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Estados Unidos da América (Parte Um)Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976
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Estados Unidos da América (Parte Um)
Nossa narrativa começa em meados do século dezenove. Carroças cobertas ainda rodam pelas planícies abertas, levando os colonizadores para setores remotos do Oeste estadunidense. Grandes manadas de bisões ou de búfalos — cerca de vinte milhões em 1850 — ainda percorrem a região entre o maciço dos Apalaches e as Montanhas Rochosas.
A devastadora Guerra Civil assola o país e colhe seu quinhão mortífero de 1861 a 1865, seguida por uma era de industrialização. Em 1869, é concluída a primeira ferrovia transcontinental. Durante a década de 1870, surgem em cena pela primeira vez a luz elétrica e o telefone. O bonde elétrico facilita a viagem urbana na década de 1880, e, no fim do século, alguns automóveis proclamam ruidosamente sua presença.
Qual seria o clima religioso dessa era, parecia imprevisível para se dizer o mínimo. Charles Darwin esposara a teoria da evolução do homem em sua obra de 1859, Origem das Espécies. À medida que a evolução, a alta crítica da Bíblia, o ateísmo, o espiritismo e a infidelidade atacavam a religião organizada, a Igreja Católica Romana realizava o primeiro Concílio do Vaticano (1869-1870), fazendo assim esforços de fortalecer sua debilitante posição. Vários outros grupos aguardavam ansiosamente a iminente volta carnal de Cristo — porém, em vão.
Todavia, “a terminação do sistema de coisas” se acercava. Por certo, o “trigo” — os verdadeiros cristãos — devia existir em alguma parte no campo global de Deus sob cultivo. Mas, onde?
‘DIAS DAS COISAS PEQUENAS’
Estamos por volta de 1870, o lugar, a cidade de Allegheny Pensilvânia. Allegheny, que mais tarde tornou-se parte de Pittsburgo, é uma cidade de muitas igrejas. Certa noitinha, um jovem de dezoito anos anda por uma das ruas de Allegheny. Segundo sua própria admissão posterior, tinha ficado “abalado na fé, no tocante a muitas doutrinas aceitas por muito tempo” e se tornara “presa fácil da lógica da infidelidade”. Mas, hoje à noite, ele é atraído por alguns cânticos. Entra num salão poeirento, sombrio. Com que objetivo? Nas suas próprias palavras, “para ver se o punhado de pessoas que se reunia ali tinha algo mais sensato a oferecer do que as crenças das grandes igrejas”.
O jovem sentou-se e escutou. Jonas Wendell, adventista, proferiu o sermão. ‘Sua exposição das Escrituras não era inteiramente clara’, nosso ouvinte observou mais tarde. Mas, produziu algo. Ele teve de admitir: “Bastou, sob a direção de Deus, para restabelecer minha abalada fé na inspiração divina da Bíblia, e para mostrar que os registros dos Apóstolos e dos Profetas estavam indissoluvelmente vinculados. O que ouvi me mandou de volta à minha Bíblia, para estudá-la com mais zelo e cuidado do que nunca antes.”
O jovem inquiridor era Charles Taze Russell. Nascido em Allegheny, em 16 de fevereiro de 1852, era o segundo filho de Joseph L. e de Ann Eliza (Birney) Russell, ambos de descendência escocesa-irlandesa. A mãe de Charles, que o dedicara à obra do Senhor quando ele nasceu, morreu quando ele era um garotinho de nove anos. Mas, em tenra idade Charles obteve suas primeiras impressões da religião por parte de seus pais presbiterianos. Com o tempo, juntou-se à vizinha Igreja Congregacional por causa de seus conceitos mais liberais.
Como simples garoto de onze anos, Charles passou a ser sócio comercial do pai, o próprio rapazinho escrevendo os artigos do acordo sob o qual operava a empresa deles. Com quinze anos, estava associado ao pai numa crescente cadeia de lojas de roupas para homens. Com o tempo, possuíam lojas em Pittsburgo, Filadélfia e em outras partes.
Por todo esse tempo, o jovem Charles era sincero estudante das Escrituras. Desejava servir a Deus no melhor de suas habilidades. Com efeito, certa vez, quando tinha doze anos, seu pai o encontrou na loja da família, às duas horas da manhã, estudando atentamente uma concordância bíblica, sem se dar conta da hora.
Ao tornar-se mais velho, Russell ficou espiritualmente perturbado. Em especial se preocupava com as doutrinas do castigo eterno e da predestinação. Arrazoava ele: “Um Deus que usasse seu poder para criar seres humanos, os quais sabia de antemão e predestinara que fossem eternamente atormentados, não poderia ser sábio, nem justo nem amoroso. Sua norma seria mais baixa do que a de muitos homens.” (1 João 4:8) Sem embargo, o jovem Russell continuou a crer na existência de Deus. Com a mente assediada de preocupação com doutrinas, examinou os vários credos da cristandade, estudou as principais religiões orientais — e sentiu grave desapontamento. Onde se encontraria a verdade?
Na época em que Russell tinha dezessete anos um posterior associado afirma que este é o modo em que ele raciocinava, a saber: “Não me adianta tentar encontrar algo razoável sobre o futuro em qualquer dos credos, ou até mesmo na Bíblia, assim, eu simplesmente me vou esquecer de tudo e dedicar toda a minha atenção aos negócios. Se conseguir ganhar algum dinheiro, posso usá-lo para ajudar a humanidade sofredora, mesmo que não lhes possa fazer nenhum bem em sentido espiritual.”
Foi enquanto o jovem Russell entretinha tais pensamentos que ele entrou naquele salão sombrio em Allegheny e ouviu o sermão que ‘restabeleceu sua fé abalada na inspiração divina da Bíblia’. Entrando em contato com vários rapazes conhecidos seus, disse-lhes de sua intenção de estudar as Escrituras. Logo este pequeno grupo — de cerca de seis — começou a se reunir semanalmente para o estudo bíblico sistemático. Em suas reuniões regulares durante os anos de 1870 a 1875, o modo de pensar religioso desses homens sofreu profundas mudanças. Com o passar do tempo, Jeová os abençoou com crescente luz e verdade espirituais. — Sal. 43:3; Pro. 4:18.
“Chegamos a reconhecer”, escreveu Russell, “a diferença entre nosso Senhor como ‘o homem que se entregou’ e como o Senhor que voltaria de novo, um ser espiritual. Vimos que seres espirituais podem estar presentes, e, ainda assim, ser invisíveis aos homens. . . . sentimo-nos grandemente pesarosos pelo erro dos adventistas, que aguardavam Cristo na carne e pelo ensino de que o mundo e tudo nele, exceto os adventistas seria queimado em 1873 ou 1874, e cuja cronologia, desapontamentos e idéias toscas em geral quanto ao objetivo e à maneira de sua vinda trouxeram mais ou menos vitupério sobre nós e sobre todos que ansiavam e proclamavam seu vindouro Reino”.
Empenhando-se fervorosamente a contrabalançar tais ensinos errôneos, em 1873, C. T. Russell, com 21 anos, escreveu e publicou, às suas próprias custas, um opúsculo intitulado “O Objetivo e a Maneira da Volta do Senhor”. Cerca de 50.000 exemplares foram publicados e o mesmo gozou de ampla distribuição.
Por volta de janeiro de 1876, Russell recebeu um exemplar do periódico religioso The Herald of the Morning (O Arauto da Manhã). Pela capa, identificou-o com o adventismo, mas seu conteúdo constituiu uma surpresa. O editor, N. H. Barbour, de Rochester, Nova Iorque, entendia que o objetivo da volta de Jesus Cristo não era destruir, e sim abençoar todas as famílias da terra, e que sua vinda seria como a dum ladrão e não seria na carne mas como espírito. Com efeito, à base das profecias cronológicas bíblicas, Barbour pensava que Cristo se achava então presente, e que a obra de colheita do “trigo” e do “joio” já era chegada. Russell fez arranjos para um encontro com Barbour e, como resultado, a classe bíblica de Pittsburgo, de cerca de trinta pessoas, ficou afiliada ao grupo um pouquinho maior de Barbour em Rochester, Nova Iorque. De seus próprios fundos, Russell contribuiu para que se imprimisse o então quase suspenso Herald, tornando-se co-editor do jornal.
Com 25 anos, em 1877, Russell começou a vender seus interesses comerciais e dedicou-se à atividade de pregação de tempo integral. Então viajava de cidade em cidade, proferindo discursos bíblicos em reuniões públicas, nas ruas, e nas igrejas protestantes. Devido a este trabalho, tornou-se conhecido como “Pastor” Russell. Determinou investir sua fortuna na promulgação da obra, devotar sua vida à causa, proibir coletas em todas as reuniões e depender de contribuições não-solicitadas para continuar a obra, depois que seu próprio dinheiro se esgotasse.
Em 1877, Barbour e Russell editaram conjuntamente Three Worlds, and the Harvest of This World (Três Mundos, e a Colheita Deste Mundo). Este livro de 196 páginas combinava informações sobre a Restituição com profecias bíblicas sobre o tempo. Apresentava o conceito de que a presença invisível de Jesus Cristo e um período de quarenta anos, iniciando com uma colheita de três anos e meio, datavam do outono setentrional de 1874.
Mui digna de nota foi a surpreendente exatidão com que tal livro apontou para o fim dos Tempos dos Gentios, “os tempos designados das nações”. (Luc. 21:24) Mostrava (nas páginas 83 e 189) que este período de 2.520 anos, durante o qual as nações gentias ou não-judaicas regeriam a terra, sem interferência de qualquer reino de Deus, começou com a derrubada babilônica do reino de Judá, em fins do sétimo século A. E. C., e terminaria em 1914 E.C. Até mesmo antes disso, contudo, C. T. Russell escreveu um artigo intitulado “Tempos dos Gentios: Quando Terminam?” Foi publicado no Bible Examiner de outubro de 1876, e nele Russell disse: “Os sete tempos terminarão em 1914 A. D.” Vinculara corretamente os Tempos dos Gentios com os “sete tempos” mencionados no livro de Daniel. (Dan. 4:16, 23, 25, 32) Comprovando tais cálculos, 1914 deveras marcou o fim desses tempos e o nascimento do reino de Deus no céu, tendo a Cristo Jesus como rei. Pense só nisso! Jeová concedeu tal conhecimento a Seu povo cerca de quatro décadas antes de tais tempos expirarem.
Tudo foi bem por algum tempo. Daí, veio a primavera setentrional de 1878. Barbour esperava que os santos que viviam na terra fossem então arrebatados fisicamente para estarem para sempre com o Senhor no céu. Mas, isto não aconteceu. De acordo com Russell, Barbour “parecia achar que tinha por obrigação arranjar algo de novo para desviar a atenção do fracasso de os santos que viviam serem arrebatados em massa”. Ele logo fez isso. “Para nossa dolorosa surpresa”, diz o relato de Russell, “o Sr. Barbour logo depois escreveu um artigo para o Herald negando a doutrina da expiação — negando que a morte de Cristo fosse o preço-resgate de Adão e sua raça, afirmando que a morte de Cristo não era uma liquidação da penalidade pelos pecados do homem assim como espetar um alfinete no corpo duma mosca e fazê-la sofrer e morrer não seria considerado por um pai terrestre como justa reparação do mau procedimento de seu filho”.
No número de setembro do Herald foi publicado o artigo de Russell, “A Expiação”, sustentando o resgate e contradizendo o erro de Barbour. Até dezembro de 1878, a controvérsia continuou nas páginas do jornal. “Tornou-se então claro para mim”, escreveu Russell, “que o Senhor não mais gostaria que eu ajudasse em sentido financeiro, ou de qualquer modo me identificasse com algo que exercesse influência em oposição ao princípio fundamental de nossa religião sagrada”. Assim o que fez C. T. Russell? Continua ele: “Por conseguinte, depois do esforço mais cuidadoso, porém infrutífero, de recuperar o errante, afastei-me inteiramente de The Herald of the Morning e do convívio adicional com o Sr. Barbour.” Mas, isto não bastava para mostrar sua “contínua lealdade a nosso Senhor e Redentor”. Por isso, deu outros passos. Escreve Russell: “Por conseguinte, entendi ser a vontade do Senhor que iniciasse outro jornal, em que o estandarte da Cruz fosse erguido bem alto, a doutrina do Resgate fosse defendida e as Boas Novas de grande Gozo fossem proclamadas tão extensivamente quanto possível.”
C. T. Russell considerou ser a orientação do Senhor que deixasse de viajar e começasse a editar um jornal. Assim, em julho de 1879, surgiu o primeiro número de Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo). Agora conhecida mundialmente como The Watchtower (A Sentinela), esta revista sempre sustentou a doutrina bíblica do resgate. Como Russell certa vez escreveu: “Desde o início, tem sido especial defensora do Resgate; e, pela graça de Deus, esperamos que seja assim até o fim.”
O início do periódico era um “dia das coisas pequenas”, visto que seu primeiro número consistia em apenas cerca de 6.000 exemplares. (Zac. 4:10) C. T. Russell, presidente da classe bíblica de Pittsburgo, era o editor e redator. Cinco outros estudantes maduros da Bíblia serviam originalmente como contribuintes regulares para suas colunas. A revista foi dedicada a Jeová e aos interesses do reino de Deus. Depositou-se confiança em Deus, conforme indicado para exemplificar, quando se disse em seu segundo número: “‘A Torre de Vigia de Sião’ tem, cremos, a JEOVÁ como seu apoiador, e enquanto este for o caso, jamais suplicará nem pedirá aos homens seu apoio. Quando Aquele que diz: ‘Todo o ouro e a prata das montanhas são meus’, deixar de prover os fundos necessários, entenderemos que é o tempo de suspender a publicação.” Jamais foi suspensa sua publicação. Ao invés, sua impressão aumentou vertiginosamente para a média, de cada número, de mais de 9.800.000 em fins de 1975.
A firme determinação de sustentar e declarar a verdade bíblica resultou na bênção divina para aqueles estudantes da Bíblia da década de 1870. Apesar do crescimento de muito “joio” religioso no campo mundial, Deus agira em identificar o “trigo” ou os verdadeiros cristãos. (Mat. 13:25, 37-39) Inegavelmente, Jeová chamava as pessoas “da escuridão para a sua maravilhosa luz”. (1 Ped. 2:9) Em 1879 e 1880, C. T. Russell e seus associados fundaram cerca de trinta congregações em Pensilvânia, Nova Jersey, Nova Iorque, Massachusetts, Delaware, Ohio e Michigan. O próprio Russell programava visitas pessoais a cada congregação. Seu programa exigia uma ou várias reuniões bíblicas com cada grupo.
Aquelas congregações iniciais eram chamadas de “eclésias” (do grego ekklesía, significando “congregação”) e, às vezes, eram mencionadas como “classes”. Todos os membros da congregação votavam congregacionalmente sobre certos assuntos e também elegiam uma junta de anciãos, responsável de dirigir os assuntos congregacionais. As eclésias se uniam por aceitarem o padrão de atividade da congregação de Pittsburgo, onde C. T. Russell e outros escritores da Torre de Vigia eram anciãos.
Jesus Cristo ‘pregou o livramento aos cativos aprisionados’. (Luc. 4:16-21; Isa. 61:1, 2) Se as pessoas de coração honesto do século dezenove haviam de obter a liberdade dada por Deus, o erro religioso tinha de ser exposto. A Torre de Vigia de Sião cumpria tal finalidade. Todavia, outra coisa ajudou a satisfazer a necessidade — os “Tratados dos Estudantes da Bíblia” (também chamados “Publicação Trimestral da Velha Teologia”), escritos em 1880 e depois disso por Russell e seus colegas. Estes tratados eram fornecidos grátis para distribuição por parte dos leitores da Torre de Vigia.
C. T. Russell e seus associados criam estar na época da colheita, e eram poucos em número — apenas cerca de cem em 1881. As pessoas, porém, precisavam da verdade libertadora, e, pela benignidade imerecida de Deus, iriam recebê-la. “Desejados 1.000 Pregadores” era o título impressionante dum artigo na Torre de Vigia de Sião de abril de 1881. Sugerisse aos que podiam dedicar a metade ou mais de seu tempo exclusivamente à obra do Senhor: “Que se dirijam às cidades grandes ou pequenas, segundo sua habilidade, como Colportores ou Evangelistas, procurem achar em todo lugar os cristãos fervorosos, muitos dos quais verificarão ser possuidores de zelo por Deus, mas não segundo o conhecimento, a estes procurem tornar conhecidas as riquezas da graça de Nosso Pai, e as belezas de Sua palavra, dando-lhes tratados.” Entre outras coisas, estes colportores (precursores dos atuais publicadores pioneiros) deviam obter assinaturas da Torre de Vigia. Naturalmente, nem todos os leitores da Torre de Vigia podiam ser pregadores de tempo integral. Todavia, os que não podiam devotar todo o tempo não foram deixados de lado pois se lhes disse: “Se dispuserem de meia hora, ou uma hora ou duas, ou três, poderão usá-la e isso será aceitável ao Senhor da colheita. Quem pode dizer que bênçãos fluirão de uma hora de serviço, sob a direção de Deus?”
Os mil pregadores desejados não responderam então ao apelo para ação. (Durante 1885 havia cerca de 300 colportores.) Mas, os servos de Jeová sabiam que deviam pregar as boas novas. Apropriadamente, a Torre de Vigia de Sião, de julho e agosto de 1881, declarou: “Está pregando? Cremos que ninguém será do pequeno rebanho exceto os pregadores. . . . Sim, fomos chamados para sofrer com ele, e para proclamar as boas novas agora, para que, no devido tempo, possamos ser glorificados e realizar as coisas agora pregadas. Não fomos chamados, nem ungidos para receber honra e acumular riquezas, mas para nos gastarmos e sermos gastos, e para pregar as boas novas.”
Nesse mesmo ano — 1881 — C. T. Russell terminou dois grandes folhetos. Um era intitulado “Ensinos do Tabernáculo”. O outro — Alimento Para os Cristãos Refletivos — expunha certos erros doutrinais e explicava o propósito divino.
Originalmente, a impressão de tratados e da Torre de Vigia de Sião era feita quase que inteiramente por firmas comerciais. Mas, se a distribuição de publicações iria expandir-se, e se os Estudantes da Bíblia (como as testemunhas de Jeová eram então chamadas) haviam de receber contribuições para executar o trabalho, alguma espécie de sociedade era necessária. Assim, no início de 1881, a “Zion’s Watch Tower Tract Society” (Sociedade de Tratados da Torre de Vigia de Sião) foi estabelecida como grupo sem personalidade jurídica, tendo a C. T. Russell como seu gerente. Ele e outros contribuíram de forma generosa cerca de US$ 35.000 para colocar em operação esta organização gráfica. Durante 1884, a Sociedade, anteriormente sem personalidade jurídica, adquiriu tal personalidade jurídica como Sociedade de Tratados da Torre de Vigia de Sião, servindo Russell como seu presidente. Hoje, esta associação religiosa é conhecida como “Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania” (Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia).
“A finalidade para a qual se forma a Sociedade”, diziam seus estatutos, “é a disseminação das verdades bíblicas, em diversos idiomas, por meio da publicação de tratados, panfletos, escritos e outros documentos religiosos, e pelo uso de todos os meios lícitos que a sua Diretoria, devidamente constituída, achar conveniente para a promoção da finalidade declarada”.
“A disseminação das verdades bíblicas” deu notável passo à frente por uma série de livros intitulados “Aurora do Milênio” (mais tardei “Estudos das Escrituras”). Escrito por C. T. Russell em linguagem facilmente compreensível, o Volume I foi publicado em 1886. Primeiro chamado “O Plano das Eras” e, mais tarde, “O Plano Divino das Eras”, abrangia assuntos tais como “A Existência dum Supremo Criador Inteligente É Estabelecida”, “A Volta de Nosso Senhor — Seu Objetivo, a Restituição de Todas as Coisas”, “O Dia de Juízo”, “O Reino de Deus”, e “O Dia de Jeová”. Durante um período de quarenta anos, seis milhões de exemplares desta publicação foram distribuídos, ajudando a centenas de sinceros buscadores da verdade a sair da escravidão à religião falsa para a liberdade cristã.
No decorrer do tempo, C. T. Russell escreveu cinco outros livros da série “Aurora do Milênio”. Eram: Volume II, O Tempo É Chegado (1889), Volume III, Venha o Vosso Reino (1891); Volume IV, A Batalha do Armagedom (1897, originalmente chamado “O Dia de Vingança”), Volume V, A Expiação Entre Deus e o Homem (1899); Volume VI, A Nova Criação (1904). Russell não viveu para escrever o sétimo volume tencionado desta série.
Que tremenda acolhida tiveram essas publicações cristãs! O espírito de Deus movia as pessoas a agir. Em alguns casos, era rápido seu afastamento da religião falsa. “Sua verdade cativou de imediato meu coração”, escreveu certa senhora em 1889, depois de ler um volume da Aurora do Milênio. “Dali em diante, afastei-me da Igreja Presbiteriana, onde por tanto tempo tateara nas trevas, em busca da verdade, e não a achara.” Um clérigo escreveu, em 1891: “Depois de pregar na igreja m[etodista] e[piscopal] por três anos, durante todos os quais tenho procurado fervorosamente a verdade, posso agora, com a ajuda de Deus, ‘sair dela’.” — Rev. 18:4.
Vívido desejo de pregar as boas novas é demonstrado nas idéias que outros expressaram à Sociedade por meio de cartas. Por exemplo, em 1891, um senhor e sua esposa escreveram: “Consagramos nosso todo ao Senhor e a seu serviço, para ser usado para a Sua glória e, se o Senhor quiser irei experimentar o trabalho de colportor logo que consiga por as coisas em ordem, e, se o Senhor aceitar meu serviço e me abençoar ao fazer sua obra, então vamos deixar de nos preocupar com a casa e tanto eu como minha esposa nos empenharemos na obra de colheita.”
Bem interessante foi a correspondência que a Sociedade recebeu em 1894 de um senhor que obtivera os volumes da Aurora do Milênio de duas colportoras. Ele leu os livros, pediu exemplares adicionais, assinou a Torre de Vigia de Sião, e sentiu-se movido a escrever: “Minha querida esposa e eu já lemos estes livros com o mais vivo dos interesses e achamos que é uma dádiva de Deus e uma grande bênção termos tido a oportunidade de entrar em contato com eles. São deveras ‘prestimosa ajuda’ para o estudo da Bíblia. As grandes verdades reveladas no estudo desta série simplesmente inverteram nossas aspirações terrenas; e, dando-nos conta, pelo menos até certo ponto, da grande oportunidade de fazermos algo a favor de Cristo, pretendemos aproveitar esta oportunidade para distribuir estes livros, primeiro, entre os nossos parentes e amigos mais chegados, e depois entre os pobres que desejarem lê-los e não puderem obtê-los.’ Esta carta estava assinada por J. F. Rutherford, que se dedicou a Jeová doze anos mais tarde e por fim sucedeu a C. T. Russell como presidente da Sociedade Torre de Vigia dos EUA.
A CASA DA BÍBLIA
Os Estudantes da Bíblia tinham seus escritórios centrais primeiro à Quinta Avenida, 101, Pittsburgo, e, depois disso à Rua Federal, 44, Allegheny, Pensilvânia. Em fins da década de 1880, contudo, a obra acelerada de anunciar as boas novas e de ajuntar os semelhantes a ovelhas tornara necessária a expansão. Assim o povo de Jeová construiu seu próprio prédio. Terminado em 1889, ao custo de US$ 34.000, este prédio de tijolos, de quatro pavimentos, localizado na Rua do Arco, 56-60 (mais tarde com numeração 610-614), Allegheny, era conhecido como “Casa da Bíblia”. Originalmente, sua escritura estava em nome da “Tower Publishing Company”, uma firma particular dirigida por C. T. Russell, que por alguns anos editava as publicações da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) por um preço acertado. Em abril de 1898, a propriedade desta gráfica e de seu terreno foi transferida por doação para a Sociedade Torre de Vigia, a sua diretoria avaliando a construção e o equipamento em US$ 164.033,65.
A Casa da Bíblia serviu como sede da Sociedade por cerca de vinte anos.
“Como eram as coisas na Casa da Bíblia em 1907?” pergunta. Ora Sullivan Wakefield. Respondendo à sua própria pergunta, ela afirma, em parte: “Só havia trinta de nós na ‘família’ e, sendo pequena, era verdadeiramente uma família. . . . Todos comíamos, dormíamos, trabalhávamos e adorávamos nesse único prédio. A capela também dispunha dum lugar para o batismo, sob a tribuna.”
Pense só nisso! Lá atrás, em 1890, só havia cerca de quatrocentos associados ativos da Sociedade Torre de Vigia. Mas, o espírito santo de Jeová estava em operação e produzia excelentes resultados. (Zac. 4:6, 10) Assim sendo, na década de 1890, os tempos eram de aumento. Com efeito, centenas se reuniram, em 26 de março de 1899, para comemorar a morte de Jesus Cristo, um relatório incompleto citando 339 grupos, com 2.501 participantes. Deveras, os semelhantes a ovelhas afluíam ‘ao redil’. — Miq. 2:12.
O crescimento da obra de pregação fora estimulado pela viagem de C. T. Russell ao exterior em 1891. Esta excursão de mais de 27.000 quilômetros levou a ele e seu grupo até a Europa, Ásia e África. Depois disso, um depósito de publicações foi estabelecido em Londres. Também, fizeram-se arranjos para editar as publicações da Sociedade em alemão, francês, sueco, dano-norueguês, polonês, grego, e, mais tarde, em italiano.
“SUBAMOS À CASA DE JEOVÁ”
Davi regozijou-se quando lhe disseram: “Subamos à casa de Jeová.” (Sal. 122:1) Comparavelmente, os Estudantes da Bíblia iniciais deleitavam-se de reunir-se para reuniões e congressos. (Heb. 10:23-25) As recompensas espirituais eram muitas, mas uma coisa sempre faltava — a bandeja de coleta. Aplicável a todas as reuniões e congressos das testemunhas cristãs de Jeová é o lema: “Entrada franca, não se faz coleta.” E isso corretamente, também, em vista das palavras de Jesus Cristo: “De graça recebestes, de graça dai”. As contribuições voluntárias servem para cobrir quaisquer despesas relacionadas aos locais de reunião do povo de Jeová. — Mat. 10:8; 2 Cor. 9:7.
Suponhamos que nos juntemos aos concrentes dos tempos primitivos ao se dirigirem para suas reuniões semanais. “Antes e depois da virada do século”, comenta Ralph H. Leffler, “havia bem poucas, pouquíssimas reuniões que perdíamos. Naqueles dias não tínhamos carros. A única maneira de nós, que morávamos no interior, a uns oito quilômetros da cidade, chegarmos às reuniões era andar . . . ou usar uma charrete puxada a cavalo. Muitas e muitas vezes usávamos uma charrete ou carroça puxada a cavalo para percorrer os dezesseis quilômetros de ida e volta, duas vezes aos domingos, para assistir às reuniões. Ano após ano, no verão ou no inverno, chovesse ou fizesse sol compreendíamos ser nosso privilégio aprender cada vez mais as verdades da Bíblia e fortalecer nossa fé. Não queríamos perder nenhuma oportunidade de nos associar com outros de mesmíssima fé.” Hazelle e Helen Krull observam: “Quando a neve cobria o solo, íamos de cavalo e trenó cobrindo o cavalo com um cobertor durante a reunião. Às vezes o cavalo esperava pacientemente, e, às vezes, escarvava com impaciência.”
Como eram essas reuniões de antigamente? Uma delas se baseava no Sombras do Tabernáculo dos Melhores Sacrifícios, publicado inicialmente pela Sociedade em 1881. Considerava o significado profético do tabernáculo de Israel e dos sacrifícios oferecidos ali. Até mesmo as crianças se beneficiavam grandemente destes estudos. Recordando tais reuniões, realizadas em uma casa, comenta Sara C. Kaelin: “O grupo aumentara e, às vezes, as crianças tinham de sentar-se nos degraus da escada que conduzia ao sobrado, mas todas tinham de aprender e responder às perguntas. O que representava o novilho? O Átrio? O Santo? O Santíssimo? O Dia da Expiação? O Sumo Sacerdote? O subsacerdote? Estava tão inculcado em nossa mente que podíamos visualizar o Sumo Sacerdote cumprindo seus deveres e sabíamos o que isso significava.”
“Reuniões de Chalés” eram realizadas às quartas-feiras à noite. Estas também tornaram-se conhecidas como Reuniões de Oração, Louvor e Testemunho. A respeito delas, Edith R. Brenisen escreve: “Depois dum hino e duma oração, o líder lia um texto apropriado, dando alguns comentários, e então a reunião era aberta aos amigos, para comentarem o que quisessem. Às vezes era uma alegre experiência que alguém teve no serviço, ou alguma evidência da direção ou proteção especiais de Jeová. A pessoa estava livre para oferecer uma oração ou pedir que certo hino fosse entoado, a letra do qual amiúde expressava as idéias que havia no coração da pessoa, melhor que ela poderia fazê-lo. Era uma noitinha de meditação sobre o cuidado amoroso de Jeová, e de íntima associação com nossos irmãos e irmãs. Ao ouvirmos algumas de suas experiências, chegávamos a conhecê-los melhor. Observar sua fidelidade, ver como sobrepujavam suas dificuldades, não raro nos ajudava a solucionar algumas de nossas próprias perplexidades.” Esta reunião foi a precursora do que, desde esse tempo, se desenvolveu na reunião de serviço, realizada semanalmente pelas testemunhas de Jeová, hoje em dia, e de tanta ajuda para elas em sua obra de pregação.
Naqueles dias iniciais, “Círculos da Aurora” eram realizados nas noites de sexta-feira. Tais estudos bíblicos eram assim chamados por se usarem os volumes da Aurora do Milênio. Ralph H. Leffler recorda-se de que a noite de domingo era usualmente devotada a um estudo da Bíblia ou discurso baseado nas Escrituras. Talvez fosse proferido o que era conhecido como “discurso sobre a tabela”. O que era isto? Explica ele: “Na contracapa do Volume I dos Estudos das Escrituras havia uma longa tabela . . . Essa tabela foi ampliada até o tamanho duma faixa . . . e podia ser comprada na Casa da Bíblia em Allegheny, Pensilvânia. Essa tabela era pendurada na parede, em frente da assistência, para que todos a vissem, à medida que o orador da ocasião passava a explicar seus muitos arcos e pirâmides. A tabela era uma vívida ilustração dos principais eventos bíblicos desde a criação do homem até o fim do milênio e o começo das ‘eras vindouras’. . . . Aprendemos muita coisa sobre a história da Bíblia através destes discursos sobre a ‘tabela’. E eram proferidos com freqüência.”
Os “discursos sobre a tabela” talvez fossem proferidos nos locais regulares de reunião do povo de Jeová ou em outras partes. Eram eficazes tais discursos? Recorda C. E. Sillaway: “Os discursos devem ter dado alguns frutos, pois o pequeno grupo cresceu de seis adultos para cerca de quinze em menos de dois anos.” Em uma ocasião, William P. Mockridge proferiu um discurso sobre a tabela numa igreja batista na cidade de Long Island, Nova Iorque, “resultando que vários membros da igreja [do pregador batista] conheceram a verdade e o ministro . . . C. A. Erickson também conheceu a verdade e se tornou um dos oradores . . . viajantes da Sociedade.”
A comemoração anual da morte de Jesus Cristo dava aos iniciais Estudantes da Bíblia oportunidades de realizar congressos. (1 Cor. 11:23-26) Uma de tais reuniões ocorreu em Allegheny, Pensilvânia, de 7 a 14 de abril, de 1892. Achavam-se presentes cerca de 400 servos de Jeová e pessoas interessadas de cerca de vinte estados e de Manitoba, Canadá. Desde então, naturalmente, congressos espiritualmente recompensadores do povo de Deus foram realizados em muitas cidades através dos Estados Unidos e do mundo. E como Jeová tem feito as coisas crescerem! De mais de 123 países, a Assembléia Internacional Vontade Divina das Testemunhas de Jeová, de 1958, atraiu ao Estádio Ianque e ao Campo de Pólo, da cidade de Nova Iorque, uma assistência total de 253.922 pessoas!
CORAJOSOS E FORTES DE CORAÇÃO NO SERVIÇO DE DEUS
“Voluntários Desejados!” — esse era o impressionante título dum artigo na Torre de Vigia de Sião de 15 de abril de 1899. Propunha novo método de disseminação das verdades bíblicas — um que com certeza tomaria de assalto o clero de cristandade. Para participar nesse trabalho, a pessoa teria de ser corajosa e ter o coração forte. (Sal. 31:24) O povo de Jeová naquele tempo obteve a oportunidade de se empenhar na maciça distribuição gratuita de 300.000 exemplares dum novo folheto intitulado “A Bíblia vs. a Evolução”. Era entregue às pessoas à medida que saíam das igrejas no domingo. Voluntários cristãos, aos milhares, responderam de todo o coração ao apelo, e grande trabalho foi feito nos Estados Unidos, Canadá e Europa.
Esta obra voluntária continuou por anos, em especial aos domingos, e com o tempo se expandiu de forma a incluir a distribuição de tratados de casa em casa. Novos tratados eram publicados pelo menos duas vezes por ano, e eram entregues aos milhões aos freqüentadores de igrejas. De 1909 em diante, a Sociedade Torre de Vigia lançou nova série de tratados chamados “Púlpito do Povo” (daí, “Jornal de Todo o Mundo” e, mais tarde, “O Mensário dos Estudantes da Bíblia”). Por meio destes tratados mensais expôs-se o erro religioso, explicaram-se as verdades bíblicas e avisaram-se as nações sobre o ano altamente significativo de 1914. Caricaturas e ilustrações aumentaram a efetividade destes tratados. Por meio de tal distribuição de tratados, os servos de Deus foram cada vez mais notados pelo público, tornando-se amplamente conhecidos como Estudantes da Bíblia e Estudantes Internacionais da Bíblia.
“Cada classe possuía um Capitão dos Voluntários que planejava o trabalho”, afirma Edith R. Brenisen, “e os trabalhadores eram chamados Voluntários. . . . As manhãs de domingo eram gastas neste trabalho voluntário. Levava-nos às portas das igrejas. Distribuíamos os tratados à medida que as pessoas saíam da igreja. . . . Às doze horas, à medida que as pessoas saíam, entregávamos-lhes as publicações, e então esperávamos até às 13 horas, de modo a servir àqueles que permaneceram para a escola dominical. Quase todos aceitavam um tratado. Alguns jogavam seu exemplar no chão, e, naturalmente, nós os ajuntávamos de novo. A mensagem que os tratados continham era ‘Saí Dela, Povo Meu’.”
Muitas noites agradáveis eram gastas preparando os tratados para distribuição. Margaret Duth recorda as noites em que os concristãos se reuniam na casa dela para tal fim, e escreve: “Abríamos em plena extensão a mesa da sala de jantar e alguns de nós separávamos os tratados, enquanto que outros os dobravam, outro grupo os carimbava com a hora e o local do discurso da tarde de domingo.”
Em seguida vinha a própria distribuição. Segundo Samuel Van Sipma, esta “era uma atividade dos Estudantes da Bíblia em que praticamente todos participavam”. Acrescenta: “Muitos de nós levantávamos cedo, domingo de manhã [por volta das cinco horas] e deixávamos tratados nas varandas ou debaixo das portas numa parte do território designado, duas ou quatro pessoas usualmente trabalhando juntas. Naturalmente, também em outras ocasiões se distribuíam tratados . . . Alguns se referiam, de modo nada inapropriado, a esta atividade com tratados como espalhar pérolas como o orvalho da manhã e, inquestionavelmente, muitos se sentiram deveras revigorados em resultado de lerem estas páginas inspiradas da verdade divina.”
Até mesmo crianças cristãs participavam na obra de distribuir tratados. Grace A. Estep recorda-se de como ela e seus dois irmãos mais velhos “iam na ponta dos pés até às varandas bem cedo nas manhãs de domingo, e metiam os tratados debaixo das portas”. Talvez se encontrasse oposição, pois continua a irmã Estep: “Às vezes uma porta se abria de repente e um verdadeiro gigante, um adulto, aparecia, usualmente berrando invectivas e às vezes nos escorraçando com vassouras ou varas ou braços agitados, e fazendo terríveis ameaças caso ousássemos voltar. . . . Vez por outra, contudo, alguém aceitava o tratado ou sorria para nós, e então corríamos para casa para contar isso a nossos pais.”
O uso de tratados produziu bons resultados. Exemplificando: Victor V. Blackwell nos conta: “Foi um tratado que trouxe a verdade do Reino à nossa casa. Um tratado foi o início dum sólido alicerce de verdade bíblica para meu pai, minha mãe, eu mesmo e os filhos, além de muitos outros que aceitaram e abraçaram a informação esperançosa e inspiradora de fé sobre o governo do Reino para toda a humanidade.”
USANDO A IMPRENSA PÚBLICA
“Outra modalidade [da obra] que não pode ser despercebida irrefletidamente” afirma George E. Hannan, “era a publicação dos sermões do Pastor Russell nos jornais”. Montou-se uma cadeia jornalística internacional para publicação dos sermões de C. T. Russell. Mesmo que Russell estivesse viajando, enviava semanalmente a esta agência, composta de quatro membros da equipe da sede da Sociedade, um sermão de cerca de duas colunas de jornais. Eles, por sua vez, retelegrafavam-no para os jornais nos Estados Unidos, Canadá e Europa. A Sociedade arcava com as despesas do telégrafo, mas o espaço nos jornais era cedido grátis.
Certa publicação chamada “O Continente” uma vez declarou sobre C. T. Russell: “Diz-se que seus escritos gozam de maior circulação nos jornais, cada semana do que os de qualquer outro homem vivo, maior, sem dúvida do que a circulação combinada dos escritos de todos os sacerdotes e pregadores da América do Norte; maior do que a obra de Arthur Brisbane, Norman Hapgood, George Horace Lorimer, Dr. Frank Crane, Frederick Haskins, e uma dúzia de outros dos mais conhecidos editores e escritores de cadeias de jornais tomados juntos.” Mas, não era Russell como homem que era importante. A ampla circulação das boas novas era vitalmente significativa. “Mais de 2.000 jornais, com uma circulação combinada de quinze milhões de leitores, publicavam em certa época seus discursos”, disse A Torre de Vigia de 1.º de dezembro de 1916. “Ao todo, mais de 4.000 jornais publicavam estes sermões.” Eis aqui então, outro meio de disseminar as verdades bíblicas.
“OBRA DE EXTENSÃO DA CLASSE”
As corajosas atividades dos servos de Jeová se intensificavam ao passo que outra modalidade de sua obra surgia em cena em 1911. Conhecida como “obra de extensão da classe”, era extensiva campanha de discursos públicos. Quarenta e oito ministros viajantes assumiram este novo trabalho, sendo enviados em itinerários designados como oradores públicos. Mas, a “obra de extensão da classe” envolvia mais do que isso. Obtinham-se os nomes e endereços dos interessados que assistiam aos discursos, e os Estudantes da Bíblia visitavam tais pessoas em suas casas, tudo isso no empenho de ajuntar tais pessoas e formar novas congregações. Os colportores ajudavam a organizar essas congregações, e formaram-se muitas novas. Em 1914, com efeito, 1.200 congregações funcionavam em relação com a Sociedade Torre de Vigia (EUA) por toda a terra.
“Depois de obter permissão para usar um salão para um discurso público”, dizem Hazelle e Helen Krull, “fazíamos arranjos para anúncios no semanário e fazíamos visitas para entregar convites pessoais. Também colocávamos um quadro-negro inclinado à entrada do salão, com o anúncio da reunião escrito a giz. Muitos destes salões só possuíam luz de lamparina. Se na reunião inicial houvesse interesse, continuávamos com outros discursos. Fazíamos questão de saudar e falar pessoalmente a cada um do pequeno grupo que se reunia (e era usualmente um grupo pequeno) e de visitar as casas dos interessados para cultivar seu interesse.”
VIAJANDO COM OS PEREGRINOS
Já em 1894, vinte e um representantes viajantes da Sociedade Torre de Vigia (EUA) foram enviados para realizar reuniões públicas e edificar espiritualmente as congregações dos Estudantes da Bíblia. Viajavam num itinerário fixo, e, à medida que as congregações cresciam em número, outros peregrinos, como eram chamados, eram enviados em viagens. Os peregrinos serviram aos interesses do povo de Deus desde a década de 1890 até fins da década de 1920. Sua atitude era como a de Paulo, que disse aos cristãos romanos: “Anseio ver-vos, para vos conferir algum dom espiritual, a fim de que sejais firmados, ou, antes, para que haja um intercâmbio de encorajamento entre vós, cada um por intermédio da fé que o outro tem, tanto a vossa como a minha.” — Rom. 1:11, 12.
Os traços da personalidade dos peregrinos viajantes variavam, como os dos apóstolos de Jesus Cristo. (Luc. 9:54; João 20:24, 25; 21:7, 8) “O irmão Thorn tinha modos mui brandos, era um homem baixo, excelentemente bem penteado, que usava cavanhaque”, comenta Grant Suiter, adicionando: “Os peregrinos eram impressionantemente asseados. . . . Mais importante, ajudavam os ouvintes a ter fé na Palavra de Deus. Quando Harold B. Duncan encontrou-se pela primeira vez com o irmão Thorn, “isso lhe causou uma impressão amorosa e duradoura”. Afirma o irmão Duncan: “Seu discurso ao grupo era como o de um pai que dava conselho amoroso e afetivo a seus filhos e filhas, e netos, uma espécie de patriarca dos tempos antigos.”
Grace A. Estep recorda: “O irmão Hersee amava a música, e, depois de nos terem mandado ir dormir, a mamãe tocava piano, papai violino, e o irmão Hersee entoava os ‘hinos’. . . . Quanto aos outros que conhecíamos e a quem tanto amávamos — o irmão [Clayton J.] Woodworth, o irmão Macmillan e outros, cujas vidas eram tão excelente exemplo de perseverança — há uma afeição especial pelo irmão Van Amburgh. Ele era tão cheio de gentilezas e ternura para com os ‘mui queridos’ que amiúde me fazia pensar em como devia ter sido o amado apóstolo João.”
Rememorando os dias em que era jovem e os irmãos peregrinos pousavam em sua casa, Ethel G. Rohner declara: “Sempre se interessavam em nós, jovens — em minha irmã e meu irmão também. Sempre apreciávamos suas visitas. Como jovem, ficava um pouco pasmada de ver sua tranqüila confiança e fé — aceitando todas as coisas como a vontade de Jeová. Realmente deram a nós, jovens, excelente exemplo de fortaleza moral e fé cristãs.”
Sem dúvida, muitos dos peregrinos se tornaram queridos por seus concrentes também porque ficavam “à vontade” quando os visitavam. “O que tornava a sua visita tão agradável?”, pergunta Mary M. Hinds. Responde ela: “Dispensando as saudações, o peregrino pergunta ao papai sobre as reuniões públicas, se ele tem quaisquer perguntas sobre os artigos de A Torre de Vigia, como vão indo as coisas na cidadezinha, se alguém mais mostrou interesse desde sua última visita, e outras perguntas rotineiras. Por um pouco de tempo, dirige sua atenção a nós, crianças (somos três agora), antes de se retirar para seu quarto. ‘Não é bonzinho? Ele conversa conosco!’ Ficamos emocionadas e é um bom início para usufruirmos cada minuto de sua estada, usualmente de um ou dois dias. Talvez seja Benjamim Barton, que me deu uma foto de cartão-postal que comprou do congresso do Lago Chatauqua, de 1910, e colou seu retrato nas costas dela. Ou talvez o irmão J. A. Bohnet, que fez uma pipa para meu irmão e o ajuda a soltá-la . . . O irmão A. H. Macmillan talvez tire uns instantes para ir ao milharal junto conosco e escolher seis ótimas espigas de milho para o seu jantar.”
“Alguns dos peregrinos tinham peculiaridades pessoais, e estas eram notadas, naturalmente”, admite Harold P. Woodworth, “mas havia notáveis qualidades — dons do espírito santo que deixavam profunda e duradoura influência.” Observa a irmã Earl E. Newell: “Eu nunca, mas nunca mesmo, esquecerei uma declaração do irmão Thorn que me tem ajudado até o dia de hoje. Ele disse, e eu o cito: ‘Sempre que começo a pensar demais sobre mim mesmo, levo-me para um canto, por assim dizer, e digo: “Você, sua partícula diminuta de pó. Que tem para tanto se orgulhar?”’” Uma caraterística digna de nota, deveras, pois “o resultado da humildade e do temor de Jeová é riquezas, e glória, e vida”. — Pro. 22:4.
Estes peregrinos viajantes não gozavam de facilidades ao viajar dum lugar para outro. A respeito das viagens de seu marido Edward, que certa vez serviu nessa posição, Edith R. Brenisen escreveu: “Para alcançar alguns lugares afastados, amiúde era preciso viajar de trem, diligência, carroças de todos os tipos e a cavalo. Algumas de tais viagens eram muito excitantes. . . . Um compromisso era em Klamath Falls, Oregon, ou perto de lá. A fim de chegar ali, depois de viajar parte do caminho de trem ele teve então de fazer a viagem noturna de diligência. No dia seguinte, numa cidadezinha, veio a seu encontro um irmão, com uma buckboard. (No caso de jamais ter visto uma, posso lhe dizer que é apenas uma carreta de madeira montada sobre quatro rodas colocadas nos eixos, sem nenhuma mola. Se a pessoa não sofria da espinha antes da viagem, certamente iria sofrer depois.) Longa viagem levou-os às montanhas, à fazenda do irmão num lindo vale junto a um riacho da montanha.”
O que dizer sobre essa mesma visita do peregrino? A irmã Brenisen adiciona: “Logo o quintal estava cheio de parelhas de animais de todas as descrições, trazendo os amigos de longe para ouvirem o peregrino. A reunião começou às quinze horas, com um discurso de duas horas, após o qual houve o incentivo para se fazerem perguntas, e houve muitas. Realmente pararam o suficiente para um excelente jantar que as irmãs tinham preparado, após o qual houve outro discurso de duas horas seguido de mais perguntas.” Essa noite, as irmãs dormiram na casa e os irmãos sobre o feno. Reservara-se um quarto da casa para o peregrino, mas o irmão Brenisen preferiu ir para o estábulo junto com os irmãos. “Chegou a manhã”, diz a irmã Brenisen, “e depois de reanimador desjejum o irmão selou três cavalos, um cavalo de carga e um para cada um deles. Para chegar ao trem que o levaria a seu próximo compromisso, tiveram de fazer uma viagem de quase cem quilômetros pela região selvagem até a próxima estação ferroviária. Algum tempo depois Edward recebeu uma carta da irmã, dizendo-lhe que, depois que partiram, ela foi buscar o travesseiro no estábulo e lá estava ele, com a marca de sua cabeça nele. Quando ela o apanhou, bem debaixo daquele lugar estava grande cascavel toda enrolada, tendo apreciado o calor da cabeça dele. A cobra ficou muito indignada de ser perturbada e mostrou isso. Quão melhor é amiúde ignorar certos fatos!”
O que dizer dos discursos dos peregrinos? Como eram eles? A respeito de certo peregrino, o irmão Toutjian, afirma Ray C. Bopp: “Este irmão era um instrutor mesmo. Ensinava por meio de ilustrações. . . . [Ele possuía] um modelo reduzido do tabernáculo do deserto, que colocava sobre uma mesa . . . O santo, o santíssimo, o átrio com o altar do holocausto e a bacia estavam cercados por uma cerca de pano de uns dez centímetros de altura, pendurada como se fosse uma cortina, de pequenas barras de metal. Estatuetas de sacerdotes, com vestes autênticas, eram colocadas em seus devidos lugares e eram movidas à medida que cumpriam suas funções . . . [à medida que o irmão Toutjian] descrevia cada observância e seu significado profético, baseado no livro de referências, Sombras do Tabernáculo.”
“Sempre se programava um discurso público”, comenta Mary M. Hinds, “e muitas vezes os peregrinos proferiam um discurso sobre a Tabela, explicando as ‘dispensações’ e as ‘eras’ marcadas nela. Pelo menos um irmão, M. L. Herr, tinha um discurso ilustrado. Usando diapositivos estáticos, fazia com que a Rutinha de seu discurso voltasse à vida por meio da ressurreição. Sim, impressões que durariam a vida inteira foram causadas por tais irmãos, que foram o elo de ligação, naqueles dias, entre a sede desta crescente organização e os assinantes isolados da Torre de Vigia e as ‘eclésias’ que estavam sendo organizadas.” Ollie Stapleton expressa seus sentimentos, dizendo: “Estas visitas eram ocasiões de edificação e instrução espirituais, e nos ajudavam a trabalhar em mais íntima união com a organização de Jeová.”
A EXPANSÃO, À MEDIDA QUE OS TEMPOS DOS GENTIOS APROXIMAM-SE DO SEU FIM
Ao se acharem os Estudantes da Bíblia na primeira década do século vinte, ficaram cônscios de que se escoava o tempo para as nações. Há muito o povo de Deus considerava 1914 como o fim dos Tempos dos Gentios, de 2.520 anos de duração. (Luc. 21:24, Versão Almeida) Agora, faltavam apenas uns poucos anos, e C. T. Russell preparou-se para empreender uma campanha total e mundial como testemunho para as nações. Mas, para essa obra internacional extensiva, a Casa da Bíblia em Allegheny era pequena demais.
Em 1908, portanto, vários representantes da Sociedade Torre de Vigia, inclusive J. F. Rutherford (então seu consultor jurídico), foram enviados a Nova Iorque. Por quê? Para conseguir instalações mais adequadas, uma propriedade que o próprio Russell havia localizado numa viagem anterior. Fizeram isso mesmo, comprando o antigo “Betel de Plymouth”, Rua Hicks, 13-17, Brooklyn, Nova Iorque. Era o prédio duma missão, terminado em 1868 para a vizinha Igreja Congregacional Plymouth, onde Henry Ward Beecher certa vez servia qual pastor. A delegação da Sociedade também comprou o velho presbitério de quatro andares, de arenito pardo, de Beecher, na Rua Columbia Heights, 124, a apenas alguns quarteirões de distância.
A antiga residência de Beecher logo se tornou o novo lar da equipe da sede da Sociedade, de mais de trinta pessoas, e foi chamado de “Betel”, significando “Casa de Deus”. O prédio remodelado da Rua Hicks tornou-se conhecido como “O Tabernáculo de Brooklyn”. Alojava os escritórios da Sociedade e excelente auditório. Em 31 de janeiro de 1909, 350 pessoas estavam presentes para a dedicação da nova sede da Sociedade.
Em Betel se localizava o gabinete de C. T. Russell. Embaixo achava-se o refeitório, com longa mesa que acomodava 44 pessoas. A família se reunia aqui para entoar um hino, ler o “Voto” e unir-se em oração antes do desjejum. No início da refeição, lia-se um texto bíblico do Maná Celestial Diário Para a Família da Fé, e este era considerado durante o desjejum.
Gostaria de ouvir o voto que diariamente era inculcado em sua mente? Intitulado “Meu Voto Solene a Deus”, era o seguinte:
“Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome. Que a tua lei possa entrar cada vez mais no meu coração, e a tua vontade seja feita no meu corpo mortal. Confiando no auxílio da tua prometida graça para me ajudar em toda ocasião de necessidade, por Jesus Cristo, Nosso Senhor, registro esse Voto.
“Lembrarei diariamente diante do trono da graça celeste os interesses gerais da obra de colheita, e especialmente o meu privilégio de participar nessa obra, e os queridos co-trabalhadores no Betel de Brooklyn, e em toda a parte.
“Voto ainda mais cuidadosamente, se possível, escrutinar meus pensamentos, palavras e ações, a fim de melhor poder servir a ti, e a teu querido rebanho.
“Voto a ti que estarei alerta para resistir a tudo que se relacione com o espiritismo e ocultismo, e que, lembrando-me de que só existem dois mestres, resistirei a tais laços de todas as maneiras razoáveis, como sendo do Adversário.
“Voto também que, com as excessões abaixo, eu me comportarei em todas as ocasiões e em todos os lugares, para com os do sexo oposto, em particular, exatamente como eu faria com eles em público — na presença duma congregação do povo do Senhor, e até onde for razoavelmente possível, evitarei estar no mesmo quarto a sós com qualquer pessoa do sexo oposto, a menos que a porta do quarto permaneça inteiramente aberta: — No caso dum irmão — excetuam-se a esposa, filhos, a mãe e as irmãs. No caso duma irmã — excetuam-se o marido, filhos, o pai e os irmãos.”
O povo de Deus, em Betel e em outras partes, mais tarde deixou de recitar este voto. Todavia, os elevados princípios incorporados em suas palavras ainda são sólidos.
A cerca de três quarteirões de Betel achava-se o Tabernáculo de Brooklyn, original estrutura antiga de tijolos vermelhos que consistia em dois pavimentos e um porão. Alojava os escritórios gerais da Sociedade, a sala de composição, onde se compunha o tipo para A Torre de Vigia, uma sala de depósito e também uma sala de expedição. No segundo pavimento achava-se um auditório com capacidade para 800 pessoas sentadas. Aqui falava regularmente o irmão Russell.
Por certo tempo, a equipe da sede da Sociedade se alojava mormente à Rua Columbia Heights, 124. Mais tarde, o prédio adjacente, no número 122 da Columbia Heights, foi comprado, ampliando o lar de Betel. O ano de 1911 viu o término do anexo de trás que se estendia por nove pavimentos, num precipício, até a Rua Furman. Fornecia muito mais espaço para moradia e outras dependências, inclusive novo refeitório. Para que a escritura de tais propriedades fosse passada em seu nome, em 1909 os servos de Jeová formaram a Associação do Púlpito do Povo, agora conhecida como a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Nova Iorque, tendo personalidade jurídica. Esta e outras associações formadas pelo povo de Jeová em vários países cooperam todas umas com as outras e com o corpo governante das testemunhas de Jeová.
‘BENDIZER A JEOVÁ NO MEIO DAS MULTIDÕES CONGREGADAS’
Congressos regulares e outras reuniões públicas dos Estudantes da Bíblia constituíam excelentes ocasiões para se ‘bendizer a Jeová no meio das multidões congregadas’, assim como os servos de Deus haviam feito nos tempos passados. (Sal. 26:12) Qual era a natureza destes eventos? Vejamos.
‘Até mesmo aqui, na mais alta galeria do Teatro de Auditório famoso em todo o mundo, lar da Grande Ópera de Chicago, nenhuma poltrona está vazia. Ao olhar sete galerias para baixo, em direção ao palco, a cerca de meio quarteirão de distância, fico imaginando se será necessário esticar as orelhas para ouvir. Depois da introdução do presidente, Charles Taze Russell põe-se de pé, coloca o indicador esquerdo na palma da mão direita e começa a falar num tom normal de voz. Não tem nenhuma anotação. Não existe nenhuma tribuna. Ele se movimenta livremente pelo palco. Discerne-se claramente cada palavra à medida que descreve o fim profético dos Tempos dos Gentios e o início da Era Milenar.’
Isto é do que se lembra Ray C. Bopp. Não é senão um exemplo. O local bem que poderia ter sido o Salão Real Albert, de Londres, onde C. T. Russell falou a grandes assistências em maio de 1910. Daí, então, poderia ter sido o famoso Teatro do Hipódromo da cidade de Nova Iorque, onde Russell se dirigiu a uma ampla assistência judia no domingo, 9 de outubro de 1910. A respeito desse discurso, o American de Nova Iorque, de 10 de outubro de 1910, disse, em parte: “O espetáculo incomum de 4.000 hebreus aplaudindo entusiasticamente um pregador gentio, depois de terem escutado a um sermão que ele lhes proferiu a respeito da própria religião deles, foi apresentado no Hipódromo ontem à tarde, onde o Pastor Russell, o famoso chefe do Tabernáculo de Brooklyn, dirigiu um ofício muitíssimo incomum.” Dezenas de rabinos e professores estavam presentes. “Não houve partes preliminares”, disse o jornal. “O Pastor Russell, alto, empertigado e com barba branca, percorreu o palco sem introdução, levantou a mão, e seu duplo quarteto do Tabernáculo de Brooklyn entoou o hino ‘O Dia Feliz de Sião’.” Conforme relatado, com o tempo a assistência mostrou-se ‘receptiva’ ao orador. Em seguida houve aplausos, por fim, a acolhida entusiástica. Terminado o discurso, Russell fez de novo um sinal e o coro “ergueu os acordes originais e de som estranho do hino de Sião, ‘Nossa Esperança’, uma das obras-primas do poeta excêntrico do ‘East Side’, Imber”. Com que efeito? O seguinte, conforme o relato da imprensa: “O incidente, sem precedentes, de vozes cristãs entoando o hino judaico constituiu tremenda surpresa. Por um instante, os ouvintes hebreus dificilmente podiam crer em seus próprios ouvidos. Então, certificando-se de que se tratava de seu próprio hino, primeiro gritaram de aplauso e então bateram palmas com tamanho ardor que a música ficou sufocada, e, daí, com o segundo verso, participaram nele às centenas. No auge do entusiasmo devido à surpresa dramática que ele preparou, o Pastor Russell saiu do palco e a reunião acabou com o fim do hino.”
Os tempos mudaram, e também os conceitos cristãos sobre as profecias bíblicas que certa vez se pensava aplicarem-se aos judeus naturais em nossos dias. Com a luz crescente vinda de Deus, seu povo discerniu que tais palavras predizem boas coisas para o espiritual “Israel de Deus”, os seguidores ungidos de Jesus Cristo. (Rom. 9:6-8, 30-33; 11:17-32; Gál. 6:16) Mas, estamos rememorando o início do século vinte, e era assim que as coisas eram naqueles dias.
Visto que o irmão Russell era tão amplamente conhecido e falava a grandes assistências em muitas ocasiões, talvez fique imaginando como era ouvi-lo. “Quão diferente do pregador comum!”, exclama C. B. Tvedt, acrescentando: “Nenhuma oratória, nenhum emocionalismo. Nenhum esforço de agir como nas reuniões de reavivamento. Havia algo muito mais eficaz e poderoso do que tudo isso junto! Tratava-se da exposição simples, tranqüila e confiante da Palavra de Deus deixando que um texto desvendasse outro até que se tornasse, por assim dizer, poderoso ímã. Desta forma, o irmão Russell mantinha sua assistência em absorta atenção.” Ralph H. Leffler afirma que, antes de proferir um discurso, o irmão Russell fazia diversas mesuras graciosas perante à assistência. Ao falar, usualmente se colocava de pé sobre o palco aberto, e andava de um lado para o outro, usando livremente os braços para fazer gestos. “Jamais usava anotações . . . mas sempre falava livremente do coração”, segundo o irmão Leffler, que continua: “Sua voz não era alta, mas tinha um poder peculiar de difusão. Sem jamais usar equipamento de amplificação sonora (não havia nenhum naqueles dias), podia ser ouvido e compreendido por grandes assistências, mantendo-as como que fascinadas por uma, duas e, às vezes, três horas por vez.”
Todavia, o homem não era importante. A mensagem sim, e a verdade bíblica estava sendo declarada a multidões. Havia muitos cristãos capazes que proclamavam as boas novas naqueles dias, e algumas pessoas ouviam suas palavras com apreço. Os oponentes eram numerosos, naturalmente, e às vezes procuravam promover seus conceitos antibíblicos em debates públicos com os servos de Jeová.
No que mais tarde pareceu ser uma tentativa da aliança ministerial de Pittsburgo de desacreditar a erudição e os conceitos bíblicos de C. T. Russell, em 10 de março de 1903, o Dr. E. L. Eaton, ministro da Igreja Metodista-Episcopal da Avenida Norte, desafiou Russell para um debate de seis dias. Durante cada sessão deste debate, realizado naquele outono setentrional no Carnegie Hall de Allegheny, Russell saiu-se vitorioso no todo. Entre outras coisas, sustentou biblicamente que as almas dos mortos estavam inconscientes enquanto seus corpos estavam no túmulo e que o objetivo tanto da segunda vinda de Cristo como do milênio é a bênção de todas as famílias da terra. Russell também apresentou forte refutação bíblica da doutrina do inferno de fogo. Segundo consta, um clérigo aproximou-se dele, depois da última sessão do debate, e disse: “Estou contente de vê-lo virar a mangueira para cima do inferno e apagar o fogo.” Interessante é que, depois deste debate, muitos membros da congregação de Eaton tornaram-se Estudantes da Bíblia.
Outro debate significativo ocorreu em 23-28 de fevereiro de 1908 em Cincinnati, Ohio, entre C. T. Russell e L. S. White, da denominação dos “Discípulos”. Milhares compareceram. Russell corajosamente sustentou os ensinos bíblicos tais como o estado inconsciente dos mortos entre a morte e a ressurreição, e sustentou biblicamente que a segunda vinda de Cristo antecederá ao milênio e que o objetivo de ambos é a bênção de todas as famílias da terra. Hazelle e Helen Krull estavam presentes e contam-nos: “A beleza e a harmonia da verdade e excelentes argumentos bíblicos sobre cada assunto do debate sobressaíram em nítido contraste com os ensinos confusos dos homens. Em certo ponto o ‘Ancião White’, porta-voz e contendor em prol dos conceitos opostos, desesperado, disse que se lembrava dum letreiro numa oficina dum ferreiro que rezava ‘Fazemos aqui todo tipo de torcedura e contorção’. Mas, perante o buscador honesto da verdade, tratava-se duma demonstração de ‘manejar corretamente a palavra da verdade’ [por parte de Russell; 2 Tim. 2:15], com a resultante harmonia.” As irmãs Krull se recordam de que Jeová abençoou o irmão Russell com seu espírito, a fim de apresentar a verdade aptamente, e chamam a este acontecimento de “triunfo da verdade sobre o erro.”
J. F. Rutherford aceitou um desafio batista para debate em favor da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) contra J. H. Troy. Isso se deu em abril de 1915, no Auditório da Trindade, em Los Ângeles, Califórnia, perante uma assistência de 12.000 pessoas (calculadamente 10.000 tendo de ser rejeitadas por falta de espaço) durante as quatro noites do debate. Rutherford foi vitorioso em defender corajosamente a verdade bíblica.
Nos doze anos que se seguiram ao debate Eaton-Russell, outros desafios para debate foram aceitos pelos servos de Deus, embora os oponentes, talvez com medo, usualmente desistissem dos compromissos. O próprio C. T. Russell não era a favor dos debates, pois estava cônscio de suas desvantagens para os cristãos. Na Torre de Vigia de 1.º de maio de 1915, indicou ele, entre outras coisas, que ‘aqueles que são da verdade se pautam pela Regra de Ouro e sua apresentação tem de seguir linhas absolutamente justas, ao passo que seus oponentes parecem não ter restrições ou freios’. “Qualquer espécie de argumento”, escreveu Russell, “sem considerar o contexto, sem considerar a Regra de Ouro, sem considerar coisa alguma, é julgado permissível”. Também declarou: “No que tange ao Editor, ele não deseja outros debates. Não é a favor de debates, crendo que raramente fazem o bem e, amiúde, suscitam a ira, a malícia, a amargura, etc., tanto nos oradores como nos ouvintes. Ao invés, coloca perante aqueles que desejam ouvi-la, oralmente e em forma impressa, a mensagem da Palavra de Deus, e deixa aos oponentes tais apresentações do erro, conforme acharem apropriado fazê-las e encontrarem a oportunidade de explorá-las. — Heb. 4:12.”
Os próprios discursos bíblicos concediam melhores oportunidades de apresentar as verdades bíblicas, e C. T. Russell amiúde falava a grandes assistências. Durante os anos de 1905 a 1907, por exemplo, excursionou pelos Estados Unidos e Canadá num trem especial ou de carro e dirigiu uma série de congressos de um só dia. Seu discurso público então era “Ida e Volta do Inferno”. Proferido diante de auditórios lotados em quase toda grande cidade de ambos os países, este discurso apresentava uma viagem humorística, imaginária de ida e volta ao inferno. Louise Cosby recorda-se de que Russell concordou em proferir este discurso em Lynchburg, Virgínia, e ela afirma: “Papai mandou fazer grandes cartazes que anunciavam este discurso e obteve permissão para colocá-los na frente dos bondes. Isto era bem engraçado e as pessoas perguntavam: Se este bonde leva-nos para o inferno, será que vai trazer-nos de volta?”
Os discursos bíblicos também eram apresentados durante as viagens de C. T. Russell ao exterior. Em 1903, ele fez uma segunda excursão à Europa, falando a assistências de várias cidades. Daí, de dezembro de 1911 a março de 1912, Russell, como presidente duma comissão de sete membros, fez uma excursão ao redor do mundo, viajando para o Havaí, o Japão, a China, através da Ásia meridional até à África dali para a Europa e de volta para Nova Iorque. Um estudo das missões estrangeiras da cristandade foi feito, e muitos discursos foram proferidos, assim disseminando as sementes da verdade que, com o tempo, trouxeram à atividade frutífera grupos de cristãos ungidos em áreas bem distantes da terra. Além desta excursão mundial, contudo, C. T. Russell viajava regularmente para a Europa e percorria extensivamente a América do Norte em trens especiais de “excursões de congressos”, acompanhado de muitos colaboradores.
DENTRO DUM “TREM DE CONGRESSO”
À medida que o tempo passava, solicitações de apresentações pessoais de C. T. Russell aumentavam. Ao cumprir alguns compromissos de discursos ele às vezes viajava num “vagão de congresso” especial de ferrovia, pequeno grupo o acompanhando. Grupos maiores, porém, eram organizados em “trens de congressos”, até 240 pessoas viajando junto com Russell em dada ocasião. Vários vagões ferroviários eram ligados e o grupo viajava de uma cidade para outra segundo um itinerário pré-estabelecido. Ao chegarem em determinada cidade, os auxiliares de Russell anunciavam a reunião pública pela distribuição de convites. Na reunião, saudavam as pessoas, obtinham os nomes e os endereços dos interessados e, quando possível, visitavam-nos e estabeleciam congregações. Não era incomum que estes “trens de congressos” fossem usados para visitar grandes cidades nos Estados Unidos e no Canadá.
Por que não subir num “trem de congresso” e viajar na feliz companhia de cristãos? Em junho de 1913, um trem especial foi contratado para mais de 200 Estudantes da Bíblia que acompanhariam C. T. Russell de Chicago, Ilinóis numa viagem que os levaria ao Texas, a Califórnia, ao Canadá e, daí, a um congresso em Madison, Wisconsin, com um desvio até Rockford, Ilinóis. Malinda Z. Keefer fornece estes pormenores: “Nosso trem deveria partir da estação Dearborn, na Ferrovia Wabash, ao meio-dia de 2 de junho. Os amigos começaram a chegar por volta das dez horas, e esta era uma ocasião feliz e excitante, o encontro de velhos amigos a quem não via por longo tempo e familiarizar-se com novos. Não demorou muito para compreendermos que éramos uma só grande família. . . . e o trem era nosso lar por um mês.”
Por fim, é hora de partirmos. “À medida que o trem parte da estação, em sua jornada de quase 13.000 quilômetros”, continua a irmã Keefer, “os amigos que nos vieram dizer adeus cantavam ‘Bendito É o Vínculo Que Une’ e ‘Deus Esteja Contigo Até Nos Vermos de Novo’, agitando sem parar chapéus e lenços até nos perderem de vista, e nós seguramos caminho numa viagem mui memorável. Apanhamos alguns amigos em S. Luís, Missúri, e alguns em outros poucos lugares, até que por fim somávamos duzentos e quarenta. O irmão Russell se juntou a nós em Hot Springs, Arkansas, onde um congresso de oito dias estava em andamento.”
Foi uma viagem realmente edificante em sentido espiritual. Afirma a irmã Keefer: “Em cada parada da viagem realizavam-se congressos — a maioria era de três dias e permanecíamos um dia em cada congresso. Nessas paradas, o irmão Russell proferia dois discursos, um aos amigos, de tarde, e outro para o público, à noitinha, sobre o tema ‘O Além-Túmulo’.” Quanto a seus próprios sentimentos a respeito da viagem, a irmã Keefer afirma: “Meu apreço pela associação com os amigos por todo o caminho, e os discursos e as instruções espiritualmente edificantes que recebi durante a viagem não podem ser expressos em palavras. Sentia-me grata a Jeová por ter tido tal privilégio.”
Nesses congressos iniciais do povo de Deus, algumas coisas eram um tanto diferentes do que são hoje em dia. Por exemplo, considere a “festa de amor”. O que era isso? Lembrando-se dessa modalidade das primeiras assembléias, J. W. Ashelman declara: “Algumas práticas não necessárias nem continuadas deveras pareciam uma bênção naquele tempo, tais como os oradores se enfileirarem na frente do palco, segurando pratos de pão cortado em cubinhos, à medida que a assistência vinha em fila, participando do pão e apertando a mão de cada orador, e juntando-se em entoar ‘Bendito Seja o Vínculo Que Une Nossos Corações em Amor Cristão’.” Isso é que era a “festa de amor”. E se tratava duma experiência comovedora. Edith R. Brenisen prontamente admite: “O amor de uns para com os outros enchia nossos corações até transbordar, amiúde rolando por nossas bochechas na forma de lágrimas de alegria. Não nos envergonhávamos de nossas lágrimas, nem tentávamos escondê-las.”
Os cristãos primitivos às vezes realizavam “festas de amor”, ou ágapes, mas a Bíblia não as descreve. (Judas 12) Alguns pensam que eram ocasiões em que os cristãos materialmente prósperos realizavam banquetes aos quais convidavam seus co-adoradores mais pobres. Mas, as Escrituras não tornam obrigatórias as “festas de amor”, seja qual for sua natureza primitiva, e, assim, não estão em voga entre os verdadeiros cristãos hoje em dia.
NOVO MODO DE DECLARAR AS BOAS NOVAS
Os Estudantes da Bíblia estavam vividamente cônscios da profecia de Jesus Cristo: “Este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim.” (Mat. 24:14, Versão Almeida) Assim, ao se aproximar aquele ano significativo de 1914, o povo de Deus empreendeu uma campanha total de proporções mundiais — uma obra educativa e de aviso até então sem paralelo. Empregaram um método intrépido e novo de declarar as boas novas.
Digamos que agora seja o ano de 1914. Imagine que esteja sentado entre centenas de pessoas num auditório escurecido. À sua frente acha-se enorme tela de cinema. Para sua surpresa, um homem de cabelos brancos, de casaca, surge e, sem anotações na mão, começa a falar. Oh, já foi antes ao cinema. Mas, este é diferente. O homem fala e ouve suas palavras. Não se trata dum filme silencioso comum. É algo especial, tanto em sentido técnico como na mensagem que transmite, e isso lhe impressiona. Quem é o homem? É Charles Taze Russell. E esta produção? É o “Fotodrama da Criação”.
C. T. Russell reconheceu que os filmes eram excelente meio de alcançar as massas de pessoas. Em 1912, portanto começou a preparar o Fotodrama da Criação. Acabou sendo uma produção de oito horas de duração, de diapositivos fotográficos e filme, com cores e som. Feito para ser exibido em quatro partes, o Fotodrama levava os espectadores desde a criação através da história humana, até o clímax do propósito de Deus para a terra e a humanidade no fim do reinado milenar de Jesus Cristo. Os diapositivos pictóricos e o filme estavam sincronizados com discos fonográficos de discursos e de música. Tinha havido várias experiências com filmes coloridos e som, mas ainda se passariam muitos anos antes de obterem êxito comercial. Não foi senão em 1922 que surgiu um filme de longa metragem todo a cores. E as assistências cinematográficas em geral tiveram de esperar até 1927 para ouvir tanto o diálogo como a música combinados num filme comercial. Todavia, o Fotodrama da Criação não deixava de ter cores, a palavra falada e música. Estava muitos anos à frente de seu tempo, e milhões o viram gratuitamente!
Uma fortuna para aqueles dias — cerca de US$ 300.000 — foi gasta pela Sociedade na produção do Fotodrama. E, a respeito do trabalho envolvido, Russell escreveu: “Deus bondosamente cobriu nossos olhos com um véu, com respeito à quantidade do trabalho relacionado ao Drama. Caso soubéssemos de antemão o custo em tempo, dinheiro e paciência necessários para o início, jamais o teríamos começado. Mas, nem sabíamos de antemão o grande êxito que teria o Drama.” Prepararam-se gravações musicais selecionadas e noventa e seis discursos fonográficos. Diapositivos estereopticons foram feitos de excelentes quadros de arte que ilustravam a história mundial, e foi preciso fazer centenas de novos quadros e esboços. Todos os diapositivos e filmes coloridos tiveram de ser pintados à mão, parte deste trabalho sendo feito na Sala de Desenho da própria Sociedade. E pense só nisso! Isto tinha de ser feito repetidas vezes, pois prepararam-se pelo menos vinte conjuntos de quatro partes, tornando possível exibir uma parte do Drama em oitenta diferentes cidades em determinado dia.
O que acontecia por trás dos bastidores durante as exibições do Fotodrama da Criação? “O Drama começava com um filme do irmão Russell”, afirma Alice Hoffman. “Ao surgir na tela e seus lábios começarem a mover-se, um fonógrafo começava a operar no preciso momento e tínhamos o prazer de ouvir a voz dele.”
O abrir duma flor e o chocar dum pintinho se achavam dentre as modalidades inesquecíveis dos filmes do Fotodrama. Tais exemplos de fotografia de quadro por quadro deveras impressionavam os espectadores. “Ao mesmo tempo que tais fotos eram exibidas”, comenta Karl F. Klein, “havia o acompanhamento de música excelente, pérolas tais como Narciso e Humoresque.”
Havia também muitas outras coisas a lembrar. “Agora mesmo”, diz Martha Meredith, “vejo Noé e sua família entrando na arca com os animais, e o quadro de Abraão e Isaque andando até o Monte Moriá, onde Abraão iria oferecer seu filho como sacrifício. Quando vi Abraão pôr seu filho sobre o altar — filho este a quem amava ternamente — verti lágrimas. Não é de admirar que Jeová chamasse a Abraão de Seu amigo . . . ele sabia que Abraão obedeceria sempre à Sua voz.” — Tia. 2:23.
Além do Fotodrama da Criação regular, havia os equipamentos do “Drama Eureka”. Um era composto de 96 discursos gravados, bem como de discos musicais. O outro consistia tanto em discos como em diapositivos. Embora o posterior Drama Eureka não tivesse filmes, obtinha muito êxito ao ser exibido em áreas menos densamente povoadas.
Durante 1914, o Fotodrama da Criação foi exibido gratuitamente por todos os Estados Unidos. Isto era muito operoso, tanto para a Sociedade como para os Estudantes da Bíblia locais, que contribuíam para alugar locais adequados para sua exibição. E, assim, no decorrer do tempo, não era mais exibido a grandes assistências. Mas, o Fotodrama da Criação fizera grande trabalho em familiarizar as pessoas com a Palavra e os propósitos de Deus.
Ilustrando: Numa carta a C. T. Russell, uma pessoa escreveu: “Eu e minha esposa deveras agradecemos a nosso Pai celeste a grande e inestimável bênção que chegou até nós por seu intermédio. Tratava-se de seu lindo Fotodrama, causa de vermos e aceitarmos a verdade.” E Lily R. Parnell nos conta: “Estas demonstrações pictóricas dos propósitos de Jeová para a humanidade suscitaram o interesse de muitas pessoas pensantes, de modo que a congregação [em Greenfield, Massachusetts] aumentou, visto que tornaram a Bíblia um livro vivo e provaram aos pensantes as preciosas informações que nosso Deus tinha provido para a salvação daqueles que utilizassem a Sua provisão.”
Não foi sem razão, portanto, que disse Demetrius Papageorge, há muito um membro da equipe da sede da Sociedade: “O Fotodrama foi uma obra-prima dum projeto, quando consideramos o pequeno número de Estudantes da Bíblia e a quantia proporcionalmente pequena de recursos disponíveis. Realmente tinha o espírito de Jeová por trás dele!”
COLPORTORES “FERVOROSOS DE ESPÍRITO”
Por muitos anos antes de 1914, zelosos colportores — homens e mulheres cristãos “fervorosos de espírito” — disseminavam as boas novas por toda a parte. (Rom. 12:11) O serviço de colportor começou em 1881, quando a Torre de Vigia de Sião publicou o artigo “Desejados 1.000 Pregadores”. Para as pessoas sem famílias dependentes e que podiam dedicar a metade ou mais de seu tempo à obra do Senhor foi sugerido um plano. Era que fossem a cidades grandes e pequenas como colportores ou evangelistas. Para que fim? Disse a Torre de Vigia: “Procurem achar em todo o lugar os cristãos fervorosos . . . a estes procurem tornar conhecidas as riquezas da graça de Nosso Pai, e as belezas de Sua palavra.” Deviam-se colocar publicações bíblicas nas mãos de tais pessoas, e permitia-se aos colportores que pagassem suas próprias despesas com o dinheiro recebido das colocações de publicações e das assinaturas da Torre de Vigia que obtinham.
Para os colportores, a Torre de Vigia de Sião, de maio de 1887, tinha excelentes sugestões sobre o que dizer às portas. Também dizia: “Tome um grande coração, cheio de amor a Deus e àqueles a quem levaria à luz cheio de fé em Deus e de confiança em Suas promessas, e cheio de esperança de que Deus se agradará em usá-lo para Sua glória, agora, bem como posteriormente.”
