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  • A promessa da energia solar
    Despertai! — 1980 | 8 de agosto
    • A promessa da energia solar

      Uma série de espelhos se focaliza num ponto focal numa “torre energética” de 61 metros. Isso é capaz de gerar calor de mais de 1.000 sóis, atingindo temperaturas de 2300 graus C.

      NUMA era de escassez energética, não passou despercebido que o sol é inesgotável fonte de energia, espargindo sua luz e seu calor beneficentes sobre toda a terra habitada. Mantém a terra numa confortável temperatura média. Fornece energia para o crescimento das plantas, e, assim, para toda a vida. Tais benefícios são tão óbvios que muitos os consideram banais.

      Mas viemos a depender de outras formas de energia para muitos fins em que não empregamos diretamente a radiação solar. Caso outras fontes energéticas se reduzam ou falhem, seria possível aquecer nossas casas e fábricas com os raios solares? Poderíamos transformar de algum modo os raios do sol para que fornecessem eletricidade para nossas lâmpadas, para que movessem nossos motores, e para nossos rádios e televisores? Poderíamos armazenar a energia solar em tanques, servindo de combustível para nossos carros e aviões?

      Tais possibilidades estão agora sendo seriamente consideradas. Em muitos laboratórios, há cientistas que realizam pesquisas básicas sobre modos de utilizar a energia solar. Não resta dúvida de que existe tal potencial. A radiação solar que cai sobre uma área quadrada de apenas 26 quilômetros de cada lado no Arizona, EUA, transporta energia igual à gerada por todas as usinas geradores de eletricidade nos EUA. Quais, então, são os problemas?

      O primeiro problema confrontado é que a luz solar é inerentemente difusa. Qualquer coletor de tamanho limitado recebe relativamente pouca energia. Mas mesmo essa energia difusa basta para alguns fins. Edifícios construídos para permitir a entrada da luz solar podem captar bastante calor de forma a poupar grande parte do combustível necessário para seu aquecimento. Pode-se aquecer, em tanques no teto, água suficiente para banhos, para lavar louça, ou para lavar roupas.

      Outra limitação inerente à energia solar é que nem sempre se apresenta quando precisamos dela. É desligada ao pôr-do-sol. As nuvens, também, desligam a energia solar. A intensidade da luz solar, o número de horas de luz do dia, e a quantidade de tempo nublado variam, conforme a altitude e as estações. Para muitos fins, a aceitação da energia solar dependerá de encontrarmos meios de estocar a energia enquanto o sol brilha, e usá-la à noite e nos dias nublados.

      Um meio simples de estocar a energia solar é aquecer água durante o dia e mantê-la em tanques insulados para ser usada à noite. A água quente pode também circular por radiadores para aquecer a casa. Em mau tempo, tal sistema teria de ser suplementado por outra fonte. Mas, como sistema auxiliar de aquecimento, já está sendo utilizado para reduzir a necessidade de gás ou de eletricidade.

      Meios mais sofisticados de utilização da energia solar vão além desta aplicação elementar. Pela concentração dos raios solares, é possível atingir temperaturas muito mais elevadas. Quem já não tentou a experiência de colocar um pedaço de papel sob uma lente de aumento, no foco dos raios solares, e observá-lo começar a arder e transformar-se em chamas? Este princípio é aplicado em grande escala, usando-se espelhos côncavos para concentrar os raios do sol a ponto de se tornarem um calor ofuscantemente branco sobre pequena área, bastante quente para derreter os materiais mais refratários. Em um forno solar assim, no sul da França, uma caldeira montada no ponto focal é usada para gerar eletricidade suprida à rede nacional de energia. O fabricante oferece vender usinas de energia solar com a capacidade de 1.000 quilowatts.

      Um sistema mais elaborado desta espécie foi construído próximo de Albuquerque, Novo México, a fim de estudar seu potencial econômico para usinas de energia operacionais. Uma série de espelhos se focalizam num ponto duma “torre energética” de 61 metros. Cada espelho é um quadrado de 1,20 metro de cada lado, e 25 deles são montados num painel quadrado sobre um “helióstato”. À medida que o sol se move através do céu, o helióstato precisa curvar-se em sincronismo com o movimento do sol, a fim de conservar sobre o alvo seu raio refletido. Há 222 de tais helióstatos dispostos num campo triangular ao norte da torre. Um computador guia cada um separadamente, segundo sua distância e direção.

