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Página doisDespertai! — 1987 | 8 de dezembro
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Página dois
Toda manhã dum dia útil, milhões de bebezinhos que ainda usam fraldas e de criancinhas bocejadoras são deixadas em creches (centros de cuidados infantis). Para muitas criancinhas, a transição do lar para a creche ocorre suavemente.
Os que estão acostumados a essa rotina apresentam uma reação afetuosa — ou impassiva. As crianças mais novas na creche talvez chorem e se agarrem à sua mãe. Algumas palavras confortadoras, da mãezinha, porém, geralmente fazem parar o choro. Se não, uma funcionária da creche tenta confortá-las, uma vez que, com lágrimas ou sem lágrimas, as mulheres precisam ir para o seu trabalho. E, nas próximas dez horas, as creches têm de substituir a mãezinha . . .
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‘Quem cuidará de nossos filhos?’Despertai! — 1987 | 8 de dezembro
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‘Quem cuidará de nossos filhos?’
POR todo o mundo, as creches são um produto do influxo, sem precedentes, das mulheres ao mercado de trabalho. “O grupo mais crescente a penetrar no mercado de trabalho”, diz a perita em centros de cuidados infantis Alison Clarke-Stewart, “é o das mães que têm filhos em idade pré-escolar, especialmente criancinhas com menos de três anos. Esta tendência é marcante, e mundial”.
Talvez seja bem mais fácil falar-se em achar alguém fidedigno, que cuide dos filhos enquanto a mãe trabalha fora, do que conseguir alguém que faça isso. Os parentes raramente se oferecem para isto. Complicadas redes de babás — formadas por amigas e vizinhas recrutadas — não raro se provam precárias, na melhor das hipóteses, e deixam as crianças atordoadas. Babás (baby-sitters) e amas-secas contratadas, confiáveis, são difíceis de achar — e caras demais para a maioria dos casais.
A situação não é menos frustrante nos países em desenvolvimento. As mulheres da Nigéria simplesmente costumavam carregar seus bebês nas costas, enquanto trabalhavam. Mas crescentes números de mulheres africanas deixaram os serviços domésticos ou na lavoura em busca de empregos em escritórios, em lojas, e em fábricas, onde o método de prender o bebê nas costas é inapropriado. Em épocas passadas, as mulheres sempre podiam contar com uma babá dentre sua família ampliada. Mas, explica o jornal Sunday Times, de Lagos, Nigéria, “com a educação primária gratuita e a disponibilidade de mais trabalhos manuais que não exigem qualificações profissionais, também desapareceu o último resíduo de [parentes disponíveis] para cuidar dos bebês em casa”. Este jornal sugeria: “A solução pode ser Centros de Cuidados Infantis bem organizados.”
Sim, escolas maternais e creches tornam-se rapidamente a opção para cuidar dos filhos. Afinal de contas, elas, em geral, são dignas de confiança, convenientes e mais baratas do que uma babá contratada. Permitem que as crianças se associem com outras da mesma idade. Fornecem refeições nutritivas, junto com programas recreativos e educativos. Conforme Delores Alexander, consultora sobre cuidar de crianças, disse a Despertai!: “A creche é um apoio para toda a família.”
Todavia, alguns temem que a atual tendência para creches e escolas maternais possa ter nefastas implicações para as crianças. Há motivos justificados para tais preocupações? Os pais precisam saber, de modo a poderem fazer uma decisão conscientizada quando se trata de seus próprios filhos.
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A controvérsia sobre as crechesDespertai! — 1987 | 8 de dezembro
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A controvérsia sobre as creches
É um local agradável. As salas de recreação acham-se pintadas de cores alegres e estão enfeitadas com pôsteres e amostras da arte das criancinhas. Brinquedos e jogos acham-se bem arrumados em prateleiras. E o local ressoa com o barulho das crianças.
“Cuidamos de cerca de 130 crianças”, afirma Bernice Spence, a senhora de aspecto maternal que dirige esta creche. E exatamente de onde provêm tais crianças? “Na maior parte, são filhos de pessoas que trabalham fora e que residem por perto. E a nossa equipe? Várias pessoas são professores formados.”
