-
Ministro a caminhoA Sentinela — 1975 | 1.° de outubro
-
-
semelhantes a ovelhas chegar à organização de Jeová, nas regiões em que servimos, e de termos tido parte em ajudá-las a desenvolver-se espiritualmente — isto em si mesmo já é uma grande recompensa.
É verdade que nosso modo de vida é tal que não nos permite estabelecer-nos em algum lugar por muito tempo, mas, ser eu ministro a caminho me tem dado ilimitada alegria, que nenhum dinheiro poderia comprar.
-
-
A voz da consciência no íntimoA Sentinela — 1975 | 1.° de outubro
-
-
A voz da consciência no íntimo
“Sempre que pessoas das nações, que não têm lei, fazem por natureza as coisas da lei, . . . são quem demonstra que a matéria da lei está escrita nos seus corações, ao passo que a sua consciência lhes dá testemunho.” — Rom. 2:14, 15.
1, 2. (a) Que situação existe hoje quanto às normas de moral? (b) Por que se precisa de orientação moral especialmente desde 1914?
HOJE em dia, o que é “certo” ou “errado” está num estado de constante mudança. Num discurso sobre a “Moralidade Pública”, o Dr. Emanuel Demby declarou: “Um motivo importante pelo qual nos é tão difícil especificar a natureza moral exata de nossos tempos é que são um período de grande transição.” Aquilo que apenas há poucos anos atrás foi amplamente seguido como normas aceitas já foi alterado ou substituído. E, visto que a vida se torna cada vez mais difícil, quem pode dizer quão válidas são as novas normas ou por quanto tempo durarão? Que orientação é que temos?
2 Esta situação confronta especialmente a nós, os que vivemos desde 1914 E. C. Por que especialmente desde então? O Dr. Archibald Chisholm observou: “Tão grande tem sido o transtorno em pensamento e moral, que alguns têm sugerido que devemos considerar-nos como vivendo no ano [61] A. B. (anno belli [o ano da guerra]), indicando assim seu ponto de vista de que começou uma nova época com o irrompimento” da Primeira Guerra Mundial. O mero fato de ter havido tal transtorno em pensamento e moral desde 1914 salienta nossa necessidade duma voz orientadora, de direção correta.
3. Que perguntas surgem quanto a se confiar na consciência?
3 Muitos dos que se apercebem desta necessidade expressam o ponto de vista de que, afinal, cada um devia estribar-se na sua consciência. Dizem: “Deixe que a sua consciência o guie.” Com “consciência” querem dizer que cada pessoa parece ter no íntimo uma “voz”, um senso íntimo que lhe diz o que é certo ou errado. Mas, dá-se isso em todos os casos? Sabe qual é a fonte da consciência e quão ampla ela é? Também, sabe quão fidedigno é tal senso íntimo? Mesmo que outros possam depender de sua própria consciência, poderá você, leitor, fazer o mesmo?
A CONSCIÊNCIA — DONDE PROVÉM?
4. Segundo algumas autoridades mundanas, qual é a fonte da consciência?
4 Se buscasse dos intelectuais e dos filósofos uma explicação da fonte de sua consciência, talvez fosse informado de que ela é apenas o produto social da evolução. A opinião do evolucionista Charles Darwin era “que qualquer animal, dotado de instintos sociais bem acentuados, . . . inevitavelmente adquiria um senso moral ou consciência assim que suas faculdades intelectuais ficassem tão bem ou quase tão bem desenvolvidas como no homem”. E Sigmund Freud achava que podíamos “rejeitar a sugestão duma capacidade original — como se poderia dizer, natural — de discriminar entre o bem e o mal”.
5. Apóia a Bíblia esses conceitos sobre a consciência do homem?
5 Mas, representam tais conceitos a verdadeira explicação? O registro mais antigo e mais coerentemente fidedigno da história e dos tratos do homem responde: Não! Em primeiro lugar, a Bíblia diz corretamente aquilo que tem sido confirmado pela observação científica, que todas as coisas vivas se reproduzem ‘segundo a sua espécie’. Assim, o homem não é mero produto da evolução, nem o é sua consciência. (Gên. 1:21-26) Além disso, a Bíblia identifica com exatidão a fonte da voz no seu íntimo, a sua consciência, leitor. Ela mostra por que — apesar dos esforços de homens tais como Hitler, que se gabava de ‘libertar o homem da degradante quimera conhecida como consciência’ — os homens, em toda a terra, continuam a ter consciência. E ela pode ajudar-nos a usar e a tirar proveito da consciência.
6, 7. (a) O que indica a Palavra de Deus a respeito da origem da consciência? (b) O que era a consciência de Adão?
6 As Escrituras nos dizem que o Criador fez o homem à Sua própria imagem, com inteligência e senso moral, assim como o próprio Deus os possui. (Gên. 1:27) E logo desde o começo, o primeiro homem possuía uma consciência dada por Deus; não era algo que simplesmente se desenvolveu com o aumento da sociedade humana. Isto se pode ver no relato sobre as ações e atitudes de Adão depois de ele ter violado a ordem de Deus a respeito da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau. (Gên. 2:17) O registro diz que Adão e Eva, então, “foram esconder-se da face de Jeová Deus entre as árvores”. E quando Jeová falou, Adão não respondeu prontamente. Por que não? Porque sentia sua culpa; era como se houvesse no seu íntimo uma voz que o condenasse, acusando-o e testificando que ele havia pecado. — Gên. 3:7-10.
7 De modo que o registro histórico mais antigo disponível indica que a consciência do homem se evidenciava logo desde o começo. É interessante que o historiador Flávio Josefo, do primeiro século E. C., escrevendo em grego, salientou que a relutância de Adão em responder a Deus era evidência de sua “má consciência”. Para a palavra “consciência”, Josefo usou o termo grego syneídesis, que significa literalmente “percepção do que se passa em nós” ou “com conhecimento” ou “com ciência”. A consciência de Adão procedia de Deus; era seu senso íntimo de moral e envolvia sua mente inteligente. Visto que foi criado à imagem de Deus, quando Adão agiu contrário às qualidades ou à vontade revelada de Deus, sentiu um conflito íntimo. Mas, como se relaciona isso com nossos sentimentos e nossas ações? Foi a consciência transmitida aos descendentes de Adão? Sim; tanto a evidência bíblica como a não-bíblica provam que isto se deu, até mesmo no caso de cada um de nós hoje.
