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  • Ajuda ao Entendimento da Bíblia
  • Despertai! — 1977
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  • PRIMEIRAS ALMAS DA TERRA
  • A ALMA HUMANA
  • ALMA — UMA CRIATURA VIVENTE
  • Representa vida como criatura
  • Mortal e destrutível
  • Alma morta
  • Desejo
  • SERVIR DE TODA A ALMA
  • ALMA E ESPÍRITO SÃO DISTINTOS
  • DEUS COMO TENDO ALMA
  • COMO TERMO DESPREZÍVEL
Despertai! — 1977
g77 22/9 pp. 24-26

Ajuda ao Entendimento da Bíblia

[Matéria selecionada de Aid to Bible Understanding, Edição de 1971.]

ALMA. [Continuação]

PRIMEIRAS ALMAS DA TERRA

As ocorrências iniciais de néfes se encontram em Gênesis 1:20-23. No quinto “dia” criativo, Deus disse: “‘Produzam as águas um enxame de almas viventes [néfes] e voem criaturas voadoras sobre a terra . . .’ E Deus passou a criar os grandes monstros marinhos e toda alma vivente [néfes] que se move, que as águas produziram em enxames segundo as suas espécies” e toda criatura voadora alada segundo a sua espécie.” Similarmente, no sexto “dia” criativo, aplica-se néfes ao “animal doméstico, e animal movente, e animal selvático da terra” como sendo “almas viventes”. — Gên. 1:24.

Depois da criação do homem, a instrução dada por Deus a ele usava de novo o termo néfes com respeito à criação animal, “tudo o que se move sobre a terra. em que há vida como alma [literalmente, em que há alma vivente (néfes)]”. (Gên. 1:30) Outros exemplos de animais serem assim chamados se encontram em Gênesis 2:19, 9:10-16; Levítico 11:10, 46; 24:18; Números 31:28; Ezequiel 47:9. Notavelmente, as Escrituras Gregas Cristãs coincidem em aplicar o grego psiqué aos animais, como em Revelação 8:9; 16:3, onde é usado para as criaturas marinhas.

Assim, as Escrituras mostram claramente que néfes e psiqué são usados para denominar a criação animal inferior ao homem. Os mesmos termos se aplicam ao homem.

A ALMA HUMANA

Precisamente a mesma frase hebraica usada para a criação animal, a saber, néfes hhayyáh (“alma vivente”), é aplicada a Adão, quando, depois de Deus ter formado o homem do pó do solo e soprado em suas narinas o fôlego da vida, “o homem veio a ser uma alma vivente”. (Gên. 2:7) O homem era diferente da criação animal, mas tal diferença não se devia a ser ele uma néfes (“alma”), e eles não serem. Antes, o registro mostra que era porque somente o homem fora criado “à imagem de Deus”. (Gên. 1:26, 27) Ele foi criado com qualidades morais semelhantes às de Deus, tendo poder e sabedoria muito superiores aos animais; por isso, poderia ter em sujeição todas as formas inferiores de vidas de criaturas. (Gên. 1:26, 28) O organismo do homem era muito mais complexo, bem como mais versátil, do que o dos animais. (Compare com 1 Coríntios 15:39.) Semelhantemente, Adão possuía, mas perdeu, a perspectiva de vida eterna, isto nunca foi expresso com relação às criaturas inferiores ao homem. — Gên. 2:15-17; 3:22-24.

É verdade que o relato afirma que ‘Deus passou a soprar nas suas narinas o fôlego [nessamáh] de vida’ ao passo que não declara isso no relato sobre a criação animal. É claro, portanto, que o relato da criação do homem é muito mais pormenorizado que o da criação dos animais. Ademais, Gênesis 7:21-23, ao descrever a destruição, causada pelo Dilúvio, de “toda a carne” fora da arca, alista as criaturas animais junto com a humanidade, e afirma: “Morreu tudo em que o fôlego [nessamáh] da força de vida estava ativo nas suas narinas, a saber todos os que estavam em solo seco.” Obviamente, o fôlego de vida das criaturas animais proveio originalmente do Criador, Jeová Deus.