UMA creche bem administrada, cuja equipe é formada de pessoas competentes e que se importam, deveras deixa uma ótima impressão. Os pais se sentem seguros quando seus filhos são cuidados em tal lugar. Todavia, as creches são o foco das atuais controvérsias. Por que razão? Por um lado, creches de qualidade nem sempre são a norma. Algumas carecem de manutenção, são mal dirigidas, têm falta de pessoal habilitado, e amontoam as crianças como se fossem pacotes.
As creches mantidas por fundos públicos, em Nova Iorque, EUA, são geralmente de boa qualidade. Mas elas custarão à cidade US$ 201 milhões em 1987 — mais de US$ 4.800 [uns Cz$ 290.000] para cada criança! Em países como a Suécia, onde os governos alocam generosos recursos para creches, ministram-se igualmente cuidados de alta qualidade. Mas no Terceiro Mundo, e até mesmo em algumas comunidades dos EUA, são inadequados os fundos destinados às creches. Com que resultado? As crianças talvez recebam cuidados inferiores.
Em Leilão o Cuidado das Crianças
Isto acontece até mesmo com creches de fins lucrativos. É certo que muitas são excelentes. Algumas creches, porém, reduzem os custos por contratar menos funcionárias para maior número de crianças. Ou cortam despesas por contratar funcionárias que só ganham pouco acima do salário mínimo — o que afasta as profissionais mais qualificadas.
Na verdade, muitas funcionárias de creches aceitam salários baixos porque simplesmente amam as crianças. Mas o que pode acontecer quando inexiste tal dedicação? Samuel e sua esposa logo descobriram. Juntos, dirigiam uma creche em Lagos, na Nigéria — até que se viram obrigados a fechá-la. Relembra Samuel: “Sempre que minha esposa tinha de fazer compras, ou ausentar-se por outros motivos, ela descobria, ao voltar, que as assistentes não tinham cuidado das crianças.” — Veja a página 6.
Nos Estados Unidos, creches com fins lucrativos têm de sobreviver à fiscalização das agências governamentais que autorizam seu funcionamento. Mas a revista Newsweek informa: “A maioria das exigências para funcionamento são mínimas, e as agências do Estado não dispõem dos recursos ou do pessoal para controlar a indústria de creches.”
‘Casas das Crianças’
Similares às creches são as ‘casas das crianças’, órgãos particulares em que se cuidam de pequenos grupos de crianças. Menos custosas do que as creches, os day-care homes são imensamente populares nos EUA, cuidando por volta de três quartos das crianças que recebem cuidados fora do lar. A ‘tia’ que cuida das crianças em geral também tem seus próprios filhos.
Para a criança, uma ‘casa da criança’ pode oferecer um ambiente mais parecido a um lar, uma senhora que se importa em cuidar dela, e a companhia de um pequeno grupo de crianças. Mas, muitas vezes, pouco é feito para fiscalizar suas instalações. O jornal Globe and Mail, de Toronto, Canadá, informa assim que a qualidade das ‘casas das crianças’ no Canadá varia de “excelente a imensuravelmente ruim”. Dez por cento de tais ‘casas’ foram consideradas inseguras para as crianças.
Centros de Cuidados Infantis — Como Influem nas Crianças?
Uma vez que os centros de cuidados infantis abrangem tão amplo espectro de qualidade, os pesquisadores têm tido dificuldade em determinar como eles realmente influem nas crianças. Na verdade, alguns proponentes de tais centros demonstram grande otimismo. Afirma Alison Clarke-Stewart, em seu livro Daycare (Centros de Cuidados Infantis): “As boas novas que vêm de todos estes estudos — feitos no Canadá, na Inglaterra, na Suécia, na Tchecoslováquia, nos Estados Unidos — são de que os cuidados ministrados num centro adequado não produzem quaisquer efeitos prejudiciais evidentes sobre o desenvolvimento intelectual das crianças.” Alguns estudos até mesmo indicam que as crianças de famílias de baixa renda beneficiam-se dos estímulos intelectuais de tais centros!