8. Que narrativa bíblica posterior mostra um inerente senso de moral?
8 Note a narrativa histórica do que aconteceu com José, mais de dois mil anos depois do pecado de Adão. José era escravo na casa do oficial da corte egípcia, Potifar. Talvez tentada pela beleza masculina de José, a esposa de Potifar tentou seduzir José. Visto que ele era apenas escravo, podia facilmente sentir-se obrigado a obedecer a ela, talvez com a esperança de melhorar sua situação. Contudo, José repeliu totalmente as propostas imorais dela, dizendo: “Como poderia eu cometer esta grande maldade e realmente pecar contra Deus?” (Gên. 39:1-9) O que induziu José a encarar o adultério como pecado contra Deus?
9. Por que rejeitou José o adultério como sendo ‘pecado contra Deus’?
9 Ele não respondeu assim por causa duma lei escrita de Deus, proibindo o adultério, tal como apareceu só mais tarde, nos Dez Mandamentos. (Êxo. 20:14) E lá estava José no Egito, longe de quaisquer pressões familiares ou regras patriarcais. É evidente que estava envolvida a consciência de José. O adultério violava seu senso de moral. Ele provavelmente “sentia” que era errado tomar o que não lhe pertencia, a esposa de outro homem. E este sentimento talvez fosse reforçado por ele ter refletido no fato de que o homem e sua mulher eram “uma só carne”, algo que Adão sabia muito bem. (Gên. 2:24; Mat. 19:4, 5) Também pode ter sabido do que aconteceu com Abraão e Isaque, que mostrava não haver aprovação do adultério. (Gên. 20:1-18; 26:7-11) Portanto, mesmo sem haver uma lei contra o adultério, a consciência de José podia induzi-lo a rejeitá-lo.
10. Que evidência existe de que também outros povos herdaram a faculdade da consciência?
10 Mas, se Adão transmitiu aos seus descendentes certa medida de consciência, não devia também a esposa de Potifar ter sentido que o adultério era errado? Sim, embora obviamente se deixasse controlar pela paixão. Os egípcios, junto com outros, em toda a terra, davam-se conta de que o adultério era uma grave ofensa moral. Seus textos religiosos mais antigos associavam o último juízo com a pesagem do “coração”. E em que era alguém julgado? O antigo “Livro dos Mortos” dos egípcios representava o falecido como proclamando sua inocência, dizendo: ‘Não roubei. Não matei homens. Não menti. Não profanei a esposa de nenhum homem.’ De modo que deve ter sido a consciência que os induziu a sentir o erro do adultério. Introduzindo a consciência no assunto, o historiador Josefo escreveu mais tarde sobre José exortar a esposa de Potifar a abster-se da paixão, que traria remorso e sofrimento, mas a ser fiel ao seu marido e a ter “boa consciência”.
11. Como ilustram fontes bíblicas e não-bíblicas o funcionamento da consciência?
11 Além disso, encontramos descrições tanto bíblicas como não-bíblicas que ilustram a consciência operante. O Rei Davi, de Israel, em certa ocasião, mandou fazer um censo da nação. A Bíblia descreve a reação de Davi quando se deu conta de que havia pecado. Mostrando o funcionamento da consciência, a Bíblia diz que “o coração de Davi começou a bater nele”. (2 Sam. 24:1-10) Um efeito similar, duma consciência ferida é mencionado numa antiga tabuinha cuneiforme, que apresenta a oração dum babilônio que havia pecado. Ele implorou seu deus a escutar, “por causa de seu peito, que se queixa qual flauta ressoante”.
12. (a) Assim, o que se pode concluir corretamente sobre a faculdade da consciência, conforme salientado pelo apóstolo Paulo? (b) É a consciência manifestada por todas as pessoas?
12 Tudo isso mostra que temos uma consciência por termos herdado inteligência e senso moral de Adão. Assim, até mesmo nações que não sabiam nada da lei mosaica, dada por Deus, proibiam coisas tais como furtar, mentir, incesto, assassinato e adultério. Sim, embora ‘não tenham lei’, “fazem por natureza as coisas da lei”. O apóstolo Paulo salientou a base para suas normas de moral, dizendo que “sua consciência [em grego: syneídesis] lhes dá testemunho e nos seus próprios pensamentos são acusadas ou até mesmo desculpadas”. (Rom. 2:14, 15) A faculdade da consciência dada por Deus é tão universal, que certa enciclopédia declara: “Não se encontrou ainda nenhuma cultura que não reconhecesse a consciência como fato.” E o Dr. Geoffrey Stephenson escreveu a respeito daqueles que parecem “não ter consciência”: “Era e ainda é considerado por alguns como forma genuína de insanidade ou psicose.” — Veja Tito 1:15.
CONSCIÊNCIA — SEU FUNCIONAMENTO E TREINAMENTO
13. Por que precisamos de mais do que apenas saber que temos consciência?
13 Portanto, podemos simplesmente ‘fazer por natureza as coisas da lei’? Não; é preciso mais. Apenas entendermos a verdadeira fonte da consciência e como aconteceu que chegamos a ter tal faculdade não nos assegura que tiremos pleno proveito dela. Lembre-se de que os antigos egípcios tinham certas normas de moral que manifestavam os efeitos da consciência. Mas, bastava isso em si mesmo? Bastava para protegê-los contra tudo o que fosse impróprio? Sua adoração repulsiva de animais, prestarem “serviço sagrado antes à criação do que Àquele que criou”, prova que não bastava apenas terem certo grau de consciência. (Rom. 1:20-25) Por conseguinte, precisamos saber mais do que apenas que temos uma consciência. Devemos saber como ela funciona, como pode ser treinada e o que Deus diz sobre nosso uso dela na vida diária.
