Ajuda ao Entendimento da Bíblia
[Da enciclopédia bíblica, Aid to Bible Understanding, edição de 1971, extraímos a matéria que segue.]
DEUTERONÔMIO, LIVRO DE. [Continuação]
ESBOÇO DO CONTEÚDO
I. Primeiro discurso de Moisés
A. Cenário (1:1-5)
B. História da peregrinação de 40 anos (1:6 a 3:29)
C. Exortação de servir somente a Jeová por guardar o pacto (4:1-40)
D. Reservadas 3 cidades de refúgio, a E do Jordão (4:41-49)
II. Segundo discurso de Moisés
A. Os Dez Mandamentos, junto com a narração de como a Lei foi dada no monte Sinai (5:1-33)
1. Explanação sobre primeiro mandamento, com exortações para ensinarem seus filhos (6:1-25)
B. Sete nações da terra de Canaã deviam ser destruídas; nenhuma aliança de qualquer natureza devia ser feita com elas; seus altares e seus ídolos deviam ser destruídos (7:1-6)
C. Amor de Jeová, e requisito de amor e de fidelidade da parte de Israel para seu êxito futuro (7:7-26)
1. Necessidade de sempre lembrarem modos como Jeová lidou com eles no deserto (8:1-20)
2. Fidelidade de Jeová ao pacto, e não a justiça de Israel, é razão de possuírem tal terra (9:1-6)
3. Bezerro de ouro e outros casos de desobediência são relembrados; segundo conjunto de tábuas da lei (9:7 a 10:11)
4. Amor e temor a Deus, de coração, eram essenciais para possuírem a terra (10:12 a 11:12)
5. Postas diante de Israel bênçãos e maldições (11:13-32)
D. Instruções aplicáveis a Israel após entrarem na Terra Prometida
1. Regulamentos sobre comer carne e quanto ao sangue (12:1-27)
2. Apostasia, falsos profetas, e julgamento de tais (12:28 a 13:18)
3. Regulamentos sobre separação, alimento, cadáveres e dízimo (14:1-29)
4. Ano de livramento (15:1-15); escravidão voluntária, permanente (15:16-18)
5. Apresentação dos primogênitos dentre animais (15:19-23)
6. Três festividades anuais (16:1-17)
7. Sistema judiciário (16:18 a 17:13)
8. Regulamentos para reis (17:14-20)
9. Regulamentos para levitas (18:1-8)
10.Avisos sobre adivinhação; predito profeta semelhante a Moisés; como identificar profeta de Jeová (18:9-22)
11.Regulamentos para cidades de refúgio (19:1-13)
12.Marcos divisórios e regras sobre evidência (19:14-21)
13.Leis militares (20:1-20)
14.Isentar-se da culpa de sangue por causa de homicídio não solucionado (21:1-9); casamento com mulheres tomadas cativas (2:10-14)
15.Direito de primogênito; como lidar com filhos rebeldes; pendurar numa estaca (21:15-23)
16.Respeito pela propriedade do vizinho; moral; bondade e consideração com vida; pureza (22:1-12)
17. Relações matrimoniais (22:13-30)
18. Os inelegíveis como membros da congregação (23:1-8)
19. Limpeza do acampamento do exército; leis sobre escravos, prostitutas, juros, juramentos (votos) e amor ao próximo (23:9-25)
20. Divórcio, empréstimos, salários, bondade com órfãos de pai e viúvas (24:1-22)
21. Ministrar açoites; casamento com cunhado; pesos e medidas; Amaleque deve ser destruído (25:1-19)
22. Primícias e dízimo (26:1-19)
III Terceiro discurso de Moisés
A. Lei a ser escrita em pedras (27:1-10)
B. Bênçãos a ser declaradas do monte Gerizim, e maldições do monte Ebal (27:11-26)
C. Profecia de bênçãos pela obediência aos mandamentos de Deus e maldições pela desobediência (28:1-68)
IV. Quarto discurso de Moisés; renovação do pacto
A. Narração dos cuidados de Jeová no deserto (29:1-9)
B. Aviso sobre desobediência (29:10-29)
C. Misericórdia de Deus para os que se arrependerem (30:1-10)
D. Posta diante de Israel a escolha da vida ou da morte (30:11-20)
V. Instruções finais de Jeová a Moisés
A. Comissionado Josué qual líder; profecia sobre rebelião de Israel (31:1-30)
VI. Cântico de Moisés (32:1-52)
VII.Bênçãos finais de Moisés (33:1-29)
VIII. Morte e enterro de Moisés (34:1-12)
Veja o livro “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, pp. 34-40.