      Quando focalizados conjuntamente na torre, toda a luz solar em 0,8 hectare se concentra numa área de cerca de meio metro quadrado. O calor de mais de mil sóis atinge uma temperatura de 2.300 graus C. Nos primeiros testes, os raios dos helióstatos abriram rapidamente um buraco numa placa de aço.

      Depois dos testes com uma caldeira de água na torre, planeja-se construir uma usina de energia solar de 10.000 quilowatts, em Barstow, Califórnia, EUA, onde poderá ser ligada à rede energética do sul da Califórnia, talvez já em 1981.

      Eletricidade Gerada Pela Luz Solar

      No ínterim, outros cientistas se empenham no sentido do alvo de maior alcance, a conversão da luz solar diretamente em eletricidade. Este próprio princípio não é novo. Já por muitos anos utilizamos aparelhos baseados no efeito fotoelétrico. À guisa de exemplo, uma fotocélula numa câmara mostra a correta abertura das lentes a ser usada segundo o brilho do cenário diante dela. A luz gera diminuta corrente elétrica, que move uma agulha num mostrador. A ampliação disto a ponto de se obter uma corrente suficiente para a realização dum trabalho útil é formidável empreendimento mas é um que oferece grandes recompensas.

      Como pode a luz gerar eletricidade numa fotocélula? O segredo jaz no uso de um semicondutor. Um elemento que é um bom condutor, como são a maioria dos metais, possui seus elétrons frouxamente ligados aos átomos. Eles se movem livremente para transportar uma corrente. Nos insuladores, os elétrons acham-se rigidamente presos em suas órbitas, e não estão livres para movimentar-se. Os semicondutores são o meio-termo; os elétrons estão presos, mas não tão rigidamente, de modo que basta pequeno empurrão para libertá-los e permitir que se movimentem de um lado para o outro.

      O silício puro é um condutor pobre. No entanto, leves quantidades de impurezas o tornam um condutor bem melhor. Por exemplo, um vestígio dum elemento como o arsênico, que possui cinco elétrons externos, um mais do que os quatro do silício, supre elétrons livres ao cristal. Ou um pouco de boro, que só tem três elétrons externos, provoca uma deficiência. Os elétrons que faltam são chamados de buracos. Outro elétron pode facilmente saltar para um buraco dum átomo adjacente, dando-lhe o mesmo efeito como se o buraco se estivesse movendo, e fluindo uma corrente positiva.

      O primeiro tipo de silício impuro é chamado de silício dopado do tipo-n, porque possui excessivos elétrons (negativos). O segundo tipo é chamado dopado do tipo-p, porque possui excessivos buracos (positivos). Se estes dois tipos de silício forem colocados face a face, formam uma junção n-p. Os elétrons só fluem numa única direção através desta junção. Esta é a base do transistor, que substituiu as grandes válvulas a vácuo de outrora pelos diminutos chips de silício da atualidade.

      Suponhamos agora que tomemos duas folhas, uma de cada silício n e p, e as coloquemos juntas. Ao invés do chip de transistor, temos agora uma célula voltaica solar. Se esta for exposta ao sol, a energia nos fótons, os bolsões individuais de luz solar, é absorvida e serve para liberar elétrons dos átomos de silício. Se os dois lados da célula forem ligados, para formar um circuito, os elétrons fluirão do lado n para o p. Esta corrente elétrica pode ser posta em operação. É eletricidade gerada pela luz solar.

      Nem toda a energia da luz solar pode ser recuperada como eletricidade. A energia num fóton de luz solar varia de 1,5 a 3 elétrons-volts, assim como as cores variam do vermelho ao violeta. Mas é preciso apenas 1 elétron-volt para liberar o elétron no cristal de silício, de modo que o resto da energia é perdida como calor. A eficiência máxima, teórica, de uma única célula de silício é de cerca de 22 por cento. As células mais eficientes realmente fabricadas até agora só são cerca de 15 por cento eficientes. Espera-se que, pela combinação de diferentes tipos de elementos de semicondutores, em várias camadas, possa-se obter um máximo de 50 por cento de conversão da luz solar em energia.

      Aplicações das Células Solares

      As células solares elétricas já encontraram importante lugar na tecnologia moderna, sendo usadas para fornecer energia aos veículos espaciais. São ideais para tal aplicação. Na viagem interplanetária, ficam expostas todo o tempo à plena luz solar (em órbita, mais da metade do tempo). As nuvens não ficam no caminho, e não são afligidas pela chuva ou pelo vento. Seu custo é absorvido nos orçamentos da pesquisa espacial.