Dispostos a trabalhar arduamente no serviço de Jeová, os colportores deixaram suas marcas. Onde quer que iam — a cidades, povoados, vilarejos — eram notados. Um escritor de The Gospel Messenger (O Mensageiro do Evangelho) de fins da década de 1890 viu-se movido a dizer: “Na cidade de Birmingham [Alabama] há várias pessoas que agora trabalham e que se chamam ‘Cristãos Não-Sectários’. . . . Trabalharam esta cidade de casa em casa vendendo o Aurora do Milênio e circulando outras publicações ligeiras. Falam sobre sua religião em cada oportunidade, e pregam aos domingos. Chamam-se ‘Colportores’. Colocaram dois mil exemplares de seus livros nesta cidade. . . . Bem, por que não podemos nós disseminar nossas publicações e a doutrina bíblica, segundo a entendemos, desta forma? O fato é, temo eu, que ficamos estagnados nos métodos, e Deus gradualmente nos dá a entender que, se não começarmos a progredir, ele nos dará um lugar atrás.”
“Sim, fazíamos que os colportores cobrissem as cidades e zonas rurais naqueles dias”, escreve Henry Farnick. Ele se lembra bem deles: “Às vezes recebiam, em troca, produtos da lavoura, galinhas, sabão, e sabe-se lá o que mais, que usavam ou vendiam a outros. Às vezes, numa área esparsamente colonizada, pernoitavam com os lavradores e rancheiros, e às vezes até mesmo dormiam em pilhas de feno . . . Estes fiéis continuavam firmes por anos e anos, até que a idade tomava conta deles.”
Através dos anos Jeová fez ampla provisão para os fiéis colportores. Assim, realmente não lhes faltava nada essencial. (Sal. 23:1) “Vivíamos frugalmente à base das contribuições recebidas da colocação de publicações”, afirma Clarence S. Huzzey. “Isto exigia fé nas provisões amorosas de Jeová, e posso dizer honestamente que jamais passamos fome, e tínhamos o abrigo e a roupa necessários, durante os muitos anos do ministério de tempo integral. (Sal. 37:25) Quão maravilhosamente Jeová proveu o que era preciso!”
O custo de vida não era tão alto há anos atrás, mas isso não significava que os colportores podiam dar-se ao luxo de ser extravagantes. Tome o ano de 1910 como exemplo. Malinda Z. Keefer lembra-se duma designação de colportora em Council Bluffs, Iowa, e escreve: “Council Bluffs era território mais duro, mas por irmos com atitude positiva podíamos ir vivendo. O custo de vida era muito mais barato naqueles dias. Nosso modo de transporte (andar) não custava muito e nem a comida: um pãozinho custava 5 centavos, o açúcar, 5 centavos a libra, a carne, 25 centavos a libra — e era verdadeira delícia, se conseguíamos obtê-la. Os aluguéis de quartos eram razoáveis e as passagens de bonde custavam 5 centavos. Que mundo diferente quando comparado com os mil, novecentos e setenta!”
Em fins de 1921, George E. Hannan entrou no serviço de colportor. A respeito do custo de vida, escreveu certa vez: “Minhas despesas totais com alimentos chegavam a US$ 4 por semana. Eu comia uma refeição quente por dia, as outras duas consistindo em frutas secas e alguns legumes que eu recebia em troca de publicações. Quando me perguntavam o que faria quando meus recursos se esgotassem, eu dizia: ‘Vamos esperar e ver o que Jeová preparará para mim.’ Eu ouvia falar de alguns que tinham desistido quando chegaram a seus últimos US$ 50. Minha idéia era que a intervenção de Jeová não era necessária neste respeito enquanto a pessoa tivesse US$ 50, ou até mesmo US$ 10 ou US$ 1. Eu tinha confiança que Ele me ajudaria a enfrentar o alto custo de vida e não o custo de vida em ‘alta classe’.”
O que dizer do transporte? Bem, Charles H. Capen lembra-se de trabalhar em vários condados de Pensilvânia “de ‘táxi-sola’ (a pé)”. Outros colportores verificaram ser de grande ajuda a bicicleta. “Nos anos de 1911 a 1914, os colportores trabalhavam em condados de nossa região de Ohio”, comenta LaRue Witchey, continuando: “Trabalhavam arduamente no serviço, pedalando bicicletas por muitos quilômetros, carregados de ‘Estudos das Escrituras’.” Naturalmente, a primeira vez que o colportor viajava de bicicleta poderia ser uma experiência e tanto.
Talvez um cavalo fosse melhor. Malinda Z. Keefer se recorda com saudade do velho Dobbin. “Dobbin era um cavalo manso e nunca precisava ser amarrado. Esperava por mim quando eu ia às portas e então andava ao meu lado até o próximo local.”
Daí, porém, nem todos os cavalos eram iguais ao velho Dobbin, como as colportoras Anna E. Zimmerman e Esther Snyder aprenderam. Imagine duas mulheres numa charrete alugada e puxada por um cavalo que acabou de ser enviado do oeste. A irmã Zimmerman nos conta que o cavalo “não deixava que nada o passasse, nem sequer o trem, que, por vários quilômetros antes de chegar à cocheira de aluguel corria paralelo à estrada. Eu gritei para o maquinista: ‘Por favor, segure seu trem na estação até que levemos nosso cavalo à cocheira de aluguel.’ Ele respondeu: ‘O. K. Não se apresse.’ O cavalo continuou a empregar todas as suas quatro patas tão rápido quanto podia. Atingimos a cocheira O. K., o dono da cocheira pedindo desculpas de que saíra para almoçar quando alugamos o cavalo e que o rapaz da cocheira, tendo receio do cavalo, quando era seu dever amansá-lo, deu-me tal tarefa.”
Então havia o automóvel, usado por alguns colportores anos depois. Atualmente, é natural, as estradas bem pavimentadas são comuns na maioria das áreas dos Estados Unidos. Mas, não era assim há algumas décadas. Portanto, as viagens de carro também podiam apresentar problemas. Uma vez, por exemplo, “um buraco tapado era tão grande e o aterro era tão mole que o carro de repente afundou no buraco até o eixo”, escrevem Hazelle e Hellen Krull. “Nossa pá muito usada não bastava para tal apuro”, lembram-se. “Um vizinho bondoso ofereceu emprestar-nos sua mula, mas, além disso, demos busca à beira da estrada à cata de pedaços de pau, toros ou ramos de árvores, para erguer a traseira do carro, muito afundada. Assim, com a força da mula na frente, a potência do motor no meio e vigoroso empurrão atrás, depois de muitas tentativas sem êxito, foi uma ocasião feliz para todos quando o carro por fim subiu e saiu do buraco. Mas, o dia teve as suas alegrias. Antes de isto acontecer, fizemos algumas visitas interessantes, algumas bem distantes da estrada, a que fomos andando; assim a dureza foi equilibrada pela alegria. Como se deu com Davi, nossos corações amiúde suplicavam: ‘Ouve deveras, Ó Deus, meu clamor suplicante. Presta deveras atenção à minha oração.’ — Sal. 61:1.”
Muito mais significativas do que quaisquer problemas que encontraram eram as atividades de pregação dos colportores. Suponhamos que os acompanhemos agora ao visitarem os lares das pessoas. William P. Mockridge juntou-se a Vincent C. Rice na obra de colportor em 1906, em Schenectady, Nova Iorque. Ele nos ajuda a retornar a esses dias, dizendo: “No primeiro dia trabalhei o dia todo sem fazer uma única colocação, todavia, eu era supostamente um supervendedor. Essa noite orei a Jeová para me ajudar a tirar os ‘asbestos’ e as coisas materiais da mente e a aprender a seguir a apresentação humilde e bondosa do irmão Rice, que sempre tinha uma palavra alegre para quem quer que viesse à porta. Assim, logo comecei a colocar meus livros encadernados, usando um ‘prospecto’ fornecido pela Sociedade. . . . Costumávamos ‘receber pedidos’ para os primeiros três volumes [dos Estudos das Escrituras] por 98 centavos, ou dos seis volumes por US$ 1,98. Tais pedidos seriam entregues no ‘dia de pagamento’, usualmente no dia 1.º ou 15 do mês.”
Notou que o irmão Mockridge mencionou usar-se um “prospecto”? Durante anos era usado pelos colportores e outros Estudantes da Bíblia empenhados na obra de pregação de casa em casa. Era uma série de capas dos seis volumes de Aurora do Milênio (Estudos das Escrituras) encadernados em forma de acordeão. À porta, o colportor esticava isto pelo braço e dava um discurso sobre o assunto de cada volume. Recebia pedidos e entregava posteriormente as publicações.
“Os dias de entrega eram duros”, admite Pearl Wright, “visto que uma mala cheia de livros era pesada de se carregar”. Certamente que era. Suponhamos que o colportor aceitasse pedidos de cinqüenta volumes dos Estudos das Escrituras. Tal número pesava 18 quilos, uma carga pesada para mulheres e até mesmo para bom número de homens. Com o tempo, contudo, o colportor James H. Cole inventou um acessório de duas rodas, niquelado, que podia ser afixado a uma mala de viagem.
Isso “atraía as atenções”, segundo Anna E. Zimmerman que nos conta: “Lembro-me de uma ocasião, quando trabalhava de colportora na cidade de Hollidaysburg, Pensilvânia, em que tive de empurrar minha mala bem pela zona comercial, durante a hora de almoço. Eu receava fazer isso, mas fui adiante rodando minha mala de viagem ao meu lado, quando subitamente, de modo polido, se dirigiu a mim um cavalheiro bem vestido, vindo de trás, e, segurando a alça de minha mala, perguntou: ‘Importar-se-ia se eu empurrasse isso por algum tempo? Gostaria de ver como corre. Parece levá-lo com tamanha facilidade.’ Bem, ele a empurrou por todo o caminho através da zona comercial, e não tive de fazê-lo de forma alguma. Soube que ele era o editor do jornal da cidade.” No dia seguinte surgiu uma reportagem pormenorizada no jornal local.
Com motivos altruístas, os fiéis colportores trabalhavam de modo diligente, confiando em Jeová. E seus esforços eram recompensados. Às vezes surgiam congregações em resultado da atividade dos colportores. Havia profunda satisfação e ricas recompensas espirituais. Com alegria, Edythe Kessler e sua irmã Clara entraram no serviço de colportoras em 1907. Andaram bastante, e havia muitos volumes para carregar no “dia de entrega”. Sim, cansavam-se, mas Edythe parece falar em nome dos fiéis colportores antigos em geral quando ela diz: “Nós éramos jovens e felizes no serviço, deleitando-nos de gastar nossa força em servir a Já.”
‘NENHUMA ARMA FORJADA CONTRA TI SERÁ BEM SUCEDIDA’
Durante todos os anos em que os fiéis colportores e outros Estudantes da Bíblia zelosamente proclamavam as boas novas, Satanás, o Diabo, jamais abrandou sua mão nem abandonou os esforços de esmagá-los e destruí-los. Teria conseguido fazer isso, também, não fora a proteção divina gozada por eles. (1 Ped. 5:8, 9; Heb. 2:14) Compreendiam a veracidade da promessa de Deus a seu povo dos tempos antigos: “Nenhuma arma que se forjar contra ti será bem sucedida, e condenarás toda e qualquer língua que se levantar contra ti em julgamento.” — Isa. 54:17.
Jesus Cristo foi perseguido, e seus seguidores podem esperar o mesmo tratamento por parte dos praticantes da religião falsa e do mundo em geral. (João 15:20) Às vezes, contudo, o ataque de Satanás tem sido interno, originando-se de pessoas inescrupulosas de dentro da organização cristã, procedendo de incidentes que envolvem pessoas que realmente ‘não são dos nossos’. — 1 João 2:19.
Lembrar-se-á que, na década de 1870, C. T. Russell se dissociou de N. H. Barbour, editor do Arauto da Manhã. Fez isso porque Barbour negou a doutrina bíblica do resgate, que Russell solidamente defendeu. Daí, no início da década de 1890, certas pessoas de destaque na organização tentaram inescrupulosamente obter o controle da Sociedade Torre de Vigia (EUA). Os conspiradores planejavam fazer explodir verdadeiras “bombas” destinadas a pôr fim à popularidade de Russell e liquidá-lo como presidente da Sociedade. Depois de fermentar por cerca de dois anos, a conspiração irrompeu em 1894. Principalmente, as reclamações e acusações falsas se centralizavam em torno da suposta desonestidade nos negócios por parte de C. T. Russell. Deveras, algumas das acusações eram muito baixas e revelavam a intenção básica dos acusadores — difamar C. T. Russell. Concrentes imparciais investigaram os assuntos e descobriram que Russell estava certo. Por isso, o plano dos conspiradores de “lançar aos ares o Sr. Russell e seu trabalho” foi um completo fracasso. Como o apóstolo Paulo, o irmão Russell passara por dificuldades devido a “falsos irmãos” mas esta prova foi reconhecida como desígnio de Satanás e os conspiradores dali em diante foram considerados indignos de gozar da associação cristã. — 2 Cor. 11:26.
Isto, naturalmente não era o fim das provas e dificuldades de C. T. Russell. Devia ainda ser atingido de modo mui pessoal, por circunstâncias provenientes de sua própria família. Durante as dificuldades de 1894, a Sra. C. T. Russell (ex-Maria Frances Ackley, com quem Russell casara-se em 1879) fez uma excursão de Nova Iorque a Chicago, reunindo-se com os Estudantes da Bíblia pelo caminho e falando a favor do marido. Sendo mulher instruída e inteligente, era bem recebida ao visitar as congregações naquele tempo.
A Sra. Russell era diretora da Sociedade Torre de Vigia (EUA) e servia como sua secretária e tesoureira por alguns anos. Era também contribuinte regular para as colunas da Torre de Vigia de Sião e, por certo tempo, era editora-associada do periódico. Com o tempo, procurou ter voz mais ativa no que devia ser publicado na Torre de Vigia. Tal ambição era comparável à de Miriã, irmã de Moisés, que se levantou contra seu irmão qual líder de Israel sob Deus, e tentou fazer-se proeminente — um proceder que teve a desaprovação divina. — Núm. 12:1-15.
O que contribuíra para esta atitude da parte da Sra. Russell? “Eu não estava cônscio disso nessa ocasião”, escreveu C. T. Russell em 1906, “mas soube subseqüentemente que os conspiradores se empenhavam em semear sementes de discórdia no coração da minha esposa por meio da bajulação, argumentos sobre ‘direitos da mulher’, etc. No entanto, quando veio o choque [em 1894], pela providência do Senhor, fui poupado à humilhação de ver minha esposa entre tais conspiradores. . . . à medida que os assuntos começaram a ser resolvidos, as idéias sobre os ‘direitos da mulher’ e a ambição pessoal começaram de novo a vir à tona, e percebi que a campanha ativa da Sra. Russell em minha defesa, e a recepção cordialíssima que os queridos amigos lhe deram naquela ocasião durante toda sua excursão . . . tinham feito mal a ela por aumentar seu auto-apreço. . . . Gradualmente ela pareceu chegar à conclusão de que nada mais era exatamente apropriado para as colunas da Torre de Vigia exceto o que ela escrevia, e eu era continuamente fustigado com sugestões de alterações dos meus escritos. Eu sentia pesar de ver esta crescente disposição, tão estranha à mente humilde que a caraterizara durante os primeiros treze anos felizes.”
A Sra. Russell tornou-se muito não-cooperadora, e continuaram as relações tensas. Mas, no início de 1897, ela ficou doente e o seu marido lhe dedicou muita atenção. Isto ele fez alegremente e achava que este cuidado bondoso tocaria no coração dela e o restauraria à sua anterior condição amorosa e terna. Quando ela se recuperou, contudo, a Sra. Russell convocou uma comissão e reuniu-se com o marido “especialmente com o objetivo de que os irmãos me instruíssem quanto a ela ter direitos iguais aos meus nas colunas da Torre de Vigia, e que eu lhe causava dano por não lhe conceder as liberdades que ela desejava”, escreveu C. T. Russell. Aconteceu, porém, que a comissão disse a ela que nem eles, nem quaisquer outras pessoas, tinham o direito de interferir com a orientação dada pelo marido à Torre de Vigia. A Sra. Russell disse, em essência, que embora não pudesse concordar com a comissão tentaria ver os assuntos de seu ponto de vista. Russell relatou mais: “Então eu lhe perguntei, na presença deles, se estava disposta a um aperto de mãos. Ela hesitou, mas, por fim, me estendeu a mão. Eu então lhe disse: ‘Bem, minha querida será que me beijarias, como sinal do grau de mudança de idéia que indicaste?’ De novo ela hesitou, mas, por fim, beijou-me e manifestou de outros modos uma renovação do afeto, em presença de sua Comissão.”
Assim, o casal Russell ‘se beijou e fez as pazes’. Mais tarde, a pedido da Sra. Russell, o seu marido fez arranjos para uma reunião semanal das “Irmãs da Igreja de Allegheny”, tendo a ela como sua líder. Isto levou a outras dificuldades — à circulação de comentários caluniosos sobre C. T. Russell. No entanto, essa dificuldade também foi resolvida.
Por fim, contudo, o ressentimento crescente levou a Sra. Russell a cortar relações com a Sociedade Torre de Vigia (EUA) e com seu marido. Sem aviso, ela se separou dele em 1897, depois de quase dezoito anos de casada. Por quase sete anos ela viveu separada, C. T. Russell provendo-lhe uma casa separada e também fazendo provisões financeiras para o sustento dela. Em junho de 1903, a Sra. Russell deu entrada na Corte de Apelações Comuns de Pittsburgo, Pensilvânia dum processo de separação legal. Em abril de 1906, o caso foi submetido a julgamento perante o Juiz Collier e um júri. Cerca de dois anos depois, em 4 de março de 1908, foi expedido um decreto chamado “Em Divórcio”. A linguagem do decreto é: “Ordena-se, julga-se e decreta-se agora que haja a separação de corpos entre Maria F. Russell, a Impetrante, e Charles T. Russell, o Impetrado.” “Haja a separação de corpos” é a linguagem tanto do decreto como dos registros feitos pelo escrivão do tribunal. Tratava-se duma separação legal, e jamais houve divórcio absoluto, como alguns erroneamente sustentaram. Bouvier’s Law Dictionary (Dicionário Legal de Bouvier, da Editora Jurídica Banks-Baldwin, 1940) define a ação como “divórcio parcial e limitado, pelo qual as partes se separam e ficam proibidas de viver juntos e de coabitar, sem influir no próprio casamento. 1 Bl. Com. 440”. (Página 314) Na página 312, afirma que “talvez seja mais corretamente chamado de separação legal”.
O próprio C. T. Russell compreendia plenamente que o tribunal não lhe dera um divórcio absoluto, mas que se tratava duma separação legal. Em Dublin, durante uma excursão à Irlanda, em 1911, foi-lhe perguntado: “É verdade que está divorciado de sua esposa?” Sobre sua resposta, Russell escreveu: “Não estou divorciado de minha esposa. O decreto do tribunal não foi de divórcio, mas de separação, concedido por um júri condolente, que declarou que ambos seríamos mais felizes separados. A acusação de minha esposa foi de crueldade, mas a única crueldade apresentada em evidência foi minha recusa, em certa ocasião, em lhe dar um beijo, quando ela o pedira.’ Eu garanti à minha assistência que eu questionara a acusação de crueldade e cria que nenhuma mulher jamais tinha sido melhor tratada pelo marido. O aplauso mostrou que a assistência creu nas minhas declarações.”
O que aconteceu no enterro de C. T. Russell em Pittsburgo em 1916, também é significativo neste sentido. Anna K. Gardner, cujas recordações são similares às dos outros presentes, conta-nos o seguinte: “Aconteceu um incidente pouco antes dos ofícios no Carnegie Hall que refutava as mentiras ditas no jornal sobre o irmão Russell. O salão estava cheio muito antes da hora dos ofícios começarem e tudo estava muito quieto, daí, viu-se uma figura coberta de véu andando pelo corredor até o caixão e depositar algo nele. Lá na frente podia-se ver de que se tratava — um ramo de lírios-do-vale, a flor favorita do irmão Russell. Havia uma fita presa a ele dizendo ‘Para Meu Querido Marido’. Era a Sra. Russell. Nunca se divorciaram e este era um reconhecimento público.”
Nem de longe se imagina o pesar e a tensão emocional que as dificuldades domésticas de C. T. Russell lhe causavam. Numa carta, sem data, escrita à mão para a Sra. Russell, em dado momento de suas dificuldades maritais, ele escreveu: “Na ocasião em que receberes esta, será exatamente uma semana desde que abandonaste aquele a quem perante Deus e os homens, prometeste amar, obedecer e servir, ‘para o bem ou para o mal, até que a morte os separe’. Por certo, é verdade que ‘a experiência é maravilhoso mestre’. Somente ela poderia assim persuadir-me quanto a ti, sobre quem posso dizer verdadeiramente que houve tempo em que não poderia haver ajudadora mais amorosa e devotada. Caso tivesse sido diferente, confio que o Senhor não te teria dado a mim. Ele faz bem todas as coisas. Eu ainda Lhe agradeço esta providência para comigo nesse respeito, e recordo com sensações de prazer o tempo em que me beijavas pelo menos trinta vezes por dia, e repetidas vezes me dizias que não conseguias ver como podias viver sem mim; e que temias que eu morresse primeiro . . . E reflito que algumas destas evidências de amor me foram dadas há apenas um ano e meio atrás, embora, por já um ano antes, teu amor tenha sido menos ardente — devido ao ciúme e conjeturas, apesar de minhas garantias do ardor do meu amor por ti, repetidas cem vezes, e ainda asseveradas.”
Russell deveras achava que o grande Adversário tinha então “mui firme controle” sobre sua esposa. Disse ele: “Tenho orado fervorosamente ao Senhor em teu favor”, e ele também procurou ajudá-la. Entre outras coisas, escreveu ele: “Não vou incomodar-te com relatos da minha tristeza, nem tentar explorar tuas simpatias por esboçar minhas emoções, visto que eu, de tempos a tempos, encontro acidentalmente os teus vestidos e outros artigos que trazem vividamente à minha memória como eras antes — tão plena de amor, simpatia e prestimosidade — o espírito de Cristo. Meu coração brada: ‘Quem dera que a tivesse enterrado, ou que ela me tivesse enterrado, nesse tempo feliz.’ Mas, evidentemente, as dificuldades e provas não tinham sido feitas de modo suficiente. . . . Oh, considera, com oração, o que estou prestes a dizer-te. E assegura-te de que a agudeza de minha tristeza, sua pungência, não é minha própria solidão, pelo restante da jornada da vida, mas a tua queda, minha querida, a tua perda eterna, ao ponto que eu possa ver.”
NÃO ERA IMORAL
Como se não bastasse a tensão das dificuldades maritais de Russell, seus inimigos se rebaixaram em fazer acusações grosseiras contra ele, no sentido de que ele era imoral. Estas falsidades deliberadas se centralizavam numa chamada história duma “medusa”. Durante o julgamento, em abril de 1906, a Sra. Russell testificou que certa Srta. Ball lhe contara que C. T. Russell dissera certa vez: “Sou como uma medusa. Flutuo aqui e acolá. Toco nessa e naquela, e, se ela corresponde, eu a tomo para mim, e, se não, flutuo para outras.” No banco das testemunhas, C. T. Russell negou enfaticamente a história da “medusa”, e todo o assunto foi riscado dos anais do tribunal, o juiz dizendo em suas instruções ao júri: “Este pequeno incidente sobre esta moça que estava com a família, isso está além da base para o libelo acusatório e não tem nada que ver com o caso.”
A moça em questão veio para a casa dos Russell em 1888 como órfã de cerca de dez anos. Tratavam-na como se fosse sua própria filha, e ela beijava tanto o Sr. como a Sra. Russell ao lhes dar boa noite quando ia dormir. (Anais do Tribunal, páginas 90 e 91) A Sra. Russell testificou que o suposto incidente ocorreu em 1894, quando esta jovem não poderia ter mais de quinze anos. (Anais do Tribunal, página 15) Depois disso, a Sra. Russell viveu com o marido por três anos e esteve separada dele por cerca de outros sete anos antes de entrar com o processo de separação. Em seu processo de separação, não se fez nenhuma referência a este assunto. Embora a Srta. Ball vivesse então, e a Sra. Russell soubesse onde, não fez nenhuma tentativa de convocá-la como testemunha e não apresentou nenhuma declaração dela. O próprio C. T. Russell não podia ter convocado a Srta. Ball a testemunhar porque não tinha recebido nenhum aviso ou indicação de que sua esposa traria esse assunto ao caso. Ademais, três anos depois do suposto incidente, quando a Sra. Russell chamara a comissão perante a qual ela e o marido discutiram certas diferenças, a história da “medusa” não foi nem sequer insinuada. Na ação para sustento separado, o advogado da Sra. Russell dissera: “Não fazemos nenhuma acusação de adultério.” E que a Sra. Russell realmente jamais crera que o marido fosse culpado de conduta imoral foi indicado pelos anais (página 10). O próprio advogado dela perguntou à Sra. Russell: “A Sra. não quer dizer que seu marido fosse culpado de adultério?” Ela respondeu: “Não.”
No decorrer do atribulado período das dificuldades domésticas e problemas relacionados de Charles Taze Russell, Jeová o sustentou por meio do espírito santo. Deus continuou a usar Russell durante aqueles anos, não só para escrever matéria para a Torre de Vigia de Sião, mas para desincumbir-se de outros pesados deveres e para redigir três volumes da Aurora do Milênio (ou Estudos das Escrituras). Quão encorajador isto é para os cristãos hoje, ao prosseguirem fazendo a vontade divina, embora afligidos por várias provas! Especialmente animador para os seguidores ungidos e fiéis de Jesus são as seguintes palavras de Tiago: “Feliz o homem que estiver perseverando em provação, porque, ao ser aprovado, receberá a coroa da vida, que Jeová prometeu aos que continuarem a amá-lo.” — Tia. 1:12.
TRIGO MILAGROSO
Os inimigos de C. T. Russell usaram contra ele não só os assuntos domésticos dele, mas também outras “armas”. Por exemplo, seus inimigos o acusaram de vender grande quantidade de trigo comum sob o nome de “Trigo Milagroso” a um dólar a libra, ou sessenta dólares o bushel. Sustentaram que à base disso, Russell granjeou enorme lucro pessoal. No entanto, tais acusações são absolutamente falsas. Quais são os fatos?
Em 1904, o Sr. K. B. Stoner notou incomum planta crescendo em sua horta em Fincastle, Virgínia. Resultou ser trigo duma espécie incomum. A planta possuía 142 colmos e cada um tinha uma espiga de trigo plenamente amadurecido. Em 1906 chamou-o de “Trigo Milagroso”. Com o tempo, outros o obtiveram e cultivaram, obtendo safras extraordinárias. Com efeito, o Trigo Milagroso obteve prêmios em várias feiras. C. T. Russell interessava-se muitíssimo em tudo que se relacionava com as predições bíblicas de que “o ermo exultará e florescerá como a rosa” e “a terra dará a sua novidade”. (Isa. 35:1; Eze. 32:27, Al) Em 23 de novembro de 1907, H. A. Miller, Agrônomo-Auxiliar do Governo dos Estados Unidos, preencheu junto ao Departamento de Agricultura um relatório elogiando este trigo produzido pelo Sr. Stoner. Por todo o país, a imprensa pública observou o relatório. A atenção de C. T. Russell se voltou para ele, e, assim, na Torre de Vigia de Sião, de 15 de março de 1908, na página 86, ele publicou alguns comentários da imprensa e resumos do relatório governamental. Daí, em conclusão, comentou: “Se este relatório for apenas a metade verdadeiro, atesta de novo a habilidade de Deus de prover as coisas necessárias para os ‘tempos de restituição de todas as coisas das quais Deus falou pela boca de todos os santos profetas desde o princípio do mundo’. — Atos 3:19-21.”
O Sr. Stoner não era Estudante da Bíblia nem associado de C. T. Russell, e nem o eram as várias outras pessoas que experimentaram o Trigo Milagroso. Em 1911, contudo, os leitores da Torre de Vigia, J. A. Bohnet, de Pittsburgo, Pensilvânia, e Samuel J. Fleming, de Wabash, Indiana, presentearam à Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA), o total de cerca de trinta bushels (uns 810 quilos ) deste trigo, propondo que fosse vendido a um dólar a libra, e que toda a renda fosse recebida pela Sociedade qual donativo da parte deles, a ser usado em sua obra religiosa. O trigo foi recebido e enviado pela Sociedade, e a renda bruta dele totalizou cerca de US$ 1.800. O próprio Russell não recebeu nem sequer um pêni deste dinheiro. Simplesmente publicou uma declaração em A Torre de Vigia no sentido de que o trigo fora contribuído e podia ser obtido por um dólar a libra. A própria Sociedade não fez nenhuma exaltação do trigo à base de seu próprio conhecimento, e o dinheiro obtido entrou como donativo para a obra missionária cristã. Quando outros criticaram a venda, todos que haviam contribuído foram informados de que, se estivessem dessatisfeitos, seu dinheiro seria devolvido. Com efeito, o dinheiro equivalente ao recebido pelo trigo foi retido por um ano para esse fim. Mas, nem sequer uma pessoa pediu a sua devolução. A conduta do irmão Russell e da Sociedade em relação ao Trigo Milagroso foi inteiramente franca e limpa.
Por ter Charles Taze Russell ensinado a verdade da Palavra de Deus, foi odiado e difamado, amiúde pelo clero religioso. Mas, daí, os cristãos dos tempos modernos esperavam tal tratamento, pois Jesus e seus apóstolos foram similarmente tratados pelos opositores religiosos. — Luc. 7:34.
“JEOVÁ NÃO ABANDONARÁ SEU POVO”
Jeová é um Deus fiel. O profeta Samuel aconselhou o povo de Israel a servir a Deus de todo o coração, e declarou: “Jeová não abandonará seu povo, por causa do seu grande nome, porque Jeová tem resolvido fazer de vós seu povo.” — 1 Sam. 12:20-25.
Os Estudantes da Bíblia certamente verificaram ser isto verdade no caso deles. Algumas de suas experiências durante os anos de 1914 a 1916, por exemplo, trouxeram desapontamento e tristeza. Todavia, Jeová sustentou seu povo, jamais o abandonando. — 1 Cor. 10:13.
GRANDES EXPECTATIVAS
Naquele tempo houve também razões para regozijo. Durante anos, o povo de Deus havia apontado para 1914 como o ano que assinalaria o fim dos Tempos dos Gentios. Suas expectativas não levaram ao desapontamento. Em 28 de julho de 1914, irrompeu a Primeira Guerra Mundial, e, à medida que o tempo prosseguiu em direção a 1.º de outubro, cada vez mais nações e impérios ficaram envolvidos. Como as testemunhas cristãs de Jeová sabem, através de seus estudos das Escrituras, o período de ininterrupta regência gentia do mundo terminou em 1914, com o nascimento do reino celeste de Deus, tendo a Jesus Cristo qual rei. (Rev. 12:1-5) Mas, houve também outras expectativas a respeito de 1914. A respeito destas, o irmão A. H. Macmillan escreveu em seu livro Faith on the March (A Fé em Marcha): “Em 23 de agosto de 1914, como eu bem me lembro, o Pastor Russell iniciou uma viagem pelo Noroeste, descendo pela costa do Pacífico e indo aos estados meridionais, e então terminando em Saratoga Springs, Nova Iorque, onde realizamos um congresso de 27 a 30 de setembro. Essa foi uma época interessantíssima porque alguns de nós seriamente achávamos que iríamos para o céu na primeira semana desse outubro.”
A idéia de irem para o céu em 1914 era forte entre alguns Estudantes da Bíblia. “Nossa idéia”, observa a irmã Kenyon esposa de Dwight T. Kenyon “era que a guerra passaria para a revolução e a anarquia. Daí os dos ungidos ou os consagrados naquele tempo morreriam e seriam glorificados. Certa noite sonhei que a inteira eclésia (congregação) estava num trem que ia para algum lugar. Houve trovões e relâmpagos, e, prontamente todos os amigos começaram a morrer por toda a minha volta. Eu achei que isso estava bom, mas, embora tentasse a valer, não conseguia morrer. Isso era muito frustador! Daí, de repente, morri, e me senti tão aliviada e satisfeita! Conto isso só para mostrar quão seguros estávamos de que tudo iria terminar em breve, no que tangia a este velho mundo, e que o restante do ‘pequeno rebanho’ iria ser glorificado. — Luc. 12:32.”
Hazelle e Helen Krull se recordam de que, durante 1914, as palestras à mesa de refeições em Betel amiúde se centralizavam no fim dos Tempos dos Gentios. De tempos a tempos, afirmam, o irmão Russell dava comentários extensivos, instando à fidelidade, e explicando que as modalidades de tempo haviam sido revistas e ainda pareciam exatas, mas também que “se esperássemos mais do que as Escrituras permitiam, então temos de curvar-nos diante da vontade de Jeová e ajustar nossas mentes e corações em fé ao Seu modo, ainda fielmente vigiando e esperando o desenrolar dos eventos associados”.
Um incidente no congresso de Saratoga Springs, em 1914, sublinha o conceito do irmão Macmillan sobre “ir para casa” para o céu, naquele ano. Escreveu: “Quarta-feira (30 de setembro), fui convidado a discursar sobre o assunto ‘Está Próximo o Fim de Todas as Coisas, Portanto, Sejamos Sóbrios, Vigilantes e Oremos’. Bem, como diria a pessoa, isso calhava bem para mim. Eu sinceramente cria nisso — que a igreja ‘iria para casa’ em outubro. Durante esse discurso, fiz a infeliz observação: ‘Este é provavelmente o último discurso público que proferirei, porque logo voltaremos para casa.’”
Na manhã seguinte, 1.º de outubro de 1914, cerca de quinhentos Estudantes da Bíblia gozaram uma linda viagem pelo Rio Hudson abaixo, num barco a vapor, de Albany para Nova Iorque. No domingo, os congressistas iniciariam as sessões em Brooklyn, onde terminaria a assembléia. Um bom número de delegados ficou em Betel, e, naturalmente, os membros da equipe da sede estavam presentes à mesa do desjejum de sexta-feira de manhã, 2 de outubro. Todo o mundo já estava sentado quando o irmão Russell entrou. Como de costume, disse alegremente: “Bom dia para todos.” Mas, esta manhã era diferente. Ao invés de ir de imediato para seu lugar, bateu palmas e anunciou jubilosamente: “Terminaram os tempos dos Gentios; seus reis já tiveram seus dias.” “Como batemos palmas!” exclama Cora Merrill. Admitiu o irmão Macmillan: “Ficamos muito agitados e não seria surpresa se, nesse instante, simplesmente começássemos a subir, esse se tornando o sinal para começarmos a subir para o céu — mas naturalmente, não houve nada disso, realmente.” Acrescenta a irmã Merrill: “Depois de breve pausa, ele [Russell] disse: ‘Alguém se sente desapontado? Eu não. Tudo está correndo dentro do horário!’ De novo aplaudimos.”
C. T. Russell teceu algumas observações, mas não demorou muito até que A. H. Macmillan tornou-se o objeto das atenções. De modo espirituoso, Russell disse: “Iremos fazer algumas alterações no programa de domingo. Às 10,30 de domingo de manhã, o irmão Macmillan dará um discurso para nós.” Isso causou fortes risadas da parte de todos. Afinal de contas, fora apenas na quarta-feira anterior que o irmão Macmillan proferira o que achava ser provavelmente seu “último discurso público”. “Bem”, escreveu A. H. Macmillan anos depois, “tive que fazer esforço de procurar algo para dizer. Achei o Salmo 74:9 (Al): ‘Já não vemos os nossos sinais, já não há profeta: nem há entre nós alguém que saiba até quando isto durará.’ Bem, esse foi diferente. Nesse discurso, tentei mostrar aos amigos que talvez alguns de nós fôramos um tanto apressados em pensar que iríamos logo para o céu, e a coisa a fazer era nos manter ocupados no serviço do Senhor até que ele determinasse quando qualquer de seus servos aprovados seria levado para o céu, nosso lar.”
O próprio C. T. Russell avisara contra as especulações particulares. Por exemplo, considerou o fim dos Tempos dos Gentios e então disse, em A Torre de Vigia de 1.º de dezembro de 1912: “Por fim, lembremo-nos de que não nos consagramos [dedicamos] quer até outubro de 1914 quer até outubro de 1915, ou até qualquer outra data, mas ‘até a morte’. Se, por qualquer motivo o Senhor tiver permitido que calculemos errado as profecias, os sinais dos tempos nos asseguram de que os cálculos errados não podem ser muito grandes. E, se a graça e a paz do Senhor estiverem conosco no futuro, como estiveram no passado, segundo a Sua promessa, igualmente nos regozijaremos de ir ou de ficar a qualquer tempo, e de estar no Seu serviço, quer deste lado do véu, quer do outro lado [na terra ou no céu], conforme agrade mais a nosso Mestre.”
Mesmo ao começar o ano culminante de 1914, Russell escreveu em A Torre de Vigia de 1.º de janeiro: “Talvez não leiamos as modalidades de tempo com a mesma certeza absoluta que as modalidades doutrinais; pois o tempo não é tão definitivamente declarado nas Escrituras como o são as doutrinas básicas. Ainda andamos pela fé e não pela vista. Não somos, contudo, infiéis e descrentes, mas fiéis e ansiosos. Se, mais tarde, for demonstrado que a Igreja não será glorificada em outubro de 1914, tentaremos ficar contentes com a vontade do Senhor, seja ela qual for.”
Assim, havia grandes expectativas a respeito de 1914 por parte de muitos dos Estudantes da Bíblia. Todavia, também receberam sólidas admoestações através das páginas de A Torre de Vigia. Deveras, alguns cristãos achavam que ‘iriam para a casa’ no céu no outono setentrional daquele ano. “Mas”, afirma C. J. Woodworth, o “1.º de outubro de 1914 veio e passou — e os anos se acumularam depois dessa data — e os ungidos ainda estavam aqui na terra. Alguns ficaram amargurados e se desviaram da verdade. Aqueles que puseram sua confiança em Jeová viram 1914 como verdadeiramente um tempo marcado — o ‘começo do fim’ — mas também compreendiam que seu anterior conceito era errado quanto a ‘glorificação dos santos’, conforme foi declarado. Agora percebiam que ainda restava muito trabalho para os fiéis ungidos — e desse grupo fazia parte meu pai [Clayton J. Woodworth].”
Os desapontamentos, porém, quanto a ir para o céu em 1914 realmente eram insignificantes quando comparados com as grandes expectativas realizadas em relação àquele ano. Nos primeiros seis meses de 1914, não aconteceu nada às nações gentias, embora os Estudantes da Bíblia há muito apontassem que os Tempos dos Gentios expirariam naquele ano. Por isso, os líderes religiosos e outros zombaram de C. T. Russell e da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA). Todavia, Jeová certamente não havia abandonado seu povo nem permitido que fosse desencaminhado. Movidos por Seu espírito santo, continuaram sua obra de testemunho, não esperando o fim dos Tempos dos Gentios até o outono setentrional daquele ano. Ao se passarem os meses, aumentou a tensão por toda a Europa, e ainda assim aumentava a zombaria contra a mensagem do Reino. Quando nação após nação se tornou envolvida na primeira guerra mundial, contudo, houve uma diferença. A obra das testemunhas cristãs de Jeová veio a ser vista com destaque.
Uma reação típica da imprensa daquele tempo foi publicada em The World (O Mundo), então destacado jornal da cidade de Nova Iorque. Sua seção dominical de revista, de 30 de agosto de 1914, continha o artigo “Fim de Todos os Reinos em 1914.” Ali foi declarado, em parte:
“O horrível irrompimento da guerra na Europa tem cumprido uma profecia extraordinária. No último quarto de século, por meio de pregadores e pela imprensa, os ‘Estudantes Internacionais da Bíblia’ melhor conhecidos como ‘Auroristas do Milênio’, têm proclamado ao mundo que o Dia da Ira profetizado na Bíblia, amanheceria em 1914. ‘Olhem bem para 1914!’ — tem sido o brado de centenas de evangelistas viajantes que, representando este estranho credo, percorreram o país de alto a baixo, enunciando a doutrina de que ‘está próximo o Reino de Deus’. . . .
“O Rev. Charles T. Russell é o homem que tem proposto esta interpretação das Escrituras desde 1874. . . . ‘Em vista desta forte evidência bíblica’, escreveu o Rev. Russell em 1889, ‘consideramos uma verdade estabelecida que o fim completo dos reinos deste mundo e o pleno estabelecimento do Reino de Deus será realizado por volta do fim de 1914 E.C.’. . .
“Mas, afirmar que as dificuldades devem culminar em 1914 — isso era peculiar. Por alguma razão estranha, talvez porque o Rev. Russell possua um estilo de escrita muito calmo, de alta matemática, ao invés de modos aparatosos e novelescos, o mundo em geral o levou pouquíssimo em conta. Os estudantes no seu ‘Tabernáculo de Brooklyn’ afirmam que isto já era de se esperar, que o mundo jamais ouviu os avisos divinos e jamais ouvirá, até que passe o dia das dificuldades. . . .
“E, em 1914, veio a guerra, a guerra que todos receavam mas que todos pensavam que realmente não poderia acontecer. O Rev. Russell não está dizendo: ‘Eu não lhes disse?’; e não está revisando as profecias para ajustarem-se à história corrente. Ele e seus estudantes estão contentes de esperar — de esperar até outubro, que calculam seja o verdadeiro fim de 1914.”
Na verdade, os Estudantes da Bíblia não foram ‘levados para casa’ no céu em outubro de 1914. Mas, os Tempos dos Gentios, de 2.520 anos, findaram então. E, como os servos de Jeová compreenderam mais tarde, de forma mais plena, tinham bastante trabalho a fazer depois daquele tempo bem aqui na terra, pregando as boas novas do reino estabelecido de Deus. Evidentemente, muitos ainda acolheriam favoravelmente a verdade da Bíblia. A respeito disto, Russell escreveu em A Torre de Vigia, de 15 de fevereiro de 1915: “Há certos indícios de que o Senhor tem um grande trabalho para todo o Seu povo, Seus santos vigilantes, no tempo atual. . . . Há alguns dos filhos do Senhor que parecem obsedados pela idéia de que ‘a porta está fechada’, e que não há mais oportunidade para serviço. Assim, tornam-se indolentes com respeito à obra do Senhor. Não devemos perder tempo algum sonhando que a porta está fechada! Há pessoas que buscam a Verdade — pessoas que se sentam nas trevas. Nunca houve um tempo como o atual. Nunca tantas pessoas estiveram dispostas a ouvir a boa Mensagem. Em todos os quarenta anos da Colheita, nunca houve oportunidades de proclamar a Verdade como as que se apresentam agora. A grande guerra e os ominosos sinais dos tempos estão despertando as pessoas, e muitas estão agora indagando sobre as coisas. Assim, o povo do Senhor devia ser bastante diligente, fazendo com toda sua força o que suas mãos acharem para fazer.”
“HÁ UMA GRANDE OBRA À FRENTE”
Em essência, então, foi dito ao povo de Deus que permanecesse firme e ‘tivesse abundância do que fazer na obra do Senhor’. (1 Cor. 15:58) Indicando mais que o irmão Russell estava convicto de que havia uma grande obra à frente para os servos de Jeová, houve um incidente relatado anos depois por A. H. Macmillan. C. T. Russell sempre gastou suas manhãs, das 8 ao meio dia, preparando artigos da Torre de Vigia e empenhando-se em outra redação e pesquisa bíblica. Macmillan escreveu: “Ninguém jamais chegava perto do gabinete durante tais horas, a menos que fosse chamado ou tivesse algo muito importante. Por volta de oito e cinco, um estenógrafo veio correndo escadas abaixo, e me disse: ‘O irmão Russell deseja vê-lo em seu gabinete.’ Pensei eu: ‘O que será que ando fazendo agora?’ Ser chamado ao gabinete pela manhã significava que havia algo importante.” Ouça à continuação do relato do irmão Macmillan:
“Fui ao gabinete e ele me disse: ‘Entre, irmão. Queira vir à sala de visitas’. Era uma extensão do gabinete. Disse ele: ‘Irmão, será que está tão profundamente interessado na verdade como estava quando começou?’ Eu olhei surpreso para ele. Disse ele: ‘Não fique surpreso. Essa foi uma pergunta apenas para começar.’ Daí, descreveu-me sua condição física, e eu sabia o suficiente sobre diagnóstico físico para entender que ele não viveria muitos meses mais, a menos que tivesse algum alívio. Disse ele: ‘Bem, então, irmão, o que desejava dizer-lhe é o seguinte. Não posso mais continuar a obra, e ainda há uma grande obra a fazer. . . .”
“Eu disse: ‘Irmão Russell, o que diz não explica nada. Não tem sentido.’
“‘O que quer dizer com isso, irmão?’ — perguntou ele.
“‘O irmão vai morrer e esta obra vai continuar?’ — repliquei. ‘Ora, quando o irmão morrer, nós complacentemente cruzaremos os braços e esperaremos para irmos ao céu junto com o irmão. Pararemos então.’
“‘Irmão’, disse ele, ‘se a sua idéia é essa, não entende a questão. Não se trata duma obra de homem. Não sou importante para esta obra. A luz está ficando mais clara. Há uma grande obra à frente.’ . . .
“Depois de esboçar a obra à frente, o irmão Russell disse: ‘Bem, o que desejo é alguém que venha aliviar-me da responsabilidade. Ainda dirigirei a obra, não posso, porém, cuidar dela como fiz no passado.’ Assim, consideramos várias pessoas. Por fim, quando fui embora e ia passando por uma porta corrediça para o corredor, ele disse: ‘Espere um minuto. Vá ao seu quarto e fale com o Senhor sobre este assunto, volte e me diga se o irmão Macmillan aceitará tal cargo.’ Fechou a porta sem que eu dissesse mais nada. Bem, penso que fiquei ali parado, um tanto tonto. O que poderia fazer para auxiliar o irmão Russell nesta obra? Isso exigia um homem que tivesse algumas habilidades comerciais, e tudo o que eu sabia era pregar religião. No entanto, meditei no assunto e voltei mais tarde e lhe disse: ‘Irmão, farei qualquer coisa que puder. Não importa onde é que me coloque.’”
Convicto de que havia muito trabalho à frente para o povo de Deus, C. T. Russell disse a seus associados íntimos que se preparassem para o aumento de seus números. Fez certas mudanças que uniriam mais a organização, e recomendou futuras mudanças no caso de não podê-las levar a efeito pessoalmente. A. H. Macmillan foi colocado como encarregado do escritório e do lar de Betel. Daí, apesar da saúde rapidamente agravada de Russell, e extremo desconforto físico por volta do outono setentrional de 1916, partiu numa excursão de discursos previamente organizada.
EXCURSÃO FINAL
Partindo de Nova Iorque em 16 de outubro de 1916, o irmão Russell e seu secretário, Menta Sturgeon, viajaram para Detroit, Michigan, via Canadá. Os dois homens foram então para Chicago, Ilinóis, descendo pelo Kansas e indo até o Texas. Sua condição de saúde era tal que seu secretário teve de substituí-lo em vários compromissos de discursos. Na terça-feira à noite, 24 de outubro, em San Antonio, Texas, Russell proferiu seu último discurso público, sobre o assunto “O Mundo em Chamas”. Durante este discurso, teve de ausentar-se da tribuna três vezes, enquanto seu secretário o substituía.
Na noite de terça-feira, o irmão Russell e seu secretário e companheiro de viagem estavam num trem a caminho da Califórnia. Homem enfermo, Russell permaneceu deitado o dia todo de quarta-feira. Em certo ponto, tomando a mão do enfermo, o companheiro de viagem de Russell disse: “Essa é a maior mão esmiuçadora de credos que já vi!” Russell respondeu que achava que ela não esmiuçaria muitos credos mais.
Os dois homens ficaram retidos por um dia em Del Rio Texas, devido a uma ponte ter pegado fogo e ter de ser construída outra. Partiram de Del Rio na quinta-feira de manhã. Na sexta-feira à noite mudaram de trem num entroncamento da Califórnia. Durante o dia inteiro de sábado, Russell sofreu graves dores e sentiu grande debilidade. Chegaram a Los Ângeles no domingo, 29 de outubro, e ali, naquela noite, C. T. Russell proferiu seu último discurso perante uma congregação. Nessa ocasião estava tão fraco que não conseguia ficar em pé para o discurso. “Sinto não poder falar com vigor ou energia”, disse Russell. Então acenou para o presidente, para que removesse a tribuna e trouxesse uma cadeira, dizendo ao sentar-se: “Perdoem-me por me sentar, por favor.” Falou por cerca de quarenta e cinco minutos, daí, respondeu a perguntas por curto tempo. Dwight T. Kenyon afirma sobre essa ocasião: “Tive o privilégio de comparecer ao último discurso do irmão Russell em Los Ângeles, em 29 de outubro de 1916. Ele estava muito mal e permaneceu sentado durante seu discurso sobre Zacarias 13:7-9. Como seu texto de despedida, Números 6:24-26, me impressionou!”
Compreendendo que sua grave condição não lhe permitiria continuar, Russell decidiu cancelar o restante de seus compromissos de discursos, e voltar rápido para o lar de Betel em Brooklyn. Na terça-feira, 31 de outubro, C. T. Russell estava à beira da morte. Em Panhandle, Texas, um médico, chamado de antemão pelo telégrafo, subiu temporariamente no trem e observou a condição de Russell, reconhecendo os sintomas críticos. Daí, o trem partiu de novo. Pouco depois, no início da tarde de terça-feira, 31 de outubro de 1916, Charles Taze Russell, 64 anos, morreu em Pampa, Texas.
‘DEUS AINDA NO COMANDO’
As muitas tribulações, as atividades de pregação, as responsabilidades editoriais, e outros deveres de Charles Taze Russell, consumiram grandemente sua vitalidade. Por cerca de trinta e dois anos, serviu qual presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA). Consta que viajou mais de um milhão e seiscentos mil quilômetros como orador público, pregando mais de 30.000 sermões. Escreveu publicações que somaram mais de 50.000 páginas, amiúde ditando mil cartas por mês, enquanto dirigia uma campanha evangelística global que, em certa ocasião, empregava 700 oradores. Ademais Russell compilou pessoalmente o drama bíblico mais informativo que já foi exibido, o Fotodrama da Criação.
Visto que o irmão Russell desempenhou tão destacado papel na obra de declarar as boas novas, muitos Estudantes da Bíblia sentiram muito sua falta. “Quando li à família o telegrama a respeito de sua morte, no desjejum da manhã seguinte”, disse A. H. Macmillan, “houve soluços por todo o refeitório”. Entre o povo de Deus em geral havia reações confusas. Arden Plate, que, incidentalmente era recepcionista no Teatro Majestic de San Antonio quando C. T. Russell proferiu seu último discurso público, observa: “Alguns diziam: ‘Isso é o fim de tudo’, e para eles era mesmo, porque não viam que Jeová dirigia seu povo, mas olhavam demais para um só homem.” Nos serviços fúnebres de Russell, no domingo, 5 de novembro de 1916, no Templo da Cidade de Nova Iorque, vários de seus companheiros íntimos falaram da grande perda. No entanto, houve também exortações à contínua fidelidade. Serviços separados foram realizados na Sala de Música Carnegie, em Pittsburgo (Allegheny), Pensilvânia, a partir das 14 horas de 6 de novembro, sendo o enterro feito no lote da Família de Betel nos Cemitérios Unidos de Rosemont, Allegheny, ao anoitecer daquele dia.
No serviço fúnebre matutino em Nova Iorque, A. H. Macmillan falou sobre a conversa que o irmão Russell tivera com ele pouco antes de sua morte, mencionando também certos passos que Russell dera em conexão com a obra na sede da Sociedade. Então, entre outras coisas, Macmillan declarou: “A obra diante de nós é grande, mas o Senhor nos dará a graça e a força necessárias para realizá-la. . . . alguns trabalhadores tíbios talvez achem que chegou o tempo para depor nossos instrumentos de colheita e esperar até que o Senhor nos chame para casa. Este não é o tempo para ouvir os moles. Este é o tempo de ação — de ação mais determinada do que nunca antes!”
Perto do fim de seu discurso nos serviços noturnos, J. F. Rutherford disse: “Meus queridos irmãos — nós que aqui estamos, e todos que estão na terra — o que faremos? Vamos afrouxar nosso zelo pela causa de nosso Senhor e Rei? Não! Por sua graça, aumentaremos nosso zelo e nossa energia, para terminar nossa carreira com alegria. Não temeremos nem vacilaremos, mas nos colocaremos ombro a ombro, contendendo pela fé, regozijando-nos com nosso privilégio de proclamar a mensagem de seu Reino.”
Dignas de nota, também, eram as observações do secretário-tesoureiro da Sociedade, W. E. Van Amburgh. Nos serviços de Russell, ele declarou: “Esta grande obra mundial não é a obra de uma só pessoa. É grande demais para isso. É a obra de Deus, e ela não muda. Deus tem usado muitos servos no passado e Ele, sem dúvida, usará muitos no futuro. Nossa consagração não é a um homem, ou à obra dum homem, mas para fazer a vontade de Deus, conforme Ele a revele a nós mediante Sua Palavra e orientações providenciais. Deus ainda está no comando.”
Aqueles foram dias difíceis para o povo de Deus, realmente. Todavia, voltaram-se para Jeová em busca de ajuda. (Sal. 121:1-3) Deus suscitaria outros para assumir as principais responsabilidades em sua organização. A obra de pregação iria adiante.
Os servos de Jeová já tinham passado por um tempo provador, mas anos de crise estavam adiante deles. Com a morte de C. T. Russell, em 31 de outubro de 1916, a Sociedade Torre de Vigia (EUA) não tinha presidente. Até sua reunião anual, em 6 de janeiro de 1917, uma comissão executiva cuidou dos assuntos da Sociedade. Durante esse período, naturalmente surgiu a pergunta de quem seria o próximo presidente. Certo dia, o irmão Van Amburgh perguntou a A. H. Macmillan: “Irmão, o que acha disso tudo?” “Só há uma pessoa, quer goste quer não”, replicou Macmillan. “Só há um homem que pode assumir esta obra agora, e ele é o irmão Rutherford.” Segurando a mão de Macmillan, disse o irmão Van Amburgh: “Estou com o irmão.” J. F. Rutherford nada sabia sobre isto e não cabalou votos. Mas, na reunião anual da Sociedade em 6 de janeiro de 1917, foi nomeado e eleito presidente da Sociedade Torre de Vigia dos EUA.
Assumindo humildemente sua nova responsabilidade, o irmão Rutherford falou brevemente nessa ocasião, solicitando as “orações unidas, a profunda simpatia e a irrestrita cooperação” de seus concrentes. Assegurou-lhes: “Aquele que nos tem dirigido até agora continuará a dirigir-nos. Tenhamos corações destemidos, mentes prontas e mãos dispostas, confiando sempre implicitamente no Senhor, voltando-nos para Ele em busca de orientação. Ele nos conduzirá à vitória certa. Renovando nosso Pacto com ele hoje, unidos nos santos vínculos do amor cristão, vamos adiante, proclamando ao mundo: ‘Está próximo o Reino do Céu.’”
FORMAÇÃO DE RUTHERFORD
O próprio Rutherford era corajoso lutador pela verdade. Nasceu de pais batistas no Condado de Morgan, Missúri, em 8 de novembro de 1869. Da irmã Ross, a irmã natural mais velha de Joseph Franklin Rutherford, soube o seguinte A. D. Schroeder: “Seu pai era resoluto batista lá em Missúri, onde vivia a família. Seu irmão mais jovem, Joseph, jamais conseguiu aceitar o ensino batista do ‘inferno de fogo’. Isto resultava em muitos debates acalorados na família, mesmo antes de ouvirem a verdade. Seu irmão sempre possuíra firmes convicções, com profundo senso de justiça. Desde a juventude queria ser advogado e juiz. Seu pai queria que ele ficasse na fazenda, ao invés de ir para a faculdade estudar direito. Joseph teve que arranjar um amigo que lhe emprestasse dinheiro, não só para contratar um substituto para ele na fazenda do pai, mas também para financiar seus estudos de direito.”
Joseph Rutherford financiou seus próprios estudos. Entre outras coisas, tornou-se perito em estenografia, perícia utilíssima anos mais tarde em registrar rapidamente suas idéias para artigos bíblicos e outra matéria. Enquanto ainda cursava a escola, Joseph Rutherford tornou-se estenógrafo do tribunal. Isto o habilitou a terminar de pagar seu curso e também lhe forneceu experiência prática. Depois de concluir seus estudos acadêmicos, Rutherford passou dois anos sob a tutela do Juiz E. L. Edwards. Com vinte anos, Joseph Rutherford tornou-se o escrivão oficial dos tribunais do Décimo Quarto Circuito Judicial de Missúri. Quando tinha 22 anos, foi inscrito na Ordem dos advogados de Missúri. Sua licença para advogar naquele estado foi concedido em 5 de maio de 1892, segundo os registros do Tribunal de Circuito de Cooper. Rutherford começou a advogar em Boonville, Missúri, como advogado do foro, filiado à firma Draffen e Wright.
J. F. Rutherford mais tarde serviu por quatro anos como promotor público em Boonville, Missúri. Ainda mais tarde tornou-se juiz especial do mesmo Décimo Quarto Distrito Judicial de Missúri. Nesta posição, se o juiz regular não podia julgar, Rutherford atuava como juiz substituto. Os registros dos tribunais substanciam sua designação como juiz especial em mais de uma ocasião. Por isso, veio a ser conhecido como “Juiz” Rutherford.
Hazelle e Helen Kull lembram-se de ouvir J. F. Rutherford contar como veio a interessar-se na verdade proclamada pelos servos de Jeová. Contam-nos: “Durante uma das visitas do irmão Rutherford, ele sugeriu que fôssemos passear pelos campos à luz da lua. Ao caminharmos, ele falou, contando sua vida anterior e como ficou interessado na verdade. Foi criado numa fazenda, mas queria estudar direito. Seu pai sentia a necessidade de sua ajuda na fazenda, mas por fim consentiu em permitir que ele se fosse, conquanto financiasse seus próprios estudos e também pagasse um ajudante na fazenda para tomar o seu lugar. Nas épocas de férias de verão, vendia livros a fim de cumprir seu acordo. . . . Prometeu a si mesmo que, quando praticasse a advocacia, se alguém viesse a seu consultório vendendo livros, ele os compraria. Veio esse dia [em 1894], mas seu sócio de advocacia falou com a visitante. Ela era uma ‘colportora’ — a irmã Elizabeth Hettenbaugh — e apresentava três volumes da Aurora do Milênio. Seu colega não estava interessado, e despediu-a [bem como a sua colega colportora, a irmã Beeler]. O irmão Rutherford saindo de seu escritório particular, tendo ouvido ao longe algo sobre livros, e lembrando-se de sua resolução, chamou-a de volta, ficou com os livros e colocou-os em sua biblioteca em casa, eles ali permaneceram por algum tempo. Certo dia, quando convalescia duma leve enfermidade, abriu um dos livros e começou a lê-lo. Esse foi o início de interesse vitalício e devoção e serviço incessantes a seu Deus.”
As reuniões dos Estudantes da Bíblia não eram realizadas na vizinhança imediata da casa de Rutherford. No entanto, Clarence B. Beaty afirma: “De 1904 em diante, as reuniões eram realizadas em nossa casa. A irmã Rutherford e o Juiz Rutherford vieram lá de Boonville, Missúri, para a Comemoração [da morte de Cristo]. . . . Ele participou de sua primeira Comemoração e proferiu seu primeiro discurso de peregrino aos amigos em nossa casa. Não havia ninguém na verdade em Boonville, exceto eles mesmos.”
Mas, como foi que J. F. Rutherford começou a pregar as boas novas? Bem, A. H. Macmillan foi o principal responsável por isso. Macmillan conheceu Rutherford em 1905, na Cidade de Kansas, durante uma viagem através dos Estados Unidos junto com o irmão Russell. Pouco mais tarde, o irmão Macmillan parou ali para visitar o Juiz Rutherford por um dia ou dois. Uma palestra entre eles foi mais ou menos assim:
“Juiz, o senhor devia pregar a verdade aqui.”
“Não sou pregador. Sou advogado.”
“Bem, então, Juiz, vou mostrar o que o senhor pode fazer. O senhor vai, pega um exemplar da Bíblia Sagrada e reúne um pequeno grupo de pessoas, e lhes ensina a respeito da vida, da morte e do além. Mostre-lhes de onde obtivemos nossa vida, por que viemos a estar sob a condição da morte e o que é a morte. Use as Escrituras como testemunha, e então termine tudo, dizendo: ‘Nelas tenho cumprido tudo como eu disse’, assim como diria a um júri num julgamento, e faça a conclusão.”
“Isso não me parece muito difícil.”
O que aconteceu depois disso? Será que Rutherford aplicou esse conselho? Relatou o irmão Macmillan: “Havia um homem de cor que trabalhava numa pequena fazenda próxima de sua cidade, perto dos limites da cidade. Cerca de quinze ou vinte pessoas de cor estavam ali, e ele se dirigiu até lá para lhes dar um sermão sobre ‘A Vida, a Morte e o Além’. Enquanto falava, ficavam dizendo: ‘Louvado seja Deus, Juiz! Onde aprendeu tudo isso?’ Ele passou momentos de grande felicidade. Esse foi o primeiro discurso bíblico que já havia proferido.”
Não muito depois disso, em 1906, J. F. Rutherford simbolizou sua dedicação a Jeová Deus. Escreveu o irmão Macmillan: “Tive o privilégio de batizá-lo em Saint Paul, Minnesota. Era uma das 144 pessoas que batizei pessoalmente em água naquele dia. Portanto, quando se tornou presidente da Sociedade, fiquei especialmente contente.”
Em 1907, Rutherford tornou-se o consultor jurídico da Sociedade Torre de Vigia (EUA), servindo na sede de Pittsburgo. Teve o privilégio de negociar os assuntos quando a Sociedade transferiu suas operações para Brooklyn, Nova Iorque, em 1909. Para fazer isso, solicitou sua inscrição e foi admitido na ordem dos advogados de Nova Iorque, tornando-se advogado reconhecido naquele estado. Em 24 de maio do mesmo ano, Rutherford também obteve licença para advogar perante o Supremo Tribunal dos Estados Unidos.
J. F. Rutherford freqüentemente proferia discursos como peregrino, um representante viajante da Sociedade Torre de Vigia (EUA). Viajou amplamente como orador bíblico pelos Estados Unidos, falando em muitas faculdades e universidades a pedido, e também falou a grandes assistências através da Europa. Rutherford visitou o Egito e a Palestina, e, em 1913 acompanhado da esposa, viajou à Alemanha, onde falou a assistências que somaram 18.000 pessoas.
SUAS CARATERÍSTICAS
Jesus Cristo disse que todos os seus seguidores eram “irmãos” e que ‘o maior dentre eles tinha de ser seu ministro’. (Mat. 23:8-12) Por isso, nenhum cristão verdadeiro atribui a qualquer concrente indevida importância. Todavia, a Bíblia revela as caraterísticas dos vários servos de Deus. Moisés, por exemplo, era notável pela mansidão, Tiago e João os filhos de Zebedeu, por seu entusiasmo ardente. (Núm. 12:3; Mar. 3:17; Luc. 9:54) Visto que a Joseph F. Rutherford foram confiadas muitas responsabilidades na organização terrestre de Deus, é de certo interesse observar suas caraterísticas e qualidades.
“Rutherford sempre manifestou profundo amor cristão por seus associados”, disse A. H. Macmillan, “e era muito bondoso de coração, mas, por natureza, não tinha a mesma disposição branda e quieta de Russell. Era direto e franco e não escondia seus sentimentos. Sua franqueza, mesmo quando dita com bondade, às vezes era mal interpretada. Mas, só era presidente por muito pouco tempo quando se tornou evidente que o Senhor escolhera o homem certo para o cargo.”
Maior visão da personalidade de Rutherford é obtida do que ocorreu no antigo Tabernáculo de Londres, dos Estudantes da Bíblia, quando ele proferiu o discurso da Comemoração ali, em 18 de abril de 1924. A respeito disto, a irmã Heath, esposa de William P. Heath escreve: “O Tabernáculo era uma antiga igreja episcopal que a Sociedade comprara barato, e usavam-no para as reuniões dominicais como usamos hoje um Salão do Reino. . . . O lugar do orador estava bem alto, no teto, a cerca de seis metros do chão. Quando falava à assistência, só se via a sua cabeça. Talvez seja por isso que o irmão Rutherford o chamasse de ‘cocho de cavalos’. Recusou-se a falar dali; com efeito, abalou os irmãos por descer e colocar-se no mesmo nível deles.”
Quando o irmão Rutherford assumiu inicialmente a presidência da Sociedade Torre de Vigia (EUA), havia necessidade de coragem, fidelidade e determinação. Ele manifestou tais qualidades. Por exemplo, Esther I. Morris lembra-se dum discurso que Rutherford proferiu como peregrino a ampla assistência, no que era então o maior cinema de Boise, Idaho. Declara ela: “Sua exposição da religião falsa suscitou a ira de vários clérigos locais, que tentaram interrompê-lo e desafiá-lo mas seu enfático ‘Sentem-se! Exijo a proteção da lei!’ possibilitara-lhe continuar falando. Os Estudantes da Bíblia das cidades adjacentes vieram e alugamos um salão, e, assim, realizamos pequeno congresso. Ele era muito enfático e deixava todos saberem que esta mensagem e ministério não eram algo insignificante.”
Uma reflexão um tanto tocante sobre a natureza do irmão Rutherford é fornecida por Anna Elsdon. Relembrando sua juventude, ela escreve: “Visitamos muitas vezes o irmão Rutherford. Em certa ocasião, vários de nós, jovens, nos reunimos e o irmão Rutherford veio ver-nos. Fizemos muitas perguntas a ele sobre a escola, a saudação à bandeira, etc., e ele falou conosco por muito tempo. Quando estava prestes a despedir-se, segurou as mãos de todos nós cinco em suas duas mãos grandes de forma tão amorosa, e tinha lágrimas nos olhos. Estava tão feliz e emocionado de ver a nós, tão jovens, e, mesmo assim, falando sobre as coisas profundas da verdade. Jamais me esquecerei disso. Assim como o irmão Russell era amoroso, também sentimos o amor deste grande irmão Rutherford.”
AVANTE COM A OBRA
O irmão Rutherford estava determinado a ir avante com a obra de pregar o Reino. Durante anos, sob a orientação do espírito santo de Jeová, os Estudantes da Bíblia haviam executado uma campanha notavelmente extensa em declarar a verdade de Deus. Ora, desde 1870 a 1913, distribuíram 228.255.719 tratados e panfletos e 6.950.292 livros encadernados. No ano momentoso de 1914 apenas, os servos de Jeová distribuíram 71.285.037 tratados e panfletos, e 992.845 livros encadernados. Os anos de 1915 e 1916, contudo, viram um declínio nas atividades de publicação, devido à expansão da Primeira Guerra Mundial e o colapso das comunicações. Em 1917, porém, a obra começou a mostrar uma tendência ascendente. Por quê?
O novo presidente da Sociedade reorganizou prontamente o escritório-sede em Brooklyn. Ademais, agiu a fim de revitalizar o trabalho de campo. Tais mudanças, contudo, e os programas que ele acelerou, eram os que C. T. Russell havia iniciado. Os representantes peregrinos da Sociedade aumentaram de sessenta e nove para noventa e três. A distribuição de tratados gratuitos foi acelerada em domingos ocasionais na frente das igrejas, e regularmente, de casa em casa. Novo tratado de quatro páginas, O Mensário dos Estudantes da Bíblia, foi publicado, e apenas em 1917, 28.665.000 exemplares gratuitos foram distribuídos.
Também acelerada foi nova atividade iniciada antes da morte de C. T. Russell. Chamada de “Obra Pastoral”, era precursora das revisitas feitas pelas testemunhas cristãs de Jeová. No tempo de Russell, esta atividade se limitava a cerca de 500 congregações que o haviam voluntariamente eleito como seu pastor. Numa carta a estas, descreveu o empreendimento como “importante Obra de Revisitas possível em conexão com os endereços recebidos nas Reuniões Públicas, Exibições do Drama, Listas de Colportores, etc. — pessoas que supostamente têm algum interesse em assuntos religiosos e que presumivelmente seriam mais ou menos acessíveis à Verdade.”
As mulheres na congregação que estivessem interessadas em fazer esta obra elegiam uma dentre elas para servir como capitã e outra como secretária-tesoureira. A cidade era dividida em distritos territoriais, designados a irmãs individuais que visitavam todos cujos nomes tinham sido supridos como interessados. Os visitantes emprestavam livros, que podiam ser lidos e estudados pelos emprestatários. “Então ninguém tinha desculpas de ‘Não tenho dinheiro’, visto que se tratava dum empréstimo gratuito”, observa Esther I. Morris. Na conclusão da visita, dizia-se ao morador que em breve seria proferido um discurso sobre a tabela do “Plano Divino” no distrito, e os que manifestassem interesse eram animados a comparecer a ele. Depois disso, eram feitas revisitas às pessoas que compareciam, no esforço de iniciar um estudo do primeiro volume dos Estudos das Escrituras, intitulado “O Plano Divino das Eras”. Assim, a culminação do programa era ajuntar pessoas em “classes”, primeiro para ouvir discursos sobre a tabela e, mais tarde, para se tornarem grupos regulares, chamados “Classes Bereanas”. — Atos 17:10, 11.
Outros passos foram dados pelo novo presidente da Sociedade, J. F. Rutherford, para revitalizar a obra de pregação. Expandiu-se o serviço de colportor. Isto elevou o total de 373 a 461 colportores. Para ajudá-los, no início de 1917, a Sociedade começou a publicar um periódico chamado “Boletim”. Continha instruções periódicas de serviço da sede. Mais tarde, depois de outubro de 1922, o Boletim tornou-se disponível mensalmente aos Estudantes da Bíblia em Geral. (Com o tempo, foi chamado “Diretor”, daí “Informante” e depois disso “Ministério do Reino”.) A irmã H. Gambill afirma que, com o tempo, “continha testemunhos preparados que chamávamos de ‘solicitações’ que éramos encorajados a decorar para usar no serviço de campo. Minha cunhada . . . me seguia de um quarto para o outro, tentando pegar cada palavra de modo exato. Ela desejava aprendê-lo exatamente.” Refletindo no fato de que o Boletim continha testemunhos preparados, afirma Elizabeth Elrod: “Eu apreciava isto, pois não tínhamos um arranjo, como temos agora, de uma pessoa ir junto com outra para treinar e ajudar outra a tornar-se um publicador eficaz. Isto unificava a mensagem que era dada.”
Ao continuar a campanha de rejuvenescimento, foram dados outros passos pela nova administração da Sociedade lá em 1917. Por exemplo, realizaram-se vários congressos regionais. Estes visavam incentivar os Estudantes da Bíblia a continuar seu trabalho e não ficarem cansados de fazer o bem.
Pouco antes de 1914, C. T. Russell dera ênfase a um programa de discursos públicos. Agora era tempo de fazer arranjos para outros oradores habilitados representarem a Sociedade Torre de Vigia (EUA) da tribuna pública. Como isto era feito? O programa usado era o arranjo do V. D. M. Tais letras representavam as palavras latinas Verbi Dei Minister, que significam “Ministro da Palavra de Deus”. O programa consistia em um questionário tornado disponível tanto para os homens como para as mulheres associados com as congregações dos Estudantes da Bíblia.
Eis aqui algumas perguntas de amostra publicadas no questionário V. D. M. Quão bem poderia respondê-las? (1) Qual foi o primeiro ato criativo de Deus? (4) Qual é a penalidade divina pelo pecado imposta aos pecadores? E quem são os pecadores? (6) De que natureza era o Homem Jesus Cristo desde a infância até à morte? (7) De que natureza é Jesus desde a ressurreição; e qual é sua relação oficial para com Jeová? (13) Qual será a recompensa ou as bênçãos que virão ao mundo da humanidade através da obediência ao reino do Messias? (16) Desviou-se do pecado para servir ao Deus vivo? (17) Fez uma consagração plena de sua vida e de todos os seus poderes e talentos ao Senhor e seu serviço? (18) Simbolizou esta consagração pela imersão em água? (22) Crê ter conhecimento substancial e permanente da Bíblia, que o torne mais eficiente como servo do Senhor por todo o resto de sua vida?
Os que enviavam suas respostas ao departamento V. D. M. da Sociedade recebiam uma resposta que incluía “algumas sugestões e indicações bondosas” com respeito às suas respostas. Entre outras coisas, desejava-se que as perguntas fossem respondidas pelas pessoas em suas próprias palavras.
Explicando um pouco mais os assuntos, George E. Hannan escreve: “Estas perguntas deveriam servir qual guia em determinar quão bem a pessoa compreendia as doutrinas básicas da Bíblia. Qualquer pessoa dedicada que obtivesse uma classificação de 85 por cento era considerada habilitada a ensinar. Todos esses irmãos eram habilitados a proferir discursos públicos e discursos sobre a tabela. Tais perguntas incentivavam a todos que se associavam com a Sociedade a ler os seis volumes dos Estudos das Escrituras, examinando todas as referências bíblicas.
Assim aconteceu que, como novo presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA), J. F. Rutherford deu passos imediatos para acelerar a obra de pregar as boas novas do reino de Deus. Seguiram-se bênçãos. O ano de 1917 testemunhou incrementada atividade de campo, para o louvor de Jeová Deus.
“NÃO FIQUEIS INTRIGADOS COM O ARDOR ENTRE VÓS”
Nem todas as pessoas dentro da organização, contudo, ficaram felizes quando J. F. Rutherford foi eleito presidente. Com efeito, a partir do início de 1917, várias pessoas ambiciosamente procuraram obter controle administrativo da Sociedade. Tornaram-se muito carentes de cooperação, e assim iniciou-se um período de prova ardente. Naturalmente, os cristãos esperam oposição e perseguição por parte de inimigos do mundo. Mas, as provas que se originam de dentro da própria organização cristã amiúde são inesperadas e são mais difíceis de suportar. Todavia, com a ajuda divina, todas essas dificuldades podem ser suportadas. Pedro disse a seus concrentes: “Amados, não fiqueis intrigados com o ardor entre vós, que vos está acontecendo como provação, como se vos sobreviesse coisa estranha. Ao contrário, prossegui em alegrar-vos por serdes partícipes dos sofrimentos do Cristo.” — 1 Ped. 4:12, 13.
Jeová e seu “mensageiro do pacto”, Jesus Cristo, vieram inspecionar o templo espiritual em 1918 E.C. O julgamento começou então com a “casa de Deus” e iniciou-se um período de refinamento e limpeza. (Mal. 3:1-3; 1 Ped. 4:17) Ocorreu algo mais também. Homens que manifestavam sinais dum “escravo mau” surgiram e figuradamente começaram a ‘espancar’ seus co-escravos. Jesus Cristo predissera como se lidaria com tais. Ao mesmo tempo, mostrou que uma classe do “escravo fiel e discreto” estaria em evidência, dispensando o alimento espiritual. — Mat. 24:45-51.
A identidade do “escravo fiel e discreto” ou “servo fiel e prudente” (Versão Almeida) era uma questão de alguma preocupação lá naqueles anos. Muito antes, em 1881, escreveu C. T. Russell: “Cremos que todo membro deste corpo de Cristo se empenha nesta obra abençoada, quer direta quer indiretamente, de fornecer a carne na época devida à família da fé. ‘Quem, então, é esse servo fiel e prudente a quem o seu Senhor colocou como regente sobre sua família’, para lhes dar a carne na época devida? Não é aquele ‘pequeno rebanho’ de servos consagrados que fielmente cumprem seus votos de consagração — o corpo de Cristo — e não está o corpo inteiro, individual e coletivamente, dando a carne na época devida à família da fé — a grande companhia de crentes?”
Assim, entendiam que o “servo” que Deus usava para dispensar o alimento espiritual era uma classe. Com o passar do tempo, contudo, a idéia que muitos adotaram era que o próprio C. T. Russell fosse o “servo fiel e prudente”. Isto levou alguns ao laço da adoração de criaturas. Achavam que toda a verdade que Deus julgara apropriado revelar a Seu povo tinha sido apresentada por meio do irmão Russell, que nada mais podia vir à luz. Escreve Annie Poggensee: “Isto causou grande peneiramento dos que preferiram ficar para trás, com as obras de Russell.” Em fevereiro de 1927, tal idéia errônea de que Russell era o “servo fiel e prudente” foi esclarecida.
Pouco depois que o irmão Rutherford tornou-se presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA), desenvolveu-se verdadeira conspiração. A semente da rebelião foi plantada, e então as dificuldades se espalharam, conforme explicado abaixo.
