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Causará a humanidade sua própria destruição?Despertai! — 1980 | 22 de novembro
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Causará a humanidade sua própria destruição?
ERA um dia claro e ensolarado sobre a cidade nipônica de Hiroxima naquela data fatídica — 6 de agosto de 1945. À medida que a cidade despertou, ninguém, nem mesmo com a mais fértil imaginação, poderia prever a devastação que irrompeu sobre ela às 8,15 daquela manhã.
O que aconteceu foi descrito como “chuva de ruínas, procedente do ar, não se tendo jamais visto sobre a terra algo semelhante”. A humanidade entrara então em nova era bélica, abrindo uma porta a assombrosos meios de destruição em massa.
Será que tal acontecimento teve algo que ver com a vinda, algum dia, do que a Bíblia chama de o “fim do mundo”? Antes de responder, consideremos exatamente por que o que aconteceu naquele dia de agosto era um marco tão temível.
Relato Duma Testemunha Ocular
“Alguém gritou: ‘Está caindo um pára-quedas!’ Minha reação foi virar-me para a direção por ele apontada”, começou dizendo uma senhora que estava em Hiroxima. Continuou: “Naquele exato momento, o céu, que eu contemplava, se apresentava chamejante. Não sei como descrever aquela luz. Fiquei imaginando se meus olhos haviam pegado fogo.
“Não me lembro do que surgiu primeiro — o lampejo de luz ou o som duma explosão que trovejava até no meu íntimo. De qualquer forma, no instante seguinte fui derrubada, ficando esticada no chão.
“Logo notei o terrível cheiro que pairava no ar. Daí, fiquei abalada com a sensação de que a pele de meu rosto se descolara. Daí, a das mãos e dos braços também. . . . toda a pele de minha mão direita se soltara e estava pendurada grotescamente. . . . O que vi sob a ponte era chocante: Centenas de pessoas se debatiam na corrente. Não podia distinguir se eram homens ou mulheres. Todos pareciam iguais. Suas faces estavam inchadas e cinzentas, seus cabelos estavam em pé. Segurando suas mãos no alto, gemendo, as pessoas corriam para o rio.”
Esta senhora presenciou a primeira utilização na guerra do que os jornais chamaram de “o mais aterrorizante engenho de destruição já inventado pelo homem” — a bomba atômica. Embora dezenas de milhares de pessoas fossem mortas instantaneamente, muitos talvez evaporando completamente, aqueles que sobreviveram à explosão inicial se conscientizaram do verdadeiro horror que é a guerra nuclear. Devido à exposição a doses letais da radiação atômica, logo ficaram fisicamente incapacitados, com náusea. Isto levou-os a vomitar sangue, à febre alta, à extrema diarréia, a sangrar pelos intestinos e à agonizante morte em questão de 10 dias. Calculou-se que o tributo total foi de cerca de 140.000 mortes — todas causadas por uma única bomba!
Já se passaram 35 anos desde que surgiu aquela nova era. Somente uma nação possuía então a bomba. Mas, o que aconteceu desde então?
A Era da Supermatança
Logo outras nações desenvolveram armas atômicas, e, à medida que aumentaram as tensões internacionais, iniciou-se a corrida das armas nucleares. Aperfeiçoaram-se mais bombas, e bombas maiores. A lançada sobre Hiroxima, apelidada “Little Boy” (Garoto), tinha um poder explosivo igual a 13 mil toneladas de TNT. Todavia, isto era deveras um “garoto” em comparação com as bombas atuais. Algumas, já testadas, eqüivalem a 60 milhões de toneladas de TNT!
Dezenas de milhares destas bombas, de vários tamanhos, estão estocadas em muitos arsenais. Somente os Estados Unidos possuem suficientes ogivas nucleares capazes de destruir 12 vezes todo homem, mulher e criança que existe na terra. Mas a potência de fogo é apenas um destes desenvolvimentos alarmantes.