      Assim, verificamos que a modalidade mais notável da silhueta do Skylab, ou das naves Vikings que foram até Marte, são os grandes painéis solares que se estendem deles. As células solares provaram-se fidedignas e duráveis. A usina geradora de energia da nave orbital Viking ainda produzia 600 watts dois anos depois de sua chegada a Marte. Seu desempenho nesta tarefa exigente por certo a recomenda. O cuidado meticuloso e o custo extravagante da fabricação das células solares para se garantir tal perfeição bem que pode ser assumido por uma nave Viking. Mas seu custo atual terá de ser reduzido para menos de uma vigésima parte a fim de torná-las economicamente atraentes para gerar energia elétrica na terra. Isto parece colocar a perspectiva da energia elétrica solar no futuro bem distante, mas as tremendas reduções de custos que foram conseguidas em outros instrumentos semicondutores nos dão esperança de um êxito antecipado. Os funcionários de muitos laboratórios buscam ativamente fazer pesquisas no sentido de obterem processos automáticos para baratear as células solares. Os apoiadores entusiásticos afirmam que o sol poderia estar suprindo 20 por cento da energia necessária aos EUA por volta do ano 2000.

      A energia elétrica solar possui uma caraterística que a distingue nitidamente dos muitos outros modos de produzir eletricidade. Ela é inerentemente modular. Isto é, a unidade básica de produção é um único módulo pequeno. Para se obter mais energia, apenas se juntam mais módulos. Isto não se dá com a eletricidade gerada pelo vapor. É preciso uma grande usina para gerar energia mais barata pela queima de óleo ou de carvão. Isto também se dá com a energia nuclear, e será ululantemente veraz quanto à energia gerada pela fusão. Mas a eletricidade gerada pelo sol promete ser tão barata nas usinas pequenas quanto nas grandes.

      Isto suscita uma pergunta provocante: Seria possível pôr fim às extensas redes de energia que são essenciais no atual sistema? Talvez a usina de força do futuro seja mais um projeto comunitário ou da vizinhança, ou até mesmo adaptado às moradias isoladas. Tal idéia é perturbadora para aqueles que organizaram a produção da eletricidade em torno de enormes redes regionais, ou até mesmo nacionais. É compreensível que os líderes industriais que sentem uma ameaça a seus amplos investimentos no atual sistema não se mostrem entusiasmados em apoiar tão radical inovação. Caso tais pessoas não procrastinassem, afirmam alguns, a energia solar poderia ser desenvolvida com maior rapidez.

      Outras vantagens da eletricidade solar direta são claramente atraentes. Será limpa, silenciosa e confiável. Não existem partes móveis e nada a desgastar-se. É simples de usar. Não causa nenhuma poluição. Seu fornecimento de energia é livre e tão renovável quanto a luz solar de um dia para o outro. Será de admirar que a promessa de tal fonte energética suscite proponentes que exigem que todo esforço se volte em direção à sua pronta realização?

  • Energia da chuva e do vento
    Despertai! — 1980 | 8 de agosto
    • Energia da chuva e do vento

      ALÉM dos métodos diretos de aproveitamento da energia solar, há muitos meios de aproveitá-la indiretamente. Tem-se usado há mais de 1.000 anos a água corrente para mover moinhos de moer cereais, engrossar tecidos, erguer água, e muitos outros fins. A água é transportada novamente do mar para as cabeceiras das correntes pelos processos naturais de evaporação e da chuva, todos eles movidos pela radiação solar. Assim, é uma fonte continuamente renovável e confiável, ano após ano.

      O represamento de grandes e pequenos rios forneceu o meio para um suprimento contínuo de energia em todas as estações, para a geração de energia hidrelétrica. Em alguns países, a água corrente é tão abundante que é a fonte mais importante de energia. A Noruega obtém quase toda sua energia elétrica da água que cai. Mas mundialmente, em comparação com outras fontes energéticas, é menos importante. Apenas cerca de 5 por cento do consumo total de energia por parte da humanidade é de origem hidrelétrica. Em muitas partes do mundo, já se aproveita grande parte da energia potencial da água, e não se pode aproveitá-la muito mais para saciar a crescente demanda energética.

      O moinho de vento é outra forma milenar de se tirar energia do meio ambiente. Esta também depende do sol, porque ele cria o tempo e as diferenças climáticas que determinam para onde e com que força o vento sopra.

