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  • Em perigo a vida selvagem incomum
  • Despertai! — 1978
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Despertai! — 1978
g78 8/11 pp. 24-28

Em perigo a vida selvagem incomum

Do correspondente de “Despertai!” em Papua Nova Guiné

GOSTARIA de participar de fascinante excursão tropical para ver a vida selvagem de Papua Nova Guiné? Gostaria muito? Ótimo! Mas precisará ter algumas informações de fundo, antes de começarmos.

Situada ao norte da Austrália e pouco abaixo do equador, Papua Nova Guiné é um grupo de ilhas que os exploradores e missionários têm chamado de selvagens e perigosas. Para o conservacionista, o local é primevo e excitante. Todavia, há algumas espécies de sua vida selvagem incomum que correm perigo, atualmente.

As florestas tropicais destas ilhas fornecem o habitat secluso de muitas espécies das deslumbrantemente emplumadas aves-do-paraíso. Na ilha de Nova Bretanha, fontes termais vulcânicas suprem o sistema natural de aquecimento subterrâneo para a incubação dos ovos dos incomuns megápodes, aves de grandes pés. Nas florestas tropicais dos baixios de Papua, raras borboletas papilionídeas adejam entre árvores cobertas de plantas rastejantes.

Durante séculos, os indígenas, de pele escura, armados de arcos e flechas, espreitam sua presa aqui. Eles flecham e colocam engenhosas armadilhas para aves e animais, que prezam como alimento, para troca e ornamentação pessoal.

Ao percorrer as densas selvas tropicais, ficará pasmo diante da completa ausência de animais predadores, como tigres ou leopardos. E, ao sair da selva e chegar às clareiras habitadas das aldeias, notará notável ausência de animais domésticos de carga, tais como cavalos e mulas.

Em Perigo a Vida Selvagem

O perigo para a vida selvagem não é evidente enquanto está na selva. No entanto, os conservacionistas aprenderam que, se não forem tomadas prontamente medidas protetoras, com a explosão demográfica e o acelerado desenvolvimento industrial, mais cedo ou mais tarde não haverá nenhuma vida selvagem a poupar. Portanto, apelou-se ao Fundo Mundial da Vida Selvagem para que ajudasse na implantação inicial de medidas conservacionistas neste país em desenvolvimento.

Os principais perigos para a vida selvagem em Papua Nova Guiné são (1) o decrescente habitat, (2) a caça e (3) a poluição. A população nativa do país, segundo se espera, deve dobrar em 1985. Por isso, há crescente pressão para o desmatamento, para o cultivo e a indústria. Também, há grande demanda de peles de animais e penas de aves, que desempenham importante papel na economia e nos costumes folclóricos dos aldeões. Isto faz com que a ampla substituição do arco e da flecha pelo rifle constitua verdadeiro perigo para a vida de muitas aves e animais atraentes.

Talvez, a maior causa do decrescente habitat animal seja o escalonamento do poder tecnológico, ao passo que o desenvolvimento econômico também está sendo acelerado. Áreas de florestas virgens isoladas, recentemente consideradas invioladas à penetração humana, são agora sede de extensos projetos madeireiros, de prospecção mineral e de gigantesca mineração de cobre, que poluem os rios adjacentes. Adicionalmente, gigantescos projetos hidrelétricos devem fornecer energia para indústrias pesadas que envenenarão a terra, a água e a atmosfera. Sim, centenas de milhares de hectares do habitat da vida selvagem foram destinados à devastação, quer por extensivo desmatamento quer pelo transtorno do equilíbrio ecológico.

Aves-do-paraíso

Dispondo destas informações de fundo, estamos agora prontos a iniciar nossa excursão por uma floresta tropical num altiplano, lar da ave-do-paraíso. Ao andarmos cautelosamente pela trilha batida, suponhamos que conversemos um pouco sobre alguns membros da família de aves chamada Paradisaeidae. Sua plumagem requintadamente colorida e seus costumes de acasalamento não são ultrapassados por nenhuma outra espécie avícola. Dentre as 42 espécies conhecidas, 36 são exclusivas de Papua Nova Guiné. Algumas das espécies mais conhecidas são chamadas Raggiana, azul, magnífica, doze-filamentos e soberba — todas sendo aves-do-paraíso. Incidentalmente, nas condições do seu santuário, é possível ensinar a uma ave-do-paraíso a falar como um papagaio.

