Ajuda ao Entendimento da Bíblia
[Matéria selecionada de Aid to Bible Understanding, Edição de 1971.]
AGRICULTURA [2.ª parte].
A agricultura ocupava importante lugar na legislação que foi dada a Israel. A terra pertencia a Jeová e, como tal, não deveria sofrer abusos. (Lev. 25:23) A terra não poderia ser vendida em perpetuidade e, com a exceção das propriedades nas cidades muradas, a terra vendida devido a infortúnios e reveses econômicos devia ser devolvida ao seu possuidor original no ano do Jubileu. (Lev. 25:10, 23-31) A cada sétimo ano se exigia um repouso sabático, durante o qual a terra ficava sem cultivo e sua fertilidade era restaurada, assim realizando o que hoje é feito através da rotação das culturas. (Êxo. 23:10, 11; Lev. 25:3-7) Tal exigência poderia parecer arriscada e era certamente uma prova da fé daquela nação na promessa de Deus de prover suficiente abundância para levá-los até à colheita no ano seguinte. Ao mesmo tempo, incentivava a prudência e a previsão. O ano do Jubileu (cada qüinquagésimo ano) era um ano de repouso também para o solo. — Lev. 25:11, 12.
As três festividades anuais ordenadas para serem celebradas foram cronometradas para coincidir com as épocas agrícolas: a colheita da cevada no tempo da festa dos pães não fermentados, a colheita do trigo em Pentecostes, e a colheita ou recolhimento dos frutos de verão setentrional na época da festividade das barracas. (Êxo. 23:14-16) Para os israelitas, as estações e a colheita eram fatores de tempo, e indicadores de tempo, e eram usadas mais comumente como tais do que os nomes dos meses calendares. Tal vida agrícola também protegia os israelitas em sentido espiritual, visto que os tornava bem independentes dos outros povos quanto a obterem suas necessidades, e reduzia ao mínimo a necessidade de intercâmbio comercial com as nações circunvizinhas.
Embora fosse uma terra “que manava leite e mel” para eles, sob a bênção de Deus, todavia, havia problemas agrícolas que deviam ser resolvidos. Condicionado à sua obediência, não haveria necessidade de irrigação em ampla escala. (Deu. 8:7; 11:10-17) A estação chuvosa começava com as chuvas temporãs, por volta de meados de outubro, e continuava até a época das chuvas posteriores, que findava por volta de meados de abril. (Deu. 11:14) Daí, seguiam-se cinco meses sem chuva, o calor e a secura dos mesmos sendo aliviados por forte orvalho que caia à noite e refrescava o solo e as plantas. (Gên. 27:28; Deu. 33:28; veja ORVALHO.) Para a conservação do solo em encostas, usavam-se aparentemente terraços, com muros de retenção, de pedra, para impedir a erosão do solo arável vital. Escavações arqueológicas mostram até sessenta ou mais de tais terraços como subindo um acima do outro em algumas encostas de colinas. Para assegurar a segurança das safras, barracas ou cabanas, ou até mesmo torres permanentes, eram construídas nos vinhedos e campos, de modo que uma sentinela pudesse ficar postada ali, para vigiar as áreas vizinhas. — Isa. 1:8; 5:2; Mat. 21:33.
Menciona-se especialmente o rei Uzias como “amante da agricultura”. — 2 Crô. 26:10.
Embora a desobediência subseqüente levasse à retirada da bênção de Deus e trouxesse, como conseqüência, desastres agrícolas, mediante más colheitas, secas, pragas de gafanhotos, mildio, e outros problemas, e embora a destruição de grande parte das matas e deixarem de manter os sistemas de plantas em terraços por um período de muitos séculos, provocando a erosão de amplas quantidades de solo arável em grande parte da Palestina, o solo remanescente continua a ter grande fertilidade até o tempo atual. — Veja COLHEITA; SEMEADOR, SEMEAR; EIRAR; e assuntos similares relacionados, sob seus verbetes.
ALFARROBA [Gr., kerátion]. Na ilustração do filho pródigo, Jesus descreve o jovem faminto como desejoso de comer as alfarrobas que eram dadas aos porcos. (Luc. 15:16) Tais alfarrobas crescem na alfarrobeira, atraente sempre verde que cresce por toda a Palestina, bem como no resto da área do Mediterrâneo. A árvore atinge uma altura de até 9 metros, com pequenas folhas reluzentes, semelhantes às do freixo. Os frutos ou vagens possuem brilhante casca de cor purpurina castanha e, em harmonia com seu nome em grego (kerátion, que significa “pequeno chifre”), têm uma forma curva de chifre. Medem de 15 a 25 centímetros de comprimento, e cerca de 2,54 centímetros de largura. Dentro deles há várias sementes parecidas à ervilha, separadas uma da outra por uma polpa doce e pegajosa.