      Os moinhos de vento costumavam ser um marco familiar em muitas partes do mundo. Os pitorescos moinhos de vento dos Países-Baixos retiravam a água dos baixios, fechados por diques. No século 18, também supriam energia para serrarias, mós e para prósperos centros industriais. Milhões de moinhos de vento certa vez pontilhavam as planícies da parte central e ocidental dos Estados Unidos. Eram usados mormente para bombear água de poços, bem como qual fonte de energia elétrica. No século 20, os moinhos de vento foram grandemente substituídos por motores a gasolina.

      Mas agora, perdendo o petróleo sua posição de domínio, a energia eólica esforça-se de recuperar sua popularidade. O que dá ímpeto aos interesses renovados nela é a compreensão de que o potencial do vento é muito maior do que outrora se cria. Certo cientista da Universidade da Califórnia, EUA, afirma, numa recente comunicação, que, numa base mundial, as necessidades totais de energia por parte do homem poderiam ser supridas 20 vezes mais pela energia somente do vento. Mesmo nos Estados Unidos, caso se explorassem plenamente os recursos eólicos, haveria o bastante para suprir 75 por cento da energia agora utilizada. Em muitas localidades, a energia eólica é, em média, quase que idêntica à solar.

      Existe grande variedade na forma das máquinas projetadas e testadas para captar a energia eólica. Há hélices de duas ou três lâminas, montadas no que se parece a um aviãozinho sem asas, no topo de uma torre alta. Tal máquina, com lâminas de 19 metros, gera agora até 200 quilowatts, o bastante para um sexto das 1.300 casas em Clayton, Novo México, EUA, quando o vento sopra — o que faz 90 por cento do tempo. Em 1978, tal energia custava três vezes mais que a energia do petróleo, porém máquinas maiores e sua produção em massa, segundo se espera, reduzirão o custo, ao passo que o petróleo se torna rapidamente ainda mais caro.

      Máquinas similares são testadas em vários lugares, e um gerador de 2.000 quilowatts, o maior até agora, foi construído no topo dum monte próximo de Boone, na Carolina do Norte, EUA. Um grupo de moinhos de vento será erguido numa garganta montanhosa e ventosa na Califórnia central, EUA, por uma firma particular. Se for um sucesso econômico, centenas de outros serão erguidos em lugares estratégicos.

      Outro tipo de moinho de vento tem lâminas curvas ligadas no topo e no fundo dum eixo vertical. Sua aparência é algo parecido a gigantesco batedor de ovos. Não precisa girar ao sabor do vento. Como se dá com outros tipos, funciona acima de certa velocidade mínima do vento, usualmente de 13 quilômetros horários, e pode ser desligado para impedir que sofra danos quando o vento sopra muito veloz.

      Outra máquina não convencional tem uma torre cilíndrica estacionária, com aberturas verticais tipo venezianas de todos os lados. Estas são abertas em certo ângulo a barlavento da torre e fechadas a sotavento. O vento que entra na torre é orientado para circular em espiral ascendente, formando um tornado em miniatura. A pressão baixa no centro atrai o ar do fundo através de uma turbina de lâminas relativamente pequenas, e que gira a alta velocidade.

      Ainda outros projetos estão sendo inventados e desenvolvidos. O campo acha-se aberto para idéias inovadoras sobre como obter eletricidade do vento, e ninguém pode agora predizer qual delas finalmente produzirá a energia mais barata. Assim, faz-se vigorosa pesquisa sobre muitos projetos competidores.

      Um fator a ser pesado ao se comparar a energia eólica com outras fontes é o estético. Um ocasional moinho de vento pode ser considerado pitoresco, mas longas fileiras de moinhos de vento poderiam desfigurar o panorama. Existem também preocupações de que poderiam interferir com a recepção local da televisão.

      A atual perspectiva é que a energia eólica retorne pelo menos à sua importância anterior, e, provavelmente, compartilhe ainda mais o quadro energético. Segundo várias estimativas, entre um e 10 por cento da energia nos EUA poderiam ser supridos pelo vento já no ano 2000.

      Nivelando Picos e Vales

      Quando o sol não está brilhando, ou quando o vento se amaina, a energia gerada por qualquer aparelho que dependa deles não é mais gerada. Se isto for um acréscimo de outro sistema energético, digamos, de uma hidrelétrica ou duma usina movida a carvão, esta variabilidade não constitui problema. Os operadores simplesmente ajustarão a produção dos geradores principais para compensar a variável energia solar ou eólica, do mesmo modo que fazem para controlar as demandas variáveis durante o dia.

