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Por que ler a Bíblia?A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
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Capítulo 1
Por que ler a Bíblia?
Vivemos num mundo cheio de problemas e de muito poucas soluções. Muitos milhões de pessoas passam regularmente fome. Cresce o número dos viciados em drogas. São cada vez mais as famílias que se rompem. O incesto e a violência na família estão constantemente nas notícias. O ar que respiramos e a água que bebemos aos poucos estão sendo envenenados. No ínterim, mais e mais de nós somos vítimas de crimes. Acha que esses problemas serão alguma vez solucionados?
1. (Inclua a introdução.) Que problemas atuais mostram que a humanidade precisa de orientação?
ALÉM disso, vivemos numa era de difíceis escolhas. Por exemplo, muitos são implacavelmente contra o aborto, classificando-o de assassinato de nascituros. Outros acham com a mesma convicção que as mulheres têm autoridade sobre o seu próprio corpo e devem elas mesmas decidir tal assunto. Muitos encaram o homossexualismo, o adultério e o sexo pré-marital como flagrante imoralidade. Outros acham que estas práticas são uma questão de escolha pessoal. A quem cabe dizer quem está certo e quem está errado?
2, 3. Como é a Bíblia encarada por muitos hoje em dia?
2 A Bíblia oferece orientação em assuntos de moralidade, e ela descreve soluções eficazes para os problemas do crime, da fome e da poluição. O problema é que a maioria das pessoas não mais encara a Bíblia como autoridade em tais assuntos. Houve tempo em que ela era escutada com respeito — pelo menos no Ocidente. Embora a Bíblia fosse escrita por humanos, no passado a maioria na cristandade aceitava-a como a Palavra de Deus, e cria que o próprio Deus havia inspirado seu conteúdo.
3 Hoje, porém, está na moda ser céptico para com tudo: os costumes, as ideias, a moral e até mesmo a existência de Deus. Em especial, as pessoas duvidam do valor da Bíblia. A maioria delas parece considerá-la antiquada e irrelevante. Poucos intelectuais modernos a encaram como a Palavra de Deus. A maioria das pessoas prefere antes concordar com o erudito James Barr, que escreveu: “Meu relato sobre a formação da tradição bíblica é um relato sobre trabalho humano. É a declaração da crença do homem.”1
4, 5. Por que é vital saber se a Bíblia é inspirada por Deus, ou não? Qual é o objetivo desta publicação?
4 É esta também a sua opinião? Acha que a Bíblia é a palavra de Deus ou a de homem? Não importa como responda a esta pergunta, considere o seguinte ponto: se a Bíblia for apenas a palavra de homem, então, logicamente, não há solução clara para os problemas da humanidade. Os homens simplesmente terão de se arranjar o melhor que puderem, esperando de algum modo evitar envenenar a si mesmos a ponto de deixar de existir, ou de ir pelos ares numa guerra nuclear. Mas se a Bíblia for mesmo a Palavra de Deus, então ela é exatamente o que necessitamos para conseguir passar por estes tempos difíceis.
5 Esta publicação apresentará evidência de que a Bíblia é realmente a Palavra de Deus. E os editores esperam que, depois de você ter considerado a evidência, se dê conta de que a Bíblia contém a única solução válida para os problemas da humanidade. Primeiro, porém, gostaríamos de trazer à sua atenção alguns fatos que, já por si sós, tornam a Bíblia merecedora da sua consideração.
O Livro Mais Divulgado de Todos os Tempos
6, 7. Que notáveis fatos sobre a Bíblia requerem nossa atenção?
6 Para começar, ela é o livro mais divulgado, o de maior distribuição em toda a história. Segundo a edição em inglês, de 1988, de Guinness — Livro de Recordes Mundiais, calcula-se que se imprimiram 2.500.000.000 de exemplares entre 1815 e 1975. Essa é uma quantidade enorme. Nenhum outro livro na história sequer chegou perto das cifras de distribuição da Bíblia.
7 Além disso, nenhum outro livro foi traduzido para tantas línguas. A Bíblia pode agora ser lida na sua inteireza ou em partes em mais de 1.800 idiomas. A Sociedade Bíblica Americana relata que a Bíblia está agora disponível a 98% da população de nosso planeta. Imagine o enorme esforço despendido na produção de tantas traduções! Que outro livro recebeu tanta atenção?
Livro de Influência
8, 9. Que expressões feitas por alguns mostram a influência que a Bíblia tem exercido?
8 A Nova Enciclopédia Britânica classifica a Bíblia como “provavelmente a coleção mais influente de livros na história humana”.2 O poeta alemão Heinrich Heine, do século 19, confessou: “Devo meu esclarecimento simplesmente à leitura dum livro . . . a Bíblia. Ela é corretamente chamada de Escrituras Sagradas. Aquele que tiver perdido seu Deus pode redescobri-Lo neste livro.”3 Durante aquele mesmo século, o ativista antiescravista William H. Seward proclamou: “Toda a esperança de progresso humano depende da sempre crescente influência da Bíblia.”4
9 Abraão Lincoln, 16.º presidente dos Estados Unidos, chamou a Bíblia de “a melhor dádiva que Deus já deu ao homem . . . Sem ela, não saberíamos distinguir o certo do errado”.5 O jurista britânico Sir William Blackstone destacou a influência da Bíblia ao dizer: “Destes dois alicerces, a lei da natureza e a lei da revelação [a Bíblia], dependem todas as leis humanas, ou seja, não se deve tolerar que nenhuma lei humana contradiga estas.”6
Odiada e Amada
10. Como se tem expressado a oposição à Bíblia?
10 Ao mesmo tempo, temos de observar que nenhum outro livro tem sido alvo de tanta oposição ferrenha e até mesmo de ódio, em toda a história. Bíblias foram incineradas em fogueiras públicas, desde a Idade Média até o nosso século 20. E a leitura ou a distribuição da Bíblia têm sido punidas com multas e encarceramentos, mesmo nos tempos modernos. Em séculos passados, tais “crimes” muitas vezes levavam a torturas e à morte.
11, 12. Como demonstrou Tyndale seu amor à Bíblia?
11 Paralelo a isso, tem havido a devoção inspirada pela Bíblia. Muitos têm perseverado na leitura dela, apesar de implacável perseguição. Tome, por exemplo, William Tyndale, um inglês do século 16, educado na Universidade de Oxford e que se tornou um respeitado instrutor na Universidade de Cambridge.
12 Tyndale amava a Bíblia. Mas, nos seus dias, as autoridades religiosas insistiam em mantê-la em latim, uma língua morta. Assim, a fim de torná-la acessível aos seus conterrâneos, Tyndale decidiu traduzir a Bíblia para o inglês. Visto que isso era contra a lei, Tyndale tinha de renunciar à sua confortável carreira acadêmica e fugir para o continente europeu. Levou a vida difícil de fugitivo o tempo suficiente para traduzir as Escrituras Gregas (o “Novo Testamento”) e parte das Escrituras Hebraicas (o “Antigo Testamento”) para a sua língua nativa; mas finalmente foi preso, condenado por heresia e estrangulado, e seu corpo foi queimado.
13. Qual é uma das coisas que tornam a Bíblia realmente sem igual?
13 Tyndale é apenas um dentre um grande número de pessoas que sacrificaram tudo para ler a Bíblia ou para torná-la disponível a outros. Nenhum outro livro inspirou em tantos homens e mulheres comuns tão grande coragem. Neste respeito, a Bíblia, deveras, não tem igual.
Afirmação de Que Ela É a Palavra de Deus
14, 15. Que afirmações fazem frequentemente os escritores da Bíblia?
14 A Bíblia é também ímpar por causa da afirmação feita por muitos dos seus escritores. Cerca de 40 pessoas, incluindo reis, pastores, pescadores, funcionários públicos, sacerdotes, pelo menos um general, e um médico, participaram na escrita de diferentes partes da Bíblia. Mas, vez após vez, os escritores fizeram a mesma afirmação: que não estavam escrevendo as suas próprias ideias, mas as de Deus.
15 Neste respeito, muitas vezes lemos na Bíblia expressões tais como estas: “Foi o espírito de Jeová que falou por meu intermédio, e a sua palavra estava na minha língua”, ou: “Assim disse o Soberano Senhor, Jeová dos exércitos.” (2 Samuel 23:2; Isaías 22:15) Numa carta enviada a um coevangelizador, o apóstolo Paulo escreveu: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra.” — 2 Timóteo 3:16, 17.
16. Que perguntas são consideradas na Bíblia?
16 Em harmonia com a sua afirmação de ser a palavra de Deus, não a de homem, a Bíblia dá respostas a perguntas a que só Deus pode responder. Por exemplo, ela explica por que os governos humanos foram incapazes de trazer paz duradoura, como os humanos podem obter a mais profunda satisfação na vida, e o que o futuro reserva para a Terra e a humanidade sobre ela. Agora, você, como alguém que usa de reflexão, deve ter-se feito muitas vezes essas e outras perguntas similares. Então, por que não considerar pelo menos a possibilidade de que a Bíblia seja a Palavra de Deus e assim extraordinariamente capaz de fornecer respostas com autoridade?
17, 18. (a) Quais são algumas das acusações lançadas contra a Bíblia que são consideradas nesta publicação? (b) Que assuntos adicionais serão abrangidos?
17 Exortamo-lo a examinar com cuidado a evidência apresentada neste livro. Alguns dos capítulos considerarão frequentes críticas feitas à Bíblia. É a Bíblia anticientífica? Será que ela se contradiz? Contém história real ou apenas mitos? Aconteceram realmente os milagres registrados na Bíblia? Apresenta-se evidência lógica para responder a estas perguntas. Depois disso, consideram-se poderosas demonstrações da inspiração divina da Bíblia: suas profecias, sua profunda sabedoria e o notável efeito que ela exerce na vida das pessoas. Finalmente, veremos que efeito a Bíblia pode ter na sua vida.
18 Em primeiro lugar, porém, consideraremos como a Bíblia chegou a nós. Mesmo já a história desse espantoso livro fornece prova de que ela tem mais do que uma origem meramente humana.
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A Bíblia luta para sobreviverA Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
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Capítulo 2
A Bíblia luta para sobreviver
Há muitos fios de evidência para provar que a Bíblia é realmente a Palavra de Deus. Cada fio é forte, mas quando todos são tomados em conjunto, eles não podem ser rompidos. Neste capítulo, bem como no seguinte, consideraremos apenas um fio de evidência: a história da Bíblia como livro. A verdade é que é nada menos que um milagre ter esse notável livro sobrevivido até hoje. Considere você mesmo os fatos.
1. Quais são alguns dos pormenores sobre a Bíblia?
A BÍBLIA é mais do que apenas um livro. É uma valiosa biblioteca de 66 livros, alguns deles curtos, outros bastante longos, contendo leis, profecias, história, poesia, conselhos e muito mais. Séculos antes do nascimento de Cristo, foram escritos os primeiros 39 destes livros — na maior parte na língua hebraica — por judeus ou israelitas fiéis. Esta parte é frequentemente chamada de Antigo (ou Velho) Testamento. Os últimos 27 livros foram escritos em grego, por cristãos, e são amplamente conhecidos como Novo Testamento. Segundo a evidência interna e as mais antigas tradições, estes 66 livros foram escritos durante um período de cerca de 1.600 anos, começando no tempo em que o Egito era uma potência dominante e terminando quando Roma era senhora do mundo.
Somente a Bíblia Sobreviveu
2. (a) Qual era a situação de Israel quando se começou a escrever a Bíblia? (b) Quais eram algumas outras obras escritas produzidas durante o mesmo período?
2 Há mais de 3.000 anos, quando a escrita da Bíblia teve início, Israel era apenas uma nação pequena entre muitas no Oriente Médio. Jeová era seu Deus, ao passo que as nações circunvizinhas tinham uma desconcertante variedade de deuses e deusas. Durante aquele período, os israelitas não eram os únicos a produzir literatura religiosa. Outras nações também produziam obras escritas, que refletiam sua religião e seus valores nacionais. Por exemplo, a lenda acadiana de Gilgamés (ou Gilgamesh) da Mesopotâmia e as epopeias de Ras Xamra, escritas em ugarítico (língua falada no que agora é o norte da Síria), sem dúvida eram muito populares. A vasta literatura daquela era incluía também obras tais como As Admoestações de Ipu-wer e A Profecia de Nefer-rohu, na língua egípcia, hinos a diferentes divindades em sumeriano e obras proféticas em acadiano.1
3. O que marca a Bíblia como diferente das outras literaturas religiosas produzidas no Oriente Médio durante o mesmo período?
3 Todas essas obras do Oriente Médio, porém, tiveram a mesma sorte. Foram esquecidas, e até mesmo as línguas em que foram escritas tornaram-se extintas. Foi apenas em anos recentes que arqueólogos e filólogos souberam da sua existência e descobriram a maneira de lê-las. Por outro lado, os primeiros livros escritos da Bíblia hebraica sobreviveram até o nosso tempo e ainda são amplamente lidos. Vez por outra, alguns eruditos afirmam que os livros hebraicos da Bíblia derivaram de algum modo daquelas antigas obras literárias. Mas o fato de que uma tão grande parte daquela literatura foi esquecida, ao passo que a Bíblia hebraica sobreviveu, marca a Bíblia como significativamente diferente.
Os Guardiães da Palavra
4. Que graves problemas dos israelitas talvez parecessem pôr em dúvida a sobrevivência da Bíblia?
4 Não se engane, pois, do ponto de vista humano, a sobrevivência da Bíblia não era presumível. As comunidades que a produziram sofreram provações tão difíceis e opressão tão amarga, que a sobrevivência dela até os nossos dias é realmente algo notável. Nos anos antes de Cristo, os judeus que produziram as Escrituras Hebraicas (o “Antigo Testamento”) eram uma nação relativamente pequena. Moravam precariamente no meio de estados políticos poderosos, que se rivalizavam pela supremacia. Israel teve de lutar pela sua vida contra uma sucessão de nações, tais como os filisteus, os moabitas, os amonitas e os edomitas. Durante um período em que os hebreus estavam divididos em dois reinos, o cruel Império Assírio virtualmente eliminou o reino setentrional, ao passo que os babilônios destruíram o reino meridional, levando o povo a um exílio do qual apenas um restante retornou 70 anos mais tarde.
5, 6. Que tentativas feitas punham em perigo a própria existência dos hebreus como povo distinto?
5 Existem até mesmo relatos sobre tentativas de genocídio contra os israelitas. Lá nos dias de Moisés, Faraó ordenou o assassinato de todos os meninos recém-nascidos deles. Se a sua ordem tivesse sido executada, o povo hebreu teria sido aniquilado. (Êxodo 1:15-22) Muito mais tarde, quando os judeus vieram a estar sob domínio persa, os inimigos deles tramaram a adoção duma lei destinada a exterminá-los. (Ester 3:1-15) O fracasso dessa trama ainda é celebrado na festividade judaica de Purim.
6 Mais tarde ainda, quando os judeus estiveram sujeitos à Síria, o Rei Antíoco IV tentou muito helenizar a nação, obrigando-a a seguir costumes gregos e a adorar deuses gregos. Ele também fracassou. Em vez de os judeus serem exterminados ou assimilados, eles sobreviveram, ao passo que a maior parte dos grupos nacionais em volta deles, um após outro, desapareceu do cenário mundial. E as Escrituras Hebraicas da Bíblia sobreviveram com eles.
7, 8. Como foi a Bíblia ameaçada pelas tribulações sofridas pelos cristãos?
7 Os cristãos, que produziram a segunda parte da Bíblia (o “Novo Testamento”), também eram um grupo oprimido. Seu líder, Jesus, foi morto como se fosse um criminoso comum. Nos dias que se seguiram à sua morte, as autoridades judaicas na Palestina tentaram suprimi-los. Quando o cristianismo se espalhou a outras terras, os judeus os assediavam, tentando impedir a sua obra missionária. — Atos 5:27, 28; 7:58-60; 11:19-21; 13:45; 14:19; 18:5, 6.
8 No tempo de Nero, a atitude inicialmente tolerante das autoridades romanas mudou. Tácito gabou-se das “penas mais horrorosas” infligidas aos cristãos por aquele perverso imperador e, do tempo dele em diante, era crime passível de pena capital ser cristão.2 Em 303 EC, o Imperador Diocleciano agiu diretamente contra a Bíblia.a Num esforço de eliminar o cristianismo, ordenou que todas as Bíblias cristãs fossem queimadas.3
9. O que teria acontecido se as campanhas para exterminar os judeus e os cristãos tivessem sido bem-sucedidas?
9 Essas campanhas de opressão e de genocídio constituíam verdadeira ameaça à sobrevivência da Bíblia. Se a sorte dos judeus tivesse sido a mesma que a dos filisteus e dos moabitas, ou se os esforços, primeiro das autoridades judaicas e depois das romanas, de eliminar o cristianismo tivessem sido bem-sucedidos, quem teria escrito e preservado a Bíblia? Felizmente, os guardiães da Bíblia — primeiro os judeus e depois os cristãos — não foram eliminados, e a Bíblia sobreviveu. No entanto, houve outra ameaça séria, se não à sobrevivência da Bíblia, pelo menos à sua integridade.
Cópias Falíveis
10. Como foi a Bíblia originalmente preservada?
10 Muitas das obras antigas já mencionadas, que subsequentemente foram esquecidas, haviam sido gravadas em pedra ou em duráveis tabuinhas de argila. Mas isso não se deu com a Bíblia. Ela foi originalmente escrita em papiro ou em pergaminho — materiais muito mais perecíveis. De modo que os manuscritos produzidos pelos escritores originais já desapareceram há muito, muito tempo. Então, como foi preservada a Bíblia? Incontáveis milhares de cópias foram laboriosamente feitas a mão. Essa era a maneira normal de reproduzir um livro antes do advento da imprensa.
11. O que acontece inevitavelmente quando manuscritos são copiados a mão?
11 No entanto, há um perigo quando se fazem cópias manuscritas. Sir Frederic Kenyon, famoso arqueólogo e bibliotecário do Museu Britânico, explicou: “Ainda não foram criados a mão e o cérebro humanos que consigam copiar na inteireza uma obra extensa sem absolutamente nenhum erro. . . . Forçosamente se introduziriam sem querer erros.”4 Quando sem querer se introduziu um erro num manuscrito, ele foi repetido quando esse manuscrito se tornou a base para outras cópias. Quando se fizeram muitas cópias durante um longo período, introduziram-se sem querer numerosos erros humanos.
12, 13. Quem assumiu a responsabilidade pela preservação do texto das Escrituras Hebraicas?
12 Em vista dos muitos milhares de cópias da Bíblia feitas, como sabemos que esse processo de reprodução não a alterou a ponto de ficar irreconhecível? Pois bem, tomemos o caso da Bíblia hebraica, o “Antigo Testamento”. Na segunda metade do sexto século AEC, quando os judeus retornaram do seu exílio babilônico, um grupo de eruditos hebreus, conhecidos como soferins, “escribas”, tornaram-se os depositários do texto da Bíblia hebraica, e era da sua responsabilidade copiar essas Escrituras para uso na adoração pública e particular. Eram profissionais altamente motivados, e sua obra era da melhor qualidade.
13 Desde o sétimo até o décimo século de nossa Era Comum, os herdeiros dos soferins eram os massoretas. O nome deles deriva duma palavra hebraica que significa “tradição”, e eles essencialmente também eram escribas encarregados da tarefa de preservar o tradicional texto hebraico. Os massoretas eram meticulosos. Por exemplo, o escriba tinha de usar um exemplar devidamente autenticado como texto-base, e não se lhe permitia escrever nada de memória. Ele tinha de verificar cada letra antes de escrevê-la.5 O Professor Norman K. Gottwald relata: “Uma noção do cuidado com que eles se desincumbiram dos seus deveres é indicada no requisito rabínico de que todos os novos manuscritos fossem revisados e as cópias falhas rejeitadas imediatamente.”6
14. Que descoberta tornou possível confirmar a transmissão do texto bíblico pelos soferins e pelos massoretas?
14 Quão exata foi a transmissão do texto pelos soferins e pelos massoretas? Até 1947, era difícil responder a essa pergunta, visto que os manuscritos hebraicos mais antigos disponíveis eram do décimo século da nossa Era Comum. Em 1947, porém, foram encontrados alguns fragmentos de manuscritos bem antigos em cavernas, na vizinhança do mar Morto, incluindo partes dos livros da Bíblia hebraica. Alguns dos fragmentos datam de antes do tempo de Cristo. Os eruditos compararam-nos com manuscritos hebraicos existentes, para confirmar a exatidão da transmissão do texto. Qual foi o resultado dessa comparação?
15. (a) Que resultado deu a comparação do rolo manuscrito de Isaías, do mar Morto, com o texto massorético? (b) O que devemos concluir do fato de que alguns manuscritos encontrados junto ao mar Morto mostram certa variação textual? (Veja a nota de rodapé.)
15 Uma das obras mais antigas descobertas foi o livro inteiro de Isaías, e a exatidão desse texto em comparação com a Bíblia massorética que hoje temos é espantosa. O Professor Millar Burrows escreve: “Muitas das diferenças entre o [recém-descoberto] rolo de Isaías de S. Marcos e o texto massorético podem ser explicadas como erros de cópia. Fora disso, no todo, há uma notável concordância com o texto encontrado nos manuscritos medievais. Tal concordância num manuscrito bem mais antigo fornece um testemunho que renova a confiança na exatidão geral do texto tradicional.”7 Burrows acrescenta: “É de admirar que no decorrer de uns mil anos o texto tenha sofrido tão pouca alteração.”b
16, 17. (a) Por que podemos ter certeza de que o texto das Escrituras Gregas Cristãs é fidedigno? (b) O que atestou Sir Frederic Kenyon a respeito do texto das Escrituras Gregas?
16 No caso da parte da Bíblia escrita em grego, pelos cristãos, o chamado Novo Testamento, os copistas eram mais parecidos a amadores talentosos, do que aos soferins profissionais, altamente treinados. Mas, visto que trabalhavam sob a ameaça de punição por parte das autoridades, eles tomavam seu trabalho a sério. E duas coisas asseguram-nos que hoje temos um texto essencialmente igual ao assentado pelos escritores originais. Primeiro, possuímos manuscritos de data muito mais próxima ao tempo da escrita, do que no caso da parte hebraica da Bíblia. De fato, um fragmento do Evangelho de João é da primeira metade do segundo século, menos de 50 anos depois da data em que João provavelmente escreveu seu Evangelho. Segundo, a própria quantidade de manuscritos que sobreviveram constitui uma colossal demonstração da integridade do texto.
17 Sobre esse ponto atestou Sir Frederic Kenyon: “Não é exagero afirmar que o texto da Bíblia, em essência, é certo. Isso se dá especialmente com o Novo Testamento. O número de manuscritos do Novo Testamento, de primitivas traduções dele e de citações dele nos escritores mais antigos da Igreja, é tão grande, que é praticamente certo que a verdadeira versão de toda passagem duvidosa é preservada em uma ou outra dessas autoridades antigas. Não se pode dizer isto de nenhum outro livro antigo no mundo.”10
Os Povos e Suas Línguas
18, 19. Como se deu que a Bíblia não ficou limitada às línguas em que originalmente foi escrita?
18 As línguas originais em que a Bíblia foi escrita, a longo prazo, também eram um obstáculo para a sua sobrevivência. Os primeiros 39 livros, na maior parte, foram escritos em hebraico, a língua dos israelitas. Mas o hebraico nunca fora amplamente conhecido. Se a Bíblia tivesse continuado só nessa língua, nunca teria exercido influência fora da nação judaica e dos poucos estrangeiros que sabiam lê-la. Entretanto, no terceiro século AEC, em benefício dos hebreus que moravam em Alexandria, no Egito, iniciou-se a tradução da parte hebraica da Bíblia para o grego. O grego era então uma língua internacional. De modo que a Bíblia hebraica tornou-se facilmente acessível aos não judeus.
19 Quando chegou o tempo para se escrever a segunda parte da Bíblia, ainda se falava amplamente o grego, de modo que os últimos 27 livros da Bíblia foram escritos nessa língua. Mas nem todos entendiam o grego. De modo que, em pouco tempo começaram a aparecer traduções, tanto da parte hebraica como da grega da Bíblia, nas línguas cotidianas daqueles primeiros séculos, tais como o siríaco, o copta, o armênio, o georgiano, o gótico e o etíope. O idioma oficial do Império Romano era o latim, e fizeram-se traduções latinas em tal número, que se teve de comissionar uma “versão autorizada”. Essa foi terminada por volta de 405 EC e veio a ser conhecida como a Vulgata (que significa “popular” ou “comum”).
20, 21. A que obstáculos sobreviveu a Bíblia, e por que foram estes vencidos?
20 Portanto, foi apesar de muitos obstáculos que a Bíblia sobreviveu até os primeiros séculos da nossa Era Comum. Aqueles que a produziram eram minorias desprezadas e perseguidas, que levavam uma existência difícil no meio dum mundo hostil. Ela facilmente poderia ter sido muito deturpada ao se produzirem cópias, mas não foi. Além disso, escapou ao perigo de estar disponível apenas àqueles que falavam determinada língua.
21 Por que foi para a Bíblia tão difícil sobreviver? A própria Bíblia diz: “O mundo inteiro jaz no poder do iníquo.” (1 João 5:19) Em vista disso, era de esperar que o mundo fosse hostil à publicação da verdade, e assim mostrou ser. Então, por que sobreviveu a Bíblia, quando tantas outras obras literárias, que não se confrontavam com as mesmas dificuldades, foram esquecidas? A Bíblia responde também a isso. Ela diz: “A declaração de Jeová permanece para sempre.” (1 Pedro 1:25) Se a Bíblia realmente é a Palavra de Deus, nenhum poder humano pode destruí-la. E assim tem sido, até mesmo neste século 20.
22. Que mudança ocorreu no começo do quarto século da nossa Era Comum?
22 Entretanto, no quarto século da nossa Era Comum, aconteceu algo que finalmente resultou em novos ataques à Bíblia e que influiu profundamente no curso da história europeia. Apenas dez anos depois de Diocleciano ter tentado destruir todos os exemplares da Bíblia, a política imperial mudou e o “cristianismo” foi legalizado. Doze anos mais tarde, em 325 EC, um imperador romano presidiu ao “cristão” Concílio de Niceia. Por que seria perigoso para a Bíblia tal acontecimento aparentemente favorável? Saberemos a resposta no próximo capítulo.
[Nota(s) de rodapé]
a Nesta publicação, em vez dos tradicionais “a.C.”, “d.C.” ou “A.D.”, usam-se as formas mais corretas de “AEC” (antes da Era Comum) e “EC” (Era Comum; não: Era Cristã).
b Nem todos os manuscritos encontrados junto ao mar Morto concordam tão de perto com o texto bíblico sobrevivente. Alguns mostram um número bastante grande de variações textuais. Todavia, essas variações não significam que o sentido essencial do texto tenha sido deturpado. Segundo Patrick W. Skehan, da Universidade Católica da América, a maioria delas representa um “remanejo [do texto bíblico] à base da sua própria lógica integral, de modo que a forma se amplia, mas a essência permanece a mesma . . . A atitude subjacente é a de explícita reverência para com um texto considerado sagrado, uma atitude de explicar (como diríamos) a Bíblia com a Bíblia na própria transmissão do texto em si.”8
Outro comentador acrescenta: “Apesar de todas as incertezas, resta o grande fato de que o texto, como o possuímos agora, de modo geral representa adequadamente as próprias palavras dos autores que viveram, alguns deles, há quase três mil anos, e não precisamos alimentar nenhuma dúvida séria, com respeito a uma possível corrupção textual, no que se refere à validade da mensagem que o Antigo Testamento nos transmite.”9
[Quadro na página 19]
O Bem Confirmado Texto da Bíblia
Para avaliar quão bem confirmado é o texto da Bíblia, só precisamos compará-lo com outro acervo literário que chegou a nós da antiguidade: os escritos clássicos da Grécia e de Roma. De fato, a maior parte dessa literatura foi escrita depois de serem completadas as Escrituras Hebraicas. Não há nenhum registro de tentativas de genocídio contra os gregos ou contra os romanos, e a literatura deles não foi preservada diante de perseguições. No entanto, note os comentários do Professor F. F. Bruce:
“Da Guerra das Gálias, de César (obra composta entre 58 e 50 a.C.) há diversos MSS existentes, mas apenas nove ou dez são bons, e o mais antigo é de uns 900 anos depois dos dias de César.
“Dos 142 livros da história romana de Lívio (59 a.C-A.D. 17), apenas 35 sobrevivem; conhecemo-los à base de não mais de vinte MSS de certa importância, dos quais apenas um, e esse contendo fragmentos dos Livros III-VI, remonta ao quarto século.
“Dos quatorze livros das Histórias de Tácito (c. A.D. 100), apenas quatro e meio sobrevivem; dos dezesseis livros dos seus Anais, dez sobrevivem na íntegra e dois em parte. O texto dessas partes existentes de suas duas grandes obras históricas depende inteiramente de dois MSS, um do nono século e um do século onze. . . .
“A História de Tucídides (c. 460-400 a.C.) nos é conhecida de oito MSS, o mais antigo pertencendo a c. A.D. 900, e de alguns fragmentos de papiro, pertencentes aproximadamente ao começo da era cristã.
“O mesmo se dá com a História de Heródoto (c. 488-428 a.C.). No entanto, nenhum erudito clássico aceitaria o argumento de que a autenticidade de Heródoto ou de Tucídides está em dúvida, só porque os MSS mais antigos das suas obras, de alguma utilidade para nós, datam de mais de 1.300 anos depois dos originais.” — The Books and the Parchments (Os Livros e os Pergaminhos), página 180.
Compare isso com o fato de que há milhares de manuscritos de diversas partes da Bíblia. E os manuscritos das Escrituras Gregas Cristãs remontam a menos de cem anos do tempo da escrita dos livros originais.
[Foto na página 13]
Os hebreus eram uma nação pequena, constantemente ameaçada por nações mais fortes. Este antigo entalhe retrata alguns hebreus levados cativos pelos assírios.
[Foto na página 14]
Antes do advento da imprensa, as Escrituras eram copiadas a mão.
[Foto na página 16]
Nero tornou o ser cristão um crime passível de pena capital.
[Foto na página 21]
Um estudo do rolo de Isaías, do mar Morto, provou que esse livro permanecera praticamente inalterado durante um período de 1.000 anos.
[Foto na página 23]
O imperador Diocleciano fracassou no seu esforço de destruir a Bíblia.
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A falsa amiga da BíbliaA Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
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Capítulo 3
A falsa amiga da Bíblia
Neste capítulo consideraremos o principal motivo pelo qual muitas pessoas em países não cristãos se recusam a aceitar a Bíblia como a Palavra de Deus. Em sentido histórico, a cristandade tem afirmado crer na Bíblia e ser sua guardiã. Mas as organizações religiosas da cristandade têm estado associadas com alguns dos mais apavorantes horrores da história, desde as Cruzadas e os pogroms da Idade Média até o Holocausto dos nossos próprios tempos. É a conduta da cristandade um motivo válido para se rejeitar a Bíblia? A verdade é que a cristandade mostrou ser falsa amiga da Bíblia. De fato, quando a cristandade emergiu no quarto século EC, a luta da Bíblia para sobreviver de modo algum havia terminado.
1, 2. (Inclua a introdução.) (a) Por que se recusam muitos a aceitar a Bíblia como a Palavra de Deus? (b) Que boa obra foi realizada durante o primeiro e o segundo século, mas que desenvolvimento perigoso estava surgindo?
POR volta do fim do primeiro século, a escrita de todos os livros da Bíblia estava completa. Daí em diante, os cristãos tomaram a dianteira em copiar e distribuir a Bíblia inteira. Ao mesmo tempo, atarefaram-se em traduzi-la para as línguas mais comuns do seu tempo. Enquanto a congregação cristã se atarefava com essa obra admirável, porém, começou a surgir algo que se mostraria muito perigoso para a sobrevivência da Bíblia.
2 Tal desenvolvimento fora predito pela própria Bíblia. Jesus certa vez contou uma parábola a respeito dum homem que semeara seu campo com sementes de trigo de boa qualidade. Mas, “enquanto os homens dormiam”, um inimigo lançou sementes que produziriam joio. Ambos os tipos de sementes brotaram, e, por um tempo, o joio ocultava o trigo. Por meio dessa parábola, Jesus mostrou que os frutos da sua obra seriam verdadeiros cristãos, mas que, após a sua morte, falsos cristãos se infiltrariam na congregação. Por fim, seria difícil de distinguir os genuínos dos falsos. — Mateus 13:24-30, 36-43.
3. Segundo o apóstolo Pedro, que efeito teriam os “cristãos” semelhantes a joio sobre a crença na Bíblia?
3 O apóstolo Pedro advertiu francamente contra o efeito desses “cristãos” semelhantes a joio sobre a maneira de as pessoas encararem o cristianismo e a Bíblia. Ele advertiu: “Haverá falsos instrutores entre vós. Estes mesmos introduzirão quietamente seitas destrutivas e repudiarão até mesmo o dono que os comprou, trazendo sobre si mesmos uma destruição veloz. Outrossim, muitos seguirão os seus atos de conduta desenfreada, e, por causa destes, falar-se-á de modo ultrajante do caminho da verdade.” — 2 Pedro 2:1, 2.
4. Como se cumpriram as profecias de Jesus e de Pedro mesmo já durante o primeiro século?
4 As profecias de Jesus e de Pedro cumpriram-se mesmo já durante o primeiro século. Homens ambiciosos infiltraram-se na congregação cristã e semearam dissensões. (2 Timóteo 2:16-18; 2 Pedro 2:21, 22; 3 João 9, 10) Nos dois séculos seguintes, a pureza da verdade bíblica foi corrompida pela filosofia grega, e muitos, equivocadamente, chegaram a aceitar as doutrinas pagãs como verdade bíblica.
5. Por que mudança de condição passou o “cristianismo” no quarto século?
5 No quarto século, uma forma de “cristianismo” por fim tornou-se a religião oficial do Império Romano. Mas esse “cristianismo” era bem diferente da religião pregada por Jesus. Já florescia então o “joio”, assim como Jesus predissera. Não obstante, podemos ter certeza de que, durante todo aquele tempo, havia alguns que representavam o verdadeiro cristianismo e que se esforçavam a seguir a Bíblia como a inspirada Palavra de Deus. — Mateus 28:19, 20.
Oposição à Tradução da Bíblia
6. Quando começou a tomar forma a cristandade, e qual era um dos modos em que a religião da cristandade diferia do cristianismo bíblico?
6 Foi no tempo de Constantino que a cristandade, assim como hoje a conhecemos, passou a tomar forma. Daquele tempo em diante, a espécie degenerada de cristianismo que havia criado raízes já não era somente uma organização religiosa. Fazia parte do estado, e seus líderes desempenhavam um papel importante na política. Com o tempo, a igreja apóstata usou seu poder político dum modo completamente oposto ao cristianismo bíblico, introduzindo outra perigosa ameaça à Bíblia. Como?
7, 8. Quando expressou o papa oposição à tradução da Bíblia, e por que fez isso?
7 Quando o latim deixou de ser a língua cotidiana, havia necessidade de novas traduções da Bíblia. Mas a Igreja Católica não mais favorecia isso. Em 1079, Vratislau, mais tarde rei da Boêmia, pediu ao Papa Gregório VII permissão para traduzir a Bíblia para a língua dos seus súditos. A resposta do papa foi negativa. Ele declarou: “É evidente aos que muitas vezes refletem sobre isso que não é sem motivo que agradou ao Deus Todo-Poderoso que a escritura sagrada ficasse em segredo, em certos lugares, para que não acontecesse que, se fosse claramente evidente a todos os homens, ela talvez fosse pouco estimada e fosse sujeita ao desrespeito; ou que ela pudesse ser mal entendida por aqueles de medíocre instrução e conduzir ao erro.”1
8 O papa queria manter a Bíblia na então língua morta, o latim. O conteúdo dela devia ser mantido “em segredo”, não traduzido para as línguas do povo comum.a A Vulgata latina de Jerônimo, produzida no 5.º século para tornar a Bíblia acessível a todos, tornou-se então o meio de mantê-la oculta.
9, 10. (a) Como se desenvolveu a oposição católica romana à tradução da Bíblia? (b) Qual era o objetivo da oposição da Igreja à Bíblia?