Talvez se sinta um tanto seguro, sabendo que está a milhares de quilômetros de distância dum país desamistoso. Atualmente, contudo, há sistemas equipados para fazer com que as ogivas atômicas atinjam seus alvos com uma exatidão que desafia a própria imaginação. Mísseis que levam até oito ogivas atômicas separadas podem agora percorrer 9.650 quilômetros e cair num raio de 450 metros do alvo. Logo conseguirão cair a apenas alguns metros! É claro que ninguém na terra pode realmente sentir-se seguro ou “fora do alcance” dessas armas.
Para aumentar ainda mais a capacidade de causar supermatança, algumas nações se equiparam de armas químicas e biológicas (bacteriológicas). “Novos aerossóis da morte”, relata certa autoridade, “estão sendo fabricados, cujas diminutas gotículas podem provocar ataques cardíacos”. Um grande cientista que devotou muito tempo ao estudo do assunto soou o aviso: “A GB [Guerra Biológica] ainda constitui enorme ameaça para o mundo.”
“Uma arma ainda mais assustadora do que a nuclear”, é como o Presidente soviético, Leonid Breznev, descreveu os recentes desenvolvimentos bélicos. Instou que se “proscrevesse a criação de novos tipos de armas de destruição em massa”. Muitos acham que ele falava da “guerra meteorológica”, a provocação de mudanças ambientais para destruir o inimigo. O jornal soviético Red Star avisou sobre “o perigo excepcional para o mundo inteiro” como resultado de se mexer no meio ambiente “para fins militares destrutivos”. Teme-se que um país possa provocar enchentes, secas, terremotos, tufões, até mesmo furacões, no território inimigo. Quando se considera que um furacão contém a energia de 1 bilhão de toneladas de TNT, 16 vezes mais potente do que a maior bomba nuclear, tal guerra meteorológica pode ser tremendamente destrutiva.
Obviamente, o homem já tem, à sua disposição, os meios de destruir-se e deixar esta terra como um monturo radiativo. Todavia, desde 1945, as armas nucleares não têm sido usadas em guerras. Por este motivo, muitos se sentem seguros, imaginando que o mundo jamais verá uma guerra atômica total, que, segundo alguém que ajudou a desenvolver tal bomba, Albert Einstein, significaria “o aniquilamento de toda a vida na terra”.
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O inimaginável — poderia acontecer?Despertai! — 1980 | 22 de novembro
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O inimaginável — poderia acontecer?
Devido às pavorosas represálias, considerou-se inimaginável que uma nação desse início à guerra nuclear. No entanto, recentes desenvolvimentos de armas mostraram que este “equilíbrio do terror” ou “dissuasão” não constitui base real para a confiança.
Conforme adrede mencionado, a precisão dos mísseis intercontinentais melhorou dramaticamente nos últimos poucos anos. A revista Nation (Nação) diz-nos por que isto tem atemorizantes implicações:
“Ademais, o tipo de armas que os Estados Unidos agora desenvolvem subentende algo diferente de simples ‘dissuasão’. O míssil Cruise, quando utilizado, cairá num raio de uns 14 a 27,5 metros dum alvo a 3.200 quilômetros de distância. . . . O ponto é que armas assim tão precisas não são necessárias para um ataque retaliatório de ‘segundo golpe’ contra cidades e populações. Uma bomba que possa cair num raio de 800 metros, mais ou menos, de seu alvo, é mais do que adequada para a simples ‘dissuasão’. A precisão, contudo, torna-se importante quando uma nação planeja um ataque inicial de surpresa que prive o adversário de responder a ele. Quanto maior for a precisão, tanto menos bombas são necessárias para demolir os silos de mísseis inimigos, fortalecidos por milhares de toneladas de aço e concreto.” — 27 de maio de 1978.
Também, crescente número de nações desenvolvem armas nucleares. O perigo óbvio é comentado em The Bulletin of the Atomic Scientists (Boletim dos Cientistas Atômicos): “Crê-se de forma ampla que, quanto mais potências dotadas de armas nucleares vierem a existir, tanto maior será a probabilidade duma guerra nuclear. . . . A tecnologia das armas nucleares acha-se agora tão amplamente conhecida que a preocupação atual é a de que até mesmo grupos terroristas construam explosivos nucleares, quanto mais os governos.” — Setembro de 1979.