      Para alguns fins, a energia solar poderia ser usada por si mesma numa base de “aproveitar enquanto é tempo”. Caso seja usada para bombear água para um reservatório, ou na fabricação eletroquímica de alumínio, ou na produção de hidrogênio, as operações poderiam processar-se enquanto o sol brilha, e encerrar-se quando não mais brilhasse.

      Mas, para muitas utilizações, é preciso que haja algum meio de estocagem de energia. A eletricidade pode ser estocada em baterias, como há muito temos feito nos nossos carros. No entanto, o número e o volume dos elementos comuns de bateria de ácido e chumbo necessários para suprir as necessidades energéticas de uma casa mediana seriam desajeitados e onerosos. Felizmente, a pesquisa recente dá promessas de novos tipos de baterias de eletrólitos sólidos que possam estocar grandes quantidades de energia elétrica num pequeno volume.

      Se tais baterias se tornarem realidade, os carros elétricos serão muito mais práticos do que são hoje. O motorista manteria seu carro ligado na tomada de energia em sua casa, ou no estacionamento do local onde trabalha ou faz compras. Com os aprimoramentos das células solares, bem como das baterias, talvez se torne prático montar painéis solares sobre a capota do carro, para carregar as baterias enquanto o carro anda, bem como enquanto está estacionado. Tal carro está sendo testado agora na Flórida, EUA. Um inventor empreendedor na Califórnia, EUA, até mesmo ligou uma bateria a células solares montadas sobre as asas dum avião leve, e demonstrou que ele conseguia voar movido pela energia solar.

      Para as usinas de força maiores, talvez seja mais prático converter a energia em outras formas de estocagem. Por exemplo, a energia em excesso, gerada nos dias ensolarados, ou quando sopra o vento, poderia ser usada para bombear água para um reservatório elevado. Daí, por se inverter o fluxo, a energia poderia ser usada à noite ou durante um período de calmaria. Outra proposta é bombear o ar sob pressão para espaços naturais subterrâneos. Ou a energia mecânica poderia ser estocada no ímpeto de gigantescos volantes. Tal diversidade de idéias indica que haverá mudanças nos modos como utilizamos a energia, caso a energia solar e eólica se tornem comuns.

      Luz Solar Represada

      A produção fotoquímica de combustíveis pela luz solar é outra forma de se utilizar a energia solar. Um processo natural desta espécie é a fotossíntese. As plantas verdes utilizam a luz solar para fabricar compostos ricos em energia como os carboidratos. O uso mais primitivo da energia solar por parte do homem era a queima de lenha para cozinhar seu alimento e aquecer seu domicílio.

      Através da fermentação, outro processo natural, pode-se fabricar álcool à base de muitas plantas, e extraí-lo para ser usado como combustível. De 10 a 20 por cento de álcool podem ser misturados à gasolina nos carros, sem se alterar seu motor. Podem-se também adaptar os motores para queimar álcool puro. Até agora, o álcool tem sido mais caro que a gasolina, mas o quadro está mudando, e os motoristas têm começado a usar, nos EUA, uma mistura chamada de gasohol, e o Brasil já usa combustível com mistura ainda maior de álcool. O Brasil empreende intenso programa de produção do álcool, visando tornar-se independente das importações de petróleo. Para a produção comercial, estão sendo estudados vários tipos de plantas que crescem rapidamente, em busca de processos mais econômicos. Tais métodos de utilização da energia solar são classificados sob o termo de exploração da “biomassa”.

      Alguns cientistas, com olhos postos no futuro, gostariam de utilizar a luz solar para decompor a água diretamente em hidrogênio e oxigênio. Naturalmente, isto pode ser feito pela decomposição eletrolítica, mas eles procuram um método fotoquímico. O que é necessário é um catalisador apropriado para essa reação, algo que funcione do modo em que a clorofila serve para produzir açúcar a partir da água e do bióxido de carbono. Se puder ser encontrado, o hidrogênio comprimido poderá vir a ser usado como um combustível para automóveis no futuro.

