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‘Os Médicos São Humanos’
O velho ditado de que “errar é humano” foi recentemente citado num esforço de acalmar a crescente tendência de descontentamento por parte do público para com a classe médica.
Uma nota publicada pela Associação Médica de Dourados, no estado de Mato Grosso do Sul, no sentido de que “o médico é humano, assim como o erro”, reconheceu que os médicos, assim como todo mundo, são humanos e sujeitos a erros. A necessidade de se fazer tal admissão se deu por causa da publicidade nacional dada à morte de Clara Nunes, uma das grandes cantoras de samba no Brasil, em 2 de abril de 1983. Segundo a autópsia, ela morreu por “lesão cerebral causada por insuficiência cardíaca pré-operatória” induzida por uma reação adversa a anestésicos. Uma onda de indignação e consternação varreu o país e a classe médica veio a sofrer ataques como nunca visto.
Extremamente preocupados com os muitos casos que agora começam a aparecer e a ser divulgados pela imprensa, nos quais os médicos são acusados de incompetência, descuido ou negligência no exercício de sua profissão, o presidente da sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro foi citado como dizendo: “Os cirurgiões e anestesistas estão com medo de realizar operações. Vamos discutir a situação, pois não se pode crucificar toda uma categoria profissional.”
No Brasil, assim como em muitas outras partes do mundo, os médicos sempre gozaram da mais alta estima, devido à sua devoção abnegada e aos seus incansáveis esforços para aliviar a dor e o sofrimento. Tanto é que, para muitos, a palavra do médico é a palavra final. Ele é encarado como aquele que conhece todas as respostas, é colocado num pedestal como se fosse um deus. Essa tendência, segundo Nelson Proença, presidente da Associação Paulista de Medicina, é responsável por muitas situações delicadas: “O paciente passa a ver o médico como o homem que tem poder da vida e da morte, quando ele é apenas alguém com razoável domínio de conhecimento, e bom senso para trazer algum nível de ajuda e, em certos casos, até a cura.”
É certamente elogiável quando homens altamente experientes em algum ramo do empenho humano fazem uma avaliação honesta de si mesmos e não permitem que seus semelhantes os encarem como deuses, mas, em vez disso, admitem, como fez o apóstolo Paulo numa certa ocasião: “Homens, por que estais fazendo estas coisas? Nós também somos humanos, tendo os mesmos padecimentos que vós.” — Atos 14:11-15.
Exortação dum Cardeal
Numa carta publicada no Hoja Diocesana, o cardeal Tarancón, de Madri, Espanha, exortou os bispos a “lembrar aos cristãos os seus deveres, não só para com Deus e a Igreja, mas também para com a comunidade política”. Por quê? O cardeal disse: “Acredito que a época em que vivemos [pouco antes das eleições gerais] requer uma palavra de esclarecimento para que ninguém se esqueça do seu dever. A abstenção [nas eleições] por motivos religiosos ou patrióticos não pode ser justificada.” Daí ele acrescentou: “Nós, bispos, desejamos o melhor para a nossa pátria . . . e precisamos ajudar a alcançá-lo.”
Como isso se contrasta com as palavras de Jesus Cristo! Aos que seriam verdadeiros pastores do rebanho cristão ele disse: “Porque não sois do mundo e minha escolha vos separou do mundo, o mundo, por isso, vos odeia.” Em vez de exortar seus seguidores a buscar “o melhor para a nossa pátria”, Jesus instou: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus.” — João 15:19, Mateus 6:33, A Bíblia de Jerusalém, católica.