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  • w78 15/5 pp. 24-28
  • Éramos entusiáticos esgrimistas

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  • Éramos entusiáticos esgrimistas
  • A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1978
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  • AMEAÇA PARA A NOSSA UNIÃO
  • ESFORÇOS PARA FAZER MARIA MUDAR DE IDÉIA
  • NOVA REUNIÃO COM MARIA
  • PASSANDO A ESTUDAR SERIAMENTE
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A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1978
w78 15/5 pp. 24-28

Éramos entusiáticos esgrimistas

A IDADE de treze anos, eu vi um filme baseado na novela de Alexandre Dumas, “Os Três Mosqueteiros.” Fiquei encantado com a arte da esgrima, bem como com a amizade mútua daqueles três homens, cujo lema era “um por todos e todos por um”.

Naquele tempo, eu cursava uma escola secundária num país da Europa oriental e tornei-me membro dum clube de esgrima. Fiquei enfronhado nisso e fiz o melhor que pode para dominar as técnicas. Visto que eu tinha boas notas na escola, meus pais não objetavam a esta minha nova mania.

Por fim, à idade de dezenove anos, matriculei-me na universidade para estudar direito. Mas, a primeira coisa que fiz foi procurar o clube de esgrima da universidade, onde havia excelentes treinadores. Tanto rapazes como moças pertenciam ao clube.

Uma das moças, Maria, atraía minha atenção. Ela demonstrava uma perícia extraordinária, sabendo como fazer seu oponente reagir ao seu próprio estilo e como manter absoluto controle sobre a situação. Eu aguardava a oportunidade de duelar com ela, plenamente reconhecendo todos os truques sutis da esgrima que ela empregava.

Com o tempo, três de nós rapazes, no clube, ficamos companheiros muito íntimos. Um era João, que estudava ciências naturais, e o outro era Paulo, que era estudante de matemática e física. Ambos estavam totalmente enfronhados na esgrima, embora estivessem envolvidos neste esporte apenas por um tempo relativamente curto.

Nós três passávamos parte de nossas férias juntos em pitorescas montanhas. E ali nasceu a nossa amizade. Descobrimos logo que nos completávamos muito bem. João tinha um entusiasmo imediato, e às vezes irreprimível, que Paulo tentava corrigir com suas opiniões concretas. Nós três, o mesmo número que os da novela de Dumas, tornamo-nos bons esgrimistas e amigos inseparáveis.

Durante nossas férias, costumávamos elaborar planos para a próxima temporada de esgrima. Devotávamos quase que todo o nosso tempo de folga à preparação física e psicológica para as competições de que tanto gostávamos.

Mas, havia também Maria. Na realidade, ela nos superava em destreza e elegância na esgrima. Ela brilhou em muitos torneios importantes. E assim, com o tempo, nós quatro passamos a usufruir um relacionamento ímpar.

AMEAÇA PARA A NOSSA UNIÃO

Quando cheguei aos vinte e dois anos, participamos numa excursão de esqui programada pelo nosso clube de esgrima. Foi ali que Maria nos surpreendeu por falar-nos sobre algumas mudanças que afetariam todo o mundo, e ela citou algo da Bíblia — o capítulo vinte e quatro do Evangelho de Mateus. Cada um de nós respondeu de modo negativo. Eu simplesmente disse: “Há certos valores no mundo que eu não vou abandonar só por causa duma profecia duvidosa.”

Cerca de um mês depois, Maria veio ao clube de esgrima, parecendo bastante mudada. Até este tempo já nos conhecíamos por dois anos e meio. Ela apanhou seu equipamento de esgrima, disse adeus e foi embora. Para dizer o mínimo, nós ficamos chocados, por que parecia como se fosse embora para sempre. Telefonamo-lhe e perguntamos se não a podíamos visitar naquela mesma noitinha. Ela concordou.

Naquela noitinha, encontramos uma pessoa inteiramente diferente — alguém que nunca havíamos visto antes. Maria, que sempre conseguia magistralmente fazer os toques com seu florete, aparando prontamente os ataques, e juntar-se a nós nas risadas, agora tinha traços de lágrimas na face. Mas, ao mesmo tempo parecia confiante. Ela abriu sua Bíblia e leu numa voz muito séria: “E terão de forjar das suas espadas relhas de arado, e das suas lanças, podadeiras. Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra.” — Isa. 2:4.

Quando terminou, ela olhou para nós e havia uma grande interrogação nos seus olhos. Acho que esperava a nossa aprovação quando disse: “Quero servir a Jeová, nosso Deus, e seguir os princípios da Bíblia. Não quero mais aprender a lutar, e a esgrima é um esporte marcial.”

