bem ter feito essas anotações enquanto viajava com o apóstolo. Nesse caso, a próxima parte da viagem também lhe deu muito sobre o que escrever. O que aconteceria com Paulo quando ele e seus companheiros finalmente chegassem a Roma? Vejamos.
a O fato de as pessoas saberem de tais cobras indica que havia víboras na ilha naquele tempo. Atualmente, não existem víboras em Malta. Isso pode ser resultado de mudanças no seu habitat ao longo dos séculos. Ou pode ser que o aumento no número de habitantes na ilha tenha levado à erradicação das víboras.
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‘Dando testemunho cabal’‘Dê Testemunho Cabal’ sobre o Reino de Deus
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CAPÍTULO 27
‘Dando testemunho cabal’
Preso em Roma, Paulo continua a pregar
Baseado em Atos 28:11-31
1. Que confiança Paulo e seus companheiros têm, e por quê?
ESTAMOS em cerca de 59 EC. Uma embarcação cuja figura de proa são os “Filhos de Zeus”, provavelmente um grande navio para transportar grãos, navega desde a ilha mediterrânea de Malta até a Itália. A bordo estão o apóstolo Paulo — um prisioneiro sob escolta — e seus companheiros cristãos Lucas e Aristarco. (Atos 27:2) Diferentemente da tripulação, esses evangelizadores não buscam a proteção dos filhos do deus grego Zeus — os gêmeos Castor e Pólux. (Veja a nota de estudo em Atos 28:11, nwtsty.) Em vez disso, Paulo e seus companheiros servem a Jeová, o Deus que revelou que Paulo daria testemunho sobre a verdade em Roma e compareceria perante César. — Atos 23:11; 27:24.
2, 3. Que trajeto o navio de Paulo fez, e quem apoiou Paulo durante todo o percurso da viagem?
2 Três dias depois de atracar em Siracusa, uma bela cidade da Sicília quase tão importante quanto Atenas e Roma, o navio parte para Régio, no extremo sul da península Itálica. Então, com a ajuda de um vento vindo do sul, a embarcação faz a viagem de 320 quilômetros até o porto italiano de Putéoli (perto de onde hoje fica Nápoles) mais rápido do que o normal, chegando ao porto no segundo dia. — Atos 28:12, 13.
3 Paulo agora está na parte final de sua viagem a Roma, onde comparecerá perante o Imperador Nero. Durante todo o percurso da viagem, “o Deus de todo o consolo” tem estado com Paulo. (2 Cor. 1:3) Conforme veremos, esse apoio não diminui, nem Paulo perde o zelo como missionário.
“Paulo agradeceu a Deus e se sentiu encorajado” (Atos 28:14, 15)
4, 5. (a) Como Paulo e seus companheiros foram recebidos em Putéoli, e qual pode ter sido o motivo de terem concedido tanta liberdade a Paulo? (b) Mesmo na prisão, como os cristãos podem se beneficiar de sua boa conduta?
4 Em Putéoli, Paulo e seus companheiros ‘encontraram alguns irmãos, que insistiram que ficassem com eles sete dias’. (Atos 28:14) Que maravilhoso exemplo de hospitalidade cristã! Podemos ter certeza de que a hospitalidade daqueles irmãos foi mais do que recompensada pelo encorajamento espiritual que receberam de Paulo e seus companheiros. Mas por que se concedeu tanta liberdade a um prisioneiro sob guarda? Possivelmente porque o apóstolo tinha conquistado a total confiança dos guardas romanos.
5 Da mesma forma hoje, servos de Jeová que estão presos muitas vezes recebem certas liberdades e privilégios por causa de sua conduta cristã. Na Romênia, por exemplo, um homem que cumpria pena de 75 anos por roubo começou a estudar a Palavra de Deus e fez uma notável mudança de personalidade. Por causa disso, as autoridades carcerárias lhe deram a tarefa de fazer compras para a prisão, o que envolvia ir à cidade sem escolta. Naturalmente, o mais importante é que nossa boa conduta glorifica a Jeová. — 1 Ped. 2:12.
6, 7. Como os irmãos romanos mostraram extraordinário amor?
6 De Putéoli, Paulo e seus companheiros provavelmente caminharam cerca de 50 quilômetros até a cidade de Cápua, onde pegaram a Via Ápia, estrada que levava a Roma. Dessa famosa estrada pavimentada com grandes e achatados blocos de lava era possível ver paisagens magníficas do interior da Itália e, em certos trechos, do mar Mediterrâneo. A estrada também passava pelos pântanos do Pontino, que ficavam a cerca de 60 quilômetros de Roma e onde se localizava a Praça de Ápio. Quando os irmãos em Roma “ouviram as notícias sobre nós”, escreveu Lucas, alguns foram até a Praça de Ápio, ao passo que outros ficaram esperando nas Três Tavernas, uma parada de descanso a cerca de 50 quilômetros de Roma. Que amor extraordinário! — Atos 28:15.
