“Sabe” — uma muleta verbal
Milhões de pessoas, muitas vezes sem se darem conta disso, utilizam diariamente “muletas” verbais. Estas podem ser palavras, frases, ou até mesmo grunhidos, que nada contribuem para o significado do que é dito. Então, por que elas os empregam? Trata-se duma reafirmação da pessoa que fala, ajudando-a a atravessar um momento embaraçoso da conversa, ou é apenas uma questão de hábito inconsciente.
Uma das muletas que penetrou no português é a expressão muito usada “Sabe” (ou, “Como sabe”), correspondente ao inglês You know, às vezes sob a forma da corruptela Y’know. Edwin Newman, escritor e radialista, levantou a seguinte pergunta em seu livro Strictly Speaking (Estritamente Falando): “Pode-se anular uma frase? Tenho presente Y’know. A prevalência de Y’know é um dos acontecimentos mais amplos e deprimentes de nossos tempos, desfigurando a conversa, onde quer que se vá. . . . Uma vez tome conta da pessoa, é difícil abandonar o Y’know. . . . Não é incomum ouvir-se Y’know uma dúzia de vezes por minuto.”
Por que vale a pena prestar atenção à qualidade de nossas expressões? Newman comenta: “A linguagem direta e precisa, se pudéssemos persuadir as pessoas a experimentá-la, tornaria mais interessantes as conversas, o que não é algo insignificante; ajudaria a substituir fanfarronices por fatos, o que também não é pouca coisa; e promoveria o hábito do pensamento organizado, e até do ocasional silêncio, o que seria imensurável bênção.”