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  • A Bíblia luta para sobreviver
    A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
    • Capítulo 2

      A Bíblia luta para sobreviver

      Há muitos fios de evidência para provar que a Bíblia é realmente a Palavra de Deus. Cada fio é forte, mas quando todos são tomados em conjunto, eles não podem ser rompidos. Neste capítulo, bem como no seguinte, consideraremos apenas um fio de evidência: a história da Bíblia como livro. A verdade é que é nada menos que um milagre ter esse notável livro sobrevivido até hoje. Considere você mesmo os fatos.

      1. Quais são alguns dos pormenores sobre a Bíblia?

      A BÍBLIA é mais do que apenas um livro. É uma valiosa biblioteca de 66 livros, alguns deles curtos, outros bastante longos, contendo leis, profecias, história, poesia, conselhos e muito mais. Séculos antes do nascimento de Cristo, foram escritos os primeiros 39 destes livros — na maior parte na língua hebraica — por judeus ou israelitas fiéis. Esta parte é frequentemente chamada de Antigo (ou Velho) Testamento. Os últimos 27 livros foram escritos em grego, por cristãos, e são amplamente conhecidos como Novo Testamento. Segundo a evidência interna e as mais antigas tradições, estes 66 livros foram escritos durante um período de cerca de 1.600 anos, começando no tempo em que o Egito era uma potência dominante e terminando quando Roma era senhora do mundo.

      Somente a Bíblia Sobreviveu

      2. (a) Qual era a situação de Israel quando se começou a escrever a Bíblia? (b) Quais eram algumas outras obras escritas produzidas durante o mesmo período?

      2 Há mais de 3.000 anos, quando a escrita da Bíblia teve início, Israel era apenas uma nação pequena entre muitas no Oriente Médio. Jeová era seu Deus, ao passo que as nações circunvizinhas tinham uma desconcertante variedade de deuses e deusas. Durante aquele período, os israelitas não eram os únicos a produzir literatura religiosa. Outras nações também produziam obras escritas, que refletiam sua religião e seus valores nacionais. Por exemplo, a lenda acadiana de Gilgamés (ou Gilgamesh) da Mesopotâmia e as epopeias de Ras Xamra, escritas em ugarítico (língua falada no que agora é o norte da Síria), sem dúvida eram muito populares. A vasta literatura daquela era incluía também obras tais como As Admoestações de Ipu-wer e A Profecia de Nefer-rohu, na língua egípcia, hinos a diferentes divindades em sumeriano e obras proféticas em acadiano.1

      3. O que marca a Bíblia como diferente das outras literaturas religiosas produzidas no Oriente Médio durante o mesmo período?

      3 Todas essas obras do Oriente Médio, porém, tiveram a mesma sorte. Foram esquecidas, e até mesmo as línguas em que foram escritas tornaram-se extintas. Foi apenas em anos recentes que arqueólogos e filólogos souberam da sua existência e descobriram a maneira de lê-las. Por outro lado, os primeiros livros escritos da Bíblia hebraica sobreviveram até o nosso tempo e ainda são amplamente lidos. Vez por outra, alguns eruditos afirmam que os livros hebraicos da Bíblia derivaram de algum modo daquelas antigas obras literárias. Mas o fato de que uma tão grande parte daquela literatura foi esquecida, ao passo que a Bíblia hebraica sobreviveu, marca a Bíblia como significativamente diferente.

      Os Guardiães da Palavra

      4. Que graves problemas dos israelitas talvez parecessem pôr em dúvida a sobrevivência da Bíblia?

      4 Não se engane, pois, do ponto de vista humano, a sobrevivência da Bíblia não era presumível. As comunidades que a produziram sofreram provações tão difíceis e opressão tão amarga, que a sobrevivência dela até os nossos dias é realmente algo notável. Nos anos antes de Cristo, os judeus que produziram as Escrituras Hebraicas (o “Antigo Testamento”) eram uma nação relativamente pequena. Moravam precariamente no meio de estados políticos poderosos, que se rivalizavam pela supremacia. Israel teve de lutar pela sua vida contra uma sucessão de nações, tais como os filisteus, os moabitas, os amonitas e os edomitas. Durante um período em que os hebreus estavam divididos em dois reinos, o cruel Império Assírio virtualmente eliminou o reino setentrional, ao passo que os babilônios destruíram o reino meridional, levando o povo a um exílio do qual apenas um restante retornou 70 anos mais tarde.