      Combustíveis tais como o álcool, ou o hidrogênio, produzidos pela luz solar, têm grande vantagem sobre os hidrocarbonetos. Não poluem o meio ambiente. Ademais, não perturbam o equilíbrio do bióxido de carbono na natureza, como o fazem os combustíveis fósseis, porque as reservas de cada ano seguem um ciclo, sendo retiradas da atmosfera e retornando a ela.

      [Destaque na página 10]

      Certo cientista afirma que as necessidades totais de energia por parte do homem poderiam ser supridas 20 vezes mais pelo vento.

      [Destaque na página 10]

      Em algumas áreas, a energia eólica é, em média, quase que idêntica à solar.

      [Destaque na página 11]

      Talvez se torne prático montar painéis solares sobre a capota de carros elétricos, para carregar as baterias enquanto o carro anda, ou enquanto está estacionado.

      [Destaque na página 11]

      Pode-se fabricar álcool à base de plantas vegetais, e usá-lo como combustível; queima sem causar poluição.

      [Quadro na página 12]

      Energia do Interior da Terra

      Além da energia nuclear, existe outra fonte energética que não proveio do sol quer agora quer no passado. É o próprio calor interno da terra. Aqueles que fazem escavações profundas na terra há muito sabem que, quanto mais fundo atingem, mais quente se torna. Existem também determinados locais quentes próximos da superfície. O espetáculo de uma erupção vulcânica, cuspindo rochas derretidas pelos lados, é a demonstração mais dramática disso. Uma manifestação menor disso é a dos gêiseres, que lançam bem alto no ar vapor d’água e água fervente. Mais brandas ainda são as fontes termais que atraem pessoas para as estações de águas.

      Os cientistas crêem que o calor da terra é resultado da compressão gravitacional das matérias metálicas e rochosas de que se compõe. Presumivelmente, todas as partes da terra já se encontraram no estado fundido em uma época ou outra; a crosta esfriou-se, mas o interior ainda continua quente. O calor remanescente sempre flui para a superfície, mais rápido em alguns lugares do que em outros. Este calor primordial é aumentado pela decomposição radioativa de elementos tais como o potássio, o urânio e o tório, na crosta terrestre.

      Nos lugares em que o calor da terra é acessível, provê útil fonte energética. Em Larderello, Itália, há respiradouros de vapor d’água ligados a geradores de eletricidade já desde 1904. Uma usina maior, perto de Geyserville, Califórnia, EUA, gera mais de 500.000 quilowatts a partir de vapor seco.

      Água superaquecida, retirada dum leito de rochas quentes, é também uma fonte de vapor quando é canalizada para a superfície, e alivia-se sua pressão. A Nova Zelândia e o México utilizam a água quente para a produção de energia. A primeira usina deste tipo, nos Estados Unidos, está sendo agora construída próxima de El Centro Califórnia. Deve produzir 50.000 quilowatts, e calcula-se que o campo geotérmico ali permitirá a expansão para 10 vezes tal capacidade.

      A energia geotérmica é tão ampla que é praticamente ilimitada em comparação com as necessidades humanas. Mas, pode ser aproveitada apenas em relativamente poucos lugares. Seu potencial útil, na atualidade, é bem pequeno, em comparação com o potencial milhares de vezes maior da luz solar e do vento, que se acham disponíveis em toda a superfície da terra.

  • Perspectivas energéticas para o futuro
    Despertai! — 1980 | 8 de agosto
    • Perspectivas energéticas para o futuro

      O QUE reserva o futuro para um mundo faminto de energia? Qual das muitas fontes que examinamos é a que estaremos usando nos anos vindouros?

      A resposta a tal pergunta dependerá de quão longe no futuro desejará olhar. Devemos ter presente, também, que a humanidade acha-se agora no limiar duma “grande tribulação” que produzirá mudanças de longo alcance na sociedade humana.

      Caso seja uma pessoa mais idosa, talvez esteja muitíssimo interessada no que a próxima década, mais ou menos, trará. Em escala do futuro próximo, não existem meios de se fugir da crescente escassez. Já passou a época da energia barata e abundante. Talvez não espere ver isso de novo durante a sua vida. O petróleo se esgota. A energia nuclear talvez esteja pronta para fechar grande parte dessa lacuna, mas as disputas políticas a restringem. O carvão oferece o único alívio imediato, mas a relutância de se abrirem novas minas e fornecer os meios de transporte para ele significa que a crise somente se pode agravar.