9 Com o avanço da Idade Média, a posição da Igreja contra as Bíblias vernáculas endureceu. Em 1199, o Papa Inocêncio III escreveu uma carta tão forte ao arcebispo de Metz, na Alemanha, que o arcebispo queimou todas as Bíblias na língua alemã que conseguiu encontrar.3 Em 1229, o sínodo de Toulouse, na França, decretou que “gente leiga” não podia possuir livros bíblicos na língua comum.4 Em 1233, o sínodo provincial de Tarragona, na Espanha, ordenou que todos os livros do “Antigo ou Novo Testamento” fossem entregues para ser queimados.5 Em 1407, o sínodo de clérigos convocado em Oxford, na Inglaterra, pelo Arcebispo Thomas Arundel, proibiu expressamente a tradução da Bíblia para o inglês ou para qualquer outra língua moderna.6 Em 1431, também na Inglaterra, o Bispo Stafford, de Wells, proibiu a tradução da Bíblia para o inglês e a posse de tais traduções.7
10 Essas autoridades religiosas não estavam tentando destruir a Bíblia. Estavam tentando fossilizá-la, mantê-la numa língua que apenas poucos sabiam ler. Dessa maneira, esperavam impedir aquilo que chamavam de heresia, mas que realmente importava em desafios à sua autoridade. Se tivessem conseguido isso, a Bíblia se teria tornado apenas um objeto de curiosidade intelectual, com pouca ou nenhuma influência na vida das pessoas comuns.
Os Defensores da Bíblia
11. O que aconteceu quando Julián Hernández contrabandeou Bíblias em espanhol para a Espanha?
11 Felizmente, porém, muitas pessoas sinceras recusaram-se a acatar tais editos. Mas essas recusas eram perigosas. As pessoas sofriam terrivelmente pelo “crime” de possuir uma Bíblia. Tome, por exemplo, o caso dum espanhol chamado Julián Hernández. Segundo o livro História do Martírio Cristão, de Foxe, Julián (ou Juliano) “empreendeu levar da Alemanha para o seu próprio país um grande número de Bíblias, escondidas em barris e camufladas como vinho do Reno”. Ele foi traído e preso pela Inquisição católica romana. Aqueles a quem as Bíblias se destinavam “foram todos indiscriminadamente torturados, e depois, a maioria deles foi sentenciada a diversas punições. Juliano foi queimado, vinte deles foram assados em espetos, vários foram encarcerados pelo resto da vida, alguns foram publicamente açoitados, muitos foram enviados às galés”.8
12. Como sabemos que as autoridades religiosas da Idade Média não representavam o cristianismo bíblico?
12 Que horrível abuso de poder! É evidente que essas autoridades religiosas de modo algum eram representativas do cristianismo bíblico! A própria Bíblia revela a quem pertenciam, ao dizer: “Os filhos de Deus e os filhos do Diabo evidenciam-se pelo seguinte fato: Todo aquele que não está praticando a justiça não se origina de Deus, nem aquele que não ama seu irmão. Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio, que devemos ter amor uns pelos outros; não como Caim, que se originou do iníquo e que matou a seu irmão.” — 1 João 3:10-12.
13, 14. (a) Que fato notável a respeito da Bíblia durante a Idade Média mostra a origem divina dela? (b) Como mudou a situação na Europa no que se refere à Bíblia?
13 Quão notável, porém, é que homens e mulheres estavam dispostos a arriscar-se a sofrer tal tratamento chocante só para possuir uma Bíblia! E tais exemplos se têm multiplicado muitas vezes até os nossos dias. A profunda devoção que a Bíblia inspira nas pessoas, a disposição de sofrer pacientemente e de se sujeitar sem queixa a uma morte terrível, sem revidar aos seus atormentadores, são forte evidência de que a Bíblia é mesmo a Palavra de Deus. — 1 Pedro 2:21.
14 Por fim, após a rebelião protestante contra o poderio católico romano, no século 16, a própria Igreja Católica Romana se viu obrigada a produzir traduções da Bíblia nas línguas cotidianas da Europa. Todavia, mesmo assim, a Bíblia foi associada mais com o protestantismo do que com o catolicismo. Conforme escreveu o sacerdote católico romano Edward J. Ciuba: “Tem de se admitir honestamente que uma das consequências mais trágicas da Reforma protestante foi a de ser a Bíblia negligenciada entre os fiéis católicos. Embora nunca fosse totalmente esquecida, a Bíblia era um livro fechado para a maioria dos católicos.”9
Alta Crítica
15, 16. Por que não está o protestantismo isento de culpa quanto à oposição à Bíblia?
15 Mas as igrejas protestantes não estão isentas de culpa no que se refere à oposição à Bíblia. Com o passar dos anos, certos eruditos protestantes elaboraram outro tipo de ataque contra o livro: um ataque intelectual. Durante os séculos 18 e 19, desenvolveram um método de estudo da Bíblia conhecido como alta crítica. Os altos críticos ensinaram que grande parte da Bíblia era composta de lendas e de mitos. Alguns até mesmo disseram que Jesus nunca existiu. Em vez de a Bíblia ser designada a Palavra de Deus, esses eruditos protestantes diziam que ela era a palavra de homem, e ainda por cima uma palavra muito confusa.
16 Embora as mais extremas dessas ideias não sejam mais aceitas, a alta crítica ainda é ensinada em seminários, e não é incomum ouvir clérigos protestantes publicamente repudiar grandes trechos da Bíblia. Nesse respeito, um clérigo anglicano, citado num jornal australiano, disse que grande parte do conteúdo da Bíblia “simplesmente está errado. Parte da história está errada. Alguns dos pormenores obviamente estão truncados”. Essa maneira de pensar é fruto da alta crítica.
‘Fala-se Dela de Modo Ultrajante’
17, 18. De que modo lançou a conduta da cristandade vitupério sobre a Bíblia?
17 No entanto, talvez o maior obstáculo a que as pessoas aceitem a Bíblia como a Palavra de Deus tenha sido a conduta da cristandade. A cristandade afirma seguir a Bíblia. No entanto, sua conduta tem lançado grande vitupério sobre a Bíblia e sobre o próprio nome de cristão. Conforme predisse o apóstolo Pedro, ‘fala-se de modo ultrajante’ do caminho da verdade. — 2 Pedro 2:2.
18 Por exemplo, ao passo que a igreja proibia a tradução da Bíblia, o papa patrocinava maciços esforços militares contra os muçulmanos no Oriente Médio. Esses esforços vieram a ser chamados de “santas” cruzadas, mas não havia nada de santo nelas. A primeira — chamada de “Cruzada Popular” — estabeleceu o padrão do que havia de vir. Antes de partir da Europa, um exército desregrado, inflamado por pregadores, voltou-se contra os judeus na Alemanha, matando-os numa cidade após outra. Por quê? O historiador Hans Eberhard Mayer diz: “O argumento de que os judeus, como inimigos de Cristo, mereciam ser punidos era apenas uma fraca tentativa de esconder o verdadeiro motivo: a ganância.”10
19-21. Como serviram a Guerra dos Trinta Anos, bem como os esforços missionários e a expansão colonial da Europa, para lançar vitupério sobre a Bíblia?
19 A rebelião protestante no século 16 despojou o catolicismo romano do poder, em muitos países europeus. Um resultado disso foi a Guerra dos Trinta Anos (1618-48) — “uma das mais terríveis guerras na história europeia”, segundo A História Universal do Mundo. Qual era a causa básica dessa guerra? “O ódio dos católicos aos protestantes, e dos protestantes aos católicos.”11
20 Naquela época, a cristandade já começara a expandir-se além da Europa, levando a civilização “cristã” a outras partes da Terra. Essa expansão militar ficou marcada pela crueldade e pela ganância. Nas Américas, os conquistadores espanhóis destruíram rapidamente as civilizações indígenas americanas. Certo livro de história observou: “Em geral, os governadores espanhóis destruíam a civilização nativa sem introduzir a europeia. A sede de ouro era o principal motivo que os atraía ao Novo Mundo.”12
21 Missionários protestantes também saíram da Europa para outros continentes. Um dos resultados da sua obra foi a promoção da expansão colonial. Atualmente, um conceito amplamente difundido sobre o esforço missionário protestante é: “Em muitos casos, o empreendimento missionário foi usado como justificativa e cobertura para a dominação do povo. A inter-relação entre missão, tecnologia e imperialismo é bem conhecida.”13
22. Como tem a cristandade vituperado o nome do cristianismo durante o século 20?
22 A associação íntima entre as religiões da cristandade e o Estado tem continuado até os nossos dias. As últimas duas guerras mundiais foram travadas principalmente entre nações “cristãs”. Clérigos em ambos os lados incentivavam seus moços a lutar e a tentar matar o inimigo — o qual muitas vezes pertencia à mesma religião. Conforme observado no livro Se as Igrejas Quiserem Paz Mundial: “Certamente não é de nenhum mérito [para as igrejas] que o atual sistema de guerra se desenvolveu e causou os maiores estragos entre estados devotados à causa do cristianismo.”14
A Palavra de Deus Sobrevive
23. Como indica a história da cristandade que a Bíblia é a Palavra de Deus?
23 Contamos essa longa e triste história da cristandade para salientar dois pontos. Primeiro, esses eventos são cumprimento de profecias bíblicas. Foi predito que muitos daqueles que afirmariam ser cristãos lançariam vitupério sobre a Bíblia e o nome do cristianismo, e que isso tem acontecido vindica a Bíblia como verdadeira. Não obstante, não devemos perder de vista que a conduta da cristandade não representa o cristianismo baseado na Bíblia.
24. O que identifica os verdadeiros cristãos e assim condena claramente a cristandade como não sendo cristã?
24 O modo de se reconhecer os genuínos cristãos foi explicado pelo próprio Jesus: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:35) Além disso, Jesus disse: “Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” (João 17:16) Em ambos esses pontos, a cristandade revela claramente que ela não representa o cristianismo bíblico. Afirma ser amiga da Bíblia, mas tem sido uma falsa amiga.
25. Por que sobreviveu a Bíblia a todas as suas tribulações até o nosso tempo?
25 O segundo ponto é: visto que a cristandade como um todo tem agido tão contrário aos interesses da Bíblia, é deveras notável que esse livro tenha sobrevivido até hoje e ainda exerça uma influência benéfica na vida de muitas pessoas. A Bíblia sobreviveu à amarga oposição à sua tradução, aos ataques de eruditos modernistas e à conduta não cristã de sua falsa amiga, a cristandade. Por quê? Porque a Bíblia não é igual a outras obras escritas. A Bíblia não pode deixar de existir. Ela é a Palavra de Deus, e a própria Bíblia nos diz: “A erva seca e a flor murcha, mas a palavra do nosso Deus permanece eternamente.” — Isaías 40:8, Missionários Capuchinhos.
[Nota(s) de rodapé]
a Fizeram-se algumas poucas traduções para línguas vernáculas. Mas elas com frequência foram produzidas laboriosamente na forma de manuscritos muito ornamentados e definitivamente não eram para uso popular.2
[Destaque na página 34]
As principais igrejas protestantes têm participado num grande ataque intelectual contra a Bíblia.
[Foto na página 26]
A história da cristandade realmente começou quando Constantino legalizou o “cristianismo” dos seus dias.
[Fotos na página 29]
Os papas Gregório VII e Inocêncio III destacaram-se na luta da Igreja Católica para impedir que a Bíblia fosse traduzida para a língua cotidiana do povo.
[Foto na página 33]
A conduta chocante da cristandade tem levado muitos a duvidar de que a Bíblia realmente seja a Palavra de Deus.
[Foto na página 35]
Durante a Primeira Guerra Mundial, estes soldados russos curvam-se diante dum ícone religioso antes de sair para matar “concristãos”.
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Pode-se crer no “Antigo Testamento”?A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
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Capítulo 4
Pode-se crer no “Antigo Testamento”?
Nos próximos capítulos, consideraremos algumas das acusações lançadas contra a Bíblia por críticos atuais. Alguns levantam a acusação de que a Bíblia se contradiz e que ela é “anticientífica”, e essas acusações serão consideradas mais adiante. Mas, primeiro, consideraremos a frequente acusação de que a Bíblia nada mais é do que uma coleção de mitos e de lendas. Será que aqueles que se opõem à Bíblia têm bases sólidas para tal crítica? Para começar, examinemos as Escrituras Hebraicas, o chamado Antigo (ou: Velho) Testamento.
1, 2. Como foi o sítio de Jericó, e que perguntas se suscitam em conexão com ele?
UMA cidade antiga está sendo sitiada. Seus atacantes haviam atravessado em massa o rio Jordão e estavam agora acampados diante das altas muralhas da cidade. Mas que estranha tática de guerra! Todos os dias, durante seis dias, o exército invasor marchara ao redor da cidade em silêncio, rompido apenas por um acompanhante grupo de sacerdotes que tocara buzinas. Agora, no sétimo dia, o exército marcha silencioso sete vezes ao redor da cidade. De repente, os sacerdotes tocam as buzinas com toda a força. O exército rompe o silêncio com um forte grito de guerra, e as altas muralhas da cidade desmoronam numa nuvem de poeira, deixando a cidade indefesa. — Josué 6:1-21.
2 É assim que o livro de Josué, o sexto das Escrituras Hebraicas, descreve a queda de Jericó, que ocorreu há quase 3.500 anos. Mas será que aconteceu realmente? Muitos altos críticos responderiam confiantemente que não.a Eles afirmam que o livro de Josué, junto com os cinco livros precedentes da Bíblia, é composto de lendas escritas muitos séculos depois da ocorrência dos alegados eventos. Também muitos arqueólogos diriam o mesmo. Segundo eles, quando os israelitas entraram na terra de Canaã, Jericó talvez nem existisse.
3. Por que é importante examinar se a Bíblia contém história verídica?
3 Essas são acusações sérias. Ao passo que ler a Bíblia, notará que os ensinos dela se relacionam solidamente com a história. Deus lida com homens, mulheres, famílias e nações reais, e suas ordens são dadas a um povo histórico. Os eruditos modernos que lançam dúvidas sobre a historicidade da Bíblia também lançam dúvidas sobre a importância e a fidedignidade da sua mensagem. Se a Bíblia realmente é a Palavra de Deus, então a sua história tem de ser fidedigna, e não conter meras lendas e mitos. Será que esses críticos têm alguma base para desafiar a veracidade histórica dela?
A Alta Crítica — Quão Confiável É?
4-6. Quais são algumas das teorias da alta crítica, de Wellhausen?
4 A alta crítica da Bíblia começou a sério durante os séculos 18 e 19. Na última metade do século 19, o crítico da Bíblia alemão Julius Wellhausen popularizou a teoria de que os primeiros seis livros da Bíblia, incluindo Josué, foram escritos no quinto século AEC — cerca de mil anos depois dos acontecimentos descritos. No entanto, ele disse que contêm matéria escrita anteriormente.1 Essa teoria foi apresentada na 11.a edição da Enciclopédia Britânica, publicada em 1911, que explicava: “Gênesis é uma obra pós-exílica, composta de fonte sacerdotal pós-exílica (P) e de anteriores fontes não sacerdotais, notadamente diferentes de P em linguagem, estilo e ponto de vista religioso.”
5 Para Wellhausen e seus seguidores, toda a história registrada na primeira parte das Escrituras Hebraicas era “não história literal, mas tradições populares do passado”.2 Os relatos anteriores eram considerados apenas um reflexo da história posterior de Israel. Por exemplo, declarou-se que a inimizade entre Jacó e Esaú realmente não aconteceu, mas refletia a inimizade entre as nações de Israel e de Edom em tempos posteriores.
6 Em harmonia com isso, esses críticos achavam que Moisés nunca recebeu ordem para fazer a arca do pacto, e que o tabernáculo, centro da adoração israelita no ermo, nunca existiu. Eles acreditavam também que a autoridade do sacerdócio arônico só foi plenamente estabelecida poucos anos antes da destruição de Jerusalém pelos babilônios, a qual os críticos acreditavam ter acontecido no começo do sexto século AEC.3
7, 8. Que “provas” apresentou Wellhausen para as suas teorias, e eram válidas?
7 Que “provas” apresentaram para essas ideias? Os altos críticos afirmam que conseguem dividir o texto dos primeiros livros da Bíblia em diversos documentos diferentes. Um princípio básico que eles usam é presumir que, falando-se de modo geral, todo versículo da Bíblia que usa a palavra hebraica para Deus (’Elo·hím) sozinha foi escrito por um escritor, ao passo que todo versículo que se refere a Deus pelo nome dele, Jeová, deve ter sido escrito por outro — como se um mesmo escritor não pudesse usar ambos os termos.4
8 De modo similar, sempre que um evento se encontra registrado mais de uma vez num livro, toma-se isso como prova de que mais de um escritor o produziu, embora a antiga literatura semítica apresente outros exemplos similares de repetição. Além disso, presume-se que toda mudança de estilo significa uma mudança de escritor. No entanto, até mesmo escritores, nas línguas atuais, frequentemente escrevem em estilos diferentes, em estágios diferentes de sua carreira, ou ao tratarem de matéria diferente.b
9-11. Quais são algumas das destacadas fraquezas da moderna alta crítica?
9 Existe realmente alguma prova que substancie essas teorias? Nenhuma. Certo comentador escreveu: “A crítica, mesmo no melhor dos casos, é especulativa e tentativa, algo sempre sujeito a ser modificado ou mostrado errado, e que tem de ser substituído por outra coisa. É um exercício intelectual, sujeito a todas as dúvidas e palpites que são inseparáveis de tais exercícios.”5 A alta crítica bíblica, em especial, é “especulativa e tentativa” em extremo.
10 Gleason L. Archer Jr. mostra outra falha no raciocínio da alta crítica. O problema, segundo ele, é que “a escola de Wellhausen começou com a pura suposição (que praticamente não se incomodaram de demonstrar) de que a religião de Israel era de mera origem humana, como qualquer outra, e que devia ser explicada como mero produto da evolução”.6 Em outras palavras, Wellhausen e seus seguidores começaram com a suposição de que a Bíblia era apenas a palavra de homem, e seus argumentos partiram desse ponto.
11 Lá em 1909, The Jewish Encyclopedia (A Enciclopédia Judaica) mencionou mais duas fraquezas da teoria de Wellhausen: “Os argumentos com os quais Wellhausen cativou quase que inteiramente todo o grupo de críticos contemporâneos da Bíblia baseiam-se em duas suposições: primeiro, que o rito fica mais apurado com o desenvolvimento da religião; segundo, que as fontes mais antigas necessariamente tratam dos estágios mais primitivos do desenvolvimento ritual. A primeira suposição é contrária à evidência das culturas primitivas, e a última não encontra nenhum apoio na evidência de códigos rituais, tais como os da Índia.”
12. Como se revela a moderna alta crítica à luz da arqueologia?
12 Existe um modo de testar a alta crítica, para ver se suas teorias são corretas, ou não? A Enciclopédia Judaica prossegue: “Os conceitos de Wellhausen baseiam-se quase que exclusivamente numa análise literal, e precisam ser suplementados por um exame feito do ponto de vista da arqueologia institucional.” Será que a arqueologia, com o passar dos anos, tendeu a confirmar as teorias de Wellhausen? The New Encyclopædia Britannica (A Nova Enciclopédia Britânica) responde: “A crítica arqueológica tende a substanciar a fidedignidade dos pormenores históricos, típicos, mesmo dos períodos mais antigos [da história bíblica] e a desconsiderar a teoria de que os relatos do Pentateuco [os registros históricos nos mais antigos livros da Bíblia] sejam meros reflexos de um período muito posterior.”
13, 14. Apesar das suas bases fracas, por que ainda se aceita amplamente a alta crítica de Wellhausen?
13 Em vista da fraqueza da alta crítica, por que é ela hoje tão popular entre os intelectuais? Porque lhes diz coisas que querem ouvir. Certo erudito do século 19 explicou: “Eu, pessoalmente, aceito mais este livro de Wellhausen do que quase qualquer outro; porque parece-me que o problema premente da história do Antigo Testamento por fim é solucionado dum modo consoante com o princípio da evolução humana, que me vejo forçado a aplicar à história de todas as religiões.”7 Evidentemente, a alta crítica concordava com os preconceitos dele qual evolucionista. E, de fato, as duas teorias têm uma finalidade similar. Assim como a evolução eliminaria a necessidade de se crer num Criador, assim a alta crítica de Wellhausen significaria que não se precisa crer que a Bíblia foi inspirada por Deus.
14 Neste racionalista século 20, a suposição de que a Bíblia não seja a palavra de Deus, mas sim de homem, parece plausível aos intelectuais.c Para eles, é muito mais fácil crer que as profecias foram escritas depois do seu cumprimento, do que aceitá-las como genuínas. Preferem invalidar os relatos bíblicos dos milagres por classificá-los de mitos, lendas ou folclore, a considerar a possibilidade de que realmente aconteceram. Mas tal ponto de vista é preconceituoso e não oferece nenhuma razão válida para se rejeitar a Bíblia como verdadeira. A alta crítica tem sérias falhas, e seu ataque contra a Bíblia deixou de demonstrar que a Bíblia não é a Palavra de Deus.
É a Bíblia Apoiada Pela Arqueologia?
15, 16. A existência de que antigo governante, mencionado na Bíblia, foi confirmada pela arqueologia?
15 A arqueologia é um campo de estudo de base muito mais sólida do que a alta crítica. Os arqueólogos, por escavarem os restos de civilizações passadas, aumentaram de muitas maneiras nosso entendimento sobre como as coisas eram nos tempos antigos. Por isso, não surpreende que o registro arqueológico repetidas vezes se harmonize com o que lemos na Bíblia. Ocasionalmente, a arqueologia até mesmo tem vindicado a Bíblia perante os críticos dela.
16 Por exemplo, segundo o livro de Daniel, o último governante de Babilônia, antes dela cair diante dos persas, era chamado Belsazar. (Daniel 5:1-30) Visto que, fora da Bíblia, não parecia haver nenhuma menção de Belsazar, levantou-se a acusação de que a Bíblia estava errada e que esse homem nunca existiu. Mas, no século 19, em algumas ruínas no sul do Iraque, descobriram-se diversos cilindros pequenos, com inscrições cuneiformes. Verificou-se que incluíam orações pela saúde do filho mais velho de Nabonido, rei de Babilônia. O nome desse filho? Belsazar.
17. Como podemos explicar que a Bíblia chama Belsazar de rei, ao passo que a maioria das inscrições o chamam de príncipe?
17 Portanto, existia um Belsazar! Mas será que ele era rei por ocasião da queda de Babilônia? A maioria dos documentos encontrados subsequentemente referiam-se a ele como filho do rei, príncipe herdeiro. Mas um documento cuneiforme descrito como o “Relato Versificado de Nabonido” lançou mais luz sobre a verdadeira posição de Belsazar. Relatou: “Ele [Nabonido] confiou o ‘Acampamento’ ao seu (filho) mais velho, o primogênito, as tropas em toda a parte no país ele mandou pôr sob (o comando) dele. Largou (tudo), confiou-lhe o reinado.”8 De modo que se confiou o reinado a Belsazar. Certamente, para todos os fins e objetivos, isso fez dele um rei!d Esse relacionamento entre Belsazar e seu pai, Nabonido, explica por que Belsazar, durante aquele banquete final em Babilônia, ofereceu fazer de Daniel o terceiro governante no reino. (Daniel 5:16) Visto que Nabonido era o primeiro governante, o próprio Belsazar era apenas o segundo governante de Babilônia.
Outra Evidência em Apoio
18. Que informações fornece a arqueologia para confirmar a paz e a prosperidade resultante do reinado de Davi?
18 De fato, muitas descobertas arqueológicas demonstram a exatidão histórica da Bíblia. Por exemplo, a Bíblia relata que, depois de o Rei Salomão ter assumido o reinado de seu pai, Davi, Israel usufruiu grande prosperidade. Lemos: “Judá e Israel eram muitos, em multidão, iguais aos grãos de areia junto ao mar, comendo e bebendo, e alegrando-se.” (1 Reis 4:20) Em apoio dessa declaração, lemos: “A evidência arqueológica revela que houve uma explosão populacional em Judá durante e depois do décimo século a.C., quando a paz e a prosperidade trazidas por Davi tornaram possível construir muitas cidades novas.”10
19. Que informações adicionais fornece a arqueologia sobre a guerra entre Israel e Moabe?
19 Mais tarde, Israel e Judá tornaram-se duas nações, e Israel conquistou a vizinha terra de Moabe. Em certa ocasião, Moabe, sob o Rei Mesa, revoltou-se, e Israel formou uma aliança com Judá e com o vizinho reino de Edom, para guerrear contra Moabe. (2 Reis 3:4-27) Notavelmente, em 1868, em Jordão, descobriu-se uma estela (uma esculpida laje de pedra), inscrita na língua moabita com o relato do próprio Mesa sobre esse conflito.
20. O que nos revela a arqueologia sobre a destruição de Israel pelos assírios?
20 Daí, no ano 740 AEC, Deus permitiu que o rebelde reino setentrional de Israel fosse destruído pelos assírios. (2 Reis 17:6-18) Falando sobre o relato bíblico desse evento, a arqueóloga Kathleen Kenyon comenta: “Poder-se-ia suspeitar que parte disso fosse uma hipérbole.” Mas será que é? Ela acrescenta: “A evidência arqueológica da queda do reino de Israel é quase mais vívida do que a do registro bíblico. . . . A completa obliteração das cidades israelitas de Samaria e Hazor, e a acompanhante destruição de Megido, é a evidência arqueológica fatual de que o escritor [bíblico] não exagerou.”11
21. Que pormenores sobre a subjugação de Judá pelos babilônios são fornecidos pela arqueologia?
21 Ainda mais tarde, a Bíblia nos conta que Jerusalém, sob o Rei Joaquim, foi sitiada pelos babilônios e foi tomada. Esse evento está registrado na Crônica Babilônica, uma tabuinha cuneiforme descoberta pelos arqueólogos. Lemos nela: “O rei de Acade [Babilônia] . . . sitiou a cidade de Judá (iahudu) e o rei tomou a cidade no segundo dia do mês de adaru.”12 Joaquim foi levado a Babilônia e encarcerado. Mais tarde, porém, segundo a Bíblia, ele foi solto da prisão e deu-se-lhe uma subsistência alimentar. (2 Reis 24:8-15; 25:27-30) Isso é apoiado por documentos administrativos encontrados em Babilônia, que alistam as rações dadas a “Yaukîn, rei de Judá”.13
22, 23. De modo geral, que relação há entre a arqueologia e os relatos históricos da Bíblia?
22 Referente à relação entre a arqueologia e os relatos históricos da Bíblia, o Professor David Noel Freedman comentou: “Em geral, porém, a arqueologia tende a apoiar a validez histórica da narrativa bíblica. O amplo esboço cronológico, desde os patriarcas até os tempos do N[ovo] T[estamento], correlaciona-se com os dados arqueológicos. . . . Descobertas adicionais provavelmente confirmarão a atual posição moderada, de que a tradição bíblica tem raízes históricas, e foi fielmente transmitida, embora não seja história no sentido crítico ou científico.”
23 Daí, a respeito dos esforços dos altos críticos, de desacreditar a Bíblia, ele diz: “As tentativas de reconstituição da história bíblica por eruditos modernos — p. ex., o conceito de Wellhausen, de que a era patriarcal era um reflexo da monarquia dividida; ou a rejeição da historicidade de Moisés e do êxodo, e a consequente reestruturação da história israelita por Noth e seus seguidores — não sobreviveram aos dados arqueológicos tão bem como a narrativa bíblica.”14
A Queda de Jericó
24. Que informações nos fornece a Bíblia sobre a queda de Jericó?
24 Significa isso que a arqueologia concorda com a Bíblia em todos os casos? Não, pois há diversos desacordos. Um deles é a conquista dramática de Jericó, descrita no início deste capítulo. Segundo a Bíblia, Jericó foi a primeira cidade conquistada por Josué, quando conduziu os israelitas à terra de Canaã. A cronologia bíblica indica que a cidade caiu na primeira metade do século 15 AEC. Depois da conquista, Jericó foi completamente queimada e foi deixada desabitada por centenas de anos. — Josué 6:1-26; 1 Reis 16:34.
25, 26. A que duas conclusões diferentes chegaram os arqueólogos em resultado de escavações em Jericó?
25 Antes da Segunda Guerra Mundial, o Professor John Garstang escavou o sítio que se acreditava ser Jericó. Ele descobriu que a cidade era bem antiga, e que ela havia sido destruída e reconstruída muitas vezes. Garstang constatou que, durante uma dessas destruições, os muros desabaram como que num terremoto, e a cidade foi completamente queimada. Garstang achava que isso ocorreu por volta de 1400 AEC, não muito longe da data indicada pela Bíblia para a destruição de Jericó por Josué.15
26 Depois da guerra, a arqueóloga Kathleen Kenyon fez escavações adicionais em Jericó. Ela chegou à conclusão de que os muros desmoronados, identificados por Garstang, datavam de centenas de anos antes do que ele pensava. Ela, de fato, identificou uma grande destruição de Jericó no século 16 AEC, mas disse que não havia cidade no lugar de Jericó durante o século 15 — quando a Bíblia diz que Josué invadiu a terra. Ela passa então a relatar possíveis indícios de outra destruição que poderia ter ocorrido no lugar em 1325 AEC, e sugere: “Se a destruição de Jericó há de ser associada com uma invasão sob Josué, essa [última] data é a sugerida pela arqueologia.”16
27. Por que não nos devem perturbar indevidamente as discrepâncias entre a arqueologia e a Bíblia?
27 Significa isso que a Bíblia está errada? De modo algum. Temos de lembrar-nos que, ao passo que a arqueologia nos oferece uma janela para o passado, essa janela nem sempre oferece uma vista clara. Às vezes está decididamente fosca. Conforme observou um comentador: “A evidência arqueológica, infelizmente, é fragmentária, e, portanto, limitada.”17 Isso se dá especialmente com os primeiros períodos da história israelita, quando a evidência arqueológica não é clara. De fato, a evidência é menos clara em Jericó, visto que o sítio sofreu grande erosão.
As Limitações da Arqueologia
28, 29. Quais são algumas das limitações da arqueologia, admitidas pelos eruditos?
28 Os próprios arqueólogos admitem as limitações da sua ciência. Por exemplo, Yohanan Aharoni explica: “Quando se trata de interpretação histórica ou histórico-geográfica, o arqueólogo sai do domínio das ciências exatas, e precisa depender de critérios e hipóteses para chegar a um quadro histórico compreensivo.”18 Sobre as datas atribuídas a diversas descobertas, ele acrescenta: “Sempre devemos lembrar, portanto, que nem todas as datas são absolutas e são em variados graus suspeitas”, embora ele ache que os arqueólogos de hoje podem ter mais confiança nas suas datas do que os do passado.19
29 O Mundo do Antigo Testamento faz a pergunta: “Quão objetivo ou realmente científico é o método arqueológico?” Responde: “Os arqueólogos são mais objetivos quando desenterram os fatos, do que quando os interpretam. Mas as suas preocupações humanas afetam também os métodos que usam ao ‘escavar’. Não podem deixar de destruir sua evidência ao cavarem através de camadas de terra, de modo que nunca podem testar suas ‘experiências’ por repeti-las. Isso torna a arqueologia ímpar entre as ciências. Além disso, torna a reportagem arqueológica uma tarefa muito difícil e cheia de armadilhas.”20
30. Como é a arqueologia encarada pelos estudantes da Bíblia?
30 De modo que a arqueologia pode ser muito útil, mas, assim como qualquer outro empreendimento humano, é falível. Ao passo que consideramos com interesse as teorias arqueológicas, nunca devemos encará-las como verdades incontestáveis. Quando os arqueólogos interpretam seus achados dum modo que contradiz a Bíblia, não devemos automaticamente presumir que a Bíblia esteja errada e que os arqueólogos estejam certos. Sabe-se que as interpretações deles têm mudado.
31. Que nova sugestão foi feita recentemente a respeito da queda de Jericó?
31 É de interesse notar que o Professor John J. Bimson, em 1981, examinou de novo a questão da destruição de Jericó. Estudou de perto a ocorrência da destruição ardente de Jericó, a qual — segundo Kathleen Kenyon — ocorreu em meados do século 16 AEC. Segundo ele, a destruição não somente se ajusta ao relato bíblico da destruição da cidade por Josué, mas o quadro arqueológico de Canaã, como um todo, enquadra-se perfeitamente na descrição bíblica de Canaã quando foi invadido pelos israelitas. Por isso, ele sugere que a datação arqueológica está errada e propõe que essa destruição realmente ocorreu em meados do século 15 AEC, durante a vida de Josué.21
A Bíblia É História Genuína
32. Que tendência se tem observado entre alguns eruditos?
32 Isso ilustra o fato de que os arqueólogos muitas vezes divergem entre si. Portanto, não surpreende que alguns discordem da Bíblia, ao passo que outros concordam com ela. Não obstante, alguns eruditos estão chegando a respeitar a historicidade da Bíblia de modo geral, se não em todos os pormenores. William Foxwell Albright representava uma escola de pensamento quando escreveu: “Tem havido um retorno geral ao apreço da exatidão da história religiosa de Israel, tanto no aspecto geral como nos pormenores fatuais. . . . Em suma, agora podemos novamente tratar a Bíblia do começo ao fim como documento autêntico de história religiosa.”22
33, 34. Como fornecem as próprias Escrituras Hebraicas evidência de serem historicamente exatas?
33 De fato, a própria Bíblia leva o marco de história exata. Os acontecimentos estão relacionados com tempos e datas específicos, dessemelhantes dos da maioria dos antigos mitos e lendas. Muitos acontecimentos registrados na Bíblia são apoiados por inscrições que datam daqueles tempos. Onde ocorre uma diferença entre a Bíblia e alguma inscrição antiga, a discrepância frequentemente pode ser atribuída à aversão dos antigos governantes de registrar suas próprias derrotas, e ao seu desejo de magnificar os seus êxitos.
34 Deveras, muitas daquelas antigas inscrições são mais propaganda oficial do que história. Em contraste, os escritores bíblicos demonstram uma rara franqueza. Principais personagens ancestrais, tais como Moisés e Arão, são revelados em todas as suas fraquezas e em seus pontos fortes. Até mesmo as falhas do grande rei Davi são reveladas com honestidade. As faltas da nação como um todo são repetidas vezes expostas. Esse candor recomenda as Escrituras Hebraicas como verazes e fidedignas, e dá peso às palavras de Jesus, que disse, ao orar a Deus: “A tua palavra é a verdade.” — João 17:17.
35. Que deixaram de fazer pensadores racionalistas, e a que recorrem os estudantes da Bíblia para provar a inspiração da Bíblia?
35 Albright prosseguiu: “De qualquer modo, a Bíblia sobreleva-se em conteúdo a toda a primitiva literatura religiosa; e sobreleva-se de modo igualmente impressionante a toda a literatura subsequente na simplicidade direta da sua mensagem e na catolicidade [alcance abrangente] do interesse que desperta em homens de todas as terras e tempos.”23 É essa ‘mensagem sobrelevante’, em vez de o testemunho de eruditos, que prova a inspiração da Bíblia, conforme veremos em capítulos posteriores. Mas notemos nesse respeito que os pensadores racionalistas modernos deixaram de provar que as Escrituras Hebraicas não são história verídica, ao passo que esses próprios escritos fornecem toda a evidência de serem exatos. Pode-se dizer o mesmo das Escrituras Gregas Cristãs, o “Novo Testamento”? Consideraremos isso no próximo capítulo.