      5, 6. Que tentativas feitas punham em perigo a própria existência dos hebreus como povo distinto?

      5 Existem até mesmo relatos sobre tentativas de genocídio contra os israelitas. Lá nos dias de Moisés, Faraó ordenou o assassinato de todos os meninos recém-nascidos deles. Se a sua ordem tivesse sido executada, o povo hebreu teria sido aniquilado. (Êxodo 1:15-22) Muito mais tarde, quando os judeus vieram a estar sob domínio persa, os inimigos deles tramaram a adoção duma lei destinada a exterminá-los. (Ester 3:1-15) O fracasso dessa trama ainda é celebrado na festividade judaica de Purim.

      6 Mais tarde ainda, quando os judeus estiveram sujeitos à Síria, o Rei Antíoco IV tentou muito helenizar a nação, obrigando-a a seguir costumes gregos e a adorar deuses gregos. Ele também fracassou. Em vez de os judeus serem exterminados ou assimilados, eles sobreviveram, ao passo que a maior parte dos grupos nacionais em volta deles, um após outro, desapareceu do cenário mundial. E as Escrituras Hebraicas da Bíblia sobreviveram com eles.

      7, 8. Como foi a Bíblia ameaçada pelas tribulações sofridas pelos cristãos?

      7 Os cristãos, que produziram a segunda parte da Bíblia (o “Novo Testamento”), também eram um grupo oprimido. Seu líder, Jesus, foi morto como se fosse um criminoso comum. Nos dias que se seguiram à sua morte, as autoridades judaicas na Palestina tentaram suprimi-los. Quando o cristianismo se espalhou a outras terras, os judeus os assediavam, tentando impedir a sua obra missionária. — Atos 5:27, 28; 7:58-60; 11:19-21; 13:45; 14:19; 18:5, 6.

      8 No tempo de Nero, a atitude inicialmente tolerante das autoridades romanas mudou. Tácito gabou-se das “penas mais horrorosas” infligidas aos cristãos por aquele perverso imperador e, do tempo dele em diante, era crime passível de pena capital ser cristão.2 Em 303 EC, o Imperador Diocleciano agiu diretamente contra a Bíblia.a Num esforço de eliminar o cristianismo, ordenou que todas as Bíblias cristãs fossem queimadas.3

      9. O que teria acontecido se as campanhas para exterminar os judeus e os cristãos tivessem sido bem-sucedidas?

      9 Essas campanhas de opressão e de genocídio constituíam verdadeira ameaça à sobrevivência da Bíblia. Se a sorte dos judeus tivesse sido a mesma que a dos filisteus e dos moabitas, ou se os esforços, primeiro das autoridades judaicas e depois das romanas, de eliminar o cristianismo tivessem sido bem-sucedidos, quem teria escrito e preservado a Bíblia? Felizmente, os guardiães da Bíblia — primeiro os judeus e depois os cristãos — não foram eliminados, e a Bíblia sobreviveu. No entanto, houve outra ameaça séria, se não à sobrevivência da Bíblia, pelo menos à sua integridade.

      Cópias Falíveis

      10. Como foi a Bíblia originalmente preservada?

      10 Muitas das obras antigas já mencionadas, que subsequentemente foram esquecidas, haviam sido gravadas em pedra ou em duráveis tabuinhas de argila. Mas isso não se deu com a Bíblia. Ela foi originalmente escrita em papiro ou em pergaminho — materiais muito mais perecíveis. De modo que os manuscritos produzidos pelos escritores originais já desapareceram há muito, muito tempo. Então, como foi preservada a Bíblia? Incontáveis milhares de cópias foram laboriosamente feitas a mão. Essa era a maneira normal de reproduzir um livro antes do advento da imprensa.

      11. O que acontece inevitavelmente quando manuscritos são copiados a mão?

      11 No entanto, há um perigo quando se fazem cópias manuscritas. Sir Frederic Kenyon, famoso arqueólogo e bibliotecário do Museu Britânico, explicou: “Ainda não foram criados a mão e o cérebro humanos que consigam copiar na inteireza uma obra extensa sem absolutamente nenhum erro. . . . Forçosamente se introduziriam sem querer erros.”4 Quando sem querer se introduziu um erro num manuscrito, ele foi repetido quando esse manuscrito se tornou a base para outras cópias. Quando se fizeram muitas cópias durante um longo período, introduziram-se sem querer numerosos erros humanos.