Assim também o “espírito” (Heb., rúah; Gr., pneúma) ou força de vida do homem não é distinto da força de vida dos animais conforme demonstrado por Eclesiastes 3:19-21, que declara que “todos eles têm apenas um só espírito [rúah]”.

ALMA — UMA CRIATURA VIVENTE

Conforme declarado, o homem “veio a ser uma alma vivente”; por isso, o homem era uma alma, ele não possuía uma alma como algo imaterial, invisível e intangível, que residia dentro dele. O apóstolo Paulo mostra que o ensino cristão não diferia do ensino hebraico anterior, pois cita Gênesis 2:7 ao dizer: “Até mesmo está escrito assim: ‘O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente psiquén zósan]’ . . . O primeiro homem é da terra e feito de pó.” — 1 Cor. 15:45-47.

O relato de Gênesis mostra que uma alma vivente resulta da combinação do corpo terrestre com o fôlego de vida. A expressão “fôlego da força da vida [literalmente, fôlego do espírito, ou força ativa (rúah de vida]” (Gên. 7:22) indica que é por respirar ar (com seu oxigênio) que é sustentada a força de vida ou “espírito” em todas as criaturas, o homem e os animais. Esta força de vida se encontra em cada célula do corpo da criatura, conforme consideraremos sob VIDA, ESPÍRITO.

Visto que o termo néfes se refere à própria criatura, devíamos esperar verificar que lhe são atribuídas as funções ou características físicas normais das criaturas carnais. E isto realmente acontece. Néfes (“alma”) é mencionada como comendo carne, gordura, sangue ou similares coisas materiais (Lev. 7:18, 20, 25, 27; 17:10, 12, 15; Deu. 23:24), como tendo fome ou ansiando alimento e bebida (Deu. 12:15, 20, 21; Sal. 107:9; Pro. 19:15; 27:7; Isa. 29:8; 32:6; Miq. 7:1), engordando (Pro. 11:25) jejuando (Sal 35:13), tocando coisas impuras, tais como um corpo morto (Lev. 5:2; 7:21; 17:15; 22:6; Núm. 19:13), sendo ‘tomada em penhor’ ou sendo ‘seqüestrada’ (Deu. 24:6, 7), trabalhando (Lev. 23:30), revigorando-se com água fresca quando cansada (Lev. 25:25), sendo comprada (Lev. 22:11, Eze. 27:13) ou dada como oferta votiva (Lev. 27:2), sendo posta a ferros (Sal. 105:18), ficando sem dormir (Sal. 119:28), e lutando para respirar. — Jer. 15:9.

Deve-se notar que, em muitos textos, faz-se referência à “minha alma”, “sua alma”, “tua alma”, etc. Isto se dá porque néfes e psiqué podem significar o próprio eu da pessoa como alma. O sentido do termo, portanto pode ser amiúde expresso em português pelo uso de pronomes pessoais. Assim, o Lexicon de Koehler e Baumgartner declara: “Minha néfes significa ‘eu’ (Gênesis 27:4, 25; Isaías 1:14); ‘tua néfes significa ‘tu’ (Gênesis 27:19, 31. Isaías 43:4, 51:23), ‘sua néfes significa ‘ele ele mesmo’ (Números 30:2, Isaías 53:10), ‘a sua (dela) néfes significa ‘ela, ela mesma’ (Números 30:5-12)”, etc.

O termo grego psiqué é usado similarmente. O Expository Dictionary of New Testament Words (Dicionário Expositivo das Palavras do Novo Testamento), Vol. IV, p. 54, de Vine, afirma que pode ser usada como “o equivalente dó pronome pessoal, usado para ênfase e efeito: — 1.ª pessoa, (João 10:24 (“nos”) Heb. 10:38, compare com Gên. 12:13, Núm. 23:10, Juí. 16:30; Sal. 120:2 (‘me’); 2.ª pessoa, 2 Cor. 12:15; Heb. 13:17)”, etc.

