Ajuda ao Entendimento da Bíblia
[A matéria que segue foi extraída, condensada, de Aid to Bible Understanding, Edição de 1971.]
MALAQUIAS, LIVRO DE. O último livro das Escrituras Hebraicas nas Bíblias modernas em português. No cânon judaico tradicional, acha-se situado em último lugar entre os escritos dos chamados “Profetas Menores”, mas antes dos Escritos (Hagiógrafo). Constitui um pronunciamento oficial de Jeová sobre Israel por meio de Malaquias. — Mal. 1:1, veja MALAQUIAS.
CIRCUNSTÂNCIAS NO TEMPO DE MALAQUIAS
Na época em que Malaquias profetizou, existia uma situação deplorável entre os sacerdotes. Contrário à Lei, estavam aceitando animais coxos, cegos e doentes para serem sacrificados no altar de Jeová. (Mal. 1:8; Lev. 22:19; Deut. 15:21) Deixaram de fornecer a orientação e a instrução devidas ao povo, fazendo com que muitos tropeçassem. (Mal. 2:7, 8) Ao julgar os assuntos, mostravam parcialidade. (Mal. 2:9) Tudo isso exercia péssimo efeito sobre os israelitas em geral, fazendo com que considerassem o serviço a Jeová como tendo pouco valor. (Mal. 3:14, 15) Isto se evidencia de que os israelitas não mantinham o templo, por pagarem seus dízimos. Haviam-se afastado tanto de sua devoção a Jeová que, pelo que parece, divorciavam-se de suas esposas para casar-se com mulheres que adoravam deuses falsos. Também, a feitiçaria, o adultério, a mentira, a fraude e a opressão passaram a existir entre os israelitas. (Mal. 2:11, 14-16; 3:5, 8-10) Por este motivo, Jeová forneceu aviso de antemão sobre Sua vinda ao seu templo para julgamento. (Mal. 3:1-6) Ao mesmo tempo, incentivou os malfeitores a arrepender-se, dizendo: “Retornai a mim e eu vou retornar a vós.” — Mal. 3:7.
TEMPO DE SUA COMPOSIÇÃO
A evidência interna provê base para se datar a conclusão do livro de Malaquias. Foi escrito após o exílio babilônico, pois os israelitas eram administrados por um governador. A adoração era realizada no templo, indicando que havia sido reconstruído. (Mal. 1:7, 8; 2:3, 13; 3:8-10) Isto indica um período posterior ao de Ageu (520 A.E.C.) e de Zacarias (520-518 A.E.C.), uma vez que tais profetas estavam ativos em instar com os israelitas a terminar a construção do templo. (Esd. 5:1, 2; 6:14, 15) Ter Israel negligenciado a adoração verdadeira e deixar de aderir à lei de Deus parece ajustar-se às condições que existiam quando Neemias chegou de novo a Jerusalém, algum tempo depois do trigésimo segundo ano do Rei Artaxerxes (c. 443 A.E.C.). (Compare com Malaquias 1:6-8; 2:7, 8, 11, 14-16; Neemias 13:6-31.) Por conseguinte, como o livro de Neemias, o livro de Malaquias bem que poderia ter sido escrito depois de 443 A.E.C.
HARMONIA COM OUTROS LIVROS BÍBLICOS
Este livro acha-se de pleno acordo com o restante das Escrituras. O apóstolo Paulo citou Malaquias 1:2, 3 quando ilustrava que a escolha por parte de Deus depende, “não daquele que deseja, nem daquele que corre, mas de Deus, que tem misericórdia”. (Rom. 9:10-16) Identifica Jeová como sendo o Criador (Mal. 2:10; confronte com o Salmo 100:3; Isaías 43:1; Atos 17:24-26), e um Deus justo, misericordioso e imutável, que não deixa que o erro deliberado passe sem punição. (Mal. 2:2, 3, 17; 3:5-7, 17, 18; 4:1; compare com Êxodo 34:6, 7; Levítico 26:14-17; Neemias 9:17; Tiago 1:17.) Sublinha-se a importância do nome de Deus (Mal. 1:5, 11, 14; 4:2; coteje com Deuteronômio 28:58, 59; Salmo 35:27; Miquéias 5:4.) E se dá incentivo a que se lembre da lei de Moisés. — Mal. 4:4.