14. Qual é um dos modos em que nossa consciência funciona?
14 Os exemplos bíblicos que consideramos ilustram dois modos essenciais em que sua consciência pode e deve funcionar. É provável que o funcionamento da consciência em que mais se pensa seja o de olhar para trás e julgar a atuação moral no passado. Notamos esta função no caso do pecado de Adão e no que se passou com Davi depois de ele ter agido impropriamente. A consciência deles os afligiu. Já sentiu a sua consciência assim? Esta voz íntima da consciência, afligindo os que fizeram algo de errado pode ser tão insistente que eles tomem ação drástica para limpar a consciência ou então lhe dói a consciência durante anos.
15. De que maneira importante lhe poderá ajudar isso?
15 Um efeito muito mais importante, porém, desta operação da consciência é que pode induzir alguém ao arrependimento piedoso. Davi escreveu: “Quando fiquei calado, meus ossos se gastaram por eu gemer o dia inteiro. Finalmente te confessei meu pecado e não encobri meu erro. Eu disse: ‘Farei confissão das minhas transgressões a Jeová.’ E tu mesmo perdoaste o erro dos meus pecados.” (Sal. 32:3, 5) Assim, sua consciência em operação pode levá-lo de volta a Deus, ajudando-o a reconhecer a necessidade de ter o perdão Dele e seguir no futuro os Seus caminhos. — Sal. 51:1-4, 9, 13-15.
16. De que outro modo pode e deve funcionar a sua consciência?
16 Outra função da consciência é sua operação antecipada em orientar e aconselhar aquele que precisa fazer uma escolha ou decisão moral. O conferencista Eric D’Arcy observou: “Nos escritores pagãos, a consciência só aparecia em cena depois de se realizar a ação, e seu papel era puramente judicial; mas [na Bíblia], atribui-se à consciência função legislativa.” Foi este aspecto da consciência que habilitou José a sentir de antemão que não devia cometer adultério. Ele seguiu sua consciência em rejeitar o proceder que era contrário ao seu senso de moral. Funciona a sua consciência assim, leitor? Ajuda-o assim como devia?
17, 18. (a) Que perigo há quando alguém suprime a sua consciência? (b) Em que condição o deixaria isso?
17 Ambas estas funções de nossa consciência precisam de atenção e treinamento, se havemos de ser guiados e beneficiados por ela. Que não se pode desconsiderar ou suprimir nenhum destes dois aspectos é evidente no que ocorre quando se faz isso. Normalmente, em resultado de a ter herdado de Adão, a consciência de alguém pode incomodá-lo ou indicar-lhe que é errado mentir ou furtar. Isto é similar ao sinal que recebe quando sua mão chega perto duma chama; seus sensores inerentes o alertam ao perigo e assim pode retirar a mão. Mas o que aconteceria se a sua mão já fosse calejada naquela parte, ou sua mão já tivesse ficado muito cicatrizada por causa duma queimadura anterior? Neste caso, seus sentidos talvez ficassem obtusos; o tecido calejado ou cicatrizado tornaria aquele ponto insensível, embotado. De maneira similar, a consciência pode ficar amortecida, se for repetidas vezes desconsiderada ou suprimida. O apóstolo Paulo escreveu a respeito de homens “que têm a consciência morta como se ela tivesse sido queimada com ferro em brasa”. (1 Tim. 4:2, A Bíblia na Linguagem de Hoje) Tais homens, sem dores de consciência, segundo disse Paulo, mentiriam, agiriam de modo hipócrita ou desencaminhariam intencionalmente os cristãos.
18 Por conseguinte, a consciência desconsiderada ou suprimida não só não mais causaria dor à pessoa depois de ter errado, mas deixaria de prover de antemão orientação fidedigna. Pessoas nesta situação foram descritas em Efésios 4:19: “Uma vez que seus sentidos do certo e do errado ficaram obtusos, entregaram-se à sexualidade e seguem avidamente uma carreira de indecência de toda espécie.” (Jerusalem Bible) É fácil entender por que Hitler queria levar o povo a tal condição. Sua consciência de modo algum os refrearia, mas poderia fazer tudo o que se lhes pedisse, não importa quão vil. Certamente, nós queremos evitar tornar-nos assim, mas, antes, queremos manter nossa consciência funcionando e sensível.
19. De que modo é a Bíblia de ajuda em se ter uma consciência operante?
19 Nisso, a Bíblia é de ajuda inestimável. Visto que ela apresenta as maiores indicações que temos quanto às qualidades e modos de Deus, pode ajudar-nos a nos harmonizarmos com a sua imagem. Neste respeito, o salmista cantou: “Ensina-me a fazer a tua vontade, porque tu és o meu Deus. Teu espírito é bom; guie-me ele na terra da retidão.” (Sal. 143:10) Quanto mais aprendermos dos seus tratos e de sua vontade e os apreciarmos, tanto mais fortaleceremos a influência da consciência piedosa em nossa vida. (Sal. 119:1-16) A voz no íntimo ficará cada vez mais forte e clara, assim como pelo cultivo e treinamento o solista consegue ter voz e audição mais precisas e o relojoeiro aguça a sua visão.
20. Visto que a consciência é herdada, por que contém a Bíblia leis contra certas ofensas de moral?
20 A Bíblia contém leis e ordens claras de Deus contra algumas graves ofensas morais, tais como roubo, mentira, adultério e assassinato. Tais males foram proibidos na Lei que ele deu a Israel, e as proibições são repetidas no conselho de Deus para os cristãos. (Êxo. 20:13-16; Efé. 4:28; Col. 3:9; 1 Cor. 6:9, 10; Rev. 21:8) Portanto, mesmo que a consciência de alguém, pela maneira em que foi criado ou pelo que passou na vida, tenha sido amortecida para com quaisquer destes pecados, ele pode facilmente ver na Bíblia que são errados. Não há base para dizer: ‘Mas a minha consciência não me incomodou; não achei que fosse errado.’ Além disso, tais leis permitem que os responsáveis pela congregação cristã ajam para proteger seus membros contra qualquer praticante do pecado. Este seria desassociado ou expulso. — 1 Cor. 5:11-13.
