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Página doisDespertai! — 1988 | 8 de novembro
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Página dois
Roma, 6 de junho de 1987. Na praça em frente à Basílica de Santa Margarida Maior, o papa deu início ao “Ano Mariano”, recitando o rosário. Ali, em um dos mais importantes santuários devotados a Maria, ele repetidas vezes pronunciou as palavras da Ave Maria, a oração que, de acordo com um diário católico, é recitada “talvez mais freqüentemente que o Pai Nosso”.
As vozes de milhares dos fiéis, ligadas por satélite a 16 outros santuários marianos, juntaram-se à do papa em oração. Graças a nada menos que 18 satélites intercontinentais, dezenas de câmaras de televisão e 95 redes de televisão, um e meio bilhão de telespectadores acompanharam tal evento.
Mas, o que Maria, a mãe de Jesus, representa para o leitor ou leitora? É a volta para Maria a solução para os problemas do mundo?
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Por que proclamar um “ano Mariano”?Despertai! — 1988 | 8 de novembro
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Por que proclamar um “ano Mariano”?
Do correspondente de Despertai! na Itália
“O PLANETA Se Reúne em Torno de Maria”, “Com Maria, Rumo ao Ano 2000”, “O Mundo Reza ao Vivo”, diziam as manchetes de jornais, comentando a transmissão, numa cadeia mundial de televisão, do Rosário,a uma das formas mais tradicionais de veneração católica. As vozes de milhares de fiéis se juntaram em oração à voz do papa. Mas por que tantas pessoas tomaram parte em tal acontecimento? O que tornou esta recitação do Rosário uma ocasião tão especial? Por que ‘o mundo se reunia em torno de Maria’?
Com esta cerimônia espetacular, João Paulo II ‘confiou’ toda a humanidade à Madona (Virgem Maria), invocando a proteção dela. Ao assim fazer, iniciou o Ano Mariano, ano que ele dedicou a Maria.
Como seria de esperar, este evento suscitou tanto a concordância como a crítica das pessoas. Os católicos tradicionalistas o descreveram entusiasticamente como “sensacional exemplo de como é possível usar-se a tecnologia moderna qual precioso instrumento a serviço dum evento relacionado com a fé”. Para outros, tanto católicos como não-católicos, foi um desperdício inútil de dinheiro, um “espetáculo cósmico” de gosto duvidoso. Muitos ficaram perturbados com o fato de que um evento religioso fosse patrocinado por “uma equipe de extravagantes agências de publicidade”, a um custo total em torno de dois milhões de dólares. E Giancarlo Zizola, observador do jornal Il Giorno perante o Vaticano, deplorou que “se tivesse montado um espetáculo multimilionário de televisão, do tipo [do circo] Barnum, reduzindo a Madona a um papel secundário de lâminas de barbear descartáveis, canetas esferográficas e meias-calças, e numa idolatria religiosa sem limites”.
João Paulo II — O “Papa da Madona”
O que moveu o principal representante do catolicismo a proclamar um Ano Mariano? Vários motivos, de acordo com observadores do Vaticano.
Alguns apontam o “fervor mariano” de João Paulo II. Muitos católicos o consideram o “papa da Madona”. Ele até mesmo incluiu, de forma bem visível, a letra “M”, a inicial de Maria, em seu emblema episcopal. Como seu dístico, adotou as palavras de Louis-Marie Grignion de Montfort, um místico católico do século 17, consagrando-se plenamente à Madona com as palavras Totus tuus (Inteiramente teu). Ele tem demonstrado sua fervorosa devoção a Maria durante suas viagens ao México, à França, à Alemanha, à Polônia, ao Brasil, a Portugal, à Espanha e a outros países, por visitar os mais famosos santuários dedicados a ela. Segundo observadores, portanto, a proclamação de um Ano Mariano é uma demonstração adicional da fervorosa “espiritualidade mariana” do papa.