7 A Praça de Ápio não era um lugar confortável para os viajantes exaustos depois de uma viagem difícil. O poeta romano Horácio descreveu essa praça como “lotada de barqueiros e de donos de hospedaria grosseiros”. Ele escreveu que “a água era extremamente repugnante”. Ele até se recusou a comer ali! Apesar de todos os desconfortos, porém, os irmãos que vieram de Roma esperaram alegremente por Paulo e pelos que estavam com ele para acompanhá-los nessa parte final da viagem.
8. Por que Paulo agradeceu a Deus ao ver seus irmãos?
8 ‘Ao ver’ seus irmãos, diz o relato, “Paulo agradeceu a Deus e se sentiu encorajado”. (Atos 28:15) De fato, só de ver esses queridos irmãos, alguns dos quais o apóstolo talvez conhecesse pessoalmente, ele se sentiu fortalecido e animado. Por que Paulo agradeceu a Deus? Ele sabia que o amor abnegado é um aspecto do fruto do espírito. (Gál. 5:22) Hoje também o espírito santo move os cristãos a fazer sacrifícios a favor uns dos outros e a consolar os que precisam. — 1 Tes. 5:11, 14.
9. Como podemos mostrar a mesma atitude demonstrada pelos irmãos que se encontraram com Paulo?
9 Por exemplo, o espírito santo move irmãos espirituais a mostrar hospitalidade a superintendentes de circuito, missionários e outros servos de tempo integral, muitos dos quais fizeram grandes sacrifícios para expandir seu serviço a Jeová. Pergunte-se: ‘Será que eu posso fazer mais para apoiar a visita do superintendente de circuito, talvez mostrando hospitalidade a ele e a sua esposa, caso ele seja casado? Posso fazer planos para trabalhar com eles no ministério?’ Em troca, você talvez receba ricas bênçãos. Por exemplo, imagine a alegria que os irmãos romanos sentiram ao ouvir Paulo e seus companheiros relatar algumas das muitas experiências encorajadoras que vivenciaram! — Atos 15:3, 4.
“Em toda a parte se fala contra ela” (Atos 28:16-22)
10. Quais eram as circunstâncias de Paulo em Roma, e o que o apóstolo fez pouco depois de sua chegada?
10 Quando o grupo de viajantes finalmente entrou em Roma, “permitiu-se que Paulo morasse sozinho, com um soldado para vigiá-lo”. (Atos 28:16) Os mantidos em prisão domiciliar geralmente ficavam presos a um guarda por uma corrente para não fugirem. Apesar de estar preso ao guarda, Paulo era um proclamador do Reino, e uma corrente com certeza não o faria ficar calado. Por isso, depois de descansar da viagem por apenas três dias, ele convocou os homens de destaque dos judeus em Roma a fim de se apresentar a eles e lhes dar testemunho.
11, 12. Ao falar com os judeus locais, como Paulo tentou eliminar qualquer preconceito que eles talvez tivessem?
11 “Homens, irmãos”, disse Paulo, “embora eu não tivesse feito nada contra o povo ou contra os costumes de nossos antepassados, fui preso em Jerusalém e entregue às mãos dos romanos. Depois de me interrogarem, eles quiseram me soltar, pois não havia nenhum motivo para me condenar à morte. No entanto, como os judeus se opuseram, fui obrigado a apelar para César, mas não por eu ter alguma acusação contra a minha nação”. — Atos 28:17-19.
12 Por se dirigir àqueles judeus como “irmãos”, Paulo tentou estabelecer uma base de comum acordo com eles e eliminar qualquer preconceito que talvez tivessem. (1 Cor. 9:20) Ele também deixou claro que não estava ali para acusar os judeus, mas para apelar a César. No entanto, a comunidade judaica local não estava sabendo da apelação de Paulo. (Atos 28:21) Por que houve essa clara falha de comunicação da parte dos judeus na Judeia? Uma obra de referência diz: “O navio de Paulo deve ter sido um dos primeiros que chegaram à Itália depois do inverno, e não teria sido possível que representantes das autoridades judaicas em Jerusalém, ou mesmo uma carta sobre o caso, tivessem chegado antes disso.”
13, 14. Como Paulo apresentou a mensagem do Reino, e como podemos imitar seu exemplo?
