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As fascinantes conchasDespertai! — 1985 | 8 de dezembro
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formada em camadas e se torna mais dura do que o vidro. É preciso dispor de ferramentas especiais para cortar tal substância.
Não existem duas conchas exatamente iguais. Existe um padrão hereditário básico para cada espécie, e fatores ambientais desempenham também seu papel. A cor e o adorno originam-se de glândulas especiais, localizadas no manto. O maior molusco vivo, dotado de concha externa, é o tridacna (Tridacna gigas). Chega a atingir 1,5 metro de comprimento. No entanto, já foram encontradas conchas fossilizadas com até 4,60 metros de comprimento.
Cinco Grupos Principais
Falando-se de modo geral, os moluscos se dividem em cinco categorias principais. Uma é a dos anfineuros, nome que provém das palavras gregas que significam “ambos” e “nervo”. Estes moluscos possuem dois cordões nervosos que circundam o corpo. Produzem uma concha do tipo “cota de malha” que apresenta oito placas superpostas seguradas por uma dobra dura do manto. A concha deriva este nome de sua semelhança com uma antiga armadura. Os anfineuros são criaturas dóceis que se arrastam sobre as rochas para retirar a vegetação usada como alimento. Sua única característica bélica é sua excelente habilidade de camuflar-se.
A maior classe de moluscos é a dos gastrópodes, nome que provém das palavras gregas que significam “ventre” e “pé”. Movem-se por meio dum pé que se estende por baixo do corpo. Há cerca de 50.000 espécies neste grupo principal, incluindo a notável Glória do Mar. Esta classe de moluscos também inclui caracóis, lapas, búzios e lesmas.
Os gastrópodes são chamados univalves, visto que só possuem uma valva (concha). Talvez tenha observado que as conchas dos caracóis apresentam um aspecto espiralado, ou torcido. A maior parte dos gastrópodes cresce por se enroscar na mesma direção dos ponteiros do relógio, embora alguns se contorçam para a esquerda. Geralmente ativos, os gastrópodes comem tanto vegetação como carne. Se perturbados, recolhem-se às suas conchas e fecham a “porta”, que é um disco cornífero chamado opérculo.
Outra classe de moluscos é a dos pelecípodes, nome que provém das palavras gregas que significam “machado” e “pé”. Possuem um pé muscular, em forma de machado, que lhes serve como meio de locomoção. Os moluscos desta classe são conhecidos como bivalves, devido a terem duas valvas simétricas. Os mariscos, as ostras, os mexilhões e as vieiras são membros conhecidos deste grupo, do qual se conhecem umas 10.000 espécies. Todos os bivalves são vegetarianos, e muitos deles estabelecem lares permanentes por se agarrarem a rochas ou por cavarem fundo na areia e na lama.
Uma quarta classe é a dos escafópodes, termo proveniente das palavras gregas que significam “barco” e “pé”. Há cerca de 350 espécies deste molusco. Vivem no oceano e têm pé pontudo que se parece um tanto com um pequeno barco. Com este, enfiam-se na areia, deixando uma ponta da concha virada para dentro da água. Seu corpo é recoberto por singular concha tubular, aberta em ambos os extremos. Por isso, muitos se referem a eles como “conchas-de-dentes”, ou “dentes-de-elefantes”. Tentáculos que se estendem por pequena abertura habilitam esta criatura a capturar pequenos organismos, como alimento.
A quinta classe talvez não seja prontamente reconhecida como de moluscos. São chamados de cefalópodes, nome que se deriva de duas palavras gregas que significam “cabeça” e “pé”. Esta classe se distingue por vários tentáculos (geralmente oito ou dez) agrupados em torno da cabeça e da boca. O calamar, o polvo e a siba (sépia) pertencem a este grupo. No entanto, dentre 800 espécies de cefalópodes, apenas o Nautilus possui concha externa.
Colecionar Conchas por Prazer
Acha que colecionar conchas seria algo prazeroso? Se achar, um bom lugar para começar a fazer isso é a praia. Tanto os bancos de areia como a praia contêm lindas conchas. Não deixe que o mau tempo o desanime, uma vez que as tempestades amiúde enchem as praias de reluzente gama de conchas.
Encontrar conchas atraentes, contudo, exige trabalho árduo. Deve estar disposto a cavar na areia, examinar as ranhuras e os buracos nas pedras, e procurar nos chapadões das marés e na zostera. Por nadar uma curta distância e revirar corais mortos e rochas, talvez depare com muitas descobertas exóticas. Poderá também encontrar uma variedade de conchas próximas dos rios e em terra seca. Por exemplo, há caracóis terrestres e arborícolas que exibem exuberantes formas e matizes.
Mas, tenha cuidado! Algumas conchas, os cones, por exemplo, escondem moluscos mortíferos, venenosos. Alguns deles são carnívoros, e dispõem de cinco ou seis agulhas hipodérmicas em forma de anzóis, com as quais podem paralisar sua presa. Atacarão indiscriminadamente um alimento em potencial ou a mão humana. A realidade disto é sublinhada pelas mortes registradas de alguns malacófilos. Recolha os cones numa rede ou num receptáculo. Jamais os segure pela extremidade estreita.
A limpeza cuidadosa e perita aprimorará tudo que encontrar. Alguns métodos são: a fervura das conchas, mergulhá-las em lixívia, limpá-las com água sanitária, remover todo o material incrustado e tratá-las com ácido clorídrico. Se não conseguir remover toda a carne pela fervura, com um anzol ou instrumento similar, não raro as formigas fazem um trabalho completo. Depois de qualquer tratamento, especialmente o tratamento da remoção das manchas com ácido, lave cabalmente as conchas em água corrente. Dispõe agora de excelentes conchas para exibir.
No entanto, ao pensar em limpar as conchas, é mister observar algumas proibições. Jamais deixe de molho as conchas em ácido. Evite colocá-las diretamente sob a luz solar. E não jogue conchas espessas em água fervente, visto que podem rachar.
Existem moluscos por toda a parte. Podem ser encontrados na superfície e nas profundezas das águas, bem como acima e embaixo do solo. Para muitos indivíduos, colecionar conchas, ou malacofilia, é deveras um passatempo agradável.
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“Cuidado, a maconha vem aí!”Despertai! — 1985 | 8 de dezembro
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“Cuidado, a maconha vem aí!”
A bem-conhecida revista Veja, em sua seção “Ponto de Vista”, estampou sob este título alguns comentários do dr. José Elias Murad, farmacologista e diretor da Faculdade de Ciências Médicas de Belo Horizonte. Ele trouxe à atenção os indícios de que, mais cedo ou mais tarde, o consumo de maconha não mais será um crime no Brasil. Mencionou um seminário, promovido no Rio, em novembro de 1983, em que tal liberalização foi defendida, e o livro Maconha em Debate, publicado depois. “Estranho”, diz, “já que não houve qualquer debate, pois todos os autores estão de acordo num ponto básico: a conveniência da legalização ou da liberalização dessa droga”.
Segundo o dr. Murad, o consumo de tóxicos como a maconha amortece a sensibilidade e, especialmente no caso dos jovens, torna-os indiferentes e passivos ao que acontece ao seu redor. O dr. Murad tem o conceito de que a ação dos tóxicos sobre os jovens os deixa cada vez mais alienados, deixando de se preocupar com seus pais, seu povo ou seus próprios problemas. Sua principal preocupação é que o Conselho Federal de Entorpecentes parece tender ao liberalismo neste assunto e poderia bem “vivenciar a nova realidade” e, por fim, legalizar a droga. O aviso do dr. Murad é: “Queimem as suas ilusões, maconha faz mal.”
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