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  • yb82 pp. 144-192
  • Costa do Marfim

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  • Costa do Marfim
  • Anuário das Testemunhas de Jeová de 1982
  • Subtítulos
  • A RELIGIÃO DO POVO
  • O PRIMEIRO SERVIÇO DE CAMPO DE QUE HÁ REGISTRO
  • INÍCIO DA PREGAÇÃO REGULAR
  • A ENTRADA DE FORMADOS EM GILEADE NO PAÍS
  • O PRIMEIRO DISCÍPULO
  • AÇÃO JURÍDICA CONTRA OS IRMÃOS
  • AJUDA DA PARTE DE AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS
  • LANÇADO UM BOM ALICERCE
  • ESTEIOS DA IGREJA TORNAM-SE TESTEMUNHAS
  • A ASSEMBLÉIA DE 1955 NA COSTA DO OURO
  • INÍCIO DA OBRA EM BOUAKÉ
  • A VISITA DE SUPERINTENDENTES VIAJANTES
  • PIONEIRO ESPECIAL VAI PARA BOUAKÉ
  • ESTRANGEIROS OBRIGADOS A DEIXAR O PAÍSES
  • ALGUÉM QUE AJUDOU NO CRESCIMENTO DA OBRA
  • PROGRESSO FIRME
  • UMA VIAGEM ACIDENTADA
  • DIFICULDADE EM BOUAKÉ
  • MAIS PESSOAS DESIGNADAS PARA PRESTAREM AJUDA
  • ACOMODAÇÕES DE MISSIONÁRIOS
  • ASSEMBLÉIAS DE 1964
  • EMPENHO PELA OBTENÇÃO DE RECONHECIMENTO LEGAL
  • DETENÇÕES E MOLESTAMENTO
  • EMPENHO PELA SUSPENSÃO DA PROSCRIÇÃO
  • INFORMAÇÃO SOBRE A DECISÃO
  • UM NOTÁVEL EXEMPLO DE PERSEVERANÇA
  • PRIMEIRA ASSEMBLÉIA DEPOIS DA PROSCRIÇÃO
  • MUITOS MAIS MISSIONÁRIOS
  • EXPANSÃO EM BOUAKÉ
  • VENCIDA A SUPERSTIÇÃO RELIGIOSA
  • EXCELENTE PROGRESSO EM 1968
  • O LIVRO “VERDADE” ACELERA A COLHEITA
  • FORTALECIDOS PUBLICADORES ISOLADOS
  • PRESTADA AJUDA EM NOVOS LUGARES
  • ASSEMBLÉIA DE CIRCUITO EM BOUAKÉ
  • ASSEMBLÉIAS “PAZ NA TERRA”
  • PONTOS ALTOS DE 1970
  • ORGANIZADA A FILIAL
  • ABERTAS MAIS ÁREAS
  • A PREGAÇÃO EM GAGNOA
  • ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL “VITÓRIA DIVINA”
  • OPOSIÇÃO CLERICAL
  • ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO
  • EXPANSÃO EM ABIDJÃ
  • UM NOVO PRÉDIO DA FILIAL
  • ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL “FÉ VITORIOSA”
Anuário das Testemunhas de Jeová de 1982
yb82 pp. 144-192

Costa do Marfim

A Costa do Marfim é um dos países que antes fazia parte de uma federação de oito territórios da África Ocidental. A França administrou esses territórios desde 1895 até 1958. A federação chamava-se África Ocidental Francesa.

Foi em fins do século 15 que a Costa do Marfim recebeu seu nome por causa de seu comércio de presas de marfim de elefantes. Hoje, devido à extensa caça, o elefante limita-se em grande parte às áreas florestais do sudoeste. Já se foi o tempo em que se encontravam elefantes com presas que pesavam 100 quilos. As presas de elefantes que se encontram hoje talvez pesem no máximo uns 18 a 23 quilos.

A Costa do Marfim se tornou colônia francesa na década de 1890. Depois, em 1960, tornou-se um país independente. Félix Houphouët-Boigny, que dirigiu o movimento de independência dos territórios franceses na África Ocidental, foi eleito presidente em 1960. Desde então, ele foi reeleito de cinco em cinco anos, e, portanto, ainda é o chefe do governo.

O país se situa na protuberância da África Ocidental, e limita-se a oeste com a Libéria e a Guiné, e a leste com Gana. Ao norte, acham-se os países cercados de terra do Alto Volta e do Máli. A Costa do Marfim tem uma área terrestre de cerca de 322.000 quilômetros quadrados, sendo a superfície umas 15 vezes maior do que El Salvador. É aproximadamente do tamanho do estado do Novo México, nos Estados Unidos.

A Costa do Marfim é típica da noção que a maioria das pessoas tem dos trópicos. O clima ao longo do litoral é quente e úmido. Florestas viçosas, constituindo quase metade do solo, estendem-se para o norte, cedendo lugar gradativamente às savanas cerradas do centro e, finalmente, às áridas savanas menos arborizadas. Os efeitos das recentes secas se estenderam até certo ponto a partir do deserto do Saara, mas pouco afetaram as florestas equatoriais mais ao sul.

Cerca de 7.500.000 pessoas vivem na Costa do Marfim, sendo quase metade delas abaixo de 20 anos de idade. Mais de um milhão da população vive na bela cidade capital Abidjã que, em 1945, era uma cidade relativamente pequena de uns 20.000 habitantes. Indo país acima desta capital litorânea, a pessoa pode ver os trabalhadores nas grandes plantações de banana, café, cacau e de abacaxi. Mais perto das cidades de Gagnoa e Daloa, a oeste, pode-se ver os que trabalham nos campos de arroz ou, nas serrarias dentro da floresta, os que derrubam enormes mognos.

A população da Costa do Marfim é composta de diferentes grupos tribais; mais de 60 desses habitavam o país no fim do último século. Era raro eles se misturarem com outros grupos, cada qual mantendo distância do outro e subsistindo da agricultura. As tribos achantis, a leste, procedem de Gana; os betes vieram das florestas ocidentais que se estendem até a Libéria; o povo do deserto, de alta estatura, do Máli e do Alto Volta, e o povo dan, das montanhas da Guiné. Ao longo do litoral, perto das lagunas margeadas de areia e coqueiros, vivem os ebries, cuja principal atividade econômica é a pesca em lagunas.

Embora o francês seja a língua oficial, o país está cheio de línguas e dialetos. O povo fala umas 70 línguas indígenas de cinco principais grupos lingüísticos. Houve pouca ou nenhuma tentativa de pôr estas línguas em forma escrita. A grande língua comercial é o dinla, que é falado por comerciantes muçulmanos, mas usado por muitas outras pessoas para fins comerciais. Portanto, muitos na Costa do Marfim falam três línguas: seu próprio dialeto indígena, o francês e o diúla.

A RELIGIÃO DO POVO

Quando a Costa do Marfim se tornou colônia francesa na década de 1890, os missionários católicos lançaram raízes aqui. A partir da sua base litorânea, difundiram gradativamente seus ensinamentos, combinados com o poder colonizador. Muitos grupos, especialmente os da região costeira, aceitaram o catolicismo, contudo se apegaram também à sua religião tribal baseada no animismo. E a crença de que objetos inanimados, tais como rios, lagos e lagunas, têm almas ou são habitados por espíritos dignos de reverência.

Na região norte, a religião muçulmana ganhou influência com a chegada de tribos sudanesas que já haviam sido convertidas ao islamismo. Entretanto, o islamismo, na sua difusão, enfrentou grande resistência, e só raramente os animistas aceitaram esta nova religião de “submissão”. Mesmo quando isto se dava, apegavam-se também às suas crenças animistas.

Em tempos recentes, as seitas protestantes também se introduziram até certo ponto. Desde 1913 até 1936, uma nova religião conhecida por harrismo se espalhou rapidamente na Costa do Marfim. É chamada pelo nome de seu fundador, William Wade Harris, um pregador liberiano. Seus ensinamentos se baseavam nas Escrituras Hebraicas, com forte sabor local, ligando canções, danças e rituais pagãos com certas idéias bíblicas.

Surgiram outras seitas é grupos do protestantismo ao se conceder mais liberdade religiosa, quando o países seguiu o caminho da independência. Foi no meio desta atmosfera religiosa, em que, em estimativa, 60 por cento da população era constituída de animistas, 25 por cento de muçulmanos e 15 por cento de professos cristãos, que a luz do verdadeiro cristianismo começou a brilhar na Costa do Marfim há pouco mais de 30 anos.

O PRIMEIRO SERVIÇO DE CAMPO DE QUE HÁ REGISTRO

Quando William C. Walden e George L. Covert terminaram o curso em Gileade, em fevereiro de 1948, foram designados para a Costa do Marfim. Em virtude de dificuldades na obtenção de vistos, a Sociedade acabou enviando-os à Costa do Ouro (hoje Gana) para tentarem de lá conseguir entrar na Costa do Marfim.

Em março de 1949, Alfred G. Baker, naquele tempo superintendente de filial da Costa do Ouro, e William Walden foram a Abidjã. Entraram em contato ali com o governador francês e fizeram pedido de vistos. O governador parecia estar impressionado com a documentação apresentada, mas não houve nenhuma ação imediata. Durante os quatro dias que passaram em Abidjã, os irmãos fizeram o primeiro serviço de campo de que há registro na Costa do Marfim.

Houve muita delonga — um ano inteiro — e, apesar de repetidas cartas sobre o assunto, não se concedeu visto de entrada aos missionários. Por fim, a filial da Costa do Ouro enviou Alfred Elias Shooter para a Costa do Marfim como pioneiro regular. Alfred tinha sido pioneiro em Acra, a capital da Costa do Ouro.

INÍCIO DA PREGAÇÃO REGULAR

Foi recebido em Acra, em junho de 1950, o primeiro relatório de serviço de campo do irmão Shooter, enviado de Abidjã. Ele devotara 100 horas à pregação das boas novas, fizera 20 revisitas e iniciara dois estudos bíblicos domiciliares. No mês que se seguiu, ele reanimou um publicador inativo que se mudara de Acra para Abidjã. Em agosto, Alfred já estava dirigindo 12 estudos bíblicos.

O irmão Shooter trabalhou num emprego de meio período para pagar o aluguel de um quartinho perto da laguna, em Treichville, num distrito de Abidjã. Em dezembro de 1950, ele assistiu a uma assembléia nacional na Costa do Ouro, onde o irmão Baker pôde considerar com ele a obra na Costa do Marfim. A esposa de Alfred tornou-se pioneira regular junto com ele em Abidjã, em fevereiro de 1951. Os dois juntos puderam realizar muito no sentido de ajudar as pessoas na Costa do Marfim a aprender as verdades da Bíblia. Dezessete pessoas assistiram à Comemoração em Abidjã, em março de 1951, e 25 compareceram ao discurso público especial. Iniciou-se um grupo de estudo de livro, com uma assistência regular de 12 pessoas.

