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Observando o MundoDespertai! — 1986 | 8 de fevereiro
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aquelas que tinham sido grandes tomadoras de leite na infância possuíam ossos com maior densidade. Tais descobertas são significativas para as mulheres, uma vez que estas confrontam o máximo risco de sofrer de osteoporose, a qual, devido à produção reduzida dos hormônios sexuais, reduz a massa óssea e pode resultar em fraturas espontâneas.
Mães Adolescentes
A promiscuidade entre menores, que resulta na gravidez de adolescentes, é “a questão mais premente de nossa sociedade, na atualidade”, afirma o Dr. Charl Roux, chefe do planejamento familiar do departamento de ginecologia do Hospital Tygerbeg, da Cidade do Cabo, África do Sul. Em 1984, 20 por cento de todos os partos registrados naquele hospital eram de adolescentes, duas das quais, com 19 anos, estavam grávidas já pela nona vez. O Dr. Roux disse que, por deixarem de ensinar a seus filhos jovens as realidades da vida, e por não darem bom exemplo, os adultos são responsáveis por grande parte dos problemas sociais resultantes. “Os pais são responsáveis de promover um clima que impeça a possibilidade de um filho ficar receoso ou inibido demais para discutir assuntos dessa natureza com eles”, afirmou.
‘Não É Lugar Para Doentes’
Um número surpreendentemente grande de pacientes hospitalizados contraem infecções que não têm relação alguma com as doenças pelas quais baixaram ao hospital. Um informe publicado num número recente da revista Discover calcula que dois milhões de estadunidenses contraem infecções hospitalares, elevando os gastos médicos em até US$ 2 bilhões por ano. Em média, tais doenças aumentam em quatro dias a permanência do paciente no hospital, a um custo adicional de US$ 800. Cerca de 300.000 pacientes morrem a cada ano, nos Estados Unidos, devido a tais infecções. Todavia, tais estatísticas não levam em conta outros infortúnios, tais como erros de anestesia e erros de medicação, que atingem a milhões de outros pacientes a cada ano. Afirma o Dr. Lowell Levin, professor de saúde pública da Universidade de Yale: “Parece piada, mas um hospital não é lugar para uma pessoa doente.”
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Como se morre de fomeDespertai! — 1986 | 8 de fevereiro
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Como se morre de fome
“UM ADULTO saudável em todos os outros sentidos, se receber água, mas nenhum alimento, morre em questão de 50 a 70 dias. Debilitada pela desnutrição, contudo, a vítima quase sempre sucumbe diante de outras doenças. A morte ocorre depois de o corpo faminto da pessoa essencialmente se autoconsumir. O corpo estoca, no máximo, cerca de um dia de reservas de sua fonte energética primária, a glicose, e uma vez tais reservas sejam exauridas, o corpo começa a obter energia pela oxidação da gordura, quer como ácidos graxos, quer como corpos cetônicos. Uma vez desaparecida a gordura orgânica, o corpo tem de decompor as proteínas dos músculos e outros tecidos vitais, destruindo lentamente o coração, os rins, o baço e outros órgãos. O abdômen amiúde se torna edematoso, ou inchado e distendido, por causa do acúmulo anormal de fluidos. À medida que a carne se exaure, a pele fica seca, os ossos se tornam frágeis e os cabelos caem. Baixa a pressão arterial. Nas crianças, o cérebro pára de se desenvolver. O sistema imunológico começa a falhar, geralmente levando a uma infecção fatal. Os intestinos se atrofiam. A visão, a audição e a fala tornam-se deficientes. À medida que o corpo tenta reduzir suas necessidades energéticas, a temperatura do corpo baixa, sendo freqüente a hipotermia. Por fim, o sistema orgânico é sobrepujado e a morte resulta de insuficiências de múltiplos órgãos.” — Jornal The New York Times, seção de Ciência, 1.º de janeiro de 1985.
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A fome global — envolve mais do que simples alimentosDespertai! — 1986 | 8 de fevereiro
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A fome global — envolve mais do que simples alimentos
“35 milhões passam fome na África atingida pela seca.”
“Fome e burocracia deixam um continente à míngua.”
“Seca, morte e desespero.”
É BEM provável que já tenha visto muitas manchetes assim nos anos recentes. Junto com elas, há em geral fotos de crianças famintas, de olhos esbugalhados e barrigas inchadas, esquálidos campos de refugiados, repletos de pessoas que nada mais são do que pele e osso, terras secas, repletas de carcaças de animais caídos — todas são vistas assustadoras que se recusam a sumir dos olhos da mente.
Os informes são igualmente de gelar a espinha. Uma edição especial da revista Courier (O Correio, ed. portuguesa), publicação oficial das Nações Unidas, indica sombriamente que muitos se mostraram otimistas, há dez anos, e acrescenta: “Hoje em dia, contudo, deve-se admitir que a condição dos desprivilegiados do mundo está cada vez pior. Cerca de 500 milhões de seres humanos, estagnados na pobreza, acham-se sob a ameaça diária da fome.” O Conselho Mundial de Alimentação da ONU calcula que “a cada ano, nos países em desenvolvimento, 15 milhões de crianças morrem de desnutrição”, o que se traduz numa taxa de mortalidade infantil 30 vezes maior do que nos países desenvolvidos. E, de acordo com o Banco Mundial, 200 milhões de africanos — mais de 60 por cento da população daquele continente — comem menos do que o necessário para sobreviver.
Por outro lado, talvez também já tenha lido informes otimistas que exaltam grandes avanços na engenharia genética, prometendo novas variedades de cereais de alta produtividade e resistentes às pragas ou à seca. Novas e revolucionárias técnicas agrícolas estão sendo desenvolvidas, para aumentar a produtividade. Os governos e as agências ao redor do mundo lançam programas de ajuda de um tipo ou de outro. A Organização para a Alimentação e a Agricultura da ONU calcula que, se todo o alimento produzido no mundo fosse eqüitativamente distribuído, cada pessoa na Terra disporia do equivalente a 3.000 calorias diárias, mais do que a maioria das pessoas realmente necessita. Com efeito, em alguns países, os governos até chegam a financiar os agricultores para reduzirem sua produção, de modo a reduzir os excedentes de alimentos e estabilizar os preços. Tudo isto faz com que pareça que a fome está prestes a ser eliminada.
Ao considerarmos os fatos, uma coisa se patenteia. O problema de alimentar os famintos do mundo não é o que parece ser. Os cientistas e agricultores talvez disponham da tecnologia para produzir mais alimentos. Os governos e as agências internacionais talvez disponham de projetos e de programas plausíveis para enfrentar um ou outro problema. Todavia, parece haver fatores ocultos que bloqueiam qualquer êxito real, e se está perdendo terreno na batalha contra a fome. Por que isto acontece? Quais são alguns dos fatores ocultos? Realmente, podem os famintos do mundo ser alimentados? Tais perguntas serão respondidas em artigos de futuras edições.
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