      12, 13. Quem assumiu a responsabilidade pela preservação do texto das Escrituras Hebraicas?

      12 Em vista dos muitos milhares de cópias da Bíblia feitas, como sabemos que esse processo de reprodução não a alterou a ponto de ficar irreconhecível? Pois bem, tomemos o caso da Bíblia hebraica, o “Antigo Testamento”. Na segunda metade do sexto século AEC, quando os judeus retornaram do seu exílio babilônico, um grupo de eruditos hebreus, conhecidos como soferins, “escribas”, tornaram-se os depositários do texto da Bíblia hebraica, e era da sua responsabilidade copiar essas Escrituras para uso na adoração pública e particular. Eram profissionais altamente motivados, e sua obra era da melhor qualidade.

      13 Desde o sétimo até o décimo século de nossa Era Comum, os herdeiros dos soferins eram os massoretas. O nome deles deriva duma palavra hebraica que significa “tradição”, e eles essencialmente também eram escribas encarregados da tarefa de preservar o tradicional texto hebraico. Os massoretas eram meticulosos. Por exemplo, o escriba tinha de usar um exemplar devidamente autenticado como texto-base, e não se lhe permitia escrever nada de memória. Ele tinha de verificar cada letra antes de escrevê-la.5 O Professor Norman K. Gottwald relata: “Uma noção do cuidado com que eles se desincumbiram dos seus deveres é indicada no requisito rabínico de que todos os novos manuscritos fossem revisados e as cópias falhas rejeitadas imediatamente.”6

      14. Que descoberta tornou possível confirmar a transmissão do texto bíblico pelos soferins e pelos massoretas?

      14 Quão exata foi a transmissão do texto pelos soferins e pelos massoretas? Até 1947, era difícil responder a essa pergunta, visto que os manuscritos hebraicos mais antigos disponíveis eram do décimo século da nossa Era Comum. Em 1947, porém, foram encontrados alguns fragmentos de manuscritos bem antigos em cavernas, na vizinhança do mar Morto, incluindo partes dos livros da Bíblia hebraica. Alguns dos fragmentos datam de antes do tempo de Cristo. Os eruditos compararam-nos com manuscritos hebraicos existentes, para confirmar a exatidão da transmissão do texto. Qual foi o resultado dessa comparação?

      15. (a) Que resultado deu a comparação do rolo manuscrito de Isaías, do mar Morto, com o texto massorético? (b) O que devemos concluir do fato de que alguns manuscritos encontrados junto ao mar Morto mostram certa variação textual? (Veja a nota de rodapé.)

      15 Uma das obras mais antigas descobertas foi o livro inteiro de Isaías, e a exatidão desse texto em comparação com a Bíblia massorética que hoje temos é espantosa. O Professor Millar Burrows escreve: “Muitas das diferenças entre o [recém-descoberto] rolo de Isaías de S. Marcos e o texto massorético podem ser explicadas como erros de cópia. Fora disso, no todo, há uma notável concordância com o texto encontrado nos manuscritos medievais. Tal concordância num manuscrito bem mais antigo fornece um testemunho que renova a confiança na exatidão geral do texto tradicional.”7 Burrows acrescenta: “É de admirar que no decorrer de uns mil anos o texto tenha sofrido tão pouca alteração.”b

      16, 17. (a) Por que podemos ter certeza de que o texto das Escrituras Gregas Cristãs é fidedigno? (b) O que atestou Sir Frederic Kenyon a respeito do texto das Escrituras Gregas?

      16 No caso da parte da Bíblia escrita em grego, pelos cristãos, o chamado Novo Testamento, os copistas eram mais parecidos a amadores talentosos, do que aos soferins profissionais, altamente treinados. Mas, visto que trabalhavam sob a ameaça de punição por parte das autoridades, eles tomavam seu trabalho a sério. E duas coisas asseguram-nos que hoje temos um texto essencialmente igual ao assentado pelos escritores originais. Primeiro, possuímos manuscritos de data muito mais próxima ao tempo da escrita, do que no caso da parte hebraica da Bíblia. De fato, um fragmento do Evangelho de João é da primeira metade do segundo século, menos de 50 anos depois da data em que João provavelmente escreveu seu Evangelho. Segundo, a própria quantidade de manuscritos que sobreviveram constitui uma colossal demonstração da integridade do texto.

