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  • yb77 pp. 34-46
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  • Luxemburgo
  • Anuário das Testemunhas de Jeová de 1977
  • Subtítulos
  • A MENSAGEM DO REINO CHEGA A LUXEMBURGO
  • COMEÇA A OPOSIÇÃO CATÓLICA
  • SUPERVISÃO DA SUÍÇA
  • INVASÃO GERMÂNICA
  • PROVADA A FÉ NOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO
  • REORGANIZAÇÃO DEPOIS DA GUERRA
  • EDIFICADOS POR IRMÃOS DA SEDE DE BROOKLYN
  • PREGADORES, E NÃO VENDEDORES AMBULANTES
  • ESTABELECIDA A FILIAL
  • PREGAR NUMA VARIEDADE DE LÍNGUAS
  • CONTRASTE RELIGIOSO
Anuário das Testemunhas de Jeová de 1977
yb77 pp. 34-46

Luxemburgo

Luxemburgo, com seus 2.585 quilômetros quadrados e 350.000 habitantes, acha-se entre os menores países do mundo. Está situado no centro da Europa, entre a França, Bélgica e a Alemanha. Embora pequeno, Luxemburgo é um estado independente e soberano. É altamente industrializado. Todavia, densas florestas e colinas ondulantes o tornam uma terra agradável. Felizmente, também, Luxemburgo dispõe duma Constituição que garante a liberdade de religião, a liberdade de palavra e a liberdade de formar sociedades.

Durante séculos, Luxemburgo foi orgulhosamente conhecido como fortaleza católica. Hoje, contudo, o governo sustenta financeiramente, não só a Igreja Católica, mas também as religiões protestantes e judaica. Apesar da divisa do Luxemburgo católico, “Permaneceremos sendo o que somos”, atualmente mais de 700 luxemburgueses anunciam as boas novas da Palavra de Deus de casa em casa, como fez Jesus Cristo. Como isto veio a acontecer? A resposta se acha na história moderna das Testemunhas de Jeová.

A MENSAGEM DO REINO CHEGA A LUXEMBURGO

Já nos anos 1922 a 1925, irmãos de Estrasburgo, França, distribuíram publicações bíblicas em Luxemburgo. Tal distribuição começou com o tratado intitulado “Um Desafio” e terminou com “Acusados os Eclesiásticos”. Nesta época, não havia quaisquer Testemunhas de Jeová morando em Luxemburgo. No entanto, em 1929, o escritório da Sociedade Torre de Vigia (EUA) em Magdeburgo, Alemanha, enviou o irmão August Riedmiller para Luxemburgo como pioneiro. Quando ele se casou com uma pioneira de Lorraine, França, no verão de 1930, ela se juntou a ele no território. Distribuíam os livros A Harpa de Deus, Libertação, Criação e Governo, também alguns folhetos e a revista A Idade de Ouro. Uma pioneira de Danzig, Alemanha, serviu por curto período junto com este casal, e o irmão Schröder, outro pioneiro, também foi enviado de Magdeburgo, Alemanha, para Luxemburgo.

Maravilhoso instrumento para proclamar a mensagem entre o povo era o Fotodrama da Criação, apresentado em quatro partes. O escritório de Magdeburgo, Alemanha, enviou irmãos para Luxemburgo, a fim de exibirem este Drama extraordinário que familiarizava os espectadores com o propósito divino, levando-os desde a criação até o fim do reinado milenar de Cristo. No ano de 1930, o Fotodrama foi exibido na cidade de Luxemburgo e de Esch-sur-Alzette, bem como em muitos outros lugares. Na cidade de Luxemburgo, mais de 300 pessoas estavam presentes cada noite. Em Esch-sur-Alzette, também, houve grande êxito. Muitos endereços foram fornecidos, e estas pessoas foram visitadas pelo irmão e irmã Riedmiller.

COMEÇA A OPOSIÇÃO CATÓLICA

A Igreja Católica, que há muito detinha o monopólio religioso em Luxemburgo, deu passos para tentar parar o progresso da verdade da Palavra de Deus. Às instâncias dela, fixaram-se regulamentos policiais que desencorajavam as pessoas de ver o Drama e criavam a impressão de que estava proibido. Tal impressão foi difundida por meio de relatórios falsos na imprensa católica.