E. Thomas Gillard, bem conhecido ornitólogo, pintou vívida descrição das aves-do-paraíso. Contou-nos que, segundo sua espécie, tais aves se adornam de plumas em padrões rendados, ou em forma de saiotes, chicotes, pelerines, fios torcidos, como esmalte, ou leques ampliáveis eréteis. Algumas possuem caudas como sabres, e manchas de plumagem iridescente. Tais aves também possuem outros ornamentos — bocas de cor de jade ou de opala, zonas nuas, brilhantes da pele, e barbelas como nozes. Os lindos movimentos de dança destas aves também contribuem para que se pareçam mais um adorno do que uma ave viva.

A espécie de ave-do-paraíso conhecida como soberba tem cerca do tamanho duma pomba. Ao cortejar, o macho abre seu bico amplamente, de modo que seu interior amarelo-brilhante realce surpreendente contraste com sua plumagem preto-escura, o verde vívido de sua cabeça e o verde-púrpura iridescente de sua mancha peitoral. Esta ave tem dois tufos de penas negras na base de seu bico.

Psit! Fique bem quietinho. Vê aquela árvore alta? É a árvore de exibição da ave-do-paraíso. Olhe só para aquele ramo. Pode ver aquela ave deslumbrante? Observe-a dançando sobre o ramo, para o benefício da fêmea. Subitamente, o macho pára e fica rígido, exibindo suas longas cascatas rendadas de plumagem.

Outras espécies possuem suas próprias danças fascinantes. Algumas ficam penduradas pelos pés, sob os ramos de suas árvores de exibição, em oscilantes massas bruxuleantes. Certos machos dançam no solo, imobilizando-se e girando de forma alternada, de modo que suas penas circulares pareçam saiotes estendidos de bailarinas.

Sem dúvida ficará triste de saber que milhares destas aves incomuns não irão viver todo o seu período natural de vida. Mostra-se surpreso? Fica imaginando a razão?

Bem, as peles e plumagens das aves-do-paraíso têm alto valor perante os nativos. Com a imposição de leis de proteção à fauna, virtualmente cessou o extensivo comércio de plumagens. No entanto, ainda existe ampla matança. Como vê, os indígenas dos altiplanos prezam as plumas para a decoração de cocares cerimoniais.

Nos anos recentes, os indígenas têm sido incentivados a se reunir anualmente nos povoados de Goroca e Mte. Hagen. Ali pode vê-los dançar em grande número, em festas chamadas “Sing Sings”. Em tais ocasiões, dá-se grande ênfase aos trajes, e um número quase inacreditável de plumas de aves-do-paraíso é exibido na cabeça dos indígenas, ao competirem uns com os outros.

Tais espetáculos podem estar influindo no número local de aves-do-paraíso, pois os nativos fazem grandes esforços de obter este lindo traje masculino. Na atualidade, um visitante raramente consegue ver os machos resplandecentes das aves-do-paraíso, exceto a sua plumagem na cabeça dos nativos.

Lá na aldeia, observamos como são valorizadas as plumas da ave-do-paraíso. Os donos as estocam cuidadosamente em bambus vedados. Antes duma dança tribal, um rapaz gasta horas para se vestir. Daí, subitamente, irrompe na pista de dança sob um bruxuleante cocar, digno dum imperador. O cocar contém as plumas de uma dúzia ou mais machos da ave-do-paraíso, de cerca de seis diferentes espécies. Quando cerca de 50 homens se reúnem numa dança, as plumagens balouçantes os fazem parecer estar em fogo.

O Megápode

A próxima parte de nossa excursão envolve uma jornada aérea de duas horas até a ilha de Nova Bretanha, ao norte. Logo chegamos à área do Cabo Hoskins, com suas fontes termais sulfurosas. Estas são o local dos ninhos de ovos dum tipo ímpar de megápode, ou ave do jângal, que pertence à família de aves selvagens chamada Megapodius freycinet. Incidentalmente, megápode significa “pés grandes”.

Que área descampada e desolada temos diante de nós! Água quente jorra de gêiseres fumegantes, e profundos buracos reverberam com o som da lama fervente. Sim, há enorme quantidade de calor subterrâneo para aquecer os tubos de incubação construídos pelas fêmeas. À beira da área de fontes termais, podemos ver a floresta em que os megápodes se acasalam.