      17 Sobre esse ponto atestou Sir Frederic Kenyon: “Não é exagero afirmar que o texto da Bíblia, em essência, é certo. Isso se dá especialmente com o Novo Testamento. O número de manuscritos do Novo Testamento, de primitivas traduções dele e de citações dele nos escritores mais antigos da Igreja, é tão grande, que é praticamente certo que a verdadeira versão de toda passagem duvidosa é preservada em uma ou outra dessas autoridades antigas. Não se pode dizer isto de nenhum outro livro antigo no mundo.”10

      Os Povos e Suas Línguas

      18, 19. Como se deu que a Bíblia não ficou limitada às línguas em que originalmente foi escrita?

      18 As línguas originais em que a Bíblia foi escrita, a longo prazo, também eram um obstáculo para a sua sobrevivência. Os primeiros 39 livros, na maior parte, foram escritos em hebraico, a língua dos israelitas. Mas o hebraico nunca fora amplamente conhecido. Se a Bíblia tivesse continuado só nessa língua, nunca teria exercido influência fora da nação judaica e dos poucos estrangeiros que sabiam lê-la. Entretanto, no terceiro século AEC, em benefício dos hebreus que moravam em Alexandria, no Egito, iniciou-se a tradução da parte hebraica da Bíblia para o grego. O grego era então uma língua internacional. De modo que a Bíblia hebraica tornou-se facilmente acessível aos não judeus.

      19 Quando chegou o tempo para se escrever a segunda parte da Bíblia, ainda se falava amplamente o grego, de modo que os últimos 27 livros da Bíblia foram escritos nessa língua. Mas nem todos entendiam o grego. De modo que, em pouco tempo começaram a aparecer traduções, tanto da parte hebraica como da grega da Bíblia, nas línguas cotidianas daqueles primeiros séculos, tais como o siríaco, o copta, o armênio, o georgiano, o gótico e o etíope. O idioma oficial do Império Romano era o latim, e fizeram-se traduções latinas em tal número, que se teve de comissionar uma “versão autorizada”. Essa foi terminada por volta de 405 EC e veio a ser conhecida como a Vulgata (que significa “popular” ou “comum”).

      20, 21. A que obstáculos sobreviveu a Bíblia, e por que foram estes vencidos?

      20 Portanto, foi apesar de muitos obstáculos que a Bíblia sobreviveu até os primeiros séculos da nossa Era Comum. Aqueles que a produziram eram minorias desprezadas e perseguidas, que levavam uma existência difícil no meio dum mundo hostil. Ela facilmente poderia ter sido muito deturpada ao se produzirem cópias, mas não foi. Além disso, escapou ao perigo de estar disponível apenas àqueles que falavam determinada língua.

      21 Por que foi para a Bíblia tão difícil sobreviver? A própria Bíblia diz: “O mundo inteiro jaz no poder do iníquo.” (1 João 5:19) Em vista disso, era de esperar que o mundo fosse hostil à publicação da verdade, e assim mostrou ser. Então, por que sobreviveu a Bíblia, quando tantas outras obras literárias, que não se confrontavam com as mesmas dificuldades, foram esquecidas? A Bíblia responde também a isso. Ela diz: “A declaração de Jeová permanece para sempre.” (1 Pedro 1:25) Se a Bíblia realmente é a Palavra de Deus, nenhum poder humano pode destruí-la. E assim tem sido, até mesmo neste século 20.

      22. Que mudança ocorreu no começo do quarto século da nossa Era Comum?

      22 Entretanto, no quarto século da nossa Era Comum, aconteceu algo que finalmente resultou em novos ataques à Bíblia e que influiu profundamente no curso da história europeia. Apenas dez anos depois de Diocleciano ter tentado destruir todos os exemplares da Bíblia, a política imperial mudou e o “cristianismo” foi legalizado. Doze anos mais tarde, em 325 EC, um imperador romano presidiu ao “cristão” Concílio de Niceia. Por que seria perigoso para a Bíblia tal acontecimento aparentemente favorável? Saberemos a resposta no próximo capítulo.