13 Paulo então apresentou a mensagem do Reino por meio de uma declaração que com certeza despertaria a curiosidade de seus convidados judeus. Ele disse: “Foi por isso que pedi para ver vocês e lhes falar, pois é por causa da esperança de Israel que estou preso com esta corrente.” (Atos 28:20) É claro que essa esperança estava fortemente relacionada com o Messias e seu Reino, conforme proclamava a congregação cristã. “Achamos correto ouvir de você o que pensa”, responderam os anciãos judeus, “porque, na verdade, o que sabemos dessa seita é que em toda a parte se fala contra ela”. — Atos 28:22.
14 Quando temos a oportunidade de pregar as boas novas, podemos imitar a Paulo por fazer declarações que deem o que pensar ou perguntas que despertem o interesse de nossos ouvintes. Podem-se encontrar excelentes sugestões em publicações como Raciocínios à Base das Escrituras, Beneficie-se da Escola do Ministério Teocrático e Melhore Sua Leitura e Seu Ensino. Você está fazendo bom uso dessas publicações?
‘Dar testemunho cabal’ — um modelo para nós (Atos 28:23-29)
15. Que quatro pontos se destacam no testemunho de Paulo?
15 No dia escolhido, os judeus locais “foram num grupo ainda maior” até o local onde Paulo estava preso. Então “desde a manhã até a noite, [Paulo] lhes deu explicações por meio de um testemunho cabal sobre o Reino de Deus, procurando persuadi-los a respeito de Jesus com base na Lei de Moisés e nos Profetas”. (Atos 28:23) Quatro pontos se destacam no testemunho de Paulo. Primeiro, ele se concentrou no Reino de Deus. Segundo, ele tentou convencer seus ouvintes a aceitar a mensagem por usar de persuasão. Terceiro, ele raciocinou usando as Escrituras. Quarto, ele foi abnegado, dando testemunho “desde a manhã até a noite”. Que excelente exemplo para nós! Qual foi o resultado desse testemunho? “Alguns acreditaram”, ao passo que outros não. Surgiram divergências entre as pessoas e elas “começaram a ir embora”, diz Lucas. — Atos 28:24, 25a.
16-18. Por que Paulo não se surpreendeu com a reação negativa dos judeus romanos, e como devemos nos sentir quando nossa mensagem é rejeitada?
16 Essa reação não surpreendeu Paulo, pois estava de acordo com a profecia bíblica e ele já havia observado esse tipo de reação antes. (Atos 13:42-47; 18:5, 6; 19:8, 9) Por isso, Paulo disse a seus convidados não receptivos, que estavam de saída: “O espírito santo falou apropriadamente aos antepassados de vocês, por meio de Isaías, o profeta: ‘Vá a este povo e diga: “Vocês realmente ouvirão, mas de modo algum entenderão; e realmente olharão, mas de modo algum verão. Pois o coração deste povo ficou insensível.”’” (Atos 28:25b-27) O termo no idioma original traduzido como “insensível” indica um coração “engrossado”, ou “engordado”, impedindo assim que a mensagem do Reino penetre nele. (Atos 28:27, nota) Que situação lamentável!
17 Em conclusão, Paulo disse que, diferentemente de seus ouvintes judeus, ‘as nações certamente escutariam’. (Atos 28:28; Sal. 67:2; Isa. 11:10) De fato, o apóstolo sabia do que estava falando, pois tinha pessoalmente visto muitos gentios reagirem bem à mensagem do Reino. — Atos 13:48; 14:27.
18 Assim como Paulo, não devemos levar para o lado pessoal quando as pessoas rejeitam as boas novas. Afinal, sabemos que a maioria não encontrará a estrada da vida. (Mat. 7:13, 14) Por outro lado, quando pessoas sinceras tomam realmente posição a favor da adoração verdadeira, devemos nos alegrar e recebê-las de braços abertos. — Luc. 15:7.
“Pregando-lhes o Reino de Deus” (Atos 28:30, 31)
19. Como Paulo aproveitou bem o tempo em que esteve preso?
19 Lucas conclui sua narrativa num tom positivo e cordial, dizendo: “[Paulo] permaneceu ali por dois anos inteiros, na casa que alugou, e recebia bondosamente a todos os que iam vê-lo, pregando-lhes o Reino de Deus e ensinando a respeito do Senhor Jesus Cristo com toda a coragem, sem nenhum impedimento.” (Atos 28:30, 31) Que excelente exemplo de hospitalidade, fé e zelo!
20, 21. Mencione como o ministério de Paulo em Roma beneficiou outros.