No entanto, os pesquisadores Belsky e Steinberg acautelam: “Num grau sobrepujante, a pesquisa sobre os centros de cuidados infantis tem sido feita em creches situadas em universidades ou ligadas a universidades, com elevado índice de funcionárias em relação às crianças, e programas bem elaborados. . . . Todavia, a maioria das creches disponíveis aos pais nesta nação certamente não são deste tipo e talvez não apresentem esta qualidade.” Como, então, estão passando as crianças em ambientes mais típicos de creches? Concluíram Belsky e Steinberg: “Sabemos terrivelmente pouco sobre o impacto que as creches exercem sobre as crianças.” — Revista Child Development, Volume 49, páginas 929-30.
Sabe-se ainda menos dos efeitos das ‘casas das crianças’ — responsáveis pela maior parte de tais cuidados. Parece, todavia, que a ‘tia’ de tais ‘casas’ talvez faça muito pouco no sentido de estimular o crescimento intelectual e emocional da criança; sua preocupação talvez se limite mais a alimentá-la e impedir que ela se meta em dificuldades, até que sua mãe volte. Verifica-se, assim, que as crianças nessas ‘casas’ amiúde são largadas em frente a uma TV.
Pouco se sabe também sobre como as creches influem no vínculo emocional entre mãe e filho, ou até que ponto as crianças se tornam apegadas demais às funcionárias que cuidam delas. Alguns testes, contudo, demonstram que, quando confrontadas com a escolha entre a mãe e a funcionária da creche, a maioria das crianças ainda prefere a mãe.
Os Problemas do Contato com Coleguinhas
Um dos benefícios das creches e similares é que as crianças aprendem a dar-se melhor com os coleguinhas. Há outra questão envolvida nisso, contudo. Diz um adágio bíblico: “Más associações estragam hábitos úteis.” (1 Coríntios 15:33) A pesquisa feita nos Estados Unidos e na Europa mostra que as crianças cuidadas por creches e similares tendem a ser ‘mais agressivas, menos cooperadoras com os adultos, mais confiantes em si, menos conformadas com as coisas, e menos impressionadas com o castigo do que as crianças criadas no seu lar’.
Alison Clarke-Stewart afirma que tal comportamento realmente “reflete maior maturidade e competência social, em vez de ser algo com que se preocupar”. Mas, isto talvez pouco conforto traga aos pais que observam um filho pequeno, anteriormente brando, proferir nomes feios, especialmente se tais genitores estiverem empenhados em instilar os princípios da Bíblia em seu filho. — Efésios 4:29.
Riscos Para a Saúde
Creches e órgãos similares também apresentam riscos para a saúde. Os CDC (Centros de Controle de Moléstias, dos EUA) mencionam “crescente necessidade de controlar as doenças infecciosas que freqüentemente atingem as crianças nas creches e similares”. As chamadas doenças transmitidas em creches e similares incluem a hepatite tipo-A, a shigelose (grave distúrbio intestinal), e Haemophilus influenzae tipo-B (uma infecção bacteriana). A diarréia e a febre são sintomas comuns. Tais doenças são muitas vezes o resultado de se apinhar criancinhas num ambiente, pois elas tendem a pôr tudo na boca e não estão habituadas ao uso correto do vaso sanitário.
Um bom centro, porém, leva a sério as precauções de saúde. “Ensinamos as crianças a lavar as mãos depois de usarem o vaso sanitário”, explicou Delores Alexander, consultora de assuntos de cuidados de crianças. “E não aceitamos conscientemente crianças doentes.” Acrescentou Bernice Spence, diretora da “Willoughby House”: “Se a criança adoece num dia, muitas vezes telefonamos para sua mãe, e mandamos que a leve para casa.” Exames médicos regulares da equipe e das crianças também constituem importantes medidas preventivas.