  • A falsa amiga da Bíblia
    A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?
    • Capítulo 3

      A falsa amiga da Bíblia

      Neste capítulo consideraremos o principal motivo pelo qual muitas pessoas em países não cristãos se recusam a aceitar a Bíblia como a Palavra de Deus. Em sentido histórico, a cristandade tem afirmado crer na Bíblia e ser sua guardiã. Mas as organizações religiosas da cristandade têm estado associadas com alguns dos mais apavorantes horrores da história, desde as Cruzadas e os pogroms da Idade Média até o Holocausto dos nossos próprios tempos. É a conduta da cristandade um motivo válido para se rejeitar a Bíblia? A verdade é que a cristandade mostrou ser falsa amiga da Bíblia. De fato, quando a cristandade emergiu no quarto século EC, a luta da Bíblia para sobreviver de modo algum havia terminado.

      1, 2. (Inclua a introdução.) (a) Por que se recusam muitos a aceitar a Bíblia como a Palavra de Deus? (b) Que boa obra foi realizada durante o primeiro e o segundo século, mas que desenvolvimento perigoso estava surgindo?

      POR volta do fim do primeiro século, a escrita de todos os livros da Bíblia estava completa. Daí em diante, os cristãos tomaram a dianteira em copiar e distribuir a Bíblia inteira. Ao mesmo tempo, atarefaram-se em traduzi-la para as línguas mais comuns do seu tempo. Enquanto a congregação cristã se atarefava com essa obra admirável, porém, começou a surgir algo que se mostraria muito perigoso para a sobrevivência da Bíblia.

      2 Tal desenvolvimento fora predito pela própria Bíblia. Jesus certa vez contou uma parábola a respeito dum homem que semeara seu campo com sementes de trigo de boa qualidade. Mas, “enquanto os homens dormiam”, um inimigo lançou sementes que produziriam joio. Ambos os tipos de sementes brotaram, e, por um tempo, o joio ocultava o trigo. Por meio dessa parábola, Jesus mostrou que os frutos da sua obra seriam verdadeiros cristãos, mas que, após a sua morte, falsos cristãos se infiltrariam na congregação. Por fim, seria difícil de distinguir os genuínos dos falsos. — Mateus 13:24-30, 36-43.

      3. Segundo o apóstolo Pedro, que efeito teriam os “cristãos” semelhantes a joio sobre a crença na Bíblia?

      3 O apóstolo Pedro advertiu francamente contra o efeito desses “cristãos” semelhantes a joio sobre a maneira de as pessoas encararem o cristianismo e a Bíblia. Ele advertiu: “Haverá falsos instrutores entre vós. Estes mesmos introduzirão quietamente seitas destrutivas e repudiarão até mesmo o dono que os comprou, trazendo sobre si mesmos uma destruição veloz. Outrossim, muitos seguirão os seus atos de conduta desenfreada, e, por causa destes, falar-se-á de modo ultrajante do caminho da verdade.” — 2 Pedro 2:1, 2.

      4. Como se cumpriram as profecias de Jesus e de Pedro mesmo já durante o primeiro século?

      4 As profecias de Jesus e de Pedro cumpriram-se mesmo já durante o primeiro século. Homens ambiciosos infiltraram-se na congregação cristã e semearam dissensões. (2 Timóteo 2:16-18; 2 Pedro 2:21, 22; 3 João 9, 10) Nos dois séculos seguintes, a pureza da verdade bíblica foi corrompida pela filosofia grega, e muitos, equivocadamente, chegaram a aceitar as doutrinas pagãs como verdade bíblica.

      5. Por que mudança de condição passou o “cristianismo” no quarto século?

      5 No quarto século, uma forma de “cristianismo” por fim tornou-se a religião oficial do Império Romano. Mas esse “cristianismo” era bem diferente da religião pregada por Jesus. Já florescia então o “joio”, assim como Jesus predissera. Não obstante, podemos ter certeza de que, durante todo aquele tempo, havia alguns que representavam o verdadeiro cristianismo e que se esforçavam a seguir a Bíblia como a inspirada Palavra de Deus. — Mateus 28:19, 20.

      Oposição à Tradução da Bíblia

      6. Quando começou a tomar forma a cristandade, e qual era um dos modos em que a religião da cristandade diferia do cristianismo bíblico?