Todavia, usando endereços fornecidos nas reuniões públicas realizadas após o Fotodrama, os pioneiros conseguiram encontrar as primeiras pessoas deveras interessadas na verdade em Luxemburgo. No sul, o primeiro luxemburguês que se empenhou em tornar-se verdadeiro seguidor das pisadas de Cristo foi Fred Gores. Como ele começou é expresso nas suas seguintes palavras:

“Certa noite, quando se realizavam reuniões públicas, conheci um senhor de seus trinta e poucos anos. Ambos expressamos o desejo de transmitir a outros a nova verdade aprendida. Depois de conversarmos sobre isso em minha casa, informamos ao Sr. Riedmiller sobre nossa determinação. Pouco depois, o Sr. Riedmiller trouxe grande estoque de folhetos intitulados ‘O Reino, a Esperança do Mundo’, alguns livros, e um chamado cartão de testemunho. Tanto quanto consigo lembrar-me este cartão de testemunho estava escrito em duas línguas: de um lado em alemão, e do outro em francês. A finalidade da visita era mencionada neste cartão, junto com breve testemunho sobre o fim do mundo e a esperança duma terra paradísica.

“Nós, iniciantes, eu e meu colega, certo dia tomamos coragem e fomos a uma rua escolhida para fazer nossa primeira tentativa. Ninguém mostrara como se devia agir. Jamais tínhamos feito nada parecido antes. Apesar disso, tomamos coragem e confiamos plenamente em Jeová. Ele nos ajudaria, foi o que pensamos para nós mesmos. E, deveras, Jeová nos ajudou do Seu próprio modo. De modo amigável, saudávamos as pessoas e apresentávamos o cartão de testemunho. Enquanto as pessoas liam o cartão, abríamos a pasta e mostrávamos nossas publicações. É digno de nota que, desde o início cada um foi sozinho às portas, sem qualquer receio de que alguém nos fizesse perguntas às quais não pudéssemos responder. Sabíamos que representávamos a verdade. Isto nos fortalecia e nos tornava confiantes, não importava o que viesse.

“Lembro-me bem da primeira casa que visitei. Um senhor bondoso, de idade avançada e com perna artificial, aceitou de imediato o livro Criação e pediu uma Bíblia. Conversamos amigavelmente e eu prometi revisitá-lo logo que possível para entregar a Bíblia. . . .

“A alegria de ter obtido tão boa recepção na primeira casa me deu a força necessária para continuar, embora, nas casas seguintes, as pessoas fossem cépticas, sim, até mesmo rejeitando a mensagem. Depois de algum tempo, surgiu a polícia e pôs rápido fim ao trabalho. Confiscaram nossas pastas com todo o seu conteúdo, deram-nos um recibo e nos mandaram para casa. Que mais poderíamos fazer? Naturalmente, queixamo-nos ao Sr. Riedmiller dessas experiências, mas ele nos confortou por nos fornecer outras publicações. Compramos nova pasta — desta vez de cartolina barata — e tentamos de novo. Gradualmente nos tornamos mais sábios, e, depois de repetidos confiscos de nossas publicações e equipamento, começamos a esconder as publicações nos bolsos de nossos casacões e íamos de porta em porta sem pasta. Desta forma, despertávamos menos atenções.”

Na cidade de Luxemburgo, foi especialmente Eugen Reuter que começou a obra de proclamação, em 1931, usando o folheto O Reino, a Esperança do Mundo. Mas, também aqui se encontrou oposição. Relembra o irmão Reuter: “Repetidas vezes, o irmão Riedmiller, bem como outros pioneiros, foram impedidos pela polícia de pregar de porta em porta por causa da lei contra vendedores ambulantes. A proclamação da verdade resultou ser um espinho na carne do clero católico, em especial. Por ser a liberdade de religião garantida pela Constituição, nossa pregação não podia ser impedida. Portanto, o pretexto de vendas ambulantes era usado no empenho de parar o testemunho. Esta tentativa, contudo, não teve êxito. Por causa da resistência, nosso zelo foi aguçado. Apesar das condenações nos tribunais e, às vezes, das absolvições, cada vez mais interessados tinham participação ativa no testemunho. A polícia nos acusava de ser vendedores ambulantes e de receber pedidos para os livros.

“Após três anos de atividade do irmão Riedmiller, as autoridades tomaram importante contramedida. O irmão Riedmiller foi escoltado por dois policiais até à fronteira alemã e expulso de Luxemburgo. Nosso advogado declarou que altas autoridades lhe explicaram que August Riedmiller foi deportado de Luxemburgo para proteger a Igreja Católica no país. Depois de vários meses, a polícia instou com a irmã Emma Riedmiller que também deixasse o país. O terceiro pioneiro da Alemanha abandonou voluntariamente o país algum tempo depois, por causa de sua impendente expulsão.”

Por este meio, os opositores esperavam parar a pregação. Mas, não levaram em conta que a semente da verdade, nesse ínterim, já se havia arraigado bem. Com o tempo, os primeiros luxemburgueses estavam prontos para o batismo em água. Em 25 de setembro de 1932, num estabelecimento particular de banhos em Esch-sur-Alzette, realizou-se tal batismo. Agora se lançara o alicerce para a organização teocrática em Luxemburgo e nada podia frear o progresso.