Também, por um bom tempo, nas esferas católicas mais conservadoras, existe certa preocupação com o fato de que a adoração mariana parece ter ficado obscurecida. Neste século, descrito triunfantemente pelo Papa Pio XII como “a era de Maria”, os clérigos católicos testemunham o que eles mesmos denominam de “profunda crise mariana”. Esperavam que o Ano Mariano ajudasse a “redescobrir Maria”, assim reavivando a adoração a ela.
Na oração composta para a abertura do Ano Mariano, João Paulo II confiou “toda a humanidade, suas esperanças e seus temores”, a Maria. Ele havia feito isso em duas ocasiões prévias, assim como outros papas anteriores a ele. Visto que os mais fervorosos marianistas estão convictos de que a “atual e estarrecedora crise de fé” também é devida à crise da adoração mariana, eles afirmam que, se o mundo retornar a Maria, alguns dos maiores problemas da humanidade serão solucionados. “O modo de vida cristão substituirá o atual materialismo, haverá a conversão das nações atéias. E a humanidade terá paz”, escreve o periódico católico Ecce Mater Tua.
Maria e a Esperança de um Novo Mundo
Por fim, o papa nutre esperanças de que, sob a orientação da Madona, será possível preparar-se para o ano 2000, ano este a que o líder do catolicismo atribui suma importância. De acordo com a Igreja, são indispensáveis os preparativos para esta data, uma vez que, como declara o periódico católico Verona fedele: “Neste fim de século, a humanidade se encontra em sua hora mais trágica, mas também na hora mais promissora de sua História. Chegamos a uma encruzilhada: por um lado, há a possibilidade mui concreta de autodestruição; por outro lado, a esperança de uma nova era, de um novo mundo. . . . Se nos permitirem usar uma expressão bíblica, gostaríamos de dizer que estamos ‘nos últimos tempos’, isto é, os tempos que concluem um longo e doloroso episódio da história humana; mas também os tempos que parecem dar início a um outro tempo, mais tranqüilo e feliz.” Por conseguinte, é para facilitar a volta a Deus, num momento considerado crucial, que o papa confiou o mundo inteiro a Maria.
Mas, o que realmente significou para os católicos este período decorrido entre 7 de junho de 1987 e 15 de agosto de 1988? Como é que o Ano Mariano foi celebrado? Qual foi a reação das outras denominações religiosas para com essa iniciativa da Igreja Católica?
[Nota(s) de rodapé]
a Uma devoção católica, que utiliza as contas do rosário, “de meditação sobre, geral[mente], cinco mistérios sagrados, durante a recitação de cinco décadas de Ave-Marias”. Webster’s Ninth New Collegiate Dictionary (Nono Novo Dicionário Collegiate, de Webster).
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O ano Mariano — diferentes pontos de vistaDespertai! — 1988 | 8 de novembro
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O ano Mariano — diferentes pontos de vista
A Bíblia inegavelmente apresenta Maria como fiel discípula de Jesus. (Atos 1:14) Ao examinarmos o significado do Ano Mariano, certamente não temos a intenção de menosprezar sua reputação, nem sua fidelidade. No entanto, em vista de que o ano dedicado a ela foi um evento religioso de sua importância, é somente correto que as pessoas que crêem em Deus se perguntem: Aprova Deus a veneração prestada a Maria? E é Maria a solução de Deus para a crise do mundo?
ESTE Ano Mariano é o segundo a ser celebrado pela Igreja Católica. O primeiro, de 1953 a 1954, foi proclamado pelo Papa Pio XII para celebrar o centenário da proclamação do dogma da Imaculada Conceição. Isto se deu apenas poucos anos depois de o mesmo papa ter formulado o ensino da Assunção.a
O que alguns católicos se lembram sobre o primeiro Ano Mariano foi o grande número de novos seminaristas. Eles evidentemente esperavam que isto se repetisse, em vista da presente crise de vocações. Reina, com efeito, grande preocupação quanto à escassez de sacerdotes. De acordo com Luigi Accattoli, perito do jornal Il Corriere della Sera sobre assuntos do Vaticano, calcula-se que, dentre as 300.000 comunidades católicas do mundo, “mais da metade não têm um sacerdote residente”. Por conseguinte, não é coincidência que os fiéis sejam exortados a freqüentar os santuários marianos, definidos como “locais que promovem as vocações”. Bastará um Ano Mariano para dar nova vida aos números decrescentes de clérigos católicos?