Quando vê nações, que possuem tais hediondos arsenais, envolverem-se em conflitos em que seus interesses vitais fiquem seriamente em perigo, não tem uma sensação intranqüila de que uma delas utilizará sua potência nuclear de fogo, sem medir as conseqüências? Não é o único que tem esta sensação.
Conferências Alarmantes
Por vários dias, em maio de 1978, 30 cientistas, militares e conselheiros governamentais de 10 nações se reuniram em sessões fechadas em Toronto, Canadá, para considerar seriamente o tema “O Perigo da Guerra Nuclear por Volta do Ano 2000”. “O mais assombroso sobre esta conferência”, declarou o seu presidente John Polanyi, “foi o senso de concordância de que aumenta o perigo duma guerra nuclear”. Desde então, outras reuniões de peritos, inclusive a “primeira conferência sobre a guerra nuclear”, realizada nos Unidos, com mais de 300 participantes, chegaram à mesma conclusão.
Mesmo um “íntimo confidente” do Presidente Breznev, soviético, revelou preocupação com o futuro próximo ao relatar: “A opinião, na União Soviética, é de que existe necessidade de se tomarem medidas urgentes, de outra forma, poderá vir a guerra.” (Ênfase acrescentada.)
De outro setor inteiramente diferente surge um surpreendente número de pessoas religiosas que, de modo similar, crêem que está próxima uma guerra nuclear. No entanto, elas afirmam que suas conclusões se baseiam na Bíblia. À guisa de exemplo, um professor de religião, comentando um versículo bíblico que diz que a ‘terra seria destruída pelo fogo’, declarou: “O presente estoque de artefatos atômicos dá um toque de realismo a este trecho.” — 2 Ped. 3:7.
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Um Dia de Juízo nuclear — acha-se predito na Bíblia?Despertai! — 1980 | 22 de novembro
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Um Dia de Juízo nuclear — acha-se predito na Bíblia?
Não, absolutamente! Pelo contrário, a Bíblia diz que Deus “lançou os fundamentos da terra, para que não vacile em tempo algum”, e: “A terra para sempre permanece.” — Sal. 104:5; Ecl. 1:4, Almeida, rev. e corrigida. Veja também o Salmo 119:90.
‘Mas não fala a Bíblia sobre o “fim do mundo” e não diz que a terra será destruída por “fogo”?’, perguntam alguns, que indicam Mateus 24:3 (Al) e 2 Ped. 3:7. Jesus, no mesmo capítulo em que menciona o “fim do mundo”, mostra o que isso significará. Ele associa o “fim do mundo” à sua volta e diz: “Assim como eram os dias de Noé, assim será a presença do Filho do homem. . . . [As pessoas] não fizeram caso, até que veio o dilúvio e os varreu a todos, assim será a presença do Filho do homem.” — Mat. 24:37, 39.
O Que a Bíblia Quer Dizer
O “fim do mundo”, segundo a Bíblia, concluirá assim um período de tempo similar aos dias que levaram, e incluíram, ao dilúvio mundial dos dias de Noé. Quando aquele período findou, o que foi destruído? A Bíblia nos conta: [Deus] trouxe um dilúvio sobre um mundo de pessoas ímpias. — 2 Ped. 2:5.
Sim, um violento sistema de coisas cessou quando o “mundo de pessoas ímpias” foi afogado. Mas, obviamente, a terra literal não foi destruída. Assim, em nossos dias, é a um iníquo “sistema de coisas” que Deus porá fim, por destruir “pessoas ímpias”.
O que dizer, porém, do versículo que afirma que a ‘terra . . . se queimará’? (2 Ped. 3:10, Al) Será que a “terra”, conforme usada na Bíblia, significa sempre o solo? Não. Por exemplo, ela diz: “E era toda a terra duma mesma língua”, e: “Cantai ao Senhor terra inteira!” (Gên. 11:1, Al; Sal. 96:1,
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