21. De que valor adicional são os princípios bíblicos?
21 Mas, além de leis contra graves erros, as Escrituras contêm muitos princípios de conduta que refletem a personalidade, os modos e as normas de Deus. São amplos indícios de como podemos ser à sua imagem. Embora se pudessem citar numerosos exemplos de princípios bíblicos, queira notar os indícios claros de que Deus é justo e imparcial. Em primeiro lugar, somos informados disso diretamente. (Deu. 32:4; Jó 34:10, 12; Atos 10:34, 35) E isto é apoiado por casos em que Deus demonstrou tais qualidades. Por exemplo, quando um rei ungido de Israel pecava e agia de modo injusto para com alguns de seus súditos, Jeová mostrava claramente o erro do proceder dele. E, em harmonia com a própria justiça de Deus, não isentava nem mesmo o rei da punição. (2 Sam., caps. 11, 12) Por incutirmos na mente e no coração tais princípios de conduta e os indícios da personalidade de Deus, fortalecemos nossa consciência para que aja de modo fidedigno. Lemos, assim: “Nota-o em todos os teus caminhos, e ele mesmo endireitará as tuas veredas.” — Pro. 3:6; Sal. 16:8.
22. Cite um exemplo dum importante princípio bíblico. Como afeta isso a consciência da pessoa, com que benefício para esta?
22 Depois de ter aprendido que Deus é justo e imparcial, não será a sua consciência mais sensível à injustiça ou parcialidade para com outros? Talvez tenha sido criado com preconceito contra pessoas de certa formação, e por isso não o incomodava fazer discriminação contra eles. Se tiver trabalhado no balcão duma loja, talvez tenha tido a tendência de não fazer caso de tais fregueses ou de tratá-los com menos cuidado ou bondade. Mas, então aprendeu da Bíblia a justiça de Deus e que ele exorta à justiça e imparcialidade por parte daqueles que querem ter a sua aprovação. (Miq. 6:8; Pro. 24:23) E assim chegou a reconhecer que todos os homens procedem dos mesmos pais humanos, originais, Adão e Eva. (Atos 17:26; Gên. 3:20) Quando confrontado com uma situação similar, em que antes teria agido de modo injusto, a “voz” de sua consciência o exorta agora a agir com justiça e imparcialidade. Também, caso prosseguisse e seguisse seu anterior preconceito, é provável que sua consciência depois o afligisse. Seria como se ouvisse no íntimo uma voz condenando-o por ter adotado um proceder de que sabia ser errado. Assim, pode ver que a sua consciência recebeu treinamento, que foi aguçada, tornando-se mais sensível. Ela lhe provê agora melhor orientação, achegando-o mais à imagem de Deus.
23. Por que é hoje cada vez mais difícil tomar decisões?
23 Conforme já mencionado, vemo-nos hoje confrontados com ampla mudança e colapso da moral. Isto o torna cada vez mais difícil para os que querem cooperar com a voz de sua consciência. Também, não parece que a vida está ficando cada vez mais complicada? Parece haver tantos fatores que precisam ser tomados em consideração ao se fazer uma decisão. O Ministro Felix Frankfurter, do Supremo Tribunal dos E. U. A., observou certa vez: “Dificilmente há uma questão de qualquer dificuldade real perante a Corte que não envolva mais de um assim chamado princípio. Qualquer um pode decidir uma questão, desde que um único princípio esteja em controvérsia.”
24, 25. (a) O que podemos fazer quando confrontados com uma decisão complexa? (b) Então, como nos ajudará a nossa consciência?
24 Não obstante, quanto mais completo o nosso conhecimento dos princípios divinos encontrados na Bíblia, tanto mais aptos somos para pesar as questões e tomar uma decisão. Quando confrontados com uma questão ou decisão, podemos refletir nos princípios que parecem aplicar-se. Dependendo da natureza da questão os princípios talvez sejam tais como estes: respeito pela chefia (Col. 3:18, 20); ser honesto em todas as coisas (Heb. 13:18); odiar o que é mau (Sal. 97:10); empenhar-se por aquilo que produz a paz (Rom. 14:19); obedecer às autoridades governamentais (Rom. 13:1; Mat. 22:21); dar devoção exclusiva a Deus (Mat. 4:10); evitar más associações (1 Cor. 15:33); não fazer outros tropeçar (Fil. 1:9, 10). Embora os próprios princípios nos ajudem, se aumentarmos em conhecimento e apreço pelos princípios e modos de Deus, então a voz de nossa consciência será mais fidedigna. Paulo disse que sua consciência ‘dava testemunho’. (Rom. 9:1) A nossa fará isso também. As fisgadas de nossa consciência treinada pela Palavra de Deus nos ajudarão a refletir a personalidade e as qualidades de Deus nas nossas decisões.
25 Assim, todos temos à nossa disposição, para nossa orientação, certa medida de consciência, provida por Deus. Mas, por aumentarmos em conhecimento das qualidades e dos princípios de Deus, nossa consciência poderá tornar-se ainda mais valiosa em orientar nossos passos e em fazermos decisões.
[Foto na página 593]
José escutou a voz de sua consciência e fugiu para não “pecar contra Deus”.
-
-
É guiado pela sensível consciência cristã?A Sentinela — 1975 | 1.° de outubro
-
-
É guiado pela sensível consciência cristã?
1. Como tem a verdade da Bíblia afetado as pessoas?
QUÃO enormes são as mudanças feitas por muitos dos que se tornaram cristãos! Pessoas na antiga Corinto, que se tornaram cristãos, haviam sido fornicadores, idólatras, homossexuais, ladrões e beberrões. Mas, ao ouvirem e aplicarem a verdade da Palavra de Deus, mudaram e foram “lavados”. (1 Cor. 6:9-11) Conhece alguém que fez mudanças similares? Talvez, com a ajuda de Deus, fosse você mesmo, leitor.
