Ajuda ao Entendimento da Bíblia
[Matéria condensada, extraída da enciclopédia bíblica, Aid to Bible Understanding, Edição de 1971.]
JUDAS, A CARTA DE. [Continuação]
ESBOÇO DO CONTEÚDO
I. Identificação do escritor e saudações (Vv. 1, 2)
II. Razão para a escrita: Homens imorais e ímpios penetraram furtivamente na congregação (Vv. 3, 4)
III. Exemplos históricos de conduta errada e suas conseqüências (Vv. 5-7)
A. Israelitas a quem Deus salvou do Egito, mas que depois foram destruídos por falta de fé (V. 5)
B. Anjos que abandonaram habitação correta nos dias de Noé foram reservados por Deus para julgamento (V. 6)
C. Sodoma e Gomorra, e cidades circunvizinhas por causa de excessiva fornicação e perversão sexual, sofreram punição judicial de fogo eterno (V. 7)
IV. Descrição de pessoas desrespeitosas, imorais, que procuram macular a carne (Vv. 8-13)
A. Desconsideram senhorio e falam de modo abusivo sobre gloriosos, não imitando atitude respeitosa do arcanjo Miguel (Vv. 8-10)
B. Seguem proceder ruim, como Caim, Balaão e Corá (V. 11)
C. São como rochas ocultas sob a água, pastores que apascentam a si mesmos, nuvens sem água, árvores infrutíferas que foram desarraigadas, ondas bravias do mar e estrelas errantes (Vv. 12, 13)
V. Declaração do julgamento de Deus contra os ímpios (Vv. 14-19)
A. Profecia de Enoque sobre vindoura destruição dos ímpios (Vv. 14, 15)
B. Homens egoístas, animalescos, ímpios foram preditos pelos apóstolos como surgindo no “último tempo” (Vv. 16-19)
VI. Encorajamento para verdadeiros seguidores e sua responsabilidade (Vv. 20-25)
A. Edifiquem-se na santa fé e orem junto com espírito santo (V. 20)
B. Mantenham-se no amor de Deus e na expectativa de misericórdia (V. 21)
C. Mostrem misericórdia aos que têm dúvidas, esforcem-se de salvá-los por arrebatá-los do fogo (Vv. 22, 23)
D. Conclusão atribuindo a Deus a glória, a majestade, o poderio e a autoridade, por toda a eternidade passada e agora, e por toda a eternidade futura (Vv. 24, 25)
Veja o livro “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, pp. 250, 251.
REVELAÇÃO A JOÃO (APOCALIPSE) [Gr., apokálypsis, uma revelação]. O último livro da Bíblia (embora não fosse o último a ser escrito), segundo o arranjo que consta da maioria das traduções. É também chamado de Apocalipse de João, o Apóstolo.
O apóstolo João cita a si mesmo como o escritor desse livro, e indica o local da escrita como sendo a ilha de Patmos, onde João estava exilado, naquela época, por ser um pregador da Palavra de Deus e uma testemunha de Jesus Cristo. (Rev. 1:1, 9) A época da escrita foi possivelmente cerca de 96 E.C.
O livro se acha em forma de carta, detalhando uma série de visões delineadas numa ordem apropriada, em progressão regular, atingindo finalmente uma visão culminante. Provê uma conclusão adequada para a Bíblia inteira.
Este livro parece desenvolver-se à base duma série de setes. Sete selos são abertos, seguindo-se o toque de sete trombetas, e daí sete pragas. Há sete candelabros, sete estrelas, sete trovões, e muitas outras coisas em séries de sete, evidentemente porque o número sete representa inteireza, e o livro trata do inteirar do segredo sagrado de Deus. — Rev. 10:7; veja SEGREDO SAGRADO.
Jeová Deus, o Todo-poderoso, é o autor do livro, e o canal de informações é Jesus Cristo, que as enviou e apresentou a João por meio de seu anjo. (Rev. 1:1) O espírito de Deus é representado como sendo sétuplo, atuando, assim, em sua máxima capacidade para transmitir esta revelação. João recebeu ordens divinas de escrever. — Rev. 1:4, 11.