O livro também dirigiu a atenção de Israel para a vinda do Messias e o dia de Jeová. Ao passo que indicava que Jeová enviaria aquele que era chamado de “meu mensageiro”, este seria apenas o precursor do ainda maior “mensageiro do pacto”, que acompanharia Jeová, (Mal. 3:1) Os relatos inspirados de Mateus (11:10-14; 17:10-13), de Marcos (9:11-13) e de Lucas (1:16, 17, 76) combinam-se para identificar o precursor de Jesus, João Batista, como sendo o “mensageiro” e o “Elias” inicialmente visado em Malaquias 3:1 eMal. 4:5, 6.
ESBOÇO DO CONTEÚDO
I. Amor de Jeová por Jacó não era correspondido devidamente pelos israelitas (1:1-14)
A. Aceitar Jeová a Jacó e rejeitar Esaú, constituía prova de seu amor por Seu povo (1:1-5)
B. Apresentação de sacrifícios inferiores por parte dos sacerdotes desonra a Deus (1:6-14)
II. Sacerdotes e povo censurados por errarem e avisados da vinda do Senhor e do mensageiro do pacto ao templo, para julgamento (2:1 a 3:18)
A. Sacerdotes falham em guardar pacto de Levi e em instruir o povo no caminho da justiça (2:19)
B. Povo age traiçoeiramente, tornando-se culpado de divórcios injustos (2:10-17)
C. Jeová anuncia propósito de enviar seu mensageiro, também a Sua própria vinda ao templo com o “mensageiro do pacto” (3:1-18)
1. Vinda resultará na purificação dos filhos de Levi e em julgamento adverso dos malfeitores (3:1-5)
2. Oportunidades de arrependimento antes de se iniciar o julgamento; julgamento tornará clara a distinção entre o justo e o iníquo (3:6-18)
III. Dia de Jeová será precedido pela vinda de Elias (4:1-6)
Veja o livro “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, págs. 165-167.
MATEUS, AS BOAS NOVAS SEGUNDO. O relato inspirado sobre a vida de Jesus Cristo, escrito, sem dúvida, na Palestina, pelo ex-coletor de impostos Mateus, ou Levi. É o primeiro livro das Escrituras Gregas Cristãs e, desde os tempos antigos, tem sido considerado como sendo o primeiro Evangelho. O relato de Mateus se inicia com o nascimento de Jesus, e termina com a comissão dada por Cristo a seus seguidores, depois de sua ressurreição, para que fossem e ‘fizessem discípulos de pessoas de todas as nações’. (Mat. 28:19, 20) Por isso, abrange o tempo entre o nascimento de Jesus, em 2 A.E.C., e seu encontro com seus discípulos pouco antes de sua ascensão, em 33 E.C.
ÉPOCA DA ESCRITA
Subscritos, que aparecem no fim do Evangelho de Mateus em numerosos manuscritos (todos sendo posteriores ao décimo século E.C), dizem que o relato foi escrito por volta do oitavo ano depois da ascensão de Cristo (c. 41 E.C.) Isto não discordaria da evidência interna. O fato de que não se faz nenhuma referência ao cumprimento da profecia de Jesus sobre a destruição de Jerusalém indicaria uma época de composição anterior a 70 E.C. (Mat. 5:35; 24:16) E a expressão “até o dia de hoje” (Mat. 27:8; 28:15) indica um lapso de algum tempo entre os eventos considerados e a época da escrita.