[Nota(s) de rodapé]
a A “alta crítica” (ou “o método histórico-crítico”) é o termo usado para descrever o estudo da Bíblia com vistas a descobrir detalhes tais como a autoria, a matéria que serviu de fonte e o tempo da composição de cada livro.
b Por exemplo, o poeta inglês John Milton escreveu seu grandioso poema épico “Paraíso Perdido” num estilo bem diferente do seu poema “L’Allegro”. E seus tratados políticos foram escritos em mais outro estilo.
c Hoje em dia, a maioria dos intelectuais tendem a ser racionalistas. De acordo com um dicionário, racionalismo refere-se a um “sistema que pretende fundar os princípios religiosos sobre os dados fornecidos pela razão”. Os racionalistas procuram explicar tudo em termos humanos, em vez de tomar em conta a possibilidade de ação divina.
d É de interesse notar que a estátua dum antigo governante, encontrada na Síria setentrional, na década de 1970, mostra que não era incomum que um governante fosse chamado de rei, quando, em sentido estrito, ele tinha um título inferior. A estátua era dum governante de Gozã, e tinha inscrições em assírio e em aramaico. A inscrição assíria chama o homem de governador de Gozã, mas a inscrição aramaica paralela o chama de rei.9 Portanto, não faltava precedente para Belsazar ser chamado de príncipe herdeiro nas inscrições babilônicas oficiais, ao passo que nos escritos aramaicos de Daniel ele é chamado de rei.
[Destaque na página 53]
Em contraste com as antigas histórias seculares, a Bíblia registra francamente as falhas humanas de personagens respeitados, tais como Moisés e Davi.
[Quadro na página 44]
O Valor da Arqueologia
“A arqueologia provê uma amostra de antigas ferramentas e vasos, muros e prédios, armas e adornos. A maioria desses pode ser posta em ordem cronológica, e com segurança ser identificada com termos apropriados e contextos contidos na Bíblia. Nesse sentido, a Bíblia preserva com exatidão, em forma escrita, seu antigo ambiente cultural. Os pormenores das histórias bíblicas não são o produto fantasioso da imaginação dum autor, mas, antes, são reflexos autênticos do mundo no qual ocorreram os eventos registrados, desde os mundanos até os miraculosos.” — The Archaeological Encyclopedia of the Holy Land (A Enciclopédia Arqueológica da Terra Santa).
[Quadro na página 50]
O Que a Arqueologia Pode e o Que Não Pode Fazer
“A arqueologia nem prova nem refuta a Bíblia em termos conclusivos, mas ela tem outras funções de considerável importância. Recupera em certo grau o mundo material pressuposto pela Bíblia. Conhecer, digamos, o material com que se construía uma casa, ou como era um ‘alto’, aumenta em muito nosso entendimento do texto. Em segundo lugar, preenche as lacunas do registro histórico. A Pedra Moabita, por exemplo, apresenta o outro lado da história tratada em 2 Reis 3:4ss. . . . Em terceiro lugar, revela a vida e o pensamento dos vizinhos do antigo Israel — o que já em si é de interesse, e que ilumina o mundo de ideias, dentro do qual se desenvolveu o pensamento do antigo Israel.” — Ebla—A Revelation in Archaeology (Ebla — Uma Revelação em Arqueologia).
[Foto na página 41]
Milton escreveu em estilos diferentes, não apenas em um. Acham os altos críticos que a obra dele é produto de diversos escritores?
[Foto na página 45]
O “Relato Versificado de Nabonido” conta que Nabonido confiou o reinado ao seu primogênito.
[Foto na página 46]
A Pedra Moabita apresenta a versão do Rei Mesa a respeito do conflito entre Moabe e Israel.
[Foto na página 47]
Os registros babilônicos oficiais apoiam o relato bíblico da queda de Jerusalém.
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O “Novo Testamento” — história ou mito?A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
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Capítulo 5
O “Novo Testamento” — história ou mito?
“O Novo Testamento pode hoje ser descrito como o livro mais investigado da literatura mundial.” Assim disse Hans Küng no seu livro “Sobre Ser Cristão”. E ele tem razão. Durante os últimos 300 anos, as Escrituras Gregas Cristãs foram investigadas ao máximo. Foram mais cabalmente dissecadas e mais minuciosamente analisadas do que qualquer outra literatura.
1, 2. (Inclua a introdução.) (a) A que tratamento foram submetidas as Escrituras Gregas Cristãs nos últimos 300 anos? (b) A que conclusões estranhas chegaram alguns investigadores?
AS CONCLUSÕES a que alguns investigadores chegaram são estranhas. Lá no século 19, Ludwig Noack, da Alemanha, concluiu que o Evangelho de João foi escrito em 60 EC pelo discípulo amado — o qual, segundo Noack, era Judas! O francês Joseph Ernest Renan sugeriu que a ressurreição de Lázaro provavelmente foi uma fraude elaborada pelo próprio Lázaro, para dar apoio à afirmação de Jesus, de fazer milagres, ao passo que o teólogo alemão Gustav Volkmar insistiu em que o Jesus histórico de maneira alguma podia ter feito reivindicações messiânicas.1
2 Bruno Bauer, por outro lado, decidiu que Jesus nunca existiu! “Ele sustentou que as verdadeiras forças criativas no primitivo cristianismo eram Filo, Sêneca e os gnósticos. No fim, ele declarou que nunca houve um Jesus histórico . . . que a gênese da religião cristã ocorreu em fins do segundo século e procedeu de um judaísmo no qual o estoicismo se tornara dominante.”2
3. Que opinião formam ainda muitos sobre a Bíblia?
3 Hoje em dia, poucos sustentam tais ideias extremas. Mas, ao ler as obras de eruditos modernos, verificará que muitos ainda acreditam que as Escrituras Gregas Cristãs contêm lendas, mitos e exageros. Será que isso é verdade?
Quando Foram Escritas?
4. (a) Por que é importante saber quando foram escritos os livros das Escrituras Gregas Cristãs? (b) Quais são algumas das opiniões sobre o tempo da escrita das Escrituras Gregas Cristãs?
4 Mitos e lendas levam tempo para se desenvolver. Por isso é importante fazer a pergunta: quando foram escritos esses livros? Michael Grant, historiador, diz que os escritos históricos das Escrituras Gregas Cristãs tiveram início “trinta ou quarenta anos após a morte de Jesus”.4 O arqueólogo bíblico William Foxwell Albright citou C. C. Torrey como chegando à conclusão de “que todos os Evangelhos foram escritos antes de 70 A.D. e que não há neles nada que não pudesse ter sido escrito dentro de vinte anos após a Crucificação”. A opinião do próprio Albright era que sua escrita foi completada “o mais tardar por volta de 80 A.D.”. Outros apresentam cálculos um pouco diferentes, mas a maioria concorda que a escrita do “Novo Testamento” estava completa por volta do fim do primeiro século.
5, 6. O que devemos concluir do fato de que as Escrituras Gregas Cristãs foram escritas pouco depois dos acontecimentos registrados nelas?
5 O que significa isso? Albright conclui: “Só podemos dizer que um período de vinte a cinquenta anos é limitado demais para permitir qualquer corrupção substancial do conteúdo essencial e mesmo da fraseologia específica dos dizeres de Jesus.”5 O Professor Gary Habermas acrescenta: “Os Evangelhos são de bem perto do período que registram, ao passo que as histórias antigas costumam descrever eventos que ocorreram séculos antes. Todavia, os atuais historiadores conseguem com bom êxito derivar os eventos mesmo de tais períodos antigos.”6
6 Em outras palavras, as partes históricas das Escrituras Gregas Cristãs merecem pelo menos tanto crédito quanto as histórias seculares. Por certo, nas poucas décadas decorridas entre os acontecimentos do primitivo cristianismo e o tempo em que foram assentados por escrito, não houve tempo para se desenvolverem mitos e lendas, e para esses serem universalmente aceitos.
Testemunho Ocular
7, 8. (a) Quem vivia ainda enquanto as Escrituras Gregas Cristãs estavam sendo escritas e circuladas? (b) O que devemos concluir disso, em harmonia com o comentário do Professor F. F. Bruce?
7 Isso se dá especialmente em vista do fato de muitos dos relatos falarem à base de testemunho ocular. O escritor do Evangelho de João disse: “Este é o discípulo [o discípulo a quem Jesus amava] que dá testemunho destas coisas e que escreveu estas coisas.” (João 21:24) O escritor do livro de Lucas diz: “[Os fatos] no-los transmitiram os que desde o princípio se tornaram testemunhas oculares e assistentes da mensagem.” (Lucas 1:2) O apóstolo Paulo, falando daqueles que testemunharam a ressurreição de Jesus, disse: “A maioria [deles] permanece até o presente, mas alguns já adormeceram na morte.” — 1 Coríntios 15:6.
8 Nesse respeito, o Professor F. F. Bruce faz uma perspicaz observação: “De modo algum deve ter sido tão fácil, como alguns escritores parecem pensar, inventar palavras e atos de Jesus naqueles primeiros anos, quando ainda existiam tantos dos discípulos Dele, que podiam lembrar-se do que havia e do que não havia acontecido. . . . Os discípulos não podiam arriscar-se a cometer inexatidões (sem se falar em deliberadamente manipular os fatos), que seriam imediatamente expostas por aqueles que teriam muito prazer em fazer isso. Ao contrário, um dos pontos fortes da pregação apostólica original é o apelo confiante para o conhecimento dos ouvintes; eles não somente disseram: ‘Somos testemunhas destas coisas’, mas também: ‘Conforme vós mesmos também sabeis’ (Atos 2:22).”7
É o Texto Digno de Confiança?
9, 10. No que se refere às Escrituras Gregas Cristãs, que certeza podemos ter?
9 Existe a possibilidade de que esses testemunhos oculares fossem registrados com exatidão, porém mais tarde corrompidos? Em outras palavras, introduziram-se mitos e lendas depois de se completar a escrita original? Já vimos que o texto das Escrituras Gregas Cristãs está em melhores condições do que qualquer outra literatura antiga. Kurt e Barbara Aland, peritos do texto grego da Bíblia, alistam quase 5.000 manuscritos que sobreviveram desde a antiguidade até agora, alguns deles já desde o segundo século EC.8 O testemunho geral dessa grande quantidade de evidência é no sentido de que o texto é essencialmente correto. Além disso, há muitas traduções antigas — as mais antigas sendo de cerca do ano 180 EC — que ajudam a provar que o texto é exato.9
10 Portanto, não importa como encaremos isso, podemos ter a certeza de que não se infiltraram lendas e mitos nas Escrituras Gregas Cristãs depois de os escritores originais terem terminado seu trabalho. O texto que temos é substancialmente o mesmo que os escritores originais registraram, e sua exatidão é confirmada pelo fato de que foi aceito pelos cristãos contemporâneos. Então, é possível verificarmos a historicidade da Bíblia por compará-la com outras histórias antigas? Até certo ponto, sim.
A Evidência Documentária
11. Até que ponto apoia a evidência documentária externa os relatos históricos das Escrituras Gregas Cristãs?
11 De fato, no que se refere aos eventos na vida de Jesus e de seus apóstolos, a evidência documentária fora da Bíblia é bastante limitada. Isso é somente lógico, visto que, no primeiro século, os cristãos eram um grupo relativamente pequeno, que não se envolvia na política. Mas a evidência que a história secular de fato provê concorda com o que lemos na Bíblia.
12. O que nos diz Josefo sobre João, o Batizador?
12 Por exemplo, depois de Herodes Ântipas ter sofrido uma esmagadora derrota militar, o historiador judaico Josefo, escrevendo em 93 EC, disse: “A alguns dos judeus parecia que a destruição do exército de Herodes era vingança divina, e certamente uma vingança justa, pelo tratamento que dispensou a João, apelidado de Batista. Porque Herodes mandara matá-lo, embora fosse um homem bom e tivesse exortado os judeus a levar uma vida justa, a praticar a justiça para com o seu próximo e a piedade para com Deus.”10 Josefo confirma assim o relato bíblico de que João, o Batizador, era homem justo, que pregava o arrependimento e foi executado por Herodes. — Mateus 3:1-12; 14:11.
13. Como apoia Josefo a historicidade de Tiago e do próprio Jesus?
13 Josefo menciona também o meio-irmão de Jesus, Tiago, que, segundo nos diz a Bíblia, no começo não seguiu Jesus, mas depois tornou-se um ancião de destaque em Jerusalém. (João 7:3-5; Gálatas 1:18, 19) Ele documenta a prisão de Tiago com as seguintes palavras: “[O sumo sacerdote Ananus] convocou os juízes do Sinédrio e levou perante eles um homem chamado Tiago, irmão de Jesus, que era chamado o Cristo, e certos outros.”11 Escrevendo essas palavras, Josefo confirma adicionalmente que “Jesus, que era chamado o Cristo”, era uma pessoa histórica, real.
14, 15. Que apoio dá Tácito ao registro bíblico?
14 Outros dos antigos escritores também se referem a coisas mencionadas nas Escrituras Gregas. Por exemplo, os Evangelhos nos dizem que a pregação de Jesus na Palestina teve ampla aceitação. Quando ele foi sentenciado à morte, por Pôncio Pilatos, seus seguidores ficaram confusos e desanimados. Pouco depois, esses mesmos discípulos, destemidamente, encheram Jerusalém com a mensagem de que seu Senhor havia sido ressuscitado. Em poucos anos, o cristianismo se espalhou pelo Império Romano. — Mateus 4:25; 26:31; 27:24-26; Atos 2:23, 24, 36; 5:28; 17:6.
15 Testemunho a respeito da veracidade disso é dado pelo historiador romano Tácito, que não era amigo do cristianismo. Escrevendo logo depois do ano 100 EC, ele fala sobre a perseguição cruel que Nero movera aos cristãos e acrescenta: “O autor desse seu nome foi Cristo, que no governo de Tibério foi condenado ao último suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. A sua perniciosa superstição, que até ali tinha estado reprimida, já tornava de novo a grassar não só por toda a Judeia, origem desse mal, mas até dentro de Roma.”12
16. Que acontecimento histórico mencionado na Bíblia também é mencionado por Suetônio?
16 Em Atos 18:2, o escritor bíblico se refere ao fato de que “[o imperador romano] Cláudio tinha ordenado que todos os judeus saíssem de Roma”. Suetônio, historiador romano do segundo século, também menciona essa expulsão. Na sua obra O Deificado Cláudio, o historiador diz: “Visto que os judeus causavam constantemente distúrbios às instigações de Cresto, ele [Cláudio] os expulsou de Roma.”13 Se o Cresto aqui mencionado se refere a Jesus Cristo, e se os eventos em Roma acompanhavam o que ocorria em outras cidades, então os distúrbios realmente não eram às instigações de Cristo (quer dizer, os seguidores de Cristo). Antes, eram a reação violenta dos judeus à fiel atividade de pregação dos cristãos.
17. Que fontes estavam disponíveis a Justino, o Mártir, no segundo século, que apoiam o relato bíblico sobre os milagres de Jesus e a morte dele?
17 Justino, o Mártir, em meados do segundo século, escreveu com referência à morte de Jesus: “Que essas coisas realmente aconteceram, podes averiguar dos Atos de Pôncio Pilatos.”14 Além disso, segundo Justino, o Mártir, os mesmos registros mencionavam os milagres de Jesus, a respeito dos quais ele diz: “Que Ele fez essas coisas, podes saber dos Atos de Pôncio Pilatos.”15 É verdade que esses “Atos”, ou registros oficiais, não mais existem. Mas eles evidentemente existiam no segundo século, e Justino, o Mártir, confiantemente desafiava seus leitores a verificá-los para confirmar a veracidade do que ele dizia.
A Evidência Arqueológica
18. Que apoio dá a arqueologia à existência de Pôncio Pilatos?
18 As descobertas arqueológicas também têm ilustrado e confirmado aquilo que lemos nas Escrituras Gregas. Assim, em 1961, o nome de Pôncio Pilatos foi encontrado numa inscrição nas ruínas dum teatro romano em Cesareia.16 Até essa descoberta, havia apenas evidência limitada, à parte da própria Bíblia, da existência desse governante romano.
19, 20. Que personagens bíblicos mencionados por Lucas (em Lucas e em Atos) foram confirmados pela arqueologia?
19 No Evangelho de Lucas, lemos que João, o Batizador, iniciou seu ministério “quando . . . Lisânias era governante distrital de Abilene”. (Lucas 3:1) Alguns duvidaram dessa declaração, por Josefo mencionar um Lisânias que governou Abilene e que morreu em 34 AEC, muito antes do nascimento de João. No entanto, os arqueólogos descobriram uma inscrição em Abilene que menciona outro Lisânias, que era tetrarca (governante distrital) durante o reinado de Tibério, que governou como César em Roma quando João iniciou seu ministério.17 Este facilmente pode ter sido o Lisânias mencionado por Lucas.
20 Lemos em Atos que Paulo e Barnabé foram enviados para fazer uma obra missionária em Chipre e que ali encontraram um procônsul chamado Sérgio Paulo, “homem inteligente”. (Atos 13:7) Em meados do século 19, em escavações feitas em Chipre, descobriu-se uma inscrição datando de 55 EC, a qual menciona esse mesmo homem. Sobre isso diz o arqueólogo G. Ernest Wright: “Essa é a única referência que temos a esse procônsul, fora da Bíblia, e é interessante que Lucas nos forneça seu nome e título corretos.”18
21, 22. Que práticas religiosas, registradas na Bíblia, foram confirmadas pelas descobertas arqueológicas?
21 Durante a estada de Paulo em Atenas, ele disse que havia observado um altar dedicado “A um Deus Desconhecido”. (Atos 17:23) Em outras partes do território do Império Romano descobriram-se altares dedicados em latim a deuses anônimos. Um deles foi encontrado em Pérgamo, com uma inscrição em grego, como seria o caso em Atenas.
22 Mais tarde, enquanto Paulo estava em Éfeso, sofreu oposição violenta por parte dos prateiros, cujo rendimento provinha da fabricação de santuários e imagens da deusa Ártemis. Éfeso era chamada de “guardiã do templo da grande Ártemis”. (Atos 19:35) Em harmonia com isso, descobriram-se diversas estatuetas de Ártemis, de terracota e de mármore, no lugar da antiga Éfeso. No último século, escavaram-se os restos do próprio enorme templo.
O Tom da Verdade
23, 24. (a) Onde encontramos a prova mais forte da veracidade dos escritos das Escrituras Gregas Cristãs? (b) Que qualidade inerente no registro bíblico atesta sua veracidade? Ilustre isso.
23 Portanto, a história e a arqueologia ilustram, e até certo ponto confirmam, os elementos históricos das Escrituras Gregas. Mas, novamente, a prova mais forte da veracidade desses escritos se encontra nos próprios livros. Sua leitura não dá a impressão de mitos. Eles têm o tom da verdade.
24 Em primeiro lugar, são muito francos. Pense no que se registrou a respeito de Pedro. Pormenoriza-se seu embaraçoso fracasso quanto a andar sobre água. Depois, Jesus disse a esse altamente respeitado apóstolo: “Para trás de mim, Satanás!” (Mateus 14:28-31; 16:23) Além disso, depois de protestar vigorosamente que, mesmo que todos os outros abandonassem Jesus, ele é que nunca faria isso, Pedro adormeceu na sua vigília noturna e então negou ao seu Senhor três vezes. — Mateus 26:31-35, 37-45, 73-75.
25. Que fraquezas dos apóstolos foram francamente expostas pelos escritores bíblicos?
25 Mas Pedro não é o único cujas fraquezas foram expostas. O registro franco não encobre as discussões dos apóstolos quanto a quem seria o maior deles. (Mateus 18:1; Marcos 9:34; Lucas 22:24) Tampouco deixa de contar-nos que a mãe dos apóstolos Tiago e João pediu que Jesus desse aos seus filhos as posições mais favorecidas no seu Reino. (Mateus 20:20-23) O “forte acesso de ira” entre Barnabé e Paulo também é documentado fielmente. — Atos 15:36-39.
26. Que pormenor sobre a ressurreição de Jesus só seria incluído se fosse verdadeiro?
26 Digno de nota também é o fato de que o livro de Lucas nos informa que foram “as mulheres, que tinham vindo com ele desde a Galileia”, que primeiro souberam da ressurreição de Jesus. Esse é um pormenor bem incomum na sociedade dominada pelos homens, do primeiro século. De fato, segundo o registro, o que as mulheres disseram ‘parecia tolice’ aos apóstolos. (Lucas 23:55–24:11) Se a história das Escrituras Gregas não for verdade, então deve ter sido inventada. Mas por que inventaria alguém uma história que retratasse personagens tão respeitados de forma nada lisonjeira? Tais pormenores só teriam sido incluídos se fossem verdade.
Jesus — Uma Pessoa Real
27. Como confirma um historiador a existência histórica de Jesus?
27 Muitos têm encarado Jesus, assim como ele é descrito na Bíblia, como ficção inventada. Mas o historiador Michael Grant observa: “Se aplicamos ao Novo Testamento, conforme devemos, o mesmo critério que devemos aplicar a outros escritos antigos que contêm matéria histórica, não podemos rejeitar a existência de Jesus assim como tampouco podemos rejeitar a existência duma multidão de personagens pagãos, cuja realidade como figuras históricas nunca é questionada.”19
28, 29. Por que é significativo que os quatro Evangelhos apresentam um quadro uniforme da personalidade de Jesus?
28 Não somente a existência de Jesus, mas também a sua personalidade se manifesta na Bíblia com um decidido tom de verdade. Não é fácil inventar um personagem incomum e depois apresentar um retrato coerente dele em todo um livro. É quase que impossível quatro escritores diferentes escreverem sobre um mesmo personagem e coerentemente apresentarem o mesmo quadro dele, se esse personagem realmente nunca existiu. O fato de que o Jesus descrito nos quatro Evangelhos é obviamente a mesma pessoa é evidência persuasiva da veracidade dos Evangelhos.
29 Michael Grant cita uma pergunta bem apropriada: “Como é que, em todas as tradições evangélicas, sem exceção, surge um quadro de traços notavelmente firmes de um atraente jovem, que andava livremente no meio de todo tipo de mulheres, inclusive as decididamente mal-afamadas, sem qualquer traço de sentimentalismo, falta de naturalidade, ou melindre, e que, no entanto, em todo momento, mantinha uma integridade simples de caráter?”20 A única resposta é que tal homem realmente existiu e agiu assim como a Bíblia diz.
O Motivo de Alguns Não Crerem
30, 31. Por que é que muitos não aceitam as Escrituras Gregas Cristãs como historicamente exatas, apesar de toda a evidência?
30 Visto que existe evidência irrefutável para se dizer que as Escrituras Gregas são história verdadeira, por que dizem alguns que não são? Por que é que muitos, embora aceitem partes delas como genuínas, não obstante recusam aceitar tudo o que elas contêm? Isso se dá principalmente porque a Bíblia registra coisas em que os modernos intelectuais não querem crer. Por exemplo, ela diz que Jesus tanto cumpriu como proferiu profecias. Diz também que ele realizou milagres e que, após a sua morte, foi ressuscitado.
31 Neste céptico século 20, coisas assim são incríveis. A respeito de milagres, o Professor Ezra P. Gould observa: “Há uma ressalva que alguns dos críticos se sentem justificados a fazer . . . que milagres não acontecem.”21 Alguns aceitam que Jesus tenha feito curas, mas apenas do tipo psicossomático, do ‘domínio da mente sobre a matéria’. Quanto aos outros milagres, a maioria deles os rejeita, quer como invenções, quer como eventos reais que foram deturpados no relato.
32, 33. Como tentaram alguns rejeitar a ocorrência do milagre de Jesus alimentar uma grande multidão, mas por que é isso ilógico?
32 Como exemplo, considere a ocasião em que Jesus alimentou uma multidão de mais de 5.000 com apenas alguns pães e dois peixes. (Mateus 14:14-22) O erudito Heinrich Paulus, do século 19, sugeriu que o que aconteceu mesmo foi o seguinte: Jesus e seus apóstolos se viram acompanhados por uma grande multidão que estava ficando com fome. De modo que ele decidiu dar um bom exemplo aos ricos presentes. Tomou o pouco alimento que ele e seus apóstolos tinham e compartilhou-o com a multidão. Logo, outros que trouxeram alimentos consigo seguiram o exemplo dele e compartilharam o que tinham. Por fim, a multidão inteira foi alimentada.22
33 Se isso foi o que realmente aconteceu, porém, então é uma notável prova do poder dum bom exemplo. Por que se deturparia uma história tão interessante e significativa para fazê-la parecer um milagre sobrenatural? De fato, todos esses esforços para explicar os milagres como não tendo sido algo miraculoso criam mais problemas do que solucionam. E baseiam-se em premissas falsas. Começam por presumir que milagres são impossíveis. Mas por que se daria isso?
34. Se a Bíblia realmente contém profecias exatas e relatos de milagres genuínos, o que isso prova?
34 De acordo com as normas mais razoáveis, tanto as Escrituras Hebraicas como as Gregas são história genuína, no entanto, ambas contêm exemplos de profecias e de milagres. (Veja 2 Reis 4:42-44.) Que dizer, então, se as profecias são mesmo genuínas? E que dizer se os milagres realmente aconteceram? Nesse caso, Deus, de fato, estava por detrás da escrita da Bíblia, e ela realmente é a palavra dele, não a de homem. Num outro capítulo consideraremos a questão das profecias, mas, primeiro examinemos os milagres. É razoável, neste século 20, crer que milagres realmente aconteceram em séculos anteriores?
[Destaque na página 66]
Por que relataria a Bíblia que a ressurreição de Jesus foi primeiro descoberta por mulheres, se isso realmente não tivesse ocorrido?
[Quadro na página 56]
A Moderna Crítica É Falha
Como exemplo da natureza incerta da moderna crítica bíblica, considere as seguintes observações feitas por Raymond E. Brown a respeito do Evangelho de João: “No fim do século passado e nos primeiros anos deste século, a erudição passou por um período de extremo cepticismo a respeito desse Evangelho. João foi datado muito tarde, até mesmo como da segunda metade do 2.º século. Pensava-se que, como produto do mundo helenístico, estava totalmente desprovido de valor histórico e tinha pouca relação com a Palestina de Jesus de Nazaré . . .
“Não há nem um único de tais postulados que não tenha sido afetado por uma série de inesperadas descobertas arqueológicas, documentárias e textuais. Estas descobertas nos levaram a questionar de modo inteligente os conceitos críticos que quase se tornaram ortodoxos e a reconhecer quão frágil era a base em que se apoiava a análise altamente céptica de João. . . .
“A datação do Evangelho foi recuada, para o fim do 1.º século, ou mesmo antes. . . . Talvez o mais estranho de tudo isso seja que alguns eruditos até mesmo se atrevem mais uma vez a sugerir que João, filho de Zebedeu, talvez tivesse mesmo algo que ver com o Evangelho”!3
Por que deve parecer estranho crer que João escreveu o livro que tradicionalmente lhe é atribuído? Só porque não se enquadra nas ideias preconcebidas dos críticos.
[Quadro na página 70]
Apenas Mais um Ataque Contra a Bíblia
Timothy P. Weber escreve: “As conclusões da alta crítica obrigaram muitos leigos a duvidar da sua capacidade de entender alguma coisa [da Bíblia]. . . . A. T. Pierson expressou a frustração de muitos evangélicos quando declarou que, ‘igual ao romanismo, [a alta crítica] praticamente retira a Palavra de Deus do povo comum por presumir que apenas os eruditos podem interpretá-la; ao passo que Roma coloca um sacerdote entre o homem e a Palavra, a crítica coloca um expositor erudito entre o crente e a sua Bíblia’.”23 De modo que a moderna alta crítica fica exposta como apenas mais um ataque contra a Bíblia.
[Foto na página 62]
Este altar em Pérgamo evidentemente estava dedicado “a deuses desconhecidos”.
[Foto na página 63]
Ruínas do antigamente magnífico templo de Ártemis, do qual os efésios tanto se orgulhavam.
[Foto na página 64]
A Bíblia relata honestamente que Pedro negou conhecer Jesus.
[Foto na página 67]
A Bíblia registra candidamente o “forte acesso de ira” entre Paulo e Barnabé.
[Foto na página 68]
A coerência do retrato de Jesus apresentado nos quatro Evangelhos é forte prova da sua genuinidade.
[Foto na página 69]
A maioria dos modernos críticos presume que milagres não acontecem.
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Os milagres — aconteceram realmente?A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
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Capítulo 6
Os milagres — aconteceram realmente?
Certo dia, em 31 EC, Jesus e seus discípulos viajavam para Naim, uma cidade na Palestina setentrional. Quando se aproximavam do portão da cidade, veio ao encontro deles um cortejo fúnebre. O falecido era um jovem. A mãe dele era viúva, e este fora seu único filho, de modo que agora ela estava sozinha. Segundo o registro, Jesus “teve pena dela e disse-lhe: ‘Para de chorar.’ Com isso se aproximou e tocou no esquife, e os portadores ficaram parados, e ele disse: ‘Jovem, eu te digo: Levanta-te!’ E o morto sentou-se e principiou a falar.” — Lucas 7:11-15.
1. (Inclua a introdução.) (a) Que milagre realizou Jesus perto da cidade de Naim? (b) Quão importantes são os milagres relatados na Bíblia, mas, creem todos que eles realmente aconteceram?
ESTA é uma história que anima o coração, mas é ela verídica? Muitos acham difícil de crer que algo assim tenha realmente acontecido. Não obstante, milagres são uma parte integrante do registro bíblico. Crer na Bíblia significa acreditar que milagres aconteceram. De fato, todo o padrão da verdade bíblica depende de um milagre muito importante: a ressurreição de Jesus Cristo.
Por Que Alguns Não Creem
2, 3. Qual é um raciocínio usado pelo filósofo escocês David Hume no empenho de provar que milagres não acontecem?
2 Acredita em milagres? Ou acha que, nesta era científica, não é lógico crer em milagres — quer dizer, em eventos extraordinários, que dão evidência de intervenção sobre-humana? Se não acredita, não é o primeiro. Há dois séculos, o filósofo escocês David Hume tinha o mesmo problema. Pode ser que você tenha os mesmos motivos que ele para descrer.
3 As objeções de Hume à ideia de haver milagres incluíam três pontos destacados.1 Primeiro, ele escreve: “Um milagre é uma violação das leis da natureza.” O homem, por tempos imemoráveis, tem contado com leis da natureza. Ele sabe que, se largar um objeto, esse cai; que o sol se levanta toda manhã e se põe toda noitinha, e assim por diante. Sabe instintivamente que os acontecimentos sempre seguem tais padrões familiares. Nada jamais acontecerá em desarmonia com as leis naturais. Essa ‘prova’, achava Hume, “é tão íntegra como qualquer argumento baseado em experiência” contra a possibilidade de haver milagres.
4, 5. Quais são outros dois motivos apresentados por David Hume para rejeitar a possibilidade de haver milagres?
4 Um segundo argumento que ele apresentou era que as pessoas são facilmente enganadas. Alguns querem crer em maravilhas e milagres, especialmente quando têm que ver com religião, e muitos dos chamados milagres mostraram ser farsas. Um terceiro argumento era que os milagres costumam ser relatados em tempos de ignorância. Quanto mais instruídas as pessoas ficam, tanto menos milagres se relatam. Conforme o expressou Hume: “Tais eventos prodigiosos nunca acontecem em nossos dias.” De modo que, segundo ele, isso prova que eles nunca aconteceram.
5 Até o dia de hoje, a maioria dos argumentos contrários aos milagres seguem esses princípios gerais, de modo que examinaremos uma por uma as objeções de Hume.
São Contrários às Leis da Natureza?
6. Por que é ilógico objetar à ideia de haver milagres por argumentar que eles são ‘violações das leis da natureza’?
6 Que dizer da objeção de que os milagres são ‘violações das leis da natureza’, e, portanto, não podem ser verídicos? À primeira vista, essa objeção pode parecer persuasiva, mas analise o que isso realmente quer dizer. Usualmente, um milagre pode ser definido como algo que foge às leis normais da natureza.a É uma ocorrência tão inesperada, que os espectadores ficam convencidos de que presenciaram uma intervenção sobre-humana. Portanto, o verdadeiro sentido da objeção é: ‘Milagres são impossíveis, porque são milagrosos!’ Por que não considerar primeiro a evidência, antes de tirar tal conclusão?
7, 8. (a) Com respeito às leis da natureza, conforme as conhecemos, em que sentido tornaram-se os cientistas mais liberais no seu conceito do que é e do que não é possível? (b) Se cremos em Deus, em que também devemos crer quanto à sua capacidade de fazer coisas incomuns?
7 Acontece que hoje em dia pessoas de certa instrução estão menos dispostas do que David Hume estava para insistir em que as leis familiares da natureza são válidas em toda a parte e em todos os tempos. Os cientistas estão dispostos a especular sobre se, além das três dimensões conhecidas, de comprimento, largura e altura, não há talvez muitas dimensões adicionais no universo.2 Teorizam sobre a existência de buracos negros, enormes estrelas que entraram em colapso gravitacional a ponto de sua densidade ser virtualmente infinita. Diz-se que na vizinhança deles o tecido do espaço está tão distorcido, que o próprio tempo para.3 Os cientistas até mesmo debateram se o tempo, em certas condições, retrocederia em vez de avançar!4
8 Stephen W. Hawking, professor de matemática na Universidade de Cambridge, ao considerar como o Universo começou, disse: “Na teoria clássica da relatividade geral . . . o começo do Universo tem de ser uma singularidade de infinita densidade e de curvatura espaço-tempo. Em tais condições, todas as conhecidas leis da física entrariam em colapso.”5 De modo que os cientistas hodiernos não concordam que, por algo ser contrário às leis normais da natureza, nunca possa acontecer. Em condições incomuns, coisas incomuns podem acontecer. Certamente, se cremos num Deus Todo-Poderoso, devemos admitir que ele tem o poder de causar a ocorrência de eventos incomuns — milagrosos — quando isso se enquadra no seu propósito. — Êxodo 15:6-10; Isaías 40:13, 15.
Que Dizer das Fraudes?
9. É verdade que alguns milagres são fraudes? Queira explicar sua resposta.
9 Nenhuma pessoa razoável negaria que há milagres fraudulentos. Por exemplo, alguns afirmam ter o poder de sarar os doentes por meio da cura milagrosa pela fé. Um médico, o Dr. William A. Nolan, tomou a si o projeto especial de investigar tais curas. Investigou diversas alegações de cura, tanto entre curadores pela fé, evangélicos, nos Estados Unidos, como entre os chamados cirurgiões psíquicos na Ásia. E qual foi o resultado? Só encontrou exemplos de desapontamento e de fraude.6
10. Acha que o fato de que se demonstrou que alguns milagres são fraudes prova que todos os milagres são fraudulentos?
10 Será que, em vista de tais fraudes, nunca ocorreram milagres genuínos? Não necessariamente. Às vezes ficamos sabendo que dinheiro falsificado foi posto em circulação, mas isso não significa que todas as cédulas são falsas. Alguns doentes têm muita fé em charlatães, falsos médicos, e pagam-lhes muito dinheiro. Mas isso não significa que todos os médicos são falsos. Alguns artistas foram peritos em imitar pinturas de “antigos mestres”. Mas isso não significa que todas as pinturas são falsificações. Do mesmo modo, só porque alguns pretensos milagres são claramente fraudes, isso não significa que nunca podem acontecer milagres genuínos.
‘Hoje Não Acontecem Milagres’
11. Qual foi a terceira objeção de David Hume à ideia de haver milagres?
11 A terceira objeção resumiu-se na expressão: “Tais eventos prodigiosos nunca acontecem em nossos dias.” Hume nunca vira um milagre, de modo que se negava a crer que milagres pudessem acontecer. Esse tipo de raciocínio, porém, é incoerente. Qualquer pessoa de reflexão tem de admitir que, antes dos dias desse filósofo escocês, aconteceram “eventos prodigiosos” que não se repetiram durante a vida dele. Que eventos?
12. Que maravilhosos eventos ocorridos no passado não podem ser explicados pelas leis da natureza hoje em operação?
12 Em primeiro lugar, teve início a vida na Terra. Daí, vieram a existir certas formas de vida dotadas da capacidade de estar conscientes. Por fim, apareceu o homem, dotado de sabedoria, de imaginação, da capacidade de amar e da faculdade da consciência. Nenhum cientista pode explicar à base das leis da natureza hoje em operação como essas coisas extraordinárias aconteceram. No entanto, possuímos evidência viva de que ocorreram mesmo.
13, 14. Que coisas, hoje comuns, teriam parecido milagrosas a David Hume?