C. T. Russell tinha visto a necessidade de enviar alguém da sede para a Grã-Bretanha, a fim de fortalecer os Estudantes da Bíblia ali, depois do irrompimento da Primeira Guerra Mundial. Tencionava mandar Paul S. L. Johnson, um judeu que abandonara o judaísmo e se tornara ministro luterano antes de conhecer a verdade de Deus. Johnson servira como um dos oradores viajantes da Sociedade e era bem conhecido por suas habilidades. Respeitando os desejos de Russell, a comissão executiva que serviu por pouco tempo, antes da eleição de Rutherford como presidente, mandou Johnson à Inglaterra, fornecendo-lhe certos documentos que facilitariam sua entrada naquele país. Deveria verificar tudo que pudesse sobre a obra na Inglaterra e então fazer um relatório completo à Sociedade, mas não devia fazer mudanças das pessoas na sede da Inglaterra. No entanto, sua recepção na Inglaterra, em novembro de 1916, pareceu entorpecer-lhe o juízo e, por fim seu raciocínio, “até que”, como declarou A. H. Macmillan, “ele chegou à ridícula conclusão de que era o ‘mordomo’ da parábola de Jesus sobre o dinheiro. Mais tarde achou que era o sumo sacerdote do mundo.” Em discursos para os Estudantes da Bíblia por toda a Inglaterra, Johnson se caraterizou como sucessor de Russell, contendendo que o manto do Pastor Russell caíra sobre ele, assim como a “capa” (“manto oficial”) de Elias caíra sobre Eliseu. — 2 Reis 2:11-14.
Evidentemente, as aspirações de Johnson surgiram até mesmo antes, pois Edythe Kessler recorda: “Em 1915, deixei Betel e, antes de partir para o Arizona, visitei alguns velhos amigos que conhecia por anos, e, enquanto estava ali, eles recebiam um peregrino, chamado P. S. L. Johnson. Satanás já mostrava seus horríveis métodos furtivos para obter o controle, não importava como. Johnson disse: ‘Gostaria de falar com você. Vamos sentar na sala de estar’, o que fizemos. Começou dizendo: ‘Irmã, sabemos que é possível que o irmão Russell morra a qualquer hora, mas os amigos não precisam ter receio quando isso acontecer. Posso assumir seu lugar e começar a dirigir as coisas sem qualquer paralisação da obra.”’
Enquanto na Inglaterra, Johnson empenhou-se em assumir completo controle do campo inglês de atividades, até mesmo tentando, sem ter autoridade, despedir certos membros da equipe da sede de Londres. Houve tanta confusão que o superintendente da filial queixou-se ao irmão Rutherford. Por sua vez, Rutherford designou uma comissão de vários irmãos em Londres, que não eram membros da equipe da sede. Eles se reuniram, ouviram e pesaram os fatos, e recomendaram que Johnson fosse chamado de volta. Rutherford mandou que Johnson voltasse. Ao invés de voltar, Johnson mandou cartas e cabogramas acusando a comissão de preconceito, e também tentando justificar seu proceder. Visando tornar indispensável sua posição na Grã-Bretanha, usou indevidamente os documentos que a Sociedade lhe fornecera e bloqueou seus fundos num banco de Londres. Mais tarde, tornou-se necessário mover uma ação legal para liberar tais fundos.
Johnson por fim voltou para Nova Iorque, onde persistentemente tentou persuadir a J. F. Rutherford que o mandasse de novo à Inglaterra, mas sem resultados. Achando que Rutherford não era a pessoa certa para a posição, Johnson estava seguro de que ele próprio devia ser o presidente da Sociedade. Procurou influenciar a diretoria. Por dar a entender que o irmão Rutherford era inapropriado como presidente, Johnson persuadiu quatro dos sete membros da diretoria a ficar do lado dele. Os quatro se opuseram ao presidente, ao vice-presidente e ao secretário-tesoureiro da Sociedade, e os diretores dissidentes tentaram obter o controle administrativo, tirando-o do presidente.
J. F. Rutherford realizou reuniões com os opositores e tentou raciocinar com eles. A. H. Macmillan afirma que Rutherford “até mesmo dirigiu-se a vários de nós e perguntou: ‘Devo renunciar como presidente e deixar que estes oponentes assumam o controle?’ Todos responderam: ‘Irmão, o Senhor o colocou onde está, e renunciar ou desistir seria deslealdade para com o Senhor.’ Ademais, a equipe do escritório ameaçou renunciar se tais homens obtivessem o controle.”
Numa sessão comprida da reunião anual da Sociedade para 1917, os quatro diretores dissidentes tentaram apresentar uma resolução para emendar os estatutos da Sociedade. Isto visava colocar os poderes administrativos nas mãos da diretoria. Visto que isso era contrário tanto ao arranjo de organização em voga durante a presidência do irmão Russell, como ao desejo dos acionistas, Rutherford declarou que tal proposta era fora de propósito e o plano foi rejeitado. A oposição tornou-se ainda mais endurecida depois disso, mas houve alguns acontecimentos que os opositores jamais esperavam.
“O MISTÉRIO CONSUMADO”
Durante sua inteira administração como presidente da Sociedade, o irmão Russell, junto com o vice-presidente e o secretário-tesoureiro, fizeram as decisões quanto a novas publicações. Como grupo, a diretoria nunca fora consultada. Rutherford seguiu a mesma diretriz. Por isso, no decorrer do tempo, os três principais diretores da Sociedade fizeram uma decisão de longo alcance.
Charles Taze Russell escrevera seis volumes da Aurora do Milênio, ou Estudos das Escrituras, mas amiúde falara de escrever um sétimo volume. “Quando encontrar a chave”, disse ele, “escreverei o Sétimo Volume, e, se o Senhor der a chave a outrem, ele pode escrevê-lo”. Os diretores principais da Sociedade fizeram arranjos para que dois Estudantes da Bíblia, Clayton J. Woodworth e George H. Fisher, compilassem um livro consistindo em comentários sobre Revelação, O Cântico de Salomão e Ezequiel. Os co-editores reuniram matéria dos escritos do irmão Russell e esta foi publicada sob o título “O Mistério Consumado”, como o sétimo volume dos Estudos das Escrituras. Contendo, na maior parte, os pensamentos e comentários de C. T. Russell, foi chamado de “obra póstuma do Pastor Russell”.
Por volta dos meados de 1917, era época de se lançar o novo livro. Esse dia significativo foi o 17 de julho. “Eu estava de serviço no refeitório [do Betel de Brooklyn] quando tocou o telefone”, diz Martin O. Bowin. “Aprontávamos a refeição do meio-dia. Era eu quem estava mais perto do telefone, assim atendi-o. O irmão Rutherford estava do outro lado. ‘Quem está aí com o irmão?’, perguntou. Eu respondi: ‘Louis.’ Ele me mandou ir rapidamente a seu gabinete, e ‘não precisa bater’. Uma pilha de livros nos foi entregue, com ordens de colocarmos um em cada lugar e fazer isso antes que a família chegasse para o almoço.” Logo o refeitório ficou cheio de membros da família de Betel.
“Como de costume”, continua o irmão Bowin, “demos graças a Deus. Daí, o negócio começou! . . . Encabeçados por . . . P. S. L. Johnson, . . . esta demonstração contra o querido irmão Rutherford começou. Lançando terríveis acusações a altos brados, andavam de um lado para o outro, só parando diante da mesa do irmão Rutherford para mostrar-lhe os punhos e acusá-lo ainda mais. . . . Tudo isso durou cerca de cinco horas. Daí, todo o mundo levantou-se da mesa, ficando todos os pratos, e bastante alimento em que nem se tocara ainda sobre a mesa para ser limpos por irmãos que dispunham de muito pouca energia para fazer isso.”
Este incidente revelava que alguns membros da família de Betel nutriam simpatias pelos opositores. Se tal oposição continuasse, por fim romperia a inteira operação de Betel. Assim, J. F. Rutherford agiu de modo a corrigir a situação. Embora plenamente familiarizado com a estrutura legal da Sociedade, Rutherford consultara destacado advogado de Filadélfia, Pensilvânia, especializado em sociedades jurídicas, a respeito da situação da diretoria da Sociedade. O parecer escrito recebido revelava que os quatro dissidentes não eram membros legais da diretoria. Por que não?
C. T. Russell designara tais homens quais diretores, mas os estatutos da Sociedade exigiam que os diretores fossem eleitos pelo voto dos acionistas. Rutherford tinha dito a Russell que os recomendados tinham de ser confirmados por meio de voto na seguinte reunião anual, mas Russell jamais dera tal passo. Assim, apenas os diretores principais que tinham sido eleitos na reunião anual de Pittsburgo eram membros da diretoria devidamente constituídos. Os quatro recomendados não eram membros legais da diretoria. Rutherford sabia disso durante todo o período de dificuldades, mas não mencionara isso, esperando que tais diretores cessassem sua oposição. No entanto, a atitude deles mostrava que não estavam aptos a ser diretores. Corretamente, Rutherford os demitiu, e designou quatro novos membros da diretoria, cuja designação pudesse ser confirmada na seguinte reunião geral da Sociedade, no início de 1918.
O irmão Rutherford não demitiu sumariamente os antigos diretores da organização cristã. Ao invés, ofereceu-lhes posições como peregrinos. Eles recusaram, deixando voluntariamente Betel, e começaram a espalhar sua oposição através de extensiva campanha de discursos e escrita de cartas por todos os Estados Unidos, Canadá e Europa. Por conseguinte, depois do verão setentrional de 1917, muitas congregações dos Estudantes da Bíblia se compunham de duas partes — os leais à organização de Jeová, e os outros, que haviam ficado espiritualmente sonolentos e tornaram-se vítimas da conversa suave dos opositores. Estes últimos tornaram-se não-cooperativos e não se empenharam na obra de pregar as boas novas do reino de Deus.
ESFORÇOS FÚTEIS DE OBTER O CONTROLE
O grupo opositor que recentemente deixara Betel pensava poder controlar o congresso dos Estudantes da Bíblia realizado em Boston, Massachusetts, em agosto de 1917. Mary Hannan, que compareceu a tal assembléia, relata: “O irmão Rutherford mantinha-se alerta a esse esforço da parte deles e não lhes deu oportunidade de subir à tribuna em nenhuma ocasião durante as sessões. Agiu como presidente a todo o tempo.” O congresso foi um êxito cabal, para o louvor de Jeová, e os opositores não conseguiram perturbá-lo.
J. F. Rutherford sabia que a reunião anual da Sociedade, de 5 de janeiro de 1918, daria aos dissidentes outra oportunidade de obter o controle. Estava razoavelmente certo de que os Estudantes da Bíblia em geral não eram favoráveis a tal ação. Todavia, não teriam nenhuma oportunidade de expressar-se nas eleições, visto que era um assunto a ser cuidado só pelos membros da sociedade legalmente constituída, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA). Assim, o que podia fazer Rutherford? Podia dar a todos os servos dedicados de Jeová uma oportunidade de expressar-se. Assim sendo, A Torre de Vigia, de 1.º de novembro de 1917, sugeriu que fosse efetuado um referendo em cada congregação. Até 15 de dezembro, 813 congregações enviaram seus votos e a enquête indicava que 10.869 dos 11.421 votos eram a favor de J. F. Rutherford para presidente da Sociedade. Entre outras coisas, o referendo também mostrava que todos os membros fiéis da diretoria conforme reconstituída em julho de 1917, foram preferidos aos rebeldes indivíduos que afirmavam ser diretores.
Na reunião anual de acionistas, no sábado, 5 de janeiro de 1918, as sete pessoas que obtiveram o maior número de votos foram J. F. Rutherford, C. H. Anderson, W. E. Van Amburgh, A. H. Macmillan, W. E. Spill, J. A. Bohnet e George H. Fisher. Nenhum dos oponentes teve êxito em estabelecer-se na diretoria. Os diretores principais da Sociedade foram então eleitos dentre os membros da diretoria devidamente escolhidos, J. F. Rutherford obtendo todos os votos para presidente, Charles H. Anderson todos os para vice-presidente e W. E. Van Amburgh todos os votos para secretário-tesoureiro. Por conseguinte, estes homens foram devidamente eleitos como diretores principais da Sociedade. Fracassou por completo a tentativa dos opositores em obter o controle.
Os fiéis e os opositores agora estavam além de reconciliação. O grupo opositor formou uma organização inteiramente separada, dirigida por um “Comitê dos Sete”. A separação certamente já era total em 26 de março de 1918, quando os opositores celebraram a Comemoração da morte de Cristo separados das congregações fiéis do povo de Deus. A unidade dos que formavam o grupo de oposição teve vida curta, porém, pois em seu congresso no verão setentrional de 1918, surgiram diferenças e ocorreu uma divisão. P. S. L. Johnson organizou um grupo com sede em Filadélfia, Pensilvânia, onde publicou A Verdade Presente e o Arauto da Epifânia de Cristo. Ali ficou ele, caraterizando-se como “o grande sumo sacerdote da terra”, até sua morte. Outras dissensões, desde 1918 em diante, provocaram divisões, até que o grupo dissidente original que se separara da Sociedade Torre de Vigia (EUA) desintegrou-se em várias seitas cismáticas.
Muitos que se afastaram nos anos subseqüentes à morte de C. T. Russell não se opunham ativamente a seus anteriores associados cristãos. Alguns retornaram, arrependeram-se de suas ações e associaram-se com o povo de Deus mais uma vez. Este era um tempo de severas provas, conforme Mabel P. M. Philbrick indica ao declarar: “Minha própria tristeza era grande à medida que compreendia que meu próprio pai e minha querida madrasta, que estavam em linha para o prêmio celeste, desviavam-se. Muitos esforços foram feitos e muitas lágrimas derramadas até que recuperei o equilíbrio, pois bem sabia que alguém que perde sua coroa não tinha nenhuma vida a aguardar em parte alguma. A idéia de sofrerem a segunda morte então parecia insuportável. No entanto, certo dia, em oração, Jeová me deu muito conforto, visto que comecei plenamente a desejar que fosse feita a Sua vontade. Subitamente comecei a avaliar que seu amor e sua justiça eram muito maiores do que os meus, e que, se Ele não os considerasse dignos da vida, eu não poderia tampouco me apegar a eles pois papai e mamãe não eram diferentes do pai e da mãe dos outros. Desse momento em diante tive paz mental.”
Não só aqueles que se separaram dos servos fiéis de Jeová naqueles dias dividiram-se em muitas seitas, mas, na maioria dos casos, seus números decresceram e suas atividades tornaram-se inconseqüentes ou cessaram por completo. Com certeza não cumprem a comissão que Jesus deu a seus seguidores, de pregar as boas novas em toda a terra e fazer discípulos. — Mat. 24:14; 28:19, 20.
Quantos abandonaram o verdadeiro cristianismo durante os anos críticos de 1917 e 1918? Um relatório mundial incompleto mostra que à Comemoração da morte de Jesus Cristo, em 5 de abril de 1917, compareceram 21.274. (Devido às dificuldades internas e externas da organização em 1918, o total da assistência não foi compilado naquele ano.) Na Comemoração em 13 de abril de 1919, um relatório parcial indicou uma assistência de 17.961. Embora incompletos, estes totais tornavam claro que muito menos de 4.000 pessoas deixaram de andar junto com seus antigos associados no serviço de Deus.
CRISTÃOS NO CRISOL
De 1917 a 1919, os Estudantes da Bíblia também eram objetos de uma conspiração internacional fomentada em especial pelo clero da cristandade. O Mistério Consumado, o sétimo volume dos Estudos das Escrituras suscitou a ira clerical. Em questão de sete meses desde o lançamento inicial desta publicação ela já gozava uma circulação sem paralelo. Os impressores externos da Sociedade se ocupavam com a edição de 850.000 exemplares. No fim de 1917, o livro também se achava disponível em sueco e francês, e a tradução em outras línguas estava sendo feita.
Em 30 de dezembro de 1917, começou a distribuição em massa de 10.000.000 de exemplares do novo número do tratado tablóide, de quatro páginas, O Mensário dos Estudantes da Bíblia. Intitulado “A Queda da Babilônia”, e com os subtítulos “A Antiga Babilônia É um Tipo — A Babilônia Mística um Antítipo — Porque a Cristandade Tem de Sofrer Agora — o Resultado Final”, continha trechos do Sétimo Volume, com referências bem diretas ao clero. Na sua última página aparecia uma caricatura gráfica representando uma muralha que caía em pedaços. Algumas de suas pedras tinham palavras tais como “Protestantismo”. “Teoria do tormento eterno”, “Doutrina da Trindade”, “Sucessão apostólica” e “Purgatório”. Com base bíblica, o tratado mostrava que a grande maioria do clero “tinha sido de homens infiéis, desleais, injustos”, que eram mais responsáveis do que qualquer outra classe na terra pela guerra que então era travada, e a grande dificuldade que a seguiria. Como parte da campanha de distribuição de tratados, discursos públicos amplamente anunciados sobre o mesmo assunto foram proferidos naquele mesmo dia.
Gostaria de distribuir um tratado como esse? C. B. Tvedt admite que ‘jamais esquecerá aquele dia’, e declara: “Era um dia de frio mui cortante. Mas, a mensagem que eu distribuía certamente era quente. . . . Eu tinha mil dessas folhas para distribuir sob as portas dos prédios de apartamentos e, ocasionalmente, de forma direta às pessoas, ao encontrá-las. Não posso negar que preferi fazer a distribuição sob as portas, pois compreendia que esta era uma mensagem ardente e que teria explosivas repercussões.”
Em fins de 1917, e princípios de 1918, O Mistério Consumado estava sendo distribuído em crescentes números. Irado, o clero afirmou falsamente que certas declarações neste livro eram de natureza sediciosa. Estavam dispostos a “pegar” a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) e, como os líderes religiosos judaicos quando Jesus estava na terra, queriam que o Estado fizesse esse trabalho para eles. (Compare com Mateus 27:1, 2, 20.) Tanto os clérigos católicos como os protestantes representaram falsamente os Estudantes da Bíblia como estando a serviço do governo germânico. Por exemplo, referindo-se à obra da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, agência legal do povo de Deus, o Dr. Case, da Faculdade Teológica da Universidade de Chicago publicou a seguinte declaração: “Dois mil dólares por semana estão sendo gastos para disseminar sua doutrina. Não se sabe de onde provém o dinheiro, mas, há forte suspeita de que emana de fontes germânicas. Segundo creio, o fundo seria um campo proveitoso de investigações por parte do governo.”
“Isto, estimulado por acusações similares de outros eclesiásticos nominais, evidentemente tinha algo que ver com os oficiais do Serviço de Inteligência do Exército se apoderarem dos livros do Tesoureiro da Sociedade”, disse A Torre de Vigia de 15 de abril de 1918. Continuava: “As autoridades sem dúvida pensavam que encontrariam alguma evidência para substanciar a acusação de que nossa Sociedade trabalha nos interesses do governo germânico. Naturalmente, os livros não revelaram nada dessa espécie. Todo o dinheiro usado por nossa Sociedade é contribuído por aqueles que se interessam na pregação do Evangelho de Jesus Cristo e seu reino, e em nada mais.” A publicidade jornalística nacional sobre a apreensão dos livros da Sociedade tendia a suscitar suspeitas.
O dia 12 de fevereiro de 1918 foi uma data marcada para o povo de Deus no Canadá. A Sociedade Torre de Vigia foi então proscrita por todo o país. Um despacho da imprensa publica declarava: “O Secretário de Estado, segundo os postulados da censura à imprensa, expediu autorizações proibindo a posse no Canadá, de várias publicações, entre as quais se acha o livro publicado pela Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia intitulado ‘Estudos das Escrituras — O Mistério Consumado’, em geral conhecido como publicação póstuma do Pastor Russell. ‘O Mensário dos Estudantes da Bíblia’, também publicado por esta Associação, com escritório em Brooklyn, Nova Iorque, também tem sua circulação proibida no Canadá. A posse de quaisquer livros proibidos torna o possuidor sujeito a uma multa que não ultrapasse Can$ 5.000 e cinco anos de prisão”.
Por que a proscrição? O Tribune de Winnipeg, Manitoba, lançou um pouco de luz a respeito, dizendo: “Alega-se que as publicações banidas contêm declarações sediciosas e contrárias à guerra. Trechos de um dos recentes números de ‘O Mensário dos Estudantes da Bíblia’ foram denunciados do púlpito há algumas semanas pelo Rev. Charles G. Paterson, Pastor da Igreja de S. Estevão. Depois disso, o Procurador-Geral Johnson mandou pedir ao Rev. Paterson uma cópia da publicação. Crê-se que a ordem do censor seja o resultado direto disso.”
Não muito depois da proscrição inspirada pelo clero, no Canadá, tornou-se evidente a natureza internacional da conspiração. Em fevereiro de 1918, o Departamento de Inteligência do Exército dos Estados Unidos na cidade de Nova Iorque começou a investigar a sede da Sociedade Torre de Vigia. Não só havia sido sugerido falsamente que a Sociedade estava em contato com o inimigo germânico, havia também sido relatada mentirosamente ao governo dos Estados Unidos que a sede da Sociedade em Brooklyn era um centro de transmissão de mensagens ao regime germânico. Com o tempo, a imprensa pública noticiou que os agentes do governo se haviam apoderado dum aparelho de rádio erguido e pronto para uso no lar de Betel. Mas, quais eram os fatos?
Em 1915, C. T. Russell recebeu um pequeno receptor de rádio. Pessoalmente, não estava muito interessado nele, mas ergueu-se pequena antena no teto do lar de Betel e deu-se a alguns irmãos jovens a oportunidade de aprenderem a manejar o equipamento. No entanto, não tiveram muito êxito em captar mensagens. Quando os Estados Unidos estavam prestes a entrar na guerra, exigiu-se que todos os instrumentos de rádio fossem desmontados. Assim, a antena foi retirada, os postes foram serrados e usados para outros fins, ao passo, que o próprio aparelho foi cuidadosamente embalado na Sala de Desenho da Sociedade. Não tinha sido usado de jeito nenhum por mais de dois anos quando se mencionou o aparelho a dois homens do Serviço de Inteligência do Exército, quando em conversa com um membro da família de Betel. Foram levados ao teto e se lhes mostrou onde havia estado. Daí, foi-lhes mostrado o próprio aparelho, todo embalado. Por consentimento, tais senhores o levaram, visto não haver utilidade para o mesmo em Betel. O aparelho era apenas um receptor, e não um transmissor. Jamais houve um transmissor em Betel. Assim, era impossível transmitir uma mensagem a qualquer parte.
A oposição e a pressão continuaram a aumentar contra o povo de Jeová. Em 24 de fevereiro de 1918, J. F. Rutherford proferiu um discurso público em Los Ângeles, Califórnia a uma assistência de 3.500 pessoas. Na manhã posterior o Tribune de Los Ângeles publicou uma reportagem de página inteira sobre o discurso. Isto suscitou a indignação dos clérigos locais. A associação ministerial realizou uma reunião na manhã de segunda-feira, e enviou seu presidente aos diretores do jornal, exigindo que explicassem por que publicaram tanta coisa sobre o discurso. Na quinta-feira seguinte, o Departamento de Inteligência do Exército apoderou-se da sede de Los Ângeles dos Estudantes da Bíblia levando também muitas das publicações da Sociedade.
Na segunda-feira, 4 de março de 1918, deu-se a prisão, em Scranton, Pensilvânia, de Clayton J. Woodworth (um dos compiladores de O Mistério Consumado) e vários outros irmãos. Foram acusados falsamente de conspiração e ficaram sob fiança até comparecerem a julgamento em maio. Ademais, à medida que aumentou rapidamente a pressão externa contra a Sociedade, foram detidos em acampamentos do exército e em prisões militares mais de vinte Estudantes da Bíblia por lhes ser negada a isenção militar. Alguns foram submetidos à corte marcial e sentenciados a longos termos de prisão. Em 14 de março de 1918, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos chamou a distribuição de O Mistério Consumado de violação da Lei Contra a Espionagem.
Uma contra-ofensiva da parte do povo de Deus — isso era uma necessidade. Tinha de haver uma exposição da oposição fomentada pelo clero contra a obra cristã dos Estudantes da Bíblia. Por isso, em 15 de março de 1918, a Sociedade Torre de Vigia (EUA) lançou um tratado do tamanho dum jornal de duas páginas, Notícias do Reino N.º 1. Trazia a intrépida manchete “Intolerância Religiosa — Perseguidos os Seguidores do Pastor Russell por Falarem a Verdade ao Povo — Tratamento dos Estudantes da Bíblia Cheira à ‘Idade Obscura’.” Este tratado expôs deveras a perseguição, inspirada pelo clero, contra as testemunhas cristãs de Jeová na Alemanha, Canadá e Estados Unidos. Foram distribuídos milhões de exemplares.
De forma interessante, este tratado dizia: “Reconhecemos que o Governo dos Estados Unidos, sendo uma instituição política e econômica, tem o poder e a autoridade, segundo sua lei fundamental, de declarar guerra e convocar seus cidadãos para o serviço militar. Não temos nenhuma disposição de interferir, de nenhuma maneira, na convocação ou na guerra. O fato de alguns de nossos membros procurarem tirar proveito da proteção da lei tem sido usado como outro meio de perseguição.”
Notícias do Reino N.º 2 surgiu em 15 de abril de 1918. Sua surpreendente manchete rezava “‘O Mistério Consumado’ e Por Que Suprimido”. No subtítulo “Clérigos Tomam Parte”, este tratado mostrava que o clero encorajava as agências governamentais a fustigar a Sociedade, efetuar prisões, objetar a O Mistério Consumado e pressionar os Estudantes da Bíblia a cortar certas páginas (247-253) desse volume. Também, o tratado explicava por que os clérigos se opunham aos servos de Jeová, e esclarecia sua posição sobre a guerra, bem como sua crença sobre a igreja verdadeira.
Em relação com a distribuição destas Notícias do Reino, circulou-se uma petição. Dirigida ao Presidente Wilson, dos Estados Unidos, rezava: “Nós, abaixo-assinados estadunidenses, sustentamos que qualquer interferência, por parte do clero, no estudo bíblico independente, é intolerante, anti-americana e anticristã; e que qualquer tentativa de combinar Igreja e Estado é radicalmente errada. Nos interesses da liberdade e da autonomia religiosa, protestamos de modo solene contra a supressão de O Mistério Consumado, e solicitamos ao Governo que remova todas as restrições quanto ao seu uso, para que se permita ao povo, sem interferência ou molestamento, comprar, vender, possuir e ler este compêndio de estudo bíblico.”
Em 1.º de maio de 1918, apenas seis semanas depois de o primeiro Notícias do Reino, lançou-se o Notícias do Reino N.º 3, trazendo a manchete “Grassam Duas Grandes Batalhas — Certa a Queda da Autocracia”, e o subtítulo “Destinada a Fracassar a Estratégia Satânica”. Este número tratava de o Descendente da Promessa versus o Descendente de Satanás, o Diabo. (Gên. 3:15) Esboçava o desenvolvimento do anticristo, desde seu nascimento até às ações atuais do clero católico e protestante. Intrepidamente, este tratado mostrava como o Diabo usava tais agentes no esforço de destruir o restante dos seguidores ungidos de Jesus Cristo na terra.
Exigia-se coragem para distribuir os números de Notícias do Reino então publicados. Alguns Estudantes da Bíblia foram presos. Às vezes, eram confiscados temporariamente estoques de Notícias do Reino. Embora se achassem no crisol da oposição e perseguição, os servos de Jeová mantinham a fidelidade a Deus e continuavam a fazer sua obra cristã.
ATROCIDADES COMETIDAS
À medida que aumentou a oposição dos clérigos e leigos, foram cometidas atrocidades contra os servos de Jeová. Fornecendo um relatório parcial das incríveis perseguições sofridas pelos Estudantes da Bíblia, uma publicação posterior da Sociedade Torre de Vigia (EUA) disse em parte:
“12 de abril de 1918, em Medford, Oregon, E. P. Taliaferro sofreu um motim e foi expulso da cidade por pregar o evangelho, e George R. Maynard foi desnudado, pintado e expulso da cidade por permitir o estudo da Bíblia em sua casa. . . .
“17 de abril de 1918, em Shawnee, Oklahoma, G. N. Fenn, George M. Brown, L. S. Rogers, W. F. Glass, E. T. Grier e J. T. Tull, foram encarcerados. Durante o julgamento, o Promotor Público disse: ‘Para o inferno com sua Bíblia, vocês deviam estar no inferno com a espinha quebrada, vocês deviam ser enforcados.’ Quando G. F. Wilson, da Cidade de Oklahoma, tentou atuar como advogado de defesa, também foi preso. Cada um foi multado em US$ 55 e teve de pagar as custas; a ofensa foi distribuir publicações protestantes. O juiz do tribunal de primeira instância encorajou o motim após o julgamento, mas as turbas foram frustradas.
“22 de abril de 1918, em Kingsville, Texas, L. L. Davis e Daniel Toole foram perseguidos por uma turba liderada pelo Prefeito e um juiz do Condado, e subseqüentemente apanhados e encarcerados sem mandado de prisão. Davis foi forçado a deixar o emprego. Em maio de 1918, em Tecumseh, Oklahoma, J. J. May foi pego e encarcerado por treze meses num asilo de doentes mentais por ordem dum Juiz, depois de ameaças e maus tratos. Sua família não foi avisada sobre o que tinha sido feito dele. . . .
“17 de março de 1918, em Grand Junction, Colorado, uma reunião de estudo bíblico foi interrompida por uma turba composta do Prefeito, destacados jornalistas e outros comerciantes proeminentes. . . .
“22 de abril de 1918, em Wynnewood, Oklahoma, Claud Watson foi primeiro encarcerado e então deliberadamente solto diante duma turba composta de pregadores, comerciantes e alguns outros que o derrubaram no chão, fizeram com que um preto o açoitasse e, quando se recuperou parcialmente, que fosse açoitado de novo. Daí, então, derramaram piche e penas sobre todo ele, esfregando o piche em seu cabelo e couro cabeludo. Em 29 de abril de 1918, em Walnut Ridge, Arkansas, W. B. Ducan, de 61 anos, Edward French, Charles Franke, certo Sr. Griffin e a Sra. D. Van Hoesen foram presos. Uma turba assaltou a cadeia, usando a linguagem mais vil e obscena possível, açoitando, pichando, pondo penas sobre eles, e expulsando-os da cidade. Duncan viu-se obrigado a andar cerca de quarenta e um quilômetros até sua casa e dificilmente conseguiu recuperar-se. Griffin foi virtualmente cegado e morreu, devido aos efeitos da agressão, alguns meses depois.”
Depois de todos esses anos, T. H. Siebenlist lembra-se bem do que aconteceu a seu pai em Shattuck, Oklahoma. Escreve ele:
“Em setembro de 1917, comecei a freqüentar a escola e tudo ia bem até por volta de março, quando se exigiu que todas as crianças na escola comprassem um emblema da Cruz Vermelha. Levei o bilhete para casa ao meio-dia. Papai estava no trabalho e mamãe só sabia ler alemão naquele tempo. No entanto, o irmão Howlett, um peregrino, estava visitando a ‘classe’ e cuidou do assunto. Não se comprou nenhum emblema!
“Foi pouco depois disso que as autoridades apanharam o papai no trabalho e tentaram obrigá-lo a ficar em pé sobre o livro O Mistério Consumado e a saudar a bandeira — isto bem na Rua Principal de Shattuck. Foi levado preso . . .
“Pouco depois disso, apanharam papai de novo e o detiveram por outros três dias. Desta vez, deram-lhe pouquíssimos alimentos. Sua soltura desta vez constitui outra história. Por volta da meia-noite, três homens simularam um ‘assalto’ à cadeia. Puseram um saco sobre a cabeça do papai e o fizeram ir correndo, descalço, para os limites ocidentais da cidade. Tratava-se de uma área acidentada e cheia de carrapichos. Ali o despiram até à cintura, e o açoitaram com um chicote para charretes que tinha um arame na ponta. Daí, aplicaram-lhe piche quente e penas, abandonando-o como morto. Ele conseguiu levantar-se e ir andando e arrastando-se em torno da cidade, na direção do sudeste. Daí, tencionava dirigir-se ao norte e ir para casa. No entanto, um amigo seu o encontrou e o levou para casa. Jamais o vi naquela noite, mas isso foi terrível choque para a mamãe, especialmente por causa do bebezinho lá em casa, e a Vovó Siebenlist desmaiou quando o viu. Meu irmão João só havia nascido uns dias antes de tudo isso acontecer. No entanto, a mamãe agüentou firme toda a tensão, jamais perdendo de vista o poder protetor de Jeová. . . .
“A Vovó e a Tia Katie, meia-irmã do papai, começaram a cuidar dele, para que se recuperasse e vivesse. O piche e as penas estavam entranhados na carne dele; assim, usaram gordura de ganso para pensar as feridas e gradualmente o piche desgrudou. . . . O papai jamais viu os rostos deles, mas reconheceu suas vozes e soube quem eram seus atacantes. Jamais lhes disse isso. Com efeito, era difícil fazer com que falasse alguma vez sobre isso. Todavia, levou tais cicatrizes consigo para a sepultura.”
“CAUTELOSOS COMO AS SERPENTES”
A proscrição de O Mistério Consumado e de outras publicações cristãs colocou os servos de Jeová em circunstâncias difíceis. No entanto, tinham a obra dada por Deus para executar, e continuaram executando-a, provando-se “cautelosos como as serpentes, contudo, inocentes como as pombas”. (Mat. 10:16) Assim sendo, às vezes os compêndios bíblicos eram escondidos em vários lugares — talvez no sótão, ou no depósito de carvão, sob as tábuas do assoalho ou na mobília.
O irmão C. W. Miller nos conta o seguinte: “Visto que nossa casa era sede local dos Estudantes da Bíblia naquele tempo, os irmãos costumavam vir à meia-noite, num caminhão, para trazer as publicações, e nós escondíamos as caixas de livros no galinheiro, camufladas com galinhas vermelhas Rhode Island e folhagens.”
Recordando um incidente ocorrido naqueles dias, o irmão D. D. Reusch escreve: “Na casa da família Reed, os livros foram estocados fora da vista, do lado de fora, nos fundos da casa, e, à medida que a polícia se aproximou, os Reeds seguraram o fôlego quando eles chegaram perto do esconderijo. Exatamente então um enorme monte de neve caiu do telhado, cobrindo completamente aquela área.”
‘FORJAR A DESGRAÇA POR DECRETO’
Há séculos atrás, o salmista perguntou: “Estará aliado contigo o trono que causa adversidades, ao passo que forja a desgraça por meio de decreto?” (Sal. 94:20) Os servos de Jeová sempre obedecem a todas as leis das nações que não estão em desarmonia com as leis de Deus. Mas, como seria de esperar, quando existe um conflito entre as exigências de simples homens e as leis de Deus, os cristãos assumem a posição apostólica e ‘obedecem a Deus como governante antes que aos homens’. (Atos 5:29) Às vezes, boas leis são aplicadas erroneamente no esforço de impedir sua obra. Em outros casos, os inimigos tiveram êxito em promulgar decretos que causaram danos ao povo de Deus.
A Lei do Serviço Seletivo foi promulgada pelo Congresso dos Estados Unidos em 15 de junho de 1917. Ordenava o alistamento do potencial humano e também concedia isenção aos homens que, devido às crenças religiosas, não podiam empenhar-se na guerra. Muitos rapazes por todo o país escreveram à Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), perguntando ao Juiz Rutherford que proceder deveriam seguir. Ele mais tarde disse a respeito disto: “Muitos rapazes no país me perguntaram qual o proceder que deveriam seguir neste respeito. Em cada caso, meu conselho foi nesse sentido, dado aos rapazes que o solicitaram, a saber: ‘Se não puder empenhar-se em sã consciência na guerra, a Seção 3 da Lei do Serviço Seletivo faz provisões para que requeira sua isenção. Deve registrar-se e requerer sua isenção, dizendo a razão, e a junta de recrutamento julgará seu requerimento.’ Nunca fiz nada mais do que os aconselhar a tirar proveito da lei do Congresso. Sempre insisti que todo cidadão devia obedecer à lei do país contanto que tal lei não estivesse em conflito com a lei de Deus.”
Lá nos idos da Primeira Guerra Mundial, uma conspiração definida veio à luz contra os servos de Jeová. Ao promovê-la muitos clérigos realizaram uma conferência em Filadélfia Pensilvânia, em 1917. Ali designaram uma comissão para visitar a capital nacional, Washington, D. C., e insistir numa revisão Lei do Serviço Seletivo e da Lei Contra a Espionagem. A comissão visitou o Departamento de Justiça. Às instâncias dos clérigos, um membro do departamento, John Lord O’Brian, foi escolhido para preparar uma emenda da Lei Contra a Espionagem e apresentá-la ao Senado dos Estados Unidos. Esta emenda ordenava que todas as ofensas cometidas em violação da Lei Contra a Espionagem deveriam ser julgadas por um tribunal militar e que a pena de morte deveria ser infligida aos julgados culpados. No entanto, este projeto-de-lei não foi aprovado.
Uma provisão conhecida como “Emenda França” foi introduzida na ocasião em que o Congresso emendava a Lei Contra a Espionagem. Tal emenda isentava da provisão da Lei qualquer pessoa que declarasse “o que é verdade, com bons motivos e para fins justificáveis”.
No entanto, em 4 de maio de 1918, o Senador Overman solicitou a inclusão dum memorando do Procurador-Geral nos Anais do Congresso (4 de maio de 1918, páginas 6052, 6053). Declarava, em parte:
“A opinião do Ramo da Inteligência Militar é inteiramente adversa à emenda à lei contra a espionagem no sentido que a seção 3, Título I, não se aplique aos que declaram ‘o que é verdade, com bons motivos, e para fins justificáveis’.
“A experiência ensina que tal emenda, em amplo grau, anularia o valor da lei e transformaria cada julgamento num debate acadêmico sobre enigmas insolúveis quanto ao que e verdadeiro. Os motivos humanos são complicados demais para serem discutidos, e a palavra ‘justificável’ é elástica demais para uso prático. . . .
“Um dos exemplos mais perigosos desta espécie de propaganda é o livro intitulado ‘O Mistério Consumado’, obra escrita em linguagem extremamente religiosa e distribuído em enormes números. O único efeito dele é levar os soldados a desacreditar em nossa causa e inspirar no próprio país um sentimento de resistência ao alistamento.
“As Notícias do Reino, de Brooklyn, imprimem uma petição exigindo que sejam removidas as restrições contra ‘O Mistério Consumado’ e obras similares, ‘para que se permita ao povo sem interferência ou molestamento, comprar, vender, possuir e ler este compêndio de estudo bíblico’. A aprovação desta emenda reabriria nossos acampamentos a esta influência venenosa.
“A Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia afirma ter os motivos mais religiosos, todavia, verificamos que há muito se relata que sua sede é um antro de agentes alemães. . . .
“A aprovação desta emenda enfraqueceria grandemente a eficiência estadunidense, e não ajudaria a ninguém, senão ao inimigo. Os resultados, e não os motivos, é que contam na guerra, portanto, a lei e seus executores deviam estar preocupados em buscar resultados desejáveis e impedir os perigosos deixando os motivos entregues a mercê dos juízes ou à perspectiva dos historiadores.”
Como conseqüência desses esforços feitos pelo Departamento da Justiça, a Lei Contra a Espionagem, emendada, foi aprovada em 16 de maio de 1918, sem a “Emenda França”.
“SABEMOS COMO PEGÁ-LOS E VAMOS FAZÊ-LO!”
Por volta desse tempo, alguns rapazes associados com os Estudantes da Bíblia foram convocados para o serviço militar e, como objetores de consciência, foram enviados ao Campo Upton, em Long Island, Nova Iorque. Este campo era supervisionado pelo General James Franklin Bell. Ele visitou J. F. Rutherford em seu escritório e procurou induzi-lo a instruir tais homens a assumir qualquer serviço que Bell lhes designasse, quer no ultramar, quer em outra parte. Rutherford se recusou. O general insistiu, e, por fim, Rutherford escreveu uma carta que dizia, em essência: “Cada um de vocês tem de decidir por si mesmo se deseja ou não empenhar-se em serviço militar ativo. Faça o que considera ser seu dever e o que é certo aos olhos do Deus Onipotente.” Esta carta não satisfez de jeito nenhum a Bell.
Alguns dias depois, J. F. Rutherford e W. E. Van Amburgh visitaram o General Bell no Campo Upton. Bell, na presença de seu ajudante de ordene e de Van Amburgh, contou a Rutherford sobre a conferência dos clérigos em Filadélfia. Mencionou que escolheram John Lord O’Brian para apresentar os assuntos ao Senado, resultando na apresentação dum projeto-de-lei para que todos os casos opostos à Lei Contra a Espionagem fossem julgados por um tribunal militar, tendo a morte como castigo. O General Bell “mostrou-se consideravelmente acalorado”, segundo Rutherford, que relatou: “Diante dele, sobre sua mesa, havia uma pilha de papéis, e com seu indicador ele batia de leve sobre eles e, dirigindo suas palavras a mim, disse, com verdadeiro sentimento: ‘Esse projeto-de-lei não foi aprovado, porque Wilson impediu isso; mas sabemos como pegá-los, e vamos fazê-lo!’ Diante de tal declaração, respondi: ‘General, o Sr. sabe onde poderá encontrar-me.’”
GOLPE DE MORTE NAS “DUAS TESTEMUNHAS”
Depois do início de outubro de 1914, os seguidores ungidos de Cristo proclamaram que os Tempos de Gentios tinham findado e que as nações se aproximavam de sua destruição no Armagedom. (Luc. 21:24; Rev. 16:14-16) Estas “duas testemunhas” figurativas declararam esta mensagem lamuriosa para as nações durante 1.260 dias, ou três anos e meio (de 4/5 de outubro de 1914 a 26/27 de março de 1918). Daí, o sistema político bestial do Diabo travou guerra contra as “duas testemunhas” de Deus, por fim ‘matando-as’ no que tangia à sua obra atormentadora de profetizar “trajadas de saco”, para grande alívio de seus inimigos religiosos, políticos, militares e judiciais. (Rev. 11:3-7; 13:1) Essa era a profecia e foi cumprida. Mas, como?
Em 7 de maio de 1918, o Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Leste de Nova Iorque expediu um mandado de prisão contra certos servos principais da Sociedade Torre de Vigia. Envolvidos estavam o Presidente, J. F. Rutherford, o Secretário-Tesoureiro, W. E. Van Amburgh, Clayton J. Woodworth, e George H. Fisher (os dois compiladores de O Mistério Consumado), F. H. Robison (membro da comissão editorial da Torre de Vigia), A. H. Macmillan, R. J. Martin e Giovanni DeCecca.
Logo no dia seguinte, 8 de maio de 1918, os deste grupo que se achavam no Betel de Brooklyn foram presos. Por fim, todos ficaram sob custódia. Pouco depois disso, foram conduzidos a um Tribunal Federal, presidido pelo Juiz Garvin. Todos eles receberam uma condenação previamente proferida por um Júri de Instrução, acusando-os de
“(1, 3) A ofensa de ilícita, delituosa e deliberadamente causar ou tentar causar a insubordinação, a deslealdade e a recusa de servir nas forças militares e navais dos Estados Unidos da América em, mediante e por solicitações pessoais, cartas, discursos públicos, distribuição, e divulgação pública por todos os Estados Unidos da América de certo livro chamado ‘Volume Sete — Estudos das Escrituras — O Mistério Consumado’; e por distribuir e divulgar publicamente nos Estados Unidos certos artigos impressos nos panfletos chamados ‘Mensário dos Estudantes da Bíblia’, ‘A Torre de Vigia’, ‘Notícias do Reino’ e outros panfletos não mencionados, etc; “(2, 4) A ofensa de ilícita, delituosa e deliberadamente obstruir o serviço de recrutamento e alistamento dos Estados Unidos, quando os Estados Unidos estavam em guerra.”
Principalmente, a acusação se baseava em um parágrafo de O Mistério Consumado. Rezava: “Em parte alguma do Novo Testamento é encorajado o Patriotismo (um ódio míope contra outros povos). Em toda a parte e sempre proíbe-se o assassínio em todas as suas formas; todavia, à guisa de Patriotismo, os governos civis da terra exigem dos homens amantes da paz o sacrifício de si mesmos e de seus entes queridos, e a carnificina de seu próximo, e a saúdam como dever exigido pelas leis do céu.”
Os irmãos Rutherford, Van Amburgh, Macmillan e Martin enfrentaram uma segunda acusação de negociar com o inimigo, baseada numa afirmação de que os diretores da Sociedade enviaram US$ 500 ao encarregado da sucursal suíça da Sociedade em Zurique. Cada irmão citado legalmente foi colocado sob uma fiança de US$ 2.500 para cada uma das acusares. Abram libertos sob fiança e compareceram ao tribunal em 15 de maio de 1918. O julgamento foi marcado para 3 de junho de 1918, no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Leste de Nova Iorque. Os irmãos se declararam “inocentes” para com ambas as acusações e se consideraram completamente inocentes de todas as acusações.
Devido ao sentimento manifesto nas audiências preliminares os réus deram entrada em declarações juramentadas que mostravam por que achavam que o Juiz Garvin tinha preconceitos contra eles. Com o tempo, o Juiz Distrital dos Estados Unidos, Harlan B. Howe, foi trazido para presidir ao julgamento. Segundo A. H. Macmillan, embora os réus não estivessem a par dos conceitos de Howe, o governo sabia que ele “tinha preconceito especial a favor da imposição da lei e contra os réus acusados de violá-la”. Macmillan também declarou: “Mas não ficamos por muito tempo em trevas. Desde a primeira palestra dos advogados no gabinete do juiz, antes de o julgamento começar, sua animosidade se tornou manifesta e ele indicou: ‘Vou dar a esses réus tudo o que eles merecem. No entanto, já era agora tarde demais para que nossos advogados dessem entrada numa declaração juramentada sobre o preconceito por parte do juiz.”
Macmillan disse que a acusação, conforme originalmente apresentada, culpava os réus de terem entrado numa conspiração em algum tempo entre 6 de abril de 1917, quando os Estados Unidos declararam a guerra, e 6 de maio de 1918. Aceitando uma moção, o governo especificou que a data da alegada ofensa se achava entre 15 de junho de 1917 e 6 de maio de 1918.
CENAS DO TRIBUNAL
Os Estados Unidos estavam em guerra. Um julgamento dos Estudantes da Bíblia acusados de sedição atraiu assim grande atenção. O que dizer da opinião pública? Favorecia tudo que promovesse o esforço de guerra. Do lado de fora do tribunal, bandas tocavam e soldados marchavam em torno do vizinho Salão da Municipalidade de Brooklyn. Dentro do tribunal, o julgamento de quinze dias se arrastava, acumulando verdadeira montanha de testemunhos. Por que não entrar um pouco e testemunhar os trâmites legais?
A. H. Macmillan, um dos réus, ajuda-nos a sentir a atmosfera, pois mais tarde escreveu. “Durante o julgamento, o governo disse que se uma pessoa ficasse numa esquina de rua e repetisse a oração do Pai-Nosso com a intenção de desanimar os homens de se alistar no exército, poderia ser enviado à penitenciária. Assim, o leitor pode ver quão fácil era para eles julgar a intenção. Achavam que podiam dizer o que uma outra pessoa pensava, e assim agiram contra nós nessa base, muito embora testificássemos que jamais, em tempo algum, conspiramos fazer algo, de nenhuma forma, que influísse no recrutamento e jamais encorajamos alguém a opor-se a ele. Nada disso adiantou. Certos líderes religiosos da cristandade e seus aliados políticos estavam determinados a nos liquidar. A promotoria, com o consentimento do Juiz Howe visava a condenação, insistindo que nosso motivo era irrelevante e que se podia deduzir a intenção pelos nossos atos. Fui condenado unicamente à base de que contra-assinei um cheque cujo propósito não pôde ser determinado, e que assinei uma declaração de fatos que foi lida pelo irmão Rutherford numa reunião da diretoria. Mesmo assim não podiam provar que era minha assinatura. A injustiça disso nos ajudou mais tarde em nosso recurso.”
Em certo ponto, anterior diretor da Sociedade foi posto sob juramento. Depois de olhar uma prova que trazia duas assinaturas, disse que reconhecia uma delas como sendo de W. E. Van Amburgh. Eis como reza a transcrição do depoimento:
“P. Passo-lhe a Prova 31 para identificação, e lhe peço que olhe as duas assinaturas ou supostas assinaturas, de Macmillan e Va[n] Amburgh, e pergunto-lhe primeiro sobre Van Amburgh, se, em sua opinião, essa é uma cópia mimeografada da assinatura dele? R. Acho que sim. Reconheço-a como tal.
“P. E a do Sr. Macmillan? R. A do Sr. Macmillan não é tão identificável, mas acho que é a assinatura dele.”
A respeito da defesa apresentada por aqueles que eram julgados, o irmão Macmillan escreveu mais tarde:
“Depois que o Governo tinha terminado sua acusação, apresentamos nossa defesa. Em essência, mostramos que a Sociedade é uma organização inteiramente religiosa; que os membros aceitam como seus princípios de crença a santa Bíblia, conforme explicada por Charles T. Russell; que C. T. Russell, durante sua vida, escreveu e publicou seis volumes, Estudos das Escrituras, e, já em 1896 prometeu o sétimo volume que trataria de Ezequiel e de Revelação, que, no seu leito de morte, declarou que outrem escreveria o sétimo volume, que pouco depois de sua morte, a comissão executiva da Sociedade autorizou C. J. Woodworth e George H. Fisher a escrever e apresentar o manuscrito para consideração, sem qualquer promessa sendo feita a respeito de sua publicação; que o manuscrito sobre Revelação foi terminado antes que os Estados Unidos entrassem na guerra, e que todo o manuscrito do inteiro livro (exceto o capítulo sobre o Templo) estava nas mãos do impressor antes da promulgação da Lei Contra a Espionagem; destarte, era impossível que se tivesse cometido qualquer conspiração, como foi feita a acusação, para violar a lei.
“Testemunhamos que nós, em tempo algum, havíamos combinado, concordado ou conspirado fazer seja lá o que for para influir no alistamento ou para interferir no Governo quanto ao prosseguimento da guerra, nem tínhamos nenhuma idéia de assim fazer, que jamais tínhamos qualquer intenção de interferir de qualquer modo com a guerra, que nossa obra era inteiramente religiosa e de forma alguma política; que não solicitávamos membros e jamais aconselhávamos nem encorajávamos a ninguém a opor-se ao alistamento; que as cartas escritas eram para aqueles que sabíamos ser cristãos dedicados que tinham direito, sob a lei, a conselhos; que não estávamos opostos a que a nação entrasse em guerra, mas, como cristãos dedicados, não podíamos empenhar-nos em combate mortal.”
Mas, nem tudo dito e feito no julgamento era franco e direto. Macmillan mais tarde relatou: “Alguns dos nossos que assistiam ao julgamento mais tarde me contaram que um dos advogados do Governo saíra ao corredor, onde conversara em tons baixos com alguns daqueles que haviam liderado a oposição dentro da Sociedade. Disseram: ‘Não deixe aquele sujeito [Macmillan] sair livre; ele é o pior do grupo. Ele manterá as coisas em andamento se não o apanharem junto com os outros.’” Lembrem-se de que, nessa época, homens ambiciosos tinham tentado obter o controle da Sociedade Torre de Vigia [dos EUA]. Não é de admirar que Rutherford mais tarde avisasse os irmãos deixados como encarregados de Betel: “Fomos avisados de que sete dos que se opuseram à Sociedade e à sua obra no ano passado compareceram ao julgamento e deram ajuda aos nossos perseguidores. Avisamo-lhes, amados, dos esforços sutis de alguns deles de adulá-los agora, no esforço de apoderar-se da Sociedade.”
Por fim, depois do julgamento extensivo, chegou o esperado dia da decisão. Em 20 de junho de 1918, por volta das 17 horas o processo foi mandado a júri. J. F. Rutherford mais tarde lembrava-se: “O júri hesitou longo tempo antes de dar seu veredicto. Por fim, o Juiz Howe mandou avisá-los de que tinham de declarar o veredicto de ‘Culpados’, conforme um dos jurados posteriormente nos declarou.” Depois de cerca de quatro horas e meia de deliberações às 21,40 horas, o júri voltou com o veredicto — “Culpados”.
As sentenças foram proferidas em 21 de junho. O tribunal estava repleto. Quando se lhes perguntou se tinham algo a declarar, os réus não responderam. Daí, veio a sentença do Juiz Howe. De modo irado, disse: “A propaganda religiosa em que tais homens se empenhavam é mais prejudicial do que uma divisão de soldados alemães. Não só puseram em dúvida os agentes da lei do Governo e do departamento de inteligência militar, mas também denunciaram todos os ministros, de todas as igrejas. Seu castigo deve ser severo.”
E foi mesmo. Sete dos réus foram sentenciados a oitenta anos na penitenciária (vinte anos para cada uma das quatro acusações, a decorrer concomitantemente). A sentença de Giovanni DeCecca foi postergada, mas, por fim recebeu quarenta anos, ou dez anos para cada uma das mesmas quatro acusações. Os réus deviam cumprir suas sentenças na penitenciária dos Estados Unidos em Atlanta, Geórgia.
O julgamento durara quinze dias. O testemunho registrado tinha sido volumoso e o andamento do processo amiúde fora injusto. Com efeito, demonstrou-se mais tarde que o julgamento continha mais de 125 erros. Apenas alguns desses foram necessários para que o Tribunal de Recursos por fim condenasse como injusto o inteiro processo.
“Sofri e passei por isso tudo junto com os irmãos, ao serem submetidos a esta prova injusta”, comenta James Gwin Zea, presente como observador. Continua: “Ainda posso ver o juiz recusando ao irmão Rutherford a oportunidade de apresentar sua defesa. ‘A Bíblia não vale nesse tribunal’, foi seu comentário. Eu permaneci junto com o irmão M. A. Howlett em Betel naquela noite, e por volta das 22 horas chegara a informação de que eles haviam sido condenados. Foram sentenciados no dia seguinte.”
Apesar de suas condenações injustas e as severas sentenças que receberam, o irmão Rutherford e seus associados mantiveram-se impávidos. Interessante é que o Tribune de Nova Iorque, de 22 de junho de 1918, noticiou: “Joseph F. Rutherford e seis outros ‘russelitas’, condenados de violarem a Lei Contra a Espionagem, foram sentenciados ontem a 20 anos na penitenciária de Atlanta pelo Juiz Howe. ‘Este é o dia mais feliz de minha vida’, disse o Sr. Rutherford a caminho do tribunal para a prisão, ‘cumprir uma punição terrestre por causa da crença religiosa da pessoa é um dos maiores privilégios que um homem poderia ter’. Uma das mais estranhas demonstrações que o Escritório do Xerife do Tribunal Federal de Brooklyn já viu, foi realizada pelas famílias e amigos intimas dos homens condenados logo depois de os presas serem levados à sala do Júri de Instrução. O grupo inteiro fez o velho prédio ressoar com os acordes de ‘Bendito Seja o Vínculo Que Une’. ‘Tudo é a vontade de Deus’, disseram uns aos outros, com rostos quase que radiantes. ‘Algum dia o mundo saberá o que tudo isso significa. No ínterim, sejamos gratos pela graça de Deus que nos tem sustentado através de nossas provas, e aguardemos o Grande Dia que virá.’”
Enquanto seu caso estava sob recurso, duas vezes os irmãos tentaram obter livramento sob fiança, mas viram-se frustrados, primeiro pelo Juiz Howe e, mais tarde, pelo Juiz Martin T. Manton. No ínterim, primeiro foram detidos na cadeia da Rua Raymond, de Brooklyn, “o buraco mais imundo em que já me meti”, segundo A. H. Macmillan. Clayton J. Woodworth jocosamente a chamava de “Hotel do Raimundinho”. Essa desagradável permanência de uma semana foi seguida por outra semana gasta na prisão da Cidade de Long Island. Por fim, em quatro de julho, o Dia da Independência dos Estados Unidos, os homens injustamente condenados foram enviados de trem para a penitenciária de Atlanta Geórgia.
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Estados Unidos da América (Parte Dois)Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976
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Estados Unidos da América (Parte Dois)
REGOZIJAM-SE OS INIMIGOS
O encarceramento destas testemunhas cristãs de Jeová foi um golpe de morte figurado, para grande deleite e alívio de seus inimigos. Cumpriram-se as palavras de Revelação 11:10: “E os que moram na terra alegram-se por causa deles e regalam-se, e enviarão dádivas uns aos outros, porque estes dois profetas atormentavam os que moram na terra.” Os inimigos religiosos, judiciais, militares e políticos das “duas testemunhas” deveras ‘enviaram dádivas’ uns aos outros, no sentido de que se congratularam pela parte que desempenharam em obter uma vitória sobre seus atormentadores.
Em seu livro Preachers Present Arms (Os Pregadores Apresentam Armas), Ray H. Abrams considerou o julgamento de J. F. Rutherford e seus associados, e observa:
“Uma análise de todo o caso leva à conclusão de que as igrejas e o clero estavam originalmente por trás do movimento para eliminar os russelitas. . . .
“Quando as notícias das sentenças de vinte anos chegaram aos editores da imprensa religiosa, praticamente todas essas publicações, grandes e pequenas, regozijaram-se com o acontecido. Não pude descobrir quaisquer palavras de compaixão em qualquer dos periódicos religiosos ortodoxos. ‘Não pode haver dúvida’, concluiu Upton Sinclair, de que ‘a perseguição . . . surgiu em parte de que haviam granjeado o ódio dos grupos religiosos “ortodoxos”’. O que o esforço combinado das igrejas falhara em conseguir, o governo parecia agora ter êxito em conseguir para elas — acabar com estes ‘profetas de Baal’ para sempre.”
OTIMISMO APESAR DO ‘CATIVEIRO BABILÔNICO’
De 607 a 537 A.E.C. os judeus se consumiram como cativos da antiga Babilônia. Comparavelmente, os adoradores dedicados de Jeová, ungidos com seu espírito santo, foram levados a um cativeiro babilônico e exilados durante o período da Primeira Guerra Mundial, de 1914-1918. Especialmente, as profundezas de seu estado cativo foram sentidas quando os oito irmãos fiéis da sede da Sociedade foram presos na penitenciária federal de Atlanta, Geórgia.
Mas, durante este inteiro período de dificuldades, nem sequer um número de A Torre de Vigia deixou de ser publicado. Uma comissão editorial designada manteve o periódico em circulação. Ademais, apesar das durezas enfrentadas naquele tempo, as atitudes demonstradas pelos fiéis Estudantes da Bíblia foram exemplares. O irmão T. J. Sullivan observou: “Tive o privilégio de visitar o Betel de Brooklyn em fins do verão de 1918, durante a prisão dos irmãos. Os irmãos encarregados do trabalho em Betel não estavam de forma alguma temerosos ou desanimados. Com efeito, o contrário se dava. Sentiam se otimistas e confiantes de que Jeová daria por fim a Seu povo a vitória. Tive o privilégio de estar à mesa do desjejum na segunda-feira de manhã quando os irmãos enviados nas designações de fim-de-semana apresentaram seus relatórios. Obteve se ótimo quadro da situação. Em cada caso, os irmãos estavam confiantes, esperando que Jeová continuasse a orientar suas atividades.”
Interessante é que, certa manhã, depois do julgamento do irmão Rutherford e seus associados, R. H. Barber recebeu um telefonema de Rutherford, pedindo-lhe que fosse à Estação de Pensilvânia, onde os irmãos aguardavam várias horas a chegada dum trem direto para Atlanta. O irmão Barber e alguns outros correram para a estação. Ali, o irmão Rutherford disse que, se os irmãos na sede fossem fustigados em demasia pela polícia, deviam vender Betel e o Tabernáculo de Brooklyn e mudar-se, quer para Filadélfia, quer para Harrisburgo ou Pittsburgo, visto que a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) era uma sociedade de Pensilvânia. Sugeriram-se os preços de US$ 60.000 para Betel e de US$ 25.000 para o Tabernáculo.
Qual foi o resultado? Bem, aqueles que estavam então encarregados da Sociedade deveras enfrentaram muitos problemas. Por exemplo, havia a escassez de papel e de carvão. O patriotismo grassava e muitos consideravam incorretamente as testemunhas cristãs de Jeová como traidores. Em Brooklyn, havia grande animosidade contra a Sociedade, e parecia impossível continuar as operações ali. Por isso, a comissão executiva encarregada da sede consultou outros irmãos e decidiu-se que era melhor vender o Tabernáculo de Brooklyn e fechar o lar de Betel. Com o tempo, o Tabernáculo foi vendido por US$ 16.000, segundo se lembra R. H. Barber. Mais tarde, todos os arranjos necessários para a venda de Betel ao governo foram feitos, exceto a transferência do dinheiro. Mas, algo interferiu — o armistício. A venda jamais se consumou plenamente.
Em 26 de agosto de 1918, contudo, começou a transferência da sede da Sociedade, de Brooklyn, Nova Iorque, para Pittsburgo, Pensilvânia. “Ao rememorar”, comenta Hazel Erickson “posso ver que, embora os Estudantes da Bíblia ficassem atônitos devido à prisão dos irmãos, jamais deixaram de testemunhar. Talvez ficassem apenas um pouco mais cautelosos”. A irmã H. M. S. Dixon lembrou-se de que “a fé dos amigos permanecia forte e as reuniões eram realizadas regularmente”. As testemunhas cristãs de Jeová continuaram a demonstrar fé em Deus. Na verdade, achavam-se num crisol de dificuldades e perseguição. Todavia, o espírito santo de Deus pairava sobre eles. Se tão-somente conseguissem perseverar, com certeza o Divino os salvaria de seus perseguidores e lhes concederia a libertação de seu estado de ‘cativeiro babilônico’!
OS MESES NA PRISÃO
Em meados de 1918, J. F. Rutherford e seus sete colegas achavam-se na penitenciária federal de Atlanta, Geórgia. Uma carta escrita por A. H. Macmillan, em 30 de agosto de 1918, habilita-nos a olhar por trás daqueles muros de prisão. Uma cópia entregue por Melvin P. Sargent reza, em parte:
“Sem dúvida apreciaria ouvir algo sobre nossa condição na prisão. Vou contar-lhe brevemente algumas coisas sobre a vida aqui. O irmão Woodworth e eu ‘partilhamos a cela’. Nossa cela é muito limpa, bem arejada e bem iluminada. Tem cerca de 3 x 1,80 x 2,10 metros, tem duas camas de beliches com colchões de palha, dois lençóis, cobertores e travesseiros, duas cadeiras, uma mesa, e bastantes toalhas limpas e sabonete. Também temos um armário onde podemos guardar nossos artigos de toalete. . . .
“Todos os irmãos trabalham juntos na alfaiataria. Esta sala é bem ventilada, bem iluminada, tendo 18x12 [metros]. Eu e o irmão Woodworth fazemos as casas dos botões e costuramos botões nas camisas e nos uniformes da prisão. Os irmãos Van Amburgh, Robison, Fisher, Martin e Rutherford fazem, ou melhor, ajudam a fazer, casacos e calças dos uniformes da prisão. Cerca de cem homens ao todo trabalham neste departamento. Do lugar em que trabalho, posso ver todos os irmãos, e posso garantir-lhe que é interessante ver o irmão Van Amburgh numa máquina de costura costurando as partes direita e esquerda duma calça. . . . O irmão Rutherford quase desistiu da esperança de aprender a costurar um casaco. Acho que ainda não conseguiu terminar nenhum, embora esteja trabalhando por cerca de três semanas. Quando olho para ele, parece estar ocupado, mas acho realmente que ele gasta a maior parte do seu tempo tentando enfiar uma linha na agulha. [Um guarda o tratou de modo tão desarrazoado que alguns dos outros detentos pegaram o casaco e o terminaram. Por fim, o irmão Rutherford foi transferido para um lugar em que se sentia mais ‘à vontade’ — a biblioteca.] . . .
“A primeira coisa que fazemos ao chegar a nossas celas depois do jantar é ler os jornais da tarde. Daí, por uma hora, das dezoito às dezenove horas, todos que quiserem podem tocar qualquer instrumento que talvez tenham. Que ampla variedade! Acho que tocam todo tipo fabricado, exceto a harpa judaica, e estou pensando em conseguir uma delas para mim visto ser a única coisa que consigo tocar, exceto a harpa de dez cordas. Durante isso, que o irmão Woodworth chama de ‘Inferno de Dante’, nós jogamos dominó. Depois disso, lemos as Auroras ou a Bíblia até a hora de dormir, às 22 horas quando as luzes são apagadas. No dia seguinte fazemos a mesma coisa, e assim por diante até sábado. Na tarde de sábado todos os detentos saem ao pátio. Há um jogo de beisebol que então é bem jogado, e em que os homens se interessam profundamente. Usualmente passo a tarde jogando tênis. Os outros irmãos ficam andando e conversando. As diferentes classes de homens se reúnem em grupinhos — anarquistas, socialistas, falsários, ‘fabricantes ilegais de bebidas’, pró-germânicos, caixas de bancos, advogados, farmacêuticos, médicos, assaltantes de bens, assaltantes de casas, ministros (dos quais há um bom número), etc., etc., etc. A banda da prisão toca várias seleções durante a tarde.”
Os oito Estudantes da Bíblia encarcerados tinham oportunidades de pregar as boas novas do reino de Deus a outros detentos. Exigia-se que todos os detentos comparecessem a um ofício na capela na manhã de domingo, e aqueles que desejassem poderiam ficar para a escola dominical depois disso. Os oito irmãos formaram uma turma de estudo e associação. Com o tempo, outros detentos se juntaram a eles e os irmãos, cada um por seu turno, ensinavam a turma. Algumas das autoridades até mesmo se chegavam para escutá-los. O interesse aumentou até que noventa pessoas compareciam.
O poder transformador da verdade de Deus teve profundo efeito sobre alguns dos detentos. Por exemplo, um deles observou: “Tenho setenta e dois anos, e tive que ficar atrás das grades para ouvir a verdade. Por isso estou contente de ter sido mandado para a penitenciária. Durante cinqüenta e sete anos formulo perguntas aos ministros, e jamais consegui respostas satisfatórias. Toda pergunta que formulei a tais homens [aos Estudantes da Bíblia encarcerados] tem sido respondida de modo satisfatório para mim.”
A influenza espanhola grassava então e isto pôs fim às turmas da escola dominical. No entanto, pouco antes de os oito Estudantes da Bíblia serem soltos da penitenciária de Atlanta, todos os grupos que eles haviam instruído foram ajuntados, e J. F. Rutherford falou aos reunidos por cerca de 45 minutos. Algumas autoridades estavam presentes, e muitos dos detentos derramaram lágrimas de alegria graças à esperança de liberdade a ser usufruída pela humanidade sob a regência do Reino. Quando libertos, os Estudantes da Bíblia deixaram na prisão um pequeno grupo que permaneceu fiel.
EXPRESSÕES DE CONFIANÇA
O armistício foi assinado em 11 de novembro de 1918, e a Primeira Guerra Mundial chegou a seu fim. Mas, os oito Estudantes da Bíblia ainda estavam presos. Ali permaneceram, enquanto seus concrentes realizaram um congresso em Pittsburgo, Pensilvânia, em 2-5 de janeiro 1919. Esta assembléia foi combinada com a mui significativa reunião anual da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA) no sábado, 4 de janeiro de 1919.
J. F. Rutherford compreendia que, nesta reunião da sociedade, os opositores dentro da organização tentariam substituir a ele e aos outros diretores da Sociedade por homens de sua escolha. Naquele sábado, 4 de janeiro, A. H. Macmillan jogava na quadra de tênis da prisão. Rutherford se aproximou dele, e, segundo Macmillan, eis o que aconteceu:
“Rutherford disse: ‘Mac, desejo falar com você.’
“‘Sobre o que deseja falar comigo?’
“‘Desejo falar com você sobre o que está acontecendo lá em Pittsburgo.’
“‘Eu gostaria de disputar este torneio aqui.’
“‘Não está interessado no que se passa? Não sabe que hoje é dia da eleição dos diretores? Poderia ser ignorado e deixado fora, e ficaríamos aqui para sempre.’
“‘Irmão Rutherford’, disse eu, ‘deixe-me dizer-lhe algo em que talvez o irmão não tenha pensado. Esta é a primeira vez desde que a Sociedade obteve personalidade jurídica, que se pode tornar bem evidente a quem Jeová Deus gostaria de ter como presidente.’
“‘O que quer dizer com isso?’
“‘Quero dizer que o irmão Russell tinha o voto controlador e designava os diferentes diretores. Agora, visto que estamos aparentemente fora do serviço ativo, o assunto é diferente. Mas, se saíssemos em tempo para ir àquela assembléia, àquela reunião de negócios, chegaríamos ali e seríamos aceitos para ocupar o lugar do irmão Russell, com a mesma honra que ele recebeu. Poderia parecer então que se tratava da obra dos homens e não da de Deus.’
“Rutherford simplesmente ficou pensativo e afastou-se.”
Esse foi um dia significativo em Pittsburgo. “Quando chegou a hora para a reunião dos negócios, as tensões eram grandes”, lembra-se Mary Hannan. “Observamos que alguns da oposição estavam presentes, esperando colocar seu homem no cargo.”
Uma carta do irmão Rutherford foi lida à assistência. Nela ele enviava o amor e saudações a todos e avisava sobre as armas principais de Satanás, do orgulho, da ambição e do medo. Mostrando desejo de submeter-se à vontade de Jeová ele até mesmo sugeriu humildemente homens apropriados no caso em que outros diretores principais da Sociedade devessem ser eleitos.
A palestra havia continuado por bastante tempo, quando o irmão E. D. Sexton falou, dizendo:
“Acabo de chegar. Meu trem se atrasou quarenta e oito horas, tendo sido retido pela neve. Tenho algo a dizer e, para meu próprio conforto, é melhor que o diga agora. Meus queridos irmãos, vim aqui, como o restante dos irmãos, com certas idéias em mente — a favor e contra. Poderíamos dizer, com todo o devido respeito pelos nossos amigos legais, que temos conversado com alguns outros advogados. Verifico que são bem parecidos aos médicos. Às vezes discordam. Mas presumo que o que digo esteja em perfeito acordo com o que disseram. Não existe nenhum obstáculo legal no caminho. Se desejarmos reeleger nossos irmãos no Sul para qualquer cargo que eles possam ter, não consigo ver nem descobrir em qualquer parecer que tenha obtido, como isto, de qualquer modo ou forma, interfira com o aspecto de seu processo perante o Tribunal Federal ou perante o público.
“Creio que os maiores cumprimentos que possamos prestar a nosso querido irmão Rutherford seria reelegê-lo como presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA). Acho que não existe nenhuma dúvida na mente do público quanto a qual é a nossa posição nesta proposta. Se nossos irmãos, de qualquer modo técnico, violaram uma lei que não compreendiam, sabemos que seus motivos eram bons. E, perante o Deus Onipotente, não violaram nenhuma lei de Deus ou dos homens. Poderíamos manifestar a máxima confiança se reelegêssemos o irmão Rutherford como presidente da Associação.
“Não sou advogado, mas, quando se trata da legalidade da situação, sei algo sobre a lei dos leais. A lealdade é o que Deus exige. Não posso imaginar qualquer confiança maior que pudéssemos manifestar do que realizar uma eleição e reeleger o irmão Rutherford como presidente.”
Houve indicações de candidatos, fez-se a votação e J. F. Rutherford foi eleito presidente, C. A. Wise como vice-presidente, e W. E. Van Amburgh como secretário-tesoureiro. Rememorando, Anna K. Gardner observa: “Havia profunda felicidade depois dessa reunião, por se ver novamente a orientação visível de Jeová sobre seu povo.”
O cenário muda para a penitenciária de Atlanta. É domingo 5 de janeiro de 1919. J. F. Rutherford dá umas pancadinhas na parede da cela de Macmillan e diz: “Meta a mão para fora.” Nisso, entrega a Macmillan um telegrama. Qual sua mensagem? Rutherford tinha sido reeleito presidente. Mais tarde, naquele dia, o irmão Rutherford disse a A. H. Macmillan: “Desejo dizer-lhe algo. O irmão fez uma observação, ontem, que está remoendo na minha mente, a respeito de sermos postos no lugar do irmão Russell e de termos influenciado a eleição se estivéssemos em Pittsburgo e de o Senhor não ter a oportunidade de mostrar a quem desejava. Ora, irmão, se eu chegar a sair daqui, pela graça de Deus, vou acabar de uma vez por todas com esse negócio de adoração de criaturas. Ainda mais, vou pegar a adaga da verdade e vou desentranhar a antiga Babilônia. Eles nos meteram aqui, mas nós sairemos.” Rutherford falava sério. Desde o tempo de seu livramento até sua morte, no início de 1942, cumpriu tal promessa por expor a iniqüidade da religião falsa.
ESFORÇOS DE CONSEGUIR A LIBERDADE
Em fevereiro de 1919, certos jornais iniciaram uma agitação por toda a nação visando a liberdade de J. F. Rutherford e seus colegas presos. Milhares de cartas foram escritas pelos Estudantes da Bíblia aos editores de jornais, congressistas, senadores e governadores, instando a que agissem a favor dos oito cristãos presos. Muitos que receberam tais solicitações expressaram-se a favor da libertação e indicaram que fariam algo para ajudar.
Por exemplo, uma carta do congressista E. W. Saunders, da Virgínia, rezava: “Acuso o recebimento de sua carta relativa ao caso dos Estudantes da Bíblia agora confinados em Atlanta. Tomo a liberdade de dizer que sou a favor do perdão destes homens, e ficarei muito contente em participar da recomendação feita nesse sentido. Tais pessoas não são criminosos no sentido comum da palavra, embora talvez sejam culpados duma violação técnica da lei. Mas, a guerra já acabou e devemos tentar esquecê-la tão rapidamente quanto possível.’ E o Prefeito Henry W. Kiel, de S. Luis, Missúri, escreveu ao Presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, declarando: “Permita-me acrescentar minha solicitação individual às que já foram encaminhadas a V. Excia. pedindo que os Srs. Rutherford e os demais, da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, obtenham livramento sob fiança, até a decisão final de seu processo pelos tribunais de maior instância e, se possível, que o perdão seja concedido nestes casos.”
O mês de março de 1919 presenciou novo esforço de conseguir a libertação do irmão Rutherford e seus colegas. Uma petição nacional foi circulada e, dentro de curto tempo, conseguiram-se 700.000 assinaturas. A petição foi a maior do seu tempo. Jamais foi apresentada ao Presidente Wilson ou ao governo, contudo, visto que antes disso acontecer tomaram-se medidas para libertar os oito Estudantes da Bíblia. Todavia, a petição serviu de notável testemunho.
A respeito do trabalho relacionado com a petição, a irmã Arthur L. Claus afirma: “Naturalmente, tivemos todos os tipos de experiências. Alguns a assinavam felizes e podíamos dar-lhes um testemunho, ao passo que outros eram hostis diziam: ‘Que fiquem lá e apodreçam.’ Comumente este seria um trabalho humilhante, mas achávamos que o espírito de Jeová nos dirigia; assim, usufruímos todo ele e continuamos firmes até o fim.”
LIBERTOS DA PRISÃO
Em 2 de março de 1919, o juiz do tribunal de primeira instância, o Juiz Federal de Distrito, Harland B. Howe, enviou um telegrama ao Procurador-Geral Gregory em Washington, D. C., recomendando a “comutação imediata” das sentenças impostas aos oito Estudantes da Bíblia presos. Gregory enviara a Howe um telegrama solicitando que este tomasse tal medida. Parece que tal passo foi tomado porque os irmãos presos deram entrada num recurso e nem o procurador-geral nem Howe desejavam que tal processo fosse aos tribunais de maior instância. (Os oito irmãos estavam na prisão enquanto seu recurso pendia somente porque o Juiz Howe e, mais tarde o Juiz Manton, lhes tinha negado liberdade sob fiança.) É interessante, também, a carta do Juiz Howe de 3 de março de 1919 ao procurador-geral. Rezava:
“Ao Digníssimo Procurador-Geral,
“Washington, D. C.
“Senhor:
“Respondendo a seu telegrama do dia 1.º p. p., telegrafei-lhe naquela noite o seguinte:
“‘Recomendo imediata comutação para Joseph Rutherford, William E. Van Amburgh, Robert J. Martin, Fred H. Robison, George H. Fisher, Clayton J. Woodworth, Giovanni DeCecca, A. Hugh Macmillan. Todos eram réus no mesmo processo no Distrito Leste de Nova Iorque. Minha posição é ser generoso agora que a guerra acabou. Causaram muitos danos por pregarem e publicarem suas doutrinas religiosas.’
“A sentença severa de vinte anos foi imposta a cada um dos réus, exceto a DeCecca. A dele foi de dez anos. Minha principal finalidade era constituir um exemplo, como aviso para outros, e eu cria que o Presidente os indultaria depois que a guerra terminasse. Como disse no meu telegrama, causaram muitos danos e pode-se bem afirmar que não deviam ser soltos tão cedo, mas, visto que não podem mais causar nenhum dano agora, sou a favor de se ser tão leniente quanto fui severo ao declarar a sentença. Creio que a maioria deles era sincera, se não todos, e não sou a favor de manter tais pessoas em confinamento depois de terminar sua oportunidade de criar dificuldades. Seu processo ainda não foi julgado pelo Tribunal de Recursos do Circuito.
“Respeitosamente,
(assinado) Harland B. Howe,
Juiz Distrital dos Estados Unidos.”