SUPERVISÃO DA SUÍÇA

Em 1933, a obra das Testemunhas de Jeová na Alemanha foi proscrita pelos nazistas. Assim, o escritório em Berna Suíça, assumiu o cuidado dos irmãos e interessados em Luxemburgo. Batalhas legais também foram orientadas de lá, bem como reuniões para instrução bíblica; e os publicadores foram ajudados a organizar-se e fortalecer-se espiritualmente. Irmãos foram enviados da Suíça para Luxemburgo, a intervalos regulares, para servir quais oradores públicos. Esta ajuda fraternal logo produziu outros excelentes resultados.

Os quinze publicadores já empenhados no serviço de campo em 1934 distribuíram 3.164 livros e folhetos durante aquele ano, apesar de tremendas dificuldades e resistência. Para alcançar os povoados no norte, esses quinze publicadores freqüentemente tinham de percorrer quase 130 quilômetros de bicicleta num dia. Com grande esforço, visitaram gradualmente e pregaram em todos os povoados e cidades do país.

Com a crescente distribuição de publicações, também se acumularam os registros de ocorrências policiais. As decisões unânimes do Tribunal de Paz foram coerentemente de “culpados de comportarem”. Vez após vez, os irmãos recorreram destas decisões e, assim, seus processos atingiram o Tribunal de Recursos e, por fim, o Supremo Tribunal. Até mesmo essas altas autoridades mantiveram as decisões dos tribunais de instância inferior, e de novo as Testemunhas foram declaradas culpadas.

Mas, estes corajosos lutadores observaram gradualmente que as pessoas a quem pregavam estavam divididas em dois grupos. Um grupo, sob influência do clero, era inamistoso para com as testemunhas do Reino e, com freqüência, os agredia às portas. Atiçados por tal grupo, alguns policiais chegaram até a tentar intimidar os publicadores do Reino com as palavras: “Se colocarem até mesmo um único livro nós os enforcaremos na árvore mais alta.” Outros agentes da lei pediam desculpas e declaravam: “Vocês compreendem, fomos chamados e precisamos cumprir nosso dever.”

Em 1936, o número de publicadores do Reino crescera para dezenove, divididos em três congregações. Foi nesse ano, também, que alguns dos publicadores viajaram para grande assembléia no exterior, pela primeira vez, e voltaram para casa com novo vigor para continuarem sua atividade. Nessa assembléia, em Lucerna, Suíça, encontraram o irmão Rutherford, presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA) pela primeira vez. Quão impressionante para os irmãos foi testemunhar a coragem deste batalhador em favor de Jeová! O irmão J. F. Rutherford disse aos congressistas da Alemanha que, quando voltassem para aquela “astuta velha raposa em seu covil”, Adolf Hitler, deveriam avisar que o reino de Deus estava regendo e que nenhum poder deste mundo conseguiria produzir a queda do rei de Jeová. Daí, ergueu seu braço, como era feito para saudar a Hitler, mas declarou: “Viva Cristo”. Todas essas experiências e discursos foram mui edificantes para os irmãos de Luxemburgo. Adquiriram coragem de novo para continuar sua atividade.

Ao fazê-lo, além de usarem cartões de testemunho, utilizaram mais o fonógrafo portátil para tocar discursos bíblicos para os ouvintes. Este método trouxe muita alegria aos irmãos em Luxemburgo; por usarem tal método para pregar, as autoridades não puderam impedi-los tanto.

INVASÃO GERMÂNICA

Subitamente, em 10 de maio de 1940, Luxemburgo foi surpreendido por uma invasão. Com efeito, quase toda Europa ficou inundada de tropas germânicas de um só golpe. Não houve muito tempo para pensar nisso. Na cidade de Esch-sur-Alzette, as autoridades decretaram que todos os habitantes deveriam pegar as coisas necessárias e fugir de imediato para a fronteira francesa.

Naquele dia, a atividade da maioria das Testemunhas de Jeová praticamente cessou no país de Luxemburgo, e os publicadores foram dispersados como um rebanho de ovelhas sem pastor. Os publicadores de per si enfrentaram graves provações nos cinco anos seguintes. Irmãos bem conhecidos, que assumiam a liderança, foram levados em custódia protetora graças a relatórios feitos por alguns alemães que se haviam estabelecido aqui e que serviam quais espiões do exército germânico. Depois de vários meses nas prisões de Luxemburgo e Trier, os irmãos foram soltos, mas se lhes proibiu de fazer qualquer pregação. Outrossim, mesmo naqueles anos cruciais de guerra, foi possível efetuar algum trabalho às ocultas, e, como resultado disso, alguns novos discípulos foram batizados. Dois irmãos de Luxemburgo, suspeitos de terem continuado a pregar, enfrentaram uma prova especialmente severa. Foram as únicas Testemunhas de Luxemburgo que foram mandadas para os campos de concentração.