ESCRITO ORIGINALMENTE EM HEBRAICO
A evidência externa no sentido de que Mateus escreveu originalmente este Evangelho em hebraico remonta até a Pápias de Hierápolis, que era, pelo menos quase contemporâneo dos apóstolos. Pápias talvez fosse ensinado pelo apóstolo João, pois (segundo Eusébio), Irineu identifica-o como “ouvinte de João e o associado de Policarpo”. Eusébio citou Pápias como tendo dito: “Mateus compôs sua história no dialeto hebraico.” [The Ecclesiastical History of Eusebius Pamphilus (História Eclesiástica de Eusébio Pânfilo), Livro III, cap. 39] No início do terceiro século, Orígenes fez referência ao relato de Mateus e, ao considerar os Evangelhos, é citado por Eusébio como dizendo: “O primeiro acha-se escrito segundo Mateus, o mesmo que outrora era publicano, mas posteriormente se tornou um apóstolo de Jesus Cristo, que tendo-o publicado para os conversos judeus, escreveu-o em hebraico.” (The Ecclesiastical History of Eusebius Pamphilus, Livro VI, cap. 25) O douto Jerônimo (do quarto e quinto séculos E.C.) escreveu em seu Catalogue of Ecclesiastical Writers (Catálogo de Escritores Eclesiásticos) que Mateus “compôs um Evangelho de Cristo, na Judéia, na língua e nos caracteres hebraicos, para o benefício dos da circuncisão que tinham crido. . . . Ademais, o próprio hebraico acha-se preservado até os dias de hoje na biblioteca de Cesaréia, que o mártir Pânfilo tão diligentemente coletou”.
Tem-se sugerido que Mateus, depois de compilar seu relato em hebraico, talvez o tivesse traduzido pessoalmente para o grego koiné.
INFORMAÇÕES ÍMPARES DO EVANGELHO DE MATEUS
Um exame do relato de Mateus mostra que mais de 40 por cento da matéria contida ali não se encontra nos outros três Evangelhos. Ímpar é a genealogia de Jesus (1:1-16) traçada por Mateus, que tem diferente enfoque da estabelecida por Lucas (3:23-28). Uma comparação entre as duas indica que Mateus forneceu a genealogia legal, através de José, pai adotivo de Jesus, ao passo que Lucas, pelo que parece; forneceu a genealogia natural de Jesus. Outros incidentes mencionados apenas no relato de Mateus são: a reação de José diante da gravidez de Maria; a aparição de um anjo a José, num sonho (1:18-25); a visita dos astrólogos; a fuga para o Egito; a matança dos meninos em Belém e seus distritos (cap. 2); o sonho da esposa de Pilatos referente a Jesus. — 27:19.
Pelo menos dez parábolas ou ilustrações encontradas no relato de Mateus não são mencionadas nos outros Evangelhos. Estas incluem quatro, no capítulo 13, as do joio do campo, a do tesouro escondido, a da “pérola de grande valor”, e a da rede. Outras são as ilustrações do escravo desapiedado (18:23-25), dos trabalhadores no vinhedo (20:1-16), do casamento do filho do rei (22:1-14), das dez virgens (25:1-13) e dos talentos. — 25:14-30.
Às vezes, Mateus supre pormenores adicionais. Embora a matéria do Sermão do Monte também conste no relato de Lucas (6:17-49), o Evangelho de Mateus é muito mais extensivo neste particular. (5:1 a 7:29) Ao passo que Marcos, Lucas e João mencionam a alimentação miraculosa de cerca de 5.000 homens, Mateus adiciona “além de mulheres e criancinhas”. (Mat. 14:21; Mar. 6:44; Luc. 9:14; João 6:10) Mateus menciona dois homens possessos de demônios a quem Jesus encontrou no país dos gadarenos, ao passo que Marcos e Lucas se referem apenas a um. (Mat. 8:28; Mar. 5:2; Luc. 8:27) Mateus também fala de dois cegos serem curados em certa ocasião, ao passo que Marcos e Lucas mencionam apenas um. (Mat. 20:29, 30; Mar. 10:46, 47; Luc. 18:35, 38) Naturalmente, todos os escritores estavam corretos, no sentido de que pelo menos uma pessoa estava envolvida em cada incidente. Mateus, porém, com freqüência é mais explícito quanto aos números. Isto talvez possa ser atribuído à sua anterior ocupação como coletor de impostos.