Olhe aquela ave marrom-lânguido, galinácea, ciscando a terra quente sob aquela árvore. Veja como abre um túnel com seus pés grandes, penetrando no solo vulcanicamente aquecido. Ela cavará seis ou sete túneis perto uns dos outros, e que vão até a 1,20 metros abaixo da superfície. Daí, porá cerca de 10 ovos em cada túnel. Por fim, ela encherá os túneis com terra e deixará ali os ovos, para serem incubados. Este será o fim de seu papel na reprodução de seus filhotes.

O que, então, acontece aos filhotes? Trata-se de outra caraterística incomum do megápode. Dentro de seis a nove semanas, os filhotes estarão chocados e então abrirão seu caminho até à superfície do solo e correrão para o mato. Estarão bem desenvolvidos, já cobertos de penas e sendo capazes de voar em questão de 24 horas. Sim, serão capazes de cuidar de si mesmos, desde o tempo em que emergem de suas incubadoras subterrâneas!

Os ecólogos estudiosos da vida selvagem se preocupam que estas aves incomuns estejam em perigo de desaparecer. Por quê? Empresas compraram os direitos de cortar madeira em grandes áreas das florestas circundantes. Visto que tais florestas constituem o habitat destas aves selvagens, o extensivo desmatamento põe em perigo esta interessante espécie.

Borboleta Papilionídea

Agora, para a parte final de nossa excursão, viajamos até o lar duma espécie rara de borboleta papilionídea, conhecida como Ornithoptera alexandrae. Voamos para o sul, para as selvas tropicais que cercam o povoado de Popondetta, em Papua oriental.

Sim, a borboleta papilionídea ou de asa de ave é, deveras, uma criatura de beleza ímpar. Deriva seu nome do grande tamanho e lenta batida rítmica de suas asas. Também possui um modo caraterístico de planar em vôo. Com efeito, a O. alexandrae é a maior espécie de borboleta do mundo. Já se viram fêmeas com asas de uma envergadura de até 25 centímetros. Esta borboleta é encontrada exclusivamente nestas florestas.

Ao palmilharmos esta trilha da selva quente e úmida, conserve seus olhos bem abertos. Ali está! Veja aquela enorme borboleta planando bem alto entre as árvores. Observe-a ao descer instintivamente, a fim de pousar sobre aquela trepadeira aristoloquiácea conhecida como cachimbo-holandês. Essa espécie de trepadeira é essencial ao ciclo reprodutivo da O. alexandrae. As lagartas que se desenvolvem dos ovos das borboletas se alimentam vorazmente das folhas. Daí, tais criaturas se transformam em brilhantes crisálidas que ficam penduradas nas folhas. Por fim, emerge outra geração de lindas borboletas O. alexandrae.

Aqui há um grande espécime macho. Suas asas têm cerca de 20 centímetros de envergadura. Observe o padrão de grandes veios que separam as grandes manchas azuis, verdes e amarelo-douradas. O corpo deste inseto é preto e amarelo, com tufos de pêlos vermelhos pouco abaixo da cabeça. Que prazer é contemplá-lo.

Graças a seu tamanho, beleza e raridade, a O. alexandrae é altamente prezada pelos ricos colecionadores em todo o mundo. Dispõem-se a pagar altos preços aos nativos por bons espécimes. O resultado é que, muito embora haja uma lei protetora que impõe pesada multa, a caça ilegal e o comércio sub-reptício continuam. No entanto, o que coloca mais estas incomuns criaturas viventes em perigo de extinção é a ameaça da destruição do seu habitat, mediante o desmatamento para fins agrícolas.

Aqui termina nossa excursão pela vida selvagem. Esperamos que a tenha apreciado. Provavelmente, partilha da minha preocupação quanto à vida selvagem que se acha agora em perigo. Mas esteja seguro de que o Grandioso Criador destas aves e borboletas fascinantes logo cumprirá Sua promessa de restaurar a terra a um paraíso. Então, todas as formas de vida selvagem não mais serão incomodadas em seus habitais naturais.

[Foto na página 25]

ave-do-paraíso

[Foto na página 26]

megápode

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