13 E que dizer de “eventos prodigiosos” que aconteceram desde os dias de David Hume? Suponhamos que pudéssemos viajar para trás no tempo e contar-lhe algo sobre o nosso mundo atual. Imagine tentar explicar que um empresário em Hamburgo pode conversar com alguém a milhares de quilômetros de distância, em Tóquio, sem mesmo elevar a voz; que uma partida de futebol, na Espanha, pode ser vista em toda a Terra ao vivo; que naves muito maiores do que os navios oceânicos dos dias de Hume podem elevar-se da superfície da Terra e levar 500 pessoas pelo ar, por milhares de quilômetros, em questão de horas. Pode imaginar a resposta dele? ‘Impossível! Tais eventos prodigiosos nunca acontecem em nossos dias!’
14 No entanto, tais ‘prodígios’ acontecem realmente em nossos dias. Por quê? Porque o homem, usando princípios científicos, dos quais Hume não tinha nenhuma ideia, aprendeu a construir telefones, televisores e aviões. Então, será que é tão difícil crer que, em certas ocasiões no passado, dum modo que para nós ainda é incompreensível, Deus realizou coisas que achamos milagrosas?
Como Podemos Ter Certeza?
15, 16. Se milagres realmente aconteceram, de que única maneira poderíamos saber deles? Queira ilustrar sua resposta.
15 Naturalmente, apenas dizer que milagres poderiam ter acontecido não significa que aconteceram mesmo. Como podemos ter certeza, neste século 20, de que Deus, lá nos tempos bíblicos, operou genuínos milagres por meio de seus servos na Terra? Que espécie de evidência de tais coisas se esperaria obter? Imagine um primitivo nativo tribal que foi levado do seu lar na selva para visitar uma cidade grande. Ao voltar para casa, como poderia ele descrever à sua gente as maravilhas da civilização? Não conseguiria explicar como um automóvel funciona, nem por que sai música dum rádio portátil. Não poderia construir um computador para provar que tal coisa existe. A única coisa que conseguiria fazer é contar o que viu.
16 Nós nos encontramos na mesma situação dos companheiros de tribo daquele homem. Se Deus realmente operou milagres, a única maneira de sabermos deles é por meio de testemunhas oculares. As testemunhas oculares não podem explicar como os milagres aconteceram, nem podem repeti-los. Podem apenas contar-nos o que viram. Obviamente, testemunhas oculares podem ser enganadas. Também podem facilmente exagerar e desinformar. Então, se havemos de crer no testemunho deles, precisamos saber se essas testemunhas oculares falam a verdade, se são de alta qualidade e se mostraram ter bons motivos.
O Milagre Mais Atestado
17. (a) Qual é o milagre mais atestado mencionado na Bíblia? (b) Quais foram as circunstâncias que levaram à morte de Jesus?
17 O milagre mais atestado mencionado na Bíblia é a ressurreição de Jesus Cristo; portanto, por que não usar esse como teste, por assim dizer? Primeiro, considere os fatos relatados: Jesus foi preso na noite de 14 de nisã — que era a noite duma quinta-feira, segundo o nosso modo moderno de calcular a semana.b Ele compareceu perante os líderes dos judeus, que o acusaram de blasfêmia e decidiram que tinha de morrer. Os líderes judeus levaram Jesus perante o governador romano, Pôncio Pilatos, que cedeu à pressão deles e o entregou para ser executado. Talvez tarde na manhã de sexta-feira — ainda o 14 de nisã no calendário judaico — ele foi pregado numa estaca de tortura, e em poucas horas estava morto. — Marcos 14:43-65; 15:1-39.
18. Segundo a Bíblia, como começou a espalhar-se a notícia da ressurreição de Jesus?
18 Depois de um soldado furar o lado de Jesus com uma lança, para certificar-se de que realmente estava morto, o cadáver de Jesus foi sepultado num túmulo novo. O dia seguinte, 15 de nisã (sexta-feira/sábado), era um dia sabático. Mas na manhã de 16 de nisã — a manhã de domingo — alguns discípulos foram ao túmulo e o encontraram vazio. Logo se espalhou a notícia de que Jesus fora visto vivo. A reação inicial a essas histórias foi exatamente a que seria hoje — descrença. Até mesmo os apóstolos recusaram-se a acreditar. Mas, quando eles mesmos viram o Jesus vivo, não tiveram outra escolha senão aceitar que ele de fato fora ressuscitado dentre os mortos. — João 19:31–20:29; Lucas 24:11.
O Túmulo Vazio
19-21. (a) De acordo com Justino, o Mártir, como reagiram os judeus à pregação dos cristãos sobre a ressurreição de Jesus? (b) Que certeza podemos ter a respeito de como se encontrava o túmulo de Jesus em 16 de nisã?
19 Fora Jesus ressuscitado, ou era tudo apenas uma invenção? Uma coisa que as pessoas daquele tempo provavelmente iriam perguntar é: encontra-se o cadáver de Jesus ainda no túmulo? Os seguidores de Jesus ter-se-iam confrontado com um enorme obstáculo, se seus oponentes pudessem ter apontado para o próprio cadáver ainda no lugar do sepultamento como evidência de que ele não fora ressuscitado. No entanto, não há nenhum registro de que eles fizeram isso. Antes, segundo a Bíblia, deram dinheiro aos soldados designados para guardar o túmulo e disseram-lhes: “Dizei: ‘Seus discípulos vieram de noite e o furtaram, enquanto estávamos dormindo.’” (Mateus 28:11-13) Temos também evidência à parte da Bíblia de que os líderes judaicos agiram assim.
20 Cerca de um século após a morte de Jesus, Justino, o Mártir, escreveu uma obra chamada Diálogo com o Judeu Trífon. Nessa, ele disse: “Vós, [os judeus,] enviastes homens escolhidos e ordenados pelo mundo afora para proclamar que surgira uma heresia ímpia e ilegal da parte de certo Jesus, um enganador galileu, a quem crucificamos, mas que os discípulos dele o furtaram de noite do túmulo, onde fora deitado.”7
21 Ora, Trífon era judeu, e o Diálogo com o Judeu Trífon foi escrito para defender o cristianismo contra o judaísmo. Portanto, é pouco provável que Justino, o Mártir, tivesse dito aquilo — que os judeus acusaram os cristãos de furtar o cadáver de Jesus do túmulo — se os judeus não tivessem feito tal acusação. De outra forma, ele se teria exposto a uma facilmente verificável acusação de estar mentindo. Justino, o Mártir, só teria dito isso se os judeus realmente tivessem enviado tais mensageiros. E eles teriam feito isso apenas se o túmulo realmente estivesse vazio em 16 de nisã de 33 EC, e se não pudessem apontar para o cadáver de Jesus no túmulo como evidência de que ele não fora ressuscitado. Portanto, visto que o túmulo estava vazio, o que havia acontecido? Será que os discípulos furtaram mesmo o cadáver? Ou fora milagrosamente removido como evidência de que Jesus realmente fora ressuscitado?
A Conclusão Tirada por Lucas, o Médico
22, 23. Quem era um homem instruído do primeiro século que investigou a ressurreição de Jesus, e que fontes de informações tinha à disposição?
22 Um homem bem instruído do primeiro século, que examinou cuidadosamente a evidência, foi Lucas, o médico. (Colossenses 4:14) Lucas escreveu dois livros que agora fazem parte da Bíblia: um era um Evangelho, ou história do ministério de Jesus, e o outro, chamado de Atos dos Apóstolos, era uma história da expansão do cristianismo nos anos após a morte de Jesus.
23 Na introdução do seu Evangelho, Lucas cita muitas evidências que ele tinha à sua disposição, mas que hoje não temos mais. Ele fala de documentos escritos sobre a vida de Jesus, que havia consultado. Menciona também que falara com testemunhas oculares da vida, da morte e da ressurreição de Jesus. Daí, ele diz: “[Tenho] pesquisado todas as coisas com exatidão, desde o início.” (Lucas 1:1-3) Evidentemente, a pesquisa de Lucas foi cabal. Era ele historiador competente?
24, 25. Como encaram muitos as qualificações de Lucas como historiador?
24 Muitos têm confirmado que ele era. Lá em 1913, Sir William Ramsay comentou numa conferência a historicidade das obras de Lucas. A que conclusão chegou? “Lucas é historiador de primeira categoria; não somente suas declarações de fatos são fidedignas; possui verdadeiro senso histórico.”8 Pesquisadores mais recentes chegaram à mesma conclusão. The Living Word Commentary (O Comentário Sobre a Palavra Viva), ao introduzir seus volumes sobre Lucas, diz: “Lucas era tanto historiador (e ainda um bem exato) como teólogo.”
25 O Dr. David Gooding, ex-professor do Grego do Antigo Testamento na Irlanda do Norte, declara que Lucas era “um antigo historiador na tradição dos historiadores do Antigo Testamento e na tradição de Tucídides [classificado como um dos maiores historiadores do mundo antigo]. Igual a eles, deve ter tido muito cuidado em investigar suas fontes, em selecionar sua matéria e em dispor essa matéria. . . . Tucídides combinou esse método com uma paixão pela exatidão histórica: não há motivo para se pensar que Lucas fizesse menos.”9
26. (a) Que conclusão tirou Lucas sobre a ressurreição de Jesus? (b) O que talvez lhe fortalecesse essa conclusão?
26 Que conclusão tirou esse altamente qualificado homem sobre o motivo de o túmulo de Jesus estar vazio em 16 de nisã? Tanto no seu Evangelho como no livro de Atos, Lucas relata como fato que Jesus fora ressuscitado dentre os mortos. (Lucas 24:1-52; Atos 1:3) Não tinha nenhuma dúvida sobre isso. Talvez a sua crença no milagre da ressurreição fosse fortalecida pelas suas próprias experiências. Embora, pelo visto, ele não fosse testemunha ocular da ressurreição, relata ter presenciado milagres realizados pelo apóstolo Paulo. — Atos 20:7-12; 28:8, 9.
Eles Viram o Ressuscitado Jesus
27. Quem são alguns dos que afirmaram ter visto o ressuscitado Jesus?
27 Dois dos Evangelhos são tradicionalmente atribuídos a homens que conheceram Jesus, que o viram morrer e que afirmaram tê-lo visto realmente após a sua ressurreição. São o apóstolo Mateus, ex-cobrador de impostos, e João, amado apóstolo de Jesus. Outro escritor bíblico, o apóstolo Paulo, também afirmou ter visto o ressuscitado Cristo. Além disso, Paulo alista por nome outros que viram Jesus vivo depois de ter morrido, e diz que, numa ocasião, Jesus apareceu “a mais de quinhentos irmãos”. — 1 Coríntios 15:3-8.
28. Que efeito teve a ressurreição de Jesus sobre Pedro?
28 Um dos mencionados por Paulo como testemunha ocular é Tiago, meio-irmão carnal de Jesus, que deve ter conhecido Jesus desde a infância. Outro é o apóstolo Pedro; o historiador Lucas relata que ele deu destemido testemunho a respeito da ressurreição de Jesus apenas poucas semanas depois da morte deste. (Atos 2:23, 24) Duas cartas da Bíblia são tradicionalmente atribuídas a Pedro, e, na primeira delas, Pedro mostra que sua crença na ressurreição de Jesus ainda lhe dava forte motivação, mesmo muitos anos depois de ter acontecido. Ele escreveu: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, pois, segundo a sua grande misericórdia, ele nos deu um novo nascimento para uma esperança viva por intermédio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.” — 1 Pedro 1:3.
29. Embora não possamos falar com testemunhas oculares da ressurreição, não obstante, que impressionante evidência temos?
29 Portanto, do mesmo modo que Lucas podia falar com aqueles que afirmavam ter visto Jesus após a sua morte e ter falado com ele, também nós podemos ler as palavras que alguns deles escreveram. E podemos julgar por nós mesmos se eles foram enganados, se estavam tentando enganar-nos ou se realmente viram o ressuscitado Cristo. Francamente, não há meio de terem sido enganados. Diversos deles haviam sido amigos íntimos de Jesus até a morte dele. Alguns deles presenciaram sua agonia na estaca de tortura. Viram o sangue e a água sair da ferida causada pela lança do soldado. O soldado sabia, e eles também, que Jesus indisputavelmente estava morto. Dizem que mais tarde viram Jesus vivo e que realmente falaram com ele. Não, eles não podiam ter sido enganados. Então, será que tentaram enganar-nos por dizer que Jesus fora ressuscitado? — João 19:32-35; 21:4, 15-24.
30. Por que era impossível que as primitivas testemunhas oculares da ressurreição de Jesus mentissem?
30 Para responder a isso, só precisamos perguntar-nos: criam eles mesmos no que diziam? Sim, sem qualquer dúvida. Para os cristãos, inclusive os que afirmavam ser testemunhas oculares, a ressurreição de Jesus era toda a base para a sua crença. O apóstolo Paulo disse: “Se Cristo não foi levantado, a nossa pregação certamente é vã e a nossa fé é vã . . . Se Cristo não foi levantado, a vossa fé é inútil.” (1 Coríntios 15:14, 17) São essas as palavras dum homem que mente quando diz que viu o ressuscitado Cristo?
31, 32. Que sacrifícios fizeram os primitivos cristãos, e por que é isso uma forte evidência de que esses cristãos falaram a verdade quando disseram que Jesus fora ressuscitado?
31 Pense no que significava ser cristão naqueles dias. Não se ganhava prestígio, nem poder ou riqueza com isso. Bem ao contrário. Muitos dos primitivos cristãos ‘suportaram alegremente o saque de seus bens’ por causa da sua fé. (Hebreus 10:34) O cristianismo exigia uma vida de sacrifícios e de perseguição, que em muitos casos terminava no martírio por meio duma morte vergonhosa e dolorosa.
32 Alguns cristãos procediam de família próspera, tais como o apóstolo João, cujo pai evidentemente tinha um bem-sucedido negócio de pesca na Galileia. Muitos tinham boas perspectivas quanto ao futuro, tais como Paulo tinha, o qual, na época em que aceitou o cristianismo, fora estudante do famoso rabino Gamaliel e passara a distinguir-se aos olhos dos governantes judeus. (Atos 9:1, 2; 22:3; Gálatas 1:14) No entanto, todos viraram as costas ao que este mundo oferecia, a fim de divulgar uma mensagem baseada no fato de Jesus ter sido ressuscitado dentre os mortos. (Colossenses 1:23, 28) Por que fariam tais sacrifícios para sofrer por uma causa que soubessem basear-se numa mentira? A resposta é que não os fariam. Estavam dispostos a sofrer e a morrer por uma causa que sabiam basear-se em verdade.
Milagres Acontecem Mesmo
33, 34. Visto que a ressurreição realmente aconteceu, o que podemos dizer dos outros milagres da Bíblia?
33 De fato, a evidência testemunhal é absolutamente convincente. Jesus foi realmente ressuscitado dentre os mortos em 16 de nisã de 33 EC. E visto que essa ressurreição aconteceu mesmo, todos os outros milagres da Bíblia também são possíveis — milagres para os quais também temos sólida confirmação de testemunhas oculares. O mesmo Poder que ressuscitou Jesus dentre os mortos também habilitou Jesus a ressuscitar o filho da viúva de Naim. Ele habilitou também Jesus a realizar milagres menores — mas ainda assim maravilhosos — de cura. Foi Ele quem estava por trás da alimentação milagrosa da multidão, e quem habilitou também Jesus a andar sobre a água. — Lucas 7:11-15; Mateus 11:4-6; 14:14-21, 23-31.
34 Assim, falar a Bíblia de milagres não é motivo de duvidar da veracidade dela. Antes, o fato de que milagres aconteceram mesmo nos tempos bíblicos é uma poderosa prova de que a Bíblia realmente é a Palavra de Deus. Mas outra acusação é levantada contra a Bíblia. Muitos dizem que ela se contradiz e que, por isso, não pode ser a Palavra de Deus. É isso verdade?
[Nota(s) de rodapé]
a Dizemos “usualmente”, porque alguns milagres mencionados na Bíblia podem ter envolvido fenômenos naturais, tais como terremotos ou deslizamentos de terra. No entanto, ainda assim são considerados milagres, porque aconteceram exatamente na hora em que eram necessários, e assim, evidentemente, sob a direção de Deus. — Josué 3:15, 16; 6:20.
b O dia judaico começava por volta das 18 horas, à noitinha, e continuava até as 18 horas do dia seguinte.
[Destaque na página 81]
Os inimigos do cristianismo disseram que os discípulos furtaram o cadáver de Jesus. Se esse fosse o caso, por que estariam os cristãos dispostos a morrer por uma fé baseada na ressurreição dele?
[Quadro na página 85]
Por Que Não Ocorrem Hoje Milagres?
Às vezes se faz a pergunta: ‘Por que não ocorrem hoje milagres do tipo bíblico?’ A resposta é que os milagres cumpriram sua finalidade lá naquele tempo, mas Deus espera que hoje vivamos pela fé. — Habacuque 2:2-4; Hebreus 10:37-39.
Nos dias de Moisés, ocorreram milagres para confirmar as credenciais de Moisés. Mostraram que Jeová o estava usando e também que o pacto da Lei era deveras de origem divina, e que os israelitas, daí em diante, eram o povo escolhido de Deus. — Êxodo 4:1-9, 30, 31; Deuteronômio 4:33, 34.
No primeiro século, os milagres ajudaram a confirmar as credenciais de Jesus e, depois dele, da jovem congregação cristã. Ajudaram a demonstrar que Jesus era o prometido Messias, que depois da morte dele o Israel carnal foi substituído pela congregação cristã como povo especial de Deus, e, assim, que a Lei de Moisés não era mais obrigatória. — Atos 19:11-20; Hebreus 2:3, 4.
Após os dias dos apóstolos, passou o tempo dos milagres. O apóstolo Paulo explicou: “Quer haja dons de profetizar, serão eliminados; quer haja línguas, cessarão; quer haja conhecimento, será eliminado. Pois temos conhecimento parcial e profetizamos parcialmente; mas, quando chegar o que é completo, será eliminado o que é parcial.” — 1 Coríntios 13:8-10.
Hoje em dia, temos a Bíblia completa, a qual inclui todas as revelações e conselhos de Deus. Temos o cumprimento de profecias, e temos um entendimento adiantado dos propósitos de Deus. Portanto, não há mais necessidade de milagres. Todavia, o mesmo espírito de Deus, que tornou possível os milagres, ainda existe e produz resultados que fornecem uma igualmente forte evidência do poder divino. Veremos mais sobre isso num capítulo futuro.
[Foto na página 75]
Muitos encaram a fidedignidade das leis da natureza, tais como o fato de o sol se levantar toda manhã, como prova de que milagres não podem acontecer.
[Foto na página 77]
A criação da Terra como lar para coisas vivas era um ‘evento prodigioso’ que aconteceu apenas uma vez.
[Fotos na página 78]
Como explicaria as maravilhas da ciência moderna a alguém que viveu 200 anos atrás?
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É a Bíblia contraditória?A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
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Capítulo 7
É a Bíblia contraditória?
Muitas vezes se levanta contra a Bíblia a acusação de ela ser contraditória. Usualmente, aqueles que fazem tal acusação não leram a Bíblia; apenas repetem o que ouviram falar. Alguns, porém, encontraram o que parecem ser genuínas contradições, e isso os perturba.
1, 2. (Inclua a introdução.) (a) Que acusação é muitas vezes levantada contra a Bíblia? (b) De que devemos lembrar-nos ao comparar diversas passagens bíblicas? (c) Quais são alguns motivos de às vezes haver uma diferença no modo em que dois escritores bíblicos relatam o mesmo evento?
SE A BÍBLIA realmente é a Palavra de Deus, ela deve ser harmoniosa, não contraditória. Então, por que parecem algumas passagens dela contradizer outras? Para responder a isso, temos de lembrar-nos de que, embora a Bíblia seja a Palavra de Deus, ela foi escrita por diversos homens durante um período de vários séculos. Esses escritores tinham formações, estilos de escrita e dons diferentes, e todas essas diferenças se refletem na escrita.
2 Além disso, quando dois ou mais escritores tratam do mesmo evento, um deles talvez inclua pormenores que o outro omite. Outrossim, escritores diferentes apresentam a matéria de modo diverso. Um deles talvez a escreva em ordem cronológica, ao passo que outro talvez siga um arranjo diferente. Neste capítulo, apresentaremos algumas das supostas contradições na Bíblia e consideraremos como podem ser conciliadas, tomando em conta as considerações acima mencionadas.
Testemunhas Independentes
3, 4. Quanto ao oficial do exército, cujo servo estava doente, que aparente discrepância existe entre o relato de Mateus e o de Lucas, e como podem esses relatos ser conciliados?
3 Algumas “contradições” surgem quando temos dois ou mais relatos sobre o mesmo incidente. Por exemplo, em Mateus 8:5 lemos que, quando Jesus entrou em Cafarnaum, “veio a ele um oficial do exército, suplicando-lhe” que Jesus curasse o servo dele. Mas em Lucas 7:3 lemos que esse oficial do exército “enviou-lhe anciãos dos judeus para lhe pedirem [i.e., a Jesus] que viesse e fizesse seu escravo passar por isso a salvo”. Foi o oficial do exército quem falou com Jesus ou enviou ele anciãos?
4 A resposta, obviamente, é que o homem enviou anciãos dos judeus. Então, por que diz Mateus que o próprio homem suplicou a Jesus? Porque, na realidade, o homem pediu isso a Jesus por meio dos anciãos judeus. Os anciãos serviram de porta-vozes dele.
5. Por que diz a Bíblia que Salomão construiu o templo, quando a obra propriamente dita foi claramente feita por outros?
5 Para ilustrar isso, lemos em 2 Crônicas 3:1: “Por fim, Salomão principiou a construir a casa de Jeová em Jerusalém.” Mais adiante, lemos: “Assim Salomão acabou a casa de Jeová.” (2 Crônicas 7:11) Será que Salomão pessoalmente construiu o templo do começo ao fim? Claro que não. A construção propriamente dita foi feita por uma multidão de artífices e trabalhadores. Mas Salomão foi o organizador da obra, o responsável por ela. Por isso, a Bíblia diz que foi ele quem construiu a casa. Do mesmo modo, o Evangelho de Mateus nos diz que o comandante militar se dirigiu a Jesus. Mas Lucas acrescenta o pormenor de que ele se dirigiu a Jesus por meio dos anciãos judeus.
6, 7. Como podemos conciliar os dois relatos evangélicos diferentes sobre o pedido dos filhos de Zebedeu?
6 O seguinte é um exemplo similar. Em Mateus 20:20, 21, lemos: “Aproximou-se [de Jesus] a mãe dos filhos de Zebedeu com os seus filhos, prestando homenagem e pedindo-lhe algo.” Ela pediu que seus filhos obtivessem a posição mais favorecida quando Jesus entrasse no seu Reino. No relato de Marcos sobre esse mesmo evento lemos: “Tiago e João, os dois filhos de Zebedeu, aproximaram-se [de Jesus] e disseram-lhe: ‘Instrutor, queremos que faças para nós o que for que te peçamos.’” (Marcos 10:35-37) Foram os dois filhos de Zebedeu, ou foi a mãe deles, quem fez o pedido a Jesus?
7 É evidente que foram os dois filhos de Zebedeu que fizeram o pedido, conforme Marcos declara. Mas fizeram-no por meio da sua mãe, conforme Mateus diz. Ela era porta-voz deles. Isso é apoiado pelo relato de Mateus, de que, quando os outros apóstolos souberam o que a mãe dos filhos de Zebedeu tinha feito, ficaram indignados, não com a mãe, mas “com os dois irmãos”. — Mateus 20:24.
8. Como é possível que dois relatos diferentes sobre o mesmo acontecimento difiram um do outro e que ambos ainda assim sejam verídicos?
8 Escutou alguma vez duas pessoas descreverem um acontecimento presenciado por ambas? Em caso afirmativo, notou que cada pessoa enfatizou os pormenores que mais a impressionaram? Uma delas talvez deixasse fora coisas que a outra incluiu. Ambas, porém, falaram a verdade. O mesmo se dá com os quatro relatos evangélicos sobre o ministério de Jesus, assim como se dá com outros eventos históricos relatados por mais de um escritor bíblico. Cada escritor escreveu informações exatas, mesmo que um relatasse pormenores que outro omitiu. Por se considerarem todos os relatos, pode-se obter um entendimento mais pleno do que aconteceu. Essas variações provam que os relatos bíblicos são independentes. E sua harmonia básica prova que são verídicos.
Leia o Contexto
9, 10. Como nos ajuda o contexto a entender onde Caim obteve sua esposa?
9 Muitas vezes, aparentes incoerências podem ser solucionadas por se examinar o contexto. Por exemplo, considere o muitas vezes levantado problema da esposa de Caim. Lemos em Gênesis 4:1, 2: “A seu tempo, [Eva] deu à luz Caim e disse: ‘Produzi um homem com o auxílio de Jeová.’ Mais tarde deu novamente à luz, seu irmão Abel.” Conforme é bem conhecido, Caim matou Abel; mas, depois, lemos sobre Caim ter uma esposa e filhos. (Gênesis 4:17) Se Adão e Eva tiveram apenas dois filhos, onde encontrou Caim a sua esposa?
10 A solução está no fato de que Adão e Eva tiveram mais do que dois filhos. De acordo com o contexto, tiveram uma grande família. Em Gênesis 5:3 lemos que Adão tornou-se pai de outro filho, chamado Sete, e então, no versículo seguinte, lemos: “Ele se tornou pai de filhos e de filhas.” (Gênesis 5:4) De modo que Caim pode ter se casado com uma das suas irmãs ou mesmo com uma das suas sobrinhas. Naquele estágio inicial da história humana, quando a humanidade estava ainda tão perto da perfeição, tal casamento evidentemente não apresentava os riscos para os filhos da união como apresentaria hoje em dia.
11. Que suposta discordância entre Tiago e o apóstolo Paulo é indicada por alguns?
11 Considerarmos o contexto ajuda-nos também a entender o que alguns afirmam ser uma discordância entre o apóstolo Paulo e Tiago. Em Efésios 2:8, 9, Paulo diz que os cristãos são salvos pela fé, não por obras. Ele diz: “Fostes salvos por intermédio da fé . . . não se deve a obras.” Tiago, porém, insiste na importância das obras. Ele escreve: “Assim como o corpo sem espírito está morto, assim também a fé sem obras está morta.” (Tiago 2:26) Como essas duas declarações podem ser conciliadas?
12, 13. Como complementam as palavras de Tiago aquelas do apóstolo Paulo, em vez de contradizê-las?
12 Ao considerar o contexto das palavras de Paulo, verificamos que uma declaração complementa a outra. O apóstolo Paulo refere-se aos esforços dos judeus de guardar a Lei mosaica. Eles acreditavam que, se guardassem a Lei em todos os seus pormenores, seriam justos. Paulo salientou que isso era impossível. Nunca podemos tornar-nos justos — e assim merecer a salvação — por nossas próprias obras, porque somos inerentemente pecaminosos. Podemos ser salvos apenas pela fé no sacrifício resgatador de Jesus. — Romanos 5:18.
13 Tiago, porém, acrescenta o ponto vital de que a fé, por si só, não tem valor, se não é apoiada por obras. Quem afirma ter fé em Jesus deve provar isso por aquilo que faz. A fé inativa é uma fé morta, e não resulta em salvação.
14. Em que passagens mostra Paulo que estava de pleno acordo com o princípio de que a fé viva tem de ser demonstrada por obras?
14 O apóstolo Paulo estava de pleno acordo com isso, e ele frequentemente menciona as espécies de obras em que os cristãos devem empenhar-se para demonstrar sua fé. Por exemplo, ele escreveu aos romanos: “Com o coração se exerce fé para a justiça, mas com a boca se faz declaração pública para a salvação.” Fazermos uma “declaração pública” — compartilhar nossa fé com outros — é vital para a salvação. (Romanos 10:10; veja também 1 Coríntios 15:58; Efésios 5:15, 21-33; 6:15; 1 Timóteo 4:16; 2 Timóteo 4:5; Hebreus 10:23-25.) No entanto, nenhuma obra que o cristão possa fazer, e certamente nenhum esforço de cumprir a Lei de Moisés, lhe granjeará o direito de ter vida eterna. Essa é “o dom dado por Deus” aos que exercem fé. — Romanos 6:23; João 3:16.
Pontos de Vista Diferentes
15, 16. Como podiam tanto Moisés como Josué estar certos quando um disse que o leste do Jordão era “deste lado” do rio, ao passo que o outro disse que era do “outro lado”?
15 Às vezes, os escritores bíblicos escreveram de pontos de vista diferentes sobre o mesmo acontecimento, ou apresentaram seus relatos de modos diferentes. Quando essas diferenças são tomadas em consideração, é fácil solucionar outras aparentes contradições. Um exemplo disso encontra-se em Números 35:14, onde Moisés fala a respeito do território a leste do Jordão como “deste lado do Jordão”. Josué, porém, falando sobre a terra a leste do Jordão, chamou-a de o “outro lado do Jordão”. (Josué 22:4) O que é certo?
16 Na realidade, ambos estão certos. Segundo o relato em Números, os israelitas ainda não haviam atravessado o rio Jordão para a Terra da Promessa, de modo que o leste do Jordão era ‘este lado’. Mas Josué já atravessara o Jordão. Ele se encontrava então literalmente ao oeste do rio, na terra de Canaã. De modo que o leste do Jordão, para ele, era o “outro lado”.
17. (a) Que suposta incoerência é indicada por alguns nos primeiros dois capítulos de Gênesis? (b) Qual é a razão básica da suposta discrepância?
17 Além disso, a maneira em que uma narrativa é composta pode levar a uma aparente contradição. Em Gênesis 1:24-26, a Bíblia indica que os animais foram criados antes do homem. Mas Gênesis 2:7, 19, 20 parece dizer que o homem foi criado antes dos animais. Por que essa discrepância? Porque os dois relatos da criação consideram-na de dois pontos de vista diferentes. O primeiro descreve a criação dos céus e da terra, e de tudo o que há neles. (Gênesis 1:1–2:4) O segundo concentra-se na criação da raça humana e na sua queda no pecado. — Gênesis 2:5–4:26.
18. Como podemos conciliar a aparente discrepância entre os dois relatos da criação, nos primeiros capítulos de Gênesis?
18 O primeiro relato é composto cronologicamente, dividido em seis “dias” consecutivos. O segundo se acha escrito em ordem da importância dos assuntos. Depois de um curto prólogo, passa diretamente, de forma lógica, para a criação de Adão, visto que ele e sua família são o assunto daquilo que segue. (Gênesis 2:7) Outras informações são então acrescentadas conforme necessárias. Ficamos sabendo que Adão, depois da sua criação, devia viver num jardim no Éden. De modo que se menciona então o estabelecimento do jardim do Éden. (Gênesis 2:8, 9, 15) Jeová mandou que Adão desse nome a “todo animal selvático do campo e toda criatura voadora dos céus”. Era então tempo de mencionar que “Jeová Deus estava formando do solo” todas essas criaturas, embora a criação delas começasse muito antes de Adão aparecer no cenário. — Gênesis 2:19; 1:20, 24, 26.
Leia o Relato com Cuidado
19. Que aparente confusão existe no relato bíblico sobre a tomada de Jerusalém?
19 Às vezes, para resolver aparentes contradições, só é preciso ler o relato com cuidado e raciocinar sobre as informações providas. Isso se dá quando consideramos a conquista de Jerusalém pelos israelitas. Jerusalém estava alistada como parte da herança de Benjamim, mas lemos que a tribo de Benjamim não conseguiu conquistá-la. (Josué 18:28; Juízes 1:21) Lemos também que Judá não conseguiu conquistar Jerusalém — como se fizesse parte da herança dessa tribo. Por fim, Judá capturou Jerusalém, incendiando-a. (Josué 15:63; Juízes 1:8) Todavia, registra-se também que Davi, centenas de anos depois, conquistou Jerusalém. — 2 Samuel 5:5-9.
20, 21. Quando se examinam cuidadosamente todos os pormenores relevantes, qual a história que emerge sobre os hebreus tomarem a cidade de Jerusalém?
20 À primeira vista, tudo isso pode parecer confuso, mas realmente não há contradições. De fato, a fronteira entre a herança de Benjamim e a de Judá estendia-se ao longo do vale de Hinom, atravessando a antiga cidade de Jerusalém. A parte que mais tarde passou a ser chamada de Cidade de Davi estava realmente no território de Benjamim, assim como Josué 18:28 diz. Mas é provável que a cidade jebuseia de Jerusalém se estendesse para o outro lado do vale de Hinom e assim passasse para o território de Judá, de modo que também Judá tinha de guerrear contra os seus habitantes cananeus.
21 Benjamim não conseguiu tomar a cidade. Em certa ocasião, Judá tomou Jerusalém e incendiou-a. (Juízes 1:8, 9) Mas as forças de Judá evidentemente passaram adiante, e alguns dos habitantes originais recuperaram a posse da cidade. Mais tarde, constituíam um bolsão de resistência que nem Judá nem Benjamim conseguiram remover. De modo que os jebuseus continuaram em Jerusalém até Davi conquistar a cidade centenas de anos mais tarde.
22, 23. Quem carregou a estaca de tortura de Jesus ao lugar de execução?
22 Encontramos um segundo exemplo nos Evangelhos. Lemos no Evangelho de João a respeito de Jesus ser levado para ser morto: “Levando ele mesmo a estaca de tortura, saiu.” (João 19:17) No entanto, lemos em Lucas: “Então, quando o levaram embora, pegaram Simão, certo nativo de Cirene, que vinha do campo, e puseram nele a estaca de tortura para a levar atrás de Jesus.” (Lucas 23:26) Foi Jesus quem carregou o instrumento da sua morte ou foi Simão quem o carregou para ele?
23 No começo, Jesus evidentemente carregou a sua própria estaca de tortura, assim como João indica. Mais tarde, porém, conforme atestam Mateus, Marcos e Lucas, Simão de Cirene foi recrutado para carregá-la por ele o restante do caminho até o lugar da execução.
Prova de Independência
24. Por que não nos deve surpreender encontrar algumas aparentes incoerências na Bíblia, mas o que não devemos concluir disso?
24 É verdade que há na Bíblia algumas aparentes incoerências difíceis de serem conciliadas. Mas não devemos presumir que se trata definitivamente de contradições. Muitas vezes se trata apenas dum caso de falta de informações completas. A Bíblia fornece suficiente conhecimento para satisfazer nossas necessidades espirituais. Mas se ela nos fornecesse todos os pormenores sobre cada evento mencionado, ela seria uma enorme biblioteca, difícil de manejar, em vez de ser o livro jeitoso, fácil de carregar, que temos hoje.
25. O que diz João a respeito do registro sobre o ministério de Jesus, e como nos ajuda isso a entender por que a Bíblia não fornece todos os pormenores a respeito de cada evento?
25 Falando sobre o ministério de Jesus, o apóstolo João escreveu com justificável exagero: “Há, de fato, também muitas outras coisas que Jesus fez, as quais, se alguma vez fossem escritas em todos os pormenores, suponho que o próprio mundo não poderia conter os rolos escritos.” (João 21:25) Mais impossível ainda seria registrar todos os pormenores da longa história do povo de Deus, desde os patriarcas até a congregação cristã do primeiro século!
26. A Bíblia contém informações suficientes para termos certeza de que fato vital?
26 Na realidade, a Bíblia é um milagre de condensação. Contém informações suficientes para habilitar-nos a reconhecê-la como mais do que mera obra humana. Quaisquer variações que contém provam que os escritores deveras eram testemunhas independentes. Por outro lado, a notável unidade da Bíblia — que consideraremos em mais detalhes num capítulo mais adiante — demonstra sem qualquer dúvida a sua origem divina. Ela é a palavra de Deus, não de homem.
[Destaque na página 89]
As aparentes discrepâncias na Bíblia provam que os escritores eram realmente testemunhas independentes.
[Destaque na página 91]
A consideração do contexto frequentemente ajuda a resolver supostas contradições.
[Quadro na página 93]
“Discrepâncias” Não São Necessariamente Contradições
Kenneth S. Kantzer, teólogo, certa vez ilustrou como dois relatos sobre o mesmo evento podem parecer contraditórios e ainda assim ser verídicos. Ele escreveu: “Há algum tempo, a mãe de um querido amigo nosso foi morta. Soubemos da sua morte primeiro através de um amigo mútuo de confiança, que relatou que a mãe de nosso amigo estivera de pé na esquina da rua à espera dum ônibus, que ela foi atingida por outro ônibus que passava, foi ferida fatalmente e morreu alguns minutos depois.”
