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  • O nosso auxílio está em nome de Jeová
    A Sentinela — 1963 | 15 de março
    • ali. Por volta da meia-noite ouvi a voz de minha esposa. Isto se destinava a acovardar-me. Descobri mais tarde que era apenas uma gravação que havia sido feita alguns dias antes quando ela fora interrogada na delegacia. Ouvi pesados passos no porão, seguidos de muito barulho de rastos de pés em preparação do meu próximo interrogatório. Inesperadamente, veio um mensageiro com um telegrama. Seguiu-se um telefonema, apos o que os executores arrumaram as coisas no porão e partiram. Respondendo a uma pergunta ansiosa de um prisioneiro ali perto, um guarda disse: “Não, não o podem mais fazer; acaba de chegar um telegrama.” O meu interrogatório no porão havia sido cancelado. Entretanto, para que pudessem entregar-me ao juiz do distrito tinham de terminar a ficha e assiná-la.

      Na segunda-feira à tarde, seis pessoas, alguns altos oficiais, compareceram à minha audiência no edifício da administração da polícia. Fizeram muitas perguntas sobre assuntos pessoais, pontos doutrinais e organizacionais. Obtiveram respostas sobre dados pessoais e doutrinas bíblicas, mas não receberam nenhuma informação sobre a organização. O secretário da Gestapo declarou irado: “Deveríamos ter sabido disso antes. Então deixaríamos os outros [prisioneiros políticos] de lado e o tomaríamos ao invés deles.” Se tão-somente ele pudesse ter esmagado as pontas dos meus dedos no torcedor da máquina de lavar roupa ou espancado o meu corpo despido e molhado antes que aquele telegrama impedisse tal tratamento! Elevei o meu coração e a minha mente dando graças Aquele cujo braço nunca é curto demais para fazer parar uma gigantesca organização policial na sua pista.

      Depois de comparecer perante o juiz do distrito, passei diversos anos num campo de prisioneiros. Após isso, sem o benefício de um julgamento justo, fui lançado num campo de concentração perto de Berlim. Ao passo que as autoridades policiais no setor de Emslandmoor estavam interessadas em reclamar terreno nesta região árida mediante trabalho árduo, os oficiais da SS que controlavam os campos de concentração estavam principalmente interessados em destruir a resistência ao regime nazista. Diariamente, e até de hora em hora, éramos oprimidos pelos homens da SS e também por presidiários estrela-verde. Contudo, Jeová provou estar conosco. Mesmo sob essas circunstâncias, sete ou oito prisioneiros se tornaram testemunhas de Jeová e foram batizados. Os oficiais do campo nunca ficaram sabendo o nome deles, a despeito da severa pressão feita sobre os “antigos Estudantes da Bíblia”.

      TRAMA DE HOMICÍDIO EM MASSA

      Logo após irromper a Segunda Guerra Mundial e a Polônia ter sido ocupada pelas tropas alemãs, escutei um prisioneiro dizer: “Ouviu? Todos os Estudantes da Bíblia vão ser levados embora.” Fiquei pensando nisto pelo resto do dia No dia seguinte, um prisioneiro que trabalhava na limpeza e servia os comandantes da SS às refeições chamou o guarda da SS no corredor: “Vigia chefe, quando é que os Estudantes da Bíblia vão ser levados embora” A resposta foi: “Provavelmente amanhã; as coisas deles já estão aqui”, querendo dizer que haviam sido trazidas do depósito. Então era verdade!

      No terceiro dia o barulho das botas do comandante, ressoando com as esporas, ecoava através dos corredores. Gritos de “Heil Hitler!” da parte dos guardas foram seguidos pelos passos da comissão oficial. “Ainda continua a ser Estudante da Bíblia” “Sim.” “E pretende continuar a ser?” “Naturalmente!” Bum! A porta se bateu e fechou-se. Diversas celas mais adiante: “É ainda um Estudante da Bíblia?” O irmão deu um prolongado testemunho. A mesma coisa aconteceu na terceira cela. Daí, a cela 6, a quarta porta que continha instruções afixadas nela: “Estrita prisão celular!” Não se fizeram perguntas aqui. Ao invés, o comandante explicou à comissão: “O ocupante dela precisa ser mandado também sem falta, porque ele tentou desertar o seu grupo de trabalho desculpando-se de um guarda desmiolado e daí tentando ir pregar o evangelho.” O sinal de “polegares para baixo” em ambas as mãos do oficial da SS explicava tudo. Não havia engano, íamos ser levados embora. Mas para onde? Aqueles gestos com os braços e as mãos davam a entender que alguma coisa seria afundada na água ou num abismo. Significava isso que todos os 500 ou talvez mais dos nossos irmãos seriam assassinados?