A ENTRADA DE FORMADOS EM GILEADE NO PAÍS

Em julho de 1951, Gabriel e Florence Paterson, formados em Gileade na 16.ª turma, conseguiram entrar na Costa do Marfim, indo morar com os Shooter. Gabriel, natural da Costa do Ouro, estudara muitos anos antes com Alfred Shooter, ajudando-o a chegar ao conhecimento da verdade. O reencontro deles numa designação no estrangeiro foi uma reunião de muita alegria.

Não foram fáceis aqueles tempos para esses jovens casais: Gabriel descreve suas acomodações:

“Ao chegarmos a Abidjã, Alfred tinha feito um anexo ao seu único cômodo, com o uso de papelão. Ele cobrira o teto com papel alcatroado para servir de dormitório para mim e para Florence. Debaixo desse abrigo de papel, preparávamos tomávamos nossas refeições juntos. Quando chovia, acordávamos por causa dos pingos de água que caíam dentro. Nós nos abrigávamos num canto, esforçando-nos a não perturbar nossos anfitriões.”

O PRIMEIRO DISCÍPULO

Essas condições precárias não deixavam os pioneiros desanimados. Em pouco tempo, sua atividade produziu verdadeiros frutos. Robert Markin, um homem da Costa do Ouro, viu um livro “Seja Deus Verdadeiro” no escritório de um amigo. Perguntou se podia tomá-lo emprestado. Seu amigo, em vez de se desfazer do livro, informou-lhe onde moravam os Paterson e os Shooter.

Robert foi imediatamente até a pequena casa junto à laguna. Obteve o livro, e o irmão Paterson foi com ele para sua casa, onde estudaram por duas horas. Na manhã seguinte, Gabriel convidou Robert a ir ao serviço de campo para ver como se fazia a obra de pregação. Assim, o primeiro residente da Costa do Marfim estava a caminho de se tornar Testemunha de Jeová. Robert Markin foi batizado junto com mais dois outros na laguna Gbobo de Abidjã, em abril de 1952.

Logo se realizaram reuniões na casa de Robert. De início, eram dirigidas geralmente em inglês, com traduções para o francês, para as línguas faladas em Gana, eve e tvi, ou para uma das línguas locais, dependendo das pessoas presentes. No começo, os únicos membros deste grupo que começava a crescer eram estrangeiros na Costa do Marfim, procedentes da Costa do Ouro, e do Togo e do Daomé franceses. Não foi senão em 1954 que alguns do povo local da Costa do Marfim foram batizados.

AÇÃO JURÍDICA CONTRA OS IRMÃOS

No verão de 1952, depois de cinco pessoas se terem unido aos pioneiros na obra de pregação, deu-se parte dos irmãos na polícia. O irmão Paterson foi detido pela polícia e a sua casa foi revistada. Seja notado que nenhuma publicação da Sociedade recebera aprovação do governo. O chefe de polícia europeu disse que sentia muito ter de tomar ação, mas, como seus homens haviam encontrado mais de 100 volumes de literatura proibida, ele se via obrigado a dar parte do assunto junto às autoridades. Entretanto, pegou alguns dos livros para ele próprio ler, e tornou-se um bom amigo do irmão Paterson.

Os irmãos foram intimados a comparecer em juízo na cidade vizinha de Grand Bassã, onde se situava naquele tempo o Supremo Tribunal. Foram acusados de estarem de posse de literatura proibida e de não terem um “Salvo conduto de Estrangeiros”.

Alfred Baker, servo da filial da Costa do Ouro, veio à Costa do Marfim e contratou um advogado para os irmãos. O advogado fez uma defesa muito convincente do caso, mas o Tribunal sustentou a decisão do governo: “Não se permite pregação ou literatura das Testemunhas de Jeová na Costa do Marfim.” Os irmãos Paterson e Shooter foram condenados e receberam sentenças de prisão, com a pena suspensa, variando de um a seis meses. Além disso, foi-lhes imposta uma multa de 5.000 francos.

Alguns meses mais tarde, os irmãos estavam fazendo serviço de campo em Grand Bassã. Encontraram ali, à venda na feira, as publicações da Sociedade que haviam sido confiscadas! O governo, pelo que parece, pouco se preocupava com o assunto e vendera a literatura apreendida a um vendedor no comércio. Os irmãos compraram logo de volta seus próprios livros! Isto foi certamente uma bênção, em vista da dificuldade que havia de fazer entrar publicações no país.

AJUDA DA PARTE DE AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS

Ao mesmo tempo, as autoridades policiais e de imigração procuraram expulsar os pioneiros, tomando por base o fato de não possuírem vistos. Esta molestação continuou durante todo o ano de 1952 e até 1953. No empenho de obterem vistos permanentes, os irmãos foram a numerosas repartições cio governo. Entraram em contato com membros influentes do governo, inclusive Félix Houphouët-Boigny e Ouezzin Coulibaly.

O Sr. Houphouët-Boigny, que mais tarde se tornou presidente da Costa do Marfim, era nessa época presidente da República Africana Democrática, era presidente do parlamento territorial da Costa do Marfim, bem como membro do parlamento junto ao Governo em Palais Bourbon, Paris, França. O irmão Paterson explicou seus problemas a esta alta autoridade, que ouviu compassivamente. O Sr. Houphouët-Boigny prometeu então que se encarregaria de fazer com que os irmãos permanecessem no países. “Para a verdade”, observou ele, “não existe nenhuma barreira. É como um poderoso rio; represe-o e transbordará da represa”. Ele os recomendou a seu deputado, Ouezzin Coulibaly, que se tornou depois muito amistoso para com o irmão Paterson.

Era preciso que o Salvo-conduto de Estrangeiros fosse emitido em Dacar, no Senegal, a sede do governo da África Ocidental Francesa. O Sr. Coulibaly intercedeu, ajudando o irmão Paterson a obter um facilmente. Providenciou também a extensão do visto do irmão Paterson, falando a seu favor ao Chefe da Segurança Nacional. Esta autoridade explicou que um sacerdote católico e um ministro metodista o haviam visitado para lhe dizer que o que as Testemunhas de Jeová pregavam não era bom para o povo da Costa do Marfim. Mas qual era o conceito do Sr. Coulibaly? Ele disse: “Eu represento o povo deste país. Nós somos o povo, e nós gostamos das Testemunhas de Jeová e, por conseguinte, queremos que permaneçam aqui neste país.”

LANÇADO UM BOM ALICERCE

Após a intercessão do Sr. Coulibaly, os irmãos tiveram certa medida de paz para continuar com sua designação dada por Deus. Em 1953, alcançou-se um auge de 17 publicadores do Reino. Em março, 85 pessoas assistiram à Comemoração.

O irmão Paterson sugeriu à Sociedade: “É possível estabelecer uma congregação aqui, porque alguns dos publicadores estão agora habilitados para servir como servos.” Assim, em 1.º de abril de 1954, formou-se a primeira congregação em Treichville, Abidjã.

Os irmãos alugavam uma camioneta para viajar para lugares afastados, a fim de pregar, entoando cânticos do Reino durante a viagem. Após a pregação na parte da manhã, faziam um pequeno piquenique e depois realizavam uma conferência pública num salão de uma escola ou no quintal de uma pessoa interessada. Depois disso, amontoavam-se no caminhão, cansados mas felizes, para voltar para casa, continuando a cantar! Em 1954, houve 19 publicadores, em média, cada mês no serviço de campo.

ESTEIOS DA IGREJA TORNAM-SE TESTEMUNHAS

Entre os pontos altos de 1955 estava a posição a favor da verdade tomada por dois esteios da igreja local. É interessante notar que um deles, Samuel Denoo, era o amigo em cujo escritório Robert Markin havia visto um exemplar de “Seja Deus Verdadeiro’’. E foi Samuel quem dirigiu Robert ao irmão Paterson, resultando em Robert se tornar o primeiro discípulo na Costa do Marfim.

Ora, Samuel Denoo era um dos membros executivos da Igreja Metodista daquela localidade. Ele e o presidente do grupo de aulas bíblicas, Emmanuel Kwaku Glago, convidaram o irmão Patersón a dar um discurso perante o grupo de pessoas da igreja. Seu discurso foi bem apreciado, e foram iniciados estudos bíblicos com muitos do grupo, inclusive com o Sr. Denoo e o Sr. Glago.

Estes dois esteios locais da igreja logo aceitaram a verdade, mas não sem oposição. Foram convocados pelos pastores da Igreja Metodista para explicar por que abandonaram a sua igreja anterior e se uniram às Testemunhas de Jeová. Samuel Denoo explicou:

“Vocês sabiam muito bem que eu tinha mais de uma esposa. Ainda assim, designaram-me como um dos conselheiros da igreja e membro da comissão executiva. As Testemunhas de Jeová não quiseram batizar-me enquanto eu não endireitei minha vida em harmonia com a Bíblia. Com a ajuda das Testemunhas de Jeová, eu cheguei a conhecer quem Jeová e aprendi a adorá-lo.”

Emmanuel Glago salientou as diferenças básicas entre a Igreja Metodista e as Testemunhas de Jeová. “Na sua igreja, o leigo adora e obedece o clero e não a Deus”, disse ele. “As Testemunhas de Jeová, que não têm distinções de clero e leigos, adoram e obedecem a Jeová Deus, pregando e ensinando as boas novas do Reino como Seus servos.”

Um dos clérigos respondeu que os dois podiam voltar e se lhes permitiria pregar na igreja. Mas Emmanuel respondeu: “O que vou pregar? Não as mesmas coisas velhas — imortalidade da alma humana, inferno de fogo após a morte, a ‘misteriosa’ Trindade, e assim por diante? Não, não quero isso. Cheguei à conclusão, por meio dos ensinamentos das Testemunhas de Jeová, de que essas doutrinas da Igreja são falsas e se originam do paganismo.”

A palestra continuou por mais de duas horas, mas os pastores foram embora sem terem recuperado seus membros. Samuel Denoo, logo após isso, ofereceu seu lar para ser Salão do Reino. Com o tempo, passou a ser o lar da maioria dos missionários que foram designados para a Costa do Marfim.