Representa vida como criatura

Tanto néfes como psiqué são também usadas pára significar vida — não meramente como força ou princípio abstratos — mas vida como criatura, humana ou animal.

Assim, quando Raquel dava à luz Benjamim, sua néfes (“alma,’ ou vida como criatura saiu dela e ela morreu. (Gên. 35:16-19) Ela cessou de ser criatura vivente. Similarmente, quando o profeta Elias realizou um milagre, a respeito do filho morto de uma viúva de Sarefá, a néfes (“alma” ou vida como criatura) do filho retornou à ele e ele “reviveu”, tornando-se de novo uma criatura viva. — 1 Reis 17:17-23.

Por estar a vida duma criatura tão inseparavelmente ligada ao sangue e depender dele (o sangue derramado representando a vida da pessoa ou criatura [Gên. 4:10; 2 Reis 9:26; Sal. 9:12; Isa. 26:21]), as Escrituras falam da néfes (“alma”) como estando “no sangue”. (Gên. 9:4; Lev. 17:11, 14; Deu. 12:23) Obviamente, não se quer dizer isso de forma literal, visto que as Escrituras também falam do “sangue das vossas almas” (Gên. 9:5; compare com Jeremias 2:34) e as muitas referências já consideradas não poderiam ser razoavelmente aplicadas unicamente ao sangue ou às suas qualidades que sustentam a vida.

Néfes (“alma”) não é usada com referência à criação da vida vegetal no terceiro “dia” criativo (Gên. 1:11-13) ou depois disso, visto que a vegetação não tem sangue.

Exemplos do uso do grego psiqué para significar ‘vida como criatura’ podem ser encontrados em Mateus 6:25, 10:39; 16:25, 26, Lucas 12:20, João 10:11, 15, 13:37, 38; 15:13; Atos 20:10. Visto que os servos de Deus têm a esperança duma ressurreição no caso de morrerem, têm a esperança de viverem novamente como “almas” ou criaturas viventes. Por esse motivo Jesus podia dizer que “todo aquele que perder a sua alma [sua vida como criatura] por causa de mim e das boas novas, salvá-la-á. Realmente, de que proveito é para um homem ganhar o mundo inteiro e pagar com a perda da sua alma? O que, realmente, daria o homem em troca de sua alma?” (Mar. 8:35-37) Similarmente, ele declarou: “Quem estiver afeiçoado à sua alma, destruí-la-á, mas quem odiar a sua alma neste mundo, protegê-la-á para a vida eterna.” (João 12:25) Estes textos, e outros semelhantes a eles, mostram o entendimento correto das palavras de Jesus em Mateus 10:28: “E não fiqueis temerosos dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma; antes, temei aquele que pode destruir na Geena tanto a alma como o corpo.” Ao passo que os homens podem matar o corpo, não podem matar a pessoa para sempre, visto que, uma vez que ela vive no propósito de Deus (compare com Lucas 20:37, 38), e Deus pode restaurar e restaurará tal pessoa fiel à vida como criatura, por meio duma ressurreição. Para os servos de Deus, a perda de sua “alma” ou vida como criatura é apenas temporária, e não permanente. — Compare com Revelação 12:11.

Mortal e destrutível

Por outro lado, o texto citado declara que Deus “pode destruir na Geena tanto a alma [psiqué] como o corpo”. (Mat. 10:28) Isto mostra que psiqué não se refere a algo imortal ou indestrutível. Não existe, com efeito, nem sequer um caso em todas as Escrituras Hebraicas e Gregas, em que as palavras néfes ou psiqué Sejam modificadas por termos tais como imortal, indestrutível’ imperecível, imorredouro ou algo parecido. (Veja IMORTALIDADE; INCORRUÇÃO.) Por outro lado, há dezenas de textos, tanto nas Escrituras Hebraicas como nas Gregas, que falam de néfes ou de psiqué (“alma”) como sendo mortal e sujeita à morte (Gên. 19:19, 20; Núm. 23:10; Jos. 2:13, 14; Juí. 5:18; 16:16, 30; 1 Reis 20:31, 32; Sal. 22:29; Eze. 18:4, 20; Mat. 2:20; 26:38; Mar. 3:4; Heb. 10:39; Tia. 5:20), como morrendo sendo “decepada” ou destruída (Gên. 17:14; Êxo. 12:15; Lev. 7:20, 23, 29; Jos. 10:28-39; Sal. 78:50; Eze. 13:19; 22:27; Atos 3:23; Rev. 8:9; 16:3), quer pela espada (Jos. 10:37; Eze. 33:6), quer por sufocamento (Jó 7:15), ou correndo risco de morrer devido a afogamento (Jon. 2:5, 6) e também como descendo à cova ou ao Seol (Jó 33:22; Sal. 89:48), ou sendo livrada dali. — Sal. 16:10; 30:3; 49:15; Pro. 23:14.

