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    Despertai! — 1990 | 22 de março
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      O homem está devastando as florestas pluviais da Terra.

      Todavia, estas florestas são importantíssimas para a vida neste planeta. Elas são lindas fábricas silenciosas — produtoras de oxigênio, de alimentos e de inumeráveis coisas vivas. Caso todas as florestas fossem destruídas, a vida na Terra sofreria incomensuravelmente. E elas estão desaparecendo rápido! “Só Deus pode fazer uma árvore”, escreveu um poeta. É verdade. Mas ninguém as destrói tão rápido como faz o homem.

  • Desaparecem em um segundo!
    Despertai! — 1990 | 22 de março
    • Desaparecem em um segundo!

      VOCÊ caminha por um reino verde crepuscular, entre colunas de sustentação de árvores que ascendem a uma altura equivalente a um prédio de 15 andares. Sobre sua cabeça paira amplo emaranhado de vida, a mais densa, a mais rica ecosfera existente sobre a Terra. As árvores estão cobertas de trepadeiras, que têm dezenas ou até centenas de metros de comprimento e são coroadas de plantas presas a todo o seu tronco e ramos. Flores tropicais luxuriantes perfumam o ar parado, quente e úmido.

      Esta é a floresta pluvial tropical. Mas é mais do que um belo lugar, mais do que corredores abobadados de floresta enevoada, na qual só penetram os feixes de luz. Trata-se dum mecanismo dotado de incrível complexidade, cujas partes operam juntas com intensa precisão.

      Há profusão de vida aqui, uma variedade inigualada em qualquer outra parte da superfície terrestre de nosso planeta. As florestas pluviais ocupam apenas 6 por cento da área terrestre da Terra, mas possuem até a metade de todas as espécies vegetais e animais. Produzem cerca de um terço de toda a matéria viva do solo. Bem acima de você, o dossel da floresta serve de lar de insetos e de aves exóticas, de macacos e de outros mamíferos. A maioria jamais desce até o chão. As árvores os alimentam e abrigam, e eles, por sua vez, polinizam as árvores ou comem seus frutos, espalhando as sementes por meio de seus dejetos.

      Chove torrencialmente todo dia, ensopando as florestas e alimentando seu elaborado ciclo de vida. A chuva lava as folhas e carrega os resíduos tronco abaixo, formando uma sopa rica em nutrientes que sustenta as plantas chamadas epífitas, que crescem nas árvores. As plantas epífitas, por sua vez, ajudam a árvore a extrair do ar seu principal alimento, o nitrogênio. Muitos epífitos possuem reservatórios folhosos que retêm litros de água, criando pequenas lagoinhas elevadas no ar que constituem o habitat de rãs, salamandras e aves que vivem na árvore.

      Qualquer nutriente que atinja o solo da floresta é rapidamente consumido. Mamíferos, nuvens de insetos e bactérias trabalham em conjunto para reduzir as nozes, as carcaças de animais e a folhagem ao nível de matéria residual. Daí o próprio solo ansiosamente a recebe. Se varresse os resíduos que estão a seus pés, encontraria uma esteira espessa e esponjosa de fibras brancas, um emaranhado de raízes e fungos. Estes fungos ajudam as raízes a absorver rapidamente os nutrientes, antes de as chuvas os levarem embora.

      Mas, suponhamos agora que seu passeio pela floresta pluvial se limitasse a uma pequena parte, uma área um pouco menor que a dum campo de futebol. Subitamente, essa inteira seção da floresta desaparece. É inteiramente destruída — num só segundo! E, à medida que observa, horrorizado, a área próxima a você, do mesmo tamanho, é extirpada no segundo seguinte, e mais outra no próximo, e assim por diante. Por fim, está sozinho numa planície deserta, sobre um solo tostado duramente pelo reluzente sol tropical.