      6 Foi no tempo de Constantino que a cristandade, assim como hoje a conhecemos, passou a tomar forma. Daquele tempo em diante, a espécie degenerada de cristianismo que havia criado raízes já não era somente uma organização religiosa. Fazia parte do estado, e seus líderes desempenhavam um papel importante na política. Com o tempo, a igreja apóstata usou seu poder político dum modo completamente oposto ao cristianismo bíblico, introduzindo outra perigosa ameaça à Bíblia. Como?

      7, 8. Quando expressou o papa oposição à tradução da Bíblia, e por que fez isso?

      7 Quando o latim deixou de ser a língua cotidiana, havia necessidade de novas traduções da Bíblia. Mas a Igreja Católica não mais favorecia isso. Em 1079, Vratislau, mais tarde rei da Boêmia, pediu ao Papa Gregório VII permissão para traduzir a Bíblia para a língua dos seus súditos. A resposta do papa foi negativa. Ele declarou: “É evidente aos que muitas vezes refletem sobre isso que não é sem motivo que agradou ao Deus Todo-Poderoso que a escritura sagrada ficasse em segredo, em certos lugares, para que não acontecesse que, se fosse claramente evidente a todos os homens, ela talvez fosse pouco estimada e fosse sujeita ao desrespeito; ou que ela pudesse ser mal entendida por aqueles de medíocre instrução e conduzir ao erro.”1

      8 O papa queria manter a Bíblia na então língua morta, o latim. O conteúdo dela devia ser mantido “em segredo”, não traduzido para as línguas do povo comum.a A Vulgata latina de Jerônimo, produzida no 5.º século para tornar a Bíblia acessível a todos, tornou-se então o meio de mantê-la oculta.

      9, 10. (a) Como se desenvolveu a oposição católica romana à tradução da Bíblia? (b) Qual era o objetivo da oposição da Igreja à Bíblia?

      9 Com o avanço da Idade Média, a posição da Igreja contra as Bíblias vernáculas endureceu. Em 1199, o Papa Inocêncio III escreveu uma carta tão forte ao arcebispo de Metz, na Alemanha, que o arcebispo queimou todas as Bíblias na língua alemã que conseguiu encontrar.3 Em 1229, o sínodo de Toulouse, na França, decretou que “gente leiga” não podia possuir livros bíblicos na língua comum.4 Em 1233, o sínodo provincial de Tarragona, na Espanha, ordenou que todos os livros do “Antigo ou Novo Testamento” fossem entregues para ser queimados.5 Em 1407, o sínodo de clérigos convocado em Oxford, na Inglaterra, pelo Arcebispo Thomas Arundel, proibiu expressamente a tradução da Bíblia para o inglês ou para qualquer outra língua moderna.6 Em 1431, também na Inglaterra, o Bispo Stafford, de Wells, proibiu a tradução da Bíblia para o inglês e a posse de tais traduções.7

      10 Essas autoridades religiosas não estavam tentando destruir a Bíblia. Estavam tentando fossilizá-la, mantê-la numa língua que apenas poucos sabiam ler. Dessa maneira, esperavam impedir aquilo que chamavam de heresia, mas que realmente importava em desafios à sua autoridade. Se tivessem conseguido isso, a Bíblia se teria tornado apenas um objeto de curiosidade intelectual, com pouca ou nenhuma influência na vida das pessoas comuns.

      Os Defensores da Bíblia

      11. O que aconteceu quando Julián Hernández contrabandeou Bíblias em espanhol para a Espanha?

      11 Felizmente, porém, muitas pessoas sinceras recusaram-se a acatar tais editos. Mas essas recusas eram perigosas. As pessoas sofriam terrivelmente pelo “crime” de possuir uma Bíblia. Tome, por exemplo, o caso dum espanhol chamado Julián Hernández. Segundo o livro História do Martírio Cristão, de Foxe, Julián (ou Juliano) “empreendeu levar da Alemanha para o seu próprio país um grande número de Bíblias, escondidas em barris e camufladas como vinho do Reno”. Ele foi traído e preso pela Inquisição católica romana. Aqueles a quem as Bíblias se destinavam “foram todos indiscriminadamente torturados, e depois, a maioria deles foi sentenciada a diversas punições. Juliano foi queimado, vinte deles foram assados em espetos, vários foram encarcerados pelo resto da vida, alguns foram publicamente açoitados, muitos foram enviados às galés”.8