Todavia, a pesquisadora Clarke-Stewart admite: “As crianças nas creches contraem mais gripes, exantemas, resfriados e tosse do que as crianças em casa . . . O nariz escorrendo da criança pode ser o preço que as mães se dispõem a pagar para ter seus filhos numa creche, enquanto elas trabalham.” Mas, em vista do precedente, parece que as creches e órgãos similares poderiam envolver riscos de maior conseqüência do que um nariz escorrendo. O que tudo isso significa, então, para as mães que decidem que precisam trabalhar?
[Foto na página 5]
Como é que os cuidados fora do lar influem no vínculo existente entre a mãe e a criança?
[Quadro na página 6]
As Creches e os Abusos Sexuais
Recentemente se fez muita publicidade nos EUA sobre escândalos de abusos sexuais de menores, envolvendo funcionários de creches. Serão tais creches um abrigo para pedófilos e pornógrafos infantis?
Tal pergunta provoca fortes emoções da parte de alguns funcionários de creches. “Fico realmente irada com isso”, disse Bernice Spence, administradora duma creche. “Simplesmente detesto ver as creches adquirirem tão má fama. A maioria das pessoas que conheço, do setor de cuidados de crianças, compõe-se de pessoas dedicadas — elas se importam com as crianças.”
Administradores responsáveis, porém, têm tomado medidas firmes. Despertai! conversou com Doby Flowers, vice-diretora da Agência de Desenvolvimento do Menor, de Nova Iorque, EUA. Mais de 40.000 crianças estão alistadas em programas de creches sob sua supervisão. Disse a Srta. Flowers: “Fazemos cabal seleção para formar nossas equipes de creches. Verificamos se as pessoas têm ficha criminal ou de abuso sexual de menores. E, desde 1984, tiram-se as impressões digitais de todos os funcionários das creches.”
Será que os que cometem abusos sexuais de menores visam o trabalho em creches? A Srta. Flowers respondeu: “Temos pedófilos nas ordens religiosas, no sistema judiciário, e no educativo. O perfil do pedófilo abrange todas as fronteiras financeiras, ocupacionais, raciais e étnicas.” No entanto, como se expressa o Dr. Roland Summit, psiquiatra que se especializou em tratar de crianças que sofreram abusos sexuais: “O aumento do risco de exploração duma criança é diretamente proporcional à distância que a criança fica dos cuidados de sua mãe biológica.”
O que então devem fazer os pais que têm filhos em creches e órgãos similares? “Ouça seu filho!”, afirma Doby Flowers. “Sente-se e converse com seu filho. Observe mudanças no comportamento ou sinais de angústia, tais como urinar na cama ou a súbita relutância de ir para a creche.” A vigilância e a educação parentais dos filhos são as melhores armas contra o abuso de menores. — Veja Despertai! de 8 de junho de 1985, “O Abuso Sexual de Crianças — Poderá Proteger Seus Filhos”.
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Creches — a escolha do que é melhor para o seu filho!Despertai! — 1987 | 8 de dezembro
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Creches — a escolha do que é melhor para o seu filho!
A QUESTÃO das creches é complexa. Para muitas famílias, as creches preenchem real necessidade. Ao mesmo tempo, têm-se suscitado perguntas perturbadoras a respeito de seu efeito sobre as crianças. Por conseguinte, os pais precisam enfrentar a realidade de que as creches e congêneres possuem aspectos tanto positivos como negativos, que nem todas as creches e congêneres são de boa qualidade. Deve-se pensar seriamente antes de colocar um filho numa creche ou órgão similar.
‘O Que É Melhor Para os Bebês?’
Por exemplo, é seu filho ainda bebezinho? Há peritos, como o respeitado psicólogo Burton White, que desaconselham fortemente que se coloquem bebezinhos em creches. Declarou ele a Despertai!: “Nos primeiros seis meses de vida, as crianças que melhor se desenvolvem são as que recebem tremenda dose de atenção; as que recebem imediata atenção quando estão desconfortáveis e que participam de muitas brincadeiras engraçadas com alguém que acha que não existe nada de mais importante no mundo do que aquela criança!