      Segundo alguns cálculos, é tão rapidamente assim que as florestas pluviais equatoriais do mundo estão sendo destruídas. Alguns fixam a taxa ainda mais alto. De acordo com a revista Newsweek, uma área equivalente à metade da Califórnia, EUA, é arrasada anualmente. A revista Scientific American, de setembro de 1989, diz ser uma área do tamanho da Suíça e dos Países-Baixos combinados.

      Mas, seja qual for a extensão, os danos são assustadores. O desmatamento tem suscitado um clamor global, e se focaliza notadamente em um único país.

      Um Caso em Pauta: o Brasil

      Em 1987, fotos da bacia amazônica, tiradas por satélites, mostravam que as taxas de desmatamento desta única área eram maiores do que alguns cálculos anteriores sobre o desmatamento em todo o planeta! À medida que as pessoas incendiavam a floresta para abrir clareiras, milhares de fogueiras iluminavam as noites. A nuvem de fumaça tinha o tamanho da Índia, e era tão densa que alguns aeroportos tiveram de fechar. Segundo certo cálculo, a bacia amazônica perde, todo ano, uma área da floresta pluvial do tamanho da Bélgica.

      O ambientalista brasileiro José Lutzenberger chamou isso de “o maior holocausto na história da vida”. Em todo o mundo, os ambientalistas se revoltaram contra isso. Puseram em foco a condição calamitosa das florestas pluviais. Até mesmo camisetas e concertos de rock proclamavam: “Save the rain forest.” (Salve a floresta pluvial.) Daí veio a pressão financeira.

      O Brasil tem uma dívida externa de mais de cem bilhões de dólares e precisa despender cerca de 40 por cento de seus superávits comerciais apenas para pagar os juros. Depende grandemente de ajuda e de empréstimos externos. Assim, os bancos internacionais começaram a reter empréstimos que pudessem ser utilizados para prejudicar as florestas. As nações desenvolvidas ofereceram-se a trocar parte da dívida externa do Brasil pela proteção aprimorada de seu meio ambiente. O presidente Bush, dos EUA, chegou até a pedir ao Japão que não emprestasse fundos ao Brasil para a construção duma rodovia que passaria por florestas pluviais virgens.

      Um Dilema Global

      Para muitos brasileiros, toda esta pressão tem um ranço de hipocrisia. Os países desenvolvidos há muito dizimaram suas próprias florestas e dificilmente permitiriam que qualquer potência estrangeira os impedisse de fazer isso. Os Estados Unidos estão, atualmente, acabando com as últimas de suas próprias florestas pluviais. Não são equatoriais, certamente; são as florestas pluviais temperadas da região noroeste da costa do Pacífico. Há espécies que também desaparecerão ali.

      Assim, o desmatamento é um problema global, e não apenas brasileiro. As perdas ocorridas nas florestas pluviais equatoriais são as mais críticas atualmente. Mais da metade de tais perdas acontecem fora do Brasil. A África Central e o Sudeste da Ásia são as outras duas regiões de florestas pluviais, dentre as maiores do mundo, e ali as florestas também estão desaparecendo rápido.

      O desmatamento tem efeitos que são igualmente globais. Significa fome, sede e morte entre milhões. Trata-se dum problema que atinge bem a sua vida. Abrange o alimento que ingere, os remédios que usa, o clima em que vive — talvez até mesmo o futuro da humanidade.

      Mas, você bem que poderá pensar: ‘Como podem estas florestas pluviais ter tão amplos efeitos? Que acontecerá se elas realmente desaparecerem em questão de algumas décadas, como alguns peritos afirmam que desaparecerão? Será realmente uma tragédia tão grande assim?’

      Antes de podermos responder a tais perguntas, outra tem de vir primeiro: Já de início, o que provoca a destruição das florestas pluviais?

      [Diagrama/Mapa na página 5]

      A Redução das Florestas Pluviais.

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Antes do Desmatamento.

      Sua Extensão atual.

      No ano 2000, segundo a atual taxa de desmatamento.

  • Quem está destruindo as florestas pluviais?
    Despertai! — 1990 | 22 de março
    • Quem está destruindo as florestas pluviais?