      12. Como sabemos que as autoridades religiosas da Idade Média não representavam o cristianismo bíblico?

      12 Que horrível abuso de poder! É evidente que essas autoridades religiosas de modo algum eram representativas do cristianismo bíblico! A própria Bíblia revela a quem pertenciam, ao dizer: “Os filhos de Deus e os filhos do Diabo evidenciam-se pelo seguinte fato: Todo aquele que não está praticando a justiça não se origina de Deus, nem aquele que não ama seu irmão. Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio, que devemos ter amor uns pelos outros; não como Caim, que se originou do iníquo e que matou a seu irmão.” — 1 João 3:10-12.

      13, 14. (a) Que fato notável a respeito da Bíblia durante a Idade Média mostra a origem divina dela? (b) Como mudou a situação na Europa no que se refere à Bíblia?

      13 Quão notável, porém, é que homens e mulheres estavam dispostos a arriscar-se a sofrer tal tratamento chocante só para possuir uma Bíblia! E tais exemplos se têm multiplicado muitas vezes até os nossos dias. A profunda devoção que a Bíblia inspira nas pessoas, a disposição de sofrer pacientemente e de se sujeitar sem queixa a uma morte terrível, sem revidar aos seus atormentadores, são forte evidência de que a Bíblia é mesmo a Palavra de Deus. — 1 Pedro 2:21.

      14 Por fim, após a rebelião protestante contra o poderio católico romano, no século 16, a própria Igreja Católica Romana se viu obrigada a produzir traduções da Bíblia nas línguas cotidianas da Europa. Todavia, mesmo assim, a Bíblia foi associada mais com o protestantismo do que com o catolicismo. Conforme escreveu o sacerdote católico romano Edward J. Ciuba: “Tem de se admitir honestamente que uma das consequências mais trágicas da Reforma protestante foi a de ser a Bíblia negligenciada entre os fiéis católicos. Embora nunca fosse totalmente esquecida, a Bíblia era um livro fechado para a maioria dos católicos.”9

      Alta Crítica

      15, 16. Por que não está o protestantismo isento de culpa quanto à oposição à Bíblia?

      15 Mas as igrejas protestantes não estão isentas de culpa no que se refere à oposição à Bíblia. Com o passar dos anos, certos eruditos protestantes elaboraram outro tipo de ataque contra o livro: um ataque intelectual. Durante os séculos 18 e 19, desenvolveram um método de estudo da Bíblia conhecido como alta crítica. Os altos críticos ensinaram que grande parte da Bíblia era composta de lendas e de mitos. Alguns até mesmo disseram que Jesus nunca existiu. Em vez de a Bíblia ser designada a Palavra de Deus, esses eruditos protestantes diziam que ela era a palavra de homem, e ainda por cima uma palavra muito confusa.

      16 Embora as mais extremas dessas ideias não sejam mais aceitas, a alta crítica ainda é ensinada em seminários, e não é incomum ouvir clérigos protestantes publicamente repudiar grandes trechos da Bíblia. Nesse respeito, um clérigo anglicano, citado num jornal australiano, disse que grande parte do conteúdo da Bíblia “simplesmente está errado. Parte da história está errada. Alguns dos pormenores obviamente estão truncados”. Essa maneira de pensar é fruto da alta crítica.

      ‘Fala-se Dela de Modo Ultrajante’

      17, 18. De que modo lançou a conduta da cristandade vitupério sobre a Bíblia?

      17 No entanto, talvez o maior obstáculo a que as pessoas aceitem a Bíblia como a Palavra de Deus tenha sido a conduta da cristandade. A cristandade afirma seguir a Bíblia. No entanto, sua conduta tem lançado grande vitupério sobre a Bíblia e sobre o próprio nome de cristão. Conforme predisse o apóstolo Pedro, ‘fala-se de modo ultrajante’ do caminho da verdade. — 2 Pedro 2:2.