A ASSEMBLÉIA DE 1955 NA COSTA DO OURO

O principal ponto alto de 1955 foi, sem dúvida, a assembléia realizada em Acra, Costa do Ouro, de 17 a 20 de novembro. Vinte e cinco da Costa do Marfim compareceram, viajando tanto de camioneta como de barco. Na fronteira, o irmão Paterson saiu do barco e disse às autoridades na fronteira que estes eram cidadãos do . “Novo Mundo” que estavam indo assistir a um congresso . . de “co-cidadãos” em Acra. Concedeu-se passagem ao barco e nenhum dos irmãos foi molestado.

Por fim, o grupo chegou a Acra. No local da assembléia, que maravilha seus olhos contemplaram! Raras vezes haviam visto 100 pessoas reunidas para uma reunião cristã. Mas ali estavam 7.000 pessoas na assistência na primeira sessão, com 14.331 presentes na reunião pública! O casal Shooter, que iniciara o trabalho na Costa do Marfim, permaneceu então na Costa do Ouro. Entretanto, o resto dos irmãos da Costa do Marfim regressou com novo vigor para continuar a obra de pregação.

INÍCIO DA OBRA EM BOUAKÉ

Até 1955, a pregação se limitava a Abidjã e seus subúrbios. Embora alguns tivessem pregado a seus parentes em outros lugares, ninguém contatava regularmente essas pessoas. Entretanto, após a assembléia em Acra, Robert Markin foi transferido pelos seus patrões para Bouaké, a segunda maior cidade da Costa do Marfim.

De início, Robert ficou preocupado sobre como ele se daria ali, estando longe de seus irmãos. Mas o irmão Paterson lhe disse: “Quando for para lá, não obtenha uma casa pequena, obtenha uma grande. Assim poderá realizar reuniões nela com todas as pessoas interessadas que aparecerem.”

Ao chegar a Bouaké, Robert ficou sabendo que seu sobrinho já havia encontrado uma casa para ele, uma pequena. Portanto, fiel às instruções do irmão Paterson, Robert rejeitou-a e encontrou outra suficientemente grande para acomodar a futura congregação. Em bem pouco tempo, enquanto fazia a obra de pregação, encontrou uma família muçulmana. Vinte membros começaram a vir para as palestras. Num curto período, um bom número de pessoas na cidade mostrou interesse. No país inteiro, havia, em média, 53 pessoas que participavam na pregação do Reino em 1956.

A VISITA DE SUPERINTENDENTES VIAJANTES

Em outubro de 1957, começaram as visitas de superintendente de circuito. William T. Darko, da Costa do Ouro (naquele ano seu nome mudou para Gana), servia a congregação em Abidjã e o pequeno grupo de publicadores isolados em Bouaké. Nessa época, havia também publicadores isolados em Daloa, Dimbokro, Grand Bassã e em Cumási, um afastado subúrbio de Abidjã. Em dezembro de 1957, o irmão Paterson foi designado superintendente de circuito. No ano que se seguiu, o grupo de Bouaké estava relatando 16 publicadores.

PIONEIRO ESPECIAL VAI PARA BOUAKÉ

Daniel Keboh, um pioneiro especial nigeriano que morava em Gana, foi a Bouaké em setembro de 1958 para trabalhar ali. Depois de dois dias de viagem em caminhões de transporte de cargas, intermunicipais, ele chegou coberto de poeira vermelha, cansado, feliz, porém, de encontrar seus irmãos. No dia seguinte, acompanhado de um dos irmãos locais, foi à delegacia de polícia para registrar a sua presença na cidade.

A polícia confiscou imediatamente a literatura de Daniel e deteve os dois por algumas horas. Fizeram muitas perguntas aos irmãos sobre sua atividade e, três meses mais tarde, receberam intimação para comparecer em juízo. O juiz impôs uma multa de 2.500 francos a cada um.

As autoridades africanas subalternas, porém, foram compassivas e disseram aos irmãos que não pagassem a multa. Esses homens disseram que, quando fossem enviados para arrecadar a multa, diriam que não conseguiram contatar os irmãos. Esta experiência ilustra um tanto bem a atitude das autoridades para com as Testemunhas de Jeová nessa época. Apesar do que ocorrera, Daniel não ficou desanimado, e começou a dar testemunho em Bouaké.

ESTRANGEIROS OBRIGADOS A DEIXAR O PAÍSES

Em 1958, ainda eram bem poucas as pessoas locais que aceitaram a verdade na Costa do Marfim. A maioria dos irmãos eram procedentes de Togo e Daomé (hoje chamado Benin), e, amiúde, falava-se de nossa religião como sendo daomeana. Um irmão disse que as pessoas o confundiam como sendo daomeano só porque era Testemunha.

Depois, em 1958, surgiu dificuldade em torno da questão de estrangeiros que residiam na Costa do Marfim. Houve levantes e muito sofrimento. A situação deteriorou-se a tal ponto que o governo não podia mais garantir a segurança dos cidadãos togienses e daomeanos na Costa do Marfim. Assim, exigiu-se que estes retornassem para seus países de procedência.

Nenhum dos irmãos foi morto nesses levantes, mas a sua vida estava em perigo, assim como a vida de outros estrangeiros. Portanto, obedecendo ao decreto do governo, muitos irmãos também deixaram o país. Em resultado disso, a Costa do Marfim perdeu cerca de 25 publicadores do Reino, os frutos de dois anos de trabalho árduo. Visto que muitos desses eram irmãos que assumiam a liderança na congregação, a perda foi muito sentida.

Surgiu, então, a questão: poderiam os irmãos locais superar a dificuldade sozinhos? A resposta foi, naturalmente, Sim! O irmão Paterson começou imediatamente a treiná-los a assumir responsabilidades na congregação de Abidjã, a fim de poderem cuidar das coisas na sua ausência, quando estivesse visitando os publicadores isolados. A atividade de pregação continuou e, com o tempo, novos discípulos começaram a substituir os que deixaram o país em resultado dos levantes. Entretanto, o número, em média, de publicadores diminuiu de 60 em 1958 para 46 em 1959 em razão de muitos terem ido embora.

ALGUÉM QUE AJUDOU NO CRESCIMENTO DA OBRA

Quase nessa mesma época, Blaise Bley, que trabalhava no aeroporto de Abidjã, recebeu um exemplar da Sentinela em francês. Tendo gostado do que leu, escreveu pedindo informações adicionais. Finalmente, o irmão Paterson recebeu seu endereço e entrou em contato com ele. Iniciou-se um estudo bíblico e, em março de 1959, Blaise estava entre os 20 congressistas da Costa do Marfim que viajaram para Cumási, Gana, a fim de assistirem à assembléia Vontade Divina. Que emoção foi para ele estar entre uma multidão de 13.754 pessoas que receberam conselho e encorajamento da Palavra de Deus!

Como Blaise morava em Port-Bouet, subúrbio de Abidjã, a uns 10 quilômetros donde as reuniões eram realizadas, era-lhe ‘difícil assistir a tais três vezes por semana. Portanto, o irmão Bley reuniu outras pessoas interessadas que residiam na sua área e programou reuniões regulares para eles ali. Assim se formou o núcleo da congregação de Port-Bouet.

Em junho de 1959, realizou-se a primeira assembléia de circuito na Costa do Marfim com uma assistência de 62 pessoas. Seis meses mais tarde, outra assembléia foi realizada em Abidjã. Nessa ocasião, 153 pessoas apreciaram ver pela primeira vez o filme da Sociedade sobre as assembléias da Vontade Divina.

PROGRESSO FIRME

Daniel Keboh, o pioneiro especial em Bouaké, foi transferido para a cidade de Gagnoa, a oeste do países. Outro pioneiro especial, procedente de Gana, Abraham Amponsah, foi trabalhar com ele ali. Não demorou muito e um pequeno grupo florescia. Os irmãos foram visitados pelo superintendente de distrito de Gana, Ernest Funk, que exibiu um dos filmes da Sociedade perante uma multidão de diversas centenas de pessoas ali. Um chefe muçulmano em Gagnoa emprestou gentilmente seu equipamento de som para a exibição, e até mesmo enviou um de seus homens para operar o equipamento.

Os subúrbios dispersos de Abidjã estavam também recebendo um testemunho. Além do grupo que se reunia em Port-Bouet, outro começou a operar na área da cidade de Cumási. A cidade de Grand Bassã, uns 40 quilômetros litoral abaixo de Abidjã, estava também recebendo testemunho. Hoje, prospera ali uma congregação de cerca de 30 publicadores

Estes grupos diferentes receberam ajuda dos pioneiros especiais que vieram de Gana: George Kwakye foi designado para Cumási e Jacob Hackman, para Grand Bassã. David Adu-Manuh foi designado para substituir o irmão Paterson como superintendente de circuito, visto que os Paterson foram redesignados para Gana. Assim, terminou o ano de serviço de 1961 com um excelente auge de 121 publicadores do Reino.

UMA VIAGEM ACIDENTADA

O ano de 1962 começou bem com uma delegação da Costa do Marfim assistindo à assembléia de distrito em Acra, Gana. O grupo viajou pelo litoral, atravessando as lagunas da fronteira e daí usando o serviço de transporte intermunicipal, num caminhão aberto. A pessoa se arrisca até certo ponto ao viajar fazendo uso dessa forma de transporte, visto que os motoristas freqüentemente têm uma atitude um tanto fatalista para com seu trabalho. “Se for a vontade de Deus que cheguemos daqui até lá, nada nos impedirá”, dizem, e dirigem concordemente! Por isso, são freqüentes os acidentes, e, infelizmente, esta viagem no caminhão não foi uma exceção.

No lado de Gana da fronteira, perto de Takoradi, o caminhão saiu da pista e capotou. Um irmão que estava profundamente adormecido foi lançado diretamente do caminhão para dentro de um matagal de caniços. Depois de alguns minutos de busca ansiosa, os irmãos o encontraram ali, ileso! Nenhum dos irmãos sofreu ferimentos graves, embora diversos dos outros passageiros ficassem gravemente feridos. Após receberem assistência médica num hospital por pequenos cortes, e depois de pernoitarem com os irmãos locais, os congressistas continuaram a viagem para a assembléia no dia seguinte, e a usufruíram plenamente!

DIFICULDADE EM BOUAKÉ

Numa assembléia de circuito em Bouaké, em 1962, houve um incidente infeliz que afetou adversamente o crescimento da pregação do Reino por diversos anos. Na primeira noite, 182 pessoas estavam na assistência. Mais tarde, durante a assembléia, uma pessoa desassociada chegou e causou distúrbio. Enquanto estava sendo restrito fisicamente, caiu de modo brusco no chão e parecia que estava tendo um ataque epilético. Nesse momento, chegou a polícia que tinha sido chamada. Providenciou a remoção dele para o hospital, onde ele faleceu.