Em 21 de março de 1919, o Ministro do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, Louis D. Brandeis, ordenou a liberdade sob fiança para os oito irmãos presos e orientou que deviam ter direito a interpor recurso em 14 de abril daquele ano. Foram prontamente libertos e na terça-feira, 25 de março, deixaram de trem a penitenciária de Atlanta. Lá em Brooklyn, em 26 de março de 1919, as autoridades federais soltaram os irmãos sob a fiança de US$ 10.000 cada um, até outro julgamento.
FELIZ RETORNO AO LAR!
“Houve grande alegria entre os irmãos ao serem avisados da libertação deles, e estavam presentes para acolhê-los de volta ao lar”, lembra Louise Paasch, acrescentando: “Rapidamente fizeram arranjos para grande banquete no lar de Betel de Brooklyn. Lembro que papai foi para Brooklyn ajudar a aprontar os quartos e partilhar em sua alegria de receber de volta os irmãos.”
Que ocasião feliz era essa! Escreve Mabel Haslett: “Lembro-me de fazer cem rosquinhas, que os irmãos pareceram apreciar muito . . . Ainda posso ver o irmão Rutherford esticando a mão para pegá-las. Era uma ocasião inesquecível, à medida que ele e os outros irmãos relatavam suas experiências. Também me lembro do irmão DeCecca, baixinho, ficar em pé numa cadeira a fim de que todos pudessem vê-lo e ouvi-lo.” Observa Giusto Battaino: “Um jantar de galinha foi preparado e havia tantos de nos que tivemos de comer em pé. Daí, que emoção foi ouvir as experiências dos irmãos! . . . Uma das coisas que o irmão DeCecca contou foi: ‘Irmãos, quanto maior a dificuldade, tanto maior a bênção.’ E, verdadeiramente, eu podia ver a rica bênção de Jeová sobre o Seu povo.”
Na noite de 1.º de abril de 1919, outro banquete foi realizado para os irmãos libertos, por parte do pessoal dos escritórios da Torre de Vigia no Hotel Chatham, em Pittsburgo. Observou T. J. Sullivan: “A alegria que o povo de Jeová sentia com a libertação de nossos irmãos da Prisão Federal de Atlanta, na terça-feira, 25 de março de 1919, não tinha limites. . . . Sua contínua devoção a Jeová foi indicada pelo fato de que imediatamente se puseram a trabalhar em proclamar ao povo de Deus, em toda a parte, o conhecimento da libertação da parte de Jeová, por meio do congresso de Cedar Point, de 1919.”
COMPLETA ABSOLVIÇÃO
O processo dos oito Estudantes da Bíblia deveria ter seu recurso julgado em 14 de abril de 1919. Tiveram então uma audiência perante o Tribunal Federal de Recursos do Segundo Circuito, na cidade de Nova Iorque. Em 14 de maio dá 1919, foram anuladas suas condenações errôneas. Presidiam então os Desembargadores Ward, Rogers e Manton. O Desembargador Ward declarou no seu voto, ao reenviar o processo para novo julgamento: “Os réus nesta casa não tiveram o julgamento temperado e imparcial a que tinham direito e, por este motivo, a decisão é anulada.”
O Desembargador Martin T. Manton discordou. Em 1.º de julho de 1918, este juiz católico, sem expressar uma razão recusara a fiança a Rutherford e seus co-réus, resultando numa prisão injusta de nove meses, ao passo que seu recurso ficava pendente. Incidentalmente, o Papa Pio XI mais tarde fez do Juiz Manton um “cavaleiro da ordem de S. Gregório, o Grande”. Por fim, contudo, ficou exposta a desconsideração de Manton pela justiça. Em 3 de junho de 1939, foi condenada à pena máxima de dois anos de prisão, além da multa de US$ 10.000 pelo vergonhoso abuso de sua alta posição de juiz federal em aceitar subornos na quantia de US$ 186.000 em seis decisões.
A anulação das condenações errôneas dos oito Estudantes da Bíblia, em 14 de maio de 1919, significava que estavam livres, a não ser que o governo resolvesse processá-los de novo. Mas, a guerra terminara e as autoridades compreenderam que, à base dos fatos, seria impossível conseguir uma condenação. Por isso, em tribunal aberto em Brooklyn em 5 de maio 1920, o promotor público do governo anunciou a retirada do processo. As acusações foram abandonadas pela medida de nolle prosequi. Assim aconteceu que todos esses oito cristãos ficaram completamente isentos de um julgamento ilegal.
A anulação da decisão e abandono das acusações significava que J. F. Rutherford e seus sete associados foram totalmente absolvidos. Alguns têm falado do Juiz Rutherford como um “ex-convicto”, mas absolutamente sem base. A decisão do tribunal, de 14 de maio de 1919, estabeleceu definitivamente que ele e seus colegas tinham sido presos à base de uma acusação ilegal. Que o irmão Rutherford não era considerado um ex-convicto é provado de forma decisiva pelo fato de que ele mais tarde, advogou perante o Supremo Tribunal dos Estados Unidos, o que seria impossível para um ex-convicto. Vinte anos após sua prisão injusta, ou no outono de 1939, os nove ministros do Supremo Tribunal ouviram as argüições de Rutherford no processo de Schneider v. New Jersey. O tribunal decidiu, por oito votos contra um, a favor da cliente de Rutherford Clara Schneider, testemunha cristã de Jeová.
Durante os anos climáticos de 1918 e 1919, o povo de Jeová enfrentou grandes dificuldades. Mas, com a ajuda de Deus perseveraram. (Rom. 5:3-5) Satanás, mediante vários meios falhara em calar os lábios dos que louvavam a Deus. Quão apropriado era o texto do ano dos Estudantes da Bíblia para 1919! Era: “Não prosperará nenhuma arma forjada contra ti . . . Esta é a herança dos servos do Senhor.” — Isa. 54:17 Versão Almeida.
NOVO CONCEITO
Depois de seu período provador de 1917-1919, o povo de Jeová se sujeitou a um escrutínio. Compreendendo que tinha atuado de modo que não obtinha a aprovação de Deus, procuraram o perdão em oração, arrependendo-se de seu proceder anterior. Isto levou ao perdão e à bênção de Jeová. — Pro. 28:13.
Uma transigência foi o corte das páginas de O Mistério Consumado, isto para agradar aqueles que assumiram a posição de censor. Outra ocorreu quando A Torre de Vigia, em inglês, de 1.º de junho de 1918, declarou: “De acordo com a resolução do Congresso, de 2 de abril, e segundo a proclamação do Presidente dos Estados Unidos, de 11 de maio, sugere-se que o povo do Senhor em toda parte torne o dia 30 de maio um dia de oração e súplica.” Comentários subseqüentes exaltaram os Estados Unidos e não se harmonizaram com a posição cristã de neutralidade. — João 15:19; Tia. 4:4.
Durante a Primeira Guerra Mundial, surgiram perguntas entre os Estudantes da Bíblia quanto à posição que deviam tomar quanto ao serviço militar. Alguns se recusaram a participar de qualquer modo, ao passo que outros aceitaram serviço de não-combatentes. Perguntas relacionadas surgiram quanto a se se devia comprar bônus e selos de guerra. Deixar de fazê-lo às vezes resultava em perseguição, até mesmo em tratamento brutal. Quando os servos hodiernos de Jeová consideram qualquer programa ou atividade das nações, agem em harmonia com princípios bíblicos tais como os declarados em Isaías 2:24, que conclui com as seguintes palavras: “Terão de forjar das suas espadas relhas de arado, e das suas lances, podadeiras Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra.”
Um novo conceito. É isso que o povo de Jeová adquiriu, ao entrar na década de 1920. Tinha atravessado anos difíceis mas os seguidores ungidos de Cristo, as “duas testemunhas” simbólicas, estavam de novo vivas espiritualmente, e prontas para agir. O que levou a isso? O que ocorreu nos meses logo depois da libertação do irmão Rutherford e seus sete colegas?
TESTE BEM SUCEDIDO
Quando Rutherford foi liberto, havia uma grande interrogação em sua mente: Exatamente quanto interesse existe na mensagem do Reino? Era um homem enfermo, e seria razoável esperar que se preocupasse primariamente com sua saúde, mas simplesmente tinha de obter uma resposta para tal pergunta importante.
Acontece que nos meses de sua prisão na penitenciária de Atlanta, os irmãos Rutherford e Van Amburgh partilharam uma cela que não tinha circulação de ar, devido ao mal funcionamento dum exaustor. Não podendo obter suficiente oxigênio, seus organismos ficaram intoxicados. Enquanto Rutherford estava preso, com efeito, desenvolveu uma afecção pulmonar que continuou pelo resto de sua vida terrestre. Pouco depois de sua libertação, contraiu pneumonia. O irmão Rutherford tornou-se tão enfermo que sua sobrevivência ficou em dúvida. Por causa de sua condição física, e devido a que sua família estava na Califórnia, ele foi para lá.
Tentando determinar exatamente quanto interesse havia deveras na mensagem do Reino, o irmão Rutherford fez arranjos para uma reunião pública no Auditório Clune em Los Angeles, no domingo, 4 de maio de 1919. Por meio de extensiva publicidade nos jornais, prometeu explicar, neste discurso, exatamente por que os diretores da Sociedade Torre de Vigia tinham sido condenados ilegalmente.
O clero local pensou que os Estudantes da Bíblia e a Sociedade estavam liquidados, que ninguém apareceria para o discurso anunciado, “A Esperança Para a Humanidade Angustiada”. Mas, estavam errados. Três mil e quinhentas pessoas estavam presentes, e cerca de seiscentas tiveram de ser rejeitadas por falta de espaço. Rutherford prometeu falar a elas na segunda-feira à noite. Embora estivesse doente o dia todo, proferiu esse discurso a uma assistência de 1.500. Estava tão mal, contudo, que depois de cerca de uma hora teve de ser substituído por um colega. Todavia, o teste de Los Angeles tinha sido bem sucedido. Havia notável interesse pela mensagem do Reino.
“SERÁ QUE O LAR DE BETEL VAI SER RESTAURADO?”
Essa era outra grande interrogação. O Tabernáculo de Brooklyn tinha sido vendido. Embora Betel ainda pertencesse à Sociedade, estava praticamente sem mobília e as operações da sede tinham sido transferidas para Pittsburgo. Ali, os irmãos dispunham de pouco dinheiro e suas instalações na Rua Federal estavam longe de serem adequadas para a expansão. Inexistiam meios para impressão, e até mesmo muitas das chapas usadas para a impressão das publicações da Sociedade tinham sido destruídas. As perspectivas eram desanimadoras.
Durante a permanência de J. F. Rutherford na Califórnia, contudo, aconteceu algo de interessante na sede da Sociedade em Pittsburgo. Certa manhã, um cristão, George Butterfield, pessoa de consideráveis meios, entrou no escritório. A. H. Macmillan conversou com ele na sala de visitas, informou-o de que o irmão Rutherford estava na Califórnia, e então eis o que aconteceu, segundo o próprio relatório de Macmillan:
“Ele disse: ‘Há uma sala privativa aqui?’
“‘Bem, nós trancaremos essa porta, isto se tornará privativo. O que deseja fazer, George?’
“Começou a tirar a camisa, enquanto eu conversava com ele. Pensei que ele ficara louco. Parecia um pouco sujo e cansado da viagem, ao passo que, comumente, era um homem asseado e bem-arrumado. Quando chegou à camiseta pediu uma faca. Daí, cortou um pequeno remendo que tinha ali e tirou um maço de dinheiro. Havia cerca de US$ 10.000 em notas.
“Ele o pôs na mesa e disse: ‘Isso os ajudará a iniciar este trabalho. Não quis mandar um cheque porque não sabia quem estava aqui. Não viajei num carro-leito porque não queria que alguém viesse e me roubasse se suspeitassem que eu trazia isso, de modo que fiquei acordado a noite toda. Não sabia quem estava encarregado da obra, mas agora que vejo que vocês, irmãos, estão aqui, pessoas a quem conheço e em quem confio estou contente de ter vindo!’ . . . Foi uma surpresa agradável e certamente um encorajamento.”
Quando o irmão Rutherford voltou para os escritórios da Sociedade em Pittsburgo, deu instruções ao vice-presidente da Sociedade, C. A. Wise, para que fosse a Brooklyn e cuidasse da reabertura de Betel, e alugasse instalações onde a Sociedade pudesse iniciar suas operações gráficas. A palestra foi mais ou menos assim:
“Vá e veja se é a vontade do Senhor que voltemos para Brooklyn.”
“Como determinarei se é a vontade do Senhor que voltemos ou não?”
“Foi não conseguir suprimentos de carvão, em 1918, que nos levou a voltar de Brooklyn para Pittsburgo. Vamos fazer do carvão a prova. Vá e faça o pedido de algum carvão.” [Em Nova Iorque, o carvão ainda era racionado no fim da guerra.]
“Quantas toneladas acha que devo pedir para fazer a prova?”
“Bem, que seja uma boa prova; peça quinhentas toneladas.”
Foi exatamente isso que o irmão Wise fez. E, ao entregar o pedido às autoridades, foi-lhe dado um certificado para que obtivesse quinhentas toneladas de carvão. Imediatamente telegrafou a J. F. Rutherford. Essa grande quantidade de carvão asseguraria as operações por vários anos. Mas, onde é que colocariam tudo isso? Grandes áreas do porão do lar de Betel foram transformadas em depósito de carvão. Esta prova bem sucedida foi considerada indício inequívoco de que era a vontade de Deus que se fizesse a mudança para Brooklyn. E assim se fez, em 1.º de outubro de 1919.
ALEGRE REUNIÃO
Não muito antes de Betel reabrir, o povo de Jeová em geral teve uma alegre reunião, um evento verdadeiramente notável. Pouco depois das bem sucedidas reuniões públicas do irmão Rutherford em Los Angeles, em maio de 1919, ele decidiu realizar um grande congresso. Por fim, o local escolhido foi Cedar Point, Ohio. Esta assembléia, de 1 a 8 de setembro de 1919 resultou ser uma assembléia de incomum benefício espiritual.
Os hotéis em Cedar Point podiam acomodar cerca de três mil pessoas, e os Estudantes da Bíblia fizeram arranjos de obter todas as acomodações já pelo meio-dia do dia de abertura do congresso, a segunda-feira, 1.º de setembro. Houve um pouco de desapontamento quando apenas mil pessoas compareceram à sessão de abertura. Mas, as pessoas continuaram chegando, por trens especiais e outros meios. Dentro em pouco longas filas de congressistas entusiasmados aguardavam acomodações. E quem estava atarefado atrás do balcão, cuidando das designações de quartos? Ora, não eram outros senão dois dos antigos detentos da penitenciária de Atlanta — A. H. Macmillan e R. J. Martin! Bem, olhem só para lá. O irmão Rutherford e muitos outros estão se divertindo muito como carregadores, levando malas e ajudando seus colegas congressistas a achar seus quartos. As coisas continuam movimentadas até depois da meia-noite.
Os delegados felizes continuam a chegar. De cerca de 3.000 presentes na noite do primeiro dia, a assistência aumentou para 6.000 na sexta-feira. E, para o discurso público de domingo, cerca de 7.000 estavam presentes. Nesta assembléia feliz, mais de 200 simbolizaram sua dedicação a Deus por se submeterem ao batismo em água
A respeito do discurso público, “A Esperança Para a Humanidade Angustiada”, Arden Pate escreve: “Fizeram arranjos para realizar o discurso público ao ar livre e o irmão Rutherford falou. . . . Com aquele pequeno número, não era difícil demais de se ouvir.”
AQUELAS LETRAS ENIGMÁTICAS “GA”
Logo que os congressistas chegaram em Cedar Point, observaram algo muito intrigante. Ursula C. Serenco recorda: “Observamos grande faixa de lado a lado do salão, em cima da tribuna do orador, com duas letras maiúsculas ‘GA’. Estávamos a semana toda na expectativa, adivinhando o significado destas duas iniciais. O irmão Macmillan apareceu no palco e, de sua maneira costumeira, falou à assistência que ele também tinha ficado toda a semana intrigado quanto ao significado daquelas duas letras, ‘GA’. Tinha chegado a uma conclusão: ‘Amigos, concluí que significa “Guess Again” (Adivinhe de Novo). Bem, a assistência respondeu com uma risada.”
Para alívio da curiosidade persistente, os delegados da assembléia tiveram de esperar até sexta-feira, 5 de setembro — “O Dia dos Colaboradores”. Imagine se entre aquelas multidões felizes à medida que J. F. Rutherford proferia o discurso “Anunciando o Reino”. Nele, anunciou a publicação de uma nova revista, A Idade de Ouro.
Acabara-se o mistério. Aquelas letras “GA” representavam Golden Age (Idade de Ouro). O irmão Rutherford foi seguido no programa por R. J. Martin, que delineou métodos para um novo trabalho de obtenção de assinaturas de A Idade de Ouro. Publicada a cada quinze dias, esta revista de trinta e duas páginas traria muita matéria religiosa, explicando os eventos hodiernos à luz da profecia divina. Seu primeiro número datado de 1.º de outubro de 1919, continha matéria sobre tópicos tais como o trabalho e a economia, a fabricação e a mineração, as finanças, o comércio e transportes, a agricultura e a arte de ser marido, a ciência e as invenções, e a religião incluindo um artigo com base bíblica intitulado “Falar com os Mortos?”
Como seu editor, A Idade de Ouro possuía um dos irmãos que tinham sido presos junto com o irmão Rutherford. Era Clayton J. Woodworth. Seu filho, C. James Woodworth fornece os seguintes pormenores: “Papai restabeleceu um lar para nós em Scranton [Pensilvânia], e quando, em 1919, A Idade de Ouro foi iniciada como revista companheira de A Torre de Vigia, a Sociedade o nomeou seu editor. Era necessário que gastasse grande parte de seu tempo em Brooklyn, de modo que a Sociedade bondosamente fez um arranjo pelo qual trabalhava duas semanas em Brooklyn e duas semanas em casa — arranjo que continuou por bom número de anos. Lembro-me bem de a máquina de escrever do papai funcionar às cinco da manhã de muitos dias — ao escrever ou editar matéria para A Idade de Ouro, e enviá-la para Brooklyn pela primeira remessa do correio.”
Clayton J. Woodworth serviu fielmente como editor de A Idade de Ouro e de sua sucessora Consolação (publicada de 6 de outubro de 1937 até 31 de julho de 1946, inclusive). Devido aos anos avançados, foi aliviado deste trabalho quando o novo periódico Despertai! substituiu Consolação, com o número de 22 de agosto de 1946. No entanto, o irmão Woodworth permaneceu fiel, cumprindo outros deveres no serviço de Deus até sua morte, em 18 de dezembro de 1951, com 81 anos.
“IRÍAMOS TRABALHAR”
O congresso de Cedar Point, de 1919, trouxe maior consciência do escopo mundial da obra de pregação que seria feita pelo povo de Jeová. Conforme expressou-se A. H. Macmillan: “Assim, começou a tomar pé a idéia: ‘Agora temos algo a fazer.’ Não iríamos ficar por ali de braços cruzados e esperar ir para o céu; iríamos trabalhar.”
O povo de Deus certamente “iria trabalhar”. Tomou-se ação positiva relativo à promoção da adoração verdadeira. Por exemplo, o ano de 1919 presenciou o reavivamento da obra de colportor. Na primavera setentrional daquele ano, 150 estavam ativos neste ramo do serviço de Deus, mas já no outono, 507.
O serviço de peregrino também foi reavivado. Representantes viajantes de tempo integral da Sociedade aumentaram ao total de 86 e foram enviados às congregações para ajuntar aqueles que se haviam espalhado durante a perseguição do tempo de guerra. Também estimularam os interessados por meio deste contato íntimo com a sede da organização terrestre de Jeová. Novamente progrediram os interesses da verdadeira adoração.
AO CAMPO!
A Torre de Vigia de 1.º e 15 de agosto de 1919 traziam o artigo em duas partes “Benditos os Destemidos”. Mostrava meridianamente a necessidade de ação fiel e destemida no serviço de Deus. A acolhida a esta chamada de ação destemida por parte do povo de Deus foi entusiástica e corajosa. Empreenderam zelosamente a obra de publicidade do Reino que agora se achava adiante deles. Tornaram-se espiritualmente vivos de novo no serviço ativo de Jeová, como Seus embaixadores. Assim cumpriu-se a figura profética da ressurreição das “duas testemunhas” de Deus, conforme descrita em Revelação 11:11, 12.
Em 1920, a responsabilidade pessoal pela pregação foi mais vividamente sentida à medida que os participantes na obra de testemunho entregaram um relatório semanal de atividade. Antes de 1918, apenas os colportores faziam relatórios de serviço de campo. Também, a fim de facilitar a atividade de pregação, as congregações receberam designações específicas de território. Quais eram os efeitos? Em 1920, havia 8.052 “trabalhadores de classe” e 350 colportores. Em 1922, dentre as mais de 1.200 congregações nos Estados Unidos, 980 tinham sido plenamente reorganizadas para empenhar-se no serviço de campo. Estas possuíam 8.801 trabalhadores que colocavam publicações bíblicas com os moradores à base duma contribuição. A média semanal era de 2.250.
Quando se iniciava o trabalho com A Idade de Ouro, ele foi delineado do seguinte modo: “O trabalho com A Idade de Ouro é uma solicitação de casa em casa com a mensagem do Reino, proclamando o dia da vingança de nosso Deus e confortando aqueles que choram. Em adição à solicitação, um exemplar de A Idade de Ouro deve ser deixado em cada lar, quer se obtenha ou não uma assinatura. As amostras serão fornecidas grátis. . . . Os trabalhadores da classe obterão suas amostras do Diretor.” As congregações desejosas de participar se registraram na Sociedade Torre de Vigia como organizações de serviço. Por sua vez, a Sociedade designou uma pessoa na congregação local para servir como o “Diretor”. Sendo designado, não estava sujeito à eleição anual local, como estavam os anciãos naquele tempo.
Suponha que nos juntemos brevemente ao trabalho de A Idade de Ouro. Elva Fischer nos conta o seguinte sobre ele: “Em 1919 recebemos nossa primeira consignação da nova revista A Idade de Ouro. . . . Nenhum de nós possuía automóvel naquele tempo, assim, meu marido e seu irmão carnal, Audie Bradshaw, carregaram de revistas nossa pequena charrete de um só lugar e lá se foram pregando as boas novas, usando uma charrete puxada a cavalo. Minha cunhada permaneceu em casa para cuidar do gado e de nossos filhos, visto que todos morávamos em fazendas. Os rapazes passaram dois dias inteiros colocando tais revistas, visto que deveriam colocar A Idade de Ouro em cada casa. Todos nos sentíamos felizes de ter esta oportunidade de participar na obra de pregação.”
“Convocaram-se voluntários para obter assinaturas para a revista”, observa Fred Anderson, acrescentando: “Eu me apresentei e senti a primeira verdadeira alegria de dar testemunho ativo. Desde então, tenho obtido muitas assinaturas e colocado centenas de exemplares da revista agora chamada Despertai! Tem sido poderoso instrumento em despertar pessoas aos tempos críticos e lhes tem dado maravilhosa esperança de vida e paz numa terra purificada.”
O TRABALHO COM A “ZG”
Em 21 de junho de 1920, uma edição em brochura de O Mistério Consumado foi lançada para distribuição. Era comumente chamada de “ZG”. (O “Z” representava a Zion’s Watch Tower ou Torre de Vigia de Sião, o nome original de A Sentinela, e o “G”, a sétima letra do alfabeto em inglês, designava este sétimo volume dos Estudos das Escrituras.) Esta edição especial de A Torre de Vigia (1.º de março de 1918) foi estocada enquanto o livro estava proscrito, e podia então ser colocada agora com as pessoas por vinte centavos de dólar o exemplar.
Lembrando o seu trabalho com a “ZG”, Beulah E. Covey afirma: “Havia uma gravura de página inteira do interior duma igreja com . . . dois pregadores, cada um descendo por um corredor, com um revólver numa das mãos e uma bandeja de coletes na outra. Tudo que tínhamos de fazer par colocar esta ‘ZG’ era mostrar esta gravura, e era muito comum colocarmos de quarenta a cinqüenta num dia no campo.”
O trabalho com esta edição de revista de O Mistério Consumado foi frutífero. Por exemplo, Annie Poggensee escreve: “Visitei uma senhora que ficou com a ‘ZG’ e fechou a porta. Pouco compreendi então os resultados que esta colocação traria. Algumas semanas depois, um convite foi deixado sob a sua porta. Ela reconheceu isto como sendo a mesma coisa de modo que compareceu ao discurso anunciado no convite. Continuou vindo às reuniões, e, por fim, o marido dela e duas filhas começaram a comparecer. Logo a inteira família Andreson estava na verdade.”
“GA” N.º 27
Com o tempo, A Idade de Ouro N.º 27 apareceu. “Era o número de 29 de setembro de 1920, pormenorizando a perseguição e os maus tratos contra os irmãos e as irmãs durante c período de opressão” escreve Roy E. Hendrix, que teve parti em distribuí-lo. Amélia e Elisabeth Losch acrescentam: ‘Ele expunha a perseguição impiedosa movida contra os Estudante, Internacionais da Bíblia durante a Primeira Guerra Mundial pelos clérigos religiosos da cristandade e seus aliados, políticos e militares. . . . Nove pessoas na congregação recusaram-se a participar neste trabalho e assinaram uma petição para não fazê-lo. Não tinham fé no ‘escravo fiel e discreto’. Como resultado, nós, junto com outros três, mantendo a fé, distribui mas 25.000 exemplares em apenas duas semanas O fim da campanha nos encontrou cansados, porém felizes, sabendo que andávamos fielmente na luz da Palavra de Deus.”
Quatro milhões de exemplares de A Idade de Ouro N.º 25 foram impressos. Estes foram distribuidor gratuitamente os foram colocados por uma contribuição voluntária de dez centavos de dólar o exemplar. A distribuição foi feita principalmente de casa em casa.
A OBRA NO EXTERIOR
As crescentes demandas de publicações bíblicas aumentaram Isto se dava no Canadá, por exemplo, onde a censura que fora imposta às publicações da Torre de Vigia foi levantada em 1.º de janeiro de 1920. A perseguição naquele país parecia estimular o povo de Deus a maior zelo na pregação e em promover a adoração verdadeira.
Em 12 de agosto de 1920, J. F. Rutherford e alguns associados partiram de barco para a Europa. Foram realizadas assembléias em Londres, Glasgow e outras cidades britânicas. Junto com alguns outros, Rutherford excursionou ao Egito e à Palestina. Vários escritórios e classes bíblicas foram visitados e fortalecidos espiritualmente. Uma sucursal da Sociedade foi estabelecida em Ramalá. No relatório do fim de ano, o irmão Rutherford revelou que a Sociedade estava estabelecendo um Escritório da Europa Central para supervisionar a obra de pregação na Suíça, França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Áustria e Itália.
A “CAMPANHA DOS MILHÕES”
Contribuindo para a obra de fazer discípulos naqueles dias, havia nova atividade de pregação — a “Campanha dos Milhões”. Caraterizava-se pela distribuição do livro de 128 páginas, Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão, colocado com as pessoas pela contribuição de 25 centavos de dólar o exemplar. O livro era usado em relação a um programa de discursos públicos que começara em 25 de setembro de 1920, e que se centralizava em torno dum discurso (originalmente intitulado “O Mundo Terminou — Milhões Que Agora Vivem Talvez Jamais Morram”), proferido por J. F. Rutherford em Los Angeles em 24 de fevereiro de 1918, e publicado no novo livro em 1920.
Em retrospecto, Lester L. Roper afirma: “Daí, chegou minha vez para um discurso público sobre o assunto ‘Erguei um Estandarte Para os Povos, Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão’. Eu estava acostumado a lidar com o público, mas isso era diferente. Senti como se o chão fosse subir e me atingir o rosto a qualquer instante. E acho que exigia intestinos fortes, visto que então só dispúnhamos de um número pequeníssimo de pessoas na verdade em todo o mundo — para dizer-lhes que ‘Milhões que agora vivem jamais morreriam’!”
Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão com o tempo foi traduzido e publicado em vários idiomas. Diferente da “obra pastoral”, que consistira no empréstimo de livros às pessoas, os exemplares do livro “Milhões” eram colocados com elas à base duma contribuição, e os interessados poderiam mais tarde obter volumes dos Estudos das Escrituras. A “Campanha dos Milhões” durou algum tempo, e deu-se, por esse meio grande testemunho. Anúncios dos jornais e em tapumes para cartazes com as palavras “Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão” foram usados para trazê-lo à atenção do público. Tão extensiva era a campanha que o lema tem sido lembrado através dos anos.
Lembrando o efeito da “Campanha dos Milhões”, escreve Rufus Chappell: “Tínhamos oferecido a publicação Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão em Sião [Ilinóis] e nas cercanias, e os resultados foram interessantes. Lembro-me dum grande e intermitente letreiro elétrico sobre o prédio da Lavanderia Waukegan na Rua Sheridan do Norte, a cerca de uns oito quilômetros de Sião, que dizia: ‘We Dye for the Millions Now Living Who Will Never Die.’ [“Tingimos Para os Milhões Que Agora Vivem Que Jamais Morrerão; trocadilho com a palavras dye (tingir) e die (morrer).] Este era um assunto mui popular naquele tempo, e muitos questionaram a frase e ficaram conhecendo a verdade através desta publicação.”
NOVO LIVRO PROMOVE O PROGRESSO
Durante anos os volumes dos Estudos das Escrituras tinham sido lidas e distribuídos amplamente pelos Estudantes de Bíblia. Em 1921, contudo, novo livro foi publicado — A Harpa de Deus, escrito por J. F. Rutherford. Por fim, teve um circulação de 5.819.037 exemplares em 22 idiomas. “Quando saiu A Harpa de Deus, isso foi realmente uma bênção, uma resposta às nossas orações”, afirma Carrie Green, continuando “Simplificava a verdade, a verdade inteira, todos os diferente assuntos sendo ilustrados como as ‘cordas da harpa’.”
Esta publicação delineava o propósito de Jeová como a “dez cordas da Harpa de Deus, a Bíblia”. As ‘dez cordas’ o subtítulos do livro eram: A Criação, A Justiça Manifestada, A Promessa Abraâmica, O Nascimento de Jesus, O Resgate, A Ressurreição, O Mistério Revelado, A Volta do Nosso Senho A Glorificação da Igreja e A Restauração. Sendo um manual para principiantes, continha perguntas para o estudo individual e em grupo. Ao trabalhar de casa em casa, os Estudantes d Bíblia ofereciam um curso completo por correspondência junto com esta publicação. Os doze cartões de questionário que constituíam o curso eram enviados pelo correio, um por semana. A congregação mediana talvez tivesse de 400 a 500 cartões para cuidar semanalmente em relação com este curso. Este trabalho foi feito por vários anos e foi altamente benéfica. Afirma Hazel Burford: “Também dirigíamos estudos nas casa dos interessados, similares ao nosso trabalho de estudos bíblico de hoje, exceto que um grupo inteiro de publicadores comparecia, como em nossos estudos de livro de congregação.”
INSTALAÇÕES PARA MAIOR OBRA DE PREGAÇÃO
No ano logo após a Primeira Guerra Mundial, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) quis comprar grande rotativa a fim de fazer alguma impressão. Havia somente algumas no país e todas elas estavam ocupadas. Pelo que parece, não havia oportunidade de obter-se uma durante muitos meses. Mas, a mão de Jeová não é curta, e uma grande rotativa instalada começou a ser operada pelos trabalhadores na sede em 1920. Carinhosamente chamada de “velho encouraçado”, através dos anos produziu milhões de revistas, folhetos e outras publicações.
Ao adquirir o “velho encouraçado”, a Sociedade alugou espaço gráfico na Avenida Myrtle, 35, em Brooklyn. Ao chegar a Betel, em 22 de janeiro de 1920, W. L. Pelle e W. W. Kessler foram designados para trabalhar naquele prédio. O irmão Pelle nos conta: “Nossa primeira tarefa foi lavar as paredes no primeiro pavimento da Avenida Myrtle, 35. Foi o serviço mais sujo que já tive, mas foi diferente. Sentíamo-nos felizes. Era a obra do Senhor, e isso a tornava digna de ser feita. Precisamos de três dias para terminar a limpeza e então estava pronto para se organizar o departamento de expedição. Lá embaixo, no porão, a rotativa (o ‘encouraçado’) estava sendo montada e lá em cima, no segundo pavimento, a prensa plana, a dobradeira e a grampeadora estavam sendo aprontadas.”
Logo o equipamento entrou em operação. Continua o irmão Pelle: “Dois irmãos, experientes operadores de máquinas e impressores, operavam a prensa plana, o irmão Kessler a dobradeira, e eu a grampeadora. Daí, saiu o primeiríssimo exemplar de A Torre de Vigia de nossas próprias prensas — o de 1.º de fevereiro de 1920 — um momento emocionante, uma ocasião felicíssima! Não demorou muito depois disso até que saiu A Idade de Ouro N.º 27, da prensa ‘encouraçado’ no porão. Pequeno início, mas jamais deixou de crescer!”
A obra de pregação estava crescendo! Em 1922, havia uma demanda muito maior de publicações Assim, a partir de 1.º de março de 1922, a Sociedade mudou sua gráfica para um prédio de seis pavimentos na Rua Concord, 18, em Brooklyn. Primeiro ocupou quatro pavimentos, e, por fim, todos os seis. Ali, a Sociedade iniciou a impressão de seus próprios livros encadernados. O prédio da Avenida Myrtle foi usado para estacar papel e publicações.
Uma tarefa considerável envolvida em transferir-nos da Avenida Myrtle para a Rua Concord foi transportar o “velho encouraçado”. Eis aqui como se cuidou disso, de acordo com um relato certa vez dado por Lloyd Burtch:
“Em 1.º de março de 1922, mudamo-nos com nosso equipamento de impressão da Avenida Myrtle para maiores acomodações na Rua Concord, 18, em Brooklyn. Com pequeno caminhão, mudamos a maioria das coisas pesadas. Quando chegamos aos grandes cilindros da máquina ‘encouraçado’, verificamos que eram pesados demais para aquele caminhão levar. Ficamos atônitos. Não sabíamos como fazê-los chegar às novas acomodações, mas, ao acordarmos na manhã seguinte, nosso problema estava resolvido
“Mais de cinco centímetros de neve caíram inesperadamente no decorrer da noite, e isso resolveu nosso problema. Fizemos uns esquis e rolamos os cilindros sobre eles Prendendo os esquis ao caminhão, arrastamo-los à nova localidade, com os esquis deslizando suavemente sobre a neve. Os cilindros foram então introduzidos pela janela do porão do local, Rua Concord. Durante anos depois disso, o encarregado da fábrica, R. J. Martin, deleitava-se em contar aos irmãos, nas assembléias, esta queda inesperada de neve que resolveu nosso problema d mudança.”
Dentro em pouco o “velho encouraçado” estava rodando novo, na gráfica da Rua Concord. E como fazia tremer aquele velho prédio! Ora, diz-se que o encarregado da gráfica, Martin, costumava comentar: ‘Os anjos é que estão segurando este prédio.’
APENAS COM A AJUDA DE JEOVÁ
“A impressão bem sucedida de livros e Bíblias nas rotativa por parte de pessoas com pouca ou nenhuma experiência prévia é evidência da supervisão de Jeová e da direção de seu espírito” observa Charles J. Fekel. Ele tem estado no serviço de Betel desde 1921. O irmão Fekel partilha dos acontecimentos na sede da Sociedade já por meio século e nos assegura: “Sempre foram achadas pessoas para realizar cada tarefa sem a duplicação ou o desperdício de esforços. Amplas tarefas planejadas de antemão foram terminadas, conforme se exigia apesar da oposição de Satanás.”
Quando a Sociedade mudou sua gráfica para a Rua Concord 18, Brooklyn, lá em 1922, obteve-se completo equipamento para composição de tipos, galvanostegia, de impressão e encadernação, a maioria dele sendo novo. O presidente de importante firma impressora que estava fazendo grande part. do trabalho para a Sociedade viu o equipamento e disse: “Eis ai os senhores, com um estabelecimento gráfico de primeira classe nas suas mãos, e ninguém por ali que saiba algo sobre o que fazer com ele. Em seis meses, tudo será um montão de ferro velho, e verificarão que as pessoas aptas a imprimir as coisas para os senhores são as mesmas que sempre o fizeram, e tornaram isso o seu negócio.”
Na verdade, houve problemas formidáveis. Mas, com ajuda divina, os irmãos fizeram maravilhoso progresso. Observe o seguinte exemplo: Não faz muitos anos, um mecânico perito da Alemanha e vários ajudantes levaram dois meses para montar uma grande prensa obtida pela Sociedade. Nos dois anos seguintes, outra prensa do mesmo tamanho e da mesma fabricação foi montada na sede por um irmão e seus ajudantes em Betel em apenas três semanas.
Os irmãos na sede da Sociedade se esforçaram. Aprenderam, e não demorou muito até que produziam bons livros. De início, só conseguiam encadernar 2.000 livros por dia. Em 1927, contudo, já produziam de 10.000 a 12.000 livros diariamente.
RETORNO A CEDAR POINT
A Sociedade não tinha operado a sua gráfica da Rua Concord em Brooklyn, Nova Iorque, por muito tempo, quando o povo de Deus se reuniu para uma assembléia internacional de 5 a 13 de setembro de 1922. Em que lugar? Em Cedar Point, Ohio, local do congresso geral dos Estudantes da Bíblia em 1919. Durante esses três anos intermediários houve crescimento. Os delegados à assembléia de 1922 vieram dos Estados Unidos, Canadá e Europa. A assistência média diária foi de 10.000, havendo dentre 18.000 a 20.000 presentes no domingo. Os batizados foram 361. Reuniões em inglês e em línguas estrangeiras foram realizadas simultaneamente, havendo até onze em progresso de uma só vez.
Imagine-se em Cedar Point para essa assembléia espiritualmente recompensadora. Note as grandes faixas, os pequenos letreiros de madeira nas árvores e os cartazes brancos nos postes e outras partes. Todos eles trazem as letras “A D V”. O que significam? Alguns afirmam que representam “After Death Victory” (Depois da Morte, A Vitória), visto que o restante ungido ainda está muito preocupado em ‘ir para casa’ no céu. Outros acham que tais letras significam “Advise The Devil to Vacate” (Avise o Diabo Para Cair Fora).
O suspenso durou até sexta-feira, 8 de setembro, conhecido como “O Dia”. O Juiz Rutherford falou então sobre “O Reino”. Observou T. J. Sullivan: “Os privilegiados a comparecer a essa reunião ainda podem visualizar o fervor do irmão Rutherford quando pediu a algumas pessoas desassossegadas que andavam de um lado para o outro por causa do intenso calor: ‘SENTEM-SE’ e ‘OUÇAM’ ao discurso a qualquer custo.” Entre outras coisas, o irmão Rutherford falou sobre o fim dos Tempos dos Gentios em 1914 e citou a afirmação blasfema do Conselho Federal de Igrejas de aclamar a Liga das Nações como a “expressão política do reino de Deus na terra”. Imagine-se nessa assistência à medida que Rutherford vai fazendo sua explanação em direção ao fim dramático de seu discurso. Ouça com atenção à medida que diz:
“ . . . Desde 1914, o Rei da glória tem assumido seu poder e tem reinado. Ele tem purificado os lábios da classe do templo e os tem enviado com a mensagem. Não se pode exagerar a importância da mensagem do reino. É a mensagem de todas as mensagens. É a mensagem do momento. Cabe aos que são do Senhor proclamá-la. O reino do céu está próximo, o Rei já reina; o império de Satanás está caindo; milhões que agora vivem jamais morrerão.
“Crê nisso? . . .
“Então, voltem ao campo, ó filhos do altíssimo Deus! Ponham sua armadura! Sejam sóbrios, vigilantes, ativos, valentes. Sejam testemunhas fiéis e verdadeiras do Senhor. Avancem na luta até que fique desolado todo vestígio de Babilônia. Proclamem a mensagem em toda a parte. O mundo precisa saber que Jeová é Deus e que Jesus Cristo é Rei dos reis e Senhor dos senhores. Este é o dia de todos os dias. Eis que o Rei reina! São os seus agentes de publicidade. Portanto, anunciem, anunciem, anunciem o Rei e seu reino.”
Naquele mesmo instante, uma faixa bicolor, de quase onze metros de comprimento, é desdobrada acima da tribuna do orador. Nela aparece grande gravura central de Cristo e as palavras “Anunciem o Rei e o Reino”. Agora tudo ficou claro. As letras enigmáticas “A D V” significam “ADVERTISE” (Anunciem). Anunciem o quê? Ora, “Anunciem o Rei e o Reino”! “Pode imaginar o entusiasmo”, exclama George D. Gangas, “a alegria e o excitamento dos irmãos. Jamais acontecera algo assim em suas vidas. . . . Era algo que ficou indelevelmente escrito na minha mente e no meu coração que jamais será esquecido enquanto eu viver”. C. James Woodworth, então um rapazinho de dezesseis anos, na orquestra da assembléia, lembra-se: “Esse foi um momento dramático. Como a assistência aplaudiu! O idoso irmão Pfannebecke, agitou seu violino por sobre a cabeça e, virando-se para mim disse bem alto: ‘Puxa vida! E agorra vamos fazerrr isso, não?’
MOTIVADOS A ANUNCIAR O REINO
E fizeram mesmo! Com efeito, os servos de Deus têm feito isso desde então. Intrepidamente, têm anunciado o Rei e o Reino. Quando os Estudantes da Bíblia deixaram Cedar Point eram fervorosos de espírito, ardendo de entusiasmo pela obra de pregação à frente deles. “Palavras não conseguem descrever a sensação de avançar de ir para casa e anunciar”, declara Ora Hetzel. A irmã Bennecoff, esposa de James W. Bennecoff acrescenta: “Fomos estimulados a ‘anunciar, anunciar, anunciar o Rei e o Reino’ — Sim, com mais zelo e amor em nossos corações do que nunca antes.”
Aliás, os congressistas tiveram oportunidade de anunciar o Reino até mesmo antes de partirem de Cedar Point. A segunda-feira, 11 de setembro de 1922, era o “Dia de Serviço”. Centenas de automóveis foram usados, cada um levando cinco ou mais passageiros e bom suprimento de publicações bíblicas, todos prontos a anunciar o Rei e o Reino no serviço de campo. “Meu cartão de ‘Instrução Para os Trabalhadores’ era o de N.º 144”, afirma Dwight T. Kenyon. “Meu cartão rezava: ‘Os carros se enfileirarão ao longo da frente do lago (Cedar Point) segundo o número sobre o radiador às 6,30 em ponto. O N.º de seu carro é 215, o N.º de Trabalhador é 5. . . . ’. Eu estava num grupo de sete pessoas. Fomos de carro-casa, operado por dois colportores. Nossa designação era Milan, Ohio, a alguns quilômetros de distância. Lembro-me de que o irmão Rutherford estava naquela reunião nessa hora bem cedo, para ver-nos partir.”
Sim, J. F. Rutherford ali estava para ‘Vê-los partir’. Mas havia mais relacionado a isso. “O irmão Rutherford se achava no primeiro carro que partiu naquela manhã”, observa Sara C. Kaelin. John Fenton Mickey acrescenta: “O carro do irmão Rutherford era o primeiro. Ele convidara a mim e minha esposa, a irmã dela, Clara Myers, e Richard Johnson e sua esposa. Eu não pude ir, visto que nossa garotinha ficara doente . . . Bem, o território para o primeiro carro era a estrada entre Cedar Point e Sandusky, Ohio. O irmão Rutherford visitou a primeira casa, Clara Myers a seguinte, e assim por diante até que o serviço terminou e voltaram ao congresso.”
RESPONDENDO ÀS CONVOCAÇÕES PARA MAIOR SERVIÇO DO REINO
Os servos de Jeová já tinham pregado um tanto de casa em casa por alguns anos. Agora, contudo, este trabalho foi acelerado. Depois de outubro de 1922, a pregação de porta em porta foi grandemente facilitada por meio de informações publicadas na folha mensal de instruções de serviço, o Boletim.
As reuniões dos Estudantes da Bíblia continuaram a suprir rico alimento espiritual. Os estudos de grupo de A Torre de Vigia foram primeiramente organizados em 1922. Imprimiam-se perguntas como ajuda para o estudo. As reuniões cristãs também mantiveram o passo com a crescente ênfase ao serviço de campo. Especialmente influenciada foi a Reunião de Oração, Louvor e Testemunho, no meio da semana. Há muito era uma ocasião para se entoarem cânticos, dar testemunhos e orar. Mas, no início da década de 1920, ocorreu uma mudança ligada com a proclamação do Reino de casa em casa. A respeito disto, escreve James Gardner: “Importante progresso começou em 1.º de maio de 1923. A primeira terça-feira de cada mês foi colocada à parte como Dia de Serviço, para habilitar os trabalhadores das classes a empenhar-se no serviço de campo junto com o ‘Diretor’ designado pela Sociedade. Como estímulo para este trabalho e para encorajar ainda mais aos irmãos, fez-se o arranjo para que, desse tempo em diante, as reuniões congregacionais de oração, realizadas cada quarta-feira à noite, devotassem a metade de seu programa a relatar testemunhos de experiências no trabalho de campo.” T. H. Siebenlist acrescenta: “A reunião da noite de quarta-feira mais tarde incluía uma consideração da folha impressa sobre serviço de campo da Sociedade, o Boletim. Assim, quando o serviço de campo começou a ser destacado, a companhia [congregação] de Shattuck, Oklahoma, empenhou-se com afinco na obra de pregação e decorou as solicitações [testemunhos] à medida que eram publicados no Boletim.”
Também, em 1923, a Sociedade começou a por de lado vários domingos por ano para um “testemunho mundial”. Isto envolvia um esforço unido para realizar reuniões públicas simultâneas através da terra. Todos os Estudantes da Bíblia foram encorajados a anunciar tais discursos como “O Império de Satanás Está Caindo — Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão.”
Na primeira parte de 1927, nos Estados Unidos, a obra de distribuição de livros e folhetos de casa em casa por uma certa contribuição começou a ser feita todo domingo. “Alguns ficaram imaginando como ela iria, sabendo que o mundo estava contra nós”, comenta James Gardner, acrescentando: “Isso iniciou uma onda de perseguição em alguns lugares. Mas, era uma convocação do ‘escravo fiel e discreto’, assim, por que hesitar? Quão contentes saíamos, e, ao passo que alguns se queixavam sobre ‘aparecermos logo nos domingos com livros’ e assim por diante, logo se viu que Jeová dirigia seu povo através do mundo. Até os dias de hoje o domingo é um bom dia para sairmos ao campo, e fazemos isso constantemente.”
ÀS PORTAS
Gostaria de juntar-se a alguns agentes de publicidade do Reino em sua obra de pregação de casa em casa do passado? Explicando a atividade, Myrtle Strain afirma: “Na maior parte explicávamos o que os livros continham e usávamos bastante dos artifícios dos vendedores, também. Amiúde, contudo éramos convidados a entrar nas casas e então, quando o morador mostrava interesse, fornecíamos o esboço inteiro dos propósitos de Deus, começando com a queda de Adão e indo até a restituição do homem. As vezes levávamos uma hora mais ou menos, numa casa.”
“Aqueles dias iniciais relacionados com o povo de Jeová estão repletos de muitas recordações inesquecíveis”, observa Martha Holmes. “Lembro-me de meu grupinho de cinco que trabalhava as cidades vizinhas da área de Des Moines, Iowa. Às vezes partíamos antes do dia clarear e ficávamos ali até depois do escurecer. Naqueles dias, nosso carro não tinha capota fixa, nem freios hidráulicos, nem direção hidráulica nem ar condicionado, nem aquecedor. A maior parte do tempo tínhamos de dirigir em estradas não pavimentadas. Ficávamos atolados na lama e tínhamos de meter tábuas embaixo das rodas para poder continuar. Nosso carro tinha uma capota que se podia prender com botões quando chovia ou nevava. Levávamos lancheiras e comíamos no carro frio. Certo dia depois de gastar várias horas de trabalho em Newton, Iowa a cerca de 48 quilômetros de Des Moines, começou um forte vendaval. Era difícil manter o carro na estrada, visto que os ventos tinham a força de tufões. Adicionalmente, a capota de lona tinha sido arrastada para trás e continuava sacudindo-se ao vento. Por fim conseguimos voltar a Des Moines, todos nós ensopados até a pele. Estou bem segura de que os observadores pensavam: ‘Que bando de gente maluca!’”
Amiúde seus esforços foram recompensados com excelentes resultados, contudo. Por exemplo, Julia Wilcox não se esqueceu de um dia, lá nos idos de 1920, quando era uma nova agente de publicidade do Reino que trabalhava sozinha de casa em casa em Washington, Carolina do Norte. Encontrou uma senhora que manifestou grande interesse no folheto da Sociedade, Falando com os Mortos, e aceitou algumas publicações. Afirma a irmã Wilcox:
“Não querendo detê-la, comecei ir embora, mas ela não me deixou partir. Eis aqui a sua história:
“‘Sei que o Senhor a enviou aqui hoje. A senhora é a resposta às nossas orações. Eu e minha mãe temos orado para que Deus nos levasse à luz. Temos sido membros da Igreja Metodista por toda a nossa vida, mas, recentemente, deixamos de ir à igreja porque não estávamos obtendo nada ali. Tudo de que ouvimos falar é de dinheiro, dinheiro e mais dinheiro. No outro dia, mamãe viu um anúncio numa revista de um livro sobre “espiritismo” e como se poderia falar diretamente com Deus. Ela me mandou pedir o livro e ver o que poderíamos aprender dele. Bem, já tenho a carta escrita, solicitando o livro, mas, por alguma razão, esqueci-me de enviá-la. [Essa carta jamais foi remetida.] Eu vou ler primeiro agora esses livros que obtive da senhora, e, quando mamãe vier ficar novamente comigo, ela também os lerá. Promete que vai voltar para nos visitar de novo dentro em breve?’
“Naturalmente que prometi. Essa seria minha primeira revisita [segunda visita]. O trabalho de revisitas não era incentivado então. Destacava-se a cobertura do território e deixar publicações. De qualquer modo, retornei conforme prometera, quando a mãe dela estava ali. Tinham ‘devorado’ as publicações que eu deixara na primeira visita e queriam mais. Daquele tempo em diante, aceitaram toda publicação editada pela Sociedade. . . . Tenho grande prazer em relatar que a irmã [Sofia] Carty, minha primeira revisita, foi fiel no serviço e no comparecimento às reuniões até sua morte em 1963.”
OS SETE ANJOS SOAM SUAS TROMBETAS
Lá na década de 1920, os servos de Jeová ocupavam-se em anunciar o Rei e o Reino, com excelentes resultados. Ademais, embora o povo de Deus não o compreendesse naquele tempo, ficou envolvido no emocionante cumprimento de profecias apocalípticas. À medida que sete mensageiros angélicos tocaram suas trombetas, os verdadeiros cristãos desempenharam uma parte em eventos dramáticos na terra e continuam a participar neles até mesmo no tempo presente. — Rev. 8:1-9:21; 11:1-19.
Desde o tempo em que o primeiro anjo tocou a seus trombeta, a cristandade tem sido apedrejada por figurativa saraiva devastadora, fortes exposições baseadas na verdade bíblica. (Rev. 8:7) Tudo começou no congresso de Cedar Point dos Estudantes da Bíblia, em setembro de 1922. Ali, o povo de Deus adotou entusiasticamente a resolução intitulada “Um Desafio”. Intrepidamente, expunha a deslealdade do clero a Deus por participar na guerra e, depois disso, repudiar Seu reino messiânico por sustentar que a Liga das Nações era a expressão política desse reino. Nesse outubro de 1922, 45.000.000 de exemplares da resolução e material de apoio começaram a ser distribuidos em toda a terra. Desse tempo em diante, a cristandade (seu clero católico e protestante e seus membros de igrejas) tinham sido expostos como falsos em sua afirmação de serem verdadeiros seguidores de Jesus Cristo.
Sob a direção do segundo trombeteiro angélico, os Estudantes da Bíblia realizaram um congresso regional em Los Angeles Califórnia, de 18 a 26 de agosto de 1923. Ali, aprovaram de forma sobrepujante a resolução histórica intitulada “Um Aviso”. Expunha o fracasso do clero da cristandade em ajudar na proclamação da mensagem do Reino, e apelava para as pessoas semelhantes a ovelhas se voltarem, não para a Liga das Nações, apoiada pelo clero, mas para o reino de Deus como a “única solução para os males nacionais e individuais”. O fracasso do clero neste sentido tem sido um dos principais fatores do aumento dos elementos radicais, revolucionários representados pelo “mar” inquieto. Mas, esses elementos radicais tampouco podem dar vida à humanidade, assim como sangue derramado de um corpo humano não pode dar vida. Em dezembro de 1923, começou a impressão dum tratado “Proclamação — Aviso a Todos os Cristãos”, que continha a resolução do congresso. Além dos milhões de exemplares editados no exterior, 13.478.400 foram impressos nos Estados Unidos. A distribuição em massa dessa Proclamação era apenas o início. Até os dias de hoje, os seguidores ungido, de Jesus tem feito muitas proclamações que advogam o reino de Deus. — Rev. 8:8, 9.
Quando o terceiro anjo tocou sua trombeta, um terço das águas transformou-se em absinto. (Rev. 8:10, 11) Significativamente, no congresso dos Estudantes da Bíblia de 20 a 27 de julho de 1924, em Columbus, Ohio, o povo de Deus adotou entusiasticamente uma resolução denominada “Acusação” Expunha as doutrinas falsas e difamadoras de Deus ensinada’ pelo clero apóstata da cristandade e mostrava ser mortífero o proceder religioso para o qual eles e seus associados políticos levavam o povo. Deveras, os clérigos faziam o povo beber algo tão amargo quanto o absinto que resultaria em sua morte espiritual e conseqüente destruição. A resolução do congresso foi incorporada ao tratado intitulado “Acusados os Eclesiásticos”, do qual 13.545.000 exemplares foram impressos nos Estados Unidos. Outros milhões em línguas estrangeiras foram publicados no exterior. Com o tempo, foram distribuidos 50.000.000 de exemplares. A Acusação também foi publicada em A Torre de Vigia. De novo, isso era apenas o princípio. Pelo rádio, por livros, folhetos, revistas e testemunho verbal os servos de Jeová têm continuado a apontar que os ensinos do clero da cristandade não são águas da vida, mas levam à morte.
Então veio o ano de 1925, e o quarto trombeteiro angélico preparou-se para agir. Sua trombeta foi tocada e um terço do sol, da lua e das estrelas foi golpeado e obscurecido. (Rev. 8:12) Durante um congresso regional em Indianápolis, Indiana, em 24 a 31 de agosto de 1925, os servos de Deus endossaram de coração uma resolução sob o título “Mensagem de Esperança”. Incluía expressões amorosas, mas também mostrava que o povo tinha caído na escuridão na cristandade, que afirma ser a luz espiritual do mundo. Além da publicação da resolução em A Torre de Vigia e A Idade de Ouro, com o tempo muitos milhões de exemplares em forma de tratado circularam em várias línguas. Assim, o povo foi informado de que a cristandade não gozava da luz da verdade celeste e do favor divino.
O ataque de gafanhotos simbólicos foi anunciado quando o quinto anjo soou sua trombeta na primavera setentrional de 1926. (Rev. 9:1-11) De 25 a 31 de maio daquele ano, os Estudantes da Bíblia realizaram um congresso internacional em Londres, Inglaterra. Ali, de todo o coração, adotaram uma resolução intitulada “Testemunho Perante os Regentes do Mundo”. Nela e no discurso público de apoio “Por Que as Potências Mundiais Cambaleiam — O Remédio”, proferido no domingo, 30 de maio, pelo irmão Rutherford a ampla assistência no Salão Real Albert, expuseram a origem satânica da Liga das Nações e apontaram o fracasso do clero em apoiar o reino messiânico de Deus. Informações similares foram publicadas no livro recentemente lançado Libertação, e no folheto O Estandarte Para o Povo. Na manhã de segunda-feira, The Daily News de Londres devotou uma página inteira à resolução e a uma sinopse do discurso público de domingo, junto com um anúncio do discurso de segunda-feira à noite, de Rutherford. O espaço no jornal tinha sido comprado por considerável soma, e um milhão ou mais de exemplares desta edição alcançaram o público.
Com o tempo, cerca de 50.000.000 de exemplares da resolução “Testemunho” foram distribuidos por toda a terra em forma de tratado, em muitas línguas. Esta exposição dos planos humanos arquitetados contra o reino de Deus, em nome da religião, aguilhoava como a picada da cauda dum escorpião, e continua a fazê-lo.
Quando o sexto anjo tocou sua trombeta, quatro anjos simbólicos foram desatados e 200.000.000 de cavalos simbólicos saíram “para matarem um terço dos homens”. Tais “cavalos” representavam os meios de anunciar terrível mensagem de julgamento, em especial pela página impressa. A ação começou com notável evento de 1927 — um congresso internacional dos Estudantes da Bíblia em Toronto, Ontário, Canadá (Rev. 9:13-19) Ali, no Coliseu, no domingo, 24 de julho, cerca de 15.000 pessoas ouviram a J. F. Rutherford ler uma resolução dirigida “Aos Povos da Cristandade”, que constitui aproximadamente um terço da humanidade. Instava com as pessoas sinceras a abandonar a cristandade, de modo a não serem destruídas com ela. Concitava as pessoas a dar sua devoção e lealdade de coração inteiramente a Jeová Deus, e ao seu Rei e reino. Na conclusão do discurso de apoio de Rutherford, “A Liberdade dos Povos”, um trovão de “sim” irrompeu dos presentes, ao ficarem de pé e bradarem sua aprovação da resolução. Milhões de pessoas ouviram o desenrolar dos eventos através do rádio por uma cadeia internacional de 53 estações, a maior rede daquele tempo. “Gigantesca cadeia de rádio ouve Rutherford” declarou o World de Nova Iorque, da segunda-feira, 25 de julho de 1927. “Maior cadeia dissemina a todas as partes do mundo o discurso que condenou o clero organizado.”
Como os apoiadores da cristandade devem ter agonizado sob o calor ardente de certas declarações naquela estimulante resolução! Ela e o discurso público acompanhante foram publicados no folheto A Liberdade dos Povos. Com o tempo milhões de exemplares foram colocados nas mãos do povo comum e dos regentes. Assim, milhões dos cavalos simbólicos começaram a atacar a cristandade, fazendo isso sob o controle do restante ungido, os “quatro anjos”. Através dos anos, tais publicações cristãs foram produzidas às centenas de milhões e milhares de pessoas as acolheram favoravelmente, abandonando Babilônia a Grande, o império mundial da religião falsa. — Rev. 9:13-19; 18:2, 4, 5.
Eventos dramáticos ocorreram quando o sétimo anjo tocou sua trombeta. “Houve vozes altas no céu, dizendo: ‘O reino do mundo tornou-se o reino de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.’” Embora o reino do mundo da humanidade pertença de direito a Deus, desde 607 A.E.C. em diante, Ele permitiu que a realeza por parte de um descendente ungido do Rei Davi sofresse um lapso ou interrupção por “sete tempos”, ou 2.520 anos. Esse período esgotou-se por volta de 4 a 5 de outubro de 1914 E.C. As pessoas precisavam saber que mediante o reino messiânico então estabelecido, Jeová regia qual rei, que em breve iria “arruinar os que arruínam a terra” e que as pessoas que temiam Seu nome seriam colaboradoras dele em tornar a terra um paraíso. — Rev. 11:15-18.
Quando é que tais coisas seriam anunciadas em todo o mundo como se fosse pelo toque da trombeta do ‘sétimo anjo’? Esse anúncio que circularia pelo globo começou em 1928, quando os Estudantes da Bíblia reuniram-se num congresso em Detroit Michigan, de 30 de julho a 6 de agosto. Especialmente digno de nota foi o domingo, 5 de agosto, pois então os delegados ouviram a estimulante resolução “Declaração Contra Satanás e a Favor de Jeová”, bem como o discurso público de apoio de J. F. Rutherford, “O Dominador do Povo”. Entre outras coisas, aquela resolução declarava que, visto que Satanás não queria ceder sua regência iníqua sobre as nações e povos, Jeová, com seu oficial executivo, Jesus Cristo, agirá contra o Diabo e suas forças do mal, resultando na plena restrição de Satanás e completa derrubada da organização dele. Ademais apontava que Deus, por meio de Cristo, estabelecerá a justiça na terra, emancipará a humanidade do mal e trará bênçãos eternas a todas as nações da terra. “Por conseguinte”, concluía a resolução, “chegou o devido tempo para que todos os que amam a justiça tomem sua posição do lado de Jeová e obedeçam e sirvam a Ele com coração puro, para que possam receber as ilimitadas bênçãos que o Deus Todo-poderoso tem em reserva para eles”.
Relatórios dessa “Declaração Contra Satanás e a Favor de Jeová” e o discurso público de apoio foram publicados em A Idade de Ouro e em A Torre de Vigia. Ademais, a resolução e discurso também foram circulados em várias línguas aos milhões no folheto O Amigo do Povo. Assim, uma mensagem de apoio ao reino de Deus por Jesus Cristo e em desafio à regência mundial de Satanás e seus instrumentos foi trombeteada há mais de quatro décadas. Mas, pela página impressa e por discursos soou através de toda a terra desde então com crescente volume, à medida que os servos de Jeová continuamente levam a mensagem do reino de Deus às pessoas da terra
UMA RÁDIO PIONEIRA ERGUE SUA VOZ
“Rádio Diz que Milênio do Mundo Está Chegando”, declarou o Record de Filadélfia de 17 de abril de 1922, continuando: “Discurso do Juiz Rutherford Transmitido do Teatro Metropolitano de ópera. Fala a um Transmissor. Mensagem É Levada a Milhas de Distância Pelos Fios da ‘Bell Telefone’ Até à Estação Howlett.” Assim começava uma notícia de jornal sobre o primeiro discurso de J. F. Rutherford pelo rádio, proferido no domingo, 16 de abril de 1922, no Teatro Metropolitano de ópera em Filadélfia, Pensilvânia. Sobre que assunto? “Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão.” Sua assistência visível era dum simples punhado de gente em comparação com calculadamente 50.000 moradores de Pensilvânia, Nova Jérsei e Delaware que ouviram o discurso em rádios primitivos em suas casas.
Aqueles eram os dias iniciais das comunicações pelo rádio. Nos Estados Unidos, não foi senão em 1920 que foram feitas transmissões comerciais regulares pelo rádio, através da estação KDKA de Pittsburgo, e a WWJ de Detroit, Michigan. Podia-se então comprar um aparelho de cristal de produção industrial, com fones de ouvido, mas não foi senão na década de 30 que se produziram rádios com alto-falantes e antena internos.
Os servos de Jeová, do início da década de 20, eram relativamente poucos. Em 1924, nos EUA, havia somente, em média 1.064 Estudantes da Bíblia que pregavam de casa em casa toda semana. Assim, durante aquele período, o povo de Deus, reconheceu os efeitos de longo alcance do rádio e o considerou excelente meio de alcançar as massas com a mensagem do Reino.
Em 1922, J. F. Rutherford e alguns conselheiros vieram a adquirir a escritura de cerca de dez hectares na Ilha Staten, Distrito de Richmond, da cidade de Nova Iorque. Levando-nos de volta àquela época interessante, Lloyd Burth certa vez declarou: “Certa tarde de sábado, o presidente da Sociedade irmão Rutherford, levou alguns de nós até a Ilha Staten. Ao chegarmos à propriedade que fora comprada, ele indicou um lugar no meio da mata no terreno e disse: ‘Muito bem rapazes. É aqui que vamos começar a cavar. Vamos construir uma estação de rádio em nosso terreno.’ E como cavamos! Todo fim-de-semana durante o verão nos ocupamos nisso”. Por todo o inverno e avançando no verão setentrional de 1923 a construção continuou em ritmo acelerado, muitos rapazes da sede da Sociedade em Brooklyn ajudando nos fins-de-semana.
Em 1923, Ralph H. Leffler ensinava teoria de rádio no ginásio de Alliance, Ohio. Certo dia, recebeu uma carta do escritório do presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA). Perguntava-lhe: “Observando que é professor de rádio . . . será que consideraria dedicar todo o seu tempo ao serviço do Senhor neste sentido?” O irmão Leffler viu claramente a mão de Jeová nisso e não podia deixar de aceitar esta oportunidade. Em meados de outubro chegou ao Betel e foi designado a lavar louça! “Já não tinha eu agüentado demais lavar a louça no exército, pensava eu”, escreveu ele mais tarde. “Então, lembrei-me do texto: ‘O Senhor, vosso Deus, vos põe à prova para ver se o amais de todo o vosso coração e de toda a vossa alma (Deu. 13:3, CBC) Sim, esta é outra prova, concluí.” Mas, um mês depois, começou a trabalhar com rádio. “Um transmissor composto de rádio, de 500 watts, se localizava na cidade e fora comprado para a estação”, relembra o irmão Leffler. Ele o instalou rapidamente e tudo ficou pronto para a primeira transmissão.
“Estávamos muito emocionados”, admite o irmão Leffler. “Será que a primeira transmissão teria êxito? Será que alguém conseguiria ouvir-nos? Obtivera-se a licença governamental de radiodifusão. E as letras do prefixo designado eram WBBR. Tudo estava pronto para a primeira transmissão, e esta se deu na noitinha de domingo, 24 de fevereiro de 1924. Foi meu privilégio ligar a chave de força para aquela primeira transmissão e lá fomos nós, esperando o melhor.”
Esse primeiro programa da WBBR continuou durante duas horas, das 20,30 às 22,30 horas. Houve solos de piano, canto, e, entremeado, o ponto destacado do programa, o discurso do presidente da Sociedade, J. F. Rutherford sobre o assunto ‘O Rádio e a Profecia Divina’. Cada noite depois disso, das 20,30 às 22,30 horas, e aos domingos, das 15 às 17 horas, eram transmitidos programas com boa música e discursos educativos.
As oportunidades de dramatizações pela WBBR vieram a surgir. Maxwell G. Friend partilhava nisso. Ele recebera intenso treinamento dramático no renomado Teatro Municipal de Zurique, Suíça. Anos depois, Jeová favoreceu o irmão Friend com o inesperado privilégio de produzir e dirigir dramas bíblicos e reproduções realísticas dos julgamentos das testemunhas cristãs de Jeová por juízes e promotores públicos eivados de preconceitos e influenciados pelo clero, nos EUA. Tais dramas os expunham à execração pública e inocentavam os servos de Deus. Os atores e músicos treinados que se empenhavam nestas apresentações constituíam “O Teatro do Rei”.
Em 1928, em Amboy do Sul, Nova Jérsei, alguns dos servos de Jeová foram presos por pregarem as boas novas num domingo. Isso marcou o início da “Batalha de Nova Jérsei” de uma década de duração. “O Teatro do Rei” desempenhou uma parte nisto. Durante os julgamentos dos verdadeiros cristãos, amiúde os juízes locais eram católicos que manifestavam preconceito nas salas de tribunais, usando linguagem grosseira e até mesmo revelando os aliados eclesiásticos que se procuravam manter nos bastidores. Os debates nos tribunais eram registrados em taquigrafia. Atores peritos assistiam aos julgamentos e estudavam a voz e as entonações do juiz, do promotor público, e assim por diante. Alguns dias depois, “O Teatro do Rei” imitava as cenas do tribunal com surpreendente realismo. Assim, as ondas do rádio eram usadas para expor o inimigo, e, com o tempo, os juízes ficaram tão atemorizados de ficarem em foco, bem como os policiais e promotores públicos desorientados, que muitos se tornaram mais astutos em cuidar dos casos que envolviam o povo de Jeová.
Por cerca de trinta e três anos a WBBR trouxe glória a Jeová e espalhou a verdade bíblica de forma ampla. Começou a sua radiodifusão com um transmissor de 500 watts. Três anos depois, comprou-se novo transmissor de 1.000 watts. Em 1947, a Comissão Federal de Comunicações concedeu permissão à WBBR de aumentar sua potência para 5.000 watts uma vez que não interferisse nas outras estações que operavam na mesma freqüência em partes amplamente espalhadas dos EUA. A instalação de um sistema de antenas direcionais de três torres resolveu este problema, e este dispositivo aumentou a potência de 5.000 watts para mais de 25.000 watts na direção norte-leste onde a população era maior. A WBBR era ouvida na área da Nova Iorque metropolitana e nos estados adjacentes d Nova Jérsei e Connecticut. No entanto, recebiam-se cartas sobre seus programas da Inglaterra, Alasca, Califórnia e outros lugares distantes.
A Sociedade vendeu a estação em 15 de abril de 1957. Por quê? Bem, quando a estação começou a funcionar em 1924, só havia uma congregação de cerca de 200 Estudantes da Bíblia que abrangia todos os cinco distritos da cidade de Nova Iorque, bem como Long Island e até mesmo partes de Nova Jérsei Em 1957, contudo, havia 62 congregações na cidade de Nova Iorque, e um auge de 7.256 proclamadores do Reino, além dá 322 publicadores de tempo integral das boas novas. Assim dava-se um bom testemunho. Também, é mais eficaz falar com as pessoas em suas casas, onde podem formular perguntas e obter mais instrução da Palavra de Deus. O dinheiro gasto ela relação com as operações de rádio podia ser usado de outros modos para promover os interesses do reino de Deus
Contudo, havia mais envolvido na obra de rádio da Sociedade Certo dia, J. F. Rutherford entrou no quarto de Ralph Leffler colocou um mapa dos Estados Unidos sobre a mesa e, apontar do com o dedo, disse: “Tenho presente localizar estações transmissoras aqui, ali e acolá. Está disposto a ser o engenheira de construção destas estações?” “Eu ficarei contente de fazer isso”, foi a resposta. Assim, quando chegou novembro de 1924 o irmão Leffler estava a caminho de Chicago, para trabalhai na construção de outra estação de rádio da Sociedade, esta com o prefixo WORD. O irmão Leffler também instalo” transmissores de outras estações, não diretamente propriedade da Sociedade, mas dirigidas por meio de seus representantes.
ENTRANDO NA HISTÓRIA DO RÁDIO
Durante a década de 1920, o povo de Jeová não só foi pioneira em estabelecer uma das primeiras estações de rádio a WBBR Conforme já observamos, os servos de Jeová entraram na história do rádio no domingo, 24 de julho de 1927, quando J. F Rutherford falou por uma rede de cinqüenta e três estações desde Toronto, Ontário, Canadá — a maior cadeia de rádio já criada naquele tempo.
O que levou a esta transmissão em cadeia sem precedentes? Uma série de eventos. Um acordo fora feito entre a WBBR e o dono da estação WJZ da cidade de Nova Iorque, para partilharem horários, mas o acordo não foi mantido. Mais tarde, a WBBR foi designada para transmitir em outra faixa de onda, e, ainda mais tarde, designada de novo a uma faixa menos favorável. Segundo a Lei de Radiodifusão de 1927, a estação da Sociedade iniciou um processo perante a Comissão Federal de Radiodifusão para que lhe fosse designada uma faixa mais favorável. Na audiência de instrução (14 e 15 de junho de 1927), o presidente Merlin Hall Aylesworth, da “National Broadcasting Company” testemunhou os grandes serviços prestados pelas estações de rádio WEAF e WJZ, de Nova Iorque, aparentemente para mostrar que não seria correto permitir que a WBBR ocupasse parte do horário, embora tanto a WJZ como a WEAF tivessem diferentes faixas. No interrogatório das testemunhas, feito por J. F. Rutherford, foi proposta a seguinte pergunta ao Sr. Aylesworth: Seu propósito é dar ao povo, por meio do rádio, a mensagem dos maiores financistas, dos mais proeminentes estadistas e dos clérigos de maior renome no mundo? A resposta foi afirmativa.
“Se estivesse convencido de que o grande Deus do universo fosse brevemente executar seu plano, a fim de abençoar todas as famílias e nações da terra com paz, prosperidade, vida, liberdade e felicidade, faria os preparativos para irradiar isso?” Seria bem difícil dizer Não, e, assim, a resposta foi Sim. Então, o Sr. Aylesworth disse voluntariamente que ficaria contente de irradiar um discurso do presidente da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia. Naturalmente, J. F. Rutherford aceitou a oferta.
Assim aconteceu que, quando o irmão Rutherford falou a uma assistência de congresso de cerca de 15.000 pessoas em Toronto, Ontário, Canadá, no domingo 24 de julho de 1927 milhões de outros ouviram-no por meio de uma cadeia de radiodifusão até então sem igual. Numa carta dirigida à Sociedade pela “National Broadcasting Company”, declarava-se: “Imagino que o Juiz Rutherford dispôs de uma assistência tão grande, ontem à tarde, como nenhum homem vivo jamais teve pelo rádio.”
Os Estudantes da Bíblia estavam envolvidos em outro notável acontecimento pelo rádio em 1928. Em Detroit, Michigan, no domingo, 5 de agosto, quando J. F. Rutherford preferiu o discurso público “O Dominador do Povo” a uma assistência de 12.000 pessoas, foi irradiado por uma cadeia de radiodifusão que ligou 107 estações, exigindo cerca de 53.000 quilômetros de linhas telefônicas e 147.000 quilômetros de linhas telegráficas, e foi retransmitido por ondas curtas para a Austrália e a Nova Zelândia.
A cadeia da “Watchtower” ou “Branca” foi organizada em 1928, especialmente para servir o congresso de Detroit. Teve tanto êxito que a Sociedade Torre de Vigia (EUA) decidiu operar semanalmente uma cadeia de estações de rádio através dos Estados Unidos e Canadá. Arranjou-se um programa de uma hora, gerado pela WBBR. Tratava-se de irradiações a vivo, apresentando um discurso do irmão Rutherford, com música introdutória e concludente provida por uma orquestra mantida pela Sociedade. Todo domingo, de 18 de novembro de 1928 até o ano de 1930, os radiouvintes podiam assim sintonizar a “Hora da Torre de Vigia”.
Os programas de rádio ocupavam grande parte do tempo do irmão Rutherford. Dava-se excelente testemunho, mas ele não conseguia viajar ou organizar congressos em várias parte da terra. Assim, em 1931, a Sociedade decidiu apresenta, programas gravados. Organizaram-se duzentas e cinqüenta estações para apresentar estas gravações de quinze minutos feitas por Rutherford segundo sua conveniência, e tocada pelas estações de rádio nas horas que quisessem. Em 1932, este serviço de rádio (chamado a Cadeia de Cera) foi expandido para 340 estações. Em 1933, ano-auge, 408 estações eram usadas para levar a mensagem a seis continentes, e 23.783 discursos bíblicos separados foram irradiados, a maioria deles sendo estas gravações elétricas de quinze minutos. Naqueles dias poder-se-ia girar o dial do rádio e sintonizar as irradiações da Torre de Vigia provenientes de estações amplamente espalha das, ao mesmo tempo. Não raro as ondas do ar estavam repletas das palavras da verdade que glorificavam a Deus.
GRÁFICA QUE PODIAM CHAMAR DE SUA
Cada vez mais o povo de Jeová atraía as atenções do público. Suas histéricas cadeias de rádio de fins dos anos 2 não podiam ser ignoradas. Nem podiam as pessoas desconsiderar estes proclamadores do Reino, pois sua obra de pregação de casa em casa aumentava de ritmo. Aumentava a procura de publicações bíblicas e as instalações gráficas da Sociedade tinham de manter o passo. Rememorando a última metade dos anos 20, C. W. Barber observa: “O prédio da gráfica, na Rua Concord, 18 [Brooklyn, Nova Iorque] tornara-se então pequeno demais e inconveniente para nossas necessidades.”
Era evidente. Os Estudantes da Bíblia precisavam de outra gráfica. Decidiram construir uma. Visto que o dinheiro suficiente para a construção da gráfica não estava disponível sem prejudicar a obra em outras partes da terra decidiu-se levantai fundos por hipotecar e penhorar seu imóvel numa quantia que não excedesse a metade de seu valor real. Emitiram-se debêntures nos valores de US$ 100, US$ 500 e US$ 1.000, e pagavam juros de cinco por cento ao ano. Por meio de um suplemento de A Sentinela, concedeu-se aos Estudantes da Bíblia a oportunidade de adquirir tais debêntures, ao invés de serem colocadas no mercado público.
Lá em 1926 e 1927, os membros da família de Betel de Brooklyn ficaram deleitados de ver a gráfica da Rua Adams, 117, começar a tomar forma. Não demorou muito até que todos os oito pavimentos desta excelente estrutura de concreto armado, com numerosas janelas, estava pronta para ser usada. Era um prédio moderno, à prova de fogo, tendo 6.300 metros quadrados de espaço útil. Em fevereiro de 1927, chegou a ocasião de se mudarem da Rua Concord, 18. “Lembro-me de o irmão R. J. Martin [o encarregado da gráfica] dançar de alegria com os rapazes, à medida que a maquinaria estava sendo mudada”, afirma Harry Petros. O entusiasmo do irmão Martin a respeito da nova gráfica era evidente em seu relatório ao presidente da Sociedade, conforme publicado no Anuário da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia de 1928 em inglês. Nele, observou que até mesmo os críticos da gráfica admitiam então que era “uma das melhores oficinas gráficas do centro das firmas impressoras do mundo, a saber, a cidade de Nova Iorque”. O relatório incluía a seguinte descrição das operações da gráfica:
“A planta geral do prédio é perfeita para nosso trabalho. Todo o trabalho se movimenta para baixo, de andar em andar, por gravidade, e na ordem natural: Os escritórios se acham no último andar, onde deveriam estar; a composição se acha no andar seguinte, onde deveria logicamente estar; as chapas descem para o andar seguinte, o sexto, onde se faz a impressão; a expedição de revistas e os folhetos ocupam o quinto; a encadernação vem no quarto; a armazenagem, no terceiro; a expedição no segundo; a estocagem de papel, a garagem e a casa de força no primeiro. Não se poderia melhorar isso.”