      A luta desesperada de se obter maior quinhão nas reservas decrescentes do petróleo são apropriadamente simbolizadas pelas contendas e violência entre as pessoas que fazem filas nos postos de gasolina. Esta mesma atitude predomina nos confrontos entre as nações. Acusações iradas são trocadas entre os países produtores de petróleo, que exploram suas riquezas recém-descobertas, e os países industriais frustrados. Cada parte acusa a outra de ser culpada da galopante espiral inflacionária. Do lado dos produtores, os líderes se reúnem e discutem de quanto será o aumento nos preços. Do lado dos que o utilizam, os aliados se reúnem e discutem sobre como dividir um bolo que não é bastante grande para todos. Não surge nenhum remédio. Pareceria que a situação só tenderia a piorar.

      Caso seja uma pessoa mais jovem, talvez esteja interessado em olhar mais para adiante. Qual é a perspectiva energética para daqui a 25 ou 50 anos? À base das informações nos artigos precedentes, bem que poderá concluir que o quadro energético será brilhante de novo, naquele tempo. Se os problemas que afligem a energia nuclear puderem ser equacionados, é possível que preencha grande parte da necessidade. Mas parece muito mais provável que a energia solar, quer coletada diretamente como calor ou eletricidade, quer adquirida indiretamente por meio de máquinas eólicas, poderá ser uma das fontes energéticas principais no próximo século.

      Mas, quando falamos do século 21, talvez fique imaginando se a humanidade poderá sobreviver ao século 20, de forma a gozar a prometida abundância. Vê a desobediência à lei crescendo em todo nível da sociedade humana, às vezes chegando à beira da anarquia. Cada grupo de interesses estreitos clama pelos seus direitos pretendidos, desconsiderando os mais amplos interesses nacionais. As nações verificam ser cada vez mais difícil fazer acordos e cada vez mais fácil rompê-los.

      Neste panorama, a crise energética agrava ainda mais a “angústia de nações, não [se] sabendo o que fazer” quanto aos problemas que Jesus Cristo predisse que engolfariam o mundo neste século. (Luc. 21:25) Os esforços baldados, por parte dos líderes nacionais, para equacionar o problema energético se reduzem à paralisia. Seu fracasso confirma indisputavelmente a declaração da Bíblia de que o homem não possui a capacidade de governar a si mesmo. (Jer. 10:23) Os problemas são grandes demais para ele. Somente por meio da regência da terra por parte do reino de Deus é que virá a solução para os problemas do homem, inclusive a questão energética.

      A Bíblia mostra que o ‘temor e a expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada’ são bem fundamentados. (Luc. 21:26) Tais coisas vindouras incluem o fim completo das organizações políticas, econômicas e religiosas, abrindo caminho para a regência da terra por parte do reino de Jeová sob Cristo.

      Energia no Paraíso

      Se for alguém que aceita o ponto de vista da Bíblia, a questão sobre as fontes futuras de energia tem um significado que vai além da crise imediata. Está interessado no que o homem utilizará por 1.000 anos à frente, sim, pela eternidade.

      Não é nosso propósito, aqui, especular sobre os pormenores que somente o futuro revelará. No entanto, arrazoando sobre os princípios bíblicos, deduz-se que algumas formas de energia são mais compatíveis do que outras com o estilo de vida que esperamos prevaleça no novo sistema de coisas.

      Primeiro, considere que a terra deve transformar-se num paraíso. Não se permitirá que nada conspurque a beleza nem cause poluição naquele jardim edênico mundial. — Luc. 23:43; Rev. 11:18.

      Temos visto como o uso amplo do carvão deforma o panorama do interior, tanto onde ele é minerado como onde é queimado. Também, a mineração comercial do carvão é fisicamente perigosa e prejudicial à saúde dos mineiros. A poluição hodierna do ar é provocada mormente pelo uso excessivo dos combustíveis de petróleo. Os químicos descobriram que a grande variedade e complexidade das moléculas de hidrocarbonetos no petróleo fornecem um ponto de partida para a síntese de todas as espécies de substâncias úteis e maravilhosas. Realmente se mostra completa falta de apreço por este tesouro natural por queimá-lo de forma implacável.

      Lembre-se, também, de que não se permitirá que nada cause dano nem mesmo provoque o temor de desastre nos habitantes da terra. (Miq. 4:4) O potencial de causar dano, inerente ao uso da energia nuclear, pareceria torná-la indesejável para a nova terra.