Seja notado que as pessoas aqui amiúde não aceitam a morte como sendo simplesmente resultado de causas naturais. Até mesmo a morte por velhice pode ser atribuída à feitiçaria ou ao envenenamento. Assim, neste caso, o fato de se saber que este homem era doente e de ter sido avisado pelo seu médico para não se emocionar ou ficar nervoso não significou absolutamente nada para seus parentes. Eles acreditavam firmemente que fora assassinado, embora o hospital dissesse que ele morreu de um ataque cardíaco.

Devido às acusações, por fim nove irmãos foram presos. Cinco dentre eles foram postos em liberdade alguns dias mais tarde, mas os outros quatro foram formalmente acusados de homicídio. Depois de permanecerem quatro meses na prisão, mais três foram soltos; a autópsia estabelecera de modo conclusivo a sua inocência. O último irmão que restou foi mantido por um período mais longo para a própria segurança dele, segundo disseram, visto que os parentes do morto estavam procurando vingar-se.

Enquanto estavam na prisão, os irmãos deram testemunho sem temor. Os Adventistas do Sétimo dia naquela localidade pararam de visitar a prisão quando se viram confrontados com a situação de terem de responder às perguntas dos irmãos na presença de todos os presos. Permitiu-se aos irmãos dar discursos públicos na prisão, e, antes de serem soltos, tantas quantas 30 pessoas assistiam a tais reuniões. Outras reuniões regulares eram também realizadas, e dois dos presos começaram a tomar posição a favor da verdade.

Os irmãos foram por fim completamente absolvidos, mas o incidente teve efeitos a longo prazo. O grupo de Gagnoa, composto principalmente dos parentes do morto, deixou de existir depois de pouco tempo. E a congregação de Bouaké se dispersou também, visto que por longo período depois disso era muito perigoso os irmãos serem vistos na cidade.

MAIS PESSOAS DESIGNADAS PARA PRESTAREM AJUDA

Em setembro de 1962, o irmão e a irmã Simmons, missionários expulsos do Haiti, chegaram à Costa do Marfim. No mês que se seguiu, realizou-se uma assembléia em Abidjã com um auge de 108 pessoas na assistência, a assistência menor refletindo as recentes dificuldades. Estava presente Herbert Jennings, servo da filial de Gana. Ele achou que mais missionários seriam uma influência estabilizadora no país. Por conseguinte, o ir mão e a irmã Enevoldsen, da 37.ª turma de Gileade, . foram designados para cá, chegando a Abidjã em janeiro de 1963. Alguns meses mais tarde, foi enviado de Gana um pioneiro especial, Cosmas Klévor.

Ao chegar, o irmão Klévor ficou surpreso de ser recebido pelos irmãos com muita suspeita, e se perguntava por quê. Mas, depois, os rostos dos irmãos se avivaram, quando Cosmas mencionou os irmãos missionários à procura dos quais viera. Eles explicaram que poucos minutos antes falaram com um impostor, um homem que afirmava ser Testemunha procedente de um país estrangeiro. Os irmãos temiam que Cosmas estivesse usando o mesmo artifício!

ACOMODAÇÕES DE MISSIONÁRIOS

Em janeiro de 1964, os missionários se mudaram do apartamento onde moravam para a casa de Samuel Denoo. O Salão do Reino já estava localizado em sua casa grande, na rua principal de Treichville. Com o tempo, tantos quantos 15 missionários ficaram acomodados aqui. O lugar tinha destacadas vantagens sobre o local anterior, embora também tivesse suas desvantagens.

Sem ser a mínima das desvantagens, havia o fato de a casa se situar bem numa encruzilhada, perto de semáforos, e o barulho do trânsito era muito perturbador. Além disso, moravam na residência ao lado um homem e suas quatro esposas, e quase todas as manhãs os missionários acordavam durante a madrugada com os gritos de uma esposa mais jovem que estava sendo surrada por uma mais velha. Anos depois, quando essa construção foi demolida e se ergueu outra em seu lugar, todos deram um suspiro de alívio. Mas, depois, descobriu-se que a nova construção era para uma boate, e os gritos que vinham de lá eram amiúde mais insuportáveis.

ASSEMBLÉIAS DE 1964

O ano começou bem com uma assembléia de circuito no distrito de Cumási, em Abidjã, à qual 152 pessoas assistiram. A segunda congregação em Abidjã foi formada aqui durante 1964. George Kwakye deu um dos discursos da assembléia sobre o valor da coragem. Ele estava citando as palavras de Jesus sobre não temer os que podem matar o corpo, mas não a alma, quando apareceu no palco uma cobra. Assustado com os gestos alarmantes dos irmãos sentados na primeira fileira, George fugiu para a parte de trás do auditório. Depois de outros irmãos terem tirado a cobra, George reapareceu, um tanto embaraçado, para continuar seu discurso donde tinha interrompido!

Pouco tempo depois, em março, programou-se uma assembléia de distrito em Abidjã, no Centro Cultural de Treichville. Em razão de queixas de que se realizava uma reunião ilegal, a polícia interrompeu a assembléia. Diversos irmãos que estavam no programa foram levados à delegacia, e foi-lhes dito que não podiam realizar assembléias públicas, visto que a obra das Testemunhas de Jeová não era reconhecida na Costa do Marfim. Entretanto, a assembléia prosseguiu com êxito no Salão do Reino de Treichville. Atingiu-se em 1964 um auge de 143 publicadores, o mais alto até então no países.

EMPENHO PELA OBTENÇÃO DE RECONHECIMENTO LEGAL

Os irmãos decidiram informar-se sobre a possibilidade de registrar as atividades da Sociedade Torre de Vigia. Já que nessa época a Costa do Marfim passou a ser um países africano independente, achava-se que os esforços teriam talvez mais êxito do que antes. Portanto, enviou-se uma carta do presidente da Sociedade Torre de Vigia ao presidente da Costa do Marfim, em 14 de setembro de 1964, solicitando reconhecimento legal da obra.

No ínterim, continuava a obra de pregação. Com efeito, em maio de 1965, realizou-se outra assembléia de circuito, dessa vez em Grand Bassã, com a excelente assistência de 200 pessoas no discurso público. Mas, depois, em 3 de junho de 1965, noticiou-se que o governo recusara às Testemunhas de Jeová a permissão de efetuarem suas atividades na Costa do Marfim.

Mudou isso realmente alguma coisa? Não muito, pelo menos não no início. Mesmo antes de ser emitido esse decreto, a obra das Testemunhas de Jeová não era reconhecida na Costa do Marfim. Contudo, os missionários não haviam recebido ordem de deixar o país, tampouco haviam sido proibidas as reuniões. As reuniões em Treichville, por exemplo, eram realizadas no Salão do Reino, anunciadas claramente com grande letreiro. A única concessão que os irmãos fizeram ao decreto recém-emitido foi que passaram então a fechar as janelas durante as reuniões, apesar do clima tropical.

Surpreendentemente, quatro novos missionários receberam nessa época vistos para permanecerem na Costa do Marfim. E isto, apesar do fato de serem claramente identificados como missionários da Sociedade proscrita! Por conseguinte, os formados em Gileade, Joseph e Marcia Crawford e Joseph e Lillie Hines, chegaram em 4 de novembro de 1965. Não sabiam das restrições impostas à obra — não se lhes havia mencionado. Portanto, começaram a trabalhar entusiasticamente, e um dos missionários colocou mais de 300 revistas no primeiro mês.

DETENÇÕES E MOLESTAMENTO

Pouco tempo depois, porém, começaram verdadeiras dificuldades. Daniel Keboh foi encarcerado em Cumási, em 1.º de janeiro de 1966. Ele morava no pátio abaixo do lar missionário de Cumási. Quando os novos missionários que residiam ali notaram que a porta da casa de Daniel ficara trancada por duas noites seguidas, começaram a investigar. Imagine a consternação deles ao descobrirem que ele fora preso por pregar uma religião proscrita!

Os missionários foram logo para casa e retiraram o letreiro do Salão do Reino que ficava no andar debaixo do lar missionário. Até mesmo fizeram as malas, preparando-se para serem expulsos do país. Com o tempo, porém, compreenderam que a situação não era tão séria. Todavia, a partir desse tempo, foram um pouco mais discretos no seu modo de fazer a pregação.

Alguns meses mais tarde, em 5 de junho, a polícia tomou ação adicional. Foi ao Salão do Reino de Cumási e prendeu o superintendente de congregação, George Kwalye, junto com mais dois irmãos. Foram levados embora o quadro de anúncios, o texto do ano, publicações e outras coisas. No dia seguinte, quando dois irmãos, Samuel Attiou e Ernest Nomel, foram visitar os irmãos que estavam presos, eles também foram imediatamente detidos.

A polícia, obtendo do quadro de anúncios o nome de Robert Lasme, foi à sua casa para prendê-lo. Precisamente naquela hora se realizava ali uma reunião de congregação. Entretanto, a irmã Lasme, que estava vigiando junto à porta, viu que os policiais se aproximavam e fez sinal. Todos, exceto três irmãos, conseguiram sair furtivamente. Esses três correram para o quarto e se enfiaram na cama. Dois policiais olharam brevemente dentro da casa e não viram sinal de nada. Quando foram dar uma olhada nos fundos da casa, os três irmãos escaparam!

Todavia, seis irmãos de Cumási se achavam na prisão, e não se permitia aos missionários que os visitassem. Permitiu-se, porém, a uma irmã que lhes levasse alimento, e ela conseguiu levar-lhes às escondidas duas Bíblias. Os irmãos dirigiam uma reunião e entoavam cânticos do Reino todas as noites. Os outros presos no mesmo bloco de cárceres, alguns dos quais assistiam a essas reuniões, diziam: “Deus está conosco nestas celas ”. Gostavam muito de ouvir os irmãos cantar.

Quando finalmente os irmãos foram levados perante o tribunal, o promotor público disse que não era proibido conhecer ou ensinar a Bíblia na Costa do Marfim, mas que era proibido propagar as idéias das Testemunhas de Jeová. Ele não disse em que consistia a diferença. Os irmãos receberam sentenças suspensas e multas no total de 350.000 francos. Mais tarde, impetrando-se recurso, um tribunal superior cancelou as multas. Os irmãos retornaram a Cumási, continuaram a pregar e a se reunir como antes.

Contudo, este não foi o único incidente dessa espécie Lawrence Lambert também foi preso. A polícia o maltratou muito e o interrogou extensamente. A intenção da polícia era descobrir o nome de todos os irmãos que residiam naquela área, para poder prender a esses também. Mas o irmão Lambert replicou: “Será que o sacerdote sabe o nome de todos os que assistem à Missa na sua igreja?” Não conseguiram arrancar dele nenhum nome

Outro incidente mostra a atitude geral das autoridades para com as Testemunhas de Jeová naquela época. Um homem da Nigéria, que não era Testemunha, foi preso porque tinha mandado pintar o nome “Jeová” no seu caminhão. Ele só foi solto depois de conseguir convencer as autoridades de que não era Testemunha.