2. Que efeito tem a Palavra de Deus sobre a consciência da pessoa, e por que é isso proveitoso?
2 Quão maravilhoso é quando os atingidos pela mensagem cristã se afastam do que é descrito em Tito 1:15: “Para os aviltados e os sem fé nada é puro, porém, tanto as suas mentes como as suas consciências estão aviltadas.” No entanto, além de somente evitar erros flagrantes de moral, quem aprende as leis e os princípios de Deus desenvolve uma consciência mais sensível. Não ficou a sua própria consciência mais suscetível, ao passo que aumentou em conhecimento e apreço da vontade e da personalidade de Deus? Isto é algo muito desejável. Ter e acatar a consciência cristã devidamente sensível pode ajudá-lo a obter o favor de Deus, pode tornar sua vida mais pacífica, poupando-lhe à dor que muitas vezes sobrevém aos que têm consciência maculada, e pode ajudá-lo a levar uma vida que exemplifique o verdadeiro cristianismo. — Veja 1 Pedro 3:21.
A CONSCIÊNCIA — QUÃO SENSÍVEL É?
3. Com respeito à consciência, o que desejarão evitar os cristãos?
3 Sem dúvida, nós, como cristãos, não queremos uma consciência ‘aviltada’ ou ‘cauterizada’, porque tal consciência não seria de valor nenhum para nos ajudar a refletir a imagem de Deus. (Efé. 4:19) Por outro lado, nossa consciência não deve ficar muito exagerada ou desequilibradamente sensível; sendo humanos imperfeitos, poderá acontecer isso, se não tivermos cuidado.
4. Como poderá a consciência excessivamente sensível ou desequilibrada induzir alguém a agir com respeito aos impostos?
4 Por exemplo, alguém talvez reconheça que Jeová não apóia as guerras das nações, mas que ele exorta seu povo a aprender os caminhos da paz. (Isa. 2:4) Sabendo que as nações costumam sustentar seus exércitos com o dinheiro dos impostos, seria equilibrado e bíblico se a consciência dele o levasse a negar-se a pagar impostos? Ou pagar seus impostos, deduzindo uma porcentagem correspondente ao que o governo gasta com seu orçamento para a defesa? Embora alguns tenham adotado tal atitude, a evidência bíblica contraria a consciência que leva a tal proceder. Manda-se claramente que os cristãos paguem seus impostos, e isto foi incluído na Bíblia apesar de o então existente governo romano sustentar um enorme exército. (Mat. 22:17-21; Rom. 13:1, 7) O cristão pode assim pagar seus impostos com consciência limpa, equilibrada pela Palavra de Deus, deixando para o governo a responsabilidade de como se usa o dinheiro.
5, 6. (a) Por outro lado, como deve a pessoa ser afetada neste respeito pela consciência devidamente sensível? (b) Como é isso corroborado pela Bíblia?
5 Por sinal, este conselho bíblico deve amoldar a consciência da pessoa para ela pagar todos os seus impostos. É a isso que sua consciência o induz? Ou ficou sua consciência influenciada pela prevalência comum da sonegação dos impostos? Como ilustração: se a sua situação tiver mudado — talvez os filhos se tenham casado e deixado o lar, o que significa maiores impostos para você, leitor — induziu-o a consciência a relatar esses fatos e a pagar o imposto integralmente? É verdade que talvez haja pouca probabilidade de a declaração do imposto de renda ser pesquisada com cuidado e os fatos descobertos. Mas, para o cristão que tem uma consciência devidamente sensível, o desejo de evitar a punição não é o único motivo de agir corretamente; a consciência também é um fator nisso. Verifica que é assim no seu caso?
6 Neste respeito, Paulo escreveu: “Há, portanto, uma razão compulsiva para que estejais em sujeição, não somente por causa desse furor [contra os violadores da lei], mas também por causa da vossa consciência.” (Rom. 13:5) Assim, a sua sensível e devidamente equilibrada consciência cristã devia servir de freio e devia ser força orientadora para o bem. Dá-se isso? Exatamente quão sensível e útil é a sua consciência? Vejamos algumas ilustrações, que talvez nos ajudem a decidir isso.
CONSCIÊNCIA E EMPREGO
7. Onde entra a consciência na questão do emprego?
7 O emprego é um campo que suscita muitos problemas, os quais exigem o uso da consciência cristã. Algumas formas de emprego, tais como a fabricação de ídolos, o trabalho num estabelecimento de jogatina ou ser empregado por uma organização da religião falsa são claramente contrários às Escrituras. Por isso, os cristãos as evitam. (1 João 5:21; Col. 3:5; Rev. 18:2, 4, 5) Nem todas as questões de emprego, porém, são tão nítidas. Certo emprego poderá como que cair numa “zona duvidosa”, indefinida. E às vezes acontece que, embora o serviço básico da pessoa não seja objetável, talvez se lhe peça ocasionalmente fazer algo que é questionável.
8, 9. (a) Ilustre um problema de emprego que exija o uso da consciência. (b) Que considerações vieram à mente daquele cristão nesta ocasião?
8 Por exemplo, há problemas com empregos que envolvem o sangue. A Bíblia é explícita em que os servos de Deus não se devem alimentar de sangue. (Gên. 9:3, 4; Atos 15:19, 20) Por isso, as testemunhas cristãs de Jeová não tomam alimentos que contenham sangue, tais como chouriços de sangue, nem aceitam transfusões de sangue. Mas o que se daria se no seu emprego se lhe pedisse que manejasse ocasionalmente sangue ou produtos de sangue? Permitiria isso a sua consciência? Uma Testemunha, em Colorado, E. U. A., trabalhava num hospital como principal laboratorista clínico para os exames de vários tipos de tecidos e fluidos do corpo. Entre muitas outras coisas, esperava-se dele que fizesse exames de sangue. Às vezes era simplesmente para verificar o nível de açúcar ou de colesterol. Mas, em outras ocasiões, era para fazer comparações para fins de transfusão. Podia fazer isso?