PROPÓSITO
Ao passo que algumas das coisas vistas por João na visão pareçam aterrorizantes — os animais, os ais, as pragas — o livro foi redigido, não para aterrorizar, mas para confortar e encorajar aqueles que o lêem com fé. Pode conduzir o leitor a muitas bênçãos. Com efeito, o escritor do livro declara, desde o início: “Feliz [ou, “abençoado”] é quem lê em voz alta, e os que ouvem as palavras desta profecia e observam as coisas escritas nela.” (Rev. 1:3) João também diz que o propósito do livro é mostrar aos escravos de Deus as coisas que “têm de ocorrer em breve”. — Rev. 1:1, 2.
O livro de Revelação é de grande importância, no sentido de que supre força espiritual e visão para o povo de Deus. Sublinha o interesse de Deus nas congregações do seu povo, e o cuidado íntimo e amoroso que Jesus Cristo demonstra para com eles, como pastor excelente. Ele sabe exatamente que condições prevalecem, e o que tem de ser feito. Isto se torna especialmente manifesto nos primeiros três capítulos do livro.
Alguns encaram Revelação (Apocalipse) como sendo tão altamente simbólico que não pode ser entendido, ou como não sendo prático. Mas Jeová Deus deseja que seu povo o entenda, e fez com que a Bíblia fosse escrita para ser entendida, e para lhes fornecer orientação. A chave para o entendimento de Revelação é a mesma que a chave para o entendimento de outras partes da Bíblia. O apóstolo Paulo indica tal chave. Depois de explicar que Deus revela a sabedoria oculta por meio de Seu espírito, Paulo afirma: “Destas coisas também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com as ensinadas pelo espírito, ao combinarmos assuntos espirituais com palavras espirituais.” (1 Cor. 2:8-13) Se pesquisarmos as Escrituras (e, às vezes, os costumes e as práticas daqueles dias), encontraremos nelas muitas das coisas usadas como simbolismos em Revelação. Por compararmos tais textos das Escrituras podemos, com freqüência, entender o significado dum símbolo de Revelação. Deve-se notar, contudo, que um termo ou uma expressão pode referir-se a, ou simbolizar, diferentes coisas, segundo o contexto em que tal termo (ou expressão) apareça.
ESBOÇO DO CONTEÚDO
I. Introdução (1:1-3)
II. Cartas às sete congregações (1:4 a 3:22)
A. Autor, canal e veículo usados para dar a Revelação (1:4-19)
B. Explicação das sete estrelas e dos sete candelabros (1:20)
C. Descrição das condições nas congregações, elogios, conselhos e avisos (2:1 a 3:22)
III. Acontecimentos diante do trono de Deus (4:1 a 11:19)
A. A visão do trono de Deus (4:1-11)
B. O rolo selado, e o Cordeiro, o único habilitado a abri-lo (5:1-14)
C. A abertura de seis dos sete selos do rolo (6:1-17)
1. Guerra, fome, praga mortífera e Hades (6:1-8)
2. Almas sob altar clamam vingança (6:9-11)
3. Terremoto; homens procuram escapar do furor de Deus (6: 12-17)
D. Selagem dos 144.000, e grande multidão em pé diante do trono (7:1-17)
E. Aberto sétimo selo, sete trombetas devem soar (8:1 a 11:19)
1. Silêncio no céu, anjo junto ao altar (8:1-6)
2. Seis trombetas proclamam ais para a terra (8:7 a 9:21)
3. Sete trovões falam, João recebe rolo para comer (10:1-11)
4. Medido o santuário do templo; duas testemunhas são mortas, trazidas à vida, entram no céu; terremoto (11:1-14)
5. Sétima trombeta anuncia Reino de Deus e de Cristo; nações iradas; aberto santuário no templo (11:15-19)
IV. Os sinais no céu — a mulher e seu principal inimigo, o dragão (12:1-17)
A. Mulher pronta para dar à luz (12:1, 2)