UTILIZAÇÃO DAS ESCRITURAS HEBRAICAS POR MATEUS
Tem-se calculado que o Evangelho de Mateus contém cerca de cem referências às Escrituras Hebraicas. Estas incluem as próprias citações e alusões de Cristo às Escrituras Hebraicas, entre as quais acham-se as seguintes: os inimigos do homem serão pessoas de sua própria família (Mat. 10:35, 36; Miq. 7:6); João Batista identificado como o “Elias” que viria (Mat. 11:13, 14; 17:11-13; Mal. 4:5); as experiências de Jesus e de Jonas são comparadas (Mat. 12:40; Jonas 1:17); o mandamento de honrar os pais (Mat. 15:4; Êxo. 20:12; 21:17); a prestação de louvores fingidos a Deus (Mat. 15:8, 9; Isa. 29:13); a necessidade de duas ou três testemunhas (Mat. 18:16; Deut. 19:15); as declarações sobre casamento (Mat. 19:4-6, Gên. 1:27; 2:24); vários mandamentos (Mat. 5:21, 27, 38; 19:18, 19; Êxo. 20:12-16; 21:24; Lev. 19:18; 24:20; Deut. 19:21); o templo transformado num “covil de salteadores” (Mat. 21:13; Isa. 56:7; Jer. 7:11); a rejeição de Jesus, a “pedra” que se tornou a “principal pedra angular” (Mat. 21:42; Sal. 118:22, 23); os inimigos do Senhor de Davi sendo postos debaixo de seus pés (Mat. 22:44; Sal. 110:1); a coisa repugnante no lugar santo (Mat. 24:15; Dan. 9:27); os discípulos de Jesus serem espalhados (Mat. 26:31; Zac. 13:7); Cristo aparentemente abandonado por Deus. (Mat. 27:46; Sal. 22:1) Há também as declarações de Jesus, usadas para resistir às tentações de Satanás. — Mat. 4:4, 7, 10; Deut. 8:3; 6:16, 13.
É interessante, também, a aplicação inspirada, feita por Mateus, das profecias das Escrituras Hebraicas a Jesus, provando que ele era o Messias prometido. Este aspecto seria de interesse especial para os judeus, para os quais o relato parece ter sido tencionado originalmente. As profecias incluem: Jesus nascer duma virgem (Mat. 1:23; Isa. 7:14); seu nascimento em Belém (Mat. 2:6; Miq. 5:2); ser chamado do Egito (Mat. 2:15; Osé. 11:1); a lamentação devido à morte das criancinhas assassinadas (Mat. 2:16-18; Jer. 31:15); João Batista preparando o caminho diante de Jesus (Mat. 3:1-3; Isa. 40:3); o ministério de Jesus trazendo luz (Mat. 4:13-16; Isa. 9:1, 2); o levar ele sobre si as moléstias (Mat. 8:14-17; Isa. 53:4); seu emprego de ilustrações (Mat. 13:34, 35; Sal. 78:2); a entrada de Jesus em Jerusalém montado num jumentinho (Mat. 21:4, 5; Zac. 9:9); a traição de Cristo por trinta moedas de prata. — Mat. 26:14, 15; Zac. 11:12.
UM REGISTRO EXATO, PROVEITOSO
Mateus, sendo associado íntimo de Cristo na parte final da vida de Jesus na terra, e, assim, testemunha ocular do seu ministério, podia compreensivelmente registrar um Evangelho comovente e significativo. É isto que temos no registro do ex-coletor de impostos sobre a vida de Jesus Cristo, o espírito de Deus o habilitando a lembrar-se do que Jesus disse e fez quando na terra. (João 14:26) Por isso, Mateus apresentou Jesus de Nazaré, de forma exata, como o amado Filho de Deus, que gozava da aprovação divina, como aquele que veio “para ministrar e dar a sua alma como resgate em troca de muitos”, e como o predito Rei Messiânico que devia chegar em glória. (Mat. 20:28; 3:17; 25:31) Quando na terra, Jesus apontou suas obras e pôde verazmente dizer: “Aos pobres estão sendo declaradas as boas novas.” (Mat. 11:5) E, atualmente, multidões de pessoas, tanto de judeus naturais como de não judeus, beneficiam-se altamente de tais boas novas do Reino, segundo registradas no Evangelho de Mateus.
[Continua]