PROVADA A FÉ NOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO

Um destes dois irmãos, Victor Bruch, fornece-nos o seguinte relatório:

“Na prisão de Trier foi-nos dado o formulário familiar para assinar. Com minha assinatura, eu confirmaria que seguira uma doutrina de erros, que renegara a fé, que não possuía mais nenhuma publicação da Sociedade Torre de Vigia, que não mais a distribuiria, que delataria qualquer pessoa que viesse a mim com publicações, que respeitaria todas as leis germânicas. A Gestapo tentou debilitar-nos de todos os meios. Quando persistentemente me recusei a aceitar tais ofertas, por não assinar o formulário, a Gestapo me levou para o campo de concentração de Buchenwald/Weimar em 2 de janeiro de 1941. Primeiro, nós, os dois irmãos, fomos transferidos para o bloco penal, por três meses, e tivemos de trabalhar numa pedreira, tendo alimento ruim e não descansando o suficiente. Jamais consigo esquecer o seguinte episódio:

“Quando chegamos a Buchenwald, raspou-se-nos por completo a cabeça, e fomos escorraçados nus até os banheiros, do outro lado da rua, daí, novamente pela rua até os alojamentos, onde nos foram dadas roupas. Ali, num comprido balcão, recebemos nossas roupas de detentos de um preso, peça por peça, começando com as cuecas. Atrás desse preso que nos dava nossas coisas, havia outro preso em pé, na minha frente. Repetidas vezes, perguntou o que havia de novo fora do campo. Não respondi. Fomos informados na prisão que os agentes da Gestapo amiúde se disfarçam em vestes de presos a fim de espionar. Pensei sobre isso enquanto ele fazia as perguntas e decidi: ‘Você não conseguirá saber nada de mim.’ Ao receber minha peça final de roupa, ele me disse: ‘Pode falar comigo sou o mesmo que você.’ Era deveras o irmão Ernst Hassel, de Saarbrücken. Mais tarde, entendi a curiosidade dele; os irmãos estavam em custódia desde 1937 e não tinham contato com a organização. Ponderava-se sempre sobre o conhecimento que alguém tinha, e durante as palestras diárias nas várias mesas, era partilhado em fragmentos.

“Depois de vários meses, chegamos a janeiro de 1942, e as autoridades do campo anunciaram que, se um detento possuísse uma suéter extra, além da recebida no campo, deveria entregá-la de imediato para os soldados na frente leste. Visto que todas as Testemunhas de Jeová se recusaram a fornecer um lenço sequer para fins bélicos, todas tiveram de ficar em pé durante horas no local de desfile, em 15 de janeiro de 1942. Então nos tiraram as suéteres e, como castigo, tivemos de trabalhar às noites. Debaixo de faróis, tivemos de nivelar uma colina, transformando-a num campo de esportes. Era um trabalho duro depois da hora de findar o trabalho comum, com o solo congelado e com a temperatura de 20 graus centígrados abaixo de zero. Nossos sapatos foram tirados de nós e, assim, tínhamos de marchar de tamancos de madeira. Mas, mesmo durante esses tempos duros, Jeová nos ajudava. Passaram-se apenas três semanas e todas as roupas que tinham sido tiradas de nós foram recolocadas no bloco da prisão, asseadas e consertadas, com a observação de que tinha sido um erro precipitado demais. As autoridades em Berlim não tinham aprovado este método. . . .

“Fomos retirados de nosso bloco comunitário, na primavera setentrional de 1943, e espalhados por vários blocos políticos. A direção do campo esperava romper desse modo a resistência das Testemunhas de Jeová. Mas, aconteceu justamente o contrário. Agora tínhamos mais oportunidades de partilhar nossa fé com outros.

“Em fevereiro de 1944, foram necessários certos profissionais em Lublin, e assim fui mandado para lá. Fez-se um esforço de nos transformar em bons alemães e não mais luxemburgueses, muito menos Testemunhas de Jeová. Quando me recusei, tive de voltar de novo para um campo. Minhas roupas íntimas foram arrancadas de meu corpo, e fui levado a um campo secundário, em Pulawy. Aqui em Pulawy, uma serraria, passamos por noites terríveis. Os detentos dormiam em alojamentos junto com os guardas, separados apenas por uma divisão de madeira. Quase toda noite havia repetidos tiroteios entre os guerrilheiros e os guardas.

