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  • Eu era feiticeira

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  • Eu era feiticeira
  • Despertai! — 1976
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  • Um “Presságio” Dirige Minha Vida
  • Minha Decisão de Tornar-me Feiticeira
  • Treino num “Convento”
  • Enfraquece-se Minha Fé na Feitiçaria
  • Aprendi Sobre o Verdadeiro Deus
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Despertai! — 1976
g76 22/1 pp. 24-26

Eu era feiticeira

Conforme narrado ao correspondente de “Despertai!” em Daomé

MEUS pais me chamaram Agbodémakou quando nasci há mais de 50 anos atrás em Porto Novo, capital de Daomé, África Ocidental. Éramos da família de “Hazoumé”, que significa “servos do rei”. Os deuses a que adorávamos eram representados por feitiços.

Sabe o que é um feitiço? Este termo, feitiço, significa “cousa feita, preparada artificialmente”. O termo veio a aplicar-se a um objeto material em que se cria que um deus ou espírito habitasse, dando-lhe uma espécie de poder mágico. Muitos feitiços são feitos com aspectos humanos, exigindo um artesão perito; mas outros talvez sejam simples pedras, montes de terra ou algo similar em estado natural.

Minha família adorava dois deuses, Sinuloko (Protetor das crianças) e Avesan (dono da cidade). O feitiço para Sinuloko era um monte de lama coberto com folhas da árvore sagrada que chamamos Deslé, em nosso dialeto gun. O feitiço para Avesan era uma “asen” de ferro forjado, que se parece com um guarda-chuva de miniatura na ponta de um poste de ferro, mas sem o pano.

Dos dois deuses, Avesan era considerado mais poderoso. Até mesmo antes de eu nascer, mamãe ia regularmente ao templo devotado a seu serviço fazer ofertas de inhames, galinhas e às vezes até mesmo de cabritos, a fim de garantir minha chegada segura e meu futuro.

Um “Presságio” Dirige Minha Vida

A feitiçaria é muito supersticiosa. Parecia significativo, portanto, quando certo dia minha mãe encontrou um pitão em seu quarto. Temos um ditado de que o pitão jamais visita sem deixar uma mensagem. Portanto, meus pais consultaram um “adivinho” sobre isso.

Ele explicou que o pitão que surgira em nossa casa era um prognóstico que significava que eu deveria servir a Avesan como feiticeira. Mas, não fiz isso logo de início.

Minha Decisão de Tornar-me Feiticeira

Quando cresci, casei-me com um feiticeiro de Avesan. Meus pais desaprovaram fortemente nosso casamento e fizeram tudo ao seu alcance para rompê-lo. As dificuldades aumentaram quando continuamos a não ter filhos.

No esforço de inverter meu infortúnio, consegui muitos encantamentos, objetos que supostamente repelem o mal. Mas, estes não me ajudaram. Parecia certo que meus pais iam ter êxito em romper nosso casamento. Fiquei desesperada, pois amava realmente ao meu marido. Daí, ocorreu-me que talvez todas essas dificuldades me acontecessem porque não me tornara feiticeira em cumprimento do oráculo.

Depois de consultar meu marido e obter seu incentivo, comecei a me preparar para ser feiticeira.

Treino num “Convento”

O treino para a pessoa se tornar feiticeiro ou feiticeira se dá num “convento” e dura cerca de sete meses. Durante nossas aulas, nosso grupo ficou confinado num “convento”, onde não nos era permitido receber visitas. Nossa família e amigos, inclusive meu marido, traziam presentes de alimentos, que eram entregues ao “Douté” (o principal sacerdote ou diretor). Estes alimentos não chegavam até nós senão depois que o sacerdote tirara a sua porção.

Por todo o treinamento, usávamos exatamente as mesmas roupas e nem as lavávamos nem nos banhávamos. Simplesmente usávamos um trapo para limpar o pó e a transpiração. E certamente transpirávamos devido à vigorosa atividade enquanto aprendíamos a cantar e a dançar em honra de nosso deus.

Durante esse tempo, também aprendemos a tecer a ráfia, fibra de um tipo de palmeira, fazendo roupas que usaríamos depois de formadas. Tais roupas incluíam saias multicoloridas, um colete e chapéus vermelhos pontiagudos. Também fizemos para nós mesmas argolas de cobre para os tornozelos, e colares de contas vermelhas. Para o toque final, cada uma de nós, mulheres, tinha um pano branco para se enrolar, preso com uma faixa colorida, para colocar sobre a saia de ráfia.

Ao se aproximar nossa formatura, recebemos sinais especiais no corpo, identificando-nos como sacerdotisas de Avesan. Se me olhar bem de perto, notará duas meias-luas em ambos os lados do meu rosto, perto dos olhos, e uma única meia-lua em cada lado das minhas bochechas. Na parte superior do meu corpo há pequenas marcas como que de varíola. Todas elas foram feitas pelo principal sacerdote com pequena faca afiada. Carvão moído foi esfregado nas feridas para assegurar de que supurassem e deixassem marcas claramente definidas. Os principais sacerdotes fazem estas incisões em cada candidata, acompanhados pelo bater de tambores, para abafar os berros das vítimas.