Alma morta

A expressão ‘alma falecida ou morta’ também aparece várias vezes, significando simplesmente ‘uma pessoa morta’. — Lev. 19:28; 21:1, 11; 22:4; Núm. 5:2; 6:6; Ageu 2:13; compare com Números 19:11, 13.

Desejo

Às vezes, a palavra néfes é usada para expressar o desejo da pessoa, desejo este que toma conta dela e então a ocupa na consecução de seu alvo. Provérbios 13:2, por exemplo, afirma sobre os que agem traiçoeiramente que ‘sua própria alma é violência’, isto é que estão ‘inteiramente voltados’ para a violência, com efeito, tornam-se a violência personificada. (Compare com o Salmo 27:12; 35:25; 41:2.) Os falsos pastores de Israel são chamados de “cães fortes em [desejo da] alma”, que não conhecem a saciedade. — Isa. 56:11, 12 compare com Provérbios 23:1-3; Habacuque 2:5.

SERVIR DE TODA A ALMA

A “alma” significa basicamente a pessoa inteira como já foi demonstrado. Todavia, certos textos nos exortam a buscar, a amar e a servir a Deus com ‘todo o nosso coração e com toda a nossa alma’ (Deu. 4:29; 11:13, 18) ao passo que Deuteronômio 6:5 afirma: “Tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, e de toda a tua força vital.’ Jesus disse que era mister servir com toda a alma e força da pessoa, e, adicionalmente, “de toda a tua mente”. (Mar 12:30; Luc. 10:27) Surge a questão quanto a por que estas outras coisas são mencionadas junto com a alma visto que esta abrange todas elas. Para ilustrar o seu significado provável: uma pessoa poderia vender a si mesma (sua alma) como escrava de outrem, destarte tornando-se propriedade de seu amo e senhor. Todavia, talvez não servisse de todo o coração a seu senhor com plena motivação e, desejo de agradá-lo, e, assim talvez não usasse sua plena força ou sua plena capacidade mental para promover os interesses de seu senhor. (Compare com Efésios 6:5; Colossenses 3:22.) Por isso, essas outras facetas são evidentemente mencionadas para focalizar a atenção sobre elas, de modo que não deixemos de nos lembrar delas e de considerá-las em nosso serviço a Deus, a quem pertencemos, e a seu Filho, cuja vida foi o preço resgatador que nos comprou. Serviço “de toda a alma” a Deus envolve a inteira pessoa, não se deixando fora nenhuma parte física, função, capacidade ou desejo. — Compare com Mateus 5:28-30; Lucas 21:34-36, Efésios 6:6-9, Filipenses 3:19; Colossenses 3:23, 24.

ALMA E ESPÍRITO SÃO DISTINTOS

O “espírito” (Heb., rúah, Gr., pneúma) não deve ser confundido com a “alma” (Heb. néfes, Gr. psiqué) pois se referem a coisas diferentes. Assim, Hebreus 4:12 fala da palavra de Deus como ‘penetrando até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e da sua medula’. (Compare também com Filipenses 1:27; 1 Tessalonicenses 5:23.) Como já se mostrou, a alma (néfes; psiqué) é a própria criatura. O espírito (rúah; pneúma) refere-se geralmente à força de vida da criatura vivente ou alma, embora os termos das línguas originais também possam ter outros significados.