À medida que a equipe da sede se aproximava de 200 pessoas, começou a expansão do lar de Betel. Em dezembro de 1926, a Sociedade comprou o terreno ao lado de sua propriedade em Columbia Heights, 124, em Brooklyn. No início de janeiro de 1927, os três prédios, de número 122, 124 e 126, foram demolidos e iniciou-se a construção de um prédio de nove pavimentos, contendo cerca de oitenta quartos. Foi ligado ao prédio da Sociedade, terminado em 1911, na parte de trás, e dava para a Rua Furman.
“ENSINADOS POR JEOVÁ”
Jeová por certo abençoou seu povo lá nos idos da década de 1920, e forneceu as coisas necessárias para a promoção dos interesses do Reino. Também provou ser um Deus de revelações progressivas. Os Estudantes da Bíblia, por sua vez, verificaram ser necessário ajustar seu modo de pensar em certa medida. Mas, ficaram gratos pela orientação de Deus e estavam ansiosos de ser “ensinados por Jeová”. — João 6:45 Isa. 54:13.
O povo de Deus teve de ajustar seu modo de pensar sobre 1925, por exemplo. Expectativas de restauração e de bênção, foram ligadas ao mesmo, visto que achavam que tal ano assinalaria o fim dos setenta jubileus de cinqüenta anos cada um desde que os israelitas entraram em Canaã. (Lev. 25:1-12) Declara A. D. Schroeder: “Pensava se que então o restam’ dos seguidores ungidos de Cristo iria para o céu, para se, parte do Reino, e que os fiéis homens da antiguidade, tal’ como Abraão, Davi e outros, seriam ressuscitados como príncipes para assumir o governo da terra como parte do reino dó Deus.”
Veio e foi-se o ano de 1925. Os seguidores ungidos de Jesus ainda estavam na terra como classe. Os homens fiéis da antiguidade — Abraão, Davi e outros — não foram ressuscitados para se tornarem príncipes na terra. (Sal. 45:16) Assim como recorda Anna MacDonald: “1925 foi um ano triste para muitos irmãos. Alguns deles tropeçaram, suas esperança’ foram despedaçadas. Tinham esperado ver alguns dos ‘antigo’ dignitários’ [homens da antiguidade, como Abraão] serem ressuscitados. Ao invés de isso ser considerado uma ‘probabilidade’, leram que era uma ‘certeza’, e alguns se prepararam para seus próprios entes queridos, na expectativa de sua ressurreição Recebi pessoalmente uma carta de uma irmã que me trouxe a verdade. Ela me avisou que havia agido errada naquilo que me dissera. . . . [Mas] eu tinha apreço por minha libertação de Babilônia. Para que outro lugar se poderia ir? Eu tinha aprendido a conhecer e a amar a Jeová.”
Os fiéis servos de Deus não se dedicaram a ele apenas até certo ano. Estavam determinados a servi-lo para sempre. Para tais pessoas, as expectativas não-cumpridas a respeito de 1925 não representavam grande problema nem influíram adversa mente em sua fé. “Para os fiéis”, observa James Poulos, “1925 foi um ano maravilhoso. Jeová, por meio de seu ‘escravo fiel e discreto’, trouxe à nossa atenção o significado do capitule doze de Revelação. Aprendemos sobre a ‘mulher’, a organização universal de Deus; a guerra no céu e a derrota e expulsão dó Satanás e seus demônios das cortes celestiais, por Jesus Cristo e seus santos anjos; o nascimento do reino de Deus.” Evidente mente, o irmão Poulos tem em mente o artigo muito digno de nota “Nascimento da Nação”, publicado em A Torre de Vigia, em inglês, de 1.º de março de 1925. Por meio dela, o povo de Deus discerniu claramente como estas duas grandes organizações opostas — a de Jeová e a de Satanás — eram simbolizadas. Então aprenderam, também, que o Diabo teve de confinar suas operações à terra desde sua expulsão do céu, em resultado da ‘guerra no céu’ a partir de 1914.
CELEBRAÇÕES E FERIADOS
“Em nossos congressos iniciais, no período entre as sessões à medida que os amigos conversavam”, escreve Anna E. Zimmerman, “talvez acontecesse que alguns amigos lhe passassem seu livro ‘Maná’ [Maná Celestial Diário Para a Família da Fé], pedindo que escrevesse seu nome e endereço em seu ‘maná’. Escrevia-se numa página em branco, do outro lado, a data de seu aniversário, e quando chegava seu aniversário, e liam o texto naquela manhã para aquele dia, talvez decidissem escrever-lhe um cartão postal ou uma carta, desejando-lhe feliz aniversário.”
Sim, naqueles dias iniciais, os cristãos dedicados comemoravam aniversários. Bem, então, por que não celebrar o suposto aniversário de Jesus? Também fizeram isto por muitos anos. Nos dias do Pastor Russell, o Natal era celebrado na antiga Casa da Bíblia em Allegheny, Pensilvânia. Ora Sullivan Wakefield relembra que o irmão Russell dava aos membros da família da Casa da Bíblia moedas de ouro de cinco ou dez dólares no Natal. Mabel P. M. Philbrick observa: “Um costume que certamente não seria levado a efeito hoje em dia era celebrar o Natal com uma árvore de Natal no refeitório de Betel. O costumeiro ‘bom dia para todos’ do irmão Russell era mudado para ‘feliz Natal para todos’.
O que moveu os Estudantes da Bíblia a parar de celebrar o Natal? Richard H. Barber deu a seguinte resposta: “Foi-me solicitado que proferisse um discurso de uma hora por uma cadeia [de rádio] sobre o assunto do Natal. Foi proferido em 12 de dezembro de 1928, e publicado em A Idade de Ouro N.º 241 e novamente um ano mais tarde, no N.º 268. Esse discurso apontava a origem pagã do Natal. Depois disso, os irmãos em Betel jamais celebraram de novo o Natal.
“Importamo-nos de nos descartar de tais coisas pagãs?” pergunta Charles John Brandlein. “Absolutamente que não. Isto era apenas ajustar-nos às novas coisas aprendidas, e jamais soubemos antes que eram pagãs. Era apenas como tirar uma roupa suja e jogá-la fora.” Em seguida, descartamo-nos das celebrações natalícias e do Dia das Mães — mais adoração de criaturas. A irmã Lilian Kammerud relembra: “Quão prontamente todos os irmãos abandonaram estes feriados e admitiram estar contentes de ficar livres. Novas verdades sempre nos tornam felizes e . . . achamos que éramos privilegiados de saber de coisas que outros ignoravam.”
OUTRAS MUDANÇAS DE CONCEITO
O progresso no entendimento da Palavra de Deus trouxe alguns outros ajustes no modo de pensar cristão. Segundo Grant Suiter, os fins dos anos 20 foram dignos de nota nesse sentido. Afirma ele: “A modificação de conceitos a respeito de textos e questões de normas de procedimento pareciam ser constantes, durante esses anos. Por exemplo, foi em 1927 que A Torre de Vigia apontou que os membros fiéis do corpo de Cristo que dormiam não foram ressuscitados em 1878 [como certa vez se pensava], que a vida está no sangue e que o assunto de roupas sóbrias seria corretamente modificado.” (Veja A Torre de Vigia, de 1927, em inglês, páginas 150-152, 166-169, 254, 255, 371, 372.) A bem dizer, no ano antes, durante o congresso de Londres, Inglaterra, de 25 a 31 de maio de 1926, o irmão Rutherford falou da tribuna vestido de um terno social, ao invés de usar a formal casaca que por muito tempo tinha sido usada pelos oradores públicos entre as testemunhas cristãs de Jeová.
Outra mudança de conceito envolvia o símbolo “cruz e coroa”, que apareceu na capa da Torre de Vigia em inglês a partir do número de 1.º de janeiro de 1891. Com efeito, durante anos muitos Estudantes da Bíblia usavam um alfinete desta espécie Como meio descritivo, C. W. Barber escreve: “Na realidade era um distintivo, com uma coroa de folhas de louro nos lados e dentro da mesma havia uma coroa com uma cruz atravessado-a em certo Ângulo. Parecia bem atraente e nossa idéia naquele tempo era que significava tomarmos nossa ‘cruz’ e seguir a Cristo Jesus, a fim de podermos, no devido tempo usar a coroa da vitória.”
A respeito do uso de “distintivos cruz e coroa” comenta Lily R. Parnell: “Isto, segundo o irmão Rutherford pensava era babilônico e devia ser descontinuado. Ele nos disse que quando damos às casas das pessoas e começávamos a falar, esse era o testemunho em si mesmo.” Assim sendo, refletindo sobre o congresso dos Estudantes da Bíblia em 1928, em Detroit, Michigan, escreve o irmão Suiter: “Na assembléia, mostrou-se que os emblemas cruz e coroa não só eram desnecessários mas condenáveis. Assim, descartamo-nos desses itens de jóias.’ Cerca de três anos depois disso, começando com seu número de 15 de outubro de 1931, A Sentinela em inglês não mal trazia o símbolo da cruz e coroa na capa.
Alguns anos depois, o povo de Jeová aprendeu pela primeira vez que Jesus Cristo não morreu numa cruz em forma de T. Em 31 de janeiro de 1936, o irmão Rutherford lançou para a família de Betel de Brooklyn o novo livro Riquezas. De acordo com a Bíblia, dizia, em parte, na página 27 (26 em português): “Jesus foi crucificado ou afligido, porém não exatamente numa cruz lavrada, como está representado nas imagens que os homens fabricam; a crucificarão de Jesus consistiu em ser o seu corpo cravado ou pregado no madeiro.”
“VÓS SOIS AS MINHAS TESTEMUNHAS, DIZ JEOVÁ”
Para o mundo, houve um choque na “Terça-feira Negra” 29 de outubro de 1929. O mercado de capitais entrara em colapso. No Times de Nova Iorque, as notícias disso foram publicadas sob a manchete: “Cotações das Ações Caem US$ 14.000.000.000 na Corrida Nacional Para Venda; Banqueiros Deverão Apoiar Mercado Hoje.” Assim começou a Grande Depressão que durou pela década de 1930. Todavia, nesse tempo de grave aflição econômica, Jeová forneceu ricas provisões espirituais para Seu povo. E Ele também os tornou mui cônscios do profundo significado por trás das palavras: “‘Vós sois as minhas testemunhas,’ é a pronunciação de Jeová, ‘e eu sou Deus’.” — Isa. 43:12, NM, Brasileira.
Dava-se crescente ênfase ao nome divino. Por exemplo, considere os principais artigos nos números de 1.º de janeiro de A Torre de Vigia dos vários anos. Eram: “Quem Honrará a Jeová?” (1926), “Jeová e Suas Obras” (1927), “Honrai a Seu Nome” (1928), “Louvarei a Meu Deus” (1929) e “Cantai a Jeová” (1930).
O congresso do povo de Deus em Columbus, Ohio, de 24 a 30 de julho de 1931, foi um marco destacado em exaltar o nome de Jeová. Foi ímpar no sentido de que congressos de extensão foram planejados para 165 outros locais através da terra. Mas, esse não foi o fator mais importante. Houve algo muito mais significativo. Estava ligado às letras enigmáticas “JW” que apareciam no programa impresso da assembléia e no frontispício de O Mensageiro, o jornal do congresso — de fato, eram vistas em muitos lugares. “Quando cheguei próximo do local da assembléia”, observa Burnice E. Williams, “vimos ‘JW’ por todo lugar. Mas, não sabendo o que representavam todos ficávamos imaginando: ‘Para que será este ‘JW’?” A irmã Herschel Nelson recorda: “Faziam-se especulações quanto ao que ‘JW’ representava — ‘Just Wait’ (Espere Simplesmente), ‘Just Watch’ (Observe Simplesmente), e a correta . . .”
O significado de ‘JW’ foi revelado no domingo, 26 de julho de 1931, quando os congressistas emocionados adotaram de coração uma resolução apresentada por J. F. Rutherford e intitulada “Um Novo Nome”. Dizia, em parte:
“PORTANTO, a fim de que a nossa verdadeira posição fique definida e conhecida, e crendo também que isto se harmoniza com a vontade de Deus, tal como se acha expressa na sua Palavra, RESOLVE-SE:
“QUE, apesar de termos grande amor para com o irmão Charles T. Russell, por causa de seu trabalho, reconhecendo, com alegria, que dele se serviu o Senhor e abençoou grandemente o trabalho que fez, todavia, não achamos harmonioso com a Palavra de Deus sermos chamados de ‘russelitas’; que a Sociedade de Tratados Bíblicos Torre de Vigia, a Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia e a Associação do Púlpito do Povo, mais não são do que simplesmente nomes de corporações, organizadas e dirigidas por uma companhia de pessoas cristãs, a fim de efetuar eficazmente o nosso trabalho, em obediência aos mandamentos de Deus, não sendo cabível, portanto, que tais nomes se nos apliquem como coletividade cristã, seguidora que é das pisadas de nosso Senhor e Mestre, Cristo Jesus que, naturalmente, estudamos continuamente a Bíblia, mas como associação de cristãos declinamo-nos de ser denominados de ‘estudantes da Bíblia’ ou de quaisquer nomes semelhantes, como meio de identificar a nossa posição perante o Senhor; sim, recusamos terminantemente o sermos designados pelo nome de qualquer pessoa humana;
“QUE, tendo sido comprados com o precioso sangue de Jesus Cristo, nosso Senhor e Redentor, justificados e gerados por Deus Jeová e chamados para o seu reino, nós, sem a menor hesitação declaramos nossa solidariedade plena, e inteira lealdade e devoção a Deus Jeová e ao seu reino, que somos servos de Deus Jeová, por ele comissionados para trabalhar em seu nome, e, em obediência ao seu mandato, entregar ao povo o testemunho de Jesus Cristo, e fazer notório entre todas as gentes que Jeová é o Deus verdadeiro e onipotente, e é por isso que aceitamos com alegria cordial o nome que a boca do Senhor Deus ordenou que, pelo qual, fossemos chamados; de sorte que, de agora em diante, desejamos ser conhecidos e chamados pelo nome de — testemunhas de Jeová.”
Era óbvio, então. Aquelas intrigantes letras “JW” (TJ) representavam “Jehovah’s Witnesses” (testemunhas de Jeová). “Jamais olvidarei o tremendo brado e aplauso que vibraram por todo o local de reunião quando a informação foi finalmente tornada conhecida”, declara Arthur A. Worsley. Herbert H. Boehk adiciona: “Por toda a cidade de Columbus, os letreiros nas vitrinas das lojas — ‘Bem-vindas A. I. E. B.’ — foram retirados e agora rezavam ‘Bem-vindas, Testemunhas de Jeová’.”
Foi emocionante receber o nome testemunhas de Jeová. Não só aquela resolução intitulada “Um Novo Nome” foi alegremente adotada pelos milhares de seguidores ungidos de Cristo reunidos em Columbus. As congregações de per si mais tarde adotaram a mesma resolução. As testemunhas de Jeová tinham um nome que ninguém mais no mundo desejava. Mas, os servos de Deus sentiam-se profundamente gratos por ele. — Isa. 43:12.
Quando tinha 88 anos, A. H. Macmillan compareceu à Assembléia “Frutos do Espírito” das Testemunhas de Jeová na mesma cidade. Ali, em 1.º de agosto de 1964, o irmão Macmillan teceu os seguintes comentários interessantes sobre como ocorreu a adoção daquele nome:
“Tive o privilégio de estar aqui em Columbus, em 1931, quando recebemos . . . o novo título ou nome . . . eu estava entre os cinco que deveriam comentar o que achávamos da idéia de aceitar esse nome, e eu lhes disse brevemente o seguinte: Achava que era esplêndida idéia, porque esse título ali dizia ao mundo o que fazíamos e qual era nosso propósito. Antes disso, éramos chamados Estudantes da Bíblia. Por quê? Porque era isso que éramos. Daí, quando outras nações começaram a estudar conosco, fomos chamados de Estudantes Internacionais da Bíblia. Mas, agora, somos testemunhas a favor de Jeová Deus, e esse título diz ao público exatamente o que somos e o que fazemos. . . .
“Com efeito, creio que foi o Deus Todo-poderoso que nos levou a isso, pois o irmão Rutherford mesmo me dissera que acordara, certa noite, quando se preparava para esse congresso e disse: ‘Por que será que fui sugerir um congresso internacional quando não tenho nenhum discurso ou mensagem especial para eles? Por que trazê-los todos para cá?’ Então, começou a pensar sobre isso, e Isaías 43 lhe veio à mente. Levantou-se às duas da madrugada e escreveu, em taquigrafia, na sua própria escrivaninha, um esboço do discurso que iria proferir sobre o Reino, a esperança do mundo e sobre o novo nome. E tudo que foi proferido por ele naquela ocasião foi preparado naquela noite, ou naquela madrugada, às duas horas. E não [há] dúvida alguma em minha mente — nem naquele tempo nem agora — que o Senhor o guiou nisso, e que é o nome que Jeová deseja que levemos e estamos felicíssimos e contentíssimos de tê-lo.”
“O REINO, A ESPERANÇA DO MUNDO”
Durante o congresso de Columbus, no domingo, 26 de julho de 1931, ao meio dia — J. F. Rutherford começou seu discurso público altamente significativo “O Reino, a Esperança do Mundo”. Tanto a “National Broadcasting Company” como a “Columbia Broadcasting System” negara o uso de suas instalações radiofônicas. No entanto, os adoradores de Jeová formaram uma cadeia de rádio para enviar a mensagem desde Columbus, e a “American Telephone and Telegraph Company” disse, em poucas palavras: “Esta rede é a maior rede de per si que já esteve no ar.” A mensagem foi transmitida por mais de 163 estações de rádio nos Estados Unidos, Canadá, Cuba e México.
Imediatamente depois do discurso “O Reino, a Esperança do Mundo” pela cadeia radiofônica, e como parte de tal transmissão, o irmão Rutherford leu uma resolução intitulada “Aviso de Jeová — Aos Governantes e ao Povo”. Entre outra coisas, declarava meridianamente: “A esperança do mundo é o reino de Deus, e não existe nenhuma outra esperança.” Instava com o povo a que tomasse sua posição ao lado do reino de Deus. Quando o irmão Rutherford convocou sua assistência, visível e invisível, a adotar a resolução, os congressistas se levantaram em massa e bradaram “Sim”. Telegramas de todas as partes do país mostravam que muitos dentre os radiouvintes semelhantemente se puseram de pé e endossaram a resolução.
Os líderes do mundo, inclusive o clero, iriam receber a informação do discurso do congresso do irmão Rutherford “O Reino, a Esperança do Mundo”, e estariam em condições de conhecer o conteúdo da resolução “Aviso de Jeová”. Ademais precisavam ser informados de que os verdadeiros servos de Deus adotaram a resolução intitulada “Um Novo Nome”, e dali por diante seriam conhecidos como “testemunhas de Jeová” A distribuição do folheto The Kingdom, the Hope of the World (O Reino, a Esperança do Mundo; todavia, o folheto em português intitulava-se O Reino de Deus É a Felicidade de Povo, do qual se citou a resolução acima.) tornou tudo isso possível. Além de visitar o público em geral, as testemunhas de Jeová visitaram os clérigos, os políticos, os financistas e os militares, distribuindo esta publicação. Em questão de dois meses e meio, mais de cinco milhões foram distribuídos, e ainda o trabalho com o folheto não estava nem de perto terminado.
Refletindo sobre essa campanha de folhetos, Fred Anderson escreve: “Visitei o bispo em La Crosse. Ele me convidou mui cordialmente para sua sala de visitas. Daí, disse-lhe por que o visitava. Apresentei-lhe o folheto. Ele olhou para ele e não disse nada. Eu lhe agradeci e fui embora. Ele ficou furioso Quando eu passava pelo vão da porta, ele jogou o folheto em cima de mim. Caiu no chão. Ele o apanhou e o jogou de novo no momento em que eu fechava a porta de tela. A porta fechou bem sobre o folheto. Eu espero que o tenha lido, viste não ter conseguido livrar-se dele.” A irmã C. E. Bartow nos conta: “Um ministro, quando compreendeu o que eu lhe dera gritou comigo e disse: ‘Sua ignorantezinha! Vem aqui tentar ensinar-me, a um teólogo já por oito anos!’ Quão feliz me sentia de servir ao verdadeiro Deus!”
SISTEMA DE TROCAS EM OPERAÇÃO
Durante a década de 1930, a Depressão trouxe grandes dificuldades. Fábricas fecharam as portas. Em 1932, mais de 10.000.000 de residentes dos Estados Unidos estavam desempregados. Lavradores, moradores das cidades — a população em geral — sentia os efeitos da Grande Depressão.
O dinheiro era escasso, mas as pessoas de coração honesto precisavam da mensagem alegre da verdade bíblica. Quando as pessoas não podiam contribuir pelas publicações bíblicas, as testemunhas de Jeová, com freqüência as deixavam grátis. Mas, isto nem sempre podia ser feito. Qual era a alternativa? Recorda Margaret M. Bridgett: “Trocávamos por produtos tais como ovos, manteiga, frutas frescas e em conserva, galinhas, xarope de bordo; e eu fazia trocas por trabalhos de tricô — acolchoados, cobertas de almofadas, rendas e tapetes domésticos. Às vezes conseguia dar algumas de tais coisas em troca do aluguel de meu quarto. . . . [Anos mais tarde] compareci à formatura da [escola missionária de] Gileade, e estava ali uma irmã que obtivera de mim uma coleção de livros por me dar em troca acolchoados. Ela obteve a verdade e era então uma pioneira [pregadora de tempo integral] e o filho dela estava interessado”.
Arden Pate e John C. Booth lembram-se de terem pequena gaiola na parte de trás de seus carros de modo a poderem levar as galinhas que recebiam em troca das publicações colocadas com pessoas que não tinham dinheiro. Naturalmente, trocar publicações por galinhas nem sempre era um assunto simples. Escreve Lula Glover: “Cobríamos muito território em Alabama, Geórgia, Flórida, Carolina do Norte e do Sul, e parte de Tennessee e Mississipi. Pode visualizar eu mesma e a irmã Green perseguindo galinhas por aqueles grandes quintais das fazendas?”
Trocar publicações por vários produtos e outras coisas não era feito por razões egoístas. As pessoas precisavam das boas novas e este era o meio de recebê-las de forma impressa. “Sempre agradecíamos a Jeová por nos manter”, afirma Maxwell L. Lewis, “e sempre tínhamos o que necessitávamos na questão de alimento, abrigo e roupa”.
CAMPANHAS DIVISIONAIS
Esta também foi uma época de considerável oposição à obra de pregação do Reino. Em 1928, o povo de Jeová testemunhava de casa em casa aos domingos, e surgiu oposição imediata. À medida que aumentaram as detenções, na década de 30, as testemunhas de Jeová foram acusadas falsamente de coisas tais como vender sem licença, perturbar a paz e violar as leis sabáticas a respeito do domingo. A Sociedade Torre de Vigia (EUA) estabeleceu um departamento legal para oferecer orientação legal, e “Normas dum Julgamento” foram expedidas para ajudar os proclamadores do Reino a se defenderem nos tribunais. Recorriam-se das decisões adversas.
Mas, fez-se também algo mais. Em 1933, 12.600 Testemunhas nos Estados Unidos ofereceram-se para responder, depois de breve aviso, para fazerem a pregação de casa em casa em missões especiais em Áreas de oposição cívica. Foram organizadas em 78 divisões, cada divisão suprida de vários carros, cinco trabalhadores em cada carro, e de 10 a 200 carros eram enviados a locais de dificuldades. Quando alguns cristãos eram presos no serviço de campo, isto era relatado à Sociedade. Expedia-se uma convocação e, num domingo logo depois disso todos os grupos de carros numa divisão se reuniam num local de encontro pré-arranjado, geralmente no campo, recebiam instruções e designações de território, e então “cercavam a cidade como “gafanhotos”, dando testemunho à comunidade inteira, às vezes em questão de trinta a sessenta minutos. (Rev. 9:7-9) No ínterim, uma comissão de irmãos se dirigia a polícia e dava uma lista de todas as Testemunhas que pregavam ali naquele dia. Qualquer publicador do Reino preso durante a campanha devia telefonar para certo número ao chegar à delegacia de polícia. Advogados estavam a postos com dinheiro da fiança para socorrê-lo.
Uma campanha começava por se enviar dez carros de Testemunhas para o território, segundo Burnice E. Williams que continua, dizendo: “Depois de algum tempo, aqueles que foram ao território telefonavam dizendo que foram presos. Daí, dez outros carros eram enviados até que a cadeia ficava cheia. Então, depois que a cadeia ficara cheia, nós íamos como enxames. Como vê, não tinham mais espaço para nos prender. . . . depois de verem que estávamos determinados a trabalhar o território, simplesmente desistiam, de modo que podíamos ir lá e trabalhá-lo sempre que queríamos. Sempre vencíamos.
Nicholas Kovalak Jr. afirma que as Testemunhas esperavam ser presas. “Quando a polícia nos prendia e tomava nossos ‘pertences de valor’, cada Testemunha apresentava uma escova de dentes!” recorda ele. “O policial perguntava: ‘Por que todos têm uma escova de dentes?’ Todos nós dizíamos: ‘Esperamos ser presos e lançados na cadeia, de modo que nos preparamos!’ Erguiam as mãos e diziam: ‘Que adianta? Sabiam que não conseguiam intimidar as Testemunhas ou parar sua pregação.”
Embora se tenham passado décadas desde tais campanhas, em 1933 a 1935, são lembradas carinhosamente pelos seu participantes dos tempos de antanho. “Deveras” afirma, John Dulchinos, “aqueles eram anos emocionantes e suas memórias são preciosas. O espírito de Jeová nos tornava destemidos.”
BATALHA DAS ONDAS DE RÁDIO
Apesar da crescente oposição, as testemunhas de Jeová do início da década de 1930 declararam intrepidamente a mensagem do Reino de casa em casa. Mas as boas novas também chegaram a milhões de casas por meio do rádio, para grande consternação do clero. Internacionalmente, a Sociedade Torre de Vigia (EUA) usava então 408 estações de rádio. Na primavera setentrional de 1933, os católicos dos Estados Unidos lançaram uma campanha nacional, liderada pelos cardeais, bispos e sacerdotes. Com que objetivo? Para “expulsar Rutherford do ar.”
O Papa Pio XI proclamou um “ano santo” em 1933. Em 23 de abril de 1933, o irmão Rutherford transmitiu por 55 estações de rádio o discurso histórico “Os Efeitos do Ano Santo Sobre a Paz e a Prosperidade”. Nele, as vãs esperanças delineadas para o povo pela Hierarquia Católica Romana foram chamadas de simulacro da paz e prosperidade prometidas mediante o reino de Deus. O mesmo discurso foi programado para ser retransmitido por 158 estações em 25 de junho de 1933. Em preparação para tal transmissão, cinco milhões de folhetos foram distribuídos de casa em casa. A reação da Hierarquia foi amarga e intensa. Aumentou a intimidação católica, e alguns gerentes de rádio recusaram-se a transmitir outros programas da Torre de Vigia (EUA).
Em fins de 1933, e princípios de 1934, o povo de Jeová fez circular uma petição nacional, protestando contra estas ações católicas. Dirigida ao Congresso, finalmente apresentou 2.416.141 assinaturas. Em 4 de outubro de 1934, J. F. Rutherford compareceu diante da Comissão Federal de Comunicações. Citou casos específicos e estatísticas que mostravam que a pressão católica impedia seriamente a liberdade de adoração das testemunhas de Jeová, e o uso do rádio no interesse público. Apesar dos fatos, depois de receber o testemunho, a Comissão Federal de Comunicações fez muito pouco. Por isso, os servos de Jeová fizeram circular outra petição através dos Estados Unidos. Dirigida também ao Congresso, foi apresentada em janeiro de 1935, contendo 2.284.128 assinaturas. A segunda petição não foi atendida. Os acontecimentos subseqüentes levaram por fim à circulação de uma terceira petição nacional Seus 2.630.000 assinantes protestaram contra as ações de intimidação e boicote e solicitaram um debate público entre alta autoridade da Igreja Católica Romana e o Juiz Rutherford. Ao trabalhar com esta petição, Leonard U. Brown afirma que “encontrou muitos católicos que disseram que ficariam contentes de ouvir esse debate”. A petição foi entregue à Comissão Federal de Comunicações em 2 de novembro de 1936, mas também não foi atendida.
Embora nenhuma autoridade católica quisesse debater com Rutherford, em 1937 a Sociedade publicou o folheto intitulado “Descobertas”. Apresentava as doutrinas bíblicas básicas, em especial refutando os falsos ensinos católicos. Ao passo que o morador acompanhava na publicação, a Testemunha tocava num fonógrafo portátil a série gravada do irmão Rutherford, “Exposta”. Com a ajuda do folheto de perguntas, Estudo Modelo N.º 1, podia-se realizar um estudo bíblico. A respeito disto, Melvin P. Sargent escreve: “Fui convidado a levar esta série a casa de um senhor, e ele convidou três outros casais dentre seus parentes para os estudos. Levou várias semanas para cobrir este e outros assuntos, tais como ‘Religião e Cristianismo’. Dentre as oito pessoas que compareceram, seis fizeram sua dedicação a Jeová.”
Depois de 31 de outubro de 1937, o povo de Jeová afastou-se voluntariamente da transmissão comercial. Em ocasiões posteriores, o presidente da Sociedade proferiu discursos públicos por uma cadeia de estações de rádio, e, naturalmente, a WBBR continuou a operar para a glória de Deus. Desde fins de 1937 até a década de 1940, porém, fez-se uso incrementado do fonógrafo portátil e de discos de discursos bíblicos para leva’ a mensagem do Reino aos lares de milhões de pessoas.
QUEM CONSTITUI A “GRANDE MULTIDÃO”?
Essa tinha sido uma questão ardente entre o povo de Jeová por muitos anos. Há muito consideravam a “grande multidão’ como classe espiritual secundária que estaria associada ao. 144.000 ungidos no céu, como as damas de honra ou “companheiras” desta Noiva de Cristo. (Sal. 45:14, 15; Rev. 7:4-15; 21:2, 9) Em adição a isto, já em 1923 as “ovelhas” da parábola de Jesus sobre as ovelhas e os cabritos foram identificada’’ como uma classe terrestre dos dias atuais que sobreviveria ao Armagedom e entraria na prometida nova ordem de Deus (Mat. 25:31-46; Rev. 16:14, 16) O volume de 1931, Vindicação (Livro Um, em inglês) identificava as pessoas marcadas na testa para preservação (Eze, cap. 9) como as “ovelhas” da parábola de Cristo. Em 1932, concluiu-se que esta classe de “ovelhas” dos dias atuais tinha sido prefigurada por Jonadabe, companheiro de Jeú. Foi primeiramente em 1934 que se tornou claro que estes “jonadabes” com esperança terrestre deviam “consagrar-se” ou entrar numa relação dedicada com Jeová e ser batizados. Mas, a identidade da “grande multidão’ mencionada em Revelação, capítulo 7, ainda era entendida do mesmo modo que antes.
As incertezas quanto à “grande multidão” foram removidas quando o irmão Rutherford considerou esse assunto na assembléia das testemunhas de Jeová, de 30 de maio a 3 de junho de 1935, em Washington D. C. Nesse discurso, mostrou-se biblicamente que a “grande multidão” era sinônima de “outra, ovelhas” do tempo do fim. Webster L. Roe recorda que, num momento climático, J. F. Rutherford perguntou: “Será que todos que têm a esperança de viver para sempre na terra gostariam de ficar em pé?” Segundo o irmão Roe, “mais da metade da assistência ficou de pé”, e o orador então disse: “EIS A GRANDE MULTIDÃO!” “Primeiro houve um silêncio”, lembra-se Mildred H. Cobb, “então um brado de alegria e a animação foi alta e longa”.
Logo o congresso terminou, mas dera início a algo — uma busca. “Com grande entusiasmo e renovados espiritualmente, voltamos aos nossos territórios em busca dessas pessoas semelhantes a ovelhas que ainda tinham de ser ajuntadas”, afirma Sadie Carpenter
Depois do congresso de 1935, alguns que antes participavam dos emblemáticos pão e vinho nas observâncias da Refeição Noturna do Senhor deixaram de participar deles. Por quê? Não devido à infidelidade, mas porque compreendiam então que suas esperanças eram terrestres, e não celestes. E, ao passo que as publicações da Sociedade dos anos anteriores visavam principalmente os seguidores ungidos de Jesus, de 1935 em diante A Sentinela e outras publicações cristãs forneceram alimento espiritual para beneficiar tanto a classe tingida como seus companheiros com perspectivas terrestres.
DEIXE A VERDADE RESSOAR!
Na década de 1930, os proclamadores do Reino usavam fonógrafos em sua busca dos semelhantes a ovelhas. Henry Cantwell nos conta o seguinte a respeito deles: “Em 1933, à medida que a Sociedade expandia a obra de pregação, fizeram-se arranjos para a apresentação das gravações de discursos do irmão J. F. Rutherford em todas as partes do país. Para conseguir isto, a Sociedade fabricava o que eram chamadas de máquinas elétricas de transcrição. Estas eram grandes fonógrafos movidos a corda, com fonocaptor ou braço de toca-discos e amplificador e alto-falante movidos a pilhas. . . . Tínhamos uma variedade dessas gravações. Algumas eram completas em si; outras demandavam de dois ou quatro discos para completar um discurso. Assim, tínhamos discursos de 15 minutos, 30 minutos e uma hora. Desta forma, podíamos realizar reuniões públicas nos vários territórios em que trabalhávamos.”
Explicando ainda mais este trabalho, Julia Wilcox escreve: “Primeiro localizávamos uma casa, ou, as vezes, um prédio público, um velho celeiro ou até mesmo uma igreja, onde pudéssemos realizar o discurso de uma hora. Daí, a maior parte do dia seria gasta em ir de casa em casa anunciando o discurso, fazendo arranjos de retornar e apanhar aqueles que não tinham meios de transporte.”
Durante uma série de doze reuniões de transcrições, o mesmo território era trabalhado três vezes com publicações bíblicas e quatro vezes com anúncios. Cartazes nas vitrinas das lojas e letreiros para os carros das Testemunhas também anunciavam as reuniões. Excelentes resultados foram obtidos, muitas pessoas se reunindo em estudos permanentes e até mesmo participando na obra de pregação.
“A Sociedade usou centenas destes discos de 33 1/3 rpm para transmitir a mensagem do Reino”, segundo Ralph H. Leffler, que também observa: “Muitos eram usados por carros e camionetas-sonantes. . . . As palavras ‘Mensagem do Reino’ eram vistas nas laterais de muitas cometas e, naturalmente, esse era o tema. Rua acima e abaixo, e pelo interior, a mensagem era ouvida. . . . Às vezes, numa noite tranqüila, o carro-sonante parado no alto duma colina, dando para uma cidadezinha no vale abaixo, o som podia ser ouvido a quilômetros de distância.”
Oferecendo suas recordações, Henry A. Cantwell declara: “íamos a certa área, tocávamos alguns discos de música para atrair a atenção, fazíamos breve anúncio pelo microfone e então tocávamos um dos discursos. Daí, anunciávamos que haveria pessoas que fariam visitas às portas para apresentar mais informações aos que as desejassem.” Havia barcos-sonantes, e suas operações eram similares.
O serviço sonoro feito pelas testemunhas de Jeová não deixava de ter oponentes, contudo. Por exemplo, Lennart Johnson escreve:
“Em certo local, nos subúrbios da Rua 11, ao sul de Rockford, [Ilinóis] uma pessoa não apreciou o trabalho do carro-sonante nem a mensagem do Reino. Tomada de incontrolável emoção esta senhora levou seu carro para o lado do carro-sonante e como que para abafar as palavras do orador, persistiu em tocar a buzina alta de seu carro durante três ou quatro minutos. O único resultado foi descarregar sua própria bateria, evidenciado por ficar a buzina do carro cada vez mais fraca.”
Por outro lado, algumas experiências com o carro-sonante tiveram aspecto humorístico. “De início, algumas pessoa ficaram atemorizadas”, observa Julia Wilcox, acrescentando “Talvez estivessem nos campos, trabalhando, bem longe do carro-sonante, e diziam que soava como se uma voz dos céu falasse sobre Deus. Até ouvimos dizer que algumas família largaram o trabalho na lavoura e foram para dentro de casa pensando que o dia de juízo tinha chegado.”
DÊ CORDA AO FONÓGRAFO!
Durante anos, o fonógrafo portátil desempenhou parte importante na pregação do Reino. No desenvolvimento deste trabalho, o congresso geral das testemunhas de Jeová, de 15 a 20 de setembro de 1937, em Columbus, Ohio, EUA, foi significativo. Elwood Lunstrum fornece-nos o seguinte comenta rio sobre tal reunião:
“Nesta assembléia, o trabalho com fonógrafos portáteis às portas foi introduzido. Antes, levávamos o fonógrafo conosco no serviço, mas só o tocávamos quando convidados a entrar . . .
“Uma organização de ‘Pioneiros Especiais’ foi esboçada no congresso de Columbus para impulsionar o uso do fonógrafo às portas, e a obra de visitar de novo as pessoas interessada (pela primeira vez então chamada de ‘revisitas’) e estudos bíblicos com um arranjo chamado de ‘estudo-modelo’.”
Pouco depois dessa assembléia, cerca de 200 pioneiro’ especialmente escolhidos através dos Estados Unidos foram enviados para as grandes cidades onde já havia congregações do povo de Deus. Equipados com fonógrafos portáteis, estes publicadores de tempo integral puseram mãos à obra. Logo as testemunhas de Jeová em geral ficaram “cônscias do fonógrafo” e mais de 20.000 dessas máquinas tiveram de ser fabricadas na fábrica de Brooklyn da Sociedade em apenas dois anos. Até mesmo então, a procura excedia a oferta, à medida que milhares de proclamadores do Reino davam corda no fonógrafo e deixavam a verdade ressoar, para todos ouvirem!
Os fonógrafos usados pelos próprios publicadores do Reino sofreram mudanças com o passar do tempo. Por volta de 1934, havia um modelo forte e compacto, com motor à corda e tendo espaço para vários discos. Com 6 discos, pesava 9,5 quilos. Os publicadores faziam bastante exercício com esse. Cerca de dois anos depois, a Sociedade fabricou um mais leve. Daí, no congresso de 1940, introduziu-se novo fonógrafo de tipo vertical. Esboçado e construído pelos irmãos da sede da Sociedade, o fonógrafo tocava em pé. Tinha até um cantinho para publicações, e talvez pequeno lanche. Este modelo facilitou grandemente a obra de pregação de casa em casa.
Imagine-se agora no serviço de campo como proclamados do Reino há cerca de três décadas atrás “Quando o morador abria a porta, nós costumávamos dizer: Tenho uma mensagem para o Sr.’ Baixava a agulha e retumbava a voz do irmão Rutherford”, lembra-se L. E. Reusch. “No fim da mensagem”, observa Angelo C. Manera Jr., “o orador mencionava o livro que apresentávamos e quanto custava. Daí, apresentávamos o livro e o colocávamos, se havia interesse”. “Nunca éramos rudes”, comenta George L. McKee, “mas estávamos seguros de que todo o mundo precisava ouvir as boas novas do Reino”.
A obra com o fonógrafo não foi realizada sem oposição. Conta-nos Ernest Jansma: “Havia casos em que alguns tiveram seus fonógrafos literal e perversamente despedaçados bem diante de seus olhos. Outros os viram impiedosamente jogados para fora da varanda. Um irmão no Centro-Oeste ficou observando um lavrador irado fazer sua máquina voar em pedaços com uma espingarda de caça, daí ouviu chumbo passar voando pelo seu carro, ao deixar a cena. Eram perversos e religiosamente fanáticos naqueles dias.” Amelia e Elizabeth Losch falam de uma ocasião em que o disco “Inimigos” foi tocado para uma multidão no pórtico de certa casa. Depois que o discurso terminou, uma mulher arrancou o disco da máquina e o quebrou, dizendo: “Não podem falar desse jeito sobre o meu papa!”
Malgrado a oposição, a obra com o fonógrafo prosseguiu. Gradualmente, o uso deste instrumento no serviço de campo diminuiu na década de 1940. Depois de 1944, esta campanha de pregação de uma década com o fonógrafo começou a ser substituída pelo testemunho oral às portas.
Entre os instrumentos de testemunho empregados nos anos passados achava-se o cartão de testemunho introduzido em fins de 1933 e usado até bem dentro da década de 1940. John e Helen Groh explicam: “Os publicadores das boas novas não eram tão numerosos como são hoje, e não tão bebi treinados. Para ajudarmos em nossa obra e para melhor cobertura de território, usávamos o que era conhecido com cartão de testemunho. Estes eram curtos sermões impressos que se pedia que as pessoas lessem. No caso de as pessoas se negarem a lê-lo, ou de ficarem aborrecidas por não ter seus óculos à mão, relatávamos a elas o equivalente ao que estava no cartão.”
OUTRA FORMA DE SE ANUNCIAR O REINO
Significativo trabalho que trouxe o povo de Jeová à atenção do público, ao anunciar o Rei e o Reino, teve seu início num congresso em Newark, Nova Jérsei, durante 1936. Desenvolvimento adicional dele ocorreu numa assembléia em Londres Inglaterra, em 1938. Anos depois, este trabalho obteve a dignidade que merecia por ser chamado de marcha informativa Rememorando o congresso de Newark, em 1936, Rosa May Dreyer observa: “‘Cartazes de sanduíche’ ou cartazes dependurados dos ombros da pessoa, na frente e atrás, foram usado. para anunciar o discurso principal. [O publicador ficava como que num “sanduíche” entre os cartazes.] Também se distribuíam convites.”
Durante o congresso de Londres, em 1938, segundo as sugestões de J. F. Rutherford, alguns participantes das marcha informativas levaram letreiros sobre varas, que davam muito em que pensar. Em parte, A. D. Schroeder (que então tinta’ a supervisão da sucursal da Sociedade na Inglaterra) conta-nos:
“. . . Na noite seguinte, eu e o irmão Knorr lideramos primeiro desfile espetacular que veio a ter cerca de dez quilômetros de comprimento, tendo cerca de mil irmãos que marcharam pela zona comercial do centro de Londres. Cada segundo participante da marcha levava o cartaz ‘Encare os Fatos’ [anunciando o discurso público a ser proferido no Salão Real Albert], ao passo que o seguinte levava o letreiro ‘A Religião é Laço e Extorsão’. Ora, que espetáculo se viu naquela noite!
“Na manhã seguinte, o irmão Rutherford me chamou a seu gabinete para relatar o que acontecera. Relatei-lhe que chamamos muita atenção, que muitos nos chamaram de ‘comunistas’. Assim, ele pensou por alguns minutos, fazendo rabiscos de novo com sua caneta. Outra folha foi arrancada e me foi entregue, rezando: ‘Sirva a Deus e a Cristo, o Rei’. Ele me perguntou se eu não achava que tal lema num terceiro letreiro poderia neutralizar aquela ação de vaiar, da noite anterior. Eu lhe disse que ‘Sim’. De modo que ele instruiu que este lema fosse impresso e usado no seguinte desfile, duas noites depois disso. Dizemos isso, com excelentes resultados. Assim sendo, deste modo, com três letreiros alternados, fizemos vários desfiles notáveis antes das datas da assembléia, de 9 a 11 de setembro. Visto que o governo britânico, durante anos, negara-nos o uso do rádio para nossos programas e anúncios educativos, este método de desfile resultou eficaz para se avisar o público.”
Para Gladys Bolton, a marcha informativa era “o trabalho mais duro de todos”. Ela também afirma: “Cada cartaz rezava de forma diferente, mas aquele que se destaca na minha mente é ‘A Religião É Laço e Extorsão’! Puxa, como os clérigos ‘gostavam’ desse!” A respeito do letreiro “A Religião É Laço e Extorsão”, Ursula Serenco observa: “Este era o tempo em que não distinguíamos ‘religião verdadeira’ e ‘religião falsa’; toda a religião, na sua totalidade, era má. Nós mencionávamos a verdadeira como ‘adoração’, ao passo que a falsa era ‘religião’”
Às vezes havia hostilidade declarada às marchas informativas. “Em algumas cidades como Pittston [Pensilvânia], não fomos recebidos hospitaleiramente”, afirma John H. Sovyrda. “Muitas pessoas cuspiam em nós, chamavam-nos de todo tipo de nomes feios e diziam que éramos comunistas. Jogavam coisas em nós, e alguns realmente nos socavam.”
Por que, então, as testemunhas de Jeová se empenhavam nas marchas informativas? “Principalmente por acharmos importante que as pessoas soubessem dos fatos pertinentes à adoração falsa e à oposição que mostravam para com nossa obra cristã”, observa Charles C. Eberle. Angelo C. Manera Jr. comenta: “Olhávamos cada nova fase de serviço que era esboçado para nós como outro meio de servirmos a Jeová, outro meio de provarmos nossa lealdade a Ele, como outra prova de nossa integridade, e estávamos ansiosos de mostrar-nos dispostos a servi-lo de qualquer modo que Ele nos pedisse.”
Grant Suiter nos lembra que, por anúncio em A Sentinela, em inglês, as marchas informativas foram descontinuadas após outubro de 1939, mas ele acrescenta: “Este meio incomum e bem sucedido de chamar a atenção de muitas pessoas para o ministério das testemunhas de Jeová era ímpar em sua época. Seu fim, bem como seu uso, mostra a orientação de Jeová sobre o assunto. Nessa data atual [a década de 1970] realizam-se demonstrações públicas de todos os tipos, mas não participamos delas de nenhum modo, nem pode algo que fazemos ser confundido com tais demonstrações.”
ESPALHANDO “VERDADEIRA SABEDORIA” MEDIANTE AS REVISTAS
Os publicadores do Reino tiveram excelentes oportunidades de ajudar a reunir a “grande multidão” e disseminar a verdadeira sabedoria por oferecerem assinaturas de A Sentinela e Consolação (Despertai!) em sua pregação de casa em casa. Durante a primeira campanha de assinaturas de Consolação, em abril, maio e junho de 1938, 73.006 assinaturas novas foram obtidas nos Estados Unidos. A primeira campanha anual de assinaturas de A Sentinela ocorreu de janeiro a maio de 1939 quando as testemunhas de Jeová, somente nos Estados Unidos obtiveram mais de 93.000 assinaturas novas.
Mas, A Sentinela e Consolação ainda chegariam à atenção do público de modo especial. “A verdadeira sabedoria” virtual mente ‘gritaria nas ruas’. (Pro. 1:20) Como? Mediante a obra de revistas nas ruas, que teve seu início em fevereiro de 1940 Nesta atividade, os servos de Jeová tomavam posições em esquinas movimentadas de ruas, usando nos ombros sacolas de revistas especialmente feitas e com títulos, que identifica vem os dois periódicos e indicavam a contribuição sugerido — cinco centavos de dólar o exemplar. Segurando Consolação no alto, o proclamador do Reino talvez bradasse: “Publica fatos que nenhuma outra revista ousa imprimir.” Outros lemas incluíam: “Expõe a extorsão religiosa”, e “A Sentinela explica o Governo Teocrático.” Concitava-se os publicadores dó revistas a que fossem moderados ao falar na rua, seguindo um proceder dignificante. Desnecessário é dizer que os transeuntes eram atraídos e muitos respondiam de forma favorável.
Gostaria de saber como se desenvolveu a idéia da obra de revistas nas ruas? S. E. Johnston lembra-se de que, em 1939, a Sociedade escreveu a todos os servos de zona (predecessores dos atuais superintendentes de circuito), pedindo-lhes que experimentassem diferentes meios de fazer com que A Sentinela e Consolação chegassem às mãos do povo. O irmão Johnston pensou nos jornaleiros com suas sacolas sobre o, ombros. “Por que não tentar algo semelhante a isso?”, raciocinou ele. Dave e Emma Reusch concordaram em fazer sacolas de revistas, e sua filha Vera Coates, colocou vistosas inscrições de silkscreen sobre elas — “A Sentinela de um lado, Consolação do outro.” Quando o irmão Johnston visitou a pequena congregação em Concord, Califórnia, um grupo juntou-se a ele no testemunho de rua. Escreve ele: “Na semana seguinte os Reusches fizeram mais sacolas de revistas, e desta vez experimentamos as mesmas nas ruas comerciais de Oakland. Alguns irmãos sentiam-se um pouco tímidos de início mas a obra de rua ganhou ímpeto e começamos a receber pedidos de outras companhias [congregações] para sacolas de revistas. Nesse ponto, fiz meu relatório à Sociedade, enviando-lhes uma sacola de amostra . . . A Sociedade me escreveu, agradecendo-me, bem como a todos nós, pela experiência, e dizendo que fariam anúncio no Informante dentro em breve. E ela fez mesmo.”
A Sociedade fez arranjos para fornecer sacolas de revistas. Nicholas Kovalak Jr. nos conta: “Os publicadores da congregação de Passaic, Nova Jérsei, tiveram o privilégio de fabricar as sacolas de revistas para a Sociedade. Cortávamos o pano e o costurávamos em sacolas de revistas. No sábado e no domingo, todos os habilitados e voluntários se reuniam na fábrica de calças do irmão Frank Catanzaro e tinham o privilégio de costurar as sacolas de revistas para nossos irmãos por todo o país. . . . a Sociedade fazia a impressão. Assim, toda vez que viemos uma sacola de revistas, achávamos que tínhamos tido pequeno quinhão em anunciar o reino de Jeová.”
Como era aparecer pela primeira vez num canto de rua com A Sentinela e Consolação lá nos idos de fevereiro de 1940? Responde Peter D’Mura: “Quão bem me lembro de 1.º de fevereiro de 1940! . . . Como iríamos ser recebidos? Qual seria a reação de nossos vizinhos e das pessoas da cidade? Estávamos agitados. Iríamos fazer isto por duas horas. . . . Como ficamos surpresos! Ao bradarmos os lemas corretos e nos aproximarmos das pessoas, obtínhamos êxito. Cada um de nós colocou muitas revistas.”
Lembrando-se da reação do público, Grace A. Estep declara: “De início havia uma espécie de surpresa atônita misturada com divertimento e, às vezes, com ira, e, daí grande dose de embaraço, à medida que as pessoas passavam apressadamente de um lado da rua para o outro, no esforço de evitar os vizinhos com os quais não queriam falar e, mesmo assim, tinham vergonha de ignorar. Depois das primeiras semanas, contudo, simplesmente desistiram e empenhavam-se convenientemente em palestras ou em ver vitrinas, ao passarem pela série de publicadores na rua.”
Por vezes, irrompiam motins enquanto os servos de Jeová se empenhavam na obra de revistas nas ruas naqueles dias primitivos. Por exemplo, H. S. Robbins lembra se de uma turba irada que atacou a ele e a outros publicadores do Reino enquanto faziam o serviço de revistas nas ruas de San Antonio, Texas, há alguns anos. Do jeito como foram as coisas, as Testemunhas não ficaram feridas, mas elas, e não os arruaceiros, foram presos. Adiciona o irmão Robbins:
“Quando fomos soltos, voltamos ao Salão do Reino para reorganizar e ver o que faríamos em seguida. . . . Reorganizamo-nos e voltamos.
“Na ocasião em que chegamos de novo ao centro da cidade havia saído um jornal ‘extra’ e o brado dos jornaleiros era ‘Testemunhas de Jeová expulsas da cidade’, e lá estávamos nós de novo por todas as ruas. . . . Certamente não fomos expulsos da cidade e nem estávamos prestes a ir.”
“ANCIÃOS ELETIVOS”
Nas Escrituras, o povo de Deus é caraterizado como ovelhas que têm a Jeová como seu Pastor celeste. (Sal. 28:8, 9, 80:1; Eze. 34:11-16) Em adição a seu cuidado terno, usufruem a ajuda e direção do Pastor Excelente, Jesus Cristo, bem como o auxílio de outros pastares na congregação cristã. (Mat. 25:31-46; Luc. 12:32; João 10:14-16; 1 Ped. 5:1-4) Entre o povo de Deus, desde a década de 1870 até 1932, homens que tinham sido eleitos por votos no cargo de ancião supervisionavam congregacionalmente os estudos e discursos bíblicos da congregação. Homens que eram eleitos por voto para o cargo de diácono os ajudavam em sentido congregacional. Segundo C. W. Barber, os anciãos “lideravam em assuntos espirituais dirigindo as reuniões, proferindo discursos e assumindo a supervisão geral”, ao passo que os diáconos “eram usados como indicadores, cuidando dos arranjos de cadeiras e ajudando em sentidos materiais”.
Os anciãos e diáconos eram eleitos cada ano de modo congregacional, pelo erguer das mãos por parte dos associados com cada congregação. “Quanto à votação”, explica Herbert H. Abbott, “pensava-se então que, em Atos 14:23, a palavra grega traduzida ‘ordenado’ [14:22, Figueiredo; “designaram-lhes”, Tradução do Novo Mundo] relacionava-se a estender a mão e significava ser votante nessas eleições dos líderes da classe. [Veja Atos 14:23, Rotherham.] Não sabíamos então que veio a ser usada no sentido de nomear ou designar, por parte dos apóstolos ou corpo governante.”
“O que determinava o calibre espiritual daqueles selecionados para a supervisão congregacional?” pergunta Henry A. Rheb. Em parte, ele responde: “Bem, por um lado, nenhum novato era escolhido, e isso certamente era bíblico. Antes da reunião para tratar do assunto, liam-se as habilitações para o cargo, em 1 Timóteo 3:1-13, e Tito 1:5-9.” “Quando a lista de recomendados era completada”, afirma Edith R. Brenisen, “éramos fervorosamente admoestados a considerar com cuidado e oração as habilitações e capacidades de cada um recomendado, segundo a Bíblia, pedindo a orientação do espírito santo ao fazermos nossas decisões. . . . reuníamo-nos de novo no tempo designado para eleger aqueles que tinham sido recomendados.”
Em alguns lugares, surgiram problemas em eleger anciãos. “Campanhas eleitorais e rivalidades” são lembradas pela irmã Avery Bristow, que afirma: “Isto causava divisão e facções entre os irmãos e irmãs em algumas congregações, e alguns não falavam nem mesmo com outros de outro grupo.” Observa James Rettos: “Alguns ficavam até mesmo mui irados se não eram eleitos.”
Às vezes surgiam problemas relacionados ao serviço de campo. Ursula C. Serenco escreve: “Tudo ia bem até que surgiu o anúncio para que todos participassem no testemunho de casa em casa com publicações e, em especial, no trabalho de casa em casa aos domingos — isto em 1927. Nossos anciãos eletivos se opuseram e tentaram desanimar a classe inteira de empreender ou empenhar-se em qualquer parte desse trabalho. A classe começou a tomar lados e veio a manifestar-se uma divisão.” A atitude de alguns anciãos para com a pregação de casa em casa foi de interesse vital. Assim, na votação anual se poderia fazer questão específica disso. Por exemplo, segundo H. Robert Dawson, lá em 1929 os candidatos para ancião e diácono em Pittsburgo, Pensilvânia, tinham de responder à seguinte pergunta: “Está disposto a participar no serviço de campo?”
Certos anciãos sentiam-se superiores e só desejavam proferir discursos, segundo a irmã J. M. Norris. Ela acrescenta: “Outros criticavam os artigos de A Sentinela, não desejando aceitá-la como ainda sendo o canal da verdade de Deus, e sempre tentavam influenciar outros em seu modo de pensar.”
Nunca se deve concluir, contudo, que todos os anciãos eletivos tivessem atitude ou espírito incorretos. Muitos desincumbiram-se fielmente de suas responsabilidades como pastores cristãos do povo de Deus. (1 Ped. 5:1-4) “Apenas alguns sempre estavam lançando obstáculos no caminho da obra de pregação”, afirma James A. Barton. Segundo Roy E. Hendrix, “muitos deles eram Estudantes da Bíblia realmente dedicados, verdadeiras testemunhas de Jeová”. Observa Clarence S. Huzzey: “Muitos desses anciãos eram excelentes irmãos cristãos maduros, preocupados com o bem-estar da congregação.” Jeová pastoreava seu povo, e sempre se agradava em usar tais homens para o benefício de seus adoradores dedicados.
“Anciãos eletivos” supervisionavam as atividades congregacionais durante muitos anos. Com a chegada de 1932, contudo, ocorreu uma mudança temporária. Os membros mais antigos da família de Betel de Brooklyn ainda se lembram da reunião realizada na noite de quarta-feira, 5 de outubro de 1932, no Salão Apollo em Brooklyn. Cerca de 300 membros da congregação de Nova Iorque adotaram então uma resolução pondo fim à eleição de anciãos na cidade de Nova Iorque. (Veja A Sentinela, em inglês, de 1.º de setembro de 1932, páginas 265 e 266, bem como o número de 15 de outubro de 1932, página 319.) Quase todas as outras congregações prontamente deixaram de eleger os anciãos, adotando resoluções similares. Assim, o ano de 1932 testemunhou a substituição dos “anciãos eletivos” por um grupo de homens cristãos maduros chamados “comissão de serviço”, eleitos pela congregação para ajudar o diretor local de serviço que já fora designado pela Sociedade Torre de Vigia (EUA).
A instituição do novo arranjo em 1932 levou a alguns problemas, e certas pessoas deixaram a organização. No entanto a ampla maioria das congregações e dos associados com ela aceitou com gratidão o ajuste congregacional.
OUTROS APERFEIÇOAMENTOS NA ESTRUTURA DA ORGANIZAÇÃO
Por muitos anos, apenas os irmãos que eram seguidores ungidos de Jesus Cristo ocupavam posições de responsabilidade na congregação cristã. Mas, em 1937, houve uma mudança. Escreve Grant Suiter: “Em sentido organizacional, fomos ajudados pelos conselhos contidos em A Sentinela (em inglês) de 1.º de maio de 1937, no sentido de que os da classe de Jonadabe [que tinham perspectivas terrestres] poderiam ser nomeados a posições de serviço nas congregações. . . . O número de 15 de agosto de A Sentinela indicava que os jonadabes poderiam servir na comissão de serviço e em outras posições similares nas companhias [congregações].” Segundo A Sentinela, os “jonadabes” podiam tornar-se “servos de companhia” ou superintendentes presidentes, se membros habilitados do restante ungido não estivessem disponíveis para servir. “Vemos como Jeová pavimentava o caminho em preparação para o grande aumento que ainda viria”, disse Norman Larson, adicionando: “Certamente abriu novos horizontes para aqueles que, como eu próprio, eram da classe terrestre.”
Em 1938 houve outro aperfeiçoamento organizacional significativo. Os artigos de A Sentinela, “Unidade em Ação” (15 de maio em inglês e outubro de 1938 em português) e “Organização” (1.º e 15 de junho em inglês e junho e julho em português) mostravam que a autoridade em designar superintendes e seus ajudantes não cabia às congregações de per si. Foi sugerido que as congregações através do mundo considerassem uma resolução apresentada em A Sentinela, solicitando que “A Sociedade” organizasse a congregação para o serviço e “nomeie os diversos servos da mesma”, isto é, todos aqueles que ocupariam as posições de responsabilidade na localidade (Veja A Sentinela de 1938, em inglês, páginas 169, 182, 183.) A maioria das congregações adotaram esta resolução e as poucas que não o fizeram logo perderam sua visão espiritual e os privilégios que possuíam em relação com o serviço do Reino.
O “SALÃO DO REINO”
Jeová, o Pastor celeste, faz ricas provisões espirituais para seu povo. As reuniões cristãs desempenham grande papel na alimentação dele. (Heb. 10:24, 25) Amiúde, os servos modernos de Deus se reúnem em casas particulares e em prédios públicos alugados. Mas, o reino celeste nasceu em 1914 E. C. Assim, com o tempo, o povo de Deus começou a chamar seus locais principais de reunião de “Salão do Reino das Testemunhas de Jeová”.
Segundo Domenico Finelli, o primeiro Salão do Reino foi construído em Roseto, Pensilvânia, em 1927, e ele afirma que “foi inaugurado por um discurso público do irmão Giovanni DeCecca”. No entanto, o uso geral do nome “Salão do Reino” ficou em voga de 1935 em diante. Nesse ano, o presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA), J. F. Rutherford visitou as ilhas do Havaí, e iniciou o estabelecimento de uma filial em Honolulu. Foram feitos arranjos para um salão de reuniões ligado à filial. Este auditório foi chamado “Salão do Reino”.
De 1935 em diante, as testemunhas de Jeová em várias partes alugaram prédios, adaptaram-nos para reuniões e usaram nos como Salões do Reino. Não raro as congregações adquiriram propriedades, remodelaram prédios ou construíram novas estruturas para servirem de locais para estudo bíblico e de adoração a Deus. W. L. Pelle apropriadamente observou, não faz muito tempo:
“Os Salões do Reino são atraentes na parte externa, aconchegantes e práticos por dentro. Ademais, visto que têm aparência atraente, dão testemunho silencioso, bem como fazem as pessoas recém-interessadas sentir-se ‘a vontade’ quando entram neles. Sem comparação, a maior parte do trabalho de construção deles foi contribuída por nossos próprios irmãos e pelos profundamente interessados. Não tivemos de recorrer as organizações de ‘construção e empréstimos’ (do mundo do Diabo). O capital e os bens permanecem sujeitos ao uso pelo povo de Jeová. O mesmo se dava com a ‘tenda do deserto’ dos israelitas, há muito anos. [Atos 7:44] Não faz muito me perguntaram: ‘Por que vocês chamam seu prédio de “Salão do Reino”?’ Respondi que o primeiro significado fornecido em meu dicionário é ‘Salão: um edifício devotado aos assuntos públicos.’ Nossos Salões do Reino são devotados exclusivamente aos assuntos do Deus Onipotente e seu reino. Assim, não poderia haver um nome mais apropriado.”
SERVIÇO DE ZONA FORTALECE O POVO DE JEOVÁ
À medida que crescentes números da “grande multidão” entravam nos Salões do Reino lá na década de 30, iniciou-se uma atividade que visava fortalecer as congregações do povo de Deus. (Rev. 7:9) Era a obra de zona, correspondente ao trabalho de circuito atualmente. Cerca de vinte congregações em determinada área do país formavam uma zona. A Sociedade designou um servo de zona para visitar cada congregação e, em geral, gastar uma semana com ela. Seu propósito era fortalecer a congregação, em sentido de organização, e, também, ajudá-la na obra de pregação. De tempos a tempos, a congregações numa zona se reuniam para uma assembléia de zona, ali recebendo instruções bíblicas e ajuda espiritual. A sede da Sociedade enviava servos especiais para servir a tais assembléias. O trabalho de zona começou em 1.º de outubro de 1938 e continuou até novembro de 1941.
Edgar C. Kennedy mostra como os cristãos acataram trabalho de zona, afirmando: “Seu espírito era forte e se, apreço por nossas visitas era expresso amorosamente. Todas as companhias [congregações] eram pequenas, mas podia-se notar um avivamento entre elas. Devido à sua pronta aceitação das instruções teocráticas, seu amor à verdade, sua acolhida ao serviço em grupo e seu trabalho com os estudos” modelos, começavam a surgir sinais de crescimento. Várias novas companhias começaram a ser formadas.”
“A SALVAÇÃO PERTENCE A JEOVÁ”
Naqueles dias era certamente necessária uma forte organização cristã, porque as testemunhas de Jeová eram objetos de intensa perseguição. Grande parte teve início em 1935. Como assim? Bem, no congresso de Washington, D. C., na segunda feira, 3 de junho, o irmão Rutherford respondeu a uma indagação sobre a saudação à bandeira por parte de crianças na escola. Disse à assistência do congresso que saudar a um emblema terrestre, atribuindo-lhe salvação, era infidelidade para com Deus. Rutherford disse que não o faria.
H. L. Philbrick observou que a resposta de Rutherford “deve ter sido ouvida por alguns jovens, pois, quando as escolas abriram naquele outono, surgiram subitamente manchetes nos jornais de Boston sobre um rapazinho em Lynn, Massachusetts, que se recusou a saudar a bandeira na escola, no início do período escolar. Seu nome era Carleton Nichols. Uma mocinha Barbara Meredith, tomou a mesma posição em sua escola em Sudbury, Massachusetts no mesmo dia.” Mas, a situação dela não chegou à imprensa, visto que sua professora era tolerante e não fez disso uma questão.
Foi em 20 de setembro de 1935 que o jovem Carleton B. Nichols Jr. declinou saudar a bandeira. O incidente obteve publicidade por todo o país. Como presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA), J. F. Rutherford recebeu a solicitação da “Associated Press” para uma declaração oficial no que tangia ao conceito das testemunhas de Jeová sobre este assunto. Fornecesse a declaração, mas a imprensa deixou de publicá-la. Assim, durante uma transmissão nacional de rádio, em 6 de outubro de 1935, Rutherford falou sobre o assunto “Saudar a Bandeira”. Este discurso foi publicado no folheto de 32 páginas, Lealdade, distribuído aos milhões. Em sua resposta à imprensa, Rutherford mostrou que, ao passo que as testemunhas de Jeová respeitam a bandeira, suas obrigações bíblicas e sua relação com Deus proíbem estritamente que saúdem qualquer imagem. Para os servos de Jeová, isto seria um ato de adoração contrário aos princípios estabelecidos nos Dez Mandamentos. (Êxo. 20:46) A resposta também mostrava que os pais cristãos, primariamente, são responsáveis de ensinar a seus filhos, e que é preciso ensinar a verdade aos filhos, segundo o entendimento e apreço das Escrituras por parte dos pais.
Ao passo que muitas autoridades escolares e professores tinham mente aberta, outros agiram de modo arbitrário e expulsaram os filhos das testemunhas de Jeová da escola, por se recusarem a saudar a bandeira. Por exemplo, em 6 de novembro de 1935, duas Testemunhas crianças foram expulsas por tal motivo de uma escola pública em Minersville, Pensilvânia. Seu pai, Walter Gobitis, moveu um processo contra a junta de educação do Distrito Escolar de Minersville. O processo se iniciou no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Leste de Pensilvânia, sendo decidido a favor das testemunhas de Jeová. Quando tal decisão foi contestada as Testemunhas também obtiveram um voto favorável no Tribunal de Recursos do Circuito. Mas, o processo em seguida foi para o Supremo Tribunal dos Estados Unidos. Ali, em junho de 1940, por um voto de oito a um, o Tribunal inverteu a decisão favorável, com desastrosas conseqüências.
Em um lugar após outro, os cristãos eram perseguidos por causa de sua posição bíblica quanto à saudação à bandeira. Por exemplo, uma turba a que alguns policiais se juntaram atacou as testemunhas de Jeová durante uma reunião bíblica em Rockville, Maryland, em 20 de junho de 1940. Tendo conseguido entrar no Salão do Reino, o líder da turba segurou uma bandeira e disse: “Eu darei a vocês dois minutos, da hora norte-americana, para saudar esta bandeira, ou haverá derramamento de sangue aqui.” Sotir K. Vassil relata: “Houve silêncio por cerca de um minuto, quando, subitamente, um senhor que tinha vindo à reunião pela primeira vez ficou muito temeroso, pulou, saudou a bandeira e se foi . . . Ninguém mais saudou a bandeira. Quando terminaram os dois minutos, o líder derrubou tudo que estava nas minhas mãos, e deu ordens à turba para ‘rebentarem tudo’, cadeiras, etc., e os objetos começaram a voar. Os dois policiais, com suas pistolas na cintura, estavam lá dentro com eles e eu me dirigi a eles e perguntei se não poderiam fazer algo. Eles nem sequer abriram a boca, nem começaram a tomar nenhuma medida para fazer parar a turba.” A situação se agravou. “Começaram a agir como um bando de demônios”, afirma o irmão Vassil, “empurrando-nos e expulsando nos do salão. Continuavam gritar: ‘Matem-nos! Matem-nos! São nazistas.’ Algumas da crianças no salão começaram a chorar e alguns da turba berraram para se ‘jogar esses fedelhos pela janela’. Literalmente nos expulsaram a pontapés do prédio para a rua e gritavas então: ‘Expulsem-nos da cidade! Expulsem-nos da cidade!’”
Mais tarde, tendo escapado da turba, o irmão Vassil entrou em contato com o servo de zona, Charles Eberle, que imediatamente comunicou o incidente ao Procurador-Geral do Estados Unidos. O Departamento Federal de Investigações começou a examinar o assunto no dia seguinte. Por fim, houve um processo jurídico, e o irmão Vassil nos conta: “Depois do julgamento, decidido em nosso favor e para a glória de Jeová, a Municipalidade de Rockville colocou um policial de guarda em nosso Salão do Reino cada vez que tínhamos uma reunião de modo que não ocorresse outro incidente assim. Desta feita o instrumento de Satanás para destruir nossa congregação recém-formada e o Salão do Reino fracassou. — Isa. 54:17.”
Este relato é simples exemplo. Houve muitos outros incidentes. Por exemplo, em Connersville, Indiana, um advogado das Testemunhas foi espancado e expulso da cidade. Os servo de Deus suportavam tal perseguição violenta por aderires estritamente às Escrituras Sagradas e corajosamente sustentarem que sua salvação e libertação dos inimigos e dos perigo provem, não de qualquer nação, mas de Deus. Deveras, “ salvação pertence a Jeová”. — Sal. 3:8; compare com a Versão Brasileira.
ESCOLAS DO REINO
A saudação compulsório à bandeira nas escolas resulta na expulsão de muitos estudantes que eram testemunha de Jeová. No entanto, a Sociedade Torre de Vigia (EUA ajudou os verdadeiros cristãos em prover instrução par seus filhos. Já em 1935, isto foi feito pela abertura de “Escola do Reino” particulares. Nestas, professoras habilitadas dentre as testemunhas de Jeová devotaram seu tempo e sua energia em instruir as Testemunhas crianças que foram expulsas da escolas públicas. O povo de Deus organizou e financiou esta escolas particulares em vários lugares.
Uma das Escolas do Reino se localizava em Lakewood, Nova Jérsei. Segundo antigo estudante ali, C. W. Erlenmeyer, o Salão do Reino da congregação Lakewood estava no primeiro pavimento, bem como a sala de aula da escola, uma cozinha e o refeitório. Dormitórios para moças estavam no segundo pavimento e o dos rapazes no terceiro. “Naturalmente’ afirma o irmão Erlenmeyer, “a maioria de nós nos hospedávamos ali mesmo e só íamos para casa nos fins-de-semana, no máximo. Aqueles que moravam ainda mais longe iam para casa a cada quinze dias, e no último ano da escola, devido ao racionamento de gasolina do tempo de guerra, só íamos para casa a cada terceiro fim-de-semana.”
Com bastante trabalho a fazer, havia uma cozinheira e uma arrumadeira disponíveis. Mas, as crianças tinham suas designações também — ajudando na cozinha, a lavar e enxugar louça, a remover o lixo, etc. Havia a consideração do texto bíblico diário ao se tomar o desjejum e todo dia escolar começava com meia hora de estudo bíblico. Assim, as crianças eram alimentadas espiritualmente. Ademais, tinham oportunidades de usar o que aprendiam no serviço de campo, aos sábados e domingos.
Outra Escola do Reino foi estabelecida em Cates, Pensilvânia. Grace A. Estep instruía ali, sendo professora pública que tinha sido despedida por não realizar o juramento de lealdade e a saudação a bandeira em sua turma. A irmã Estep se recorda do primeiro ano da escola como sendo “tumultuoso”, cada tipo de “autoridade” tentando encontrar algum motivo para fechá-la. Também declara: “A sala de aula era amiúde invadida por alguma autoridade, escolar ou de outro tipo, que visava achar defeitos ou causar mais fustigamento. Em aditamento, o fervor patriótico não faltava entre muitos da populaça. Certa vez juntou-se uma multidão com o fito de lançar bombas ou incendiar a escola, protestando iradamente contra o proprietário por nos ter alugado o prédio. Mas, visto que o proprietário era destacado cidadão da cidade, e visto que não podiam resolver como lançar bombas na escola sem estourar a barbearia [no mesmo prédio], desistiram da idéia.” Com o tempo, o corpo discente aumentou, exigindo que houvesse um jardim de infância, oito anos da escola elementar e quatro de colegial.
Como passavam os estudantes das Escolas do Reino no que tango à sua educação? Lloyd Owen, que lecionava em uma delas em Saugus, Massachusetts, relata: “Costumávamos fazer a prova de consecução, para ver quão bem estávamos indo. Na maioria das vezes, os estudantes conseguiam meio grau ou um grau a mais do que o ano em que deviam supostamente estar. . . . Testávamos os estudantes pelo menos duas vezes por ano, e persistiam em obter esta altíssima classificação.”
Ótimo espírito prevalecia entre os envolvidos nas Escolas do Reino. “Os amigos eram tão maravilhosos, sempre oferecendo ajuda de muitas formas”, afirma a irmã Estep. “Tudo era uma espécie de vida comunitária, a ‘comunidade’ abrangendo todos envolvidos de qualquer modo nas Escolas do Reino. Meu coração transborda de amor e de apreço quando recordo todas as coisas maravilhosas que os nossos queridos amigos fizeram naqueles dias, seu amor a Jeová não conhecendo quaisquer limites. E embora houvesse pouco dinheiro, supriam as coisas necessárias no limite máximo de seu tempo e suas energias.”
SUPREMO TRIBUNAL INVERTE SUA DECISÃO
Em 8 de junho de 1942, por cinco votos contra quatro, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu contra a Testemunhas de Jeová no caso do imposto de licença, Jones v. Opelika. Interessante é contudo, que além de seu voto discordante, os Ministros Black, Douglas e Murphy modificaram seus votos no caso de saudação à bandeira de Gobitis, de 1940. Então o advogado da Sociedade Torre de Vigia (EUA) deu entrada num processo de interdito no Tribunal Distrital do Estados Unidos para o Distrito Sul de Virgínia Ocidente contra a Junta Estadual de Educação da Virgínia Ocidental. Por quê? Para interditar a aplicação da lei de saudação compulsório à bandeira. Um tribunal de três desembargadores votou unanimemente a favor das testemunhas de Jeová, mas a junta Estadual de Educação da Virgínia Ocidental recorreu da decisão. No dia da Bandeira, em 14 de junho de 1943, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos inverteu sua posição no caso Gobitis, sustentando (em West Virginia State Board of Education v. Barnette) que a junta escolar não tinha o direito de expulsar da escola, e, assim, negar a educação aos filhos das testemunhas de Jeová que não saudassem a bandeira.
Esse voto inverteu a decisão do Supremo Tribunal no caso Gobitis. Embora não pusesse fim a todos os problemas ligado à posição cristã no que tangia à saudação à bandeira, as Escolas do Reino não mais eram necessárias. Por isso, pela primeira vez em cerca de oito anos, os filhos das testemunhas de Jeová podiam voltar às escolas públicas.
“DEFENDER E ESTABELECER LEGALMENTE AS BOAS NOVAS”
As testemunhas cristãs de Jeová, quer jovens quer idosas esperam ser perseguidas. Afinal de contas, Jesus disse a seus discípulos: “Sereis pessoas odiadas por todos, por causa do meu nome.” (Mas. 10:22) “De fato”, escreveu Paulo, “todo os que desejarem viver com devoção piedosa em associação com Cristo Jesus também serão perseguidos”. (2 Tim. 3:12) Às vezes a perseguição leva à prisão de cristãos sob acusações falsas — talvez a de vender sem licença ou perturbar a pai. De início não se mantinham estatísticas, mas, em 1933, houve 268 prisões relatadas através dos Estados Unidos. Em 1936, o número aumentara para 1.149. Incorretamente, as testemunhas de Jeová foram classificadas de pedintes ou mascates, ai invés de proclamadores do evangelho.
Contudo, as testemunhas de Jeová não sofreram detenções julgamentos e prisões sem luta. Adotaram uma diretriz de recorrer das decisões adversas feitas nos tribunais. Com a ajuda de Jeová, conseguiram “defender e estabelecer legalmente as boas novas”. — Fil. 1:7.
Seria impossível, em apenas algumas páginas, reencenar o emocionante drama, recriar as muitas cenas de valente luta teocrática, à medida que os servos de Jeová lutavam pela liberdade de pregar. Mas, faremos bem em começar com a intensa “batalha de Nova Jérsei”. O ‘tiro inicial’ foi dado em 1928, quando alguns dos servos de Deus foram presos em Amboy do Sul, Nova Jérsei. Mas, Plainfield tornou-se o centro do campo de batalha católico contra as Testemunhas naquele estado.