9 Este cristão pensou bem no assunto. Podia ver que não seria direito que um cristão trabalhasse exclusivamente para um banco de sangue, onde tudo está devotado a uma finalidade que viola a lei de Deus. Mas, esta não era a situação dele; ele fazia exames de muitas espécies. Também, se alguém fosse médico responsável pela decisão, não poderia ordenar uma transfusão de sangue para um paciente, assim como o cristão que fosse dono duma loja não poderia encomendar e armazenar ídolos ou cigarros. No entanto, este técnico deu-se conta de que, relacionado com o sangue, ele apenas fazia exames, assim como uma enfermeira talvez tirasse a amostra de sangue, um mensageiro talvez a entregasse ao laboratório e outra pessoa talvez administrasse a transfusão ou outra medicação às ordens dum médico. Ele pensou no princípio em Deuteronômio 14:21. Segundo esse texto, o judeu que achasse a carcaça dum animal que morreu sozinho podia eliminá-lo por vendê-lo a um estrangeiro que não estivesse sob as restrições da Lei a respeito de carne animal não sangrada. De modo que a consciência do laboratorista, nessa ocasião, lhe permitiu fazer exames de sangue, inclusive os de sangue para transfusões dadas a pacientes que não se importavam com a lei de Deus quanto ao sangue.
10. Que perguntas podemos considerar sobre como resolveríamos este problema de emprego?
10 Teria a sua consciência reagido assim? Se não, então, só pelo argumento, pergunte-se se a sua consciência lhe permitiria, como empregado, levar amostras de sangue ao laboratório, para exame. Ou, indo ainda mais longe da própria transfusão, poderia, como motorista, entregar ao hospital o equipamento para os exames? Ou permitir-lhe-ia a sua consciência fabricar o vidro de que talvez se produza tal equipamento? Torna-se claro que nem todas essas coisas podem razoavelmente ser consideradas como contribuição direta para a violação da lei de Deus a respeito do sangue. Mas, onde “traçar os limites”? É nisso que entra a consciência. Embora o cristão tenha de evitar as coisas que inconfundivelmente estão em conflito com a lei de Deus, espera-se dele que use a consciência para resolver muitas questões. Servir-lhe-ia bem a sua consciência em tais situações? É ela sensível?
11. A que foi este mesmo cristão induzido pela consciência muitos anos depois?
11 Neste caso específico, depois de muitos anos de fazer exames, o laboratorista começou a ser atribulado pela consciência. Não era como se outro devia ou podia dizer-lhe que ele estava fazendo algo de errado. Nem esperava que outro fizesse as decisões por ele. Mas, começou a pensar: “É coerente que eu fale a respeito do amor ao próximo e ainda assim contribua, em parte, para que meu próximo viole a lei de Deus?” (Mat. 22:39; Atos 21:25) Reconhecendo seu dever cristão de sustentar a sua família, decidiu considerar o assunto com sua esposa. (1 Tim. 5:8) Juntos concordaram que, se a consciência dele estava atribulada, era melhor fazer uma mudança. Ele abandonou seu emprego de 15.000 dólares por ano e começou a trabalhar em serviço de limpeza, embora começasse a ganhar apenas 3.600 dólares por ano.
12. Significa isso que sua primeira decisão foi errada, ou o que se ilustra com este caso?
12 Não despercebamos o ponto em questão neste exemplo. Não é mencionado aqui para sugerir que o cristão não pode ser laboratorista clínico; há cristãos que continuam a trabalhar como laboratoristas clínicos, enfermeiros, motoristas, e assim por diante. Este exemplo é dado para ilustrar que a consciência pode entrar em cena em questões de emprego. No seu caso, leitor, o tipo de serviço e o que é mandado fazer podem ser bastante diferentes. Mas, todos os cristãos devem refletir em se vivem ou não o mais perto possível dos modos e princípios de Deus. Se a sua consciência treinada pela Palavra de Deus sofrer dores por causa do que se lhe pede fazer, será que não vai fazer caso dela? Quão importante lhe é ter uma consciência limpa perante Deus e os homens? — 1 Tim. 1:5, 19.
13. Como pode cada um de nós tirar proveito da reflexão sobre nosso emprego?
13 Naturalmente, não podemos de todo evitar problemas de emprego, porque ainda estamos neste sistema de coisas. (1 Cor. 5:9, 10) Assim, é provável que se dê conta de que não poderá induzir seu patrão a cultivar uma consciência cristã. Ele talvez prefira não fazer caso de certas leis, exagerar os méritos de seus produtos ou ter à venda certas mercadorias que você, leitor, não venderia se fosse o dono. Ou pode ser que seus colegas de trabalho mintam nos seus relatórios de produção ou desperdicem o tempo quando o patrão não está perto. Ainda assim, você pode e deve acatar a sua própria consciência. Portanto, se ela não lhe permitir fazer certas coisas, ou se for escarnecido por trabalhar arduamente, aceite isso. O apóstolo Pedro escreveu: “Se alguém, por causa da consciência para com Deus, agüenta coisas penosas e sofre injustamente, isto é algo agradável.” — 1 Ped. 2:18, 19.
AS CONSCIÊNCIAS SENSÍVEIS DIFEREM
14, 15. (a) Que outro campo envolve a consciência? Qual é a atitude básica dos cristãos neste assunto?
14 Outro campo que talvez envolva a sua consciência tem que ver com assuntos patrióticos, tais como cerimônias patrióticas em lugares públicos. Como é que a sua consciência o faz reagir? Esta é uma pergunta apropriada, porque neste e em outros pontos as consciências diferem.
15 As testemunhas cristãs de Jeová reconhecem que muitos têm sentimentos profundos para com atos patrióticos, dos quais o mais comum talvez seja fazer continência ou jurar lealdade à bandeira nacional. Conforme salienta o livro (inglês) Ensaios sobre o Nacionalismo, de Carlton Hayes: “O principal símbolo de fé e objeto central de adoração do nacionalismo é a bandeira, e curiosas formas litúrgicas têm sido concebidas para se ‘saudar’ a bandeira . . .” Embora reconheçam plenamente a liberdade dos outros nestes assuntos, as testemunhas cristãs de Jeová, movidas pelo seu entendimento da Bíblia, abstêm-se de tais atos. — João 17:16; 1 Cor. 10:14.