Ilustrando ainda mais a distinção entre os termos gregos psiqué e pneúma há a exposição do apóstolo Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios, sobre a ressurreição dos cristãos para a vida espiritual. Aqui ele contrasta “o que é físico [psiquicón, literalmente “da alma”]” com “aquilo que é espiritual [pneumaticón]”. Assim, ele mostra que os cristãos, até à hora de sua morte, tinham um “corpo-alma”, assim como o primeiro homem, Adão; ao passo que, em sua ressurreição, tais cristãos ungidos recebem um corpo espiritual semelhante ao do glorificado Jesus Cristo. (1 Cor. 15:42-49) Judas tece uma comparação um tanto similar’ ao falar de “homens animalescos [psiquicoí, literalmente, “(homens) almas”], sem espiritualidade [literalmente “não tendo espírito (pneúma)”]”. — Jud. 19.

DEUS COMO TENDO ALMA

Em vista do precedente, parece que os textos em que Deus fala de “minha alma” (Lev. 26:11, 30; Sal. 24:4; Isa. 42:1) são ainda outro caso de uso antropomórfico isto é, de atribuição de caraterísticas físicas e humanas a Deus, para facilitar o entendimento, como no caso em que Deus é mencionado como tendo olhos, mãos, etc. Ao falar de ‘minha néfes’, Jeová quer dizer, claramente, “eu mesmo”, ou “minha pessoa”. “Deus é Espírito [Pneúma].” — João 4:24; veja JEOVÁ (Descrições de sua presença):

‘AM HA-’ÁRETS [povo da terra ou do solo] Esta expressão ocorre cerca de cinqüenta ou mais vezes nas Escrituras Hebraicas. Nos dias de Jesus, era empregada pelos líderes religiosos como um termo de desprezo, mas, originalmente, isto não acontecia.

O léxico hebraico e aramaico de Koehler e Baumgartner (Lexicon in Veteris Testamenti Libros, p. 711) explica esta frase hebraica como significando “os cidadãos que possuem plenos direitos”. The Interpreter’s Dictionary of the Bible (Dicionário Bíblico do Intérprete, Vol. 1, p. 106) declara que o termo “no sentido estrito, só inclui os cidadãos varões responsáveis, os homens casados que vivem em sua própria terra e que têm plenos direitos e deveres, inclusive o dever de servir no exército e de participar nos processos judiciais e . . . nas festas”. (Compare com Levítico 20:2-5; 2 Reis 15:5; 16:15; Ezequiel 45:16, 22; 46:3, 9.) Assim originalmente, o termo era respeitoso. Não se aplicava somente a uma classe inferior ou aos que pertenciam aos elementos mais humildes.

Ao pechinchar pelos direitos de propriedade da caverna de Macpela, Abraão lidou com o “povo da terra” hitita. (Gên. 23:7, 13, Almeida, rev. e corrigida) Nestes versículos, tanto Uma Tradução Americana, em inglês como a Tradução do Novo Mundo, traduzem o hebraico ‘am ha-’árets como “nativos”. Faraó ao falar a Moisés e Arão, referiu-se aos israelitas que moravam em Gósen como “o povo do país”. (Êxo. 5:5) O termo foi usado no singular para abranger todo o povo de Canaã (Núm. 14:9), e com o plural de ‘am (‘am·méh, “povos”) para descrevê-los como formando tribos ou povos separados dentro daquela terra. (Nee. 9:24, 30) Senaqueribe usou a forma plural plena (‘am.méh ha-‘ara.tsóhth, “povos das terras”) como se aplicando aos muitos povos ou nações conquistadas pelas forças assírias. (2 Crô. 32:13, 19) É usada de forma similar ao referir-se aos povos submissos, dentro do Império Persa, no tempo da Rainha Ester. — Est. 8:17.