      Considerando que o homem deverá viver para sempre na terra, seria de se esperar que a energia por ele utilizada proviesse de fontes que não sejam consumidas mais rápido do que se formem. (Sal. 37:29; Ecl. 1:4) Isto também eliminaria a extensiva queima de carvão ou petróleo, bem como a fissão do urânio. Favorece, ao invés, a utilização de fontes energéticas renováveis. Em Eclesiastes 1:5-7, destacam-se os ciclos da natureza, mediante os quais tudo é mantido e renovado. A energia usada pelo homem deve, logicamente, ser obtida das coisas que se enquadram nestes ciclos naturais, coisas que jamais se esgotarão. Observe que, nestes versículos de Eclesiastes, a luz solar, o vento e a água corrente são, cada um, especificamente mencionados como coisas que estarão continuamente disponíveis. (Observe também Jó 38:24-27.) Cada um deles pode ser usado como fonte energética constantemente renovável. Ademais, são limpos. Não poluem o meio ambiente natural. Sua utilização poderá ser enquadrada harmoniosamente no panorama.

      Outro ponto a considerar é que a exploração comercial dos recursos naturais para a obtenção de lucros não sobreviverá ao fim deste sistema de coisas. O incentivo para o desenvolvimento de várias fontes energéticas não será o amor ao dinheiro, e sim o amor ao próximo. (1 Tim. 6:10; Mat. 22:39) Este princípio colocará numa perspectiva completamente diferente a conveniência comparativa das várias fontes energéticas daquela que prevalece no atual sistema econômico.

      Finalmente, e acima de tudo, todos os que viverem reconhecerão sua dependência de Jeová quanto à vida e todas as boas coisas que tornam agradável a vida. Jeová é a Fonte básica da energia de todo tipo, e tal fonte é infinita e inesgotável. (Isa. 40:28-31) Como “Pai das luzes celestiais”, Ele é o Criador do sol, que fornece luz e calor incessantes, como Sua amorosa dádiva para a humanidade. — Tia. 1:17; Sal. 74:16.

      Jeová inventou o processo nuclear que fornece ao sol a sua energia. Ele o compreende e controla de modo perfeito. Ele o tem suprido de combustível por bilhões de anos à frente. Antes que tal combustível se esgote, poderá substituí-lo de forma tão fácil como nós tiramos uma roupa velha e colocamos uma nova. (Sal. 102:25, 26) Não haveria nenhuma crise de energia solar.

      Visto que Jeová é eterno, sua promessa de vida eterna a seus súditos obedientes não é uma promessa vã. Ele pode sustentar sua criação por tempo indefinido, sim, para sempre. (Sal. 104:5) Sob sua regência benévola, jamais teremos de nos preocupar quanto a onde é que encontraremos a energia para o futuro.

      [Destaque na página 14]

      O incentivo para o desenvolvimento de várias fontes energéticas não será o amor ao dinheiro, e sim o amor ao próximo.

      [Destaque na página 14]

      Jeová é a fonte básica da energia de todo tipo, e tal fonte é infinita e inesgotável.

  • Combustíveis fósseis
    Despertai! — 1980 | 8 de agosto
    • Combustíveis fósseis

      O PETRÓLEO e o carvão são chamados de “combustíveis fósseis” porque se crê que foram formados à base de remanescentes de plantas que cresciam há longas décadas. Parece que a matéria orgânica das plantas soterradas, longe do oxigênio atmosférico que causaria a decomposição comum, foi convertida em compostos de hidrocarbono. A grande pressão e as elevadas temperaturas sob a superfície da terra, operando em muitos milênios, são provavelmente os fatores essenciais à formação do petróleo e do carvão.

      Os hidrocarbonetos variam grandemente em hidrogênio em sua composição. O mais elevado é o metano, o principal constituinte do gás natural. Há menos hidrogênio nos complexos hidrocarbonetos líquidos que constituem o petróleo, e menos ainda no asfalto, que é sólido. Por fim, no carvão, todo o hidrogênio, exceto pequena porcentagem, foi eliminado pela temperatura e pressão mais extremas. Tais reações químicas já deveriam estar ocorrendo na terra muito antes da criação do homem.

      Caso tal entendimento da origem do petróleo e do carvão seja correto, a energia que contêm proveio, em primeiro lugar, do sol, fixando-se em compostos orgânicos, graças à fotossíntese, nas plantas verdes. Entretanto, se a formação destes combustíveis ainda se processa, certamente não acompanha o passo da sua utilização pelo homem.

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