Senti-me esmagado, achando que meus sonhos de amizade de mosqueteiros estavam entrando em colapso. Mais tarde eu disse a João, que me era mais íntimo, que nós tínhamos, a todo custo, de trazer Maria de volta à nossa escola de esgrima.

“Sim, naturalmente”, concordou João, “mas como? Eu certamente não concordo com a decisão de Maria”, disse ele, “mas admiro-a. Requer um bocado de coragem tomar tal decisão”.

ESFORÇOS PARA FAZER MARIA MUDAR DE IDÉIA

A fim de fazer Maria mudar sua decisão, tomei emprestado uma Bíblia e comecei a lê-la. Descobri o que estava procurando no Cântico de Salomão, capítulo três, versículos sete e oito, que rezam: “Eis que é o seu leito, aquele que pertence a Salomão. Em volta dele há sessenta homens poderosos dos poderosos de Israel, todos eles de posse duma espada, treinados para a guerra, cada um com a sua espada sobre a sua coxa por causa do pavor durante as noites.”

Fiquei exultante com esta descoberta. Não pude deixar de dizer em voz alta: “Portanto, a Bíblia não só não condena o uso de armas; ela nos exorta a usá-las!” Escrevi a Maria sobre a minha descoberta. Em pouco tempo, recebi sua resposta. Ela mostrou-me que nos tempos antigos, antes da vinda de Cristo, os servos de Deus às vezes eram autorizados a lutar com espadas literais, mas que as armas dos verdadeiros cristãos são inteiramente diferentes. Sua carta explicava:

“Roberto, os servos de Deus são como um exército especial, prontos para executar qualquer tarefa. E é por isso que andam armados. O armamento dos servos de Deus é como o dos legionários romanos, descrito pelo apóstolo Paulo na sua epístola aos efésios [6:14-17]: ‘Portanto, mantende-vos firmes, tendo os vossos lombos cingidos com a verdade e vestindo a couraça da justiça, e tendo os vossos pés calçados do equipamento das boas novas de paz. Acima de tudo, tomai o grande escudo da fé, com que podereis apagar todos os projéteis ardentes do iníquo. Aceitai também o capacete da salvação e a espada do espírito, isto é, a palavra de Deus.’”

“Nem mesmo esta armadura basta em si mesma”, continuava ela. “Temos de aprender a seguir os princípios estabelecidos na Palavra de Deus. Só assim seremos como aquele homem, sobre quem Jesus disse, em Mateus [7:24-27]: ‘Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica, será comparado a um homem discreto, que construiu a sua casa sobre a rocha. E caiu a chuva, e vieram as inundações, e sopraram os ventos e açoitaram a casa, mas ela não se desmoronou, pois tinha sido fundada na rocha. Além disso, todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, será comparado a um homem tolo, que construiu a sua casa sobre a areia. E caiu a chuva, e vieram as inundações, e sopraram os ventos e bateram contra aquela casa, e ela se desmoronou, e foi grande a sua queda.’”

Ainda assim, em vista do que Maria dizia, eu não via nenhum motivo válido para abandonar a esgrima. Paulo também fazia o possível para fazer Maria mudar de idéia. Ele até mesmo começou a estudar a Bíblia com as Testemunhas de Jeová. Não tínhamos medo de ele ficar influenciado, conhecendo o seu conceito puramente materialista.

Ao mesmo tempo, continuávamos a esgrimir. De fato, eu me envolvi tanto nisso, que negligenciei meus estudos de direito. Paulo exortou-me a estudar mais. Ressenti o conselho dele, mas, por causa de minha recusa de escutá-lo, tive de pagar por ter de repetir um ano inteiro de meus estudos. Paulo, por outro lado, tinha excelentes notas, e por causa disso, minha atitude para com ele começou até a ser insociável. Quando me queixei a João, ele me retrucou que Paulo, diferente de nós, dava algum valor aos seus estudos.

NOVA REUNIÃO COM MARIA

Não tendo visto Maria por três meses, João e eu decidimos visitá-la. Ela escutou avidamente as notícias sobre a escola de esgrima, e depois suspirou: “Que lástima que não nos vemos mais assim como antes. Que tal se nos reuníssemos regularmente para ler juntos algo bom — talvez até mesmo a Bíblia? Eu sei que vocês gostam de leitura dramática.” Concordamos.

Começamos a ler o Evangelho de Mateus, mas não nos apegamos só a leitura dramática. Também discutíamos o significado do que líamos. Certa vez perguntei-me em voz alta sobre a responsabilidade do homem para com o Deus da Bíblia. João interrompeu-me: “Escute, Roberto, de onde é que Jesus derivava sua força moral para habilitá-lo a perdoar aos que lhe fizeram tanto mal?”