      18 Por exemplo, ao passo que a igreja proibia a tradução da Bíblia, o papa patrocinava maciços esforços militares contra os muçulmanos no Oriente Médio. Esses esforços vieram a ser chamados de “santas” cruzadas, mas não havia nada de santo nelas. A primeira — chamada de “Cruzada Popular” — estabeleceu o padrão do que havia de vir. Antes de partir da Europa, um exército desregrado, inflamado por pregadores, voltou-se contra os judeus na Alemanha, matando-os numa cidade após outra. Por quê? O historiador Hans Eberhard Mayer diz: “O argumento de que os judeus, como inimigos de Cristo, mereciam ser punidos era apenas uma fraca tentativa de esconder o verdadeiro motivo: a ganância.”10

      19-21. Como serviram a Guerra dos Trinta Anos, bem como os esforços missionários e a expansão colonial da Europa, para lançar vitupério sobre a Bíblia?

      19 A rebelião protestante no século 16 despojou o catolicismo romano do poder, em muitos países europeus. Um resultado disso foi a Guerra dos Trinta Anos (1618-48) — “uma das mais terríveis guerras na história europeia”, segundo A História Universal do Mundo. Qual era a causa básica dessa guerra? “O ódio dos católicos aos protestantes, e dos protestantes aos católicos.”11

      20 Naquela época, a cristandade já começara a expandir-se além da Europa, levando a civilização “cristã” a outras partes da Terra. Essa expansão militar ficou marcada pela crueldade e pela ganância. Nas Américas, os conquistadores espanhóis destruíram rapidamente as civilizações indígenas americanas. Certo livro de história observou: “Em geral, os governadores espanhóis destruíam a civilização nativa sem introduzir a europeia. A sede de ouro era o principal motivo que os atraía ao Novo Mundo.”12

      21 Missionários protestantes também saíram da Europa para outros continentes. Um dos resultados da sua obra foi a promoção da expansão colonial. Atualmente, um conceito amplamente difundido sobre o esforço missionário protestante é: “Em muitos casos, o empreendimento missionário foi usado como justificativa e cobertura para a dominação do povo. A inter-relação entre missão, tecnologia e imperialismo é bem conhecida.”13

      22. Como tem a cristandade vituperado o nome do cristianismo durante o século 20?

      22 A associação íntima entre as religiões da cristandade e o Estado tem continuado até os nossos dias. As últimas duas guerras mundiais foram travadas principalmente entre nações “cristãs”. Clérigos em ambos os lados incentivavam seus moços a lutar e a tentar matar o inimigo — o qual muitas vezes pertencia à mesma religião. Conforme observado no livro Se as Igrejas Quiserem Paz Mundial: “Certamente não é de nenhum mérito [para as igrejas] que o atual sistema de guerra se desenvolveu e causou os maiores estragos entre estados devotados à causa do cristianismo.”14

      A Palavra de Deus Sobrevive

      23. Como indica a história da cristandade que a Bíblia é a Palavra de Deus?

      23 Contamos essa longa e triste história da cristandade para salientar dois pontos. Primeiro, esses eventos são cumprimento de profecias bíblicas. Foi predito que muitos daqueles que afirmariam ser cristãos lançariam vitupério sobre a Bíblia e o nome do cristianismo, e que isso tem acontecido vindica a Bíblia como verdadeira. Não obstante, não devemos perder de vista que a conduta da cristandade não representa o cristianismo baseado na Bíblia.

      24. O que identifica os verdadeiros cristãos e assim condena claramente a cristandade como não sendo cristã?

      24 O modo de se reconhecer os genuínos cristãos foi explicado pelo próprio Jesus: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:35) Além disso, Jesus disse: “Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” (João 17:16) Em ambos esses pontos, a cristandade revela claramente que ela não representa o cristianismo bíblico. Afirma ser amiga da Bíblia, mas tem sido uma falsa amiga.

      25. Por que sobreviveu a Bíblia a todas as suas tribulações até o nosso tempo?

      25 O segundo ponto é: visto que a cristandade como um todo tem agido tão contrário aos interesses da Bíblia, é deveras notável que esse livro tenha sobrevivido até hoje e ainda exerça uma influência benéfica na vida de muitas pessoas. A Bíblia sobreviveu à amarga oposição à sua tradução, aos ataques de eruditos modernistas e à conduta não cristã de sua falsa amiga, a cristandade. Por quê? Porque a Bíblia não é igual a outras obras escritas. A Bíblia não pode deixar de existir. Ela é a Palavra de Deus, e a própria Bíblia nos diz: “A erva seca e a flor murcha, mas a palavra do nosso Deus permanece eternamente.” — Isaías 40:8, Missionários Capuchinhos.

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