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FornoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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sendo removidas por meio de um buraco provido para esse fim. Fechava-se o topo e, quando a jarra estava suficientemente quente, espalhava-se a massa de pão ao redor de sua parte interna ou externa. O pão cozido dessa forma era bem fino.
Os arqueólogos têm desenterrado grande número de fornos de covas. Tratava-se, como é evidente, de melhoramentos do forno de jarra. Este tipo, em parte enfiado no chão e em parte acima do solo, era construído de argila e era revestido cabalmente. Afinava-se em direção ao topo e o combustível era queimado dentro dele. Monumentos e pinturas revelam que os egípcios colocavam a massa junto à parede externa destes fornos. Como combustível, os hebreus que utilizavam este tipo de forno talvez empregassem raminhos ou mato secos. (Compare com Mateus 6:30.) Em tal forno podia-se também assar carne. É interessante que os fornos agora usados pelos camponeses da Palestina diferem pouco dos encontrados nas antigas ruínas, ou dos representados nos relevos e nas pinturas assírios e egípcios. Na antiga Caldéia os fornos se localizavam nos pátios das casas, e, atualmente, podem ser encontrados em pequenas “padarias” nos quintais das moradias, embora os fomos também possam ser agrupados em uma certa área do povoado. Grandes fornos públicos ainda são utilizados.
USO ILUSTRATIVO
O forno é usado numa expressão que denota a escassez, em Levítico 26:26, que reza: “Quando eu [Jeová] vos tiver quebrado os varais em que se penduram os pães de forma anular, então é que dez mulheres cozerão vosso pão em apenas um forno e darão vosso pão de volta pelo peso; e tereis de comer, mas não vos fartareis.” E Oséias 7:4-7 compara os israelitas adúlteros a um forno de padeiro, aparentemente por causa dos desejos iníquos que ardiam dentro deles.
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Forno De CalcinaçãoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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FORNO DE CALCINAÇÃO
Uma câmara de aquecimento feita para o processamento de vários materiais. (Gên. 19:28; Êxo. 9:8, 10) Os fornos de calcinação dos tempos antigos eram usados para o cozimento de tijolos, para cozer cerâmica e para processar cal. Diferente do significado moderno da expressão portuguesa, o vocábulo hebraico kivshán não abrange estruturas classificadas como fornos para alimentos. — Veja FORNO.
Em vista do progresso feito nos tempos pré-diluvianos no forjamento de ferramentas de cobre e de ferro (Gên. 4:22), os fornos de calcinação provavelmente foram inventados num ponto bem remoto da história humana. Embora não sejam diretamente mencionados, há evidência de seu uso nos dias de Ninrode. Quando prestes a construir a cidade de Babel e sua torre na terra de Sinear, o povo pós-diluviano disse: “Vamos! Façamos tijolos e cozamo-los por um processo de queima.” (Gên. 11:3) Antigas ruínas babilônias revelam que tijolos cozidos no forno já eram usados desde os tempos antigos. Tais tijolos duráveis eram usados nas estruturas mais importantes, para paredes revestidas e para áreas pavimentadas.
Os fornos egípcios para cerâmica eram como uma chaminé que se vai afilando, tendo um dispersor perfurado entre o buraco da chama embaixo e a câmara de combustão acima. A cerâmica era colocada nesta câmara antes de se provocar a ignição do combustível. A alimentação correta do forno era um segredo comercial entre os oleiros egípcios, e era preciso perícia para conseguir as qualidades desejadas nos produtos acabados. A corrente criada pelo ar que subia da lareira pelo tubo da caldeira empurrava a chama pelas perfurações do dispersor e permitia que circulasse em torno da cerâmica, antes de sair pela chaminé.
Fornos de calcinação ou fornalhas palestinos, descobertos em Megido, medindo c. 2, 5 por 3 m, têm a forma dum “U”. Neste tipo, a lareira se situa na curva da câmara. Evidentemente, a corrente que entrava abaixo da porta da lareira empurrava as chamas pelas duas câmaras de cozimento e as fazia sair pelos dois tubos de caldeira situados nos fundos do forno de calcinação.
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Fortificações (Praças Fortes)Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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FORTIFICAÇÕES (PRAÇAS FORTES)
Ao passo que as fortificações e os sistemas de defesa eram basicamente os mesmos no decorrer da história bíblica, a competição entre os métodos de defesa e de ataque resultavam continuamente em mudanças e em novos inventos.
Visto que a fortificação de uma cidade pequena era algo custoso e difícil, exigindo uma força adequada de defesa, nem todas as pequenas cidades eram fortificadas. As cidades maiores eram usualmente muradas, as cidades menores daquela área, conhecidas como aldeias dependentes, não sendo muradas. (Jos. 15:45, 47; 17:11) Os habitantes destes povoados podiam fugir para a cidade murada no caso de uma invasão inimiga. As cidades fortificadas serviam assim como refúgio para as pessoas da área.