      ESSA pergunta é geralmente respondida por se culpar os pobres do mundo. Durante séculos, os camponeses nos países tropicais cultivaram o solo por meio da lavoura que empregava as derrubadas e queimadas. Eles derrubavam um trecho da floresta e o queimavam, e, quer pouco antes, quer logo depois da queimada, plantavam suas sementes. As cinzas da floresta proviam os nutrientes para as plantações.

      Este tipo de lavoura há muito revelou uma surpreendente verdade sobre as florestas pluviais equatoriais. Cerca de 95 por cento delas crescem em solos muito pobres. A floresta recicla os nutrientes tão rapidamente que eles se mantêm notadamente nas árvores e na vegetação bem acima do solo, protegidos das chuvas que os levariam embora do solo. A floresta pluvial, por conseguinte, é perfeitamente adequada para o seu meio ambiente. As notícias não são tão boas para o lavrador.

      A Difícil Situação dos Pobres

      Depressa demais, as chuvas carregam os nutrientes deixados pelas cinzas da floresta queimada. Lentamente, a lavoura se torna um pesadelo. Eis como se expressou um pobre lavrador boliviano: “No primeiro ano, eu cortei as árvores e as queimei. E o milho cresceu alto e doce no meio das cinzas, e todos nós pensávamos que, finalmente, tínhamos conseguido vencer. . . . Mas, desde então, as coisas vão mal. O solo se torna cada vez mais seco, e não produz coisa alguma, a não ser ervas daninhas. . . . E as pragas? Nunca vi tantas espécies delas. . . . Nós estamos quase que acabados.”

      Em épocas passadas, o lavrador simplesmente derrubava novos trechos da floresta e deixava o velho trecho em repouso. Uma vez a floresta retornasse aos trechos anteriores, podia ser derrubada de novo, vez após vez. Para este processo dar certo, porém, os trechos abertos têm de estar cercados pela floresta original, de modo que insetos, aves e animais possam espalhar as sementes e polinizar as novas plantinhas. Isto leva tempo.

      A explosão demográfica também modificou as coisas. Havendo um grande número de lavradores numa mesma área, os períodos de descanso do solo tornam-se cada vez mais abreviados. Não raro, lavradores migrantes simplesmente exaurem suas terras em poucos anos, e se mudam mais para o interior da floresta, queimando-a numa frente ampla.

      Ainda outro fator agrava a situação. Cerca de dois terços das pessoas, nos países em desenvolvimento, dependem de lenha como combustível para cozinhar e aquecer-se. Mais de um bilhão de pessoas só conseguem suprir suas necessidades de combustível por cortarem madeira mais rápido do que ela está sendo substituída atualmente.

      Causas Mais Profundas

      É fácil culpar os pobres. Mas, como os ecologistas James D. Nations e Daniel I. Komer se expressam, isso é como “culpar os soldados de terem provocado as guerras”. Acrescentam eles: “São meros peões no jogo do general. Para compreender o papel dos colonos no desmatamento, a pessoa precisa perguntar por que, inicialmente, estas famílias penetram na floresta pluvial. A resposta é simples: Não existe terra para elas em outro lugar.”

      Em um país tropical, meros 2 por cento dos latifundiários detêm cerca de 72 por cento das terras. No ínterim, cerca de 83 por cento das famílias de lavradores não dispõem de suficientes terras para sobreviverem, ou não têm terra alguma. Esse padrão se repete em diversos graus através do globo. Imensidões de terras de propriedade particular são usadas, não para produzir alimentos para o povo local, mas para produzir colheitas exportáveis, a serem vendidas às nações ricas, nas zonas temperadas.

      A indústria madeireira é outra famosa culpada. Além dos danos diretos causados à floresta, a extração de madeira também torna as florestas pluviais mais vulneráveis a incêndios — e a humanos. Estradas abertas por tratores para a extração de madeira numa floresta virgem pavimentam o caminho para as multidões de lavradores migrantes avançarem por elas.