EMPENHO PELA SUSPENSÃO DA PROSCRIÇÃO

Tornou-se então evidente que seria difícil a obra progredir estando em vigor a proscrição. Portanto, fez-se nessa época todo empenho para que fosse suspensa. Os missionários Joseph Hines e Joseph Crawford conseguiram entrevistas com o Ministro do Interior, o Sr. Nanlo Bamba, e seu assistente administrativo francês, o Sr. Christian Blaud. Autoridades da embaixada dos Estados Unidos também intervieram a favor da Sociedade, visto que estava envolvida a recusa de registro de uma organização estadunidense.

A Sociedade Torre de Vigia preparou também um documento de 13 páginas, em abril de 1967, que explicava nossa posição de neutralidade. Esclarecia que não desencorajávamos as pessoas de realizar seus deveres cívicos, mas, antes, que sublinhávamos a importância de serem os cidadãos obedientes às autoridades. Foram obtidas também cópias de documentos oficiais, indicando que nossa obra é legalmente reconhecida em outros países da África Ocidental. Estes documentos, junto com uma carta datada de 18 de maio de 1967, foram entregues ao presidente Félix Houphouët-Boigny. Informou-se mais tarde que ele leu a carta, aprovou o que esta dizia e a despachou para o Ministro do Interior.

Quase imediatamente, quatro irmãos foram novamente enviados para falar com o Ministro do Interior, o Sr. Nanlo Bamba. Visto que amiúde se referia à nossa sociedade como sendo “estrangeira”, dessa vez foram quatro irmãos da Costa do Marfim. A primeira coisa que o ministro fez foi perguntar a cada um deles de que tribo se originavam. Descobrindo que todos pertenciam a tribos da Costa do Marfim, ficou satisfeito e permitiu que a entrevista prosseguisse. Daí, ele suscitou a questão do serviço militar, e disse que as Testemunhas de Jeová não lutam pelo seu país. Explicou-se-lhe a nossa posição de neutralidade cristã e foram-lhe dadas algumas publicações da Sociedade. Não se fez nenhuma decisão sobre a questão nessa ocasião, pois, conforme o Sr. Bamba disse, outras autoridades tinham de ser consultadas.

INFORMAÇÃO SOBRE A DECISÃO

Duas semanas mais tarde, no início de junho de 1967, uma Testemunha e uma pessoa interessada estavam empenhadas na atividade de pregação de casa em casa. A pessoa interessada continuou a trabalhar depois de a Testemunha ter ido embora, visto que estava gostando muito do trabalho. Enquanto ele ouvia surpreso, um morador disse: “As Testemunhas de Jeová eram proibidas de realizar o seu trabalho na Costa do Marfim, mas agora foi-lhes concedida autoridade de pregar.” O homem lhe afirmou que ele foi um dos funcionários que cuidaram do caso e que a decisão havia sido feita duas semanas antes!

O novo publicador correu para o lar missionário com as boas notícias. No dia seguinte, visitaram este funcionário do governo no seu gabinete e receberam dele uma cópia da ordenação oficial. Indicava que as Testemunhas de Jeová haviam realmente recebido reconhecimento oficial e permissão de continuar seu trabalho por um ano, após o que se poderia requerer renovação em caráter anual.

“O registro legal da obra de pregação fez com que cada um sentisse que um grande peso tinha sido tirado de seus ombros”, observou um dos missionários. “Sentíamo-nos muito felizes de termos perseverado durante este período crítico da história da obra do povo de Jeová na Costa do Marfim.”

Ao ouvirem as notícias da suspensão da proscrição, os irmãos mostraram sua alegria à moda tradicional. Ajuntaram-se depois de uma reunião, cantaram e cantaram até não poderem mais cantar de cansaço.

UM NOTÁVEL EXEMPLO DE PERSEVERANÇA

Em 1967, a missionária Lillie Hines começou a estudar com uma moça baulé de 16 anos de idade, de nome Pauline. Seu pai era alto funcionário do governo, e ela devia seguir determinado rumo traçado por ele, segundo se esperava. Teria o melhor de tudo, inclusive educação em internatos particulares.

Com o tempo, seu pai fez pressão para que ela deixasse de estudar a Bíblia. Ela foi levada perante um conselho tribal, mas isso não a fez desistir. Depois, empregou-se a feitiçaria — foi-lhe dado um lindo anel de ouro, que, sem ela saber, havia sido benzido por um curandeiro. Ela começou a ter fortes dores de cabeça, mas, lembrando-se de que estas começaram depois de ela passar a usar o anel, ela se desfez dele e as dores de cabeça desapareceram gradativamente. Mesmo bater nela e ameaças foram inúteis para fazê-la desistir de seus estudos.

Foram contratados guardas para impedi-la de assistir às reuniões. Mas ela os enganava. Certa vez, ela se disfarçou em senhora idosa, passou em frente dos guardas e foi a uma assembléia. Ali, tirou o disfarce e apreciou as sessões. Depois, vestiu-se novamente como uma senhora idosa e foi para casa, passando diretamente em frente dos guardas.

Em outra ocasião, ela pulou a cerca dos fundos, tomou o trem que ia a Bouaké, foi batizada ali na assembléia, apanhou outro trem de volta a Abidjã e retornou à escola antes que alguém soubesse que estivera ausente. Seu pai descobriu mais tarde que ela estivera em Bouaké e perguntou-lhe com quem ela tinha ido. “Com as irmãs”, foi a resposta. Pensando, naturalmente, que ela quisesse dizer com as freiras da sua escola, ele disse: “Está bem.”

Quando o pai descobriu que ela fora batizada pelas Testemunhas de Jeová, ele ficou furioso. Ajuntou os pertences dela, colocou-a sob a tutela de um proeminente político e a enviou a Paris, França, para completar ali seus estudos. Esperava que ali o deslumbramento e o esplendor dos atrativos mundanos a deixassem tão absorta que ela se esqueceria de sua nova religião.

Embora Pauline achasse a vida em Paris realmente deslumbrante, isto não fez diminuir seu zelo por Jeová. Ela encontrou o endereço da sede da filial numa Despertai! e começou a freqüentar regularmente as reuniões ali. Mais tarde, começou a ir a uma congregação mais próxima de onde morava num subúrbio. Na escola, ela iniciou estudos bíblicos com diversas de suas colegas de classe, pelo menos sete delas são agora batizadas!

Desde então, Pauline retornou à Costa do Marfim e serve junto com seu marido numa das congregações de Abidjã. Ela não se arrepende de ter renunciado às riquezas materiais por causa do Reino. Tampouco lastima ter perdido o favor de seu pai, embora espere muito que um dia mude o coração dele. Seu principal desejo é servir inteiramente a Jeová e ajudar seu marido a educar os filhos no caminho de Jeová.

PRIMEIRA ASSEMBLÉIA DEPOIS DA PROSCRIÇÃO

Em setembro de 1967, os irmãos estavam prontos para usufruir sua primeira assembléia de circuito desde maio de 1965. Nem mesmo o fato de terem de mudar na última hora o local da assembléia, nem o fato de que o novo local não tivesse luz e, que, por conseguinte, o programa precisou ser reorganizado para a tarde, diminuíram o entusiasmo dos irmãos. Esta foi a melhor assembléia que tiveram; era a primeira vez que se reuniam em completa liberdade. Não obstante os empecilhos, 416 pessoas vieram para o discurso público. Que aumento maravilhoso sobre as 200 pessoas na assembléia dois anos antes!

MUITOS MAIS MISSIONÁRIOS

Nessa assembléia, em setembro de 1967, soube-se que mais missionários haviam sido designados para a Costa do Marfim. Sete chegaram por volta do fim do ano, elevando o total no país para 11. Nessa época, estabeleceu-se um novo lar missionário em Adjamé, um subúrbio de Abidjã.

Depois, em novembro de 1967, Don Adams, da sede da Sociedade em Brooklyn, fez uma visita de zona, e recomendou o envio de mais missionários. Portanto, em março e abril de 1968, mais nove chegaram. Após um curso intensivo de francês por três semanas, quatro foram designados para abrir um novo lar missionário em Bouaké. Em outubro de 1968, chegaram mais nove missionários.

Como será que era para um missionário que chegava a este país e trabalhava aqui? Heidelind Pohl observa:

“Ao desembarcar do avião era como se tivesse entrado num banho de sauna. Ao chegar ao lar missionário de Treichville, fiquei surpresa de ver venezianas, mas não vidraças, que, naturalmente, não eram necessárias neste clima. Com efeito, fazia tanto calor que muitas vezes, durante a noite, eu saía da cama e me deitava sobre uma esteira no chão de cimento para me refrescar um pouco.

“As pessoas no território eram muito amáveis. No começo, quase não sabia falar nada em francês, mas todos demonstravam muita paciência. Às vezes, perguntavam o que tínhamos nas nossas sacolas de campo, e puxavam um livro que queriam. Não é problema iniciar estudos bíblicos. Houve épocas em que eu tinha 20 ou mais.

“Um homem que eu visitei adquiriu um livro Verdade e começou a vir às reuniões. Ele escreveu à sua noiva em Benin sobre sua recém-encontrada fé. Ela não gostou disso absolutamente, e lhe disse que podia esquecê-la se continuasse nesta religião. A primeira vez que o visitei foi em outubro. No fim de dezembro, ele já estava indo ao serviço de campo, depois de ter limpado a sua vida. No mês de março que se seguiu, foi batizado, e serve agora como ancião numa, das congregações de Abidjã. A noiva escreveu-lhe pedindo perdão. Ele foi de férias à sua terra e tomou providências para que uma irmã estudasse com ela. Um ano depois, eles se casaram.”

EXPANSÃO EM BOUAKÉ

Desde a dificuldade em Bouaké, em 1962, quando a congregação foi dissolvida, só havia três ou quatro publicadores do Reino naquela cidade. O que aconteceria depois de os missionários começarem a trabalhar ali? Em apenas dois anos, o número de publicadores pulou para 50, com uma assistência de 80 pessoas, em média, em todas as reuniões. Um dos missionários, Otto Hauck, ajudou 12 pessoas até o batismo, durante esse período. Uma destas era Santé Poté, diretor da escola de segundo grau.