“Ao se aproximarem os russos, fomos deportados para Auschwitz. Os irmãos e irmãs que já estavam em Auschwitz por algum tempo tinham posições de confiança. Várias irmãs tinham permissão de andarem na cidade, sem um guarda acompanhante, para fazerem compras para suas patroas. Desta forma, as irmãs podiam entrar em contato com os irmãos lá fora. Cuidavam dum serviço especial, difícil e perigoso. Copiavam inteiros artigos da Sentinela em cadernos escolares de capa azul, e tentavam circulá-los entre tantos quantos era possível. Eu também consegui alguns para ler. Lembro-me muito bem de um tema. Era ‘Consolo Para os Dispersos’.

“De novo os russos avançaram. Isso significava, para nós, a transferência para outro lugar. Foi uma perseguição louca por toda a Alemanha. Alguns de nós fomos apinhados em vagões fechados para gado e mandados embora. Nosso alimento nessa viagem foi um pãozinho. Este tinha de durar por três dias. Mas, neste caso, também, pudemos confiar na sabedoria de Jeová. Certo irmão nos contou: ‘Se dizem três dias, então é melhor dividirmos nosso pão para seis dias.’ O fato era que restavam dez dias. Nas paradas, comemos tanchagem, capim e qualquer coisa que crescia perto dos trilhos da ferrovia, a fim de não morrermos de fome. No décimo primeiro dia, chegamos em Ravensbrück. Mais de 1.500 morreram de fome nos últimos dias dessa viagem. Assim que alguém morria, era colocado na ponta do vagão ferroviário e os cadáveres eram empilhados.

“Em alojamentos de emergência, fomos separados dos outros detentos por arame farpado. Tínhamos de contentar-nos com meio litro de sopa de legumes e uma fatia de pão por dia.

“De novo os russos ameaçavam seriamente o campo. Isto significava a transferência para outra região. Foi necessário marchar por vários dias. Nós, irmãos, sempre tentávamos ficar juntos. Havia 49 irmãos e um interessado que ficamos unidos e procuramos encorajar uns aos outros. Certa noite, houve um tiroteio como nunca havia escutado antes. Quando amanheceu, notamos, para nossa grande surpresa, que os guardas alemães haviam desaparecido. Depois de nos lavarmos, o que tinha sido raro durante semanas, nós os cinqüenta fomos para um povoado próximo a fim de descobrir o que acontecera. Observamos que todos os prédios públicos estavam ocupados por estadunidenses.

“Daí, fomos juntos a uma campina nos limites do povoado e um irmão proferiu uma oração de agradecimentos a Jeová por Sua maravilhosa libertação. Isto aconteceu em 3 de maio de 1945 em Rubz. Durante dias, continuamos a caminhar, até que os irmãos gradualmente se dispersaram a fim de chegar às suas casas. Jeová nos ajudara a sobreviver num tempo difícil e atribulado. Isto só foi possível com a Sua ajuda.

“Em 18 de junho de 1945, cheguei em casa, em Esch-sur-Alzette. Para minha maior alegria e gratidão, encontrei ali minha esposa e meus filhos, que tinham chegado em casa apenas cinco dias antes do que eu. E isto aconteceu depois de ficarmos separados, sem dirigir qualquer palavra um para o outro, por quase dois anos.

“No decurso de todos esses anos difíceis, o texto de Provérbios 3:5, 6, era excelente guia para mim. Declara: ‘Confia em Jeová de todo o teu coração e não te estribes na tua própria compreensão. Nota-o em todos os teus caminhos, e ele mesmo endireitará as tuas veredas.’”

REORGANIZAÇÃO DEPOIS DA GUERRA

Pouco depois da segunda guerra mundial, o escritório da Sociedade em Bruxelas, Bélgica, fora instruído que supervisionasse a atividade das Testemunhas de Jeová em Luxemburgo. Logo após a guerra, este escritório enviou um pioneiro para Luxemburgo. Tratava-se do irmão Emil Schranz, o primeiro pioneiro luxemburguês. Durante a guerra, servira na Bélgica. Agora visitava todos os irmãos conhecidos dele. Congregações foram organizadas de novo e a atividade prosperou. O ano de 1946 presenciou 30 publicadores ativos, com um auge de trinta e nove.

Muitas mudanças na organização, feitas após a guerra, fizeram com que a obra crescesse rápido. Ao invés de trabalhar com cartões de testemunho e fonógrafos, os próprios irmãos ficaram aptos, através do treinamento obtido na Escola Teocrática a proferir discursos públicos e dar testemunho às portas. Também progrediu a atividade dos estudos bíblicos domiciliares, e isto causou tremenda prosperidade.

Um impulso adicional a favor da liberdade de pregação era agora aconselhável. Decidiu-se registrar uma sociedade legal, não lucrativa, para cuidar dos interesses do Reino de melhor modo. Em 18 de julho de 1946, alcançou-se este importante marco na história das Testemunhas de Jeová em Luxemburgo.