JOSUÉ, LIVRO DE. Este livro da Bíblia fornece um elo vital na história dos israelitas, por mostrar como as promessas de Deus, feitas aos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, foram cumpridas. Abrangendo provavelmente um período de mais de vinte anos (1473-c.1450 A.E.C.), fala sobre a conquista de Canaã, seguindo-se a distribuição da terra para os israelitas, e conclui com os discursos de Josué, incentivando a fidelidade a Jeová.
Conter este livro o nome antigo das cidades (Jos. 14:15; 15:15), e instruções pormenorizadas, daí relatando como estas foram executadas, indica que se trata dum registro contemporâneo. (Para obter exemplos, veja Josué 1:11-18; 2:14-22; 3:2 a 4:24; 6:22, 23.) Com efeito, o escritor se identifica como vivendo ao mesmo tempo que a Raabe de Jericó, e, por conseguinte, como sendo testemunha ocular. — Jos. 6:25.
AUTENTICIDADE
Na avaliação de alguns, contudo, o livro de Josué não é história verdadeira. Este conceito se baseia primariamente na pressuposição de que, visto que os milagres mencionados no livro não acontecem na experiência humana recente, não podiam ter acontecido. Por conseguinte, questionam a capacidade de Deus de realizar milagres, se não também a Sua existência, bem como a integridade do escritor. Caso o escritor tivesse floreado de ficção o seu relato, enquanto se apresentava como testemunha ocular, isso o tornaria culpado de fraude deliberada. Por certo, é ilógico concluir que um livro que honra a Deus como o Cumpridor de sua palavra (Jos. 21:43-45), que incentiva a fidelidade a Ele (Jos. 23:6-16; 24:14, 15, 19, 20, 23) e reconhece abertamente as falhas de Israel, tenha sido produzido por uma testemunha falsa. — Jos. 7:1-5; 18:3.
Ninguém pode negar que a nação israelita veio a existir e a ocupar a terra descrita no livro de Josué. Semelhantemente, não existe base válida para se questionar a veracidade do relato deste livro a respeito do modo como os israelitas obtiveram a posse de Canaã. Nem os salmistas (Sal. 44:1-3; 78:54, 55; 105:42-45; 135:10-12; 136:17-22), nem Neemias (9:22-25), nem o primeiro mártir cristão, Estêvão (Atos 7:45), nem o discípulo Tiago (Tia. 2:25), nem o erudito apóstolo Paulo (Atos 13:19; Heb. 4:8; 11:30, 31) duvidaram de sua autenticidade. E 1 Reis 16:34 registra o cumprimento da maldição profética de Josué, proferida cerca de 500 anos antes, na época da destruição de Jericó. — Jos. 6:26.
ESCRITOR
Alguns peritos, embora reconhecendo que o livro foi escrito na época de Josué, ou por volta dela, rejeitam o conceito tradicional judaico de que o próprio Josué o tenha escrito. Sua objeção principal é que alguns dos eventos registrados no livro de Josué também aparecem no livro de Juízes, que começa com as seguintes palavras: “E aconteceu depois da morte de Josué.” (Juí. 1:1) Todavia, esta declaração inicial não é, necessariamente, uma indicação de tempo para todos os eventos ocorridos no relato dos Juízes. O livro não está disposto numa ordem cronológica estrita, pois menciona um evento que definitivamente ocorreu antes da morte de Josué. (Juí. 2:6-9) Por conseguinte, algumas coisas, tais como a captura de Hébron por Calebe (Jos. 15:13, 14; Juí. 1:9, 10), de Debir por Otniel (Jos. 15:15-19; Juí. 1:11-15) e de Lesem ou Laís (Dã) pelos danitas (Jos. 19:47, 48; Juí. 18:27-29) podiam, igualmente ter ocorrido antes da morte de Josué. Mesmo a colocação, pelos danitas, de uma imagem idólatra em Laís podia, razoavelmente, ajustar-se à época de Josué. (Juí. 18:30, 31) Em sua exortação final, Josué disse aos israelitas: “Removei os deuses a que vossos antepassados serviram do outro lado do Rio e no Egito, e servi a Jeová.” (Jos. 24:14) Caso não existisse idolatria, esta declaração pouco significaria.
Logicamente, então, excetuando-se o trecho final que relata a sua morte, o livro pode ser atribuído a Josué. Assim como Moisés registrara os acontecimentos de seu período de vida, assim também seria apropriado que Josué fizesse o mesmo. O próprio livro relata: “Então escreveu Josué estas palavras no livro da lei de Deus.” — Jos. 24:26.