Pouco depois, ele ouviu um relato bem diferente. Ele diz: “Soubemos do neto da falecida que ela fora vítima duma colisão, foi jogada fora do carro em que viajava e teve morte instantânea. O rapaz estava bastante seguro desses fatos.
“Muito mais tarde . . . tentamos harmonizar isso. Soubemos que a avó estava esperando um ônibus, foi atingida por outro ônibus e foi gravemente ferida. Ela fora levada às pressas ao hospital por um carro que passava, mas, na pressa, o carro em que ela estava sendo transportada ao hospital colidiu com outro carro. Ela foi jogada fora do carro e morreu instantaneamente.”
Sim, dois relatos sobre o mesmo evento podem ser verídicos, embora pareçam discordar entre si. Isso se dá às vezes com a Bíblia. Testemunhas independentes podem descrever pormenores diferentes do mesmo evento. Em vez de ser contraditório, porém, o que escrevem é complementar, e se levarmos em conta todos os relatos, obteremos um entendimento melhor do que aconteceu.
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A ciência: refuta ela a Bíblia?A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
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Capítulo 8
A ciência: refuta ela a Bíblia?
Em 1613, o cientista italiano Galileu publicou uma obra conhecida como “Cartas Sobre as Manchas Solares”. Nessa obra, ele apresentou evidência de que a Terra orbita em torno do Sol, em vez de o Sol em torno da Terra. Ao fazer isso, desencadeou uma série de eventos, que finalmente o levaram perante a Inquisição Católica Romana sob “veemente suspeita de heresia”. Por fim, foi obrigado a “retratar-se”. Por que era considerada heresia a ideia de que a Terra se move em torno do Sol? Porque os acusadores de Galileu afirmavam que isso era contrário ao que a Bíblia diz.
1. (Inclua a introdução.) (a) O que aconteceu quando Galileu sugeriu que a Terra orbita em torno do Sol? (b) Embora a Bíblia não seja um compêndio de ciência, o que verificamos quando a comparamos com a ciência moderna?
HOJE é bem difundida a ideia de que a Bíblia é anticientífica, e alguns apontam para as experiências de Galileu para provar isso. Mas é isso verdade? Ao respondermos a essa pergunta, temos de nos lembrar de que a Bíblia é um livro de profecia, história, oração, lei, conselho e conhecimento sobre Deus. Ela não pretende ser um compêndio de ciência. Não obstante, quando a Bíblia toca em assuntos científicos, aquilo que ela diz é inteiramente exato.
Nosso Planeta Terra
2. Como descreve a Bíblia a posição da Terra no espaço?
2 Tome, por exemplo, o que a Bíblia diz sobre o nosso planeta, a Terra. No livro de Jó lemos: “[Deus] estende o norte sobre o vazio, suspende a terra sobre o nada.” (Jó 26:7) Compare isso com a declaração de Isaías, que diz: “Há Um que mora acima do círculo da terra.” (Isaías 40:22) O quadro apresentado, de uma Terra redonda, ‘suspensa sobre o nada’, no “vazio”, lembra-nos fortemente as fotografias do globo terrestre suspenso no espaço, tiradas por astronautas.
3, 4. O que é o ciclo da água, da Terra, e o que diz a Bíblia sobre isso?
3 Considere também o espantoso ciclo da água, da Terra. A Enciclopédia de Compton descreve do seguinte modo o que acontece: “A água . . . evapora da superfície dos oceanos para a atmosfera . . . Correntes de ar em constante movimento na atmosfera da terra levam o ar úmido terra adentro. Quando o ar esfria, o vapor condensa-se para formar gotículas de água. Essas costumam ser vistas mais como nuvens. Frequentemente, essas gotículas se juntam para formar gotas de chuva. Se a atmosfera estiver bastante fria, formar-se-ão flocos de neve, em vez de gotas de chuva. De qualquer modo, a água que viajou desde um oceano por centenas ou mesmo milhares de milhas cai para a superfície da terra. Ali se junta em correntes ou penetra no solo, e inicia sua viagem de volta para o mar.”1
4 Este notável processo, que possibilita haver vida em terra seca, foi bem descrito na Bíblia cerca de 3.000 anos atrás, em termos simples e diretos: “Todos os rios correm para o mar, porém o mar não fica cheio. A água volta para onde nascem os rios, e tudo começa outra vez.” — Eclesiastes 1:7, A Bíblia na Linguagem de Hoje.
5. Como está notavelmente atualizado o comentário do salmista sobre a história dos montes da terra?
5 Talvez ainda mais notável seja a compreensão da história dos montes provida pela Bíblia. O seguinte é o que um compêndio de geologia diz: “Desde tempos pré-cambrianos até o presente, o processo perpétuo do desenvolvimento e da destruição de montes tem continuado. . . . Os montes não somente se têm originado do leito de mares desaparecidos, mas frequentemente têm sido submersos muito depois da sua formação, e então novamente elevados.”2 Compare isso com a linguagem poética do salmista: “Cobriste-a [a Terra] de água de profundeza como vestimenta. As águas pararam acima dos próprios montes. Montes passaram a subir, vales planos passaram a descer — ao lugar que para elas fundaste.” — Salmo 104:6, 8.
“No Princípio”
6. Que declaração bíblica está em harmonia com as atuais teorias científicas sobre a origem do Universo?
6 Logo o primeiro versículo da Bíblia declara: “No princípio Deus criou os céus e a terra.” (Gênesis 1:1) As observações feitas por cientistas os têm levado a teorizar que o Universo material de fato teve um princípio. Não existiu sempre. O astrônomo Robert Jastrow, agnóstico em assuntos religiosos, escreveu: “Os pormenores diferem, mas os elementos essenciais no relato astronômico e nos relatos bíblicos de Gênesis são os mesmos: a cadeia de eventos que conduz ao homem começou súbita e distintamente num momento definido do tempo, num clarão de luz e energia.”3
7, 8. Embora não admitam o papel desempenhado por Deus no assunto, o que se veem muitos cientistas obrigados a admitir a respeito da origem do Universo?
7 É verdade que muitos cientistas, embora creiam que o Universo teve princípio, não aceitam a declaração de que “Deus criou”. Não obstante, alguns admitem agora que é difícil não fazer caso da evidência de alguma espécie de inteligência por detrás de tudo. O professor de física Freeman Dyson comenta: “Quanto mais eu examino o Universo e estudo os pormenores da sua arquitetura, tanto mais evidência encontro de que o Universo, em certo sentido, deve ter sabido que nós estávamos chegando.”
8 Dyson prossegue, admitindo: “Sendo eu cientista, treinado nos hábitos do pensamento e da linguagem do século vinte, em vez de nos do século dezoito, não afirmo que a arquitetura do Universo prova a existência de Deus. Afirmo apenas que a arquitetura do Universo é coerente com a hipótese de que a mente desempenha um papel essencial no seu funcionamento.”4 Seus comentários certamente revelam a atitude céptica dos nossos tempos. Mas, deixando de lado tal cepticismo, observa-se uma notável harmonia entre a ciência moderna e a declaração bíblica de que “no princípio Deus criou os céus e a terra”. — Gênesis 1:1.
Saúde e Saneamento
9. Como reflete sabedoria prática a lei bíblica a respeito de doenças infecciosas da pele? (Jó 12:9, 16a)
9 Considere a maneira de a Bíblia abranger outro campo: a saúde e o saneamento. Quando um israelita tinha uma mancha na pele de que se suspeitava ser leprosa, ele era posto em isolamento. “Será impuro todos os dias em que a praga estiver nele. Ele é impuro. Deve morar isolado. Seu lugar de morada é fora do acampamento.” (Levítico 13:46) Até mesmo as vestes contaminadas eram queimadas. (Levítico 13:52) Naqueles dias, essa era uma maneira eficaz de impedir que a infecção se espalhasse.
10. Como se beneficiariam muitos em alguns países se seguissem o conselho bíblico sobre a higiene?
10 Outra lei importante tinha que ver com a eliminação do excremento humano, que tinha de ser enterrado fora do acampamento. (Deuteronômio 23:12, 13) Essa lei, sem dúvida, resguardou Israel de muitas doenças. Até mesmo hoje, em alguns países, criam-se graves problemas de saúde por causa da eliminação imprópria dos dejetos humanos. Se as pessoas nessas terras tão somente seguissem a lei escrita há milhares de anos na Bíblia, teriam muito mais saúde.
11. Que conselho bíblico sobre a saúde mental tem-se mostrado prático?
11 As elevadas normas de higiene, da Bíblia, até mesmo envolviam a saúde mental. Um provérbio bíblico diz: “O coração calmo é a vida do organismo carnal, mas o ciúme é podridão para os ossos.” (Provérbios 14:30) Em anos recentes, a pesquisa médica demonstrou que nossa saúde física de fato é afetada pela nossa atitude mental. Por exemplo, a Doutora C. B. Thomas, da Universidade de Johns Hopkins, estudou mais de mil pessoas formadas na universidade, durante um período de 16 anos, confrontando as características psicológicas delas com a sua vulnerabilidade a doenças. Uma coisa ela notou: as pessoas formadas mais vulneráveis a doenças eram aquelas que mais se zangavam e que mais ansiosas ficavam sob pressão.5
O Que Diz a Bíblia?
12. Por que insistiu a Igreja Católica que a teoria de Galileu, a respeito da Terra, era heresia?
12 Se a Bíblia é tão exata em campos científicos, por que dizia a Igreja Católica que o ensino de Galileu, de que a Terra se movia em torno do Sol, era antibíblico? Por causa da maneira em que as autoridades interpretavam certos versículos da Bíblia.6 Tinham razão? Leiamos duas dessas passagens que citavam e vejamos.
13, 14. Que versículos bíblicos foram mal-aplicados pela Igreja Católica? Queira explicar isso.
13 Uma passagem diz: “O sol se levanta, o sol se deita, apressando-se a voltar ao seu lugar para novamente tornar a nascer.” (Eclesiastes 1:5, A Bíblia de Jerusalém) Segundo o argumento da Igreja, expressões tais como “o sol se levanta” e “o sol se deita”, significavam que o Sol, não a Terra, se locomove. No entanto, mesmo hoje, dizemos que o Sol se levanta e se põe, e a maioria de nós sabe que é a Terra que orbita, não o Sol. Quando usamos expressões assim, apenas descrevemos o aparente movimento do Sol, conforme parece ao observador humano. O escritor bíblico fez exatamente o mesmo.
14 A outra passagem diz: “Assentaste a terra sobre suas bases, inabalável para sempre e eternamente.” (Salmo 104:5, A Bíblia de Jerusalém) Isso foi interpretado como significando que a Terra, após a sua criação, não se podia mais locomover. Na realidade, porém, este versículo enfatiza a permanência da Terra, não a sua imobilidade. A Terra nunca será ‘abalada’ para deixar de existir, ou ser destruída, conforme outros versículos da Bíblia confirmam. (Salmo 37:29; Eclesiastes 1:4) Este texto tampouco tem algo que ver com os movimentos relativos da Terra e do Sol. No tempo de Galileu, foi a Igreja, não a Bíblia, que impediu o livre debate científico.
Evolução e Criação
15. Qual é a teoria da evolução, e como contradiz ela a Bíblia?
15 No entanto, há um campo em que, segundo muitos, a ciência moderna e a Bíblia irremediavelmente divergem. A maioria dos cientistas crê na teoria da evolução, a qual ensina que todas as coisas vivas evoluíram duma forma simples de vida, que veio à existência há milhões de anos. A Bíblia, por outro lado, ensina que cada um dos principais grupos de coisas vivas foi criado especialmente e se reproduz apenas “segundo a sua espécie”. Ela diz que o homem foi criado “do pó do solo”. (Gênesis 1:21; 2:7) Trata-se aqui dum flagrante erro científico da Bíblia? Antes de decidirmos isso, examinemos mais de perto o que a ciência realmente sabe, em confronto com o que ela teoriza.
16-18. (a) Qual foi uma das observações feitas por Charles Darwin, que o levou a crer na evolução? (b) Como podemos argumentar que aquilo que Darwin observou nas ilhas Galápagos não contradiz a Bíblia?
16 A teoria da evolução foi popularizada no século passado por Charles Darwin. Quando Darwin estava nas ilhas Galápagos, no Pacífico, ficou muito impressionado com as diferentes espécies de tentilhões nas diversas ilhas, todos os quais, segundo deduziu, devem ter descendido de apenas uma espécie ancestral. Parcialmente por causa dessas observações, ele promoveu a teoria de que todas as coisas vivas provinham de uma só forma original simples. A força impulsora por detrás da evolução das criaturas superiores a partir das inferiores, segundo ele, era a seleção natural, a sobrevivência do mais apto. Graças à evolução, segundo ele alegava, os animais terrestres se desenvolveram de peixes, as aves de répteis, e assim por diante.
17 Na realidade, o que Darwin observou naquelas ilhas isoladas não estava em desacordo com a Bíblia, que permite variações dentro de uma principal espécie viva. Por exemplo, todas as raças da humanidade procederam de apenas um casal humano original. (Gênesis 2:7, 22-24) De modo que não é estranho que aquelas diferentes espécies de tentilhões descendessem duma espécie ancestral comum. Mas estes continuaram a ser tentilhões. Não evoluíram para se tornar falcões ou águias.
18 Nem as diversas espécies de tentilhões, nem qualquer outra coisa que Darwin viu, prova que todas as coisas viventes, quer tubarões, quer gaivotas, elefantes ou minhocas, tenham tido um ancestral comum. Todavia, muitos cientistas afirmam que a evolução não é mais apenas uma teoria, mas sim um fato. Outros, embora reconheçam os problemas da teoria, dizem que creem nela mesmo assim. É popular fazer isso. Nós, porém, precisamos saber se a evolução foi provada a tal ponto, que a Bíblia tem de estar errada.
Foi Provada?
19. A documentação fóssil apoia a evolução ou a criação?
19 Como se pode testar a teoria da evolução? A maneira mais óbvia é examinar a documentação fóssil, para ver se realmente houve uma gradual mudança de uma espécie para outra. Será que houve? Não, conforme admitem honestamente uma série de cientistas. Um deles, Francis Hitching, escreve: “Quando se procuram elos entre os principais grupos de animais, esses simplesmente não existem.”7 Essa falta de evidência na documentação fóssil é tão óbvia, que os evolucionistas surgiram com alternativas da teoria de Darwin, de uma mudança gradual. No entanto, a verdade é que o repentino aparecimento de espécies de animais na documentação fóssil apoia muito mais a criação especial do que ela apoia a evolução.
20. Por que não permite a maneira de as células vivas se reproduzirem que haja evolução?
20 Além disso, Hitching mostra que as criaturas vivas são programadas para se reproduzirem com exatidão, em vez de evoluírem em outra coisa. Ele diz: “As células vivas se reproduzem com fidelidade quase que total. O grau de erro é tão ínfimo, que nenhuma máquina de fabricação humana pode chegar perto disso. Há também restrições inerentes. As plantas atingem certo tamanho e se negam a crescer mais. As moscas-das-frutas negam-se a se tornar outra coisa senão moscas-das-frutas, não importa quais as circunstâncias que se inventem.”8 Mutações, induzidas por cientistas durante muitas décadas em moscas-das-frutas, não conseguiram forçar essas a evoluir em outra coisa.
A Origem da Vida
21. Que conclusão provada por Louis Pasteur constitui um sério problema para os evolucionistas?
21 Outra questão espinhosa que os evolucionistas deixaram de resolver é: qual foi a origem da vida? Como veio a existir a primeira forma de vida simples — da qual todos nós supostamente descendemos? Há séculos, isso não teria parecido problema. A maioria das pessoas acreditava então que as moscas podiam desenvolver-se de carne em decomposição e que uma pilha de trapos velhos podia produzir espontaneamente ratos. No entanto, há mais de cem anos, o químico francês Louis Pasteur demonstrou claramente que a vida só pode proceder de vida preexistente.
22, 23. Segundo os evolucionistas, como se originou a vida, mas o que mostram os fatos?
22 Então, como explicam os evolucionistas a origem da vida? Segundo a teoria mais popular, uma combinação casual de substâncias químicas e de energia provocou uma geração espontânea de vida, há milhões de anos. Que dizer do princípio provado por Pasteur? A Enciclopédia Delta Universal explica: “Pasteur mostrou que a vida não pode originar-se espontaneamente nas presentes condições químicas e físicas da Terra. Bilhões de anos atrás, porém, as condições químicas e físicas da Terra eram muitíssimo diferentes”!9
23 Mesmo sob condições bem diferentes, porém, há uma enorme brecha entre matéria inanimada e a coisa viva mais simples. Michael Denton, no seu livro Evolução: Uma Teoria em Crise, diz: “Entre uma célula viva e o sistema não biológico mais altamente ordenado, tal como um cristal ou um floco de neve, há o mais vasto e absoluto abismo que se possa imaginar.”10 A ideia de que matéria inanimada possa passar a ter vida por algum acaso fortuito é tão remota, que é impossível. A explicação bíblica, de que ‘vida procede de vida’, visto que a vida foi criada por Deus, está convincentemente em harmonia com os fatos.
Por Que Não Aceitam a Criação
24. Apesar dos problemas da teoria, por que se apega ainda a maioria dos evolucionistas à teoria da evolução?
24 Apesar dos problemas inerentes na teoria da evolução, a crença na criação é hoje considerada anticientífica, e até mesmo excêntrica. Por que se dá isso? Por que até mesmo uma autoridade tal como Francis Hitching, que honestamente indica as fraquezas da evolução, rejeita a ideia da criação?11 Michael Denton explica que a evolução, apesar de todas as suas falhas, continuará a ser ensinada, porque as teorias relacionadas com a criação “invocam causas francamente sobrenaturais”.12 Em outras palavras, o fato de que a criação envolve um Criador torna-a inaceitável. Este certamente é o mesmo círculo vicioso que já encontramos no caso dos milagres: milagres são impossíveis porque são milagrosos!
25. Que fraqueza da evolução, falando-se em sentido científico, mostra que ela não é uma alternativa válida para a criação, para explicar a origem da vida?
25 Além disso, a própria teoria da evolução é profundamente suspeita do ponto de vista científico. Michael Denton prossegue: “Visto ser basicamente uma teoria de reconstrução histórica, [a teoria da evolução, de Darwin,] é impossível de ser verificada por experimentos ou pela observação direta, como é normal na ciência. . . . Além disso, a teoria da evolução trata duma série de eventos ímpares, a origem da vida, a origem da inteligência, e assim por diante. Eventos ímpares não podem ser repetidos e não podem ser submetidos a nenhuma espécie de investigação experimental.”13 A verdade é que a teoria da evolução, apesar da sua popularidade, está cheia de falhas e problemas. Ela não apresenta nenhum bom motivo para se rejeitar o relato bíblico sobre a origem da vida. O primeiro capítulo de Gênesis fornece um relato inteiramente razoável de como estes “eventos ímpares”, que “não podem ser repetidos”, vieram a acontecer durante os ‘dias’ criativos que se estenderam por milênios.a
Que Dizer do Dilúvio?
26, 27. (a) O que diz a Bíblia sobre o Dilúvio? (b) De onde devem ter vindo, em parte, as águas do Dilúvio?
26 Muitos apontam outra suposta contradição entre a Bíblia e a ciência moderna. No livro de Gênesis lemos que, há milhares de anos, a iniquidade dos homens era tão grande, que Deus determinou destruí-los. Todavia, mandou que o homem justo Noé construísse uma grande embarcação de madeira, uma arca. Daí, Deus trouxe um dilúvio sobre a humanidade. Somente Noé e sua família sobreviveram, junto com representantes de todas as espécies animais. O Dilúvio era tão enorme, que “ficaram cobertos todos os altos montes que havia debaixo de todos os céus”. — Gênesis 7:19.
27 Donde veio toda essa água para cobrir a terra inteira? A própria Bíblia responde. Na parte inicial do processo de criação, quando a expansão da atmosfera começou a tomar forma, passou a haver “águas . . . debaixo da expansão” e “águas . . . por cima da expansão”. (Gênesis 1:7; 2 Pedro 3:5) Quando veio o Dilúvio, a Bíblia diz: “Abriram-se as comportas dos céus.” (Gênesis 7:11) Evidentemente, as “águas . . . por cima da expansão” caíram e forneceram grande parte da água para a inundação.
28. Como era o Dilúvio encarado por antigos servos de Deus, incluindo Jesus?
28 Compêndios modernos tendem a rejeitar um dilúvio universal. De modo que temos de perguntar: é o Dilúvio apenas um mito, ou aconteceu realmente? Antes de responder a isso, devemos notar que posteriores adoradores de Jeová aceitavam o Dilúvio como história genuína; não o encaravam como mito. Isaías, Jesus, Paulo e Pedro estavam entre aqueles que o mencionaram como algo que realmente aconteceu. (Isaías 54:9; Mateus 24:37-39; Hebreus 11:7; 1 Pedro 3:20, 21; 2 Pedro 2:5; 3:5-7) Mas há perguntas que precisam de respostas a respeito deste Dilúvio universal.
As Águas do Dilúvio
29, 30. Que fatos sobre a quantidade de água na Terra mostram que o Dilúvio era possível?
29 Primeiro, não é muito extremista a ideia de toda a Terra ter ficado inundada? Na realidade, não é, não. De fato, a Terra ainda está inundada até certo ponto. Setenta por cento dela está coberta por água e apenas 30 por cento dela é terra seca. Além disso, 75 por cento da água potável da Terra está presa em geleiras e nas calotas polares. Se todo este gelo fosse derreter-se, o nível do mar ficaria muito mais elevado. Cidades tais como Nova York e Tóquio desapareceriam.
30 Além disso, A Nova Enciclopédia Britânica diz: “A profundidade média de todos os mares foi calculada em 3.790 metros, uma cifra consideravelmente maior do que a elevação média da terra acima do nível do mar, que é de 840 metros. Se a profundidade média for multiplicada pela sua respectiva área de superfície, o volume do Oceano Mundial será 11 vezes superior ao da terra acima do nível do mar.”14 Portanto, se tudo fosse nivelado — se os montes fossem achatados e as profundas bacias marítimas enchidas — o mar cobriria a Terra inteira numa profundidade de milhares de metros.
31. (a) Para haver o Dilúvio, qual deve ter sido a situação da Terra antediluviana? (b) O que mostra que era possível que os montes fossem mais baixos e as bacias marítimas mais rasas antes do Dilúvio?
31 Para o Dilúvio poder acontecer, as bacias marítimas antediluvianas devem ter sido mais rasas e os montes mais baixos do que agora. É isso possível? Pois bem, certo compêndio diz: “Onde agora se elevam montes a alturas estonteantes, antigamente, há milhões de anos, estendiam-se oceanos e planícies numa monotonia plana. . . . Os movimentos das placas continentais fazem a massa terrestre elevar-se a uma altura em que apenas os mais resistentes animais e plantas podem sobreviver, e, no outro extremo, mergulhar e jazer em esplendor oculto bem abaixo da superfície do mar.”15 Visto que os montes e as bacias marítimas se elevam e abaixam, é evidente que, em certa época, os montes não eram tão altos como agora e as grandes bacias marítimas não eram tão fundas.
32. O que deve ter acontecido com as águas do Dilúvio? Queira explicar isso.
32 O que aconteceu com as águas inundantes após o Dilúvio? Elas devem ter drenado para as bacias marítimas. Como? Os cientistas acreditam que os continentes repousam sobre enormes placas. O movimento dessas placas pode causar mudanças no nível da superfície da Terra. Em alguns lugares, atualmente, há grandes abismos subaquáticos de mais de 10 km de profundidade nos limites das placas.16 É bem provável que — talvez causado pelo próprio Dilúvio — essas placas se tenham movido, o fundo do mar se tenha abaixado e se tenham aberto grandes valas, permitindo que a água drenasse da massa terrestre.b
Vestígios do Dilúvio?
33, 34. (a) Que evidência já têm os cientistas, que talvez seja evidência do Dilúvio? (b) É razoável dizer que os cientistas talvez interpretem erroneamente essa evidência?
33 Se admitimos que um grande dilúvio pode ter acontecido, então por que é que os cientistas não encontraram nenhum vestígio dele? Eles talvez o tenham encontrado, mas interpretaram a evidência de modo diferente. Por exemplo, a ciência ortodoxa ensina que a superfície da Terra foi modelada em muitos lugares por poderosas geleiras, durante uma série de épocas glaciais. Mas a aparente evidência de atividade glacial pode às vezes ser o resultado da ação de água. É bem provável, então, que parte da evidência do Dilúvio seja interpretada erroneamente como evidência duma época glacial.
34 Tem havido enganos similares. Lemos a respeito do tempo em que os cientistas desenvolveram sua teoria das épocas glaciais: “Para eles, houve épocas glaciais em todo estágio da história geológica, em harmonia com a filosofia da uniformidade. Um cuidadoso reexame da evidência, feita em anos recentes, porém, rejeitou muitas dessas épocas glaciais; formações anteriormente identificadas como morenas glaciais foram reinterpretadas como leitos depositados por enxurradas de lama, deslizamentos submarinos de terra e correntes turvas: avalanches de águas turvas que depositam sedimentos, areia e cascalho no leito fundo do oceano.”18
35, 36. Que evidência da documentação fóssil e da geologia talvez se relacione com o Dilúvio? Queira explicar isso.
35 Outra evidência a favor do Dilúvio parece existir na documentação fóssil. Em certa época, segundo essa documentação, grandes tigres-dentes-de-sabre caçavam suas presas na Europa, cavalos maiores do que quaisquer atualmente vivos percorriam a América do Norte e mamutes percorriam a Sibéria em busca de alimentos. Daí, em todo o mundo, espécies de mamíferos se tornaram extintas. Ao mesmo tempo, houve uma repentina mudança do clima. Dezenas de milhares de mamutes foram mortos e rapidamente congelados na Sibéria.c Alfred Wallace, bem conhecido contemporâneo de Charles Darwin, achava que essa ampla destruição deve ter sido causada por algum excepcional evento mundial.19 Muitos têm argumentado que este evento foi o Dilúvio.
36 Um editorial da revista Biblical Archaeologist observava: “É importante que seja lembrado que a história de um grande dilúvio é uma das mais amplamente difundidas tradições da cultura humana . . . No entanto, atrás das tradições mais antigas, encontradas em fontes do Oriente Próximo, é bem possível ter realmente havido um dilúvio de proporções gigantescas, datando de um dos períodos pluviais . . . há muitos milhares de anos.”20 Os períodos pluviais eram tempos em que a superfície da Terra era muito mais úmida do que agora. Os lagos de água doce, em todo o mundo, eram muito maiores. Teoriza-se que a umidade era causada por pesadas chuvas associadas com o fim das épocas glaciais. Mas alguns sugeriram que, em uma ocasião, a extrema umidade da superfície da Terra foi o resultado do Dilúvio.
A Humanidade Não se Esqueceu
37, 38. Como mostra certo cientista que, segundo a evidência, o Dilúvio talvez tivesse acontecido mesmo, e como sabemos que de fato aconteceu?
37 O professor de geologia John McCampbell escreveu certa vez: “As diferenças essenciais entre o catastrofismo bíblico [o Dilúvio] e o uniformitarismo evolucionista não se devem aos dados factuais da geologia, mas às interpretações destes dados. A interpretação preferida depende em grande parte da formação e das pressuposições de cada estudante.”21
38 Que o Dilúvio realmente aconteceu é visto no fato de que a humanidade nunca o esqueceu. Em todo o mundo, em lugares tão afastados entre si como o Alasca e as Ilhas dos Mares do Sul, existem histórias antigas sobre ele. Civilizações nativas, pré-colombianas, da América, bem como aborígines da Austrália, todos têm histórias sobre o Dilúvio. Embora alguns relatos difiram nos pormenores, o fato básico de que a Terra foi inundada e que apenas poucos humanos foram salvos numa embarcação feita pelo homem aparece em quase todas as versões. A única explicação de tal ampla aceitação é que o Dilúvio foi um evento histórico.d
39. Que prova adicional vimos a respeito de a Bíblia ser a palavra de Deus, não a de homem?
39 Portanto, nos aspectos essenciais, a Bíblia está em harmonia com a ciência moderna. Onde há um conflito entre as duas, a evidência dos cientistas é duvidosa. Onde concordam, a Bíblia muitas vezes é tão exata, que temos de crer que ela obteve suas informações duma inteligência sobre-humana. De fato, a concordância da Bíblia com a ciência provada fornece evidência adicional de que ela é a palavra de Deus, não a de homem.
[Nota(s) de rodapé]
a Uma consideração muito mais detalhada do assunto da evolução e da criação encontra-se no livro A Vida — Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação?, publicado em 1985 e distribuído pelas Testemunhas de Jeová.
b O livro Planeta Terra — Geleira traz à atenção a maneira em que a água na forma de calotas de gelo deprime a superfície da Terra. Por exemplo, diz: “Se o gelo groenlandês fosse desaparecer, a ilha, por fim, voltaria a elevar-se uns 2.000 pés.” Em vista disso, o efeito dum repentino dilúvio global sobre partes da crosta terrestre pode muito bem ter sido catastrófico.17
c Um cálculo menciona cinco milhões.
d Mais informações a respeito do Dilúvio podem ser encontradas em Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 1, páginas 327, 328, 609-612 da edição em inglês; veja também Ajuda ao Entendimento da Bíblia, páginas 450-452, distribuídos pelas Testemunhas de Jeová.
[Quadro na página 105]
“Do Pó”
A “Enciclopédia Delta Universal” relata: “Todos os elementos químicos que formam os seres vivos também estão presentes na matéria inanimada.” Em outras palavras, os elementos químicos básicos que compõem os organismos vivos, incluindo o homem, também são encontrados na própria Terra. Isso se harmoniza com a declaração da Bíblia: “E Jeová Deus passou a formar o homem do pó do solo.” — Gênesis 2:7.
[Quadro na página 107]
“À Imagem de Deus”
Alguns indicam as similaridades físicas entre o homem e certos animais como prova do parentesco entre eles. No entanto, eles têm de concordar que as faculdades mentais do homem são muito superiores às de qualquer animal. Por que tem o homem a capacidade de fazer planos e de organizar o mundo em volta dele, a faculdade do amor, inteligência superior, consciência e concepção do passado, do presente e do futuro? A evolução não consegue responder a isso. Mas a Bíblia sim, quando diz: “Deus passou a criar o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou.” (Gênesis 1:27) No que se refere às faculdades mentais e morais, e ao potencial do homem, ele reflete seu Pai celestial.
[Diagrama/Foto na página 109]
A Bíblia apresenta uma descrição exata do ciclo da água, da Terra.
[Foto na página 99]
A descrição bíblica, de que a Terra está suspensa no espaço, concorda muito bem com o que astronautas relataram ter observado.
[Foto na página 102]
A Bíblia não se envolve em dizer que a Terra orbita em torno do Sol ou o Sol em torno da Terra.
[Foto nas páginas 112, 113]
Se a Terra fosse nivelada, sem montes nem abismos, ela ficaria completamente coberta por uma profunda camada de água.
[Foto na página 114]
Encontraram-se mamutes que foram rapidamente congelados após a sua morte.
[Foto na página 115]
Louis Pasteur provou que a vida só pode proceder de vida já existente.
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Profecias que se cumpriramA Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
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Capítulo 9
Profecias que se cumpriram
Os humanos não podem predizer o futuro com nenhum grau de certeza. Vez após vez, seus esforços de fazer predições fracassam miseravelmente. Portanto, um livro de profecias que realmente se cumpriram tem de atrair nossa atenção. A Bíblia é tal livro.
1. (Inclua a introdução.) O que prova o fato de que a Bíblia registra profecias que se cumpriram?
MUITAS profecias bíblicas cumpriram-se em tantos pormenores, que os críticos afirmam que elas foram escritas depois do cumprimento. Mas tais alegações não são verídicas. Deus, por ser todo-poderoso, é plenamente capaz de profetizar. (Isaías 41:21-26; 42:8, 9; 46:8-10) As profecias bíblicas que já se cumpriram são evidência de inspiração divina, não de autoria posterior. Examinaremos agora algumas notáveis profecias que já se cumpriram — fornecendo prova adicional de que a Bíblia é a palavra de Deus, não de mero homem.
O Exílio em Babilônia
2, 3. Que circunstâncias levaram o Rei Ezequias a mostrar todos os tesouros da sua casa e do seu domínio aos enviados de Babilônia?
2 Ezequias foi rei em Jerusalém por uns 30 anos. Em 740 AEC, ele presenciou a destruição do seu vizinho setentrional, Israel, às mãos da Assíria. Em 732 AEC, sentiu o poder salvador de Deus, quando a tentativa assíria de conquistar Jerusalém fracassou, com resultados catastróficos para o invasor. — Isaías 37:33-38.
3 Ezequias recebeu depois uma delegação de Merodaque-Baladã, rei de Babilônia. Aparentemente, os embaixadores estavam ali para congratular Ezequias pelo seu restabelecimento duma grave doença. No entanto, era provável que Merodaque-Baladã encarasse Ezequias como possível aliado contra a potência mundial da Assíria. Ezequias não fez nada para dissipar tal ideia, quando mostrou aos babilônios visitantes toda a riqueza da sua casa e do seu domínio. Talvez ele também quisesse aliados contra um possível retorno dos assírios. — Isaías 39:1, 2.
4. Que consequências trágicas do erro de Ezequias profetizou Isaías?
4 Isaías era o profeta de destaque naquele tempo, e ele discerniu prontamente a imprudência de Ezequias. Sabia que a defesa mais segura de Ezequias era Jeová, não Babilônia, e disse-lhe que o ato dele, de mostrar aos babilônios a sua riqueza, levaria a uma tragédia. “Vêm dias”, disse Isaías, “e tudo o que há na tua própria casa e o que os teus antepassados armazenaram até o dia de hoje será realmente levado a Babilônia”. Jeová decretou: “Não sobrará nada.” — Isaías 39:5, 6.
5, 6. (a) O que disse Jeremias em confirmação da profecia de Isaías? (b) De que modo se cumpriram as profecias de Isaías e de Jeremias?
5 Lá no oitavo século AEC, o cumprimento desta profecia talvez parecesse improvável. Cem anos mais tarde, porém, a situação mudou. Babilônia substituiu a Assíria como potência mundial dominante, ao passo que Judá ficou tão degradado, em sentido religioso, que Deus retirou sua bênção. Então, outro profeta, Jeremias, foi inspirado para repetir o aviso de Isaías. Jeremias proclamou: “Vou [trazer os babilônios] contra esta terra e contra os seus habitantes . . . E toda esta terra terá de tornar-se um lugar devastado, um assombro, e estas nações terão de servir ao rei de Babilônia por setenta anos.” — Jeremias 25:9, 11.
6 Cerca de quatro anos depois de Jeremias ter feito esta profecia, os babilônios tornaram Judá parte do seu império. Três anos mais tarde, levaram a Babilônia alguns judeus cativos, junto com parte da riqueza do templo em Jerusalém. Oito anos depois, Judá revoltou-se e foi novamente invadida pelo rei babilônio, Nabucodonosor. Esta vez, a cidade e seu templo foram destruídos. Toda a sua riqueza, e os próprios judeus, foram levados à distante Babilônia, assim como fora predito por Isaías e Jeremias. — 2 Crônicas 36:6, 7, 12, 13, 17-21.
7. Como confirma a arqueologia o cumprimento das profecias de Isaías e de Jeremias a respeito de Jerusalém?
7 A Enciclopédia Arqueológica da Terra Santa menciona que, quando terminou o ataque babilônico, “a destruição da cidade [de Jerusalém] era total”.1 O arqueólogo W. F. Albright declara: “A escavação e a exploração de superfície, em Judá, provaram que as cidades de Judá não só foram completamente destruídas pelos caldeus nas suas duas invasões, mas tampouco foram reocupadas durante gerações — em muitos casos, nunca mais na história.”2 A arqueologia confirma assim o espantoso cumprimento dessa profecia.
A Sorte de Tiro
8, 9. Que profecia proferiu Ezequiel contra Tiro?
8 Ezequiel foi outro escritor antigo que registrou profecias divinamente inspiradas. Ele profetizou desde o fim do sétimo e até o começo do sexto século AEC — quer dizer, nos anos que levaram à destruição de Jerusalém, e, depois, nas primeiras décadas do exílio dos judeus em Babilônia. Até mesmo alguns críticos modernos concordam que o livro foi escrito aproximadamente naquela época.