O INCIDENTE DE PLAINFIELD
Em vista do destaque de Plainfield em relação à perseguição contra o povo de Jeová, J. F. Rutherford decidiu realizar uma reunião pública ali sobre o assunto: “Por Que É a Intolerância Religiosa Praticada Atualmente Neste País?” Para este programa especial em 30 de julho de 1933, cerca de cinqüenta policiais não convidados, indesejáveis e desnecessários se apresentaram, supostamente para proteger o teatro. Sem dúvida, estavam ali às instâncias da hierarquia católica, que procurava um meio de impedir a reunião e, talvez, acabar com o orador.
Chegando ao teatro, o irmão Rutherford observa que, por trás das cortinas, a polícia tinha duas metralhadoras, apontadas para ele e para a assistência. Ele protesta, mas isto não demove os policiais ou suas armas. Afirmam que foram ‘informados’ de que irá haver um motim e estão presentes para manter a ordem. George Gangas afirma que, durante o discurso inteiro, a atmosfera era tensa. Especialmente ficou agitado por estas declarações, perto da conclusão do discurso de Rutherford:
“Mas, que vergonha para os sacerdotes e clérigos, que se têm mancomunado e provocado a perseguição contra as testemunhas de Jeová, a fim de poderem manter o povo em ignorância da verdade, e, assim escudar-se da exposição, que vergonha para as autoridades públicas que se mostraram prontas e dispostas a classificar as testemunhas de Jeová como egoístas vendedores ambulantes e mascates, a fim de servirem a seus próprios fins egoístas; que vergonha para os advogados, que exercem sua profissão em sua bancada e nos tribunais e que, temendo perder alguma vantagem pessoal, têm contornado a questão e deixado e se recusado a decidir francamente a questão quanto a se é possível ou não impedir os homens de pregar o evangelho do reino de Deus pela aprovação e aplicação de ordenanças municipais dirigidas contra os ambulantes e mascates.”
Admite o irmão Gangas: “Eu dizia para mim mesmo: ‘Vão atirar nele agora! Vão prende-lo agora!’ Mas, conforme declarado na introdução do folheto Intolerância: ‘O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra.’” (Sal. 34:7, Almeida) Apesar da provadora situação, o discurso do irmão Rutherford foi proferido sem incidentes. Foi recebida com entusiasmo. Também o foi o folheto Intolerância, publicado mais tarde e amplamente distribuído.
MENSAGEM DAS TESTEMUNHAS PARA UM DITADOR
Não só nos Estados Unidos batalhavam as testemunhas de Jeová em prol da liberdade de palavra e de adoração. Em junho do chamado “Ano Santo” de 1933, o regime de Adolf Hitler apoderou-se da propriedade da Sociedade Torre de Vigia (EUA) em Magdeburgo e proscreveu as atividades do povo de Jeová na Alemanha no que dizia respeito às reuniões e distribuição de publicações, embora a propriedade fosse devolvida em outubro seguinte. Em 7 de outubro de 1934, as Testemunhas na Alemanha se reuniram em grupos e, depois da solene oração, enviaram um protesto por telegrama às autoridades do governo de Hitler. No entanto, os servos de Deus em outras terras não ficaram de lado, ociosos.
“Na reunião de serviço de certa noite no ano de 1934 pediu-se-nos que estivéssemos no local de reuniões às 9 horas de domingo, para algo especial”, recorda Gladys Bolton. “Todo o mundo estava agitado! O que poderia ser? No domingo de manhã a casa estava cheia. O orador anunciou que as congregações das testemunhas de Jeová em todo o mundo se reuniam hoje a fim de enviar cabogramas a Hitler, todos ao mesmo tempo, pedindo-lhe que se refreasse de perseguir as testemunhas de Jeová na Alemanha.” Depois de orarem a Jeová, cada grupo enviou o seguinte cabograma: “Governo de Hitler, Berlim Alemanha. Seus maus tratos para com as testemunhas de Jeová chocam a todas as pessoas boas da terra e desonrar o nome de Deus. Refreie-se de continuar perseguindo as testemunhas de Jeová, de outra forma, Deus o destruirá, bem como a seu partido nacional.” A mensagem foi assinada “Testemunhas de Jeová” e a cidade ou povoado onde a congregação se reunira foi citada.
Tais cabogramas causaram uma agitação e tanto, até mesmo em alguns postos telegráficos nos Estados Unidos. “Em Keysville, Virgínia, bem como em outros lugares”, afirma Melvin Winchester, “o telegrafista quase desmaiou quando os amigos chegaram com a mensagem do cabograma”.
Como reagiu o regime nazista? Foi intensificada a perseguição contra as testemunhas de Jeová. O povo de Deus na Alemanha, porém, e em toda outra parte, estava preparado para a oposição e as dificuldades à sua frente. No tempo certo Jeová certificou-se de que recebessem o conselho e o encorajamento bíblicos necessários. Viera em fins do ano de 1933, por meio do artigo da Sentinela em inglês, “Não os Temais.” Foi exposta a inimizade da Igreja Católica Romana e o artigo avisara que a oposição poderia levar à morte de alguns servos fiéis de Deus. Mas, instava com o povo de Deus a continuar dando testemunho do Seu nome com intrepidez e alegria, para que pudessem ter parte na vindicação daquele nome sagrado.
AJUDAS EM SUA DEFESA
Para os cristãos, aqueles eram tempos de prova da sua fé. Naturalmente, nem todo incidente de oposição declarada, nem mesmo cada prisão, levou a um julgamento. Muitas vezes, porém, os servos de Jeová se viram precisando de ajuda de modo a fazerem sua defesa bem sucedida nos tribunais dos Estados Unidos. Para ajudar os proclamadores do Reino, a Sociedade Torre de Vigia (EUA) estabeleceu um departamento legal em sua sede em Brooklyn, Nova Iorque.
Rememorando, Robert E. Morgan recorda: “Em nossas reuniões de serviço semanais estudávamos Order of Trial (Normas dum Julgamento) preparado pela Sociedade, e nos esforçávamos de nos equipar para lidar com a polícia e os juízes que constantemente nos fustigavam no serviço de campo. Nossas reuniões de serviço nos ensinavam a responder quando acossados pela polícia, quais eram nossos direitos como cidadãos, e que medidas não devíamos deixar de tomar a fim de estabelecer sólida base para a ação legal em defesa das boas novas, caso as condenações exigissem que recorrêssemos aos tribunais de recursos.”
“As demonstrações nas reuniões de serviço encenavam como agir desde a hora da prisão até a conclusão do julgamento e a solução do caso”, lembra-se Ray C. Bopp, adicionando: “Os servos na congregação agiam como advogados de acusação e de defesa, e alguns ‘julgamentos’ demoravam várias semanas.”
DETIDAS E MANDADAS PARA A CADEIA
As ajudas legais providas pela Sociedade e o excelente treinamento provido nas reuniões de serviço ajudaram imensamente os servos de Deus. Mas, quanto aos rigores da vida atrás das grades, apenas o próprio Jeová podia fortalecer seu povo. Como Paulo disse: “Para todas as coisas tenho força em virtude daquele que me confere poder.” — Fil. 4:13.
As testemunhas cristãs de Jeová às centenas foram detidas e encarceradas nos anos turbulentos das décadas de 30 e de 40. Homer L. Rogers afirma o seguinte a respeito dos problemas legais encontrados pelo povo de Jeová em certa área: “A cidade de La Grange [Geórgia] sancionara uma ordenança que proibia qualquer pessoa de visitar uma casa em La Grange e oferecer ao morador qualquer matéria impressa. Isto visava as testemunhas de Jeová, e só era imposta contra as testemunhas de Jeová.” Como podia estar seguro disso? Os moradores da cidade testificaram que toda outra matéria impressa era distribuída livremente em La Grange sem a interferência da autoridades.
Em 17 de maio de 1936, 176 Testemunhas foram detidas por pregarem em La Grange e foram encarceradas. No dia seguinte, as mulheres foram soltas, mas 76 homens ficaram presos quatorze dias na Prisão e Campo de Detenção do Condado de Troup, a uns 6,5 quilômetros fora da cidade. Os detentos regulares ali eram presos submetidos a trabalhos forçados, acorrentados uns aos outros, que realmente eram acorrentados aí trabalharem nas estradas desde o nascer até o por do sol. Quando as Testemunhas foram julgadas, elas foram condenadas e multadas a pagar um dólar cada uma ou a passa trinta dias na cadeia segundo C. E. Sillaway. Visto que o promotor público da cidade ordenou ao escrivão municipal que não assinasse o recurso por carta requisitaria, os irmãos perderam seu direito de recorrer da sentença e 57 voltaram para cumprir a pena de trinta dias na prisão, em 28 de maio de 1937. Apesar de sua inocência, estas Testemunhas usavam uniforme de presidiário, duas pessoas tinham de partilhar o mesmo cobertor durante as noites de frio, e fizeram trabalho forçados nas ruas e em outras partes.
Muitos foram os sofrimentos impostos a estes detentos. Todavia, também tiveram oportunidade de fazer o bem em sentido espiritual. Escreve o irmão C. E. Sillaway: “Próximo do fim de nossos trinta dias, meu grupo e outro, doze ao todo, fomos designados a um cemitério de pretos, em isolamento quase que rural. Perto do meio da manhã, veio uma procissão fúnebre pela porta principal, e parou, ao passo que o coveiro se aproximou de nós. Parecia que essa família era pobre demais para pagar ao pregador a sua taxa de serviços para um enterro, e não fora feito nenhum sermão nem oração. Será que um de nós, ministros, gostaria de proferir algumas palavras? Foi um privilégio falar ao punhado de pessoas sobre a verdadeira condição dos mortos e a esperança de ressurreição. Elas não se importaram com as roupas da cadeia.”
Theresa Drake afirma que sua primeira experiência com a intolerância contra o povo de Deus se deu no início da década de 30, quando ela foi presa pela primeira vez em Bergenfield Nova Jérsei. Ela prossegue: “Tiraram-me as impressões digitais pela primeira vez em Plainfield, Nova Jérsei. Foi em Plainfield que eu fiquei detida à noite junto com outras 28 irmãs. Ficamos presas numa pequena cela e, havendo 29 de nós ali, isto tornava impossível que nos deitássemos para dormir. Por fim, levaram-nos para o ginásio no mesmo prédio e ali estenderam esteiras para dormirmos nelas. Lembro-me de um policial abrir a porta e olhar para nós e dizer: ‘Como ovelhas levadas para o matadouro.’”
Citando outro caso escreve a irmã Drake: “Em Perth Amboy fomos presas e detidas desde as 10 até as 20 horas. Foi nessa ocasião que conheci o irmão Rutherford. Ele veio pagar a fiança de 150 de nós que estávamos presas. Ficamos detidas em uma grande sala do tribunal. Lá fora, as pessoas retiravam nossos livros e publicações de dentro de nossos carros e os jogavam por todo o gramado do tribunal. Havia meia dúzia de homens no fundo do tribunal que esperavam agarrar o irmão Rutherford. Ameaçaram-no, mas jamais tiveram a oportunidade de fazê-lo, pois ao deixarmos o tribunal, foi cercado por nós e então se dirigiu rapidamente para um carro à sua espera, e não o seu usual.”
Sobre as cidades de Ohio e da Virgínia Ocidental, diz Edna Bauer: “Muitos dos amigos eram presos e conduzidos à cadeia nos carros de bombeiros, com as sirenas tocando, chamando bem alto a atenção para as prisões que eram feitas.” Amiúde muitos eram detidos de uma só vez, e não se mostrava qualquer consideração pela idade. Por exemplo, a irmã Bennecoff esposa de James W. Bennecoff, lembra-se dum incidente em Colúmbia, Carolina do Sul, “quando 200 de nós fomos metidos na cadeia, o mais jovem tendo apenas seis semanas de idade”.
As condições do cárcere podiam ser bem angustiantes. Earl R. Dale lembra-se de seu confinamento injusto como cristão em Somersworth, Nova Hampshire, e escreve: “Dormi aquela noite, ou tentei dormir. A prisão não era lá muito limpa. De noite, havia uns bichinhos que se arrastavam sobre nós, e eu não gostava deles, mas eles gostavam de mim.” Por pregar as boas novas em Caruthersville, Missúri, em 1941, o irmão R. J. Adair e sua esposa foram presos por 78 dias. A irmã Adair descreve o local de seu confinamento como “masmorra”. A saúde da irmã Adair ficou debilitada durante a prisão. “Não era agradável dormir sobre o chão de cimento com um cobertor e travesseiro durante setenta e oito noites”, admite ela. “Mas, o importante era permanecer fiel a Jeová.”
Embora as testemunhas de Jeová nos Estados Unidos fossem amiúde presas por pregarem a mensagem do Reino, isso não calou seus lábios. Como detentos, continuaram a declarar as boas novas. Por exemplo, Dora Wadams teve várias oportunidades de pregar quando presa. Certa vez, quando notícias da soltura das Testemunhas circulavam numa cadeia de Newark Nova Jérsei, ela se lembra de que aconteceu o seguinte: “Certa noite, quando fomos trancadas em nossas celas, ouvimos algumas detentas ao redor de nós dizerem: ‘O povo da Bíblia vai deixar-nos amanhã. Este lugar jamais será o mesmo. São como se fossem anjos enviados a nós.’”
SEUS DIAS NO TRIBUNAL
Os servos de Jeová estavam prontos para defender a si mesmos, bem como sua obra dada por Deus, se suas prisões levassem a julgamentos. Às vezes não eram nem mesmo representadas por advogados. Por exemplo, em 1938, Roland E. Collier, associado com a congregação de Orange, Massachusetts, conseguiu permissão de usar um carro-sonante na vizinha Athol. Ele e outro irmão estavam no carro-sonante, tocando o disco “Inimigos”, enquanto outros publicadores do Reino pregavam de porta em porta. O irmão Collier foi preso e acusado de ir de casa em casa, embora não o fizesse nessa ocasião. Ele nos conta: “Com interesse, aguardamos o julgamento e nos preparamos para ele. Estudei cuidadosamente o Order of Trial (Normas dum Julgamento) publicado pela Sociedade para a preparação para os julgamentos. No dia do julgamento, alguns irmãos entraram na sala de julgamento para me encorajar. Eu segui as normas corretas de julgamento esboçadas pela Sociedade, até mesmo ao ponto de interrogar o chefe de polícia. Quando toda a evidência tinha sido apresentada, depois do julgamento completo, fui declarado inocente e o jornal publicou a manchete que dizia ‘HOMEM DE ORANGE SAI PREGANDO DA PRISÃO’.”
Alguns advogados que não eram testemunhas de Jeová trabalharam arduamente para defender o povo de Deus. Não raro, contudo, advogados que eram Testemunhas representavam seus concrentes no tribunal. Entre eles estava Victor Schmidt. Sua esposa Mildred diz, em parte: “Depois da decisão adversa do Supremo Tribunal dos Estados Unidos no caso da bandeira houve o que parecia ser uma avalancha de motins e prisões que desceram sobre nossos irmãos em tantos lugares fora de Cincinnati [Ohio]. Tornou-se necessário que eu levasse meu marido de carro para estes vários lugares, visto que ele não sabia dirigir. Por algum tempo, havia um lugar diferente para se ir quase todo dia. Por conseguinte, tive que deixar trabalho junto com os pioneiros. . . . Victor tinha grande fé em Jeová, e isto me fortalecia a ter igual fé. Ao nos aproximarmos dessas cidades em que ele iria representar nossos irmãos no tribunal, ele fazia com que eu encostasse o carro na estrada e orava a Jeová, para que abrisse o caminho para ele trazer alguma ajuda para nossos irmãos, e, também, que se fosse da vontade de Jeová, que bondosamente nos protegesse e nos ajudasse a jamais ceder ao temor dos homens. Muitas foram as ocasiões em que vimos evidência do pujante poder das forças angélicas de Jeová operando em nosso favor.”
CHEGANDO AO SUPREMO TRIBUNAL DOS ESTADOS UNIDOS
Vários casos legais que envolviam as testemunhas de Jeová por fim chegaram ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos. Um destes foi Lovell v. City of Griffin. Embora o povo de Deus com freqüência fosse preso por pregar as boas novas em Griffin, Geórgia, em certa ocasião vários deles foram detidos pela alegada violação de uma ordenança municipal que proibia “a prática de distribuir . . . publicações de qualquer espécie . . . sem primeiro obter-se permissão por escrito do Administrador Municipal da Cidade de Griffin.” O irmão G. E. Fiske comenta: “Havia vários irmãos com mais de 1,80 metros e as autoridades perguntaram se estariam dispostos a permitir que fosse escolhido um para representar o grupo, e nossos superintendentes mostraram-se dispostos. Assim, escolheram uma irmã miudinha e magra, visto que achavam que ela seria uma presa fácil. Mas, ela [Alma Lovell] estudara o Order of Trial (Normas dum Julgamento) . . . Nenhum dos homens estava tão bem preparado como esta irmãzinha, e, quando o processo foi julgado, ela falou perante o tribunal por mais de uma hora dando maravilhoso testemunho. No entanto, o juiz não estava nem sequer interessado, e colocou os pés sobre a mesa. Quando ela se sentou, o juiz removeu os pés e disse: ‘Já acabou?’ Ela disse: ‘Sim, Meritíssimo.’ Então ele declarou que todos eram culpados. O advogado da Sociedade recorreu imediatamente da decisão.” Em 28 de março de 1938, o Supremo Tribunal votou unanimemente que a ordenança em questão era nula por si mesma.
Ao se empenhar na obra de pregar o Reino em 26 de abril de 1938, a testemunha cristã Newton Cantwell foi preso junto com seus dois filhos menores, ao tocar o disco fonográfico “Inimigos” e distribuir o livro do mesmo nome. O caso foi levado aos tribunais de Connecticut devido ao processo movido por dois católicos romanos. Estava envolvida alegada perturbação da paz e também suposta violação de uma postura de Connecticut que proibia a solicitação de donativos para organizações de caridade ou para uma causa religiosa sem aprovação do conselho de bem-estar social da secretaria de estado. Condenações se seguiram nos tribunais de Connecticut e R. D. Cantwell escreve: “A Sociedade recorreu da decisão e foi levada ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos . . . revogou-se a condenação e a postura de Connecticut que exigia uma permissão para se oferecer pubçicações religiosas à venda, ou para se aceitar donativos para uma causa religiosa, foi declarada inconstitucional, conforme aplicada às testemunhas de Jeová. Outra vitória do povo de Jeová!”
Mas, as testemunhas de Jeová perderam importante processo no Supremo Tribunal dos Estados Unidos por cinco votos contra quatro em 8 de junho de 1942. Era o de Jones v. City of Opelika. Este processo envolvia a distribuição de revistas nas ruas e suscitou a questão quanto a se Rosco Jones fora corretamente declarado culpado de violar uma postura de Opelika, Alabama, por “vender livros” sem ter obtido uma licença e ter pago a taxa exigida.
“DIA DE VITÓRIA” PARA O POVO DE DEUS
Daí, veio o dia 3 de maio de 1943. Poderia bem ser chamado de “dia de vitória” para as testemunhas de Jeová. Por quê? Porque doze de treze processos foram decididos então em sei favor. Notável era o de Murdock v. Pennsylvania, um processe do imposto de licença. Esta decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos inverteu sua própria posição no processo de Jones v. City of Opelika. No voto de Murdock, o Tribunal sustentou: “Contende-se, contudo, que o fato de o imposto de licença poder suprimir ou controlar tal atividade não tem importância, caso não o faça. Mas, isto significa desconsiderar a natureza deste imposto. É um imposto de licença — um imposto claro, estabelecido para o exercício de um privilégio concedido pela Carta de Direitos. Um estado não pode fixar um imposto para o usufruto dum direito concedido pela Constituição federal.” A respeito do processo Jones, foi dito: “A decisão em Jones v. Opelika é hoje declarada nula. Livres daquele precedente controlador, podemos restaurar à sua elevada e constitucional posição, as liberdades dos evangelistas itinerantes que disseminam suas crenças religiosas e os postulados de sua fé, por meio da distribuição de publicações.” A decisão favorável no processo Murdock acabou com o dilúvio de impostos de licença que envolviam o povo de Jeová.
Seus esforços tiveram efeito sobre a lei. Apropriadamente tem-se dito: “É patente que as atuais garantias constitucionais de liberdade pessoal, conforme interpretadas com autoridade pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos, são muito mais amplas do que eram antes da primavera setentrional de 1938 e que a maior parte desta ampliação pode ser encontrada nos trinta e um processos das Testemunhas de Jeová (dezesseis votos decisivos), dos quais Lovell v. City of Griffin foi o primeiro. Se ‘o sangue dos mártires é a semente da Igreja’, qual é a dívida da Lei Constitucional à persistência militante — ou talvez, devo dizer, à devoção — deste estranho grupo?’ — Minnesota Law Review (Revista Jurídica de Minnesota) Vol. 28, N.º 4, março de 1944, p. 246.
TURBAS VIOLENTAS FRACASSAM EM SILENCIAR OS LOUVADORES DE JEOVÁ
Ao passo que as testemunhas de Jeová travavam batalhas legais pela liberdade de adoração e por seu direito de pregar as boas novas, no campo, às vezes se viam face a face com turbas violentas. Isto não deixava de ter um paralelo, contudo, pois o próprio Jesus Cristo teve experiências desse tipo. (Luc. 4:28-30; João 8:59; 10:31-39) O fiel Estêvão sofreu martírio às mãos duma multidão irada. — Atos 6:8-12; 7:54-8:1.
O congresso cristão mundial realizado de 23 a 25 de junho de 1939 foi considerado por desordeiros como oportunidade de fustigar o povo de Deus. Comunicações telefônicas diretas ligavam Nova Iorque, a cidade principal, com outros locais de assembléias nos EUA, Canadá, Ilhas Britânicas, Austrália e Havaí. Ao passo que o discurso de J. F. Rutherford “Governo e Paz” era anunciado os servos de Jeová souberam que grupos da Ação Católica planejavam impedir o discurso público em 25 de junho. Assim, o povo de Deus estava pronto para dificuldades. Blosco Muscariello nos conta: “Como Neemias, que erguia o muro de Jerusalém e fornecia a seus homens tanto os instrumentos para edificar como os instrumentos para lutar (Nee. 4:15-22), estávamos assim armados. . . . Alguns de nós, rapazes, recebemos instruções especiais como indicadores. Forneceu-se a cada um bastão forte a ser usado no caso de qualquer interferência durante o discurso principal.” Mas, R. D. Cantwell acrescenta: “Fomos instruídos a não usá-lo, a menos que fosse questão de ficarmos encurralados na defesa final.”
Embora não fosse conhecido em geral, o irmão Rutherford estava com a saúde ruim ao subir na tribuna do Madison Square Garden em Nova Iorque naquele domingo de tarde, 25 de junho de 1939. Logo o discurso estava em andamento. Entre os últimos a chegar achavam-se cerca de 500 seguidores do clérigo católico romano Charles E. Coughlin, famoso “padre do rádio” da década de 30, cuja transmissão radiofônica era ouvida por milhões. Visto que o setor da pista do auditório tinha sido reservado e estava lotado de Testemunhas, os seguidores de Coughlin, inclusive sacerdotes, tiveram de ocupar a seção de cima das arquibancadas por trás do orador.
“Em nenhuma outra parte do auditório se fumava”, escreveu um correspondente de Consolação, “mas dezoito minutos depois de o discurso começar um homem no setor esquerdo à frente dessa multidão acendeu um cigarro, então outro no setor da frente à direita acendeu outro; daí, as luzes elétricas desta seção apenas começaram a piscar, e então, apenas nessa seção houve apupos, berros e assobios.” “Eu estava sentada tensa”, diz a irmã Broad, esposa de Edward Broad, “esperando que a confusão se espalhasse por todo o “Garden”. Mas, ao se passarem alguns minutos, vi que os problemas se limitavam a um grupo bem atrás do orador. ‘O que fará ele?’, fiquei imaginando. Parecia impossível alguém continuar a falar, sendo jogadas coisas sobre a tribuna, e não se sabendo se, a qualquer momento, o microfone lhe seria arrebatado.” Esther Allen recorda que “loucas gritarias e expressões de ‘Heil Hitler!’ ‘Viva Franco!’ e ‘Matem esse maldito Rutherford!’ enchiam o ar.”
Será que o adoentado irmão Rutherford cederia diante de tais inimigos violentos? “Quanto mais eles berravam para abafar a voz do orador, tanto mais forte tornava-se a voz do Juiz Rutherford”, diz a irmã A. F. Laupert. Observa Aleck Bangle: “O presidente da Sociedade não ficou com medo, ma disse corajosamente: ‘Observem hoje que os nazistas e a católicos gostariam de interromper esta reunião, mas, pela graça de Deus, não conseguem isso.’“ “Essa era a oportunidade que precisávamos para romper em sinceros aplausos, dando ao orador nosso entusiástico apoio”, escreve Roger Morgan acrescentando: “O irmão Rutherford manteve sua posição até o fim da hora. Mais tarde, ficávamos emocionados cada ver que tocávamos os discos desse discurso nos lares das pessoas.’
C. H. Lyon nos conta: “Os indicadores fizeram bem seu trabalho. Um par dos mais teimosos coughlinitas levaram uma paulada na cabeça, e todos eles foram, sem cerimônia alguma levados para baixo pelas rampas, e expulsos do auditório. Um dos coughlinitas ganhou um pouco de publicidade num tablóide no dia seguinte, quando imprimiram uma foto dele com a cabeça enfaixada, como que com um turbante.”
Três indicadores Testemunhas foram presos e acusados de “agressão”. Foram julgados perante três juízes (dois católicos romanos e um judeu) do Tribunal Especial de Pequenas Ofensas da Cidade de Nova Iorque, em 23 e 24 de outubro de 1939. No julgamento, mostrou-se que os indicadores se dirigiram à seção do “Madison Square Garden” em que irrompera e distúrbio para remover os perturbadores. Quando os desordeiros agrediram os indicadores, estes resistiram e trataram com firmeza alguns do grupo radical. Testemunhas da acusação fizeram muitas declarações contraditórias. O tribunal não só declarou inocentes os três indicadores. Também declarou que os indicadores Testemunhas tinham agido dentro dos sem direitos.
GUERRA MUNDIAL ATIÇA AS CHAMAS DA VIOLÊNCIA
A violência causada por turbas tinha irrompido na assembléia de 1939 das testemunhas de Jeová. Mas, as chamas da violência contra elas seriam ainda atiçadas com maior intensidade à medida que o mundo se metia na guerra. Seria em fins de 1941 que os Estados Unidos declarariam guerra à Alemanha, à Itália e ao Japão, mas o espírito de nacionalismo já era forte por todo o país muito antes disso.
Durante esses meses iniciais da Segunda Guerra Mundial Jeová Deus fez destacada provisão para seu povo. Em seu número de 1.º de novembro de 1939, a Sentinela em inglês trouxe um artigo intitulado “Neutralidade” (em português, fevereiro de 1940). Como texto básico, tinha as seguintes palavras de Jesus Cristo concernente a seus discípulos: “Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo.” (João 17:16, Tradução Brasileira) Esse estudo bíblico da neutralidade cristã, vindo quando veio, preparou as testemunhas de Jeová de antemão para os tempos difíceis a frente.
AMEAÇA DE INCÊNDIO PREMEDITADO NA FAZENDA DO REINO
A Fazenda do Reino, perto de South Lansing, Nova Iorque, serviu bem para fornecer aos membros da equipe da sede da Sociedade as frutas, os legumes, a carne, o leite e o queijo necessários. David Abbuhl trabalhava na Fazenda do Reino quando sua paz e serenidade foram perturbadas lá em 1940. “Na véspera do Dia da Bandeira, 14 de junho de 1940”, afirma o irmão Abbuhl, “fomos alertados por um velho que diariamente passava por ali, quando ia comprar uísque na taverna em South Lansing, a respeito de um plano do povo da cidade e os da Legião Americana, de incendiar nossos prédios e destroçar nossa maquinaria.” O xerife foi avisado.
Por fim, o inimigo surgiu em cena. John Bogard, que era então o servo da fazenda, certa vez forneceu este relato vívido das dificuldades: “Por volta das seis da tarde, os bandos começaram a se reunir, um carro após outro, até que havia trinta ou quarenta carros lotados. O Xerife e seus homens chegaram e começaram a parar os motoristas e a examinar suas carteiras, avisando-os a não tomar nenhuma ação contra a Fazenda do Reino. Eles continuaram rodando para lá e para cá pela estrada em frente à nossa propriedade até tarde da noite, mas a presença da polícia os manteve na estrada e frustrou seu plano de destruir a fazenda. Foi uma noite excitante para todos nós ali na fazenda, mas lembramo-nos vividamente da garantia de Jesus a seus seguidores: “Sereis pessoas odiadas por todos, por causa do meu nome. Contudo nenhum cabelo da vossa cabeça perecerá de modo algum. — Luc. 21:17, 18.”
Assim aconteceu que foram evitados a tentativa de ataque e o incêndio premeditado. Calculadamente 1.000 carros, levando possivelmente 4.000 homens, tinham vindo de todos os setores da parte oeste do estado de Nova Iorque para destruir a propriedade da Fazenda do Reino, da Sociedade — mas, isso de nada adiantou. Afirma Kathryn Bogard: “Seu propósito falhou, e algumas das mesmas pessoas que constituíam a turba são agora Testemunhas, sim, estando até mesmo no ministério de tempo integral!”
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Estados Unidos da América (Parte Três)Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976
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Estados Unidos da América (Parte Três)
IRROMPE A VIOLÊNCIA EM LITCHFIELD
Por volta do mesmo tempo que a Fazenda do Reino era objeto de uma tentativa de ataque e incêndio premeditado, surgiram dificuldades contra as testemunhas de Jeová em Litchfield, Ilinóis. “De alguma forma, os arruaceiros em Litchfield foram informados de nossos planos, de modo que, quando fomos trabalhar naquela cidade, estavam preparados para nos receber”, lembra Clarence S. Huzzey. “O sacerdote local tocou os sinos da igreja como sinal e eles começaram a prender os irmãos — levando-os para a cadeia local. Alguns dos irmãos foram terrivelmente espancados e a turba até ameaçou incendiar a cadeia. Alguns dos arruaceiros localizaram os carros dos irmãos e começaram a demoli-los — reduzindo-os a destroços.”
Walter R. Wissman diz: “Depois de serem espancados pela turba, os irmãos foram levados à cadeia local pela patrulha rodoviária estadual, para sua própria proteção. Certo irmão, Charles Cervenka, foi derrubado no chão por um soco, quando se recusou a saudar a bandeira, a bandeira sendo empurrada sobre seu rosto, e foi gravemente chutado e espancado na cabeça e no corpo. Foi o mais gravemente ferido dentre os irmãos e jamais se recuperou por completo do espancamento. Morreu alguns anos depois. Afirmou, mais tarde, que, ao ser espancado, dizia a si mesmo que estava tão contente de que isto aconteceu com ele e não com algum dos irmãos mais novos, porque sabia que podia agüentar isso, ao passo que talvez um novato enfraquecesse e transigisse.”
“A cidade de Litchfield estava mui orgulhosa desta realização”, lembra-se o irmão Wissman. “Com efeito, vários anos mais tarde, já bem adiantado na década de 1950, Litchfield celebrou seu centenário com carros alegóricos que representavam os eventos destacados nos cem anos de história da cidade. Um desses carros comemorava o ataque da turba contra as testemunhas de Jeová em 1940. As autoridades municipais consideravam que este era um evento memorável de sua história. Que Jeová os recompense!”
APELOS DESATENDIDOS
Tão graves e numerosos eram os ataques violentos contra as testemunhas de Jeová que o Procurador-Geral dos Estados Unidos, General Francis Biddle e a Sra. Eleanor Roosevelt (esposa do Presidente Franklin D. Roosevelt) fizeram apelos públicos para a cessação de tais ações. Com efeito, em 16 de junho de 1940, no próprio dia do incidente de Litchfield, durante uma transmissão radiofônica de costa a costa pela cadeia da “National Broadcasting Company”, Biddle declarou:
“As testemunhas de Jeová têm sido repetidas veres atacadas e espancadas. Não cometeram crime algum; mas a turba julgava que cometeram, e lhes deu o castigo da turba. O Procurador Geral ordenou imediata investigação destes ultrajes.
“O povo deve ficar alerta e vigilante, e, acima de tudo, frio e são. Visto que a violência da turba tornará a tarefa do governo infinitamente mais difícil, não será tolerada. Não derrotaremos o mal nazista por imitar seus métodos.”
Mas, tais apelos não frearam a onda de hostilidade contra as testemunhas de Jeová.
INTERROMPIDAS AS REUNIÕES CRISTÃS
Durante esses anos turbulentos, os cristãos nos Estados Unidos às vezes eram atacados enquanto se reuniam pacificamente para instrução bíblica. Isso aconteceu, por exemplo em Saco, Maine, em 1940. Numa ocasião, quando as testemunhas de Jeová estavam em seu Salão do Reino do segundo pavimento, preparando-se para apresentar um discurso bíblico gravado, uma turba de 1.500 a 1.700 pessoas se formou, segundo Harold B. Duncan. Lembra-se claramente de que um sacerdote estava com eles, sentado num carro em frente do salão. “O sujeito na [vizinha] loja de consertos de rádio ligou todo rádio que pôde em pleno volume, de modo a abafar o discurso”, afirma o irmão Duncan, acrescentando: “Então a turba começou a apedrejar as vidraças das janelas. A polícia em trajes civis, com faroletes, apontou os raios de luz para as janelas a serem apedrejadas. A delegacia de polícia estava situada a um quarteirão e meio de distância. Fui lá duas vezes e informei-os do que acontecia. Disseram: ‘Quando vocês saudarem a bandeira americana, nós os ajudaremos!’ A turba apedrejou 70 [pequenas vidraças] do salão e uma pedra tão grande como meu punho passou raspando pela cabeça da irmã Gertrude Bob e arrancou um pedaço do reboque da parede.”
A violência duma turba também irrompeu na assembléia de 1942 em Klamath Falls, Oregon. Segundo Don Milford, os arruaceiros cortaram os fios telefônicos que traziam um discurso de uma outra cidade de congresso, mas um irmão que tinha uma cópia do discurso imediatamente tomou a direção e o programa prosseguiu. Por fim, a turba invadiu o salão. As Testemunhas se defenderam e, quando a porta foi de novo fechada, um dos atacantes — “um homem alto e forte” — estava desmaiado dentro do prédio. Era um oficial de polícia, e foi tirada uma foto dele com o distintivo junto ao seu rosto. “Chamamos a Cruz Vermelha”, afirma o irmão Milford, “e enviaram duas mulheres com uma maca e o levaram. Ouviu-se-lhe dizer mais tarde: ‘Não pensei que eles fossem lutar.’” A polícia recusou-se a ajudar as Testemunhas, e demorou mais de quatro horas para que a turba fosse dispersada pela milícia estadual.
AGRESSÕES NA OBRA DE REVISTAS NAS RUAS
Ao passo que os policiais em certas localidades deixavam de proteger as testemunhas de Jeová, isso por certo não ocorria invariavelmente. Por exemplo, ao fazer o serviço de revistas na rua, em Tulsa, Oklahoma, há alguns anos, L. I. Payne observou que um policial sempre estava ao alcance da vista. “Assim”, diz o irmão Payne, “certo dia lhe perguntei por que estava sempre tão por perto. Sua observação foi no sentido de que, muito embora tivesse grande área a cobrir, ficaria naquela vizinhança porque não ia permitir que alguém me expulsasse dali ou me espancasse. Tinha lido como as cidadezinhas tratavam as Testemunhas e não podia entender por que alguém desejaria impedir esta obra.”
Na realidade os servos de Jeová amiúde eram agredidos por turbas violentas ao se empenharem no testemunho na ruas com A Sentinela e Consolação. Para exemplificar, Georg L. McKee afirma que, semana após semana, em uma comunidade de Oklahoma, certas turbas, que iam de 100 a bem mais de 1.000 homens furiosos, fustigavam as Testemunhas empenhadas na obra de revistas nas ruas. O prefeito, o chefe de polícia e outras autoridades não forneciam proteção alguma. Segundo o irmão McKee, em geral os arruaceiros eram dirigidos por destacado médico e líder da Legião Americana, primo de Belle Starr, notória bandida. Primeiro, capangas bêbados começavam um distúrbio. Daí, vinha a turba, armada de tacos de bilhar, porretes, canivetes, cutelos de açougueiros e revólveres. Com que objetivo? Expulsar as Testemunhas da cidade. Mas, todo sábado, os proclamadores do Reino, determinavam de antemão, por quanto tempo iriam empenhar-se no serviço nas ruas e, embora a turba se juntasse rapidamente, tinham êxito em completar o tempo determinado. Muita revistas eram colocadas com os que faziam compras.
Certo sábado, cerca de quinze Testemunhas foram assediadas. “Compreendemos que teríamos de confiar em Jeová Deus e no bom critério para escapar vivos”, afirma o irmão McKee, continuando: “Sem nem mesmo um aviso, começaram a atacar três de nós, irmãos, com seus canivetes e porretes. . . . Com braços quebrados, crânios fraturados e outros ferimentos, fomos a quatro médicos diferentes na comunidade, mas todos se recusaram a dar-nos o tratamento necessário. Tivemos que viajar para uma comunidade a uns 80 quilômetros de distância para obter os serviços de um médico condolente. As feridas e as mágoas logo sararam, e retornamos à esquina das ruas no sábado seguinte com as boas novas do Reino. Este espírito predominava durante todos os tempos aflitivos que passamos no auge da perseguição.”
FÚRIA EM CONNERSVILLE
Destacados entre os atos violentos eram os incidente ocorridos em 1940 em Connersville, Indiana. Certas mulheres cristãs que foram julgadas ali foram acusadas falsamente de “conspiração turbulenta”. Quando o irmão Rainbow, servo de zona, e Victor e Mildred Schmidt saíam do tribunal no primeiro dia de julgamento, cerca de vinte homens investiram contra seu carro, ameaçaram-nos de morte e tentaram virar o veículo.
No último dia do julgamento, o promotor público usou o seu tempo de argumentação mais para incitar um motim, às vezes falando de forma direta para os homens armados no prédio. Por volta das 21 horas veio o veredicto: “Culpados.” Então, irrompeu uma tempestade de violência. A irmã Schmidt afirma que ela e seu marido Victor, que era um dos advogados que cuidavam do caso, junto com dois outros irmãos, foram separados das outras Testemunhas e uma turba de duzentas a trezentas pessoas investiu sobre eles. Ela nos conta:
“Quase que de imediato, uma barragem de todos os tipos de frutas, legumes e ovos começou a bombardear-nos. Mais tarde nos disseram que os arruaceiros tinham jogado a carga inteira dum caminhão em cima de nós.
“Tentamos correr para nosso carro, mas fomos impedidos e empurrados para a estrada que conduzia para fora da cidade. Então, uma turba correu para cima de nós, ferindo os irmãos e atingindo-me nas costas, provocando o efeito duma chicotada. Já então, uma tempestade tinha irrompido em toda sua fúria. A chuva caía em torrentes e o vento soprava furiosamente. No entanto, a fúria dos elementos era insignificante em comparação com a fúria desta turba endemoninhada. Devido à tempestade, muitos fugiram para seus carros, e dirigiam-nos ao nosso lado, berrando e amaldiçoando-nos e sempre incluindo o nome de Jeová em suas maldições. Oh, como isso doía em nossos ouvidos!
“Mas, apesar da tempestade, parecia como se pelo menos cem homens a pé exercessem pressão sobre nós. Irmãos que lotavam um carro dirigido pela irmã Jacoby (agora irmã Crain) de Springfield, Ohio, tentaram socorrer-nos, mas a turba quase que virou o carro e o chutou e rebentou suas portas. Isto trouxe mais pancadas sobre nós, à medida que os arruaceiros nos puxavam para longe do carro. Os irmãos foram obrigados a ir embora sem nós. Ao sermos empurrados e a tempestade continuar sem diminuir, os arruaceiros continuavam gritando e bradando ‘Joguem-nos no rio! Joguem-nos no rio!’ Este brado incessante semeou o terror em meu coração, e, ao nos aproximarmos da ponte que cruzava o rio, o brado subitamente parou. Logo tínhamos atravessado a ponte. Era como se os anjos de Jeová tivessem cegado a turba quanto a onde estávamos! Pensei eu: ‘Obrigado, Jeová!’
“Então os grandes e troncudos arruaceiros começaram a agredir de novo os irmãos. Quão duro era ver alguém que se ama ser agredido! Cada vez que batiam em Victor, ele cambaleava, mas jamais caiu. Tais golpes eram golpes horrorosos para mim . . .
“Vez após vez, aproximaram-se de mim pelas costas e me deram aquele rápido empurrão como uma chicotada. Por fim separaram-nos dos dois irmãos, e, andamos de braços firmemente dados, Victor disse: ‘Não sofremos tanto quanto Paulo. Não resistimos até ao derramamento de sangue.’ [Compare com Hebreus 12:4.]
“Estava muito escuro e ficava tarde (soube depois que eram por volta das 23 horas). Estávamos além dos limites da cidade e quase exaustos quando, subitamente, um carro parou bem perto de nós. Uma voz familiar disse: ‘Depressa! Entrem!’ Oh, ali estava aquele excelente jovem pioneiro, Ray Franz salvando-nos desta turba violenta! . . .
“Aqui, de novo, sentíamos que os anjos de Jeová tinham cegado o inimigo para não nos ver entrar no carro. Ali, no carro, seguros da turba, estavam os queridos irmãos Rainbow e esposa, e três outros. De alguma forma, esse carrinho teve espaço, para todos nós oito. Todos sentíamos que os anjos de Jeová tinham impedido que o inimigo nos visse entrar no carro. A turba ainda estava violentamente irada conosco, sem nenhum indício de nos livrar. Parecia como se Jeová, com seus braços amorosos, tivesse nos alcançado e nos libertado! Mais tarde soubemos que, depois de os dois irmãos serem retirados de perto de nós, encontraram refúgio numa pilha de feno até que alguns irmãos os encontraram bem cedo de manhã. Um dos irmãos fora gravemente ferido por um objeto atirado nele.
“Chegamos em casa por volta das 2 da madrugada, ensopados e gelados, visto que a tempestade pusera fim a uma onda de calor e trouxera o ar frio. Nossos irmãos e irmãs nos ministraram, até mesmo pensando cinco feridas abertas no rosto de Victor. Quão gratos ficamos de estar sob os cuidados amorosos de nossos queridos irmãos!”
Apesar de tais graves experiências, contudo, Jeová sustenta e fortalece seus servos. “Assim”, observa a irmã Schmidt, “aqui tínhamos sofrido outro tipo de prova, que Jeová misericordiosamente nos ajudara a suportar, e deixar que ‘a perseverança tivesse a sua obra completa’.” — Tia. 1:4
OUTROS ATOS DE BRUTALIDADE DA TURBA
Muitos foram os atos de violência da turba, tendo por alvo as testemunhas de Jeová. Em dezembro de 1942, em Winnsboro Texas, várias testemunhas de Jeová foram assediadas por uma turba enquanto faziam o serviço de revistas nas ruas. Entre as Testemunhas achava-se O. L. Pillars, servo aos irmãos (superintendente de circuito). À medida que os arruaceiros se aproximavam, as Testemunhas concluíram que não poderiam fazer o trabalho nas ruas sob tais circunstâncias. Assim, começaram a andar em direção a seu carro. “No meio da rua principal, em seu carro-sonante, estava o pregador batista C. C. Phillips”, lembra-se o irmão Pillars. “Ele estava pregando sobre Cristo e sua crucificação, mas, logo que nos viu, mudou seu sermão. Começou a falar de modo bombástico e a dizer disparates sobre como as testemunhas de Jeová não saudavam a bandeira. Ele disse como estaria feliz de morrer pela ‘Old Glory’ (Velha Glória), e que qualquer pessoa que não saudasse a bandeira deveria ser expulsa da cidade. Ao passarmos por seu carro, olhamos adiante, podendo ver outra turba que vinha em nossa direção. Logo cercaram fileiras sobre nós e nos detiveram até que o delegado municipal surgiu e nos prendeu.”
Mais tarde, a turba entrou no escritório do delegado, que não fez esforço de proteger as Testemunhas. Os arruaceiros se apoderaram delas. Na rua, o irmão Pillars, por sua vez estava sendo surrado. “Desta feita”, afirma o irmão Pillars “senti a ajuda mais incomum. Estava levando tremenda surra. O sangue jorrava do meu nariz, rosto e boca, mas não sentia dor alguma. Mesmo nessa hora, maravilhei-me desse fato e achei que era manifestação da ajuda angélica. . . . Para mim, explicava como nossos irmãos alemães suportaram fielmente o calor da perseguição nazista sem vacilar.”
O irmão Pillars foi repetidamente espancado até ficar inconsciente, então reanimado e espancado de novo. Por fim, não podendo fazer que recobrasse os sentidos, os arruaceiros o embeberam em água fria e tentaram obrigá-lo a saudar uma bandeira de cinco por dez centímetros, segundo ele, “a única bandeira que estes grandes ‘patriotas’ conseguiram achar”. Ao erguê-la, erguiam também o braço dele, mas ele deixou cair a mão, mostrando que não faria a saudação. Logo amarraram uma corda no pescoço dele, jogaram-no ao chão e o arrastaram até a cadeia. Vagamente, ouviu-os dizer: “Vamos enforcá-lo logo. Assim nos livraremos para sempre dessas Testemunhas.” Não muito depois disso, tentaram fazer exatamente tal coisa. Escreve o irmão Pillars: “Puseram a corda nova de cânhamo, de pouco mais de um centímetro, ao redor do meu pescoço, dando o laço do carrasco por trás da orelha, e me arrastaram para a rua. Em seguida, jogaram a corda por cima dum cano que saía do prédio. Quatro ou cinco arruaceiros começaram a puxar a corda. Ao ser erguido do solo, a corda ficou apertada e desmaiei.”
A próxima coisa que o irmão Pillars se deu conta era de que estava de volta à cela sem aquecimento. Um médico o examinou e disse: “Se quer que este rapaz viva, é melhor levá-lo para o hospital, visto que perdeu muito sangue e seus olhos se dilataram.” A isto, o delegado redargüiu: “Ele é o Diabo mais teimoso que já vi.” “Como essas palavras me encorajaram”, observa o irmão Pillars, “pois me asseguravam de que não havia transigido”.
Depois de o médico ir embora, os arruaceiros encheram a cadeia fria, escura. Acenderam fósforos para ver o rosto do irmão Pillars, e ele os ouviu dizer: “Já está morto?” Alguém respondeu: “Não, mas vai morrer.” Congelado de frio até os ossos e completamente encharcado, o irmão Pillars tentou evitar tremer de frio, esperando que o imaginassem morto. Por fim, foram embora e tudo ficou quieto. Com o tempo, a porta se abriu, entrou a Polícia Estadual do Texas e o irmão Pillars foi levado de ambulância para o hospital em Pittsburgo, Texas. Tinha estado a mercê da turba durante seis horas. Mas, o que acontecera quando o enforcaram? Por que ainda estava vivo? “Descobri tais respostas em fins do dia seguinte”, observa o irmão Pillars, acrescentando:
“Na enfermaria de presos no hospital de Pittsburgo onde eu me recuperava chegou o irmão Tom Williams. Era um advogado local de Sulphur Springs e verdadeiro batalhador pela justiça. Esforçara-se de localizar-me, sem nenhum êxito, até que ameaçou processar a cidade. Então lhe revelaram que eu estava hospitalizado. Quão bom foi ver o rosto dum irmão. Ele me contou então que toda a cidade comentava — eu tinha sido enforcado, mas a corda rebentara!
“Mais tarde, o F. B. I. fez uma investigação oficial e isto levou a uma audiência de instrução dum júri, um grupo de pentecostais se dispondo a testemunhar. Disseram: ‘Hoje são as testemunhas de Jeová. Amanhã seremos nós!’ Quando descreveram o enforcamento, disseram: ‘Vimo-lo balançando na corda. Então ela rebentou. Quando vimos a corda rebentar sabíamos que era o Senhor que a rebentara.’”
O delegado e outras autoridades fugiram atravessando as fronteiras estaduais. Por isso, jamais foram julgados. O irmão Pillars se recuperou e voltou a seu trabalho como servo aos irmãos naquela área.
SUPORTANDO A PERSEGUIÇÃO BRUTAL
“Jamais poderia suportar tal perseguição brutal!” talvez afirme. Não, não em sua própria força. Mas, Jeová pode torná-lo forte se aproveitar Suas provisões para a edificação espiritual agora. A razão principal para a perseguição se relaciona com a questão da soberania universal. Com efeito Satanás desafiou a Deus, afirmando que nenhum humano permaneceria fiel a Jeová sob prova por parte do Diabo. Que privilégio é manter integridade a Deus, assim provando Satanás mentiroso, e apoiando o lado de Jeová na questão! — Jó 1:1-2:10; Pro. 27:11.
Nos anos desde aqueles dias turbulentos de muitos ataques de turbas contra as testemunhas de Jeová, nos Estados Unidos, o povo de Deus, tornou-se cada vez mais cônscio da necessidade de confiar plenamente em Jeová. Ao passo que defenderão a si mesmos e a seus entes queridos, em harmonia com os princípios bíblicos, não se armam de armas mortíferas em antecipação dos ataques. (Mat. 26:51, 52; 2 Tim. 2:24) Antes reconhecem que ‘as armas de seu combate não são carnais’. — 2 Cor. 10:4, veja A Sentinela de 1.º de dezembro de 1968 páginas 729-734.
ASSEMBLÉIA TEOCRÁTICA EM SÃO LUÍS
A humanidade já se achava nas garras da Segunda Guerra Mundial e a perseguição grassava entre o povo de Deus. Mas ‘Jeová dos exércitos estava com eles.’ (Sal. 46:1, 7) Ele se certificava de que obtivessem amplas provisões de boas coisas em sentido espiritual. Muito digna de nota, nesse sentido, foi a Assembléia Teocrática das Testemunhas de Jeová em São Luís, Missúri, de 6 a 10 de agosto de 1941.
Os servos de Jeová ansiavam estar presentes a essa assembléia. Assim, muitos deles achavam-se na estrada, seguindo para São Luís. “Logo soubemos”, diz a irmã A. L. McCreery, “que todas as Testemunhas puseram uma revista [A Sentinela ou Consolação] na janela do carro para identificar-se; nós também o fizemos. A viagem inteira foi uma em que acenávamos para pessoas inteiramente estranhas que passavam por nós, mas sabíamos que eram nossos irmãos pelos seus sorrisos e acenos.
Apesar da pressão da Ação Católica e dos Veteranos nas Guerras Estrangeiras, o encarregado da Arena recusou-se a cancelar o contrato de seu uso pelas testemunhas de Jeová. No entanto, as igrejas católicas circularam uma propaganda que fez com que muitos moradores cancelassem os quartos que iriam alugar para o povo de Deus. “Freiras foram de porta em porta, dizendo às pessoas que não alugassem quartos para as testemunhas de Jeová”, afirma Robert E. Rainer. Por isso, ao chegarem a São Luis, “tantas Testemunhas não tinham acomodações que se tornou necessário mandar fazer colchões e enchê-los, de modo que pudessem dormir nas instalações da Arena”, segundo Margaret J. Rogers.
A respeito do problema de acomodações, o irmão e a irmã G. J. Janssen declaram: “Durante o congresso, um jornal publicou uma foto duma Testemunha que era mãe, e seu filho dormindo a noite no gramado do local do congresso. Isso bastou. Os moradores locais, com o coração mais abrandado do que o dos seus falsos mestres, começaram a telefonar ao departamento de hospedagem para dizer que seus quartos extras estavam disponíveis para as Testemunhas.” Não demorou muito até que os quartos eram oferecidos por telegramas, telefonemas cartas, visitas pessoais e outros meios. Os publicadores do Reino eram até mesmo parados nas ruas por pessoas que lhes ofereciam hospedagens.
Algumas Testemunhas, ao chegarem, dirigiram-se para a Cidade Teocrática dos Carros-Reboques. Cresceu até que o local pululava com 677 carros-reboques, 1.824 tendas, 100 carros com camas, 99 caminhões e 3 ônibus — e uma população de 15.526 pessoas. “Era imensa”, observa Edna Gorra, que também afirma: “Deram-nos nomes as ruas e havia instalações para lavagem de roupa, banheiros adequados, etc. Era algo maravilhoso de se contemplar — pessoas de diferentes estados morando em seus carros-reboques, suas tendas e seus ônibus, todos de comum acordo.”
DESTAQUES DO PROGRAMA
Espiritualmente recompensador foi deveras o programa do congresso. Por exemplo, Hazel Burford, agora missionária no Panamá, observa: “Ficamos emocionados ao nos ser esclarecida a questão do domínio universal de Jeová qual Soberano Supremo e como isso envolvia a integridade dos servos de Jeová. . . Compreendemos mais claramente do que nunca antes por que Jeová permitia tão intensa perseguição sobre Seu povo em todo o mundo.” Em seu discurso intitulado “Integridade” o irmão Rutherford apontou que a questão suscitada por Satanás nos dias de Jó era: “Pode Jeová colocar homens na terra que, sob a mais severa prova, mostrem-se fiéis e verdadeiros a Deus?” Todavia, foi mostrado, a questão primária era a do domínio universal. Entre outras coisas, o orador instou com seus ouvintes a que fossem devotados inteiramente e sem reservas ao Governo Teocrático por Cristo Jesus, sabendo que vindicará o nome de Jeová e trará libertação a todos que amam a justiça e servem a Jeová.
Havia uma modalidade do congresso que especialmente encantou o coração dos congressistas. O domingo, 10 de agosto de 1941, foi o “Dia das Crianças” no congresso de São Luís. Bem cedo naquela manhã um discurso de batismo foi proferido e 3.903 pessoas foram imersas, entre elas 1.357 crianças. Mas, para as crianças — e os adultos também — esse dia era muito especial. “Todos os filhos de pais consagrados, entre as idades de 5 a 18 anos, e que possuem bilhetes de lugares reservados se reunirão na arena principal, bem em frente da tribuna”, dizia o programa impresso. O discurso do irmão Rutherford, “Filhos do Rei”, estava programado para as 11 horas.
Já então a assistência do congresso se tornara tremenda multidão de 115.000 pessoas. Bem em frente da tribuna do orador, e nas cadeiras de camarotes por toda a sua volta havia uma assistência extraordinária — toda ela de crianças entre cinco a dezoito anos de idade. Quando o irmão Rutherford surgiu no palco, os jovens deram vivas e aplaudiram. Ele agitou seu lenço e milhares de mãos jovens acenaram em resposta. Logo chegou à frente do palco, literalmente radiante diante do que via.
J. F. Rutherford teve muito que dizer a todos esses jovens e aos milhares de outros nessa ampla assistência. Por exemplo Dorothy Wilkes declara: “A esperança de condições paradísicas na terra tornou-se muito real para nós, à medida que o irmão Rutherford observava, com efeito, que ‘as propriedades que viram pelo caminho ao virem à assembléia não eram nada em comparação com o que irão possuir!’” E Neal L. Callaway, que era um dos jovens na assistência, naquele dia, certa vez escreveu: “. . . depois de concluir seu discurso, o presidente da Sociedade disse: ‘Tenho uma pergunta a propor a cada um de vocês. Todos vocês que concordaram em fazer a vontade de Deus e tomaram sua posição do lado do Governo Teocrático por Cristo Jesus, e que concordaram em obedecer a Deus e ao seu Rei, queiram LEVANTAR-SE!’
“Levantamo-nos como um só corpo. ‘Eis!’ exclamou o presidente da Sociedade, ‘mais de 15.000 novas testemunhas do Reino!’ Depois de longo aplauso, ele disse: ‘Todos vocês que farão o que puderem para falar a outros sobre o reino de Deus e suas bênçãos acompanhantes queiram dizer Sim!’ Então veio trovejante ‘Sim’ de 15.000 jovens em pé.
“E então o presidente da Sociedade disse: ‘Se tivessem em suas mãos um instrumento que pudessem usar para a honra do nome de Jeová, seriam diligentes em usá-lo?’ Respondemos ‘Sim!’ ‘Queiram então sentar-se, e eu lhes falarei sobre esse instrumento. O Senhor tornou possível a preparação deste livro como uma mensagem para vocês. O título deste livro é “Filhos”.’ Que tremendo aplauso se seguiu!” Um exemplar grátis do novo livro Filhos, escrito pelo irmão Rutherford, foi fornecido a cada criança sentada nas seções especiais da Arena e do campo de carros-reboques.
Muitos que estavam presentes nessa grandiosa ocasião como simples crianças continuaram a progredir, observa George D. Caron. “Tornaram-se pioneiros, cursaram a Escola de Gileade e aceitaram designações missionárias, foram para Betel, e, de outros modos, progrediram junto com a organização. Atualmente, são a coluna dorsal e a força de muitas congregações através do mundo.”
No domingo à tarde, 10 de agosto de 1941, o adoentado J. F. Rutherford falou à assistência do congresso pela última vez. Fez isso de modo extemporâneo, sem notas, por cerca de quarenta e cinco minutos.
Teceu algumas observações mui significativas sobre a liderança do povo de Jeová, afirmando: “Desejo que quaisquer estranhos aqui saibam o que pensam quanto a um homem ser seu líder, de modo que não se esqueçam. Toda vez que surge algo, e começa a crescer, costuma se dizer que é um homem, um líder, que tem muitos seguidores. Se houver alguma pessoa nessa assistência que pense que eu, este homem que está aqui em pé, é o líder das testemunhas de Jeová, que diga Sim. [Houve um NÃO unânime.]
“Se os irmãos que estão aqui crêem que eu sou apenas um dos servos do Senhor, e que trabalhamos ombro a ombro em unido, servindo a Deus e servindo a Cristo, que digam Sim. [Houve um SIM unânime.]
“Bem, não me precisam ter como líder terrestre para fazer com que uma multidão como essa trabalhe; esse tipo de pessoas seria capaz de lutar com o Diabo com um bastão dum olmo de Missúri, e lutam com a espada do espírito, que é mais eficaz.”
Repetidas vezes, durante este discurso final, o irmão Rutherford instou com seus ouvintes a levar avante a obra de pregar a mensagem do Reino.
DIAS FINAIS EM BETH-SARIM
Em novembro, a moléstia crítica do irmão Rutherford tinha, criado raízes e ele se via obrigado a fazer uma operação em Elkhart, Indiana. Depois disso, expressou o desejo de ir para a Califórnia. Assim, foi levado para uma residência de San Diego conhecida como “Beth-Sarim”. Por algum tempo tornou-se evidente a seus associados e aos melhores perito médicos de que ele não se recuperaria.
Em suma, poder-se-ia dizer que o irmão Rutherford sofrera dum grave caso de pneumonia depois de ser solto da prisão injusta durante 1918-1919 por causa de sua fidelidade Jeová. Depois disso, só tinha um pulmão são. Era virtualmente impossível permanecer em Brooklyn, Nova Iorque, durante inverno e ainda assim cumprir seus deveres como presidem da Sociedade. Na década de 1920, foi para San Diego sob tratamento médico. O clima ali era excepcionalmente bom e o médico instou com ele a que passasse o maior tempo possível em San Diego. Foi isso que o irmão Rutherford fez por fim.
Com o tempo, foi feita uma contribuição direta para a construção duma casa em San Diego para uso do irmão Rutherford. Ela não foi construída às custas da Sociedade Torre de Vigia (EUA). A respeito desta propriedade, declarava o livro Salvação, de 1939: “Em San Diego, Califórnia Estados Unidos, há um terreno pequeno, no qual, em 1929, construiu-se uma casa, que se chama e se conhece como Beth-Sarim.”
A irmã Hazel Burford era uma das enfermeiras que cuidavam do irmão Rutherford durante a fase final de sua doença em Beth-Sarim, para onde foi levado em novembro de 1941. Ela nos conta: “Passamos momentos interessantes, pois ele chegou ao ponto em que dormia o dia inteiro e então a noite toda, ocupava-se nos assuntos da Sociedade e nos mantinha em movimento.” Certa manhã, por volta de meados de dezembro, três irmãos, inclusive o irmão Knorr, chegaram de Brooklyn. Lembra-se a irmã Burford: “Passaram vários dias com ele, examinando o relatório anual para o Anuário outros assuntos de organização. Depois de sua partida, o irmão Rutherford continuou a enfraquecer-se e, cerca de três semanas mais tarde, na quinta-feira, 8 de janeiro de 1942 terminou fielmente sua carreira terrestre e graduou-se para privilégios de serviço mais plenos nos átrios de seu Pai celeste.” Mais tarde, naquele dia, a notícia foi enviada à sede de Brooklyn por um telefonema interurbano às 17,15 horas.
Como foram recebidas as notícias da morte de J. F. Rutherford no Betel de Brooklyn? “Jamais me esquecerei do dia em que soubemos do falecimento do irmão Rutherford”, comenta William A. Eirod. “O anúncio foi breve. Não houve discursos.
SUAVE TRANSIÇÃO
A quinta-feira, 8 de janeiro de 1942, assinalou o fim da vida terrestre de Joseph Franklin Rutherford, de 72 anos. Durante vinte e cinco anos fora presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA). Quando o primeiro presidente da Sociedade, Charles Taze Russell, faleceu em 1916, os Estudantes da Bíblia ficaram abalados e muitos ficaram imaginando como poderiam continuar a fazer o serviço de Deus. Ademais, homens egoístas tentaram obter controle da Sociedade e isto apresentou problemas por algum tempo, embora a oposição e as tramas deles fossem completamente frustradas mediante a ajuda divina. A morte de J. F. Rutherford não teve tais efeitos, contudo. Naturalmente, os inimigos do povo de Deus pensavam que a obra das testemunhas de Jeová pararia por completo, mas estavam equivocados. “A organização teocrática prosseguiu sem nenhuma paralisação ou tropeço”, observa Grant Suiter.
Em 13 de janeiro de 1942, todos os membros da diretoria das corporações de Pensilvânia e de Nova Iorque, usadas pelo povo de Deus reuniram-se em conjunto no Betel de Brooklyn. Vários dias antes, o vice-presidente da Sociedade, Nathan H. Knorr, tinha solicitado que procurassem fervorosamente a sabedoria divina mediante oração e meditação, e eles fizeram isto. Sua reunião conjunta foi aberta com oração, pedindo a orientação de Jeová, e, depois de cuidadosa consideração, o irmão Knorr foi indicado e eleito unanimemente como presidente da Sociedade. “Ninguém que eu saiba chegou sequer a questionar a designação do irmão Knorr”, afirma C. W. Barber, “e todos estavam determinados a colocar-se ombro a ombro em apoiá-lo e em provar nossa devoção a organização de Jeová. Havia completa união também entre todos os diretores da Sociedade.” Muitos telegramas e cartas foram recebidos que mostravam que os servos de Jeová em todo o mundo estavam unificados e determinados a levar avante a obra de pregação.
Nathan Homer Knorr nasceu em Bethlehem, Pensilvânia em 1905, tendo pais norte-americanos natos. Quando tinha 16 anos, associou-se com a congregação dos Estudantes da Bíblia em Allentown, e, em 1922, assistiu ao congresso de Cedar Point, onde decidiu deixar de ser membro da Igreja Reformada. Uma oportunidade de ser imerso em água para simbolizar a dedicação de sua vida a Jeová Deus surgiu em 4 de junho de 1923, quando Frederick W. Franz, do Betel de Brooklyn, visitava a congregação de Allentown. O irmão Franz proferiu o discurso de batismo, e Nathan H. Knorr, com 18 anos, achava-se entre as pessoas batizadas naquele dia no Rio Little Lehigh. Este sempre foi um dia alegre de ser lembrado, e que prazer tem sido para o irmão Knorr ser privilegiado em trabalhar lado a lado com o irmão Fred Franz já por mais de cinqüenta e dois anos!
Cerca de dois meses depois, em 6 de setembro de 1923, irmão Knorr tornou-se membro da família de Betel de Brooklyn. Lembra-se C. W. Barber: “Ao meio-dia quando ele chegou, ao virmos para casa, para o almoço, notamos um irmão jovem, ocupado em colocar suas roupas e suas coisas em uma das cômodas no quarto A-9. Não sabendo que tinha sido feita uma mudança, e que ele ocupava o lugar de um irmão que se tinha mudado para a WBBR na Ilha Staten, seguiram-se algumas palavras de protesto. ‘Que está fazendo aqui?’ ‘Já temos gente bastante neste quarto e está apinhado demais.’ Achávamos que mais uma pessoa no quarto era demais, mas as coisas se acalmaram, e o jovem irmão não resultou ser nenhum outro senão o irmão N. H. Knorr. Não foi exatamente uma acolhida adequada, mas, amiúde gostávamos de falar dessa situação, anos mais tarde, e ríamos a valer. Desde o início, era evidente que ele não viera para Betel para fazer outra coisa senão empenhar-se no trabalho às mãos. Aplicou-se vigorosamente no departamento de expedição e fez rápido progresso em cuidar de responsabilidade e em fazer tudo que lhe fosse mandado.”
Mais tarde, serviu no departamento de coordenação e controle da gráfica da Sociedade e, em 8 de fevereiro de 1928, foi nomeado pelo irmão Rutherford como co-responsável pela publicação da revista Idade de Ouro. Clayton J. Woodworth era o editor, Robert J. Martin, gerente comercial e Nathan H. Knorr, secretário e tesoureiro. Quando o supervisor da gráfica Robert J. Martin, faleceu em 23 de setembro de 1932, J. F. Rutherford designou N. H. Knorr para servir nessa posição. Em 11 de janeiro de 1934, o irmão Knorr foi eleito direto da Associação do Púlpito do Povo (agora Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Nova Iorque, Inc.). Tornou-se o vice-presidente da Associação em 10 de janeiro de 1935, depois da morte de E. J. Coward. Em 10 de junho de 1940, o irmão Knorr tornou-se diretor e foi escolhido vice-presidente da corporação de Pensilvânia, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA). Sua eleição à presidência de ambas as sociedades se deu em 13 de janeiro de 1942. Tornou-se também presidente da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia. Quanto à atitude do irmão Knorr para com o trabalho, lembra-se J. L. Cantwell: “Em 1940, quando havia tanta perseguição, as filiais estavam sendo fechadas e ocorriam motins. Certa noite, trabalhávamos tempo extra na gráfica. Convocou-se um ‘ensaio de incêndio’ e, entre outras coisas o irmão Knorr, que presidiu a reunião resultante, disse: ‘Sei que as coisas andam más para a obra. Mas, algo que todos nós aqui desejaremos lembrar é o seguinte: Se o Armagedom vier amanhã, desejaremos ter operado hoje a gráfica a noite inteira.’”
EDUCAR AS PESSOAS PARA A VIDA
O povo de Jeová estava usando o cartão de testemunho e o fonógrafo em seu serviço de campo. No entanto, deveriam ter habilidade de expressar-se em sentido bíblico. Deveriam poder fornecer razões de sua esperança. Esse era o conceito do novo presidente da Sociedade, N. H. Knorr. À medida que C. James Woodworth reflete sobre o passado, diz: “Ao passo que nos dias do irmão Rutherford a ênfase era sobre a ‘Religião É um Laço e Extorsão’, amanhecia então a era da expansão global, e a educação — bíblica e organizacional — começava numa escala nunca dantes conhecida pelo povo de Jeová.”
Nos anos que se seguiram, a ênfase sobre a educação bíblica iria tornar-se ainda mais acentuada. As testemunhas de Jeová haviam entrado deveras na era de educação para a vida.
CURSO DO MINISTÉRIO TEOCRÁTICO
“Apenas um pouco mais de um mês depois de o irmão Knorr se tornar presidente da Sociedade”, afirma Henry A. Cantwell “foram feitos arranjos para o que foi então chamado de Curso Avançado do Ministério Teocrático”. E o que era isso? Uma escola, inaugurada no Betel de Brooklyn em fevereiro de 1942.
Explica C. W. Barber: “Todos os membros varões da família de Betel de Brooklyn foram convidados a alistar-se . . . O curso consistia primeiro em um discurso proferido à escola inteira. As irmãs foram convidadas a assistir a ela, mas naquele tempo não eram inscritas na escola. Depois do discurso íamos para salas menores em que todos os inscritos apresentavam discursos de estudantes sob a tutela de conselheiros treinados.” L. E. Reusch acrescenta: “Cada mês fazíamos uma recapitulação, preparada pelo nosso instrutor da escola, irmão T. J. Sullivan.”
Soa-lhe familiar? Se for uma das testemunhas de Jeová sabe o que se iniciou há mais de três décadas no Betel de Brooklyn — a Escola do Ministério Teocrático. Logo outros louvadores de Jeová se beneficiavam também desta instrução. Em sua Assembléia “Chamada à Ação”, realizada em 247 cidades por todos os Estados Unidos em 17 e 18 de abril de 1943, foi anunciado e demonstrado o “Curso do Ministério Teocrático”. Um lançamento de surpresa, impresso, trazendo o mesmo nome, foi o folheto de 96 páginas, que dizia como dirigir a nova escola em cada congregação, e também fornecia informações para os discursos de instrução semanais. O instrutor designado da escola deveria agir como presidente e oferecer conselhos construtivos para os discursos de estudantes, de seis minutos, proferidos sobre vários tópicos bíblicos pelos varões inscritos.
Se está inscrito na Escola do Ministério Teocrático da atualidade, é provável que tenha ficado apreensivo quanto a seu primeiro discurso de estudante. Mas, suponhamos que a inteira escola fosse nova, como era no início dos anos 40. Então o que fazer? O primeiro discurso dum irmão na escola poderia ser uma experiência e tanto. “Meus joelhos batiam um contra outro, minhas mãos tremiam e meus dentes batiam admite Julio S. Ramu. “Não demorou seis minutos, porque proferi o discurso todo em apenas três minutos. Essa foi minha primeira experiência em falar da tribuna, mas não desisti.” “O Rei da Eternidade” foi o título do primeiro discurso de estudante de Angelo Catanzaro. “Jamais me esquecerei disso”, afirma ele. “Minha mãe disse que eu proferia esse discurso toda noite, durante várias noites, enquanto dormia.” Mas, a oração e confiança em Jeová desempenharam uma parte vital. “Estavam dispostos e tentaram fazê-lo”, comenta Louisa A. Warrington, “e era maravilhoso observar como o espírito de Jeová os ajudava . . . a se tornarem oradores proficientes e confiantes”.
Desde o começo de 1959, as irmãs nas congregações do povo de Deus tiveram o privilégio de alistar-se na Escola do Ministério Teocrático. Demonstrar como proferir sermões de seis minutos às pessoas em suas casas representava um desafio para elas. Agora era sua vez de ficarem nervosas. Grace A. Estep tinha um sermão na primeira noite em que as irmãs fizeram apresentações na Escola do Ministério Teocrático da congregação. “Oh, como estava assustada!” admite ela. “Mas, era um assunto fácil e muito conhecido, e, de alguma forma, consegui proferi-lo. Embora fosse difícil fazê-lo, quão contente fiquei depois disso por ter esta bênção adicional da parte de Jeová!” É assim que se sente?
Sim, tudo começou no Betel de Brooklyn, lá em fevereiro de 1942. Atualmente, contudo, a Escola do Ministério Teocrático é uma modalidade regular do treinamento cristão provido nas 34.576 congregações do povo de Jeová em toda a terra. Desde seu começo, a Escola do Ministério Teocrático tem feito muito pelo povo de Jeová. Desde cedo tornou-se evidente a excelente e aprimorada habilidade oratória. Assim, depois de 1944 o uso do fonógrafo, que durara uma década, foi substituído pelo testemunho oral da parte dos pregadores teocráticos das boas novas às portas e nos lares das pessoas.
Uma modalidade digna de nota da Escola do Ministério Teocrático é a leitura da Palavra de Deus. Esta tem sido uma parte regular do programa. Uma das primeiras publicações destinadas ao uso na Escola do Ministério Teocrático foi “Equipado Para Toda Boa Obra” publicado em 1946. Mabel P. M. Philbrick lhe dirá que este livro “tornou possível ter-se melhor entendimento da escrita e da preservação da Bíblia e também de como veio a acontecer a adição dos Apócrifos. Pela primeira vez soube o que era o Talmude, o texto massorético e muitas outras modalidades. O melhor de tudo era a análise de cada livro da Bíblia.”
Várias publicações nos anos sucessivos foram preparadas visando-se a Escola do Ministério Teocrático. Entre estas havia o livro, do tamanho da Sentinela, “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, de 1963. Sem dúvida, expressando as idéias de muitos outros, Alice Babcock apropriadamente o chama de “verdadeiro depósito de tesouros espirituais”. Eis aqui outra publicação que considerava cabalmente cada um dos 66 livros da Bíblia, com ênfase especial aos modos em que cada livro da Bíblia é proveitoso para os cristãos atualmente.
A obra atualmente usada na Escola do Ministério Teocrático das congregações de língua inglesa, e para pesquisa pessoal é uma obra que representa seis anos de pesquisa. Cerca de duzentos e cinqüenta irmãos em mais de noventa países contribuíram para ela, e então uma equipe especial trabalhou na preparação da matéria na sede da Sociedade em Brooklyn. O resultado foi um volume de 1.700 páginas, abrangendo tópicos bíblicos desde “Arão” até “Zuzim”. Seu título? Ajuda ao Entendimento da Bíblia, terminado em 1970. Na verdade, era uma provisão de Jeová.
CAMPANHA DE DISCURSOS PÚBLICOS
Lá atrás, na década de 40, a Escola do Ministério Teocrático logo produziu muitos irmãos habilitados que podiam proferir discursos públicos. Assim, em janeiro de 1945, foi inaugurada uma campanha mundial de discursos públicos. (No Brasil em 6 de abril de 1947.) Cada orador preparava seu próprio discurso, mas a Sociedade Torre de Vigia (EUA) assegurava a uniformidade das apresentações por escolher os assuntos e fornecer esboços de uma página para esses discursos de uma hora. Tal campanha de discursos públicos começou com uma série de oito discursos, o primeiro intitulando-se “Prosperará o Homem Como Edificador do Mundo?”.
Além do orador, outros proclamadores do Reino tinham parte na campanha. Como? Por anunciarem o discurso por meio da distribuição de convites nas ruas e de casa em casa. Às vezes, a distribuição de convites impressos era acompanhada de cartazes que anunciavam o discurso. Com freqüência, o discurso era proferido no Salão do Reino, mas uma série de discursos podia ser programada para locais alugados ou outras partes, em alguma área remota do território da congregação. Se comparece regularmente às reuniões cristãs, então está beneficiando-se de tais reuniões públicas até os dias de hoje.
Naqueles dias iniciais, naturalmente, o proferimento dum discurso público era um desafio e tanto. Era algo novo. Afirma W. L. Pelle: “Por muitos, muitos anos, na noite antes em que eu estava programado a dar um discurso público, eu me ajoelhava junto à minha cama e orava a Jeová para me dar a habilidade e a força de proferir o discurso dum modo agradável a Ele. Aconselho os irmãos jovens que estão na Escola do Ministério Teocrático a fazerem o mesmo, porque Jeová sempre tem ouvido minha petição e ele também ouvirá a deles.” — Sal. 65:2.
JEOVÁ PROVIDENCIA UM TESTEMUNHO MUNDIAL
Há mais de três décadas atrás, a humanidade se achava convulsionada pela Segunda Guerra Mundial. Para alguns parecia imprático naquela época planejar a expansão internacional das atividades da pregação do Reino. O espírito de Jeová porém, fortaleceu Seus servos para irem avante. O fornecimento da educação para a vida era vitalmente importante.
Em setembro de 1942, o irmão Knorr e os outros diretores da Sociedade Torre de Vigia (EUA) unanimemente aprovaram estabelecimento de uma escola destinada a treinar missionários para a atividade ministerial nos países por toda a terra. Onde funcionaria? Na propriedade da Sociedade na Área dos Lagos Finger ao norte do estado de Nova Iorque — na Fazenda do Reino, perto de South Lansing.
Havia ali um grande prédio de tijolos de três pavimentos, terminado pela Sociedade Torre de Vigia (Nova Iorque, EUA) em 1941. Tinha sido construído qual refúgio para os membros da família de Betel de Brooklyn, caso a intensa perseguição exigisse sua transferência para tal localidade. Mas, nunca tinha servido para esse fim. Parecia que Jeová talvez sempre dirigisse os assuntos, com propósito ímpar para tal prédio. Então se fizeram planos para nova instituição educativa teocrática. A própria escola seria chamada Faculdade Bíblica de Gileade da Torre de Vigia. Mais tarde, veio a ser chamada Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia.
Havia uma azáfama de atividade. A partir de outubro de 1942, A. D. Schroeder, Maxwell G. Friend e Eduardo F. Keller prepararam os cursos delineados pelo Corpo Governante delineando preleções, adquirindo compêndios e formando uma biblioteca. Ao mesmo tempo, foram feitos ajustes nos prédios existentes na Fazenda do Reino a fim de prover uma biblioteca, um auditório, salas de aula, dormitórios e outras instalações. Foram meses emocionantes!
Imagine só a surpresa de certos pioneiros quando receberam petições para a nova escola. A maior emoção veio quando tais petições foram aceitas. “Sentíamo-nos extremamente inadequados, mas gratos pelo privilégio”, observaram o irmão e a irmã Charles Eisenhower. “Nossas petições foram aceitas. Vendemos nosso carro e casa-reboque e nos dirigimos para a escola. Essa foi a primeira turma de Gileade. A escola era nova, as turmas eram novas, os instrutores e os estudantes eram novos.”