Santé é homem de elevados princípios, que recusou escutar seus amigos católicos que o incentivavam a tomar esposas adicionais. Em pouco tempo, ele, a esposa e quatro de seus filhos foram batizados. Embora continue a trabalhar no seu emprego na escola, é pioneiro regular, e, de vez em quando, sua esposa é pioneira com ele.

VENCIDA A SUPERSTIÇÃO RELIGIOSA

À parte da cidade de Abidjã, onde há uma mistura de gente de muitas tribos, a maioria das cidades do países é predominantemente composta de pessoas que são de uma ou das duas tribos principais. Bouaké é habitada principalmente por uma população que é da tribo baulé, embora muitos muçulmanos das regiões do norte vivam ali também. Os baulés são um povo da floresta, aparentados aos achantis de Gana. Acreditam geralmente nas religiões animistas nativas e depositam grande fé nos fetiches.

Na maior parte das pequenas vilas perto de Bouaké há um grande fetiche, geralmente uma representação esculpida de algum espírito ou animal. O fetiche pode ser uma máscara esculpida num pedaço de madeira para representar um antepassado da vila. Acredita-se que o espírito que vive na escultura a abandona de noite para caminhar pela vila, e protege-a de todo o mal. Acredita-se também que o fetiche mata os que lhe são infiéis, e há necessidade de constantes sacrifícios para aplacá-lo. Os sacrifícios podem consistir em ovos ou arroz, ou até uma ovelha ou algumas garrafas de bebida alcoólica. O sacerdote do fetiche cuida em geral destas coisas!

Em Abidjã, a missionária Marcia Crawford estudou com um casal baulé, de uma vila perto de Bouaké. O irmão mais velho da senhora sentava-se também entre os que estudavam, mas criticava o que se ensinava. A esposa, porém, mostrou muito interesse, e, por isso, Marcia sentiu muito quando o casal se mudou de volta para Bouaké. Felizmente, isto se deu mais ou menos na época em que os missionários abriram um lar em Bouaké, e assim o estudo foi continuado. Com o tempo, o marido também progrediu na verdade, queimando por fim todos os seus objetos relacionados com fetiche.

Dois dias depois disto, o marido recebeu uma mensagem urgente de seu pai, pedindo que fosse ao seu vilarejo. Seu pai, todo assustado, disse-lhe que o sacerdote fetichista olhara dentro da cabaça sagrada e vira as almas de todos na vila, exceto a de seu filho. “Este homem não é mais um de nós”, anunciara o sacerdote. “Sua alma nos abandonou e, por conseguinte, ele está fraco e não é mais protegido contra nenhum fetiche.”

O filho disse a seu pai que esta era a melhor notícia que poderia receber. Significava que ele não era mais contado entre os que praticavam o demonismo. Outrossim, ele disse a seu pai que doravante ele tinha a maior proteção contra o fetiche. Desde aquele momento, nunca voltou atrás, e o fetiche não pôde causar-lhe dano.

Entretanto, ele tinha muitos problemas. Tinha cinco filhos de várias mulheres, além de seis de sua esposa. Todos estes filhos foram trazidos debaixo do mesmo teto, ensinaram-se-lhes os princípios bíblicos e tornaram-se eventualmente uma família unida.

No ínterim, Marcia Crawford encontrou em Abidjã novamente o irmão da esposa, aquele que criticava quando assistia aos estudos. Para a sua surpresa, ele pediu um exemplar da Despertai! Será que havia mudado de opinião? Sim, havia! A grande transformação na família de sua irmã, pelo poder curador da verdade, causara uma impressão tão profunda nele que passou então a estudar regularmente. Daí, os três, marido, esposa e irmão, foram batizados juntos na assembléia “Paz na Terra” de 1969.

EXCELENTE PROGRESSO EM 1968

O ano de 1968 começou bem com a formação de uma quinta congregação em Abidjã. Depois, em fevereiro, os irmãos usufruíram a sua primeira assembléia de distrito desde a proscrição, 486 assistindo ao discurso público. Em março, realizou-se em Treichville a nova Escola do Ministério do Reino para anciãos. Foi dirigida pelo irmão Crawford que servia nessa época como superintendente de circuito. O curso foi certamente uma grande ajuda para produzir melhorias organizacionais nas congregações.

Em abril, 577 pessoas assistiram à Comemoração, um excelente aumento de 175 mais do que no ano anterior. E o número, em média, dos publicadores subiu muito, de 180 em 1967 para 220 em 1968. A maioria desses proclamadores do Reino se associa com as seis congregações no país.

O LIVRO “VERDADE” ACELERA A COLHEITA

Em outubro de 1968, a assembléia de distrito “Boas Novas Para Todas as Nações” revelou ser um verdadeiro ímpeto para a colheita. Uma excelente multidão de 646 pessoas compareceu e 21 pessoas foram batizadas. Mas o verdadeiro ponto alto foi o lançamento do novo livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, em francês. Este livro revolucionou a atividade de estudos bíblicos e revelou ser uma ajuda magnífica em levar rapidamente as pessoas ao conhecimento da verdade. Com apenas 220 publicadores, em média, no país, os estudos bíblicos aumentaram grandemente para 950 em questão de seis meses. A primeira remessa de 5.000 exemplares do livro, enviada pela Sociedade, foi distribuída em poucas semanas.

Todos os missionários ficaram maravilhados com a facilidade com que o novo livro era colocado e estudos eram iniciados. Não era incomum pessoas os pararem na rua e pedirem um exemplar “daquele livro azul”. As pessoas vinham ao lar missionário e aos Salões do Reino para pedir um exemplar e imploravam que alguém fosse estudar com elas. Algumas pessoas até mesmo espiavam dentro da sacola de campo de uma Testemunha enquanto esta estava de pé à sua porta e, ao verem o livro Verdade, pediam imediatamente um.

FORTALECIDOS PUBLICADORES ISOLADOS

Em 1968, Cosmas Klévor foi designado para fazer uma viagem para visitar irmãos e pessoas interessadas isolados em todo o país. Nem sempre era fácil encontrá-los, visto que o endereço de correspondência não é o mesmo que o endereço de residência na Costa do Marfim. Também, as ruas das cidades muitas vezes não têm nome

A primeira cidade visitada foi Dimbokro. Cosmas mostrou ao irmão e às pessoas interessadas ali como dirigir reuniões. Ficaram radiantes, e resolveram realizar cada semana a Escola Teocrática e a reunião de serviço. Há atualmente nessa cidade uma congregação de 24 publicadores.

De lá Cosmas continuou a viagem, indo a Guiglo e a Duékoué. Tudo o que ele sabia sobre o irmão de Duékoué era que ele trabalhava para uma firma madeireira. Portanto, Cosmas foi falar com o comissário assistente do distrito daquela área e perguntou-lhe se conhecia uma Testemunha de Jeová que trabalhava para uma firma madeireira naquela área. Ele conhecia, e até mesmo levou Cosmas de carro à casa do irmão, bem longe da cidade.

O irmão era gerente da oficina da firma madeireira, e ele havia dado testemunho a todos os seus colegas de serviço. Naquela noite, ele fez arranjos para que esses homens assistissem a um discurso que foi proferido por Cosmas. Um desses operários fez excelente progresso na verdade.

O irmão Klévor fez de novo esta mesma viagem alguns meses mais tarde. Quando estava em Abengourou, uma cidade a leste do país, uma menina de oito anos de idade foi falar com Cosmas e disse que sabia que as Testemunhas estavam com a verdade. Como chegara ela a essa conclusão? Bem, algum tempo antes, seus pais a haviam mandado para a casa de uma Testemunha em Grand Bassã para morar e freqüentar a escola ali. A Testemunha levou-a às reuniões e ensinou-lhe a verdade. Entretanto, quando os pais ficaram sabendo disso, não gostaram, de modo que a mandaram para uma escola em Abengourou. Logo que ela soube que havia uma Testemunha na cidade, ela começou a ir de casa em casa naquela área para a encontrar. Cosmas fez que ela entrasse em contato com uma pessoa interessada daquela cidade, a fim de ajudá-la a progredir.

O irmão Klévor continuou então a sua viagem, indo a Daloa. Notou ali que o livro Verdade estava sendo colocado, não só pelo publicador isolado de lá, mas também por uma pessoa mundana, que cobrava por um exemplar quase um dólar americano! Cosmas pôs os que haviam obtido os livros da pessoa mundana em contato com a Testemunha naquela cidade. Recomendou-lhes também que estudassem seus livros, o que o outro homem não tinha recomendado.

PRESTADA AJUDA EM NOVOS LUGARES

Tornou-se evidente a necessidade de publicadores qualificados para ajudarem as pessoas interessadas nesses lugares. Não havia lares missionários no país fora os de Abidjã e Bouaké. Portanto, em junho de 1970, abriu-se um lar em Daloa, e, alguns meses mais tarde, abriu-se outro lar missionário na cidade de Abengourou.

Mais ou menos na mesma época, mais outro lar missionário foi aberto no extremo oeste, na pitoresca cidade de Man. “Quão diferente era o ambiente”, observou Shirley Mitchell, cuja designação fora mudada de Abidjã para cá. “Cheguei à noite, tendo viajado num enorme caminhão junto com meus pertences. Que bela surpresa foi ver, de manhã, montanhas em toda a nossa volta! Não eram muito altas, mas quão agradável e repousante era olhar para elas.” Shirley passou a descrever a reação das pessoas em Man para com a mensagem do Reino:

“Muitas pessoas não sabiam falar francês e muitas delas não sabiam ler. Mas estavam ansiosas de ouvir o que tínhamos a dizer. Quando chegávamos às suas casas, procuravam logo alguém para nos servir de intérprete. Às vezes, acabávamos falando com um grupo de dez pessoas ou mais.

“Com freqüência, as pessoas até mesmo vinham à nossa casa para nos pedir que estudássemos a Bíblia com elas. Lembro-me do caso de um homem que veio enquanto eu cozinhava para a família do lar missionário. Ele tinha um parente que conhecia as Testemunhas, e o que seu parente lhe havia dito despertara seu interesse. Mas ele não sabia ler. Portanto, eu lhe disse que estudaria com ele e o ajudaria a aprender a ler, mas ele teria de vir às nossas reuniões regularmente. Ele concordou. Aprendeu a ler e a escrever e serve agora na congregação como servo ministerial.”

Linda Berry é outra missionária que começou a trabalhar em Man em 1971. Ela entrou em contato com um veterinário indiano de nome Rabinadrath Louis. Ele e a esposa começaram imediatamente a vir às reuniões. Rabinadrath, porém, tinha um grande problema para vencer — o hábito de fumar! Aproximava-se a assembléia de circuito, e ele esforçou-se muitíssimo para deixar o hábito antes da assembléia. Comia amendoim toda vez que sentia vontade de fumar. Comeu tanto amendoim, porém, que ficou doente e não pôde assistir à assembléia. Todavia, com a ajuda de Jeová, conseguiu por fim livrar-se do hábito de fumar. Tanto ele como a esposa fizeram bom progresso na verdade, e hoje eles fazem parte da congregação de Man.