9 Ezequiel registrou uma notável profecia sobre a destruição da vizinha setentrional de Israel, Tiro, que passara duma atitude de amizade para com o povo de Deus para uma de inimizade. (1 Reis 5:1-9; Salmo 83:2-8) Ele escreveu: “Assim disse o Soberano Senhor Jeová: ‘Eis que sou contra ti, ó Tiro, e vou fazer subir contra ti muitas nações, assim como o mar faz subir as suas ondas. E elas certamente arruinarão as muralhas de Tiro e derrubarão as suas torres, e vou raspar dela o seu pó e fazer dela a lustrosa superfície escalvada dum rochedo. . . . E as tuas pedras, e o teu madeiramento, e o teu pó colocarão no próprio meio da água.’” — Ezequiel 26:3, 4, 12.
10-12. Quando se cumpriu finalmente a profecia de Ezequiel, e como?
10 Aconteceu assim realmente? Ora, uns poucos anos depois de Ezequiel ter proferido esta profecia, o rei de Babilônia, Nabucodonosor, pôs cerco a Tiro. (Ezequiel 29:17, 18) Todavia, não foi um cerco fácil. Tiro estava parcialmente situada no continente (a parte chamada de Antiga Tiro). Mas parte da cidade encontrava-se numa ilha a uns 800 m da costa. Nabucodonosor sitiou a ilha durante 13 anos, antes de ela finalmente se sujeitar a ele.
11 No entanto, foi em 332 AEC que a profecia de Ezequiel finalmente se cumpriu em todos os seus pormenores. Naquele tempo, Alexandre Magno, conquistador procedente da Macedônia, invadia a Ásia. Tiro, segura na sua ilha, resistiu a ele. Alexandre não quis deixar um inimigo em potencial na sua retaguarda, mas tampouco quis passar anos sitiando Tiro, assim como Nabucodonosor fizera.
12 Como solucionou este problema militar? Fez um aterro, um molhe, até a ilha, para que seus soldados pudessem marchar por ele e atacar a cidade-ilha. Note, porém, o que ele usou para construir o molhe. The Encyclopedia Americana (A Enciclopédia Americana) relata: “Com os detritos da parte continental da cidade, que ele havia demolido, ele construiu um enorme molhe em 332, para ligar a ilha ao continente.” Depois de um cerco relativamente breve, a cidade-ilha foi destruída. Ademais, a profecia de Ezequiel cumpriu-se em todos os seus pormenores. Até mesmo ‘as pedras, o madeiramento e o pó’ da Antiga Tiro foram ‘colocados no próprio meio da água’.
13. Como descreveu um viajante, no século 19, o sítio da antiga Tiro?
13 Um viajante no século 19 comentou o que sobrara da antiga Tiro nos dias dele, dizendo: “Da Tiro original, conhecida de Salomão e dos profetas de Israel, não resta mais vestígio, exceto nos seus sepulcros escavados em rocha nas encostas dos morros, e em muros de alicerce . . . Nem mesmo a ilha, que Alexandre, o Grande, ao sitiar a cidade, converteu num cabo por encher de terra a água entre ela e o continente, contém relíquias discerníveis dum período anterior ao das Cruzadas. A cidade moderna, toda ela comparativamente nova, ocupa a metade setentrional do que antes era a ilha, ao passo que quase todo o restante da superfície está coberto de ruínas indistinguíveis.”3
A Vez de Babilônia
14, 15. Que profecias contra Babilônia registraram Isaías e Jeremias?
14 Lá no oitavo século AEC, Isaías, o profeta, que avisou os judeus sobre a sua vindoura subjugação por Babilônia, também predisse algo espantoso: o total aniquilamento da própria Babilônia. Predisse isso em pormenores vívidos: “Eis que desperto contra eles os medos . . . E Babilônia, ornato dos reinos, beleza do orgulho dos caldeus, terá de tornar-se como quando Deus derrubou Sodoma e Gomorra. Nunca mais será habitada, nem residirá ela por geração após geração.” — Isaías 13:17-20.
15 Também o profeta Jeremias predisse a queda de Babilônia, que ocorreria muitos anos mais tarde. E ele incluiu um detalhe interessante: “Há uma devastação sobre as suas águas e elas terão de secar-se. . . . Os poderosos de Babilônia deixaram de lutar. Ficaram sentados nas praças fortes. Sua potência secou-se.” — Jeremias 50:38; 51:30.
16. Quando foi Babilônia conquistada, e por quem?
16 Em 539 AEC, chegou ao fim o período do domínio de Babilônia como potência mundial proeminente, quando o vigoroso governante persa, Ciro, acompanhado pelo exército da Média, marchou contra a cidade. No entanto, Ciro viu-se confrontado com um enorme problema. Babilônia era cercada por gigantescas muralhas e parecia inexpugnável. O grande rio Eufrates também atravessava a cidade e contribuía muito para as defesas dela.
17, 18. (a) De que modo houve ‘uma devastação sobre as águas’ de Babilônia? (b) Por que ‘deixaram de lutar os poderosos’ de Babilônia?
17 O historiador grego Heródoto descreve como Ciro solucionou o problema: “Colocou o exército, parte no ponto onde o Eufrates penetra na Babilônia, parte no local onde o rio deixa o país, com ordem de invadir a cidade pelo leito do mesmo, logo que se tornasse vadeável . . . Desviou as águas do rio para o lago [artificial escavado por um anterior governante de Babilônia] pelo canal de comunicação. As águas se escoaram, e o leito do rio facilitou a passagem. Sem perda de tempo, os persas postados nas margens entraram na cidade, com as águas do rio dando apenas pelas coxas.”4
18 Foi assim que a cidade caiu, conforme Jeremias e Isaías haviam avisado. Mas queira notar o cumprimento pormenorizado da profecia. Havia literalmente ‘uma devastação sobre as suas águas, e elas se secaram’. Foi por baixar as águas do Eufrates que Ciro conseguiu entrar na cidade. ‘Deixaram de lutar os poderosos de Babilônia’, conforme Jeremias avisara? A Bíblia — bem como os historiadores gregos Heródoto e Xenofonte — registra que os babilônios na realidade estavam em festa quando se deu o ataque persa.5 A Crônica de Nabonido, uma inscrição cuneiforme oficial, diz que as tropas de Ciro entraram em Babilônia “sem batalha”, o que provavelmente significa sem uma grande e acirrada batalha.6 Evidentemente, os poderosos de Babilônia não fizeram muita coisa para protegê-la.
19. Cumpriu-se a profecia de que Babilônia ‘nunca mais seria habitada’? Queira explicar isso.
19 Que dizer da previsão de que Babilônia “nunca mais será habitada”? Isto não se cumpriu logo em 539 AEC. Mas a profecia cumpriu-se infalivelmente. Após a sua queda, Babilônia foi o centro de várias rebeliões, até 478 AEC, quando foi destruída por Xerxes. No fim do quarto século, Alexandre Magno planejou restaurá-la, mas faleceu antes de a obra ter feito muito progresso. Daí em diante, a cidade simplesmente entrou em declínio. No primeiro século da nossa Era Comum ainda havia gente morando ali, mas hoje, tudo o que resta da antiga Babilônia é um montão de ruínas no Iraque. Mesmo que suas ruínas fossem parcialmente restauradas, Babilônia seria apenas uma atração turística, não uma cidade viva e vibrante. Seu sítio desolado dá testemunho do derradeiro cumprimento das profecias inspiradas feitas contra ela.
A Marcha de Potências Mundiais
20, 21. Que profecia viu Daniel a respeito da marcha de potências mundiais, e como se cumpriu?
20 No sexto século AEC, durante o exílio judaico em Babilônia, outro profeta, Daniel, foi inspirado para registrar algumas notáveis visões que prediziam o rumo futuro de eventos mundiais. Numa delas, Daniel descreve diversos animais simbólicos, que suplantam um ao outro no cenário mundial. Um anjo explica-lhe que esses animais prefiguram a marcha de potências mundiais daquele tempo em diante. Falando sobre os últimos dois animais, ele diz: “O carneiro que viste, tendo dois chifres, representa os reis da Média e da Pérsia. E o bode peludo representa o rei da Grécia; e quanto ao chifre grande que havia entre os seus olhos, este representa o primeiro rei. E que este foi quebrado, de modo que por fim se ergueram quatro em seu lugar, haverá quatro reinos que se erguerão de sua nação, mas não com o seu poder.” — Daniel 8:20-22.
21 Esta previsão profética cumpriu-se com precisão. O Império Babilônico foi derrubado pela Medo-Pérsia, a qual, 200 anos depois, cedeu diante da potência mundial grega. O Império Grego foi encabeçado por Alexandre Magno, o “chifre grande”. Todavia, após a morte de Alexandre, seus generais lutaram entre si pelo poder, e, por fim, o vasto império foi dividido em quatro impérios menores, “quatro reinos”.
22. Numa profecia relacionada, sobre a marcha de potências mundiais, a respeito de que potência mundial adicional se profetizou?
22 No capítulo 7 de Daniel, uma visão um tanto similar também previa o futuro longínquo. A potência mundial babilônica foi retratada por um leão, a persa, por um urso, e a grega, por um leopardo com quatro asas nas costas e quatro cabeças. Daniel viu então outra fera, “atemorizante e terrível, e extraordinariamente forte . . . , e tinha dez chifres”. (Daniel 7:2-7) Esta quarta fera prefigurava o poderoso Império Romano, que começou a desenvolver-se cerca de três séculos depois de Daniel registrar esta profecia.
23. Em que sentido era a quarta fera da profecia de Daniel “diferente de todos os outros reinos”?
23 O anjo profetizou a respeito de Roma: “Quanto ao quarto animal, virá a haver na terra um quarto reino que será diferente de todos os outros reinos; e devorará toda a terra e a pisoteará e esmiuçará.” (Daniel 7:23) H. G. Wells, no seu livro História Mundial de Bolso, diz: “Esta nova potência romana, que surgiu para dominar o mundo ocidental no segundo e no primeiro séculos a.C., era em vários sentidos diferente de qualquer dos grandes impérios que até então haviam prevalecido no mundo civilizado.”7 Começou como república e prosseguiu como monarquia. Dessemelhante dos impérios precedentes, não era a criação de um único imperador, mas desenvolveu-se implacavelmente no decorrer dos séculos. Durou muito, muito mais tempo, e controlou muito mais território do que qualquer império anterior.
24, 25. (a) Como surgiram os dez chifres da fera? (b) Que luta entre os chifres da fera previu Daniel?
24 Que dizer, porém, dos dez chifres deste gigantesco animal? O anjo disse: “E quanto aos dez chifres, daquele reino levantar-se-ão dez reis; e depois deles levantar-se-á ainda outro, e ele mesmo será diferente dos primeiros, e três reis serão humilhados.” (Daniel 7:24) Como se deu isso?
25 Pois bem, quando o Império Romano começou a deteriorar, no quinto século EC, não foi imediatamente substituído por outra potência mundial. Antes, desintegrou-se em diversos reinos, “dez reis”. Por fim, o Império Britânico derrotou os três impérios rivais, a Espanha, a França e os Países Baixos, tornando-se a principal potência mundial. Foi assim que o recém-chegado ‘chifre’ humilhou “três reis”.
Profecias de Daniel — Posteriores às Ocorrências?
26. Segundo afirmam os críticos, quando foi escrito o livro de Daniel, e por que então?
26 A Bíblia indica que o livro de Daniel foi escrito durante o sexto século AEC. Todavia, os cumprimentos das suas profecias são tão exatos, que os críticos afirmam que deve ter sido escrito por volta de 165 AEC, quando algumas das profecias já se tinham cumprido.8 Apesar de o único motivo real desta afirmação ser que as profecias de Daniel se cumpriram, esta data posterior indicada para a escrita de Daniel é em muitas obras de referência apresentada como fato confirmado.
27, 28. Quais são alguns dos fatos que provam que o livro de Daniel não foi escrito em 165 AEC?
27 Contrariando esta teoria, porém, temos de levar em conta os seguintes fatos. Primeiro, alude-se ao livro em obras judaicas produzidas durante o segundo século AEC, tais como o primeiro livro de Macabeus. Fora também incluído na versão Septuaginta grega, cuja tradução começou no terceiro século AEC.9 Terceiro, fragmentos de cópias de Daniel estavam entre as mais frequentemente encontradas obras nos Rolos do Mar Morto — e acredita-se que estes fragmentos datem de cerca de 100 AEC.10 É evidente que, logo depois que o livro de Daniel foi supostamente escrito, ele já era amplamente conhecido e respeitado: forte evidência de que foi produzido muito antes do tempo indicado pelos críticos.
28 Outrossim, o livro de Daniel contém pormenores históricos que um escritor do segundo século não teria conhecido. Notável é o caso de Belsazar, governante de Babilônia, que foi morto quando Babilônia caiu em 539 AEC. As principais fontes não bíblicas que nos dão conhecimento da queda de Babilônia são Heródoto (quinto século), Xenofonte (quinto e quarto séculos) e Beroso (terceiro século). Nenhum deles sabia algo sobre Belsazar.11 Quão improvável é que um escritor do segundo século tivesse informações que não estavam disponíveis a esses autores anteriores! O registro a respeito de Belsazar, em Daniel, capítulo 5, é um forte argumento de que Daniel escreveu seu livro antes de esses outros escritores escreverem os seus.a
29. Por que é impossível que o livro de Daniel fosse escrito depois do cumprimento das profecias contidas nele?
29 Finalmente, há no livro de Daniel diversas profecias que se cumpriram muito depois de 165 AEC. Uma delas é a profecia a respeito do Império Romano, já mencionada. Outra é a notável profecia que predisse a chegada de Jesus, o Messias.
A Vinda do Ungido
30, 31. (a) Que profecia de Daniel predisse o tempo do aparecimento do Messias? (b) Baseados na profecia de Daniel, como podemos calcular o ano em que o Messias devia aparecer?
30 Esta profecia está registrada em Daniel, capítulo 9, e reza: “Setenta semanas [de anos, ou quatrocentos e noventa anos] foram decretadas sobre o teu povo e sobre a tua cidade santa.”b (Daniel 9:24, The Amplified Bible [A Bíblia Amplificada]) O que iria acontecer durante esses 490 anos? Lemos: “Desde a saída do mandamento de restaurar e construir Jerusalém até [a vinda de] o ungido, um príncipe, haverá sete semanas [de anos], e sessenta e duas semanas [de anos].” (Daniel 9:25, AB) De modo que se trata duma profecia sobre o tempo da vinda do “ungido”, o Messias. Como se cumpriu?
31 A ordem de restaurar e construir Jerusalém ‘saiu’ “no vigésimo ano de Artaxerxes, o rei” da Pérsia, isto é, em 455 AEC. (Neemias 2:1-9) Ao fim de 49 anos (7 semanas de anos), grande parte da glória de Jerusalém havia sido restabelecida. E contando então os 483 anos inteiros (7 mais 62 semanas de anos) a partir de 455 AEC, chegamos a 29 EC. Este, de fato, era o “décimo quinto ano do reinado de Tibério César”, ano em que Jesus foi batizado por João, o Batizador. (Lucas 3:1) Naquela ocasião, Jesus foi publicamente identificado como Filho de Deus e iniciou seu ministério da pregação das boas novas à nação judaica. (Mateus 3:13-17; 4:23) Ele se tornou o “ungido”, ou Messias.
32. Segundo a profecia de Daniel, que duração teria o ministério terrestre de Jesus, e o que aconteceria ao fim dele?
32 A profecia acrescenta: “E depois das sessenta e duas semanas [de anos] o ungido será decepado.” Diz também: “E ele entrará num forte e firme pacto com os muitos por uma semana [sete anos]; e no meio da semana ele fará cessar o sacrifício e a oferenda.” (Daniel 9:26, 27, AB) Em harmonia com isso, Jesus foi exclusivamente aos “muitos”, os judeus carnais. Ocasionalmente, ele pregava também aos samaritanos, os quais criam em parte das Escrituras, mas haviam constituído uma seita separada do judaísmo principal. Daí, “no meio da semana”, depois de três anos e meio de pregação, ele entregou sua vida em sacrifício e foi assim “decepado”. Isto significou o fim da Lei mosaica, com seus sacrifícios e oferendas. (Gálatas 3:13, 24, 25) Portanto, com a sua morte, Jesus fez “cessar o sacrifício e a oferenda”.
33. Quanto tempo lidaria Jeová exclusivamente com judeus, e que evento assinalou o fim deste período?
33 Todavia, por mais três anos e meio, a recém-nascida congregação cristã testemunhou exclusivamente a judeus, e, posteriormente, aos samaritanos aparentados. Em 36 EC, porém, ao fim das 70 semanas de anos, o apóstolo Pedro foi dirigido a pregar a um gentio, Cornélio. (Atos 10:1-48) O “pacto com os muitos” não mais se limitava então aos judeus. Pregava-se a salvação também aos gentios incircuncisos.
34. Em harmonia com a profecia de Daniel, o que aconteceu com o Israel carnal por ter rejeitado o Messias?
34 Visto que a nação judaica rejeitou a Jesus e conspirou para fazer com que ele fosse executado, Jeová não a protegeu quando os romanos vieram e destruíram Jerusalém, em 70 EC. Assim se cumpriram as palavras adicionais de Daniel: “E o povo do outro príncipe que virá destruirá a cidade e o santuário. Seu fim virá com uma inundação, e mesmo até o fim haverá guerra.” (Daniel 9:26b, AB) Este segundo “príncipe” foi Tito, o general romano que destruiu Jerusalém em 70 EC.
Profecias Inspiradas
35. Que profecias adicionais a respeito de Jesus cumpriram-se?
35 Foi assim que a profecia de Daniel, sobre as 70 semanas de anos, se cumpriu com notável exatidão. De fato, muitas das profecias registradas nas Escrituras Hebraicas cumpriram-se durante o primeiro século, e várias delas se referiam a Jesus. O lugar de nascimento de Jesus, seu zelo pela casa de Deus, sua atividade de pregação, ser ele traído por 30 moedas de prata, a maneira da sua morte, o fato de que se lançaram sortes sobre as suas vestes — todos estes pormenores foram profetizados nas Escrituras Hebraicas. Seu cumprimento provou além de qualquer dúvida de que Jesus era o Messias, e demonstrou de novo que as profecias eram inspiradas. — Miqueias 5:2; Lucas 2:1-7; Zacarias 11:12; 12:10; Mateus 26:15; 27:35; Salmo 22:18; 34:20; João 19:33-37.
36, 37. O que aprendemos do fato de que profecias bíblicas se cumpriram, e que confiança nos dá este conhecimento?
36 De fato, todas as profecias bíblicas que já deviam cumprir-se foram cumpridas. Tudo aconteceu exatamente assim como a Bíblia disse. Esta é uma forte evidência de que a Bíblia é a Palavra de Deus. Deve ter havido mais do que apenas sabedoria humana por detrás dessas expressões proféticas, para elas serem tão exatas.
37 Mas há outras predições na Bíblia que não se cumpriram naqueles tempos. Por que não? Por que deviam cumprir-se em nossos dias, e até mesmo no nosso futuro. A fidedignidade dessas antigas profecias nos dá confiança de que estas outras predições se cumprirão sem falta. E isso de fato acontece, conforme veremos no próximo capítulo.
[Nota(s) de rodapé]
a Veja o Capítulo 4, “Pode-se Crer no ‘Antigo Testamento’?”, parágrafos 16 e 17.
b Nesta tradução, as palavras entre colchetes foram acrescentadas pelo tradutor para esclarecer o significado.
[Destaque na página 133]
Todas as profecias que já deviam cumprir-se foram cumpridas. As coisas aconteceram exatamente assim como a Bíblia disse que se daria.
[Foto na página 118]
Os arqueólogos descobriram que a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor foi total.
[Foto na página 121]
Foto da moderna Tiro. Quase não sobraram vestígios da Tiro que os profetas de Israel conheciam.
[Foto na página 123]
Os turistas que visitam o sítio da antiga Babilônia são testemunhas do cumprimento das profecias contra a cidade.
[Fotos na página 126]
As profecias de Daniel sobre a marcha de potências mundiais cumpriram-se com tanta exatidão, que críticos modernos pensam que foram escritas após o cumprimento.
BABILÔNIA
PÉRSIA
GRÉCIA
ROMA
GRÃ-BRETANHA
[Foto na página 130]
Daniel profetizou o tempo exato do aparecimento do Messias em Israel.
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Uma profecia Bíblica cujo cumprimento presenciamosA Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
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Capítulo 10
Uma profecia Bíblica cujo cumprimento presenciamos
Já se perguntou por que as coisas hoje são tão diferentes de como eram uns cem anos atrás? Algumas coisas são melhores. Em muitos países, as doenças que matavam no passado são agora curadas como questão de rotina, e a pessoa mediana usufrui um nível de vida nem imaginado pelos seus antepassados. Por outro lado, nosso século tem presenciado as piores guerras e algumas das mais horrendas atrocidades de toda a História. A prosperidade da humanidade — até mesmo a continuação da existência dela — acha-se ameaçada pela explosão demográfica, pelo problema da poluição e por um enorme estoque internacional de armas nucleares, biológicas e químicas. Por que é este século 20 tão diferente dos anteriores?
1. (Inclua a introdução.) (a) Em que difere o século 20 dos séculos anteriores? (b) O que nos ajudará a entender por que os nossos tempos são tão diferentes?
A RESPOSTA a essa pergunta relaciona-se com uma notável profecia bíblica cujo cumprimento presenciamos. Trata-se duma profecia proferida pelo próprio Jesus, e que, além de dar prova da inspiração da Bíblia, indica que vivemos perto de mudanças muito dramáticas no cenário mundial. De que trata essa profecia? E como sabemos que está sendo cumprida?
A Grande Profecia de Jesus
2, 3. Que pergunta fizeram a Jesus os discípulos dele, e onde encontramos a resposta dele?
2 A Bíblia conta-nos que, pouco antes da morte de Jesus, os discípulos dele conversavam sobre os grandes edifícios do templo em Jerusalém; estavam impressionados com o seu tamanho e a sua aparente durabilidade. Mas Jesus disse: “Não observais todas estas coisas? Deveras, eu vos digo: De modo algum ficará aqui pedra sobre pedra sem ser derrubada.” — Mateus 24:1, 2.
3 Os discípulos de Jesus devem ter ficado surpresos com as palavras dele e, mais tarde, chegaram-se a ele para obter mais informações, pedindo: “Dize-nos: Quando sucederão estas coisas e qual será o sinal da tua presença e da terminação do sistema de coisas?” (Mateus 24:3) A resposta de Jesus encontra-se no restante dos capítulos 24 e 25 de Mateus. Suas palavras encontram-se também registradas no capítulo 13 de Marcos e no capítulo 21 de Lucas. Trata-se claramente da mais importante profecia proferida por Jesus enquanto estava na Terra.
4. A respeito de que coisas diferentes perguntaram os discípulos de Jesus?
4 De fato, os discípulos de Jesus perguntaram a respeito de mais de uma coisa. Primeiro, fizeram a pergunta: “Quando sucederão estas coisas?”, isto é: quando serão destruídos Jerusalém e seu templo? Além disso, queriam saber que sinal indicaria que começara a presença de Jesus como Rei do Reino celestial de Deus e que o fim deste sistema de coisas era iminente.
5. (a) Que cumprimento inicial teve a profecia de Jesus, mas quando teriam as suas palavras o cumprimento completo? (b) Como iniciou Jesus a sua resposta à pergunta dos discípulos?
5 Jesus, na sua resposta, tomou ambos os pontos em consideração. Muitas das suas palavras, na realidade, cumpriram-se lá no primeiro século, nos anos que levaram à terrível destruição de Jerusalém em 70 EC. (Mateus 24:4-22) Mas a profecia dele havia de ter um significado ainda maior mais tarde, de fato, em nossos próprios dias. Então, o que disse Jesus? Ele começou com as palavras registradas nos versículos 7 e 8: “Nação se levantará contra nação e reino contra reino, e haverá escassez de víveres e terremotos num lugar após outro. Todas essas coisas são um princípio das dores de aflição.”
6. As palavras de Jesus em Mateus 24:7, 8 nos lembram que profecia paralela?
6 É evidente que a presença de Jesus como Rei celestial seria marcada por grande transtorno na Terra. Isso é confirmado por uma profecia paralela encontrada no livro de Revelação (ou Apocalipse): a visão dos quatro cavaleiros do Apocalipse. (Revelação 6:1-8) O primeiro desses cavaleiros retrata o próprio Jesus como Rei vencedor. Os outros cavaleiros com as suas montarias retratam acontecimentos na Terra, que marcam o início do reinado de Jesus: guerra, fome e morte prematura por diversos meios. Vemos hoje o cumprimento dessas duas profecias?
Guerra!
7. O que é profeticamente prefigurado pela cavalgada do segundo cavaleiro do Apocalipse?
7 Examinemo-las mais de perto. Primeiro, Jesus disse: “Nação se levantará contra nação e reino contra reino.” Era uma profecia de guerra. O segundo dos quatro cavaleiros do Apocalipse similarmente prefigurava guerra. Lemos: “Saiu outro, um cavalo cor de fogo; e ao que estava sentado nele foi concedido tirar da terra a paz, para que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.” (Revelação 6:4) Ora, a humanidade já está travando guerras por milhares de anos. Então, por que deveriam essas palavras ter um significado especial para os nossos dias?
8. Por que esperaríamos que a guerra fosse um aspecto destacado do sinal?
8 Lembre-se de que a guerra por si só não é o sinal da presença de Jesus. O sinal é composto de todos os pormenores da profecia de Jesus acontecendo no mesmo período geral. Mas a guerra é deveras o primeiro aspecto mencionado, de modo que era de esperar que esse aspecto se cumprisse dum modo tão notável, que atrairia a nossa atenção. E todos têm de admitir que as guerras deste século 20 não têm paralelo em toda a História precedente.
9, 10. Como passaram a cumprir-se as profecias a respeito de guerra?
9 Por exemplo, nenhuma das guerras anteriores — embora algumas fossem cruéis e destrutivas — sequer chegou perto da destrutividade das duas guerras mundiais do século 20. Ora, a Primeira Guerra Mundial causou por fim cerca de 14 milhões de mortes, mais do que a população inteira de muitos países. Deveras, “foi concedido tirar da terra a paz, para que se matassem uns aos outros”.
10 De acordo com a profecia, ao segundo cavaleiro do Apocalipse foi “dada uma grande espada”. Como se aplica isso? Do seguinte modo: as armas de guerra tornaram-se muito mais mortíferas. O homem, equipado com tanques, aviões, mortíferos gases venenosos, submarinos, e artilharia capaz de atirar obuses a diversos quilômetros de distância, tornou-se mais eficiente em matar seu próximo. E, desde a Primeira Guerra Mundial, a “grande espada” tornou-se ainda mais destrutiva — devido ao uso de coisas tais como comunicações radiofônicas, o radar, fuzis sofisticados, armas bacteriológicas e químicas, lança-chamas, napalm, novos tipos de bombas, mísseis balísticos intercontinentais, submarinos nucleares, aviões avançados e enormes navios de guerra.
“Um Princípio das Dores de Aflição”
11, 12. Em que sentido foi a Primeira Guerra Mundial apenas “um princípio das dores de aflição”?
11 Os primeiros versículos da profecia de Jesus concluem com as palavras: “Essas coisas são um princípio das dores de aflição.” Certamente foi assim com a Primeira Guerra Mundial. O fim dela, em 1918, não trouxe paz por muito tempo. Seguiram-se logo ações militares limitadas, mas ferozes, na Etiópia, na Líbia, na Espanha, na Rússia, na Índia e em outros países. Daí veio a horrenda Segunda Guerra Mundial, que causou uns 50 milhões de vítimas militares e civis.
12 Além disso, apesar de periódicos acordos de paz e interrupções nas lutas, a humanidade ainda está em guerra. Em 1987, relatou-se que desde 1960 travaram-se 81 guerras maiores, matando 12.555.000 homens, mulheres e crianças. O ano de 1987 presenciou mais guerras travadas do que qualquer ano anterior na História registrada.1 Além disso, os preparativos e gastos militares, que agora atingem um total de cerca de 1.000.000.000.000 de dólares anualmente, prejudicam a economia do mundo.2 Certamente está-se cumprindo a profecia de Jesus a respeito de ‘nação levantar-se contra nação e reino contra reino’. O cavalo vermelho da guerra continua sua feroz cavalgada pela Terra. Mas que dizer do segundo aspecto do sinal?
Escassez de Víveres!
13. Que eventos trágicos predisse Jesus, e como é a sua profecia apoiada pela visão do terceiro cavaleiro do Apocalipse?
13 Jesus predisse: “E haverá escassez de víveres . . . num lugar após outro.” Note como isso se harmoniza com a cavalgada do terceiro dos quatro cavaleiros do Apocalipse. Lemos a seu respeito: “Eu vi, e eis um cavalo preto; e o que estava sentado nele tinha uma balança na mão. E eu ouvi uma voz como que no meio das quatro criaturas viventes dizer: ‘Um litro de trigo por um denário, e três litros de cevada por um denário; e não faças dano ao azeite de oliveira e ao vinho.’” (Revelação 6:5, 6) Sim, uma severa escassez de alimentos!
14. Que grandes fomes, desde 1914, cumpriram a profecia de Jesus?
14 É possível que essa profecia se esteja cumprindo hoje, já que alguns países atingiram níveis de vida tão elevados? Um relance para o mundo como um todo não deixa dúvida quanto à resposta. Em sentido histórico, as fomes têm sido causadas por guerras e por calamidades naturais. Não surpreende, portanto, que nosso século, o qual teve mais do que o seu quinhão de calamidades e guerras, tenha sido repetidamente afligido por fomes. Muitas partes da Terra têm sofrido essas calamidades desde 1914. Um relatório alista mais de 60 grandes fomes desde 1914, em países tão amplamente separados como Grécia, Países Baixos, URSS, Nigéria, Chade, Chile, Peru, Bangladesh, Bengala, Kampuchea, Etiópia e Japão.3 Algumas dessas fomes duraram vários anos e causaram milhões de mortes.
15, 16. Que outros tipos de escassez de alimentos são hoje deveras devastadores?
15 Embora fomes severas costumem receber ampla publicidade, depois de um tempo elas passam, e os sobreviventes retornam aos poucos a uma vida comparativamente normal. Entretanto, outro tipo mais sinistro de escassez de víveres desenvolveu-se durante o século 20. Esse é menos dramático, e, portanto, muitas vezes ignorado. Mas persiste ano após ano. Trata-se do severo flagelo da desnutrição, que afeta quase 800 milhões de pessoas e, em países em desenvolvimento, a cada ano contribui para mais de a metade dos 12 milhões de mortes de crianças com menos de 5 anos.4
16 No século 20, esse tipo de escassez de víveres matava regularmente, em dois dias, aproximadamente tantas pessoas quantas foram mortas em Hiroxima pela bomba atômica. De fato, de dois em dois anos, mais pessoas morrem dos efeitos da fome do que morreram soldados na Primeira e na Segunda Guerras Mundiais juntas. Tem havido “escassez de víveres . . . num lugar após outro” desde 1914? Certamente que sim!
Terremotos
17. Que devastador terremoto ocorreu logo após 1914?
17 Em 13 de janeiro de 1915, apenas dois meses após o começo da Primeira Guerra Mundial, um terremoto abalou os Abruzos, na Itália, e ceifou a vida de 32.610 pessoas. Essa grande calamidade nos faz lembrar que as guerras e a escassez de alimentos durante a presença de Jesus seriam acompanhadas por mais alguma coisa: “Haverá . . . terremotos num lugar após outro.” Assim como se dava com a guerra e a fome, o terremoto nos Abruzos foi apenas “um princípio das dores de aflição”.a
18. Como se cumpriu a profecia de Jesus a respeito de terremotos?
18 O século 20 tem sido um século de terremotos, e graças ao desenvolvimento dos veículos noticiosos, toda a humanidade está bem a par da devastação que causam. Apenas para mencionar alguns, em 1920 morreram 200.000 pessoas num terremoto na China; em 1923, morreram ou desapareceram uns 140.000 num sismo no Japão; em 1935, outro sismo matou 25.000 no que agora é o Paquistão, ao passo que 32.700 morreram na Turquia, em 1939. Houve 66.800 mortos num terremoto no Peru, em 1970. E em 1976, morreram uns 240.000 (ou, segundo algumas fontes, 800.000) em Tangchã, na China6. Mais recentemente, em 2004, ocorreu um terremoto de magnitude 9,0 perto da costa de Sumatra, Indonésia, o qual causou tsunamis que ceifaram mais de 220.000 vidas.b Certamente, tem havido “terremotos num lugar após outro”!7
“Praga Mortífera”
19. Que pormenor adicional do sinal foi predito por Jesus e prefigurado pelo quarto cavaleiro do Apocalipse?
19 Outro pormenor da profecia de Jesus tem que ver com doenças. O evangelista Lucas, no seu relato, registra que Jesus predisse, “num lugar após outro, pestilências”. (Lucas 21:11) Isso também se harmoniza com a visão profética dos quatro cavaleiros do Apocalipse. O quarto cavaleiro chama-se Morte. Ele retrata a morte prematura por diversas causas, inclusive “praga mortífera, e . . . feras da terra”. — Revelação 6:8.
20. Que notável epidemia foi um cumprimento parcial da profecia de Jesus a respeito de pestilências?
20 Lá em 1918 e 1919, mais de 1.000.000.000 de pessoas contraíram a chamada gripe espanhola, e mais de 20.000.000 morreram. Essa doença ceifou mais vidas do que a própria grande guerra.8 E a “praga mortífera”, ou ‘pestilência’, continua a afligir esta geração, apesar dos notáveis avanços da medicina. Por que se dá isso? Em primeiro lugar, os países mais pobres nem sempre usufruem os benefícios do progresso científico. Os pobres sofrem e morrem de doenças que poderiam ser curadas se mais dinheiro fosse tornado disponível.
21, 22. De que modo sofreram pessoas tanto em países ricos como em pobres de “praga mortífera”?
21 Assim, até 500 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de malária. Cerca de 200 milhões têm esquistossomose (febre do caramujo). A doença de Chagas aflige quase 20 milhões de pessoas. Uns 126 milhões correm risco de oncocercose (cegueira do rio). Doenças diarreicas agudas matam milhões de crianças todo ano.9 A tuberculose e a lepra ainda constituem um significativo problema de saúde. De modo destacado, os pobres deste mundo sofrem de ‘pestilências num lugar após outro’.
22 Mas o mesmo acontece com os ricos. Por exemplo, a gripe epidêmica aflige tanto os ricos como os pobres. Em 1957, um tipo de gripe, só nos Estados Unidos, causou 70.000 mortes. Na Alemanha, calcula-se que uma em seis pessoas, por fim, padecerá de câncer.10 As doenças sexualmente transmissíveis também atacam os ricos e os pobres. A cada ano, 62 milhões de pessoas são infectadas com gonorreia.11 A sífilis, a clamídia e o herpes genital são algumas das outras “pestilências” pandêmicas sexualmente transmissíveis.
23. Que “praga mortífera” tornou-se recentemente manchete nos jornais?
23 Em anos recentes, a “praga mortífera” da AIDS também ingressou na lista das “pestilências”. A AIDS é uma doença aterrorizante, porque, na época de se escrever isso, ainda não havia cura definitiva em vista e as vítimas só conseguem viver mais tomando medicamentos caros. Hoje calculadamente 42 milhões de pessoas estão infectadas com HIV, o vírus que causa aids. A organização Unaids relata: “Nos 45 países mais afetados, calcula-se que, no período de 2000 a 2020, 68 milhões de pessoas terão morte prematura por causa da aids.”12 Deveras, uma “praga mortífera”! Mas que dizer da profecia sobre a morte causada por feras?
As “Feras da Terra”
24, 25. (a) A que espécie de ‘fera’ referiu-se o profeta Ezequiel? (b) O que disse Jesus quanto a “feras” estarem ativas na Terra durante a sua presença?
24 Acontece que, quando hoje se mencionam animais selvagens nos jornais, isso se dá porque certas espécies estão em perigo ou estão quase extintas. As “feras da terra” são muito mais ameaçadas pelos humanos, do que os humanos por elas. Apesar disso, em alguns países, animais selvagens, tais como tigres na Índia, ainda tiram constantemente vidas humanas.