B. Dragão procura devorar filho recém-nascido, mas Deus arrebata menino para seu trono (12:3-6)
C. Guerra no céu resulta em Satanás ser lançado para a terra; regozijo no céu, ai para a terra; luta continuada de Satanás, a serpente, contra mulher e sua semente ou descendência (12:7-11)
V. As feras — inimigos terrestres dos santos de Deus (13:1-18)
A. A fera de sete cabeças que ascende do mar, fica com uma cabeça ferida, que então é curada (13:1-10)
B. A fera de dois chifres que ascende da terra (13:11-13)
C. Faz-se imagem do animal de sete cabeças, a marca da fera ou sinal da besta (13:14-18)
VI. O Cordeiro e seus 144.000 fiéis selados; proclamação das boas novas eternas; colheita da terra, e a colheita e o pisar da videira da terra (14:1-20)
VII. As últimas sete pragas (15:1 a 16:20)
A. Cântico do Cordeiro, e anjos das sete pragas (15:1 a 16:1)
B. Seu efeito sobre terra, mar, rios, sol, trono da fera, Eufrates e ar (16:2-18)
C. Abalada Babilônia, a Grande, vem o tempo do julgamento dela (16:19-21)
VIII. Babilônia, a Grande, e a destruição dela (17:1 a 18:24)
A. Ela embebeda os habitantes da terra; cavalga uma fera escarlate de sete cabeças (17:1-11)
B. Chifres da fera combatem sem êxito o Cordeiro; voltam-se contra meretriz e a desnudam e queimam (17:12-18)
C. Pranteadores da destruição dela (18:1-24)
IX. Casamento do Cordeiro e sua guerra contra fera, falso profeta e exércitos da terra (19:1-21)
X. Acorrentado Satanás por 1.000 anos; luta e fracasso dele no fim do reinado milenar de Cristo (20:1-10)
XI. Modalidades do dia de juízo de 1.000 anos (20:11 a 22:5)
A. Juízo, inclusive dos mortos que foram ressuscitados (20:11-15)
B. Nova Jerusalém, a cidade de Jeová e do Cordeiro (21:1-27)
C. O rio da água da vida (22:1-5)
XII. Conclusão (22:6-21)
Veja o livro “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, pp. 252-257.
GÊNESIS, LIVRO DE [Gr., origem; geração; vir à existência]. O primeiro livro do Pentateuco (palavra grega para “cinco rolos”, ou “volume quíntuplo”). “Gênesis” é o nome dado ao primeiro destes livros pela tradução Septuaginta, ao passo que seu título hebraico Bere’shíth (“No princípio”) é extraído da primeira palavra em sua sentença inicial.
QUANDO E ONDE FOI ESCRITO
Visto que o livro de Gênesis era evidentemente parte do único escrito original (a Tora), foi possivelmente terminado por Moisés no deserto de Sinai no ano 1513 A.E.C. Depois de Gênesis 1:1, 2 (concernente à criação dos céus e da terra), o livro abrange, como é evidente, um espaço de milhares de anos envolvidos na preparação da terra para a habitação humana, a criação de criaturas marinhas, de animais terrestres e de aves, e, depois disso, abrange o período desde a criação do homem, chegando até o ano de 1657 A.E.C., quando José morreu.
AUTORIA
Hoje em dia geralmente se rejeita a objeção outrora suscitada por alguns cépticos, de que a escrita não era conhecida nos dias de Moisés. P. J. Wiseman, em seu livro New Discoveries in Babylonia About Genesis (Novas Descobertas em Babilônia Sobre Gênesis), indica que a pesquisa arqueológica fornece ampla prova de que a arte da escrita começou nos tempos históricos mais antigos conhecidos do homem. Virtualmente todos os peritos modernos reconhecem a existência da escrita já mil anos ou mais antes do tempo de Moisés (no segundo milênio A.E.C.). Expressões como a encontrada em Êxodo 17:14: “Escreve isto como memorial num livro”, corroboram de forma muito sólida que a escrita já era comum nos dias de Moisés.