NÃO É CONTRADITÓRIO
Alguns acharam que o livro é contraditório em dar a entender que a terra foi completamente subjugada por Josué, ao passo que, ao mesmo tempo, relata que grande parte dela continuou necessitando ser tomada. (Compare com Josué 11:16, 17, 23; 13:1.) Mas estas aparentes discrepâncias podem ser facilmente solucionadas quando se tem presente que havia dois aspectos diferentes da conquista. Primeiro, a guerra nacional, sob a liderança de Josué, rompeu o poderio dos cananeus. Em seguida, exigia-se a ação individual e tribal para tomar-se plena posse da terra. (Jos. 17:14-18; 18:3) Provavelmente, ao passo que Israel guerreava em outro lugar, os cananeus se fixaram novamente em cidades tais como Debir e Hébron, de modo que elas precisaram ser retomadas através de esforços individuais ou tribais. — Compare Josué 11:21-23 com Josué 14:6, 12; 15:13-17.
ESBOÇO DO CONTEÚDO
I. Jeová comissiona Josué para liderar israelitas para cruzarem Jordão; também, garantiu-lhe êxito e o admoestou a ser corajoso e obedecer à Lei (1:1-9)
A. Ordena oficiais que instruam israelitas a preparar-se para cruzar o Jordão (1:10, 11)
B. Relembra aos rubenitas, gaditas e à meia-tribo de Manassés a obrigação de participar na conquista; concordam em cooperar (1:12-18)
C. Envia dois espias para investigar Jericó e vizinhança (2:1)
1. Espias alojam-se com Raabe, prostituta de Jericó (2:1)
a. Graças à sua fé em Jeová, Raabe oculta espias e então aponta direção errada para homens enviados pelo Rei de Jericó para achá-los; solicita que ela e toda Sua família sejam preservadas vivas por ela ter exercido benevolência (2:2-13)
b. Espias asseguram a Raabe de que, se ela não os delatar, ela será preservada, e instruem-na a amarrar cordão escarlate na janela e reunir família na casa, para serem poupados (2:14, 16-21)
2. Espias descem pela corda da janela da casa de Raabe e, depois de permanecerem três dias na região montanhosa, voltam com bom relatório para Josué (2:15, 21-24)
D. Israelitas, sob Josué, deixam acampamento em Sitim, passam a noite perto do Jordão e cruzam o rio (3:1-17)
1. Conforme divinamente instruídos, sacerdotes com a Arca lideram a marcha (3:8, 11, 14)
2. No instante em que pés dos sacerdotes que transportam a Arca mergulham na beira das águas do Jordão, rio é miraculosamente represado, cumprindo as palavras anteriores de Jeová a Josué, e garantindo que Jeová estava com Josué e que Israel derrotaria os habitantes da terra (3:7, 9-16)
3. Israelitas cruzem rio enquanto sacerdotes permanecem de pé com a Arca, no meio do Jordão (3:17)
4. Conforme a ordem de Josué, doze pedras são apanhadas do meio do Jordão, a fim de serem depositadas no primeiro acampamento israelita a O do Jordão; doze pedras também são fixadas no meio do Jordão, onde os sacerdotes se puseram de pé (4:1-10)
5. Sacerdotes com a Arca cruzam por fim o rio e o Jordão de novo inunda suas margens (4:11-19)
6. Doze pedras tiradas do leito do Jordão são colocadas em Gilgal como marco comemorativo (4:20-24)
7. A travessia miraculosa do Jordão pelos israelitas lança o temor nos habitantes da terra (5:1)
II. Circuncisão dos varões israelitas em Gilgal, seguindo-se a observância da Páscoa; maná deixa de cair quando israelitas começam a comer os frutos da terra (5:2-12)
III. Príncipe angélico aparece a Josué, perto de Jericó e delineia proceder para a tomada da cidade (5:13 a 6:5)
IV. Jericó é devotada à destruição depois que Jeová faz com que seus muros caiam, poupadas Raabe e sua casa (6:6-25, 27)
A. Josué profere maldição profética sobre o futuro reconstrutor de Jericó (6:26)
B. Acã apropria-se indevidamente de coisas devotadas à destruição (7:1)
V. Derrotados os israelitas pelos homens de Ai por que Jeová retém sua ajuda, devido ao pecado de Acã; Acã e sua casa são apedrejados e então queimados (7:2-26)
VI. Com a bênção de Jeová, é bem sucedido segundo esforço contra Ai (8:1-29)
A. Josué utiliza emboscada contra cidade (8:2-21)