16. A consciência poderá levar dois cristãos a que duas maneiras de agir?
16 Mas, a que proceder o motivará a sua consciência quando se realiza uma cerimônia patriótica? Por exemplo, talvez se peça que os presentes, entre os quais se encontra, se levantem e façam continência à bandeira nacional. Como cristão, evitaria definitivamente realizar qualquer ato de idolatria. Contudo, permitir-lhe-á a sua consciência pôr-se de pé? Um cristão, nesta situação, talvez chegue à conclusão de que deve ficar sentado, porque assim acha pessoalmente estar seguro de não se envolver na cerimônia. É a isso que o induziria a sua consciência? Outro cristão, nas mesmas circunstâncias, talvez decida pôr-se de pé. Ele se apercebe de que não é como se para mostrar plena participação só se pedisse levantar-se. Os presentes são pedidos a levantar-se e a fazer a continência. Talvez se lembre de que os três hebreus evidentemente estiveram de pé diante da imagem erguida por Nabucodonosor, mas negaram-se a se curvarem diante dela. Por conseguinte, talvez conclua que, neste caso, a plena participação envolva tanto ficar de pé como fazer a continência ou saudação, de modo que sua própria consciência lhe permite simplesmente ficar respeitosamente em pé, sem fazer a continência. — Dan. 3:1-18.
17. Indica isso que há algo de errado? Qual é o motivo para a possível diferença?
17 Conforme se pode ver, no caso de dois cristãos na mesma espécie de situação, a consciência poderá motivá-los a conclusões ligeiramente diferentes, embora ambos se refreiem do que a Bíblia mostra ser impróprio. (Êxo. 20:4, 5; 1 João 5:21) Tais variações permitidas pelo funcionamento da consciência não são evidência de confusão ou falta de união entre os cristãos. Nem prova que um dos dois está definitivamente errado. Antes, tal variação pode ser encarada como efeito esperado de se obter e usar a consciência cristã.
18. Que proveito podemos tirar de sermos guiados pela consciência, embora isso possa permitir variações de pessoa em pessoa?
18 É isso para seu proveito? É seguir a consciência superior a seguir uma “regra”? Sim; deveras lhe é de proveito estar disposto a treinar sua consciência e a acatá-la, em contraste com seguir um “tamulde” de regras para toda questão e variação possível que possa surgir. Ajuda-lhe a ser mais refletidamente cônscio dos princípios bíblicos. E, sem dúvida, torna-se assim mais apto a pensar de modo claro, sendo sua mente estimulada e fortalecida. Tal resultado proveitoso foi salientado numa pesquisa australiana sobre a “criatividade” entre os de doze anos de idade. O relatório sobre isso observou:
“Em especial, um número desproporcionalmente grande de crianças altamente criativas eram Testemunhas de Jeová. Quatro crianças dentre a amostra total de 394 eram membros desta seita, e todas as quatro mostraram alta capacidade criativa. A menina que alcançou o número de pontos mais elevado nos testes de Torrance, e a menina que era a única criança, masculina ou feminina, a ser incluída entre os primeiros 20 por cento em todas as cinco medidas de realizações, eram ambas Testemunhas de Jeová.” — Journal of Personality, março de 1973.
Que explicação se deu da notável criatividade destas crianças das Testemunhas? O estudo trouxe especificamente à atenção o fato de que elas não se sujeitavam simplesmente de modo pacífico às cerimônias patrióticas na escola. Antes, elas pesavam os princípios da Palavra de Deus e cultivavam o acatamento duma sensível consciência cristã.
SENSITIVA, MAS NEM SEMPRE MAIS RESTRITIVA
19, 20. (a) Por que é que a consciência sensível nem sempre é mais restritiva? (b) Como foi isso mostrado por Paulo ao considerar ele a carne e ídolos?
19 Vimos que, ao passo que sua consciência fica treinada e é trazida mais em harmonia com os modos e a vontade revelada de Deus, ela usualmente se torna mais restritiva. Não mais lhe permite fazer certas coisas que fazia antes, porque as encara agora como contrárias a princípios piedosos. Contudo, treinar sua consciência pela Palavra de Deus não necessariamente significa tornar-se mais restritivo em tudo. Sua consciência devidamente treinada na realidade poderá passar a permitir-lhe fazer algumas coisas que, antes de conhecer a vontade de Deus, achava impróprias.
20 O que faz a diferença em tais casos é o conhecimento exato. Isto é ilustrado nos comentários de Paulo a respeito da carne oferecida a um ídolo, mas que depois era vendida num açougue ou numa espécie de restaurante ligado ao templo dum ídolo. Aquele que há pouco havia abandonado a adoração pagã e se tornado cristão talvez evitasse tal carne, querendo evitar tudo o que tivesse relação com um ídolo. No entanto, com o tempo, talvez aumentasse em conhecimento e entendimento. Paulo escreveu: “Sabemos que o ídolo nada é . . . e que não há Deus senão um só.” (1 Cor. 8:4) Chegando a reconhecer isso, o cristão talvez discernisse que a carne vendida ao público não estava profanada ou envenenada só porque antes havia sido oferecida a um não-deus. Com tal conhecimento, sua consciência fortalecida talvez lhe permitisse comprar essa carne num açougue ou num restaurante público. — 1 Cor. 8:10; 10:25.
21. Como se evidencia este mesmo efeito hoje em dia?
21 O mesmo efeito pode haver na consciência atual. Por exemplo, um jovem em Ohio, E. U. A., foi criado com a convicção de que os cristãos não deviam tomar bebidas alcoólicas. Ele até mesmo havia decorado as advertências contra a embriaguez e a descrição do bêbado registrada em Provérbios, capítulo 23. Em anos posteriores, quando se tornou servo dedicado de Deus, sua consciência ainda não lhe permitia aceitar vinho ou cerveja. Daí ele ouviu e deu séria consideração a um discurso que delineou exatamente o que as Escrituras dizem sobre as bebidas alcoólicas. Mostrava que a Bíblia inquestionavelmente condena a embriaguez. (Pro. 23:20, 21; Efé. 5:18; 1 Ped. 4:3) Contudo, a Bíblia não proíbe o consumo moderado de bebidas alcoólicas, do mesmo modo como Jesus certa vez fez vinho e bebia dele ocasionalmente. (Gên. 14:18; Sal. 104:15; Ecl. 9:7; João 2:3-11; Luc. 22:17, 18) Embora ele houvesse conhecido esses textos, via então a conclusão equilibrada a que levavam. Assim, mais tarde, quando um italiano lhe ofereceu hospitaleiramente um pequeno copo de vinho, a consciência deste cristão permitiu-lhe aceitá-lo.