“Uma vez a criança passe a engatinhar, aos seis ou sete meses de idade”, prosseguiu o Dr. White, “essa criança precisa então ter pronto acesso a alguém que seja louco por ela! Isso visa facilitar o processo natural de aprendizagem, satisfazer sua curiosidade, aumentar seu entusiasmo, a fim de fazer diversas coisas que entrem no desenvolvimento de um sólido ser humano. A criança não obtém este apoio de outras pessoas que cuidam dela. Raramente uma pessoa, a não ser os pais ou os avós da criança, mostrará tal interesse.”
Um profeta da antiguidade perguntou: “Pode a mulher esquecer-se de seu nenê, de modo a não se apiedar do filho de seu ventre?” (Isaías 49:15) As mães respondem prontamente às exigências do bebê, virtualmente incessantes, de amor e atenção. Será, porém, que uma outra pessoa paga para cuidar do filho — que tem de cuidar de vários bebês que choram por atenção — reagirá do mesmo modo que um genitor? A Bíblia menciona o modo como “a mãe lactante . . . acalenta os seus próprios filhos”. (1 Tessalonicenses 2:7) Embora nem todas as mães possam amamentar ao peito, fazer isso fortalece o vínculo entre a mãe e a criança. Será que o bebê numa creche receberá tais cuidados?
Examine Suas Prioridades
Alguns médicos recomendam, assim, que se adie os cuidados substitutos até que o bebê tenha, pelo menos, quatro meses. O Dr. White, contudo, sugere que os bebezinhos não deviam receber cuidados de outros “senão de uma ocasional babá (baby-sitter) nos primeiros seis meses de vida. Depois disso, não mais de três ou quatro horas por dia de cuidados substitutos de alta qualidade”.
Presumamos que as creches não sejam boas para os bebezinhos. Não transporão os bebezinhos, simplesmente por crescer, quaisquer problemas resultantes disso? O Dr. White fica indignado só de ouvir falar nisso: “Isso é o mesmo que especular. Eu não irei correr tais riscos com meus filhos, e não vou recomendar isso para ninguém.”
Embora muitos estejam inclinados a rejeitar tal posição firme, é difícil desprezar os sentimentos do Dr. White. Todavia, os genitores — e não os pesquisadores — têm de decidir o que é melhor para eles e seus filhos, e, muitas vezes, prevalecem os critérios econômicos. Assim, depois de pesar cuidadosamente todos os fatores envolvidos, alguns talvez ainda decidam utilizar alguma forma de órgão que cuide de crianças. — Veja a página 10.
Alguns talvez estejam em condições de reavaliar suas prioridades. Afinal de contas, as crianças só são bebês uma vez na vida. Passa rapidamente a oportunidade de educar uma criança “desde a infância”. (2 Timóteo 3:15) Se não for prático adiar o serviço secular por alguns anos — ou simplesmente viver com uma renda menor — alguns talvez decidam trabalhar só parte do tempo. Isto permite que os genitores continuem sendo as pessoas que basicamente cuidam de seu filho.
Escolher a Creche
Pode-se confiar criancinhas com segurança a creches? Os pesquisadores estão divididos, embora a maioria concorde que a capacidade de a criança tolerar a separação de seus pais aumenta com a idade. Mais uma vez, os genitores têm de decidir se seu filho se dará bem numa creche ou órgão similar. Se acharem que sim, isto não significa colocá-lo na primeira ‘casa da criança’ ou creche disponível. Doby Flowers, vice-diretora da Agência de Desenvolvimento do Menor, de Nova Iorque, EUA, aconselha: “Escolha com muito cuidado a creche. Que reputação tem a creche (ou centro) na comunidade? São os equipamentos e os brinquedos, ali disponíveis, apropriados para a idade da criança? É a creche bem cuidada e limpa? Quais são as credenciais da equipe?”