O superintendente de circuito Joseph Appiah teve uma importante experiência durante sua viagem de Daloa para visitar a recém-formada congregação em Man. Explica ele:

“O motorista do ônibus recusou a mim e a minha esposa os dois últimos lugares. Isto se deu porque o dono do ônibus tinha dois parentes que queriam ir naquela mesma direção. Estes chegaram à rodoviária e foram-lhes cedidos os nossos lugares. Mas, depois de percorrerem cerca de 80 quilômetros, o ônibus sofreu um grave acidente. Colidiu com um enorme caminhão, e os dois parentes do dono do ônibus morreram instantaneamente. Muitos outros passageiros ficaram feridos. Mais tarde, quando chegamos ao local do acidente, as pessoas nos disseram que nosso Deus é muito poderoso. Isto nos deu excelente oportunidade de lhes dar testemunho.”

ASSEMBLÉIA DE CIRCUITO EM BOUAKÉ

Em março de 1969, programou-se uma assembléia de circuito em Bouaké. O prefeito concedeu aos irmãos o uso da câmara municipal graciosamente. Mas, alguns dias antes da assembléia, o rádio anunciou que um partido político realizaria reuniões ali durante os dias em que a assembléia estava programada. Quando o prefeito contatou os líderes do partido, estes não pareciam querer cooperar nesta questão. Entretanto, o prefeito disse aos irmãos que fossem avante e entrassem. Assim fizeram, mas um tanto apreensivos, visto que havia alguns membros do partido parados perto da câmara observando os acontecimentos. A última coisa que os irmãos desejavam era entrar em dificuldade, como tiveram em 1962!

No entanto, começou a assembléia sem interferência. Realizou-se uma assembléia pacífica, e 343 pessoas assistiram ao discurso público. A assembléia recebeu boa publicidade no jornal nacional, num artigo reproduzindo grande parte da Despertai! especial sobre “Por Que Será que Deus Permite a Iniqüidade?”. De modo que se deu um testemunho notável, e o evento associado com Bouaké na mente de todos era doravante uma assembléia bem-sucedida e não a dificuldade anterior.

ASSEMBLÉIAS “PAZ NA TERRA”

Nos meses seguintes, os missionários partiram para assistir às assembléias “Paz na Terra” nos seus países respectivos. Ao retornarem, ajudaram a organizar a melhor assembléia que já se realizara até então na Costa do Marfim. Não só foi boa a assistência de 929 pessoas, e excelente o número de 78 batizados, mas o programa foi recebido com excepcional entusiasmo Especialmente os dramas foram muito apreciados.

PONTOS ALTOS DE 1970

Houve magnífico crescimento teocrático na Costa do Marfim em 1970. Em março, 1.234 pessoas compareceram à Comemoração, mais que o dobro do número dos que assistiram a ela apenas dois anos antes. O número de congregações aumentou para 10 durante o ano, e, em média, 389 publicadores relataram serviço de campo cada mês. O que é importante, 132 pessoas foram batizadas durante o ano, cerca de um terço de todos os publicadores no país!

Em agosto de 1970, foi muito apreciada uma assembléia de circuito excepcional em Grand Bassã. Na manhã de domingo, quase 400 pessoas se reuniram para o texto e comentários, e quase todas estas foram ao serviço de pregação. Esta é uma cidade bem pequena, e parecia que havia grupos de Testemunhas em cada esquina de rua. Também, uma excelente multidão de 801 pessoas compareceu ao discurso público: “A Lei e a Ordem — Quando e Como?” Parecia um assunto especialmente apropriado, em vista do fato de que o jornal local descrevera as Testemunhas de Jeová como sendo sediciosas.

Embora se obtivesse permissão da polícia de Abidjã para a realização da assembléia, negligenciou-se, pelo que parece, informar o delegado de polícia de Grand Bassã. Ele contatou os irmãos para saber de que se tratava a assembléia. Depois, ficou bem satisfeito, comentando que, se todos observassem a lei como as Testemunhas de Jeová, a polícia não teria as dificuldades que tem para manter a lei e a ordem.

O principal ponto alto de 1970, porém, foi a Assembléia de Distrito “Homens de Boa Vontade”, realizada em Abidjã, em dezembro. Pela primeira vez estavam presentes congressistas de tão longe como os Estados Unidos. Vieram em viagens organizadas pela Sociedade. Entre os visitantes estava F. W. Franz, então vice-presidente da Sociedade Torre de Vigia. Os irmãos locais se sentiram especialmente felizes de poder falar com alguém do Corpo Governante, visto que a grande maioria dos irmãos chegara à verdade bem recentemente e nunca havia encontrado alguém com verdadeira esperança cristã de vida celestial. A Costa do Marfim nunca tinha tido alguém que participava dos emblemas da Comemoração em símbolo dessa esperança.

Por causa das eleições que houve no país antes da assembléia, não era permitido fazer anúncios da assembléia. Também, visto que as autoridades decidiram reformar o Centro Cultural onde havia de ser realizada a assembléia, mudou-se o local da assembléia na última hora para o Clube de Boxe. Não obstante estas dificuldades, 1.003 pessoas assistiram ao discurso público! Foram mostrados pela cadeia nacional de televisão partes dos dramas bíblicos e breves extratos da assembléia.

ORGANIZADA A FILIAL

No mês seguinte, em janeiro de 1971, Nathan H. Knorr, o presidente da Sociedade Torre de Vigia, visitou Abidjã. Programou-se uma reunião para os que eram da capital, mas, quando a notícia correu, os irmãos afluíram de todas as partes do país. Ao todo, houve 761 pessoas reunidas para o discurso e a projeção de slides (diapositivos), e foram grandemente encorajados em sentido espiritual.

O irmão Knorr expressou o desejo de ver o estabelecimento de uma filial na Costa do Marfim. Achou que isto habilitaria os irmãos a apreciar mais ainda a organização de Jeová e, em resultado disso, poderia haver maior progresso espiritual. Samuel Gilman, o ex-superintendente da filial da República Malgaxe, que chegara à Costa do Marfim no ano anterior, recebeu instruções para cuidar de que isso se realizasse. Assim, em 1.º de setembro de 1971, começou a funcionar a filial da Costa do Marfim, supervisionando a pregação na Costa do Marfim e também a obra em Alto Volta.

ABERTAS MAIS ÁREAS

Quando a firma para a qual o irmão Agodio Api trabalhava o transferiu para a cidade portuária de San Pedro, em 1972, essa cidade recebeu seu primeiro habitante Testemunha. O irmão Api encontrou muito interesse da parte das pessoas, e escreveu solicitando o envio de pioneiros especiais para ajudarem a cuidar das necessidades espirituais dessas pessoas. Finalmente, Samuel e Thelma Gilman fizeram a viagem, que levou um dia inteiro, por estradas de terra, esburacadas, chegando por volta das seis horas da tarde. Estavam cansados, cobertos de poeira vermelha, mas felizes de encontrar seu irmão.

Pouco depois de chegarem, o irmão Gilman foi informado de que, daí 20 minutos, estava programado que ele desse um discurso a pessoas interessadas da cidade. Portanto, lavou-se rapidamente para tirar a poeira, mudou de roupa e teve o privilégio de dar encorajamento a 39 pessoas convidadas por Agodio a se reunir para esta ocasião especial. Logo foram enviados pioneiros especiais a esta área, e há atualmente uma congregação de 30 publicadores e três pioneiros aqui.

Os Gilman usufruíram excelente hospitalidade na casa do mestre de escola onde ficaram. Por exemplo, este preparou uma refeição especial, típica da região. Consistia em carne de hipopótamo, e o irmão Gilman confessou: “Não é minha carne favorita!” O anfitrião lhes disse: “É pena que não estavam aqui a semana passada; poderiam ter comido conosco carne de elefante.”

O modo como a obra de pregação começou na área de San Pedro é bem típico de como começou em outras áreas. Os irmãos escreviam à filial dizendo terem encontrado pessoas que demonstravam interesse pela mensagem do Reino. Daí, o superintendente de circuito era enviado para lá para trabalhar no território por uma semana. Com a recomendação dele, eram designados pioneiros especiais, quando disponíveis, para cuidarem dos interessados, e, eventualmente, formavam-se congregações naquela área.

Um dos missionários, Ryall Shipley, visitou as cidades Ferkéssédougou e Korhogo, no norte. Ele relatou que o campo ali parecia maduro para uma colheita espiritual. Mais tarde, pioneiros especiais foram designados, e em ambas estas cidades há atualmente congregações das Testemunhas.

A PREGAÇÃO EM GAGNOA

Em setembro de 1971, quatro missionários foram enviados a Gagnoa, elevando o número total de publicadores ali a cinco. A missionária Waltraud Bischof relata:

“No primeiro dia em Gagnoa, coloquei duas revistas com um homem que morava em outra cidade. Ao voltar a Gagnoa, ele obteve mais revistas. Logo, dois pioneiros especiais foram enviados para a sua cidade, e, com a ajuda deles, ele aceitou rapidamente a verdade. As reuniões eram realizadas em sua casa, e em pouco tempo ele convidou os pioneiros a se mudar para a casa dele. Com um contato tão de perto com os servos de Jeová, ele fez ótimo progresso.”

Às vezes, há clara indicação da direção angélica em encontrar as pessoas semelhantes a ovelhas. Por exemplo, a irmã Bischof foi abordada por um moço que ouvira sobre as Testemunhas de Jeová de seu irmão que morava em Abidjã. Ele queria saber mais, de modo que se fez arranjo para encontrar este jovem em determinado lugar no dia seguinte.

No dia seguinte, porém, o rapaz chegou cedo, esperou 15 minutos e foi embora para ir à escola. Quando a irmã Bischof chegou, não o encontrou em parte alguma. Mais tarde, ela começou a pensar em Revelação 14:6 e sobre como o “anjo” que voava pelo meio do céu dirigia nossa obra. Portanto, ela orou a Jeová pedindo ajuda para encontrar este jovem, e, não muito depois, caminhando pela rua, ela o avistou. Ele também estava à procura dela. Ele fora até uma pequena banca de exposição dos protestantes, onde se vendiam Bíblias, e perguntara ali se podiam indicar-lhe onde encontrar as Testemunhas de Jeová. Disseram-lhe que não sabiam informar. Então, ele estava voltando pelo mesmo caminho, e se encontraram.