São amplamente usadas até o dia de hoje como alimento para cavalos, vacas e porcos. Somente a ilha de Chipre produzia, em 1971, uma safra anual de cerca de trinta a quarenta mil toneladas (27.216.000 a 36.288.000 quilos) de alfarrobas. Utiliza-se o enxerto das árvores para a produção de frutos de melhor qualidade, iguais ao trigo em qualidades nutritivas. Há pessoas que também as comem, e as vagens ressecadas são moídas e usadas na fabricação de confeitos. As alfarrobeiras não enxertadas, contudo, produzem frutos pobres em açúcar, finos e secos. Talvez acontecesse que as alfarrobas que Jesus tinha presente em sua ilustração fossem desta espécie. A alfarrobeira também é conhecida como a “árvore-gafanhoto” e as vagens são freqüentemente chamadas, em inglês, de “Saint John’s bread” (pão-de-são-joão), devido à idéia errônea de que era este fruto que João Batista comia, ao invés de gafanhotos, insetos mesmo.
Houve época em que as vagens da alfarrobeira (Gr., keratéa) eram usadas como padrão de peso, e daí a palavra “quilate” se deriva de seu nome.
ASCENSÃO. A ascensão de Jesus Cristo ao céu foi um acontecimento mui essencial de sua atividade pós ressurreição.
A ascensão de Jesus ocorreu quarenta dias a contar do tempo de sua ressurreição, segundo Atos 1:3-9. Portanto, existe um lapso de tempo envolvido entre os eventos registrados em Lucas 24:1-49, como ocorrendo no dia da ressurreição de Jesus, e a ascensão de Jesus, conforme descrita no Luc 24 versículo 51 desse capítulo. Pode-se também notar que as palavras “começou a ser levado para o céu”, que aparecem nesse versículo, faltam em alguns manuscritos antigos, e, por conseguinte, são omitidas em algumas traduções modernas (Revised Standard Version, An American Translation). Elas aparecem, contudo, no Manuscrito Alexandrino e no Manuscrito Vaticano N.º 1209, e em outros manuscritos antigos.
O cenário da ascensão de Jesus foi o Monte das Oliveiras (Atos 1:9, 12), perto do povoado de Betânia (Luc. 24:50), povoado este situado do lado leste do Monte das Oliveiras. Os que testemunharam a ascensão constituíam um grupo limitado, seus apóstolos fiéis. (Atos 1:2, 11-13) O registro declara que “enquanto olhavam, foi elevado e uma nuvem o arrebatou para cima, fora da vista deles”. Continuaram olhando para o céu até que os anjos os avisaram para agir de outro modo, por informá-los: “Este Jesus, que dentre vós foi acolhido em cima, no céu, virá assim da mesma maneira em que o observastes ir para o céu.” — Atos 1:9-11.
Deve se notar que os anjos se referiram à “maneira” (Gr., trópos) e não à forma (Gr. morfé) em que Jesus partiu. O relato de Atos mostra que a maneira de sua ascensão foi sem ostentação ou fanfarra, discernida apenas por alguns seguidores fiéis e isso somente durante a parte inicial da ascensão. Parece que a maneira de sua ascensão era tal que habilitaria os apóstolos a servir quais testemunhas desse fato, assim como foram testemunhas da ressurreição de Jesus. (Atos 1:3) Assim, ele simplesmente não ‘desapareceu’ de diante deles, como fizera anteriormente diante dos dois discípulos em Emaús, nem como o anjo que aparecera a Gideão, que “desapareceu da sua vista”. (Luc. 24:31; Juí. 6:21, 22) Até certo ponto, sua ascensão era mais parecida à do anjo que apareceu a Manoá e sua esposa, e que os fizera preparar um sacrifício, e “ao subir a chama do altar para o céu, então o anjo de Jeová subiu na chama do altar enquanto Manoá e sua esposa olhavam”. — Juí. 13:20, 21.
EFEITO SOBRE OS DISCÍPULOS
Até o dia da ascensão de Jesus, parece que os discípulos ainda pensavam em termos de um reino terrestre regido por ele, conforme depreendido de sua declaração em Atos 16. Por iniciar sua ascensão de forma visível, e permitir que seus discípulos testemunhassem a parte inicial da mesma, Jesus assim tornou óbvio a eles que seu reino era celeste e que, diferente de Davi, que “não ascendeu aos céus”, a posição de Jesus dali em diante seria ‘à direita de Deus’, conforme Pedro testificou galhardamente no dia de Pentecostes. — Atos 2:32-36.