Três quesitos essenciais eram necessários para uma cidade fortificada: (1) muros para agir como barreira contra o inimigo, (2) armas, de modo que as forças defensivas pudessem retaliar, a fim de repelir os atacantes, e (3) adequada reserva de água. Gêneros alimentícios podiam ser estocados durante épocas de paz; mas uma fonte constante e acessível de água era essencial para que uma cidade suportasse um sítio de qualquer duração.
MÉTODOS DE ATAQUE
A fortificação das cidades tinha de levar em conta os vários métodos de ataque. Havia o método de (a) um estratagema, ou ataque de surpresa, tal como a estratégia empregada por Josué em Ai, atraindo os defensores dela para fora da cidade, e também a captura de Jerusalém, efetuada por Davi (Jos. 8:3-8, 14-19; 2 Sam. 5:8, 9); (b) a guerra psicológica, conforme empregada pelos assírios, quando tentavam reduzir o moral dos defensores de Jerusalém e fazer com que se revoltassem contra as ordens de Ezequias (2 Reis 18:19-35); e (c) um sítio demorado, que deixaria famintos os habitantes duma cidade, como no caso de Samaria, quando cercada pelo rei da Síria (2 Reis 6:24-29), e de Jerusalém, em 607 A.E.C., às mãos dos babilônios (Lam. 4:8-10), e em 70 E.C., durante o sítio pelos romanos.
Além destes, havia os métodos de ataque mais imediatos e táticos. Estes eram: (1) assalto contra os muros, escalando-os por meio de escadas, método que fazia com que os defensores construíssem muros altos, com meios de defesa no topo, (2) penetração pela ruptura dos muros ou irrompimento através das portas, perigo que exigia o reforço destas, por meio de grossura extra, ou por meio de escoras, e (3) penetração através de túneis sob os muros, razão pela qual os antemuros eram geralmente bem fundos, ou muito largos. Nos relevos assírios, mostra-se que todas estas três táticas eram utilizadas ao mesmo tempo. Isto, por certo, resultava em diluir as forças defensivas e tornar vulneráveis certas áreas dos muros. Tendo presente estas formas de ataque, as cidades eram fortificadas como segue.
FOSSOS E ANTEMUROS (TERRAPLENOS)
Algumas cidades eram cercadas dum fosso cheio d’água, especialmente se havia um rio ou lago próximo. Babilônia, que ladeava o Eufrates, era um exemplo notável, como também Nô-Amom (Tebas), junto aos canais do Nilo. (Naum 3:8) Onde não havia nenhuma massa aquosa próxima, amiúde se construía um fosso seco. Jerusalém foi reconstruída com um fosso. — Dan. 9:25.
De um lado do fosso subia um antemuro (terrapleno), construído com a terra escavada do fosso. Este antemuro de fortificação para defesa às vezes era recoberto de pedra, e formava um glacis em aclive para com o muro construído no topo do monte artificial de terra. O fosso descoberto pelos arqueólogos nas defesas ocidentais da cidade de Hazor tinha 80 m de largura no topo e 40 m de largura no fundo. O fosso tinha mais de 15 m de profundidade. O antemuro que ascendia do fosso em Hazor era igualmente alto (c. 15 m). Isto fazia com que o topo do antemuro ficasse a quase 30 m de altura, medindo-se desde o leito do fosso. Em cima disto situava-se o muro da cidade.
OS MUROS
Depois do fosso e do antemuro, o muro era a seguinte modalidade defensiva. Nos tempos antigos, os muros eram mais leves. Alguns muros e torres eram do tipo de casamata, isto é, possuíam quartos internos para os soldados e para armazenagem, e, geralmente, tinham escadarias ou escadas que levavam ao topo das torres. O muro se compunha de pedras grandes, de tijolos e de terra. Algumas das pedras eram de tamanho prodigioso. Os muros mais antigos eram geralmente feitos de pedras, sem argamassa. Mais tarde, amiúde se usava a argamassa entre as pedras. Fabricava-se a argamassa por pisar o barro e misturá-lo com água, como na fabricação de tijolos. De outra forma, ela racharia e debilitaria o muro defensivo. — Compare com Ezequiel 13:9-16; Naum 3:14.
TORRES
Construíam-se torres em cima dos muros interiores (além de bastiões ou torres sobre os muros externos). Eram mais elevadas que o muro, sobressaindo-se do muro às vezes até c. 3 m. Eram fortificadas com ameias no topo e, às vezes, com aberturas abaixo das ameias, para conveniência dos arqueiros e dos arremessadores de pedras. Elevarem as torres bem acima do muro habilitava os defensores a cobrir a área ao longo do muro, entre as torres, que jamais eram erguidas a uma distância superior a dois tiros de flechas uma da outra, e geralmente ficavam muito mais próximas, habilitando os defensores a controlar toda a área ao longo do muro. Também, um balcão no topo da torre possuía aberturas no piso, de modo que as flechas dos arqueiros, e pedras e tochas, pudessem ser arremessadas diretamente sobre os invasores lá embaixo. As Escrituras muitas vezes mencionam estas torres. (Nee. 3:1; Jer. 31:38; Zac. 14:10) As ruínas de Tel en-Nasbeh (Mispá?) indicam que tal cidade possuía dez torres. As torres também serviam como postos para os vigias, que podiam ver o inimigo aproximar-se à distância. — Isa. 21:8, 9.
