Cubatão de novo nas manchetes!
A cidade de Cubatão, estado de São Paulo — uma das mais poluídas do mundo (veja Despertai! de 22 de agosto de 1981, p. 28) — ocupou de novo as manchetes! A explosão dum oleoduto, e o incêndio subseqüente, destruíram a maior parte da favela de Vila Socó, causando a morte de possivelmente até 500 pessoas.
Vila Socó é uma invasão, ou um agrupamento de casas construídas precariamente num mangue, bem acima dos oleodutos duma refinaria da Petrobrás. As casas são erguidas sobre palafitas, a uns 30 ou 60 centímetros acima do mangue. Grosseiras tábuas de madeira servem de corredores por onde passam as pessoas, sem pisarem nas águas fétidas por baixo. Todas estas estruturas de madeira serviram de isca quando irrompeu o incêndio.
Às 23 horas de sexta-feira, 24 de fevereiro a maioria dos moradores dormia um sono profundo, com suas portas e janelas bem trancadas por medo de serem assaltados. Aqueles que ainda estavam acordados, sentiam-se intranqüilos devido ao forte cheiro de gasolina que pairava no ar. No entanto, visto que já tinha havido seis vazamentos de gasolina nos últimos quatro meses, parecia não haver nada com que se preocuparem. Daí, ouviram alguns homens (policiais) correrem de casa em casa, instando com todos para fugir e não acenderem nenhum fósforo. Como certa sobrevivente relatou: “Eu não liguei nem fiquei com medo. A gente está acostumada a esses vazamentos, ao cheiro for te que sai dos tubos e sempre o pessoal da Petrobrás chega logo e resolve.” Assim, prestou-se pouca atenção ao aviso, o que deveria custar muitas vidas. Outros, também pensaram que os homens que corriam pelo local eram ladrões, e, assim, nem sequer se deram ao trabalho de abrir as portas.
Subitamente, por volta das 23,40 horas, houve terrível explosão. Estimativas posteriores indicavam um vazamento de cerca de 700.000 litros de gasolina, que se espalhavam por toda a área. Uma centelha ou fósforo foi tudo que foi preciso para incendiá-la. E, celeremente o fogo se espalhou pelo mangue coberto de gasolina, apesar da forte chuva que caia, engolfando cerca de 1.000 pessoas nas chamas. Felizmente a maioria ainda teve tempo de fugir. Na manhã seguinte, quando o fogo pôde ser controlado, Vila Socó parecia uma área que sofrera pesado bombardeio. Tudo que restava eram os esteios das palafitas, restos contorcidos de fogões e bujões de gás, e os corpos calcinados de 86 das vítimas. Jamais se encontraram os corpos de outras centenas, especialmente crianças.
Como Aconteceu?
Certamente não foi por falta de aviso. Seis meses antes, o Secretário do meio Ambiente Paulo Nogueira Neto, avisou, quase que profeticamente: “Conheço o País inteiro, de ponta a ponta. Conheço diversas cidades, mas, igual a Cubatão, nunca vi. Cubatão está em cima de uma bomba, se houver um vazamento de um oleoduto ou um deslizamento na serra, teremos uma tragédia.” A revista Veja informa que, em 1971, a Petrobrás havia escrito uma carta ao Governador do Estado alertando sobre o possível perigo em que incorriam as casas construídas sobre os condutos. Embora houvesse melhoras no controle da poluição, as casas continuaram ali.
Num comunicado oficial distribuído recentemente no Rio de Janeiro, a Petrobrás admitiu que a adoção “de efetivas medidas de segurança” na área de Cubatão sempre foi dificultada por estar a região “sujeita a diversas jurisdições (federal, estadual e municipal)”. E são reveladoras as palavras do governador Franco Montoro: “Somos todos culpados.” Um informe técnico sobre a tragédia indica que, por algum motivo, houve tremendo aumento da pressão da gasolina nos condutos, causando um rombo de toda uma seção do conduto (cerca de 1 metro de comprimento por 16 centímetros de diâmetro). A gasolina muito volátil se espalhou então por toda a área.
Embora os resultados da sindicância oficial ainda levem algum tempo para serem divulgados, a Petrobrás assumiu certas responsabilidades e está tomando medidas para indenizar as vítimas e suas famílias.
Não importa o que seja feito neste sentido, contudo, jamais poderá compensar a perda de entes queridos, nem os danos emocionais causados aos sobreviventes. Assim, bem que se poderia perguntar: Por quanto tempo ainda terá a humanidade de sofrer tragédias iguais a esta? A Bíblia responde: Não será por muito tempo mais. Ela fala duma “grande tribulação” que ainda virá, mas que será a última. Em todo o mundo está sendo dado o aviso a respeito disso. Dela, também, haverá sobreviventes que serão conduzidos a uma Terra purificada, onde serão coisa do passado as tragédias como as da Vila Socó. Acatará tal aviso? As Testemunhas de Jeová ficarão muito felizes de ajudá-lo a fazer isso.