      E, quando os sítios fracassam, como, os criadores de gado compram as terras e as transformam em pastos, para alimentar o gado. Isto se dá especialmente na América Central e do Sul. A maior parte da carne do gado bovino criado é exportada para as nações mais ricas. O gato doméstico mediano, nos Estados Unidos, come mais carne de vaca num ano do que o habitante mediano da América Central.

      No fim, são as nações desenvolvidas que financiam a devastação das florestas pluviais equatoriais — para satisfazer seus próprios apetites vorazes. As madeiras tropicais exóticas, os produtos, a carne de vaca, que elas compram avidamente das nações tropicais, todos exigem a substituição, ou a devastação das florestas. A gula dos americanos e dos europeus por cocaína tem significado o desmatamento de centenas de hectares das florestas pluviais no Peru, para dar lugar às lucrativas plantações de coca.

      Lucros Amargos

      Muitos governos promovem ativamente o desmatamento. Eles fornecem incentivos fiscais para os criadores de gado, para as companhias madeireiras, e para a lavoura de exportação. Há nações que fornecem terras para o lavrador se ele as “melhora” pelo desmatamento. Certo país do Sudeste da Ásia tem transferido colonos migrantes aos milhões para suas remotas florestas pluviais.

      Tal política é defendida como a utilização das florestas em benefício dos pobres, ou como promoção de economias em declínio. Mas, do modo como os críticos a encaram, até mesmo estes lucros a curto prazo são ilusórios. Por exemplo, a terra que se mostrou inóspita para as plantações do colono talvez não seja mais amigável para com o gado do criador. Fazendas de criação de gado são comumente abandonadas depois de dez anos.

      A indústria madeireira com freqüência não se sai melhor. Uma vez extraídas da floresta as madeiras de lei, sem se pensar no futuro, as florestas diminuem rapidamente. O Banco Mundial calcula que mais de 20 dentre 33 países, que atualmente exportam sua madeira tropical, a esgotarão dentro de dez anos. A Tailândia ficou tão dramaticamente desmatada que teve de proibir toda a extração de madeira. Calcula-se que as Filipinas ficarão inteiramente sem madeira a extrair por volta de meados da década de 90.

      A mais amarga ironia, porém, é a seguinte: Há estudos que demonstram que uma área da floresta pluvial pode gerar mais renda se deixada intacta, colhendo-se os seus produtos — suas frutas e a borracha, por exemplo. Sim, dá mais dinheiro do que a lavoura, a criação de gado, ou a extração de madeira nessas mesmas terras. Todavia, a destruição prossegue.

      O globo não pode suportar tal tratamento para sempre. Como se expressa o livro Saving the Tropical Forests (Salvando as Florestas Tropicais): “Se continuarmos a presente destruição, a questão não é se a floresta pluvial desaparecerá, mas quando.” Mas, será que o mundo realmente sofreria se todas as florestas pluviais fossem destruídas?

      [Foto na página 7]

      Agentes do Desmatamento.

      Enchentes causadas por represas.

      Lavoura de derrubadas e queimadas.

      Fazendas de criação de gado.

      Extração de madeira.

  • Por que salvar as florestas pluviais?
    Despertai! — 1990 | 22 de março
    • Por que salvar as florestas pluviais?

      A MULTIDÃO está assistindo a uma partida de futebol e está torcendo tremendamente. Gostariam que a partida durasse para sempre. Mas persistem em atirar nos jogadores. Um a um, os mortos são retirados do campo. A multidão fica enraivecida quando a partida diminui de passo.

      O desmatamento é quase a mesma coisa. Os humanos apreciam as florestas, dependem delas, efetivamente. Mas continuam destruindo o equivalente aos jogadores: as espécies específicas de plantas e de animais, cuja complexa interação é o que mantém viva a floresta. Trata-se, porém, de mais do que um jogo. O desmatamento o atinge. Influi na sua qualidade de vida, mesmo que jamais tenha visto uma floresta pluvial.

      É a tremenda variedade de coisas vivas, que os cientistas chamam de biodiversidade, que alguns

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