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  • O sagrado rio Gangá da Índia — por que milhões o adoram?

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  • O sagrado rio Gangá da Índia — por que milhões o adoram?
  • Despertai! — 1989
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g89 22/3 pp. 14-17

O sagrado rio Gangá da Índia — por que milhões o adoram?

Do correspondente de “Despertai!” na Índia

O rio Ganges, ou Gangá, como é conhecido na Índia, tem sido venerado pelos hindus no decorrer da história como o mais sagrado rio do mundo. Durante séculos, milhões de adoradores afluíram para suas margens. Por que será que as pessoas se dirigem para lá? O que estão buscando? Um breve exame do rio neste artigo o ajudará a descobrir a resposta.

NA CIDADE santa de Harduar, próxima aos contrafortes do Himalaia, um reluzente Mercedes-Benz branco anda em ziguezague pelas ruas estreitas. Passa com cuidado por jinriquixás puxados a bicicleta, charretes, lambretas e pedestres. Por fim, perto dos limites da cidade, o veículo pára num local com vista para o rio Gangá.

Embora o rio esteja muito poluído correnteza abaixo, aqui em Harduar, as águas verde-azuladas, recém-chegadas duma jornada descendente pelas montanhas, são um deleite para os olhos. Mas, o carro não veio de tão longe só para um passeio turístico.

A porta do carro se abre, e dele sai uma moderna família indiana, obviamente de bom nível de instrução. À medida que a mãe endireita seu sari escarlate, seus braceletes e colares de ouro reluzem fortemente ao sol. O pai tranca o carro e reúne os filhos, todos vestindo jeans e roupa esporte da moda. Exteriormente, parece haver prosperidade e uma aparente liberdade das ansiedades que afligem os pobres. Contudo, assim como as pessoas de formação muito mais modesta, vieram para adorar a deusa Gangá, esperando tirar proveito de seus poderes.

Perto da sagrada escadaria de banho de Hari Ki Pauri, eles tiram os sapatos e descem os degraus até o rio. Num instante, confundem-se entre a multidão de coloridos saris e outros trajes regionais. Aqui, qualquer dia que seja, pessoas de todos os níveis sociais da Índia, ricas e pobres, dirigem-se para as margens do rio Gangá. São atraídas por uma necessidade espiritual básica, necessidade esta que encontra paralelos no mundo inteiro.

Rituais Sagrados e Devoção Destemida

Na área de banho, os sacerdotes aguardam ansiosamente auxiliar os peregrinos na realização dos rituais de puja (adoração) de Gangá. Oferecem flores e orações salmodiadas. Daí, o sacerdote coloca uma marca, ou tilak, de pasta vermelha ou amarela na testa dos adoradores. A seguir vem uma notável exibição de devoção destemida.

As águas gélidas e impetuosas dum dia de novembro não desanimam os peregrinos. Corajosamente, jovens e idosos entram no frio rio. Apreciando isso como talvez oportunidade única na vida, permitem que as águas do rio Gangá deixem seus corpos dormentes. Até criancinhas, nos braços de pais cautelosos, são mergulhadas na água. Tremendo de frio, porém satisfeitos, os banhistas saem da água para aquecer-se diante de Suria, o deus-sol. Mais tarde, visitarão alguns dos numerosos templos de Harduar, ou talvez irão 26 quilômetros rio acima até Rishikesh. Ali, dezenas de retiros religiosos margeiam o rio Gangá, e estrangeiros afluem a eles para meditar e estudar ioga.

Por volta do anoitecer, os peregrinos retornaram à área de banho para uma ocasião de adoração especial. Famílias e casais chegam com barquinhos rijos feitos de folhas verdes. Nestes são colocados coloridos cravos-de-defunto, perfumadas pétalas de rosas, e uma pequena xícara de barro com um pavio. Um jovem casal retira seus calçados, reza junto, acende o pavio e coloca gentilmente seu barco nas águas impetuosas. Assim como muitos recém-casados, eles devem ter pedido para que Gangá os abençoe com um filho saudável. Depois de fazerem os pedidos, outros igualmente lançam suas pequenas embarcações. Logo a frota de luzes trêmulas cobre a água e é rapidamente levada rio abaixo pela forte correnteza.

Repentinamente, a paz da noitinha é rompida pelo furioso retinir de sinos de templo. O barulho de sinos continua por alguns minutos, enquanto os sacerdotes balançam lâmpadas flamejantes à beira do rio e salmodiam louvores a Gangá. Assim termina mais um dia de adoração e devoção.

“Mamar ao Peito da Mãe”

Inquestionavelmente, o rio Gangá é ímpar entre os rios, mas não devido aos seus atributos físicos. Aproximadamente 30 rios do mundo são mais compridos, e na própria Índia, os rios Bramaputra e Indo são muito maiores. Contudo, de sua humilde origem glacial até seu impetuoso desaguamento na baía de Bengala, o rio Gangá é adorado em todos os seus 2.700 quilômetros de extensão. Um terço dos 800 milhões de habitantes do país mora na bacia do rio Gangá e depende do rio em sentido material para a obtenção de alimento, água e irrigação. Mais do que qualquer outro rio, o Gangá simboliza a Índia.

Portanto, para os hindus crentes Gangá é Gangá Ma, ou Mamãe Ganges. O rio é encarado como mãe fiel que alimenta e purifica seus filhos, tanto em sentido espiritual como físico. Assim, o poeta indiano Tulsidas descreveu Gangá como bhukti mukti dayini, a saber, provisora tanto da salvação como do usufruto material. Beber nela é “como mamar ao peito da mãe”, disse certo devoto. Tais sentimentos refletem a íntima relação entre o rio e seus adoradores. Esse vínculo tem sido tão forte que peregrinos do passado entregavam sem hesitação seu ‘sacrifício vital’ por deliberadamente se afogarem em suas águas.