Maria, as Vocações, e o Ateísmo
Alguns se lembram das manifestações grandiosas de devoção à “Virgem” no primeiro Ano Mariano. Naquele tempo, mobilizaram-se até as forças armadas de diversas nações. Em Loreto, Itália, sede dum celebrado santuário mariano, houve um impressionante desfile da Força Aérea italiana. Quinhentos fuzileiros navais americanos fizeram uma peregrinação a Lourdes, França. Na Irlanda, “as unidades do exército foram consagradas à Madona, que, para tal ocasião, foi proclamada Marechal do exército”, afirma o jornal La Repubblica.
O Papa Pio XII, ao fazer tal proclamação em 1953, esperava que o Ano Mariano contribuísse para se opor a todos aqueles que “se empenham em erradicar das almas a fé em Cristo”, e contrabalançasse as ideologias atéias deles. “Não é exagero algum afirmar que o Ano Mariano de 1954”, afirma o jornal Avvenire, “conseguiu verdadeiros milagres de inesperadas e ansiadas conversões”. Similarmente, hoje, nos círculos católicos, julga-se que o renovado fervor mariano sirva para combater as ideologias atéias e os governos que as propagam.
O jornal The New York Times aponta que João Paulo II “declarou publicamente seu desejo de visitar a União Soviética, caso pudesse pregar livremente ali”. E, esperava-se até mesmo que 1988, “o ano da celebração do milênio do Cristianismo na Rússia, seja também o ano em que o Papa renovará a explícita consagração [daquela] Terra . . . para a sua conversão”, escreve o teólogo católico René Laurentin, em Avvenire.
Tratamento Especial Dado a Maria
Vários empreendimentos foram planejados para os 14 meses que findaram em 15 de agosto de 1988, o último dia do Ano Mariano, todos eles visando ‘honrar a Mãe do Senhor’ e revitalizar a veneração dela, depois de anos de declínio. O papa lançou uma encíclica expressamente dedicada a Maria, e planejaram-se diversos congressos para examinar o importante papel desempenhado por Maria.
Os católicos receberam instruções precisas quanto ao Ano Mariano. Entre outras coisas, deviam celebrar solenemente todas as festas marianas e fazer uma peregrinação às igrejas dedicadas à Madona (Virgem Maria). Podiam também beneficiar-se da “indulgência plenária”b por participarem devotadamente nos dias santos e nas festas litúrgicas marianas, ou por receberem piamente a bênção papal dada pelo bispo, mesmo que transmitida pelo rádio ou pela televisão. Foram aconselhados a dar maior valor ao altar dedicado a Maria, em cada igreja católica.
Reação Protestante e Dissensão Católica
Esta iniciativa católica foi aceita positivamente pelas Igrejas Ortodoxas, que também praticam a veneração a Maria, mas, como seria de esperar, surgiram reações bem diferentes de grupos religiosos protestantes.
A hierarquia católica, bem cônscia de que Maria continua a representar um dos pontos de desacordo com os protestantes, tem tentado não aprofundar os contrastes, repetindo que o Ano Mariano “estimulará o diálogo ecumênico”. Mas as mesmas fontes católicas reconhecem que o Ano Mariano tem provocado ‘amargas reações’, “um coro de invectivas” e “uma tempestade de protestos” entre os protestantes. De acordo com o periódico Vita pastorale, é por isso que os grupos ecumênicos católicos se empenham em “refrear a exuberância intolerante, em evitar o sentimentalismo doentio, em reformular a adoração de relíquias” da Madona. Diversos periódicos católicos repetiam insistentemente que o Ano Mariano deveria ser celebrado ‘tendo-se presente a nova consciência ecumênica’ e pondo-se de lado ‘os aspectos devocionistas e antiecumênicos’.