22. Que fator muito importante não pode ser desconsiderado por aquele que tem a consciência fortalecida?
22 Já passou por tal fortalecimento e equilíbrio de sua consciência ao aumentar em conhecimento da Palavra e dos modos de Deus? Em caso afirmativo, é provável que também reconheça a importância de tomar em consideração os sentimentos daquele cuja consciência difere da sua. Este é o argumento de Paulo ao considerar a carne oferecida a um ídolo, o qual realmente não era “nada”. Ele escreveu: “Não obstante, nem em todos há tal conhecimento.” (1 Cor. 8:4, 7) Alguns cristãos, por causa de sua anterior devoção a ídolos, não podiam de boa consciência comer tal carne, embora fosse vendida publicamente. Se um cristão com “conhecimento” e forte consciência prosseguisse e comesse “de tudo”, poderia arruinar um irmão “pelo qual Cristo morreu”. Por isso, Paulo declarou: “Se [tal carne] fizer o meu irmão tropeçar, nunca mais comerei carne alguma.” — 1 Cor. 8:10-13; 10:27-29.
23. De que modo deve a consciência dos outros ser envolvida nas nossas decisões?
23 É assim que pensa? Por exemplo, poderá haver algo que parece ser permitido pelo que sabe da vontade revelada de Deus e que a sua consciência lhe permitiria. Talvez seja algo relacionado com sua maneira de se vestir ou arrumar, as decorações que coloca na sua casa ou a sua recreação. Mas o que se dá quando a consciência de muitos outros em sua volta os levar a achar que isso não é próprio para um cristão? Será que o seu cristianismo o induzirá a concluir alegremente: ‘Se isto faz o meu irmão tropeçar, nunca mais o farei, para não fazer meu irmão tropeçar’?
24. O que devemos fazer quando a nossa consciência entra em conflito com a consciência de alguém que tem autoridade sobre nós? Por que se deve dar consideração à consciência dele?
24 E a consciência dos outros deve ser considerada ainda em outros sentidos. Talvez se agrade de certa moda moderna ou maneira de usar o cabelo. Sua consciência não o perturba por causa disso. Mas, se for menor ou mulher casada, terá de obter permissão de seu pai ou de seu marido. Pensou na consciência dele? Ou se estiver interessado num privilégio especial de serviço na congregação cristã, então entra nisso a consciência do corpo de anciãos. (1 Tim. 3:9) Deveras, eles reconhecem que o modo de usar o cabelo envolve o gosto pessoal de cada um. Mas, caso se lhes peça que recomendem você para serviço especial, devem ter a consciência tranqüila. Eles têm pesada responsabilidade com respeito ao bom nome do cristianismo na localidade, reconhecendo que os designados para privilégios especiais de serviço precisam ser exemplares. (1 Tim. 3:2, 7, 10; 5:22) Portanto, se algo que a sua consciência lhe permite entrar em conflito com a consciência dos que têm autoridade ou chefia sobre você, quer sejam seus pais, seu marido ou superintendentes cristãos, esteja disposto a fazer ajustes para que eles possam dar permissão ou fazer recomendação de “boa consciência”.
CULTIVE A CONSCIÊNCIA SENSÍVEL
25. O que significa ser algum assunto “caso de consciência”?
25 Desenvolver e seguir uma consciência devidamente sensível exige constante atenção. É muito fácil ficar indevidamente influenciado pelos do mundo em volta de nós, cuja consciência é muito tolerante, ou está cauterizada ou mesmo aviltada. (Tito 1:15) Surgirão muitas questões que terá de resolver em harmonia com a sua própria consciência. Se tiver feito empenho para cultivar uma sensível consciência cristã, então isso o ajudará. Esteja disposto a escutar bem a voz da sua consciência, não pensando que, se “depender da sua consciência”, então não importa o que faça. Importa, sim. A decisão que fizer poderá afetar todo o seu conceito sobre a vida, sua reputação como cristão, sua espiritualidade, e, o que é mais importante, sua relação com Jeová Deus.
26, 27. (a) De que modo lhe poderá ser de ajuda conversar com um ancião, mas o que não poderá fazer este? (b) Como nos ajudará a consciência sensível?
26 Numa questão de séria preocupação, mas que ainda depender de sua consciência, não hesite em falar com cristãos maduros, tais como os anciãos na congregação. Naturalmente, eles não poderão fazer a decisão em seu lugar. (Um cristão sincero, indagando sobre certo assunto de família, perguntou: “É isso contra a consciência cristã?”) Não, o ancião não lhe poderá dizer como a sua consciência deverá reagir, mas poderá dar-lhe conselho bíblico, equilibrado, que poderá avaliar. E se a sua consciência tiver sido amoldada pelos modos e pela personalidade de Jeová, e acata os Seus princípios, então será ajudado a endireitar o seu caminho. (Sal. 25:4, 5) Sua consciência sensível ajudará a guiá-lo.
27 Deveras, há satisfação em ter e poder usar a faculdade da consciência dada por Deus. É uma bênção. Quando é mantida devidamente sensível, equilibrada pela Palavra de Deus, pode ajudá-lo a andar sabiamente perante Deus e homens. (2 Cor. 4:2) Pode dar testemunho de que se comporta dum modo que provavelmente tenha a aprovação eterna de Jeová. — 2 Cor. 1:12.
-
-
Família altamente favorecida — por quê?A Sentinela — 1975 | 1.° de outubro
-
-
Família altamente favorecida — por quê?
NÃO seria uma honra para a família ter por membro um homem que pudesse prover os meios de trazer alívio permanente de doença, dor, insegurança e violência? Há dezenove séculos atrás, havia tal família. Era a família em que nasceu Jesus, o Messias ou Cristo.
Dentre todas as famílias então existentes, por que foi esta tão altamente favorecida? Foi por que ela tinha destaque, riquezas ou consecuções notáveis no mundo romano? Não devíamos esperar
-