PORTAS
A parte mais fraca das defesas duma cidade eram suas portas; por conseguinte, não se despercebia nada para tornar as portas os pontos mais ardentemente defendidos dos muros. Só se construíam portas no número exigido para os habitantes entrarem e saírem da cidade numa época de paz. Antes do emprego de carros, os portais eram estreitos, com curvas abruptas logo na entrada, de modo a tornar a manobra através deles tão difícil quanto possível para o inimigo. Mais tarde, os carros exigiram uma passagem mais ampla. Os acessos às portas estavam situados de modo que os soldados atacantes se vissem obrigados a expor seu lado direito, ou desprotegido, ao fogo dos defensores da cidade. — Veja PORTA, PORTÃO.
A CIDADELA
No ponto culminante da cidade geralmente se construía a cidadela. Tinha uma torre-fortaleza e seus próprios muros, menos maciços do que os muros que cercavam a cidade. Aqui se situava o palácio do rei ou do governador, e as casas dos ministros de Estado. A cidadela era a última fortaleza de refúgio e de resistência. Quando os soldados inimigos rompiam os muros da cidade, tinham de lutar pelas ruas da cidade para chegarem à torre. Foi uma torre assim, em Tebes, que Abimeleque atacou, depois de capturar aquela cidade, e de onde uma mulher lhe fraturou o crânio por lançar uma mó superior sobre a cabeça dele. — Juí. 9:50-54.
RESERVA DE ÁGUA
Isto não constituía um grave problema quando a cidade se localizava à margem dum rio. Mas, em geral, caso a cidade estivesse edificada sobre uma colina ou um aterro artificial, a fonte de água estava abaixo dela, na forma duma fonte ou poço. Levar água até a cidade era conseguido por se cavar um túnel em certo gradiente desde a fonte de água até uma cisterna situada num ponto inferior dentro da cidade, e deixar que a água descesse por força da gravidade. Ou se podia fazer uma escavação, uma escadaria descendo até um túnel que desse na fonte de água do lado de fora, de modo que os habitantes da cidade pudessem chegar até ela com seus jarros d’água. A fonte ou poço seria então recoberta, e sua localização ocultada tão cabalmente quanto possível do inimigo. Foi mediante um túnel de água que Joabe penetrou em Jerusalém a fim de capturá-la para Davi. —2 Sam. 5:8; 1 Crô. 11:6.
FORTIFICAÇÕES COM ESTACAS PONTIAGUDAS
Ao predizer a destruição de Jerusalém, Jesus Cristo indicou que os inimigos dela construiriam ao seu redor uma fortificação de estacas pontiagudas. (Luc. 19:43) O historiador Josefo confirma o cumprimento exato desta profecia. Tito argumentou em favor da construção de uma fortificação para impedir que os judeus saíssem da cidade, de modo a forçá-los a render-se, ou, se isto não acontecesse, para tornar mais fácil a tomada da cidade devido à fome resultante. Prevalecendo seus argumentos, o exército foi organizado para realizar o projeto. As legiões e as divisões menores do exército competiram umas com as outras para completar essa tarefa; individualmente, os homens foram estimulados pelo desejo de agradar a seus superiores. A fim de prover materiais para a construção desta fortificação, a região campestre em torno de Jerusalém, num raio de c. 16 km, foi desnudada de suas árvores. Surpreendentemente, segundo Josefo, esta fortificação de mais de 7 km de extensão foi concluída em apenas três dias, empreendimento que comumente teria exigido vários meses. Fora do muro desta fortificação, construíram-se treze postos de guarnições, e sua circunferência total equivalia a cerca de 2 km.
DESCOBERTAS ARQUEOLÓGICAS DE NOTÁVEIS FORTIFICAÇÕES
Sobre Uzias, diz-se: “Fez em Jerusalém máquinas de guerra, invenção de engenheiros, para que viessem a ficar sobre as torres e sobre as esquinas para atirar flechas e grandes pedras.” (2 Crô. 26:15) Não se compreende exatamente como eram estas máquinas de guerra. Os arqueólogos descobriram relevos esculpidos do ataque de Senaqueribe contra a cidade de Laquis, representando uma inovação defensiva que alguns atribuiriam a Uzias. Tais relevos mostram que, sobre as torres e nos cantos dos muros de Laquis, foram construídas estruturas de madeira, que continham escudos redondos, em cima dos parapeitos com ameias. Isto era uma grande vantagem para os defensores duma cidade, no sentido de que estes podiam ficar então plenamente de pé, com ambas as mãos livres para atirar flechas e arremessar pedras sobre os sitiantes, seu corpo ficando muito mais protegido do que antes, quando tinham de expor-se para fazer os arremessos, e então esconder-se atrás dos merlões dos muros ameiados.
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