Sim, a equipe — e não os equipamentos ou os brinquedos sofisticados — é o ingrediente mais importante dum órgão que cuida de crianças. Assim, visite várias creches e ‘casas das crianças’ e observe pessoalmente a forma como suas funcionárias se relacionam com as crianças — especialmente com seu filho. Pergunte: Quão estável é a equipe? Que espécie de refeições são servidas? De quantas crianças cuida cada funcionária? (Quanto menos, melhor.) Será que as crianças parecem felizes e à vontade? Será que a creche ou ‘casa’ cumpre as exigências locais para funcionamento e segurança? Qual é a rotina diária de atividades?
Saber que dispõe da melhor creche ou órgão similar disponível — e ao seu alcance financeiro — muito pode contribuir para minorar o sentimento desnecessário de culpa.
Aproveitar ao Máximo a Creche
Agora que encontrou uma ‘casa da criança’ ou creche adequada, não comece simplesmente a deixar seu filho ali. Explique-lhe por que ele precisa estar ali. Garanta-lhe que ele não foi abandonado. Facilite seu ajuste à creche, talvez acompanhando-o num certo número de visitas — de crescente duração — à creche ou ‘casa da criança’ antes de deixá-lo ali o dia inteiro. E, quando o deixar ali, pela manhã, aconselha Bernice Spence, diretora duma creche, “não apresse a criança! Tome tempo para acalmá-la, se ela estiver transtornada”.
William e Wendy Dreskin, que já dirigiram uma creche, avisam: “As crianças podem começar a achar que não têm escolha, e se conformam com sua sorte. Talvez parem de expressar seus sentimentos às funcionárias da creche e a seus pais, mas estes sentimentos não evaporaram.” Por conseguinte, deve acompanhar a reação de seu filho à creche. Tome tempo para considerar os acontecimentos do dia dele. Ouça com atenção as queixas dele. (Provérbios 21:13) Esteja alerta aos sinais de angústia, tais como pesadelos ou urinar na cama. “Cada criança reage de forma diferente”, explicou a consultora sobre cuidados infantis Delores Alexander. “E nem todas as crianças se dão bem em centros coletivos.”
Os pais cristãos precisam prestar especial atenção a seus filhos. As Testemunhas de Jeová, por exemplo, rejeitam participar em atividades relacionadas com certos feriados religiosos. Embora se esmerem em ensinar esta posição baseada na Bíblia a seus filhos jovens, é possível que seus filhos em idade pré-escolar não consigam captar plenamente o sentido das questões envolvidas. Eles podem ficar aborrecidos por lhes negarem o prazer de participar em atividades “divertidas”. Os pais cristãos precisam agir, assim, como defensores dos filhos, informando às funcionárias da creche exatamente que atividades são proibidas, e considerar alternativas.a
Eles também cuidam para que seus filhos não adquiram características impiedosas de outras crianças. O livro Escute o Grande Instrutor (editado pela Sociedade Torre de Vigia) tem ajudado muitos pais a instilar apreço pelos princípios bíblicos até mesmo em crianças bem pequenininhas.
Não permita que a creche destrua o vínculo de amor entre você e seu filho. A Bíblia fala a respeito de uma senhora chamada Ana que, embora distante de Samuel, seu filho pequeno, por longos períodos de tempo, manteve amoroso relacionamento com ele. (1 Samuel 2:18, 19) Certamente poderá fazer o mesmo, se fizer uso sábio do tempo precioso que dispõe com seu filho, no fim de cada dia, e nos fins de semana. Deveras, com a devida atenção, esse relacionamento pode florescer!
Mesmo no melhor dos casos, os cuidados substitutos são exatamente isso — meros substitutos dos cuidados da mãe e do pai amorosos. Admitidamente, estão longe de ser o ideal. Até que chegue o prometido novo sistema de Deus, com suas condições ideais, muitos genitores talvez se vejam obrigados a utilizar instituições que oferecem cuidados substitutos. (2 Pedro 3:13; Isaías 65:17-23) Mas se isto acontecer em seu caso, escolha-a com cuidado. Observe de perto como ela influi em seu filho — física, emocional e espiritualmente. Afinal de contas, os filhos são uma herança de Deus. — Salmo 127:3.
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