Tal ação, semelhantemente, trazia-lhes à mente e os fazia compreender as muitas declarações prévias de Jesus que apontavam para tal posição celeste. Ele havia deixado chocados alguns por afirmar: “Que seria, portanto, se observásseis o Filho do homem ascender para onde estava antes?” (João 6:62), e ele disse aos judeus: “Vós sois dos domínios de baixo; eu sou dos domínios de cima.” (João 8:23) Na noite de sua reunião final com seus apóstolos, ele lhes disse que ‘iria embora para o Pai a fim de lhes preparar um lugar’ (João 14:2, 28); quando orava entre eles, em sua última noite de vida como humano, ele relatou ao seu Pai que tinha ‘terminado a obra na terr a’ que lhe fora designada, e orou para ser glorificado “junto de ti com a glória que eu tive junto de ti antes de haver mundo”, afirmando também: “Eu vou para ti.” (João 17:4, 5, 11) Quando preso, ele forneceu similar indício perante o Sinédrio. (Mat. 26:64) Depois de sua ressurreição, ele disse a Maria Madalena: “Pára de agarrar-te a mim. Porque ainda não ascendi para junto do Pai. Mas, vai aos meus irmãos e dize-lhes: ‘Eu ascendo para junto de meu Pai e vosso Pai, e para meu Deus e vosso Deus.’” (João 20:17) Todavia, apesar de tudo isso, é evidente que o significado destas declarações só ‘penetrou’ nos discípulos por ocasião da ascensão. Mais tarde, Estêvão recebeu uma visão de Jesus à direita de Deus (Atos 7:55, 56), e Paulo sentiu o efeito da glória celeste de Jesus. — Atos 9:3-5.
INAUGURAÇÃO NÃO-FÍSICA DE UM ‘CAMINHO NOVO E VIVENTE’
Ao passo que Jesus iniciou sua ascensão de forma física, assim tornando possível ser visto por seus discípulos que observavam, não há base para se presumir que ele continuasse a reter uma forma material depois de a nuvem o encobrir. O apóstolo Pedro declara que Jesus morreu na carne mas foi ressuscitado “no espírito”. (1 Ped. 3:18) Paulo declara a regra de que “carne e sangue não podem herdar o reino de Deus” (1 Cor. 15:50; compare também a declaração de Jesus, em João 12:23, 24, com 1 Coríntios 15:35-45). Paulo assemelha a ascensão de Jesus à presença de Deus nos céus com a entrada do sumo sacerdote no compartimento Santíssimo do tabernáculo no dia da expiação, e específica que, em tal ocasião, o sumo sacerdote só levava o sangue (não a carne) das vítimas sacrificiais. (Heb. 9:7, 11, 12, 24-26) Paulo então compara a cortina, que separava o primeiro compartimento do compartimento Santíssimo, à carne de Cristo. O sumo sacerdote, ao passar para o Santíssimo da presença típica de Deus não levava a cortina consigo, mas passava por tal barreira e ia além dela, de modo que ela ficava atrás dele. Assim, Paulo declara que “temos denodo para com o caminho de entrada no lugar santo, pelo sangue de Jesus, que ele inaugurou para nós como caminho novo e vivente através da cortina, isto é, sua carne”. — Heb. 9:3, 24; 10:10, 19, 20; compare com João 6:51; Hebreus 6:19, 20.
Que a ascensão de Jesus ao céu, com o valor resgatador de seu sangue vitalício deveras inaugurou “um caminho novo e vivente” harmoniza-se com a própria declaração de Jesus no sentido de que, antes disso, “nenhum homem ascendeu ao céu, senão aquele que desceu do céu, o Filho do homem”. (João 3:13) Assim, nem Enoque nem Elias inauguraram este caminho, assim como Davi tampouco o fizera. (Gên. 5:24; 2 Reis 2:11; Atos 2:34) Assim como Paulo declara: “O espírito santo esclarece assim que o caminho para o lugar santo ainda não fora manifestado enquanto a primeira tenda estava de pé.” — Heb. 9:8; veja ELIAS N.º 1; ENOQUE N.º 2.