20 Um dos que Paulo recebeu bondosamente foi um homem chamado Onésimo, um escravo fugitivo de Colossos. Paulo ajudou Onésimo a se tornar cristão, e Onésimo, por sua vez, se tornou um “fiel e amado irmão” para Paulo. De fato, Paulo o descreveu como ‘meu filho, para quem me tornei pai’. (Col. 4:9; Filêm. 10-12) Onésimo deve ter animado muito a Paulo!a
21 Outros também se beneficiaram do excelente exemplo de Paulo. Para os filipenses, ele escreveu: “A minha situação tem, na verdade, resultado no progresso das boas novas, de modo que as correntes que me prendem por causa de Cristo se tornaram de conhecimento público entre toda a Guarda Pretoriana e todos os demais. Agora, a maioria dos irmãos no Senhor ganhou confiança por causa das minhas correntes e está mostrando ainda mais coragem para falar destemidamente a palavra de Deus.” — Fil. 1:12-14.
22. Como Paulo aproveitou seu encarceramento em Roma?
22 Paulo aproveitou seu encarceramento em Roma para escrever cartas importantes que hoje fazem parte das Escrituras Gregas Cristãs.b Essas cartas ajudaram os cristãos do primeiro século, a quem Paulo tinha escrito. Nós também podemos ser ajudados pelas cartas de Paulo, visto que os conselhos inspirados que ele deu são tão práticos hoje quanto na época em que foram escritos. — 2 Tim. 3:16, 17.
23, 24. Iguais a Paulo, como muitos cristãos da atualidade mostram uma atitude positiva apesar de terem sido presos injustamente?
23 Na época de sua libertação, que não é mencionada no livro de Atos, Paulo já estava preso havia uns quatro anos — dois em Cesareia e dois em Roma.c (Atos 23:35; 24:27) Mas ele manteve uma atitude positiva, fazendo tudo que podia no serviço a Deus. Da mesma forma, muitos servos de Jeová hoje, apesar de estarem presos injustamente por causa de sua fé, mantêm sua alegria e continuam a pregar. Veja o exemplo de Adolfo, que foi preso na Espanha por causa de sua neutralidade cristã. “Estamos impressionados com você”, disse certo oficial. “Temos feito de tudo para atormentar a sua vida, mas, quanto mais duros somos, mais você sorri e fala palavras bondosas.”
24 Com o tempo, passaram a ter tanta confiança em Adolfo que a porta de sua cela ficava aberta. Soldados iam até a cela dele para fazer perguntas sobre a Bíblia. Um deles até entrava na cela de Adolfo para ler a Bíblia, enquanto Adolfo ficava de guarda. Dessa forma, era o prisioneiro quem “vigiava” o guarda! Que os excelentes exemplos de fiéis Testemunhas de Jeová como essa nos motivem a ter “ainda mais coragem para falar destemidamente a palavra de Deus”, mesmo sob circunstâncias difíceis.
25, 26. Em pouco menos de 30 anos, o apóstolo Paulo viu o cumprimento de que maravilhosa profecia, e como isso se compara aos nossos dias?
25 Um apóstolo de Cristo em prisão domiciliar ‘pregando o Reino de Deus’ a todos que o visitavam — essa é sem dúvida uma animadora conclusão da empolgante narrativa do livro de Atos! No primeiro capítulo, lemos a comissão que Jesus deu a seus seguidores quando disse: “Quando o espírito santo vier sobre vocês, receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até a parte mais distante da terra.” (Atos 1:8) Menos de 30 anos depois, a mensagem do Reino estava sendo ‘pregada em toda a criação debaixo do céu’.d (Col. 1:23) Que testemunho do poder do espírito de Deus! — Zac. 4:6.
26 Hoje, o mesmo espírito tem dado poder aos remanescentes dos irmãos de Cristo, junto com seus companheiros das “outras ovelhas”, para continuarem a ‘dar testemunho cabal sobre o Reino de Deus’ em mais de 240 países. (João 10:16; Atos 28:23) Você está participando plenamente nessa obra?
a Paulo queria que Onésimo ficasse ali com ele, mas isso violaria a lei romana e infringiria os direitos do dono de Onésimo, o cristão Filêmon. Por isso, Onésimo retornou para Filêmon, levando consigo uma carta de Paulo que incentivava Filêmon a receber bem seu escravo, como um irmão espiritual. — Filêm. 13-19.
b Veja o quadro “As cinco cartas escritas por Paulo durante sua primeira prisão em Roma”.
c Veja o quadro “A vida de Paulo depois de 61 EC”.
d Veja o quadro “Boas novas ‘pregadas em toda a criação’”.
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