25 No entanto, a Bíblia traz à nossa atenção outra espécie de fera, que tem provocado verdadeiro medo nos últimos anos. O profeta Ezequiel comparou homens violentos a feras, ao dizer: “Os príncipes dela no seu meio são como lobos dilacerando a presa em derramamento de sangue, destruindo almas para obter lucro injusto.” (Ezequiel 22:27) Quando Jesus profetizou a respeito dum “aumento do que é contra a lei”, na realidade estava dizendo que tais “feras” estariam ativas na Terra durante a sua presença. (Mateus 24:12) O escritor bíblico Paulo acrescenta que, durante os “últimos dias”, os homens seriam “amantes do dinheiro . . . sem autodomínio, ferozes, sem amor a bondade”. (2 Timóteo 3:1-3) Tem acontecido isso desde 1914?
26-28. Que relatórios de todas as partes do mundo mostram que há “feras” criminosas rondando a Terra?
26 Certamente que sim. Já está a par disso, se estiver morando em uma de quase qualquer cidade grande. Mas se estiver duvidando disso, então considere as seguintes citações de jornais. Da Colômbia: “No ano passado, a polícia registrou . . . cerca de 10.000 assassinatos e 25.000 assaltos a mão armada.” De Vitória, na Austrália: “Aumento Vertiginoso nos Crimes Graves.” Nos Estados Unidos, o índice de homicídios praticados por adolescentes triplicou num período de oito anos. A respeito de 500 homicídios recentes em Los Angeles, Califórnia, “a polícia disse que 75% eram relacionados com quadrilhas”.
27 De Zimbábue: “Assassinatos de criancinhas assumem proporções críticas.” Do Brasil: “Aqui se cometem tantos crimes e se portam tantas armas, que as notícias sobre violência simplesmente não geram mais grande agitação.” Da Nova Zelândia: “Ataques sexuais e crimes violentos continuam a ser uma das principais preocupações da polícia.” “O nível de violência dos neozelandeses de uns para com os outros só se pode descrever como bárbaro.” Da Espanha: “A Espanha às voltas com o crescente problema dos crimes.” Da Itália: “A Máfia siciliana, depois dum revés, revive numa onda de matanças.”
28 Essas são apenas umas poucas amostras de notícias jornalísticas publicadas pouco antes do lançamento deste livro. Por certo, há “feras” rondando a Terra, fazendo as pessoas tremer pela sua segurança.
A Pregação das Boas Novas
29, 30. Qual é a situação religiosa da cristandade, em cumprimento da profecia de Jesus?
29 O que aconteceria com a religião durante o tempo atribulado da presença de Jesus? Por um lado, Jesus profetizou que haveria um aumento na atividade religiosa: “Surgirão muitos falsos profetas, e desencaminharão a muitos.” (Mateus 24:11) Por outro lado, ele predisse que, na cristandade como um todo, o interesse em Deus estaria em declínio. “O amor da maioria se esfriará.” — Mateus 24:12.
30 Isso deveras descreve o que hoje está acontecendo na cristandade. Por outro lado, as principais igrejas, em toda a parte, estão declinando por falta de apoio. Nos antes predominantemente protestantes países do norte da Europa e na Inglaterra, a religião quase que já está morta. Ao mesmo tempo, a Igreja Católica sofre da falta de sacerdotes e da diminuição de apoio. Por outro lado, tem havido um surto de elementos religiosos menores. Cultos baseados em religiões orientais proliferam, ao passo que televangelistas gananciosos extorquem milhões de dólares.
31. O que predisse Jesus, que nos ajuda a identificar hoje os verdadeiros cristãos?
31 Que dizer, porém, do verdadeiro cristianismo, a religião introduzida por Jesus e pregada pelos seus apóstolos? Esse ainda existiria durante a presença de Jesus, mas como seria reconhecido? Há diversas coisas que identificam o verdadeiro cristianismo, e uma delas é mencionada na grande profecia de Jesus. Os verdadeiros cristãos estariam ocupados numa obra mundial de pregação. Jesus profetizou: “E estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” — Mateus 24:14.
32. Apenas que grupo tem cumprido a profecia de Jesus registrada em Mateus 24:14?
32 Essa pregação ocorre agora em escala colossal! Atualmente, o grupo religioso chamado Testemunhas de Jeová está empenhado na mais intensiva atividade de pregação na história do cristianismo. (Isaías 43:10, 12) Lá em 1919, enquanto as principais religiões da cristandade, de mentalidade voltada para a política, estavam promovendo a malfadada Liga das Nações, as Testemunhas de Jeová estavam sendo preparadas para essa campanha de pregação global.
33, 34. Até que ponto têm sido pregadas as boas novas do Reino em todo o mundo?
33 Lá naquele tempo, havia apenas umas 10.000 Testemunhas, mas essas sabiam que obra tinha de ser feita. Empreenderam corajosamente a tarefa da pregação. Deram-se conta de que a separação entre clérigos e leigos era contrária tanto às ordens da Bíblia como ao modelo apostólico. De modo que todas elas, sem exceção, aprenderam a falar ao seu próximo sobre o Reino de Deus. Tornaram-se uma organização de pregadores.
34 Com o avanço do tempo, esses pregadores tiveram de suportar uma intensa oposição. Na Europa, sofreram a oposição de diversos tipos de regimes totalitários. Nos Estados Unidos e no Canadá, confrontaram-se com desafios jurídicos e a ação de turbas amotinadas. Em outros países, tiveram de vencer um fanático preconceito religioso e a implacável perseguição movida por ditadores tirânicos. Nos últimos anos, também se viram confrontados pelo espírito de cepticismo e de comodismo. Mas perseveraram a ponto de que hoje há mais de três milhões e meio deles, em 212 países. Nunca antes se pregaram as boas novas do Reino tão amplamente — em notável cumprimento desse aspecto do sinal!
O Que Significa Tudo Isso?
35. (a) Como nos ajuda hoje o cumprimento de profecias a demonstrar a inspiração divina da Bíblia? (b) O que significa para os nossos dias o cumprimento do sinal dado por Jesus?
35 Sem dúvida, presenciamos o cumprimento do grande sinal dado por Jesus. Esse fato aumenta a evidência de que a Bíblia deveras é inspirada por Deus. Nenhum humano poderia ter predito com tanta antecedência os eventos que ocorreriam durante este século 20. Além disso, o cumprimento do sinal significa que vivemos no tempo da presença de Jesus e da terminação do sistema de coisas. (Mateus 24:3) Qual é a significância disso? O que envolve a presença de Jesus? E qual é o sistema de coisas que está terminando? Para responder a essas perguntas, precisamos considerar outra forte evidência da inspiração da Bíblia: sua notável harmonia interna. Consideraremos isso a seguir e veremos como o principal tema da Bíblia se aproxima agora mesmo do seu espantoso clímax.
[Nota(s) de rodapé]
a Entre 1914 e 1918, houve pelo menos cinco terremotos que registraram 8 pontos ou mais na escala Richter — mais fortes do que o terremoto nos Abruzos. Todavia, esses tremores ocorreram em regiões remotas do globo, de modo que não atraíram tanta atenção como o sismo na Itália.5
b Relataram-se cifras diferentes referentes ao número de vítimas de algumas dessas calamidades. Todas elas, porém, foram extremamente destrutivas.
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A harmonia global da BíbliaA Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
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Capítulo 11
A harmonia global da Bíblia
Imagine uma biblioteca de 66 livros, escritos por umas 40 pessoas diferentes durante um período de 1.600 anos. Três línguas foram usadas por escritores que viveram em diversas terras. Todos os escritores tinham personalidade, habilidades e formação diferentes. Mas, por fim, quando os livros que escreveram foram compilados, viu-se que esses, na realidade, constituíam apenas um só grandioso livro, que segue um só tema básico, do princípio ao fim. Isso é difícil de imaginar, não é? Contudo, a Bíblia é exatamente tal biblioteca.
1. (Inclua a introdução.) Que notável harmonia atesta que a Bíblia é inspirada por Deus?
NENHUM estudante sincero pode deixar de ficar impressionado com o fato de que a Bíblia, embora seja uma coleção de livros diferentes, constitui um só produto unificado. É unificado no sentido de que, do princípio ao fim, promove a adoração de apenas um Deus, cujas características nunca mudam, e de que todos os seus livros desenvolvem um só tema prevalecente. Essa harmonia global é uma poderosa evidência de que a Bíblia, de fato, é a Palavra de Deus.
2, 3. Que profecia proferida no Éden ofereceu uma base para esperança, e que circunstâncias levaram ao proferimento dessa profecia?
2 O tema básico da Bíblia é apresentado logo nos capítulos iniciais do seu primeiro livro, Gênesis. Lemos ali que os nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram criados perfeitos e colocados num jardim paradísico, o Éden. No entanto, Eva foi abordada por uma serpente, que desafiou a justeza das leis de Deus e a engodou com mentiras sutis a um proceder de pecado. Adão acompanhou-a e também desobedeceu a Deus. Com que resultado? Ambos foram expulsos do Éden e condenados à morte. Nós sofremos hoje os resultados daquela primeira rebelião. Todos herdamos o pecado e a morte de nossos primeiros pais. — Gênesis 3:1-7, 19, 24; Romanos 5:12.
3 Naquela ocasião trágica, porém, Deus proferiu uma profecia que ofereceu base para esperança. A profecia foi dirigida à serpente, mas foi proferida aos ouvidos de Adão e Eva, de modo que pudessem transmiti-la aos seus filhos. Isto foi o que Deus disse: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre o teu descendente [hebraico, lit.: a tua semente] e o seu descendente [lit.: a sua semente]. Ele te machucará a cabeça e tu lhe machucarás o calcanhar.” — Gênesis 3:15; Romanos 8:20, 21.
4. Que entes foram mencionados na profecia de Jeová no Éden, e que interação haveria entre eles no decorrer dos séculos?
4 Note os quatro entes mencionados nesse versículo temático: a serpente e sua semente, bem como a mulher e sua semente. Esses entes desempenhariam o papel principal nos eventos durante milênios futuros. Haveria constante inimizade entre a mulher e sua semente de um lado, e a serpente e sua semente do outro lado. Essa inimizade incluiria o contínuo conflito entre a adoração verdadeira e a falsa, entre a conduta correta e a iniquidade. Em certo estágio, a serpente conseguiria uma aparente vantagem, ao machucar o calcanhar da semente da mulher. Finalmente, porém, a semente da mulher havia de esmagar a cabeça da serpente, e o próprio Deus ficaria vindicado quando todos os traços da rebelião original tivessem sido removidos.
5. Como sabemos que Eva não era a mulher da profecia?
5 Quem são a mulher e a serpente? E quem são suas sementes? Quando Eva teve seu primeiro filho, Caim, ela exclamou: “Produzi um homem com o auxílio de Jeová.” (Gênesis 4:1) Talvez achasse que ela era a mulher da profecia e que esse filho mostraria ser a semente. Todavia, Caim tinha má índole, similar à serpente. Tornou-se assassino, matando seu próprio irmão mais jovem, Abel. (Gênesis 4:8) É evidente que a profecia tinha um significado mais profundo, simbólico, que somente Deus podia explicar. E ele fez isso, aos poucos. Todos os 66 livros da Bíblia contribuem de um ou de outro modo para a revelação do significado dessa primeira profecia da Bíblia.
Quem É a Serpente?
6-8. Que palavras de Jesus nos ajudam a identificar o poder por detrás da serpente? Queira explicar isso.
6 Primeiro, quem é a serpente mencionada em Gênesis 3:15? O relato diz que uma serpente literal abordou Eva, no Éden, mas as serpentes literais não podem falar. Deve ter havido algum poder por detrás daquela serpente, induzindo-a a tal ação. Qual era esse poder? Foi só no primeiro século da nossa Era Comum, quando Jesus realizou seu ministério aqui na Terra, que se revelou claramente a identidade desse poder.
7 Jesus, em certa ocasião, estava falando com alguns líderes religiosos judaicos, justos aos seus próprios olhos, que se gabavam de que eram filhos de Abraão. Todavia, haviam sido inflexivelmente opostos à verdade pregada por Jesus. De modo que Jesus lhes disse: “Vós sois de vosso pai, o Diabo, e quereis fazer os desejos de vosso pai. Esse foi um homicida quando começou, e não permaneceu firme na verdade, porque não há nele verdade. Quando fala a mentira, fala segundo a sua própria disposição, porque é um mentiroso e o pai da mentira.” — João 8:44.
8 As palavras de Jesus eram fortes e diretas. Descreveu o Diabo como “homicida” e como “o pai da mentira”. Ora, as primeiras mentiras registradas foram as da serpente, no Éden. Quem quer que tenha proferido essas mentiras era de fato “o pai da mentira”. Além disso, essas mentiras resultaram na morte de Adão e Eva, constituindo aquele antigo mentiroso em assassino. Obviamente, então, o poder por detrás da serpente no Éden era Satanás, o Diabo, e Jeová realmente falou a Satanás naquela antiga profecia.
9. Como veio Satanás à existência?
9 Alguns perguntam: se Deus é bom, por que criou ele uma criatura assim como o Diabo? As palavras de Jesus também nos ajudam a responder a essa pergunta. Jesus disse a respeito de Satanás: “[Ele] foi um homicida quando começou.” Assim, foi quando Satanás mentiu a Eva que ele começou a ser Satanás — palavra que provém duma hebraica que significa “opositor”. Deus não criou Satanás. Um anjo anteriormente fiel permitiu que o desejo errado se desenvolvesse no seu coração, de modo que se tornou Satanás. — Deuteronômio 32:4; veja Jó 1:6-12; 2:1-10; Tiago 1:13-15.
A Semente da Serpente
10, 11. Como nos ajudam Jesus e o apóstolo João a identificar a semente da Serpente?
10 Que dizer, porém, da ‘semente [ou prole] da serpente’? As palavras de Jesus também nos ajudam a solucionar essa parte do enigma. Ele disse aos líderes religiosos judaicos: “Vós sois de vosso pai, o Diabo, e quereis fazer os desejos de vosso pai.” Esses judeus eram descendentes de Abraão, assim como se gabavam. Mas a sua conduta iníqua tornava-os filhos espirituais de Satanás, o originador do pecado.
11 O apóstolo João, escrevendo perto do fim do primeiro século, explica claramente quem pertence à semente da Serpente, Satanás. Ele escreve: “Quem estiver praticando o pecado origina-se do Diabo, porque o Diabo tem estado pecando desde o princípio. . . . Os filhos de Deus e os filhos do Diabo evidenciam-se pelo seguinte fato: Todo aquele que não está praticando a justiça não se origina de Deus, nem aquele que não ama seu irmão.” (1 João 3:8, 10) Evidentemente, a semente da Serpente tem estado muito ativa em toda a história humana!
Quem É a Semente da Mulher?
12, 13. (a) Como revelou Jeová a Abraão que a semente da mulher apareceria entre os descendentes dele? (b) Quem herdou a promessa a respeito da Semente?
12 Então, quem é ‘a semente [ou prole] da mulher’? Essa é uma das mais importantes perguntas já feitas, porque é a semente da mulher quem por fim esmagará a cabeça de Satanás e desfará os maus efeitos da rebelião original. Lá no século 20 AEC, Deus revelou ao homem fiel, Abraão, um grande indício sobre a identidade dessa semente. Por causa da grande fé de Abraão, Deus lhe fez uma série de promessas a respeito da prole que lhe nasceria. Uma delas tornou evidente que ‘a semente da mulher’, que ‘machucaria a cabeça da serpente’, surgiria dentre os filhos de Abraão. Deus disse-lhe: “Teu descendente [lit.: tua semente] tomará posse do portão dos seus inimigos. E todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de teu descendente [lit.: tua semente], pelo fato de que escutaste a minha voz.” — Gênesis 22:17, 18.
13 Com o passar dos anos, a promessa de Jeová a Abraão foi repetida ao filho de Abraão, Isaque, e ao neto, Jacó. (Gênesis 26:3-5; 28:10-15) Os descendentes de Jacó, por fim, tornaram-se 12 tribos, e uma dessas tribos, Judá, recebeu uma promessa especial: “O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de comandante de entre os seus pés, até que venha Siló; e a ele pertencerá a obediência dos povos.” (Gênesis 49:10) Evidentemente, a Semente havia de aparecer na tribo de Judá.
14. Que nação foi organizada com o fim de estar preparada para a vinda da Semente?
14 No fim do século 16 AEC, as 12 tribos de Israel foram organizadas em nação, como povo especial de Deus. Para esse fim, Deus fez um pacto solene com elas e deu-lhes um código de leis. O motivo principal disso era preparar um povo para a vinda da Semente. (Êxodo 19:5, 6; Gálatas 3:24) A partir de então, a inimizade de Satanás para com a Semente da mulher se via na hostilidade das nações para com o povo escolhido de Deus.
15. Que indício final foi dado quanto a que família entre os descendentes de Abraão produziria a Semente?
15 O indício final de que família produziria a Semente foi dado no século 11 AEC. Naquela ocasião, Deus falou ao segundo rei de Israel, Davi, e prometeu que a Semente viria da sua linhagem e que o trono Dessa ficaria “firmemente estabelecido por tempo indefinido”. (2 Samuel 7:11-16) Daquele ponto em diante, a Semente podia corretamente ser chamada de filho de Davi. — Mateus 22:42-45.
16, 17. Como descreveu Isaías as bênçãos que a Semente traria?
16 Nos anos que se seguiram, Deus suscitou profetas para dar mais informações inspiradas sobre a vindoura Semente. Por exemplo, no oitavo século AEC, Isaías escreveu: “Um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o domínio principesco virá a estar sobre o seu ombro. E será chamado pelo nome de Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Da abundância do domínio principesco e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e sobre o seu reino.” — Isaías 9:6, 7.
17 Isaías profetizou adicionalmente sobre essa Semente: “Terá de julgar com justiça os de condição humilde e terá de dar repreensão com retidão em benefício dos mansos da terra. . . . E o lobo, de fato, residirá por um tempo com o cordeiro e o próprio leopardo se deitará com o cabritinho, e o bezerro, e o leão novo jubado, e o animal cevado, todos juntos . . . Não se fará dano, nem se causará ruína em todo o meu santo monte; porque a terra há de encher-se do conhecimento de Jeová assim como as águas cobrem o próprio mar.” (Isaías 11:4-9) Que ricas bênçãos essa semente havia de trazer!
18. Que informação adicional sobre a Semente registrou Daniel?
18 No sexto século antes da nossa Era Comum, Daniel registrou uma profecia adicional a respeito da Semente. Ele predisse o tempo em que alguém como um filho de homem apareceria no céu, e disse que “foi-lhe dado domínio, e dignidade, e um reino, para que todos os povos, grupos nacionais e línguas o servissem”. (Daniel 7:13, 14) De modo que a vindoura Semente herdaria um reino celestial, e sua autoridade régia se estenderia sobre toda a Terra.
Solucionado o Enigma
19. Conforme revelado pelo anjo, que papel desempenharia Maria na vinda da Semente?
19 A identidade da Semente foi finalmente desvelada no começo da nossa Era Comum. No ano 2 AEC, apareceu um anjo à jovem judia chamada Maria, descendente de Davi. O anjo informou-a de que ela daria à luz um bebê muito especial, e disse: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e ele reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu reino.” (Lucas 1:32, 33) De modo que a longa espera pela “semente” finalmente chegava ao fim.
20. Quem é a prometida Semente, e que mensagem pregou em Israel?
20 No ano 29 EC (data indicada com muita antecedência por Daniel), Jesus foi batizado. Desceu então sobre ele espírito santo, e Deus o reconheceu como seu Filho. (Daniel 9:24-27; Mateus 3:16, 17) Durante três anos e meio depois disso, Jesus testemunhou aos judeus, proclamando: “O reino dos céus se tem aproximado.” (Mateus 4:17) Durante esse tempo, cumpriu tantas profecias das Escrituras Hebraicas, que não havia margem para dúvida de que ele de fato era a Semente prometida.
21. O que entenderam os primitivos cristãos quanto à identidade da Semente?
21 Os primitivos cristãos entenderam isso muito bem. Paulo explicou aos cristãos na Galácia: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e a seu descendente [grego, lit.: à sua semente]. Não diz: ‘E a descendentes [sementes]’, como no caso de muitos, mas como no caso de um só: ‘E a teu descendente [à tua semente]’, que é Cristo.” (Gálatas 3:16) Jesus havia de ser o “Príncipe da Paz” predito por Isaías. Depois que ele finalmente entrasse no seu Reino, estabelecer-se-ia mundialmente juízo e justiça.
Então, Quem É a Mulher?
22. Quem é a mulher mencionada na profecia de Jeová no Éden?
22 Se Jesus é a Semente, então quem é a mulher mencionada lá no Éden? Visto que o poder por detrás da serpente era uma criatura espiritual, não nos deve surpreender que a mulher também seja espiritual, não humana. O apóstolo Paulo falou sobre uma “mulher” celestial ao dizer: “Mas a Jerusalém de cima é livre, e ela é a nossa mãe.” (Gálatas 4:26) Outros textos bíblicos indicam que essa “Jerusalém de cima” já existia por milênios. Ela é a organização celestial de Jeová, de criaturas espirituais, da qual Jesus descendeu para desempenhar o papel de ‘semente da mulher’. Somente tal espécie de “mulher” espiritual podia suportar a inimizade da “serpente original” durante milênios. — Revelação [Apocalipse] 12:9; Isaías 54:1, 13; 62:2-6.
23. Por que é tão notável a revelação progressiva do significado da profecia edênica de Jeová?
23 Esse breve exame geral do desenvolvimento daquela antiga profecia de Gênesis 3:15 é forte testemunho a favor da grandiosa harmonia da Bíblia. Deveras, é notável que a profecia só pode ser entendida quando se juntam os eventos e as declarações dos séculos 20, 11, 8 e 6 AEC, com as declarações e os eventos do primeiro século da nossa Era Comum. Isso não pode ter sido por acaso. Tinha de haver uma mão orientadora por detrás disso tudo. — Isaías 46:9, 10.
O Significado Disso Para Nós
24. Que significa para nós a identificação da Semente?
24 O que significa tudo isso para nós? Pois bem, Jesus é a primária ‘semente da mulher’. Aquela antiga profecia de Gênesis 3:15 predisse que a Serpente lhe ‘machucaria’ o calcanhar, e isso aconteceu quando Jesus morreu na estaca de tortura. Um machucado não dura muito. Portanto, o aparente êxito da Serpente transformou-se rapidamente em derrota, quando Jesus foi ressuscitado. (Conforme vimos no Capítulo 6, existe sobrepujante evidência de que isso realmente aconteceu.) A morte de Jesus tornou-se a base para a salvação da humanidade de coração reto, de modo que a Semente começou a ser uma bênção, assim como Deus prometera a Abraão. Mas que dizer das profecias de que Jesus havia de governar desde um reino celestial sobre todo o seu domínio terrestre?
25, 26. Que questão estava envolvida na inimizade entre a ‘semente da mulher’ e a Serpente, conforme descrita em Revelação?
25 Numa vívida visão profética, registrada no capítulo 12 de Revelação, retrata-se o começo desse Reino pelo nascimento dum filho varão no céu. Nesse Reino, a prometida Semente assume o poder sob o título de Miguel, que significa “Quem É Semelhante a Deus?”. Esse mostrou que ninguém pode legitimamente desafiar a soberania de Jeová, quando expulsou “a serpente original” para sempre do céu. Lemos: “Assim foi lançado para baixo o grande dragão, a serpente original, o chamado Diabo e Satanás, que está desencaminhando toda a terra habitada; ele foi lançado para baixo, à terra.” — Revelação 12:7-9.
26 Disso resultou alívio para os céus, mas aflição na Terra. “Agora se realizou a salvação, e o poder, e o reino de nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo”, ecoou o brado de triunfo. Além disso, lemos: “Por esta razão, regozijai-vos, ó céus, e vós os que neles residis! Ai da terra e do mar, porque desceu a vós o Diabo, tendo grande ira, sabendo que ele tem um curto período de tempo.” — Revelação 12:10, 12.
27. Quando se cumpriu a profecia de Satanás ser expulso dos céus? Como sabemos isso?
27 Podemos saber quando essa profecia deve cumprir-se? Na realidade, essa foi a pergunta feita pelos discípulos, quando indagaram de Jesus ‘o sinal da sua presença e da terminação do sistema de coisas’ — conforme consideramos no Capítulo 10. (Mateus 24:3) Como vimos, há sobrepujante evidência de que a presença de Jesus no poder do Reino celestial começou em 1914. Desde aquele tempo, sentimos deveras o “ai da terra”!
28, 29. Que grandes mudanças no cenário terrestre ainda são futuras, e como sabemos que elas ocorrerão em breve?
28 Mas queira notar: aquele brado celestial anunciou que Satanás tinha apenas “um curto período de tempo”. De modo que aquela profecia original, em Gênesis 3:15, avança para o seu infalível clímax. A serpente, sua semente, a mulher e a semente dela foram todas identificadas. A Semente foi ‘machucada no calcanhar’, mas restabeleceu-se. Dentro em breve, começará o esmagamento de Satanás (e de sua semente) sob o agora já reinante Rei de Deus, Cristo Jesus.
29 Isso envolverá tremendas mudanças no cenário terrestre. Aqueles que mostrarem ser semente de Satanás serão removidos junto com ele. Conforme profetizou o salmista: “Apenas mais um pouco, e o iníquo não mais existirá; e estarás certamente atento ao seu lugar, e ele não existirá.” (Salmo 37:10) Quão radical será essa mudança! Então se cumprirão as palavras adicionais do salmista: “Mas os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz.” — Salmo 37:11.
30. Por que são irrealísticos os cépticos que duvidam da inspiração da Bíblia e até mesmo da existência de Deus?
30 Dessa maneira, o “Príncipe da Paz” trará finalmente paz à humanidade. Essa é a promessa da Bíblia, conforme notamos em Isaías 9:6, 7. Nesta era céptica, muitos acham essa promessa irrealística. Mas que alternativa oferecem os homens? Nenhuma! Por outro lado, essa promessa é feita de modo claro na Bíblia, e a Bíblia é a infalível Palavra de Deus. Os irrealísticos, na realidade, são os cépticos. (Isaías 55:8, 11) Eles não fazem caso de Deus, que inspirou a Bíblia e que é a maior realidade de todas.
[Foto na página 151]
A primeira profecia da Bíblia ofereceu à humanidade decaída uma base para esperança.
[Foto na página 154]
No século 20 AEC, Jeová disse a Abraão que a prometida Semente viria dentre os descendentes dele.
[Foto na página 155]
No século 11 AEC, o Rei Davi soube que a Semente viria da sua linhagem real.
[Foto na página 156]
No oitavo século AEC, Isaías predisse as bênçãos que a Semente traria.
[Foto na página 157]
No sexto século AEC, Daniel predisse que a Semente governaria num reino celestial.
[Foto na página 159]
Perto do início do primeiro século EC, Maria soube que Jesus, o bebê que ela daria à luz, cresceria para ser a Semente.
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Uma fonte mais elevada de sabedoriaA Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
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Capítulo 12
Uma fonte mais elevada de sabedoria
“Quantos são os teus trabalhos, ó Jeová! A todos eles fizeste em sabedoria. A terra está cheia das tuas produções.” (Salmo 104:24) Sim, desde a magnificência do vasto Universo até a delicada beleza duma flor, a criação atesta a inigualável sabedoria do seu Criador. A tecnologia deste século 20 é insignificante em comparação com as obras de Deus. Se a Bíblia é mesmo a Palavra de Deus, também seria de esperar que fornecesse evidência de sabedoria além das capacidades humanas. Faz isso?
1. (Inclua a introdução.) (a) Onde encontramos evidência da inigualável sabedoria de Deus? (b) Que conselho dá a Bíblia a respeito da sabedoria?
A BÍBLIA destaca a importância da sabedoria. Ela diz: “Sabedoria é a coisa principal. Adquire sabedoria; e com tudo o que adquirires, adquire compreensão.” (Provérbios 4:7) Ela reconhece também que a nós, humanos, muitas vezes falta sabedoria, e exorta-nos: “Se alguém de vós tiver falta de sabedoria, persista ele em pedi-la a Deus, pois ele dá generosamente a todos.” — Tiago 1:5.
2. Como se pode aumentar em sabedoria?
2 Como é que Deus ‘dá generosamente sabedoria’? Um modo é por exortar-nos a ler a Bíblia e a aprender dela. O livro bíblico de Provérbios insta: “Filho meu, se aceitares as minhas declarações e entesourares contigo os meus próprios mandamentos, de modo a prestares atenção à sabedoria . . . entenderás o temor a Jeová e acharás o próprio conhecimento de Deus. Pois o próprio Jeová dá sabedoria.” (Provérbios 2:1, 2, 5, 6) Quando aplicamos o conselho da Bíblia e vemos quão eficaz é, damo-nos conta de que ela realmente representa sabedoria divina.
Declarações Sábias
3, 4. (a) O que diz a Bíblia sobre a futilidade do amor ao dinheiro? (b) Que primoroso equilíbrio demonstra a Bíblia ao aconselhar-nos sobre o valor do dinheiro?
3 A fim de avaliarmos isso melhor, examinemos alguns versículos da Bíblia. Considere esta declaração sábia: “Os que estão resolvidos a ficar ricos caem em tentação e em laço, e em muitos desejos insensatos e nocivos . . . Porque o amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais.” (1 Timóteo 6:9, 10) Compare isso com o ponto de vista moderno — pelo menos na sociedade ocidental — que incentiva as pessoas a fazer do dinheiro seu objetivo primário. Infelizmente, muitos conseguem obter a riqueza que procuram, e mesmo assim têm uma sensação de vazio e de dessatisfação. Um psicólogo clínico observou: “Tornar-se o N.º 1 e rico não lhe dá a sensação de estar realizado, satisfeito, autenticamente respeitado ou amado.”1
4 Não é que a pessoa prática possa inteiramente virar as costas para o dinheiro. A Bíblia mostra sabedoria primorosamente equilibrada ao dizer: “A sabedoria é para proteção, assim como o dinheiro é para proteção; mas a vantagem do conhecimento é que a própria sabedoria preserva vivos os que a possuem.” (Eclesiastes 7:12) Assim, a Bíblia ajuda-nos a ver que o dinheiro, embora importante, não é todo importante. É apenas um meio para se atingir um fim, e tem valor limitado, se não tivermos a sabedoria de usá-lo corretamente.
5, 6. (a) Por que é sábio o conselho bíblico de evitar más associações? (b) Como somos beneficiados por ‘andar com pessoas sábias’?
5 A seguinte declaração bíblica também é veraz: “Quem anda com pessoas sábias tornar-se-á sábio, mas irá mal com aquele que tem tratos com os estúpidos.” (Provérbios 13:20) Já notou a poderosa influência que aqueles com quem nos associamos exercem sobre nós? A pressão dos colegas tem levado alguns jovens à embriaguez, ao vício das drogas e à imoralidade. Se nos associarmos com aqueles que usam de linguagem suja, verificaremos no fim que também usamos tal linguagem. Associar-nos com pessoas desonestas tende a fazer-nos desonestos. Deveras, como a Bíblia também diz: “Más associações estragam hábitos úteis.” — 1 Coríntios 15:33.
6 Por outro lado, boas associações podem melhorar-nos. Por ‘andarmos com pessoas sábias’, tornar-nos-emos mais sábios. Bons hábitos são contagiantes, assim como também os maus. Novamente, a Bíblia mostra sabedoria ao exortar-nos a escolher com cuidado aqueles com quem nos associamos.
7. O que torna a Bíblia ímpar como fonte de conselho?
7 A Bíblia contém muitos desses preceitos para ajudar-nos a orientar nossa vida. Como fonte de conselho, a Bíblia é ímpar. Seu conselho é sempre benéfico. Nunca é apenas teórico, e nunca nos causa dano. O amplo alcance do conselho bíblico não tem igual. Os que o aplicam na sua vida e que notam que ele sempre funciona para o seu bem chegam a apreciar a Bíblia como fonte ímpar de sabedoria.
Princípios Sábios
8. Como pode a Bíblia ajudar-nos mesmo quando nos confrontamos com uma situação não especificamente mencionada nela?
8 O que fazer, porém, quando nos confrontamos com uma situação não especificamente mencionada na Bíblia? Muitas vezes, encontramos princípios abrangentes para nos orientar. Por exemplo, muitos, em algum tempo na sua vida, se confrontam com uma decisão a respeito do hábito de fumar. Visto que o fumo não era conhecido no Oriente Médio nos dias de Jesus, a Bíblia não o menciona. Todavia, há princípios bíblicos apropriados para nos ajudar a fazer uma decisão sábia nesse assunto.
9-11. De que modo nos ajudam os princípios bíblicos a fazer uma decisão sábia na questão do uso do fumo, e como somos beneficiados por seguir estes princípios?
9 Fumar tabaco, embora se diga que é agradável, na realidade envolve inalar poluentes concentrados nos pulmões. O fumante polui seu corpo, bem como sua roupa e o ar em volta dele. Além disso, fumar é um vício. Os que querem deixar de fumar frequentemente acham isso muito difícil. Pensando nisso, podemos recorrer à Bíblia em busca de ajuda para chegar a uma conclusão sábia sobre o fumar.
10 Primeiro, considere o problema de isso ser vício. Paulo, ao falar sobre alimentos, disse: “Eu não me deixarei pôr sob autoridade por coisa alguma.” (1 Coríntios 6:12) Paulo era livre para comer qualquer tipo de alimento, mas ele sabia que algumas pessoas, lá naquele tempo, tinham consciência sensível. De modo que ele disse que não era tão “habituado” a certos alimentos, que não pudesse renunciar a eles, se fosse preciso, para não fazer outros tropeçar. Quando alguém não consegue parar de fumar — ou de mascar fumo — ele definitivamente está ‘sob a sua autoridade’. De modo que a declaração de Paulo, a respeito da questão do alimento, provê uma boa orientação sobre o uso do fumo. Não devemos deixar que um hábito nos escravize.
11 Segundo, considere a questão da poluição. A Bíblia diz: “Purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito.” (2 Coríntios 7:1) Sem dúvida, fumar é imundície, ou poluição, da carne. A seriedade dessa poluição é vista no fato de que, de acordo com as últimas estatísticas, uns 4,9 milhões de pessoas morrem a cada ano por causa do uso de tabaco. Se seguirmos o princípio bíblico de nos manter livres dos aviltamentos da carne, ficaremos protegidos dos graves perigos para a saúde causados pelo fumo, bem como por drogas e outros aviltamentos.
Palavras Benéficas
12. Por que se relaciona o conselho bíblico sempre com o nosso bem-estar físico e emocional?
12 Não nos deve surpreender que seguir o conselho bíblico nos beneficia de modo físico. O conselho da Bíblia procede de Deus. Como nosso Criador, ele tem conhecimento íntimo de como fomos feitos e do que precisamos. (Salmo 139:14-16) Seu conselho sempre se relaciona com o nosso bem-estar físico e emocional.
13, 14. Por que é sábio seguir o conselho bíblico de não mentir?
13 Vê-se isso no conselho de não mentir. As mentiras se encontram alistadas entre as sete coisas que Jeová odeia, e o livro de Revelação (ou Apocalipse) alista os mentirosos entre aqueles que não terão lugar no novo mundo de Deus. (Provérbios 6:19; Revelação 21:8) Apesar disso, a mentira é muito comum. Certa revista empresarial observou: “Os EUA passam pelo pior irrompimento de fraude, engano e abusos relacionados, da sua história.”2
14 Comum como seja, porém, o mentir é prejudicial para a sociedade humana e prejudicial para a pessoa. O colunista Clifford Longley observou corretamente: “As mentiras prejudicam o mentiroso e aquele a quem se mente, no nível mais profundo do seu ser, por cortar aquele contato essencial entre a mente e a realidade.”3 A Revista Americana de Psiquiatria declarou: “O impacto psicológico nas pessoas a quem se mente pode ser devastador. Grandes decisões na vida podem basear-se em informações falsas, que se acha serem corretas. As mentiras também podem ter um efeito adverso sobre os próprios mentirosos.”4 Quanto melhor é dizer a verdade, assim como a Bíblia aconselha sabiamente!