Para muitos protestantes, a devoção e as práticas marianas são idólatras. Assim sendo, vários grupos protestantes italianos, propuseram a suspensão de todos os contatos ecumênicos com os católicos durante o Ano Mariano, e o sínodo dos waldenses e a Igreja Metodista lançaram uma declaração que criticava severamente a iniciativa papal, chamando-a de “obstáculo para o verdadeiro encontro ecumênico”.
Ademais, nem todos os clérigos católicos concordam com a iniciativa papal. O sacerdote católico Franco Barbero causou sensação ao declarar publicamente que jamais orava a Maria. Em sua “Carta a Maria”, Barbero declara que ela se acha esmagada “sob um monte de dogmas, relíquias, devocionismos, lendas e superstições”. O mesmo sacerdote também declarou que o próprio fato de se “falar de ‘um ano de Maria’ poderia suscitar legítimas perplexidades”.
Com-nuovi tempi, um periódico editado por católicos progressivos, disse: “Parecia que as aberturas ecumênicas da Igreja Católica [depois do Concílio Vaticano II] iriam, pelo menos, ajudar a não se repetir as velhas práticas religiosas marianas que tinham poucas raízes nas origens cristãs comuns. Infelizmente, as celebrações deste ano ‘Mariano’ serão contrárias aos interesses do reavivamento . . . de uma fé cristã não-alienada.”
Por que, então, as autoridades eclesiais e até o próprio papa insistem em dar tanta ênfase à figura de Maria? Por que os católicos “amam a Maria antes de amarem a Jesus”, como disse a Madre Teresa de Calcutá? Em outras palavras, por que existe o culto a Maria?
[Nota(s) de rodapé]
a De acordo com um catecismo católico, Maria foi “preservada, pela graça de Deus, de toda mancha de pecado desde a sua concepção” (o dogma da Imaculada Conceição) e, no fim de sua existência terrestre ela foi levada de “corpo e alma” para o céu (o dogma da Assunção). — Signore, da chi andremo? — Il catechismo cattolico degli adulti (Senhor, Para Quem Iremos? — Catecismo Católico Para Adultos).
b De acordo com a doutrina católica, por meio da indulgência plenária, cancelam-se todos os castigos que deviam ser cumpridos no Purgatório, devido a pecados veniais.
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A razão para tal cultoDespertai! — 1988 | 8 de novembro
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A razão para tal culto
OS HISTORIADORES admitem que os cristãos primitivos não adoravam, nem veneravam Maria, ou qualquer outra criatura. Por que, então, tantos católicos se tornaram “adoradores da Madona”, como o sacerdote Franco Molinari os chama?
Existem muitos motivos. Alguns provêm diretamente das doutrinas ensinadas pela Igreja Católica. Por exemplo, visto que a Igreja ensina que Jesus é igual a Deus, isto não deixa nenhum intermediário independente entre o homem e Deus. Deus e Cristo, cercados por uma aura de mistério trinitarista, não são mais acessíveis, e, por este motivo, o papel de “mediadora” entre a Divindade e a humanidade foi delegado à Madona (Virgem Maria). Em certos movimentos marianos, são comuns lemas tais como: “A Jesus, por intermédio de Maria”, ou: “A Virgem, o elo entre nós e Cristo.” No discurso de abertura do Ano Mariano, João Paulo II disse que as pessoas tinham de “retornar a Deus por meio de Maria”.
Através da História, Deus e Cristo têm sido muitas vezes representados como juízes implacáveis e inflexíveis. Assim, não é surpreendente, como reconhece o teólogo René Laurentin, que alguns católicos “tenham contrastado a justiça vindicativa de Cristo com a misericórdia de sua Mãe: ‘Jesus quer condenar, Maria quer salvar’”. “Mesmo que tenhamos cometido muitos pecados”, escreve um bispo, “nossa Mãe celeste ternamente nos perdoará; se tivermos temor da justiça de Deus, certamente não temeremos o coração da Mãe”. Evidentemente, “Deus não fornece suficiente reconforto” para os católicos, conclui o periódico italiano Panorama.