A notícia do registro legal foi publicada no Amtsblatt Memorial de 23 de outubro de 1946. Esta sociedade legal resultou mui útil para os irmãos.

EDIFICADOS POR IRMÃOS DA SEDE DE BROOKLYN

Em 1947 depure outro evento na história das Testemunhas de Jeová em Luxemburgo. Realizou-se ali a primeira grande assembléia. Os irmãos F. W. Franz e Grant Suiter serviram aos irmãos nesta assembléia com palavras bíblicas de conselhos. Fora a primeira vez que irmãos da sede da Sociedade em Brooklyn visitaram Luxemburgo. Uma irmã, bem jovem naquele tempo, expressou mais tarde seus sentimentos sobre essa ocasião nas seguintes palavras:

“Jamais esquecerei que esses irmãos saborearam uma refeição junto conosco na cozinha. Amiúde imaginava que tais irmãos estavam acostumados a falar em salões maiores e mais bonitos do que o de Luxemburgo, que se situava junto de barulhenta pista de boliche. Mas, isso não impediu que os dois irmãos apresentassem cabal testemunho e eles não se queixaram de forma alguma. Na manhã de 11 de junho de 1947, o discurso de batismo foi proferido em francês por um irmão de Bruxelas, e seis irmãos foram batizados. Este, para nós, foi grandioso evento. O discurso público, proferido naquela noite em alemão pelo irmão Franz, tinha o tema ‘O Gozo de Todo o Povo’ e a ele compareceram 123 pessoas. A partir deste ano os irmãos foram incentivados a continuar organizando reuniões maiores, tais como assembléias de circuito, o que fizeram.

“Devido ao excelente êxito desta primeira grande assembléia, os irmãos corajosamente organizaram e anunciaram as maiores assembléias dali em diante da seguinte forma: Um grupo de quatro a seis pessoas, usando bicicletas com cartazes afixados de ambos os lados, rodava pela cidade. Todas as ruas eram percorridas. Outros irmãos, usando cartazes tipo sanduíche, anunciavam a assembléia, andando para cima e para baixo pelas ruas. Às vezes eram atingidos por pedradas, e quase sempre censurados.”

Em março de 1949, os primeiros graduados da Escola de Gileade, os irmãos Nelson e Cummings, foram mandados para Luxemburgo. Fortaleceram grandemente a organização um tanto pequena e, por sua iniciativa, a obra de revistas nas ruas foi introduzida. Serviu para anunciar cada vez mais o reino de Jeová, mas a Igreja Católica mostrou grande desejo de silenciar a atividade de testemunho.

O presidente da Sociedade, Nathan H. Knorr, estava presente na primeira grande assembléia internacional realizada na Europa depois da guerra, em Francforte-sobre-o-Meno, de 24 a 26 de agosto de 1951. Congressistas de Luxemburgo também compareceram. Quando o irmão Knorr, mais tarde, parou em Luxemburgo, para falar aos irmãos, esta ocasião resultou num grande testemunho, e até mesmo hoje os irmãos falam sobre isso. Desta vez foi possível alugar excelente salão, e os irmãos se empenharam em arrumar tudo na noite anterior. Mas vejam só, o salão foi usado por outras pessoas até o último instante. Por conseguinte, nossos irmãos tiveram de despender grandes esforços. Conseguiu-se ouvir uma palestra entre dois homens que usaram o salão antes de nós. Um disse para o outro: “Estou ansioso de verificar que aparência tem o presidente desta sociedade.” Um publicador que ouviu esta conversa, pensou rápido e replicou: “Oh, não precisa ficar ansioso. O presidente está ali, em uma escada na frente da tribuna, pregando alguns pedaços de pano com pregos e martelo.” Os dois homens ficaram atônitos. Que diferença da usual exaltação católica dos homens! E, no dia seguinte, podia-se ver o irmão Knorr indo de bicicleta junto com os irmãos pelas ruas da capital, para anunciar seu próprio discurso. Quão bom e agradável era observar que ele próprio se empenhava na atividade sugerida da tribuna da assembléia!

Esta curta parada do irmão Knorr resultou ser grande bênção para a obra em geral e para esta reunião especial. As 205 pessoas que ouviram seu discurso constituíram a maior reunião teocrática até aquela data em Luxemburgo. Todos esses eventos contribuíram para o fortalecimento da organização interna, e, no mesmo ano, o número de publicadores aumentou para mais de cem, pela primeira vez, havendo 113 publicadores ativos no serviço de campo.