FONTE DA MATÉRIA
Todas as informações contidas no livro de Gênesis se relacionam a eventos ocorridos antes do nascimento de Moisés. Podiam ter sido recebidas diretamente por Revelação divina. É óbvio que alguém teve de receber desse modo as informações relacionadas com os acontecimentos anteriores à criação do homem, quer fosse Moisés quer alguém anterior a ele. (Gên. 1:1-27; 2:7, 8) Tais informações e as restantes, contudo, podiam ter sido transmitidas a Moisés por meio da tradição oral. Devido à longevidade dos homens daquele período, as informações podiam ter sido transmitidas de Adão até Moisés apenas por meio de cinco elos humanos, a saber, Metusalém, Sem, Isaque, Levi e Anrão. Uma terceira possibilidade é que Moisés obteve grande parte destas informações, para escrever Gênesis, de escritos ou de documentos já existentes. O ponto importante, contudo, é que Jeová Deus guiou o profeta Moisés, de modo que este escreveu por inspiração divina. — 2 Ped. 1:21.
A matéria devia servir qual guia inspirado para as gerações futuras. Devia ser lida às pessoas em ocasiões freqüentes (Deut. 31:10-12; 2 Reis 23:2, 3; Nee. 8:2, 3, 18), e os reis de Israel deviam obter instruções dela. — Deut. 17:18, 19.
O CARÁTER HISTÓRICO DE GÊNESIS
Gênesis é a única fonte conhecida dos humanos que fornece uma história lógica e coerente de coisas que remontam ao começo de tudo. Sem sua história fatual sobre o primeiro homem e a primeira mulher, só nos restariam histórias fantasiosas ou explanações alegóricas sobre o início do homem, conforme encontradas nos relatos sobre a criação possuídos pelas nações pagãs. Uma comparação do livro de Gênesis com os relatos pagãos sobre a criação demonstra patentemente a superioridade do relato da Bíblia.
Assim, o principal mito babilônico diz que o deus Marduque, o principal deus de Babilônia, matou a deusa Tiamat, daí pegou o cadáver dela e “dividiu-a em duas partes, como um marisco: a metade dela ele afixou e colocou no teto como céu.” Assim vieram a existir a terra e o céu. Quanto à criação da vida humana, este mito declara que os deuses pegaram o deus Quingu e “impuseram lhe a sua culpa e seccionaram seus (vasos) do sangue. De seu sangue moldaram a humanidade”. [Ancient Near Eastern Texts (Textos Antigos do Oriente Próximo), de Pritchard, pp. 67, 68] Os mitos egípcios sobre a criação envolvem, igualmente, as atividades de vários deuses, e discordam quanto ao deus de que cidade (se foi o de Mênfis ou o de Tebas) concebeu a criação. Certo mito egípcio relata que Rá, o deus-sol, criou a humanidade de suas lágrimas. Os mitos gregos são comparáveis aos babilônios. Antigos registros chineses são, na maior parte, calendários e cálculos ou registros cronológicos de interesse simplesmente local ou temporário.
Ao responder àqueles que gostariam de rejeitar muitas partes de Gênesis como sendo fábulas ou folclore, Wilhelm Möller afirma: “Não acho que se pode tornar plausível que, em qualquer raça, as fábulas e mitos viessem, no decorrer do tempo, a serem aceitas cada vez mais como fatos reais, de modo que devêssemos agora, quiçá, estar dispostos a aceitar como fatos históricos as histórias do Poema dos Nibelungos [raça de anões] ou do Chapeuzinho Vermelho. Mas isto, segundo os críticos, deve ter acontecido com Israel.” Ele passa a indicar que os profetas aceitaram como correto o relato da destruição de Sodoma e Gomorra (Isa. 1:9; Amós 4:11), aceitaram Abraão como sendo uma pessoa real (Isa. 29:22; Miq. 7:20), e também Isaque, Jacó e José. Não só isso, mas, nas Escrituras Gregas Cristãs, menciona-se Abraão em muitos lugares, até mesmo por parte de Jesus Cristo, em relação com o argumento sobre a ressurreição, em Mateus 22:32. Se Abraão, Isaque e Jacó não tivessem realmente vivido, Jesus, como formidável instrutor que era, teria usado outra ilustração. — Mat. 22:31-33.
[Continua]