      Para a nossa surpresa nada aconteceu e a conversa sobre levar os Estudantes da Bíblia embora morreu. Quão estranho! Todos os planos haviam sido preparados, as listas estavam feitas, os planos para a marcha tinham sido projetados, instruções tinham sido dadas e agora tudo estava quieto. Cinco ou seis dias depois da visita do comandante, ouvimos uma voz alta que saia da cela 20: “Vigia chefe, já leu a última? Um inteiro transporte de prisioneiros de um campo de concentração sofreu um acidente nos pântanos da Polônia, causado por uma chave colocada em lugar errado. Todos os prisioneiros pereceram até o último.”

      Um trem cheio de prisioneiros de um campo de concentração? Mortos nos pântanos da Polônia? O que estavam fazendo ali? Não poderiam ter sido Testemunhas, pois teríamos dado falta de um grupo tão grande. Será que o envio de prisioneiros marcado para ir após as testemunhas de Jeová foi primeiro por engano? Será que eles encontraram a morte que se tencionava a nós? Vieram-nos à memória as palavras de Jeová, em Isaías 43:4, 5, ALA: “Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos pela tua vida. Não temas, pois, porque sou contigo.”

      Daria para encher diversos livros se se relatasse como se realizaram batismos secretos no campo, como o pão e o vinho do Memorial nos foram trazidos às ocultas, como Jeová proveu alimento espiritual que nos fortaleceu, e como muito sacrifício, vigilância e tato foram necessários. Mesmo sofrendo torturas indescritíveis, Jeová capacitou os seus servos a preservar a sua integridade. Ele proveu a miúdo escape das situações mais críticas.

      Quão alegre me sentia de que nos anos antes de vir a tempestade havia usado todas as oportunidades de assistir às reuniões e de gravar na mente as diversas profecias bíblicas e os cumprimentos delas nos dias atuais! Escrevi-as e freqüentemente as citava durante discursos. Isto me ajudou a lembrá-las. Mais tarde, durante os anos de perseguição, eu tive muitas oportunidades de recontar muitas dessas coisas aos que tinham fome e sede do sustento espiritual. Os nazistas não conseguiram roubar-me as riquezas que havia ajuntado na mente, pois estas se tornaram parte de mim.

      A queda do nazismo nos livrou de nossos atormentadores. Imediatamente começamos a desempenhar a nossa comissão de pregar em escala maior. Foi então que o meu desejo de ser ministro de tempo integral se tornou realidade, sem negligenciar as minhas responsabilidades familiares. Isto foi verdadeira causa de alegria. Meu ex-empregador ofereceu-me um cargo com boa remuneração, mas eu decidi que não haveria melhor trabalho do que servir ‘unicamente os interesses do Reino. Em 1946, tornei-me membro da família de Betel da Alemanha, e logo a minha esposa também chegou. Que maravilhoso privilégio é servir o Deus da eternidade aqui no lar de Betel em Wiesbaden, onde ainda vivemos!

      Servir a Jeová é o caminho da felicidade imensurável, não importa que provações momentâneas se permita que sobrevenham aos cristãos fiéis. Não precisamos temer o que o homem pode fazer, pois vimos a verdade das palavras do salmista: “Se não fora Jehovah que esteve ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós: então nos teriam engulido vivos, quando a sua ira se accendeu contra nós. Bemdito seja Jehovah, que não nos entregou, como presa, aos dentes delles. A nossa alma, como um passaro, escapou do laço dos caçadores; quebrou-se o laço, e nós escapámos. O nosso auxilio está em o nome de Jehovah, que fez o céo e a terra.” — Sal. 124:2, 3, 6-8, VB.