CORREÇÃO DO TERMO
Alguns suscitam objeções ao relato da ascensão, afirmando que transmite o conceito primitivo de que o céu está “acima” da terra, manifestando assim ignorância da estrutura do universo e da rotação da terra. No entanto, para satisfazer a tais críticos seria necessário, efetivamente, a eliminação virtual das palavras “acima”, “alto”, e assim por diante, da linguagem humana. Até mesmo nesta “era espacial” ainda lemos sobre os astronautas que orbitaram a terra como “subiram 739 milhas náuticas” acima da terra (Times de Nova Iorque, 16 de setembro de 1966), ao passo que sabemos que, tecnicamente, eles “distanciaram-se ou afastaram se” da superfície da terra até aquela distância. É interessante que o relato da delegação angélica que fez coro ao anúncio do nascimento de Jesus relate que, quando sua missão foi cumprida, “os anjos . . . se alastraram deles para o céu”. (Luc. 2:15; coteje com Atos 12:10.) Assim, a ascensão de Jesus, ao passo que se iniciou com um movimento para o alto, conforme relacionada à localidade terrestre em que estavam seus discípulos, poderia, depois disto, ter assumido qualquer direção exigida para levá-lo à presença celeste de seu Pai. Foi uma ascensão, não só em sentido direcional, mas, o que é mais importante, quanto à esfera de atividade e nível de existência no domínio espiritual, e à majestosa presença do Deus Altíssimo, domínio não regido pelas dimensões ou direções humanas. — Compare com Hebreus 2:7, 9.
POR QUE E ESSENCIAL
A ascensão de Jesus ao domínio celeste era essencial por diversos motivos ou propósitos. Ele declarara que era necessário que ele ‘fosse embora’ a fim de poder enviar o espírito santo de Deus como ajudador para seus discípulos. (João 16:7-14) O derramamento desse espírito por parte de Jesus, no dia de Pentecostes, era para os discípulos uma demonstração evidente de que Jesus chegara à presença de Deus e apresentara seu sacrifício resgatador a Ele. (Atos 2:33, 38) Esta apresentação do valor do seu sangue vitalício também tornava vital tal ascensão, pois não deveria ser feita na terra, no Santíssimo do templo em Jerusalém, mas somente no “próprio céu . . . perante a pessoa de Deus”. (Heb. 9:24) Também tornou se necessário por Jesus ter sido designado e glorificado como o “grande sumo sacerdote que passou pelos céus”. (Heb. 4:14; 5:1-6) Paulo explica que “então, se ele estivesse na terra, não seria sacerdote”, mas que, uma vez que “se assentou à direita do trono da Majestade nos céus”, Jesus “obteve agora um serviço público mais excelente, de modo que ele é também o mediador dum pacto correspondentemente melhor”. (Heb. 8:16) Por causa disto, os cristãos sujeitos ao pecado herdado são confortados em saber que “temos um ajudador junto ao Pai, Jesus Cristo, um justo”. — 1 João 2:1; Rom. 8:34; Heb. 7:25.
Por fim, a ascensão era necessária para a administração do Reino por parte de Jesus, reino este do qual se tornou herdeiro, ficando-lhe “sujeitos anjos, autoridades, e poderes”. (1 Ped. 3:22; Fil. 2:6-11; 1 Cor. 15:25; Heb. 10:12, 13; confronte com Daniel 7:14.) Tendo “vencido o mundo” (João 16:33), Jesus tomou parte em cumprir a profecia do Salmo 68:18, ‘ascendendo ao alto e levando consigo cativos’, o significado do que Paulo explica em Efésios 4:8-12.
ÁSIA. Nas Escrituras Gregas Cristãs, o termo Ásia é usado para se referir, não ao continente da Ásia, nem à península chamada Ásia Menor, mas à província romana que ocupava a parte ocidental daquela península.
HISTÓRIA PRIMITIVA
Os romanos obtiveram o controle da Ásia Menor de Antíoco, o Grande, por sua vitória em Magnésia (perto de Éfeso) em 190 A. E. C., e o território a O das Montanhas Tauro foi dado como recompensa ao aliado de Roma, o rei de Pérgamo. Em 133 A. E. C., quando morreu o rei Átalo III, de Pérgamo, ele legou seu reino a Roma. A província romana da Ásia, foi, depois disso, formada deste reino e incluía países mais antigos de Mísia, Lídia, Cária, e, às vezes, parte da Frígia, bem como as ilhas adjacentes. Era assim limitada pelo mar Egeu e as províncias de Bitínia, Galácia (que abrangia parte da Frígia) e Lícia. As fronteiras precisas, contudo, são difíceis de definir, devido a repetidas alterações.
Inicialmente, a capital se localizava em Pérgamo, na Mísia, mas, durante o reinado de Augusto, foi transferida para Éfeso, mais para o S. No ano 27 A. E. C. a província veio a ser senatorial e, depois disso, foi governada por um procônsul. (Atos 19:38) Foi também dividida em nove distritos judiciais e subdividida em quarenta e quatro distritos-cidades.
[Continua]
[Mapa na página 22]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
ÁSIA MENOR
Nomes Romanos das Províncias
BITÍNIA E PONTO
Trôade
ÁSIA
Antioquia
Éfeso
LÍCIA
PANFÍLIA
GALÁCIA
REINO DE POLÊMON
CAPADÓCIA
REINO DE ANTÍOCO
CICÍLIA E SÍRIA
Antioquia
CHIPRE