PREGADORES, E NÃO VENDEDORES AMBULANTES

Os anos de 1952 e 1953 presenciaram grandes processos legais contra a organização. Alguns publicadores, entre eles menores de idade, foram impedidos pela polícia ao se empenharem em sua pregação em Fischbach, e fez-se um registro oficial. Foram acusados de violar a lei contra os vendedores ambulantes. Quando o processo foi julgado, uma jovem publicadora defendeu tão bem a si mesma perante três juízes que foi absolvida. Mas, que aconteceu com os publicadores mais velhos? Por serem pessoas mais velhas, foram declarados culpados durante o mesmo julgamento.

Esta decisão provocou grande mudança para o povo de Deus no ano seguinte, 1953. O advogado da Sociedade inculcou de forma distinta na mente dos juízes durante o julgamento no Tribunal de Recursos em Luxemburgo que não fazia sentido o tribunal em Mersch absolver uma parte do grupo e declarar culpada a outra, visto que ambos os grupos faziam a mesma obra de pregação. Esta incoerência até mesmo moveu o promotor público a trabalhar em favor dos irmãos. Ele próprio provou ao alto tribunal que nesta atividade não se pode falar em “vender”, porque tal termo inclui lucro financeiro de que vive o vendedor. No entanto, este não é o caso das Testemunhas de Jeová, sejam elas idosas ou jovens, argüiu o promotor público. E qual foi o resultado desta feita? Durante sua sessão pública, em 26 de março de 1953, o tribunal distrital chegou à seguinte decisão:

“Considerando os fatos que a mais recente Jurisprudência luxemburguesa decidiu, que a ação de ambos os réus não constitui nenhuma venda, nem a oferta de venda ou o recebimento de pedidos, não há, por conseguinte, violação alguma da lei de 1.1.1850 sobre as vendas ambulantes. Por esta razão, anula-se a primeira decisão e ambos os réus são absolvidos.”

A maioria dos policiais respeitaram esta grande vitória em favor das Testemunhas de Jeová, e desde esse tempo, não surgiram outros processos legais. Os irmãos agradecem a Deus que Seu povo, hoje em dia, goza de liberdade religiosa em Luxemburgo.

Foi por volta dessa mesma época, no ano de 1952, que o governo municipal da capital concedeu às Testemunhas o uso do salão municipal de banquetes no edifício Clercle, na Praça das Paradas. Este evento causou muita surpresa, porque, até então, apenas os católicos estavam acostumados a usá-lo, com a permissão do governo. Dali em diante, a atitude das autoridades para com as Testemunhas de Jeová tornou-se cada vez melhor e mais tolerante.

ESTABELECIDA A FILIAL

O ano de 1955 representou outro marco no fortalecimento da organização interna. Depois duma parada em Luxemburgo, no outono setentrional daquele ano, o irmão Knorr decidiu abrir nova sucursal da Sociedade Torre de Vigia (EUA) em Luxemburgo. Assim, esse país não mais seria supervisionado pela filial belga. Tal mudança resultou em atividades ampliadas. Durante o ano de serviço de 1957, seis congregações ativas já tinham sido formadas, e um auge de 230 publicadores foi alcançado. A distribuição das revistas aumentou de 16.157 em 1955 para 47.174 durante 1956.

Alguém que vive num país tão pequeno como Luxemburgo amiúde pensa em pequenas quantidades. Por conseguinte, é compreensível que os 16 congressistas de Luxemburgo que compareceram à assembléia internacional de 1958 em Nova Iorque ficassem surpresos quando viram quão ampla era a organização. Voltaram fortalecidos em sua fé e tinham muita coisa a relatar a suas co-Testemunhas ali.

O irmão Knorr visitou Luxemburgo de novo em 1960. A cidade de Luxemburgo concedeu permissão então às Testemunhas de Jeová para usarem o teatro municipal, e, em 14 de julho, 502 pessoas compareceram ao discurso público. Tudo isso, bem como a fé e paciência das Testemunhas locais, contribuíram para um aumento a 303 publicadores em 1961.

No ano seguinte, onze irmãos de Luxemburgo foram chamados para a Escola do Ministério do Reino na filial da Sociedade em Wiesbaden, Alemanha. Isto contribuiu grandemente para seu treinamento, que levou a maior progresso na organização. Quando retornaram às suas próprias congregações, puderam cuidar de melhor forma dos interesses do Reino.

PREGAR NUMA VARIEDADE DE LÍNGUAS

Embora Luxemburgo seja um país pequeno, estrangeiros de mais de trinta nações moram ali. Quando os publicadores do Reino vão de casa em casa, não é surpreendente que encontrem pessoas que falam muitas línguas diferentes, de modo que tentam promover os interesses do Reino entre os vários grupos lingüísticos. Por exemplo, por meio de visitas pacientes, intensivas, foi finalmente possível organizar, em novembro de 1963, uma congregação italiana, com doze publicadores, na cidade de Luxemburgo. Em cooperação com a filial da Sociedade na Bélgica, uma assembléia de circuito italiana foi realizada em Luxemburgo, pela primeira vez, em novembro de 1967; a ela compareceram 342 pessoas.