O dia inicial, vividamente esperado, chegou — a segunda feira, 1.º de fevereiro de 1943. A neve cobria os campos da Fazenda do Reino. Era um dia frio e hibernal. Todavia, dentro do prédio da administração, 47 homens e 51 mulheres — alguns casados, outros solteiros — se reuniram com grande deleite. Junto com eles, para as cerimônias de dedicação da escola, estavam os diretores da Sociedade, membros do corpo docente, amigos e parentes — 161 pessoas ao todo.
Foram proferidos discursos por F. W. Franz e W. E. Van Amburgh, bem como por outros. O próprio irmão Knorr proferiu o discurso de boas vindas e de dedicação. Sem dúvida, todos os presentes concordavam plenamente com seus comentários: “Jeová Deus proveu este terreno e estes prédios, chamados ‘Gileade’, para Seu propósito. A Ele damos todas as graças e todo o louvor.” Sem dúvida! O estabelecimento dessa escola foi um dos maiores acontecimentos teocráticos!
Pesquisa Bíblica, Ministério Teocrático de Campo, Oratória Bíblica, Lei Suprema, Temas Bíblicos — estes eram alguns dos assuntos a que os estudantes laboriosos deram suas atenções durante o curso de cinco meses. Achava se incluída a instrução numa língua estrangeira — o espanhol, para a primeira turma. Na verdade, havia muitas coisas a aprender. Mas, os estudantes de Gileade também gastavam algum tempo cada dia cumprindo certos deveres na fazenda e na casa. Por um lado, isto ajudava a aliviar a tensão nervosa. As noitinhas da semana eram reservadas para o estudo pessoal. Os fins de semana forneciam ótimas ocasiões para a obra vitalizadora de pregar o Reino. Os estudantes e os instrutores empenhavam se igualmente no serviço de campo.
A Segunda Guerra Mundial ainda grassava quando as primeiras turmas da Escola de Gileade se formaram. Visto que era então virtualmente impossível enviar missionários para a Europa e para o oeste, às ilhas do mar, bem como para a Ásia, foram primeiramente mandados para Cuba, México, Costa Rica, Porto Rico, Canadá e Alasca. Desde então, foram até os próprios confins da terra, para declararem as boas novas do Reino “em testemunho”. — Mat. 24:14.
A formatura da trigésima quinta turma da Escola de Gileade se deu na Fazenda do Reino em 24 de julho de 1960. A trigésima sexta turma se iniciou nas instalações da Sociedade Torre de Vigia em Columbia Heights, 107, Brooklyn, Nova Iorque na segunda-feira, 6 de fevereiro de 1961. Quão proveitoso é ter-se esta escola na sede da Sociedade! Os estudantes têm agora o privilégio de ouvir discursos por mais irmãos associados com a equipe da Sociedade, inclusive membros do Corpo Governante das testemunhas de Jeová.
Passaram-se três décadas desde que a Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia teve seu início. Até o fim de 1974 mais de 5.500 estudantes cursaram essa instituição de educação teocrática. Deste número, mais de 2.500 ainda se acham ativos no serviço de tempo integral, pregando as boas novas do Reino ao redor do mundo.
ESCOLA DO MINISTÉRIO DO REINO
A ênfase à educação teocrática para a vida tem continuado através dos anos. Em 1958, começou-se a trabalhar num curso de estudo para uma nova escola. Esta era para superintendentes. Chamada Escola do Ministério do Reino, seu curso originalmente consistia em vinte e quatro dias letivos, noventa e seis sessões de aulas e vinte discursos ou preleções de instrução. Os assuntos incluíam Ensinos do Reino, Ministério de Campo, Reuniões e Superintendentes. O primeiro grupo a cursar a Escola do Ministério do Reino consistia em 25 estudantes, servos (superintendentes) de circuito e suas esposas, dos Estados Unidos, que não haviam cursado a Escola de Gileade. Esse primeiro curso durou de 9 de março a 3 de abril de 1959, nas instalações da Sociedade perto de South Lansing, Nova Iorque. A escola foi transferida para a sede de Brooklyn em 9 de abril de 1967.
Com o passar do tempo, houve ajustes na Escola do Ministério do Reino, tais como a implementação dum curso de estudo de duas semanas. Escolas do Ministério do Reino têm sido realizadas em muitos países através da terra, para o grande benefício do povo de Jeová. Em vários países, os instrutores viajam de lugar em lugar, usando Salões do Reino locais, de modo que mais anciãos possam beneficiar-se de ter a escola num local mais conveniente para eles. Quão grato é o povo de Jeová por ter sido provido este excelente treinamento! A Escola do Ministério do Reino tem feito muito para equipar os superintendentes cristãos para suas responsabilidades e seus privilégios.
Há um lado interessante da educação teocrática para a vida que não deve ser ignorado. Através dos anos, alguns que procuraram obter conhecimento bíblico eram analfabetos, mas seu problema não foi colocado de lado. Em muitos países a organização do povo de Deus tem provido aulas de alfabetização; algumas têm sido altamente elogiadas pelas autoridades governamentais. Homens e mulheres aprenderam a ler e a escrever, e muitos dentre eles passaram a usufruir ricos privilégios de serviço, para a honra e glória de Jeová.
DADO O SINAL PARA “IR ADIANTE”
Lá em 1942, o irmão Knorr e seus associados administrativos compreenderam que havia muito trabalho à frente. Com efeito, na Assembléia Teocrática Novo Mundo das Testemunhas de Jeová, de 18 a 20 de setembro de 1942, foi dado um sinal para “ir adiante”. Cleveland, Ohio, era a cidade-chave, junto com 51 outras, ligadas com ela através dos Estados Unidos.
O discurso básico do congresso foi proferido por F. W. Franz na noite de sexta-feira, 18 de setembro de 1942. Intitulado “A Única Luz”, baseava-se em Isaías, capítulos 49 e 60. Nesse discurso, soou claramente o sinal de “ir adiante”. Escreve Julia Wilcox: “Na conclusão do discurso básico, ‘A Única Luz’ acho que ninguém na assistência pensava que chegara a hora de afrouxar a mão e descontrair-se. Não, era tempo de ‘levantar-se e brilhar’, de modo que o povo de Deus pudesse continuar a refletir a única luz no meio das trevas deste velho mundo.”
O irmão Knorr seguiu a F. W. Franz no programa, falando sobre o assunto: “apresentando ‘e Espada do Espírito’.” Iniciou seu discurso com as palavras significativas: “Ainda há mais trabalho a fazer; muito trabalho!”
Indicando mais que havia trabalho adiante, foram feitas declarações durante o discurso público na tarde de domingo 20 de setembro. Qual o assunto? Um estranho, deveras, visto que as nações estavam então mergulhadas na Segunda Guerra Mundial. O tópico era “Paz — Pode Durar?”
Esse seria um discurso importantíssimo, compreendia o irmão Knorr. Com a ajuda de Jeová, estava determinado a proferi-lo com ‘tudo que tinha’. “Meses antes” afirma L. E. Reusch, “eu podia ouvi-lo praticando-o em voz alta, repassando seu discurso público ‘Paz — Pode Durar?’ literalmente dezenas de vezes. Meu quarto em Betel estava diretamente embaixo das acomodações do presidente. Assim, eu sabia pessoalmente por quanto tempo e quão arduamente ele ensaiara seu proferimento.”
Durante aquele discurso de uma hora, de movimentação rápida, identificou-se galardamente a Liga das Nações como a criatura política cor de escarlate de Revelação, capítulo 17. Foi indicado que a Liga, então no abismo da inação, ‘não era’, mas que não permaneceria no abismo. (Rev. 17:8) Surgiria de novo. “Todavia observe-se isto”, declarou Knorr, “a profecia demonstra que quando a ‘besta’ sair do abismo no fim desta guerra total sai com a mulher ‘Babilônia’ nas costas, ou esta trepa nela assim que sair.” Todavia, nem a paz humana nem a besta cor de escarlate durariam. Em breve, a própria besta seria completamente destruída.
Relembrando esse discurso, Marie Gibbard comenta: “Quão exatamente a profecia de Revelação 17 se desvendava, ao ser mostrado que a Liga sairia do abismo para uma paz inquieta que não duraria! Que maravilhosa proteção para nós, para não sermos enredados pelos eventos mundiais que seguiriam — o júbilo que tomou conta do país quando vieram os Dias da vitória na Europa e sobre o Japão, e então, em 1945, quando as Nações Unidas eram saudadas como a resposta para a paz futura! Este discurso realmente causou duradouras impressões por sua aplicação prática.” A inferência também era clara. Os servos de Jeová tinham trabalho a fazer e haveria algum tempo restante para fazê-lo.
PASTORES VISITANTES DO REBANHO
Nessa assembléia de 1942, foi anunciado que representantes da Sociedade Torre de Vigia (EUA) visitariam regularmente as congregações do povo de Deus. (Os servos de zona tinham feito anteriormente esse trabalho, mas suas atividades e as dos servos regionais, bem como a realização das assembléias de zona, foram descontinuadas em 1.º de dezembro de 1941.) O envio de representantes viajantes da Sociedade seria reiniciado em 1.º de outubro de 1942. Tais irmãos eram conhecidos como “servos aos irmãos” comparáveis aos superintendentes de circuito hodiernos. “Examinavam registros das congregações e ajudavam os irmãos em promover os interesses do Reino”, diz a irmã J. Norris. “Tudo isto nos tornava cônscios do cuidado de Jeová pelo seu povo mediante Sua organização.”
De 15 de outubro de 1946 em diante, foram introduzidas algumas novas modalidades em relação com esse trabalho. O campo seria dividido em circuitos, cada um de cerca de vinte companhias (congregações). Estas seriam servidas uma semana pelos superintendentes viajantes, primariamente preocupados em ajudar as Testemunhas na sua pregação de casa em casa. Duas vezes por ano, todas as congregações num circuito se reuniriam em certo ponto para uma assembléia de circuito de três dias, que seria presidida por um “servo de distrito”. Nos anos que se seguiram, houve ajustes neste arranjo, e se beneficia dele agora, se for uma das testemunhas de Jeová. Todavia, como eram há alguns anos atrás?
Consideremos a obra de distrito na década de 1940 como exemplo dos esforços destes pastares dispostos do rebanho de Deus. Voltemos a fins dos anos 40, por exemplo, quando Nicholas Kovalak Jr. era um dos poucos irmãos empenhados na obra de distrito nos Estados Unidos. Referindo-se a outubro de 1949, ele diz: “Viajei cerca de 6.500 quilômetros de carro naquele mês!” Também diz: “Realizei cinco assembléias de circuito nos fins-de-semana, além de servir a várias congregações entre elas. Assim, viajei, discursei, testemunhei, examinei registros, comi, estudei, li e tive um pouco de tempo para dormir!” Numa semana, viajou perto de 3.200 quilômetros servindo duas congregações e, no fim-de-semana, a uma assembléia de circuito. Naturalmente, nem todas suas viagens de carro eram assim tão compridas. “Agora, com mais congregações, torna-se mais fácil”, admite o irmão Kovalak. “Jeová é bom para nós e nos sustenta.”
Os superintendentes de circuito e de distrito hodiernos estão vividamente interessados em seus co-adoradores de Jeová. Procuram ajudá-los no serviço de campo e edificá-los espiritualmente. As assembléias de circuito também desempenham um papel vital em promover os interesses do Reino. Sabia que, durante o ano de serviço de 1974, vinte assembléias de circuito, em média, eram realizadas a cada semana nos Estados Unidos, com a assistência média de 1.605 pessoas? Somando-se tudo para aquele ano, houve 1.064 assembléias de circuito, com a assistência de 1.708.143 pessoas.
CRISTÃOS NEUTROS TOMAM SUA POSIÇÃO
À medida que a nova administração da Sociedade Torre de Vigia (EUA) prosseguia, no início dos anos 40, a Segunda Guerra Mundial continuava e vários homens cristãos passaram por uma prova de sua integridade a Jeová. No ano de 1940, a Lei de Treinamento e Serviço Seletivos entrou em vigor nos Estados Unidos, que ainda estava em paz. Autorizava o recrutamento para o serviço militar de rapazes de mais de dezoito anos, mas concedia isenção aos “ministros de religião regulares ou devidamente ordenados”, na classe IV-D. Na maioria dos casos, negou se às testemunhas de Jeová a classificação de ministros. Não eram nem sediciosos, nem interfeririam nos empreendimentos militares ou outros, dos governos humanos. No entanto, as Testemunhas mesmas estavam determinadas a manter estrita neutralidade quais cristãos. (João 17:16) Ademais, tinham ‘transformado suas espadas em relhas de arados’. — Isa. 2:2-4.
Em milhares de casos, os advogados do governo argumentaram que as Testemunhas tinham de entrar nas forças armadas antes de poderem procurar alívio nos tribunais federais. Assim, dos tribunais distritais federais os que mantinham a integridade eram enviados para a prisão, vários recebendo a pena máxima de cinco anos de prisão e uma multa de dez mil dólares. Interessante é que, quando Eugene R. Brandt e seis outras Testemunhas foram condenados, o juiz apontou para uma bandeira pendurada na parede, por trás de seu assento e disse, segundo se recorda o irmão Brandt: “Vê aquela bandeira? Bem, posso ver a face de meu deus naquela bandeira, de modo que não tenho objeção a adorá-la, e os senhores deveriam pensar o mesmo.”
FAZER BOM USO DO TEMPO NA PRISÃO
Essa primeira noite por trás das grades foi uma experiência e tanto. O pioneiro Daniel Sydlik (que agora serve no Betel de Brooklyn) foi preso devido a sua neutralidade cristã em 1944. Lembra-se de estar deitado em cima de seu beliche e ouvir, à medida que as portas de aço “como um trovão estrondeante, deslizaram para fechar-se”. Uma por uma, o som de tais portas se aproximou cada vez mais até que a porta de sua cela estremeceu e então deslizou vagarosamente fechando-se. Afirma ele: “Subitamente, uma sensação terrivelmente doentia se apoderou de mim, que me fez sentir encurralado, sem saída. Daí, com igual presteza, seguiu-se outra sensação igualmente sobrepujante, que me fez sentir grande paz e alegria, o tipo de paz de que a Bíblia fala — ‘a paz de Deus que excede todo pensamento’.” — Fil. 4:7.
O irmão Sydlik, como tantos outros, por fim se encontrava numa prisão federal. O que faziam ali os cristãos neutros? Faziam bom uso de seu tempo. Quando não ocupados com os deveres da prisão, amiúde tinham permissão de realizar reuniões para o estudo da Bíblia e das publicações da Sociedade Torre de Vigia. Também, melhoraram sua instrução geral por exemplo, por estudarem línguas estrangeiras, tais como espanhol e o grego. A respeito dos cristãos presos em Mill Point, Virgínia Ocidental, Rudolph J. Sunal afirma: “Tínhamos nosso estudo de livro de congregação . . . Cada grupo de irmãos dum dormitório realizava sua Reunião de Serviço e sua Escola do Ministério Teocrático. . . . Domingo, realizávamos nosso estudo da Sentinela na biblioteca . . . Outra provisão que conseguimos foi o privilégio de realizar míni-assembléias . . . Em certo verão, usamos o campo de bola e tínhamos piano e outros instrumentos de música, e um programa muitíssimo instrutivo.”
Lembrando o programa educativo cristão na prisão, naquele, dias, F. Jerry Molohan observa: “Nossas reuniões de estudo de todos os tipos eram excepcionalmente bem freqüentada, e eram tão educativas que humoristicamente chamávamos a Fazenda de Honra da Prisão Leavenworth de ‘Faculdade Intramuros’.”
A Sociedade Torre de Vigia preocupava-se com o bem-estar espiritual desses rapazes. Por isso, foram feitos arranjos para que certos irmãos, como A. H. Macmillan e T. J. Sullivan, os visitassem regularmente. Por quê? Para lhes prover conselho e encorajamento bíblicos.
Quer livres quer presas, as testemunhas de Jeová sempre procuram meios de cumprir sua comissão de fazer discípulos. (Mat. 28:19, 20) Na verdade, as oportunidades oferecidas a estes neutros cristãos eram agora limitadas. Mas, isso não selou por completo os seus lábios. O irmão Molohan comenta “Eu aproveitava ao máximo uma oportunidade, um senhor de bom coração que cumpria prisão perpétua, Frank Ryden tornando-se a minha primeira ‘carta de recomendação’ e sendo batizado no cocho de água das mulas.” — 2 Cor. 3:1-3
PETIÇÃO PARA O PERDÃO
Em 10 de agosto de 1946, significativa resolução foi adotada unanimemente por mais de 60.000 delegados na Assembléia Teocrática “Nações Alegres” das Testemunhas de Jeová em Cleveland, Ohio. Fez-se uma petição ao presidente dos Estados Unidos para que concedesse pleno perdão a mais de 4.000 Testemunhas erroneamente condenadas e encarceradas. Tal clemência restauraria os direitos civis destes neutros cristãos que ilegalmente viram negados seus direitos por parte das juntas de recrutamento e dos tribunais federais de 1940 a 1946.
“Para minha surpresa”, diz Edgar C. Kennedy, “o presidente da sessão anunciou que a resolução, pedindo pleno perdão para todos esses homens, seria pessoalmente apresentada ao presidente dos Estados Unidos por um representante da Sociedade. Visto que Harry Truman, o antigo oficial do exército com quem eu servira durante a Primeira Guerra Mundial, era o presidente, achei que seria bom que eu mencionasse isso ao escritório do presidente, o que fiz.” E aconteceu que, às 12,30 horas da sexta-feira, 6 de setembro de 1946, o consultor jurídico da Sociedade, outro advogado e o irmão Kennedy, um pioneiro avistaram-se com o presidente por cerca de quarenta minutos. Segundo o irmão Kennedy, Truman escutou atentamente à medida que o advogado da Sociedade explanou as partes da resolução até o ponto em que se solicitava clemência executiva. Daí, ele se recorda, “Truman interrompeu com um arroubo emocional, e disse: ‘Não quero saber de nenhum . . . que não quer lutar pelo seu país. Ademais, não gosto do desrespeito que os senhores mostram pela bandeira.’” Continua o irmão Kennedy:
“Então eu sabia que era minha vez de falar. Identifiquei-me como antigo co-oficial do exército e disse que eu tinha sido responsável por suprir a bateria dele de toda a munição que ela havia disparado durante a guerra. Tirei de minha pasta uma foto dos oficiais do regimento e coloquei sobre a escrivaninha dele. Ele a olhou e disse que tinha a mesma foto pendurada sobre sua mesa na biblioteca. Então lhe disse que era mais difícil lutar pelos princípios cristãos do que era lutar na guerra. Expliquei brevemente a razão pela qual as testemunhas de Jeová não saúdam a bandeira. Ele ouviu e então disse: ‘Vejo que estava errado.’”
Segundo o irmão Kennedy, o presidente depois disso deu sua atenção ao advogado da Sociedade “enquanto ele concluía a solicitação de livramento das testemunhas de Jeová presas devido à Lei do Serviço Seletivo. Truman disse então que falaria sobre isso com o Procurador Geral.”
Com o tempo, o Presidente Truman nomeou sua Junta de Anistia. Revisaram milhares de registros dos tribunais e arquivos das juntas de recrutamento recomendando alguns indultos. Mas, em 23 de dezembro de 1947, Truman indultou apenas 136 Testemunhas, ao passo que 1.523 indultos foram concedidos. Outros grupos religiosos, que tinham apenas 1.000 homens detidos ao todo, em comparação com as 4.300 Testemunhas, ficaram com a parte do leão. Por conseguinte, a ampla maioria destes neutros cristãos sofreu discriminação apenas porque tinham sido resolutos em sua determinação de manter a integridade a Jeová Deus.
CONTINUA A BATALHA LEGAL
Nos processos de Smith e de Estep, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu, em 4 de fevereiro de 1946, que os tribunais federais de menor instância tinham errado em negar às Testemunhas o direito de uma audiência de instrução imparcial e ao sustentarem que elas tinham primeiro de entrar nas forças armadas para depois se defenderem nos tribunais. Em 23 de dezembro de 1946 nos processos de Gibson e de Dodez, o Tribunal ampliou a lei, de modo a permitir nos tribunais a defesa das testemunhas de Jeová acusadas de deixar de apresentar-se a um campo de objetares de consciência, ou de permanecerem em tal campo depois de si apresentarem ali.
Os advogados do governo argumentaram que os pioneiros de tempo integral não tinham direito à isenção do serviço e do treinamento militares porque não dispunham de congregações fixas. Ademais, os advogados do governo contenderam que os servos de companhias (superintendentes presidentes) não tinham direito à isenção porque não tinham congregações de leigos, mas presidiam as constituídas de testemunhas de Jeová. Tais argumentos foram refutados no processo Dickinson decidido em favor das testemunhas de Jeová pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos em 30 de novembro de 1953. Isto estabeleceu o precedente para todos os tribunais federais seguirem.
FIRMES NA FÉ APESAR DA PRISÃO
Rememorando cerca de três décadas atrás, os dias em que tantos cristãos neutros foram encarcerados por sua integridade a pessoa talvez se pergunte o que faria em circunstâncias similares. Não importa realmente que desculpa o inimigo use para prender o povo de Deus. Com a ajuda de Jeová pode-se manter a integridade, assim como a mantiveram aquelas centenas de cristãos neutros há alguns anos. Em 1965, depois de sete anos nas prisões da China comunista Stanley Ernest Jones falou a mais de 34.700 pessoas no Estádio Ianque, na cidade de Nova Iorque. Enquanto preso, meditava nas Escrituras, recorria à oração e se mantinha espiritualmente forte com a ajuda do espírito de Jeová. Mas, uma coisa que ele mencionou foi: “Somente passaríamos tribulação durante ‘dez dias’. Em outras palavras, haverá um fim disso tudo. Tudo chega ao fim em seu próprio tempo. Portanto, nós apenas suportamos; Deus nos fará passar por tudo.” — Rev. 2:10.
Um co-missionário, Harold King, passou quase cinco anos numa prisão da China comunista. Ele, também, permaneceu espiritualmente forte. Sabia que, quando preso, ele até compôs música baseada em idéias bíblicas? Sim, o cancioneiro usado pelas testemunhas de Jeová hoje em dia — “Cantando e Acompanhando-vos com Música em Vossos Corações” — contém uma melodia que o irmão King originou na prisão. É o cântico N.º 10, “De Lar em Lar”. Assim, não receie o futuro. Jeová pode sustentá-lo como fez com os cristãos neutros encarcerados nos Estados Unidos, bem como com muitos outros íntegros, inclusive os irmãos Jones e King, que tiveram a dura experiência de encarceramento numa prisão da China comunista.
MÃOS PRESTIMOSAS SÃO ESTENDIDAS
O dia 2 de setembro de 1945 pôs fim à Segunda Guerra Mundial. As filiais da Sociedade Torre de Vigia (EUA) logo foram reabertas em muitos países. Congregações foram restabelecidas e o alimento espiritual novamente se tornou disponível em quantidades cada vez maiores. Todavia, os cristãos nas nações assoladas pela guerra precisavam também de coisas materiais. Por isso, numa demonstração de amor cristão por seus concrentes necessitados, o povo de Jeová lançou o que resultou ser uma campanha de socorro mundial de dois anos e meio. (João 13:34, 35) As Testemunhas nos Estados Unidos, Canadá, Suíça, Suécia e outras partes contribuíram roupas e dinheiro para se comprarem alimentos para auxiliar os cristãos na Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, China, Dinamarca, Inglaterra, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Itália, Noruega, Países Baixos, Polônia, República das Filipinas, Romênia e Tchecoslováquia.
“No fim da Segunda Guerra Mundial”, relembram Hazelle e Helen Krull, “nossos irmãos voltaram dos campos de prisioneiros, muitos doentes e permanentemente despojados de seus bens materiais, alguns separados de suas famílias, não sabendo se ainda estavam vivos na carne ou não. Mas, apesar de tudo, estavam surpreendentemente fortes em sentido espiritual. Foram acolhidos por seus irmãos em todo o mundo. Seu primeiro interesse era reorganizar-se para a obra do Reino declarar as mesmas boas novas pelas quais tinham sido presos e recuperar seu conhecimento espiritual. Seu desejo impelente depois de tão grandes e extensivas dificuldades, era uma inspiração para nós, e estávamos contentes de ter o privilégio de ajudar a suprir, mesmo em pequeno grau, suas necessidades materiais. Roupas, sapatos e outras necessidades foram ajuntados e selecionados nos Salões do Reino, daí sendo apanhados por caminhões para serem enviados aos nossos irmãos. Toneladas e mais toneladas foram assim amorosamente supridas.”
O total de remessas de roupas subiu a 479.103 quilos. Os embarques de alimentos totalizaram 326.074 quilos. Adicionalmente, 124.110 pares de calçados foram enviados aos cristãos necessitados durante esta campanha socorrista. Monetariamente, o valor de tudo isso atingiu US$ 1.322.406,90 (uns Cr$ 10,5 milhões). E estas dádivas bondosas foram apreciadas. Comentando certa expressão de gratidão, Esther Allen afirma: “A carta de agradecimento que recebemos trouxe lágrimas de alegria a nossos olhos.” Assim, aconteceu que, numa direção foram as coisas materiais e, na outra, grande apreço e encorajador registro de integridade.
Através dos anos, as testemunhas de Jeová nos Estados Unidos têm tido várias oportunidades de ajudar seus concrentes, tanto em seu país como no estrangeiro, em sentido material. Considere o terremoto de 1970 no Peru. As congregações em Lima juntaram roupas, alimentos e dinheiro e prontamente levaram cerca de sete toneladas de suprimentos para a área atingida. As testemunhas de Jeová em Nova Iorque doaram bem mais de dez toneladas de roupas. Isto era, efetivamente muito mais roupa do que o necessário. Também, a Sociedade Torre de Vigia (EUA) forneceu US$ 20.000 para sua filial usar em obter fosse lá o que fosse o necessitado pelos irmãos na área afligida. Similarmente, proveu-se ajuda quando um terremoto destruiu Manágua, Nicarágua, em 1972. Tais demonstrações de amor cristão fazem-nos lembrar a liberalidade de bom coração dos cristãos do primeiro século. — 2 Cor. 9:1-14.
Todavia, a ajuda prestada aos co-adoradores de Jeová nem sempre consiste de coisas materiais. Sabia que, no ano de 1961 os servos de Jeová nos Estados Unidos e em outros países, escreveram milhares de cartas às autoridades na Espanha solicitando que se concedesse ao povo de Deus ali a liberdade de adoração? E, no ano de 1968, escreveram às autoridades de Malaui, protestando contra os maus tratos infligidos ali às testemunhas cristãs de Jeová. Têm genuíno interesse amoroso em seus irmãos em toda a parte.
CONGRESSOS HISTÓRICOS DEVERAS HONRAM A JEOVÁ
Grandes reuniões do povo de Deus, tanto as antigas como as modernas, têm sido ocasiões de grandes benefícios espirituais. Amiúde, têm sido também ocasiões de grande regozijo. (Deu. 31:10-13; Nee. 8:8, 12) Isto certamente ocorreu na Assembléia Teocrática “Nações Alegres” das Testemunhas de Jeová, em Cleveland, Ohio, realizada no primeiro ano do após guerra, de 4 a 11 de agosto de 1946. Esse congresso era diferente. Assembléias de muitas cidades ao mesmo tempo costumavam ser ligadas por meios de rádio-telefonia em vários países durante os anos anteriores, tendo grandes assistências combinadas. Mas, pela primeira vez na Assembléia Teocrática “Nações Alegres”, o povo de Deus realizava um congresso internacional de tamanhas proporções que ajuntava, em uma só cidade, delegados de todas as partes da terra.
Uma formidável tarefa pré-congresso foi localizar acomodações para os congressistas. Isto foi conseguido por extensivo trabalho de casa em casa. No entanto, muitos congressistas foram alojados no campo de carros-reboques das Testemunhas. Ali, com o tempo, uma comunidade de 20.000 pessoas morava convenientemente e barato. Naturalmente, os congressistas precisavam de alimento físico, e deveras significativo era o arranjo de restaurante no local da assembléia. Ali, dentre 15.000 a 20.000 pessoas podiam alimentar-se em questão de uma hora.
O alimento espiritual era de máxima importância, porém e foi suprido em abundância. Por exemplo, F. W. Franz falou sobre “A Ceifa, o Fim do Mundo”, absorvente exposição da ilustração de Jesus Cristo sobre o trigo e o joio. (Mat. 13:24-30, 36-43) E foi nessa mesma assembléia que L. A. Swingle considerou o assunto “Despertai!” Descreveu o mundo do século vinte como um mundo sintético, desintegrador do átomo, movido a jato, controlado pelo radar, e eletrônico, que caminhava para a cova da destruição por fracassar em ficar desperto às verdadeiras questões que confrontavam o gênero humano. O irmão Knorr falou sobre “Uma Resposta à Chamada Animadora”, instando com seus ouvintes a ‘ficarem despertos, permanecerem despertos e lerem Despertai!’ Sim, a nova revista Despertai! deveria substituir Consolação, antes conhecida como A Idade de Ouro. Muitos anos depois, Henry A. Cantwell pôde dizer: “Sem dúvida, Despertai! viveu à altura de seu nome, ajudando muitos a despertar do sono da letargia e a voltar-se para a adoração verdadeira.”
Outros se lembrarão desta emocionante assembléia devido ao excelente compêndio bíblico primário ali recebido — o livro “Seja Deus Verdadeiro”. Mais de 10.500.000 exemplares da primeira edição foram publicados em questão de cerca de seis anos. Revisado em 1.º de abril de 1952, continuou a distribuição do livro, e, por volta do início de 1971, um total de 19.246.710 exemplares tinham sido publicados em 54 idiomas. “Seja Deus Verdadeiro” colocava-se então no quarto lugar numa lista dos livros de não-ficção que eram best-sellers no século vinte.
A quinta-feira, 8 de agosto, foi especialmente notável nessa assembléia de 1946. O irmão Knorr falou sobre o assunto “Os Problemas da Reconstrução e da Expansão”. Recordando o evento, Edgar Clay, das Ilhas Britânicas, escreveu mais tarde: “Tive o privilégio de ficar atrás dele na tribuna, naquela noite, e, à medida que ele delineava a obra e então falava sobre os planos para a ampliação do lar de Betel e da gráfica de Brooklyn, a ampla assistência aplaudia em ondas renovadas. Ao passo que, da tribuna, não se podia ver nenhum rosto de forma distinta, era fácil sentir a sua alegria.”
UMA OLHADELA NO CENÁRIO MUNDIAL
Tinha de haver reconstrução e expansão teocráticas. Isso era evidente. Assim, em 6 de fevereiro de 1947, cerca de seis meses depois da Assembléia Teocrática “Nações Alegres”, o presidente da Sociedade, N. H. Knorr, e seu secretário, M. G. Henschel, partiram numa viagem de serviço ao redor do globo. Pela observação pessoal, durante essa excursão de 76.472 quilômetros, era possível determinar que passos eram necessários para fortalecer e unificar a organização mundial.
Essa excursão realizou muita coisa. Entre outras coisas depois da excursão, missionários de Gileade foram enviados para certos países da Ásia e ilhas do Pacífico. Promoviam-se os interesses do Reino. A Teocracia estava de novo indo avante!
AUMENTO DA TEOCRACIA
Jeová pode ‘fazer o pequeno tornar-se mil e o menor uma nação forte’. (Isa. 60:22) Ele fez isso ao restaurar os exilados israelitas de Babilônia para sua terra natal, há séculos atrás. Similarmente, Deus livrou os israelitas espirituais da escravidão à Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa. Ademais, abençoou-os com aumento. Em 1938, houve um auge de 59.047 proclamadores do Reino em todo o mundo. Daí vieram os anos de guerra, de perseguição aos cristãos e, depois disso, de reconstrução organizacional entre o povo de Deus. Com que resultado? Ora, em 1949, as testemunhas cristãs de Jeová somavam 317.877! Era evidente o aumento da Teocracia!
Quão apropriado era, portanto, que o povo de Deus se reunisse para a Assembléia “Aumento da Teocracia” das Testemunhas de Jeová! De carro, ônibus, trem, navio e avião vieram as multidões para o famoso Estádio Ianque da cidade de Nova Iorque, para o congresso internacional de oito dias, de 30 de julho a 6 de agosto de 1950. O influxo de cerca de 10.000 estrangeiros alarmou o Serviço de Imigração e Naturalização dos Estados Unidos, que causou indignidades discriminatórias a estes visitantes. Mais tarde, tais ações receberam vigoroso protesto por parte dos congressistas reunidos.
Como no congresso internacional de 1946 em Cleveland, Ohio, estabeleceu-se amplo restaurante para alimentar a muitos milhares. Quão impressionante era! O Times de Nova Iorque citou um inspetor do Departamento de Saúde como dizendo “Estou fascinado. Jamais vi antes nada que funcionasse tão suavemente como isto.”
Muitos congressistas foram alojados em casas particulares e em hotéis. No entanto, mais de 13.000 por fim acamparam no campo de carros-reboques das Testemunhas em Nova Jérsei a uns 65 quilômetros da cidade de Nova Iorque. Lembra-se Marie M. Greetham: “Os irmãos de toda a parte de Nova Iorque e Nova Jérsei trabalharam muitas semanas na colocação de encanamentos, gás e energia elétrica, e instalações sanitárias e de banho. . . . Esta cidade foi ligada por linha telefônica ao congresso em Nova Iorque, de modo que toda apresentação na assembléia em Nova Iorque podia ser ouvida no campo de carros-reboques.”
Ao amanhecer a quarta-feira, 2 de agosto de 1950, o povo de Jeová em geral não tinha idéia da maravilhosa bênção em reserva para eles naquele “Dia de ‘Pregar a Palavra’”. Nessa tarde, o irmão Knorr falou sobre o assunto: “Dar aos Povos Uma Língua Pura.” (Sof. 3:9) Entre outras coisas, mencionou que, em 1902, a Sociedade Torre de Vigia (EUA) viera a possuir uma tradução das Escrituras Gregas Cristãs conhecida como The Emphatic Diaglott, impressa pela primeira vez em suas próprias prensas em 21 de dezembro de 1926. A Sociedade, depois disso, empreendeu outras notabilíssimas atividades de impressão bíblica.
Mas, essa sessão da assembléia de 1950 trouxe à luz algo especialmente emocionante. Nessa ocasião memorável, o irmão Knorr teve o grande prazer de lançar a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs, em inglês. Uma assistência surpresa, muitíssimo deleitada, de 82.075 pessoas no estúdio e no campo de carros-reboques recebeu-a com o máximo entusiasmo, contínuo aplauso e profundo apreço. Dezenas de milhares de exemplares foram ansiosamente obtidos pelos congressistas. Que emoção foi isso para todos os reunidos!
OS “PRÍNCIPES” ESTÃO AQUI!
Durante anos, o povo de Jeová pensava que os homens fiéis da antiguidade, tais como Abraão, José e Davi, seriam ressuscitados antes do fim deste iníquo sistema de coisas. Aqueles servos antigos de Deus eram chamados de “dignitários antigos”, “homens fiéis da antiguidade”, e “os príncipes”. O salmista declarara: “Em lugar de teus pais serão teus filhos, a quem farás príncipes por toda a terra.” (Sal. 45:16, Tradução Brasileira) Assim, quando o povo de Jeová ia a um congresso, há anos atrás, havia certo grau de expectativa. Talvez essa reunião seria marcada pelo aparecimento de um ou mais daqueles ressuscitados príncipes ou homens fiéis da antiguidade!
Com isso em mente, junte-se mentalmente aos 82.601 congressistas ao ouvirem atentamente a F. W. Franz na noite de sábado, 5 de agosto de 1950. Num ponto climático de seu absorvente discurso bíblico, ele perguntou: “Ficaria contente esta assembléia internacional de saber que AQUI, HOJE À NOITE, em nosso meio, há vários dos prospectivos PRÍNCIPES DA NOVA TERRA?”
Nem imagina as reações que houve a essa pergunta! Eis aqui algumas recordações vívidas: “Lembro-me da respiração contida de surpresa que varreu a assembléia, e começamos a olhar em redor de nós, na expectativa . . . estaria Davi aqui, ou Abraão, ou Daniel, ou Jó? Muitas de nós, irmãs, ficamos com lágrimas nos olhos!” (Grace A. Estep) “Fiquei tão excitada que me sentei na pontinha da minha cadeira com os olhos fixos na saída dos jogadores. Estava certa de que um ou mais desses homens da antiguidade surgiriam a qualquer momento.” (Irmã Kenyon, esposa de Dwight T. Kenyon) “As pessoas nos corredores correram para as entradas do estádio, para ver a tribuna do orador, talvez esperando ver Abraão, Davi ou, talvez, Moisés. A assistência ficou em pé — a atmosfera estava carregada. Estou seguro que, se alguém com barba comprida andasse até a tribuna, não haveria meios de conter a multidão.” — L. E. Reusch.
Profundo silêncio a seguir tomou conta da assistência. Todo ouvido parecia esticado para não perder nenhuma das palavras do orador. Considerou o verdadeiro significado da palavra hebraica traduzida “príncipe”. Indicou que, as “outras ovelhas da atualidade sofreram tanto por sua fé como as testemunhas de Jeová da antiguidade. Por isso, nada argumentava contra Cristo fazer destas “outras ovelhas” “príncipes por toda terra”, conforme necessário. (Sal. 45:16; João 10:16) Então, concluindo seu discurso, o irmão Franz disse: “Com estas perspectivas encantadoras tão perto de nós, mantenhamos organização teocrática e deixemos que Deus continue a melhorá-la como sociedade do Novo Mundo. Que jamais olhemos recuadamente a esta Sodoma moderna que está reservada para a destruição; mas marcharemos sempre em frente com plena fé. Avante, pois, com firmeza, todos nós juntos, com a sociedade do Novo Mundo!”
EVIDÊNCIA DO AUMENTO DA TEOCRACIA
O domingo de tarde, 6 de agosto, foi um dia emocionante para tais congressistas. O Estádio Ianque estava repleto de 87.195 pessoas. Adicionalmente, 25.215 estavam nas calçadas e nas tendas próximas. Outras 11.297 estavam presentes no campo de carros-reboques.
Assim aconteceu que um total de 123.707 pessoas assistiram ao absorvente e amplamente anunciado discurso público do irmão Knorr, “Podeis Viver Para Sempre em Felicidade na Terra?” Esse discurso lógico, comovedor, fornecia ampla prova bíblica de que há pessoas que podem viver para sempre em felicidade na terra.
REUNIDOS COMO SOCIEDADE DO NOVO MUNDO
Outro marco na história teocrática foi atingido em 1953. Os dias 19 a 26 de julho foram aguardados ansiosamente pelo povo de Jeová. De 96 terras de fora dos Estados Unidos vieram, até que milhares de pessoas encheram o Estádio Ianque de Nova Iorque. Essa Assembléia da Sociedade do Novo Mundo, de 8 dias, forneceu ao mundo maravilhosa evidência da união internacional entre as testemunhas cristãs de Jeová.
De novo, hospedagens em casas particulares foram obtidas para milhares de congressistas. Outros ficaram em hotéis e outros 45.000 moraram na Cidade de Carros-Reboques da Sociedade do Novo Mundo, a uns 65 quilômetros do estádio, perto de New Market, Nova Jérsei. Incidentalmente, o supermercado da Cidade de Carros-Reboques deu a um fornecedor local testemunho silencioso da honestidade cristã. (Heb. 13:18) Visto que muitas Testemunhas foram trabalhar como voluntários no estádio, antes da hora de abrir, e voltaram depois que tais instalações já estavam fechadas para aquele dia, serviram-se dos itens necessários e deixaram o dinheiro para pagá-los em bandejas sem estarem vigiadas. Afirma R. D. Cantwell: “Este cavalheiro [o fornecedor] ficou surpreso de ver isso e por fim declarou: ‘Sr. Cantwell, posso dizer-lhe o seguinte: Não poderia fazer isso em minha igreja, porque não se pode confiar neles.’”
Esse aspecto internacional do congresso foi sublinhado por noventa faixas coloridas, penduradas na frente da parte superior e média do estádio. Saudavam os congressistas com frases como as seguintes: “Salaams da Terra dos Cedros, o Líbano”, e “Aloha cristão do Havaí”. Cada dia também seguia o tema territorial, tal como “Dia da América do Norte”, e “Dia das Ilhas do Atlântico”.
Em consonância com o tema da assembléia, em 20 de julho, o irmão Knorr proferiu o oportuno discurso “Viver Agora Como Sociedade do Novo Mundo”. Lembrando esta tarde, C. W. Barber escreve: “À medida que dezenas de milhares de pessoas estavam assim reunidas qual ‘sociedade do Novo Mundo’, apresentou-se a oportunidade áurea de se obter a expressão dessa grande multidão quanto à sua solidariedade e união.” Como assim? Por se adotar uma resolução que cristalizava a compreensão das testemunhas de Jeová de que constituem uma unida sociedade do Novo Mundo. A resolução foi adotada unanimemente pelas 125.040 pessoas presentes no estádio, nas tendas para excedentes e na Cidade dos Carros-Reboques.
SOADO UM ALARMA
Esta grandiosa assembléia certamente seria lembrada por uma modalidade do congresso que Webster L. Roe chama de “eletrizante!” A respeito desse discurso, Roger Morgan escreve: “O discurso que mais me impressionou na assembléia de 1953, no Estádio Ianque, foi o discurso do irmão Franz ‘A Sociedade do Novo Mundo Atacada do Extremo Norte’.”
Na verdade, soou-se um alarma naquela noite de quinta-feira, 23 de julho de 1953. O vice-presidente da Sociedade, F. W. Franz, pintou um quadro vívido do vindouro ataque sobre o povo de Jeová por parte de Gogue de Magogue, e suas hordas. Gogue, o principal personagem da profecia, foi identificado como Satanás. E, mostrou Franz, a terra de Magogue é a localização das forças espirituais iníquas num domínio espiritual limitado, perto da vizinhança da terra, depois de serem expulsas dos céus em 1918 (E. C.). (Rev. 12:7-9) O orador mostrou que a atual prosperidade, união e segurança do povo de Jeová levaria Gogue e suas forças a atacá-lo. Mas, durante toda essa terrível tempestade, Jeová preservaria a sociedade do Novo Mundo. Quanto os 112.700 ouvintes apreciariam este aviso e esta admoestação de continuarem confiando em Jeová e proclamando as boas novas do seu reino por Cristo!
A COMOVENTE CONCLUSÃO DA ASSEMBLÉIA
Uma experiência especialmente comovedora aguardava congressistas na tarde de domingo, 26 de julho. Para o discurso público de N. H. Knorr, “Após o Armagedom — o Novo Mundo de Deus”, 165.829 pessoas se reuniram dentro do Estádio Ianque, nas tendas de excedentes e na Cidade dos Carros-Reboques. Havia 91.562 pessoas no próprio estádio. Não muito antes do discurso público, abriram-se os portões e milhares entraram no campo, sentando-se no gramado do campo esportivo. Adicionalmente, milhares ouviram o discurso através da estação de rádio da Sociedade, a WBBR.
Essa hora absorvente se passou rápido e, dentro em breve o discurso público terminara. Uma brisa agradável refrescou os milhares que permaneceram para a parte final da assembléia. Baseando suas observações no Salmo 145, o irmão Knorr proferiu um discurso de uma hora, sublinhando a necessidade de se louvar a Jeová, de exaltá-lo como Deus, de anunciá-lo como Soberano Universal e tornar conhecia sua realeza. Com a letra do cântico: “Cantai Triunfal Louvor!” e uma oração final, chegou a um fim feliz a maior assembléia cristã até aquele tempo.
ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL VONTADE DIVINA
“Quando até mesmo agora se menciona o ano de 1958”, escreveu Angelo C. Manera Jr., “há um grande evento que vem à mente das testemunhas de Jeová — o ‘grande congresso, a Assembléia Internacional da Vontade Divina das Testemunhas de Jeová. Que maravilhoso congresso!” Esta notável reunião juntou delegados de pelo menos 123 países e grupos de ilhas. Num tempo de tensão das relações internacionais, pairando a ameaça de guerra sobre o Oriente Médio, o povo de Jeová se reuniu em paz e união no Estádio Ianque e no vizinho Campo de Pólo de Nova Iorque, de 27 de julho a 30 de agosto de 1958.
Por cerca de duas semanas antes do congresso, o irmão Knorr se reuniu com mais de 80 dos superintendentes das filiais da Sociedade e seus ajudantes. Consideraram o novo livro que ele preparara sobre as normas de procedimento das filiais, depois que inspecionaram pessoalmente a maior das filiais, em Brooklyn, a dos Estados Unidos. Outras reuniões proveitosas foram realizadas com tais varões, bem como com os missionários, pioneiros especiais e superintendentes de circuito e de distrito durante o próprio congresso.
Algo aconteceu na quarta-feira, 30 de julho, que moveu Ernest Jansma a observar: “Estou seguro de que sua magnitude ficará por muito tempo nos anais da história teocrática.” Deveras, nada semelhante a isso tinha acontecido desde Pentecostes de 33 E.C., em Jerusalém, quando cerca de 3.000 novos seguidores de Jesus Cristo foram batizados em um só dia. (Atos 2:41) Pouco depois de ouvirem o discurso “O Batismo Segundo a Vontade Divina”, 7.136 pessoas (2.937 homens e 4.199 mulheres) foram imersos na praia de Orchard, a alguns quilômetros, simbolizando assim sua dedicação a Jeová Deus. Este foi o maior batismo em massa, em um só local, nos tempos modernos.
E, nesta grande reunião, o paraíso terrestre, o paraíso espiritual e o paraíso celeste — todos os três foram considerados no discurso “Mantenhamos Nosso Paraíso Espiritual”, proferido pelo irmão Knorr. Depois desse discurso absorvente, o orador relatou que os missionários na Tailândia certa vez perguntaram se a Sociedade produziria uma publicação de estudo, não para refutar a falsidade, mas explanando apenas o verdadeiro ensino bíblico. Para satisfazer sua necessidade e a dos cristãos em toda a parte, disse ele, a Sociedade produzira o novo livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado. Escrito em linguagem simples e profusamente ilustrado, o livro Paraíso tem sido um deleite tanto para os jovens como para os idosos. “Uma geração inteira de crianças cresceu folheando o livro Paraíso”, afirma Grace A. Estep, “levando-o com eles às reuniões, partilhando-o com seus pequeninos colegas de folguedos, podendo relatar, muito antes de crescerem o suficiente para ler, uma série inteira de histórias bíblicas à base apenas das gravuras”.
O sábado, 2 de agosto, foi o Dia de “Seja Feita a Tua Vontade”. Nessa tarde, o presidente da Sociedade proferiu o estimulante discurso “Faça-se a Tua Vontade”, após o qual deixou a assistência de 175.441 pessoas emocionada com o lançamento do novo livro ‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’. Como os congressistas ansiaram examinar suas explicações das profecias, em especial as do livro de Daniel!
“QUE TESTEMUNHO PARA JEOVÁ!”
Como se poderia descrever o que ocorreu na Assembléia Internacional da Vontade Divina no domingo, 3 de agosto? Um relatório impresso do congresso disse sobre ele: “Que testemunho para Jeová!” Deveras foi. “Domingo foi um dia que ninguém que estava na assembléia poderia jamais olvidar”, diz Edgar C. Kennedy. “O ajuntamento de pessoas para o discurso público no Estádio Ianque era uma vista e tanto de se contemplar. De onde estávamos sentados, podíamos ver a contínua corrente de pessoas entrando no estádio, enchendo as arquibancadas e os excedentes entrando no campo, sentando-se na grama, em seções ordeiras. Para todos que observavam, era sobrepujante demonstração da ‘grande multidão’ que vinha para o lado do restante ungido de Jeová, juntando-se a ele no louvor a Seu nome, fazendo sua ‘Vontade Divina’. Agradecemos a Deus de poder ser parte dessa multidão. À medida que o estádio ficava completamente lotado, a mesma coisa acontecia no Campo de Pólo. Às 15 horas, houve um silêncio aquietante entre as mais de um quarto de um milhão de pessoas presentes, à medida que o presidente se levantou para apresentar o orador, N. H. Knorr, presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA), e anunciar o tema de seu discurso ‘O Reino de Deus já Domina — Está Próximo o Fim do Mundo?’”
Essa ampla multidão atingiu 253.922 pessoas! A julgar pela grande assistência de sexta-feira, deve ter havido cerca de 60.000 pessoas do público presentes. Durante toda essa hora, as multidões ouviram convincente prova bíblica de que o reino de Deus já rege desde 1914 E.C., e que o fim do mundo está próximo.
TORNANDO DISPONÍVEL A PALAVRA DE DEUS
A fim de educar as pessoas para a vida e para promover os interesses terrestres do reino de Deus, era imperativo que o próprio Livro que continha o tema do Reino se tornasse prontamente disponível ao povo. Durante anos, o irmão Knorr pensava assim. Com efeito, ao trabalhar na gráfica da Sociedade, ele por muito tempo tinha em sua escrivaninha certa matéria que poderia ser usada para se imprimir uma Bíblia inteira, mas as circunstâncias não se desenvolveram de um modo tal a tornar-se possível ir avante com tal idéia. Ao se tornar o presidente da Sociedade, contudo, o irmão Knorr não perdeu tempo em tornar esta idéia uma realidade. Importante, também, era a produção de Bíblias de baixo custo, de modo que as pessoas em geral pudessem obter e ler exemplares da Palavra de Deus.
Quando N. H. Knorr falou sobre o assunto “Apresentando ‘a Espada do Espírito’”, lá em 1942, na Assembléia Teocrática do Novo Mundo das Testemunhas de Jeová, em Cleveland, Ohio, identificou a Bíblia como a maior arma ofensiva, a “espada do espírito”. (Efé. 6:17) Em essência, expressou os pensamentos dos servos de Jeová em geral: ‘Quem dera que pudéssemos achar o texto que queremos, assim poderíamos refutar a nossos oponentes, confortar os que pranteiam, poderíamos tornar bem simples a outros, com abundância de provas, as coisas que são tão claras para nós. Quem dera que tivéssemos uma Bíblia com ajudas nela mesma, onde pudéssemos encontrar rapidamente o que precisássemos!’
Em tal assembléia se fez uma provisão assim — a nova edição da Torre de Vigia da Versão Rei Jaime, a primeira Bíblia completa já impressa nas próprias prensas da Sociedade. Meses de estudo por mais de 150 servos colaboradores de Jeová resultaram na compilação, como parte desta publicação, de uma concordância especialmente destinada para uso pelo povo de Deus em sua obra de pregação. Como diz James W. Filson, esta Bíblia “preenchia uma real necessidade”. “Nós mesmos precisávamos dela, também precisávamos dela para colocá-la com as pessoas em nossos territórios. . . . Era ótimo dispor duma Bíblia boa e barata para colocar com elas por apenas US$ 1. Até os dias de hoje, é a única Bíblia em muitos lares de pessoas que não estão na verdade.”
O irmão Knorr tinha outra idéia básica em mente. Essa era a de preservar o nome de Jeová em todas as línguas. Havia uma tradução da Bíblia que usava o nome divino nas Escrituras Hebraicas. Era a Versão Normal Americana. A Sociedade comprou o direito de usar as chapas para imprimir esta Bíblia, e a edição da Torre de Vigia, grandemente apreciada, tornou-se disponível aos congressistas deleitados na Assembléia Teocrática dos Proclamadores Unidos em 1944. “Usamos extensivamente esta Bíblia em nossas revisitas e estudos bíblicos”, observa Edgar C. Kennedy.
NOVA TRADUÇÃO DA BÍBLIA
Especialmente, desde 1946, o presidente da Sociedade procurava uma tradução em linguagem moderna das Escrituras Gregas Cristãs que fornecesse a base para se conseguir maior verdade por apresentar fielmente o sentido dos escritos originais. Quando o irmão Knorr falou a uma assistência de 82.075 pessoas, na Assembléia Aumento da Teocracia, internacional, em 2 de agosto de 1950, ele relatou que, no Betel de Brooklyn, em 3 de setembro de 1949, tinha havido uma reunião conjunta das diretorias das sociedades de Pensilvânia e de Nova Iorque, apenas um diretor estando ausente, ocasião em que ele anunciou a existência duma “Comissão de Tradução da Bíblia do Novo Mundo”. Ela havia terminado, e entregara para posse e controle da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, sociedade de Pensilvânia, uma tradução das Escrituras Gregas Cristãs. A equipe da gráfica começara a trabalhar na primeira parte do manuscrito em 29 de setembro de 1949.
Nessa tarde, 2 de agosto de 1950, o irmão Knorr tinha o prazer de lançar, para os congressistas emocionadíssimos, a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs, em inglês. Não era revisão de alguma anterior tradução da Bíblia. Era inteiramente nova! A Comissão de Tradução da Bíblia do Novo Mundo usara o famoso texto básico grego dos peritos Westcott e Hort, ao passo que também consultara os textos da Bíblia em grego preparados por outros. Palavras arcaicas em inglês, tais como “thee” e “thou”, não tinham sido usadas. Esta Bíblia usava linguagem moderna, era facilmente compreendida pelos leitores hodiernos do inglês.
Especialmente digno de nota era o uso do nome divino, “Jeová”, 237 vezes no texto principal da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs. O prefácio da Comissão de Tradução apresentava claramente as bases válidas para o uso do Nome. Muitas eram as excelentes modalidades da Tradução do Novo Mundo.
Com o tempo, a Tradução do Novo Mundo exerceu profundo efeito sobre a linguagem do povo de Jeová em geral. Por exemplo, ao invés de “brethren”, usava “brothers” (irmãos, em linguagem moderna), e assim os servos de Deus começaram a usar o termo moderno. (Rom. 1:13) Também, bem cedo em 1953, a palavra “congregação” empregada na Tradução do Novo Mundo, suplantou “companhia” como palavra usada com referência a um grupo congregado do povo de Deus. — Compare com Atos 20:17; Colossenses 4:15, Tradução do Novo Mundo.
Através dos anos, cinco volumes da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Hebraicas foram preparados e então lançados nas assembléias do povo de Deus. Em suas Assembléias de Distrito Adoradores Unidos, em 1961, as testemunhas cristãs de Jeová ficaram especialmente alegres de receber a edição completa, em um só volume, da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas. Incidentalmente, nessa época seus números já haviam subido para 965.169 proclamadores do Reino em toda a terra. Por certo, Jeová abençoava seus esforços. Pelo seu espírito santo, Deus fazia as coisas crescerem. — 1 Cor. 3:6, 7.
VAI AVANTE A PRODUÇÃO DE BÍBLIAS!
O desejo constante de colocar a Palavra de Deus nas mãos do povo continua entre os servos de Jeová através dos anos. Por conseguinte, Bíblias de muitos tipos se tornaram disponíveis. Para exemplificar, a Assembléia “Boas Novas Eternas” das Testemunhas de Jeová, em 1963, foi marcada pelo lançamento, em inglês de uma edição de bolso da edição revista de 1961 da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas. Outro lançamento em inglês foi a valiosa edição original em tipos grandes, encadernada em um só volume, completa com referências cruzadas, notas ao pé da página e extensivo apêndice. Imagine só, porém, o deleite dos congressistas de língua italiana, holandesa, francesa, alemã, portuguesa e espanhola, ao receberem a recém-lançada Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs em seus idiomas nativos! “Bravo! Bravíssimo!” exclamou um delegado de língua italiana. Um congressista alemão disse: “Que oportunidade para as testemunhas de Jeová despertarem o interesse que os alemães certa vez tinham pela Bíblia!” Mais tarde, a completa Tradução do Novo Mundo tornou-se disponível nas línguas acima mencionadas.
Os lançamentos impressos das Assembléias de Distrito “Nome Divino”, em 1571, incluíam a edição revista de 1971, em letras grandes, da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, em inglês. E, para os desejosos de uma consideração mais erudita do estudo das Escrituras, há o volume de 1.184 páginas intitulado “Tradução Interlinear do Reino das Escrituras Gregas”, publicado em 1969.
O persistente desejo de manter o nome de Jeová diante das pessoas tem sido a motivação por trás de outras atividades de impressão de Bíblias. Assim, em 1972, a Sociedade Torre de Vigia (EUA) produziu The Bible in Living English (A Bíblia em Inglês Vivo), do falecido Steven T. Byington. Traduz coerentemente o Tetragrama hebraico como “Jeová”.
Desde 1950, milhões de exemplares da Tradução do Novo Mundo foram distribuídos através da terra, muitos deles em inglês. Grandemente apreciada, portanto, foi a Concordância Compreensiva da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, lançada em 1973, com cerca de 14.700 verbetes e cerca de 333.200 referências. Muitos membros da família de Betel de Brooklyn trabalharam laboriosamente em compilá-la, revisá-la, etc. Por certo, com esta provisão, economiza-se muito tempo em localizar os textos bíblicos desejados.
Atualmente, a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas se acha disponível em sua inteireza em sete idiomas e as Escrituras Gregas Cristãs em mais uma outra língua. Também, trabalha-se para produzir as Escrituras Gregas Cristãs em outras quatro línguas. Em inglês, a edição regular da Tradução do Novo Mundo da Bíblia completa ainda se acha disponível por US$ 1 o exemplar, e o equivalente é tudo que se recebe em moedas estrangeiras para esta excelente tradução da Bíblia em outras línguas. Por que tão baixo custo? A fim de que as Escrituras Sagradas possam alcançar as mãos do povo, para que as pessoas de coração honesto entre ele a possam ler e aceitar, “não como a palavra de homens, mas, pelo que verazmente é, como a palavra de Deus”. — 1 Tes. 2:13.
Passaram-se mais de três décadas desde que uma das prensas da Sociedade imprimiu o primeiro exemplar da edição da Torre de Vigia da Versão Rei Jaime. Durante os anos desde então, muitas mãos dedicadas trabalharam com diligência em pôr exemplares da Palavra de Deus nas mãos do povo em números cada vez maiores. Ora, desde 1942 até o ano de serviço de 1974, inclusive, 28.533.890 exemplares das Escrituras, no todo ou em parte, foram produzidos na gráfica de Brooklyn da Sociedade. E talvez fique surpreso de saber que, durante 1974, tantas quantas quinze rotativas da Sociedade Torre de Vigia (EUA) em Brooklyn, estavam sendo usadas por todo o tempo só para imprimir Bíblias.
Junto com esta tremenda produção de Bíblias, houve a publicação de milhões de compêndios bíblicos. Todos eles — como “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa e Ajuda ao Entendimento da Bíblia — ajudaram a transformar em laboriosos estudantes da Bíblia e competentes proclamadores teocráticos das boas novas a milhares de pessoas de muitas rodas da vida. E, visto que alguns duvidam da autenticidade das Escrituras, fervorosos esforços foram feitos de provar que elas deveras têm origem divina. Notável neste aspecto é o livro de 192 páginas, É a Bíblia Realmente a Palavra de Deus?, que conta com uma impressão de mais de 18.768.000 exemplares, em 27 idiomas. Esta publicação de 1969 da Sociedade mostra magistralmente que a veracidade da Bíblia não depende da evidência desenterrada pelos arqueólogos, como se as Escrituras estivessem numa posição débil precisando de ajuda das “autoridades” mundanas. Antes, os pontos de maior peso do livro são argumentados do ponto de vista do vigor da Bíblia, baseados em seu próprio testemunho poderoso, em sua razoabilidade e no fato de que responde a perguntas que, de outra forma, permanecem sem resposta. “Chegou numa ocasião em que o clero se tornava mais direto em seus esforços de desacreditar a Bíblia”, comenta Webster L. Roe, “e serviu para reforçar a fé claudicante de muitos, ao ponto de fazerem sincero estudo da Bíblia”.
‘VIVENDO OU MORRENDO, PERTENCEMOS A JEOVÁ’
As testemunhas de Jeová não são vendedores ambulantes da Palavra de Deus. (2 Cor. 2:17) Advogam-na sinceramente, e crêem nela pessoalmente. É por isso que são firmes em seu apego à lei de Deus sobre o sangue. Com efeito, tornaram-se conhecidas no mundo todo por sua obediência leal ao decreto de Deus de que não se deve comer sangue, nem deve ser assimilado no sistema da pessoa para sustentar as força vitais do corpo. (Atos 15:28, 29) Até mesmo quando a vida parece em perigo, os cristãos repetidas vezes têm dito, em essência, ‘vivendo ou morrendo, pertencemos a Jeová’. — Rom. 14:7, 8.
A santidade do sangue foi destacada em A Torre de Vigia, de 15 de dezembro de 1927, em inglês. Entre outras coisas, seu artigo “Uma Razão Para a Vingança de Deus”, dizia: “Deus disse a Noé que toda criatura vivente serviria de carne para ele, mas que não devia comer o sangue, porque a vida se acha no sangue.” Anos mais tarde, A Sentinela (1.º de dezembro de 1944; em português, dezembro de 1945) declarava: “Ao estrangeiro, não só como descendente de Noé, mas ora como um obrigado pela lei de Deus a Israel . . . se lhe proibia comer ou beber sangue, quer por transfusão quer pela boca. (Gên. 9:4; Lev. 17:10-14)”. Nos anos posteriores, os assuntos se tornaram ainda mais claros.
A Sentinela (em inglês) de 1.º de julho de 1945 esclarece a posição cristã sobre o sangue. Entre outras coisas, apontou que embora a transfusão de sangue remontasse aos antigos egípcios, o caso mais antigo relatado era o da tentativa fútil de salvar a vida do Papa Inocêncio VIII, em 1492, operação que custou a vida de três jovens. Mais significativamente este número de A Sentinela mostrava que a lei de Deus sofre o sangue, fornecida a Noé, era válida para toda a humanidade e que se exigia que os cristãos se abstivessem do sangue. (Atos 15:28, 29) Resumindo A Sentinela disse:
“Uma vez, então, que o Deus Altíssimo e Santo forneceu instruções claras quanto à forma de se dispor do sangue, em harmonia com seu pacto eterno feito com Noé e com todos os seus descendentes, e visto que o único uso do sangue que Ele autorizou, a fim de fornecer vida à humanidade, era o uso dele como propiciação ou expiação para o pecado; e visto que deveria ser feito sobre seu santo altar ou em seu assento de misericórdia, e não por se tomar diretamente o sangue no corpo humano; por conseguinte, compete a todos os adoradores de Jeová que buscam a vida eterna em seu novo mundo de justiça respeitar a santidade do sangue e ajustar-se aos decretos justos de Deus no que tange a este assunto vital.”
A posição cristã sobre as transfusões de sangue tinha agora sido claramente definida. Samuel Muscariello viu-se confrontado com uma prova de integridade sobre este assunto. Blosco Muscariello nos conta: “Pouco depois de sair da prisão [onde foi confinado por sua neutralidade cristã], meu irmão mais moço, Samuel, contraiu uma espécie de infecção de estreptocócica na garganta que resulta em intoxicação urêmica. Os médicos prescreveram uma operação — com transfusão de sangue, naturalmente — dando-lhe no máximo dois anos de vida sem a operação e o sangue. Sam lhes deu as costas e se foi. Isto foi no ano de 1947. . . . Além da declaração da Sentinela [uma que haviam especialmente observado] as palavras do [visitante] irmão Sullivan à prisão continuavam a ressoar em nossos ouvidos . . . ‘tomar sangue é errado’. Em exatamente dois anos, Sam foi reconduzido ao hospital, à morte. Sob pressão, dirigi-me ao seu leito e disse-lhe: ‘Sam, eles lhe querem dar sangue.’ Meio tonto devido aos remédios, meio inconsciente, tentou levantar-se da cama [para evitar receber sangue, que jamais lhe foi administrado] . . . nossa família, embora entristecida [com sua morte], ficou fortalecida pelo modo de pensar claro e a integridade de Sam a Jeová, até a morte.”
No início da década de 1950, tomou vulto uma questão relacionada à recusa das testemunhas de Jeová de aceitar transfusões de sangue. Em 18 de abril de 1951, o estado moveu um processo, em Chicago, Ilinóis, para retirar uma criança de junto dos pais, de modo que os médicos pudessem dar-lhe uma transfusão de sangue. Cheryl Labrenz, de 6 dias, possuía uma doença rara, segundo se dizia, em que seus glóbulos vermelhos estavam sendo destruídos. Segundo os médicos, ela morreria se não recebesse uma transfusão de sangue. Como testemunhas cristãs de Jeová, os pais dela, Darrell e Rhoda Labrenz, consideravam corretamente a transfusão de sangue uma violação da lei de Deus e, assim, puseram-se a ela. Estavam preocupados com o bem-estar eterno de seu bebê, pois a vida eterna é a perspectiva apenas dos que aderem às leis de Deus. Mas, por mandado judicial, administrou-se sangue a Cheryl, apesar dos protestos dos pais dela.
O processo Labrenz não foi senão um capítulo inicial do que se tornaria longa narrativa. Por mais de duas décadas agora, as testemunhas de Jeová têm estado em foco devido a mostrarem respeito pela lei de Deus sobre o sangue. Marie M. Greetham se lembra bem do que aconteceu ao irmão dela Dan Morgan. Como paciente de câncer em fase final, por três vezes foi mandado embora dum hospital de veteranos na cidade de Nova Iorque por rejeitar intransigentemente transfusões de sangue. Quando baixou ao hospital pela quarta vez, ainda se recusou a aceitar sangue. A irmã Greetham nos conta: “Isto aconteceu em agosto de 1951, e Dan morreu em outubro de 1951, com 54 anos. Dan era tão pacífico e feliz. Apenas quatro dias antes de morrer, explicou a outra irmã como, muito em breve, fecharia os olhos, mas sentia-se felicíssimo por ter sido fiel e que sua recompensa era grande sendo um dos do ‘pequeno rebanho’ dos seguidores de Cristo.” — Luc. 12:32; Rev. 2:10.
Mas, é inevitável a morte porque alguém rejeita uma transfusão de sangue? Certamente que não! Considere o caso de Gladys Bolton. Seu médico lhe disse que ela tinha um aneurisma na artéria principal que ia para o baço e que o baço tinha de ser removido. Ela concordou com a operação, sob a condição de não lhe serem ministradas quaisquer transfusões de sangue. Embora surpreso, o médico ouviu a explicação dela e observou que ela não tinha objeções, a um ‘substituto do sangue’. Ele concordou em operá-la sem usar sangue, e isto foi feito em 21 de maio de 1959. Antes de ser possível remover o baço, porém, a artéria rompeu-se e a irmã Bolton perdeu mais de 70 por cento de seu sangue. Embora os médicos e as enfermeiras na sala de cirurgia clamassem por sangue, o médico dela manteve sua promessa. Ela ficou inconsciente por duas semanas, e numa tenda de oxigênio por três, sofrendo uma complicação após outra, mas o médico era muito atencioso e gradualmente, a irmã Bolton foi melhorando. Escreve ela: ‘Certo dia, quando estávamos a sós, ele disse: ‘Sra. Bolton, jamais abandone seu Deus Jeová. Segundo toda a história e registros médicos a Sra. já deveria estar morta. Ninguém jamais perdeu tanto sangue e conseguiu viver!’ Respondi-lhe: ‘Doutor Davis, não tenho nenhuma intenção de abandonar a Jeová, mas as testemunhas de Jeová não ensinam a cura divina hoje em dia. Apreciamos os bons médicos e as boas enfermeiras, e os senhores todos trabalharam arduamente para me manter viva. No entanto, porque obedecemos à ordem de Jeová a respeito do sangue todos nós fomos abençoados.’ Ele parecia feliz com a minha resposta e me agradeceu.” A irmã Bolton teve alta do hospital em 1.º de julho de 1959.
Através dos anos, Jeová Deus tem feito graciosamente provisões abundantes para os que desejam aderir à sua lei sobre o sangue. Neste fluxo constante de ajudas espirituais é preciso incluir o folheto de 64 páginas O Sangue, a Medicina e a Lei de Deus, publicado em 1961. Já o usou para considerar este assunto vital com seu médico?
PROMOVENDO A ADORAÇÃO VERDADEIRA
Os servos de Jeová sabem que, se hão de usufruir o favor divino precisam empenhar-se na adoração pura e imaculada. (Tia. 1:27) Precisam ser moral e espiritualmente limpos. (Isa. 52:11; 1 Cor. 6:9-11) Corretamente, tais pontos têm sido sublinhados por meio de discursos nas assembléias, artigos da Sentinela e coisas semelhantes, em especial nos anos relativamente recentes, à medida que o mundo em geral mergulhou cada vez mais fundo no atoleiro da degradação moral.
Em 1951, os paladinos da adoração verdadeira aprenderam algo de significativo sobre o termo “religião”. Alguns deles bem que poderiam lembrar-se de 1938, quando, às vezes, portavam o letreiro que dava em que pensar, “A Religião É Laço e Extorsão”. Do seu ponto de vista, então, toda “religião” era anticristã, provindo do Diabo. Mas, A Sentinela de 15 de março de 1951 em inglês (setembro de 1952 em português) aprovava o uso dos adjetivos “verdadeira” e “falsa” com relação à religião. Ademais, o absorvente livro Que Tem Feito a Religião Pela Humanidade? (publicado em 1951, e lançado na Assembléia “Adoração Limpa” no Estádio Wembley, Londres, Inglaterra), tinha o seguinte a dizer: “Considerada na maneira em que é usada, ‘religião’ na sua definição mais simples significa um sistema de adoração, uma forma de adoração, sem tomar em conta se é adoração verdadeira ou falsa. Isto concorda com o significado da palavra hebraica correspondente, ’a.boh.dáh, que literalmente significa ‘serviço’, não importa a quem seja prestado.” Depois disso, as expressões “religião falsa” e “religião verdadeira” tornaram-se comuns entre as testemunhas de Jeová.
O povo de Deus estava determinado a praticar a religião verdadeira e a permanecer moral e espiritualmente limpo para o serviço de Jeová. Isto foi sublinhado de forma especial em A Sentinela de 1.º de março de 1952 em inglês (dezembro de 1952 e janeiro de 1953 em português), que continha os artigos altamente significativos: “Manter Limpa a Organização”, “A Desassociação É Correta” e “O Pecado Que Impossibilita o Restabelecimento”. Esta revista mostrava ser correto expulsar um malfeitor batizado impenitente da congregação cristã. (1 Cor. 5:1-13) Se o pecador se arrependesse mais tarde, foi indicado, era possível a sua readmissão. — 2 Cor. 2:6-11.
Esta não era a primeira vez que A Sentinela tinha mencionado a expulsão dos pecadores impenitentes da congregação. De 1952 em diante, porém, a necessidade de se manter a limpeza espiritual da congregação cristã mereceu especial destaque. O passar dos anos também trouxe crescente conscientização de que era essencial o tratamento misericordioso dos arrependidos. (Tia. 2:13) Amiúde, contudo, os superintendentes realizaram a restauração espiritual dos que erraram antes de os assuntos se terem deteriorado ao ponto em que era necessária a expulsão da congregação. — Gál. 6:1.
Os cristãos não se associam com pessoas desassociadas num espírito de fraternidade. Nem toleram a iniqüidade entre eles mesmos. Mas, e se os desassociados abandonarem seu proceder errado? Bem pertinentes nessa questão são os artigos “A Misericórdia Divina Indica aos Errantes o Caminho de Volta” e “Mantenha um Conceito Equilibrado Sobre os Desassociados”, publicados em A Sentinela em inglês de 1.º de agosto de 1974 (em português, 15 de novembro de 1974). Estes mostram que tais desassociados podem obter verdadeiro encorajamento para restabelecer-se na vereda da vida.
Vários discursos nas assembléias desempenharam um papel nada insignificante em manter a organização limpa. Por exemplo, L. E. Reusch menciona em especial o discurso da assembléia de 1964, “Manter Pura e Casta a Organização de Servos Públicos”, proferido por F. W. Franz. Diz o irmão Reusch: “Fez a ilustração de uma jovem de virtude fácil como sendo semelhante a uma toalha imunda dum banheiro público. A linguagem franca e direta sobre a moral declarava as coisas de modo claro. . . . quão maravilhosamente apropriada era essa ocasião — conselho sábio em preparação para o declínio avassalador da moral desde então!”
A corrente de sólidos conselhos bíblicos tem continuado sem diminuir através dos anos. Falando-se em sentido espiritual, as publicações têm mostrado ao povo de Jeová a vereda correta em que andar.
EXPANSÃO DO TESTEMUNHO DO REINO
Na década de 1950, esforços pronunciados foram feitos para se expandir a obra de declarar a mensagem do Reino. Com efeito, um passo muito significativo foi dado em 1951. Falando numa assembléia em Washington, D. C., em outubro de 1951, o irmão Knorr revelou que cerca de 50 por cento dos condados nos Estados Unidos (1.469 dos 3.602) estavam inteiramente sem ser trabalhados ou só recebiam testemunho parcial. Mas, isto mudaria. Publicadores e pioneiros regulares seriam designados a trabalhar nestes territórios durante junho, julho e agosto de 1952. Isto foi acolhido com entusiásticos aplausos. Similar trabalho em territórios isolados tem sido executado até os nossos tempos.
Outro passo notável na promoção do testemunho do Reino foi assinalado pelas Assembléias de Distrito da “Sabedoria Vitalizadora” de 1957. Escreve Marie Gibbard: “Nesta ocasião, ouvimos pela primeira vez a expressão ‘servir onde há mais necessidade’. As famílias poderiam, com efeito, fazer um serviço semelhante ao dos missionários. Este era um novo conceito de serviço que abria as portas da oportunidade a pessoas e famílias que não podiam beneficiar-se do treinamento da Escola de Gileade e entrar no campo missionário formal.”
Muitos cristãos que se mudaram para locais nos Estados Unidos ou no exterior onde havia mais necessidade de pregadores do Reino do que em suas congregações anteriores, puderam encorajar e edificar seus concrentes, ajudar pessoas novas a obter conhecimento da verdade de Deus ou até mesmo partilhar no estabelecimento de uma congregação.
APRENDENDO A SER MELHORES PREGADORES DAS BOAS NOVAS
“Todos deveriam poder pregar as boas novas de casa em casa”, declarou o irmão Knorr, citando que isso era um objetivo primário entre os cristãos. Teceu essa observação em 22 de julho de 1953, na internacional Assembléia da Sociedade do Novo Mundo. As testemunhas de Jeová haviam usado discos de fonógrafo e cartões de testemunho para pregar as boas novas nos anos passados, mas isso não estava sendo feito então. Todavia, havia necessidade de mais treinamento. Ao falar ele sobre o assunto “A Obra Principal de Todos os Servos”, o irmão Knorr anunciou novo programa de treinamento de casa em casa. Os servos (superintendentes) de circuito e de distrito teriam muito que ver com isso, mas todos os servos designados nas congregações prestariam ajuda, de modo que cada publicador do Reino pudesse tornar-se um proclamador regular de porta em porta das boas novas. Ao passo que visitassem uma congregação, o servo de circuito escolheria pregadores experientes de casa em casa para trabalhar com os novos e inexperientes no programa de treinamento. Esta provisão de longo alcance para habilitar mais testemunhas cristãs teve seu início em 1.º de setembro de 1953, e logo estava em pleno andamento.
“O programa de treinamento . . . era algo excelente, diz James W. Filson. “Alguns que eram tímidos foram ajudados a ampliar-se. Alguns que achavam que só podiam fazer uma coisa, tal como o serviço com revistas, foram ajudados a tentar ter parte nas outras fases [do serviço de Deus]. Ao tentarem ajudar outros, muitos melhoraram suas próprias habilidades.”
BRANDINDO COM INTREPIDEZ A “ESPADA DO ESPÍRITO”
Os cristãos precisam estar habilitados a brandir “a espada do espírito, isto é, a palavra de Deus”. (Efé. 6:17) Nisto, o programa de treinamento foi de grande ajuda. Com o passar do tempo, vários esboços de sermões sugeridos de três a oito minutos de casa em casa, e de dez a quinze minutos para revisitas foram publicados pela Sociedade Torre de Vigia, (EUA) no boletim mensal de instruções de serviço, o Informante, e em seu sucessor, o Ministério do Reino. Algumas Testemunhas verificaram mais tarde ser mais fácil ou mais conveniente usar sermões breves baseados em um texto, tais, como Isaías 2:4 ou João 17:3.
Para Walter R. Wissman, o proferimento de sermões bíblicos no testemunho de casa em casa e nas revisitas “foi um marco em nosso progresso teocrático”. Cada vez mais o público identificou o povo de Deus com a Bíblia. R. D. Cantwell observa: “Não demorou muito até que se fazia cada vez menos a velha acusação à porta, de que as testemunhas, de Jeová eram ‘vendedores de livros’.”
“Que grande melhora fizemos em nosso serviço de casa em casa!”, exclama Myrtle Strain. “Não existe mais a necessidade de um cartão para entregar às pessoas para ler, nem é necessário tocar um disco, ou entrar e passar uma hora falando-lhes o esboço inteiro do propósito de Deus. Agora todos aprendemos como proferir breve sermão às portas bem preparados com um tema estabelecido, apoiado por dois, ou três textos destacados. Podemos usar muitos sermões curtos todos baseados em textos importantes e oportunos. Ademais estamos ansiosos de atrair o morador à conversa.” Quer aceitem a mensagem quer não, as pessoas recebem assim um testemunho.