Na nação de Israel, a frase ‘am ha-‘árets amiúde diferençava os cidadãos em geral das autoridades governamentais ou sacerdotais. (2 Reis 11:14, 18-20; Jer. 1:18; 34:19; 31:2; 44:21; Eze. 7:27; Dan. 9:6; Zac. 7:5) No entanto, é evidente que abrangia não apenas os da classe pobre e trabalhadora, mas também incluía pessoas de recursos, visto que Ezequiel, depois de condenar as injustiças cometidas pelos profetas, sacerdotes e príncipes gananciosos, faz a invectiva contra o “povo da terra” que “executaram um plano de defraudação e arrebataram em roubo, e maltrataram o atribulado e o pobre, e defraudaram o residente forasteiro sem qualquer justiça”. (Eze. 22:25-29) A fim de pagar os posados impostos exigidos pelo Faraó Neco, o Rei Jeoiaquim “exigiu do povo da terra prata e ouro” por meio de impostos. Assim, o ‘am ha-‘árets que abateu os conspiradores contra o Rei Amom e tornou Josias o rei, ou que, mais tarde, fez rei a Jeoacaz, não era parte da chamada “ralé”. (2 Reis 23:30, 35; 21:24) Quando Nabucodonosor conquistou Judá, sessenta homens dentre o “povo da terra” foram incluídos entre os altos oficiais da corte que foram levados a Ribla e executados, estes sessenta, sem dúvida, estando entre os cidadãos mais proeminentes ou destacados. (2 Reis 25:19-21) Naturalmente, a frase ‘am ha-‘árets também abrangia os cidadãos pobres e humildes, e o rei de Babilônia designou certo número deles para permanecer em Judá, conforme tinha feito antes em Jerusalém. — 2 Reis 24:14; 25:12; Jer. 40:7; 52:15, 16.

Nos tempos após o cativeiro, Esdras e Neemias condenaram a prática errada dos exilados que voltaram de misturar-se com os “povos das terras”, casando-se com mulheres dentre eles, permitindo que comercializassem dentro da cidade no sábado, e aprendendo suas práticas detestáveis. (Esd. 9:11; 10:2, 11; Nee. 10:28, 31) A expressão nesse caso se refere aos povos não israelitas das cercanias, especificados em Esdras 9:1, 2, e a razão de se separarem deles não era por causa de qualquer posição social ou econômica baixa da parte deles, mas por causa de a lei de Deus exigir pureza de adoração. — Nee. 10:28-30.

COMO TERMO DESPREZÍVEL

No decorrer do tempo, contudo, os líderes religiosos de Judá começaram a usar esse termo para chamar aquelas pessoas, judias ou não judias, que eram incultas quanto à Lei, e, mais particularmente, as que eram ignorantes ou que deixavam de observar pormenorizadamente o grande conjunto de tradições rabínicas que então se desenvolvera. (Mat. 15:1, 2) O termo expressava a atitude de desprezo exemplificada na declaração dos fariseus, em João 7:49: “Esta multidão, que não sabe a Lei, são pessoas amaldiçoadas.” Disse o Rabino Hillel: “Nenhum ‘am ha-‘árets é realmente religioso.” Outras declarações rabínicas que se aplicavam a tais não observadores das tradições judaicas eram: “Que um homem não se associe com pecadores, nem mesmo para levá-lo para perto da Tora [ou Lei]”; “o ignorante é ímpio; apenas o erudito terá parte na ressurreição”. (Compare com Mateus 9:11; Lucas 15:2; 18:11.) Jesus, contudo, disse que ele ‘veio chamar os pecadores’, e mostrou afeição pelas pessoas que eram “empurradas dum lado para outro como ovelhas sem pastor”. — Mat. 9:13, 36.

Assim, o sentido de ‘am ha-‘árets mudou de um aspecto geral para um de opróbrio religioso, assim como o termo latino paganus, do qual se deriva nossa palavra portuguesa “pagão”, que originalmente significava simplesmente um habitante duma comunidade rural, mas, visto que tal gente do interior não raro eram os últimos a serem convertidos, ele veio a ser usado pelos moradores das cidades como se aplicando a todos que não adotavam suas professas crenças cristãs. De modo similar o termo em inglês “heathen”, de início significava simplesmente alguém que morava no “heath” ou campo.

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