15, 16. De que modo é para nosso proveito seguir o conselho bíblico de mostrar amor aos outros?
15 Em sentido mais positivo, a Bíblia nos diz que devemos preocupar-nos com os outros, mostrar-lhes amor e ser prestativos para com eles. As palavras de Jesus são bem conhecidas: “Todas as coisas, portanto, que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles.” — Mateus 7:12.
16 Quanto melhor seria o mundo, se todos seguissem essa regra! Outrossim, segundo certa pesquisa psicológica realizada nos Estados Unidos, as pessoas se sentiriam melhor. As 1.700 pessoas estudadas relataram que ajudar outros deu-lhes um senso de calma e de alívio dos distúrbios relacionados com o estresse, tais como dores de cabeça e perda da voz. O relatório conclui: “Assim, parece que importar-se com os outros é tão próprio da natureza humana como importar-nos com nós mesmos.”5 Isso nos lembra a ordem bíblica: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” (Mateus 22:39; compare isso com João 13:34, 35.) É natural amarmos a nós mesmos. Mas, para sermos emocionalmente saudáveis, a Bíblia diz que temos de equilibrar esse amor a nós mesmos com o amor a outros.
Casamento e Moralidade
17. Por que parece às vezes antiquado o conselho bíblico?
17 Embora o conselho bíblico evidencie profunda sabedoria, nem sempre diz às pessoas aquilo que querem ouvir. Frequentemente, ela é acusada de ser antiquada. Por que se dá isso? Porque, embora o conselho da Bíblia seja para o nosso duradouro bem, a aplicação dele muitas vezes exige disciplina e abnegação; e essas qualidades não são populares hoje em dia.
18, 19. Quais são as normas bíblicas para o casamento e a moralidade?
18 Veja a questão do casamento e da moralidade. As normas da Bíblia nisso são bem estritas. Ela especifica a monogamia, de um marido para uma esposa. E embora mencione casos extremos em que o divórcio ou a separação talvez sejam possíveis, em geral ela diz que o vínculo marital é para toda a vida. “Não lestes que aquele que os criou desde o princípio os fez macho e fêmea, e disse: ‘Por esta razão deixará o homem seu pai e sua mãe, e se apegará à sua esposa, e os dois serão uma só carne’? De modo que não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus pôs sob o mesmo jugo, não o separe o homem.” — Mateus 19:4-6; 1 Coríntios 7:12-15.
19 Além disso, a Bíblia diz que o único modo de usufruir a intimidade sexual é dentro do vínculo marital. Ela proíbe toda essa intimidade fora do matrimônio. Lemos: “Nem fornicadores, nem idólatras, nem adúlteros, nem homens mantidos para propósitos desnaturais, nem homens que se deitam com homens . . . herdarão o reino de Deus.” — 1 Coríntios 6:9, 10.
20. Em que sentido são as normas de moralidade da Bíblia amplamente desconsideradas hoje em dia?
20 Hoje em dia, essas normas são amplamente desconsideradas. O professor de sociologia David Mace observou: “Durante o atual século, nossa cultura passou por extensas mudanças, e muitos antigos costumes e instituições tiveram seus alicerces abalados. O casamento não constitui exceção.”6 Práticas licenciosas são comuns. As relações sexuais entre namorados adolescentes são muitas vezes encaradas como normais. Coabitar antes do casamento — ‘só para ter certeza’ — é algo frequente. E uma vez que pessoas se casam, não são incomuns as relações sexuais extraconjugais.
21. Qual tem sido o resultado da ampla desconsideração das normas bíblicas para o casamento e a moralidade?
21 Será que esse clima moral mais licencioso tem trazido felicidade? Não, só tem trazido transtornos — e ainda por cima transtornos dispendiosos — resultando em infelicidade e em lares desfeitos. Há também uma pandemia de doenças sexualmente transmissíveis diretamente atribuíveis à moralidade licenciosa. A difusão de gonorreia, sífilis e clamídia, entre outras doenças, está fora de controle. Nos últimos anos, a prostituição e as práticas homossexuais aceleraram a difusão da AIDS. Há uma epidemia de moças solteiras bem novas tendo bebês, quando elas mesmas mal saíram da infância. A revista Ladies’ Home Journal observou: “A ênfase dada ao sexo, que tipificou os anos sessenta e setenta, não trouxe infinita felicidade humana, mas sim uma grave miséria humana.”7
22. Na questão da moralidade, o que resulta na maior felicidade?
22 Portanto, ouvimos agora comentários tais como o seguinte, do professor de sociologia Carlfred B. Broderick: “Talvez já estejamos suficientemente crescidos para considerar se não seria melhor para todos nós promover a abstinência pré-marital como modo de proceder mais adequado para as necessidades de nossos cidadãos e o seu direito à liberdade: de estar livres de doenças, livres da gravidez indesejada.”8 Deveras, a norma de moralidade bíblica provou que, a longo prazo, produz a maior felicidade.
Princípios Que Realmente Funcionam
23. (a) Se um casamento não for feliz, será que o divórcio é a única solução possível? (b) Quais são duas das chaves para um casamento feliz e estável?
23 Visto que o casamento se destina a durar toda a vida, precisamos saber como torná-lo bem-sucedido. Alguns têm argumentado que é melhor livrar-se dum casamento infeliz, do que continuar nele e sentir-se desditoso. Mas há outra alternativa: esforçar-se a solucionar os problemas que causam a infelicidade. Esse é outro campo em que a Bíblia ajuda. Já vimos que ela nos aconselha a sermos fiéis ao nosso cônjuge, e essa é uma das chaves para um casamento feliz e estável. Outra é reconhecer que pode haver apenas uma cabeça no casamento, e a Bíblia diz que tem de ser o marido. Aconselha-se à esposa apoiar o marido e não desafiar a posição dele. Por outro lado, diz-se ao homem usar a sua posição para o bem da esposa e não ser egoísta. — 1 Coríntios 11:3; 1 Timóteo 2:11-14.
24, 25. Como incentiva a Bíblia os maridos e as esposas a desempenharem seu devido papel no casamento?
24 A Bíblia diz ao marido: “Os maridos devem estar amando as suas esposas como aos seus próprios corpos. Quem ama a sua esposa, ama a si próprio, pois nenhum homem jamais odiou a sua própria carne.” (Efésios 5:28, 29) O marido amoroso exerce a sua autoridade com consideração. Lembra-se de que, embora seja cabeça, sua esposa deve ser considerada e consultada. O casamento é uma sociedade, não uma ditadura.
25 O conselho bíblico às esposas inclui as seguintes palavras: “A esposa deve ter profundo respeito pelo seu marido.” (Efésios 5:33) Ela respeita o marido por causa da posição dele, e o seu respeito se evidencia no apoio que lhe dá, assim como o amor do marido evidencia-se por sua preocupação com ela. Para muitas pessoas de ideias modernas, tal conselho é inaceitável. Mas as sociedades que baseiam seu relacionamento no amor e no respeito — conforme a Bíblia aconselha — são sempre felizes.
26. Será que as normas bíblicas para o casamento realmente funcionam? Queira ilustrar isso.
26 O fato de que o conselho bíblico nesse campo realmente funciona é visto numa experiência nos Mares do Sul. Um casal, ali, depois de viver dez anos junto, estava convencido de que seu casamento era um fracasso. Assim, começaram a planejar separar-se. A esposa falou então com uma Testemunha de Jeová. Juntas, ela e a Testemunha, estudaram o conselho bíblico para casais. O marido relata: “Ao passo que minha esposa estava aprendendo os princípios bíblicos, ela se esforçava a aplicá-los na sua vida. Dentro de poucas semanas, comecei a notar mudanças.” Curioso, concordou em participar no estudo da Bíblia de sua esposa e aprendeu o conselho da Bíblia para homens casados. Com que resultado? Ele diz: “Agora encontramos a base para uma vida familiar realmente feliz.”
27. A aplicação de que princípios bíblicos pode ajudar os cristãos que sofrem pobreza financeira?
27 Lidar com a pobreza é ainda outro campo em que o conselho bíblico se mostrou de ajuda. Por exemplo, fumar e embriagar-se, ambos contrários aos princípios bíblicos, desperdiçam recursos limitados. (Provérbios 23:19-21) Além disso, a Bíblia recomenda a diligência, visto que a pessoa trabalhadora tem mais probabilidades de achar meios de alimentar sua família do que a preguiçosa ou aquela que se entrega ao desespero. (Provérbios 6:6-11; 10:26) Outrossim, acatar o conselho contra ‘invejar os que fazem injustiça’ impede que a pessoa recorra a coisas tais como o crime ou a jogatina, como meios de aliviar a pobreza. (Salmo 37:1) Essas práticas talvez pareçam oferecer uma solução rápida para as dificuldades financeiras, mas, a longo prazo, seus frutos são bem amargos.
28-30. (a) Como a aplicação dos princípios bíblicos ajudou certa mulher cristã a lidar com a pobreza? (b) O que atestam as experiências de milhares de cristãos financeiramente pobres?
28 Será que esse conselho realmente ajuda os muito pobres, ou é apenas uma teoria idealística? A resposta é: o conselho funciona, conforme mostram muitas experiências em todo o mundo. Para citar apenas um exemplo, uma mulher cristã, na Ásia, ficou viúva, sem qualquer renda, e com um filho jovem para cuidar. Como ajudou a Bíblia a ela e ao filho?
29 Ela era diligente, conforme a Bíblia aconselha, e começou a confeccionar e a vender roupas. Visto que era honesta e de confiança, conforme a Bíblia também aconselha, logo tinha freguesas regulares. (Colossenses 3:23) Daí, ela converteu um pequeno cômodo na sua casa num pequeno restaurante, e levantava-se toda manhã por volta das quatro horas, a fim de preparar comida para vender, e isso aumentou a sua renda. “Mesmo assim”, diz ela, “temos de levar uma vida simples”. Mas ela se lembra do conselho bíblico: “Tendo sustento e com que nos cobrir, estaremos contentes com estas coisas.” — 1 Timóteo 6:8.
30 Ela acrescenta: “Embora viva à beira da pobreza, não estou ressentida ou amargurada. A verdade da Bíblia enche-me com uma perspectiva positiva.” Além disso, ela descobriu que a notável promessa de Jesus realmente funciona no caso dela. Ele disse: “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça, e todas estas outras coisas [as necessidades materiais] vos serão acrescentadas.” (Mateus 6:33) Sua experiência tem sido que, por colocar seu serviço prestado a Deus em primeiro lugar na vida, ela sempre recebe, de um modo ou de outro, as necessidades materiais. As experiências dessa senhora cristã, junto com as de inúmeros outros cristãos financeiramente pobres, aumentam o testemunho de que o conselho da Bíblia realmente funciona.
31. O que acontece quando se segue o conselho da Bíblia, e o que esse fato atesta?
31 Neste capítulo, apenas tocamos de leve na vasta abundância de conselho e admoestação contida na Bíblia, e vimos apenas uns poucos casos em que esse conselho funcionou. As experiências mencionadas poderiam ser multiplicadas por mil. Vez após vez, quando as pessoas seguem a Bíblia, elas são beneficiadas. Quando a desconsideram, elas sofrem. Nenhum outro conjunto de conselho, antigo ou moderno, é tão coerentemente benéfico e se aplica a pessoas de todas as raças. Tal conselho sábio não pode ser mera sabedoria popular. O fato de que a Bíblia é um rico repositório de tal sabedoria é forte evidência de que ela é a Palavra de Deus.
[Destaque na página 168]
A atitude prestativa beneficia a todos.
[Foto na página 163]
Andar com pessoas sábias torna-nos sábios, mas associar-nos com os estúpidos terá mau efeito sobre nós.
[Foto na página 165]
Fumar tabaco tem de ser evitado, porque é contra os princípios bíblicos.
[Foto na página 171]
Os que seguem o conselho bíblico no casamento têm uma base sólida para ter felicidade.
[Foto na página 173]
A aplicação do conselho bíblico ajuda as pessoas a lidar com os graves problemas de pobreza.
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“A palavra de Deus é viva”A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
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Capítulo 13
“A palavra de Deus é viva”
No capítulo precedente, vimos que os conselhos bíblicos podem ajudar-nos a resolver problemas e a evitar erros. A infinita sabedoria dos conselhos da Bíblia é forte evidência de inspiração. A própria Bíblia diz: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça.” (2 Timóteo 3:16) Mas a Bíblia faz mais do que apenas dar-nos conselhos sábios. Ela, como a Palavra de Deus, na realidade muda as pessoas.
1-3. (a) Como destaca a Bíblia a necessidade de fazer mudanças na personalidade? (b) Que experiência mostra o poder da Bíblia para mudar a personalidade das pessoas?
PODE a Bíblia realmente mudar as pessoas? Sim, ela pode até mesmo alterar a sua personalidade. Considere o seguinte conselho registrado na Bíblia: “Deveis pôr de lado a velha personalidade que se conforma ao vosso procedimento anterior e que está sendo corrompida segundo os seus desejos enganosos; mas . . . deveis ser feitos novos na força que ativa a vossa mente, e . . . vos deveis revestir da nova personalidade, que foi criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e lealdade.” — Efésios 4:22-24.
2 É mesmo possível revestir-se duma nova personalidade? Sim, é possível! De fato, tornar-se cristão às vezes envolve ajustes bastante dramáticos na personalidade. (1 Coríntios 6:9-11) Por exemplo, na América do Sul, um menino ficou órfão aos nove anos de idade. Criado sem a orientação dos pais, desenvolveu graves problemas de personalidade. Ele conta: “Quando atingi os 18 anos, já estava totalmente viciado em drogas e cumprira pena na prisão por motivo de furto, para sustentar meu vício.” A tia dele, porém, era Testemunha de Jeová, e por fim conseguiu ajudá-lo.
3 Ele explica: “Minha tia começou a estudar a Bíblia comigo, e, depois de sete meses, pude largar o vício das drogas.” Rompeu também com seus anteriores companheiros e fez novos amigos entre as Testemunhas de Jeová. Ele prossegue: “Esses novos companheiros, junto com meu estudo regular da Bíblia, habilitaram-me a progredir e finalmente a dedicar minha vida para servir a Deus.” Sim, esse anterior viciado em drogas e ladrão tornou-se cristão ativo, e essa mudança radical foi conseguida pelo poder da Bíblia. De fato, conforme diz o apóstolo Paulo: “A palavra de Deus é viva e exerce poder.” — Hebreus 4:12.
Mudança por Meio de Conhecimento
4, 5. Segundo Colossenses 3:8-10, o que é necessário para se cultivar a nova personalidade?
4 Como é que a Bíblia muda as pessoas? A resposta está contida nesta passagem bíblica: “Afastai de vós a todas elas, o furor, a ira, a maldade, a linguagem ultrajante e a conversa obscena da vossa boca. Não estejais mentindo uns aos outros. Desnudai-vos da velha personalidade com as suas práticas e revesti-vos da nova personalidade, a qual, por intermédio do conhecimento exato, está sendo renovada segundo a imagem Daquele que a criou.” — Colossenses 3:8-10.
5 Note o papel importante desempenhado pelo conhecimento exato da Bíblia. A Bíblia explica de que características precisamos livrar-nos e quais devemos cultivar. Esse conhecimento, já por si só, pode produzir um poderoso efeito, conforme verificou um homem jovem no sul da Europa. Ele tinha um problema real: um temperamento violento. Na fase de crescimento, envolvia-se constantemente em brigas, e, para dar vazão à sua violência, passou a dedicar-se ao boxe; mas, ainda assim não conseguia controlar sua natureza violenta. No exército, ele se meteu em dificuldades por surrar outro soldado. Depois de dar baixa do exército, casou-se, mas então espancou a esposa. Numa discussão na família, até mesmo socou o seu próprio pai, derrubando-o. Era realmente um homem furioso e violento!
6, 7. Como ajudou o conhecimento exato da Bíblia a um homem jovem no sul da Europa a mudar de personalidade?
6 Por fim, porém, estudou a Bíblia com as Testemunhas de Jeová e ouviu conselhos tais como este: “Não retribuais a ninguém mal por mal. . . . Se possível, no que depender de vós, sede pacíficos para com todos os homens. Não vos vingueis, amados, mas cedei lugar ao furor.” (Romanos 12:17-19) Isso o ajudou a reconhecer quão ruim era a sua fraqueza de ter um temperamento violento. Desistiu do pugilismo, que se deu conta não ser compatível com a personalidade cristã, pacífica. Mas ainda tinha uma verdadeira luta com a sua natureza violenta.
7 Foi ajudado, porém, pelo seu crescente conhecimento dos princípios bíblicos. Isso lhe refinava a consciência, a qual, por sua vez, neutralizava o seu gênio irascível. Certa vez, depois de ter feito algum progresso nos seus estudos bíblicos, um estranho zangou-se e lançou invectivas contra ele. O homem jovem sentiu a familiar ira surgir no íntimo. Daí, sentiu outra força: um sentimento de vergonha; e esse o impediu de dar vazão à sua ira. Em vez de ‘retribuir mal por mal’, controlou seu espírito. Agora, ele é outra pessoa, com nova personalidade, graças ao conhecimento exato da Bíblia.
Chegar a Conhecer a Deus
8. (a) À imagem de quem é feita a nova personalidade? (b) O conhecimento exato que amolda a nova personalidade tem de incluir o conhecimento a respeito de quem?
8 É verdade que muitos sabem a coisa certa a fazer, mas cedem a fraquezas carnais. É evidente que não basta apenas ter conhecimento exato do que é certo e do que é errado. Foi algo mais que ajudou as duas pessoas acima descritas a mudar. O que foi? A passagem já mencionada disse: “Revesti-vos da nova personalidade, a qual, por intermédio do conhecimento exato, está sendo renovada segundo a imagem Daquele que a criou.” (Colossenses 3:10) Note que, assim como Adão foi originalmente feito à imagem de Deus, assim a nova personalidade é feita à imagem de Deus. (Gênesis 1:26) Portanto, o conhecimento exato que ajudou esses dois homens jovens tinha de incluir um conhecimento a respeito de Deus. Isso nos faz lembrar as palavras de Jesus: “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” — João 17:3.
9. Como nos ajuda o conhecimento a respeito de Deus a mudar de personalidade?
9 Como nos ajuda o conhecimento de Deus a mudar de personalidade? Dá-nos um motivo para fazer isso. Quando chegamos a conhecer a Deus por meio de nosso estudo da Bíblia, chegamos a conhecer suas qualidades divinas e vemos o amor que demonstrou a nós. Isso nos induz a corresponder ao seu amor. (1 João 4:19) Daí, podemos obedecer ao que Jesus disse que era o primeiro e maior mandamento: “Tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua mente.” (Mateus 22:37) Amarmos a Deus faz com que queiramos revestir-nos da nova personalidade que lhe agrada. Faz com que queiramos ser mais semelhantes a ele, não importa quanto tenhamos de lutar para conseguir isso.
Fraquezas Profundamente Arraigadas
10, 11. Como ajudou o conhecimento exato a uma jovem mulher da América do Norte a começar a mudar de personalidade?
10 Em alguns casos, isso requer verdadeira luta. Uma jovem mulher, na América do Norte, teve de lutar bem arduamente para mudar. Vítima de abuso sexual quando criança, criou-se numa família violenta, e finalmente recorreu a drogas. As drogas, porém, eram caras, de modo que ela se vendia como prostituta para sustentar o vício. Ela também importunava e roubava turistas, e acabou passando mais tempo em prisões e em salões de sinuca do que em casa.
11 Quando foi contatada por Testemunhas de Jeová, já se tornara — depois de diversos abortos — mãe dum filho ilegítimo. No entanto, ela gostou do que ouviu da Bíblia e começou a estudá-la. Em pouco tempo desenvolveu uma relação com Deus e fez ajustes na sua vida.
12, 13. Descreva como o conhecimento exato, uma vez implantado, age como força em prol duma mudança.
12 Aguardava-a, porém, uma luta árdua, porque a velha personalidade estava profundamente arraigada. Numa ocasião, ofendeu-se com uns conselhos bem-intencionados, parou de estudar a Bíblia, e voltou para os seus modos impuros. Mas não conseguiu esquecer-se da verdade bíblica que se implantara nela, e admitiu: “De vez em quando eu tinha sentimentos de culpa, e as palavras de 2 Pedro 2:22 me passavam pela mente: ‘O cão voltou ao seu próprio vômito e a porca lavada a revolver-se no lamaçal.’”
13 Finalmente, esse conhecimento a motivou a fazer outro esforço decidido. Ela diz: “Comecei a abrir a porta para Jeová e a orar muitas vezes por ajuda.” Essa vez, a nova personalidade tornou-se firmemente implantada, embora ainda tivesse de lutar muito. Em certa ocasião, num momento de fraqueza, ela recaiu na embriaguez e na imoralidade. Essa vez, porém, sua reação mostrou que realmente estava mudando. Ficou aborrecida com si mesma, e diz: “Orei e estudei muito.” Por fim, a Palavra de Deus exerceu poder na vida dela a tal ponto, que se tornou cristã ativa, levando uma vida limpa e honrosa. Agora já por vários anos, ela é uma pessoa totalmente diferente daquela que fora abusada, era viciada em drogas e levava vida dissoluta.
Um Povo Mudado Pela Palavra de Deus
14, 15. (a) Que força da parte de Deus opera por meio da Bíblia? (b) Quais são algumas das características dos verdadeiros cristãos hoje em dia?
14 O poder que a Bíblia tem exercido na vida de pessoas humildes mostra que ela é mais do que mera obra humana. Sendo a Palavra inspirada de Deus, é um canal para a operação do espírito de Deus. O mesmo espírito que tornou possível os milagres feitos por Jesus ajuda-nos hoje a vencer qualidades más e a desenvolver uma personalidade cristã. De fato, as qualidades básicas que os cristãos precisam cultivar — amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura e autodomínio — são chamadas na Bíblia de “frutos do espírito”. — Gálatas 5:22, 23.
15 Atualmente, esse espírito não opera apenas em poucas pessoas, mas em milhões delas, que foram “ensinadas por Jeová” e usufruem ‘abundante paz’ da parte Dele. (Isaías 54:13) Quem são elas? Jesus indicou um modo de identificá-las, dizendo: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:35) O amor cristão é fruto do espírito e uma parte principal da nova personalidade cristã. Existe um grupo de pessoas que mostra amor do modo como Jesus falou?
16, 17. Cite alguns comentários de jornais, que ajudam a identificar as pessoas que são “ensinadas por Jeová” e que usufruem ‘abundante paz’.
16 Pois bem, veja este trecho duma carta dirigida a um jornal estadunidense, o New Haven Register: “Quer você tenha ficado irritado quer irado [zangado], como eu, pelo proselitismo deles, tem de se admirar a sua dedicação, sua integridade, seu notável exemplo de comportamento humano e vida salutar.” O jornal alemão Münchner Merkur falou do mesmo grupo ao dizer: “São os pagadores de impostos mais honestos e mais pontuais da República Federal [Alemã]. Sua obediência às leis pode ser vista na maneira em que dirigem automóvel, bem como nas estatísticas do crime.”
17 Sobre quem falavam esses dois jornais? Sobre o mesmo grupo considerado no Herald de Buenos Aires, Argentina. Esse jornal disse: “As Testemunhas de Jeová têm provado, através dos anos, ser cidadãos trabalhadores, sóbrios, parcimoniosos e tementes a Deus, do tipo que a nação manifestamente precisa.” Um estudo sociológico realizado em Zâmbia e publicado no American Ethnologist refere-se ao mesmo grupo. Diz: “As Testemunhas de Jeová gozam de maior êxito do que os membros de outras denominações em manter uniões maritais estáveis.”
18, 19. Como foram as Testemunhas de Jeová descritas na Itália e na África do Sul?
18 O jornal La Stampa, da Itália, também se referiu às Testemunhas de Jeová ao dizer: “Constituem os mais leais cidadãos que alguém poderia desejar: não sonegam impostos, nem procuram se esquivar de leis inconvenientes a seus próprios interesses. Os ideais morais de amor ao próximo, recusa de poder, não violência e honestidade pessoal (que para a maioria são ‘regras dominicais’, boas somente para serem pregadas do púlpito) incorporam-se no seu modo de vida ‘diário’.”
19 Um professor universitário, sul-africano, que pessoalmente sentiu a discriminação existente sob as anteriores leis raciais daquele país, classifica as Testemunhas de Jeová de “povo educado pelas elevadas normas da Bíblia para ser realmente ‘daltônico’” [incapaz de diferenciar cores]. Explicando isso, acrescentou: “Esse é um povo que vê o que os outros são por dentro, não apenas a cor da sua pele. As Testemunhas de Jeová constituem hoje a única verdadeira fraternidade da humanidade.”
20. Por que se destacam as Testemunhas de Jeová como diferentes?
20 Esses comentários mostram que há um grupo de pessoas que abriram o coração à Bíblia e sobre as quais o espírito de Deus tem atuado. É digno de nota que se trata das mesmas pessoas que já identificamos como obedecendo à ordem de Jesus, de pregar as boas novas do Reino em todo o mundo. (Mateus 24:14) Por que se destacam as Testemunhas de Jeová dessa maneira? Em muitos sentidos, não são diferentes dos outros. Têm as mesmas fraquezas carnais, os mesmos problemas financeiros e as mesmas necessidades básicas. Mas, como grupo, amam a Deus, tomam a Bíblia a sério e deixam que exerça poder na sua vida.
21. O que prova o fato de que um povo, tal como as Testemunhas de Jeová, pode existir no atual mundo cheio de ódio?
21 Milhões de Testemunhas de Jeová se encontram em mais de 200 terras. Incluem pessoas de toda raça, língua e nível social imagináveis. No entanto, são uma fraternidade unida, pacífica e internacional. São bons cidadãos do país em que vivem, mas, em primeiro lugar, são súditos do Reino de Deus, e são todas bem ativas em transmitir a outros as boas novas desse Reino. É deveras notável que neste mundo dividido, e cheio de ódio, possa existir um grupo assim como as Testemunhas de Jeová. O fato de que existem é uma poderosa evidência de que o espírito de Deus ainda está ativo entre a humanidade. E é prova de que a Bíblia, de fato, “é viva e exerce poder”.
[Destaque na página 177]
A Bíblia realmente muda as pessoas.
[Destaque na página 181]
Oconhecimento a respeito de Deus faz a pessoa querer ser semelhante a ele.
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A Bíblia e vocêA Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
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Capítulo 14
A Bíblia e você
Críticos hodiernos dizem que a Bíblia não é científica e é contraditória, e que ela é apenas uma coleção de mitos. Jesus, por outro lado, disse: “A tua palavra [a de Deus] é a verdade.” (João 17:17) A evidência apoia a Jesus em vez de os críticos. Os fatos mostram que a Bíblia é historicamente verídica. Além disso, sua notável harmonia, suas profecias verdadeiras, sua profunda sabedoria e seu poder a favor do bem na vida das pessoas, tudo isso demonstra que a Bíblia é a Palavra escrita de Deus. Conforme escreveu o apóstolo Paulo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa.” — 2 Timóteo 3:16.
1. (Inclua a introdução.) (a) O que provam os fatos a respeito da Bíblia? (b) Quais são as implicações do fato de a Bíblia ser a inspirada Palavra de Deus?
O FATO de que a Bíblia é a palavra de Deus, não de homem, tem profundas implicações. Significa que Deus realmente se tem comunicado com os humanos. Ele tem respondido a muitas das nossas perguntas e tem mostrado a solução para muitos dos nossos problemas. Significa também que as perspectivas quanto ao futuro, descritas na Bíblia, são genuínas. O Reino de Deus realmente está governando e, com o tempo, agirá para eliminar desta Terra toda injustiça, opressão e sofrimento.
2. Saber que a Bíblia é a Palavra de Deus devia induzi-lo a fazer o quê?
2 Agora, a questão é: o que fará você com essas informações? No mínimo, saber que a Bíblia é a Palavra de Deus deve incentivá-lo a examiná-la. O salmista prometeu felicidade àqueles que fazem isso, ao escrever: “Feliz é o homem que não tem andado no conselho dos iníquos . . . Mas, seu agrado é na lei de Jeová, e na sua lei ele lê dia e noite em voz baixa.” — Salmo 1:1, 2.
Aceite Ajuda
3, 4. (a) Conforme a própria Bíblia mostra, o que devemos fazer quando encontramos na Bíblia pontos que não entendemos? (b) Quem sempre está disposto a ajudar as pessoas a entender melhor a Bíblia?
3 É provável que, na sua leitura da Bíblia, encontre pontos que não entende. (2 Pedro 3:16) Um acontecimento registrado no livro bíblico de Atos mostra que se pode esperar isso. Pouco depois da morte de Jesus, um etíope estava lendo as profecias do livro bíblico de Isaías. O evangelista cristão Filipe foi ao encontro desse homem e perguntou: “Sabes realmente o que estás lendo?” O etíope não sabia, de modo que convidou Filipe a ajudá-lo a entender. — Atos 8:30, 31.
4 Uma senhora, nos Estados Unidos, encontrava-se numa situação similar. Ela lia regularmente a Bíblia, mas havia muitos ensinos importantes da Bíblia que não entendia à base da sua própria leitura. Foi só quando teve algumas palestras com as Testemunhas de Jeová que veio a conhecer as verdades bíblicas básicas, inclusive a importância do Reino de Deus e as muitas bênçãos que o Reino trará à humanidade. Se você convidar as Testemunhas de Jeová, elas terão prazer em ajudá-lo também, para que possa entender melhor aquilo que lê na Bíblia.
Aplique o Conselho da Bíblia
5. Segundo a Bíblia, que proceder traz felicidade?
5 Somos incentivados não somente a ler a Bíblia, mas também a agir em harmonia com o que lemos. (Salmo 119:2) Além disso, a Bíblia exorta: “Saboreai e vede que Jeová é bom; feliz o varão vigoroso que se refugia nele.” (Salmo 34:8) De fato, ela convida-nos a pôr Deus à prova. Tente viver segundo os princípios de Deus, mostrando que confia em que Deus sabe o que é melhor para você. Somente assim verá que esse realmente é o caminho certo. Os que assim confiam em Deus são realmente felizes.
6. É prático tentar viver hoje segundo as normas da Bíblia? Queira explicar isso.
6 Alguns afirmam que ninguém consegue viver segundo os princípios bíblicos no meio deste mundo desonesto, imoral e violento. A verdade é, porém, que muitos o conseguem. Quem? Um homem jovem, na África, encontrou um grupo de tais pessoas. Ele escreveu: “Tenho observado nos últimos anos que aqui em Zimbábue são vocês, Testemunhas de Jeová, que realmente procuram seguir o próprio exemplo de Cristo . . . Vocês são o único grupo, até agora, que conseguiu convencer-me do amor de Deus e do poder do Seu evangelho, mediante seu modo de viver e não apenas mediante discursos e escritos. Vocês vivem e pregam o evangelho, ao passo que muitos, muitos mesmo, pregam o evangelho, mas não vivem segundo ele.”
Aceite a Autoridade Dela
7. Que práticas hoje comuns são contrárias ao que a Bíblia diz?
7 O apóstolo Paulo disse que a Bíblia é “proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas”. (2 Timóteo 3:16) Às vezes, porém, o que a Bíblia diz não é popular. Por exemplo, a Bíblia condena atos homossexuais, mas o homossexualismo é amplamente encarado como estilo de vida aceitável. (Romanos 1:24-27; 1 Coríntios 6:9-11; 1 Timóteo 1:9-11) A Bíblia diz também que a vida dum bebê por nascer é importante e não deve ser deliberadamente destruída, mas cerca de 50 milhões de abortos por ano são realizados mundialmente. (Êxodo 21:22, 23; Salmo 36:9; 139:14-16; Jeremias 1:5) Mas o que acontece quando nós mesmos achamos difícil de aceitar o que a Bíblia diz sobre tais assuntos?
8, 9. Quando no começo achamos difícil aceitar algum ponto da Bíblia, de que nos devemos lembrar, e as normas de quem devemos sempre aceitar?
8 Pois bem, os cristãos aprenderam que sempre é sábio seguir a Palavra de Deus. Por quê? Porque, a longo prazo, seguir o que a Bíblia diz sempre resulta no melhor para todos. (Provérbios 2:1-11) Acontece que os humanos são muito limitados no que se refere à sabedoria. Raras vezes conseguem prever as consequências finais das suas ações. O profeta Jeremias confessou: “Bem sei, ó Jeová, que não é do homem terreno o seu caminho. Não é do homem que anda o dirigir o seu passo.” — Jeremias 10:23.
9 Basta olhar em volta de nós para ver que essa avaliação é correta. A maioria dos problemas que afligem o mundo são o resultado direto de as pessoas não seguirem o conselho da Palavra de Deus. A longa história atribulada da humanidade tem mostrado que os humanos não conseguem com bom êxito decidir por si mesmos questões de moral. Deus é infinitamente mais sábio do que nós. Então, por que não aceitar o que ele diz, em vez de nos estribarmos na nossa própria sabedoria? — Provérbios 28:26; Jeremias 17:9.
Ninguém É Perfeito
10, 11. (a) Que fatos sobre o nosso modo de ser e o mundo em que vivemos criam problemas ao tentarmos viver segundo as normas da Bíblia? (b) Que espécie de associação nos incentiva a Bíblia a procurar, e onde podemos encontrá-la?
10 A Bíblia nos alerta a outro campo em que necessitamos de ajuda. Todos nós temos uma tendência inata de pecar. “A inclinação do coração do homem é má desde a sua mocidade.” (Gênesis 8:21; Romanos 7:21) Esse problema é intensificado pelo fato de que vivemos num mundo que não segue os princípios bíblicos. Portanto, precisamos de ajuda, não só para entender a Bíblia, mas também para praticar aquilo que aprendemos. Por isso a Bíblia nos incentiva a nos associar com outros que desejam viver segundo normas piedosas. O salmista escreveu: “Tenho odiado a congregação dos malfeitores e não me sento com os iníquos. . . . Bendirei a Jeová no meio das multidões congregadas.” E outro salmo diz: “Quão bom e quão agradável é irmãos morarem juntos em união!” — Salmo 26:5, 12; 133:1.
11 Reunir-se é para as Testemunhas de Jeová uma parte essencial da adoração. Elas realizam diversas reuniões semanais, bem como congressos periódicos, em que estudam juntas a Bíblia e consideram como aplicar na sua vida os princípios dela. Constituem mundialmente uma ‘associação de irmãos’, na qual todos são encorajados e ajudados a manter essas elevadas normas bíblicas. (1 Pedro 2:17) Por que não assiste a uma das suas reuniões para ver como essa comunidade pode também ajudar a você? — Hebreus 10:24, 25.
Viva Segundo a Palavra de Deus
12. Que bênçãos resultam de se saber que a Bíblia é a Palavra de Deus?
12 Portanto, saber que a Bíblia é a Palavra de Deus resulta em bênçãos e em responsabilidades. Somos abençoados por obter para a nossa conduta diária uma orientação que não se acha disponível em outro lugar. Além disso, aprendemos sobre o amor de Deus em prover seu próprio Filho para resgatar-nos, a fim de que tenhamos a esperança de obter vida eterna. (João 3:16) Damo-nos conta de que Jesus governa agora como Rei e em breve agirá para eliminar da Terra a iniquidade. E aguardamos confiantemente os justos “novos céus e uma nova terra” que o próprio Deus prometeu. — 2 Pedro 3:13.
13. Que responsabilidades recaem sobre nós ao aceitarmos a Bíblia como a Palavra de Deus?
13 Tenha em mente, porém, que temos a responsabilidade de estudar a Bíblia e de tomar a peito o que ela diz. O próprio Deus exorta: “Filho meu, não te esqueças da minha lei, e observe teu coração os meus mandamentos.” (Provérbios 3:1) Mesmo que a maioria encare a Bíblia como apenas a palavra de homem, nós devemos corajosamente deixar que “seja Deus achado verdadeiro, embora todo homem seja achado mentiroso”. (Romanos 3:4) Deixe a sabedoria de Deus guiar a sua vida. “Confia em Jeová de todo o teu coração . . . Nota-o em todos os teus caminhos.” (Provérbios 3:5, 6) Acatar assim sabiamente a Palavra de Deus afetará a sua vida para o bem, agora e por toda a eternidade.
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