No decorrer dos séculos, vários concílios e papas têm encorajado, e continuam a encorajar, a veneração de Maria e das imagens dela. A teologia católica emprega vários termos provenientes do grego para diferençar os vários graus de adoração: latria é a adoração de Deus e de Jesus; dulia é a veneração dos santos, e hiperdulia é o “culto especial” reservado à Madona. Em harmonia com tais definições, na sua recente encíclica, João Paulo II reafirma que “as imagens da Virgem Maria têm um lugar de honra nas igrejas e nas casas”, porque ela é digna de “culto especial”.
Mas, não é verdade que este “culto especial” tem movido alguns teólogos a considerá-la, como declarou Panorama, “a quarta pessoa da Santíssima Trindade”? Não é verdade que isso os moveu a declarar — como faz certo catecismo mariano — que “a grandeza dela quase chega a ser infinita”?
Efetivamente, portanto, o conceito de Maria como “modelo perfeito de todas as virtudes” serve para satisfazer aquilo que Panorama chama de o “desejo de segurança” da parte dos fiéis católicos, acima de tudo agora, no meio das atuais ansiedades desta geração. Deveria surpreender-nos, então, que alguns dos clérigos católicos tenham condenado os extremos devocionistas dos fiéis?
Guia Para o Ano 2000?
Como dissemos, segundo as intenções do papa, o reavivamento da figura de Maria ajudará na preparação para o ano 2000. Em face dos temores e das ansiedades causadas pelos “sintomas de moléstia que permeiam esta geração”, o papa deposita sua confiança na Madona, de modo que ela possa interceder perante Deus e solucionar os problemas do mundo. Mas será que a Bíblia nos leva a Maria em busca duma solução para estes “sintomas de moléstia”? Em quem devemos realmente confiar, a fim de testemunhar o cumprimento da “esperança de uma nova era, de um novo mundo”?
[Foto na página 8]
A Madona é venerada sob diferentes formas, em todo o mundo católico.
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Quem realmente tem a solução para os problemas da humanidade?Despertai! — 1988 | 8 de novembro
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Quem realmente tem a solução para os problemas da humanidade?
“MÃE dos homens” — foi assim que João Paulo II definiu Maria em sua recente encíclica, fazendo eco às palavras do Concílio Vaticano II. Muitos católicos crêem que Maria acompanha e auxilia a cada pessoa que crê, auxiliando-a em cada instante de sua vida. Por este motivo, muitos invocam fervorosamente a proteção dela. Estão convictos de que, em muitas ocasiões, a Madona interveio diretamente para mudar o curso dos assuntos humanos.
De acordo com o livro Un anno di grazia con Maria (Um Ano de Graça com Maria), dirigem-se orações a Maria, com as seguintes palavras: “Lembrai-vos, ó misericordiosa Virgem Maria, de que jamais foi dito no mundo que aqueles que invocam a vossa proteção, que imploram o vosso auxílio, e que suplicam o vosso amparo, foram abandonados por vós.” É digno de nota que pelo menos duas das festas marianas constantes do “calendário litúrgico” — aquelas do “Nome de Maria” e de “Maria do Rosário” — comemoram vitórias militares que foram conseguidas graças à suposta intervenção de Maria. Devemos presumir, então, que Maria é nacionalista?
É bem normal e compreensível buscar o auxílio e a proteção de alguém que nos possa ajudar na solução de nossos problemas. Mas, estará em harmonia com a vontade de Deus e a Bíblia colocar a confiança da pessoa em Maria, invocando o auxílio dela?
Quem Tem a Solução?
As ansiedades e os temores de nossa geração acham-se, como já dissemos, entre os motivos de o papa proclamar um Ano Mariano. A Igreja Católica espera que, com a mente das pessoas voltada para Maria, a paz e a harmonia retornem à humanidade e que, como escreve um teólogo católico, “deste modo o verdadeiro drama deste mundo será solucionado”.
