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  • Sulista branco acha solução
  • Despertai! — 1978
Despertai! — 1978
g78 22/3 pp. 24-25

Sulista branco acha solução

Nasci como pessoa branca, e fui criado bem no coração do Sul, nas décadas de 20 e 30. A segregação estava escrita, não só na lei do país, naquela época, mas nos corações de minha família e de nossos vizinhos brancos. Desde a juventude, a inferioridade da raça negra foi instilada em nós, de modo que era somente natural crer nisto. Todo o mundo cria. Ademais, ao crescermos, vimos o que parecia ser prova disso. Por um lado, os negros são de cor. Não importa quanto se lavem, não podem livrar-se desta evidência de que são a ‘raça amaldiçoada’, segundo nossa gente mais idosa apontava.

Quando se lhes dava algum trabalho, havia sempre um capataz branco para lhes dizer o que fazer e como fazê-lo. ‘São broncos demais para fazer qualquer coisa que exija inteligência’, era a razão dada. ‘Os negros devem situar-se em algum lugar entre os macacos e os humanos, sendo realmente sub-humanos’, diziam-nos.

Ao cursar a escola, a teoria da evolução fortalecia tais idéias. Amiúde os negros eram ridicularizados como não sendo nada mais do que “animais”, apropriados apenas para fazer trabalhos simples, porém árduos, nas fazendas ou como empregados domésticos. Alguns até mesmo diziam que Deus evidentemente criara uma raça para serem criados, não sendo tão inteligentes quanto eram fortes, e capazes de trabalhar duro sob o sol inclemente. Que importava, então, se, ocasionalmente, quando ele tentava provar seu valor e sair de seu lugar, designado por Deus, tornava-se necessário colocar um negro ‘em seu devido lugar’ por meio dum carão ou até mesmo por pancada?

Sim, até mesmo as igrejas incentivavam esta atitude, visto que não permitiam que os negros se reunissem em adoração conosco. Eles possuíam suas próprias igrejas, amiúde simples barracos no meio duma trilha de algodão. Ali se nos dizia que os ofícios deles eram mais sessões de gritarias e cânticos do que sermões significativos e aulas da escola dominical.

Nos círculos de tagarelice sussurrada, o tema amiúde se voltava para ‘o modo em que vivem — apenas um pouquinho acima dos animais’. Casos de imoralidade e de filhos ilegítimos eram apontados. Ninguém se importava que o homem ou a mulher não se incomodava em obter um divórcio a fim de começar a viver junto com novo companheiro. Tudo isso fazia parte de sua mentalidade, dizia-se. Não nos contavam como, durante a escravidão, há apenas algumas gerações, as famílias de cor eram rompidas e vendidas a diferentes amos, ou como certos senhores de escravos usavam um escravo bem constituído, fisicamente, para inseminar suas escravas, a fim de produzir descendentes para o mercado escravista.

Lembro-me de certa vez manobrar uma serra de traçar junto com um negrinho da minha idade, para abater uma árvore. Quando ele começou a sentir calor, realmente fedia! Ah, imaginei, isto prova aquilo que dizem quanto aos negros terem um cheiro de corpo peculiar. Mas nem parei para pensar que, ao passo que eu tomara banho naquele dia, ele tinha um banheiro precaríssimo em sua casa humilde. Também, a falta de treinamento familiar inicial, quanto à higiene, provavelmente reduzira seu incentivo de banhar-se com freqüência.

É óbvio que as atitudes predominantes dos brancos em minha volta, quando eu cresci, exerceram seu efeito sobre mim. Quando comecei a estudar com as Testemunhas de Jeová, na minha adolescência, havia por vezes uma luta para harmonizar meu modo de pensar com o que a Bíblia ensina sobre as raças. O preconceito é difícil de se “desaprender”. Lembro-me dos sentimentos confusos que possuía, ao fazer ajustes em meu modo de pensar.

Há uma tendência natural de apegar-nos aos velhos conceitos, mas eu ficava realmente contente, no íntimo, cada vez que se abalava um velho mito. Fortalecia a fé ver como a Bíblia é verdadeira nesta questão das raças, como eu já sabia que era verídica e fidedigna em outros assuntos. Todas as raças tinham descendido de um único homem, Adão; todas são iguais à vista de Deus. Nenhuma foi amaldiçoada por Deus. E, quanto mais eu via como são tratados os negros e até mesmo outras raças ao redor do mundo, tanto mais se tornou claro, para mim, que quaisquer desigualdades quanto a aptidões, inteligência, etc., têm de ser atribuídas primariamente, se não inteiramente, às privações que sentiram, oriundas do preconceito.

Ao trabalhar com negros e brancos, recrear-me, estudar e adorar a Deus junto com eles, por mais de trinta anos, verifico não existir nenhuma razão para que uma raça se considere superior a outra. O amor a Deus e o genuíno amor, sem hipocrisia, pelo próximo, é a única solução para a questão do preconceito racial.

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