Enfraquece-se Minha Fé na Feitiçaria

Um dos deveres das feiticeiras relaciona-se aos feitiços que supostamente protegem ou aliviam um povoado de alguma calamidade impendente, tal como incêndio, enchente ou uma epidemia. Os feitiços são feitos pelos principais sacerdotes e são colocados em locais desconhecidos da população. Os feiticeiros e as feiticeiras precisam sair à procura destes feitiços no meio de muita cantoria, dança e batidas de tambores. Quando encontrados, são levados numa grande piroga, ou canoa escavada, até o meio duma lagoa onde são atirados. Supostamente, isto liberta o povoado da má influência.

Foi ao realizar tal ritual que minha fé na feitiçaria começou a enfraquecer. Compreendi que tais feitiços só eram objetos humanos de barro, madeira ou ferro que facilmente quebravam quando eu os tocava. Fiquei pensando: “Como é que esses objetos sem vida podem proteger a alguém?” Mas, o golpe de morte na minha fé na feitiçaria ainda estava para ser dado.

Isto aconteceu quando meu marido, que também era feiticeiro, subitamente adoeceu e morreu. Com efeito, no próprio dia em que morreu, tinha feito um serviço para Avesan por pintar seu templo. Como podia Avesan permitir que seu sacerdote morresse dessa forma? Por que o feitiço não serviu para curar e proteger meu marido? Foi ali mesmo que morreu a minha fé na feitiçaria. Enterrei minhas vestes de feitiçaria recém-feitas e raramente vestidas junto com meu marido.

Aprendi Sobre o Verdadeiro Deus

Mudei-me de Porto Novo para Cotonou, determinada a procurar nova religião. Pouco depois de minha chegada a Cotonou, as testemunhas de Jeová me visitaram. Usando a Bíblia, falaram-me de um sistema de coisas inteiramente novo que em breve se espalhará pela terra toda. Entre os textos que leram para mim naquele dia acha-se Revelação 21:3, 4, que reza: “Deus . . . enxugará dos . . . olhos [da humanidade] toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram”.

Quão doces me soaram essas palavras! Finalmente vi uma esperança para meu marido morto. Enchi as Testemunhas de perguntas, ouvindo atentamente suas respostas lógicas, baseadas na Bíblia. Jamais tinha ouvido algo como isso antes. Quando tais pessoas se foram, elas me deram um exemplar do folheto “Estas Boas Novas do Reino”, e me prometeram voltar dentro de uma semana. O folheto de nada me servia, contudo, pois não sabia ler nem escrever.

Não contente de esperar uma semana inteira pela volta das Testemunhas, saí à sua procura depois de apenas dois dias. Com amor e paciência, começaram ensinar-me a ler e escrever. Dentro de alguns meses apenas, já conseguia entender o bastante no meu próprio exemplar da Bíblia em gun para verificar os textos que significaram tanto para mim, no meu primeiro contato com as testemunhas de Jeová.

As Testemunhas voltaram vez após vez. Certa vez, até mesmo trouxeram uma senhora que possuía as mesmas marcas na face e no corpo do que eu. No entanto, quando chegou a conhecer o verdadeiro Deus, mediante o estudo da Bíblia, esta senhora abandonou a adoração de ídolos feitos pelo homem, que não podem ver, nem sentir, nem falar. Eu determinei fazer o mesmo. — Sal. 115:4-8.

Meu progresso na adoração verdadeira não foi feito sem obstáculos. Logo aprendi que Jeová Deus tem um adversário-mór, Satanás, o Diabo, que tenta impedir as pessoas de servir a Jeová. (1 Ped. 5:8) Sofri oposição dos meus pais e de antigos associados na feitiçaria.

Deus Mais Poderoso que os Feitiços

Os adoradores de feitiços prepararam vários jujus contra mim. Estes são feitiços que às vezes são usados para destruir as pessoas por meio da magia negra. Tal proceder, é sabido, já resultou na morte de pessoas em questão de dias. Mas, no meu caso, não funcionou.

Os adoradores de feitiços enviavam testemunhas oculares para verificar se eu ainda estava viva. Sempre que me viam, eu gozava boa saúde, ao passo que alguns que tentaram matar-me com a ajuda dos feitiços ficaram doentes, e, um deles, o diretor do “convento” de feitiçaria, morreu. Isto surpreendeu a muitos que me conheciam e abriu oportunidades para lhes falar sobre o verdadeiro Deus, Jeová. Ele é mais poderoso do que os deuses que se ligam aos feitiços e que são realmente criaturas espirituais iníquas, ou demônios, sob o controle de Satanás, o regente dos demônios. (Efé. 6:12) Indiquei-lhes o que está escrito em Provérbios 18:10: “O nome de Jeová é uma torre forte. O justo corre para dentro dela e recebe proteção.”

Em 1959, simbolizei minha dedicação para servir a Jeová Deus pelo batismo em água, e pela bondade imerecida de Deus, tenho podido devotar todo o meu tempo durante os últimos nove anos a partilhar com outros as verdades bíblicas que encheram de tanta alegria a minha vida. Desta forma, ajudei a várias outras pessoas a livrar-se da escravidão à adoração falsa. Quão feliz me sinto de não mais ser feiticeira de um deus falso, mas de ser escrava disposta do verdadeiro Deus, Jeová! — Rom. 12:11.

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