Até Jesus, em uma de suas bem conhecidas profecias, falou de um tempo em que os homens ‘desfaleceriam de medo, na expectativa do que ameaçaria o mundo’. (Lucas 21:25, 26, A Bíblia de Jerusalém) A prova histórica indica que Jesus se referia a nossos tempos. Vivemos agora “nos últimos dias”. (2 Timóteo 3:1-5, BJ; Mateus, capítulo 24; Lucas, capítulo 21) Existe um meio de sairmos dessa situação crítica? Em quem devemos confiar, de modo a encontrarmos uma solução para os angustiantes problemas da humanidade? Devemos colocar nossa confiança em Maria?
A Verdadeira Solução
Deus tem sido muito claro sobre este assunto. Em sua Palavra, a Bíblia, ele diz que não devemos confiar no homem ou na mulher. (Salmo 49:6-9; 146:3) A exortação dada por Ele aos sofredores é: “Confiai em Jeová para todo o sempre, pois em Jah Jeová está a Rocha dos tempos indefinidos.” — Isaías 26:4.
Mas, como é que Jeová Deus solucionará os problemas da humanidade? Por meio de seu governo, o seu Reino às mãos de Cristo Jesus. Este é o Reino pelo qual Jesus ensinou as pessoas a orar, na oração do “Pai Nosso”. (Mateus 6:9, 10) Jesus tinha em mente o Reino quando, ao falar das terríveis condições dos “últimos dias”, disse: “Mas, quando estas coisas principiarem a ocorrer, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque o vosso livramento está-se aproximando.” — Lucas 21:28-32.
O que este Reino realizará? Haverá uma conversão universal de todas as pessoas, como alguns movimentos católicos esperam? Não, a Bíblia é muito clara sobre este ponto. Jesus indicou que nem todos serão salvos, nem haverá uma conversão geral das pessoas. Ele falou que havia apenas uma “estrada que conduz à vida” e disse que “poucos” a achariam. — Mateus 7:13, 14.
O Reino de Deus intervirá para eliminar radicalmente os problemas da humanidade, tais como as guerras, a escassez de alimentos, a doença, o crime, o mau governo, e a poluição. (Salmo 46:9; 67:6; Provérbios 2:22; Isaías 33:24; Daniel 2:44) Sob o governo do Reino, haverá uma “abundância de paz”. (Salmo 72:7) Esta é a solução divina para os problemas da humanidade, e, como a Bíblia diz: “Bendito o varão vigoroso que confia em Jeová e cuja confiança veio a ser Jeová.” — Jeremias 17:7.
Não é por depositar nossa confiança numa criatura humana, tal como Maria, não importa quão fiel ela possa ter sido, que podemos esperar ver a solução para os dramáticos problemas de nosso mundo. É essencial depositar nossa confiança em Jeová, por meio de Cristo Jesus, e aceitar o modo Dele de endireitar as coisas. A felicidade só virá por meio do Reino de Deus.
Mas o que é exatamente este Reino? Como funciona? Que resultados tangíveis já produziu? Poderá saber disso por perguntar àqueles que lhe trouxeram esta revista.
[Foto na página 10]
O Reino de Deus, por Cristo Jesus, é a solução para os problemas da humanidade.
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Maria, na igreja e na BíbliaDespertai! — 1988 | 8 de novembro
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Maria, na igreja e na Bíblia
MUITOS, mesmo em círculos católicos, criticam o aumento do número de títulos atribuídos a Maria, e alguns receiam que o atual papa, depois de sua recente encíclica, defina um novo dogma sobre “Maria, mediadora de todas as graças”. Muitos peritos católicos reconhecem que, no decorrer dos séculos, à medida que crescia o culto a Maria, os títulos dados a ela aumentaram concordemente. (Veja a coluna central.)
No entanto, no livro La Vergine Maria (A Virgem Maria), o teólogo francês René Laurentin, considerado o mais destacado perito em mariologia, afirma que, durante todo o segundo século EC, Maria virtualmente jamais é mencionada, e que, no mundo antigo, antes do terceiro século, não existem vestígios de festas ou de orações em honra dela. Ademais, as várias doutrinas católicas a respeito dela só surgiram bem mais tarde na História, e não têm base bíblica.