Iniciou-se um estudo bíblico com o uso do livro Verdade. Boniface Triffo Kohi era um estudante humilde, e procurava pôr em prática as coisas novas que ia aprendendo. Por exemplo, certa vez, ele perguntou se era bom ter um livro que se supunha explicava o significado dos sonhos. Leu-se Deuteronômio 18:9-13. Boniface logo percebeu que seria melhor destruir seu livro, o que ele fez. Sua família ficou muito surpresa, pois o livro custara cerca de Cr$ 400,00 — muito dinheiro para um estudante. Depois disso, ele fez ótimo progresso, e serve agora como pioneiro especial. Há atualmente uma próspera congregação de 30 publicadores em Gagnoa.

ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL “VITÓRIA DIVINA”

Em dezembro de 1973, um verdadeiro estímulo para o povo de Jeová na Costa do Marfim foi a Assembléia Internacional “Vitória Divina”. Os irmãos ficaram novamente felizes de serem servidos por um membro do Corpo Governante, desta vez por William Jackson.

O local da assembléia foi novamente no Clube de Boxe de Abidjã. A assistência de 2.080 pessoas no discurso público era mais que o dobro do tamanho da multidão, três anos antes, na assembléia à qual o irmão F. W. Franz assistiu. E foi especialmente emocionante ver 103 pessoas apresentar-se para o batismo, mais pessoas do que todas as que foram batizadas no país inteiro até 1964!

OPOSIÇÃO CLERICAL

Através dos anos, os irmãos na Costa do Marfim têm sofrido amiúde oposição da parte dos líderes religiosos. Joseph Appiah, que serve como superintendente de circuito, explicou como essa oposição produziu em certa ocasião efeito contrário:

“Enquanto visitávamos Tiegba, uma pequena ilha, a uma distância de uns 100 quilômetros de Abidjã, os sacerdotes católicos procuraram interferir com a nossa obra. Todos os moradores foram avisados para não nos ouvirem, porque as Testemunhas de Jeová são falsos profetas. Mas o que aconteceu? Durante a projeção de slides da Sociedade, quase a vila inteira compareceu, cerca de 600 pessoas! Viram pelas fotografias quantas pessoas foram desencaminhadas pela religião falsa. Após o discurso, o sacerdote mandou as crianças nos apedrejar. Entretanto, um homem idoso impediu-as, quando ele se pôs de pé e disse aos meninos: ‘Nós fomos enganados por 40 anos nesta vila. Estes slides me mostraram algo novo em minha vida.’

Em outra ocasião, o clero tentou impedir a realização de uma assembléia de circuito. O irmão Appiah explica o que aconteceu:

“Em abril de 1974, a Sociedade programou uma assembléia de circuito em Agboville, uns 90 quilômetros de Abidjã. Depois de eu ter obtido permissão do comissário da polícia, os sacerdotes católicos procuraram influênciá-lo para que suspendesse nossa assembléia, fomos usar o Centro Cultural para a assembléia. Uma semana antes da assembléia, o comissário nos chamou e nos disse que não podíamos usar este salão. Entretanto, pedimos-lhe autorização para realizar nossa assembléia na cidade, se possível, e ele concordou com isso.

“Fizemos imediatamente arranjos para a realização da assembléia no pátio da casa de um irmão local. O problema era conseguir um local para realizar o batismo, visto que não havia rio naquela área. Vários hotéis recusaram deixar-nos usar suas piscinas de natação. Entretanto, Jeová não nos deixou sem recursos. Recebemos permissão de um francês idoso que tinha uma piscina. Ele era um membro fervoroso da Igreja Católica, mas era amistoso conosco. Acabávamos de batizar o último dos 29 batizandos, quando chegou o sacerdote para dizer ao homem francês que não nos permitisse usar sua piscina. Ele chegou alguns minutos atrasado! Tivemos uma excelente assistência de 454 pessoas no discurso público.”

ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO

Durante a primeira metade da década de 1970, foi animador ver a obra de pregação expandir-se até os quatro cantos do país. Em 1970, havia apenas 10 congregações na Costa do Marfim, e cada mês, em média, 389 publicadores proclamavam a mensagem do Reino. Cinco anos depois, havia 34 congregações e 949 publicadores do Reino, em média, que pregavam cada mês.

Grande parte dessa expansão se deu nas cidades e vilas menores, fora da capital, onde muitos missionários foram enviados. Os missionários fizeram um bom trabalho de ajudar a formar diversas congregações, mas, depois, a atividade em tais lugares parecia estar paralisada. Por quê?

A língua era um dos problemas. Embora o francês seja a língua oficial do país — e a maioria dos missionários conseguiu dominá-lo — cada região tem também sua própria língua tribal. Portanto, para se poder ajudar as pessoas nessas áreas no progresso espiritual, era importante que houvesse pessoas que conhecessem a língua local, bem como os costumes e os pensamentos do povo da região.

Por este motivo, durante alguns anos que se seguiram, foram designados pioneiros especiais para substituírem os missionários nessas cidades do interior, inclusive Man, Abengourou e Gagnoa. Foi decidido que os missionários poderiam usar melhor seu tempo e suas habilidades em Abidjã, fortalecendo as novas congregações ali e trabalhando entre os mais de 1.000.000 de habitantes da cidade.

EXPANSÃO EM ABIDJÃ

Com o fechamento dos lares missionários no interior, novos foram abertos em Abidjã. O andar de cima da casa de Gabriel Diané, no subúrbio da capital, em Williamsville, tinha acomodações para oito missionários. Alguns deles conseguiram fortalecer a recém-formada congregação de Williamsville, ao passo que outros foram designados fora, para o subúrbio vizinho de Adjamé. Ali, a congregação tinha sido recentemente dividida, tornando-se duas congregações.

Diversos missionários chegaram à Costa do Marfim procedentes de outros países africanos onde a obra estava proscrita. Por exemplo, Stephen e Barbara Hardy chegaram de Uganda em maio de 1973. Depois de trabalharem por algum tempo nas cidades do interior, vieram para Abidjã, onde foram designados para a congregação de Port-Bouet. Já na primeira reunião, diversas pessoas interessadas lhes pediram que estudassem a Bíblia com elas. Esses novos fizeram bom progresso, e a congregação cresceu rapidamente de 28 publicadores para mais de 50.

UM NOVO PRÉDIO DA FILIAL

Em janeiro de 1972, o irmão Knorr fez nova visita, desta vez acompanhado do servo da fábrica de Brooklyn, Max Larson. O irmão Knorr comentou: “Esperamos construir para vocês uma pequena filial aqui algum dia.” Todavia, não foi senão em setembro de 1978 que se comprou um terreno em Deux Plateaux, um subúrbio da cidade. Daí, em junho de 1980, iniciou-se a construção deste novo prédio da filial.

O prédio é certamente necessário. Atualmente, não há espaço suficiente para a estocagem da literatura. A nova filial não só solucionará este problema, mas proverá também espaço para escritório, Salão do Reino e acomodações para cerca de 12 pessoas. Será um centro mais adequado para a atividade do Reino na Costa do Marfim.

ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL “FÉ VITORIOSA”

O principal evento de 1978 foi a Assembléia Internacional “Fé Vitoriosa”, realizada em dezembro, no Estádio Camproux de futebol, de Abidjã. Os preparativos vinham sendo feitos durante o ano inteiro. Incluíam arranjos para que assistissem a ela irmãos de outros países africanos, bem como um grande grupo de irmãos em viagens organizadas pela Sociedade, começando nos Estados Unidos. Lyman Swingle, do Corpo Governante, estava presente, também, mais uma vez, William Jackson.

Na sexta-feira da assembléia, centenas de irmãos entusiásticos foram vistos afluindo para os subúrbios de Abidjã, a fim de proclamarem sua fé vitoriosa, por meio da distribuição da nova brochura As Testemunhas de Jeová no Século Vinte. O irmão e a irmã Swingle, bem como o irmão Jackson, trabalharam junto com alguns missionários. Logo ficaram com suas sacolas de plástico vazias das publicações que foram avidamente adquiridas pelas pessoas interessadas. A irmã Grace DeCecca, por 63 anos membro da família da sede de Brooklyn, apreciou também o serviço de campo, estando bem disposta apesar de sua idade avançada de 89 anos. Que testemunho foi dado em Abidjã!

Naquela noite, após as sessões, providenciou-se uma refeição especial para os missionários e os irmãos visitantes da matriz. Ao todo, 64 estavam presentes. Entre estes estava Florence Paterson, que viajara de Gana. Ela e seu marido foram os primeiros missionários que chegaram à Costa do Marfim em 1951. Ela fez a seguinte observação: “Lembro-me de como anos antes era difícil convencer o povo local de que havia brancos entre as Testemunhas de Jeová. Mas, agora, é só olhar para todos esses missionários procedentes do mundo inteiro!”

No clímax da assembléia, no estádio de futebol, em 17 de dezembro, quão magnífico foi ver a presença de 2.728 pessoas procedentes de 19 países!

Jeová abençoou, deveras, a obra aqui com trabalhadores voluntários, missionários e pioneiros especiais. Agora se pode ver o fruto de suas labutas de modo maravilhoso. Alcançou-se um auge de 1.322 publicadores em janeiro de 1980. E, com mais de 1.600 estudos bíblicos domiciliares que estão sendo dirigidos, são boas as perspectivas de aumentos maiores ainda no número dos louvadores do Reino. Os irmãos da Costa do Marfim expressaram sua determinação de perseverar no serviço do Reino, produzindo muitos frutos como discípulos de Cristo Jesus.

[Foto na página 151]

Gabriel e Florence Paterson, antigos formados em Gileade, na Costa do Marfim.

[Foto na página 155]

Robert Markin (à esquerda) e Samuel Denoo estavam entre os primeiros que se tornaram Testemunha de Jeová na Costa do Marfim.

[Foto na página 160]

Blaise Bley, enquanto trabalhava no aeroporto de Abidjã, recebeu uma “Sentinela” em francês, gostou do que leu e subseqüentemente passou a crer e se batizou.

[Foto na página 168]

Daniel Keboh, que fora pioneiro em diferentes lugares, foi um dos que foram presos por pregarem no distrito de Cumási, em Abidjã.

[Foto na página 173]

Pauline Brou renunciou às riquezas materiais e perdeu o favor de seu pai para servir a Jeová completamente.

[Mapa na página 145]

(Para o texto formatado, veja a publicação)

Costa do Marfim

MÁLI

ALTO VOLTA

GUINÉ

GANA

LIBÉRIA

OCEANO ATLÂNTICO

Ferkéssédougou

Korhogo

Bouaké

Man

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Abengourou

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