B. Habitantes são devotados à destruição, seus animais domésticos são tomados como despojo, cidade é reduzida à mote desolado e seu Rei é pendurado num madeiro até o anoitecer (8:22-29)
VII. Josué constrói altar no monte Ebal, e lê bênçãos e maldições para israelitas, à medida que metade da congregação se põe de pé em frente ao monte Gerizim, e a outra metade em frente ao monte Ebal (8:30-35)
VIII. Ao passo que outros povos de Canaã preparam-se para guerrear contra Israel, gibeonitas astutamente fazem com que Josué conclua pacto de paz com eles (9:1-15, 24)
A. Honrado o pacto, embora gibeonitas tivessem torcido os fatos para salvar a pele, gibeonitas tornam-se escravos (9:16-27)
B. Cinco reis se aliam contra gibeonitas por terem feito a paz com Israel (10:1-5)
1. Exército de Israel marcha a noite toda, desde Gilgal, para defender gibeonitas, em resposta ao seu pedido de ajuda (10:6-9)
2. Derrotado o inimigo, pois Jeová luta a favor de Israel (10:10-27)
C. Josué dá seguimento à vitória por tomar cidades de Maquedá, Libna, Laquis, Eglom, Hébron e Debir, respectivamente, e capturar a região montanhosa, o Negebe e a Sefelá, no S de Canaã (10:28-43)
IX. Coalizão de reis cananeus setentrionais, liderada por Jabim, de Hazor, reúne forças perto das águas de Merom, para lutar contra Israel (11:1-5)
A. Jeová concede vitória a Israel; conforme divinamente orientado, Josué jarreta cavalos e incendeia carros dos inimigos (11:6-9)
B. Hazor é capturada e incendiada (11:10-15)
X. Concluída a conquista principal, lista de trinta e um reis derrotados (11:16 a 12:24)
XI. Terra, inclusive seções não-subjugadas é dividida entre israelitas como herança (13:1-7)
A. Gaditas, rubenitas e meia-tribo de Manassés recebem posses de heranças a E do Jordão, anteriormente obtidas de Moisés, levitas não recebem nenhuma herança (13:8-33)
B. Josué concede Hébron ao judeu Calebe, esta sendo uma herança especial que lhe foi prometida por Jeová mediante Moisés (14:6-15)
C. Outras heranças a O do Jordão são distribuídas por sorte (14:1-5)
1. Herança de Judá (15:1-63)
2. Território designado a Efraim e Manassés (16:1 a 17:18)
a. Herança dos efraimitas, inclusive cidades-enclaves em Manassés (16:5-10)
b. Manassitas, inclusive filhas do manassita Zelofeade, obtêm herança; dez porções de terra para os manassitas a O do Jordão, e cidades-enclaves em Issacar e Aser (17:1-13)
c. Tribos de Efraim e Manassés consideram heranças pequenas demais; Josué lhes diz que abatam florestas e expulsem cananeus (17:14-18)
D. Tabernáculo é localizado em Silo e distribuição da terra por sortes continua dali (18:1-10)
1. Tribos de Benjamim, Simeão, Zebulão, Issacar, Aser, Naftali e Dã recebem por sortes seu quinhão de terras; Josué recebe Timnate-Sera como herança especial (18:11 a 19:51)
2. Estabelecidas seis cidades de refúgio para os homicidas desintencionais (20:1-9)
3. Designação de quarenta e oito cidades dos levitas, treze destas sendo cidades sacerdotais (21:1-42)
E. Feitas as designações de território, cumprem-se as promessas de Jeová a Israel (21:43-45)
XII. Rubenitas, gaditas e meia-tribo de Manassés retornam à sua herança a E do Jordão, depois de serem admoestados e abençoados por Josué (22:1-9)
A. Constroem um altar, movendo as tribos a O do Jordão a planejarem ação militar contra eles por infidelidade (22:10-12)
B. Questão sobre altar é resolvida pacificamente quando tribos a E do Jordão revelam propósito do altar como marco comemorativo da fidelidade a Jeová (22:13-34)
XIII. Josué reúne anciãos, cabeças, juízes e oficiais de Israel, admoestando-os a cumprir a palavra de Jeová (23:1-16)
XIV. Josué ajunta todo Israel em Siquém, recapitula com eles os modos de Deus lidar com eles e os incentiva a servir a Jeová; israelitas renovam pacto para fazer a vontade de Deus (24:1-28)
XV. Morte de Josué, enterro dos ossos de José em Siquém, e morte de Eleazar, o sumo sacerdote (24:29-33)
Veja o livro “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, pp. 40-44.
[Termina aqui a série de artigos condensados, cuja publicação foi iniciada em nossa edição de 8 de março de 1977.]