EXPONDO A FALSA LUZ
Ao passo que as testemunhas de Jeová se tornavam mais proficientes em usar as Escrituras Sagradas às portas das pessoas, não perderam nada do entusiasmo ardente que caraterizara suas atividades nos anos passados. Assim, no início de 1955, as testemunhas de Jeová galhardamente declararam uma mensagem que expôs a falsa luz espiritual.
No domingo, 3 de abril de 1955, intrépida proclamação do julgamento foi proferida contra a cristandade, e, com efeito contra o inteiro sistema da religião falsa. Fez-se isso pelo proferimento simultâneo dum discurso público, por oradores cristãos, em muitas línguas através da terra. Esse poderoso discurso intitulava-se “A Cristandade ou o Cristianismo — Qual É ‘a Luz do Mundo’?” foi ouvido por mais de meio milhão de pessoas.
Os servos de Jeová estavam ansiosos de deixar as pessoas, saber que a cristandade é uma luz falsa. Com o tempo, a Sociedade Torre de Vigia satisfez a grande demanda desta mensagem em forma de folheto, publicando 22.000.000 de exemplares em trinta idiomas. Ansiosos de participar em sua distribuição, milhares de publicadores novos participaram no serviço de campo pela primeira vez durante abril de 1955. Nesse mês, atingiu-se em todo o mundo um auge de todos os tempos de 625.256 publicadores do Reino. Em fins de julho de 1955, as testemunhas de Jeová enviaram cartas e estes vigorosos folhetos aos clérigos e às editoras.
“O VERBO” — QUEM É ELE?
A exposição da falsa luz da cristandade por certo não foi apreciada por muitos clérigos, mas, eles ainda não tinham recebido sua última mensagem das testemunhas de Jeová. De jeito nenhum! Muitos clérigos negavam a inspiração divina das Escrituras Sagradas. Outros afirmavam defender a Bíblia mas ensinavam doutrinas que desonram a Deus. A Trindade se acha entre estes ensinos falsos. Neste respeito — quer tenham gostado quer não — os clérigos receberam uma mensagem das testemunhas cristãs de Jeová em fins de 1962.
Veio em forma de um folheto de 64 páginas intitulado “‘O Verbo’ — Quem É Ele Segundo João?”. Nele a doutrina da Trindade foi exposta como sendo falsa além de qualquer negação. Programou-se a distribuição especial do folheto para novembro de 1962. Os proclamadores do Reino não só o ofereceram em seu trabalho de casa em casa. Enviaram pelo correio a cada clérigo católico e protestante um exemplar, junto com uma carta acompanhante preparada pela Sociedade Torre de Vigia (EUA). Assim deu-se tremendo testemunho identificando-se o “Verbo” de João 1:1 como sendo, não Deus, mas o Filho de Deus, Jesus Cristo, em sua existência pré-humana.
ASSEMBLÉIAS EM MOVIMENTO
As assembléias regulares do povo de Deus contribuíram imensamente para se criar a necessária coragem para a obra de pregação. Algumas delas foram incomuns em sentido especial. Foram assembléias em movimento, alguns delegados viajando de lugar em lugar, até mesmo ao redor do mundo. Que efeito unificador tiveram tais reuniões! Os cristãos em um país talvez possam ler sobre as atividades e as experiências de seus concrentes em outros países. Mas conhecê-los e partilhar sua companhia — mesmo quando existem barreiras lingüísticas — é deveras uma experiência notável. Embora talvez não se possam comunicar na mesma língua, quando o povo de Deus, de diferentes formações nacionais e raciais, se reúne, deveras falam uma só língua, a “língua pura” da verdade que Deus deu graciosamente a todos os que o amam na terra. — Sof. 3:9.
Digno de nota, entre os congressos em movimento foi a Assembléia do “Reino Triunfante” das Testemunhas de Jeová em 1955. Em apenas dez semanas, treze assembléias foram realizadas nos Estados Unidos e no exterior, e muitos congressistas viajaram para as várias reuniões. Uma publicação disse que este era “provavelmente o maior movimento em massa de estadunidenses por toda a Europa desde a invasão aliada durante a Segunda Guerra Mundial”.
A Sociedade Torre de Vigia (EUA) havia fretado 42 aviões e dois navios (o Arosa Kulm e o Arosa Star). Estes navios eram realmente salões flutuantes de congresso, visto terem sido organizados programas espiritualmente edificantes, todo dia, para o benefício dos passageiros.
Um dos locais europeus de assembléia foi o Zeppelinwiese em Nurembergue, onde 107.423 pessoas se reuniram. “Nós, nos Estados Unidos, ficamos jubilantes”, afirma C. James Woodworth, “de saber que no próprio lugar em que Hitler havia gritado ‘aniquilação’ para as testemunhas de Jeová, tais pessoas cristãs realizaram a maior de todas as suas Assembléias do ‘Reino Triunfante’! Onde estava Hitler?”
CONGRESSO AO REDOR DO MUNDO
Para o povo de Jeová, algo mui significativo começou em Milwaukee, Wisconsin, em 30 de junho, e terminou em 8 de setembro de 1963, em Pasadena, Califórnia. Esta foi a Assembléia “Boas Novas Eternas” das Testemunhas de Jeová — em realidade um congresso ao redor do mundo, realizado em mais de 24 cidades. Ao todo, 583 congressistas fizeram um giro ao redor do globo. Os vários viajantes, tomando rotas ligeiramente diferentes, reuniram-se com as multidões de concrentes em cidades tais como Londres, Estocolmo, Munique, Jerusalém, Nova Delhi, Rangoon, Bancoc, Cingapura, Melbourne, Hong-Kong, Manila, Seul e Honolulu.
Muitos congressistas da assembléia de Londres visitaram o Museu Britânico. Ali, entre outras coisas, viram a Crônica de Nabonido, que ajuda a datar a queda de Babilônia em 539 A. E. C. Interessante, também, foi um fígado de barro, usado para adivinhação na religião babilônica. — Compare com Ezequiel 21:21.
Os congressistas que viajaram para as terras bíblicas visitaram muitos locais de significado bíblico. Quando viram os famosos cedros do Líbano, as planícies de Moabe, ou o Vale de Hinom, aumentou seu apreço pela Palavra de Deus.
Quando os congressistas viajantes chegaram ao Extremo Oriente, viram ali, como em outras partes, os efeitos da influência religiosa de Babilônia. Em Wat Po, em Bancoc, os congressistas viram um símbolo fálico, diante do qual as mulheres estéreis oravam, na esperança de ter filhos. Murais observados na budista Wat Sakhet, também naquela cidade, representavam tanto o Nirvana como um inferno de tormento. As similaridades entre o Inferno de Dante e o que os congressistas viram representado ali tornavam inequívoca a origem comum das duas idéias religiosas.
Observar tais modalidades da adoração falsa deu significado maior ao estimulante discurso da assembléia “A Execução do Julgamento Divino Sobre a Religião Falsa”. Durante esse discurso os ouvintes foram levados de volta à antiga Babel (Babilônia). Quando Deus confundiu a linguagem dos construtores da torre daquela cidade, eles se mudaram para outras terras, levando com eles sua religião impura. Veio a ser praticada em várias línguas e, assim, um império mundial da religião falsa veio a existir. Por causa de sua origem em Babilônia, o livro bíblico de Revelação a chama de “Babilônia, a Grande”. (Rev. 18:2) Foi relacionado a esse discurso emocionante que os congressistas obtiveram o novo livro de 704 páginas, em inglês, “Caiu Babilônia, a Grande!” O Reino de Deus já Domina! Sendo, na realidade, dois volumes em um só, sua primeira seção considera a relação da antiga Babilônia com o povo de Jeová; a Segunda Parte inclui uma análise, versículo por versículo, de Revelação, capítulos 14-22.
AJUDAS VISUAIS AJUDAM A FAZER DISCÍPULOS
Nos meses após a assembléia, a Sociedade concluiu um filme que movia as pessoas a refletirem. “Poderoso!” “Inspirador!” “Revelador!” “Chocante!” Estas eram reações típicas diante deste filme colorido de duas horas de duração, “Proclamando as ‘Boas Novas Eternas’ ao Redor do Mundo”. Este filme destaca as Assembléias “Boas Novas Eternas” de 1963, ao redor do globo, onde um total de 580.509 pessoas se reuniram para ouvir o destacado discurso público “Quando Deus For Rei Sobre Toda a Terra”. Mas, este filme não era simples relato de viagem. Mostra claramente que uma cidade agora em ruínas influi na vida de milhões de pessoas atualmente. Dessa cidade — antiga Babilônia — surgiram símbolos e cerimônias que permearam o modo de vida de quase todos os habitantes da terra. Sublinhava a urgência de se abandonar Babilônia, a Grande. Representava-se o calor e o amor dos verdadeiros cristãos, conforme demonstrados em suas assembléias ao redor do mundo. Os espectadores podem ver que há uma organização com a qual devem associar-se, ao sair de Babilônia, a Grande. Assim sendo, insta-se com os que amam a justiça a abandonar o império mundial da religião falsa e associar-se com os adoradores de Jeová. — Rev. 18:4, 5.
Em 1963, a Sociedade Torre de Vigia (EUA) já estava usando filmes modernos por uma década, como ajudas visuais para se fazer discípulos. Ora, depois da assembléia internacional de 1953, a Sociedade lançou o filme absorvente “A Sociedade do Novo Mundo em Ação”. Era o primeiro filme produzido pela Sociedade desde o “Fotodrama”, cerca de quarenta anos antes. Este filme de uma hora e vinte minutos resultou ser poderoso instrumento em familiarizar os espectadores com a magnitude da organização terrestre de Deus, a tremenda quantidade de trabalho produzido pela família de Betel, a atividade das testemunhas de Jeová em geral, seus grandes congressos e o modo suave e eficaz em que funcionava a sociedade do Novo Mundo. H. A. Cantwell declara: “Era um meio maravilhoso de se ajudar os recém-interessados a ver quão ampla e extensiva é a organização.”
“A Felicidade da Sociedade do Novo Mundo” e “Assembléia Internacional da ‘Vontade Divina’ das Testemunhas de Jeová” eram filmes lançados pela Sociedade depois dos congressos enormes de 1955 e 1958. Os servos de Jeová também usaram os filmes como meio de contra-atacar a filosofia de “Deus está morto”. Em 1966, a Sociedade Torre de Vigia (EUA) produziu o absorvente filme colorido “Deus não Pode Mentir”. Este filme edificante da fé provava que Deus está vivo e que desenvolve seu propósito para com a terra e o homem. Filmes coloridos, entremeados de notáveis ilustrações a cores, ajudaram as assistências a visualizar os principais acontecimentos bíblicos e a captar seu significado para os nossos dias. “Apreciei o filme”, disse certa pessoa, “especialmente porque usava eventos históricos que eram o cumprimento de profecias bíblicas, como prova de que ‘Deus não Pode Mentir’. Por exemplo, as várias ruínas mostradas existem para quem quiser ver que Deus não mentiu. Vê-las me fez mais seguro de que Deus não mentiu a respeito do que Ele disse que ocorrerá agora e no futuro”.
O filme “Heritage” (Herança), também produzido pela Sociedade Torre de Vigia (EUA) em 1966, tratava das várias tentações que os jovens confrontam hoje. No entanto, Angelo C. Manera Jr., observa que mostrava “o que os jovens da sociedade do Novo Mundo estavam fazendo e como venciam tais tentações e seguiam um proceder cristão”. Era ímpar no sentido de possuir trilha sonora, diferente dos outros filmes recentes, produzidos pela Sociedade, e foi exibido por muitas estações de televisão. Assim, milhares o viram em suas casas. “Herança” também foi apresentado nas assembléias de circuito e em outras reuniões públicas.
Nos anos recentes, os superintendentes de circuito apresentaram programas de diapositivos nas reuniões públicas ao visitar as congregações do povo de Deus. O primeiro destes começou a ser exibido em setembro de 1970. Intitulado, “Visita à Sede Mundial das Testemunhas de Jeová”, visava familiarizar as pessoas com a organização de Deus dum modo a motivá-las a tomar ação correta. Outra destas apresentações de diapositivos — “As Igrejas Vistas de Perto” — ajudou as assistências a compreender que as igrejas da cristandade não são lugar para os que amam a verdade e a justiça. Não só as faria desejar dissociar-se do império mundial da religião falsa; provavelmente também as motivaria a participar em ajudar outros a fugir de Babilônia, a Grande. Estes são apenas exemplos de apresentações de diapositivos pelos superintendentes de circuito, como ajudas visuais para transmitir instrução bíblica.
ALGO NOVO E EMOCIONANTE!
“Escute as Palavras de Daniel Para os Nossos Dias”. Lembra-se dessa parte das Assembléias de Distrito “Filhos da Liberdade de Deus”? À medida que os congressistas a ouviam, ocorreu algo surpreendente. Diferentes vozes surgiram através dos alto-falantes, representando a Daniel, os três fiéis hebreus — até mesmo anjos. Houve o som de música, e os três hebreus tiveram uma oportunidade final de curvar-se diante da imagem de ouro erguida por Nabucodonosor na Planície de Dura. Firmemente, contudo, mantiveram sua integridade, recusando a curvar-se, e sentiram a libertação da parte de Jeová. — Dan. cap. 3.
Eis aqui um modo novo e diferente de transmitir instrução bíblica. As assistências das assembléias sentiram como se tivessem sido transportadas para a antiga Babilônia. Sentiram emoções similares diante da apresentação intitulada “Observe a Perseverança de Jeremias, Necessária em Nossos Dias”. Deveras, os congressistas “observaram” realmente a perseverança de Jeremias. Um drama bíblico, com atores em trajes típicos, representando a vida e os tempos daquele profeta hebreu, da antiga Jerusalém, desenrolou-se diante de seus próprios olhos. O impacto dramático foi aumentado ainda mais por efeitos sonoros. Todos os assistentes ficaram muito mais cônscios da provação de Jeremias e de sua fidelidade — sozinho diante de uma multidão que clamava por sua vida. Como isto enfatizou a confiança que os adoradores de Jeová tinham de ter em seu Deus! E como ficaram impressionados com a necessidade de perseverarem no serviço de Deus, até mesmo em face da morte!
O ano de 1966, então, foi o início de algo — nova forma de ensinar nas assembléias do povo de Deus. Através dos anos desde 1966, dramas bíblicos têm sido particularidade regular das grandes assembléias do povo de Jeová. Não raro estas demonstrações foram apresentadas anteriormente nas formaturas da Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia, os estudantes representando pessoas dos tempos antigos e modernos.
Considerando as bênçãos e os benefícios destas dramatizações, James W. Filson observa: “Acho que os dramas bíblicos têm sido excelentes ajudas para inculcar em nós as lições e os conselhos do registro bíblico.” Com efeito, alguns foram movidos pelos dramas das assembléias a confessarem seus erros e a procurarem ajuda espiritual. — Pro. 28:13; Tia. 5:13-20.
PALADINOS DO REINO DE DEUS E DE NENHUM OUTRO GOVERNO
As testemunhas cristãs de Jeová prestam sua lealdade ao reino de Deus. Repetidas vezes, através dos anos, demonstraram isso. Por exemplo, voltemos a mais de um quarto de século atrás, à terça-feira, 1.º de agosto de 1950 — ao “Dia da Devoção Teocrática” na Assembléia Aumento da Teocracia das Testemunhas de Jeová. Em seu discurso, “O Aumento de Seu Governo”, o irmão Knorr apresentou volumosa evidência expondo como inteiramente falsa uma acusação feita pelos adversários religiosos de que as testemunhas de Jeová apoiavam o comunismo. Não só vários departamentos do governo dos Estados Unidos se recusaram a colocar as Testemunhas na lista de subversivos e de simpatizantes do comunismo, mas o próprio registro publicado da Sociedade Torre de Vigia (EUA) desde 1879 provava de modo definitivo que os servos de Jeová são contra o comunismo. Meridianamente, o irmão Knorr mostrou que o verdadeiro cristianismo não pavimenta o caminho para a ascensão e o crescimento do comunismo ateus, porém, o cristianismo hipócrita o faz! Foi depois dessa mensagem que o presidente da Sociedade propôs uma declaração e resolução contra o comunismo, que foi entusiasticamente adotada pela assistência do congresso de 84.950 pessoas.
Poucos anos depois, em 1956 e no início de 1957, 462.936 congressistas, em 199 assembléias das testemunhas de Jeová de junho de 1956 a fevereiro de 1957, adotaram unanimemente uma petição. De cada assembléia, tal petição foi enviada a Nikolai A. Bulganin, então primeiro-ministro da U. R. S. S. A petição descrevia o brutal tratamento recebido pelas testemunhas de Jeová na Rússia e na Sibéria. Pedia que as Testemunhas encarceradas fossem libertadas e autorizadas a organizar-se, e solicitava que lhes fosse permitido estabelece relações regulares com seu Corpo Governante e que lhe fosse permitido publicar e importar publicações bíblicas. A petição atraiu as atenções para a obra de pregar o Reino feita pelas testemunhas de Jeová, ao passo que refutava haver quaisquer interesses ou afiliações políticas de sua parte. Ademais, a petição propunha uma palestra entre representantes da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA) e os do governo russo. Sugeria que uma delegação das Testemunhas tivesse permissão de dirigir-se a Moscou com tal intuito, bem como para visitar os vários campos em que as testemunhas de Jeová estavam internadas.
Em 1.º de março de 1957, uma petição conjugada foi assinada e enviada ao governo russo pelos sete diretores da Sociedade Torre de Vigia (EUA). Os comunistas jamais responderam e nem acusaram seu recebimento de qualquer modo. Todavia as testemunhas de Jeová russas continuam a falar intrepidamente a Palavra de Deus como paladinos do reino de Deus e de nenhum outro governo.
Não só as testemunhas de Jeová têm sido intransigentes paladinos do reino de Deus; elas também trouxeram à atenção o fracasso do clero da cristandade neste respeito. Assim aconteceu que o povo de Deus, na sexta-feira 1.º de agosto de 1958, na Assembléia Internacional da vontade Divina, adotou uma resolução muitíssimo significativa. Instar-se com os congressistas a estar presentes naquela sessão da tarde, e 194.418 estavam a postos. Ouviram atentamente à medida que F. W. Franz, vice-presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA) falou sobre o assunto “Por Que Esta Assembléia Deve Resolver”. O irmão Knorr o seguiu no programa, apresentando vigorosamente uma resolução que expunha o clero da cristandade como a classe mais repreensível hoje na terra. O documento também reafirmava os princípios teocráticos do povo de Jeová, proclamava desassombradamente o reino de Deus por Cristo como único meio de salvação e fortemente declarava a determinação das testemunhas de Jeová de pregar sobre este reino em amor, paz e união, sem cessar, até que Jeová traga a um ponto final a obra de testemunho, no Armagedom. O irmão Knorr propôs que a resolução fosse adotada conforme fora lida, tal proposta foi apoiada, e, ao apresentar a questão à ampla assistência, houve um unânime brado de Sim!, em aprovação.
Com o tempo, 72.348.403 tratados, contendo esta resolução, foram impressos para distribuição mundial em 53 idiomas, a maior parte deste trabalho sendo feita em dezembro de 1958. A circulação extensiva destas informações também se deu quando a resolução e seu discurso introdutório foram publicados em A Sentinela de 1.º de novembro de 1958 em inglês (15 de janeiro de 1959, em português).
Foi eficaz tal distribuição? Deveras que foi! Exemplificando: Peter D’Mura escreve: “Na primavera setentrional de 1959, conheci um rapaz que se sentiu movido pela resolução a aprender a verdade, dedicar-se e, mais tarde, tornar-se pioneiro.” E comenta C. James Woodworth: “Alguns que agora são testemunhas ativamente dedicadas e batizadas de Jeová bem aqui nas congregações de Cleveland, Ohio, começaram a marchar para fora de Babilônia, a Grande, por lerem esta resolução e aceitarem a oportunidade de estudar a Bíblia.” — Rev. 18:4.
Os servos de Jeová tiveram excelente oportunidade de mostrar que eram paladinos do reino de Deus e de nenhum outro governo no ano de 1963, durante a Assembléia “Boas Novas Eternas” ao redor do mundo. Adotaram com entusiasmo uma resolução em que proclamavam seu reconhecimento de Jeová como o Soberano Eterno do universo e sua recusa em prestar adoração idólatra à imagem política, as Nações Unidas, como faziam as nações, conduzidas pelos espíritos iníquos invisíveis para o Armagedom. (Rev. 13:11-18; 16:14, 16) Antes, com a ajuda dos anjos sob Cristo e o espírito santo e a Palavra de Deus, as testemunhas de Jeová estavam determinadas a continuar declarando a todos os povos as “boas novas eternas” a respeito do reino messiânico de Deus e seus julgamentos. (Rev. 14:6) Depois de sua adoção por 454.977 pessoas na Assembléia “Boas Novas Eternas” ao redor do mundo, tal resolução foi adotada nas assembléias nacionais. Também, foi publicada em A Sentinela de 15 de novembro de 1963, em inglês, e em sessenta e seis línguas (15 de maio de 1964, em português), obtendo circulação mundial.
Com seu discurso introdutório, “Por Que Todos Nos Devemos Unir em Uma Resolução”, este documento de grande alcance abrangia em seu escopo todas as sete pragas de Revelação capítulo dezesseis. Por conseguinte, incluía as mensagens de julgamento inicialmente declaradas em sete resoluções sucessivas, e material relacionado, apresentadas nos congressos do povo de Deus de 1922 a 1928. Por isso, mediante esta resolução compreensiva, centenas de milhares de pessoas que não haviam tomado parte na adoção daquelas resoluções anteriores declararam-se publicamente a favor e como apoiando o derramamento das pragas de Jeová, profeticamente delineadas em Revelação, capítulo dezesseis. Mais uma vez, os servos de Jeová também deixaram bem claro que eram paladinos do reino de Deus e não de algum outro governo ou de qualquer arranjo político.
Nas Assembléias “Paz na Terra” de 1969, o soar das sete trombetas simbólicas, mencionadas em Revelação, capítulos 8-11, foi considerado no discurso “Tribulações Finais dos Inimigos da Paz com Deus”. A esse discurso seguiu-se poderosa Declaração, mostrando com vigor que a paz com o Criador só poderia vir por meio do Seu reino messiânico. Por adotar a Declaração, o povo de Jeová sustentou que os julgamentos de Deus são contra a cristandade. Proclamaram sua completa neutralidade no que tange a toda controvérsia política e deixaram bem claro que confiam inteiramente no reino de Deus e que não deixarão de pregá-lo a todas as nações até que venha o fim.
As testemunhas cristãs de Jeová mostraram novamente que eram paladinos do reino de Deus e não de algum outro governo em sua Assembléia Internacional “Vitória Divina”, realizada em vários lugares através da terra, de fins de junho de 1973 até janeiro de 1974. A intrigante parábola de Jesus sobre as minas ficou em foco em um dos discursos da assembléia — “Ganhe Riquezas Para o Novo Rei da Terra”. (Luc. 19:11-27) Depois desse discurso, o orador apresentou uma Declaração e Resolução, logo depois adotada pelos congressistas mediante retumbante Sim! Entre outras coisas, apontava que os Tempos dos Gentios, de 2.520 anos, começaram com a desolação da Jerusalém terrestre em 607 A.E.C. e chegara a seu cumprimento completo sobre a “Jerusalém celestial” onde Jesus Cristo foi instalado qual rei messiânico em 1914 E.C. (Heb. 12:22) Foi observado que o mundo da humanidade precisa de mais aviso da impendente “grande tribulação”. (Mat. 24:21) As testemunhas cristãs de Jeová resolveram continuar a ter fé na Vitória Divina, soando esse aviso, e proclamando o reino messiânico de Deus como panacéia para a humanidade aflita.
Por conseguinte, é um fato comprovado que os servos de Jeová são paladinos do reino de Deus e não de nenhum outro governo. São as boas novas desse reino que pregam em todo o mundo. Repetidas vezes, demonstraram sua lealdade ao reino messiânico de Deus e continuam a fazê-lo através da terra.
ALIMENTO ESPIRITUAL NO TEMPO APROPRIADO
Como é que as testemunhas cristãs de Jeová conseguiram manter sua posição firme quais defensores do reino de Deus? Como é que permaneceram “firmes na fé” enquanto outros perdem a fé? (1 Cor. 16:13) Isto foi possível por Jeová Deus ter graciosamente provido alimento espiritual no tempo apropriado mediante a classe do “escravo fiel e discreto”. — Mat. 24:45-47.
Considere a década de 1960 qual exemplo. Ventos da mudança religiosa e social sopravam então por todos os Estados Unidos. Tornava-se cada vez mais comum que muitos clérigos da cristandade considerassem partes da Bíblia como mitológicas. Também, para eles, seu código moral era antiquado. Ademais, alguns afirmavam que “Deus está morto”.
Ao ir passando a década de 1960, fatores sociais, psicológicos, políticos e econômicos provocaram a desordem racial até mesmo a violência, nos Estados Unidos. Exemplificando: o que foi denominado de “longo e quente verão” de 1964 testemunhou o assassínio de três trabalhadores em prol dos direitos civis em Mississípi, bem como a inquietação no Sul. As cidades do Norte também foram atingidas. Algumas foram assoladas por motins. Nos motins apenas de Los Ângeles de 11 a 16 de agosto de 1965, batalhas, saques e incêndios causados por turbas resultaram na morte de 35 pessoas e em danos calculados em US$ 200.000.000.
No meio de tais ventos de turbulência religiosa e social, as testemunhas de Jeová nos Estados Unidos e em outras terras continuaram confiando em Jeová e aderindo à sua Palavra. Ele, por sua vez, certificou-se de que fossem devidamente orientadas. Por exemplo, nas Assembléias de Distrito “Ministros Corajosos”, de 1962, elas se beneficiaram grandemente de discursos sobre “Sujeitai-vos — A Quem?”, “Sujeição às ‘Autoridades Superiores’ — Por Quê?” e tópicos relacionados. Mais tarde, naquele ano, tais informações vitais foram publicadas em A Sentinela. (Veja os números de 1.º de novembro até 1.º de dezembro, em inglês; em português, 1.º de junho a 1.º de julho.)
Tornou-se claro que as “autoridades superiores” ou “potestades” mencionadas em Romanos, capítulo treze, são as autoridades governamentais seculares, permitidas por Jeová em deter posições de responsabilidades nesta época. Instou-se com todos os servos hodiernos de Deus a ficar em sujeição relativa às autoridades superiores governamentais e não burlar as leis dos governos terrestres que não colidam com a lei de Deus. — Rom. 13:1-7; Atos 5:29.
“Quão sabiamente Jeová nos orientou em relação com os regentes políticos do mundo!”, exclama L. E. Reusch, acrescentando: “Como seria possível sabermos que 1964 veria a questão dos direitos civis fermentar e ferver, transformando-se em motins nas ruas e em desobediência civil, violenta e passiva? . . . Poderíamos ver-nos metidos no mesmo raciocínio do clero, que se envolveu em marchas, protestos e nas questões sociais do dia. Exatamente na hora certa, em 1962, na assembléias do verão [setentrional], fomos alimentados com ‘alimento no tempo apropriado’. [Mat. 24:45] . . . A sujeição, claramente relativa foi destacada e tem salvaguardado nossa posição perante Jeová e as autoridades políticas que Ele permite que existam até a regência do Reino de Cristo Jesus as remover.”
Sim, deveras, Jeová Deus tem fornecido alimento espiritual em abundância. Ora, olhe só para uma prateleira que contenha os livros publicados pela Sociedade Torre de Vigia (EUA) nos anos relativamente recentes! Há a publicação de 1958, ‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’, que trata do livro de Daniel. Uma consideração, versículo por versículo, do inteiro livro de Revelação, aparece nos livros “Cumprir-se-á, Então, o Mistério de Deus” e “Caiu Babilônia, a Grande! O Reino de Deus já Domina! Publicado em 1971, “As Nações Terão de Saber que Eu Sou Jeová” — Como?, considera a profecia de Ezequiel. E o cumprimento das profecias de restauração de Ageu e Zacarias é considerado do ponto de observação deste século vinte em O Paraíso Restabelecido Para a Humanidade — Pela Teocracia!
Ricas provisões espirituais têm sido feitas tanto para os idosos como para os jovens. Lá em 1958, o livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado foi publicado em linguagem simples e profusamente ilustrado. Em 1971, o livro de 192 páginas, Escute o Grande Instrutor contribuiu ainda mais para se evitar o ‘conflito de gerações’! Aqui está uma publicação destinada para os pais lerem com seus filhos. E a linguagem simples e as excelentes ilustrações do livro fazem com que os jovens sintam que é ‘para eles’.
ÊNFASE A FAZER DISCÍPULOS
Algumas das publicações cristãs disponíveis para o povo de Jeová visam em especial ajudá-lo a cumprir sua comissão de pregar as boas novas e fazer discípulos. (Mat. 24:14; 28:19, 20) “Seja Deus Verdadeiro” era um destes livros, publicado originalmente em 1946. Era uma ajuda em se lidar com as doutrinas bíblicas básicas. Daí, em 1950, o livro “Isto Significa Vida Eterna” fornecia informações sobre assuntos bíblicos mais profundos e sobre o modo de vida cristão. Considere também, o livro de 416 páginas, ‘Coisas em Que É Impossível que Deus Minta’, publicado em 1965. Como compêndio bíblico básico, resultou ser prestimoso instrumento nas mãos dos proclamadores do Reino.
Os servos de Jeová recebem constantemente as coisas de que carecem para sua obra de pregação e de fazer discípulos Relembrando as assembléias de distrito de 1967, C. W. Barber menciona algo que chama de “inovação”. Observa: “A organização de Jeová sempre provê novas emoções e alegrias. Desta vez era novo tipo de livro de campanha, um pequeno livro encadernado, intitulado ‘Veio o Homem a Existir por Evolução ou por Criação?’ . . . este deveria ser apresentado por 25 centavos de dólar. Desde sua introdução, era evidente que continha tremendo atrativo para todas as pessoas pensantes.”
Milhões de exemplares foram colocados pelos proclamadores do Reino no serviço de campo. Durante maio de 1968, fizeram-se esforços especiais de pô-lo nas mãos dos educadores, com excelentes resultados. Declara Marie Gibbard: “Um professor em White Plains, Nova Iorque, é hoje uma Testemunha batizada porque um estudante de 12 anos colocou um exemplar com ele e seu interesse continuou a ser cuidado.”
ALGO QUE INFLUENCIARIA A OBRA ADIANTE!
Outra inovação digna de nota surgiu em 1968. Quando A Sentinela anunciou as Assembléias de Distrito “Boas Novas Para Todas as Nações”, declarou: “Na sexta-feira, está planejado algo que não só o deleitará mas também sem dúvida o surpreenderá, pois terá considerável influência sobre a obra que estaremos fazendo durante os anos vindouros.”
Os servos de Jeová ficaram curiosos. O que poderia ser este novo acontecimento? A resposta veio depois do poderoso discurso básico: “As ‘Boas Novas’ de um Mundo sem Religião Falsa”. Em sua conclusão, novo compêndio bíblico de bolso de 192 páginas, foi lançado. Este livro, A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, foi recebido com grande deleite. “Quem É Deus?” “Onde Estão os Mortos?” “Por Que Permitiu Deus a Iniqüidade Até Hoje?” “Os últimos Dias Deste Sistema Iníquo de Coisas”, “Estabelecendo Uma Vida Feliz em Família”, A Adoração Verdadeira — Um Modo de Vida” — estes eram alguns dos absorventes capítulos do livro. A nova publicação envolveria o estudante de todo modo.
Mas, havia algo mais como surpresa reservada para os congressistas. O novo livro Verdade seria usado num programa de estudo bíblico de seis meses. Por causa da forma como esta publicação envolvia o estudante, em geral, por volta do tempo em que ele o terminava, ele tomaria alguma ação quer a favor quer contra a verdade. Não mais a testemunha de Jeová dirigiria estudos bíblicos com uma pessoa ano após ano sem que o estudante fizesse progresso espiritual definido agindo conforme o conhecimento obtido.
PROVISÃO BEM NA HORA
De 1960 a 1965, o total anual de batismo tinha sido pela casa de 60.000. Em 1966, contudo, o número dos imersos baixou para 58.904. Sob as circunstâncias, poder-se-ia bem perguntar: Está diminuindo de passo a obra? O tempo provou que não estava.
No ano de serviço de 1967, 74.981 pessoas foram batizadas. Era uma arrancada para o alto e fornecia renovada razão de otimismo. Daí, veio 1968, junto com o livro Verdade e o programa de estudo bíblico de seis meses. “Na mente de muitos” observa Edgar C. Kennedy, “estava intimamente relacionado com o anúncio, dois anos antes, de os 6.000 anos [da existência do homem na terra] terminarem em 1975.” C. W. Barber cita similarmente “a brevidade e a urgência dos tempos’’ chamando 1968 de “momento decisivo”, e declara: “Em toda a parte os irmãos se animaram e dedicaram-se a este método ‘mais fácil’ de disseminar as boas novas, com vigor. O número de publicadores começou a subir de novo em toda a terra. Os ouvintes começaram a se tornar fazedores da obra. . . . Na verdade, Jeová orientou a produção deste instrumento pequeno, porém poderoso, para fazer discípulos.”
O livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna tem tido assombrosa circulação. Sabia que acha-se agora publicado em noventa e um idiomas? Ademais, nos seis anos desde que foi lançado, 74.000.000 de exemplares dele saíram das prensas. Este compêndio bíblico tem ajudado a centenas de milhares de pessoas a obter conhecimento exato das Escrituras e ‘firmemente agarrar-se à palavra da vida’. (Fil. 2:16) Ao passo que o livro Verdade não é o único usado pelas testemunhas de Jeová quando estudam a Bíblia com as pessoas, sem dúvida a maioria dos 1.351.404 estudos bíblicos domiciliares que são atualmente dirigidos pelas testemunhas de Jeová nos lares das pessoas em todo o mundo se baseiam na excelente matéria bíblica encontrada nesta publicação.
DILÚVIO DE PUBLICAÇÕES QUE ANUNCIAM O REINO DE JEOVÁ
Atualmente, as boas novas do reino messiânico de Deus estão sendo pregadas através da terra. E o que desempenha parte nada insignificante nessa obra é o virtual dilúvio de publicações anunciando o reino de Jeová. Tome-se A Sentinela como exemplo. Certa vez conhecida como Torre de Vigia de Sião, sua edição original (a de julho de 1879) consistia apenas em 6.000 exemplares. Agora, em 1976, a impressão média de cada número é de mais de 9.800.000 exemplares em 78 idiomas.
Nos anos decorridos desde 1879, A Sentinela passou por algumas mudanças no nome e no formato. Originalmente era conhecida como A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo. Atualmente, sua capa a identifica como A Sentinela, Anunciando o Reino de Jeová. Durante anos, as capas da Sentinela eram impressas em preto e branco. Daí, a partir do número de 1.º de janeiro de 1939, em inglês, introduziu-se nova capa colorida. O periódico tinha então páginas maiores e em número menor do que contém agora. O número de 15 de agosto de 1950, lançado na Assembléia Aumento da Teocracia das Testemunhas de Jeová, trazia diferente modelo de capa, contendo coloridas ilustrações, e aumentara de dezesseis para trinta e duas páginas. Tem A Sentinela contribuído para o aumento da Teocracia? Certamente que tem! Sem dúvida ficará surpreso de saber que, apenas do ano de serviço de 1942 até 1974, 2.836.041.443 exemplares de A Sentinela foram publicados!
Despertai!, revista companheira de A Sentinela, é a sucessora de Idade de Ouro e Consolação. Desde seu primeiro número — o de 22 de agosto de 1946 (em inglês) — Despertai! reflete a esperança segura no estabelecimento da justa nova ordem de Deus nesta mesma geração. Esta revista, também faz parte daquele grande dilúvio de publicações que anunciam o Reino. Ora, desde o ano de serviço de 1942 até o de 1974, 2.600.751.501 exemplares de Despertai! (e de Consolação) foram impressos!
Não se deve desperceber o dilúvio de livros encadernados que anunciam o reino de Jeová, inclusive o volume de 1973, Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos. Talvez lhe surpreenda saber que, do ano de serviço de 1942 até o de 1974, a Sociedade Torre de Vigia (EUA) imprimiu 352.513.470 livros encadernados em sua sede e por meio de outras gráficas congêneres através da terra.
EXPANSÃO DAS INSTALAÇÕES GRÁFICAS
Este fluxo sempre crescente de publicações bíblicas exigiu a expansão contínua das instalações gráficas da Sociedade Torre de Vigia (EUA), não só nos Estados Unidos, mas também em várias outras partes através da terra. Lá em 1927 foi que a Sociedade se mudou para sua moderna estrutura à prova de fogo, de concreto armado, na Rua Adams, 117, em Brooklyn, Nova Iorque. Tendo mais de 6.500 metros quadrados de espaço útil, esse prédio parecia mui espaçoso, mas a aceleração da obra de pregar o Reino e de fazer discípulos exigiu a expansão das instalações da Sociedade.
Um grande passo neste respeito foi revelado pelo irmão Knorr em 8 de agosto de 1946, na Assembléia Teocrática Nações Alegres. Informou à assistência do congresso que haveria a expansão da gráfica e do lar de Betel da Sociedade em Brooklyn. Assim, comprou-se o prédio adjacente à gráfica original, seus moradores mudaram e ele foi então demolido. As escavações para a nova gráfica começaram em 6 de dezembro de 1948, e a construção começou em janeiro de 1949. Quando terminou, este anexo de nove pavimentos quase que duplicou o espaço útil da gráfica. Em 1950, a gráfica da Sociedade na Rua Adams, 117, ocupava um quarteirão inteiro da cidade.
Em 1954, a Sociedade Torre de Vigia (EUA) terminou a construção de novo prédio na Avenida Bigelow, 4.100, em Pittsburgo, Pensilvânia. Grant Suiter diz: “Este prédio não é somente o escritório registrado da Sociedade, mas é o centro das reuniões anuais da sociedade de Pensilvânia, e há nele um Salão do Reino”, usado por certas congregações das testemunhas de Jeová. Uma das Escolas do Ministério do Reino também fora dirigida ali por vários anos, até 4 de maio de 1974.
Em meados de 1950, a obra de pregar o Reino aumentara grandemente de ritmo. Há alguns anos atrás, em 1944, a Sociedade imprimira 17.897.998 exemplares de A Sentinela e de Consolação (agora Despertai!). Em 1954, contudo, o total era de 57.396.810 exemplares. Por isso, era essencial a expansão das instalações da Sociedade em Brooklyn, Nova Iorque. Na primavera setentrional de 1955, portanto, iniciou-se a escavação de nova gráfica, e, em 1956, ficou pronta esta gráfica de treze pavimentos. Localizada na Rua Sands, 77, “O Prédio da Torre de Vigia”, como era chamado, tem mais de 17.830 metros quadrados de espaço útil, mais do que a gráfica da Rua Adams, 117, à qual está ligado por um pontilhão sobre a rua. Em 1958, a Sociedade comprou uma gráfica de nove pavimentos, num quarteirão adjacente, e este tem sido usado quase que exclusivamente para estocagem.
O número de proclamadores do Reino ultrapassou um milhão em todo o mundo em meados da década de 1960. De novo, o espaço da gráfica de Brooklyn da Sociedade tornou-se escasso. Assim, em 1966, num quarteirão adjacente a suas outras gráficas, iniciou-se a construção de outra grande gráfica. Essa estrutura de onze pavimentos, dedicada em 31 de janeiro de 1968, adicionou quase 21.000 metros quadrados de espaço útil ao complexo gráfico da Torre de Vigia. Já então os prédios das gráficas de Brooklyn da Sociedade, adequadamente interligados por pontilhões sobre as ruas, abrangiam quatro quarteirões.
Em fins de 1969, a taxa de expansão aumentou dramaticamente. Em 25 de novembro de 1969, o enorme complexo de dez prédios dos laboratórios farmacêuticos Squibb, em Brooklyn, foi comprado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Nova Iorque, Inc. Tal adquisição adicionou 58.786 metros quadrados de espaço útil às instalações da sede da Sociedade. C. W. Barber lembra-se de observar certa construção do complexo da Squibb há anos atrás. Embora a organização de Jeová tentasse obter os terrenos nesse mesmo local, a firma Squibb teve mais êxito em consegui-los. Segundo o irmão Barber, “a Squibb enfrentou muitas dificuldades, também, em encontrar base sólida para seus prédios, visto que o terreno era tão arenoso ali”. Adiciona: “Finalmente construíram um grupo de prédios de ótima aparência, e eu costumava pensar em quão bom seria se estes pertencessem à Sociedade. Vejam então, isso aconteceu mesmo!”
EXPANSÃO DO LAR DE BETEL MANTÉM O PASSO
À medida que as instalações gráficas da Sociedade Torre de Vigia (EUA) em Brooklyn se expandiam, houve correspondente necessidade de ampliação do lar de Betel. Por isso, em 1950, novo anexo do lar de doze pavimentos, foi concluído. Mas, a equipe da sede continuou a crescer. Assim, em 8 de dezembro de 1958, começou a demolição de velhos prédios no local do proposto anexo de Betel, um prédio na Columbia Heights em Brooklyn. A construção nele se iniciou em 1959 e não demorou muito até que se terminou um anexo de Betel de doze pavimentos. Sua dedicarão ocorreu na noite de segunda-feira, 10 de outubro de 1960, no lindo Salão do Reino do novo prédio. Estavam presentes os membros da família de Betel e os irmãos que haviam trabalhado na estrutura, perfazendo um total de 630 pessoas. A própria equipe da sede tinha aumentado de 355 em 1950 para 607 pessoas em 1960.
Em 1965, o local do lar de Betel — a área de Brooklyn Heights — foi designada o primeiro “Distrito Histórico” da cidade de Nova Iorque. Embora a Sociedade desejasse construir outro prédio residencial de doze pavimentos, cooperou com a Comissão de Preservação dos Lugares Históricos, e limitou sua construção. Permitiu-se que as partes da frente de três velhos prédios continuassem, e um lar de sete pavimentos foi construído em torno deles, e ligado a eles. Este novo prédio, em Columbia Heights, 119, foi dedicado em 2 de maio de 1969. Contíguo há um grande prédio de apartamentos de propriedade das testemunhas de Jeová, e grande parte dele tem sido usada para alojar membros da equipe da sede. Incidentalmente, no fim do ano de serviço de 1970, a família de Betel (inclusive os trabalhadores regulares e temporários em Brooklyn e nas fazendas da Sociedade) tinham aumentado para 1.449 pessoas. Adicionalmente, setenta estudantes da Escola de Gileade moravam então na sede, elevando o total para 1.519. Para ajudar a alojar tantas pessoas, a Sociedade alugou três andares do vizinho Hotel Towers.
CONTINUA A EXPANSÃO
Todavia, a expansão das instalações não se limitou a tais. acontecimentos. “Em 1964”, afirma Grant Suiter, “a Sociedade deu passos para a venda eventual de uma parte da propriedade da Fazenda do Reino, inclusive os prédios antes utilizados, pela Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia [perto de South Lansing, Nova Iorque]”. Anos depois, a venda foi concluída. Assim, o tamanho da fazenda foi reduzido.
No ínterim, a Diretoria da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Nova Iorque, Inc., comprara as instalações duma fazenda próxima de Pine Bush, Nova Iorque. A fazenda original, de 328 hectares ali, foi adquirida em 1963, tornando-se conhecida como Fazenda da Torre de Vigia. Construiu-se excelente prédio residencial ali, em 1968, e seguiram-se outras construções. Com o tempo, outra fazenda foi adquirida na vizinhança. Atualmente as duas Fazendas da Torre de Vigia cobrem mais de 687 hectares.
Nas Fazendas da Torre de Vigia, legumes, frutas, carne e laticínios são produzidos para alimentar os membros da equipe da sede da Sociedade. Ademais, entre as numerosas estruturas na fazenda N.º 1 há duas gráficas. A gráfica N.º 1 possui quatro rotativas, cada uma podendo imprimir 12.500 revistas por hora. Na gráfica N.º 2 há suficiente espaço para estocagem de papel e para quatorze outras rotativas, além de muitos outros equipamentos. Seis rotativas já se acham em operação ali, perfazendo um total de dez prensas nas duas gráficas. Quando concluídas, tais gráficas proverão cerca de 37.100 metros quadrados de espaço útil. Em outubro de 1974, mais de 460 trabalhadores regulares e temporários serviam nas Fazendas da Torre de Vigia.
A Sociedade Torre de Vigia (EUA) não expandiu suas instalações somente nos EUA. A expansão tem sido a palavra de ordem através da terra. As testemunhas de Jeová têm agora gráficas na África do Sul, Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá Filipinas, Finlândia, França, Gana, Inglaterra, Japão, Nigéria Suécia e Suíça. Efetivamente, o povo de Jeová possui 37 gráficas ao redor do mundo. E, de 1955 até agora, aumentaram o número de suas grandes rotativas em toda a terra, de nove para sessenta e quatro. Por certo, há instalações gráficas disponíveis para satisfazer a crescente demanda de publicações bíblicas.
Por que se empreendeu toda essa expansão ao redor do globo? É porque os que têm as responsabilidades de fazer tais decisões na organização de Jeová estão interessados em ajudar pessoas a obter conhecimento das Escrituras. Será esse seu objetivo também? Sem dúvida é, se for uma das testemunhas cristãs de Jeová. Os membros da equipe da sede partilham tais desejos. É por isso que têm trabalhado com diligência para produzir publicações bíblicas. Seus esforços combinados durante o ano de serviço de 1974 tornaram possível produzir, apenas nos Estados Unidos, 268.509.382 exemplares de A Sentinela e de Despertai!, bem como 13.874.957 folhetos, 45.189.920 livros e Bíblias, e 261.387.772 tratados.
A quem se deve dar o crédito por toda essa expansão teocrática? Isto não é o resultado de mero planejamento e ardentes esforços humanos. O crédito deve ser dado a Jeová Deus, que faz as coisas crescer. É Ele quem fez prosperar os esforços de seu povo em pregar as boas novas do Reino. — 1 Cor. 3:5-7.
ASSINALADO UM SÉCULO DE ORIENTAÇÃO DIVINA
Por volta do ano de 1970, passara-se um século desde que Charles Taze Russell e alguns associados começaram a reunir-se para estudo fervoroso, e com oração, das Escrituras. Através de todas essas décadas, os servos de Jeová usufruíram o esclarecimento espiritual e a direção divina. A octogenária Edith R. Brenisen tem estado associada com a organização de Jeová por um bom número desses anos. Ao assistir às Assembléias de Distrito “Homens de Boa Vontade”, em 1970, sentiu-se profundamente comovida. Escreve a irmã Brenisen: “Quando estava na assembléia de 1970, em Boston, e vi aquela enorme multidão no Parque Fenway, lembrei-me do primeiro congresso de um só dia a que compareci em 1902, em Parque Square, Boston, para ouvir o irmão Russell proferir um discurso. Havia verdadeiramente apenas um punhado de gente. Incidentalmente, foi quando conheci o irmão Macmillan. Não consigo descrever meus sentimentos, ao ficar ali sentada, em Boston, sessenta e oito anos depois, e contemplar aquela grande multidão de Testemunhas que me cercavam. Como nos dias primitivos, quando havia tão poucos, o mesmo espírito santo, o mesmo zelo e o mesmo amor a Jeová enchiam nossos corações.”
Na assembléia daquele ano, o discurso inicial do presidente intitulava-se “Cem Anos de Orientação Divina”. Margaret Green se recorda que o mesmo “nos fez recordar o que havíamos lido sobre a organização na década de 1870 e seu pequeno começo, e o incrível aumento nos últimos 100 anos”. — Compare com Zacarias 4:10.
SUJEITAR-SE À ORIENTAÇÃO DIVINA
Os servos de Jeová estavam determinados a continuar a sujeitar-se à orientação divina. Forneceram clara evidência disto em suas Assembléias de Distrito “Nome Divino” em 1971. Estas exaltavam o nome de Jeová e proviam instrução a respeito da obediência aos princípios divinos representados por esse nome. Entre outras coisas, apresentou-se informação a respeito de maior conformidade teocrática da congregação cristã hodierna.
Mas, antes de considerarmos os acontecimentos organizacionais trazidos a lume nas assembléias de distrito de 1971, faremos bem em passarmos os olhos no passado. Algo notabilíssimo ocorreu em fins da década de 1930 e no início da de 1940. Primeiro, voltemos cerca de três décadas atrás.
“A TEOCRACIA ATINGIU A MAIORIDADE”
Os dias de 30 de setembro a 2 de outubro de 1944 foram altamente significativos para o povo de Deus. Milhares deles se reuniram em Pittsburgo, Pensilvânia, para o Congresso Teocrático das Testemunhas de Jeová e a Reunião Anual da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (EUA). Entre as modalidades do congresso havia os discursos “A Organização Teocrática Para a Obra Final”, por T. J. Sullivan, “A Organização Teocrática em Ação”, por F. W. Franz, e “O Alinhamento Teocrático Hoje”, proferido por N. H. Knorr. O tema desses discursos sublinhava a importância dos assuntos a serem tratados na reunião anual daquele ano. Por isso, milhares de pessoas permaneceram em Pittsburgo para a reunião legal da Sociedade, na segunda-feira, 2 de outubro de 1944.
“Aqui vi e visitei o irmão Van Amburgh pela última vez”, diz W. L. Pelle. “Sua primeira observação quando me viu foi ‘Irmão Pelle, a Teocracia atingiu a maioridade.’” Mas, porque o envelhecido secretário-tesoureiro da Sociedade faria uma, observação assim? Por causa dos acontecimentos dessa ocasião.
De importância primária foi a aprovação de seis resoluções que propunham mudanças nos estatutos da Sociedade Torre de Vigia (EUA) através de emendas. A primeira resolução de emenda propunha a ampliação dos propósitos da Sociedade para incluir devidamente a grande obra mundial à frente. Entre outras coisas, colocava o nome divino, “Jeová”, nos estatutos. A terceira eliminava inteiramente a provisão estatutária que fixava o número de membros à base das contribuições financeiras feitas à Sociedade. Ao entrar em vigor, o número de membros se limitaria a não mais de 500 homens, todos escolhidos à base de seu serviço ativo a Deus. Como se expressou A Sentinela em inglês de 1.º de novembro de 1944: “Esta emenda terá o efeito de aproximar os estatutos ao máximo ao arranjo teocrático permitido pela lei do país.” Todas as seis resoluções de emenda (envolvendo os Artigos 2, 3, 5, 7, 8 e 10) foram adotadas.
Embora o povo de Jeová não compreendesse então, o que fizeram em sentido organizacional em 1944 evidentemente tinha significado bíblico. A profecia de Daniel predissera que, por 2.300 “noitinhas e manhãs” ou dias, um simbólico ‘chifre pequeno’ (A Potência Mundial Anglo-Americana) pisaria o “lugar santo” teocrático de Jeová, conforme representado pelos seguidores ungidos de Jesus na terra. (Dan. 8:9-14) Isto ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial.
No início dos preditos 2.300 dias, o artigo de duas partes, “Organização”, foi publicado na Sentinela em inglês (1.º de junho e 15 de junho de 1938; em português, no número de junho-julho de 1938). Na primeira parte, dizia: “A organização de Jeová não é de modo algum democrática. Jeová é supremo, e seu governo ou organização é estritamente teocrático.” A segunda parte apresentava uma resolução que as congregações das testemunhas de Jeová adotaram, pedindo a nomeação de forma teocrática de todos os servos que atuassem em todas as congregações, de cima para baixo.
Se contados de 1.º de junho de 1938, os 2.300 dias se estenderam até 8 de outubro de 1944. Ou, se computado desde 15 de junho de 1938, terminaram em 22 de outubro de 1944. No fim desse período, a organização teocrática foi de novo enfatizada pelos discursos e ajustes organizacionais no congresso e na reunião anual de 30 de setembro a 2 de outubro de 1944, em Pittsburgo, Pensilvânia, e nos artigos sobre a organização teocrática publicados em inglês, em A Sentinela de 15 de outubro (“Organizados Para a Obra Final”) e de 1.º de novembro de 1944 (“A Organização Teocrática em Ação” e “O Alinhamento Teocrático Hoje”). Por isso, no fim dos provadores 2.300 dias, os servos de Deus mostraram-se mais fortes do que nunca em favor do governo teocrático de Jeová, por meio de Jesus Cristo. Conforme predito, o “lugar santo” foi então “restabelecido ao seu estado legítimo”. — Dan. 8:14, Versão Normal Revisada, em inglês; veja A Sentinela, 15 de junho de 1972, páginas 359-376.
ESTRUTURA APOSTÓLICA DA CONGREGAÇÃO
Agora, voltemos à Assembléia de Distrito “Nome Divino” de 1971. Especialmente importantes foram as partes do programa que trataram do arranjo governante da primitiva congregação cristã.
Recentes estudos da estrutura bíblica e apostólica da congregação tinham sido feitos pelo corpo governante das testemunhas de Jeová. Foi trazida à luz a necessidade de alguns ajustes dos dias modernos. Ao passo que, nos anos recentes, um cristão maduro servira como servo de congregação, ou superintendente presidente, e era auxiliado por “servos” designados, o método apostólico de governo de cada congregação era por meio de um corpo de anciãos. (Atos 20:17-28; 1 Tim. 4:14) Também, durante o primeiro século E. C., tinha havido evidentemente um rodízio da presidência dentro do corpo de anciãos da congregação. Por conseguinte, parecia apropriado ter-se diferente presidente do corpo de anciãos que servisse a cada ano, onde há mais de um ancião na congregação.
ESCOLHER ANCIÃOS E SERVOS MINISTERIAIS
O corpo governante das testemunhas de Jeová enviou a cada congregação uma carta instrutiva sobre a seleção de “corpo de anciãos”, bem como dos servos ministeriais. Segundo aquela carta, de 1.º de dezembro de 1971, todos os varões batizados da congregação, de vinte anos ou mais foram considerados. (Veja Esdras 3:8.) Os irmãos que participaram da palestra a respeito dos anciãos e dos servos ministeriais se prepararam bem, considerando os artigos “A Organização Teocrática no Meio das Democracias e do Comunismo”, “Os Encarregados Designados na Organização Teocrática” e “Um ‘Corpo de Anciãos’ com Presidência em Rodízio”, publicadas na Sentinela de 15 de novembro de 1971 em inglês (em português, 1.º de maio de 1972). Em adição, houve cuidadoso estudo dos artigos de A Sentinela de 1.º de janeiro de 1972 (em português, 15 de maio de 1972) intitulados “Quem É Sábio e Entendido Entre Vós?” e “Anciãos Designados Para Pastorear o Rebanho de Deus”. E, na medida que o tempo permitisse, os irmãos leram a matéria em Ajuda ao Entendimento da Bíblia (em inglês) sob os verbetes “Anciãos”, “Superintendente” e “Ministro”.
Quando membros da comissão congregacional e outros irmãos habilitados se reuniram, fez-se uma oração. Entre outras coisas, leram e consideraram as habilitações para anciãos e servos ministeriais conforme delineadas na Palavra de Deus em 1 Timóteo 3:1-10, 12, 13; Tito 1:5-9 e; 1 Pedro 5:1-5. “Muitos, pela primeira vez, verdadeiramente encararam a si mesmos”, observa R. D. Cantwell, “e todos sentiram vividamente a obrigação perante Jeová de serem honestos em sua avaliação de si mesmos e de outros. Alguns tiveram de desqualificar-se. Este arranjo produziu a honestidade e a humildade que teria sido impossível, exceto por esse passo à frente no entendimento dos princípios bíblicos de organização”. (Até mesmo nos anos antes disso, contudo, os requisitos bíblicos eram a base para se determinar a quem se confiaria a responsabilidade na congregação. Veja Conselho Sobre a Organização Teocrática Para as Testemunhas de Jeová, p. 19; Pregando Juntos em União, p. 26.)
Por fim, depois de uma análise das habilitações possuídas pelos irmãos nas congregações, enviaram-se recomendações ao Corpo Governante. Depois de 1.º de agosto de 1972, as congregações começaram a receber cartas designando os superintendentes e os servos ministeriais.
RECONHECIMENTO DA REGÊNCIA DIVINA
Ao passo que o povo de Jeová ansiosamente esperava a plena implementação deste arranjo congregacional, os nos Estados Unidos, Canadá e Ilhas Britânicas assistiam às Assembléias de Distrito “Regência Divina” de 1972, realizadas entre fins de junho e fins de agosto. Nestas reuniões, a regência divina recebeu suprema atenção.
Um dos significativos lançamentos da assembléia foi o novo livro de 192 páginas, Organização Para Pregar o Reino e Fazer Discípulos. Entre outras coisas, delineava as melhoras que eram feitas na estrutura da congregação cristã. O livro Organização e o programa da assembléia combinaram-se bem em apontar os aspectos práticos de tal reorganização e em demonstrar como estes se desenvolveriam.
O reconhecimento da regência divina foi destacado nestas assembléias de distrito, como no discurso público “Regência Divina — Única Esperança de Toda a Humanidade”. Os congressistas compreenderam que, para obterem a vida eterna, tinham de pessoalmente reconhecer a regência de Jeová. No entanto, o novo livro Organização e várias partes do programa da assembléia sublinharam a importância do reconhecimento congregacional da regência divina.
CORPO GOVERNANTE DÁ O EXEMPLO
Mas, suponhamos que agora façamos o relógio voltar à segunda-feira de manhã, 13 de setembro de 1971. Às sete horas, os membros da equipe da sede da Sociedade Torre de Vigia estão sentados em seus respectivos lugares por todos os refeitórios do lar de Betel de Brooklyn. Estão prontos para a usual consideração do texto bíblico diário, a ser seguido pelo desjejum. Sempre foi costume que o presidente da Sociedade presidisse a estas considerações quando estivesse na sede. Hoje, o irmão Knorr está em Betel, mas não está à cabeceira da mesa. Ao invés, F. W. Franz, o vice-presidente da Sociedade, preside à consideração matutina do texto. Por quê? Porque o corpo governante das testemunhas de Jeová instituiu o arranjo de rodízio de seus membros numa base semanal, com respeito a dirigirem as considerações matutinas do texto bíblico e o estudo de segunda-feira à noite de A Sentinela da família de Betel.
No Betel de Brooklyn, então, um processo de rodízio se iniciou um ano antes de um arranjo similar entrar em vigor nas congregações do povo de Deus em geral. Mas, o arranjo foi mais além do que isso. Segundo uma resolução adotada pelo corpo governante das testemunhas de Jeová, em 6 de setembro de 1971, sua presidência deveria ter um rodízio anual segundo a ordem alfabética. Assim aconteceu que F. W. Franz tornou-se o presidente do corpo governante por um ano, a partir de 1.º de outubro de 1971. Apropriadamente, o corpo governante deu o exemplo em colocar em efeito o novo arranjo organizacional.
“ISTO É OBRA DE DEUS”
Refletindo o novo arranjo congregacional que fazia provisão para anciãos e servos ministeriais, Roger Morgan sentiu-se movido a dizer: “Isto é obra de Deus.” Sem dúvida, outros concordarão, visto que consideraram os benefícios resultantes. A primeira transferência das responsabilidades começou em setembro de 1972, e, em 1.º de outubro, o arranjo de coisas na maioria das congregações tinha sido ajustado. Em muitos casos, o anterior servo ajudante de congregação tornou-se o superintendente presidente, o anterior servo de congregação tornou-se o superintendente da Escola do Ministério Teocrático, e assim por diante. Eis aqui prova de que os cristãos reconhecem a regência de Jeová, seu modo de fazer as coisas na congregação de seu povo. Cada ano, os anciãos numa congregação fariam o rodízio para várias posições, e trabalhariam juntos como um corpo, tendo presente o bem-estar espiritual da congregação e a necessidade de cooperarem uns com os outros em pastorear o rebanho de Deus confiado a eles. — 1 Ped. 5:2.
Muitos são os benefícios do novo arranjo congregacional. Por exemplo, Edgar C. Kennedy acha que “poderia ser o meio de haver maior solidariedade no caso de uma congregação se ver separada do corpo governante por um período de tempo”. “Este é mui certamente um progresso incomum da organização de Jeová”, observa Grace A. Estep, “e mostra quão bem Ele prepara seu povo para o tempo além deste sistema de coisas”. Não sem boa razão, em seu relatório sobre as assembléias de distrito de 1972, observou A Sentinela: “De fato, Jeová está levando seu povo congregado a um estado de organização em que poderá sobreviver ao Armagedom para a nova ordem de Deus sob a regência divina.”
ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL “VITÓRIA DIVINA”
As testemunhas cristãs de Jeová fornecem evidência abundante de que se sujeitam à orientação divina e voluntariamente se submetem à regência divina. De fins de junho de 1973 a janeiro de 1974, realizaram um congresso internacional que deu volta ao globo, e que mostrou plenamente que aguardam com ansiedade a vitória divina. Em geral, eram reuniões de cinco dias, os numerosos congressos deste evento mundial ocorrendo nos Estados Unidos, no Canadá, na Europa, na Ásia, na América Média e do Sul, no Pacífico Sul e na África. Muitos do povo de Deus viajaram a terras distantes, para ali partilhar o programa espiritualmente edificante da assembléia com seus concrentes de outros países. Usualmente, realizaram-se sessões apenas durante o dia, habilitando os congressistas a voltar a suas hospedagens bem cedo e eliminando as viagens após o anoitecer em zonas onde isto poderia não ser aconselhável. As horas da noite foram amiúde gastas em se recapitular os pontos destacados da assembléia.
Entre as muitas modalidades excelentes desta assembléia achava-se o discurso intitulado “Tenha bem em Mente a Presença do Dia de Jeová”. Quão vigorosamente mostrava que os cristãos não deveriam mentalmente adiar o dia de Jeová! As agravantes condições mundiais e os acontecimentos teocráticos organizacionais, junto com o arranjo de anciãos e servos ministeriais, bem como o rápido influxo dos que constituirão a “grande multidão”, indicam que o dia de Jeová está perto. (2 Ped. 3:11-13; Rev. 7:9) Após este discurso que movia as pessoas a pensar, veio o lançamento impresso grandemente apreciado — o livro de 192 páginas Verdadeira Paz e Segurança — De Que Fonte?
Os lançamentos impressos da assembléia incluíam a Concordância Compreensiva da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, em inglês, e o livro de 416 páginas, Aproximou-se o Reino de Deus de Mil Anos. Deveras acalentador para o coração foi o discurso público: “Vitória Divina — Seu Significado Para a Humanidade Aflita.” Intrepidamente, focalizou-se a atenção na guerra universal do Har-Magedon, em que Jeová se vindicará com a vitória divina. Mostrou-se que, sob a força impotente de expressões inspiradas imundas, os “reis de toda a terra habitada” estão sendo ajuntados para uma guerra contra Deus quanto à regência sobre a terra. (Rev. 16:13-16) Por isso, é preciso tomar posição de um ou de outro lado da questão. Apenas aqueles que tomam o lado de Jesus Cristo, o Rei dos reis, serão poupados. Apenas eles serão testemunhas da vitória divina e participarão na celebração que a acompanha.
Nas dezenove Assembléias Internacionais “Vitória Divina” realizadas durante junho e julho de 1973, através da área continental dos Estados Unidos, 15.851 pessoas simbolizaram sua dedicação a Jeová Deus por se submeterem ao batismo em água. Ao todo, nessas reuniões, 665.945 pessoas se reuniram para usufruir as ricas bênçãos espirituais providas por Jeová para seu povo. Em todo o mundo, 140 congressos foram realizados, em que 81.830 pessoas foram batizadas e houve uma assistência total de 2.594.305 pessoas. Quanto motivo de expressarmos gratidão ao Vitorioso Divino!
OBRA ESPECIAL ESTIMULA O AUMENTO
Houve, contudo, outra importantíssima modalidade das Assembléias Internacionais “Vitória Divina”. Meses de antemão, A Sentinela dissera que o programa focalizaria considerável atenção na obra de pregar o Reino e fazer discípulos. Acrescentava: “Delinear-se-á e demonstrar-se-á um trabalho especial. Todas as congregações das testemunhas de Jeová em todo o mundo, participarão nele durante datas específicas após as assembléias.” Qual era esta obra especial?
A resposta veio após o discurso básico do congresso, “Vitória Sobre o Mundo, sem Conflito Armado”. Seguiu-se o lançamento de um tratado de quatro páginas, Notícias do Reino N.º 16, intitulado, “Esgota-se o Tempo Para a Humanidade?” Um maço grátis de oito tratados foi dado a cada um na assistência com mais de doze anos que estivesse interessado em distribuí-los. Dez dias, de 21 a 30 de setembro — seriam reservados para a distribuição destes tratados, indicou o orador. Seriam entregues às pessoas pessoalmente no trabalho de casa em casa, sendo deixadas cópias sob as portas caso não houvesse ninguém em casa. A Sociedade Torre de Vigia enviaria tratados para cada congregação à base de 100 para todo publicador. Desejava-se que toda habitação recebesse um exemplar, assim a distribuição gratuita de milhões era certa. O povo de Jeová ficou deleitado com as perspectivas de fazer esta obra especial na proclamação do Reino.
Assim aconteceu que durante os últimos dez dias de setembro de 1973 as testemunhas de Jeová nos Estados Unidos como em outras partes, distribuíram Notícias do Reino N.º 16 aos milhões de exemplares. De 22 a 31 de dezembro de 1973, empenharam-se novamente na distribuição em massa de Notícias do Reino. Desta vez, era o N.º 17, apresentando a pergunta “Tem a Religião Traído a Deus e o Homem?” De 3 a 12 de maio de 1974, passaram por seus territórios de novo, com Notícias do Reino N.º 18, que desta vez destacava a pergunta crucial “Governo de Deus — É a Favor Dele ou É Contra Ele?
Muitos que conhecem a verdade da Palavra de Deus tem sido movidos a compartilhar as boas novas com outros por se empenharem na distribuição de Notícias do Reino. Ora, durante setembro de 1973, nos Estados Unidos (excetuando-se o Alasca e o Havaí), 512.738 publicadores do Reino participaram neste trabalho. E os relatórios indicam que distribuíram 43.320.048 exemplares de Notícias do Reino N.º 16. Em dezembro, o surpreendente total de 525.007 participaram na distribuição de Notícias do Reino N.º 17; isso era 103.112 mais publicadores do que tinham participado no serviço de campo há apenas um ano antes. E, em maio de 1974, houve 539.262 trabalhadores no serviço de campo!
As experiências mostram que a distribuição de Notícias do Reino realmente estimulou a obra de fazer discípulos. Por exemplo, dois publicadores deixaram um exemplar com um cavalheiro e foram embora, sendo chamados por ele mais tarde. Ao voltarem à casa dele, encontraram a esposa dele, que encontrara o livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna numa lata de lixo. Ela não conseguia dormir, porque compreendia que as coisas que dizia estavam sendo cumpridas. Isto levou a um estudo bíblico. A senhora começou a assistir às reuniões cristãs regularmente e progredir ao ponto em que participou na distribuição de posteriores Notícias do Reino, e planejava ser batizada.
Um exemplar de Notícias do Reino avivou o interesse de dois irmãos carnais, de cabelos compridos, que fumavam, tomavam tóxicos e tocavam num conjunto de rock. Logo ambos estudavam a Bíblia com a Testemunha que deixara o tratado. Cortaram o cabelo, pararam de fumar e de usar narcóticos e fizeram rápido progresso espiritual. Apenas três meses depois de receberem um exemplar de Notícias do Reino, empenhavam-se no serviço de campo, colocando o próximo número com outros. Ambos foram batizados em dezembro de 1973, e pouco depois disso, usufruíram o serviço de pioneiro temporário.
AJUNTANDO UMA “GRANDE MULTIDÃO”
O apóstolo João contemplou uma “grande multidão” de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono de Deus e rendendo a Ele serviço sagrado dia e noite em seu templo. (Rev. 7:9, 15) Tais pessoas com esperança terrestre têm apoiado de coração os seguidores ungidos de Jesus Cristo em sua obra dada por Deus de proclamar as boas novas do Reino. Quão emocionante tem sido em resultado, observar milhares de milhares de pessoas afluírem ao ‘monte da casa de Jeová’. — Isa. 2:2-4.
Estes que foram ajuntados aos pátios da ‘casa de Jeová’ dedicaram-se a Jeová Deus e simbolizaram isto pela imersão em água. Não muito depois de ouvirem o discurso “Batismo Segundo a Vontade Divina”, 7.136 de tais pessoas foram imersas na cidade de Nova Iorque, em 30 de julho de 1958. Nunca houve nada semelhante a isto desde Pentecostes de 33 E.C. (Atos 2:41) Por certo, esse batismo em 1958 não era algo que o mundo pudesse ignorar, pois H. L. Philbrick escreveu, não faz muito tempo: “A imprensa publicou excelentes fotos do grande número dos que estavam sendo batizados . . . Todos os leitores dos jornais tinham que ficar com a impressão de que as testemunhas de Jeová não mais seriam consideradas como ‘seita’ pequena. A verdade estava em progresso!”
O povo de Jeová não se tem interessado em meros números. O que importa é que os candidatos ao batismo entendam o que fazem. É por isso que houve grande apreço por uma provisão feita no livro “Lâmpada Para o Meu Pé É a Tua Palavra”, publicado em 1967. Das páginas 7 a 39 continha oitenta perguntas bíblicas, a serem consideradas por irmãos maduros com os prospectivos candidatos ao batismo. “Depois que estudavam as oitenta perguntas com a ajuda da comissão congregacional” observaram o irmão e a irmã Earl E. Newell, “compreendiam que sua dedicação e seu batismo era um proceder por toda a vida e a responsabilidade que os acompanhava, não devia ser encarada levianamente”. O mais recente livro Organização Para Pregar o Reino e Fazer Discípulos (publicado em 1972) faz uma provisão similar para a consideração de perguntas bíblicas com os que pensam em ser batizados. À medida que vários anciãos da congregação dirigem estas sessões com cada pessoa, os que pensam em ser batizados têm a oportunidade de se expressar sobre assuntos bíblicos e pesar sua relação com Jeová Deus. Tal provisão tem ajudado a fazer verdadeiros discípulos.
Considere brevemente como a obra de fazer e batizar discípulos tem aumentado. Em 1968, o total para o ano foi de 82.842. Durante os anos de 1969 a 1973, um total de 792.019 pessoas foram batizadas. Ao continuarem os esforços entusiásticos de ajuntar a “grande multidão”, muitos milhares estão sendo batizados cada ano. Ora, apenas durante o ano de serviço de 1974, 297.872 pessoas foram imersas em símbolo de sua dedicação a Jeová Deus! Que emoção é para o povo de Deus participar nesta maravilhosa obra de ajuntamento para o louvor de Jeová. Atualmente, há mais de dois milhões de testemunhas cristãs de Jeová que pregam as boas novas do reino de Deus.
“MANTENDE-VOS VIGILANTES”
Jesus Cristo sublinhou a necessidade de seus seguidores permanecerem alertas e vigilantes a respeito de sua vinda para executar o julgamento contra o sistema iníquo de coisas. Fez isso por assemelhar o discípulo a um porteiro a quem seu senhor ordenou que ficasse vigilante para notar sua volta de uma viagem para fora. “Mantende-vos vigilantes”, foi a admoestação sábia de Jesus. — Mat. 13:32-37.
A Assembléia de Distrito “Propósito Divino” muito contribuiu para engendrar um senso de urgência e uma atitude de incrementada vigilância espiritual da parte das testemunhas cristãs de Jeová. Através dos Estados Unidos, Canadá e Ilhas Britânicas, mais de oitenta e cinco de tais assembléias, foram realizadas de junho a agosto de 1974. Estas reuniões certamente ajudaram o povo de Deus a reconhecer exatamente onde viviam na corrente do tempo.
Três comoventes dramas bíblicos ministraram suas poderosas lições. A necessidade de ficar vigilante contra a perda de fé foi dramaticamente posta em foco à medida que os congressistas centralizaram suas atenções sobre os israelitas libertos da escravidão egípcia e que peregrinavam pelo deserto. Outra dramatização centralizava as atenções em 1 Reis, capítulo 13, e mostrava os perigos ligados em não se escutar a autoridade divina. E, quão comovedora foi a representação da vida e das obras do apóstolo Paulo como cristão! Encheu os observadores de renovado zelo pela adoração e pelo serviço de Jeová Deus.
Como é possível salvaguardar-se de coisas tais como o materialismo, a influência demoníaca e a exploração da religião falsa? As respostas foram dadas no comovente discurso “Protegidos Pela Fé e Esperança Que se Fixam em Jeová”. Esse discurso da assembléia foi seguido do lançamento de novo livro de 192 páginas, intitulado É Esta Vida Tudo o Que Há? Dirige poderosos golpes contra Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa, ao passo que também fornece aos leitores sólidas razões para se crer que há muito mais do que esta vida. Este livro cria fé na promessa de vida de Jeová, numa justa nova ordem, e na grandiosa esperança de ressurreição.
Os seguidores ungidos de Jesus Cristo e seus companheiros com esperanças terrestres desejam servir ao propósito divino. Sabem que o mesmo não falhará, e tal convicção foi englobada no título e no conteúdo de outro lançamento impresso da assembléia — o livro O ‘“Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem. Há verdadeiramente motivos válidos para se ter confiança no propósito de Deus. Em especial, estes se tornaram claros no clímax da assembléia, quando o discurso público foi proferido sobre o assunto, “Fracasso dos Planos Humanos Enquanto o Propósito de Deus É bem Sucedido”. Esta e outras informações vitais deixaram emocionados os corações das 891.819 pessoas que compareceram às 69 assembléias de Distrito “Propósito Divino” nos Estados Unidos.
As testemunhas de Jeová nos Estados Unidos como em outras partes, sabem que os homens continuarão a fazer esforços para estabilizar um mundo cambaleante. Mas, não importa quão grandiosos pareçam ser os planos humanos, e quão altas sejam as garantias dos homens de que estes serão bem sucedidos, o povo de Jeová sabe que apenas o propósito de Deus triunfará e agradecem a Ele por terem o grandioso privilégio de declarar Sua Palavra e seu Reino.
Significativamente, a profecia de Isaías diz que “na parte final dos dias”, o monte da casa de Jeová será firmemente estabelecido acima do cume dos montes e muitos povos afluirão a ele. (Isa. 2:2-4) Vivemos agora “na parte final dos dias”! O aparecimento de crescentes números da “grande multidão” devia impressionar em nós a urgência dos tempos. Este não é o dia para que os servos de Jeová em parte alguma sejam complacentes, indiferentes ou inativos. Têm um trabalho a fazer!
Pense só onde estamos na corrente do tempo! Sua importância foi vividamente inculcada em nossa mente lá atrás, em 1966. O povo de Deus recebeu então o absorvente livro Vida Eterna — na Liberdade dos Filhos de Deus. Não demorou muito até que a maioria deles notasse a tabela cronológica nele que identificava 1975 como o “fim do 6.º dia de mil anos da existência do homem (em princípios do outono [hem. set.])”.
Isto certamente suscitou perguntas. Será que significa que Babilônia, a Grande, terá sido derrubada por volta de 1975? Será que significa que o Armagedom estará terminado, com Satanás preso, por volta desse tempo? ‘É possível’, admitiu F. W. Franz, o vice-presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA), depois de propor perguntas similares na Assembléia de Distrito “Filhos da Liberdade de Deus” em Baltimore Maryland. No entanto, acrescentou em essência: ‘Mas, não estamos afirmando. E que nenhum dos irmãos seja específico em dizer algo que irá acontecer daqui até 1975. Mas, o ponto capital de tudo isso é o seguinte, caros amigos: O tempo é curto. O tempo se escoa, não há dúvida sobre isso.’ Entre outras coisas, instou o irmão Franz: “Aproveitemos ao máximo o tempo e façamos toda obra boa e árdua para Jeová, enquanto se oferece a oportunidade.”
Passaram-se alguns anos desde então, mas isto somente sublinhou a urgência da obra de pregação. Os servos de Jeová sabem que não dedicaram sua vida a Deus até certo ano. São seu povo dedicado para sempre! Atualmente, o inteiro mundo da humanidade é o campo de trabalho de Deus, e esse trabalho é urgente. Que privilégio usufrui o povo de Deus com seus colaboradores nesse campo, tornando conhecidos os propósitos e as provisões de Deus para a salvação! Com profundo apreço pela benignidade imerecida de Jeová Deus, estes cristãos dedicados determinadamente avançam em suas atividades, “cooperando com ele”. — 1 Cor. 3:9; 2 Cor. 5:18-6:2.
Com a ajuda do espírito santo de Deus, as testemunhas cristãs de Jeová nos Estados Unidos continuarão a servir fielmente a seu Pai celeste, junto com seus co-adoradores em toda a terra. Que todos nós demonstremos inabalável lealdade a Jeová. Que permaneçamos alertas, ativos, ao se aproximar o fim. Temos de ‘manter-nos vigilantes’. Este não é o dia para dorminhocos espirituais! É tempo de vigilância, diligência, fidelidade, ao servirmos ao Divino, cujo maravilhoso e incomparável propósito não pode falhar e não falhará.
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