Esta era a espécie de pergunta a que não tinha resposta, mas, eu me dava conta de que tinha algo de ver com a relação de Jesus com Deus. Visto que queríamos saber as respostas verdadeiras a estas perguntas religiosas, começamos a estudar a Bíblia com uma Testemunha de Jeová, recomendada por Maria. O compêndio bíblico que usamos chamava-se “A Verdade Que Conduz à Vida Eterna”.

PASSANDO A ESTUDAR SERIAMENTE

Nós prontamente transmitíamos a Paulo o discernimento que obtínhamos no decorrer de nosso estudo. Paulo explicou para nós as conclusões a que chegara em resultado de comparar a Bíblia com a matemática e a física. Muitas vezes, ele discutia com João a questão de até que ponto a Bíblia concordava com a biologia.

Certa vez, ambos estes meus amigos estavam num debate aceso sobre o problema de se a Bíblia nega ou não a existência do brontossauro. O debate foi tão longe, que decidiram parar de estudar a Bíblia. Isto me desconcertou, e por isso tentei acabar com o debate deles, dizendo: “Olhem, acho que neste caso a coisa mais importante não é a questão científica, mas sim a moral. E até que eu entenda claramente o problema da responsabilidade, vou continuar os meus estudos.”

De modo que consegui acalmar o seu debate aceso ao ponto de que também decidiram continuar seus estudos. Agora era João quem achava que passávamos tempo demais na esgrima, e providenciou as coisas de modo que o estudo da Bíblia fosse realizado logo após a esgrima. Não gostei muito disso, porque significava que deixávamos de esgrimir duas horas mais cedo do que antes.

Apenas pouco tempo antes, tal decisão teria sido inconcebível, mas estávamos ficando cada vez mais atraídos pelo estudo da Bíblia. De fato, ficávamos tão enfronhados, que sublinhávamos com lápis de cor os textos da Bíblia de que mais gostávamos. E porque gostávamos de todos os textos que se nos explicavam, nossa Bíblia logo brilhava com todas as cores!

ABANDONARIA EU TAMBÉM A ESGRIMA?

Aos poucos eu recebia uma resposta à minha pergunta sobre a responsabilidade para com Deus. Maria mostrou-se muito útil nisso, e, assim, depois de cerca de cinco meses, confidenciei-lhe que estava seriamente pensando em dedicar-me a Jeová, mas que queria esperar por Paulo e João.

“Ora, Roberto”, respondeu Maria, “eu continuei a esgrimir para ter uma chance de falar com todos vocês, mas nenhum de vocês me levou a sério, até que fui embora. E, de repente, todos vocês começaram a perguntar-se por que eu havia feito isso — e hoje todos vocês estão estudando a Bíblia.” Esta palestra com ela contribuiu muito para acelerar minha decisão de dedicar minha vida a Jeová.

Agora me via confrontado com o mesmo problema que Maria: Devia também parar de esgrimir? Pensei novamente nas palavras da Bíblia que ouvira pela primeira vez uns dezesseis meses antes: “E terão de forjar das suas espadas relhas de arado, e das suas lanças, podadeiras. Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra.” — Isa. 2:4.

Passaram-me diante dos olhos os meus dez anos de esgrima. O acordar de manhã cedo, os treinadores, a amargura da derrota, e, recentemente, meus êxitos, e a chance de progredir ainda mais neste esporte. Mas, cheguei à conclusão de que Maria tinha razão. E entendi bem as lágrimas dela, porque agora meus olhos também estavam cheios de lágrimas. Contudo, ao mesmo tempo, eu tinha a mesma confiança que ela havia tido.

E JOÃO E PAULO?

João e Paulo ficaram surpresos com a minha decisão. Imagine, porém, meu prazer quando eles, também, decidiram largar seus floretes, e junto comigo, parar de esgrimir. João e Paulo vinham às nossas reuniões cristãs, mas eles não sentiam então a necessidade de dedicarem sua vida a Jeová e de simbolizarem isso pelo batismo em água.

Foi um ano depois de meu próprio batismo que nós quatro nos encontramos novamente. Quanta alegria nos deu esta reunião — visto que todos já éramos então cristãos dedicados! Havíamos sido entusiásticos esgrimistas, cheios de determinação e ambição. Mas, quando chegamos a conhecer a vontade de Deus, pusemos de lado os floretes e tomamos a espada do espírito, que é a Palavra de Deus. — Efé. 6:17.

Demo-nos conta de que “a palavra de Deus é viva e exerce poder, e é mais afiada do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, e das juntas e da sua medula, e é capaz de discernir os pensamentos e as intenções do coração”. (Heb. 4:12) É bom lutar com esta espada espiritual para a honra e glória de Jeová Deus, e este é agora nosso maior desejo e contínuo empenho. — Contribuído.

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