Exemplos:
A Igreja ensina que Maria é a Theotókos (“Genetriz de Deus”, ou “Mãe de Deus”), título que somente lhe foi dado depois do quarto século. Não aparece na Bíblia.
A Igreja afirma que ela sempre foi virgem. Ao passo que a própria Bíblia declara especificamente que Maria era “virgem” antes de dar à luz Jesus, a “virgindade depois do parto não é indicada no Novo Testamento”, escreve o teólogo católico Laurentin. A Bíblia indica claramente que ela teve filhos com José. — Lucas 1:27; Mateus 13:53-56, A Bíblia de Jerusalém.
Quanto ao dogma da Imaculada Conceição, Laurentin indica que, nos tempos antigos, havia “numerosos Pais [da Igreja] que não tiveram dificuldade em achar . . . pecados na Mãe de Jesus”. No século 17, até a Inquisição Romana achou suspeita tal doutrina. “O dogma da imaculada conceição de Maria foi proclamado sem qualquer prova bíblica”, comenta o jesuíta John McKenzie.
A respeito do dogma da Assunção, Laurentin sustenta que, como o anterior, ‘não tem base bíblica explícita’. Este ensino se baseia na “idéia da imortalidade da alma racional, que tem origem platônica”, afirma a revista Concilium.
Mas, qual é o ponto de vista da Bíblia? Deve Maria ser considerada um ‘modelo inatingível’? O apóstolo Pedro diz que Cristo é que é o modelo que os cristãos devem seguir. (1 Pedro 2:21) A Bíblia descreve Maria como uma mulher fiel, pronta a ouvir a Deus, a pôr em primeiro lugar os interesses espirituais. Ela tinha apreço pela limpeza moral, e era muitíssimo escrupulosa em ensinar a Palavra de Deus a seus filhos. — Lucas 1:26-38; 2:41, 42, 46-49; Atos 1:14.
No entanto, ela não pode ser descrita como a “Mãe de Deus” pelo simples motivo de que Jesus não era o “Deus Filho”, mas sim o “Filho de Deus”. A doutrina da Trindade não era parte da antiga crença hebraica, e não é ensinada na Bíblia. — 1 João 4:15; Lucas 1:35; João 14:28; 1 Coríntios 11:3; 15:27, 28.
Será correto falar-se da virgindade perpétua de Maria? A Bíblia deveras menciona os “irmãos” e as “irmãs” de Jesus. (Mateus 13:53-56) A Igreja Católica afirma que estes eram primos dele. Mas o escritor católico Jean Gilles indica que as Escrituras Gregas Cristãs utilizam os mesmos termos para se referir aos irmãos e às irmãs de outros personagens da Bíblia, tais como Pedro e André, bem como Lázaro, Marta e Maria, e que “eles eram verdadeiros irmãos e irmãs. A Igreja jamais os apresentou de forma diferente”. Por que, então, deveriam aqueles ser chamados de primos de Jesus, quando as Escrituras falam de “irmãos” e de “irmãs”?
Era Maria imaculada, ou sem pecado, por ocasião de sua concepção? Os teólogos explicam que isto foi possível por causa de sua “redenção antecipada”. Em outras palavras, os benefícios do resgate de Cristo foram aplicados antecipadamente a ela, mesmo antes de Jesus ser concebido e sacrificado. Mas isto colide com o ensino da Bíblia de que “a menos que se derrame sangue, não há perdão”. (Hebreus 9:22) Por conseguinte, é incorreto falar de uma “redenção antecipada”. (Romanos 5:12; compare Lucas 2:22-24 com Levítico 12:1-8.) Este dogma, conclui Laurentin, “não é bíblico”.
Foi Maria levada corporalmente para o céu? ‘A Escritura não afirma a Assunção de Maria’, diz o Nuovo dizionario di teologia (Novo Dicionário de Teologia), e nem poderia fazê-lo, uma vez que ela afirma categoricamente que “a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”. — 1 Coríntios 15:50, BJ.
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