  • Perguntas dos Leitores
    A Sentinela — 1963 | 15 de março
    • Perguntas dos Leitores

      ● O que deve fazer um servo dedicado de Jeová Deus se estiver presente quando uma pessoa que não reconhece a Jeová, tampouco dedicada a ele, faz oração em voz alta, como em funerais, em casamentos e nas cerimônias de graduação dirigidas por clérigos? — H. L., Estados Unidos.

      As Escrituras mostram que em ocasião alguma os servos de Jeová se uniram em adoração aos que serviam outros deuses. (Deu. 7:1-6, 16, 25, 26) Jesus indicou repetidas vezes que a verdadeira adoração é exclusiva: “Quem não é por mim, é contra mim e quem comigo não ajunta, espalha.” “Ninguém vem ao Pai senão por mim.” Aos amantes da justiça que se acham em organizações que adoram outros ao invés de ao verdadeiro Deus Jeová, ordena-se: “Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados, e para não participardes dos seus flagelos.” — Mat. 12:30; João 14:6; Apo. 18:4, ALA.

      Sendo assim, o servo de Jeová não pode unir-se em oração a uma pessoa que não serve a Jeová Deus, visto que a oração é uma forma de adoração. O que, então, deverá fazer um servo de Jeová se estiver presente quando uma oração é feita, digamos, por um clérigo num casamento, num enterro ou na graduação de um filho ou de uma filha?

      Se o grupo ficar de pé, cabe ao próprio indivíduo decidir se quer fazer isto ou não; isto em si mesmo não é o ato da adoração. O mesmo se dá quanto a inclinar a cabeça. Ficando calado, talvez prefira não inclinar a cabeça com os outros, deixando assim que todos saibam que ele não está unindo-se na oração que está sendo oferecida, e que aquele que ora não o está Representando. Ou o servo de Jeová poderia numa ocasião destas Inclinar a cabeça e oferecer a sua própria oração em silêncio. Entretanto, se escolher fazer isto, certamente não proferirá um “Amém” audível no fim da oração pública, como expressão de estar concordando com ela. Cabe ao cristão decidir Individualmente que proceder ele acha que seja melhor seguir nestas circunstâncias, e ninguém deverá ser criticado pela escolha que fizer em tais ocasiões.

      O mesmo principio se aplicaria no caso de alguém que fosse convidado à casa de uma pessoa na hora da refeição. Se o chefe da família, respeitando a sinceridade do seu convidado, pedisse a este que fizesse a oração à hora da refeição, então o servo de Jeová poderia fazer isso, orando em harmonia com as instruções contidas na Bíblia. Entretanto, se o dono da casa que não é adorador de Jeová pedisse a bênção sendo o seu convidado uma testemunha de Jeová, a Testemunha não poderia unir-se na oração, embora pudesse oferecer silenciosamente a sua própria oração de agradecimento a Deus. Em lares onde é costume todos darem as mãos à mesa quando se faz a oração, a participação nisto indicaria participar na oração, portanto o cristão não tomará parte nisto se a oração for feita por alguém que não é adorador de Jeová Deus. Para que as orações da pessoa sejam aceitáveis a Deus, devem ser feitas do modo que ele ordena.

      ● Será que o “calor proveniente da sombra de nuvens” (Isa. 25:5, VB) se refere ao calor destrutivo e à nuvem provenientes da explosão de uma bomba atômica? — M. E., Ilinóis, EUA.

      A resposta a esta pergunta é definitivamente Não! Pois tentar aplicar deste modo esta expressão bíblica que se acha na Versão Brasileira é tirá-la do seu contexto. Note-se como reza o texto inteiro de Isaías 25:5 (VB): “Como o calor em terra sedenta [Jeová] abaterás o tumulto de extrangeiros; como o calor proveniente da sombra de nuvens, o cantico dos violentos será humilhado.” O que faz neste caso a profecia de Isaías? Não chama atenção ao calor de nuvens em forma de cogumelo provenientes das explosões atômicas, mas mostra como Jeová Deus, mediante a nuvem de sua presença e proteção, reduziria, neste “tempo do fim”, o calor das provações e da perseguição do seu povo. Num dia quente, as nuvens produzem um benquisto alivio, diminuindo o calor. Jeová Deus faz Isto mediante a sua “nuvem”.

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