Neste respeito, é interessante notar que a língua oficial de Luxemburgo é o francês. Mas, o próprio povo fala o dialeto de Luxemburgo, que se originou dos celtas e incorporou palavras de línguas dos países vizinhos.

No vizinho país da Bélgica, onde se fala francês, há pequeno território que consiste em muitos povoados e aldeias de pessoas que ainda falam alemão. Alguns publicadores estavam ativos entre eles, mas precisavam de mais oportunidades de ouvir as boas novas em seu próprio idioma. Na primavera setentrional de 1965, decidiu-se que tais pessoas deveriam ser cuidadas pela filial de Luxemburgo. Por volta de outubro daquele ano, uma congregação de 22 publicadores já funcionava na área de língua alemã de Eupen. Em maio de 1970, foi possível organizar uma assembléia de circuito nesta área.

No entanto, o excelente progresso da obra dirigida de Luxemburgo não agradava ao opositor de Deus, Satanás, o Diabo. Ele, também, estava ativo de muitos modos. O ano de 1965 foi um ano de provas para os irmãos. Sempre foi tática de Satanás semear mal-entendidos, controvérsias e outros problemas entre os irmãos. Isto aconteceu cada vez mais com os irmãos em 1965. Algumas mudanças de organização foram feitas, portanto. Anton Letonja serviu temporariamente como superintendente da filial por vários meses. Daí, Albert Steimann foi enviado para Luxemburgo, e foi designado superintendente da filial e de distrito. Durante esse período de provações, a maioria dos irmãos permaneceu firme. Muitos compreenderam muito melhor o texto do Salmo 127:1, onde lemos: “A menos que o próprio Jeová construa a casa, é fútil que seus construtores trabalhem arduamente nela.” A organização de Jeová tem de ser mantida limpa. Um pioneiro especial que já serve por oito anos no país comentou sobre aquela época: “O país todo prosperou de novo”, falando-se em sentido espiritual. O ano de 1965 foi coroado por excelente ocasião, a primeira assembléia internacional, onde 3.835 congressistas se reuniram para um banquete espiritual.

Foi em 5 de junho de 1968 que o irmão Knorr fez arranjos para que a Sociedade comprasse um prédio situado numa área muito boa da capital, para ser usado como filial e lar missionário. Este prédio muito contribui para o testemunho dado e para o progresso da obra. Fizeram-se algumas alterações nele para incluir um Salão do Reino mui atraente. Estimuladas por este projeto de construção, muitas outras congregações consideraram seriamente a construção de seus próprios Salões do Reino.

CONTRASTE RELIGIOSO

Ao passo que a Igreja Católica já perdeu muito de seu anterior poder e influência aqui, a prosperidade, o progresso e as bênçãos espirituais abundam entre os adoradores de Jeová. A maioria das pessoas que eles visitam são delicadas, mas mostram pouco interesse na Palavra de Deus. Isto não é surpreendente, visto que a autenticidade da Bíblia é posta em dúvida entre os clérigos. Com efeito, certo clérigo na cidade de Luxemburgo comentou que a Bíblia é um livro escrito por homens que apenas expressavam suas próprias opiniões religiosas. Não é de admirar que a assistência nas igrejas esteja diminuindo!

Em contraste, contudo, os publicadores da mensagem do Reino apóiam as Escrituras e mostram seu desejo de ter maior quinhão no serviço de Jeová. Por exemplo, no mês de junho de 1975, houve um auge de 790 proclamadores do Reino em Luxemburgo.

Lá em 1958, uma autoridade governamental visitou a filial da Sociedade e ficou surpreso de ver o progresso das Testemunhas de Jeová. Confidencialmente, mencionou que as Testemunhas eram então a segunda maior religião de Luxemburgo e sugeriu que as Testemunhas solicitassem apoio financeiro do governo.

Elas não fizeram isso, naturalmente. Sua confiança reside em Jeová, a quem pertencem “os animais sobre mil montanhas”, bem como “o solo produtivo e a sua plenitude”. (Sal. 50:10, 12) O fato de que Deus lhes concede aumento é evidente em que 1.519 pessoas compareceram à celebração da Refeição Noturna do Senhor em 27 de março de 1975. Quantas destas pessoas, ou outras, ainda se juntarão a elas no serviço de Jeová, não se sabe. Todavia, estão determinadas a continuar pregando as boas novas em Luxemburgo até que a obra seja concluída. Por este indizível privilégio e as ricas bênçãos que usufruem, sua gratidão e seu louvor ascendem a Jeová, seu amoroso Pai celeste.

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