Este quadro idealístico assume novo caráter e colorido hoje em dia. Serpenteando por entre cidades prósperas, o rio Gangá absorve uma constante invasão de esgotos e substâncias químicas. Certo engenheiro civil, lamentando a situação, comentou: “Os pobres simplesmente defecam no rio, os ricos despejam resíduos industriais e os religiosos lançam cadáveres nele.” Calcula-se que pelo menos dez mil cadáveres são lançados todo dia no rio. Contudo, diariamente na cidade de Varanasi (Benares), banhistas eufóricos mergulham ritualmente na água agora suja e marrom, ignorando os detritos que flutuam nela, provenientes de crematórios próximos dali. Confiantemente, realizam achaman, que é o ato de engolir um pouco da água do rio Gangá como parte da adoração do sol.

“Continuarei a realizar o mergulho sagrado até morrer”, disse um cientista que reside próximo ao rio Gangá. “Mas, toda vez que realizo o achaman . . . , há um tremendo conflito dentro de mim.” Comentando essa declaração, certa revista indiana observou: “Como cientista, o Professor Mishra sabe que a água que está engolindo está contaminada. Mas, Mahant Veerbhadra Mishra não pode deixar de tomar um golinho da água sagrada de Gangá, e talvez não haja melhor exemplo dos sentimentos dos hindus para com Gangá.”

Por que os adoradores hindus são tão devotados a Gangá? Tal devoção pode constituir um enigma para os que não estão familiarizados com o mito de sua origem lendária e os poderes atribuídos às suas águas. Nisso residem os segredos da influência mística de Gangá sobre seu povo.

Descida dos Céus — Por Quê?

A lenda de Gangá é tão primorosamente elaborada quanto qualquer das histórias dos deuses e das deusas hindus. Os pormenores exatos variam, mas, em síntese, a história é a seguinte:

O Rei Sagara tinha 60.000 filhos que foram mortos pelo sábio Capila. Suas almas foram condenadas a vaguear para sempre na terra, a menos que a deusa Gangá descesse do céu para purificá-las e livrá-las da maldição. Em razão da penitência feita por outro rei, Bagirati, Gangá veio à terra e ficou emaranhada nos cabelos do deus Xiva — os picos cobertos de neve do Himalaia. Dali, ela correu para o mar, e suas águas purificaram as almas dos 60.000 filhos do Rei Sagara e restabeleceram-nas ao paraíso.

Nisto reside a resposta do motivo de milhões de pessoas visitarem e adorarem o rio Gangá há séculos. Gangá, de acordo com seus adoradores, tem o poder de libertar, purificar, limpar e curar. Um antigo escrito hindu, O Brahmandapurana, declara: “Os que se banham devotadamente uma vez nas correntes puras de Gangá, suas tribos são protegidas por Ela contra centenas de milhares de perigos. Males acumulados no decorrer de gerações são destruídos. Só por banhar-se no Gangá a pessoa é imediatamente purificada.” Ademais, alega-se que se atinge a imortalidade por se beber da água do rio Gangá. Pensa-se que morrer junto ao rio Gangá, ser cremado em suas margens, e serem as cinzas da pessoa lançadas no rio conduz à bem-aventurança eterna. Alega-se que a alma que muitos crêem ser imortal é libertada do ciclo de renascimentos, de modo que possa finalmente descansar, fundindo-se com a própria essência de deus.

Aproxima-se a Cura Para Todas as Nações

O desejo de purificação e libertação do sofrimento parece ser básico para os humanos em toda parte. Em outras regiões do mundo, busca-se tal salvação, ou mukti, de outras formas. Alguns talvez confessem seus pecados a um intercessor, tal como a um sacerdote, a fim de receber perdão, e depois façam a penitência exigida. Outros acham que mediante orações, leitura de escrituras sagrada, sacrifícios, doação de presentes e esmolas, ou um espírito de sacrifício, o homem pode ser purgado de seus erros e receber bênçãos após a morte. Mas, diante de tais idéias conflitantes, há alguma forma segura de encontrar o livramento do pecado e da morte?

É interessante que um antigo livro de escritos sagrados, a Bíblia, também fala da purificação espiritual e da cura da humanidade com relação a um rio. O profeta e escritor João visionou “ali rio de água da vida” que procedia do trono de Deus. Em lugar de banhistas, havia ao longo de suas margens abundantes árvores frutíferas “para a cura das nações”. — Revelação 22:1, 2.

Simbolicamente, a Bíblia fala aqui da maravilhosa provisão feita pelo Criador para libertar para sempre a humanidade do pecado e da morte, e prover vida eterna. Sob tal provisão, multidões que se banharam nas águas do rio Gangá junto com milhões que nunca viram o rio Gangá terão a oportunidade de ser purificados do pecado e libertados da morte no futuro bem próximo.a

[Nota(s) de rodapé]

a Veja o folheto intitulado Victory Over Death — Is It Possible for You? (Vitória Sobre a Morte — é Possível Para Você?), publicado e distribuído pelos editores desta revista.

[Foto na página 15]

Entre os numerosos templos e santuários, pessoas de todo tipo vêm banhar-se no rio Gangá.

[Foto na página 15]

À beira do rio, um sacerdote auxilia uma senhora nos rituais de puja, ou adoração, de Gangá.

[Foto na página 16]

Um panteão de deuses e deusas hindus num dos muitos templos de Harduar.

[Foto na página 17]

Uma jovem senhora prepara-se para lançar seu barco de folha no rio Gangá.

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